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Viscosity and quality of images of thickened liquid after adding barium contrast for swallow studies/Viscosidade e qualidade da imagem do liquido espessado para videodeofluoroscopia de degluticao com acrescimo do contraste de bario.

* INTRODUCAO

Alem de ser importante para o esclarecimento da presenca de aspiracao ou microaspiracao [1], o estudo da degluticao por tecnica radiologica (Videodeglutograma ou Videofluoroscopia da Degluticao) otimiza a identificacao do modo mais seguro para alimentar um paciente com disfagia.

Muitas vezes o exame determina a necessidade de suprir-se as necessidades nutricionais e de hidratacao basica por meios alternativos de alimentacao que podem envolver a recomendacao para mudancas na consistencia do alimento [2]. A videofluoroscopia no Brasil, requer a ingestao do alimento combinado ao contraste de Bario em diferentes consistencias permitindo que as fases oral e faringea sejam avaliadas com maior efetividade [3,4], com o maximo acuro na captacao [2,5] e no menor tempo de exposicao a radiacao [6]. O meio de contraste utilizado durante o exame e o sulfato de Bario (BaSO4) a 100% cujas caracteristicas o aproxima de um contraste radiologico ideal com alta densidade radiologica, baixa viscosidade, alta fluidez, grande estabilidade e boa aderencia a mucosa. O uso do contraste permite uma visualizacao mais precisa e imediata da dinamica da degluticao antes, durante e apos o disparo da resposta faringea. O percurso do bolo alimentar no trato aerodigestivo e visualizado em tempo real e, por isso, o uso do contraste otimiza a obtencao de um exame com alta sensibilidade e especificidade no diagnostico da aspiracao traqueal [4]. E, o exame gravado pode ser posteriormente analisado [2,4,7].

Informacoes advindas da videofluoroscopia somadas aquelas obtidas pela avaliacao clinica da degluticao sao essenciais na investigacao da disfagia oral e faringea [4]. A partir dos achados clinicos e instrumentais, um plano de cuidados pode ser estabelecido, incluindo o nutricional que visa evitar a desnutricao calorico-proteica, desidratacao e pneumonia aspirativa, traduzindo os resultados obtidos nos exames feitos, em alimentos nutritivos, palataveis e que promovem uma degluticao segura.

O espessamento dos liquidos pode promover uma degluticao mais segura, ja que com o espessamento o tempo do transito orofaringeo pode ser aumentado, criando-se um bolo alimentar mais coeso, compensando-se assim alguns deficits na degluticao e reduzindo-se o risco de aspiracao [8,9]. O uso de espessantes, por sua vez, altera a viscosidade dos alimentos. Esta pode ser expressa em centipoises (cP) [8,10] e oferece um correlato fisico da consistencia de um determinado preparado.

Estudiosos [11] observaram que formulas infantis dissolvidas com cereais de aveia mostraram grandes alteracoes na viscosidade, comparadas com formulas espessadas com outros tipos de espessantes, e concluiram que o uso de diferentes agentes espessantes podem resultar em grande variacao na viscosidade dos alimentos. Essas informacoes reproduzem os dados da literatura confirmando que o tipo de espessante utilizado afeta a viscosidade do liquido em questao. Devido a falta de padronizacao para dietas modificadas incorporando espessantes, a American Dietetic Association (ADA) [12], em 2002, estabeleceu a NationalDysphagiaDiet (NDD), com um guia para suplementos alimentares espessados. A NDD propoe uma classificacao de viscosidade em ralo (1-50cP), nectar (51-350cP), mel (351-1750cP) e pudim (>1750cP), criando assim uma padronizacao [13,14].

Durante a videofluoroscopia os alimentos selecionados sao combinados ao contraste de Bario e aos espessantes. Um estudo [15], em particular, sugeriu a necessidade de padronizar as consistencias testadas durante a videofluoroscopia com as consistencias indicadas no tratamento nutricional dos pacientes. Outro estudo [10] mostrou ser possivel oferecer formulas com viscosidades reprodutiveis, com e sem uso de contraste de Bario, tanto na avaliacao radiologica quanto na terapia nutricional, minimizando as falhas de reproducao entre a avaliacao e a terapia.

