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Uma cidade a beira-mar: o Rio de Janeiro no cenario da Guerra de Sucessao.

Extasiei-me ao saber de todas as circunstAncias de vosso empreendimento na cidade do Rio de Janeiro, e nao ha nada que acrescentar a conduta e coragem com que alcancastes vossos intentos; nao ha na Historia quem rivalize convosco em firmeza de espirito e de coracao

Carta de Andre Hercule a Rene Duguay-Trouin O Corsario (Bom Texto, 2002), p. 18.

OS ATAQUES CORSARIOS que a cidade do Rio de Janeiro conheceu em 1710 e 1711 sao um exemplo cabal de como o cenario de violencia nos mares, dos inicios de setecentos, nao se limitou unicamente a assaltos a navios singulares ou as frotas, preferencialmente durante a torna-viagem, quando se encontravam carregados de produtos coloniais valiosos. Teve igualmente consequencias nos portos coloniais maritimos e no comercio a escala global. Os oceanos tornaram-se palcos internacionais de accoes de pilhagem e corso, mostrando-se assim como o espaco maritimo e o controlo das rotas comerciais internacionais tinham uma importAncia decisiva na politica e na geo-estrategia europeias (2).

Um dos cenarios privilegiados destes conflitos foi a costa americana e o Atlantico Sul. Neste Ambito, os ataques ao Rio de Janeiro sao considerados como dos episodios mais notaveis da Guerra de Sucessao. E tambem dos mais lesivos a coroa portuguesa. Refletem, primeiro que tudo, o reconhecimento da Europa pela crescente ascencao do Rio de Janeiro como porto escoador do ouro proveniente das Minas. Mas demonstraram tambem, de forma clara, como as decisoes de alta politica tomadas na Europa se repercutiam nas periferias imperiais. Nesse sentido, os assaltos de Du Clerc e DuguayTroin podem ganhar uma outra dimensao se nao forem entendidos por si so, mas enquadrados num Ambito mais abrangente, como e o constituido pelos ataques direccionados aos portos portugueses no Atlantico Sul.

1. Imperios em guerra nas aguas atlanticas: antagonismos em cenario americano

O enquadramento destes ataques foi, a nivel internacional, o da Guerra de Sucessao de Espanha (1701-1715), despoletada com a morte de Carlos II, o Enfeiticado, (1655-1700) sem deixar herdeiros e o conflito de dimensoes internacionais que lhe foi subsequente. O problema causado pela substituicao da Casa de Habsburgo pela Casa de Bourbon no trono espanhol nao foi apenas um problema civil interno ou uma mera mudanca dinastica, mas tornou-se numa grande conflagracao europeia com consequencias politicas e economicas a nivel global.

O alinhamento das monarquias europeias era claro, com Felipe de Bourbon a contar com o apoio da Franca de Luis XIV e com a oposicao de Inglaterra, Holanda, Portugal (que integrou a Grande Alianca a partir de 1703 (3)), do Imperio Austriaco e do partido espanhol apoiante do arquiduque Carlos de Habsburgo (4). No continente europeu eram inequivocos os palcos da guerra, com os exercitos das varias faccoes a confrontarem-se nos campos do Norte de Italia, dos Paises Baixos e do litoral espanhol ou na fronteira com Portugal e na area do Alto Reno e do Danubio.

Mas este conflito saiu, de modo notorio, dos palcos continentais europeus para se desenrolar nos mares e nos dominios imperiais alem-mar, sobretudo nos que eram mais interessantes pela sua riqueza, uma riqueza originada pela natureza e pelas producoes naturais. Reconhecia-se assim que os territorios ultramarinos eram decisivos no equilibrio das forcas europeias e adquiriam um peso cada vez maior nos jogos politicos, economicos e militares das grandes potencias (5).

Neste cenario, a America nao podia ficar a margem do processo belico que envolvia as casas reinantes da Europa. Em dominios coloniais americanos, o conflito dinastico manifestava-se nos confrontos militares e nas divergencias politicas que ocorreram entre as faccoes apoiantes dos dois pretendentes espanhois, Felipe de Borbon e o arquiduque Carlos, em varios pontos pontos do Imperio Hispano-Americano. Neste contexto, espanhois e franceses invadiram territorios ate entao ocupados pelos portugueses na America. Os franceses pretenderam expandir os territorios da Guiana Francesa em direccao do rio Amazonas, e os espanhois reclamaram a posse da Colonia do Sacramento, enclave portugues localizado nas margens do rio da Prata, que permitia o contrabando da prata do Potosi (6). De igual modo, a viagem do engenheiro-militar ao servico de Luis XIV, Amedee Francois Frezier, aos mares do Sul, ocorrida entre 1712 e 14, pode considerar-se como uma missao de reconhecimento e preparacao de uma hipotetica invasao francesa a territorio hispano-americano (7).

Um outro local onde o conflito teve particular impacto foi em Cuba, simultaneamente uma escala estrategica para os navios espanhois que iniciavam a torna-viagem a partir do Golfo do Mexico, uma importante base naval francesa no mar das Caraibas e um alvo da vigilancia permanente das forcas navais e da espionagem britanicos. Nas ruas de La Habana grupos partidarios antagonicos, por vezes instigados por agentes secretos ingleses apoiantes do arquiduque Carlos, defrontaram-se violentamente, ao ponto de, tal como foi salientado por Sigfrido Vazquez Cienfuegos, serem detonantes do esboco de um primeiro processo independentista em Cuba (8). Este mesmo autor refere que o avolumar da tensao social na ilha se traduziu ainda no embargo efectuado aos bens de residentes ingleses e de portugueses ligados ao asiento. Tal como se traduziu tambem em manifestacoes de desafecto em relacao aos franceses, uma vez que a simpatia dos cubanos pelos seus aliados nao teria aumentado durante o periodo da guerra. De facto, os marinheiros franceses estacionarios em Cuba eram alvo particular de insultos e agressoes por parte da populacao (9).

A Guerra de Sucessao, um conflito a escala global, manifestou-se igualmente nos mares atraves de accoes de pilhagem e corso, movidas sobretudo pelas forcas navais dominantes no periodo: a Franca e a Inglaterra. O reconhecimento da debilidade das marinhas de guerra iberica, que, por exemplo, tinha levado Felipe V a pedir a proteccao das esquadras francesas em relacao ao trafico americano e tinha posto Portugal na dependencia das marinhas de guerra inglesa e holandesa para escoltar as frotas ou defender os portos africanos, dava azo a que a Franca e a Inglaterra aproveitassem em seu favor a violencia nos mares (10).

A dinamica deste processo belico direccionava-se para o controlo do comercio internacional e da circulacao de mercadorias coloniais, especialmente dos metais preciosos americanos, com as actividades de corso a serem tacticas legitimamente usadas nos confrontos surgidos nas aguas atlanticas (11). A guerra tornava licito e toleravel o corso, transformando a pirataria numa actividade legal se fosse exercida com o aval dos Estados (12). E piratas e flibusteiros ate entao temidos, como Jean-Baptiste Du-Casse (1646-1715) (13) Jacques Cassard (1679-1740) (14) ou Rene Duguay-Trouin (1673-1736) (15), tornavam-se em corsarios e herois nacionais, homenageados em cancoes de marinheiros e agraciados com titulos de nobreza pelos monarcas, e eram alvo de Eloges a par de figuras tao notaveis como o filosofo Rene Descartes ou como o politico Maximilien de Bethune, duque de Sully (16).

Tanto a prata do Potosi e do Mexico como o ouro do Brasil eram produtos coloniais que concentravam grandes valores em volume reduzido. Os assaltos aos navios portugueses ou espanhois nas viagens de regresso a Europa, carregados com produtos ultramarinos de grande valor, como os metais preciosos, mas tambem acucar, cacau, tabaco, madeiras, couros, especiarias, tornavam-se numa actividade altamente compensadora e legal, exercida tanto por franceses como por ingleses, que assim encontravam uma forma de financiar a guerra e de proporcionar lucros avultados a armadores e patrocinadores de expedicoes corsarias, como os de Saint-Malo, La Rochelle, Dunquerque e Brest.

Durante a Guerra de Sucessao este segmento dos conflitos ligados ao corso foi particularmente visivel no Mar das Caraibas e no Mar dos Acores. O trafico maritimo hispano-americano era alvo do corso britanico, que actuava, de forma sistematica, em todas as Antilhas (17). Por seu turno, as frotas do Brasil e do Indico, ainda que escoltadas por vasos de guerra, alguns deles pertencentes a Marinha britanica, sofriam os ataques corsarios franceses no trecho compreendido entre os Acores e o porto de Lisboa (18). Incidiam particularmente sobre os locais que eram escala das frotas coloniais, como era o caso da ilha de Sao Jorge, nos Acores, que, em 1708, teve as vilas de Velas e Calheta saqueadas por 8 navios franceses e 500 homens comandados por DuguayTrouin. Este tinha a ambicao suprema de atacar a frota que vinha do Brasil e que, inevitavelmente aportaria ao arquipelago para abastecimento, eventual reparo e para receber a proteccao da escolta enviada do reino (19).

