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Universities Support to Spin-Offs Academics in Early and Later Stages/Apoio das Universidades aos Spin-Offs Academicos nas Fases de Early e Later Stage.

Introducao

Os principais mecanismos atraves dos quais a universidade e os pesquisadores transferem conhecimentos sao as conferencias e publicacoes cientificas, a formacao de forca de trabalho qualificada e a comercializacao do conhecimento. Quanto a ultima, a forma mais visivel de comercializacao da pesquisa universitaria se da atraves de spin-offs (Landry, Amara, & Rherrad, 2006). Spin-offs academicos ocorrem quando novas empresas sao criadas para explorar comercialmente conhecimento, tecnologia ou os resultados de pesquisas desenvolvidas dentro de uma universidade (Pirnay & Surlemont, 2003). Shane (2004) considera que estes sao um mecanismo de comercializacao da propriedade intelectual produzida nas instituicoes academicas.

Em outras palavras, sao a expressao do empreendedorismo dentro do ambiente universitario, sendo fundamental para preencher as lacunas entre o mundo academico e de negocios (Abramson, Encarnacao, Reid, & Schmoch, 1997 como citado em Walter, Auer, & Ritter, 2006). Ao promover essa ligacao entre os dois mundos, os spin-offs academicos demonstram sua importancia para criacao de novos empregos (Borges, Porto, & Dias, 2017; Carayannis, Rogers, Kurihara, & Allbritton, 1998; Steffensen, Rogers, & Speakman, 2000); transferencia e comercializacao de inovacoes tecnologicas; aprofundamento da relacao negocios-academia; e reestruturacao de economias regionais (Soetanto & Van Geenhuizen, 2015).

Os estudos existentes sobre o tema foram iniciados nos Estados Unidos e englobam eixos diversos, como: tipologias dos spin-offs academicos (Pirnay & Surlemont, 2003); processo de formacao e evolucao (Carayannis et al., 1998; Gilsing, Van Burg, & Romme, 2010; Perez & Sanchez, 2003; Vohora, Wright, & Lockett, 2004); crescimento e inovacao (Dahlstrand, 1997; Rickne, 2000); envolvimento em rede (Soetanto & Van Geenhuizen, 201 5; Walter et al., 2006); transformacao dos resultados academicos em valor economico (Ndonzuau, Pirnay, & Surlemont, 2002); e, mais recentemente, sobre a formacao de capital social (Borges & Filion, 2013; Soetanto & Van Geenhuizen, 2015). No entanto, tais estudos incidem, principalmente, sobre a criacao e o desenvolvimento de curto prazo dos spin-offs academicos (Treibich, Konrad, & Truffer, 2013), negligenciando o relacionamento da universidade com essas empresas (Berbegal-Mirabent, Ribeiro-Soriano, & Garcia, 2015; Bezerra, Borges, & Andreassi, 2017; Ferreira, Reis, Paula, & Pinto, 2017).

Considerando que o processo de desenvolvimento do spin-offe afetado pelo contexto, as taxas de insucesso, a criacao de empregos e a velocidade de seu desenvolvimento sao diferentes quando a universidade oferece apoio (Pirnay & Surlemont, 2003; Rasmussen, Mosey, & Wright, 2011). Essas formas de suporte incluem, por exemplo, programas de apoio a criacao dos spin-offs, que estimulam a exploracao de tecnologias criada pelos cientistas, fornecem protecao a propriedade intelectual, alem de oferecer assistencia durante o processo de criacao da empresa (Berbegal-Mirabent et al., 2015).

A distincao entre as universidades publicas e privadas tambem afeta a criacao de spin-offs. A principal diferenca entre essas instituicoes e o modelo de financiamento. Enquanto as universidades publicas dependem de recursos governamentais, as universidades privadas recebem recursos dos estudantes e outras fontes de financiamento (Berbegal-Mirabent et al., 2015). As universidades publicas tambem parecem ter politicas menos flexiveis e menos focadas quando se trata da transferencia de tecnologia da universidade para a industria, enquanto as universidades privadas parecem ser mais eficientes, por sua maior proximidade com outras empresas (Siegel, Waldman, & Link, 2003), alem de serem mais orientadas ao mercado (Belenzon & Schankerman, 2007). Apesar de o tipo de instituicao afetar a criacao de empresas pelas universidades, a pesquisa sobre o tema ainda tem sido pouco explorada (Berbegal-Mirabent et al., 2015).

Diante desse contexto, esse estudo tem como objetivo analisar as formas de apoio concedido pelas universidades aos spin-offs academicos, nas fases de desenvolvimento early e later stage, conforme classificacao de Soetanto e Van Geenhuizen (2015). Em particular, buscou-se identificar em que fase de desenvolvimento se encontram os spin-offs academicos e as formas de apoio disponibilizadas pelas universidades nessas fases. Dentre as formas de apoio sao destacadas: a existencia de disciplinas voltadas ao empreendedorismo; a realizacao de eventos, palestras e seminarios; disponibilizacao de infraestrutura, laboratorios e equipamentos; a existencia de incubadora ligada a universidade; o contato com os professores e com os alunos; a obtencao de recursos financeiros, patentes e acesso a network da universidade. Em complemento, optou-se por examinar dois tipos de spin-offs, um deles proveniente de universidade publica e o outro de universidade privada, de modo a comparar as diferencas entre as formas de apoio provido por instituicoes com caracteristicas distintas. Esse estudo contribui ao investigar em duas universidades, uma publica e outra privada, tres aspectos dos spin-offs academicos ainda escassos na literatura: o relacionamento do spin-offs com as universidades de origem (Berbegal-Mirabent et al., 2015; Ferreira et al., 2017), o tipo dessas instituicoes (Berbegal-Mirabent et al., 2015) e o apoio que elas oferecem (Pirnay & Surlemont, 2003).

Quadro Teorico

Spin-Offs academicos

Spin-offs, tambem chamados de spinouts ou spin-outs, sao empresas que surgem de outras. Basicamente, um funcionario deixa uma organizacao levando consigo tecnologia e conhecimento, e os utiliza para criar uma nova empresa (Carayannis et al., 1998). As organizacoes das quais eles derivam sao variadas, como laboratorios de pesquisa, empresas privadas ou publicas e institutos de pesquisa. Assim, eles podem ser classificados de acordo com a organizacao de origem e de onde o empreendedor adquiriu sua experiencia (Perez & Sanchez, 2003). Com base nisso, uma categorizacao bastante aceita os divide em dois grandes tipos: academicos, que surgem de instituicoes de educacao superior, e corporativos, derivados de empresas em geral (Dahlstrand, 1997).

No comeco do seculo, pesquisas semelhantes consideravam diferentes definicoes de spin-offs academicos e, portanto, apontavam resultados conflitantes. Pirnay e Surlemont (2003), entao, apresentaram a seguinte explicacao: os spin-offs academicos sao empresas criadas com o proposito de explorar comercialmente o conhecimento, tecnologia, ou resultados de pesquisa existentes dentro da universidade. Os autores, de acordo com as pesquisas de McQueen e Wallmark (1982 como citado em Pirnay & Surlemont, 2003), declaram como pre-requisitos para uma empresa ser considerada um spin-off academico tres criterios: os fundadores devem vir de uma instituicao de ensino superior (alunos, professores ou funcionarios); a atividade da companhia deve ser baseada em ideias tecnicas geradas no ambiente universitario; e a transferencia da universidade para a empresa deve ser direta.

Um spin-off academico e, portanto, fruto do empreendedorismo dentro de uma universidade (Berbegal-Mirabent et al., 2015) e, geralmente, apresenta uma postura mais ativa em relacao a transferencia de tecnologia que os spin-offs corporativos, ja que as empresas tentam manter as pesquisas e tecnologias para si (Gubeli & Doloreux, 2005). A transferencia de tecnologia se da de duas maneiras: primeiro, da organizacao de origem para a nova empresa e, em seguida, para o cliente final (Perez & Sanchez, 2003). De acordo com Pirnay e Surlemont (2003), e o empreendedorismo, atraves da criacao de uma nova empresa, que diferencia os spin-offs das formas tradicionais de transferencia de conhecimento academiamercado, tais como aquelas apresentadas por Berbegal-Mirabent et al. (2015): licenciamento e patenteamento, parcerias universidade-industria e contratos de pesquisa com empresas. Sao essas caracteristicas, seus resultados e possibilidades, que tem chamado a atencao dos pesquisadores para essa modalidade, em detrimento de outras (Bekkers, Gilsing, & Van Der Steen, 2006; Bercovitz & Feldmann, 2006; Lockett, Siegel, Wright, & Ensley, 2005).

