Printer Friendly

Vidal Didonet's management experience and trajectory in Ministry of Education (1974-1990): Building paths for early childhood education in Brazil/ A experiencia e trajetoria de gestao de Vital Didonet junto ao Ministerio da Educacao (1974-1990): construindo caminhos para a educacao da primeira infancia brasileira.

Introducao

O objetivo, neste texto, e acompanhar parte da trajetoria politico-educativa de Vital Didonet (3), ou as maneiras pelas quais produziu-se enquanto figura publica e intelectual na area da educacao para a primeira infancia. Para o esforco analitico, vale-se das reflexoes do historiador da educacao Depaepe (2005, 2012) e das analises politico-educativas de Ball (2006, 2012), os quais auxiliaram a acompanhar a trajetoria de Didonet junto a circulacao de sujeitos, permeando momentos de "mudanca" (Taylor et al., 1997; Rizvi; Lingard, 2010) e/ou observavel incremento nas acoes oficiais, por meio de modificacoes textuais ou nas maneiras de articular-se a outros contextos, tais como academico, escolar/pratica, movimentos sociais, entre as proprias instancias de poder, dentre outros. Esse recurso analitico oportuniza-nos perceber o seu fazer administrativo diante da circulacao de sujeitos ou grupos e os ajustes discursivos necessarios (nos textos oficiais, de circulacao interna, em seminarios) em meio aos diferentes ambientes sociais.

Sobre a historicidade da politica educativa, Ball (2006) alerta-nos para a limitacao do pesquisador diante da abrangencia com a qual se depara nesse tipo de estudo. Essas formas de analises interpretativas compoem problemas teorico-metodologicos na reconstituicao do passado educativo. Nesse entendimento, evitam fixar "marcos" as analises, a comparacao entre o que supostamente se entende por certo (na comprovacao de certezas). Assim, busca-se historicizar fatos ou trajetorias, quando se pretende clarear acontecimentos do passado, evitando, na medida do possivel, a analise com os olhos do presente (presentismo). Essa forma de compreensao historica e conhecida por pesquisadores brasileiros, como por exemplo, Miriam Warde, Clarice Nunes, Denice Catani, Diana Vidal, Vera Valdemarim, Andre Paulilo, e especificamente na area da Educacao Infantil, Luciano M. de Faria Filho, Alessandra Arce Hai, os quais tem contribuido a discussao da pesquisa em Historia da Educacao.

Da mesma forma, Depaepe (2005) atenta a visao limitada do pesquisador na recomposicao da trajetoria politico-educativa do passado pela perspectiva do presente, este tambem em constante mudanca. Por isso, o reconhecimento de que as transmutacoes temporais dificultam a compreensao do que de fato era dialogado, assim como o entendimento dos eventos, dos discursos, enfim, na apreensao historica do jogo politico.

Na conceitualizacao de "processo politico"auxilia-nos em nossa analise (conforme acima exposto), pelo que e nomeado por Stephen Ball (2006) de "trajetoria de politicas", a qual contempla a abordagem do "ciclo de politicas". O autor afirma ser impossivel sugerir a existencia de uma relacao uniforme e direta entre os contextos politico, social e academico. Essa visao inclui a rejeicao a "[...] uma so forma ou descricao linear de relacoes entre a definicao de agendas politicas, producao do texto politico e a sua implementacao na pratica" (Rizvi; Lingard, 2010, p.6).

Diante dessa compreensao, optou-se por acompanhar as acoes empreendidas pela equipe gestora, liderada por Vital Didonet, da Coordenacao de Educacao Pre-Escolar (Coepre) no Ministerio da Educacao (MEC), em alguns eventos promulgados como inaugurais, considerando o principio das acoes dessa coordenadoria desde 1974, o que inclui os primeiros documentos oficiais publicados por essa entidade publica, e os momentos que impulsionaram modificacoes discursivas, vislumbrando, como dito, as acoes administrativas relacionadas a primeira infancia. Esses momentos expressam o que e conceituado na area da Historia da Politica Educativa como "politicas da mudanca" (Taylor et al., 1997; Rizvi; Lingard, 2010), desnudando ao pesquisador parte desse multiplo e relacional cenario (Ball, 2012).

Portanto, construimos a proposta geral no presente artigo, direcionando nossos esforcos teorico-metodologicos, as acoes preliminares, ou seja, intrinsecas as primeiras publicacoes oficiais, e conforme Ball (2012), a partir dessa etapa, direcionou-se o olhar as suas modificacoes discursivas e/ou textuais em relacao a determinados ambitos. Nesse sentido, mudancas podem acontecer nos contextos que contemplam o "ciclo de politicas", a saber, o "terreno de influencia', o de "producao de texto', o da "pratica", dos "resultados" ou de "estrategia politica" (Ball, 2012).

O empreendimento humano e acompanhado por dois aspectos de acordo com Ball (2006): primeiro a "inventividade" (invencao ou serendipidade), considerada uma "descoberta" na ausencia do obvio; segundo aspecto pelos "improvisos", vistos como acoes que demandam solucoes temporarias (Adhoc ou AdHocery). Ball (2006) elucida que pode parecer confusa essa afirmacao, porem, significados, representacoes e interpretes-chave sao diversos, diante da profusao de trajetorias por entre os ambitos/espacos em disputa.

Nesse ultimo aspecto (espacos em disputa), Ball (2006, 2012) esclarece que significacoes, objetivos e demandas sao proprios de cada instituicao ou organizacao social. Dentre eles, podemos citar orgaos governamentais, instituicoes escolares, ambito academico, movimentos sociais, organizacoes nao governamentais (nacionais e internacionais). Por isso, sao notadas mudancas discursivas nos textos governamentais, as quais refletem uma complexidade que transcende a propria narrativa. Pressoes ou influencias sobre as acoes do ambito oficial nao vem somente de cima, uma vez que os seus efeitos (ou resultados) sao complexos e diferenciam entre os contextos. Nessa interinidade, as proprias agendas politicas encontram-se articuladas aos propositos do Estado, possuindo um tempo determinado, uma vez que ha constante modificacao de problemas, atores e interesses com o passar do tempo e por entre os espacos sociais.

E necessario abrir um parentese e ressaltar que o terreno academico e considerado nesse espaco, por sua notada influencia nos movimentos discursivos e textuais da agencia oficial referente as publicacoes para a primeira infancia ao nivel de MEC. Dentre os documentos localizados nos arquivos da Coedi, antiga Coepre, haviam textos academicos sublinhados e com anotacoes feitas em suas margens. Nesse sentido, e possivel observar o movimento desse artigo com alguns documentos oficiais publicados, em uma tentativa de explicar determinadas criticas.

Assim, seguindo a conducao analitica acima mencionada, incluimos o transito de pessoas no cenario que contempla determinadas acoes inaugurais e subsequentes no interior da Coepre (1974-1990), circunscritas a experiencia e trajetoria de gestao de Vital Didonet junto ao Ministerio da Educacao. Dentre os limites desse texto, justifica-se a escolha por centrar a analise no entorno da figura de Vital Didonet por meio de possiveis pistas sobre o seu inicio e sua sequencia profissional durante longa e persistente carreira politico-administrativa. Por esse caminho, a possibilidade de apreender modos de perceber, constituir e vivenciar a politica educativa relacionando a primeira infancia ao contexto politico de maior influencia e possiveis mudancas entre os anos de 1970 e inicio dos 1990.

Este percurso investigativo nao se deu por acaso. Didonet foi o primeiro coordenador (sob a alcada do Ministerio de Educacao e Cultura, MEC) (4), da Coordenacao de Educacao Pre-Escolar (Coepre), e acompanhou pessoalmente a inauguracao das atividades desse orgao federal em 1975, o que incluiu o arranjo do grupo de trabalho sob sua gestao e a publicacao dos primeiros documentos oficiais. Apesar de seu reconhecido protagonismo na area, ressalta-se a escassez de pesquisas historiograficas acerca de sua atuacao politica.

Para percorrer esse trajeto, trazemos dois tipos de documentos que fazem parte do corpus analitico de parte da pesquisa de doutorado em Educacao (Prado, 2017). Sao apresentados assim, documentos ja analisados e conhecidos na area (publicados e pertencentes ao dominio publico), por exemplo: "Diagnostico preliminar de Educacao Pre-Escolar" de 1975, a colecao "Atendimento ao pre-escolar" volumes 1 e 2 de 1977, o documento "Educacao pre-escolar: uma nova perspectiva nacional", de 1975, "Planos Setoriais"de 1976 e de 1980, "Legislacao e Normas da Educacao Pre-Escolar"de 1979, dentre outros.

Quanto aos inexplorados em pesquisas da area e que constam nos arquivos da antiga Coepre, hoje nomeada Coordenacao de Educacao Infantil (Coedi) no interior do Ministerio da Educacao (MEC), apresenta-se o "Relatorio 74" (unico que consta em dominio publico,) e os documentos: "O DEF e a Educacao Pre-Escolar" de 1979; "A Crianca na Constituinte e nos Planos do Governo: documento sintese" (1986); o "Historico da Campanha Crianca e Constituinte" (1988C Relatorios de Encontros Nacionais e Regionais sobre o "Programa Municipal de Educacao Pre-Escolar" (entre 1986 e 1989); "Informes" de circulacao interna; Planos de Acao e/ou Diretrizes politico-pedagogicas entre os anos de 1986 e 1989; os quais evidenciam algumas estrategias e acoes da Coepre, no que se refere as demandas do MEC e as proprias necessidades da referida coordenadoria. Nesse sentido, compuseram uma proposta de releitura dos primeiros passos da educacao (ao nivel de MEC) de criancas pequenas no Brasil, ao enfatizar a gestao de Vital Didonet e o transito de pessoas no cenario em que foram instauradas as primeiras acoes oficiais.

