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Time of exclusive breastfeeding of preterm and term newborn babies/ Tempo de aleitamento materno exclusivo em recem-nascidos prematuros e a termo.

INTRODUCAO

Os mamiferos sao animais dotados de glandulas mamarias e nas femeas desta especie estas glandulas secretam leite, alimento indispensavel aos mamiferos de mais tenra idade. Tambem, todo mamifero ja nasce dotado de um instinto natural, o de mamar. Contudo, maes precisam aprender a amamentar e os bebes a serem amamentados.

A amamentacao e o ato mais natural e o melhor alimento para o bebe devido aos beneficios nutricionais, emocionais e economicos. Alem disso, ela promove estimulos neurais que favorecem um adequado crescimento e desenvolvimento facial favorecendo as estruturas e funcoes estomatognaticas, prevenindo maloclusoes por hipodesenvolvimento, devendo o fonoaudiologo ser um dos incentivadores desta pratica [1]. Porem, esta e ainda uma pratica realizada por uma minoria de mulheres, que a abandonam precocemente, introduzindo alimentos complementares a dieta da crianca, nao seguindo a orientacao da Organizacao Mundial de Saude (OMS), que recomenda o aleitamento materno exclusivo ate 6 meses de idade e complementado ate 2 anos [2].

O aleitamento materno traz beneficios impares, principalmente para prematuros, levando a maiores indices de inteligencia e de acuidade visual; melhora do sistema de defesa, devido a grande oferta de imunoglobulinas; promove maior protecao contra infeccoes, flatulencia, diarreia ou constipacao; confere melhor digestibilidade e ausencia de fatores alergenicos; diminui o risco de falencia respiratoria, apneia e displasia broncopulmonar; reduz o risco de obesidade [3]; favorece uma melhor mobilidade, tonicidade e postura dos orgaos fonoarticulatorios, devido ao esforco para conseguir sugar o leite do peito materno; promove uma satisfacao oral maxima ao RN, alem de possibilitar estimulos tateis, visuais, auditivos, base para o desenvolvimento emocional, perceptivo, motor, cognitivo e fisico; reduz o risco de cancer de mama e de ovario materno; promove a contracao do utero e a perda de peso natural da mulher [4].

Pesquisas revelam pouco sucesso do aleitamento materno exclusivo em recem-nascidos prematuros devido as barreiras hospitalares, a imaturidade fisiologica e neurologica do prematuro, a falta de orientacao e a inseguranca materna em lidar com seu filho, hipotonia muscular, hiper-reatividade aos estimulos do meio ambiente, inadequacao das funcoes de succao-respiracao-degluticao, fatores culturais (uso de chupeta e mamadeira) e crencas, a promocao comercial de formulas lacteas infantis, o trabalho materno fora do lar, a falta de informacao a respeito do aleitamento materno e as praticas inadequadas dos profissionais de saude [5]. Um numero grande de prematuros que se encontram internados em Unidades de Terapias Intensivas Neonatais nao recebem leite de sua propria mae, sendo estes privados da melhor possibilidade de nutricao e protecao [6].

O aleitamento materno exclusivo sofre variacoes significantes em suas taxas de acordo com o local e as caracteristicas socioeconomicas e culturais da populacao estudada, uma vez que estes tem influenciado a lactante, determinando por quanto tempo ira amamentar [7]. Segundo dados da l Pesquisa de Prevalencia de Aleitamento Materno nas Capitais Brasileiras e no Distrito Federal (I PPAM-CDF/1999), Maceio tem uma media de aleitamento materno de 5,7 meses e uma media aleitamento materno exclusivo de 8 dias, sendo a capital brasileira com os menores indices de aleitamento materno [8]. A pesquisa supracitada teve como um de seus objetivos estimar, para a area urbana das capitais, regioes brasileiras e Brasil a prevalencia e a duracao mediana do aleitamento materno e do aleitamento materno exclusivo. Diante do exposto, a hipotese desta pesquisa e que os bebes prematuros permanecem em aleitamento materno exclusivo por menos de seis meses.

Partindo deste pressuposto, a presente pesquisa tem por objetivo analisar o tempo de aleitamento materno exclusivo de recem nascidos prematuros e a termo e verificar os fatores associados ao desmame precoce.