A importancia dos spin-offs academicos vai alem da transferencia de tecnologia. Eles estao associados ao desenvolvimento economico (Bathelt, Kogler, & Munro, 2010; O'Shea, Chugh, & Allen, 2008; Soetanto & Van Geenhuizen, 2015; Vincett, 2010) e, assim, tambem geram empregos (Carayannis et al., 1998; Perez & Sanchez, 2003; Steffensen et al., 2000; Walter et al., 2006). Isso se traduz no numero crescente de empresas de sucesso originadas no ambiente universitario, dentre elas, encontram-se corporacoes bilionarias, como Google, Gatorade e Cirrus Logic (Di Gregorio & Shane, 2003).

Varios estudos tem abordado a propensao de uma universidade gerar spin-offs (Di Gregorio & Shane 2003; Gras Lapera, Solves, Jover, & Azuar, 2008; Lockett, Wright, & Franklin, 2003; Powers & Mcdougall, 2005), como promover o empreendedorismo nas universidades (Bailetti, 2011; Bezerra et al., 2017) e politicas publicas de incentivo a criacao (Van Geenhuizen & Soetanto, 2009). Ja outros retratam que e crucial que haja estimulo ao empreendedorismo academico, tanto partindo das universidades, quanto dos governos (Hess & Siegwart, 2013).

No entanto, os spin-offs academicos se deparam com diversas dificuldades que sao relatadas na literatura. Dentre elas, destaca-se a pouca experiencia dos empreendedores, alem de seu conhecimento limitado e acesso restrito aos mercados (Lockett & Wright, 2005); a exigencia de submissao da empresa aos padroes e regras da universidade, o que pode limitar seu desenvolvimento (Rasmussen, 2006; obstaculos na obtencao de recursos e habilidades necessarias para transformar a ideia em um produto pronto para o mercado (Siegel, Waldman, Atwater, & Link, 2003; Shane, 2004; Bathelt et al., 2010); interesses muitas vezes conflitantes entre os envolvidos: universidade, empreendedores, professores, etc. (Boardman & Ponomariov, 2009; McAdam & McAdam, 2008; Mustar et al., 2006); maior risco, em comparacao a outras start-ups, devido a presenca de tecnologia e inovacao nos produtos/servicos (Clarysse, Wright, Lockett, Van de Velde, & Vohora, 2005; Vohora et al., 2004); e a maior complexidade na definicao do real potencial de crescimento da empresa, devido a dificuldade em obter financiamentos (Clarysse, Wright, Lockett, Mustar, & Knockaert, 2007; Wright, Lockett, Clarysse, & Binks, 2006).

Para Soetanto e Van Geenhuizen (2015), esses problemas acontecem porque o ambiente academico ainda tem pouca afinidade com as atividades comerciais, pois, para muitos pesquisadores universitarios, o avanco tecnologico em si e mais importante do que a exploracao comercial da nova tecnologia. Devido a isso, investidores externos podem considerar os spinoffs academicos uma forma de investimento pouco atraente, uma vez que empreendedores geralmente buscam financiamento na propria universidade. Em consequencia, varias sao as instituicoes que auxiliam a universidade no suporte a essas empresas: centros de pesquisa, governos, agencias de fomento, incubadoras de empresa, parques tecnologicos, clusters e etc. (Hoffman, Mais, & Amal, 2010), atraves de investimentos publicos e privados (Phan, Siegel, & Wright, 2005).

Considerando essas perspectivas e baseando-se em extensa revisao de literatura, O'Shea et al. (2008) identificaram alguns aspectos que sao determinantes para um individuo empreender ou nao em uma universidade. Segundo esses autores, atributos empreendedores estao diretamente relacionados a criacao dessas empresas e aspectos como personalidade, motivacao e disposicao tem um papel influente nesse tipo particular de empreendedorismo, em conjunto com as habilidades e disposicoes pessoais. Quanto aos determinantes por parte da universidade para que haja empreendedorismo academico, esse estudo demonstra que a qualidade da universidade e de seus pesquisadores, alem de cultura institucional de incentivo a comercializacao, influenciam positivamente o numero de empresas criadas. Lockett e Wright (2005) destacam ainda que, no Reino Unido, a quantidade de spin-offs academicos criados esta relacionada diretamente ao investimento da universidade em pesquisa e desenvolvimento. Powers e McDougall (2005) corroboram esse achado e, em complemento, O'Shea, Allen, Chevalier e Roche (2005) descobriram que as universidades com um financiamento voltado para as areas de ciencias biologicas, ciencia da computacao e quimica formam um maior numero de empresas.

Fases de desenvolvimento dos spin-offs

Tendo em vista o crescente numero de spin-offs academicos criados e de politicas que promovem a formacao dos mesmos, Van Geenhuizen e Soetanto (2009) realizaram estudo sobre os obstaculos que restringem o crescimento dessas empresas e como eles variam ao longo do tempo. Para esses autores, a caracteristica sobre a qual os spin-offs diferem e a fase de desenvolvimento em que se encontram, pois vivenciam processo de interacao dinamica devido aos diversos atores envolvidos, seus objetivos e niveis de envolvimento. Rasmussen (2011) afirma que esses negocios passam por mudancas como: modelo de negocio, a medida em que os empreendedores adquirem mais conhecimentos gerenciais e tecnicos; composicao da equipe de empreendedores; e recursos necessarios enquanto a empresa se desenvolve. Diretamente relacionados a essas mudancas, os obstaculos ao crescimento examinados pelos pesquisadores sao apresentados no Quadro 01 e relacionam-se ao mercado, gestao, financas, estrutura fisica e governo.

A partir da analise desses empecilhos, Van Geenhuizen e Soetanto (2009) estabeleceram duas fases de desenvolvimento: early stage e later stage. A primeira compreende os spin-offs que foram criados ha quatro anos ou menos e a segunda refere-se aqueles com mais de quatro anos. Esse marco de quatro anos de criacao foi definido porque os achados da pesquisa demonstraram que apos essa idade o numero de obstaculos ao crescimento diminuiu consideravelmente.

Apoio da universidade aos spin-offs

O papel da universidade quanto as atividades de comercializacao vem mudando e, juntamente aos mecanismos governamentais e institucionais de apoio, um maior numero de empresas universitarias vem sendo criadas (Djokovic & Souitaris, 2008). Os spin-offs sao criados atraves de um "impulso da demanda" e tem representado um mecanismo relevante para estimular a economia (Berbegal-Mirabent et al, 2015, p. 2272) e o empreendedorismo (Borges et al. 2017), alem de manifestarem um desempenho melhor quando comparados a outros tipos de empresas (Koster, 2006), especialmente em estagios iniciais (Andersson & Keppler, 2013).

O estudo de Berbegal-Mirabent et al. (2015) investigou os fatores que explicam a criacao de spin-offs universitarios, com base na Visao Baseada em Recursos (RBV) e apontou tres fatores: as atividades de suporte, recursos de capital humano e as infraestruturas de apoio. Alem desses fatores, os autores acrescentaram a analise do tipo de universidade, publica ou privada, fator esse que tambem influencia a criacao dessas empresas.

O acesso ao capital e recursos financeiros tambem sao fatores que fazem parte das atividades de suporte da universidade (Berbegal-Mirabent et al., 2015) e estudos demonstram que a falta desse acesso e uma das dificuldades enfrentadas pelos empreendedores (Borges Jr., Filion, & Simard, 2010; Rasmussen et al., 2011), principalmente empreendedores jovens, que tem maior dificuldade em contratar financiamentos em bancos (Borges, Filion, & Simard, 2008). O acesso a esses recursos e mais importante no inicio da empresa do que nas outras fases de seu desenvolvimento, ja que o investimento de capital e necessario para financiar o crescimento da empresa (Fini, Grimaldi, & Sobrero, 2009; Ndonzuau et al., 2002).

Para Bailetti (2011), existem algumas acoes que a universidade deve implementar para fomentar a atividade empreendedora: ajudar os empreendedores a obter recursos externos; conseguir acesso aos consumidores em potencial, parceiros e investidores; e fornecer recursos a estudantes que possuem oportunidades de negocios viaveis. Essas acoes salientam a importancia da universidade no que diz respeito a obtencao de recursos com o intuito de apoiar a atividade empreendedora dos estudantes. Os recursos de capital humano irao incluir consultores tecnicos que auxiliarao na criacao do spin-off, alem de outros profissionais habilitados que irao suportar a criacao da empresa, uma vez que, "comecar um negocio requer treinamento e avaliacao" (Berbegal-Mirabent et al., 2015, p. 2273).

