Printer Friendly

Visuospatial Cognitive Processes and Visual Surrounding Environment: Educational Implications/Processos Cognitivos Visuoespaciais e Ambiente Visual Circundante: Implicacoes Educacionais.

Compreender os processos cognitivos e a forma como decorre o seu desenvolvimento e um aspecto que tem preocupado a comunidade cientifica ao longo dos anos, particularmente quando falamos em criancas em idade escolar. O conhecimento dos processos atencionais e mnemonicos, assim como a sua relacao com a aprendizagem e um aspecto crucial para a eficacia dos varios profissionais que trabalham com essa faixa etaria, nomeadamente os psicologos e professores. Este trabalho apresenta uma revisao de literatura que aborda a importancia da atencao seletiva, da inibicao e da memoria de trabalho na aprendizagem das criancas em idade escolar. A abordagem aqui apresentada refere-se sobretudo ao componente visuoespacial dos processos mencionados e focaliza a apresentacao dos principais resultados e conclusoes de varias investigacoes. O trabalho tambem aponta possiveis linhas de investigacao futuras, dando particular enfoque a uma lacuna que a maioria dos estudos apresenta: a sua pouca validade ecologica. Comecemos por apresentar uma definicao de validade ecologica: diz respeito aos metodos cientificos com que estudamos comportamentos humanos em contextos ambientais especificos, o mais proximos possivel dos contextos reais em que esses ocorrem (Davids, 1988). A validade ecologica relaciona-se em grande medida com o ambiente circundante ao individuo, que tem sido considerado em contexto educacional (Fisher, Godwin, & Seltman, 2014), assim como no campo da Psicologia Cognitiva Basica (Rodrigues & Pandeirada, 2015), embora a sua evidencia empirica seja ainda muito escassa, tal como se pode compreender ao longo do presente artigo.

O trabalho da particular destaque a influencia do ambiente visual circundante na aprendizagem, terminando com uma proposta de procedimento de investigacao em meio educacional. Essa proposta fundamenta-se na interacao individuo-ambiente circundante. Esta defende que nao se deve investigar o individuo e consequentemente o seu comportamento sem se considerar tambem a influencia que o ambiente circundante nele exerce (Barrett, Davies, Zhang, & Barrett, 2015; Gifford, 2007). Aumentar a validade ecologica dos procedimentos experimentais torna-se, por isso, vital para se compreender com maior exatidao os processos cognitivos que baseiam as atividades do cotidiano, de que e exemplo a aprendizagem escolar das criancas.

Atencao Seletiva, Inibicao, Memoria de Trabalho e Aprendizagem: Definicoes

Apresentar qualquer um dos conceitos nao e uma tarefa simples e carece ate de consensualidade. Contudo, as definicoes que se apresentam seguidamente procuram ser uma convergencia de varios autores, que ao longo das ultimas decadas se tem dedicado ao estudo dos referidos processos cognitivos.

Comecemos por definir atencao. Trata-se de um processo complexo que nos permite focar os recursos cognitivos em uma dada informacao ambiental, podendo dirigir-se a uma so tarefa ou ser distribuida por varias (Lachman, Lachman, & Butterfield, 2015; Posner, 2011). E um processo cognitivo essencial para diversos outros, nomeadamente para a percepcao, a acao, a memoria e a aprendizagem, sendo, por isso, considerado a primeira etapa dos sistemas de pensamento e de acao (Amso & Scerif, 2015). Existem diversos tipos de atencao de que sao exemplo: atencao seletiva, dividida ou sustentada (Styles, 2005). Neste trabalho da-se particular enfoque ao processo de atencao seletiva, que diz respeito a capacidade humana de se direcionarem os recursos cognitivos para informacoes relevantes a determinados objetivos, enquanto se ignoram as irrelevantes (Gazzaley & Nobre, 2012; Posner, 2011; Styles, 2005). No caso concreto do presente trabalho, focamo-nos na informacao visuoespacial. Diariamente, na relacao que estabelecemos com o meio ambiente, estamos expostos a uma grande variedade e quantidade de estimulos, nomeadamente do foro visuoespacial, nao sendo possivel processa-los todos em simultaneo (Amso & Scerif, 2015). O que explica em grande parte a selecao que fazemos constantemente desses estimulos visuoespaciais e o controle dicotomico atencional efetuado quer pelo processamento bottom-up ou ascendente, quer pelo processamento top-down ou descendente. O primeiro permite-nos processar os estimulos externos de acordo com a sua relevancia e carateristicas proprias (e.g., prestar atencao a um estimulo visual colorido). A rede neuronal do processamento bottom-up designa-se por rede atencional ventral e e constituida pela juncao temporoparietal, bem como pelo cortex frontal ventral (Katsuki & Constantinidis, 2012; Petersen & Posner, 2012). Por outro lado, o processamento top-down, baseado nas nossas influencias internas, permite-nos focar a atencao nos estimulos que efetivamente sao relevantes para uma dada tarefa, enquanto ignoramos outros que sao irrelevantes (Zanto, Hennigan, Ostberg, Clapp, & Gazzaley, 2010). A rede neuronal do processamento top-down e a rede atencional dorsal, constituida nomeadamente pelos campos oculares frontais e pelo sulco intraparietal/lobo parietal superior (Petersen & Posner, 2012).

Outro processo cognitivo igualmente importante no nosso dia-a-dia e que se encontra estreitamente relacionado com a atencao seletiva e a inibicao. Esta, tambem designada por controle inibitorio, diz respeito a capacidade de os individuos inibirem respostas a estimulos irrelevantes ou distratores a um dado objetivo, que habitualmente interrompem o curso de uma acao ou resposta (Barkley, 1997, 2001; Diamond, Barnett, Thomas, & Munro, 2007). O controle inibitorio parece ser, assim, um processo cognitivo complementar ao de atencao seletiva, estando os dois interligados na execucao de variadas tarefas do nosso dia-a-dia (Booth et al., 2003; Terry, 1995). O objetivo fisiologico do controle inibitorio e a supressao de entradas internas (por intermedio, por exemplo, da memoria) e externas (por intermedio dos sentidos) que possam interferir no comportamento em curso. Dificuldades no controle inibitorio estao comumente associadas a impulsividade. Um dos indicadores do desenvolvimento psicossocial da crianca e precisamente o desenvolvimento progressivo do controle inibitorio sobre os estimulos internos e externos. De fato, a medida que a crianca cresce, verificase o desenvolvimento dos seus processos atencionais, o que a leva a tornar-se mais capaz de focalizar e de centrar a sua atencao nas tarefas em curso, tornando-a menos distraida, menos impulsiva e, portanto, mais capaz de exercer o autocontrole (Fuster, 2002; Kirkham, Cruess, & Diamond, 2003; Zelazo, Craik, & Booth, 2004).

