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UNIVERSITY, YOUTH AND RESISTANCE: A REPORT OF BRAZILIAN UNIVERSITY REFORM IN 1968/UNIVERSIDADE, JUVENTUDE E RESISTENCIA: MEMORIA DA REFORMA UNIVERSITARIA BRASILEIRA DE 1968.

INTRODUCAO

Algumas criacoes humanas tem demonstrado uma capacidade de se manterem como entes indissociaveis da propria ideia de uma sociedade. Sao categorias sem as quais seria desestabilizada a fundacao do edificio civilizatorio ocidental. A ideia de Justica, de Democracia, o Direito e o Estado tem demonstrado essa capacidade de sobrevida. A Universidade tambem parece ter tal potencial, pois que permanece como uma das mais antigas criacoes da humanidade. Mais recente historicamente, a nocao de juventude, assim como a da infancia, constituiu-se como referencia identitaria que ajuda a organizar o corpo social na modernidade, e parece vocacionada ao nao-desaparecimento.

Ao propor uma reflexao que envolvesse a Universidade, a juventude e uma proposta de resistencia, foram dispostas as seguintes perguntas de partida: ha uma relacao necessaria entre Universidade e juventude? E ha uma relacao igualmente necessaria entre juventude e resistencia? Em outros termos, uma crise da juventude e tambem uma crise da Universidade? E uma crise da Universidade e uma crise da juventude? Para obter respostas confiaveis, e preciso definir o que se entende, para fins desta reflexao, por Universidade, por juventude e por resistencia. Tambem sera preciso dimensionar um recorte espacial e temporal a fim de garantir objetividade a pesquisa. Assim, especificamente sera investigada a Universidade e a juventude brasileiras pensadas a partir do episodio historico mais significativo de resistencia da juventude universitaria brasileira: os debates em torno da Reforma de 1968.

Desta forma, o artigo foi construido em tres partes: na primeira parte foram feitas as consideracoes sobre a proposta e a vivencia de Universidade, desde a sua origem europeia ate sua instalacao no Brasil; na segunda parte, foram sistematizadas nocoes de juventude; na terceira parte, poe-se em foco a reforma do ensino superior no Brasil em 1968 e o protagonismo assumido pela populacao discente da universidade de entao. Por fim, as ideias apresentadas foram articuladas com a proposta de ser a Universidade um espaco de resistencia e a juventude a protagonista dessa tarefa social. Trata-se de pesquisa bibliografica, com revisao de literatura e analise das conexoes entre Universidade, juventude e resistencia no Brasil contemporaneo. Propoem-se como um inventario memorialista, por meio de revisao de literatura, ao qual se acrescenta uma reflexao critica.

UNIVERSIDADE

A Universidade e uma invencao da Idade Media europeia. Trata-se de uma forma especifica de producao, partilha e apropriacao do conhecimento. Determina uma forma escolar do saber, acima de tudo organizada e registrada. Estrutura-se a partir do modelo de hierarquia da Igreja Catolica medieval. A dependencia do catolicismo assinala seu nascimento, bem como os tracos de apego a busca por uma verdade divina, a escolha do trivium e do quadrivium como metodologia de ensino e a predominancia do latim e do grego. Este trabalho adotara a perspectiva proposta por Le Goff (2014) de conhecer outra Idade Media, uma Idade Media total, relativa ao intervalo entre o baixo Imperio Romano e a Revolucao Industrial dos seculos XVIII e XIX, que se compreende pelo cruzamento de multiplas fontes. Nesta perspectiva, buscara identificar que consciencia a Universidade medieval teve de si mesma e como se davam as relacoes entre a Universidade e os poderes publicos no Renascimento, com o objetivo de descobrir mais sobre quem eram os primeiros universitarios.

Antes se diga que a Universidade nasceu de um mundo que cultivava o saber em nucleos culturais dispersos, que dispunham de bibliotecas que atraiam homens para uma convergencia de saberes (BRAGA, 2006). Dai talvez se herde o que se identifica como a consciencia docente, que indica aos professores, desde o medievo, que os metodos e finalidades de seus ensinos e pesquisas sao relativamente autonomos. Para nascer, ao final do seculo XI, a Universidade se ergue aos poucos em torno de concessoes monarquicas, bulas papais, chancelas e privilegios, e possiveis intervencoes dos Tribunais da Inquisicao. Predomina um "agostinianismo" que impoe a crenca de que o decisivo e a consciencia moral, o aprimoramento do espirito para iluminar a inteligencia na busca de reconhecer a lei divina eterna. Seus alunos, em geral, nao possuiam dinheiro para sagrarem-se cavalheiros do Rei e eram por demais mundanos para a ordenacao e o celibato, no seguimento de uma carreira eclesiastica stricto sensu. Havia desde sua criacao um perfil para sua populacao.

Le Goff (2014), ao debrucar-se sobre a nascente Universidade de Paris, indica o conflito entre medicantes e seculares no seculo XIII como o momento em que os universitarios parisienses tomam consciencia de si, uma vez que a disputa consistia em afirmar, com os seculares, ou negar, com os mendicantes/franciscanos, a compatibilidade do duplo pertencimento a uma ordem monastica e a uma corporacao universitaria. Com isso, os seculares se viram obrigados a construir uma base teorica para dar suporte a sua consciencia profissional. A questao tambem separava arte e oficio, conferindo uma especificidade ao trabalho do universitario. Ainda segundo Le Goff (2014, p.248), se "os universitarios dos seculos XII e XIII tinham consciencia de sua vocacao de descobridores, os do seculo XV se contentam em ser conservadores".

Ao tecer consideracoes sobre as Universidades e os poderes publicos na Idade Media e no Renascimento, Le Goff (2014, p. 257), afirma que, ao se apresentarem como corporacoes, as Universidades medievais buscavam um monopolio escolar, isto e, procuravam assegurar "antes de tudo o monopolio da colacao de graus que as coloca, principalmente no comeco de sua historia, em conflito com a autoridade eclesiastica, mas nao com os poderes publicos". O que conferia a Universidade nascente no medieval algum prestigio foram, simultaneamente, sua precoce condicao de centro de atividades sociais e culturais e a exclusividade na concessao de graus: a licenca para ser professor (preceptor), o grau de bacharelado, que tornaria o estudante assistente de um mestre, e o doutorado, reservado para aqueles que podiam pagar a regia festa comemorativa do grau. A Universidade gerava um sistema que se retroalimentava. Como corporacao, gozava de privilegios especiais, tais como a isencao de patrulha e de servico militar, de acordo com o carater clerical dos universitarios.

Outro aspecto ressaltado por Le Goff (2014, p. 258) era a forma de remuneracao do trabalho docente. Embora haja versao bastante disseminada de que tal trabalho era pago diretamente pelos estudantes (ate com presentes na ocasiao das provas), os professores profissionais nao conseguiam viver dessa coleta: "o essencial de sua remuneracao vinha, portanto, junto com beneficios eclesiasticos, salarios e rendas que lhes eram concedidos pelas cidades, pelos principes e pelos soberanos". Le Goff ressalta que os poderes publicos exigiam o direito de representacao ligado ao patronato e, assim, a corporacao universitaria muitas vezes nao gozava inteiramente de um dos privilegios essenciais de uma corporacao: o controle e a autonomia de recrutamento.