Outra fonte de capital humano que pode ser oferecida pela universidade diz respeito ao contato com outros alunos. Mueller (2011) destaca a necessidade de o ambiente universitario promover oportunidades para que os estudantes tenham contato com outros alunos com intencoes empreendedoras. Ademais, de acordo com Bailetti (2011), a universidade tambem deve apoiar os estudantes para que os mesmos empreguem outros alunos em sua empresa, alem de promover a colaboracao entre eles.

A infraestrutura de apoio integra as incubadoras, que sao as responsaveis por apoiar o spin-off durante seu desenvolvimento inicial, oferecendo aos empreendedores servicos e facilidades, alem de promover o compartilhamento de experiencias e fomentar uma atmosfera criativa (Berbegal-Mirabent et al., 2015). As incubadoras, segundo Raupp e Beuren (2009), oferecem um ambiente propicio ao desenvolvimento da empresa, facilitando o acesso aos conhecimentos e as entidades de financiamento. Alem disso, a presenca delas nas universidades impulsiona a criacao de spin-offs (O'Shea et al., 2005) e reduz a probabilidade de fracasso das empresas ligadas a elas (Rothaermel & Thursby, 2005).

Alem das incubadoras, a infraestrutura de apoio abrange a existencia de parques tecnologicos, que proporcionam um ambiente para criacao, exploracao e compartilhamento de conhecimentos, alem de auxiliar na criacao de empresas baseadas em inovacao (Berbegal-Mirabent et al., 2015). As empresas localizadas nesses parques apresentam tambem uma maior produtividade em relacao a pesquisa (Siegel, Westhead, & Wright, 2003).

Pesquisas mostraram ainda que estudantes que vivenciaram programas de educacao empreendedora sao empresarios bem mais sucedidos do que aqueles que nao tiveram esse tipo de educacao (Bernstein & Carayannis, 2012). O ensino de empreendedorismo e inovacao tambem pode representar estimulos aos alunos a abrirem seu proprio negocio, alem de desenvolver conhecimentos e competencias de como faze-lo. Por esses motivos, incorporar esses topicos nos curriculos das universidades tem sido um instrumento importante na criacao de negocios de sucesso (Harkema & Schout, 2008). Alem disso, as universidades devem formular programas que associem a experiencia em sala de aula com experiencias de mercado, favorecendo uma rede de contatos dos estudantes com empresarios experientes (Mueller, 2011).

Os metodos de ensino tambem sao tao importantes quanto o conteudo dos cursos, ja que os mesmos tambem podem influenciar as intencoes empreendedoras dos estudantes. Assim, os educadores devem exercer o papel de facilitadores, para que seus alunos tenham experiencias relevantes (Mueller, 2011). Em estudo realizado por Fini et al. (2009) apontou que, entre os fatores individuais que influenciam a criacao de novas empresas por academicos italianos, a melhoria do status academico e o incentivo mais importante, ou seja, a valorizacao desses profissionais impulsiona seu envolvimento em atividades empreendedoras. A realizacao de eventos ligados a inovacao e ao empreendedorismo, como cursos, palestras, seminarios e foruns, tambem pode auxiliar na capacitacao dos empreendedores academicos, alem de agregar conhecimentos quanto ao gerenciamento de seus negocios (Luz, 2012).

No processo de criacao de empresas, as redes sociais exercem um papel de protagonistas, pois fornecem beneficios como o aumento na identificacao de oportunidades pelos empreendedores, proporcionam o acesso a varios tipos de recursos, geram vantagens sobre o tempo que o empreendedor necessita para explorar oportunidades de mercado e constituem uma fonte de referencias e status (Nicolaou & Birley, 2003). O contato dos estudantes com empreendedores tambem pode estimular a atividade empreendedora nas universidades (Bailetti, 2011), ja que a ligacao com a universidade permite que o empreendedor academico de credibilidade a sua empresa, auxiliando a convencer alguns contatos de que a empresa que esta sendo criada e que sua tecnologia e confiavel. Essa ligacao tambem promove o acesso a determinados contatos, recursos tecnologicos e apoio na universidade, alem de acesso a recursos financeiros fora dela (Borges & Filion, 2013).

No processo de criacao de spin-offs academicos, um indicador de crescimento e sucesso e o registro de patentes (Clarysse et al., 2007). Spin-offs que possuem patentes tem maiores facilidades no acesso a capital de risco (Clarysse, Wright, & Van De Velde, 2011). A disponibilidade de escritorios para transferencia de tecnologia pelas universidades fornece apoio aos pesquisadores na divulgacao dos resultados de suas pesquisas, apresenta os empreendedores aos investidores e promovem e gerenciam a propriedade intelectual da universidade (Berbegal-Mirabent et al., 2015). Ademais, a profissionalizacao desses escritorios aumenta a qualidade das patentes elaboradas e, consequentemente, o apoio financeiro aos spin-offs que detem essas patentes (Clarysse et al., 2011).

Entre os recursos que a universidade tambem pode disponibilizar aos estudantes como forma de suporte, estao o acesso a laboratorios e equipamentos (Steffensen et al., 2000; Callan, 2001; Ndonzuau et al., 2002). Um estudo realizado por Landry et al. (2006) sobre a criacao de spin-offs por universidades canadenses mostrou que o acesso dos pesquisadores a grandes laboratorios aumentou a probabilidade na criacao dessas empresas da mesma maneira que os fatores anos de experiencia em pesquisa e o acesso aos recursos de grandes universidades.

Procedimentos Metodologicos

Este estudo adota uma abordagem qualitativa, assumindo que a realidade social e fruto da interpretacao das percepcoes dos individuos (Bryman & Bell, 2015). A estrategia de pesquisa aplicada foi a de estudo de caso que, de acordo com Eisenhardt (1989), tem seu foco voltado para o entendimento das dinamicas de um fenomeno em sua singularidade. Para Yin (2015) o estudo de caso mostra-se como uma estrategia mais adequada quando o pesquisador tem pouco controle sobre os eventos estudados e quando esses estao inseridos em um determinado contexto do cotidiano. Foram analisados dois casos de spin-offs academicos, um de universidade publica e outro de universidade privada, localizados na cidade de Aracaju, no Estado de Sergipe. Os spinoffs academicos foram selecionados em funcao da fase de desenvolvimento, na qual um deles se encontrava com quatro anos de idade ou menos (early stage) e o outro com mais de quatro anos (later stage) de criacao. O quadro 02 apresenta algumas informacoes sobre os casos selecionados.

Utilizou-se como tecnica de coleta de dados entrevistas semiestruturadas com os empreendedores de cada um dos spin-offs, ja que esse tipo de entrevista permitiria uma maior flexibilidade ao pesquisador (Saunders, Lewis, & Thornhill, 2009). Alem disso, foi realizada pesquisa documental de informacoes contidas nos sites das empresas, como ramo de atividade, principais clientes e servicos ou produtos oferecidos pela empresa. As entrevistas duraram em media cinquenta minutos, foram gravadas e posteriormente transcritas para facilitar analise. Foram entrevistados os dois empreendedores que criaram os spin-offs.

A analise dos casos seguiu as recomendacoes de Eisenhardt (1989), nas quais deve-se seguir duas etapas: 1) a analise de cada caso em particular e 2) a analise entre os casos, atraves da tecnica de cross-case analysis, em que foram observadas as suas semelhancas e diferencas. Essa comparacao foi guiada por categorias analiticas previamente estabelecidas, com base na revisao da literatura, como mostra o Quadro 03.

Descricao dos casos

Inicialmente, apresenta-se a descricao de cada caso, tendo como base as categorias analiticas adotadas neste estudo apresentadas no Quadro 03. Em seguida, a analise comparativa entre os casos foi realizada com o intuito de enfatizar as semelhancas e diferencas entre eles, bem como compara-los com a teoria.

O Caso da Avatar B2B

A Avatar B2B e uma empresa de consultoria e servicos na area de Tecnologia e Inovacao criada em 2014 e esta em estagio de incubacao. Um dos proprietarios, o "Empreendedor A", e formado em Sistemas para Internet, fez pos-graduacao na mesma area e e aluno do mestrado em Propriedade Intelectual na Universidade Federal de Sergipe. A empresa surgiu como forma de desenvolver um aplicativo para o segmento de bares e restaurantes de nome "IBAR", como explica:
   Tinha um amigo meu que trabalhava no SEBRAE e ele atendia muitas
   empresas do setor de alimentos, bares e restaurantes, e ai surgiu a
   possibilidade da gente desenvolver uma inovacao pra esse segmento.
   [...]. Entao a ideia foi desenvolver uma inovacao que atendesse
   esse segmento para poder desenvolver a empresa.