Ja a memoria diz respeito ao processo cognitivo por via do qual codificamos, armazenamos e recuperamos as informacoes, designadamente as presentes no meio ambiente (Radvansky, 2011). Para melhor percebermos o seu funcionamento, facamos uma analogia a um computador. Imaginemos que queremos registar uma determinada informacao em um documento digital, gravando esse documento no disco do computador. Nessa analogia, a codificacao mnesica diria respeito ao processo de escrita da informacao atraves do teclado do computador, enquanto o armazenamento diria respeito ao processo de gravacao do documento no disco do computador. A recuperacao seria analoga a procura e abertura do documento digital a partir do disco do computador quando estamos a realizar uma tarefa e necessitamos de consultar o documento para a sua execucao (Gleitman, Fridlund, & Reisberg, 2007; Styles, 2005). Existem varios tipos e modelos que tentam explicar os processos de memoria, contudo um dos mais estudados e ao qual se da particular destaque neste artigo diz respeito ao modelo de memoria de trabalho (Baddeley, 1992, 2010, 2012). Esta refere-se ao sistema de armazenamento e manipulacao temporaria da informacao que atua durante a realizacao de um conjunto de outras tarefas cognitivas, tais como na compreensao, na aprendizagem e no raciocinio (Baddeley, 2010). Consiste na capacidade mnesica de manter e/ou manipular, por curtos periodos de tempo, as informacoes relevantes a uma dada tarefa, tratando-se, por isso, de um sistema ativo de armazenamento da informacao (Baddeley, 1992, 2010). Segundo recentes atualizacoes do referido modelo (Baddeley, 2012), esse tipo de memoria compreende quatro componentes: o executivo central, a alca fonologica, o esboco visuoespacial, bem como o buffer episodico. O primeiro engloba capacidades de atencao e selecao de informacao, que permitem selecionar as informacoes a uma dada tarefa, ignorando os estimulos irrelevantes/distrativos. O executivo central permite ainda a ligacao entre informacao que esta a ser processada em um determinado momento e aquela que esta armazenada na memoria a longo-prazo. Esse componente justifica que a atencao seletiva e a memoria de trabalho apresentem uma estreita relacao bidirecional, influenciando-se mutuamente (de Fockert, Rees, Frith, & Lavie, 2001; Rutman, Clapp, Chadick, & Gazzaley, 2010). A alca fonologica e responsavel pelo processamento do material verbal, ou seja, e fundamental para a coerencia e compreensao dos discursos. Trata-se de uma componente da memoria de trabalho essencial para a aquisicao de nova informacao verbal, nomeadamente a aquisicao de palavras. O esboco visuoespacial e responsavel pela manipulacao e armazenamento de informacao visual e espacial, tendo um papel basilar na orientacao espacial e no conhecimento geografico. Alem disso, o esboco visuoespacial e ainda indispensavel a tarefas academicas, nomeadamente na leitura, uma vez que, entre outras funcoes, permite a representacao da pagina, bem como a movimentacao dos olhos com a precisao necessaria para uma leitura coerente. Ja o buffer episodico e responsavel pela integracao das informacoes verbal e espacial, bem como destas com a memoria a longo-prazo, integrando informacoes provenientes do exterior (ambiente circundante) ou do interior (memoria a longo-prazo; Baddeley, 2010, 2012). O buffer episodico tem um papel fundamental na evocacao das memorias a longoprazo, ja que durante esse processo, os tracos de memoria sao nele reunidos, para, em seguida, serem organizados e editados, surgindo finalmente como um material "lembrado" (Baddeley, 1992, 2010). Todo esse processo e mediado, entre outros, pelo cortex pre-frontal, estrutura neocortical que envia e recebe projecoes de praticamente todos os sistemas corticais sensoriais, sistemas motores, assim como de muitas estruturas subcorticais, e essencial aos processos cognitivos responsaveis pelo planeamento e execucao das acoes (Blair & Razza, 2007; Jurado & Rosselli, 2007; Miller & Cohen, 2001). Uma das carateristicas mais consensuais acerca da memoria de trabalho diz respeito ao fato de se tratar de um sistema de memoria rapido, durando apenas alguns segundos, com capacidade limitada o suficiente para memorizarmos um numero de telefone e o esquecermos logo em seguida a efetuarmos um telefonema, por exemplo (Baddeley, 2010). A memoria de trabalho permite a realizacao de outros processos cognitivos, como raciocinio ou aprendizagem, estando na base de tarefas como leitura, compreensao ou operacoes aritmeticas. Com esses exemplos, facilmente percebemos a importancia desse tipo de memoria no processo de aprendizagem, que exige uma constante manipulacao da informacao (e.g., memoria de trabalho e leitura: Arrington, Kulesz, Francis, Fletcher, & Barnes, 2014; memoria de trabalho e matematica: Friso-van den Bos, van der Ven, Kroesbergen, & van Luit, 2013).

Uma das principais funcoes do sistema educativo e a formacao dos alunos, que implica aquisicao, compreensao e posterior aplicacao dos conhecimentos adquiridos em diversas circunstancias da vida. O processo de aprendizagem esta, desse modo, estreitamente interdependente de processos cognitivos como atencao, controle inibitorio e memoria de trabalho (Baddeley, 2010; Borella, Carretti, & De Beni, 2008; Pinto, 2001). Antes de avancarmos no presente trabalho, parece importante apresentar-se uma definicao de aprendizagem. Esta diz respeito a mudanca relativamente estavel no comportamento produzida essencialmente pela experiencia, i.e., diz respeito ao processo pelo qual os nossos conhecimentos sao adquiridos e/ou modificados. A principal carateristica da aprendizagem e a aquisicao de informacao (Tavares, Pereira, Gomes, Monteiro, & Gomes, 2007). Se, em animais, essa aquisicao esta sobretudo relacionada com a intensidade dos estimulos; em humanos, esta tambem relacionada com estados emocionais, bem como com a motivacao (Boekaerts, 1996; Nelson & Low, 2003). Nos humanos, o conceito de aprendizagem esta intimamente relacionado com a educacao e o desenvolvimento pessoal (Gleitman et al., 2007). Esse processo de aquisicao de conhecimentos tem inicio na estimulacao sensorial e termina com o seu armazenamento e recuperacao (memoria), atraves da representacao interna que criamos das informacoes recebidas. Essa representacao e influenciada por multiplos fatores, entre eles a atencao, a repeticao e a pratica, bem como as crencas (Nelson & Low, 2003; Pinto, 2001). Segundo varios dados da neurociencia experimental, a aprendizagem ocorre devido a plasticidade das redes neurais que se auto-organizam em funcao dos estimulos externos, o que parece justificar em grande parte o processo de evolucao das especies, que ocorreu em funcao da pressao exercida pelo meio ambiente (Feldman, 2009; Gallistel, 2000). O processo de aprendizagem humano, sobretudo quando falamos no sistema educativo, pressupoe que, para uma crianca aprender, e necessario que se desencadeie uma gestao continua do material ja memorizado, que se ira moldar e fundir aos novos conceitos adquiridos (Garner, 2009). Para esse processo ocorrer, as seguintes fases devem encontrar-se em coordenacao e bom funcionamento: aquisicao, retencao e evocacao da informacao (Garner, 2009; Pinto, 2001; Vuontela et al., 2013). Qualquer deficit em uma dessas fases parece colocar em risco o processo de aprendizagem (Gathercole et al., 2008; Gathercole, Alloway, Willis, & Adams, 2006; Mammarella & Cornoldi, 2005; St Clair-Thompson & Gathercole, 2006). As funcoes cognitivas executivas, nomeadamente a atencao e a memoria de trabalho, sao essenciais para as criancas lidarem com as elevadas exigencias escolares de hoje (Aronen, Vuontela, Steenari, Salmi, & Carlson, 2005). Foquemo-nos na relacao que os processos visuoespaciais de atencao, inibicao e memoria de trabalho tem com a aprendizagem e, por conseguinte, com o sistema educativo. Para o efeito, apresentamos, em seguida, resultados de alguns estudos.