Sendo a videofluoroscopia um recurso que utiliza radiacao ionizante, e necessario otimizar a tecnica adequando-se a consistencia a uma quantidade minima de contraste de Bario que permita uma imagem de qualidade, sem interferir no sabor e textura do alimento e no tempo de exposicao, de forma a manter-se uma dose segura de radiacao [16]. Estudo previo [17] mostrou diferenca significante nos parametros reologicos entre o uso do contraste de Bario liquido com formula infantil espessada e com formula infantil antirrefluxo. Autores tambem reportam que a mistura do Bario ao alimento altera as suas caracteristicas naturais [6]. Na literatura consultada nao foi encontrada uma padronizacao da viscosidade da formula oferecida a bebes apos acrescentar o contraste de Bario e espessantes para a videofluoroscopia [10,14].

Em nossa pratica clinica, no exame videofluoroscopico realizado em bebes com anomalias craniofaciais e transtornos da degluticao, utiliza-se o Bario (Bariogel 100%) em diluicao a 50% e um espessante disponivel na instituicao (cujas marcas podem variar) que sao adicionados ao leite usado pela crianca ou disponivel na instituicao. A obtencao da padronizacao da formula de partida em relacao a consistencia e a quantidade minima de contraste a ser utilizado na videofluoroscopia e necessaria tanto para garantir a reprodutibilidade do exame quanto para controlar sua qualidade no que diz respeito a visualizacao do alimento ingerido durante o exame. O uso da menor quantidade possivel de Bario pode evitar mudancas em sabor e textura do preparado otimizando a colaboracao do bebe durante o exame. Diminuir a quantidade de Bario, no entanto, pode afetar a interpretacao das imagens obtidas durante fluoroscopia levando a um aumento do tempo de exposicao quando novas imagens precisam ser obtidas ou resultando em interpretacoes incorretas do exame, no caso a penetracao ou aspiracao do preparado nao possa ser observada.

Considerando-se que verificar a relacao entre a diluicao do Bario e a viscosidade do preparado usado nos exames de videofluoroscopia e essencial para estabelecer a menor quantidade de contraste que pode ser administrado durante o exame, e tambem considerado que a forma mais segura de apresentacao do alimento deve ser replicada pelos cuidadores. Este estudo foi elaborado com os objetivos de: estudar a viscosidade da formula de partida (leite) espessada e avaliar mudancas na viscosidade do preparado e na qualidade do exame apos acrescimo de contraste de Bario.

* METODOS

Este estudo foi desenvolvido no Hospital de Reabilitacao de Anomalias Craniofaciais da USP (HRAC/USP), com a aprovacao do Comite de Etica em Pesquisa (protocolo no. 376/2011 SVAPEPE-CEP). Trata-se de um estudo prospectivo que envolveu a manipulacao de sete marcas de espessantes, tres quantidades de contraste de Bario, e uma formula infantil de partida em duas temperaturas para cada uma das tres consistencias estudadas (Nectar=N, Mel=M, Pudim=P), conforme ilustrado na Figura 1. Os espessantes utilizados e a formula de partida selecionada sao os produtos usados durante a videofluoroscopia em bebes com fissura labiopalatina e/ou outras anomalias associadas que recebem atendimentos especializados na instituicao de origem.

Durante o exame de videofluoroscopia conduzido por fonoaudiologa do Setor de Fonoaudiologia deste hospital, e utilizada uma quantidade de contraste de Bario igual a quantidade de formula (diluicao a 50%, conforme tambem usado em outros centros no pais). Neste estudo avaliou-se a possibilidade de reduzir a quantidade de contraste de Bario a ser acrescentada a formula, nas varias viscosidades e em duas temperaturas, de forma a evitar ao maximo a modificacao do sabor do leite oferecido ao bebe, mas mantendo uma imagem visivel da formula durante o exame, sem alteracao na consistencia do preparado. O experimento foi conduzido utilizando diluicoes de 25% e 12,5% de contraste, alem da diluicao rotineiramente usada no HRAC-USP, ou seja, 50%.