Vital Didonet e a sua trajetoria politico-educativa por entre demandas, influencias, pessoas e propostas

Didonet figurou entre os tecnicos e coordenadores do MEC, convocados no inicio da decada de 1990, para a realizacao de um balanco da educacao desde a "Lei de Diretrizes e Bases da Educacao Nacional" (LDBEN) de 1971, com vistas a criacao de uma nova legislacao. A revista"Em Aberto" publicada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP), apresentou em 1992 os textos resultantes dessas analises. Do referido autor, o artigo intitulou-se"Balanco critico da Educacao pre-escolar nos anos 80 e perspectivas para a decada de 90" Em sua narrativa, tres fenomenos marcariam a area da educacao de criancas pequenas: (1) Expansao quantitativa; (2) Formulacao de propostas pedagogicas para o trabalho com as criancas nos centros pre-escolares; (3) Reconhecimento do direito da crianca a educacao desde o nascimento.

Se podemos circundar as acoes de Didonet e de seu grupo na politica educativa do pre-escolar junto ao MEC, certamente o artificio de acompanhar os fenomenos acima assinalados fornece pistas do inicio de sua gestao e do tracar em estrategias administrativas. Os dois primeiros, a"expansao quantitativa" e a "formulacao de propostas pedagogicas" para o trabalho com as criancas nos centros pre-escolares, coincidem com a"organizacao administrativa" (Didonet, 1992), que integra os atos inaugurais da Coepre.

A construcao discursiva da Coepre perseguia o objetivo primordial de interesse do MEC: justificar a educacao pre-escolar junto a resolucao de problemas inerentes aos altos indices de repetencia e de evasao ao nivel de primeiro grau (nomeacao a epoca do atual Ensino Fundamental).

Havia, entao, uma necessidade posta. Elaborou-se uma especie de ligacao entre os enunciados da prioridade educativa nacional (o primeiro grau) a educacao pre-escolar, intencionando, na etapa escolar anterior, a consolidacao de sua utilidade no terreno de influencia maior.

A acao primeira na area da educacao pre-escolar, no ambito do MEC, adveio textualmente do Conselho Federal de Educacao (CFE) pela Indicacao no. 45/1974, elaborada pela conselheira Eurides Brito da Silva. Na sequencia, emitido pelo mesmo Conselho, o Parecer no. 2.018/74, registrado pelo relator Paulo Nathanael Pereira de Souza. Ambos documentos foram publicados na coletanea intitulada "Legislacao e Normas da Educacao Pre-Escolar" (Brasil, 1979a).

E sabido, pela area academica desde o inicio dos anos 1980, por pesquisadores que vivenciaram esse periodo, como Alceu Ravanello Ferrari (5), Fulvia Rosemberg, Maria Machado Malta Campos, Sonia Kramer, dentre outros, que esses documentos sao reconhecidos enquanto atos oficiais preambulares e que proporcionaram o inicio da Coepre no MEC, a qual atua ate hoje, sob a denominacao Coordenacao de Educacao Infantil (Coedi).

Em resumo, tais documentos originam o alinhamento proposto para o futuro da educacao pre-escolar, apoiada na argumentacao de uma politica social vantajosa rumo ao sucesso do Ensino de Primeiro Grau--considerado prioritario a politica publica educativa central. Alem disso, a presenca de indicacoes externas, segundo documento de divulgacao interna "Historico da Campanha Crianca e Constituinte" (Brasil, 1988) em que orgaos internacionais como o Fundo das Nacoes Unidas para a Infancia (Unicef) e a Organizacao das Nacoes Unidas para Educacao, Ciencia e Cultura (Unesco), proporcionavam a construcao desses enunciados. Apoiavam-se tambem na experiencia de outros paises e nas pesquisas internacionais.

Essa fase ligou-se, portanto, a esses textos inaugurais, permitindo pensar o itinerario das politicas publicas que se desdobraram, acrescendo respaldo teorico e numerico as acoes de Didonet. Assim, em 1975, ha a inauguracao da Coordenacao de Educacao Pre-Escolar (Coepre), registrando, naquele mesmo ano, dois documentos no ambito da educacao pre-escolar sob o selo do MEC: o "Diagnostico preliminar da Educacao Pre-Escolar no Brasil" (Brasil, 1975a), o qual chamaremos de "Diagnostico", como primeira publicacao oficial, e o documento "Educacao Pre-Escolar: uma nova perspectiva Nacional" (Brasil, 1975b).

Os dados numericos exploraram, na primeira parte do "Diagnostico', a exposicao do crescimento populacional em decorrencia da urbanizacao desmedida, assim como a ampliacao da natalidade das familias que possuiam rendas mais baixas, e, consequentemente, da populacao pre-escolar.

Observa-se a conformacao dos dados obtidos por orgaos de fundacao publica, nivelandoos aos problemas recorrentes do primeiro grau, primordiais ao MEC. Dentre eles, podemos citar, o Instituto de Pesquisa Economica Aplicada (IPEA) e Anuario Estatistico do Brasil do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE), assim como fontes de projetos de educacao nutricional e assistencia alimentar da Campanha Nacional de Alimentacao Escolar no MEC e dados sobre o Instituto Nacional de Alimentacao e Nutricao (INAN) pelo Ministerio da Saude, dentre outros correlatos (Brasil, 1975a). Esses orgaos denunciaram que os altos indices de repetencia e de abandono nas primeiras series do Ensino de Primeiro Grau estavam associados, entao, a dois anos de atraso cognitivo que haviam sido "constatados"por parte de pesquisadores do periodo em criancas consideradas com as piores condicoes financeiras na sociedade brasileira.

Nesse sentido, argumentavam que esse problema poderia ser "compensado"pelos antecedentes educacionais das criancas, sob a justificativa da pre-escola primordial aos mais pobres, ou seja, em nivel publico de atendimento. Esses argumentos favoreceram a adocao do discurso em prol da "Educacao Compensatoria", com o respaldo cientifico da Teoria da Privacao Cultural.

Justamente para aquela faixa etaria, foram utilizados os resultados obtidos por estudos tais como da area de Nutricao, elaborados por Nelson Chaves, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), e de Psicologia, por Ana Maria Poppovic, da Fundacao Carlos Chagas (FCC). Os dados coletados assumiam e indicavam que as criancas consideradas com baixo nivel socioeconomico dispunham, potencialmente, de dois anos de atraso na sua capacidade mental: encontravam-se, portanto, "culturalmente carenciadas"

Para compreendermos o transito originario de pessoas nesse cenario inaugural da Coepre (organizacao administrativa, publicacoes), percorremos as trajetorias daqueles que estiveram no inicio do conjunto de documentos oficiais divulgados nos anos 1970. Assim, alcanca-se os modos como Vital Didonet passou a circular naquele contexto e como foi se produzindo, simultaneamente, figura publica e detentor de conhecimentos intelectuais.

Na referida circulacao de pessoas, menciona-se Paulo Nathanael Pereira de Souza, o qual tem historico de longa data na area da educacao e da gestao escolar (Legislacoes da Educacao). No que tange a area da educacao de criancas pequenas, pode ser considerado por seu destaque e influencia. Sua aprovacao a Indicacao no. 45 de 1974, de Eurides Brito, certamente contribuiu para o estabelecimento do trabalho na area da educacao pre-escolar no interior do orgao oficial da educacao, o MEC.

Sob outro olhar, pode-se ponderar que esses documentos (indicacao e parecer), quando percebidos em conjunto com a criacao da Coepre, revelaram-se uma sintese daquilo que ja havia sido pensado ou seja, encontrava-se previamente em processo de elaboracao. Desde quando as necessidades do pre-escolar foram apresentadas pelos Conselheiros, podemos perceber que Anna Bernardes Silveira da Rocha, Diretora do Departamento de Ensino Fundamental (DEF), foi uma das pessoas que mobilizou o projeto de inclusao da pre-escola no ambito do Planejamento Educativo do MEC.

Dentro desse projeto, observa-se antes no texto que o "Diagnostico" (Brasil, 1975a) traz, em sua primeira parte, dados numericos para "validar" o discurso contido nos documentos do Conselho Federal de Educacao (CFE), direcionados as criancas das classes sociais mais pobres, assim compondo o grupamento textual e discursivo para a organizacao administrativa intrinseca ao primeiro fenomeno descrito por Didonet (1992): a "expansao quantitativa".

Ja a segunda parte do texto em questao acompanha o segundo fenomeno--a "Formulacao de Propostas Pedagogicas"--, igualmente incluido na etapa da organizacao administrativa. Seu conteudo esta contido no conjunto de publicacoes preparadas para a referida etapa escolar e foi utilizado nas acoes formativas--conforme nomeado a epoca, na capacitacao de professores (e/ou monitores) destinados ao trabalho com as criancas pequenas.

A substancia, ou conteudo geral do conjunto discursivo, ladeou as orientacoes do"II Plano Setorial de Educacao e Cultura: PSEC" (Brasil, 1976), que cobria um periodo entre 1975 e 1979, e entendeu o aumento dos anseios e das exigencias da populacao como um apelo a expansao do sistema educacional. Sendo assim, a educacao foi considerada como topico primordial, em cujas bases assentavam-se a mobilidade social, o progresso educativo e o desenvolvimento economico (Brasil, 1976).

O II PSEC refere-se a pre-escola como "area marginal", propondo a criacao de mecanismos administrativos e a realizacao de um diagnostico, no intuito de viabilizar apoio financeiro e tecnico, tanto para pesquisas na area, quanto para o treinamento de recursos humanos via eventos pontuais. Ja a identificacao de formas pre-existentes de atendimento figura entre as indicacoes em prol da fala de inovacao e de versatilidade frente a adaptacao ao publico alvo (Brasil, 1976).

Associados, entao, nesse contexto ou quadro, alem do "Diagnostico" (Brasil, 1975a) estao "Educacao Pre-Escolar: uma nova perspectiva nacional" (Brasil, 1975b) e a colecao em dois volumes, "Atendimento ao Pre-Escolar" (Brasil, 1977a, 1977b). Todos esses documentos se adequam as demandas do II PSEC, acima exposto, especialmente correspondendo desde o ponto de partida, o "Diagnostico" de 1975 que e complementado pelos outros dois acima mencionados, compondo o quadro discursivo oficial e acrescentando a defesa de suas conceituacoes baseadas na Educacao Compensatoria. Conjuntura que contribuiu sobremaneira a adequacao da Coepre junto aos objetivos e demandas do poder central (Governo e MEC). Nesse sentido, uma adequacao textual proveitosa para cumprir seus proprios intentos e se fazer instituicao necessaria ao contexto educativo em geral.