Perante as noticias da presenca de corsarios proximo da costa brasileira ou no mar dos Acores, os navios que saiam das cidades portuarias brasileiras viam as datas das partidas alteradas e as rotas que percorriam tornarem-se cada vez mais inseguras. Estas ameacas atrasavam por varios meses a saida de navios singulares do Rio de Janeiro, da Baia e de Pernambuco, que esperavam a partida das frotas para se incorporarem e fazerem uma travessia oceanica mais segura. Mas, mesmo seguindo em conserva (20), as embarcacoes de grandes dimensoes, carregadas e com pouca manobrabilidade, afastadas da frota pelas mais variadas razoes, nao deixavam de ser perseguidas e por vezes capturadas pelas forcas corsarias. Conforme informava Jose da Cunha Brochado, os corsarios francos rondavam as frotas do Brasil na torna-viagem, esperando as naus carregadas de produtos coloniais, entre eles o ouro que era transportado pelas embarcacoes originarias do Rio de Janeiro em quantidade consideravel (21) Estas ameacas eram reais e temidas, tal como o comprovam os ataques fracassados de Duguay-Troin as frotas do Brasil durante os anos de 1706, 1707 e 1708 (22). Contudo, nao deixa de ser interessante constatar que as perseguicoes terminavam a entrada do porto de Lisboa, cuja entrada era defendida pelos fortes de Sao Juliao e do Bugio e pelo estuario caudaloso do Tejo, que atirava os navios sem pilotos conhecedores da barra para os Cachopos, conhecidos por Duguay-Trouin como Arcathopes (23).

Os barcos carregados de produtos ultramarinos, entre eles o ouro, eram ansiosamente aguardados nao apenas pelos franceses, mas tambem pela populacao lisboeta que se preparava para a guerra e via os precos dos alimentos sumamente inflacionados (24). Os valores de generos alimentares, como o pao, o vinho e a carne, so viriam a estabilizar-se com a paz, negociada pelos Tratados de Utrecht (25)

Neste cenario Atlantico-americano da Guerra de Sucessao, o que estava em jogo era o comercio relacionado com o Brasil, produtor de materias-primas imprescindiveis aos europeus e consumidor de manufacturas europeias, bem como o controlo das vias e dos portos maritimos por onde estes produtos circulavam.

Em aguas atlanticas a estrategia usada foi menos a dos confrontos de grandes massas militares em campos de batalha, como acontecia na Europa. Traduziu-se sobretudo na luta pelo dominio das rotas maritimas e de portos com valor estrategico. Portanto, se a Guerra de Sucessao era uma guerra das mais nobres, ela nao teve as mesmas caracteristicas em todo o lado (26). Enquanto na Europa os choques entre exercitos inimigos, como as batalhas de Almansa ou Blenheim e a grande batalha naval de Vigo, foram decisivos para a vitoria de Felipe de Anjou, no Atlantico esta guerra caracterizou-se pelos assaltos a navios transportadores de produtos ultramarinos e ainda pela conquista, pilhagem e destruicao de enclaves portuarios com expressao nos circuitos comerciais maritimos que ligavam ambas as margens do Atlantico Sul.

No periodo anterior a deflagracao da guerra, as embarcacoes em transito para o Indico, para o Pacifico ou os navios que regressavam a Europa, buscavam portos julgados seguros nas costas da America. Cidades portuarias, como La Habana ou o Rio de Janeiro eram, pela sua situacao geo-estrategica e economica, escalas quase obrigatorias em rotas de navegacao prioritarias que se desenhavam a uma escala global. "Le Bresil est une terre d'escale sur cette longue route, une terre de contrebande pendant la guerre qui offre un champs de choix a la course maritime, avivee par la soif de l'or dont l'exploitation s'engage: la prise et le sac de Rio en 1711 par Duguay-Troin en sont un bel exemple" (27). Detentoras de uma visao integrada do significado que os portos americanos detinham enquanto acesso ao mercado colonial brasileiro e escala nas longas travessias do Atlantico, a Franca e a Inglaterra vao rivalizar por uma alianca com Portugal. Este problema ficaria solucionado em 1703, quando D. Pedro II aderiu, de forma que se viria a mostrar irrevogavel, a Grande Alianca (28).

Importa ainda lembrar que o periodo da Guerra de Sucessao coincidiu igualmente com uma acentuacao do peso comercial e politico do Rio de Janeiro. A complexificacao das funcoes da cidade como porto de escoamento e de redistribuicao associado ao ouro das minas fez com que a urbe fosse adquirindo, ao longo da primeira metade de setecentos, uma notoriedade cada vez maior, sobrepondo-se a Salvador como principal polo mercantil da America Portuguesa e tornando-se, ja em 1763, no centro institucional da America Portuguesa. Ora e uma conjugacao de factores, de que o mais significativo sera, sem duvida, o reconhecimento desta preponderancia ligada ao ouro que explica, em parte, a escolha da cidade como alvo dos ataques de Du Clerc e Duguay-Troin.

Este e um outro factor que parece relevante quando se considera os ataques corsarios franceses a cidade do Rio de Janeiro. Um factor que esta relacionado com o desenvolvimento interno da cidade-portuaria nas suas relacoes tanto com o hinterland, como com o foreland. O crescimento urbano e a complexificacao e ampliacao das redes que a cidade estabeleceu com o sertao despoletaram numa serie de mudancas. Estas eram, simultaneamente, uma expressao do reconhecimento por parte da metropole do aumento de poder politico, economico, social detido pela cidade colonial e um elemento adicionador de mais poder e prestigio a um dos centros estruturante do Imperio Portugues no Atlantico Sul.

Este reconhecimento esta presente, por exemplo, na posicao central da cidade e da capitania do Rio de Janeiro como elemento dinamizador e fornecedor de recursos materiais e humanos ao "empreendimento de territorializacao" da vasta area centro-sul do Brasil. De igual modo, encontra-se implicito na elevacao do Rio a bispado pela bula " Romani Pontificis pastoralis sollicitudo", concedida por Inocencio XI em 1676. Por esta bula atribuia-se a recem-criada diocese a jurisdicao "usque ad Flumen de Prata" (29).

Mas esta reflectido tambem, ao nivel da politica interna portuguesa, na nomeacao de Artur de Sa e Meneses como o primeiro governador com a graduacao de capitao-general e com jurisdicao sobre as Minas. Sa e Meneses ira obter no ano subsequente a sua nomeacao a subordinacao da capitania de Sao Paulo e, em 1699, a sujeicao da Colonia de Sacramento (30). A carta regia de 10 de Dezembro de 1701, que confirmava que os territorios e capitanias a sul (incluindo Sao Vicente, Sao Paulo, Santos e as minas recem-descobertas) permaneciam subordinadas ao governo do Rio de Janeiro, confluia "naquilo que constituiu mais um sinal de preponderancia politica, mas tambem mercantil, dessa cidade portuaria" (31).

Entao, a descoberta do ouro das minas veio fortalecer ainda mais a accao centrifuga do Rio de Janeiro, que desta forma se tornava num polo de atraccao dos caminhos do sertao. O hinterland carioca concorria para reforcar o estatuto de praca comercial e maritima detido pelo Rio setecentista. O novo seculo e a nova fase conferiam a cidade nao so "uma maior importancia e centralidade na America portuguesa", como contribuiam para reforcar o seu papel como area estrategica para o Imperio Portugues (32).

A afluencia do ouro atraves do Caminho Velho (com a extensao Paraty-Rio de Janeiro a fazer-se por via maritima) e do Caminho Novo (que se constroi nesta altura) iniciou um periodo de intensa prosperidade, ao longo do qual se assiste a ascencao do porto carioca como epicentro dum imenso sistema portuario Atlantico onde confluiam as mais variadas rotas maritimas e terrestres. Em suma, o Rio tornava-se numa cidade portuaria detentora dum hinterland vastissimo, que abrangia as minas produtoras de ouro e um sertao fornecedor de produtos tao essenciais para financiar as transaccoes de escravos kongoleses e angolanos, como o arroz, o milho, a mandioca, os couros ou a geribita; e dum foreland que se estendia ate ao outro lado do Atlantico, aos portos abastecedores de escravos (33).

As profundas transformacoes sentidas na cidade reflectem-se ainda na constituicao de um grupo mercantil, autonomo tanto em relacao a elite agraria carioca como aos mercadores da praca de Lisboa. Esta elite viu a sua autonomia fortalecer-se com o comercio das Minas e o comercio Atlantico, devido ao papel que tinha na articulacao e redistribuicao de produtos entre as regioes auriferas e os portos de Africa Ocidental (34).

Parece-me ainda que esta reflexao nao pode deixar de considerar que as mudancas sentidas no Rio setecentista a um nivel institucional, economico ou social teriam necessariamente eco na Europa, difundidas atraves da literatura de viagens ou dos relatos de viajantes e marinheiros que, por esta altura, visitavam a cidade, como Francois Froger em 1695, o anonimo autor do Journal de voyage do navio L'Aigle em 1702, ou o alemao Jonas Finck em 1711, no momento preciso em que a cidade se encontrava sob o ataque de Duguay-Troin (35). Muitas destas alteracoes relatadas pelos viajantes estavam relacionadas com a reproducao de modelos simbolicos e culturais europeus em espacos extra-europeus e deixavam marcas visiveis na vida urbana (36): na fisionomia de igrejas, palacios e casas, que se tornavam mais imponentes; na afluencia das gentes a urbe e, consequentemente, no aumento demografico da populacao; na prosperidade dos moradores e dos seus escravos, visivel nos trajes, joias, mobiliario das casas, meios de transporte; no dinamismo das actividades quotidianas e na comercializacao de mercadorias das mais variadas partes do mundo; no movimento portuario. Ora as manifestacoes externas de riqueza e desafogo economico da cidade e dos seus habitantes nao podiam passar despercebidas aos olhares europeus, sobretudo numa altura de guerra.