O Papel da Atencao Seletiva, da Inibicao e da Memoria de Trabalho na Aprendizagem

Um dos estudos que se destaca neste artigo e o de Vuontela et al. (2013), que teve dois objetivos centrais. O primeiro passou por investigar o desenvolvimento dos diferentes processos cognitivos envolvidos em uma tarefa de memoria de trabalho, em uma tarefa de atencao e em uma tarefa de inibicao. O segundo objetivo consistiu em verificar se as funcoes executivas estao associadas ao funcionamento adaptativo, ao desempenho academico, bem como aos sintomas emocionais e comportamentais das criancas. A atencao foi investigada atraves do Continuous Performance Test; a memoria de trabalho visuoespacial, atraves de uma tarefa n-back (com 3 niveis: 0, 1 e 2-back); e a resposta inibitoria, atraves de uma tarefa Go/No-Go. Utilizaram-se ainda instrumentos de avaliacao do funcionamento adaptativo, do desempenho academico, bem como da sintomatologia psiquiatrica. Os participantes foram 54 criancas divididas em tres grupos: um deles foi formado por 17 criancas com idades entre os 8 e os 9 anos; o segundo, por 21 criancas com 10 anos; e o terceiro, por 16 criancas com 11 e 12 anos. Os resultados indicaram que a idade tem um papel significativo nos fatores estudados. A eficiencia e fluencia cognitiva aumentam com a idade, i.e., o processamento cognitivo das criancas mais novas e mais lento e menos eficiente do que o dos mais velhos, resultado igualmente verificado no desempenho da memoria de trabalho, atencao e inibicao. Tambem se verificou que as criancas mais novas apresentam menor controle inibitorio (maior impulsividade) e menores escores nas avaliacoes do funcionamento adaptativo. O estudo sugeriu igualmente que o controle inibitorio e a capacidade cognitiva que mais esta associada a um melhor funcionamento adaptativo das criancas (aprendizagem, capacidade de trabalho e bom comportamento) e aos resultados academicos, alem de se encontrar associada a menos sintomas psiquiatricos. Com esse estudo, conseguimos perceber o desenvolvimento cognitivo, mesmo em criancas com poucos anos de diferenca, e verificamos que os processos de atencao, controle inibitorio e memoria de trabalho estao associados ao funcionamento adaptativo e a aprendizagem das criancas.

Tambem St Clair-Thompson e Gathercole (2006) investigaram a relacao entre funcoes executivas e o desempenho escolar. Para isso, 51 criancas (M = 11.9 anos, DP = 0.3) foram submetidas a algumas tarefas cognitivas, nomeadamente tarefas de inibicao e de memoria de trabalho. Para exemplificar as tarefas de inibicao administradas, passamos a abordar a Stop Signal Task. Nessa tarefa, foram apresentados aos participantes dois blocos de ensaios. No primeiro, no centro da tela de um computador, foram exibidas palavras monossilabicas de um conjunto de 24; cada palavra aparecia durante 1000 ms. As criancas foram instruidas a categorizar verbalmente cada palavra como animal ou nao-animal. No segundo bloco, o procedimento adotado foi o mesmo, com a excecao de que os participantes foram instruidos a inibirem a resposta de categorizacao perante um determinado sinal. No que concerne a memoria de trabalho, passamos a abordar a tarefa de span espacial utilizada. Nela, foram apresentadas imagens abstratas, em que cada crianca categorizava como imagem em posicao normal ou imagem em posicao de espelho. Para alem das varias tarefas, das quais so demos alguns exemplos, foram ainda recolhidas informacoes acerca das avaliacoes escolares das criancas, especificamente sobre as disciplinas de ingles, matematica e ciencias. Os resultados mostraram que o desempenho da memoria de trabalho esteve estreitamente relacionado com os resultados academicos de ingles e de matematica, enquanto que a inibicao esteve associada a bons desempenhos nas tres disciplinas abordadas.

Uma das tarefas comumente utilizadas nesta area e o paradigma n-back, cujas tarefas exigem um trabalho continuo de processamento da memoria, que permite a comparacao do efeito de diferentes niveis mnemonicos (Carlson et al., 1998). Um dos seus exemplos ja foi fornecido neste trabalho, ao qual se junta o proximo estudo que passamos a expor. Aronen et al. (2005) investigaram uma amostra constituida por cerca de 60 criancas com idades compreendidas entre os 6 e os 13 anos. O estudo teve como principal objetivo avaliar como e que o desempenho em tarefas de memoria de trabalho audioespacial e visuoespacial esta relacionado com o desempenho academico e com sintomas comportamentais e emocionais, em criancas saudaveis. A avaliacao da sintomatologia comportamental e emocional foi efetuada atraves dos seguintes instrumentos: Child Behavior Checklist, Teacher Report Form e o Children's Depression Inventory. A memoria de trabalho foi avaliada por tarefas n-back audioespacial e visuoespacial (0-, 1-, e 2-back). Os resultados indicaram que as criancas com baixo desempenho da memoria de trabalho, tal como avaliado pelas tarefas, especialmente no que toca a memoria audioespacial, apresentaram mais dificuldades atencionais, comportamentais e academicas do que as criancas com bom desempenho da memoria de trabalho. Um aumento do numero de falsos alarmes e de omissoes nas tarefas auditivas e visuais esteve associado a problemas atencionais e comportamentais. Em tarefas visuais, o numero de falsos alarmes e de omissoes esteve tambem associado a ansiedade e a sintomas depressivos. Os resultados sugerem, portanto, que os deficit de memoria de trabalho podem estar na base de algumas dificuldades de aprendizagem, bem como de problemas comportamentais, nomeadamente impulsividade, dificuldades de concentracao e hiperatividade. Importa ainda referir que habitualmente essas associacoes entre memoria de trabalho e desempenho escolar sao encontradas mesmo depois de controladas variaveis como o quociente de inteligencia (Bull, Johnston, & Roy, 1999; Mammarella et al., 2006).

Um dos procedimentos mais usuais em investigacoes que abordam o papel da memoria de trabalho na aprendizagem engloba o estudo de criancas com dificuldades de aprendizagem (de Jong, 1998; Gathercole et al., 2006; Mammarella & Cornoldi, 2005; Swanson & Sachse-Lee, 2001). De fato, a memoria de trabalho parece ser essencial a aprendizagem, nomeadamente de aptidoes de leitura e de compreensao (de Jong, 1998; Gathercole et al., 2006; Oakhill, Yuill, & Garnham, 2011; Pimperton & Nation, 2010), bem como de aptidoes matematicas (Bull et al., 1999; Swanson & Sachse-Lee, 2001), aptidoes basilares em qualquer sistema educativo. Os deficit executivos, em particular os associados a atencao, inibicao e memoria de trabalho parecem estar relacionados nao so com dificuldades de aprendizagem, como tambem com problemas comportamentais e emocionais (de Jong, 1998; Vuontela et al., 2013). Essas conclusoes tem sido reiteradas, principalmente em populacoes clinicas como autistas (Russell, Jarrold, & Henry, 1996), criancas hiperativas (Pliszka, Liotti, & Woldorff, 2000) ou criancas com dificuldades de aprendizagem (Swanson & Sachse-Lee, 2001).