METODO

Participaram do estudo 93 maes de criancas prematuras que nasceram na Maternidade Escola Santa Monica (maternidade especializada no atendimento a gestantes de risco no municipio de Maceio, sendo esta a unica maternidade no municipio a praticar o Metodo Mae-Canguru) e 93 maes de criancas nascidas a termo dos postos de referencia de cada distrito de saude do Municipio de Maceio (Maceio possui sete distritos de saude e cada um conta com uma unidade polo). Para distribuir o numero de maes que seriam entrevistadas em cada Unidade Basica de Saude foi realizado o calculo estratificado de acordo com a quantidade de postos de cada distrito de saude com a finalidade de subdividir a amostra nas 7 Unidades Basicas de Saude de referencia de cada Distrito de Saude. Em ambos os grupos as criancas tinham no maximo 1 ano de idade, selecionadas por meio da tecnica de amostragem sistematica, onde a cada mae que se enquadrava nos criterios de inclusao e exclusao, uma era descartada.

Porem, das 93 criancas nacidas prematuras foram analisados 82 questionarios, pois 3 maes nao compareceram aos retornos nem foi possivel contatar as mesmas e outras 8 maes tinham criancas gemelares, sendo necessario desconsiderar uma das criancas por meio de sorteio para nao gerar um erro estatistico de duplicidade de dados. Com relacao aos recem nascidos termo, foram analisados 90 questionarios, pois 3 maes nao foi possivel contata-las.

Os criterios de inclusao dos sujeitos na pesquisa foram maes de recem-nascidos prematuros e maes de recem-nascidos a termo com ate um ano de idade. E os criterios de exclusao da pesquisa foram maes de criancas com diagnostico de sindromes geneticas, com malformacoes motoras orais e/ou congenitas ou com problemas neurologicos previamente diagnosticados.

A pesquisa caracteriza-se por ser uma investigacao de campo, de carater exploratorio e longitudinal da ocorrencia do aleitamento materno exclusivo de recem nascidos prematuros e a termo, onde foi aplicado um questionario padronizado com as maes desses bebes. O formulario de coleta de dados foi dividido em dados de identificacao do bebe e de sua mae, experiencia com a amamentacao, causas do desmame precoce foram categorizadas (educacionais, socieconomicas, culturais e anatomofisiologicas) para facilitar a discussao, como tambem as consequencias do desmame precoce (diarreia, pneumonia, infeccoes e habitos orais).

Para esta pesquisa foi realizado o calculo do tamanho da amostra para uma proporcao de populacao finita, realizado em uma calculadora eletronica, disponivel no site http://lia.uncisal.edu. br/ensino/pdf2/CTA_Media_finita.xls, cujo valor da populacao (N) considerado foi 2659 criancas, valor este obtido no site do DataSUS para o numero de criancas prematuras nascidas em Maceio no ano de 2008. Para as criancas a termo foi adotada o mesmo valor de n obtido no calculo para criancas prematuras. O valor estimado para a variavel reduzida (Z) foi de 1,96 para um valor de alfa igual a 0,05 e a proporcao (p) neste estudo foi de 0,5 e o erro toleravel considerado (E) foi igual a 0,1. O intervalo de confianca considerado foi de 95%.

A amostra foi coletada num periodo de agosto de 2008 a novembro de 2009. As maes de criancas com menos de 6 (seis) meses de idade no momento da pesquisa, foram acompanhadas mensalmente pela fonoaudiologa pesquisadora do presente estudo ate seus filhos completarem tal idade ou ate realizarem o desmame precoce, com a finalidade de verificar o tempo de aleitamento materno exclusivo. Durante a pesquisa, 47 maes de criancas nascidas prematuras foram acompanhadas uma vez que as mesmas ainda permaneciam amamentando seus filhos, como tambem para obtermos dados mais exatos e 35 foi realizada apenas a entrevista, pois ja haviam realizado o desmame precoce, podendo haver variaccao quanto ao tempo real de desmame. Ja as maes de criancas nascidas a termo 29 foram acompanhadas e 61 responderam apenas a entrevista, uma vez que a maioria delas ja havia realizado o desmame precoce de seus filhos.

Na estatistica descritiva, os dados categoricos foram resumidos por meio de frequencia absoluta (N) e relativa (%) ao total de pacientes em cada grupo estudado.

A analise descritiva foi realizada por meio dos dados de locacao, cujas medidas utilizadas foram a media, a moda e a mediana e tambem pelos dados de dispersao absoluta, sendo utilizadas as medidas da variancia e do desvio padrao.

O presente estudo foi encaminhado para avaliacao do Comite de Etica em Pesquisa da Universidade Estadual de Ciencias da Saude de Alagoas sob o protocolo No 745/07 e da Universidade Federal de Sao Paulo 1226/09.

