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UTILIZACAO DE METILFENIDATO, LISDEXANFETAMINA E MODAFILINA COMO DROGAS AMPLIADORAS DO CONHECIMENTO: ESTUDO DO PERFIL DE DISPENSACAO EM UMA FARMACIA COMUNITARIA DO INTERIOR DO RIO DE JANEIRO.

1 Introducao

As drogas amplificadoras da capacidade cognitiva tem sido usadas em idosos, pessoas com capacidade neurodegenerativa e demencia para uma melhora na qualidade de vida. Ao passo, a utilizacao dessas drogas por estudantes sadios vem aumentando de forma consideravel. Tais praticas visam a busca da melhora cognitiva, emocional e como prolongadores do estado de vigilia (BATISTELA et al., 2014).

No entanto, A utilizacao dessas drogas de forma irracional pode provocar efeitos toxicos a curto e longo prazo. Levando a necessidade de se aumentar o debate sobre o crescimento do numero de prescricao e dispensacao de Metilfenidato a ANVISA emite nota em 2012 para o alerta de se aumentar a necessidade de monitoramento de drogas que podem provocar dependencia fisica e psiquica. Afirma a Agencia Nacional que os dados de prescricao e do consumo de medicamentos podem ser utilizados no monitoramento de riscos sanitarios e no planejamento e na avaliacao do progresso em saude de uma comunidade (ANVISA, 2012).

De acordo com ANVISA (2013) dados recentes divulgados pela Agencia mostram o uso crescente do medicamento em todas as regioes do pais. Considerando-se o indicador DDD (dose diaria definida)/1000 criancas entre 6 e 16 anos/dia, o aumento no consumo do farmaco foi de 164% entre 2009 e 2011. No boletim farmacoepidemiologico do SNGPC e destacado o carater socioantropologico, comportamental e comercial na utilizacao de farmacos. Destaca-se ainda que Os estudos de utilizacao de medicamentos (EUM) objetivam, segundo a Organizacao Mundial da Saude (OMS), estudar a comercializacao, distribuicao, prescricao e uso de medicamentos na sociedade com enfase especial nas consequencias medicas, sociais e economicas (ANVISA, 2012).

Alem dos boletins citados pelo orgao regulador tem-se uma serie de autores que descrevem os potenciais abusos na utilizacao irracional dos farmacos descritos. Como Brant e Carvalho (2012) que descrevem a utilizacao de Metilfenidato como uma invencao da contemporaneidade como um gadget com objeto de consumo curto e rapido, parceiro conectavel e desconectavel ao alcance das maos, tornando-se dispositivo de prazeres efemeros, fabricado e comercializado como medicamento.

Masias-Arias e Fiestas-Teque (2014) apresentam um transtorno psicotico de um adolescente de 14 anos que alucinacoes auditivas, apos o intervalo de quatro dias de medicacao com metilfenidato. Corrobora tambem Rapello et al. (2015) ao anunciarem que efeitos adversos podem ser apresentados como insonia, dores abdominais e anorexia. Os autores descreveram que em altas doses o metilfenidato pode provocar enfisema pulmonar em ratos.

Tendo como contraponto a utilizacao destes farmacos como "muletas" cognitivas autores Caliman e Rodrigues (2014) apontam para o aumento do diagnostico do Transtorno de Deficit de Atencao e Hiperatividade (TDAH) descrito como um dos diagnosticos que mais sustentam o processo atual de medicalizacao da vida, devido ao crescente consumo de metilfenidato. Com experiencia de tratamentos em adultos nao tratados na infancia ou adolescencia.

Como ponto de partida os fatos citados, o artigo tem como foco trazer a luz do tema um estudo de carater exploratorio de cunho epidemiologico sobre a utilizacao destes farmacos. Assim, objetivou-se identificar o perfil da dispensacao de farmacos "promotores cognitivos" como: Metilfenidato, Modafilina e Lisdexanfetamina em uma farmacia comunitaria em Itaperuna-RJ.