Gathercole et al. (2006) conduziram um estudo que teve como principal objetivo investigar em que medida os deficit da memoria de trabalho contribuem para as dificuldades apresentadas pelas criancas com perturbacoes de leitura. A amostra do estudo foi constituida por 46 criancas, com media de idades de 9 anos. Os participantes foram submetidos a aplicacao de varios instrumentos, entre eles: Wechsler Objective Language Dimensions (que avalia a compreensao auditiva e a expressao oral), Wechsler Objective Numerical Dimensions (que avalia aptidoes matematicas), Wechsler Intelligence Scale for Children (que avalia o quociente de inteligencia), Working Memory Test Battery for Children (que avalia a memoria de trabalho em criancas), bem como a Phonological Assessment Battery (que avalia aspectos fonologicos). Os resultados sugeriram que os deficit da memoria de trabalho representam uma restricao evidente na aquisicao de conhecimentos de leitura e de matematica. Esses autores sugeriram ainda que as criancas com as aptidoes de memoria de trabalho pouco desenvolvidas tem possivelmente dificuldades no cumprimento de rotinas e de atividades estruturadas da sala de aula, i.e., tem influencia nao so ao nivel da aprendizagem, mas tambem ao nivel comportamental.

Comecamos este artigo por falar sobre a atencao e e sobre esse assunto que voltamos a falar a seguir. Para se aprender, e necessario, em primeira instancia, estar atento. O processamento de todas as informacoes que recebemos e manifestamente impossivel, portanto, a cada momento, selecionamos as informacoes mais relevantes para uma dada tarefa e ignoramos as irrelevantes. Se pensarmos no nosso dia-a-dia, facilmente percebemos que recebemos constantemente uma grande variedade e quantidade de estimulos, quer externos, como estimulos visuais ou auditivos, quer internos, como, por exemplo, pensamentos automaticos negativos (Stevens & Bavelier, 2012; Styles, 2005). A nossa capacidade de selecionarmos os estimulos relevantes e ignorarmos os distrativos nao e sempre igual ao longo da nossa vida. As criancas constituem um grupo etario com maior vulnerabilidade para capturar informacao irrelevante, o que as torna mais susceptiveis a distracao, quando comparadas com os adultos. Essa susceptibilidade justifica-se pelo fato do seu sistema cognitivo, nomeadamente o controle top-down, se encontrar ainda em desenvolvimento (Craik & Bialystok, 2006; Gaspelin, Margett-Jordan, & Ruthruff, 2015).

Sao varios os estudos que referem que a atencao seletiva e essencial para o sucesso da aprendizagem (e.g., Garner, 2009; Mammarella & Cornoldi, 2005). Vejamos em particular o estudo de Bosse e Valdois (2009). Esses autores realizaram um estudo transversal incluindo 417 criancas de varios estratos socioeconomicos e com media de idades a variar entre os 6,83 e os 10,92 anos. O principal objetivo dessa investigacao foi estudar o papel da atencao visual na aprendizagem das aptidoes de leitura. A bateria de testes utilizada incluiu tarefas de leitura, consciencia fonologica e tarefas de atencao visual. Os resultados mostraram que a atencao visual pode explicar o progresso na aprendizagem da leitura, independentemente da influencia da consciencia fonologica. A atencao visual parece ter tambem um papel crucial a longo prazo na aquisicao de conhecimentos especificos ortograficos. Ainda nao se sabe contudo se os deficit atencionais que baseiam algumas dificuldades de aprendizagem ocorrem na modulacao atencional ou ainda nos processos perceptivos anteriores (Stevens & Bavelier, 2012).

Conforme referido anteriormente, a atencao refere-se a selecao da informacao ambiental, que e necessaria para uma dada tarefa em maos. Segundo um estudo recente de Gaspelin et al. (2015), e necessaria uma melhor compreensao dos processos de captacao atencional nas criancas, o que permitira desenhar ambientes educacionais mais ajustados. Contudo, os varios estudos que foram aqui mencionados, bem como a sua esmagadora maioria, ignoram o potencial efeito do ambiente circundante no desempenho das criancas, quer seja ao nivel da aprendizagem, quer seja ao nivel dos processos cognitivos anteriores que lhe estao subjacentes. Dito de uma outra forma, os processos de atencao e de memoria sao essenciais para uma boa aprendizagem, fato que esta muito bem descrito na literatura, contudo a maioria dos estudos apresenta pouca validade ecologica. Poderemos assim refletir sobre o seguinte: se o processo de aprendizagem se refere a aquisicao de informacao externa e a sua conjugacao com informacoes internas, sera que algumas dificuldades de aprendizagem podem ser explicadas logo na interacao individuo-ambiente? Mais importante do que respondermos a essa questao, e explorarmos um pouco o estado da literatura no que toca ao efeito do ambiente visual circundante na aprendizagem, assunto que e abordado na secao seguinte.

O Ambiente Circundante Influencia os Nossos Processos Cognitivos?