Na estatistica analitica, os dados numericos foram comparados com o teste t para amostras independentes, ou pelo teste nao parametrico de Mann-Whitney. Para validar as correlacoes, utilizamos o Teste de Correlacao e para verificar o grau de relacao do tempo de amamentacao com todas as variaveis quantitativas foi utilizado o teste de Correlacao de Spearman. Por ultimo, foram avaliadas as causas do desmame precoce e suas possiveis consequencias.

A significancia estatistica foi estabelecida para valores de p < 0,05. Todas as analises e graficos foram realizados com a utilizacao do software estatistico Minitab, versao 15.1.

RESULTADOS

Para facilitar a compreensao os resultados foram divididos em dados de correlacao do aleitamento materno exclusivo entre RNPT e RNT e as variaveis: peso ao nascer, idade gestacional, apgar no 5', numero de consultas de pre natal, idade mae, escolaridade, tempo UTI, tempo bercario intermediario, tempo alojamento conjunto, tempo internacao da crianca, tempo de uso da sonda para alimentacao, numero de sessoes de fonoterapia, tempo de oxihood, tempo de uso de CPAP, tempo de uso de tubo orotraqueal, temp de uso de oxigenio. Analisou-se o tempo de aleitamento materno e aleitamento materno exclusivo de RNPT e RNT, as causa e as consequencias do desmame precoce.

O peso ao nascimento das criancas prematuras foi menor que o das criancas nascidas a termo, onde a media no grupo de prematuros foi de 1481g, variando de 680 ate 1995g, e a media no grupo de criancas nascidas a termo foi de 3313g, variando de 2300 ate 4500g.

A correlacao negativa implica que as variaveis sao inversamente proporcionais, ou seja, a medida que uma o peso ao nascer aumenta o tempo de aleitamento materno exclusivo decresce.

Das criancas estudadas, 61,6% foram desmamadas com menos de 180 dias.

Os fatores socioeconomicos e anatomofisiologicos nao apresentaram significancia estatistica quando comparados ao tempo de aleitamento materno exclusivo.

As causas e consequencias do desmame precoce foram avaliadas nos 106 pacientes que tiveram desmame precoce e as principais causas do desmame estavam relacionadas a fatores educacionais e culturais.

Das 106 criancas que apresentaram desmame precoce, somente uma crianca nao apresentou qualquer consequencia quanto ao desmame precoce.

DISCUSSAO

No presente estudo, o peso ao nascimento dos recem nascidos a termo e o dos recem nascidos prematuros, das variaveis estudadas, foi a unica que apresentou significancia estatistica, valores estes que podem ser vistos na Tabela 1.

Em seu estudo, o autor, afirma que o baixo peso ao nascer e uma das variaveis associadas ao desmame precoce [9]. Em contrapartida, outros autores em suas pesquisas observaram que o peso ao nascer nao teve relacao estatistica com o aleitamento materno [10,11]. Em seus estudos, pesquisadores afirmam que a prematuridade e o baixo peso ao nascimento sao os fatores de risco para o desenvolvimento infantil, ou seja, quanto menor o peso maior a probabilidade de ocorrencia de morbidade na infancia [12,13].

No tocante ao numero de consultas de pre-natal, neste estudo houve um menor numero de consultas entre as maes de criancas prematuras, dado este esperado, uma vez que o parto prematuro diminuiu o tempo de gestacao e consequentemente o numero de consultas pre-natais. Estudo refere que 98% das maes pesquisadas realizaram o pre-natal, porem nao foi possivel quantificar o numero de consultas realizadas por cada mae [14].

Quanto ao tempo de uso de sonda para alimentacao e o tempo de [O.sub.2] das criancas prematuras, pois poucas criancas a termo fizeram uso de sonda e [O.sub.2] e se o fizeram foi por curto periodo de tempo. Dentre tais caracteristicas o tempo de internacao das criancas nascidas prematuras foi de 38,2 dias, enquanto que o das criancas nascidas a termo foi de 3,3 dias. Evidentemente o tempo de internacao das criancas nascidas prematuras foi maior que o das criancas a termo, diferenca esta ja esperada, pois as criancas nascidas de parto prematuro, em sua maioria necessitam permanecer em incubadoras, em ventilacao mecanica e/ou fototerapia e fazer uso de sondas para alimentacao, de medicacoes, necessitam de cuidados especiais e essenciais para sua sobrevivencia. Estudo encontrou uma media de internacao de 15,6 dias para criancas nascidas prematuras, porem ela nao incluiu em sua pesquisa as criancas pequenas para idade gestacional ao contrario de nosso estudo [14].