Se a Universidade no seculo XV ja era conservadora, tambem se deve reconhecer que contribuiu, como centro de formacao profissional, para o adensamento da burocracia que mais tarde se apossaria do Estado. Ao lado deste aspecto utilitario do seu trabalho, a Universidade se firma como grupo economico de consumidores, havendo um setor especifico em que era, ao mesmo tempo, consumidor e produtor: o mercado de manuscritos. As universidades formavam, entre a populacao urbana, um grupo masculino, em sua grande maioria de jovens e celibatarios. Segundo Le Goff (2014, p.262), o carater clerical deste grupo era suficientemente frouxo para que grande numero deles nao se sentisse tao submisso a certas regras de conduta dos eclesiasticos, especialmente a continencia, a sobriedade e a abstencao da violencia: pelo contrario, seguros dos privilegios juridicos que lhes conferiam, se nao a impunidade, ao menos sancoes menos graves, "um grande numero de universitarios [e isso, ainda que evidentemente em menor medida, tanto vale para os mestres quanto para os estudantes] se envolvem em atos violentos proprios da idade [ ... ]".

A ideia de pertencimento a um segmento etario parece justificar a expectativa de tumultos protagonizados pela juventude universitaria. Le Goff (2014) narra o envolvimento dos universitarios nas rixas, nas perturbacoes noturnas, nas praticas de jogos de azar, na frequencia de tabernas e prostibulos, nascendo o mito da boemia estudantil. Em resumo, como uma instituicao fortemente hierarquizada e apegada a tradicao, era o local mais propicio ao germe do seu contrario. Dai porque se diz que todo Reitor sabe melhor do que ninguem da vocacao da juventude para insurgencia, revoltas e motins.

Fator que influiu para transformacoes da Universidade medieval foi a Reforma Luterana e com ela o triunfo do principio "cujus regio jus religio". As universidades se dividiram em Catolicas e Protestantes e tal divisao contribuiu para acelerar a nacionalizacao ou, antes, a regionalizacao das universidades. Para Le Goff (2014, p.269), o fato de que o Humanismo se desenvolveu em parte fora das universidades sinaliza como elas foram perdendo o monopolio da cultura e da ciencia para outras formas de comunidades de pensadores, estudiosos e pesquisadores, o que teria favorecido a conversao da carreira universitaria numa profissao laica. Ao longo do seculo XVIII, foi fora das Universidades que os pensadores da modernidade puderam elaborar seus pensamentos e enunciar suas descobertas (2). A Universidade, porem, preservou sua existencia por meio de uma capacidade de reorientar-se institucionalmente, com a burocratizacao do Estado moderno.

Passada a era das revolucoes, a reestruturacao do Estado, no seculo XIX, trouxe as universidades para dentro da estrutura do big government, com boas instalacoes e professores e funcionarios integrantes de uma burocracia leiga e nacional. A Universidade definitivamente assume o papel de formar tambem os burocratas que ocupariam os espacos profissionais dentro da estrutura estatal; deixa de ser uma instituicao que se retroalimentava e passa a ter funcao social relevante. Dentro da Universidade, o incremento na producao de livros impressos permitiu o abandono das praticas de oralidade e memorizacao, viabilizando condicoes para a reflexao (3). A consolidacao do Estado-Nacao determinou um modelo de universidade para a Inglaterra, para a Alemanha, para a Franca, para os Estados Unidos, como projetos nacionais, cuja especificidade escapa a este estudo.

Com a chegada dos europeus na America, varias instituicoes de transplantaram. O cenario nas Americas distingue os ibericos entre si no que se refere a instalacao de universidades. Em toda a America espanhola houve um esforco em prol da educacao formal. A Universidade Nacional Maior de Sao Marcos, em Lima, no Peru, e a mais antiga no continente americano, criada em 12 de maio de 1551, com curso de Teologia, para formar os novicos na regiao. A Universidade do Mexico foi fundada em 1553 e havia estabelecimentos similares nos principais centros coloniais hispanicos, embora nao existisse um sistema organizado de escolas primarias, voltadas a tarefa de que todos aprendessem a ler e escrever. Na colonia portuguesa, de acordo com Romanelli (2014), o empreendimento educacional foi inicialmente protagonizado pelos jesuitas e objetivava antes de tudo a difusao e a conservacao da fe catolica, em alianca com o projeto colonizador da Casa Portuguesa. Em 1550, os jesuitas fundam um colegio na Bahia e em 1553 inicia-se o curso de Humanidades. Em todo caso, tais instituicoes objetivavam ser uteis a causa missionaria. Duzentos anos depois, por volta de 1750, o Marques de Pombal entenderia que a educacao deveria ser util para o atendimento dos fins do Estado, expulsando os jesuitas e destruindo o sistema colonial de ensino. Nao houve folego para que o Estado ocupasse esse espaco.

Apontado como legado desta decisao, o apego da universidade no Brasil ao que se chama cientificismo divide opinioes, pois gerou os Institutos de Ensino Superior, de natureza mais profissionalizante, e que mais tarde seriam reunidos para formar as universidades no Brasil. A fragmentacao ou especializacao de saberes passou a ser a orientacao pedagogica nacional, desde que Dom Joao instalou, a partir de 1810, as Academias Reais para o estudo da Medicina e das Engenharias, e so depois criando os primeiros cursos de Direito em 1827, com o Brasil ja independente. As faculdades nasciam e viviam isoladas e seriam depois reunidas sob uma Universidade. Dai porque a UnB, inaugurada em 1962, representava a realizacao do projeto invertido: concebida com a intencao de ser o melhor projeto educacional da America Latina, desde o seu nascimento objetivava gerar uma comunidade de pensadores integrados e capazes de diagnosticas problemas e oferecer solucoes a sociedade brasileira. De acordo com Sousa Junior (2012, p.7), a UnB era um projeto de "universidade-semente" capaz de refletir e gerar o desenvolvimento do pais: "essa Universidade, necessaria para o pais, realizaria a conciliacao da producao de conhecimento com as necessidades sociais brasileiras, concretizando o sentido utopico transformador da Universidade". Foi objeto do maior desmonte da historia da educacao brasileira, conforme narrado por Darcy Ribeiro em suas "Confissoes".