A entao Diretora do Departamento de Ensino Fundamental (DEF), Anna Bernardes da Silveira Rocha, introduz esse conjunto discursivo (referente as propostas pedagogicas oficiais especificas ao pre-escolar), em apresentacao da segunda parte do "Diagnostico", relata,

[...] sinteticamente a atuacao dos organismos publicos e das principais instituicoes privadas que desenvolvem programas de atendimento a criancas socio-economicamente carentes. Os itens seguintes abordam temas genericos de curriculo, metodologia, recursos humanos e materiais (Brasil, 1975a, p.3).

A trajetoria das primeiras acoes do DEF ao nivel de MEC (oficiais) e a circulacao de pessoas no Departamento podem ser delineadas a partir das pistas fornecidas por dois documentos: o "Relatorio 74"(Brasil, 1979b), assim como em outro," Educacao Infantil no Brasil: primeira etapa da Educacao Basica" (Nunes; Corsino; Didonet, 2011). Em adicao, esses documentos oferecem indicios correspondentes a elaboracao dos passos preambulares--diretrizes e estrategias basicas--, acerca das propostas pedagogicas para o pre-escolar.

As atividades iniciais relatadas nos dois documentos principiaram-se em 1976 e trazem a evidencia, em resumo, que o DEF se organizou em torno de quatro momentos. Os dois primeiros promoveram um encontro com diferentes setores, inicialmente com orgaos publicos relativos a saude, educacao, nutricao e previdencia social; posteriormente, com especialistas em difusao de imagens no ensino. O terceiro marcou o planejamento e a difusao de diretrizes basicas para orientar um futuro Programa Nacional de Educacao Pre-Escolar. O quarto momento caracterizou-se pela realizacao de acoes conjugadas, a fim de organizar as diretrizes estabelecidas em prol do pre-escolar.

Os textos em referencia destacam que, na quarta etapa, essas acoes, conjugadas as diretrizes, compuseram a institucionalizacao da infraestrutura administrativa, para que se pudesse planejar, executar e avaliar a educacao pre-escolar nas Secretarias de Educacao das unidades federadas.

Outrossim, foi realizado o "I Treinamento para Multiplicadores" de Educacao pre-escolar em Belo Horizonte, bem como outros cursos para capacitacao, incluindo divulgacoes que estimulassem a educacao artistica como projeto pedagogico.

Houve, porem, uma reuniao em 1974, ou seja, um acontecimento que antecede tanto as referidas acoes, quanto a publicacao (em 1975) do primeiro documento ao nivel da Coepre, o Diagnostico. Essa informacao sera analisada de modo mais detalhado a seguir.

Tal fato oferece-nos indicacoes acerca dos modos pelos quais constituiram-se as escolhas das questoes pedagogicas, e tambem, especialmente, como se deu a movimentacao de sujeitos nesse periodo inicial da Coepre.

Destarte, adentra-se a tematica circunscrita ao transito de individuos e sua tessitura, que abarca a relacao entre os terrenos da politica educativa e do academico. Para tanto, destaca-se, em principio, o evento acima mencionado, que foi sediado nas instalacoes do MEC em Brasilia, no ano de 1974. Em seguida, outro, realizado em julho de 1975 no Rio de Janeiro, conforme registrado pelo Jornal do Brasil.

O acesso de pesquisadores nesse processo politico preliminar foi registrado no "Relatorio 74" (Brasil, 1979b). De acordo com esse documento, a designacao dos pesquisadores participantes se deveu as suas experiencias educativas. Alem de considerados especialistas de renome nacional, eram, igualmente, atuantes em pesquisas relacionadas ao desenvolvimento infantil. Ofereciam, inclusive, a possibilidade de atendimento diversificado (e flexibilidade no discurso) ao pre-escolar, posto que baseados na nomeada Educacao Compensatoria e na Teoria da Privacao Cultural, permitiam uma especie de "guarda-chuva" teorico o qual abrigaria, segundo Didonet (1977), conteudos e metodos flexiveis e adaptados, podendo aproveitar materiais como sucatas, espacos "ociosos" (em igrejas, saloes, paroquias, obras sociais) ou experiencias pre-existentes como parte de estrategias "economicamente" viaveis as exigencias governamentais. Alem disso, a variedade de orgaos que historicamente lidam com essa etapa educativa, e, especificamente no periodo em questao, conforme menciona o "Diagnostico" (Brasil, 1975a), a saber: o Ministerio da Saude, da Educacao e da Previdencia e Assistencia Social.

Nesse tocante, os autores convocados para a reuniao traziam experiencia previa e reconhecimento no trabalho (uns em educacao outros tambem em saude e nutricao), sendo que por todos esses atributos, estiveram presentes naquela que consta no "Relatorio 74" como a primeira reuniao do Departamento de Ensino Fundamental (DEF) para desenvolver estudos e definir "diretrizes e bases para a educacao pre-escolar" (Brasil, 1979b, p. 67). Nota-se que, apesar da leitura dos dois documentos (Brasil, 1979b) e (Nunes; Corsino; Didonet, 2011) fornecerem pistas para a nossa descricao das primeiras acoes oficiais emanadas do MEC, e interessante evidenciar que o evento--com os professores experientes na area--, nao foi descrito (ou foi ocultado?) no documento de 2011.

Esses professores foram: Nelson Chaves, do setor de nutricao da Universidade Federal de Pernambuco, Yaro Gandra, do setor de ciencias medicas da Universidade de Sao Paulo, Nazira Abi Saber, diretora de escola na cidade de Belo Horizonte, Heloisa Marinho, pesquisadora e formadora do Instituto de Educacao do Rio de Janeiro e Theodolindo Cerdeira, professor da Universidade de Brasilia.

Essa informacao e relevante, pois esses pesquisadores circularam no DEF, a fim de trazerem suas contribuicoes ao que seria ou nao adequado a educacao pre-escolar diante das propostas desenhadas no terreno de influencia maior da educacao brasileira, o MEC.

No entanto, Nazira Abi Saber e Theodolindo Cerdeira nao foram vistos no texto e/ou conjunto discursivo desta etapa considerada inicial para a pre-escola no MEC. Ja Heloisa Marinho, de renome nacional em pesquisas e experiencia formativa na area da primeira infancia, foi discretamente incluida nas referencias do primeiro volume da Colecao, "Atendimento ao Pre-Escolar" de 1977. Em contrapartida, as experiencias com criancas e as propostas de trabalho desenvolvidas por Nelson Chaves e Yaro Gandra sao identificadas nos documentos como uma especie de "modelo" adequado ao discurso da Educacao Compensatoria.

Pode-se observar que ha um emudecimento de Heloisa Marinho e de suas pesquisas. Conforme acima exposto, Marinho e uma autora respeitada na area, como professora, formadora e pesquisadora, desde o seu tempo ate hoje. Grupos de pesquisa, como os de Aristeu Leite Filho e Alessandra Arce Hai, por exemplo, vem ressaltando a envergadura de seu trabalho.

Segundo Orlandi (2007, p.23), essa atitude nao e vazia, quer dizer, sem historia. "E o silencio significante", com relevancia propria e nao um mero complemento de linguagem: "[...] a linguagem, onde estao as palavras, onde esta a significacao: estao onde estao os sujeitos e os sentidos, e mudam de lugar e transitam todo o tempo" (Orlandi, 2007, p.165).

Naquela narrativa, portanto, nao houve espaco para a defesa discursiva da Escola Nova, campo desenvolvido anteriormente e no qual Marinho possuia reconhecimento. Nao foi por sua pratica pedagogica outrora defendida, mas pela necessidade de "exclusao" dos alicerces de sua fala, que passou a ser instituida no lugar representativo do "velho". Orlandi define a questao, relativa a analise do discurso, como um programa de leitura particular: "[...] a que ve em todo texto a presenca de outro texto necessariamente excluido, mas que o constitui" (Orlandi, 2007, p.174), tendo assim como pano de fundo a existencia do funcionamento do silencio.

A escolha eleita aos moldes oficiais, a mais adequada ao momento, como ja se afirmou foi pela Educacao Compensatoria, que permitia flexibilidade discursiva. No caso de Heloisa Marinho, ha a consulta a sua autoridade como pesquisadora, mas percebemos sua participacao em segundo plano, ao considerarmos o texto do primeiro aparato oficial publicado, posto que a autora trazia em si a figura de um modelo "antigo" de educacao. Ainda assim, Marinho continuou a circular em seminarios ou encontros de pesquisas do MEC, como o "I Congresso de Educacao Pre-Escolar" de 1975.

O evento foi registrado, no mesmo ano, pelo Jornal do Brasil. Foi coordenado pela Organizacao Mundial para a Educacao Pre-Escolar (OMEP) e sediado no Rio de Janeiro entre os dias 20 e 26 de julho de 1975. O periodico assinalou as participacoes de Heloisa Marinho e de Anna Bernardes, Diretora do Conselho Federal de Educacao (CFE). Coube a primeira uma palestra com apresentacao e debate do tema Desenvolvimento da Comunicacao na 1a infancia. Ja para a segunda, a conferencia de abertura do evento. Outras palestras sucederam-se no evento, envolvendo os temas Arte e a Crianca; Criatividade; Teoria de Piaget.

Redigida por Beatriz Bonfim em 1975, a reportagem "A descoberta da Pre-Escola" publicada no Jornal do Brasil (Bonfim, 1975), utilizou como chamada a frase de Laura Jacobina, entao presidente da OMEP naquele periodo. Essa materia, entre outras informacoes do evento, cobriram uma pagina inteira da publicacao.

