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Two new species of Syagrus Mart. (Arecaceae) from Brazil/Duas novas especies de Syagrus Mart. (Arecaceae) para o Brasil.

INTRODUCAO

O genero Syagrus foi originalmente descrito por Martius (1824), mas nenhuma especie foi listada no seu trabalho. A primeira especie descrita para o genero, Syagrus cocoides Mart., foi estabilizada em 1826 e em anos consequentes, outras foram sendo descritas ou transferidas para este pelo proprio autor (MARTIUS, 1838; 1844), por Wendland (1854), Karsten (1856), Barbosa Rodrigues (1875; 1879; 1888), Beccari (1916), Burret (1932; 1933; 1937; 1940), Bondar (1942), Hawkes (1952), Glassman (1963; 1967; 1968; 1970; 1978), Wessels Boer (1965), Moraes (1996), Noblick (2004; 2004b; 2009) e por Noblick e Lorenzi (2010).

Ao longo dos anos, Syagrus foi segregado em generos menores, incorporou os generos Butia Becc. e Lytocaryum Toledo e tambem foi incorporado pelo genero Cocos L., na medida em que novas especies foram descritas e novas revisoes foram realizadas. Provavelmente, as quatro especies presentes no genero Lytocaryum serao transferidas para Syagrus em futuras revisoes, uma vez que a recem-descoberta Lytocaryum itapebiensis Noblick e Lorenzi nao apresenta os caracteres morfologicos anteriormente validos para delimitar o genero.

Syagrus e um genero muito variavel morfologicamente, quase exclusivo da America do Sul (exceto por Syagrus amara (Jacq.) Mart., que ocorre no Caribe), representado ate o momento por 53 especies, das quais 47 ocorrem no Brasil (NOBLICK, 2010). E composto por palmeiras monoicas, policarpas, de pequeno ou grande porte, solitarias ou entouceiradas, com estipe subterraneo ou elevado, raramente estolonifero (Syagrus campylospatha Barb. Rodr.), liso ou coberto pelos remanescentes das bainhas das folhas ja caidas (DRANSFIELD et al., 2008; NOBLICK, 2010). A maioria das especies acaulescentes e de pequeno porte esta confinada as areas semiaridas ou de cerrado, enquanto um menor numero de especies de porte arboreo e comumente encontrado nas areas tropicais ou subtropicais umidas, sendo componentes bastante conspicuos em varias formacoes vegetacionais do Brasil (BARBOSA RODRIGUES, 1903; BONDAR, 1964; DRANSFIELD et al., 2008).

Algumas especies do genero sao muito valorizadas localmente pelos produtos que delas sao retirados, como palmito, amendoas, polpa dos frutos e folhas para o artesanato; e o caso da guariroba (Syagrus oleracea (Mart.) Becc.), do licuri (Syagrus coronata (Mart.) Becc.) e do geriva (Syagrus romanzoffiana (Cham.) Glassman) (BONDAR, 1964; NOBLICK, 2010); outras, recentemente, vem sendo introduzidas com sucesso no paisagismo (NOBLICK, 2010). No entanto, a maioria das especies encontra-se bastante ameacada pela expansao da agricultura, especialmente as de pequeno porte, comuns nos cerrados.

MATERIAL E METODO

A terminologia utilizada para descrever as estruturas vegetativas das especies seguiu Tomlinson (1990) e Noblick e Lorenzi (2010), que consideram o verdadeiro peciolo das palmeiras com as margens lisas, nunca cobertas por fibras, sendo que a parte das folhas com margens fibrosas e considerada a bainha. O pseudopeciolo, frequentemente chamado de peciolo em muitas descricoes de palmeiras, inclui a porcao arqueada da bainha que se projeta do estipe e possui margens fibrosas ou denteadas e deve ser medido apenas nas folhas mais velhas. Considerouse neste trabalho como "base da bainha" a porcao da bainha que se prende ao estipe e que nao possui margem denteada na especie com esta caracteristica. A raque da inflorescencia e a medida compreendida entre a insercao da ramificacao (raquila) mais basal ate a base da raquila apical. Uma inflorescencia espiciforme e definida como uma raquila terminal, ou seja, uma inflorescencia desprovida de ramificacoes (TOMLINSON, 1990). A parte onde se inserem as flores de uma inflorescencia espiciforme e chamada aqui de parte espigada da inflorescencia.