Considerando que a construcao de uma estrutura burocratica federal se iniciou realmente no Brasil com Vargas nos anos 30, e este o periodo em que as Universidades federais se adensaram, pela federalizacao de faculdades isoladas que muitas vezes estavam sob o orcamento dos estados, medidas reforcadas no segundo governo de Vargas entre 1951/54. Desde os anos 1920, surgem demandas urgentes ligadas a educacao. E o periodo do "inquerito sobre a educacao no Brasil" e dos educadores e gestores de educacao, como Fernando de Azevedo, Anisio Teixeira, Lourenco Filho e Gustavo Capanema. E tambem o periodo de criacao da UNE, em 1935, num tempo que a Juventude Integralista e a Juventude Comunista eram as organizacoes que, em geral, congregavam os estudantes das diversas faculdades. Surgem a USP (1934), a UFRJ (criada em 1920 como Universidade do Rio de Janeiro e nominada de Universidade do Brasil em 1937, adotando o nome de UFRJ em 1965), a UNIFESP (federalizada em 1956), a UFPE e a UFBA (criadas em 1946), a UFC (criada em 1954).

Citando um exemplo de como ocorreu esse processo, de acordo com Martins Filho (1996), em 1944 foi encaminhado ao entao Ministerio da Educacao e Saude um relatorio sobre a refederalizacao da Faculdade de Direito do Ceara: este e o marco documental da origem da UFC. No mesmo ano, o Ministro foi recepcionado na Faculdade de Direito e provocado por um documento com quase dez mil assinaturas que pleiteava uma Universidade para o Ceara. Um Memorial, preparado em 1953 e que contou com a participacao em sua redacao do constitucionalista Paulo Bonavides, foi encaminhado ao Ministerio da Educacao. Em setembro de 1953, Getulio Vargas envia o projeto de lei que criaria a UFC, que somente concluira o tramite ao final da legislatura de 1954. A Lei no 2373/54 criou a Universidade Federal do Ceara. Martins Filho (1996) destaca a participacao dos estudantes ao longo de todo o processo.

Ressaltando por fim que foi a LDB de 1961 que determinou a participacao dos estudantes nos colegiados e demais instancias deliberativas das Universidades, antes da pesquisa de memoria sobre os episodios de reforma de 1968, sera investigada a concepcao de juventude como um dos argumentos deste estudo.

JUVENTUDE

A nocao de juventude assume uma forma definida quando, de acordo com Savage (2009, p.11), os americanos comecaram a usar a palavra teenager para descrever uma categoria de jovens com idade entre 14 e 18 anos. Desde o inicio foi um termo de marketing que refletia o poder de consumo recentemente visivel no adolescente; assim, "o fato de que, pela primeira vez, os jovens se tornaram um publico-alvo tambem significava que eles tinham se transformado num grupo etario especifico, com rituais, direitos e exigencias proprios". O autor realiza entao, a partir dai uma pesquisa de regresso ao que chama de pre-historia do teenager, enquadrada nos intervalos entre os anos 1875 e 1945.

Para a conformacao desse conceito, varios aspectos convergiram. A Europa fornece seu referencial de juventude na imagem dos romanticos e da juventude revolucionaria do fim do seculo XVIII (4). Em meados do seculo XIX ja se registram, nos Congressos criminalistas, a preocupacao com a delinquencia juvenil (OLMO, 2004, p.85 e ss). A organizacao de um exercito profissional com a sedimentacao do Estado-nacao tambem teve impacto na conformacao da ideia de juventude. Savage (2009, p.33) reporta o interesse das organizacoes armadas em recrutar os jovens, identificando a fase dos 18 aos 24 anos com o melhor grupo etario para formar um exercito que com facilidade se despediria da vida "sem angustias" por nao estarem ainda presos as obrigacoes da vida adulta civil, ou seja, prontos para matar e morrer.

Por outro lado, este movimento de identificacao tambem atribui um papel social ao jovem. Os estudos de juventude realizados nos anos 1960 e 1970 sao referencia historica da preocupacao das ciencias sociais com a juventude (5). Esses estudos levaram a construcao de uma pauta de politicas publicas especificas para a juventude, abandonando-se o paradigma dos jovens como um problema e da juventude como uma passagem, para a compreensao da juventude como um estado psiquico de comprometimento com um sentimento amplo em relacao a capacidade de mudar a sociedade, e de que, ademais, a juventude nunca acaba, pois nela estao os tracos mais profundos da personalidade, que nos acompanharao por toda a vida.Sendo objeto de investigacao de varios saberes, como a Sociologia e a Psicologia, no Direito a compreensao da Juventude tambem possui uma trajetoria que vai da compreensao de "juventude perigosa" a categoria "juventude sujeito de direitos".

Conforme Mattos, Teixeira e Osorio (2008), ao fazer um levantamento historico sobre a participacao politica da juventude brasileira nas diferentes epocas, encontram-se os primeiros estudos nos anos 1960, com a participacao dos jovens nos movimentos estudantis; nos anos 1980 os jovens foram considerados individualistas e indiferentes a atuacao politica; mas nos anos 1990 houve uma retomada dos interesses nas atividades coletivas, acentuadamente na esfera cultural; no inicio do seculo XXI, a modalidade de participacao apontada por pesquisas, mostra uma juventude mais sintonizada com sua realidade: sao acoes grupais comunitarias e voluntarias, muitas vezes apoiadas por instituicoes religiosas, associacoes de bairros e organizacoes nao governamentais.

Para alcancar o estudo sobre o movimento de resistencias a reforma universitaria em 1968 no Brasil, e preciso que neste estudo se verifique, ainda que de forma superficial, os chamados movimentos de massas do seculo XX, e se faca, tambem, uma parada historica no ano de 1968, especialmente para revisitar o famoso "Maio de 1968".

O fascismo, movimento de massas que varreu o Ocidente na primeira metade do sec. XX, entendia a cidadania como a participacao em cerimonias de massa de afirmacao, conformidade e homogeneizacao. Segundo Almeida (1982, p.21), desde o primeiro dia de governo nazista na Alemanha estava assinada a sentenca de morte para o movimento operario, cujas organizacoes seriam pulverizadas pela "armadilha do fascismo, que levou a liquidacao total da forca acumulada pelo movimento operario durante decenios". Para Savage (2009, p.279), os nazistas subiram ao poder "evocando uma abstracao de juventude como um agente ativo de mudancas e realmente mobilizando os jovens por meio da mistica do conflito, acao e pertencimento". Os grandes desfiles eram destinados a influenciar as emocoes dos jovens descontentes. No fim de 1933, quase 3,5 milhoes de jovens alemaes ingressariam na Juventude Hitlerista, o que corresponde a quase metade da populacao jovem da Alemanha de entao. Tal adesao, prossegue o autor, devia-se em parte ao sistema de coercao montado pelo novo regime, mas os nazistas tambem aproveitavam o "antagonismo entre geracoes" como argumento de adesao e convencimento.

