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Tibial fracture caused by complications after an extracapsular suture for the repair of cranial cruciate ligament rupture in a dog/Fratura proximal de tibia apos cirurgia extracapsular para correcao de ruptura de ligamento cruzado cranial em cao.

A ruptura de ligamento cruzado cranial (RLCCr) e considerada uma das afeccoes ortopedicas mais frequentes em caes e, segundo JOHNSON et al. (1994), e a principal causa de claudicacao com origem no joelho. Pode afetar caes de diferentes idades e tamanhos, porem, e mais comum nas racas de grande porte (CASALE & MCCARTHY, 2009). O reparo do ligamento cruzado cranial tem como objetivo promover estabilidade na articulacao do joelho (BUQUERA et al., 2007). As tecnicas cirurgicas para correcao da RLCCr em caes incluem estabilizacao com tecnicas de osteotomia (KIM et al., 2008), procedimentos intraarticulares (WARZEE et al., 2001) e extra-articulares (GAMBARDELLA et al., 1981), porem, ainda nao foi estabelecida qual tecnica e superior (WARZEE et al., 2001). Os procedimentos extra-capsulares tem como vantagens o menor tempo cirurgico, minima invasao articular e melhor resposta clinica e, dentre estas, a tecnica menos exigente e a sutura fabelo-tibial (SFT) (SMITH, 2000). Segundo CASALE & MCCARTHY (2009), a SFT esta associada a menos complicacoes trans e pos-operatorias, mas pode apresentar desvantagens como compressao excessiva das superficies articulares e soltura, afrouxamento ou rompimento do fio (SMITH, 2000), sendo possivel observar deslocamento distal do sesamoide popliteo (BUQUERA et al., 2007). Foi relatada como complicacao da SFT a reacao ao material de sutura em 18 a 21% entre 66 pacientes avaliados (DULISCH, 1981). Em um estudo que avaliou 363 cirurgias de SFT em 305 caes, foram observadas 65 complicacoes em 63 procedimentos, dentre elas, avulsao da fabela (1), deficit neurologico (1), complicacoes incisionais (32), lesao tardia do menisco (7), edema associado ao material de sutura (10) e infeccao (14), nao sendo observada fratura de tibia como complicacao de SFT (CASALE & MCCARTHY, 2009).

Em fraturas de tibia, uma das opcoes para tratamento e o fixador esqueletico externo circular (FEEC) que neutraliza as forcas de torcao e arqueamento, mas permite micro movimentacao axial (LEWIS et al., 1998). Essa tecnica tem sido utilizada em Medicina Veterinaria ha pelo menos 15 anos (HALLING et al., 2004), inclusive no tratamento de nao-uniao de fraturas (OWEN, 2000). Quando possivel, deve-se utilizar dois aneis em cada fragmento (BILGILI, 2004), porem, em caes de racas pequenas, pode ser aplicado apenas um anel em cada fragmento da fratura (OLCAY & BILGILI, 1999). O objetivo deste trabalho e relatar ocorrencia de fratura proximal de tibia apos tecnica cirurgica de sutura fabelo tibial para correcao de RLCCr, estabilizada com fixador esqueletico externo circular em cao.

Um cao da raca Yorkshire Terrier, macho, com oito anos de idade foi atendido no Laboratorio de Ortopedia e Traumatologia Comparada do Hospital Veterinario da Universidade de Sao Paulo (LOTCHOVET-USP) com historico de RLCCr havia dois meses, tratada com sutura fabelo tibial por Medico Veterinario externo ao LOTC. Nesse procedimento, foi utilizado fio de nailon monofilamentar, sendo este ancorado na fabela lateral e em dois pontos (orificios) criados na tibia, um na porcao distal da crista da tibia e o outro 5mm distal a este. Apos 45 dias da cirurgia, houve fratura da tibia na regiao do orificio (distal) realizado para passagem do fio (Figura 1A). A fratura foi corrigida com placa 2,0mm/5 furos, porem, houve falha do implante / tecnica (Figura 1B). No exame clinico, foi verificada impotencia funcional do membro pelvico esquerdo, dor, crepitacao, e, no exame radiografico, foi observada falha dos implantes metalicos e deslocamento dos fragmentos da fratura.