Atualmente, a Avatar B2B possui quinze colaboradores e oferece servicos de treinamento, desenvolvimento de softwares, sites, aplicativos, consultoria em Tecnologia da Informacao, gestao em midias sociais, entre outros servicos ligados a area de Tecnologia da Informacao (TI). De acordo com o entrevistado, os servicos ofertados ajudam em sua manutencao: "E bem custoso manter. [...] pra gente conseguir manter o projeto de inovacao a gente acaba fazendo outros servicos de forma paralela pra conseguir ter recursos pra manter a empresa".

No inicio do negocio, o apoio da universidade nao foi determinante, mas o conhecimento tecnico dos proprietarios relacionado a ideia de desenvolver um produto foi de suma importancia. A promocao de eventos como palestras e seminarios sobre inovacao e empreendedorismo foi importante para inspirar e trazer conhecimentos, assim como a oferta de disciplinas sobre essas tematicas, sobretudo no curso de mestrado frequentado pelo entrevistado. Para o entrevistado, tais disciplinas, alem do conhecimento, "trouxeram inspiracao tambem, a partir dos cases que eram apresentados". O empreendedor nao recorda se em sua graduacao essas tematicas foram abordadas na grade curricular.

Sobre a disponibilizacao de infraestrutura pela universidade, como laboratorios e equipamentos, era de conhecimento do empreendedor que estavam disponiveis, no entanto, afirmou que nao fez uso dessas ferramentas. Esse tipo de ferramenta nao foi importante para o processo de criacao do spinoff, nem em seu desenvolvimento, como explica o entrevistado: "como nosso projeto e de tecnologia, nao e tao necessario ter um laboratorio, tipo laboratorio de quimica, fisica, essas coisas, como e necessario quando o projeto e de quimica ou de fisica, nao e tao relevante para gente".

O contato com professores da universidade auxiliou na elaboracao de projetos para a empresa, como explicado pelo empreendedor A: "eu ia escrever um projeto de pesquisa para o FINEP, para projeto de fomento a inovacao, ai eu pedi auxilio a eles na elaboracao [...]". Contudo, a greve que ocorreu na universidade no ano de 2015 prejudicou a manutencao desse contato com os professores, atrapalhando o andamento de outros projetos, que deverao ser retomados no inicio de 2016. Os professores tambem auxiliaram na obtencao de recursos financeiros mais do que a propria universidade, como foi o caso do projeto do FINER citado anteriormente.

O processo de selecao para incubacao da empresa se deu atraves de um plano de negocios elaborado pelos socios. A experiencia de estar na incubadora foi apontada como positiva e dentre as vantagens foram citadas o apoio fisico, a realizacao de capacitacoes e a possibilidade de manter contato com outras empresas. No entanto, durante o periodo de incubacao da empresa, a incubadora deixou o parque tecnologico por motivos ignorados, e o SergipeTec ficou encarregado dessas empresas, como explica o entrevistado: "O SergipeTec criou essa incubadora justamente para abarcar essas empresas que ficaram orfas quando essa incubadora saiu, por motivos que eu nao sei dizer [...]".

O empresario afirma que atualmente a incubadora nao fornece um ambiente propicio para as novas empresas: "a incubadora ta meio que abandonada, ela nao desenvolve mais nenhum projeto, mais nenhuma capacitacao, ela no maximo cobra aluguel". Segundo o Empreendedor A, um dos motivos pelos quais as empresas permaneceram na incubadora e porque nem todas possuem outro local para se instalarem. O abandono das empresas pela incubadora foi um dos motivos apontados para que a empresa tenha outro escritorio, alem de outras deficiencias como o acesso precario a internet, como destacou o empreendedor A:
   Basicamente a gente precisa ter computadores e acesso a internet,
   mas esse acesso que o parque tecnologico oferece e o pior possivel,
   entao e um dos motivos de a gente estar tentando sair de la, porque
   se voce nao consegue nem ter acesso a internet, imagine outras
   coisas.


O contato com outras empresas, orgaos de fomento a pesquisa, fundos de investimento e outros contatos que poderiam ser disponibilizados a empresa nao foram oferecidos pela universidade, como explica o empresario: "[...] nao entraram em contato com a gente para oferecer esse tipo de ajuda", o que pode ter prejudicado o desenvolvimento da empresa, ja que esses contatos sao importantes para as empresas iniciantes.

Com o curso de mestrado em Propriedade Intelectual o empresario pretende desenvolver um estudo de caso sobre o registro de software e usar o exemplo da propria empresa, que pretende registrar o "IBAR", aplicativo para o segmento de bares e restaurantes. O mestrado tambem trouxe outros conhecimentos sobre o registro de patentes e marcas que devem ser utilizados pela empresa, como comenta: "[...] eu meio que to tendo conhecimento tecnico pra poder fazer isso ne? Para poder atuar na protecao da propriedade intelectual dos ativos desenvolvidos pela empresa". Dentre as sugestoes dadas pelo Empreendedor A, para que a participacao da universidade contribua para a criacao de novas empresas, estao:
   [...] ter uma incubadora mais eficiente, poderia ter mais eventos
   relacionados a empreendedorismo, poderia ter uma equipe que
   auxiliasse na captacao de recurso da empresa, que mostrasse como
   atrair investimento, que fornecesse laboratorios paras empresas
   utilizarem, dentro dos programas de graduacao e de pos-graduacao
   tivessem mais disciplinas relacionadas a empreendedorismo.


O empreendedor explica que existe uma deficiencia cultural, pois os cursos de graduacao e pos-graduacao estao mais preocupados em formar alunos para prestarem concursos publicos e por isso nao existe um estimulo por parte da universidade e dos professores para que esses alunos empreendam: "Eu acho que eles nao estimulam os alunos a empreender, normalmente a ideia que fica e que empreender e uma coisa muito dificil e muito arriscada, que nao vai dar certo, que voce vai quebrar logo no primeiro ano, que voce vai ter dor de cabeca [...]". O empresario ainda destaca:
   [...] quando voce e uma empresa que voce ta desenvolvendo coisas de
   inovacao, voce precisa compartilhar o risco com alguem, seja com a
   universidade, seja com o Estado, na pessoa dos orgaos de fomento,
   das secretarias, voce tem que compartilhar o risco com alguem. Se
   nao tiver a participacao da universidade, do Estado, fica muito
   dificil empreender, [...].


Quanto a diferenca entre o apoio prestado por uma universidade publica e por uma privada a criacao de novas empresas, o entrevistado acredita que a universidade publica oferece um apoio maior e que seja mais preocupada com as empresas, ja que segundo ele: "[...] a universidade privada e muito voltada para graduar, graduou, acabou". No entanto, ele concorda que a universidade privada poderia oferecer mais estimulo ao mercado, mais oportunidades e mais contatos, requisitos essenciais para as empresas que estao entrando no mercado.

O Caso da Lumentech

A Lumentech e uma empresa de jogos eletronicos criada em 2004 pelo "Empreendedor B", que concedeu a entrevista, na epoca aluno do curso de Ciencia da Computacao de uma universidade privada de Aracaju, e um colega recem-formado pelo mesmo curso. Os dois faziam parte de um grupo de estudos de games com outros colegas de curso, quando a recem-criada incubadora de empresas da universidade lancou um edital de selecao, o que chamou a atencao do socio do entrevistado, como explica:
   Ele viu a oportunidade e disse: "vamos fazer uma empresa", mesmo
   sem saber exatamente o que a gente ia ter que fazer, ou como
   ganhariamos dinheiro, por exemplo. Gostavamos de games, queriamos
   trabalhar com isso e nao tinha empresa nenhuma nesse ramo em
   Aracaju. Entao, por que nao fazer a nossa?


Alem dos dois socios, um dos outros componentes do grupo se interessou pela ideia e decidiu fazer parte da sociedade. Apesar de participarem do grupo de estudos de jogos e serem alunos de um curso de computacao, os jovens nao possuiam ainda o conhecimento necessario para desenvolver os games, como destaca o entrevistado:
   Nao sabiamos desenvolver os jogos, a universidade nao prepara a
   gente para isso. Entao pesquisamos na internet, estudamos e
   testamos. Quando aprendemos a fazer um jogo de celular simples
   comecamos a buscar alguem que pudesse pagar por esse servico.


Antes mesmo da criacao da empresa o terceiro socio resolveu desistir da sociedade, devido a um problema de relacionamento. O Empreendedor B e o socio restante, entao, foram aprovados no edital de selecao da incubadora o que, para ele, foi a parte mais facil, pois a inexperiencia e carencia de conhecimentos nao se resumia as questoes tecnicas, mas tambem gerenciais, tendo em vista que o curso de Computacao da universidade nao ofereceu disciplinas voltadas ao empreendedorismo. A principio, o socio do entrevistado assumiu as funcoes gerenciais da empresa e ele se dedicou principalmente as tecnicas.