As estrategias preferidas de convencimento do fascismo foram a intimidacao e o medo. Antes de chegar ao Reichstag em 1930, o partido nacional socialista nao era considerado um partido politico serio, mas pouco mais que um grupo de terroristas marginal. Segundo Paxton (2007, p. 214), uma das chaves do sucesso de Hitler foi a sua disposicao para cometer assassinatos. Por isso, e equivocada a nocao de que bastava apenas o lider carismatico para arrastar as multidoes. Segundo Paxton (2007), todas as geracoes de estudiosos do fascismo notaram que esses regimes se baseavam em algum tipo de pacto ou alianca entre o partido fascista e as poderosas forcas conservadoras. De acordo com Paxton (2007, p.198), no inicio da decada de 1940, o social-democrata refugiado Franz Neumann afirmou, em sua obra classica Behemoth, que "um 'cartel' formado pelo partido, pela industria, pelo exercito e pela burocracia, governava a Alemanha nazista, unidos apenas pelos objetivos do lucro, poder, prestigio, e principalmente medo".

Muitas sao as imagens do fascismo. Talvez por ser a mais explicitamente visual de todas as formas politicas, o fascismo muitas vezes e evocado pelo senso comum na figura de um ditador discursando para uma multidao em extase e fileiras de jovens militarmente disciplinados desfilando em paradas. Efetivamente, segundo Paxton (2007, p.234), ' "os regimes fascistas lancaram-se a construcao do novo homem e da nova mulher (cada qual na esfera que lhe era propria)". A desafiante tarefa que competia aos sistemas educacionais era a de fabricar "novos" homens e mulheres, que seriam simultaneamente lutadores e suditos obedientes. Se os sistemas educacionais dos estados liberais, alem da sua missao de auxiliar os individuos a realizar seu potencial educacional, ja tinham o compromisso de moldar seus cidadaos, os estados fascistas puderam utilizar os quadros e as estruturas educacionais ja existentes, introduzindo apenas uma alteracao na enfase e passando a privilegiar os esportes e o treinamento fisico militar. Assim, algumas das funcoes tradicionais da escola foram absorvidas pelas organizacoes paralelas do partido, tais como os movimentos de juventude de filiacao obrigatoria: "nos estados fascistas, todas as criancas eram automaticamente matriculadas em organizacoes do partido, que estruturavam suas vidas desde a infancia ate a universidade" (PAXTON, 2007, p.234).

Tem-se entao mais uma das viragens no proposito da Universidade. De instituicao conservadora no seculo XV, concorre como formadora da inteligencia do seculo XVIII, em seguida torna-se a "educadora do cidadao" do projeto de Estado-nacao, e, pelo fascismo, e entendida como sendo parte integrante de um projeto de formacao integral do "novo homem e da nova mulher" nos projetos totalitarios do inicio do seculo XX, tendo como alvo principal a juventude. Neste ultimo cenario, a relacao necessaria entre Universidade e juventude esta na superficie do proj eto politico e torna-se visivel e inquestionavel.

Por sua vez, em um balanco dos 40 anos do "Maio de 68", Morin (2010, p.29) o definiu como uma revolta plurinacional de estudantes, que acontece em paises tao diferentes quanto os Estados Unidos, a Alemanha, o Egito, a Polonia; para o sociologo frances, de certo modo, no mundo todo se ve esse movimento estudantil, ja nos anos 1960, na California, que se "manifesta por meio de uma cultura que viria a se chamar contra cultura, tentativa dos jovens de fazer uma cultura diferente da do mundo em que viviam, criando comunidades". Segundo Morin (2010), nos anos 60 do seculo XX aconteceu uma verdadeira expansao dos limites do conhecimento, alterando a visao que as pessoas tinham do mundo ao seu redor e do proprio universo. A ascensao da ecologia, novas descobertas da astronomia, o declinio das metanarrativas e das explicacoes totalizantes veiculadas na utopia comunista e, ao mesmo tempo, o abalo na crenca do progresso impulsionado pelo capitalismo, concorreram para minar o sentimento de esperanca entre os humanos, instalando uma crise do progresso que se traduzia numa crise de futuro.

Por outro lado, Fonseca Neto (2007, p.65) ressalta o aumento expressivo do contingente estudantil no pos-guerra como causa dos movimentos, conforme os numeros trazidos por Hobsbawn: de cem mil na Franca em 1945, a populacao universitaria era de 651 mil em 1968 e "ir para a Universidade deixou de ser um privilegio que, por si so, deixava alegre o estudante". Ao mesmo tempo, instalava-se uma recessao economica que levou a Universidade na Franca a um periodo de austeridade, no qual a preocupacao com a administracao tornou-se mais importante que as questoes didaticas. Ha ainda outro fator revolucionario: a ida das mulheres para a Universidade a partir do segundo pos-guerra, ampliando exponencialmente o movimento feminista, de carater insurgente ou subversivo da ordem patriarcal.

Maio de 68 foi, essencialmente, uma revolta de jovens que investiram contra a autoridade, qualquer que fosse. Pode-se mesmo falar de uma teoria francesa pos-68, sintetizada em estudo de Lotringer (2010). Tal teoria objetivava desenvolver estrategias de jogar o capitalismo contra ele mesmo, a fim de libertar o ser humano da logica da alienacao do capital. Lotringer (2010) denuncia a emergencia da sociedade do simulacro, no rastro da cultura de massas, a ritualizacao cotidiana do espetaculo, os micropoderes e biopoderes de que fala Foucault, e a aceleracao da tecnica e do tempo, que geram uma distopia desterritorializante, impedindo a compreensao do sentido das coisas que nos rodeiam.

E preciso indagar de que forma podem ser percebidos reflexos desse movimento no Brasil. De maneira geral, o seculo XX foi um cenario rico em termos de desenvolvimento e atuacao politica, por meio de partidos politicos e sindicatos, bem como outras formas associativas como "centros", "unioes" e "ligas", nas quais a participacao da juventude era possivel. Segundo Moraes Filho (1988, p.36), "em meio a agitacao, logo no dia seguinte da Republica, surgem os primeiros partidos operarios e socialistas do Brasil, mas de cunho reformista do que propriamente revolucionario". Mas a efemeridade foi a caracteristica de praticamente todos estes grupos: surgiam, lancavam manifestos e desapareciam logo depois de alguns meses ou um par de anos. Com existencia legal efemera na primeira decada de existencia, o Partido Comunista Brasileiro--PCB significou a associacao dos brasileiros ao clube mundial dos revolucionarios, em 1922. Em 1937 foi fundada a UNE.

Ate os anos 1950, entretanto, nao e possivel falar de movimento estudantil organizado no Brasil simplesmente pela ausencia de uma populacao universitaria que somente foi adensada a partir de entao, com a instalacao das Universidades no Brasil ocorridas na primeira metade do seculo XX. A juventude, que se organizava em torno dos movimentos comunista e integralista nos anos 1930 e 1940 para exercer uma atividade politica, vai se encontrar nas recem-instaladas Universidades, dando impulso a um movimento estudantil que uniria grupos ate entao tao atomizados quanto a estrutura de ensino superior brasileira. A partir dai, ha uma rica memoria do movimento estudantil brasileiro, que sera analisado no proximo item.