2 Metodologia

Os dados foram colhidos no intervalo de janeiro de 2016 a abril de 2017 periodos de abertura de uma grande loja da rede Pague Menos na cidade de Itaperuna-RJ. Os dados obtidos representam as receitas aviadas e dispensadas junto ao programa informatizado da rede que integra o Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC) como forma de boletim mes a mes onde variaveis como: farmaco, formulacao, quantidades de caixas prescritas, quantidades de caixas dispensadas e especialidades medica foram obtidas e plotadas em tabelas e graficos. Os dados foram tabulados em planilha Excel[R] e tratados estatisticamente para a analise de variancia pelo metodo de ANOVA com intervalo de confianca de 95%. Foram usados para avaliacao da progressao das vendas estatistica descritiva e metodos de regressao linear.

3 Resultados

A utilizacao de farmacos que causam dependencia ou alteradores da consciencia estao sujeitos ao controle da protaria 344/98. Desta forma, os EUM podem ser realizados atraves do inventario emitido por programas de controle do SNGPC que permitem a observacao da quantidade de farmacos prescritos e suas formulacoes de acordo com a especialidade medica durante um lapso temporal pre determinado pelos pesquisadores.

Para a observacao da dispensacao de medicamentos em sua totalidade no intervalo de tempo de 2016 (ao fim de um ano) obteve-se a figura 1 representando a evolucao da dispensacao de Metilfenidato, Lisdexanfetamina e Modifilina mes a mes.

Em relacao aos medicamentos dispensados por principio ativo e formulacao tem-se a tabela (1), onde as variaveis sao tratadas sobre a comparacao das variancias pelo metodo de ANOVA onde Fcritico = 2,7173 e Fcalculado = 5,2839 com valor de P =0,003972. Ao rejeitar a hipotese de nulidade entre as variancias submete-se a amostra ao teste TUKEY com IC(95%) e obteve-se a Diferenca Minima Significativa (DMS) = 41,447 onde temos o elenco determinado pelas letras a e b onde as variaveis que apresentam a mesma denominacao sao iguais e representadas por letras diferentes na DMS sao diferentes no escalonamento.

Para a avaliacao da variacao do aumento da dispensacao dos medicamentos obteve- se a comparacao entre os quatro primeiros meses dos anos de 2016 e 2017 por numero de caixas do total dos medicamentos. A analise permite a tabulacao de dois graficos, demonstrados nas figuras 2 e 3, dados de forma total e separados mes a mes. Na totalidade pode-se observa um aumento da dispensacao dos quatro primeiros meses de 98,50% na dispensacao das drogas estudadas

Para a compreensao do perfil da dispensacao por especialidades tem-se na figura 4 onde a totalidade de caixas dispensados de todos os medicamentos estudados foram divididos em anos de 2016 e 2017 e relacionados a cada especialidade medica de acordo com a descricao na recita do CRM de registro do prescritor.

O tratamento estatistico para a variancia em relacao as especialidades medicas pelo metodo de ANOVA com IC (95%) obteve-se F critico = 2,853625 e F calculado = 8,766233766 demonstrando uma rejeicao da hipotese de nulidade com variacao da dispensacao de especialistas para a dispensacao que submetidos a metodo de TUKEY e plotados na tabela (2) com DMS=42,75543.

4 Discussao

A modernidade tras a utilizacao de substancias que elevam a capacidade produtiva. Este tipo de consumo tem sido de forma crescente observado no Brasil e no mundo. Com anseio no reconhecimento social do individuo, para fins instrumentais na producao ou de forma recreativa vem se impulsionando o uso e a prescricao farmacologica legal destas drogas. A medicalizacao torna ramos da psiquiatria uma ciencia capaz de tratar disturbios alem da loucura com a valorizacao do individuo e o bem-estar sempre de bom humor para os individuos (BRANT e CARVALHO, 2012).

No mesmo sentido, tais estudos podem apontar para o aumento do acesso de medicamentos a populacao. A melhoria nas tecnicas de diagnostico do Transtorno de Deficit de Atencao e Hiperatividade (TDAH) pode produzir aumento crescente do consumo de farmacos como metilfenidato. Embora autores como Calimam e Rodrigues (2014) abordem a medicalizacao como questoes problematicas como: o numero exagerado de diagnosticos de TDAH em criancas e adultos; a patologizacao de questoes de cunho educacional e a expansao da utilizacao nao medica destes farmacos.