Na presente pesquisa, o tempo medio de uso de sonda das criancas prematuras, foi de 26,7 dias, variando de 2 a 105 dias e o de O2 sofreu variacao de 0 ate 88 dias e teve uma media de 10 dias. Pesquisa desenvolvida identificou que 90% dos RNPT receberam oxigenioterapia por 2,8 dias, porem nao analisou o tempo de uso de sonda [14]. O uso prolongado de sonda alem de provocar uma longa permanencia hospitalar traz prejuizos ao desenvolvimento de orgaos fonoarticulatorios e que existe um numero razoavel de criancas em fonoterapia por terem feito uso de sonda por varios meses, pois o uso prolongado de sonda pode levar ao atraso na coordenacao dos movimentos de succao e degluticao, pode haver hipersensibilidade oral devido a pouca ou nenhuma experiencia do alimento na boca durante os primeiros meses de vida e consequentemente rejeicao da alimentacao por via oral, pode interferir no desenvolvimento motor oral do bebe e trazer alteracoes nao so para as funcoes, mas tambem para os orgaos fonoarticulatorios [15-17].

Na Tabela 2 sao encontrados os dados a respeito do tempo de aleitamento materno e observou-se que 66,3% das maes entrevistadas amamentaram seus filhos por mais de 180 dias e que houve uma evidencia maior e estatisticamente significante (p = 0,003) nas criancas prematuras (78,0%), quando comparado com o tempo de aleitamento materno de criancas nascidas a termo (55,5%). Ao mesmo tempo, as criancas que nao foram amamentadas ou as que foram ate 30 dias foi maior no grupo de RNT (16,7%).

Em outra pesquisa foi observado que o tempo de aleitamento materno ate os 30 primeiros dias de vida ocorreu em 98,1% dos casos e no sexto mes houve uma queda para 70,1%9. Em outro trabalho a duracao mediana do aleitamento materno exclusivo foi de 24 dias, do aleitamento predominante de 77 dias e do aleitamento total de 112 dias [11].

Estudo realizado observou que as prevalencias estimadas de aleitamento materno para o Brasil foram 87,3% aos 30 dias, de 77,5% aos 120 dias e de 68,6% aos 180 dias e do aleitamento materno exclusivo, nas mesmas idades, de 47,5%, 17,7% e 7,7%, respectivamente [18].

Em uma pesquisa, o aleitamento materno predominante ocorreu em 60,3% doas casos aos 6 meses [15]. Em outra pesquisa a mediana foi de 98 dias para o AME e superior a 365 dias para o aleitamento materno [19].

Com relacao ao tempo de aleitamento materno exclusivo, a Tabela 3, aponta que tambem houve diferenca estatisticamente significante entre os grupos (p = 0,023) quanto ao aleitamento materno exclusivo. O grupo de criancas prematuras permaneceu maior tempo em aleitamento materno exclusivo que o grupo de criancas nascidas a termo, e, ate os 30 primeiros dias de vida 15,8% das criancas prematuras e 31,1% das criancas nascidas a termo nao estavam em aleitamento materno exclusivo.

Os RNT estao prontos para sugar e deveriam ter maiores taxas de aleitamento materno e de aleitamento materno exclusivo, porem apenas 55,5% deles foram amamentadas por 6 meses ou mais e destas apenas 33,3% tiveram aleitamento materno exclusivo.

A explicacao para o ocorrido deve-se ao trabalho desenvolvido pela equipe multidisciplinar que assistiu o prematuro, sua mae e familiares, orientando-os e proporcionando-lhes o suporte necessario para transpor as dificuldades encontradas, atuando como fator de protecao ao aleitamento materno [20]. Como tambem, devido a intervencao fonoaudiologica que promoveu a adequacao das estruturas e funcoes estomatognaticas dos RNPT, favorecendo a apropriacao e coordenacao das funcoes envolvidas no processo de alimentacao, favorecendo o inicio da amamentacao no peito materno e consequente alta hospitalar.

Pesquisador desenvolveu um estudo e em seus achados, o tempo de aleitamento materno exclusivo dos lactentes ate 1 mes foi de 64,8% e aos 6 meses esse valor caiu para 9,6%. Para o aleitamento materno, a prevalencia no primeiro mes foi de 98,1% e para o sexto mes de 70,1% [9].

Em relacao ao aleitamento materno exclusivo, estudo mostrou que dos 99 RNT, 66 receberam aleitamento materno exclusivo e dos 101 RNPT, 34 receberam aleitamento materno exclusivo durante a internacao [14].