2. Os ataques de Jean Francois Duclerc e Rene Duguay-Trouin ao Rio de Janeiro

O reconhecimento internacional da importancia da cidade, particularmente no que diz respeito ao seu papel como porto escoador do ouro das Minas Gerais, traduz-se entao, nestes inicios de setecentos, nos dois ataques desferidos por corsarios franceses (37). Em dois anos consecutivos, Jean Francois Duclerc, a frente de seis embarcacoes e 1500 homens, e Rene Duguay-Trouin, apoiado simultaneamente pelo poder real e por financeiros privados, comandando uma frota constituida por 17 navios e 5000 homens, atacaram o principal ponto exportador de ouro brasileiro, receptor de escravos e mercadorias europeias e asiaticas, polo de escoamento das riquezas coloniais e, assim, reputada como "uma das pedras mais preciosas que ornam a coroa de Vossa Majestade" (38).

O saque feito a cidade foi considerado pequeno por Duguay-Trouin, sobretudo quando comparado com os prejuizos sofridos pelos portugueses, "tanto pelo resgate que lhes forcei a pagar [pela devolucao da cidade] quanto pela perda de quatro naus, duas fragatas de guerra e mais de sessenta navios mercantes, alem da prodigiosa quantidade de mercadorias queimadas, pilhadas ou embarcadas em nossos vasos" (39).

As fontes que narram o episodio dao conta do entusiasmo vibrante de individuos que, enfrentando a inclemencia de mares e tempestades que partiam mastros e afundavam navios, ou a calmaria de ventos que retardavam viagens, conduziam a escassez e deterioracao de agua e alimentos e propiciavam o aparecimento de doencas, como o escorbuto, saiam da sua patria "para arrancar, no Novo Mundo, riquezas que ele entrega a maos indignas de guarda-las" (40).

Estes relatos sao, de igual modo, prolixos na descricao dos ardis e das estrategias, da sorte e do acaso ou da planificacao meticulosa, para que dos confrontos e ataques uns saissem vivos, vitoriosos, honrados, ricos e os outros mortos, feridos, derrotados, humilhados, arruinados. E esta relacao triunfal que se desenvolve tanto por portugueses como por franceses na exaltacao da sua propria gloria e bravura, em narrativas como as de Du Plessis Parscau, Duguay-Trouin, Chancel de Lagrange ou ainda, e como contraponto as primeiras, da Relacam da vitoria que os portuguezes alcancarao no Rio de Janeyro contra os Francezes, em 19 de Setembro de 1710. Sao estes espisodios da historia militar que normalmente ocupam um lugar central na obra de historiadores, que dao conta, de modo muito claro, do contraste existente entre duas formas de combate e dois tipos de combatentes. Por um lado, uns--os franceses--adaptados as guerras continentais europeias e aos combates no mar, organizados hierarquicamente em brigadas, batalhoes, companhias, regimentos e com treino profissional, e outros--os luso-brasileiros--habituados a tirar partido de "hum pais cortado com desfiladeyros & serras altissimas (...), de huma Cidade forte & defendida por gente bem disciplinada (...), de praticos do pais, com pequenas partidas, a embaracarlhes o caminho & martarlhe a gente que pudessem nos passos estreytos" (41).

Estas fontes, e os acontecimentos que elas relatam, foram recentemente publicadas em colectaneas editadas por Jean-Marcel Carvalho Franca (42), que pretendeu tornar acessivel a um publico interessado e esclarecido a leitura das representacoes do Rio de Janeiro atraves de um outro olhar--o dos viajantes europeus nao-lusitanos--, editando uma colectanea em dois volumes com os textos produzidos durante as viagens realizadas desde o seculo XVI ate XIX.

Na colectanea Outras visoes do Rio de Janeiro. Antologia de textos (1582-1808), Carvalho Franca publicou extractos dos relatos de Rene Duguay-Trouin (editado integralmente no livro O Corsario. Uma invasao francesa no Rio de Janeiro. Diario de Bordo (43)), do guarda-marinha Guillaume Francois de Parscau (publicado integralmente na RIHCB (vol. 176, 1941, p. 95 com traducao do comandante Adalberto Rechsteiner), do primeiro-tenente Louis Chancel de Lagrange (publicado integralmente na RiHCB, vol. 270, 1966, p. 3, com traducao e comentarios do Almirante Mario Ferreira Franca) e de Joseph Collet.

Depois de enquadrar sucintamente os relatos num quadro de crise da marinha de guerra francesa, os ataques ao Rio de Janeiro por Duclerc e Duguay-Trouin aparecem justificados como uma estrategia incrementada por Luis XIV para ocupar uma multidao de marinheiros, trabalhadores dos portos franceses e soldados ociosos e com salarios em atraso (44). A solucao encontrada foi a concessao da permissao real a particulares para que armassem navios e, munidos de "cartas de corso" investissem contra embarcacoes e colonias estrangeiras: "Foi, pois, aos corsarios que Sua Majestade Cristianissima apelou para tentar salvar da ruina a sua combalida Marinha" (45).

Uma historiadora que tem estudado, com base em informacao inedita, a presenca de franceses no litoral brasileiro, desde o seculo XVI, e Maria Fernanda Bicalho (46). Os individuos estudados por Bicalho aparecem envolvidos no trafico comercial e no "contrabando" de informacoes ou protagonizando accoes de corso e pirataria que geravam medo-panico entre a populacao colonial. Esta autora considera que os franceses residentes em territorio colonial ou, entao, os que tocavam os portos--e, consequentemente, os observavam e descreviam--eram dos principais fornecedores de informacao actualizada--"um conhecimento acumulado e constantemente corrigido de acordo com novas observacoes e descobertas"--sobre o Brasil, as costas, os portos, as cidades, a defesa, o comercio, a administracao, a sociedade e os usos e costumes, tanto sob a forma de textos (relatos, diarios de bordo, roteiros, cartas), como de informacao visual (debuchos, mapas, vistas).

Maria Fernanda Bicalho aponta para a importancia que este tipo de informacao teve na planificacao dos ataques dos corsarios franceses a cidade do Rio de Janeiro, destacando particularmente o caso de Ambrosio Jauffret, marselhes que viveu em Sao Paulo por 30 anos e autor de uma Memoire et projet pour enlever Riojaneiro e de um detalhado mapa da cidade (publicados por Andree Mansuy) que foram enviados ao ministro da Marinha, conde de Pontchartrain; e de Marre de Caen, comandante do navio Aigle, que teria sondado a baia da Guanabara por varias vezes e seria autor de um mapa muito preciso sobre esta regiao do litoral brasileiro. Os dois sao considerados por Bicalho como as principais fontes de informacao de Duguay-Trouin na planificacao do ataque e invasao da cidade do Rio de Janeiro (47).

Apesar de nao se deter com pormenor particular nas duas expedicoes, Bicalho tem um especial cuidado a contextualizar os ataques ao Rio de Janeiro no ambito do dificil equilibrio europeu que marca os inicios de Setecentos, afectado pela Guerra de Sucessao Espanhola e pela concorrencia franco-britanica, bem como pela concorrencia colonial gerada no Atlantico Sul, amplamente espelhada no deflagramento de numerosas accoes de corso.

Numa tentativa de "abrir novos pontos de vista e dar novas respostas a velhas perguntas", Ricardo Vieira Martins e Carlos Alberto Lombardi Filgueiras analisam o que denominam de "terceira invasao francesa"--o ataque sob comando de Duguay-Trouin em 1711--com base no encadeado factologico que lhes e fornecido por uma solida bibliografia secundaria (Jacques Marcade, Rui Bebiano, Manuel Monteiro, Paulo Knauss, Bicalho), bem como na cartografia historica e iconografia nela presente (48). Para alem de considerarem o assassinato de Duclerc como um mero pretexto para Duguay-Trouin atacar a cidade e de ponderarem que esta ofensiva materializava uma antiga ambicao da rica burguesia francesa em relacao a colonia brasileira e ao seu comercio, os autores do artigo referem que os ataques corsarios eram fruto de um longo planeamento da coroa francesa--, bem como do notorio interesse de Luis XIV pelo Brasil, um interesse que tinha levado o rei a financiar algumas viagens para conhecer e mapear o litoral brasileiro, de que e exemplo a expedicao comandada por Jean Baptiste de Gennes em 1695, 96 e 97 rumo aos mares do Sul, registada por Froger.

Apesar de referir a importancia da informacao anteriormente produzida, entre outros, por Gennes, na planificacao de ataques corsarios, Martins e Filgueiras nao exploram totalmente as potencialidades dadas pelos registos produzidos pelos hidrografos franceses do litoral brasileiro. Era este o caso do escrito por Amedee Francois Frezier, o ja mencionado jovem e promissor engenheiro-matematico ao servico de Luis XIV, que, disfarcado de mercador com interesses na comunidade comercial sul-americana, percorreu livremente territorio hispano-americano e produziu uma descricao e um registo cartografico da ilha de Santa Catarina em 1712 (49); ou do igualmente referido Froger que, com formacao em desenho e matematica, conhecedor da historia das nacoes e das relacoes de viagens ate entao produzidas, descreve a Baia e o Rio de Janeiro atraves de informacao textual, cartografica e iconografica, destinada a dar informacoes uteis aquela que considerava ser a "mais poderosa monarquia do mundo," a Franca (50).

Neste enunciado parcelar da producao historiografica sobre os ataques corsarios ao Rio de Janeiro, importa ainda mencionar uma outra autora: Luzia da Conceicao Ruivo Seromenho que, em dissertacao de mestrado intitulada Os franceses no Brasil no inicio do seculo XVIII (1700-1715), trata com especial detalhe os ataques franceses de 1710 e 1711, devidamente contextualizados pela panoramica politico-diplomatica europeia (que inevitavelmente ultrapassa as fronteiras do velho continente para se reflectir nos dominios ultramarinos) e integrados no conjunto do Imperio, especialmente no ambito do Atlantico Sul, estabelecendo a comparacao do Brasil com o que ocorria em Sao Tome, Cabo Verde, Guine e Angola (51).