Para tal os EUM trazem um papel na observacao da tendencia dessa medicalizacao e traca perspectivas para o uso racional do medicamento. Demostrando atraves de dados epidemiologicos a analise comportamental da utilizacao de farmacos pelo metodo de inventario de vendas com prescricoes do SNGPC.

De acordo com a Associacao Brasileira do Deficit de Atencao, os medicamentos recomendados em consensos de especialistas sao os estimulantes (lisdexanfetaminae e metilfenidato), a modafinila apresenta se como farmaco no tratamento da narcolepsia. Tais escolhidos pelos para a pesquisa de ampliadores cognitivos.

Assim no presente estudo, a observacao da prescricao de farmacos com metilfenidato, modafinila e Lisdexanfetaminas em sua totalidade foi distribuida mes a mes no ano de 2016 como observados no grafico (1) com duas linhas de tendencia sendo a media (primeira linha) e media somada com o desvio padrao (segunda linha). Observa-se que nos meses de Abril, Setembro e Novembro o consumo das drogas sobem acima do valor da segunda linha de tendencia media mais desvio padrao mostrando uma sazonalidade no perfil das vendas. Assim sendo, o aumento ocorre com uma aproximacao do calendario letivo de provas da cidade de Itaperuna no interior do Rio de Janeiro cidade reconhecida por albergar faculdades com cursos na area de Medicina, Medicina Veterinaria, Odontologia, Farmacia, e demais cursos das areas de humanas, saude e exatas. O aumento da demanda bimestral dessas drogas, aqui demostrada no trabalho como utilizacao de ampliadores cognitivos demostra uma forma de uso irracional dos medicamentos ja que estudos nao apontam para a melhora cognitiva em jovens saudaveis.

Autores como Freese et al. (2012) reportam a necessidade de se identificar o aumento do uso nao medico de metilfenidato. No Brasil, as resolucoes federais no. 344/1998 e 22/2001 incluem estas substancias na categoria A3 (substancias psicotropicas) e estao sujeitas a prescricao controlada como resultado do alto risco de dependencia quimica. Ainda os mesmos autores descrevem ampla revisao de literatura onde afirmam que, no entanto, as evidencias nao apoiam a conclusao de que eles possam promover um melhor desempenho cognitivo.

Freese et al. (2012) descrevem em seu estudo o potencial de abuso do metilfenidato que em altas doses podem produzir efeitos recompensadores ou reforcadores subjetivos, semelhantes aos da cocaina, fazendo com que o individuo se sinta euforizado (ou alto). Ao nivel comportamental do abuso de substancias, o reforco e referido como um dos aspectos mais determinantes da toxicodependencia, sugerindo que as drogas que induzem este mecanismo tem um maior potencial de abuso.

Autores como Batistela et al. (2014) descrevem estudo realizado em 36 jovens universitarios sobre o uso de metilfenidato com 10, 20 e 40 mg que se submeteram a testes cognitivos, memoria operacional, episodica e testes de atencao. Nao foram observadas diferencas estatisticas entre o grupo de controle sobre o uso de placebo e os estudantes sobre o uso de metilfenidato. Sendo relatada a melhora do bem-estar em doses acima de 40mg. A melhora do bem-estar associada ao ganho na produtividade escolar.

Tais relatos de sazonalidade do presente trabalho, em relacao a dispensacao de drogas ampliadores cognitivas coincidem com os dados obtidos pelo Boletim Brasileiro de Avaliacao em tecnologias da Saude (BRAT) a partir dos dados registrados no SNGPC que mostram tambem o aumento no consumo de metilfenidato no Pais tem comportamento variavel, com destaque para reducao nos meses de ferias e aumento no segundo semestre dos anos estudados (BRATS, 2014). Tais dados de aumento no segundo trimestre na dispensacao destes farmacos sao observados nos anos de 2009 e 2011 pelo boletim de farmacoepidemiologia do SNGPC em 2012 (ANVISA, 2012).