Um dado que tambem deve ser considerado e que ate 30 dias de vida a maioria dos RNPT ainda nao tinha estabilizado seu quadro clinico, uma vez que o tempo medio de internacao deste foi de 38,2 dias, porem ainda sim o desmame foi maior no grupo de criancas a termo, uma vez que a mae precisa ser orientada e apoiada durante este periodo, pois ha a adaptacao mae-bebe e onde sao encontradas as maiores dificuldades para a amamentacao (lesoes nos mamilos, ingurgitamento mamario, desorganizacao do sono do bebe, maior cansaco e recuperacao materna, principalmente do parto cirurgico). Tambem, 8,7% das maes pesquisadas realizaram o desmame durante o intervalo de 91 a 120 dias, periodo onde ha o termino da licenca maternidade e onde as mesmas tem que retornar ao trabalho fora do lar. Nao encontrou relacao entre causa do desmame e trabalho materno [21].

No estudo atual, das criancas que tiveram desmame precoce, foram verificadas as causas do desmame, sendo que a maior parte dos desmames ocorreram por fatores educacionais e por fatores culturais (Tabelas 4 e Figura 1). Em outra pesquisa as maes relataram como causas do desmame precoce alem problemas relacionados a "falta de leite", "leite fraco" (fatores educacionais, relacionadas a falta de informacao e orientacao) a influencia de fatores culturais (uso de chupeta e mamadeira, crencas) [13,22].

Os fatores associados ao aleitamento materno e ao aleitamento materno exclusivo foram analisados em dois estudos e os autores observaram o uso de chupeta e mamadeira como fatores culturais que levam ao desmame precoce [9,23,24].

As consequencias do desmame, na atual pesquisa, podem ser observadas na Figura 2. Tambem foi observado em nossa pesquisa 5 casos associados com diarreia, 3 a pneumonia e 2 a infeccoes.

Outro autor aponta algumas consequencias do desmame precoce, a morte por diarreia, infeccoes respiratorias agudas e outras doencas infecciosas, sao 20 vezes maiores em criancas desmamadas precocemente [25,26]. Pesquisa verificou que houve uma associacao estatisticamente significante entre o desmame e o uso de chupeta [27] e mamadeira [9]. Criancas amamentadas ate um mes de idade, que usavam chupeta, tiveram uma chance 2,8 vezes maior de serem desmamadas ate o sexto mes [27].

Criancas com ate 2 anos de idade e amamentadas por menos de 4 meses apresentaram 2 vezes mais chances de apresentar infeccoes de vias aereas superioras, e as criancas pre-termo tinham menor chance de ter pneumonia quando amamentadas exclusivamente por 4 meses ou mais [27,28].

Ao ponderar a respeito do leite materno, pesquisa descreve que o mesmo possui enzimas, vitaminas, agua, sais minerais, anticorpos, hormonios, lisozimas e imunoglobulinas que defendem a crianca de infeccoes [10]. Por sua vez, a introducao precoce de alimentos complementares esta associada ao aumento da morbidade e mortalidade infantil, devido a menor ingesta de anticorpos e imunoglobulinas contidos no leite materno e ao maior risco de contaminacao dos alimentos ofertados as criancas [29].

Os beneficios do aleitamento materno sao incomparaveis, pois reduz a mortalidade e morbidade infantil, a incidencia e gravidade de doencas como anemia, diarreias, infeccoes respiratorias, otites medias, infeccoes urinarias e doencas alergicas e que as criancas menores que seis meses que nao mamavam apresentaram uma chance 64,0% a mais para a diarreia que aquelas amamentadas. Quando comparadas com as que mamavam exclusivamente, houve um aumento desse percentual para 82,0% entre as nao amamentadas [30-32].

Outros autores apontam algumas consequencias do desmame precoce [33], a morte por diarreia, infeccoes respiratorias agudas e outras doencas infecciosas, sao 20 vezes maiores em criancas desmamadas precocemente [28]. Estudo verificou que houve uma associacao estatisticamente significante entre o desmame e o uso de chupeta e mamadeira [9]. Pesquisador encontrou em sua pesquisa que as criancas amamentadas ate um mes de idade, que usavam chupeta, tiveram uma chance 2,8 vezes maior de serem desmamadas ate o sexto mes, pois ha uma menor estimulacao da mama e menor producao de leite [28].