Os dados morfobiometricos, quantitativos e qualitativos, foram tomados in situ de pelo menos 15 palmeiras adultas de cada especie, incluindo as especies relacionadas. Apenas os dados referentes ao tamanho do profilo foram baseados em menor numero de individuos, devido a dificuldade de retira-lo da planta. Materiais botanicos de todas as especies foram depositados no Herbario do Departamento de Ciencias Florestais da Universidade Federal de Santa Maria (HDCF). Alem disso, foram realizadas consultas a materiais bibliograficos, protologos e ao Herbario Plantarum (HPL).

REDULTADOS E DISCUSAO

Syagrus pompeoi K. Soares & R. Pimenta, sp. nov. (Figura 1).

Palma acaulescens ad 60 cm alta, solitaria vel caespitosa, cum 1 ad 8 stipibus subterraneis. Folia contemporanea, 3-6 quaeque stipem; rachis longa 33-50, quaeque latus continendo 8-15pinnas, cum distributione fere regularis longe rachidis et in uno plano insertas; pinnae cum 19-50 x 0,3-1,1 cm, consistentiae coriaceae, fere membranosae, cum transverse nervura sicut striis irregularites dispositis limbo. Inflorescentia interfoliaris, erecta, spiciformis vel raro ramificata, pars inflorescentiae spicata et longa 4,5-7 cm; cum ramificata, ostendit rachillas longas 3-4 cm. Flores staminati cum 9-14 x 4-6 mm, flores pistilati cum 12-19 x 5-7 mm. Fructus 1,8-2,7 x 1,4-2,0 cm; endocarpium 1,4-2,5 x 0,9- 1,4 cm, cavitate interna homogenea, unum semen continens.

Palmeira com ate 60 cm de altura, solitaria ou cespitosa, com 1 ate 8 estipes subterraneos de ate 4 cm de diametro na base. Folhas contemporaneas, 3 a 6 por estipe, as folhas mais velhas dispostas paralelamente sobre o solo; bainha com 10-18 x 2,6-3,5 cm; pseudopeciolo com margem fibrosa, com 3-6,5 cm de comprimento; peciolo de margem lisa, com 1,5-7 x 0,3-0,6 cm; raque com 33-50 cm de comprimento contendo (8)-11-15 pinas (foliolos) de cada lado, com distribuicao mais ou menos regular ao longo da raque e inseridas em um unico plano; pinas de consistencia coriacea, quase membranosas, verde-escuras, lineares, com apice assimetrico, as da parte basal da raque com 19-43 x 0,4-0,7 cm, as da parte mediana da raque com 27-50 x 0,5-1,1 cm, as da extremidade com 19-35 x 0,3-0,6 cm, moderadamente recobertas por uma camada de cera em ambas as faces, mais abundante na face abaxial, que tambem apresenta mechas de ramento esbranquicado, estreito e alongado ao longo da nervura principal, bem como, nervuras transversais visiveis dispostas irregularmente no limbo. Inflorescencia interfoliar, ereta, espiciforme ou mais raramente ramificada; profilo com 10-13 x 1,5 cm, lanceolado; pedunculo com 10-18 x 0,3-0,4 cm; bractea peduncular sulcada longitudinalmente e levemente coberta por tomento castanho esparso, com 15-23 cm de comprimento total, parte expandida com 7-10 x 4,5-6 cm, incluindo o bico de 0,5-0,8 cm de comprimento; parte espigada da inflorescencia com 4,5-9 cm de comprimento; quando ramificada, apresenta raquilas com 3-4 cm de comprimento, a porcao com flores pistiladas com 2,5-3,5 cm de comprimento, contendo cerca de 7 flores pistiladas; porcao das flores estaminadas com 2-6 cm de comprimento. Flores estaminadas com 9-14 x 4-6 mm; 3 sepalas com 1-1,5 x 1-1,6 mm, conadas na base; 3 petalas, com 9-13 x 3,3-5 mm, com pontas agudas e nervuras indistintas; 6 estames com 3,5-5 mm de comprimento, anteras com 3-4 mm. Flores pistiladas piramidais, alongadas, glabras, com 12-19 x 5-7 mm; 3 sepalas imbricadas, com 12-18 x 5-10 mm, desiguais, com nervuras levemente aparente; 3 petalas nervadas, com 10-13 x 4-6 mm, lanceoladas, imbricadas na base e valvadas nas extremidades, gineceu com 4-5 x 2-2,5 mm. Frutos elipsoides, amarelos quando maduros, cobertos por uma fina camada tomentosa ferruginea, com 1,8-2,7 x 1,4-2,0 cm, mesocarpo amarelo, fibroso; endocarpo com 1,42,5 x 0,9-1,4 cm, com a cavidade interna homogenea, contendo uma unica semente. Eofilo das plantulas simples.