O primeiro jogo produzido foi simples e nos anos iniciais a Lumentech tambem criou outros destinados a agencias de publicidade. Em 2007, a empresa comecou a internacionalizar, primeiramente a partir de um contato da cidade de Recife-PE feito pelo socio. A Lumentech produzia os jogos e a empresa de Recife ficava responsavel por publica-los com operadoras no exterior. Apos essa fase inicial da internacionalizacao, outros contatos foram formados, principalmente a partir de eventos internacionais de outsourcing, de forma que, atualmente, os clientes internacionais compoem a maior parte de sua base.

Quanto ao periodo de criacao, destaca-se que o Empreendedor B visualiza diferencas entre seu perfil e do socio. Na sua opiniao, o socio teve a iniciativa de aproveitar a oportunidade do edital da incubadora, pois ele nunca havia pensado em empreender. Essa diferenca foi posteriormente relatada tambem quanto a uma posicao mais voltada para a gestao da empresa: "ele (o socio) era mais ativo nessa parte de empreendedorismo mesmo. Eu era uma negacao". No entanto, em 2009 o socio acabou saindo da empresa e o entrevistado teve que assumir as funcoes gerenciais, o que fez com que suas habilidades viessem a tona:
   Quando o edital foi publicado e meu ex-socio me convidou, meu
   objetivo era trabalhar na parte tecnica, mas ele teve que se
   afastar da empresa e eu tive que assumir a parte gerencial. Foi
   quando eu me tornei empreendedor, porque ate entao eu era o socio
   que trabalhava na parte tecnica, nao entendia de negocios.


Desde entao, mesmo sem a participacao do socio que o estimulou a criar a empresa, a Lumentech continuou a se desenvolver. O Empreendedor B passou a se dedicar totalmente a gestao, participando de todos os eventos, atraindo clientes e projetos cada vez maiores. No momento da entrevista, a empresa estava envolvida em um grande projeto de um jogo para celular para um cliente internacional, envolvendo toda a equipe. Atualmente, o Empreendedor B continua como unico socio da empresa que possui treze colaboradores e produz jogos para clientes do Brasil, Finlandia, India, Japao, Estados Unidos, alem de outros paises. Em quase doze anos de experiencia na area de games, a Lumentech criou de jogos simples para acoes publicas de saude a jogos sofisticados, envolvendo deteccao de movimentos, por exemplo. Para o empreendedor, a tecnologia nao e empecilho, mesmo que ainda seja desconhecida pelos seus desenvolvedores:
   Se precisar fazer algum jogo de realidade virtual, com deteccao de
   movimento, para celular, tablet, computador, videogame ... a gente
   faz! Nao temos medo de tecnologia. Mesmo que seja uma tecnologia
   com a qual ainda nao tenhamos trabalhado, pesquisamos e descobrimos
   como fazer.


A motivacao de abrir a empresa, como demonstrado anteriormente, partiu da identificacao de uma oportunidade de empreender e outras oportunidades foram surgindo aos poucos. Como comenta o entrevistado, ate mesmo a evolucao de sua participacao na empresa, de socio desenvolvedor para gestor, foi ocasional:
   Muita coisa que aconteceu na empresa foi ocasional. Se o edital nao
   tivesse acontecido, nao sei se a empresa teria sido criada. Eu,
   muito provavelmente, nao teria empreendido, porque o curso nao me
   da esse direcionamento.


O Empreendedor B realcou que a universidade os estimulou a criar a empresa apenas de forma indireta, por meio da incubadora, e que eles tinham total autonomia em suas decisoes. Mas, para ele, a incubadora em sua fase inicial aparentava nao ter suporte da universidade, como um projeto pessoal do professor que a criou. Esse professor e, posteriormente, a secretaria, procuravam estimular os alunos, apresentar os editais etc., como o entrevistado destaca: "Nunca teve muito apoio da universidade. A incubadora foi uma iniciativa muito pessoal do coordenador. Ele que moveu esforcos para conseguir editais que pudessem financiar a construcao do predio, por exemplo".

Com o tempo, os outros alunos viam o sucesso da empresa e ficavam maravilhados, pois o entrevistado estava "trabalhando com games, vivendo disso, ganhando dinheiro com isso", mas esse status nao era o mesmo durante o periodo da criacao. Na verdade, ele diz que nunca havia se imaginado como empreendedor antes de 2004 e ate achava que a palavra carregava um status muito negativo, pela incerteza de rendimentos e de carga horaria, alem da grande responsabilidade. Hoje, no entanto, ele diz que nao vai viver sem a empresa, deixando evidente que existe um conflito entre as dificuldades de ser empreendedor e todas as recompensas como a satisfacao pessoal:
   Eu nunca vislumbrei "empreendedor" com um status muito bom. Ate
   hoje eu nao vejo, eu preferia ter um chefe porque o empreendedor e
   aquele que ganha menos, chega primeiro e sai por ultimo (risos).
   Acho que todo empreendedor fala isso, apesar de que eu nao saberia
   viver sem a empresa. As recompensas que eu tenho no trabalho sao
   fenomenais, pagam qualquer coisa.


Segundo o Empreendedor B, nenhuma disciplina relacionada ao empreendedorismo foi disponibilizada pela instituicao e ate mesmo os eventos e seminarios eram direcionados somente para a pesquisa ou parte tecnica da computacao. Os professores tambem nao os auxiliaram porque, para o empreendedor, eles nao imaginavam que a empresa fosse ter sucesso, ja que desenvolvimento de jogos nao e uma area com mercado em Aracaju, como explica: "Ninguem fazia ou estudava isso aqui, todo mundo aprendia a fazer software: sistemas de estoque, de RH ... e nao era isso que a gente queria. Entao nunca procuramos os professores, porque eles nao teriam como ajudar a gente". Percebe-se entao que a universidade nao favorecia a busca de novas solucoes de mercado.

Quanto a incubadora da universidade, essa viabilizava a empresa sua estrutura fisica: salas, banheiros, uma copa compartilhada, agua encanada, energia eletrica, internet, estacionamento e seguranca por uma pequena taxa mensal. Todos os alunos com empresa incubada poderiam acessar as salas em qualquer horario, com total liberdade para trabalhar de madrugada, se fosse preciso. Somente os moveis e computadores eram trazidos pelos alunos: "Na epoca, levamos prateleiras de madeira de casa, cadeiras de plastico que eu tirei da piscina la de casa e uns computadores velhos que eu tinha".

Em relacao ao suporte financeiro, a universidade, atraves da incubadora, avisava aos empreendedores sobre editais do CNPq, por exemplo, e sempre os auxiliava na submissao do projeto. Forneceu tambem um contador que os ajudou a criar a empresa, como destaca: "entao, toda essa ajuda fez com que a gente focasse um pouco mais na parte tecnologica, como fazer jogos e como ganhar dinheiro com isso, do que se preocupar com abertura da empresa na JUCESE, por exemplo". Outra vantagem de ter feito parte de um processo de incubacao foi o ambiente proporcionado pela incubadora como os contatos feitos com outras empresas e a emocao da "tentativa e erro", como detalha o empreendedor:
   Alem do apoio gerencial havia o ambiente "borbulhante", de estar
   todo mundo pensando em negocio e em como ganhar dinheiro com ele.
   Alguem tentava fazer algo e nao funcionava, ate que um tentava,
   conseguia e dividia essa experiencia com a equipe. Tambem
   trabalhavamos em parceria com as outras empresas, se fosse
   necessario. Por exemplo, se em algum projeto a gente precisasse de
   artista ou de alguma coisa em que eles pudessem ajudar,
   trabalhavamos em conjunto.


A incubadora tambem tentou estimular a empresa a patentear seus produtos, mas o Empreendedor B explicou que a patente nao faz muito sentido na area de computacao, tendo em vista que somente o codigo e patenteado e nao a ideia. Assim, se alguem modificar uma linha de codigo, mesmo que produzindo o mesmo resultado, isso nao se configura uma quebra de patente.

Atualmente, a empresa tem pouco contato com a sua universidade de origem. Desde o inicio, o entrevistado sentia como se a universidade nao estivesse muito interessada em manter a incubadora ou as empresas la. Como ja dito, todo o apoio prestado pela incubadora foi uma iniciativa do coordenador que, posteriormente, teve auxilio de uma secretaria. Foram quatro anos e meio de incubacao, aproximadamente, e o momento da saida da empresa, para o entrevistado, foi quando esse relacionamento comecou a esfriar. O contato com a universidade acontece apenas quando os professores convidam a Lumentech para participar de algum evento, fornecendo uma palestra ou um minicurso, por exemplo.