A influencia das carateristicas do ambiente circundante nos processos cognitivos nao parece ser suficientemente explorada, embora se encontrem referencias variadas a necessidade e importancia de se levar em conta o ambiente nos contextos educacionais (e.g., Barrett et al., 2015; Cheryan, Ziegler, Plaut, & Meltzoff, 2014). Algumas investigacoes tem concluido que varios aspectos ambientais influenciam a memorizacao da informacao e, por conseguinte, a aprendizagem, nomeadamente o design do espaco, o numero de pessoas nele presente, a sua cor e o barulho que se faz sentir (Ahrentzen & Evans, 1984; Barrett et al., 2015; Cheryan et al., 2014; Stone, 2001). Tambem o uso de luz natural nas salas de aula, bem como a presenca de ventilacao natural sao fatores que se associam a uma maior concentracao dos alunos, isto e, o maior contato com elementos naturais parece ser um beneficio para o desempenho escolar (Barrett et al., 2015). Efetivamente, sao diversas as referencias a importancia da relacao individuo-ambiente (Gifford, 2007), nomeadamente em contexto escolar (Gaspelin et al., 2015), embora a investigacao pareca ainda escassa, especialmente no campo da Psicologia Cognitiva. Segundo Barrett et al. (2015), o desempenho academico dos alunos e influenciado quer por fatores nao ambientais, quer por fatores ambientais. Dos ultimos, os autores destacam a naturalidade, a individualizacao e o nivel de estimulacao do espaco. A naturalidade refere-se aos aspectos que foram apontados anteriormente, i.e., o contato com elementos da natureza, a luz natural ou a temperatura sao fatores a levar em conta nas escolas, porque exercem influencia no bemestar e, por conseguinte, no processo de aprendizagem das criancas (Barrett et al., 2015). A individualizacao diz respeito a aspectos como a area e forma da sala de aula, a qualidade das mesas e cadeiras ou a existencia/nao existencia de zonas de estudo apropriadas. Ja a estimulacao ambiental refere-se, entre outros, a diversidade visual que e apresentada na sala, nomeadamente objetos, posters, cores da parede ou numero de quadros, apenas para dar alguns exemplos (Barrett et al., 2015; Cheryan et al., 2014). Partindo desse ultimo parametro, ha evidencias de que elementos visuais presentes em uma sala podem facilitar o desempenho dos individuos (Latu, Mast, Lammers, & Bombari, 2013) ou, por outro lado, prejudica-lo (Fisher et al., 2014). Foquemo-nos nos estudos de Fisher e colaboradores (2011, 2014); esses investigadores concluiram que salas de aula com elevada carga visual, como posters, fotografias, quadros, entre outros elementos, parecem influenciar negativamente o desempenho das criancas nas suas tarefas escolares. Constatou-se que o ambiente visual da sala de aula pode ser o principal responsavel pela alocacao da atencao das criancas durante as aulas. Esse estudo consistiu em um design intra-sujeitos e resumiu-se ao seguinte: (a) foram criados dois ambientes de sala de aula, um com elevado numero de elementos visuais distrativos (posters, fotografias, mapas e outros elementos visuais) e outro isento desses elementos distrativos; (b) formaram-se dois grupos de criancas, que passaram pelas duas condicoes ambientais de forma alternada; (c) em cada ambiente, foram ministradas aulas (cerca de 5 a 7 minutos) aos participantes e feitas algumas perguntas no final sobre o conteudo das mesmas. Os resultados foram claros: (a) as criancas estiveram mais tempo desatentas no ambiente de elevada carga distrativa; (b) as criancas tiveram melhores desempenhos de aprendizagem no ambiente com poucos elementos distrativos. Importa referir que se designam por elementos distrativos todos os estimulos que, estando presentes em uma dada tarefa, nao sao necessarios para o sucesso da mesma, devendo ser ignorados (Cassuto, Ben-Simon, & Berger, 2013; Godwin & Fisher, 2011; Rodrigues & Pandeirada, 2015). Tambem Cassuto et al. (2013) chamaram a atencao para a necessidade de se levar em conta a validade ecologica das tarefas cognitivas utlizadas nas investigacoes sobre a distratibilidade. Segundo esses autores, que estudaram o potencial dos distratores visuais e auditivos no diagnostico de hiperatividade, as criancas, quando estao em aula a realizar um trabalho, devem ignorar outros estimulos, nomeadamente o barulho que vem da sala ao lado, portanto, e com esse tipo de estimulos que as investigacoes devem ser realizadas. Todavia, a investigacao de Cassuto et al. (2013), embora utilizasse estimulos semelhantes aos encontrados pelas criancas no seu dia-a-dia (nomeadamente visuais), apresentou-os em monitores, o que se diferencia em grande medida das investigacoes de Fisher e seus colaboradores (2014).

Como referimos anteriormente, os processos atencionais e mnemonicos sao fundamentais para a aprendizagem dos alunos. E em contexto de sala de aula, que pode ser favoravel ou desfavoravelmente estimulante, que os alunos se encontram diariamente para aprender. Aproximar os procedimentos experimentais aos contextos reais de sala de aula parece pois fundamental para se perceber melhor a sua influencia na aprendizagem. Antes, parece ainda importante percebermos de que modo o ambiente circundante influencia as nossas funcoes cognitivas basicas, que estao subjacentes as diversas tarefas do cotidiano, entre as quais a aprendizagem. Parece-nos, assim, importante a realizacao de investigacoes tendo por base os estudos de Rodrigues e Pandeirada (2015). Esse estudo, realizado com uma amostra de idosos, assemelha-se em grande medida aos estudos de Fisher et al. (2014) pela manipulacao visual do ambiente externo. O estudo foi realizado com 40 idosos portugueses, que realizaram duas sessoes experimentais com intervalo de 14 a 21 dias entre elas. Uma das sessoes foi realizada em ambiente a que os autores designaram de distrativo (sala com imagens e posters coloridos) e a outra, em ambiente nao distrativo (sala isenta dos elementos visuais referidos). Em cada sessao, cada participante, de forma individual, realizou duas tarefas atencionais do foro visual e tres tarefas de memoria de trabalho da Escala de Inteligencia de Wechsler para Adultos--III (WAIS-III; Wechsler, 2008). A ordem de realizacao das tarefas, assim como a ordem de manipulacao do ambiente foi contrabalanceada entre os participantes. Os resultados indicaram um melhor desempenho dos idosos no ambiente nao distrativo, em comparacao com o desempenho verificado no ambiente distrativo, resultado mais evidente nas tarefas atencionais realizadas. Importa referir que as tarefas atencionais administradas foram de cariz visual, enquanto que as tarefas de memoria foram de cariz verbal. Esse estudo veio alertar para a relacao individuo-ambiente, em particular a influencia que o ambiente visual circundante pode ter em tarefas cognitivas visuais.

Estudos semelhantes aos de Rodrigues e Pandeirada (2015) deverao ser projetados em populacoes escolares, uma vez que englobam duas dimensoes importantes do processo de aprendizagem. A primeira e que nos da a possibilidade de estudarmos processos cognitivos basicos avaliados por tarefas especificas que estao na base da aprendizagem. Em segundo, porque esse procedimento nos permite a insercao dessas tarefas em contextos ecologicamente mais validos. Dito de outra forma, com esse procedimento de investigacao, aproximam-se as validades interna e externa em um mesmo estudo: validade interna ao utilizarem-se tarefas cognitivas empiricamente validadas e controladas; validade externa, porque se inserem as tarefas cognitivas em um contexto visual circundante mais proximo do encontrado em salas de aula. De fato, Davids (1988) defendeu que a investigacao deve maximizar a validade externa, nao pondo em causa a sua validade interna. O mesmo autor propoe, nesse sentido, tres criterios que devem estar na base da validade ecologica da investigacao cientifica: realismo, uniao e analise ecletica. O primeiro defende que o ambiente experimental deve aproximar-se o maximo possivel do contexto real em que o comportamento estudado habitualmente se insere. O segundo refere-se a necessidade de convergencia entre validade interna e o processo de investigacao no terreno. Ja a analise ecletica diz respeito as tecnicas que se devem utilizar para garantir que pelo menos um aspecto do comportamento estudado e analisado em contexto real.

Tendo em conta as investigacoes que se referiram, bem como a necessidade vincada na literatura de se apostarem em investigacoes ecologicamente mais validas do que ate aqui se tem realizado, defendemos um procedimento de investigacao conforme a ilustracao esquematica seguinte (Figura 1), nomeadamente em populacoes escolares.