Tipo: Brasil. Mato Grosso do Sul: Bela Vista, BR 060, 10 Km da cidade de Bela Vista, 07/ VI/2012, fl. fr., K. Soares, R. Pimenta 14 (HDCF 6238).

Distribuicao geografica: especie conhecida apenas da localidade tipo em Bela Vista, no Mato Grosso do Sul, onde cresce em solo arenoso e rochoso. Trata-se de uma especie bastante rara, ameacada pela presenca do gado, bem como pela ocupacao da area pela agricultura.

Floresce no final do inverno e na primavera e frutifica no verao.

O epiteto especifico e uma homenagem a fa milia Pompeo, de Limeira-SP, em particular a Jose Pompeo Junior, produtor e colecionador de palmeiras, que ha anos vem fomentando as pesquisas de identificacao e conservacao de palmeiras nativas.

Comentario: Syagrus pompeoi apresenta relacao com Syagrus procumbens Noblick & Lorenzi devido ao estipe subterraneo, anatomia e disposicao das folhas, inflorescencia geralmente espigada e pelo tamanho de suas flores; no entanto, pode ser diferenciada desta por apresentar tambem habito cespitoso (em Syagrus procumbens somente habito simples) (Figura 2A e 2B), raque das folhas com 33-50 cm (em Syagrus procumbens com 2,5-20-(30)), contendo (8)-11-15 pinas de cada lado ((3)-5-8-(11) em Syagrus procumbens), bem como pelas pinas de consistencia quase membranosas e com muitas nervuras transversais visiveis (Figura 2C), nas folhas verdes estas nervuras apresentam-se na forma de linhas de cor mais clara, quando a folha e desidratada, elas causam modificacoes na superficie do limbo apresentando um aspecto estriado, especialmente na parte adaxial (em Syagrus procumbens as pinas sao coriaceas e sem nervuras transversais visiveis, mesmo quando desidratadas) (Figura 2D); tambem apresenta diferencas no comprimento do pedunculo da inflorescencia, que mede 10-18 cm (7-9,5 em Syagrus procumbens) e na bractea peduncular que e apenas levemente recoberta por um esparso indumento quando jovem (em Syagrus procumbens ela e densamente recoberta por tomento).

Syagrus santosii K. Soares & C. A. Guim. sp. nov. (Figura 3).