O aleitamento materno nao e somente biologico, mas uma associacao de fatores historicos, educacionais, sociais, anatomofuncionais, culturais e psicologicos. Nao obstante, nao satisfaz apenas informar, faz-se necessario mudar crencas, derrubar tabus da mulher e da sociedade em geral. Talvez esse seja o motivo das taxas de aleitamento materno estarem ainda longe do preconizado pela OMS. Faz-se necessaria uma intervencao em diversas areas, como a mudanca de conceitos arraigados no cerne de mulheres no decorrer de anos, passados de geracao em geracao. Essas maes/ mulheres precisam ser apoiadas, melhor orientadas e assistidas.

A amamentacao e tambem a responsavel por uma maior economia para familia e para o Estado, pois nao e necessario comprar leite artificial e demais formulas lacteas para suprir as necessidades decorrentes do desmame precoce. Politicas voltadas a promocao, protecao e incentivo ao aleitamento materno e a alimentacao complementar saudavel apos os seis meses de vida devem ser estimuladas, com o intuito de proporcionar as criancas e a suas maes uma vida mais saudavel e com qualidade.

Deve ser ressaltada a importancia do trabalho de uma equipe multidisciplinar no atendimento ao prematuro e sua mae, cabendo ao fonoaudiologo intervir o mais precocemente possivel nessa diade com o proposito de adequar a funcoes de succao, degluticao e respiracao, favorecendo o inicio da amamentacao ao prematuro, reduzindo o tempo de hospitalizacao e reduzindo os custos para o Estado.

Mediante ao que foi exposto, ao menos resta a satisfacao de saber que as taxas de aleitamento materno estao aumentando, mostrando que algumas acoes estao sendo desenvolvidas como: a criacao de Enfermarias Canguru para assistencia de criancas prematuras e de baixo peso, a implantacao de Hospitais Amigos da Crianca, a formacao de grupos de apoio e incentivo ao aleitamento materno, o desenvolvimento de pesquisas em Fonoaudiologia voltadas para neonatos normais e de risco, com a finalidade de prestar melhor assistencia as criancas, suas maes e familiares. Estas intervencoes estao sendo desenvolvidas para seguir as orientacoes da Organizacao Mundial de Saude e para minimizar as consequencias que o desmame precoce traz, a curto e em longo prazo, tanto para as maes--que sao acolhidas, assistidas e informadas dos cuidados para consigo e para com seu filho -, quanto para os recem nascidos que sao amamentados por mais tempo diminuindo o risco de morte e de agravos de saude na infancia por desnutricao, diarreia, infeccoes e pneumonia.

No entanto, existe muito a ser feito para intervir no aumento desses percentuais. Realizar projetos junto aos orgaos publicos de saude que favorecam a amamentacao, formar grupos de apoio e incentivo ao aleitamento materno, capacitar os profissionais de saude que ja lidam com a amamentacao, realizar campanhas educativas e divulgar as acoes em prol do aleitamento materno, criar Bancos de Leite Humano e estimular as maes a doarem o leite materno que e importantissimo para o bebe e principalmente para o prematuro. Alem disso, faz-se necessario provar a populacao que amamentar e possivel para a maioria das mulheres, salvo alguns casos onde o aleitamento materno e contra-indicado, talvez essa seja a tarefa mais dificil. Mostrar que, de fato, o aleitamento materno e a forma mais natural e mais saudavel de se alimentar uma crianca.

Os profissionais de saude devem ser comunicadores, educadores e formadores de opiniao em saude [34]. Devem desenvolver no individuo a responsabilidade no cuidado com a sua saude e de sua familia. E evidente que esta nao e uma pratica facil, haja vista a extensao de nosso Pais e por ser o Brasil repleto de diversidades. Contudo, a promocao do aleitamento materno, deve ser incluida entre as acoes prioritarias de saude [35], e os fatores supracitados justificam a necessidade de programas de incentivo ao aleitamento materno em cada regiao [36], para que as taxas de aleitamento materno e de aleitamento materno exclusivo preconizadas pela Organizacao Mundial de Saude sejam uma realidade para todos.

CONCLUSAO

O tempo de aleitamento materno e de aleitamento materno exclusivo dos prematuros foi superior aos valores encontrados para as criancas nascidas a termo. As criancas nascidas de parto prematuro apresentaram uma media de 121,6 dias para o aleitamento materno exclusivo e as nascidas a termo de 96,3 dias havendo diferenca estatistica entre os grupos. Mais da metade das criancas estudadas foram desmamadas antes dos 6 meses de vida.