Fazendo uma notavel investigacao de arquivo, Luzia Seromenho da conta da frequencia com que os navios franceses, partindo de Saint-Malo, La Rochelle, Dunquerque ou Brest, tocavam os portos do litoral carioca (e baiano) com objectivos comerciais ou de contrabando e tambem para actividades de pirataria e corso, ou ainda com os ja referidos objectivos geografico-cartograficos de sondagens na costa, mostrando que as expedicoes de Duclerc e Du Gauy-Trouin nao foram episodios singulares da presenca francesa no litoral brasileiro. Para alem de tudo, mostra como as actividades de pilhagem europeia criaram nas populacoes do litoral sentimentos de inseguranca, sobressalto (o terror-panico referido particularmente por Maria Fernanda Bicalho) e de hostilidade para com os estrangeiros.

Secundarizando o encadeado factologico por demais conhecido e dando primazia na sua optica de abordagem a areas como a literatura de viagens, a historia da ciencia e da tecnica ou as redes de informacao e construcao de conhecimento, a maioria dos autores referidos considera um assunto com tanto impacto como e a tomada do Rio de Janeiro por corsarios franceses como algo com importancia excepcional e central na historia do Brasil, capaz de, por si, constituir um objecto autonomo de estudo, muitas vezes em articulacao com acontecimentos relacionados com a Guerra de Sucessao Espanhola. Mas sempre centrando-se no caso brasileiro, desenvolvendo uma perspectiva de analise que e sempre focada na America Portuguesa.

A eleicao do Rio de Janeiro para os ataques corsarios de 1710 e 1711 parece ter tido justificacoes bem claras.

Em primeiro lugar e como ja referimos, a cidade, que incessantemente fora notada pelo encanto da baia em que se implantava e pela fertilidade da terra circundante, tinha-se tornado florescente, nestes inicios do seculo XVIII, com a descoberta das minas de ouro no interior da colonia. Reconhecida como uma das mais belas cidades coloniais, tornara-se tambem numa das mais ricas. Jonas Finck descreve-a como "repleta de ouro e prata" (52). Tal como refere Patricia Seed, "After 1640, Europeans progressively viewed New World peoples and resources as inherently theirs, revenue-producing or strategic pawns on the table of European political chess" (53). Ora neste caso especifico, se a perspectiva dos altos lucros proporcionados pela tomada de uma cidade onde confluiam frotas portuguesas, inglesas, holandesas que transportavam as mais valiosas mercadorias de Portugal, Franca, Inglaterra, Italia, Indias Orientais e Ocidentais, Japao, causava entusiasmo ao soberano frances e aos mercadores de Saint-Malo, Brest e Honfleur, a possibilidade do enriquecimento imediato proporcionado pelo saque e resgate da cidade nao deixava igualmente de seduzir chefes, soldados e marinheiros: "Mr. Du Guay nao desejava outra coisa senao impor um resgate a cidade". Um saque que significou o confisco da carga e a destruicao de inumeros navios mercantes e a pilhagem e destruicao de casas, palacios, conventos--verdadeiros depositos de tudo quanto de mais curioso e precioso havia, proveniente da Europa, China, indias Orientais, Persia, Japao: ouro, prata, pedras preciosas, porcelanas, tapecarias, moveis, lacas, espelhos, cristais, quadros, banquetas, arcas de marfim, madeiras odorificas, vinhos e farinhas; e um resgate que seria estipulado em 615 000 cruzados em ouro, 200 caixas de acucar, 200 cabecas de gado vacum (54).

Em segundo lugar, e no caso de 1711, tera igualmente pesado o desejo de vinganca, devido a "forma cruel" com que Duclerc, os oficiais e tropas francesas prisioneiras teriam sido tratados pelos habitantes do Rio de Janeiro. Duguay-Trouin apresentava-se como designado pelo rei frances para conduzir vitoriosamente os seus navios e tropas e obrigar o governador Francisco de Castro Morais (55) e os moradores a capitularem e obedecerem as suas ordens, a devolverem os prisioneiros de guerra franceses e a pagarem um tributo que era considerado simultaneamente uma punicao e uma compensacao pelo comportamento desumano e cruel dos cariocas face aos derrotados franceses do ataque de 1710, com especial relevo para o assassinato de Du clerc (56).

Em terceiro lugar, podera existir ainda um outro factor a considerar: o facto de os portugueses serem avaliados pelos europeus deste periodo como "gente efeminada e incapaz da menor firmeza (...) sem coragem suficiente para defender com risco da propria vida o que lhes restava para conservar por honra" "pouco zelosos da sua honra e do servico do rei" executores de "tao gentis proezas" e de tao "comicas escaramucas", ocorridas em pleno ataque a cidade, que eram motivo de divertimento e de desdem para os franceses (57).

Jonas Finck, um tipografo alemao que se encontrava na cidade por altura do ataque, corroborava com estas descricoes que apontavam para a falta de valentia dos portugueses, notando que nao obstante o Rio se encontrar com uma extensa e bem equipada tropa constituida por 2 000 marinheiros, 4 000 moradores e 8 000 negros, os habitantes tinham capitulado apos 8 dias de bombardeamentos, deixando a cidade, repleta de ouro e prata, entregue aos inimigos (58).

"Prudentes", "amaveis", "pacificos", "tranquilos", "pouco habeis e corajosos" eram vocabulos que, no cenario dantesco duma guerra como esta que punha em causa a vida dos "luso-brasileiros" a integridade dos seus bens, a independencia da cidade e a honra do Soberano, mais do que interpretados literalmente, so podiam significar percepcoes da cobardia, da frouxidao de caracter, da desorganizacao e da ineficacia tactica e militar portuguesas, bem como a expressao de sentimentos de desprezo e, nalguns casos, de ridiculo: "os inimigos eram demasiado prudentes para provocarem luta. Eles cederam amavelmente o terreno e sem nada tentarem penetraram em um espesso mato de grandes arvores que havia no alto e de onde vinte homens poderiam sem receio enfrentar quatrocentos (...) Soubemos mais tarde que eram mais de cem; e entretanto nao quiseram honrar-nos com um tiro de fuzil sequer, tao pacificos eram" (59). Os "luso-brasileiros" apareciam descritos como individuos que, embora sabendo aproveitar os recursos tacticos que a natureza dava, reforcando-os com edificios de arquitectura militar modernos e eficazes, "eram mais habeis em fortificar-se do que em se defenderem, em fazerem grandes preparativos para a guerra do que em emprega-los, e em guardar o seu ouro e as suas vidas do que em procurar a gloria sob as ruinas de sua patria" (60).

Descricoes fixadas pelas maos ou contadas pela boca de individuos como Du Plessis Parscau, Duguay-Trouin, De Lagrange ou ainda o alemao Jonas Finck, estas que veiculavam aos leitores europeus semelhantes representacoes dos portugueses nos tropicos, dos barbares de Ryo de Janeiro e que consideravam como herois e modelos de comportamento e virtudes a personalidades como Duguay-Troin, eram disseminadas sob forma manuscrita e impressa ou ouvidas na Europa. Mostravam tambem a centralidade do Atlantico nas vidas e nas culturas europeias de entao, bem como o peso detido pelo Brasil na competicao feroz entre imperios coloniais (61).

Algumas destas relacoes constituiam um enorme sucesso editorial, como, por exemplo, as Memoires de monsieur Duguay-Troin, editadas pela primeira vez em 1712 e pela segunda vez em 1730. Rapidamente se tornaram num best seller, conhecendo dezenas de edicoes ao longo do seculo XVIII. Na opiniao de Carvalho Franca, poucas foram as narrativas francesas elaboradas em periodo posterior que dispensaram uma referencia a passagem do "Corsario" pelo Rio de Janeiro (62).

Ora assim sendo, estas obras nao podiam deixar de influenciar nos seus juizos uma "republica das letras" cada vez mais densa, avida de informacoes frescas, exigente quanto a sua credibilidade; nem um publico academico e culto que, de acordo com o espirito da sua epoca, buscava informacoes sobre terras e sociedades longinquas e exoticas; nem governantes e patriotas franceses que se interessavam pelos sucessos dos exercitos franceses alem-mar e buscavam herois nacionais; nem ainda mercadores e comerciantes que pro curavam novos mercados abastecedores e consumidores e novas fontes de materias-primas a uma escala global.

3. Imperios em guerra nas aguas atlanticas: tacticas de destruicao e pilhagem nas duas margens do Atlantico Sul

Nao obstante o que aqui foi referido, e no que diz respeito as invasoes francesas de 1710 e 171, a producao historiografica tradicional conceder particular enfase aos jogos de guerra, ao encarnicamento e a furia de combates, ao furor dos exercitos e aos feitos de valor e coragem, penso que e importante deixar claro que o ataque ao Rio de Janeiro nao foi um feito singular. Pelo contrario, e importante enquadra-lo como um episodio, claramente o mais notavel, de uma serie de ataques que, por esta altura, foram feitos ao espaco imperial portugues, tanto em terra como no Atlantico.

Nao obstante o caracter da guerra corsaria, estes ataques em espaco maritmo tinham clara uma perspectiva de complementaridade economica inter-oceanica e punham a tonica na vitalidade do comercio internacional que ligava Africa Ocidental e America, dinamizado a partir dos nucleos urbanos portuarios. Esta visao integrada de um mundo Atlantico--e as consequencias da presenca europeia a escala global--encontram-se claramente visiveis, por exemplo, em Antoine L. Thomas que, ao fazer a apologia de Duguay-Troin, refere: "Depuis que le Nouveau Monde a ete decouvert, conquis et ravage, il est ebranle par tous les mouvements qui agitent l'Europe; et nous ne pouvons plus etre en guerre aux bords de l'Escault ou du Rhin, sans que le sang coule aux extremites de l'Afrique, de l'Amerique et de l'Asie" (63).