RESISTENCIA: MEMORIA DA REFORMA UNIVERSITARIA DE 1968

E no periodo que compreende os anos 1950 e 1960 que se define, no Brasil, a estrutura que o ensino superior adotara nas decadas seguintes. O regime militar instalado em 1964 tracou uma politica de recuperacao economica e, de acordo com Romanelli (2013, p.202), constatou-se "uma aceleracao do ritmo do crescimento da demanda social de educacao, o que provocou, consequentemente, um agravamento da crise do sistema educacional, crise que ja vinha de longe". Essa crise acabou por servir de justificativa para a assinatura de uma serie de convenios entre o MEC e seus orgaos e a Agency of Internacional Development (AID), para assistencia tecnica e cooperacao financeira a organizacao do sistema educacional brasileiro. Esse periodo e conhecido como dos "Acordos MEC-Usaid", marcado por medidas legais que reformaram o ensino superior a partir das orientacoes tecnicas da AID, por meio da Comissao Meira Matos. Os acordos MEC-Usaid, ao provocarem protestos de todos os lados, teve como efeito o agravamento da crise educacional que se arrastava desde os anos 1950. De acordo com Romanelli (2013, p.203), a Comissao Meira Matos tinha um duplo objetivo: "atuar como interventora nos focos de agitacao estudantil e estudar a crise em si, para propor medidas de reforma". Sob este ultimo aspecto, entretanto, o relatorio que a comissao apresentou nada mais fez do que reforcar as propostas originarias dos Acordos MEC-Usaid. Quanto aos "focos de agitacao estudantil", foram se constituindo como uma forca legitima de resistencia, ao lado da resistencia docente.

O movimento estudantil brasileiro, nos anos 1950 e 1960, caracterizava-se como modelo de movimento social verticalmente organizado e apresentava como traco essencial o monopolio institucional da representacao. Oficializado segundo o modelo dos sindicatos, o movimento estudantil se estruturava verticalmente: o Centro Academico era o orgao oficial da faculdade; seu presidente tinha assento no Conselho Departamental e a filiacao dos estudantes era automatica; em Universidades oficiais, o Diretorio contava com alguma verba, franquia postal e o direito ao timbre com as armas da Republica. A Uniao Nacional dos Estudantes--UNE--contava com sua parte no orcamento governamental. Esse tipo de organizacao fazia com que a UNE representasse os 100 mil universitarios da epoca.

De acordo com Guilhon de Albuquerque (1977), as manifestacoes envolvendo a reforma universitaria de fins dos anos 1950 mobilizam os estudantes universitarios brasileiros, iniciando a trajetoria de um movimento que so vai tomar forma completa na decada seguinte. Em 1960, no Brasil havia dez universidades federais, seis estaduais, oito particulares e tres rurais. Em 1961, os estudantes reivindicavam ampliar sua participacao no poder, periodo em que ocorre a renuncia de Janio Quadros. Martins Filho (1996) registra um intenso movimento dos estudantes durante o ano de 1962 para efetivar a participacao dos estudantes nos orgaos colegiados das Universidades, conforme previsao da LDB de 1961. A movimentacao incluia paralisacao das atividades didaticas, com ocupacao das Universidades pelos grevistas. Sob o argumento de preservacao do patrimonio publico da Uniao, muitas vezes o Comando Militar era informado das movimentacoes pelos dirigentes das Universidades. No Rio de Janeiro, em Belo Horizonte e em Fortaleza, os gestores estavam convencidos de que somente o Exercito se encontrava em condicoes de assegurar a manutencao da ordem no meio universitario. Efetivamente, Martins filho (1996, p.130) registra que no dia 27 de julho de 1962, todas as dependencias da Universidade Federal do Ceara "inclusive o Clube dos Estudantes Universitarios, ja estavam ocupadas pelas tropas do Exercito", episodio que contou com a participacao direta do General Castello Branco, entao Diretor Geral de Ensino do Exercito. Tal narrativa e exemplificativa das demais.

Desde 1962, os estudantes formulavam a proposta de uma reforma universitaria, uma vez que, de acordo com Fonseca (2007, p.98), para eles a Universidade estava alienada da realidade brasileira, sendo "uma forte aliada do capitalismo selvagem e fator de manutencao da classe dominante". Propunham uma reforma que pusesse a Universidade a servico das massas populares, refletindo a consciencia nacional e popular da realidade brasileira, influenciados pelas propostas de Paulo Freire de uma educacao libertadora. Ha uma intensa producao de atividade nos CPCs, os Centros Populares de Cultura.

Por sua vez, a celebracao dos acordos MEC-Usaid iniciou uma ampla reforma do ensino brasileiro em muito contraria as pretensoes formuladas nos anos anteriores. Os estudantes pleiteavam ampliacao das vagas e do numero de professores nas Universidades publicas, com aumento de verbas e recursos, com a criacao de ciclos basicos para a integracao de toda a universidade e extincao das catedras para uma universidade critica, livre e aberta. Ao inves disso, o discurso da reforma tem outro tom: visava a eficiencia, modernizacao e flexibilidade administrativa; a universidade seria organizada dentro de um modelo empresarial e burocratico com a missao de ser eficiente; as materias filosoficas mais reflexivas se tornaram optativas e abriram-se os caminhos para as escolas superiores particulares. De acordo com Romanelli (2013, p.218), o que predominava nos acordos MEC Usaid eram os programas para o ensino superior: "o esquema de reformulacao estrutural das Universidades e proposto de forma bastante clara e visa a uma dependencia direta das instituicoes dos paises subdesenvolvidos as instituicoes americanas de ensino superior".

Romanelli cita as afirmacoes de R Atcon quanto a "conseguir a formacao do espirito civico e da consciencia social, conforme os ideais de desenvolvimento pacifico (destacado por Romanelli) de respeito aos direitos humanos e de justica social" (ROMANELLI, 2013, p.219). Para a autora, de acordo com tal concepcao, nao caberia a Universidade nenhuma acao inovadora, revolucionaria, mas somente acomodadora, atribuindo a Universidade uma missao conservadora. Ao criticar os educadores brasileiros, os principios que orientavam a reforma justificavam-se no fato de que ate entao, no Brasil, os educadores nao tivessem conseguido impor a sociedade o seu ponto de vista, porque nao teriam surgido pensadores educacionais no Brasil com uma clara compreensao dos problemas nacionais. Tal pressuposto revela-se infundado, diante de uma rapida incursao historica em torno dos educadores brasileiros do seculo XX. Ademais, conforme Costa (2015a, p.232), Atcon partia do pressuposto preconceituoso de que "o fato de o pessoal da Universidade estar ligado aos canones do servico publico era responsavel por todos os males que recaiam sobre a Universidade brasileira" e assim o projeto Atcon sugeria "como primeirissima tarefa de reformulacao universitaria no Brasil a desvinculacao do pessoal docente e administrativo dos canais do servico publico".