Em relacao a Dose Diaria Definida (DDD) para metilfenidato o valor obtido foi de 0,0957 DDD/1000 habitantes por dia, valor considerado para uma farmacia no universo de 80 estabelecimentos na cidade de Itaperuna- RJ no ano de 2016. Para o calculo de uma populacao de 99507 habitantes (IBGE, 2017). Com a DDD recomendada para estudo de 30 mg/ dia. Trabalho realizado por Perini et al. (2014) em farmacias de Belo Horizonte no ano de 2006 obtiveram o valor de 0.37 DDD/1000habitantes por dia, os autores trazem valores de outros paises como Espanha 1,26 DDD/1000habitantes/dia e Chile 0,56 DDD/1000habitantes. Desta forma, o valor de DDD para cidade de Itaperuna fica subdimensionado por nao totalizar a quantidade total de metilfenidato dispensado no ano de 2016. Mas pode demostrar um alerta de uma movimentacao elevada de metilfenidato por dia na cidade. Nao foram feitos calculos de DDD para Lisdexanfetaminas e Modafinila.

De acordo com as formulacoes e especialidades dos ampliadores cognitivos pode-se observar na tabela (1) uma venda maior de metilfenidato 10mg/30 e 10mg/60 comprimidos com a diferenca estatistica pelo metodo de TUKEY e IC (95%) sem diferencas entre as demais especialidades e formulacoes. A formulacao com 10 mg com 30 e 60 comprimidos aparece com opcoes mais dispensadas. Sendo que as duas modalidades citadas representam um total de 93,4% das amostras dispensadas em 2016 e 72% das vendas no ano de 2017. Tal valor depara-se com o aumento de Lisdexanfetamina de 8,67% em 2016 para 23,30% considerando somente os quatro primeiros meses de 2017. A Modafilina com baixo percentual de utilizacao em ambos os anos.

A Lisdexanfetamina (LDX) representa uma pro-droga, sendo metabolizada no sangue pela enzima L-lisina em d-anfetamina sendo um processo lento que permite o aumento da meia vida do farmaco. Porem, um importante fator para o nao desenvolvimento de dependencia e abuso destes farmacos apos a utilizacao oral comparada as demais anfetaminas o que permite explicar o crescimento das vendas no ano de 2017. Mattos (2014) ressalta que a LDX possui eficacia comparavel ou superior a dos demais psicoestimulantes disponiveis. O autor documenta eficacia em longo prazo, com perfis de seguranca e tolerabilidade comparaveis aos dos demais estimulantes usados no tratamento do TDAH. A maioria dos eventos adversos associados a LDX e considerada leve ou moderada quanto a gravidade, sendo os eventos mais comuns: perda de apetite e insonia.

Pineda (2014) no boletim sobre a utilizacao da LDX em Castillha afirma o seu potencial em tratar casos de TDAH com resultado semelhante aos metilfenidatos de liberacao prolongada. Tambem ressalta efeitos como insonia, perda do apetite, boca seca, cefaleia e dor abdominal. Alerta para a diferenca considerada de preco entre os farmacos. Sendo o valor da Lisdexanfetamina e muito superior do que o metilfenidato.

E de se destacar que a insonia e o efeito mais proeminente na literatura sobre o abuso e utilizacao clinica desses farmacos, sendo um fator fundamental para a utilizacao nao medica ou irracional dessa medicacao. As grandes cargas laborais somadas a jornadas excessivas de aulas e trabalhos com calendarios curtos e a movimentacao "Fast Food" que impoe a modernidade, permite a essa pratica considerada como "arrebite" para o ajuste da rotina dessas demandas cada vez mais crescentes.

Magalhaes (2014) afirma que drogas (no sentido de medicamentos) tais como Modafinil, Metilfenidato e outras, sao usadas "off-label" de forma a aumentar a capacidade de concentracao, aprendizado e facilitar a retencao de informacao em um individuo. O autor afirma que Substancias que agem no sistema dopaminergico (aumentando a concentracao do neurotransmissor a dopamina no cerebro) como o Modafinil e o Metilfenidato conseguem modular alguns aspectos da memoria de trabalho de um individuo. Trata o autor essas drogas ampliadoras cognitivas pelo termo de "smart drugs".