Consideracoes Finais

O desempenho academico e determinado por uma variedade de fatores, nomeadamente as oportunidades educacionais, o status socioeconomico, as aptidoes sociais, os tracos de personalidade e as capacidades cognitivas (e.g., Brooks-Gunn & Duncan, 1997; Engel de Abreu, Puglisi, Cruz-Santos, Befi-Lopes, & Martin, 2014). As aptidoes academicas das criancas nao parecem ser determinadas apenas pelas oportunidades de aprendizagem, mas sao sobretudo influenciadas pelos processos cognitivos basicos individuais. Esse fato justifica em grande medida que os varios alunos de uma mesma sala de aula, cujo ambiente de aprendizagem e semelhante, tenham habitualmente desempenhos escolares diferentes. Dito de outra forma, parece vital que os fatores ambientais e as capacidades individuais sejam considerados em conjunto, uma vez que estao interligados no processo de aprendizagem (Gathercole, Pickering, Knight, & Stegmann, 2004). Como podemos verificar com a nossa revisao de literatura, a atencao seletiva, a memoria de trabalho e a inibicao tem um papel fundamental no processo de aprendizagem e isso ja esta bem descrito na literatura (e.g., St Clair-Thompson & Gathercole, 2006; Vuontela et al., 2013). Os individuos com maior capacidade de memoria de trabalho parecem ser mais capazes de suprimir itens irrelevantes e codificar apenas os itens relevantes apresentados, ao inves dos individuos com pior capacidade de memoria de trabalho, que codificam mais itens na memoria, incluindo itens irrelevantes. O controle da atencao seletiva e da inibicao e importante para regular o acesso a memoria de trabalho e, portanto, para otimizar a capacidade mnemonica (Vogel, McCollough, & Machizawa, 2005). Estudos semelhantes ao de Fisher et al. (2014) sao necessarios para se averiguar o efeito dos ambientes visualmente estimulantes na aprendizagem. Se efetivamente as conclusoes desse ultimo estudo se reiterarem, sera necessario perceber o que acontece ao nivel cognitivo basico, isto e, qual o papel dos elementos ambientais circundantes em tarefas cognitivas basicas, tais como atencao e memoria. Neste campo, que seja do nosso conhecimento, apenas um estudo publicado (com idosos) aborda o papel de elementos visuais do ambiente circundante em tarefas cognitivas de atencao e memoria de trabalho (Rodrigues & Pandeirada, 2015). Nesse estudo, os investigadores verificaram que, sobretudo em tarefas atencionais do foro visual, os idosos apresentaram piores resultados quando as realizaram em ambiente distrativo (ambiente circundante visualmente estimulante), em comparacao com o ambiente nao distrativo. Sendo a atencao um processo cognitivo basico e subjacente a aprendizagem, o que acontecera com as criancas? Do ponto de vista desenvolvimental, tal como abordamos, a capacidade atencional nas criancas encontrase em aperfeicoamento, o que faz com que ignorem menos informacao irrelevante quando comparadas com os adultos cujas capacidades cognitivas se encontram no pico do seu desenvolvimento. Os idosos tambem apresentam dificuldades atencionais, mas fruto do normal declinio funcional que o envelhecimento acarreta (Craik & Bialystok, 2006). Pressupondo que o ambiente tem um papel no desempenho academico das criancas, qual o seu modelo explicativo? Poderao as mesmas linhas explicativas dos estudos referidos neste artigo (que nao tiveram em conta a dimensao ecologica) serem aplicadas a estudos ecologicos? Pressupomos que, a semelhanca dos idosos (Rodrigues & Pandeirada, 2015), as criancas apresentem tambem dificuldades em ignorar estimulos irrelevantes que se encontram no ambiente (situacao que ocorre ao nivel da atencao). Uma vez que a atencao esta estreitamente relacionada com os processos de memoria, designadamente com a memoria de trabalho, e, por conseguinte, com a aprendizagem (Garner, 2009; Styles, 2005), serao cruciais mais pesquisas que considerem a validade ecologica, o que explicara com maior exatidao o que ocorre nas salas de aula. Se for verificado em criancas o que Rodrigues e Pandeirada (2015) verificaram nas tarefas atencionais visuais (em idosos), poderemos justificar os resultados de Fisher et al. (2014). Dito de outra forma, parece que os elementos visuais ambientais tem impacto na aprendizagem das criancas, mas que modelo explicativo poderemos apontar para essa influencia? Poderemos supor que elementos presentes no contexto de sala de aula influenciam em primeira instancia os processos cognitivos basicos subjacentes a aprendizagem, o que se reflete em menor aprendizagem dos conteudos das aulas. Assim, o estudo de Rodrigues e Pandeirada (2015), ao abordar o efeito ambiental externo em processos cognitivos basicos, responde a questoes ainda mais basilares do que os estudos de Fisher et al. (2014), sendo ambas as linhas de investigacao muito importantes e complementares.

Concluindo este trabalho de sintese, e inegavel que a atencao seletiva, a inibicao e a memoria de trabalho sejam processos cognitivos fundamentais no processo de aprendizagem. Investigacoes sobre a primeira fase da aprendizagem, i.e., a aquisicao informacional, que requer recursos atencionais intactos, sao bem-vindas, uma vez que o conhecimento dos processos que ocorrem na interacao individuo-ambiente contribuira certamente para a melhoria dos sistemas de ensino e para a constituicao de programas de intervencao mais direcionados e eficazes. Propoe-se, assim, um paradigma de investigacao que alie tarefas cognitivas empiricamente validadas, inseridas em um ambiente externo manipulavel, o que permitira a comunidade cientifica conclusoes com maior validade ecologica e, por isso, mais aplicadas aos contextos reais.

doi: http://dx.doi.org/10.1590/0102.3772e3244

Referencias

Ahrentzen, S., & Evans, G. W. (1984). Distraction, privacy, and classroom design. Environment and Behavior, 16, 437-454. doi:10.1177/0013916584164002

Amso, D., & Scerif, G. (2015). The attentive brain: Insights from developmental cognitive neuroscience. Nature Reviews Neuroscience, 16, 606-619. doi:10.1038/nrn4025

Aronen, E., Vuontela, V., Steenari, M.-R., Salmi, J., & Carlson, S. (2005). Working memory, psychiatric symptoms, and academic performance at school. Neurobiology of Learning and Memory, 83, 33-42. doi:10.1016/j.nlm.2004.06.010

Arrington, C. N., Kulesz, P. A., Francis, D. J., Fletcher, J. M., & Barnes, M. A. (2014). The contribution of attentional control and working memory to reading comprehension and decoding. Scientific Studies of Reading, 18, 325-346. doi:10.1080/1088 8438.2014.902461

Baddeley, A. (1992). Working memory. Science, 255(5044), 556-559. doi: 10.1126/science.1736359

Baddeley, A. (2010). Working memory. Current Biology, 20, 136-140. doi:10.1016/j.cub.2009.12.014

Baddeley, A. (2012). Working memory: Theories, models, and controversies. Annual Review of Psychology, 63, 1-29. doi:10.1146/annurev-psych-120710-100422

Barkley, R. A. (1997). Behavioral inhibition, sustained attention, and executive functions: Constructing a unifying theory of ADHD. Psychological Bulletin, 121, 65-94. doi:10.1037/00332909.121.1.65

Barkley, R. A. (2001). The executive functions and self-regulation: An evolutionary neuropsychological perspective. Neuropsychology Review, 11, 1-29. doi:10.1023/A:1009085417776

Barrett, P., Davies, F., Zhang, Y., & Barrett, L. (2015). The impact of classroom design on pupils' learning: Final results of a holistic, multi-level analysis. Building and Environment, 89, 118-133. doi:10.1016/j.buildenv.2015.02.013

Blair, C., & Razza, R. P. (2007). Relating effortful control, executive function, and false belief understanding to emerging math and literacy ability in kindergarten. Child Development, 78, 647-663. doi:10.1111/j.1467-8624.2007.01019.x

Boekaerts, M. (1996). Self-regulated learning at the junction of cognition and motivation. European Psychologist, 1, 100-112. doi:10.1027/1016-9040.1.2.100

Booth, J. R., Burman, D. D., Meyer, J. R., Lei, Z., Trommer, B. L., Davenport, N. D., ... Mesulam, M. (2003). Neural development of selective attention and response inhibition. NeuroImage, 20, 737-751. doi:10.1016/S1053-8119(03)00404-X