Os anos de 1963/64 caracterizam a luta pelo poder e a partir de 1964 inicia-se a fase da luta contra o poder. Martins Filho registra uma intensa preocupacao com a reacao dos estudantes no 1 de abril de 1964, tendo ocorrido em 02 de abril a ocupacao do Clube dos Estudantes Universitarios da Universidade Federal do Ceara pela policia. A Lei Suplicy (Lei no 4464/64) tornou ilegais as atividades politicas estudantis. Ilegal e com sua sede tomada e interditada pela policia, a UNE continua a atuar clandestinamente. A Lei Suplicy dispunha sobre os orgaos de representacao dos estudantes, sendo seguido pelo Decreto Lei no 228, de 1967, que, ao art. 11 estabelecia ser vedada aos orgaos de representacao estudantil qualquer acao, manifestacao ou propaganda de carater politico-partidario, racial ou religioso, bem como incitar, promover ou apoiar ausencias coletivas aos trabalhos escolares; no paragrafo unico lia-se que a inobservancia do artigo acarretaria a suspensao ou a dissolucao do DA ou do DEC.

Em 1967, vieram as reformas da representacao estudantil, eliminando-se a antiga estrutura de ambito nacional, mediante determinacao de que os orgaos de representacao discente se limitassem ao ambito exclusivo de cada Universidade, mantidos os diretorios academicos para cada unidade e o Diretorio Central dos Estudantes (DCE) para cada Universidade. Com isso, eliminou-se a coordenacao nacional do movimento estudantil levada a cabo pela ex-Uniao Nacional dos Estudantes, que havia alcancado, nos ultimos anos anteriores ao regime militar, uma forca politica consideravel. Os relatorios derivados das comissoes instituidas pelo governo militar para emitirem pareceres sobre as reivindicacoes, teses e sugestoes referentes as atividades estudantis, concluiam pela existencia de uma "crise de autoridade no sistema educacional" (ROMANELLI, 2013, p.230). Cheg ou-se a propor que fosse revista a concessao da autonomia administrativa e disciplinar nas Universidades conferidas pela LDB de 1961, bem como o modelo de eleicao dos Reitores e Diretores, que deveriam ser indicados pelo presidente da Republica, independente de indicacao ou consulta as Universidades. Somente para ilustrar, cite-se que nestes documentos ja se inscreviam propostas para a instituicao de cobranca de anuidades do ensino superior "como forma de obter mais justica social", que ainda divide a sociedade brasileira 50 anos depois, e a instituicao de um vestibular unificado, que viria a ser uma realidade com a instituicao do sistema ENEM/SISU a partir da adesao das Universidades desde 2011.

De acordo com Romanelli (2013, p. 227), com tais propostas "o governo acabou por ensejar uma radicalizacao total do movimento estudantil liderado pela esquerda, lancando-o, de uma vez por todas, na luta politico ideologica que passou a existir na clandestinidade". Motta (2014, p.95) registra igualmente que "apesar dos esforcos do governo para aquietar os estudantes, fosse pela via repressiva, fosse por acoes integradoras, a rebeldia explodiu em 1967-68", sendo foco principal dos movimentos a "denuncia da desnacionalizacao da educacao implicada nos acordos MEC-Usaid". Neste cenario, em marco de 1968, durante uma manifestacao estudantil, no restaurante universitario Calabouco, o estudante Edson Luiz foi morto pela policia, provocando uma passeata de protesto que entre para a historia como a passeata dos cem mil.

Para Motta (2014, p.96), a adocao do tom antiamericano que dominava os discursos estudantis significa que "os jovens brasileiros, a sua maneira, ecoavam tambem os protestos contra a intervencao no Vietna, tema que mobilizava a atencao do mundo". Em 1968, acontece tambem o Congresso da UNE em Ibiuna, com cerca de mil estudantes presos, envolvidos especialmente com a resistencia a reforma universitaria de 1968 O crescimento da audacia estudantil, nas palavras de Motta (2014, p.96), levou a episodios de ocupacao de dependencias universitarias para pressionar o governo ou protestar contra dirigentes universitarios, como nos casos ocorridos na Faculdade de Filosofia da UFRGS, em junho de 1968, na Universidade Federal do Para em agosto, nas Faculdades de Medicina e de Ciencias Economicas da UFMG, e a invasao da Reitoria da USP, em junho de 1968: "nessas ocasioes, os estudantes demonstraram poder de mobilizacao e agressividade, o que, combinado a ocorrencia das grandes passeatas e confrontos de rua, com muitas mortes provocadas pelos choques com a policia, levou os orgaos de repressao a temer pela perda do controle da situacao". Fechado os canais democraticos, desenvolve-se no Brasil a guerrilha urbana, protagonizada por grupos como Val-Palmares e o MR-8, com a presenca majoritaria de jovens. A clandestinidade e os desaparecimentos, autoexilios e mortes perpetuaram-se por toda a decada de 70.

O anteprojeto elaborado pelo Grupo de Trabalho da Reforma Universitaria (GTRU) transformou-se na Lei no 5540/68, que fixava as normas de organizacao e funcionamento do Ensino Superior, sendo produzido tambem por esta comissao o Decreto Lei no 477, de 11 de fevereiro de 1969, direcionado a contencao do protesto estudantil. Ao minimizar a representacao estudantil, ampliavam-se a mentalidade empresarial dos tecnocratas no campo da educacao superior publica e as medidas de excecao de um governo que tendia para a fase mais aguda da ditadura, estabelecendo um cenario de desenvolvimentismo, eficiencia, produtividade, de um lado; controle e repressao de outro. O Decreto-lei no 477, de fevereiro de 1969, cuidava exclusivamente do aspecto repressivo da acao governamental e e produto da conviccao de que o movimento estudantil era um dos pontos criticos da crise do ensino superior. Depois de feitas a analise das entidades consideradas subversivas, concluiu-se pela "inexistencia de uma lideranca democratica autentica" e propos-se a implantacao de cursos de liderancas promovidos pelos orgaos oficiais do MEC (ROMANELLI, 2013, p.231). O Decreto Lei no 477 disciplinava a atividade docente, discente e administrativa e proibia toda e qualquer manifestacao de carater politico ou de protesto no ambito das universidades brasileiras. Com isso, suprimia as reivindicacoes por mais vagas e verbas para a universidade e eliminava as chances de resistencia as reformas produzidas sob a orientacao dos Acordos MEC-Usaid.

Discorrendo sobre a sobrevida do modelo proposto pelo MEC-Usaid, Costa (2015a) lembra seu carater tecnologico, privatizante, pseudodemocratizante e economicista, subordinando a educacao aos interesses do mercado. Em um trabalho de recuperacao da memoria, Costa narra que o projeto encontrou seria oposicao nos meios universitarios, que questionaram o porque de o governo ter considerado necessario recorrer a uma colaboracao com os Estados Unidos contando o Brasil com tantos educadores competentes. Buscando, portanto, razoes na politica adotada pelos EUA no segundo pos-guerra, Costa (2015a, p.225) aponta que a crescente rivalidade com a URSS fez com que "todos os movimentos revolucionarios ou reformistas do mundo passassem a ser vistos como conspiracoes movidas pelo comunismo internacional". Assim, a recepcao dos acordos projetava o clima instalado pela Guerra Fria: "os que se opuseram ao MEC-Usaid foram imediatamente tachado de comunistas e agitadores; os que o apoiavam forma vistos por seus opositores como oportunistas ou entreguistas" (COSTA, 2015a, p.230). Era a projecao de uma politica pensada em termos de inimigos, nao de opositores.