Interessante notar que das drogas apresentadas neste trabalho a de menor dispensacao a modafilina e que para Magalhaes (2014) apresenta melhor desempenho como "smart drugs". O autor traz um trabalho em que demonstra em uma larga bateria de testes, o modafinil foi responsavel por aumentar a memoria de reconhecimento de padroes visuais, planejamento espacial e tempo de reacao/latencia em diferentes tarefas ligadas a memoria de trabalho sendo apelidada popularmente como "pilula da inteligencia".

Sendo usado no tratamento de narcolepsia e usado em outros casos de sonolencia excessiva e pode ser usado de modo a abrandar a diminuicao de desempenho devido ao sono reduzido aparentemente com efeitos colaterais muito baixos e poucos riscos de dependencia. E sabido, tambem, atraves de outros trabalhos, que estimula a neurogenese na regiao do hipocampo. O nome comercial, no Brasil, e Stavigile (MAGALHAES, 2014).

Em estudo realizado por Wesensten (2006) traz a utilizacao do modafinil como importante na melhora do desempenho para individuos com privacao do sono. E alerta para niveis de privacao de sono. Modafinil tambem prejudica pos-sono privacao recuperacao sono, mas de poucos Estudos disponiveis sobre esta questao, nao esta claro se essas deficiencias de sono se traduzem em desempenho pos-sono.

Pode-se observar de acordo com grafico 2 e 3, um aumento de 98,50% das dispensacoes de farmacos estudados em relacao aos quatro primeiros meses do ano de 2016 para 2017. Observase que existe uma sazonalidade bimestral no aumento da dispensacao nos meses de fevereiro e abril consequente aos periodos letivos de inicio do semestre letivo e aos calendarios de provas. Tais achados demonstram um alerta para o aumento do consumo destas substancias representando o dobro dos medicamentos vendidos no intervalo de 2016. Desta forma, a DDD de metilfenidato para o ano de 2017 no valor de 0,03659 se manifesta superior ao valor de DDD de 2016 de 0,0229 apresentando um aumento de 59,03%. Agencia Nacional de Vigilancia Sanitaria (ANVISA) apontam para o uso crescente do medicamento em todas as regioes do pais (ANVISA, 2013). Considerando-se o indicador DDD (dose diaria definida) /1000 criancas entre 6 e 16 anos/dia, o aumento no consumo do farmaco foi de 164% entre 2009 e 2011.tais valores do aumento podem ser mascarados pelo aumento da dispensacao de LDX e modafilina nos anos de 2017. Nao foram calculados neste trabalho valores para DDD de LDX e modafilina.

Em relacao as especialidades medicas dos prescritores pode-se observar uma prevalencia estatistica da prescricao de neurologistas pelo metodo de TUKEY com IC (95%) em relacao as demais especialidades. Representando 65,77% das dispensacoes. As demais seguidas de 20,14% de neurologistas, 8,73% de pediatras e 5,33% de demais especialidades como Cirurgiao plastico, oftalmologistas, pneumologistas, clinico geral, patologistas.

De acordo com Walylo et al. (2016) tem-se que as principais normas vigentes para prescricao e dispensacao sao: as leis Federais 5.991/73 e 9.787/99; Resolucao 357/2001, do Conselho Federal de Farmacia; Resolucoes 1.552 (de 20/08/99), 1.477 (de 11/7/97) e 1.885 (de 23/10/08) do Conselho Federal de Medicina (CFM). Sendo que a portaria MS/ SVS no 344, de 12 de maio de 1998 "as substancias entorpecentes e psicotropicas exigem formularios de receita especifica (Notificacoes de Receita A e B)". As drogas apontadas neste estudo necessitam de talonario especial tipo A e de cor amarela e e usada para a prescricao dos medicamentos presentes nas listas A1, A2 e A3, entorpecentes e psicotropicos. A "Notificacao de Receita A" tem validade por 30 (trinta) dias, a partir da data de sua emissao e e valida em todo territorio nacional. E fornecida de forma numerada e controlada pela Autoridade Sanitaria Estadual ou pelo Distrito Federal, gratuitamente, aos profissionais e instituicoes cadastradas, em talonario de 20 folhas.