Borella, E., Carretti, B., & De Beni, R. (2008). Working memory and inhibition across the adult life-span. Acta Psychologica, 128, 33-44. doi: 10.1016/j.actpsy.2007.09.008

Bosse, M. L., & Valdois, S. (2009). Influence of the visual attention span on child reading performance: A cross-sectional study. Journal of Research in Reading, 32, 230-253. doi:10.1111/ j.1467-9817.2008.01387.x

Brooks-Gunn, J., & Duncan, G. J. (1997). The effects of poverty on children. The Future of Children, 7, 55-71. doi:10.2307/1602387

Bull, R., Johnston, R. S., & Roy, J. A. (1999). Exploring the roles of the visual-spatial sketch pad and central executive in children's arithmetical skills: Views from cognition and developmental neuropsychology. Developmental Neuropsychology, 15, 421-442. doi: 10.1080/87565649909540759

Carlson, S., Martinkauppi, S., Rama, P., Salli, E., Korvenoja, A., & Aronen, H. J. (1998). Distribution of cortical activation during visuospatial n-back tasks as revealed by functional magnetic resonance imaging. Cerebral Cortex, 8, 743-752. doi:10.1093/ cercor/8.8.743

Cassuto, H., Ben-Simon, A., & Berger, I. (2013). Using environmental distractors in the diagnosis of ADHD. Frontiers in Human Neuroscience, 7, 46-55. doi:10.3389/ fnhum.2013.00805

Cheryan, S., Ziegler, S. A., Plaut, V. C., & Meltzoff, A. N. (2014). Designing classrooms to maximize student achievement. Policy Insights from the Behavioral and Brain Sciences, 1, 4-12. doi:10.1177/2372732214548677

Craik, F. I. M., & Bialystok, E. (2006). Cognition through the lifespan: mechanisms of change. Trends in Cognitive Sciences, 10, 131-138. doi:10.1016/j.tics.2006.01.007

Davids, K. (1988). Ecological validity in understanding sport performance: Some problems of definition. Quest, 40, 126-136. doi:10.1080/00336297.1988.10483894

de Fockert, J. W., Rees, G., Frith, C. D., & Lavie, N. (2001). The role of working memory in visual selective attention. Science, 291(5509), 1803-1806. doi:10.1126/science.1056496

de Jong, P. F. (1998). Working memory deficits of reading disabled children. Journal of Experimental Child Psychology, 70, 75-96. doi:10.1006/jecp.1998.2451

Diamond, A., Barnett, W. S., Thomas, J., & Munro, S. (2007). Preschool program improves cognitive control. Science, 318(5855), 1387-1388. doi:10.1126/science.1151148

Engel de Abreu, P. M. J., Puglisi, M. L., Cruz-Santos, A., BefiLopes, D. M., & Martin, R. (2014). Effects of impoverished environmental conditions on working memory performance. Memory, 22, 323-331. doi:10.1080/09658211.2013.781186

Feldman, D. E. (2009). Synaptic mechanisms for plasticity in neocortex. Annual Review of Neuroscience, 32, 33-55. doi:10.1146/annurev.neuro.051508.135516

Fisher, A. V., Godwin, K. E., & Seltman, H. (2014). Visual environment, attention allocation, and learning in young children: When too much of a good thing may be bad. Psychological Science, 25, 1362-1370. doi:10.1177/0956797614533801

Friso-van den Bos, I., van der Ven, S. H. G., Kroesbergen, E. H., & van Luit, J. E. H. (2013). Working memory and mathematics in primary school children: A meta-analysis. Educational Research Review, 10, 29-44. doi:10.1016/j.edurev.2013.05.003

Fuster, J. M. (2002). Frontal lobe and cognitive development. Journal ofNeurocytology, 31, 373-385. doi:10.1023/A:1024190429920

Gallistel, C. R. (2000). The replacement of general-purpose learning models with adaptively specialized learning modules. In M. S. Gazzaniga (Ed.), The cognitive neurosciences (pp. 1179-1191). Cambridge, MA: MIT Press.

Garner, J. K. (2009). Conceptualizing the relations between executive functions and self-regulated learning. The Journal ofPsychology, 143, 405-426. doi:10.3200/JRLP. 143.4.405-426

Gaspelin, N., Margett-Jordan, T., & Ruthruff, E. (2015). Susceptible to distraction: Children lack top-down control over spatial attention capture. Psychonomic Bulletin & Review, 22, 461-468. doi:10.3758/s13423-014-0708-0

Gathercole, S. E., Alloway, T. P., Kirkwood, H. J., Elliott, J. G., Holmes, J., & Hilton, K. A. (2008). Attentional and executive function behaviours in children with poor working memory. Learning and Individual Differences, 18, 214-223. doi:10.1016/j.lindif.2007.10.003

Gathercole, S. E., Alloway, T. P., Willis, C., & Adams, A.-M. (2006). Working memory in children with reading disabilities. Journal ofExperimentalChild Psychology, 93,265-281. doi:10.1016/j. jecp.2005.08.003

Gathercole, S. E., Pickering, S. J., Knight, C., & Stegmann, Z. (2004). Working memory skills and educational attainment: Evidence from national curriculum assessments at 7 and 14 years of age. Applied Cognitive Psychology, 18, 1-16. doi:10.1002/acp.934

Gazzaley, A., & Nobre, A. C. (2012). Top-down modulation: Bridging selective attention and working memory. Trends in Cognitive Sciences, 16, 129-135. doi:10.1016/j.tics.2011.11.014

Gifford, R. (2007). Environmental psychology and sustainable development: Expansion, maturation, and challenges. Journal of Social Issues, 63, 199-212. doi:10.1111/j.15404560.2007.00503.x

Gleitman, H., Fridlund, A. J., & Reisberg, D. (2007). Psicologia. Lisboa: Fundacao Calouste Gulbenkian.

Godwin, K. E., & Fisher, A. V. (2011). Allocation of attention in classroom environments: Consequences for learning. Paper presented at The Annual Meeting of the Cognitive Science Society, Boston, Massachusetts.

Jurado, M., & Rosselli, M. (2007). The elusive nature of executive functions: A review of our current understanding. Neuropsychology Review, 17, 213-233. doi:10.1007/s11065007-9040-z

Katsuki, F., & Constantinidis, C. (2012). Early involvement of prefrontal cortex in visual bottom up attention. Nature Neuroscience, 15, 1160-1166. doi:10.1038/nn.3164

Kirkham, N. Z., Cruess, L., & Diamond, A. (2003). Helping children apply their knowledge to their behavior on a dimension-switching task. Developmental Science, 6, 449-467. doi:10.1111/1467-7687.00300

Lachman, R., Lachman, J. L., & Butterfield, E. C. (2015). Cognitive psychology and information processing: An introduction. New York: Psychology Press.