A despeito do clima de repressao, os debates em torno da reforma geraram grande mobilizacao entre professores e alunos, conforme registrado por Costa (2015a). As divergencias ultrapassaram os muros da Universidade e ganharam as ruas: manifestacoes estudantis sucederam-se num ritmo crescente, sempre acompanhadas de violencia policial; aos protestos estudantis somaram-se as primeiras manifestacoes de guerrilha. Ao narrar sobre seu processo de cassacao na USP, Costa (2015b) enfatiza o periodo que se inicia em 1960 como de grande mobilizacao no pais; o expediente de criacao do parlamentarismo para que Joao Goulart assumisse a presidencia da Republica manteve a populacao mobilizada. Costa (2015b, p.281) afirma que "a Universidade foi chamada a participar dos debates que entao se travavam e muitos se organizavam para defender o governo, visivelmente ameacado por uma conspiracao militar". Deposto Goulart, iniciam-se as aberturas dos Inqueritos Policiais Militares, os temidos IPMs, que muitas vezes concluiam pela aposentadoria compulsoria do docente. Costa (2015b, p.281) conta que "de um dia para o outro, atividades ate entao legitimas viraram crime contra a seguranca nacional: participar de reunioes em favor de presos, criticar o governo, ler Marx, defender ideais nacionalistas". A professora reafirma a instalacao de um clima de suspeicao e denuncia dentro da Universidade, onde os agentes policiais circulavam livremente, conforme ja se colheu das narrativas de Martins acima referidas.

Para Costa (2015b), o estopim da crise foi a tentativa de reforma da Universidade em alinhamento com as orientacoes dos Acordos MEC-Usaid. A professora Emilia Viotti da Costa, de acordo com o Relatorio Brasil: Nunca Mais (1985, p.137), "sofreu especial perseguicao durante as perseguicoes, iniciadas com IPM no Quartel General do II exercito, sendo acusada de propaganda subversiva". Tendo sido convidada para dar a aula inaugural da Faculdade de Filosofia, Ciencias e Letras no ano de 1968, escolheu como tema a reforma universitaria e fez criticas ao proj eto MEC-Usaid. Como a conferencia foi publicada na revista do gremio da Faculdade de Filosofia e reproduzida em documentos estudantis de diversas entidades no pais, chegaram novos convites para falar sobre o tema. Relata a professora que fez quarenta palestras em varias universidades ate que foi convidada, juntamente com Jose Dirceu, entao presidente do gremio da FFCL, a participar de um programa de televisao para debater a reforma com o ministro Tarso Dutra: "mais tarde, atribui minha aposentadoria em parte a esta entrevista" (COSTA, 2015b, p.282).

Enquanto os professores organizavam comissoes e documentos, o movimento estudantil crescia e se radicalizava, desencadeando respectiva repressao na Universidade: "alunos, suspeito de envolvimento, eram arrancados das salas de aula diante dos olhos atonitos de professores e colegas e levados por soldados sob mira de metralhadoras" (COSTA, 2015b, p. 282). Chamada para depor em um IPM que investigava atividades subversivas no Departamento de Historia da USP, a professora Emilia Viotti foi aposentada, por meio de uma lista que incluia varios outros colegas. O clima de inseguranca e irracionalidade a levaram a sair do pais, indo para os EUA e la permanecendo ate 1999. Costa (2015a) conclui que o espectro do MEC-Usaid continua a assombrar o pais, sugerindo que se os governos militares nao completaram sua implementacao talvez isso tenha se dado pelas resistencias que se lhe foram opostas.

Por fim, convem narrar o que Motta denomina o auge da manifestacao da forca estudantil, com a ocupacao do predio da Faculdade de Filosofia, na Rua Maria Antonia, a partir de agosto de 1968. A principio a ocupacao foi tolerada, uma vez que as liderancas estudantis decidiram pela ocupacao para garantir suas reivindicacoes, inclusive em relacao a paridade e a reforma universitaria, ate que ficou claro que a ocupacao era uma maneira nao so de protestar contra a violencia policial, mas tambem de mostrar a forca do movimento estudantil. Segundo Motta (2014, p.98), "durante algumas semanas, a faculdade e a rua viveram um clima de "Maio de 1968", em que nao faltaram algumas barricadas". O confronto direto envolveu estudantes de diferentes orientacoes ideologicas, pois que nas cercanias ficava o predio da Universidade Mackenzie, "reduto de militantes de extrema direita incomodados com a vizinhanca de uma experimento, que, aos seus olhos, parecia um verdadeiro soviete de estudantes" (MOTTA, 2014, p.98). A policia, ansiosa para resolver o problema da ocupacao, deixou que o confronto direto tivesse lugar entre os estudantes, deixando um morto, varios feridos e alguns carros incendiados: "a policia aproveitou-se do conflito e fechou o predio da Faculdade de Filosofia da USP, para impedir o retorno dos ocupantes", livrando-se do problema. As aulas somente foram retomadas no inicio de 1969.

Depois do AI-5, a repressao aumentou. Militares ocuparam o Conjunto Residencial da USP, que ficou sob intervencao por dois anos. Motta registra ainda o mesmo clima na UFRJ: desagradavel, quase funebre. Se desde 1962 os militares eram chamados a ocupar dependencias das Universidades e desde 1964 ja havia espioes nos campus e uma forte sensacao de vigilancia, a partir de 1969 a situacao se agravou bastante: "o proposito de aterrorizar os contestadores nos meios academicos, um dos objetivos do AI-5, foi alcancado, pelo menos nos primeiros tempos" (MOTTA, 2014, p.151). Toda uma geracao de lideres estudantis foi desarticulada e perseguida. O Decreto 477 daria conta de concluir a limpeza: listas negras eram produzidas para impedir matricula e mesmo contratacao como professores de ex-alunos subversivos; alem de desligados, os estudantes punidos ficavam tres anos ou ate definitivamente proibidos de se matricular em outra instituicao de ensino superior; e foram centenas de matriculas negadas por ato dos Reitores. A partir de 1970 alguns estudantes recorrem a acoes judiciais em defesa do direito de matricula.