No entanto, apesar de nao ser sua universidade de origem, a empresa participa de mais eventos da Universidade Federal de Sergipe, porque o Empreendedor B tem amigos pessoais que sao professores do curso de computacao, o que acabou por estreitar os lacos entre a empresa e essa universidade. Para a empresa, esse contato e importante para chamar a atencao dos alunos para seu mercado, pois, como nao existe mao de obra capacitada em desenvolvimento de jogos em Aracaju, os proprios desenvolvedores da empresa capacitam os novatos.

A universidade tambem nao presta mais apoio financeiro, tendo em vista isso que era feito pela incubadora, a qual a empresa nao participa. Atualmente a Lumentech consegue apoio financeiro de instituicoes como o SEBRAE, Sesc/Senac, APL Aracaju ou com a Rede Petrogas. Com a rede Sesc/Senac, inclusive, a empresa possui uma relacao de mao dupla, pois ja ministrou cursos para a mesma. Esses contatos com as redes, entretanto, foram possibilitados primeiramente pela incubadora e depois os empreendedores comecaram a desenvolver sua propria rede de relacionamento.

Durante a incubacao, a empresa participou de projetos de pesquisa do CNPq, com o auxilio do ITP--Instituto de Tecnologia e Pesquisa da universidade e com isso conseguiu contratar bolsistas PIBIC na epoca. Mesmo apos o fim da incubacao, a empresa participou de um grande projeto do FINEP, em parceria com empresas do SergipeTec e da area de petroleo. Ou seja, a empresa participou de projetos de pesquisa tanto em parceria com a universidade quanto somente em parceria com outras organizacoes. Contudo, o entrevistado afirma que nenhuma publicacao academica foi elaborada por eles nesses projetos.

Segundo o empreendedor, comecar a empresa na universidade nao foi so importante pelos contatos, projetos de pesquisa e apoio da incubadora, mas por passar uma certa credibilidade para a empresa que nao era conhecida ainda no mercado: "o fato da gente estar na universidade ajudava. O endereco da gente era o da universidade, nao eramos uma empresa qualquer, tinhamos o respaldo da Universidade". Hoje, ele nao enxerga a empresa como inserida no ambiente academico somente por participar de eventos e procurar a universidade para contratar mao de obra. Para ele, "a incubadora ganhou experiencia com a nossa empresa, mas a universidade sempre foi muito antiquada em termos de investir em um projeto que nao tem retorno garantido, como em um spin-off".

Em resumo, o apoio prestado pela universidade foi deficiente na visao do empreendedor pois "o principal apoio nao e o financeiro". O entrevistado acredita que as universidades publicas estimulam mais seus alunos a pesquisar e desenvolver novas ideias. O mercado da Lumentech e limitado em Sergipe, mas promissor fora do estado. Logo, o enrevistado avalia que quando o aluno e treinado somente para olhar para o usual, ele pode nao enxergar outras oportunidades que possam ser bastante lucrativas. Quando procura por mao de obra, a empresa seleciona sempre alunos que possuem uma visao mais ampla e, por isso, a maioria dos seus colaboradores foi selecionada na Universidade Federal de Sergipe. Tal universidade, segundo o Empreendedor B, alem de proporcionar uma formacao mais ampla, conta com professores que procuram sempre saber como melhor capacitar seus alunos.

Analise comparativa dos casos

Nesta secao e apresentada a analise dos casos de forma comparativa, visando identificar a evolucao e diferencas no apoio prestado pela universidade ao spin-off academico nas duas fases de desenvolvimento consideradas no estudo: early e later stage.

Early Stage

Ao analisar comparativamente os spin-offs, verificou-se que a motivacao para criacao das empresas partiu da identificacao de uma oportunidade: no caso da primeira empresa, a Avatar B2B, a possibilidade de desenvolver uma inovacao para o segmento de bares e restaurantes; e para a segunda, a Lumentech, o lancamento do edital de selecao da incubadora da universidade no momento em que os empreendedores se interessavam pelo desenvolvimento de games. Em ambos os casos, os spin-offs, quando ligados as incubadoras, possuiam autonomia em suas decisoes. Para a Avatar B2B, o apoio da universidade nao foi determinante no processo de criacao da empresa, ja para a Lumentech, a universidade estimulou a criacao do spin-off apenas de forma indireta, por meio da incubadora.

Aspectos relacionados ao empreendedorismo detectados nos dois casos, como identificacao de oportunidades, propensao a assumir riscos e habilidade na mobilizacao de recursos foram apontados como fatores criticos de sucesso para os spin-offs academicos (Steffensen et al., 2000). Outros autores tambem destacam que o comportamento empreendedor e vital para que as empresas de todos os tamanhos prosperarem em ambientes competitivos (Walter et al., 2006).

A existencia de incubadoras ligadas a universidade representa apoio ao spin-off durante seu desenvolvimento inicial, como mostrou Berbegal-Mirabent et al. (2015) e Borges et al. (2017), por facilitar o acesso a conhecimentos e a entidades de financiamento (Raupp & Beuren, 2009). Tal suporte e de grande importancia, tendo em vista que os spin-offs academicos sofrem com acesso restrito aos mercados, falta de experiencia e carencia de conhecimento tecnico e gerencial (Lockett & Wright, 2005). No caso das empresas estudadas, as incubadoras auxiliaram no processo de criacao, disponibilizando sua estrutura fisica e fornecendo contatos com outras empresas. Alem disso, foram oferecidos alguns cursos de capacitacao tanto para a Avatar B2B, quanto para a Lumentech. No entanto, o Empreendedor B alega que os cursos fornecidos nao eram tao importantes, pois, como a maioria das empresas incubadas era do curso de Computacao, a formacao dos empreendedores carecia de conhecimentos mais especificos de gestao. Assim, essa formacao so foi possivel quando, por iniciativa propria, o Empreendedor B procurou o Empretec, ministrado pelo SEBRAE. Mesmo com essa limitacao, destaca que o periodo de incubacao foi essencial nao so para a criacao da empresa, mas pelo suporte financeiro e contabil e pelo ambiente da incubadora, que fomenta a inovacao.

O contato com os professores pode influenciar as intencoes empreendedoras dos estudantes, como foi apontado por Mueller (2011). Para a empresa Avatar B2B, esse contato possibilitou a elaboracao de projetos importantes, como um projeto de pesquisa para o FINEP. Para o empreendedor dessa empresa, o auxilio dos professores foi mais importante na obtencao de recursos do que a propria universidade. No caso da Lumentech, o auxilio dos professores nao foi solicitado ja que, segundo o Empreendedor A, nao possuiam conhecimento sobre desenvolvimento de jogos e os docentes tambem nao acreditavam que a empresa teria sucesso, por pertencer a um segmento de mercado pouco explorado em Aracaju. No entanto, todo o suporte provido durante o periodo de incubacao foi decorrente de um interesse pessoal de um professor do curso de Design, mentor e coordenador da incubadora, ja que a universidade parecia nao ter interesse nas empresas ou em sua incubacao.

Para Fini et al., (2009), a universidade pode incentivar o envolvimento dos academicos na criacao de novas empresas por parte de seus alunos e o que mais incentiva a participacao desses docentes e a melhoria do status academico, possibilidade de contribuir com o desenvolvimento economico do pais e criar novas oportunidades de trabalho. Em nenhum dos dois casos estudados houve incentivo da universidade para a participacao dos academicos nas empresas. No caso da Avatar B2B os empreendedores foram responsaveis pelo contato com os professores quando achavam necessario; no caso da Lumentech, nao houve contato.

Nos dois casos analisados nao foi constatada a oferta de disciplinas relacionadas ao empreendedorismo pela universidade-mae. O Empreendedor B acredita que a insercao dessas disciplinas no curriculo poderia provocar os alunos pensarem sobre novos mercados. O Empreendedor A, socio da Avatar B2B, afirma que as disciplinas de empreendedorismo por ele cursadas durante o curso de mestrado complementaram seus conhecimentos gerenciais e inspiraram novas acoes da empresa. Assim, a adicao de disciplinas de empreendedorismo no curriculo dos cursos de computacao poderia favorecer o desenvolvimento local atraves da multiplicacao do conhecimento gerencial dos empreendedores, que foi constatado por Luz (2012).

Nenhuma das duas empresas solicitou ou obteve apoio de alunos. Em alguns momentos, a Lumentech atuou em parceria com outras empresas incubadas no mesmo local e afirma que essa relacao foi bastante benefica. O Empreendedor B afirmou posteriormente que mesmo que os outros alunos nao soubessem desenvolver os jogos, talvez eles tivessem alguma contribuicao para dar, com ideias ou sugestoes. Dessa forma, seria interessante que as incubadoras estimulassem a relacao das empresas incubadas com os alunos da universidade de origem, tendo em vista que o networking da universidade pode ser benefico para a empresa em formacao (Bailetti, 2011) e para estimular novos alunos a empreender.