Foram testadas sete marcas de espessantes, denominados de E1, E2, E3, E4, E5, E6 e E7. A composicao do E1, E3, E7 era a base de amido modificado e maltodextrina, do E2, E4 e E6 somente de amido modificado e do E5 a base de goma xantana. Para cada um destes espessantes, realizou-se o teste em triplicata, ou seja, preparou-se tres copos de 200 ml da formula de partida a 15% (170 ml de agua com 30g de po) em temperatura ambiente, que variou de 21[degrees]C a 26[degrees]C. Na sequencia foi acrescentado o espessante com as colheres medida de cha para a consistencia nectar nos tres copos [18]. Apos 10 minutos do preparo verificou-se a viscosidade no viscosimetro (Brookfield, modelo DV-E), segundo a classificacao da literatura [12]. Foram realizadas quatro medicoes da viscosidade num tempo medio de 30 minutos apos o espessamento para a obtencao da viscosidade media de cada copo, pois, o leite e um liquido nao newtoniano, tempo-dependente e tixotropico, que tende a mudar a viscosidade durante a analise.

Em seguida a essas marcacoes, os preparados foram aquecidos no aparelho de micro-ondas a uma temperatura acima de 40[degrees]C, verificadas com o termometro. A medicao da viscosidade foi realizada em dois minutos e a temperatura verificada novamente ao final da medicao. O mesmo procedimento foi realizado para todas as consistencias (N, M, P) e todos os espessantes (E1, E2, E3, E4, E5, E6, E7).

Finalmente, foram acrescentados 100 ml de contraste de Bario em 100ml do leite (50%), 50 ml de contraste de Bario em 150ml do leite (25%),seguido por acrescimo de 25 ml de contraste de Bario em 175ml do leite (12,5%), nas diferentes consistencias (N, M, P) e novamente mensurada a viscosidade, desta vez somente na temperatura acima de 40[degrees]C.

Os preparados foram entao colocados dentro de seringas de 10ml, sendo estas identificadas quanto ao espessante, a diluicao do Bario e a consistencia usada. A investigacao nao envolveu exposicao de seres e, as tres seringas com os preparados nas diluicoes a 50% (a), 25% (b) e 12,5% (c) de Bario, numa mesma consistencia e mesmo espessante, foram posicionadas temporariamente no intensificador de imagem do aparelho de radioscopia. Apos identificacao e posicionamento, as seringas foram irradiadas e as imagens capturadas e gravadas em DVD por um tecnico da secao de radiologia do HRAC, sob supervisao do medico e fonoaudiologa responsaveis pelos exames de videofluoroscopia na instituicao. A Figura 2 ilustra a imagem obtida apos escopia das seringas com o preparado na consistencia nectar (N) obtido com o espessante E1 nas diluicoes de Bario em 50%, 25% e 12,5%. A mesma imagem foi obtida na consistencia N com outros 6 espessantes e o procedimento repetido nas consistencias M e P para cada um dos 7 espessantes nas 3 diluicoes. As imagens arquivadas foram apresentadas em tela de computador, conforme usado para interpretacao de videofluoroscopia, e duas fonoaudiologas analisaram as imagens por meio de inspecao visual. Consensualmente, as fonoaudiologas indicaram se os preparados nas seringas apresentavam imagem visivel ou nao e, ainda, se, mesmo quando visivel, havia diferencas na qualidade das imagens entre as tres condicoes de diluicao do Bario (50%, 25%, e 12,5%).

Valores medios das viscosidades nas tres consistencias testadas, nas duas temperaturas (ambiente e acima 40 graus) e nas sete marcas de espessantes foram estabelecidos e apresentados em graficos. A diferenca entre as medias das viscosidades na temperatura ambiente e as medias na temperatura aquecida acima de 40[degrees] C foi apresentada em tabela e comparada com teste estatistico Teste de Mann-Whitney (p<0.05). As viscosidades medias dos preparados nas tres consistencias com e sem contraste de Bario nas diluicoes a 50%, 25% e 12,5%, na temperatura acima de 40[degrees]C, foram calculadas e apresentadas em tabelas. As diferencas em viscosidade entre as condicoes com e sem Bario e nas tres diluicoes foram estabelecidas usando-se os valores da ADA (2002) [12] indicando-se mudancas de consistencia apos acrescentar o Bario em tabelas. As observacoes das fonoaudiologas apos analise das imagens das seringas foram descritas no texto.