Ao tratar da relacao entre adesao, resistencia e acomodacao, Motta (2014. P.288 e ss) ressalta que a resistencia ao autoritarismo e tema fundamental nas representacoes dedicadas a ditadura brasileira, o que envolve batalhas de memoria. Interessado mais em alcancar uma compreensao adequada do problema da resistencia/colaboracao nos meios academicos, Motta conclui que a ditadura foi antes uma construcao politica considerada legitima por setores sociais significativos do que uma ocupacao financiada por forcas estrangeiras. Mas ressalta o protagonismo que os estudantes universitarios tiveram como forca de resistencia. As manifestacoes de oposicao ao regime militar foram retomadas por meio o uso da cerimonia de colacao de grau como ato de protesto ate a organizacao de shows e debates. A partir de 1976, os estudantes voltaram a ocupar as ruas, em atividades que adquiriram grande repercussao, o que manteve o governo militar sempre impopular entre os jovens universitarios.

CONSIDERACOES FINAIS

Para cumprir os objetivos deste estudo, cumpre enfatizar as relacoes necessarias desveladas entre Universidade, Juventude e resistencia a partir dos aportes apresentados nos dois primeiros itens e nos relatos de memoria que foram referidos no item tres. Quanto as perguntas de partida, e possivel concluir que sim, historicamente, Universidade e juventude se implicam mutuamente, e uma crise que atinge a populacao jovem de uma sociedade deve ser considerada como uma crise que atinge a Universidade e, portanto, interessa diretamente a Universidade. O contrario tambem e verdadeiro: se a Universidade entra em crise, a populacao mais diretamente afetada e a juventude e quaisquer decisoes no seu ambito, seja de organizacao administrativa ou de conteudo metodologico, sao decisoes que afetam a juventude. Os periodos de recessao economica sempre instalam questoes envolvendo o papel do Estado e o tamanho das contas publicas, e a questao da sobrevivencia de um modelo de Universidade publica no Brasil se torna central. Em periodos de austeridade, a preocupacao com a administracao e orcamento tende a tornou-se mais importante que as discussoes de questoes didaticas e metodologicas e o protagonismo das Universidades publicas brasileiras na producao de conhecimento e garantia da soberania.

Diante dessas conclusoes, o olhar de expectativa que se volta para a juventude brasileira, em um cenario de ensino superior dominado (com cerca de 80% da oferta de vagas) pela iniciativa privada, desvela a imperiosa necessidade de discussao acerca das chances de permanencia do projeto de Universidade publica no Brasil. Isso porque a Universidade foi aqui apresentada como um locusde preservacao, mas tambem de modificacao e rupturas com paradigmas do conhecimento adquirido e transmitido. Um conhecimento que orienta a acao e formata o comportamento na medida em que se empenha em ofertar um sentido de mundo para uma comunidade de pessoas.

Embora mantenha um legado significativo do medievo europeu no qual se constituiu, a Universidade preserva a capacidade de ser reconhecida socialmente como uma instituicao capaz de promover transformacoes. Diante de toda a heranca apontada, a Universidade acumula uma serie de compreensoes de si, e cada uma delas pode, oportunamente, se manifestar: como conservadora da ordem, como formadora do sujeito, como libertadora e emancipatoria do espirito. Como no Brasil a Universidade se instala tardiamente, a questao da consciencia de si nao a afetou de modo profundo. O discurso "cientifico" ja havia se instalado na "inteligencia" brasileira. Talvez a principal caracteristica dessa instalacao tardia e invertida seja a relacao tensa que muitas vezes se instala entre uma estrutura de Reitoria e Pro/Vice-Reitorias e as unidades academicas, que decorre mais da reuniao de unidades academicas antes isoladas e autonomas sob uma gestao unificada.

Por sua vez, a ideia de juventude se constituiu entre a nocao de grupo instavel e perigoso e simbolo de futuro e renovacao. Juventude significa um estado psiquico de comprometimento maior com o sentimento amplo em relacao a capacidade de mudar a sociedade. Forcas Armadas, Partidos politicos e Igrejas sao exemplos de organizacoes que reservam um tratamento todo especial a juventude. Assim tambem fizeram os movimentos de massas na instalacao dos Estados Totalitarios, e nisso assemelham-se a um movimento com forca revolucionaria.

Numa larga trajetoria de compreensao, se ha uma crise na juventude brasileira contemporanea, essa crise se desenrola, em parte, dentro dos campi universitarios, nos quais parcela da juventude protagoniza seus primeiros atos de independencia e vivem as primeiras experiencias de liberdade, como estudantes. O maior movimento de resistencia da universidade brasileira foi sem duvida aquele contra a reforma universitaria de 1968. Foi nas universidades brasileiras dos anos 1950 e 1960 que se forjou uma geracao com consciencia de seu papel politico. A resistencia, entao, se projetou como consequencia dessa consciencia. Os estudantes repudiaram, de forma coerente, o novo modelo, que permitia a matricula por creditos, desarticulando grupos, e permitindo as bases para a abertura ao ensino superior privado no Brasil. Uma resistencia protagonizada por estudantes, ladeados por professores. Sempre sera oportuna a construcao da memoria de resistencia, especialmente diante de crises e dispersao politica. O resistente consciente orienta sua acao de forma a tornar-se o dissidente politico, nunca visto como inimigo, mas como sujeito apto a discernir e optar dentre os muitos rumos que os processos politicos podem seguir.

DOI: 10.12957/rqi.2018.28923

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Trabalho enviado em 29 de maio de 2017.

Aceito em 12 de setembro de 2017.

Gretha Leite Maia (1)

(1) Professora Adjunta do Departamento de Direito Processual da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceara. E-mail: grethaleitemaia@gmail.com

(2) Cf estudo intitulado "Os filosofos podem a arvore do conhecimento: a estrategia epistemologica da Encyclopedie, in Darnton, Robert. O Grande Massacre de Gatos: e outros episodios da historia cultural francesa. Trad. Sonia Coutinho. 2. ed. Sao Paulo: Paz e Terra, 2015.

(3) Cf, sobre o negocio livreiro no seculo XVIII na Franca iluminista, Darnton, Robert. Um inspetor de policia organiza seus arquivos: a anatomia da republica das letras, in O Grande Massacre de Gatos: e outros episodios da historia cultural francesa. Trad. Sonia Coutinho. 2. ed. Sao Paulo: Paz e Terra, 2015.

(4) A literatura e instrumento poderoso na reconstrucao destas imagens: de "Os Sofrimentos do jovem Werther", de Goethe, publicado pela primeira vez em 1774, passando por Marius e seus amigos ABC, no qual se inclui o revolucionario Enjolras, de "Os Miseraveis", de Victor Hugo, publicado pela primeira vez em 1862.

(5) Ha um ramo da Sociologia com foco especifico na Juventude, tendo como referencia os seguintes estudos: BRITTO, Sulamita. Sociologia da juventude I: da Europa de Marx a America Latina de hoje. Rio de Janeiro: Zahar, 1968; DAVIS, Allisonet alii.Sociologia da juventude II: para uma sociologia diferencial. Rio de Janeiro: Zahar, 1968; e COHEN, A Ket alii.. Sociologia da juventude III: a vida coletiva juvenil. Rio de Janeiro: Zahar, 1968.
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Author:Maia, Gretha Leite
Publication:Quaestio Iuris
Date:May 1, 2018
Words:8912
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