Neste contexto, o ataque ao Rio de Janeiro foi, de longe, o mais relevante. Mas, embora numa escala completamente diferente, podem considerar-se igualmente os ataques a Ribeira Grande, a Sao Tome, a Benguela, ou ainda a forma como os franceses se implantaram na Senegambia. No Atlantico Sul, a tactica parecia ser nao a da conquista e ocupacao territorial com cariz duradouro, mas a de gerar o maior caos e dano entre os inimigos, enfraquecendo-os atraves do saque, do incendio, da destruicao massiva das areas urbanizadas a partir das quais irradiava a colonizacao portuguesa. E, ainda, do sequestro de pessoas e bens (64).

As pilhagens e os resgates proporcionavam lucros imediatos e consideraveis, aos franceses. Mas neste cenario de guerra de corso ha ainda a considerar o impacto causado pela destruicao atraves do fogo ou da polvora, da artilharia pesada ou da minagem e do significado que teria para os portugueses. Nas sociedades coloniais luso-africanas constituidas por pequenos encalves compostos por um numero diminuto de moradores com capacidade defensiva limitada, a destruicao fisica de infra-estruturas nas quais a colonizacao assentava --como era o caso de fortes, casas, plantacoes--, evidenciava sentimentos de vulnerabilidade e medo entre os atacados. A este contexto acresce que as tradicionais aliancas com os povos africanos podiam, por vezes, ser facilmente subvertidas: atraves do aliciamento dos africanos com produtos franceses destinados ao consumo local ou ao comercio regional; da concessao de condicoes comerciais vantajosas dadas pelos franceses no sentido de cooptar a amizade dos africanos; ou, tambem, devido aos maus tratos infligidos pelos portugueses aos seus aliados negros (65).

Nas conquistas ultramarinas em Africa, os primeiros ataques visaram S. Filipe de Benguela, um porto com relevancia no comercio com o Brasil e com ligacoes aos portos de Luango, Sao Tome e Mina. O presidio e a fortaleza, construidos em adobe, foram atacados em Junho de 1705 por quatro naus de alto bordo francesas com artilharia grossa, pertencentes a Compagnie des Indes, e por 1300 homens comandados pelo barao de Palliere (66). Os franceses, com o apoio dos Mondombes (Ndombe), cercaram Benguela sem encontrar resistencia por parte da guarnicao portuguesa, comandada pelo capitaomor Jose Lourenco e composta por cerca de seiscentos portugueses que detinham algumas pecas de artilharia de pequeno calibre e 50 armas de fogo (das quais diziam que apenas 14 estavam em bom estado). O barao de Palliere lancou um ultimatum requisitando alimentos frescos e animais, bem como todo o marfim, ouro, tabaco e acucar que os moradores tivessem, alem de 30 contos a serem pagos pelo resgate de Benguela (67).

Reconhecendo a incapacidade defensiva portuguesa, a maioria dos moradores retirou-se para o mato "porque nao queriam morrer martyres" e abandonou as casas, terras agricolas e bens ao saque e a destruicao franceses (68). A fortificacao e o presidio foram tomados, minados e incendiados e as casas dos moradores foram pilhadas e destruidas. Os ataques lancaram o panico entre as tropas e os moradores da regiao. Este medo foi tambem sentido pelos moradores de Sao Paulo de Assuncao (Luanda).

Na Senegambia, os interesses comerciais franceses tinham-se instalado com a fundacao da Compagnie Royale du Senegal, em 1694. Em Bissau, os negocios e interesses comerciais da Compagnie eram representados por um director-geral, Andre Brue (1654-1738), assistido por Bernard Castaing e Nicolas Le Couteulx, respetivamente comandante e guarda-armazens.

Com as noticias da Guerra de Sucessao e sobretudo da adesao de Portugal a Grande Alianca, as autoridades governativas portuguesas notaram um crescimento da presenca francesa na regiao compreendida entre a Senegambia e o golfo da Guine, bem como uma maior interferencia franca no trafico de escravos. Os franceses pilhavam e queimavam os navios portugueses que circulavam a sul das Canarias, aprisionavam passageiros, capturavam os escravos transportados a bordo e confiscavam as mercadorias. Faziam tambem comercio directo com os habitantes da costa ocidental africana, a quem vendiam fazendas a credito (69).

Gradualmente, esta presenca deixou de ter um caracter meramente comercial e circunscrito a contactos temporarios destinados a troca de tabaco, aguardente e panos transportados pelos franceses, por escravos, marfim e cera produzidos pelos africanos. Os franceses passaram a ter, nestes inicios de Setecentos, pretensoes territoriais efectivas sobre os Rios da Guine, "(...) diziam ser esta terra d El Rey de Franca de annos a esta parte". Estabeleceram-se na costa, fortalecendo a sua presenca particularmente em Bissau, Geba e Cacheu, onde construiram casas "ao modo da terra que me parece nao fazem conta de sahir daqui mais" (70). Em 1707 tinham planos para construir uma fortificacao em Bissau, considerada por Paulo Gomes de Abreu e Lima, capitao-mor de Cacheu, como uma ameaca real ao comercio que os portugueses faziam desde o Cabo Branco ate a Serra Leoa: "(...) e ficarao os portugueses somente com o trabalho de haver descoberto a dita costa para a nacao franceza". Para alem disso, os franceses recusavam-se tambem a pagar os direitos Alfandegarios cobrados pelas autoridades portuguesas, com o argumento de que os "rios da Guine" pertenciam a Luis XIV e que os impostos cobrados eram uma invencao recente dos capitaes-mores de Bissau, de Cacheu e de seus feitores. Revelavam, igualmente, intensoes de atacar quaisquer navios que se dirigissem a costa, caso estes nao fossem franceses (71).

As autoridades governativas portuguesas apontavam que os franceses dominavam o comercio, tanto junto de portugueses moradores, em quem encontravam aliados uteis e cooperantes, como junto das populacoes locais: "(...) e os moradores da terra estam tam metidos com elles que todo o negocio que fazem he para elles e nao reparao ser manifesto ou oculto; e vivem tam acomodados com elles que he mais de muito porque tem a industria de lhes dar a fazenda fiada, que he o que elles querem, e assi tem todo o negocio desta praca e ainda o de Geba e Cacheo" (72).

Em 1709, ou seja, no ano anterior ao assalto de Du Clerc ao Rio de Janeiro, Paulo Gomes Abreu Lima dizia temer um ataque a Cacheu, "(...) aonde estou de continuo com as armas nas maos, esperando todas as horas navios franceses que andam por estas costas tendo roubado o Ilheu de Gambia ja por duas vezes neste ano" (73).

Tambem a vila de Santo Antonio, no Principe, foi tomada, saqueada e destruida pelos franceses em Marco de 1706. Desde Janeiro do ano anterior que navios franceses rondavam as aguas santomenses e tinham apresado um batel carregado com escravos (74). O descontentamento em relacao a actuacao do capitao-mor Manuel de Sousa da Costa tinha feito dos habitantes do Principe aliados dos franceses ou, entao, tinha-os tornado em desertores. Os franceses ocuparam a fortaleza de Santo Antonio da Ponta da Mina e ficaram na posse da vila por 55 dias, tendo cerca de II homens sido vitimas de uma emboscada movida pelos escravos do capitao-mor quando tentavam saquear uma fazenda (75).

Tres anos depois, em 1709, seria a vez de Sao Tome sofrer o ataque de uma esquadra composta por quatro navios franceses fortemente armados e comandados por Mr. Parent, capitulando sem combate as quase inexistentes forcas portuguesas sob o comando do governador Jose Correia de Castro. A cidade foi tomada e ocupada por quase um mes, de 19 de Abril a 15 de Maio. Os habitantes retiraram-se para o interior da ilha, deixando os corsarios queimar e pilhar as habitacoes dos principais moradores e destruir o hospicio e igreja dos Religiosos Descalcos de Santo Agostinho e a igreja de Nossa Senhora do Rosario dos Homens Pretos, retirando-se apenas quando foram vitimados pelas doencas, mas so mediante o pagamento de um resgate avaliado em 40 000 cruzados (76).

Por sua vez, Santiago de Cabo Verde viria a ser assaltada e saqueada em 1712, um ano depois do ataque de Duguay-Trouin ao Rio de Janeiro. A cidade da Ribeira Grande e a vila da Praia foram atacadas pela esquadra comandada pelo general Jacques Cassart, que as encontrou indefesas. Os 3 000 soldados que deviam defender a ilha andavam "espalhados pelas fazendas dos nobres, que a troco de uma parca alimentacao assim arranjavam trabalhadores; guardavam os rebanhos do governador pelos montados; acarretavam palha, lenha e mantimentos escambados a bordo dos navios estrangeiros por fazendas que depois se vendiam aos naturais por elevados precos" (77). O resgate foi fixado em 60 000 patacas, avaliados em generos da terra--panos, gado, vinho, aguardentes e algumas mercadorias--, mas nao foi pago, dando azo a que Cassart tivesse mandado incendiar a casa do governador, a Alfandega e as casas do bispo, bem como a casa da polvora e tres fornilhos do forte de Sao Filipe: "(...) levou o inimigo muitos escravos da terra por forsa e outros voluntarios, muita prata das igrejas e finalmente fes o maior roubo que se pode ver e imaginar nas casas do Senhor Bispo, porque tudo quanto nellas havia tudo levarao e o peor foi o incendio da sua livraria asim por sua grandeza, como pela excelensia de muitos livros antigos que nella avia; e do commum se nao podem dizer os males que cada hum experimentou por serem infinitos" (78). De igual forma, houve saques e incendios na Praia (79). Para Chelmicki e Lopes de Lima, este acontecimento marcava o inicio da decadencia da cidade da Ribeira Grande (80).