* RESULTADOS

As Figuras 3, 4, e 5 apresentam os valores medios de viscosidade para as tres consistencias estudadas (N, M, P), respectivamente, com os sete espessantes (E1, E2, E3, E4, E5, E6, E7) e nas duas temperaturas (ambiente e acima de 40[degrees]C). Para a maioria dos espessantes houve diminuicao da viscosidade apos aquecimento nas tres consistencias (como esperado) com excecao do espessante E6 na consistencia nectar e o E4 na consistencia pudim.

ATabela 1 demonstra a diminuicao da viscosidade em porcentagem, conforme ocorreu o aumento da temperatura em todas as condicoes, com excecao de N-E6 e P-E4 quando houve aumento da viscosidade. A Tabela 2 apresenta resultados do teste Mann-Witney comparando valores medianos em centipoise nas tres consistencias, e duas temperaturas avaliadas, observando que a viscosidade na consistencia pudim foi significantemente menor na temperatura acima de 40 graus do que na temperatura ambiente.

As Tabelas 3, 4 e 5 apresentam as medias das viscosidades com e sem o uso do contraste de Bario nas tres diluicoes propostas, nas consistencias nectar, mel e pudim, respectivamente. Para interpretacao das mudancas na viscosidade apos acrescimo do Bario usou-se a classificacao sugerida pela ADA (2002) [12] a qual apresenta a extensao minima e maxima em centipoise (cP) sendo que nectar e definido como liquidos espessados entre 51 e 350 cP; mel entre 351 e 1750 cP e pudim acima de 1750 cP. Variacoes da consistencia desejada acima do valor maximo ou abaixo do valor minimo foram interpretadas como mudancas significantes uma vez que a consistencia desejada foi substituida por outra. Nas consistencias nectar e pudim houve variacao nos valores de viscosidade que sugerem mudanca de consistencia com alguns espessantes, conforme indicado nos valores em negrito nas Tabelas 3, 4, e 5. Na consistencia mel nao foi verificado mudanca clinicamente significante.

Apos analise das imagens das seringas nas varias condicoes estabelecidas, as fonoaudiologas indicaram que a visualizacao dos preparados com a diluicao a 25% foi bastante similar ao observado com a diluicao a 50%. Com a diluicao a 12,5% tambem foi possivel visualizar o preparado, porem houve dificuldade devido a qualidade da imagem (com tonalidade mais clara), conforme reportado pelas fonoaudiologas.

* DISCUSSAO

Apesar do frequente numero de estudos mostrando a importancia da videofluoroscopia no estudo da degluticao [4,5,10,14,17,19] a literatura e limitada quanto a trabalhos mostrando padronizacao da quantidade do contraste de Bario adicionado a formula infantil utilizado nesses exames em bebes, uma vez que em diversos paises ja existe uma padronizacao do Bario em diversas consistencias para alimentos utilizados nos exames em adultos. A quantidade do Bario e importante para a obtencao de boa resolucao da imagem durante a escopia, mas pode afetar o sabor e a viscosidade do alimento [10,14,15,17]. Esse estudo apresenta valores de viscosidade para uma formula de partida (leite) espessada nas consistencias nectar' mel e pudim' em duas temperaturas e sete espessantes. Os achados demonstraram que pode haver mudanca nos valores de viscosidade dependendo da temperatura e da concentracao de contraste acrescentado ao leite usado na videofluoroscopia. Varios fatores podem afetar a viscosidade' incluindo a degradacao enzimatica e o pH dos alimentos assim como a temperatura do preparado [19]. Um estudo [20]' em particular, mostrou que ha diferenca na viscosidade do alimento tanto na consistencia nectar quanto na mel em diferentes temperaturas' provando a relacao de Arrhenius, na qual o aumento da temperatura geralmente causa suspensoes de amido gelatinizado levando a decrescimo da viscosidade' conforme no presente estudo para a maioria dos espessantes nas tres consistencias. De forma geral, os graficos nas Figuras 3, 4, e 5 mostram que conforme houve aumento da temperatura' a viscosidade decresceu para a maioria dos espessantes estudados. Apenas com o espessante 6 na consistencia nectar (N-E6) e o espessante 4 na consistencia pudim (P-E4) houve aumento de 5% e 2%, respectivamente, da viscosidade com o aumento da temperatura. Enquanto a reducao da viscosidade era esperada, seu aumento contraria a relacao de Arrhenius ja que nas condicoes N-E6 e P-E4 o aquecimento levou ao estufamento dos granulos de amido e os gelatinizou mais, diferindo do esperado.