Alem destas, outras noticias enfatizaram determinadas acoes do MEC por meio da transcricao de uma entrevista concedida por Anna Bernardes ao Jornal, um texto produzido pelo DEF nomeado "O susto do pre-escolar" e o "Relato de uma Experiencia Paulista'.

Entre ausencias e presencas no discurso politico-educativo, apura-se que alguns participantes da primeira reuniao com os "especialistas"em educacao, em 1974 no CFE, compareceram ao congresso (mesmo que de forma textual), como por exemplo a alusao a Yaro Gandra como modelar as propostas de atendimento incluidas na ideia de Educacao Compensatoria tal como defendida pelo Governo Federal. Um dos textos contidos na pagina do jornal apresenta os Centros de Atendimento ao Pre-Escolar (Ceape), idealizados por Gandra e que estavam em pleno funcionamento na cidade de Sao Paulo desde 1971 (Brasil, 1975a).

Em meio as intensas criticas a educacao compensatoria naquele periodo historico, algumas pessoas, como o ja mencionado Paulo Nathanael de Souza, requeriam para si uma especie de pioneirismo no conhecimento dessa abordagem, desde o inicio de 1970. Para asseverar tal informacao, pode-se mencionar o "Plano de Educacao Infantil" (Planedi), em cuja escrita reporta a influencia de Souza, quando secretario da educacao do municipio de Sao Paulo no inicio da decada de 1970, junto a abordagem da "programacao compensatoria" na cidade de Sao Paulo (Prefeitura de Sao Paulo, 1976).

Importante salientar que a Educacao Compensatoria e reconhecida desde aquele periodo como oriunda do Programa norte-americano Head Start. Ressalta-se que ha necessidade de estudos mais aprofundados sobre a questao de como esse Programa veio a ser relevante na area da primeira infancia na decada de 1970, ou seja, quando, como, porque e quem esteve envolvido na sua viagem ao Brasil (6).

Outra presenca inaugural e adequada ao discurso oficial foi Ana Maria Poppovic. Apresentada por Anna Bernardes em sua entrevista ao Jornal do Brasil em 1975, a reportagem evidencia que o conhecimento deveria partir do "problema"da crianca, devido ao estado de carencia e privacao cultural dos mais pobres. Bernardes traz informacoes de que Poppovic e suas pesquisas na area da psicologia auxiliaram na comprovacao do prejuizo no desempenho escolar dessas criancas, confirmando tambem que haveria dois anos de atraso quando comparadas com as criancas em melhores condicoes financeiras (Prado, 2017).

Alem disso, Poppovic, Chaves e Gandra tambem tiveram as suas pesquisas e experiencias relatadas como referenciais mais adequados ao discurso da Educacao Compensatoria, conforme consta no material destinado a formacao pedagogica da etapa supracitada, "Diagnostico" (Brasil, 1975a), "Educacao Pre-Escolar: uma nova perspectiva nacional" (Brasil, 1975b) e a colecao em dois volumes, "Atendimento ao Pre-Escolar" (Brasil, 1977a, 1977b).

De igual maneira, acautelados em relacao ao "velho", Heloisa Marinho torna-se menos visivel nas publicacoes oficiais. Interessante ressaltar que narrativas presentes no "novo" momento foram registradas por Marinho (1966), que se mostrou empenhada em destacar as necessidades das criancas "carentes', identificando-as a ideia de compensacao. Outra questao anteriormente abordada deitava-se nas mudancas no processo de urbanizacao e de pobreza reinantes nas favelas, fato preocupante a autora, que entendia essa situacao de vida como inibidora do desenvolvimento e da brincadeira ao ar livre. Essas afirmacoes estao claras em um pequeno excerto, diante da proposta de que caberia ao "[...] jardim de infancia compensar esta pobreza proporcionando a crianca vida rica em experiencias" (Marinho, 1966, p.64).

A nocao de compensar uma carencia, entao, ja circulava, porem, o problema centrava-se em evitar no discurso algo que simbolizasse o "ultrapassado" (discurso escolanovista), no qual a autora representava e nao propriamente suas ideias. Necessaria, por conseguinte, a "renovacao" em face a educacao "antiga", a Educacao Nova e os autores que a representavam na area. A melhor saida para se adequar as nocoes como planificacao, atendimento racionalizado e/ou equalizador da educacao, provenientes da educacao proposta no periodo militar, encontravam o discurso do aproveitamento de espacos ou experiencias ja existentes, removendo o minimo possivel dos investimentos financeiros por parte do Estado.

Estrategia sagaz e "criativa" (Ball, 2006) foi a apropriacao e a divulgacao da Teoria da Privacao Cultural, bem adequada aos ditos da Educacao Compensatoria. Circulava, assim, que entre as justificativas de fortalecimento da construcao do"novo"discurso, havia os achados de pesquisa de Poppovic, estrategia de combate ao velho discurso desde os primeiros documentos em toda a decada de 1970, como ja mencionado.

Torna-se util ressaltar, novamente, a figura de Anna Bernardes nesses contextos. Sua relacao com Vital Didonet e descrita por ele nos agradecimentos de sua dissertacao de mestrado nomeada "Subsidios a uma Politica Educacional para o pre-escolar" afirmando que foi gracas "[...] a professora Anna Bernardes da Silveira Rocha, de quem recebi fortes incentivos e as primeiras direcoes para chegar ate as criancas mais carentes" (Didonet, 1977, p.ii). Assim, os dados acima relatados revelam indicios do destaque (forte assiduidade e influencia) dela nesse contexto inicial, quando diretora do Departamento de Ensino Fundamental (DEF), orgao normativo que incluiu a pre-escola no MEC.

Depreende-se, dessa maneira, que os passos iniciais de Didonet estao diretamente conectados aos seus contatos com a referida diretora.

Ressalta-se a coordenacao de Didonet desde os primeiros materiais divulgados e a sua habilidade na composicao do discurso em relacao ao primado pelo MEC, situando a educacao pre-escolar no interior do terreno de influencia. Contudo, esse discurso foi extremamente rejeitado pela area academica, que reclamava a revisao conceitual de crianca, sendo inaceitavel concebe-la carente. Esses questionamentos sao registrados a partir de 1979 e intensificados desde a publicacao da dissertacao de mestrado de Sonia Kramer, defendida em 1981: "Historia e Politica da Educacao Pre-Escolar no Brasil: uma critica a Educacao Compensatoria". Assim, elaborou criticas diretas a teoria da educacao compensatoria e suas lamentaveis consequencias, especialmente para a educacao das criancas pequenas mais pobres. Por outro lado, havia pesquisas que apoiavam a escolha do governo federal, e dentre elas, de maior expressao no periodo, as promovidas por Ana Maria Poppovic e seu grupo de estudos na Fundacao Carlos Chagas.

Diante das citacoes de ressonancia obtidas pelo discurso critico, algumas condutas (em resposta) da agencia oficial podem ser percebidas tanto em publicacoes posteriores quanto em um evento que se faz necessario mencionar.

Apos uma pausa (periodo que Vital Didonet ausenta-se pela primeira vez da Coepre entre 1977 e 1981), a partir de 1981 sao publicados "Programa Nacional de Educacao Pre-Escolar" (Brasil, 1981a), "Experiencias de atendimento ao Pre-Escolar" (Brasil, 1981b) e "Textos sobre Educacao Pre-Escolar" (Brasil, 1981c). Para resumir, percebe-se a inclusao do termo'tomunitario", a "crianca da comunidade') trazendo convergencia de conceitos mais "democraticos'. Proveitosa a observacao de que este termo, apesar de ser tratado como inovador, foi incluido desde os primeiros documentos da Coepre. No volume 1 da colecao "Atendimento ao Pre-escolar" da edicao de 1977, Anna Bernardes apresenta os dois volumes e acresce a informacao de que um terceiro ja havia sido pensado, "Envolvimento Comunitario".

Nao ha duvidas de que essas ideias circulavam anteriormente. Assim como, ao nivel social, a tematica da creche surge como uma necessidade coletiva em meio ao "Movimento de Luta por Creches', como os casos de Belo Horizonte e de Sao Paulo. Nesse contexto, surge a defesa das politicas publicas pela "creche comunitaria" ou "creche domiciliar". Bom numero de pesquisadores, como Rosemberg (1984), questionou a precariedade, o abuso junto aos moradores e a luta diaria travada para o funcionamento dessas instituicoes. Em geral, as caracteristicas de informalidade, integracao entre educacao e cultura e mobilizacao da comunidade compuseram a mensagem contida nos documentos produzidos no inicio da decada de 1980 (Arce, 2008).

Esses textos serviram para avancar o discurso diante das necessidades do momento, assim como a incorporacao das mudancas pensadas para corresponder as criticas dos pesquisadores. Nesse sentido, ha o discurso da educacao pre-escolar como finalidade em si mesma e, frente as condicoes de pobreza, engloba o termo "participar', no entendimento como integracao familia-comunidade-cultura, diante da abertura a realidade vivencial das criancas. Nesse entorno, deveria ser aproveitado o conhecimento da comunidade, voltando-se para seus proprios interesses e necessidades.

O que ocorre, porem, e uma renomeacao de termos e nao uma mudanca do que se pensava para os rumos da pratica. Por exemplo, as criancas antes "desprivilegiadas" passam a ser nomeadas de baixa renda, permanece tambem a intencao em se aproveitar espacos ociosos (foram renomeados, em geral, comunitarios) e material didatico (como sucatas, por exemplo). Continua-se, tambem, a ligacao discursiva com o Ensino de Primeiro Grau, uma vez que nao foram superados os problemas de analfabetismo, evasao e repetencia nessa etapa.

As estrategias anteriores, portanto, vinculam-se aqueles artificios presentes nos novos documentos (Brasil, 1981a, 1981b, 1981c), e permanece a questao da informalidade. Alem da tematica das creches comunitarias, alia-se a proposta flexivel a estrutura do Movimento Brasileiro de Alfabetizacao (Mobral), cuja capilaridade pelo territorio nacional oferecia nao confronto, mas auxilio para a necessaria ampliacao numerica do numero de vagas ofertadas.