Concluindo, importa reiterar que apesar dos referidos ataques franceses as conquistas portuguesas no Atlantico Sul--realizados a Benguela em 1705, ao Principe em 1706, a Sao Tome em 1709, a Santiago em 1712--, nenhum desses empreendimentos foi tao lucrativo nem teve tanto impacto quanto a invasao e o saque da cidade do Rio de Janeiro em 1711 pela esquadra de Duguay-Trouin. De igual modo, nenhum deles se mostrou tao lesivo ao reino, ja que aos olhos das autoridades lisboetas a cidade era uma das pedras mais preciosas que ornavam a coroa real, e da sua conservacao e bom governo dependia a seguranca das Minas e a de todo o Brasil.

Os ataques corsarios a cidade do Rio de Janeiro podem, entao, ser enquadrados neste ambito mais abrangente, constituido pelo confronto a escala global com uma nitida dimensao oceanica. Importante sera ainda referir, embora como um elemento marginal, que as replicas da Guerra de Sucessao Espanhola nao se limitaram ao Atlantico mas alcancaram o Indico. Apesar de nao se conhecerem grandes batalhas navais, importa apontar que tambem aqui, em aguas indicas, os barcos portugueses que navegavam desde Mocambique ate Macau sofreram as perseguicoes dos corsarios franceses. E as redes pessoais e informais que funcionarios subalternos da Compagnie des Indes tinham estabelecido em Damao e Goa foram suspensas e deixaram de Funcionar (81). O centro de decisoes da Compagnie mudou-se para Pondichery e a correspondencia entre as duas nacoes foi suspensa durante 20 anos (82).

Os Tratados de Utrecht nao resolveram definitivamente os conflitos entre Portugal e a Franca, nem tao-pouco entre as duas grandes potencias deste periodo. Os choques entre as duas monarquias mais poderosas da Europa, a Inglaterra e a Franca, haveriam de permanecer ao longo deste seculo e no inicio da centuria seguinte, com periodos de guerra aberta a alternar com outros de paz tensa. E isso reflectia-se no Atlantico Sul.

Angela Domingues

Instituto de Investigacao Cientifica Tropical e Centro de Historia de Aquem e AlemMar/FCSti/Universidade Nova de Lisboa; Universidade de Acores

(1) Agradeco a Tiago C. P. Reis Miranda pela leitura atenta e esclarecida e pelas sugestoes indicadas.

(2) Nicholas Canny, Philip Morgan, "Introduction. The Making and Unmaking of an Atlantic World"; em Nicholas Canny e Philip Morgan, eds., The Oxford Handbook of the Atlantic World 1450-1850 (Oxford: Oxford University Press, 2011), 2.

(3) Na sequencia desta decisao, as relacoes oficiais diplomaticas entre Portugal e a Franca foram interrompidas entre 1704 e 1714 (v. Fernando de Morais do Rosario, "Introducao", em Pietro Francesco Viganego, ao servico secreto da Franca na Corte de D. Joao V, introducao, traducao e notas de Fernando de Morais do Rosario (Lisboa: Lisoptima Edicoes, Biblioteca Nacional, 1994), 1).

(4) Sobre os opusculos que se publicaram em Portugal a respeito da Guerra de Sucessao v. Ana Martinez Pereira, "La participacion de Portugal en la Guerra de Sucesion espanola. Una diatriba politica en emblemas, signos y enigmas"; Peninsula. Revista de Estudios Ibericos 5 (2008): 175.

(5) Angela Domingues, "In a World Without Faith and Dominated by Ambition: Representations of Brazil and the Portuguese in the First Half of the Eighteenth Century European Travel Literature" Culture & History Digital Journal 1 (2) (December 2012), m104 e ISSN 2253-797X; doi: http://dx.doi.org/10.3989/chdj.2012.m104.

(6) Junia Ferreira Furtado, "Os Oraculos da geopolitica iluminista: D. Luis da Cunha e Jean-Baptiste Bourguignon D'Anville na construcao da cartografia europeia sobre o Brasil," em Blogue de Historia Lusofona, http://www2.iict.pt/?idc=l02&idi=l2728 (consultado em 06. 09.2013).

(7) Frezier, Relation du voyage de la Mer du Sud aux cotes du Chily et du Perou, fait pendant les annees 1712, 1713 & 1714. Dediee a SAR Monseigneur Le Duc D'Orleans. Regent du Royaume. Avec une reponse a la preface critique du Livre intitule Journal des Observations Physiques (...) & une Chronologie des Vicerois du Perou, depuis son etablissement jusqu'au tems de la Relation du voyage de la Mer du Sud, par M. Frezier, Ingenieur Ordinaire du Roy. Ouvrage enrichi de quantite de Planches en Taille-douce (Paris: Chez Nyon, Didot, Quillau, 1732).

(8) Sigfrido Vazquez Cienfuegos, "Cuba durante la Guerra de Sucesion espanola: algunos aspectos militares" em La Guerra de Sucesion en Espana y America (Madrid, Editorial Deimos, 2001), 319.

(9) Vazquez Cienfuegos, "Cuba durante la Guerra de Sucesion espanola" 315.

(10) Por volta de 1713, os navios de guerra portugueses eram apenas 7. No ano seguinte indica-se a existencia de 4 navios (Viganego, ao servico secreto da Franca na Corte de D. Joao V, 68, 131, 190).

(11) Lucien Bely, "Les negociations franco-espagnoles pendant la Guerre de Sucession d'Espagne" Cuadernos de Historia Moderna 12 (2013): 61-76.

(12) Jean Meyer, "La mer, une exception culturelle mondiale: la violence, le licite, l'illicite, l'interdit a l'epoque moderne" em Mickael Augeron e Mathias Tranchant, eds., La violence et la mer dans l'espace atlantique (XIIe-XIXe siecle) (Rennes, Presses Universitaires de Rennes, 2004), 13; Mickael Augeron e Mathias Tranchant, "Introduction" em Mickael Augeron e Mathias Tranchant, eds., La violence et la mer dans l'espace atlantique (XIIe-XIXe siecle) (Rennes: Presses Universitaires de Rennes, 2004), 10.

(13) http://en.wikipedia.org/wiki/Jean-Baptiste_du_Casse.

(14) http://lemondecorsaire.free.fr/cassard.htm.

(15) http:// pt.wikipedia.org/ wiki / Rene_Duguay-Trouin; http:// yvonpierre.free.fr/duguay_ trouin/dugi.htm.

(16) Rene Duguay-Trouin, O Corsario. Uma invasao francesa no Rio de Janeiro. Diario de Bordo (Rio de Janeiro, Bom Texto, 2002), 56, 58, 108, 118-20; Antoine Leonard Thomas, "Eloge de Rene Duguay-Troin, lieutenent-general des Armees Navales" em Oeuvres completes de Mr. Thomas de l'Academie Francaise; precedee d'une notice sur la vie et l'ouvrage de l'auteur, par M. Saint-Surin (Paris: Chez Verdiere Libraire, 1825), tomo 3.

(17) Vazquez Cienfuegos, "Cuba durante la Guerra de Sucesion espanola", 320.

(18) Viganego da conta de como o vice-almirante Becker esperava na ilha Terceira a chegada da frota da Bahia em 1712 (Viganego, ao servico secreto da Franca na Corte de D. Joao V, 80).

(19) Jose da Cunha Brochado, "Carta ao conde de Viana, D. Jose de Meneses, de 6 de Outubro de 1708" O Instituto. Revista Scientifica e Literaria (Coimbra, Imprensa da Universidade) 69 (9) (Set 1922): 523; Duguay-Trouin, O Corsario. Uma invasao francesa no Rio de Janeiro. Diario de Bordo, 120-125.

(20) O termo refere-se a navegacao de uma mesma derrota por varios navios em conjunto, por forma a se entreajudarem em caso de ataque ou acidente.

(21) Cunha Brochado, "Carta ao conde de Viana, D. Jose de Meneses, de 3 de Novembro de 1708", 567.

(22) Thomas, Oeuvres completes, 3: 68.

(23) Agradeco esta indicacao a Cristina Joanaz de Melo que em instigadora conversa me fez ver com outro olhar o estuario do rio Tejo. V. tambem Filipe Vieira de Castro, The Pepper Wreck. A Portuguese Indiaman at the Mouth of the Tagus River (Texas: Texas A&M University Press, 2005), 97.

(24) Cunha Brochado, "Carta ao conde de Viana, D. Jose de Meneses, de 8 de Setembro de 1708," 343; Patrick Villiers, Marine royale, corsaires e trafic dans l'Atlantique de Louis XIV a Louis XVI (Lille: Societe Dunkerquoise d'Histoire et d'Archeologie, 1991), 1: 169.

(25) Viganego, ao servico secreto da Franca na Corte de D. Joao V, 51; Angela Domingues, "Episodios da Guerra de Sucessao no Atlantico Sul: os ataques de Duclerc e Duguay-Trouin ao Rio de Janeiro", em Ana Leal de Faria, ed., D. Luis da Cunha e o Tratado de Utrecht (Lisboa, Biblioteca Nacional de Lisboa, 2014), 111-129.