No Brasil, os espessantes disponiveis (e, portanto' testados nesse estudo) sao em sua maioria a base de amido modificado com ou sem acrescimo de maltodextrina' podendo esse acrescimo ter a funcao de deixa-los mais estaveis. Porem, mesmo com composicoes variadas (somente amido modificado, amido e maltodextrina, goma xantana e maltodextrina) os espessantes testados apresentaram variacoes na viscosidade com o aumento da temperatura. Os espessantes E1, E3, E7 sao a base de amido modificado e maltodextrina, ja os espessantes E2, E4 e E6 somente de amido modificado e o E5 a base de goma xantana, sendo o unico que nas tres consistencias manteve uma variacao de viscosidade mais constante (variando de a 10'5%). Os espessantes E4 e E6 no presente estudo, particularmente, sao compostos somente com amido modificado, sem a maltodextrina, e os achados nao esperados de aumento da viscosidade apos aumento da temperatura precisam ser melhor investigados em estudo que permitam um maior controle da composicao do espessante.

Em um estudo [21] verificou-se que espessantes a base de amido possuem um comportamento tempo dependente, pois ha decrescimo na viscosidade entre 1 a 4 horas apos o preparo do alimento. Ja os espessantes a base de maltodextrina nao apresentaram decrescimo da viscosidade e o fluido se torna mais espesso apos 30 minutos de preparo. Sendo assim, esse tipo de espessante e considerado mais consistente e estavel com o tempo quando comparado com os espessantes a base de amido. Ja em outro estudo [17] observou-se que a formula infantil a base de leite de vaca espessada, quando resfriada naturalmente por 30 minutos' apresentou viscosidade T3 vezes menor. Outro estudo [20] tambem relatou que no leite a 2%, os espessantes se comportam um pouco diferente dos demais liquidos testados (agua e sucos), por conter gorduras, que podem interferir na granulacao do amido. Conforme explicado no referido estudo, em baixas temperaturas a molecula de gordura esta em seu estado solido e pode criar blocos de espaco na estrutura do amido, inchando-o menos e reduzindo a viscosidade.

A Tabela 2 mostra as medias das viscosidades nas tres consistencias testadas apontando significancia estatistica ao comparar os achados para a consistencia pudim entre as duas temperaturas. Apesar do aumento da temperatura ocasionar uma reducao com significancia estatistica da viscosidade na consistencia pudim, o preparado apos aquecido, ainda manteve os valores de viscosidade dentro da extensao estipulada na literatura para a consistencia em questao [12]. Clinicamente, entretanto, alteracoes de ate 30% na viscosidade com a mudanca da temperatura, conforme ilustradas na Tabela 1, podem requerer alguns cuidados para o preparo do espessamento da dieta recomendada, uma vez que os liquidos engrossados fazem parte de uma ampla categoria, e que pequenas mudancas na viscosidade podem provocar alteracoes na degluticao [22].

Com o acrescimo do contraste de Bario houve aumento significante nos valores de viscosidade para o nectar, particularmente para a diluicao a 50%, mudando a consistencia do preparado para mel com todos os espessantes, com excecao do E6. Mesmo com o espessante E6 a viscosidade encontrada foi muito proxima do limite maximo de 350 cP para a categoria nectar, o que coloca o preparado com este espessante quase numa categoria de "mel ralo ou nectar grosso". Nas demais diluicoes de Bario, ainda na consistencia nectar, as mudancas de consistencia ocorreram em menor numero, porem sempre evidenciando aumento da viscosidade, particularmente para E4, E6 e E7 tanto na diluicao a 25% quanto 12,5%, onde novamente o preparado na consistencia nectar tornou-se mel apos adicionar o Bario. Quando foi testada a consistencia pudim ocorreu uma reducao da viscosidade suficiente para mudar o pudim para mel nos espessantes E4, E6 e E7 na diluicao a 50%, E6 na diluicao 25% e E1 e E7 na diluicao a 12,5%. Ou seja, mudancas significantes da consistencia de liquido espessado ocorrem com o acrescimo de Bario, particularmente na diluicao a 50%.