Registre-se ainda, que o medicamento deve ser prescrito com a quantidade maxima para 30 dias de tratamento. Conforme posologia registrada na notificacao e tendo validade em todo territorio nacional. Havendo necessidade de uma quantidade superior de medicamentos, a receita necessita de uma justificativa do uso. Em uma prescricao medica deve conter informacoes fundamentais sobre o medicamento, bem como, o nome do medicamento em letra legivel, a dose, posologia, duracao do tratamento, via de administracao, data da prescricao, nome do paciente, nome do medico prescritor e o registro no Conselho Regional de Medicina (ANVISA, 2016).

Ferreira (2014) ressalta ainda em parecer do Conselho Federal de Medicina (CFM) que se pode observar, nao ha vedacao expressa em nenhum dos pareceres, leis e documentos apontados com relacao a prescricao para o proprio prescritor, exceto no caso de autoprescricao de substancias entorpecentes e psicotropicos, conforme disposto no art. 21 do Decreto-lei no 20.931/3.

Traz ainda o autor que e de uso obrigatorio do carimbo assinalado na Portaria no 344/98 so se da no [section] 2[degrees] do art. 40 para recebimento do talonario para prescricao de medicamentos e substancias das listas A1 e A2 (entorpecentes) e A3 (psicotropicos).

De acordo com CRF-SP (2017) a receita devera ser remetida ate o dia 15 do mes subsequente as Autoridades Sanitarias Estaduais ou Municipais e do Distrito Federal, por relacao em duplicata, que sera recebida pela Autoridade Sanitaria competente mediante recibo, a qual, apos conferencia, sera devolvida no prazo de 30 dias. Nao esta explicitada nas legislacoes acima citadas a necessidade de especialidade em psiquiatria ou neurologia para a obtencao de do talonario especial para receita amarela.

Em alerta terapeutico da ANVISA (2014) segue as orientacoes para os prescritores antes de prescrever metilfenidato, verifique se o paciente possui historico pessoal ou familiar de doencas cardiovasculares (taquicardia, hipertensao, infarto, derrame e morte subita), problemas psiquiatricos (convulsoes e doencas psicoticas, pois o paciente pode apresentar piora ou alteracao no comportamento, depressao, ideacao suicida, bipolaridade, agressividade e alucinacoes) ou abuso/dependencia de alcool, drogas, benzodiazepinicos e outros medicamentos com acao no sistema nervoso central;

Apesar de Carlini et al. (2003) descreverem em seu trabalho que tais farmacos seriam prescritos somente por especialistas e nao possuirem potencial de abuso. Fato nao observado nesse trabalho, onde parte significativa dos prescritores maior que 14%, considerando pediatras como nao especialidades para prescricao de TDAH, sao responsaveis diretos para a utilizacao desses farmacos. Em alerta terapeutico a ANVISA (2014) relata que a maioria dos prescritores sao psiquiatras e neurologistas, mas havendo um numero consideravel de prescritores nao especialistas.

Em relacao a dependencia e potencial de abuso em adultos que foram submetidos na infancia ao metilfenidato, Jaboinski et al. (2015) descreve a necessidade de se observar estudos mais profundos que possam afastar essa hipotese e aponta para o risco de adultos com propensao ao abuso de psicoestimulantes. Considerando seu alto potencial de abuso e dependencia, torna-se premente a adocao de debates que abordem a atual problematica do consumo indevido do metilfenidato, alertando a populacao para o mau uso, os efeitos adversos e as consequencias juridicas (BRATS, 2014).

E de se notar que todos os farmacos apresentam, em diversas apresentacoes e formulacoes, efeitos adversos e colaterais em comum como: Insonia, dor abdominal, cefaleia, taquicardia, dores gastrointestinais, reducao do apetite, mania, depressao, tendencia a agressividade, excessiva sonolencia, desordens psiquiatricas e hipertensao. Ainda em alerta terapeutico dado por ANVISA (2014) o uso destes medicamentos pode causar na faixa etaria de 14 a 64 anos os eventos graves envolveram acidente vascular encefalico, instabilidade emocional, depressao, panico, hemiplegia, espasmos, psicose e tentativa de suicidio.

Existe ainda, no alerta terapeutico a observacao para administracao destes farmacos, onde o metilfenidato pode diminuir o efeito de medicamentos anti-hipertensivos. Pode tambem inibir o metabolismo de anticonvulsivantes, anticoagulantes cumarinicos e antidepressivos triciclicos, aumentando o efeito destes medicamentos. A dose devera ser ajustada em caso de terapia concomitante.