Era necessario continuar permeando as acoes estabelecidas pelo terreno de influencia maior, como se pode observar, a partir das propostas do "III Plano Setorial de Educacao, Cultura e Desporto (III PSECD)" (Brasil, 1980) em que "[...] casavam com a forma como o MOBRAL conduzia a educacao de jovens e adultos, caracterizando-se como uma continuidade de trabalho e economizando-se tempo para a sua execucao" (Arce, 2008, p.384).

Corrobora a afirmacao de Arce (2008), o texto do secretario da Secretaria de Ensino de Primeiro Grau (SEPS), Antonio Albuquerque Sousa Filho, na apresentacao da coletanea (contendo varios artigos) "Textos Sobre Educacao Pre-Escolar" quando explica que "a informalidade da educacao pre-escolar, tanto no atendimento a crianca, quanto nos trabalhos que desenvolvemos, e uma tentativa de andarmos rapido sem improvisacao, mas acreditamos que e necessario o trabalho integrado e imediato" (Brasil, 1981c, p.iii, grifos nossos).

Chaiklin (2014) defende a educacao de criancas pequenas como pratica historicamente fundamentada. A acao pedagogica esta circunscrita as condicoes historicas que se fundem as necessidades societais, a atividade docente e aos produtos que toda pratica demanda. Assim, sem causar grandes "abalos" na pratica, a variedade de propostas de atendimento, o aproveitamento de espacos e a economia financeira prossegue nesta etapa educacional como acao preferencial para a pratica educativa, mostrando pouca ou nenhuma intencao em modificar o contexto de atuacao.

A novidade esta na justificativa de que tais atitudes sao necessarias para a comunidade, uma vez que existem diferencas contidas nos numerosos espacos geograficos ao longo do territorio brasileiro, o que implica o respeito aos valores de cada cultura local. Enfim, comunidade e familia perdem na fala oficial o lugar de carentes sociais e passam a ganhar status de educadores e verdadeiros entendidos da cultura a ser transmitida a crianca (Prado, 2017).

Essa tentativa de modificar o discurso tem conexao com as criticas academicas, especialmente quando se excluem termos em desavenca como"carencia"da crianca, assim como a inclusao da funcao do pre-escolar "em si" e como etapa educativa.

Em defesa aos argumentos oficiais, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP) organizou, em 11 de agosto de 1982, um encontro em Brasilia, durante dois dias, para responder aos pesquisadores. No evento, alem da presenca do Ministro da Educacao, Rubem Ludwig, estavam representantes de orgaos ligados ao MEC e, possivelmente deveria estar o coordenador da Coepre, Vital Didonet.

A respeito desse encontro, consta uma apresentacao da fala de Poppovic (1984), nesse evento, elaborado por Maria Malta Machado Campos para publicacao nos Cadernos de Pesquisa em 1984. Nesse espaco, a autora constata que:

A postura de oposicao a orientacao adotada pelo MEC a esse respeito vinha sendo expressa por varios educadores de renome, tanto no ambito academico como na area politica. Os ecos desta posicao haviam chegado ao entao Ministro da Educacao e Cultura, General Rubem Ludwig. A seu pedido, o INEP organizou uma reuniao com pessoas consideradas significativas na area entre as quais encontrava-se Ana Maria Poppovic (Campos, 1984, p.53).

Relacoes importantes sao feitas ate aqui. De acordo com Ball (2006), e precisamente nesses periodos impulsionadores por mudancas, sejam textuais, sejam discursivas, que o pesquisador tem a possibilidade de observar as manobras estrategicas que a agencia oficial precisa elaborar e articular. Alem disso, a partir de conceitos como a "Gramatica da Educacionalizacao", elaborado por Depaepe (2005), percebemos que, nos dois primeiros fenomenos destacados por Didonet (1992), "expansao quantitativa" e "formulacao das propostas pedagogicas para a educacao pre-escolar", os esforcos empreendidos no terreno das politicas publicas nao almejaram causar grandes impactos na pratica ja estabelecida, senao, dar continuidade no caminho da desformalizacao e em especial, de garantir os lugares (ou postos publicos) estabelecidos, enquanto granjeava maior reconhecimento da educacao pre-escolar dentro do terreno de influencia maior.

Sinaliza-se, assim, o terceiro fenomeno, o "reconhecimento do direito da crianca a educacao desde o nascimento", demarcado por Didonet (1992) a partir de 1985. Podemos observar novamente, dentre as "politicas da mudanca" (Taylor et al., 1997; Rizvi; Lingard, 2010), a intensificacao de atividades na agencia oficial no ambito do pre-escolar.

Nota-se, para esse periodo, a consolidacao e a ampliacao da visibilidade politica e social de Vital Didonet, assim como determinados individuos que caminharam com ele, conforme pudemos constatar a partir dos documentos de circulacao interna localizados nos arquivos da Coedi (antiga Coepre) e sua participacao na continuidade do comando no ambito pre-escolar. Como exemplos, documentos em torno da Campanha Crianca e Constituinte e a Implementacao do Programa Municipal de Educacao Pre-Escolar.

Acrescenta-se a sua carreira politica a nitidez das acoes empreendidas, que revelam as estrategias de controle (Ball, 2006) quando se aproximaram de outros contextos sociais. Assim, de acordo com Ball, improvisos (ajustes) sao necessarios em meio as demandas e aos interesses diversos.

Designada pela Secretaria de Educacao Basica a Coepre, houve a extincao do "antigo" discurso compensatorio, priorizando programas mais democraticos e participativos. Sobre o"encerramento"desta questao, corrobora a afirmacao do documento (de circulacao interna) "Diretrizes Politico Pedagogicas da SDE" de que "O discurso da educacao compensatoria nunca passou a pratica" (Brasil, 1986c, p.17) e tal termo fora utilizado, seguindo esse argumento, para antecipar a obrigatoriedade de educacao anterior aos mais pobres. Porem, "[...] ele atribuiu a pre-escola um papel que nao lhe competia e que jamais conseguiria desempenhar: a de 'compensar carencias' provocadas por condicionamentos socio-economicos" (Brasil, 1986c, p.17, grifos do autor).

A Coepre apropriou-se dessa direcao retorica e, novamente, caminhou em concordancia com as diretrizes Politico-Pedagogicas propostas pelo MEC. Diante do patamar de mudanca discursiva, em especial, figurou o "I Plano Nacional de Desenvolvimento da Nova Republica"(I PND-NR), que se pautava em tres pilares: Plano de Reformas, Crescimento Economico e Combate a pobreza. O documento propunha, ainda, a retomada do crescimento sustentado, ou seja, reducao do deficit publico, negociacao da divida externa e combate a inflacao (Brasil, 1986a).

Imbuido na ideia de reforma tributaria e administrativa, em uma especie de saneamento (higienizacao) do setor publico, o I PND-NR (Brasil, 1986a) propos a retomada do crescimento por intermedio do setor privado, o que contemplava privatizar e democratizar o capital de empresas estatais, sem comprometer os seus setores estrategicos. Assim, culmina no discurso ao defender uma politica para o setor publico, a qual exigia "[...] tambem reorganizacao que transfira muitas atividades, hoje no ambito federal, para os governos estaduais e municipais" (Brasil, 1986a, p.10).

O Plano encaixava-se no compromisso expresso pelo Programa "Educacao para todos"ao priorizar a Educacao Basica (dentro do discurso a universalizacao, democratizacao e melhoria da qualidade do Ensino de Primeiro Grau), o que pode ser observado a partir de pronunciamentos feitos em maio de 1985 pelo entao Ministro da Educacao, Marco Maciel, e pelo Presidente da Republica, Jose Sarney (7).

Assim, a Secretaria de Desenvolvimento Educacional (SDE) projetou a sua prioridade maior ao PND-NR, ao trazer a defesa de que "[...] as vias de solucao dos problemas do ensino basico como essencialmente politicas, o MEC enfatizou a mobilizacao social como instrumento para encaminhar as intervencoes" (Brasil, 1986c, p.11, grifos do autor).

Depreende-se a partir de Brasil (1986a, 1986b, 1986c), que as diretrizes a serem seguidas pela Coepre deveriam contemplar: descentralizacao municipal, articulacao interinstitucional, participacao da comunidade e prioridade as criancas de quatro a seis anos.

Sobretudo em Brasil (1986c), ha as seguintes orientacoes demandadas a coordenacao: promover a educacao pre-escolar; regularizar um programa pre-escolar nos municipios; promover um debate nacional acerca da crianca na constituinte e proporcionar capacitacao a equipe da Coepre (Prado, 2017). Precisamente pela habilidade politica e articulatoria dos elaboradores de politica da Coepre, em reconectar e em perscrutar as demandas do governo federal, e que podemos inserir nesse contexto dois eventos primordiais--e, do ponto de vista da agencia oficial em intensidade de acoes similares--, a Campanha Nacional Crianca e Constituinte e o Programa Municipal de Educacao Pre-Escolar.

Como detemo-nos a circulacao dos sujeitos e a ampliacao das redes de influencia, optou-se por resumir os dois eventos como principais atividades empreendidas pelos agentes de politicas da referida Coordenacao. Coube a Didonet a coordenacao geral do evento de maior visibilidade nacional, a Campanha em torno da Constituinte. Ja o Programa nos Municipios, foi capitaneado por sua equipe.

Atraves da teoria de Stephen Ball, foi possivel evidenciar, a partir de documentos primarios localizados nos arquivos da atual Coedi, o empenho dos agentes oficiais para articularem-se com contextos sociais. Nesse sentido, o evento em torno da Constituinte (especificamente, a Campanha Nacional Crianca e Constituinte) foi uma estrategia empregada pelos agentes elaboradores de politicas publicas para a primeira infancia, a fim de se conhecer e se vincular as demandas e necessidades dos demais espacos que pudessem confluir os esforcos em torno da inclusao da pauta da crianca no texto da Constituicao Federal.