Buscando refletir sobre a possibilidade de reduzir a diluicao do Bario nos preparados para a videofluoroscopia as imagens com o liquido espessado nas varias consistencias e diluicoes foram analisadas por duas fonoaudiologas experientes na conducao do exame. Nao houve dificuldade para visualizacao dos preparados com a diluicao do Bario a 25%, porem as profissionais questionaram se a diluicao a 12,5% poderia tornar a resolucao do preparado muito proxima da resolucao de tecidos moles complicando a interpretacao do exame, particularmente a identificacao de aspiracao de pequenas quantidades de material. Considerando que o uso do contraste tem o objetivo de otimizar a interpretacao do exame, e importante considerar que reducoes da diluicao do Bario devem ser estudadas pela equipe responsavel pelo exame uma vez que varios fatores podem afetar a imagem obtida. A idade do aparelho, por exemplo, tem uma relacao direta com a qualidade da imagem obtida e certamente afetara a quantidade de Bario que podera ser usada por determinada equipe. A manutencao da consistencia do liquido espessado e o ajuste da melhor diluicao do Bario para um determinado equipamento podem ser otimizados numa equipe interdisciplinar onde o fonoaudiologo, o nutricionista, o medico e o tecnico em radiologia assumem juntos o papel de zelar pela qualidade e acuro do exame.

Os achados deste estudo juntamente aos dados reportados na literatura sugerem a importancia de cuidados especificos com a consistencia dos preparados tanto para a conducao da videofluoroscopia quanto para a orientacao de cuidadores, particularmente apos recomendacao de dietas modificadas. O desenvolvimento de um manual com instrucoes para o espessamento de liquidos com Bario pode aperfeicoar o gerenciamento de pacientes com risco para aspiracao.

* CONCLUSAO

Analise dos achados revelaram mudancas significantes no preparo de leite e Bario com o aumento da viscosidade do nectar a ponto de torna-lo mel e diminuicao da viscosidade do pudim tambem a ponto de torna-lo mel. As mudancas foram mais frequentes na diluicao do Bario a 50% e com alguns tipos de espessantes. As imagens obtidas com diluicao do Bario a 25% tiveram qualidade similar as imagens obtidas com diluicao a 50%.

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http://dx.doi.org/ 10.1590/1982-021620155614

Recebido em: 20/02/2014

Aceito em: 02/09/2014

Endereco para correspondencia:

Camila Ribeiro Gomide Queiroz

Rua: Silvio Marchione 3-20 Bauru--SP--Brasil

CEP: 7012-900

E-mail: camilargqueiroz@gmail.com

Camila Ribeiro Gomide Queiroz (1), Suely Prieto de Barros (1), Hilton Coimbra Borgo (1), Viviane Cristina de Castro Marino (2), Jeniffer de Cassia Rillo Dutka (1)

(1) Hospital de Reabilitacao de Anomalias Craniofaciais da Universidade de Sao Paulo, Bauru, SP, Brasil.

(2) Faculdade de Filosofia e Ciencias da Universidade Estadual Paulista, UNESP, Marilia, SP, Brasil.

Fonte de auxilio: Bolsa CAPES mestrado e verba PROAP-USP

Conflito de interesses: inexistente

Caption: Figura 1--Organograma do experimento ilustrando preparo de 3 consistencias com 7 espessantes (E1- E7) e com 3 diluicoes de Bario

Caption: Figura 2--Imagem da escopia das seringas posicionadas conforme a diluicao do Bario (50%, 25%, 12,5%) na consistencia Nectar com oespessante1 (E1)

Caption: Figura 3--Valores medios das viscosidades na consistencia Nectar nas duas temperaturas testadas (ambiente e acima 40 graus) com as sete marcas de espessantes

Caption: Figura 4--Valores medios das viscosidades na consistencia Mel nas duas temperaturas testadas (ambiente e acima 40 graus) com as sete marcas de espessantes

Caption: Figura 5--Valores medios das viscosidades na consistencia Pudim nas duas temperaturas testadas (ambiente e acima 40 graus) com as sete marcas de espessantes
Tabela 1--Variacao da viscosidade em porcentagem com o aumento da
temperatura ambiente para uma temperatura acima de 40[degrees]C com
os sete espessantes nas tres consistencias