5 Conclusao

Conclui-se que existe uma sazonalidade bimestral na venda destes farmacos com aumento no segundo semestre. Com prevalencia de metilfenidato de 10 mg de 30 e 60 comprimidos. Observa-se ainda que a maioria das prescricoes seja realizada por especialistas. Existe baseado na literatura uma tendencia a medicalizacao e a utilizacao destes medicamentos como ampliadores cognitivos.

Sugere-se a ampliacao do numero de estabelecimentos na cidade. Com a possivel descricao da idade e sexo dos usuarios para o calculo de DDD e analise da utilizacao destes medicamentos pela populacao.

6 Referencias

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Cristiano Guilherme Alves de OLIVEIRA *, Natalha Felisbino RIBEIRO, Juliano Gomes BARRETO, Denise Aparecida da SILVA & Rondinelli de Carvalho LADEIRA

Universidade Iguacu--Campus V--Faculdade de Farmacia. Itaperuna, Rio de Janeiro, Brasil.

* Autor para correspondencia: cristiano.farma@hotmail.com

DOI: http://dx.doi.org/10.18571/acbm.130

Caption: Figura 1: Dispensacao total por unidade de caixa de Metilfenidato, Lisdexanfetamina e Modafilina em 2016 (media= 23,75 e desvio padrao=9,24).

Caption: Figura 3: Dispensacao mde medicamentos mes a mes dos quatro primeiro mese de 2016 e 2017.
Tabela 1: Dispensacao de medicamentos por principio ativo e
formulacao.

Medicamento                2016   2017   Soma   Media    Tukey    DMS

Metilfenidato 10mg/30      133     62    195     97,5     33,5     A
Metilfenidato 10mg/60       94     34    128      64      62,5     A
Metilfenidato 10mg/30LA     3      0      3      1,5       1       B
Metilfenidato 20mg/30LA     1      0      1      0,5       0       B
Metilfenidato 40mg/30LA     1      0      1      0,5       -4      B
Metilfenidato 18mg/30       6      3      9      4,5      2,5      B
Metilfenidato 36mg/30       4      0      4       2       0,5      B
Modafinila 100mg/30         3      0      3      1,5      -2,5     B
Modafinila 200mg/30         5      3      8       4      -14,5     B
Lisdexanfetamina 30mg/28    18     19     37     18,5     8,5      B
Lisdexanfetamina 50mg/28    10     10     20      10      7,5      B
Lisdexanfetamina 70mg/28    3      2      5      2,5      2,5      B

Tabela 2: Diferenca estatistica da dispensacao por especialidade
medica pelo metodo de TUKEY.

Grupo                     Contagem    Soma    Media    DMS

Neurologista                  2        271    135,5     A
Psiquiatra                    2        83      41,5     B
Pediatra                      2        36       18      B
Dermatologista                2         2       1       B
Patologista                   2         2       1       B
Ginecologista/obstetra        2         6       3       B
Cirurgiao plastico            2         3      1,5      B
Oncologista                   2         2       1       B
Oftalmologista                2         4       2       B
Pneumologista                 2         2       1       B
Clinico geral                 2         1      0,5      B

Figura 2: Quantidade total de medicamentos dispensados nos
quatro primeiros meses de 2016 e 2017.

Ano    Quantidade dispensada

2016    67
2017   133

Note: Table made from bar graph.

Figura 4: Dispensacao de medicamentos por especialidades medicas.

                     2016      2017

Neurologista          174        97
Psiquiatra             63        20
Pediatra               29         7
Dermatologista          2         0
Patologista             2         0
Ginecologista           5         1
Cirurgiao               0         3
Oncologista             2         0
Oftamologista           0         4
Pneumologista           1         1
Clinico Geral           1         0

Note: Table made from bar graph.
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Author:de Oliveira, Cristiano Guilherme Alves; Ribeiro, Natalha Felisbino; Barreto, Juliano Gomes; da Silva
Publication:Acta Biomedica Brasiliensia
Date:Jul 1, 2017
Words:4748
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