Desta forma, encontraram um caminho "seguro" para atender aos proprios interesses (Coepre), a saber: alinhando-se com a agenda politica do campo de influencia maior, no curso dessa agenda; legitimar-se naquele terreno, ou seja, o estabelecimento legal da educacao pre-escolar e da continuidade do trabalho de sua Coordenacao no interior do MEC.

Em linhas gerais, observa-se um primeiro grupo, formado inicialmente pelo MEC, pelo Ministerio da Previdencia e Assistencia Social e pelo Fundo das Nacoes Unidas para a Infancia (MEC/MPAS/Unicef). A partir dos encontros promovidos pelo grupo (nomeado interministerial) em outros estados, especialmente naqueles localizados no Norte e no Nordeste, foram percebidas as dificuldades politicas a enfrentar. Havia a indisposicao dos governantes em relacao a pauta da crianca na constituicao, pois estavam muito mais interessados em seus acordos politicos por ocasiao da proximidade das eleicoes.

Aqui entram os engenhos e o redesenho de percurso possibilitado pelo evento da Campanha da Constituinte, a principal estrategia (instrumento) para alcancar a convergencia entre as necessidades e as demandas dos contextos. O momento oportunizou, tambem, outros instrumentos estrategicos, como a conscientizacao e o processo mobilizatorio politico-social, possiveis por causa da habilidade que tiveram na Coepre em tornar visivel as necessidades das criancas nesse momento de discussao em torno da nova Constituicao Federal. Assim, abrangia-se certeiramente a "boa vontade" dos politicos em favor da causa da crianca no texto Constitucional.

Os documentos analisados nao deixam margem de duvida desse intento, pois evidenciaram em minucias a trajetoria da Campanha e as informacoes que circularam internamente junto aos elaboradores. Podemos ilustrar essa situacao a partir da citacao que consta no documento "A Crianca na Constituinte e nos Planos do Governo" (Brasil, 1986b, p.1) quando menciona:
   Considerou-se que o momento politico atual, em ambito nacional, em
   que a Assembleia Constituinte faz parte da ordem do dia, e oportuno
   para se garantir, em nivel constitucional, um espaco proprio para
   as criancas. Isto nao pode ficar a merce das boas intencoes dos
   parlamentares, mas depende diretamente do grau de pressao a ser
   exercido pela sociedade organizada [...] se nao houver uma decisao
   politica de alterar o quadro existente.


Nesse sentido, os documentos analisados revelaram as tentativas de articulacao com cada contexto. O ambito politico e revelado pela presenca de deputados (estaduais e federais), senadores, governadores e prefeitos, alem dos orgaos publicos que auxiliassem no alinhamento das propostas referentes a Coepre, aquelas do governo federal e do MEC. Foram mencionados tambem orgaos como o Ministerio da Previdencia e Assistencia Social, Ministerio da Cultura, Ministerio da Justica, Ministerio do Trabalho.

Adicional espaco e observado pelo rastreamento de comissoes e associacoes em prol de causas que incluiam os interesses da crianca, a participacao em eventos. Notou-se, em meio a documentacao, a alusao a seminarios organizados pela Coordenacao da Campanha; eventos promovidos por associacoes e/ou area de pesquisa academica ou por Organizacoes como a OMEP, muitos deles analisados e divulgados nos informes internos, como Brasil (1987), e que tiveram a participacao de Vital Didonet e de tecnicos da Coepre, como Lutero de Oliveira Rosa. Fato curioso e que todos os textos apresentados pelos agentes da Coepre nesses eventos continham o mesmo titulo: "A crianca e a constituinte".

E preciso resguardar que em momento algum desmerecemos os ambitos de lutas, importantes nessa historia. Podemos, nesse caso, exemplificar essa afirmacao a partir da tematica da creche, pois, gracas as lutas estabelecidas em torno desse atendimento, os elaboradores de politicas nao foram capazes de exclui-la da pauta da Constituicao Federal. Existiam criticas, reconhecidas nos textos, pelas tentativas de adequacao textual; tiveram, todavia, que lidar com os reveses, pois segundo Ball (2006), cada contexto tem historia propria, de lutas, necessidades e demandas. Contem, inclusive, o terreno da pratica, pois esse e extremamente dificil de modificar. O fato de privilegiarmos o olhar para a agencia do terreno politico, nao exclui, portanto, os paradoxos proporcionados pela existencia de historia propria, porem relacional e complexa entre os contextos.

Outro ambiente observado diz respeito as articulacoes com o meio academico e com o terreno da pratica pedagogica. Foram considerados, tambem, eventos com a participacao de professores de criancas pequenas, as escolas, as comunidades e as criancas, o que incluia palestras nas escolas, participacao nas ruas por ocasiao de efemerides, panfletagens, exposicoes de desenhos de criancas no Congresso Nacional, dentre outras acoes. Para a divulgacao e a exposicao mais ampla desses engendramentos, contaram com o apoio macico da midia (meios televisivos, radios e impressos). A inclusao da crianca na Constituinte chancelou definitivamente (pela via legal) rusgas ou argumentos dos governadores ou prefeitos em se responsabilizarem pelo atendimento direto a educacao pre-escolar em todo o Brasil.

O outro evento de vulto no periodo foi o"Programa Municipal de Educacao Pre-Escolar" Surpreendente notar os fatos evidenciados pelos documentos, quando estes possibilitaram a interpretacao de que o Programa requereu tanto vigor e capacidade tecnico-politica por parte dos colaboradores tecnicos de Vital Didonet, quanto a "Campanha Nacional Crianca e Constituinte'. Tais responsabilidades, ainda que compartilhadas, puderam ser assim entendidas ja que a equipe coube a tarefa da implementacao do Programa Nacional nos Municipios, ao mesmo tempo em que Didonet coordenava a Campanha de maior visibilidade social em torno da Constituinte. Importante mencionar que Didonet estava "afastado" da gestao da Coepre, porque coordenava a Campanha a respeito da constituinte. Mas, ao mesmo tempo, participava das reunioes em torno do "Programa Municipal de Educacao Pre-Escolar" conforme mostra nos relatorios das Reunioes para a gestao do programa.

Assim sendo, simultaneamente a Campanha relativa ao futuro da crianca no texto constitucional, ocorreu tambem, em 1986, a implantacao do "Programa Municipal de Educacao Pre-escolar", requerendo acoes de pujanca similares entre ambos. Contudo, do ponto de vista administrativo o Programa foi dirigido de forma aligeirada e impositiva, enquanto do ponto de vista social, de maneira discreta e menos notoria.

Essa afirmacao foi desvelada por meio da narracao contida nos "Planos de Acao" e, de forma mais operacional e concreta, nos relatorios anuais acerca do funcionamento especifico do Programa Municipal desde 1986, similares ao primeiro relatorio publicado conforme Brasil (1986d).

No primeiro encontro do Programa, relatado no texto "Encontro Nacional sobre o Programa Municipal de Educacao Pre-escolar" (Brasil, 1986d), ha o registro da presenca de Julio Correia (Secretario da Secretaria de Ensino de Primeiro e Segundo Graus) e de Vital Didonet. Tal relatorio informa-nos que as discussoes visaram aos impactos iniciais, ou seja, as dificuldades (que nao foram poucas), a troca de experiencias e perspectivas para o ano de 1987 (Brasil, 1986d).

Esses impactos sao correlatos ao que Ball (2006) entende como "contexto dos efeitos" Ha uma grande importancia em reconhece-los, para que nao existam grandes revolucoes no campo da pratica e tambem possa haver espaco para a proposicao de respostas criativas por parte dos elaboradores de politicas publicas educacionais. Facilitou, assim, administrar os impactos do Programa, ano a ano, ate que se concretizasse a inclusao da pauta da crianca e fosse garantida por lei a continuidade do processo de descentralizacao, sobretudo pela via do atendimento publico municipal para a educacao de criancas menores de seis anos de idade.

Sabe-se, ainda, que no Programa Municipal ha evidencias nos documentos de uma deliberada conformacao ou afirmacao do poder da Coepre pela "palavra gestora" (Prado, 2017), mesmo que a sua administracao estivesse em estagio de transferencia para os municipios. Pode-se incluir aquilo que Ball (2012) sublinha a partir de Kogan (de 1977) sobre o conceito geral de politica enquanto "alocacao autoritativa de valores", ou"declaracoes de intencoes prescritivas", sendo que esse nao ocorre na exclusao de um lugar de poder.

Adentrou-se, assim, no transito de pessoas, outro quadro inerente a trajetoria da elaboracao de politicas publicas para a primeira infancia. Isto ajuda-nos a observar, ou ao menos tangenciar, o principio do processo de formacao de uma solida rede de influencia construida por e com Vital Didonet. O coordenador teve a sua oportunidade definitiva, dentre as possibilidades multiplas e relacionais que surgiram durante o contexto especifico dos dois eventos acima relatados, na Campanha Nacional Crianca e Constituinte e no Programa Municipal de Educacao Pre-escolar.

Desde o preambulo de nossas argumentacoes nesse texto, percebemos o circundar de figuras importantes e com papeis relevantes no inicio das atividades de um orgao especifico para a pre-escola no MEC, a Coepre: os conselheiros do CFE, Eurides Brito da Silva e Paulo Nathanael Pereira de Souza. Assim como informado por Didonet, o inicio de sua participacao no rumo das "criancas mais necessitadas", pela motivacao da influente Anna Bernardes, diretora do DEF no principio de 1974 no momento em que foram publicados a Indicacao 45/1974, o Parecer no. 2.018/74 e ocorreram as primeiras reunioes em relacao a inclusao da pre-escola no MEC. Alem disso, e necessario ressaltar a ligacao, inclusive de Didonet, com a Universidade de Brasilia, um campo de influencia e de formacao de muitos politicos-intelectuais do MEC, fato que nao pode ser desconsiderado.

Assim, por esse terreno inicial, Didonet construia uma carreira de reconhecimento e, pela via da pre-escola, foi-lhe conferida uma posicao de destaque, a sua porta de entrada no terreno da politica em geral, posto que ao longo dessa trajetoria, aqui, minimamente narrada, observou a visao estrategica, perfazendo um constructo de dilatado repertorio de conhecimentos administrativos, politicos, pedagogicos e legais.