Quando comparados RNT com RNPT a variavel peso ao nascer apresentou diferenca significante entre os grupos. Os fatores educacionais e culturais foram as principais causas do desmame precoce e quase todas as criancas desmamadas precocemente tiveram como consequencia do desmame o uso de chupeta e mamadeira.

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Waleria Ferreira da Silva (1), Zelita Caldeira Ferreira Guedes (2)

(1) Fonoaudiologa da Secretaria Municipal de Saude de Maceio e da Secretaria Estadual de Educacao de Alagoas, Mestrado em Disturbios da Comunicacao Humana pela Universidade Federal de Sao Paulo, UNIFESP, Sao Paulo, Sao Paulo, Brasil; Especialista em Motricidade Orofacial com enfase em Disfagia.

(2) Fonoaudiologa; Professora Doutora Associada do Departamento de Fonoaudiologia da UNIFESP, Universidade Federal de Sao Paulo, Sao Paulo, Sao Paulo, Brasil; Pos-Doutorado realizado na Universidade Rene Descartes, Paris 5, Franca.

Conflito de interesses: inexistente

http://dx.doi.org/10.1590/S1516-18462012005000055

RECEBIDO EM: 08/06/2011

ACEITO EM: 05/12/2011

Endereco para correspondencia:

Waleria Ferreira da Silva

Rua Amazonas, no 22, Bl "A", apto 303

Feitosa--Maceio--AL

CEP: 57043-450

E-mail: ferreira.waleria@gmail.com
Tabela 1--Correlacao do tempo de aleitamento materno exclusivo de
criancas prematuras e a termo com as variaveis quantitativas

                         Tempo AME RNPT        Tempo AME RNT

Variaveis               Corr      p-valor     Corr      p-valor

Peso ao nascer          -0,7%      0,951      -7,1%      0,504
Idade Gestacional       -5,2%      0,642      - x -      - x -
Apgar no 5'              3,7%      0,747      - x -      - x -
n consultas             -0,5%      0,967       0,3%      0,974
Idade mae               -18,8%     0,091      17,1%      0,107
Escolaridade             9,1%      0,415      -9,8%      0,359
Tempo UTI               10,2%      0,363      - x -      - x -
Tempo BI                -17,0%     0,127      - x -      - x -
Tempo AC                -12,6%     0,258      - x -      - x -
Tempo internacao cca    -8,9%      0,424      - x -      - x -
Tempo uso sonda         -1,0%      0,932      - x -      - x -
n sessoes fono          -16,4%     0,141      - x -      - x -
Tempo Oxihood           -10,7%     0,340      - x -      - x -
Tempo CPAP              -6,4%      0,571      - x -      - x -
Tempo tubo               7,9%      0,482      - x -      - x -
Temp O2                 -4,8%      0,673      - x -      - x -

                         Tempo AME total

Variaveis               Corr      p-valor

Peso ao nascer          -17,7%     0,020
Idade Gestacional       -5,2%      0,642
Apgar no 5'              3,7%      0,747
n consultas             -7,4%      0,338
Idade mae               -0,6%      0,940
Escolaridade            -1,8%      0,818
Tempo UTI               10,2%      0,363
Tempo BI                -17,0%     0,127
Tempo AC                -12,6%     0,258
Tempo internacao cca    -8,9%      0,424
Tempo uso sonda         -1,0%      0,932
n sessoes fono          -16,4%     0,141
Tempo Oxihood           -10,7%     0,340
Tempo CPAP              -6,4%      0,571
Tempo tubo               7,9%      0,482
Temp O2                 -4,8%      0,673

Tabela 2--Distribuicao de frequencias do tempo de aleitamento
materno

Tempo de aleitamento       RNs          RNPT           RNT
materno (dias)            N (%)         N (%)         N (%)      p (1)

0 (zero)                11 (6,4%)     3 (3,7%)      8 (8,9%)
De 1 a 30                7 (4,1%)          -        7 (7,8%)
De 31 a 60               8 (4,6%)     3 (3,7%)      6 (6,7%)
De 61 a 90              12 (7,0%)     4 (4,9%)      8 (8,9%)     0,003
De 91 a 120             15 (8,7%)     6 (7,3%)      9 (10,0%)
De 121 a 150             4 (2,3%)     2 (2,4%)      2 (2,2%)
De 151 a 179                --            --            --
180 dias e mais        115 (66,9%)   64 (78,0%)    50 (55,5%)

(1) nivel de significancia do teste de Mann-Whitney

Tabela 3--Distribuicao de frequencias do tempo de aleitamento
 materno exclusivo

Tempo de
aleitamento materno       RNs          RNPT           RNT
exclusivo (dias)         N (%)         N (%)         N (%)      p (1)