Latu, I. M., Mast, M. S., Lammers, J., & Bombari, D. (2013). Successful female leaders empower women's behavior in leadership tasks. Journal of Experimental Social Psychology, 49, 444-448. doi:10.1016/j.jesp.2013.01.003

Mammarella, I. C., & Cornoldi, C. (2005). Difficulties in the control of irrelevant visuospatial information in children with visuospatial learning disabilities. Acta Psychologica, 118, 211-228. doi:10.1016/j.actpsy.2004.08.004

Mammarella, I. C., Cornoldi, C., Pazzaglia, F., Toso, C., Grimoldi, M., & Vio, C. (2006). Evidence for a double dissociation between spatial-simultaneous and spatial-sequential working memory in visuospatial (nonverbal) learning disabled children. Brain and Cognition, 62, 58-67. doi:10.1016/j. bandc.2006.03.007

Miller, E. K., & Cohen, J. D. (2001). An integrative theory of prefrontal cortex function. Annual Review of Neuroscience, 24, 167-202. doi:10.1146/annurev.neuro.24.1.167

Nelson, D. B., & Low, G. R. (2003). Emotional intelligence: Achieving academic and career excellence. Upper Saddle River, New Jersey: Prentice Hall.

Oakhill, J., Yuill, N., & Garnham, A. (2011). The differential relations between verbal, numerical and spatial working memory abilities and children's reading comprehension. International Electronic Journal of Elementary Education, 4, 83-106.

Petersen, S. E., & Posner, M. I. (2012). The attention system of the human brain: 20 years after. Annual Review of Neuroscience, 35, 73-89. doi:10.1146/annurev-neuro-062111-150525

Pimperton, H., & Nation, K. (2010). Suppressing irrelevant information from working memory: Evidence for domainspecific deficits in poor comprehenders. Journal of Memory and Language, 62, 380-391. doi:10.1016/j.jml.2010.02.005

Pinto, A. C. (2001). Memoria, cognicao e educacao: Implicacoes mutuas. In B. Detry & F. Simas (Eds.), Educacao, cognicao e desenvolvimento: Textos de psicologia educacional para a formacao de professores (pp. 17-54). Lisboa: Edinova.

Pliszka, S. R., Liotti, M., & Woldorff, M. G. (2000). Inhibitory control in children with attention-deficit/hyperactivity disorder: Event-related potentials identify the processing component and timing of an impaired right-frontal response-inhibition mechanism. Biological Psychiatry, 48, 238-246. doi:10.1016/ S0006-3223(00)00890-8

Posner, M. I. (2011). Cognitive neuroscience of attention. New York: Guilford Press.

Radvansky, G. (2011). Human memory (2nd ed.). Boston: Pearson Education.

Rodrigues, P. F. S., & Pandeirada, J. N. S. (2015). Attention and working memory in elderly: The influence of a distracting environment. Cognitive Processing, 16, 97-109. doi:10.1007/ s10339-014-0628-y

Russell, J., Jarrold, C., & Henry, L. (1996). Working memory in children with autism and with moderate learning difficulties. Journal of Child Psychology and Psychiatry, 37, 673-686. doi:10.1111/j.1469-7610.1996.tb01459.x

Rutman, A. M., Clapp, W. C., Chadick, J. Z., & Gazzaley, A. (2010). Early top-down control of visual processing predicts working memory performance. Journal of Cognitive Neuroscience, 22, 1224-1234. doi:10.1162/jocn.2009.21257

St Clair-Thompson, H. L., & Gathercole, S. E. (2006). Executive functions and achievements in school: Shifting, updating, inhibition, and working memory. The Quarterly Journal of Experimental Psychology, 59, 745-759. doi:10.1080/17470210500162854

Stevens, C., & Bavelier, D. (2012). The role of selective attention on academic foundations: A cognitive neuroscience perspective. Developmental Cognitive Neuroscience, 2(Supplement 1), S30-S48. doi:10.1016/j.dcn.2011.11.001

Stone, N. J. (2001). Designing effective study environments. Journal of Environmental Psychology, 21, 179-190. doi:10.1006/ jevp.2000.0193

Styles, E. A. (2005). Attention, perception and memory. An integratedintrodution (1st ed.). New York: Psychology Press.

Swanson, H. L., & Sachse-Lee, C. (2001). Mathematical problem solving and working memory in children with learning disabilities: Both executive and phonological processes are important. Journal of Experimental Child Psychology, 79, 294-321. doi:10.1006/jecp.2000.2587

Tavares, J., Pereira, A. S., Gomes, A. A., Monteiro, S. M., & Gomes, A. (2007). Manual de Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem (1a ed.). Porto: Porto Editora.

Terry, K. M. (1995). Selective attention and the inhibitory control of cognition. In Frank N. Dempster & Charles J. Brainerd (Eds.), Interference and inhibition in cognition (pp. 207-261). San Diego: Academic Press, Inc.

Vogel, E. K., McCollough, A. W., & Machizawa, M. G. (2005). Neural measures reveal individual differences in controlling access to working memory. Nature, 438, 500-503. doi: 10.1038/ nature04171

Vuontela, V., Carlson, S., Troberg, A. M., Fontell, T., Simola, P., Saarinen, S., & Aronen, E. T. (2013). Working memory, attention, inhibition, and their relation to adaptive functioning and behavioral/emotional symptoms in school-aged children. Child Psychiatry & Human Development, 44, 105-122. doi:10.1007/s10578-012-0313-2

Wechsler, D. (2008). WAIS-III: Escala de inteligencia de Wechsler para adultos (3a ed.). Lisboa: Cegoc.

Zanto, T. P., Hennigan, K., Ostberg, M., Clapp, W. C., & Gazzaley, A. (2010). Predictive knowledge of stimulus relevance does not influence top-down suppression of irrelevant information in older adults. Cortex, 46, 564-574. doi:10.1016/j. cortex.2009.08.003

Zelazo, P. D., Craik, F. I. M., & Booth, L. (2004). Executive function across the life span. Acta Psychologica, 115(2-3), 167-183. doi:10.1016/j.actpsy.2003.12.005

Recebido em 15.07.2015

Primeira decisao editorial em 29.08.2016

Versao final em 10.10.2016

Aceito em 26.10.2016

Pedro F. S. Rodrigues (1)

Universidade de Aveiro

(1) Endereco para correspondencia: Departamento de Educacao e Psicologia, Universidade de Aveiro, Campus Universitario de Santiago, Aveiro, Portugal. CEP. 3810-193. E-mail: pedro.filipe@ua.pt

Caption: Figura 1. Procedimento de investigacao em que se usam tarefas cognitivas visuoespaciais, em um contexto visual circundante manipulavel. Nesta ilustracao, e evidente a estreita relacao entre os processos de atencao e de memoria de trabalho visuoespaciais, tal como descrito na literatura; Contudo e acrescentada a manipulacao visual do ambiente circundante (cf. Fisher et al., 2014; Rodrigues & Pandeirada, 2015).
COPYRIGHT 2016 Instituto de Psicologia
No portion of this article can be reproduced without the express written permission from the copyright holder.
Copyright 2016 Gale, Cengage Learning. All rights reserved.

Article Details
Printer friendly Cite/link Email Feedback
Title Annotation:ARTIGO ORIGINAL
Author:Rodrigues, Pedro F.S.
Publication:Psicologia: Teoria e Pesquisa
Date:Oct 1, 2016
Words:8088
Previous Article:Norms for Word Set Size for 906 Portuguese Words/Normas do Tamanho da Categoria para 906 Palavras da Lingua Portuguesa.
Next Article:Rapid Automatized Naming Tasks: Screening Reading Difficulty/Tarefas de Nomeacao Seriada Rapida: Rastreando a Dificuldade de Leitura.
Topics:

Terms of use | Privacy policy | Copyright © 2020 Farlex, Inc. | Feedback | For webmasters