(26) Rodrigo Bentes Monteiro e Pedro Cardim, "Selecta de uma sociedade: hierarquias sociais nos documentos compilados por Diogo Barbosa Machado" em Rodrigo Bentes Monteiro, Daniela Bueno Calainho, Bruno Feitler e Jorge Flores, eds. Raizes do privilegio. Mobilidade social no mundo iberico do Antigo Regime (Rio de Janeiro: Civilizacao Brasileira, 2011), 95.

(27) Philippe Bonnichon, "France et Bresil: apports reciproques aux XVIe et XVIIe siecles", Memoires de l'Academie des Sciences, Arts et Belles-Lettres de Touraine 24 (2011): 19.

(28) Sobre a existencia, durante a Guerra de Sucessao, de faccoes antagonicas, uma continental, alinhada com a Franca, e a outra atlantica, defendendo a participacao de Portugal na Grande Alianca, v. Jorge Borges de Macedo, Historia Diplomatica Portuguesa. Constantes e linhas de forca, 2a edicao (Lisboa: Tribuna da Historia em colaboracao com o Instituto de Defesa Nacional, 2006), 260 e ss; Isabel Cluny, "A Guerra de Sucessao de Espanha e a diplomacia portuguesa", Penelope 26 (2002): 63-92.

(29) A bula foi concedida pelo Papa Inocencio XI a 16 de novembro de 1676 e estipulava que a nova diocese ficasse sufraganea a Se Metropolitana de Sao Salvador da Bahia (http:// arqrio.org/a-arquidiocese/nossa-historia (consultado em 11.08.2014)).

(30) Artur de Sa e Meneses foi nomeado governador do Maranhao e governador e capitaogeneral do Rio de Janeiro, Sao Paulo e Minas. Marcos Guimaraes Sanches, "Conveniencia e zelo do Real Servico" em XXIV Simposio Nacional de Historia da ANPUH (2007) http://anpuh.org / anais / wp-content / uploads / mp / pdf / ANPUH. S24. 0412. pdf (consultado em 01.09.2014).

(31) Pedro Cardim e Nuno Monteiro, "A centralidade da periferia. Prata, contrabando, diplomacia e guerra na regiao platina (1680-1806)" Historia, historias (Brasilia) 1 (1) (2013): 9; Maria de Fatima Gouvea e Maria Fernanda Bicalho, "A construcao politica do territorio centro-sul da America Portuguesa (1668-1777)" Historia, historias 1 (1) (2013): 28-32.

(32) Gouvea e Bicalho, "A construcao politica do territorio centro-sul da America Portuguesa" 31; Fabio Pesavento e Carlos Gabriel Guimaraes, "Contratos e contratadores no Atlantico Sul na segunda metade de setecentos" Historia, historias (Brasilia) 1 (1) (2013): 73.

(33) Sobre os conceitos hinterland e foreland v. Agustin Guimera Ravina, "Puertos y ciudades portuarias (s. XVI-XVIII). Una aproximacion metodologica", em J. I.Fortea e J. E. Gelabert, eds., La ciudad portuaria atlantica en la Historia. Siglos XVI-XIX (Santander: Autoridad Portuaria de Santander, Servicio de Publicaciones de la Universidad de Cantabria, Coleccion Biblioteca Navalia, 2006), 27-29.

(34) Antonio Carlos Juca de Sampaio, "Os homens de negocio do Rio de Janeiro e sua atuacao nos quadros do Imperio portugues (1701-1750)" em Joao Fragoso, Maria Fernanda Bicalho, Maria de Fatima Gouvea, eds., O Antigo Regime nos tropicos: a dinamica imperial portuguesa (seculos XVI-XVIII) (Rio de Janeiro: Civilizacao Brasileira, 2001), 75.

(35) Jean Marcel Carvalho Franca, Visoes do Rio de Janeiro Colonial. Antologia de textos 1531-1800 (Rio de Janeiro: Jose Olympio Editora e EdUERJ, 1999), 49-74.

(36) Sobre este processo, embora para periodo anterior ao aqui abordado, v. Hilario Casado Alonso, "La formacion del espacio economico Atlantico (siglos XV y XVI). La transferencia de mercancias y simbolos en la "Primera Edad Global", em Jose Ramon Diaz de Durana Ortiz de Urbina e Jose Antonio Munita Loinaz, eds., La apertura de Europa al Mundo Atlantico. Espacios de poder, economia maritima y circulacion cultural (Bilbau: Universidad del Pais Vasco, Euskal Herriko Unibersitatea, Argitalpen Zerbitzua Servicio Editorial, 2011), 142.

(37) Antonio Carlos Juca de Sampaio, "Os homens de negocio do Rio de Janeiro" 75.

(38) Maria Fernanda Bicalho, "A cidade do Rio de Janeiro e o sonho de uma capital americana: da visao de D. Luis da Cunha a sede do vice-reinado (1736-1763), Historia (Sao Paulo) 30 (1) (jan/jun 2011): 46. Sobre o papel estrategico que o Rio de Janeiro teve apos a descoberta do ouro v. Antonio Carlos Juca de Sampaio, "Os homens de negocio do Rio de Janeiro," 75.

(39) Duguay-Trouin, O Corsario, 163.

(40) Du Plessis-Parscau, "Expedicao francesa contra o Rio de Janeiro em 1711 (traducao do comandante Adalberto Rechsteiner)", Revista do Instituto Historico e Geografico Brasileiro (Rio de Janeiro) 176 (1941): 101.

(41) Francisco Xavier de Menezes, Relacao da vitoria que os portuguezes alcancarao no Rio de Janeiro contra os Francezes em 19 de Setembro de 1710, publicada em 21 de Fevereyro (Lisboa: Na Officina de Antonio Pedrozo Galrao, 1711), 6

(42) Carvalho Franca, Visoes do Rio de Janeiro Colonial. Antologia de textos, 1531-1800; Carvalho Franca, Outras visoes do Rio de Janeiro Colonial. Antologia de textos, 1582-1808.

(43) Duguay-Trouin, O Corsario.

(44) Um reparo que, com alguma justeza, se pode fazer a este notavel e meritorio projecto de publicacao sistematica de fontes sobre o Rio de Janeiro e que, na medida em que e circunscrito a informacao que diz respeito exclusivamente a cidade, retira-a do contexto que lhe e dado pelo relato completo. Contudo, um projecto que pretendesse a publicacao integral das fontes seria, sem duvida, inconciliavel com os objectivos de disseminacao e acessibilizacao das fontes, pretendidos pelo autor.

(45) Jean Marcel Carvalho Franca, "A Invencao do Brasil" em Jean Marcel Carvalho Franca, ed., A construcao do Brasil na literatura de viagem dos seculos XVI, XVII e XVIII. Antologia de textos, 1591-1808 (Rio de Janeiro: Jose Olympio Ed.; Sao Paulo: Editora UNESP, 2012), 151.

(46) Maria Fernanda Bicalho, A cidade e o Imperio. O Rio de Janeiro no seculo XVIII (Rio de Janeiro, Civilizacao Brasileira, 2003), 33 e ss; Maria Fernanda Bicalho, "Temor, cumplicidade e seducao: relacoes entre franceses e portugueses no Brasil Colonial" O Arquivo Nacional e a historia luso-brasileira, http://www.historiacolonial.arquivonacional.gov.br/cgi/cgilua.exe /sys/start.htm?infoid=I457&sid=I32 (consultado a 04.09.2013); Maria Fernanda Bicalho, "A grande ameaca de Luis XV: a abortada expedicao do conde d'Estaing contra o Rio de Janeiro" em RIHGB (Rio de Janeiro) 170 (444) (jul.-set. 2009): http://www.ihgb.org.br/rihgb.php (consultado a 04.09.2013).

(47) Bicalho, A cidade e o Imperio, 42.

(48) Ricardo Vieira Martins e Carlos Alberto Lombardi Filgueiras, "A invasao francesa ao Rio de Janeiro em 1711 sob a analise da cartografia historica" Anais do 1 Simposio Brasileiro de Cartografia Historica (10-13 de Maio de 2011) https://www.ufmg.br/rededemuseus/crch/ simposio/MARTINS_RICARDO_V_E_FILGUEIRAS_CARLOS_ALBERTO_L.pdf (consultado em 04.09.2013).

(49) Frezier, Relation du voyage de la Mer du Sud, 16.

(50) Froger, Relation d'un voyage fait en 1695, 1696, & 1697 aux cotes d'Afrique, Detroit de Magellan, Bresil, Cayenne et Isles Antilles, Par une Escadre de vaisseaux du Roi, comandee par M. de Cennes. Faite par le Sieur Froger, Ingenier Volontaire sur le vaisseau le Faucon Anglois. Enrichie de grand nombre de Figures dessines sur les lieux (Amsterdam: Chez les Heritiers d'Antoine Schelte, 1699), 73.

(51) Luzia da Conceicao Ruivo Seromenho, "Os franceses no Brasil no inicio do seculo XVIII (1700-1715)" dissertacao apresentada a FCSH/UNL para obtencao do grau de Mestre em Historia e Arqueologia dos Descobrimentos e Expansao Portuguesa (seculos XV-XVIII) (Universidade de Lisboa, 2007).

(52) Du Plessis-Parseau, "Expedicao francesa contra o Rio de Janeiro" (traducao do comandante Adalberto Rechsteiner), Revista do Instituto Historico e Geografico Brasileiro (Rio de Janeiro: Imprensa Nacional) 176 (1941): 115, 137; Carvalho Franca, Visoes do Rio de Janeiro Colonial. Antologia de textos 1531-1800, 70.

(53) Patricia Seed, Ceremonies of Possession in Europe's Conquest of the New World, 1492-1640 (Cambridge, New Y&rk e Melbourne: Cambridge University Press, 1995), 14.