         Espessante 1   Espessante 2   Espessante 3   Espessante 4

Nectar        6%           26,40%         23,60%         8,70%
Mel         13,70%         16,20%          15%            20%
Pudim       27,20%          14%             7%            2% *

         Espessante 5   Espessante 6   Espessante 7

Nectar      10,50%          5% *          19,50%
Mel         8,10%          20,20%         34,40%
Pudim       8,80%          20,10%         30,50%

* Os valores ilustram ao percentual de reducao da viscosidade apos
aquecimento em todas as condicoes com excecao de N-E6 e P-E4 quando
houve aumento da viscosidade

Tabela 2--Comparacao estatistica das medias da viscosidade (cP) para
as tres consistencias na duas temperaturas avaliadas

         Tem.Amb. Media   > 40[degrees]C Media   Valor p

Nectar       240,9               238,9            0,383
Mel          987,9               861,5            0,383
Pudim         2391               2011,3          0,017 *

Teste de Mann-Whitney * p < 0.05

Tabela 3--Media da viscosidade do preparado combinado na consistencia
Nectar com e sem contraste de Bario a 50%, 25% e 12,5% na temperatura
acima de 40[degrees]C

NECTAR                    Espessante   Espessante   Espessante
                              1            2            3

Contraste           SEM     106,75       113,5        161,5
de Bario a 50%      COM      634          794         974,5
Contraste           SEM      107          118          176
de Bario a 25%      COM     214,25       181,5        225,75
Contraste           SEM     105,5        99,75         120
de Bario a 12,5%    COM     255,75        158          220

NECTAR              Espessante   Espessante   Espessante   Espessante
                        4            5            6            7

Contraste             284,5         268          315          309
de Bario a 50%         383          366         335,25       542,75
Contraste              319         242,5        347,5         319
de Bario a 25%        443,5        273,75        375          381
Contraste              329          229         373,75       315,25
de Bario a 12,5%      490,5        256,5        431,25       369,5

Tabela 4--Media da viscosidade do preparado combinado na consistencia
Mel com e sem contraste de Bario a 50%, 25% e 12,5% 40[degrees]C

MEL                      Espessante   Espessante   Espessante
                             1            2            3

Contraste          SEM     982,5         559          513
de Bario a 50%     COM     707,25       830,25        1199
Contraste          SEM     647,75       730,5         638
de Bario a 25%     COM     689,25       921,5         704
Contraste          SEM      470          981          476
de Bario a 12,5%   COM     440,5         1261         718

MEL                Espessante   Espessante   Espessante   Espessante
                       4            5            6            7

Contraste             938          1084        850,5        913,5
de Bario a 50%        890          1085         570         809,75
Contraste             1251        1042,5        810         1042,5
de Bario a 25%        1296        970,5         947         989,5
Contraste           1355,75       1208,5        1030         1117
de Bario a 12,5%    1334,25      1108,75       1027,5      1097,75

Tabela 5--Media da viscosidade do preparado combinado na consistencia
Pudim com e sem contraste de Bario a 50%, 25% e 12,5% 40[degrees]C

PUDIM                    Espessante   Espessante   Espessante
                             1            2            3

Contraste          SEM     1850,5       2275,5       1801,5
de Bario a 50%     COM      2078         2854       2329,25
Contraste          SEM      1867       2230,75        2123
de Bario a 25%     COM     2013,5        1830         2155
Contraste          SEM     2428,5      2445,75       2010,5
de Bario a 12,5%   COM     1710,5      1835,25       1947,5

PUDIM              Espessante   Espessante   Espessante   Espessante
                       4            5            6            7

Contraste           2577,75       2338,5       2007,5        2214
de Bario a 50%        1330       1981,75      1027,25        1445
Contraste            2532,5      2089,25      2170,25       2273,5
de Bario a 25%       2011,5        1956       1330,25        2112
Contraste           2225,25      2294,25       2191,5      1890,75
de Bario a 12,5%     2355,5      2125,25       1788,5      1386,25
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Author:Queiroz, Camila Ribeiro Gomide; de Barros, Suely Prieto; Borgo, Hilton Coimbra; de Castro Marino, Vi
Publication:Revista CEFAC: Atualizacao Cientifica em Fonoaudiologia e Educacao
Date:May 1, 2015
Words:4913
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