A estrutura fisica provida pela incubadora da universidade foi crucial para a Lumentech, logo apos sua criacao e ate o fim de seu periodo de early stage, culminando com sua saida da incubadora. Para a Avatar B2B, o baixo valor cobrado pelo aluguel e a disponibilizacao do espaco fisico para a sede da empresa foram determinantes para sua sobrevivencia na fase inicial da empresa. Como pertencentes a uma incubadora em sua fase de criacao, a disponibilizacao de infraestrutura por um aluguel abaixo do mercado e uma forma de suporte descrito na literatura como bastante oportuna (Hoffman, Mais, & Amal, 2010).

O acesso a recursos financeiros, principalmente no inicio da empresa, e essencial, pois auxilia a financiar o seu crescimento (Ndonzuau et al., 2002; Fini et al., 2009). Pode-se observar, atraves dos spin-offs estudados, que as universidades colaboraram de forma diferente na obtencao de recursos financeiros: a instituicao privada participou de maneira mais ativa, fornecendo ajuda profissional aos empreendedores, na figura do contador, fator esse apontado por Berbegal-Mirabent et al. (2015) como facilitador na criacao de empresas. Ja na universidade publica, o auxilio do corpo docente solicitado pelos empreendedores foi mais determinante. No entanto, como mostra Bailetti (2011), para fomentar a atividade empreendedora, as universidades precisam seguir alguns principios, como fornecer ajuda na obtencao de recursos externos, providenciar assistencia empreendedora, obter acesso aos consumidores em potencial, parceiros e investidores. Todos esses aspectos nao foram observados nos dois casos. O Quadro 04, a seguir, resume as formas de apoio encontradas nessa fase inicial nos dois spin-offs academicos.

Later-stage

Para a Avatar B2B, atualmente a universidade nao participa ou presta qualquer tipo de apoio e a incubadora nao proporciona cursos, eventos ou promocao de editais de auxilio financeiro. Por esses motivos, o Empreendedor A pretende deixar a incubadora e procurar outro local para instalar a empresa. Ja para a Lumentech, as principais formas de apoio fornecidas pela incubadora (financeiro, contabil, de infraestrutura etc.) cessaram no momento em que a empresa deixou a mesma, o que coincidiu com o inicio da fase later stage e, atualmente, seus empreendedores so mantem contato com a universidade para participar de eventos ou quando necessitam de mao de obra.

Com relacao ao apoio prestado pelas incubadoras das universidades, percebe-se que a variacao entre uma empresa e outra e estreita e alusiva a instituicao de origem e nao a fase de desenvolvimento. A universidade privada, mesmo sendo relatada pelo entrevistado como mais ausente durante a criacao, deu suporte a empresa durante a fase de later stage. Ja a universidade publica deixou as empresas incubadas nas maos do SergipeTec e nao demonstraram mais interesse por elas. No entanto, essa postura nao pode ser relacionada ao modelo de universidade (publica ou privada), mas a percepcao de que o empreendedorismo academico pode ser uma forma de transferencia de tecnologia ou de desenvolvimento, tanto economica local quanto universitaria.

As redes de contato fornecidas pela incubadora desempenharam papeis diferentes nos dois casos. No caso da Lumentech, elas foram fundamentais para despertar nos empreendedores a necessidade e importancia de tais contatos, alem de mostrar como consegui-los. Foi um "pontape inicial" para que terminada a fase early stage, o empreendedor pudesse buscar novos contatos sem nenhum auxilio ou dificuldade. Ja a Avatar B2B adotou uma postura mais autonoma em relacao aos seus contatos, desde o momento da criacao ate o presente.

Quanto ao registro de patentes, a situacao foi diferenciada nas duas empresas. Enquanto a Avatar B2B pretende atuar na protecao da propriedade intelectual dos ativos desenvolvidos pela empresa no futuro gracas ao conhecimento do seu criador sobre o processo de registro proporcionado atraves de seu curso de mestrado, para a Lumentech nao existe necessidade de patentear seus produtos, ja que de acordo com o Empreendedor B, produtos semelhantes podem ser desenvolvidos sem que isso se configure uma quebra de patente. Assim, mesmo o registro de patentes sendo, tradicionalmente, considerado um indicador de crescimento dos spin-offs academicos (Clarysse et al, 2007), esse indice nao deve ser aplicado a todas as empresas de tecnologia, por nao conseguir validar o desenvolvimento de todas as empresas do setor.

Os empreendedores tambem apontaram sugestoes para que a participacao da universidade seja mais satisfatoria e contribua para a criacao de novas empresas. Os dois concordam que mais disciplinas na area de empreendedorismo deveriam ser ofertadas. Para o Empreendedor B, as universidades particulares precisam desenvolver uma visao mais ampla do mercado, buscando criar novas solucoes, e nao somente formar profissionais que irao atuar no mercado local. Para o Empreendedor A, a universidade poderia realizar mais eventos sobre empreendedorismo, ter uma incubadora mais ativa e profissionais mais capacitados, que mostrassem como atrair investimentos para a empresa, alem de estimular os alunos a empreender.

Sobre a diferenca entre o apoio da universidade publica e da universidade privada, ambos os empreendedores acreditam que a universidade publica ofereca um apoio maior. Para o Empreendedor B, a universidade publica estimula os alunos a pesquisar, a desenvolver coisas novas, requisitos que podem levar os estudantes a identificar oportunidades inovadoras e lucrativas. O Empreendedor A, da Avatar B2B, acredita que a universidade publica se preocupa mais com as empresas, enquanto a instituicao privada esta mais preocupada em formar os estudantes. No entanto, ele tambem acredita que a universidade privada pode oferecer mais estimulo ao mercado, contatos e oportunidades, o que corrobora a afirmacao de Belenzon e Schankerman (2007), que consideram as universidades privadas como as mais orientadas ao mercado. O Quadro 05, a seguir, apresenta um resumo das formas de apoio prestadas pela universidade no laterstage.

Conclusoes e Recomendacoes

O objetivo deste estudo foi analisar as formas de apoio concedido pelas universidades nas diferentes fases de desenvolvimento de spin-offs academicos na cidade de Aracaju-SE. Pode-se observar que, durante a fase early stage, o apoio fornecido pelas universidades as empresas foi semelhante e deficiente. Dessa forma, nao foi observado participacao ativa da instituicao de ensino na obtencao de recursos, essencial na criacao da empresa (Fini, Grimaldi, & Sobrero, 2009; Ndonzuau et al., 2002); na disponibilizacao de contatos, facilitando a troca de experiencias e o acesso a empreendedores experientes (Nicolaou & Birley, 2003; Mueller, 2011); ou na oferta de disciplinas voltadas ao empreendedorismo. O merito das universidades consistiu apenas na disponibilizacao das incubadoras e, atraves delas, cursos de capacitacao e infraestrutura, corroborando que a presenca das mesmas fomenta a criacao de spin-offs (O'Shea et al., 2005).

Comparando-se o apoio concedido na fase later stage por cada uma das instituicoes, o apoio prestado pela universidade privada foi um pouco mais satisfatorio que aquele disponibilizado pela publica. Esta ultima, ainda entra em contato com o spin-off para participar de eventos como palestras, demonstrando, assim, algum desejo em estimular o empreendedorismo na instituicao. Desse modo, no futuro, a universidade privada pode se beneficiar de uma melhor capacitacao de seus empreendedores academicos (Luz, 2012).

Na visao dos empreendedores entrevistados nao houve troca de conhecimentos, de forma a desenvolver tanto a universidade quanto o spin-off. Treibich et al. (2013) identificaram duas visoes dicotomicas quanto a evolucao do relacionamento entre a universidade e seus spin-offs. Na primeira, ha um relacionamento unilateral de transferencia de conhecimento da universidade para a academia e, devido a isso, nao existe necessidade de que essa relacao seja expandida para alem da fase inicial de incubacao. A segunda defende que nao ha transferencia de conhecimento da academia para a industria, mas sim um conhecimento interativo coproduzido, o que garante a necessidade de uma interacao continua entre os dois, que se mantem durante a later stage.