(54) Du Plessis-Parseau, "Expedicao francesa contra o Rio de Janeiro", 152; Chancel de Lagrange, "A tomada do Rio de Janeiro em 1711", (introducao, traducao e notas pelo almirante Mario Ferreira Franca), Revista do Instituto Historico e Geografico Brasileiro 270 (1966): 60, 70.

(55) Cavaleiro da Ordem de Cristo, governador e capitao-geral da capitania do Rio de Janeiro, de 1697 a 1699, da capitania de Pernambuco, de 3 de novembro de 1703 a 9 de junho de 1707 e novamente da capitania do Rio de Janeiro entre 1710 e 1711. Na sequencia dos acontecimentos ocorridos com os ataques franceses, foi remetido preso para Lisboa e, depois de processado, degredado para a india, onde morreu (Charles Ralph Boxer, The Golden Age of Brazil 1695-1750. Growing pains of a Colonial Society (Berkeley, Los Angeles e Londres: University of California Press, 1962), 88 e ss.

(56) Du Plessis-Parseau,"Expedicao francesa contra o Rio de Janeiro", 145; Chancel de Lagrange, "A tomada do Rio de Janeiro em 1711", 48, 62, 71; Visconde de Santarem, Quadro elementar das relacoes politicas e diplomaticas de Portugal com as diversas potencias do mundo, desde o principio da monarchia portugueza ate aos nossos dias (Pariz: Em casa de J. P. Aillaud, 1845), 5: 15-16.

(57) Du Plessis-Parseau, "Expedicao francesa contra o Rio de Janeiro" 140.

(58) Carvalho Franca, Visoes do Rio de Janeiro Colonial. Antologia de textos 1531-1800, 70.

(59) Du Plessis-Parseau,"Expedicao francesa contra o Rio de Janeiro", 137.

(60) Du Plessis-Parseau,"Expedicao francesa contra o Rio de Janeiro" 119, 160.

(61) Vanda Anastacio, "Le Bresil partout. Quelques liens culturels transatlantiques avant 1822", em Vanda Anastacio, Saulo Neiva e Gilda Santos, eds., l'Atlantique comme pont. L'Europe et l'espace lusophone (xvie-xxe siecles) (Clermont-Ferrand: CELIS, Maison des Sciences de l'Homme, Fundacao Calouste Gulbenkian, 2012), 105.

(62) Carvalho Franca, "A Invensao do Brasil, 153. Antoine Leonard Thomas, "Eloge de Rene Duguay-Troin, lieutenent-general des Armees Navales" em Antoine Leonard Thomas, Oeuvres completes de Mr. Thomas de l'Academie Francaise; precedee d'une notice sur la vie et l'ouvrage de l'auteur, par M. Saint-Surin (Paris: Chez Verdiere Libraire, 1825), 3: 2.

(63) Thomas, "Eloge de Rene Duguay-Troin", 30.

(64) Remetemos para o conceito de cidades atlanticas como chave de um processo de prolongamento e recriacao de uma outra Europa para la do oceano (Bartolome Yun Casalilla, "Redes urbanas atlanticas en la formacion de Europa (1500-1800). A favor y en contra de una interpretacion whig de la historia europea" em J. I. Fortea e J. E. Gelabert, eds., La ciudad portuaria atlantica en la historia: siglos XVI-XIX (Santander: Universidad de Cantabria, 2006), 376).

(65) Era o que teria acontecido com os aliados Mondombes durante o ataque corsario a Benguela (AHU, CU, Angola, cx. 18. Doc. de 22 de Dezembro de 1705).

(66) Esta esquadra era composta por L'Agreable, La Mutine, L'Aurore e Le Saint Louis, comandada por Robeck, barao de Pallieres, aspirante em 1666, tenente em 1673 e capitao em 1677. Morreu em 1717 (http://enguerrand.gourong.free.fr/oceanindien/p16oceanindien.htm). Antoine Armand de Robec era barao de Robec, conde de Palliere, cavaleiro de St. Louis e capitao da Marinha do Rei de Franca (http://gw.geneanet.org/pierfit?lang=fr;p=antoine+armand;n=de+robec). Era seu irmao, Jacques Francois de Robec de Pallieres, morto em 1712, quem, nesta altura, tinha o titulo de barao de Pallieres (http://gw.geneanet.org/pierfit? lang=fr&p=jacques+francois&n=de+robec+de+pallieres).

(67) Arquivo Historico Ultramarino (AHU), CU, Angola, cx. 18. Doc. de 22 de Dezembro de 1705, Copia do aviso do barao de Paliere, comandante da esquadra francesa.

(68) A respeito desta colaboracao com o inimigo e do incumprimento das aliancas feitas com a coroa francesa, o Conselho Ultramarino e do parecer que "Tambem devem castigarse os Mondombes que se incorporaram com os franceses dezemparando a nossa amizade. Porem que da satisfacao deste aggravo se nao deve tractar por hora della senao rezervar se para o tempo em que se achar Benguella com todas as forcas para poder emprender este castigo". Recomenda-se ainda que os negros fossem bem tratados pelos capitaes-mores e moradores de Benguela" (AHU, CU, Angola, cx. 18. Doc. de 22 de Dezembro de 1705).

(69) Foi o caso do ouvidor-geral de Sao Tome que viajava para este arquipelago a bordo de um navio da Junta de Cacheu e que foi capturado por franceses na altura das Canarias. Cf. AHU, CU_Sao Tome_caixa 4_doc._432, de 23 de Setembro de 1705 e 15 de Dezembro de 1705.

(70) AHU, CU, Guine, Carta do capitao-mor de Cacheu, cx. 4l, doc. 59, fl IV, de 30 de Junho de 1709.

(71) AHU_CU_Guine'_cx. 3_doc_262, Bissau, 26 de Maio de 1701; e doc. 263, de 26 de Maio de 1701; doc. 269 e 270. De 28 de Novembro de 1707.

(72) AHU_CU_Guine_cx. 3_doc_262, Bissau, 30 de Junho de 1707.

(73) AHU, CU, Guine, Carta do capitao-mor de Cacheu, cx. 4l, doc. 59, fl IV, de 30 de Junho de 1709.

(74) AHU_CU_Sao Tome, cx. 4_ doc. 430, de 26 de Fevereiro de 1705.

(75) AHU_CU_Sao Tome, cx. 4_ doc. 430, de 24 de Agosto de 1706.

(76) Manuel do Rosario Pinto, Relacao do descobrimento da Ilha de Sao Tome, fixacao do texto, introducao e notas de Arlindo Manuel Caldeira (Lisboa: Centro de Historia de Alem-Mar, FCSH/UNL, 2006), 62; "Relation de ce qui s'est passe a la descente et prise de la ville e chasteau de Saint Thome sous la ligne", em Manuel do Rosario Pinto, Relacao do descobrimento da Ilha de Sao Tome, 281. Sobre a evolucao urbana da cidade de Sao Tome e sobre a sua insercao num contexto Atlantico cf. Teresa Madeira da Silva, "A cidade de Sao Tome no quadro das cidades insulares atlanticas de origem portuguesa", em Actas do Coloquio Internacional Sao Tome e Principe numa perspectiva interdisciplinar, diacronica e sincronica (Lisboa: ISCTE, CEA e IICT, 2012), 49-71.

(77) Christiano Jose de Senna Barcelos, Subsidios para a Historia Geral de Cabo Verde e Guine. Memoria apresentada A Academia Real das Sciencias de Lisboa (Lisboa, Typographia da Academia Real das Sciencias, 1899), Parte 1: 187-9.

(78) "Relatoria infaustosa da expugnassam das fortalezas e cidade de S. Tiago do Cabo Verde feita por Monsieur Casar, general frances, em cinco de Mayo deste prezente Anno de Mil setecentos e Doze" AHU_CU_Cabo Verde, cx. 9_ doc. 838, de 5 de Maio de 1712.

(79) O ouvidor-geral Miguel de Freitas Teixeira instruiu uma devassa a accao do governador Jose Pinheiro da Camara e tendo este sido considerado culpado, foi preso e remetido a Lisboa. O ouvidor responsabilizava o governador e a "nobreza da terra" pela forma facil como os franceses tinham entrado na ilha e pelo modo como a capitulacao tinha sido conduzida. O ouvidor morreu a 10 de Junho de 1715. Suspeitava-se que tivesse sido vitima de envenenamento (Senna Barcelos, Subsidios para a Historia Geral de Cabo Verde e Guine, 207).

(80) Jose Conrado Carlos de Chelmicki, Corografia cabo verdiana ou descripcao geographico-historica da provincia das ilhas de Cabo Verde e Guine (Lisboa: Tipographia de L. C. da Cunha, 1841), 1: 8; Jose Joaquim Lopes de Lima, Ensaios sobre a statistica das possessoes portuguezas na Africa Occidental e Oriental; na Asia Occidental; na China, e na Oceania; escriptos na ordem do governo de SMF a Senhora D. Maria II (Lisboa: Imprensa Nacional, 1844), XIII.

(81) Boxer, The Golden Age of Brazil, 87.

(82) Ernestina Carreira, "Aspectos politicos. O estado depois do Imperio: desmantelamento e reestruturacao (1640-1720)", em O Imperio Oriental 1660-1820, coord. de Maria de Jesus dos Martires Lopes, Nova Historia da Expansao Portuguesa, dir. Joel Serrao e A. H. de Oliveira Marques, vol. V, tomo I (Lisboa, Editorial Estampa, 2006), 60.
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Title Annotation:EITHER SIDE OF THE OCEAN'S SHORE: EARLY MODERN PORTUGAL / EARLY MODERN BRAZIL
Author:Domingues, Angela
Publication:Portuguese Studies Review
Date:Jul 1, 2014
Words:11173
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