Ele soube aproveitar os momentos, como no caso da Educacao Compensatoria, promovida como discursivamente inaugural. Seguindo assim, modificando discursos (junto com o seu grupo), observam-se, especialmente, apropriacoes da fala para fornecer ajustes--atuando como politicas da mudanca, nos termos de Taylor et al. (1997) e Rizvi e Lingard (2010)--, mediante a utilizacao das mesmas estruturas anteriores e prosseguimento da pratica, sem grandes revolucoes.

Nao se pode colocar a figura de Didonet sob uma perspectiva isolada, ou desconectada de pessoas ou de outros contextos. Na realidade, ele soube entender o momento, explorou e modificou o que era possivel em termos de discurso, assim como aproveitou largamente das estruturas e das praticas preexistentes. Quando se fala de seu grupo, percebe-se que algumas pessoas la estiveram desde o inicio, circulando e contribuindo com a propria carreira e tambem com a ampliacao do repertorio profissional e de figura publica construida por Didonet.

Maria Lucia Thiessen, uma das tecnicas da Coordenacao, colaborou com as primeiras publicacoes oficiais ao nivel de MEC/Coepre. Ela aparece em outro momento como coautora junto a Ana Rosa Beal, em livro intitulado"Pre-Escola--tempo de Educar" (Thiessen; Beal, 1986), um dos indicados para a formacao pedagogica do Programa Municipal. Por sua vez, Beal foi tambem uma das tecnicas de destaque, sendo atuante por longo periodo no ambito do trabalho tecnico (administrativo e pedagogico) da Coepre, assim como Mary Paiva de Souza e Stela Maris Lajes Oliveira.

As evidencias dessas afirmacoes constam nos textos variados e que se encontram arquivados ate entao na Coordenacao de Educacao Infantil, antiga Coepre. Incluem-se artigos publicados por academicos, ate aqueles utilizados pelos tecnicos, inclusive por Didonet. Especialmente, tem-se Stela Maris Lajes Oliveira e Ana Rosa Beal, em que, a ultima, assinou com frequencia o seu nome nos textos, efetuou tambem, anotacoes e sublinhou trechos, tanto nos documentos em fase de elaboracao, quanto em textos academicos.

Consideracoes Finais

De maneira geral, diante das condicoes historicas daquele momento, tangenciando a premencia do MEC, que os elaboradores de politica publica aproveitaram o momento, aliando-a a propria intencao de incluir a educacao de criancas pequenas ao nivel federal, assim como a abertura de lugares com maior reconhecimento social. Com a intencao de legitimar tal etapa, iniciaram a construcao de seu repertorio discursivo para conquistar o espaco ate entao incolume no terreno de influencia educativa oficial. O momento que proporcionou maior impulso a carreira de Didonet foi disparado a partir de 1985.

O seu grupo cuidava da implementacao do Programa Municipal, nao se desligando do terreno da pratica, aliando esforcos para que os objetivos fossem atingidos. Foram pacientes junto com o seu coordenador e, ao lado dele, tambem sustentaram os seus lugares estabelecidos, detendo o poder da "palavra" gestora na area da Educacao para Primeira infancia. Os dois eventos, "Campanha Nacional Crianca" e "Constituinte e Programa Municipal de Educacao Pre-Escolar", tiveram um grande peso operacional, pois convergiram os esforcos no rumo do objetivo da agenda do terreno de influencia maior pelo descentralizar.

Contudo, o fato de estar a frente da campanha em torno da Constituinte permitiu-lhe, de um so golpe, transitar por entre diversos espacos e estabelecer (ou fortalecer) contatos de extrema relevancia, auxiliando-o a trazer visibilidade a causa da crianca, ao mesmo tempo em que oferecia aos bastidores das negociacoes a sua capacidade estrategica por entre os espacos e novas demandas, o que nos termos de Certeau entende-se a partir do lugar de poder a ele conferido. Foi, portanto, um momento certeiro para Didonet, possibilitando a reiteracao de sua posicao de articulador politico e intelectual.

Nessa trajetoria alcancou parcimoniosamente o objetivo de alinhar-se com a agenda de influencia maior. Isto e, finalmente, apos a promulgacao da Constituicao Federal, em 1988, descentralizou-se legalmente o atendimento pre-escolar, o que foi colocado em pratica, "as pressas"e de forma "impositiva", segundo registros do programa, desde 1986. Nesse tocante, garantindo lugar nessa agenda, ao mesmo tempo, firmaram a educacao de criancas pequenas e os proprios lugares estabelecidos no interior do MEC.

Interessante notacao e que, apos a sua saida definitiva da Coepre em 1991, Didonet foi designado como consultor educacional da Camara dos Deputados, cargo ocupado ate o ano de 2002.

Um novo periodo de mudancas espacava-se para a educacao da pequena infancia, a consolidacao do terceiro fenomeno indicado por Didonet o "reconhecimento do direito da crianca a educacao desde o nascimento'. Abriram-se possibilidades para pensar diretrizes politicas e a sua inclusao nos tramites da nova Lei de Diretrizes e Bases. Nesse contexto, a publicacao do documento "Diretrizes da politica para Educacao Infantil" (Brasil, 1993) nao deixou Didonet de fora, sendo um dos consultores do referido documento.

Em paralelo a essas questoes, volta-se para a ampliacao do repertorio que Didonet construiu por entre pessoas, instituicoes e contextos, legado que persiste ate os dias de hoje. Em seu curriculo, menciona a sua profissao de professor e filosofo, e autodenomina-se "especialista em educacao infantil", especialmente nas politicas publicas de educacao e planejamento educacional.

Ate o ponto que nos foi possivel alcancar com as proprias descricoes profissionais de Didonet, estas sugerem que ele seja, primordialmente na area da educacao infantil, uma especie de elo, que o possibilitou transitar por entre areas publica, privada, e de organizacoes internacionais, conforme se ve a seguir, em suas funcoes exercidas nesses ambitos.

Nesse sentido, por si so, as descricoes em seu curriculo (8) sao capazes de corroborar essa afirmativa. Dentre elas, podemos mencionar: (1) Coordenador da Coepre (1974-1976 e 1981-1991); (2) Organizacao e coordenadoria de movimentos e Campanhas Nacionais para promover os direitos das criancas; (3) Consultor legislativo em educacao da Camara dos Deputados (1991, 2002); (4) Definicao da estrategia e participacao do movimento Fundo Nacional de Manutencao e Desenvolvimento da Educacao Basica (2009); (5) Coordenou a Secretaria Executiva de Rede nacional Primeira Infancia (RNPI) no Brasil (2009-2010), permanecendo na Secretaria executiva e sendo o seu representante junto ao governo federal e ao Congresso Nacional; (6) Assessor da OMEP e depois presidente no Brasil, Vice-presidente na America do Sul e, depois Vice-Presidente Mundial (desde 1980 ate 2000); (7) Consultor de varias organizacoes internacionais (Unicef, Unesco, OEA, OEI); (8) Consultor de instituicoes nacionais como a Secretaria Especial de Promocao de Politicas Publicas para a Igualdade Racial (SEPPRIR), do Conselho Nacional de Secretarios de Educacao (Consed), da Campanha nacional pelo direito a Educacao do Servico Social da Industria (SESI) etc.; (9) Dentre as instituicoes particulares, destaca-se como membro do Conselho tecnico do programa "A primeira infancia em primeiro lugar', da ABRINq e do conselho consultivo da OSCIP, "Berco da Cidadania" da Associacao Brasileira de Estudos sobre o Bebe (Abebe).

Diante disso, temos por hipotese de que as suas "redes" sao muito mais complexas do que inicialmente se imaginou e que seus meandros carecem de estudos mais acurados, podendo, assim, ser ou nao ser confirmada.

Ressalta-se a figura emblematica de Didonet quando percebemos que, apesar de sua relevancia na area da educacao de criancas pequenas, seu nome permanece em uma especie de "penumbra" academica. Alias, esse e um problema geral que precisa ser destacado, nao sendo observacao exclusiva em relacao ao antigo coordenador da Coepre. Arce (2007) ja afirmava que, apesar de existirem momentos em que as pesquisas pareciam alavancar, promissoras a historiografia, deparamo-nos com o seu arrefecimento frente ao pequeno numero de pesquisas na area relativa a educacao infantil. Ainda hoje, permanecemos com esse debito.

http://dx.doi.org/10.24220/2318-0870v24n2a4239

Colaboradores

A. PRADO e A.A. HAI contribuiram na concepcao e desenho do estudo, analise de dados e redacao final. A. PRADO e a primeira autora do texto por se tratar de resultados de sua tese de doutorado. Assim como ela, sua orientadora, A.A. HAI, possui vinculos diretos com a pesquisa, ou seja, com o artigo enviado para esta submissao.

Referencias

Arce, A. As pesquisas na area da educacao infantil e a historia da educacao: construindo a historia do atendimento as criancas pequenas no Brasil. Historia da Educacao, v.11, n.1, p.107-131, 2007. Disponivel em: <http://fae.ufpel.edu.br/asphe>. Acesso em: 12 jan. 2018.

Arce, A. O Mobral e a educacao de criancas menores de seis anos durante o regime militar: em defesa do trabalho voluntario. Caderno Cedes, v.28, n.76, p.379-403, 2008.

Ball, S.J. Education policy and social class: The selected works of Stephen J. Ball. London: Routledge, 2006.

Ball, S.J. Politics and policy making in education: Explorations in policy sociology. London: Routledge, 2012.

Bonfim, B. A descoberta da pre-escola. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 21 de julho de 1975. Disponivel em: <https://news. google.com/newspapers?nid=1246&dat=19750721&id=hutAAAAAIBAJ&sjid=vwwEAAAAIBAJ&pg=6920,2419149&hl=pt-BR>. Acesso em: 18 jan. 2017.