Palma parva vel media, 1,6-4,4 m alta, stipe solitario, generaliter inclinato. Folia, 12-20 cm, contemporanea; pseudo petiolo longo 64-75 cm, cum spinis curvis in tota margine; spinae lignosae, longae ad 2 cm; rachis 160-194 longa, pauca curvata, utraque latus continens 71-90 pinnas; pinnae rigidae, uniforme distribuitae longe rachidis et in uno plano dispositae. Inflorescentia interfoliaris; bractea peduncularis sulcata longitudinaliter; rachis inflorescentiae longa 38-48, 43-62 raquilas continendo. Flores masculi 7-10 mm; flores pistilati 7-10 x 6-7 mm. Fructus cum 2,9-4,6 x 2,6-3,8 cm; epicarpium copertum ab tomento ferruginoso in apice fendente, expondo mesocarpium et endocarpium cum maturo est; endocarpium 2,7-3,6 x 2,4-3,0 cm cum uno semine, endosperma homogeneo.

Palmeira de porte pequeno ou moderado, com 1,6-4,4 m de altura, de estipe solitario, geralmente inclinado, com 0,6-3,5 m de comprimento e 47-67 cm de circunferencia, recoberto pelos remanescentes das bainhas espinescentes de folhas secas ou ja caidas, ocasionalmente perdendo este revestimento e deixando cicatrizes que se distanciam uma das outras por 0,5-1,5 cm. Folhas dispostas em espiral ao redor do estipe, 12-20 contemporaneas, pouco curvadas; bainhas com margens quase totalmente cobertas por espinhos, com cerca de 85 cm de comprimento total, somente a base das bainhas, 15-24 cm iniciais, possui margens sem espinhos; pseudopeciolo com 64-75 cm de comprimento, inicialmente canaliculado na parte adaxial e arredondado na parte abaxial, armado com espinhos curvados em toda sua margem e revestido por fibras achatadas; espinhos distanciados 1-2 cm um do outro e com ate 2 cm de comprimento, lignosos, sendo a extremida de destes de apenas fibras deciduas, os maiores espinhos localizados proximos da base das folhas; peciolo ausente ou com ate 2 cm de comprimento; raque com 160-194 cm de comprimento, pouco curvada, contendo 71-90 pinas de cada lado; pinas rigidas, verdes ou verde-amareladas, brilhantes, com apice assimetrico, distribuidas uniformemente ao longo da raque e dispostas em um unico plano, frequentemente com ramento estreito e alongado ao longo da nervura principal na parte abaxial, as da base das folhas opostas, com 50-58 x 1,2-2,0 cm, as da parte mediana da raque com 46-54 x 2,0-3,0 cm, as da extremidade da raque opostas ou alternas, com 20-27 x 1,0-1,5 cm. Inflorescencia androgina, interfoliar, envolvida por duas bracteas, a mais interna lenhosa, chamada bractea peduncular, que protege a inflorescencia ate a antese, contendo sulcos longitudinais, recoberta por tomento ferrugineo, especialmente na extremidade, com 130-156 cm de comprimento total, a parte expandida com 51-70 x 7,0-8,4 cm e um bico de ate 3,5 cm; a bractea externa fibrosa, lanceolada, chamada profilo, com 26-41 x 4,0-5,2 cm, fica sempre escondida entre as bainhas das folhas; pedunculo coberto por um indumento esparso, de cor acastanhada quando novo, com 85-120 x 1,21,3 cm; raque da inflorescencia com 38-48 cm de comprimento, inicialmente amarelo-esbranquicada, recoberta por uma camada de cera ferruginea, tornando-se glabra e esverdeada no periodo de formacao dos frutos, ramificada ao nivel de primeira ordem, contendo 43-62 raquilas; raquilas da base da inflorescencia com 26-34 cm de comprimento, as da parte mediana com 25-33 cm de comprimento, as da extremidade com 22-24 cm de comprimento. Flores unissexuais, amarelas, situadas na porcao inferior das raquilas em grupo de tres, com uma flor central feminina ladeada por duas flores masculinas, a porcao terminal (superior) das raquilas apresenta somente flores masculinas; flores estaminadas com 7-10 mm de comprimento, curto pediceladas na base da raquila, pedicelo com ate 1 mm de comprimento, as da extremidade sesseis, 3 sepalas triangulares, conadas na base, lobo das sepalas com cerca de 1,5 mm de comprimento, petalas em numero de 3, desiguais, valvares, lanceoladas, com pontas agudas, coriaceas, com 6-8 x 1,5-2 mm, estames 6, distintos, dorsifixos, com 5-6 mm de comprimento, anteras com 2,5-4 mm de comprimento, filetes com 3,5-4 mm de comprimento, pistilodio com menos de 1 mm de comprimento; flores pistiladas conicas, sesseis, com 7-10 x 6-7 mm, contendo 3 sepalas e 3 petalas, desiguais, imbricadas, com nervacoes quase indistintas, sepalas com 7-9 x 7-10 mm, petalas glabras, com 6-9 x 7-9 mm, gineceu com 5-7 x 3-4 mm. Frutos elipsoides ou ovoides, com 2,9-4,6 x 2,6-3,8 cm; epicarpo amarelo ou verde-amarelado coberto por um tomento ferrugineo quando maduro que frequentemente se fende no apice expondo o mesocarpo e o endocarpo; mesocarpo fibroso, adocicado, de coloracao amarelada; endocapo ovoide, osseo, de cor marrom escuro, superficie exterior quase lisa, com 2,7-4,2 x 2,4-3 cm e 2,5-3 mm de espessura, contendo 3 poros de germinacao um pouco depressos no endocarpo e uma unica semente com endosperma homogeneo. Eofilo das plantulas simples.