0 (zero)              21 (12,2%)    10 (12,1%)    11 (12,2%)
De 1 a 30             20 (11,6%)     3 (3,7%)     17 (19,0%)
De 31 a 60            20 (11,6%)     9 (11,0%)    11 (12,2%)
De 61 a 90            15 (8,7%)      6 (7,3%)      9 (10,0%)    0,023
De 91 a 120           21 (12,2%)    13 (15,9%)     8 (8,9%)
De 121 a 150           8 (4,7%)      4 (4,9%)      4 (4,4%)
De 151 a 179           1 (0,6%)      1 (1,2%)         --
180 dias e mais       66 (38,4%)    36 (43,9%)    30 (33,3%)

(1) nivel de significancia do teste de Mann-Whitney

Tabela 4--Compara as causas do desmame precoce devido a fatores
educacionais para tempo aleitamento materno exclusivo por grupo

Causas Desmame
Fatores                                Desvio
Educacionais        Media    Mediana   Padrao    Q1     Q3     N

RNPT         Nao    163,6      180      41,9    173    180     44
             Sim     74,9      90       57,9     6     120     38
             Sim     63,0      49       65,5     9     105     6
RNT          Nao    151,7      180      47,1    120    180     38
             Sim     56,9      40       47,8     23     90     52
Total        Nao    158,1      180      44,5    128    180     82
             Sim     64,5      60       52,7     18    109     90

Causas Desmame
Fatores
Educacionais         IC    (1) p-valor

RNPT         Nao    12,4     <0,001
             Sim    18,4
             Sim    52,4
RNT          Nao    15,0     <0,001
             Sim    13,0
Total        Nao    9,6      <0,001
             Sim    10,9

(1) nivel de significancia do teste de Mann-Whitney

Tabela 5--Compara desmame fatores culturais para o tempo de
aleitamento materno exclusivo por grupo

Desmame
Fatores                             Desvio
Culturais        Media    Mediana   Padrao    Q1     Q3     N

MESM      Nao    148,4      180      59,1    120    180     54
          Sim     72,4      75       50,2     35    114     28
          Sim     54,3      49       50,3     28     75     4
UBS       Nao    164,2      180      35,6    180    180     32
          Sim     59,9      49       48,2     26     90     58
Total     Nao    154,3      180      51,9    128    180     86
          Sim     64,0      60       48,9     29    109     86

Desmame
Fatores
Culturais         IC      (1) p-valor

MESM      Nao    15,8     <0,001
          Sim    18,6
          Sim    49,3
UBS       Nao    12,3     <0,001
          Sim    12,4
Total     Nao    11,0     <0,001
          Sim    10,3

(1) nivel de significancia do teste de Mann-Whitney

Tabela 6--Compara as consequencias do desmame para o tempo de
aleitamento materno exclusivo por grupo

Consequencias                         Desvio
desmame             Media   Mediana   Padrao     Q1      Q3

MESM         Nao    176,8     180      28,3      180     180
             Sim    77,8      90       54,7      30      120
             Sim    70,0      60       62,6      19      116
UBS          Nao    166,5     180      33,4      180     180
             Sim    60,4      52       48,0      27      90
Total        Nao    172,1     180      30,9      180     180
             Sim    67,9      60       51,5      27      116

Consequencias
desmame               N      IC    (1) p-valor

MESM         Nao     37     9,1      <0,001
             Sim     45     16,0
             Sim      7     46,4
UBS          Nao     31     11,8     <0,001
             Sim     59     12,2
Total        Nao     68     7,4      <0,001
             Sim     104    9,9

(1) nivel de significancia do teste de Mann-Whitney

Figura 1--Causas do desmame precoce

               RNPT     RNT

Diarreia        1        5
Pneumonia       1        2
Habitos orais   43       61
Infeccoes       1        1

Note: Table made from bar graph.

Figura 2--Distribuicao de frequencias das consequencias do desmame
pre coce

                                     RNPT   RNT

Fatores Educacionas           35    50
Fatores Socioeconomicos       8     8
Fatores Culturais             19    53
Fatores Anatomofisiologicos   1     1

Note: Table made from bar graph.
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Title Annotation:articulo en portugues
Author:da Silva, Waleria Ferreira; Guedes, Zelita Caldeira Ferreira
Publication:Revista CEFAC: Atualizacao Cientifica em Fonoaudiologia e Educacao
Date:Jan 1, 2013
Words:6421
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