Brasil. Departamento de Politicas Educacionais. Coordenacao de Educacao Infantil. Politica de Educacao Infantil: proposta. Brasilia: Departamento de Politicas Educacionais, 1993.

Brasil. Ministerio da Educacao. Plano Nacional de Desenvolvimento da Nova Republica (1986-1989). Brasilia: MEC, 1986a. p.10. Brasil. Ministerio da Educacao. A Crianca na Constituinte e nos Planos do Governo: documento sintese. Brasilia: MEC, 1986b. p.1.

Brasil. Ministerio da Educacao. Secretaria de Ensino de 1 e 2 graus. Secretaria de Desenvolvimento Educacional. Diretrizes Politico Pedagogicas da SDE. Brasilia: MEC, 1986c. p.11-17.

Brasil. Ministerio da Educacao. Secretaria de Ensino de 1 e 2 graus. Secretaria de Desenvolvimento Educacional. Coordenacao de Educacao Pre-Escolar. Encontro Nacional sobre o Programa Municipal de Educacao Pre-Escolar--1986: relatorio. Brasilia: MEC, 1986d.

Brasil. Ministerio da Educacao. Informe, Educacao Pre-Escolar no. 9. MEC/SEPS/COEPRE, SET. Brasilia: MEC, 1987.

Brasil. Ministerio da Educacao. Historico da Campanha Crianca e Constituinte: CNCC. Brasilia: MEC, 1988.

Brasil. Ministerio da Educacao e Cultura. Departamento de Ensino Fundamental. Diagnostico preliminar da educacao pre-escolar no Brasil. Brasilia: MEC, 1975a.

Brasil. Ministerio da Educacao e Cultura. Departamento de Ensino Fundamental. Coordenacao de Educacao Pre-Escolar. Educacao pre-escolar: uma nova perspectiva nacional. Brasilia: MEC, 1975b.

Brasil. Ministerio da Educacao e Cultura. Secretaria Geral. II Plano Setorial de educacao e cultura (1975/1979). Brasilia MEC, 1976.

Brasil. Ministerio da Educacao e Cultura. Departamento de Ensino Fundamental. Coordenacao da Educacao Pre-Escolar. EducacaoePsicologia. Brasilia: MEC, 1977a. (Colecao Atendimento ao Pre-escolar, v.1).

Brasil. Ministerio da Educacao e Cultura. Departamento de Ensino Fundamental. Coordenacao da Educacao Pre-Escolar. Higiene, saude, nutricao. Brasilia: MEC, 1977b. (Colecao Atendimento ao Pre-escolar, v.2).

Brasil. Ministerio da Educacao e Cultura. Secretaria de Ensino de 1. e 2. graus. Subsecretaria de Ensino Regular. Indicacao 45/1974: Anexo ao Parecer n.2.018/74. In: Brasil. Ministerio da Educacao e Cultura. Legislacao eNormas da Educacao Pre-Escolar. Brasilia: MEC, 1979a. p.29-35.

Brasil. Ministerio da Educacao e Cultura. Departamento de Ensino Fundamental. O DEF e a Educacao Pre-Escolar. In: Brasil. Ministerio da Educacao e Cultura. Relatorio 74. Brasilia: MEC, 1979b. p.65-77.

Brasil. Ministerio da Educacao e Cultura. Secretaria Geral. III Plano Setorial de Educacao, Cultura e Desporto: (1980/1985). Brasilia: MEC, 1980.

Brasil. Ministerio da Educacao e Cultura. Secretaria Geral. Programa Nacional de Educacao Pre-Escolar. Brasilia: MEC, 1981a.

Brasil. Ministerio da Educacao e Cultura. Secretaria de Ensino de 1 e 2 graus. Experiencias de atendimento ao pre-escolar. Brasilia: MEC, 1981b.

Brasil. Ministerio da Educacao e Cultura. Secretaria de Ensino de 1 e 2 graus. Textos sobre educacao Pre-Escolar. Brasilia: MEC, 1981c.

Campos, M.M.M. Apresentacao. In: Poppovic, A.M. Em defesa da pre-escola. Cadernos de Pesquisa, n. 50, p.53-57, 1984.

Certeau, M. Artes de fazer. Petropolis, RJ: Vozes, 2014. (A Invencao do Cotidiano, v.1).

Chaiklin, S. A theoretical framework for analysing preschool teaching: A cultural-historical science perspective. Learning, Culture and Social Interaction, v.3, n.3, p.224-231,2014. http//dx.doi.org/10.1016/j.lcsi.2014.02.009

Depaepe, M. Vieja e nueva historia de la educacion. Barcelona: Octaedro, 2005.

Depaepe, M. Between educationalization and appropriation: Selected writings on the History of Modern Educational Systems. Leuven: Leuven University Press, 2012.

Didonet, V. Subsidios a uma politica educacional para o pre-escolar. 1977. 149f Dissertacao (Mestrado em Educacao)--Universidade de Brasilia, Brasilia, 1977.

Didonet, V. Balanco critico da educacao pre-escolar nos anos 80 e perspectivas para a decada de 90. Em Aberto, v.10, n.50/51, p. 19-33, 1992.

Marinho, H. Vida e educacao no Jardim de Infancia. Rio de Janeiro: Conquista, 1966. p.64.

Nunes, F.R.; Corsino, P.; Didonet, V. (Org.). Educacao Infantil no Brasil: 1a etapa da Educacao Basica. Brasilia: Unesco Brasil, 2011.

Orlandi, E.P. As formas do silencio: no movimento dos sentidos. 6. ed. Campinas: Editora da Unicamp, 2007. p.23-174.

Poppovic, A.M. Em defesa da pre-escola. Cadernos de Pesquisa, n.50, p.53-57, 1984.

Prado, A.E.F.G. Historia da politica de educacao pre-escolar no Brasil de 1964 a 1993: entre o texto e o discurso. 2017. 324f. Tese (Doutorado em Educacao)--Universidade Federal de Sao Carlos, Sao Carlos, 2017.

Prefeitura de Sao Paulo. PLANEDI: Plano de Educacao Infantil. Sao Paulo: Secretaria Municipal de Educacao, 1976.

Rizvi, F.; Lingard, B. Globalizing education policy. New York: Routledge, 2010. p.6.

Rosemberg, F. O movimento de mulheres e a abertura politica no Brasil: o caso da creche. Cadernos de Pesquisa, n.51, p.73-79, 1984.

Taylor, S. et al. Educational policy and the politics of change. New York: Routledge, 1997.

Thiessen, M.L.; Beal, A.R. Pre-escola: tempo de educar. Sao Paulo: Atica, 1986.

Recebido em 10/4/2018, reapresentado em 17/12/2018 e aprovado em 7/1/2019.

Alessandra Elizabeth Ferreira Goncalves Prado (2) [ID] 0000-0002-9275-1201

Alessandra Arce Hai (2) [ID] 0000-0002-1679-6715

(1) Artigo elaborado a partir da tese de A.E.F.G PRADO, intitulada "Historia da politica de educacao pre-escolar no Brasil de 1964 a 1993: entre o texto e o discurso" Universidade Federal de Sao Carlos, 2017.

(2) Universidade Federal de Sao Carlos, Departamento de Educacao, Centro de Educacao e Ciencias Humanas, Programa de Pos-Graduacao em Educacao. Rod. Washington Luis, s/n., 13565-905, Sao Carlos, SP, Brasil. Correspondencia para/Correspondence to: A.E.F.G. PRADO.

E-mail: <aefgprado@gmail.com>.

Apoio: Coordenacao de Aperfeicoamento de Pessoal de Nivel Superior.

(3) Professor, licenciado em Filosofia e em Pedagogia, mestre em Educacao, com especializacao em Educacao Infantil. Foi coordenador de educacao pre-escolar no MEC, coordenador da Campanha Nacional Crianca e Constituinte e consultor legislativo da Camara dos Deputados. Atualmente, Didonet permanece influente e ativo na area da Educacao Infantil.

(4) Entre os anos 1960 ate o ano de 1985 o MEC foi nomeado Ministerio da Educacao e Cultura. Mantendo a sigla MEC, passa, a partir de 1985, a nomeacao Ministerio da Educacao. Adotaremos a sigla MEC ao longo do texto.

(5) O sobrenome correto de Ferrari e Ferraro, conforme sua busca no curriculo do autor na Plataforma Lattes do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnologico (CNPq). Todos os artigos da epoca publicados pelo autor, assim como nas citacoes, constam o sobrenome Ferrari.

(6) Quando se fala em viagem do conhecimento, nos referimos ao conceito "Travelling Knowledge", do Historiador da Educacao, Tomaz Popkewitz.

(7) Respectivamente, Exposicao de motivos no. 125, de 31 de maio de 1985--Educacao para todos. A proposta da Educacao Basica. O compromisso de uma proposta pedagogica e Universalizacao do acesso a escola. Disponivel em: <http://www2.senado.leg.br/bdsf/item/id/200466>.

(8) Apesar de sua formacao academica, Didonet nao possui registro de curriculo na Plataforma Lattes do CNPq. Ocurriculo mais completo do autor foi localizado na pagina de um evento no qual o autor participou e esta disponivel em: <http://www.psico.edu.uy/sites/default/files/vital_didonet.pdf>.
COPYRIGHT 2019 Pontificia Universidade Catolica de Campinas
No portion of this article can be reproduced without the express written permission from the copyright holder.
Copyright 2019 Gale, Cengage Learning. All rights reserved.

Article Details
Printer friendly Cite/link Email Feedback
Author:Prado, Alessandra Elizabeth Ferreira Goncalves; Hai, Alessandra Arce
Publication:Revista de Educacao PUC - Campinas
Date:May 1, 2019
Words:11172
Previous Article:Curriculum, Physical Education, and multiculturalism: An analysis of a colonized riverine curriculum/ Curriculo, Educacao Fisica e multiculturalismo:...
Next Article:Educacao e civilizacao.
Topics:

Terms of use | Privacy policy | Copyright © 2021 Farlex, Inc. | Feedback | For webmasters