Tipo: Brasil. Bahia: Itapebi, lateral direita da barragem do Rio Jequitinhonha, 15[degrees]58'21" S, 39[degrees]35'36" W. 28/VII/2011, fl. fr.; L. A.Mattos Silva, C. A. Guimaraes & J. L. Paixao 5243 (holotipo HUESC 10000, Isotipos CEPEC, ALCB, RB, R).

Paratipo: Brasil. Bahia: Itapebi, Represa da UHE do Rio Jequitinhonha, 24L 0434042, 8234246. 28/VIII/2012, fl., fr., K. P. Soares; L. C. Assis; C. A. Guimaraes; J. E. Santos 40 (HDCF 6276).

Ate o momento, a unica populacao desta especie foi localizada nas margens do Rio Jequitinhonha, no municipio de Itapebi-BA, onde cresce principalmente num curso de 4 km na margem direita do rio, em altitudes que variam de 111 a 119 m acima do nivel do mar, em terreno com declividade em torno dos 80%, nas areas de capoeira e com muitos afloramentos de rochas em solo silico-argiloso. Grande parte da populacao foi inundada com a construcao da barragem da Usina Hidreletrica de Itapebi. Estima-se que hoje existam cerca de 5.000 especimes no local, sendo uma especie rara e bastante ameacada (Figura 4A). Cresce junto com outras Arecaceae como Allagoptera caudescens (Mart.) Kuntze, Attalea burretiana Bondar e com a naturalizada Elaeis guineensis Jacq.

Floresce e frutifica durante todo ano, com maior abundancia nos meses de abril a maio e setembro a outubro.

O epiteto especifico e uma homenagem ao parabotanico Joao Eduardo Santos (Figura 4B), de Itapebi-BA, conhecido por "Joaozinho das Orquideas", um eximio conhecedor de orquideas e bromelias e que tambem descobriu esta palmeira.