Entende-se que este estudo atenda a uma lacuna da literatura ao abordar tres aspectos pouco explorados (Pirnay & Surlemont, 2003; Berbegal-Mirabent et al, 2015; Ferreira et al., 2017), provendo maior compreensao das formas de apoio concedido pelas universidades aos spin-offs academicos em duas fases de desenvolvimento. Por meio da analise conduzida, pode-se inferir que as universidades estudadas, independente da forma de financiamento, colocam-se em posicao de passividade quanto aos seus spin-offs. Desse modo, ainda que limitada pela validacao externa (Yin, 2015) esta pesquisa aponta, como implicacao pratica, a necessidade de conscientizar as universidades sobre a importancia do estimulo ao empreendedorismo e do suporte da universidade aos primeiros anos do spin-off, que sao os mais criticos para a empresa (Ndonzuau et al., 2002). Como implicacao gerencial, indica-se que essa conscientizacao deve basear-se nos fatores apontados pela literatura como estimulantes para a geracao de spin-offs por parte da universidade, sendo eles: politicas proprias, criacao de um contexto que facilite a inovacao, desenvolvimento de pesquisas de excelencia e de um laboratorio de transferencia de tecnologia (Ramaciotti & Rizzo, 2014). Assim, sugere-se que as universidades contribuam de forma mais ativa com a transferencia de tecnologia (Gubeli & Doloreux, 2005), desenvolvimento economico (Bathelt, Kogler, & Munro, 2010; O'Shea, Chugh, & Allen, 2008; Soetanto & Van Geenhuizen, 2015; Vincett, 2010) e geracao de empregos (Carayannis et al., 1998; Perez & Sanchez, 2003; Steffensen et al., 2000; Walter et al., 2006) propiciados pelos spin-offs. Sugere-se ainda que futuros estudos envolvam um maior numero de casos abordados, incluindo mais empresas nas fases de early e later stage, de diferentes universidades, com o intuito de enriquecer a analise.

DOI: http://dx.doi.org/10.21529/RECADM.2019005

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Recebido em: 09/12/2017

Aprovado em: 30/05/2018

Ultima Modificacao: 02/10/2018

Cibele Lopes Souto Maior-Cabanne (iD), Programa de Pos-Graduacao em Administracao, Universidade Federal de Sergipe, Brasil.

Mestre em Administracao pela Universidade Federal de Sergipe, Brasil.

cibelelsmc@gmail.com

Xenia L'amour Campos Oliveira (iD), Curso de Administracao, Faculdade Mauricio de Nassau, Brasil.

Mestre em Administracao pela Universidade Federal de Sergipe, Brasil.

xenia.lco@gmail.com

Rivanda Meira Teixeira (iD), Programa de Pos-Graduacao em Administracao da Universidade Federal do Parana, Brasil.

Doutora em Administracao pela Cranfield University, Inglaterra.

rivandateixeira@gmail.com
Quadro 01: Obstaculos ao Crescimento

Relacionados       Especificacao

Mercado            Conhecimentos em Marketing; Habilidades em
                   vendas; Estabelecimento de uma base de clientes
Gestao             Incertezas com as quais deve-se lidar;
                   Gerenciamento (overload)
Financas           Fluxo de caixa, Capital de investimento;
                   Investimentos em pesquisa e desenvolvimento
Estrutura Fisica   Acomodacao, Infraestrutura; Distancia (dos
                   fornecedores, mercados etc.)
Governo            Regulacao, burocracia

Fonte: Adaptado de Van Geenhuizen e Soetanto (2009).

Quadro 02: Caracteristicas das empresas estudadas

Empresa      Socios      Fase       Inicio        Atuacao

Avatar B2B     2      Early stage    2014     Tecnologia da
                                                Informacao
Lumentech      1      Later stage    2004    Jogos eletronicos

Empresa      Universidade   Incubadora

Avatar B2B     Publica      SergipeTec

Lumentech      Privada         ITEC

Fonte: Elaborado pelos autores (2017).

Quadro 03: Categorias analiticas e elementos de analise

Categorias de analise      Elementos de analise

                           Early stage: compreende os spinoffs
                           criados ha quatro anos ou menos (Van
                           Geenhuizen & Soetanto, 2009).

Fases de desenvolvimento   Later stage: abrange os spinoffs com
                           mais de quatro anos de criacao. Apos
                           esse tempo, o numero de obstaculos ao
                           crescimento diminui consideravelmente
                           (Van Geenhuizen & Soetanto, 2009).

                           Disponibilizacao de disciplinas
                           voltadas ao empreendedorismo (Harkema
                           & Schout, 2008; Bernstein &
                           Carayannis, 2012; Mueller, 2011)

                           Realizacao de eventos (Luz, 2012)

                           Disponibilizacao de infraestrutura:
                           laboratorios, equipamentos
                           (Steffensen et al, 2000; Landry et
                           al, 2006) Incubadora (O'Shea et al.,
                           2005; Rothaermel & Thursby, 2005;
                           Berbegal-Mirabent et al., 2015;
                           Borges et al., 2017)

Formas de apoio da         Network fornecido pela universidade
universidade               (Nicolaou & Birley, 2003; Bailetti,
                           2011) Apoio dos alunos (Bailetti,
                           2011; Mueller, 2011)

                           Contato com os professores (Fini et
                           al., 2009; Mueller, 2011)

                           Obtencao de recursos financeiros
                           (Ndonzuau et al, 2002; Fini et al.,
                           2009)

                           Patente (Clarysse et al., 2011;
                           Berbegal-Mirabent et al., 2015;
                           Borges et al., 2017)

                           Diferenca entre universidade publica
                           e universidade privada (Siegel,
                           Waldman, & Link, 2003; Belenzon &
                           Schankerman, 2007;)

Fonte: Elaborado pelos autores com base na revisao da
literatura (2017).

Quadro 04: Apoio prestado pelas universidades aos
spin-offs academicos no early-stage

Apoio                Avatar B2B               Lumentech

Motivacao para       Identificacao de uma     Identificacao de uma
criacao da empresa   oportunidade, apartir    oportunidade, a partir
                     da possibilidade de      do lancamento do
                     desenvolver uma          edital de selecao da
                     inovacao.                incubadora da
                                              universidade.

Incubadora           Auxiliou a empresa em    Auxiliou a empresa em
                     seu processo de          seu processo de
                     criacao,                 criacao,
                     disponibilizando         disponibilizando
                     estrutura fisica e       estrutura fisica e
                     fornecendo contatos      fornecendo contatos
                     com outras empresas,     com outras empresas,
                     alem de cursos de        alem de cursos de
                     capacitacao.             capacitacao.

Contato com os       Possibilitou a           Aconteceu apenas com
professores          elaboracao de projetos   um professor, o
                     da empresa.              coordenador da
                                              incubadora.

Oferta de            Nao foram ofertadas      Nao foram ofertadas
disciplinas de       disciplinas              disciplinas
empreendedorismo     relacionadas a           relacionadas a
                     tematica durante o       tematica.
                     curso de graduacao do
                     empreendedor, somente
                     no curso de mestrado.

Apoio dos alunos     Nao buscou a             Nao buscou a
                     participacao de          participacao de
                     alunos.                  alunos.

Disponibilizar       Auxiliaram a empresa     Foi crucial para a
infraestrutura:      em sua fase inicial.     empresa, apos sua
laboratorios,                                 criacao e ate sua
equipamentos                                  saida da incubadora.

Auxilio para         O auxilio do corpo       A universidade
recursos externos,   docente da               participou de maneira
acesso a             universidade foi mais    mais ativa e forneceu
consumidores,        determinante.            ajuda profissional aos
parceiros e                                   empreendedores.
investidores

Fonte: Elaborado pelas autoras (2017).

Quadro 05: Apoio prestado pelas universidades aos spin-offs
academicos no later-stage

Apoio             Avatar B2B                 Lumentech

Participacao      Nao participa do momento   Nao participa do
da universidade   atual da empresa.          momento atual da
                                             empresa.

Incubadora        Ainda esta na incubadora.  Ja deixou a incubadora.

Redes de          Busca seus contatos de     Fez uso dos contatos da
contato           forma autonoma desde o     incubadora e atualmente
                  momento de criacao ate o   busca seus contatos por
                  presente                   conta propria.

Patente           Nao possui patentes ate    Nao possui patentes ate
                  o momento, mas pretende    o momento e nao
                  proteger os ativos da      considera registrar os
                  empresa no futuro.         produtos da empresa.

Diferenca entre   O empreendedor acredita    O empreendedor acredita
o apoio da        que a universidade         que a universidade
universidade      publica se preocupa mais   publica estimula os
publica e da      com as empresas,           alunos a pesquisar e
universidade      enquanto a instituicao     que pode levar os
privada           privada esta mais          estudantes a
                  preocupada em formar os    identificar
                  estudantes.                oportunidades
                                             inovadoras e lucrativas.

Fonte: Elaborado pelas autoras (2017).
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Article Details
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Author:Maior-Cabanne, Cibele Lopes Souto; Oliveira, Xenia L'amour Campos; Teixeira, Rivanda Meira
Publication:Revista Eletronica de Ciencia Administrativa
Date:Jan 1, 2019
Words:11766
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