Comentario: Martius (1826) descreveu no "Historia Naturalis Palmarum" a especie Cocos schizophylla Mart., para a regiao entre Camamu, Salvador e Ilheus na Bahia, com ilustracao do habito representada na foz do Rio Paraguacu; segundo o autor, a especie "cobre densamente as planicies arenosas da regiao litoranea, bem como nos terrenos litolicos da costa"; nesta obra o autor forneceu uma descricao incompleta do endocarpo, sem mostrar a estrutura interna tambem nas ilustracoes. Barbosa Rodrigues (1891) descreveu uma nova especie e um novo genero, Arikuryroba capanemae Barb. Rodr., que apresentava semelhancas com a especie de Martius, exceto pelo fato de possuir frutos (2,7 x 2,3 cm) e endocarpos (2,4 x 1,7 cm) maiores e com endosperma ruminado, ja que, nesta mesma obra, o autor fez tambem uma descricao completa do fruto e do endocarpo de Cocos schizophylla baseado em observacoes pessoais, alegando que o mesmo possuiria endosperma homogeneo, endocarpo (1,6 x 0,8 cm) e frutos menores (2 x 1,5 cm); para ele, Cocos schizophylla ocorreria na regiao de restinga entre Alcobaca e Belmonte--BA.

Glassman (1968) transferiu varias especies do genero Cocos e de outros generos afins (como Arikuryroba e Arecastrum) para Syagrus, sinonimi zando a especie Arikuryroba capanemae a Syagrus schizophylla.

Considerando a caracteristica do endosperma homogeneo, a especie descrita no presente artigo assemelha-se a Cocos schizophylla sensu Martius, exceto pelo fato de possuir frutos e endocarpo muito maiores que o encontrado em ambos os binomios ate entao descritos. Alem disto, em Syagrus santosii o epicarpo e o mesocarpo dos frutos se fendem no apice em 3 partes quando maduros e sao cobertos por um indumento ferrugineo, medem 2,9-4,6 x 2,6-3,8 cm (2-3,5 x 1,5-2,5 cm em Syagrus schizophylla com epicarpo liso e sem indumento), o endocarpo tem 2,7-4,2 x 2,4-3 cm (1,8-2,5 x 1,3-2,2 cm em Syagrus schizophylla) (Figura 4C e D), apresenta 43-62 raquilas na sua inflorescencia (14-38 em Syagrus schizophylla), flores pistiladas com 7-10 x 6-7 mm (5-8 x 3-6 mm em Syagrus schizophylla), suas folhas patentes tem a raque pouco curvada com 71-90 pinas rigidas de cada lado (em Syagrus schizophylla a raque e curvada com 18-50 pinas de cada lado, geralmente dobradas ou "quebradas") (Figura 4E e 4F). Alem disso, a especie so foi encontrada na regiao de Itapebi na margem do Rio Jequitinhonha, cerca de 75 km do litoral.

AGRADECIMENTOS

Agradecemos a Lucas Coelho de Assis e ao professor Luis Alberto Mattos Silva pela ajuda nas coletas de material botanico; Milton Moreira Silva e Aparecido Donizete Fernandes por ter ajudado a localizar S. pompeoi. A professora Leila Teresinha Maraschin pelas diagnoses em latim.

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Kelen Pureza Soares (1) Ricardo Soares Pimenta (2) Carlos Alex Guimaraes (3)

(1) Engenheiro Florestal, Mestrando do Programa de Pos-graduacao em Engenharia Florestal, Centro de Ciencias Rurais, Universidade Federal de Santa Maria, Av. Roraima, 1000, CEP 97105-900, Santa Maria (RS). kpsoares@gmail.com

(2) Biologo, Dr., Tropical Plantas e Paisagismo, Av. Major Jose Levy Sobrinho, 1355, Bairro Jardim Nereide, CEP 13486-190, Limeira (SP). pimenta@fcav.unesp.br

(3) Engenheiro Agronomo, Rua Carneiro da Rocha, 272, CEP 45653-560, Ilheus (BA). piassava@uol.com.br

Recebido para publicacao em 20/05/2012 e aceito em 1/4/2013
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Author:Soares, Kelen Pureza; Pimenta, Ricardo Soares; Guimaraes, Carlos Alex
Publication:Ciencia Florestal
Article Type:Author abstract
Date:Jul 1, 2013
Words:3706
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