O paciente foi operado e a fratura estabilizada com FEEC composto de semi-anel proximal e dois aneis (50mm 0) distais a fratura, com dois pinos olivados (1,5mm 0) por anel, estabilizando a fratura de tibia (Figura 1C). Quatro dias apos a cirurgia, o animal apresentava apoio parcial do membro. Foi realizada compressao da fratura (1 mm) nos dias quatro e 17 de pos-operatorio. Com tres meses apos a cirurgia, o animal apresentava deambulacao normal e, com 120 dias de pos-operatorio PO, foi constatada consolidacao da fratura e o FEEC foi removido (Figura 1D e E). Foi observado, no exame radiografico, apos a remocao do FEEC, desvio do eixo osseo em terco proximal de tibia, porem este nao impossibilitava deambulacao normal e o membro manteve-se funcional em todas as atividades do animal.

A SFT utilizada na correcao da RLCCr no cao deste relato e a tecnica extra-articular mais comumente utilizada e tem se mostrado eficiente na estabilizacao da articulacao do joelho, principalmente em caes de pequeno porte (KORVICK et al., 1994) com resultado bom ou excelente em 77 a 82% dos casos (CHAUVET et al., 1996). Existem poucos relatos de complicacoes relacionadas a SFT (CASALE & MCCARTHY, 2009), entre elas estao reacao ao material de sutura (DULISCH, 1981), avulsao da fabela, deficit neurologico, complicacoes incisionais, lesao tardia do menisco, edema associado ao material de sutura e infeccao (CASALE & MCCARTHY, 2009), nao tendo sido relatada fratura de tibia no local de passagem do fio da SFT como complicacao da tecnica.

Estas complicacoes tendem a aumentar em caes de maior peso e atividade (GUENEGO et al., 2007), porem, no presente relato, o paciente era de pequeno porte e, portanto, menos susceptivel a complicacoes dessa tecnica. Para CASALE & MCCARTHY (2009), sao necessarias informacoes adicionais sobre os tipos e frequencia de complicacoes associadas a tecnica de SFT. Nesse relato, o orificio distal criado para estabilizacao de RLCCr encontra-se na regiao diafisaria da tibia, mais estreita que a regiao da crista tibial, portanto, e possivel supor que a fratura tenha ocorrido devido a maior fragilidade da regiao, o que poderia ter sido evitado se o orificio fosse perfurado dorsal a regiao mais proeminente da crista da tibia, como recomendado em literatura recente (JOHNSON & DUNNING, 2005).

Com a ocorrencia da fratura de tibia, o fio da SFT foi removido e esta foi tratada com placa e parafusos, sendo esta uma das tecnicas recomendadas para osteossintese de tibia (SEAMAN & SIMPSON, 2004). A escolha do metodo de fixacao baseia-se no tipo e localizacao da fratura, tamanho e idade do animal e numero de ossos envolvidos (DE Y OUNG & PROBST, 1993). Diversos metodos de fixacao foram propostos para o tratamento de fraturas na tibia (DE YOUNG & PROBST, 1993), como fixacao esqueletica externa linear ou circular e placa (SEAMAN & SIMPSON, 2004). A osteossintese com FEEC, utilizada neste caso, destacase por apresentar grande resistencia as forcas de torcao e arqueamento, porem e axialmente elastico, o que difere de sistemas rigidos (LEWIS et al., 1998).

A fratura foi corrigida com FEEC e, embora BILGILI (2004) tenha afirmado que o ideal e a colocacao de dois aneis proximais e dois distais a fratura, optou se por colocar um anel proximal, devido ao tamanho pequeno do fragmento e do cao. O paciente apresentou apoio parcial do membro quatro dias apos o procedimento cirurgico e deambulacao normal com 90 dias de PO, sendo o retorno funcional precoce um dos objetivos da reducao de fraturas (DE YOUNG & PROBST, 1993).

A fixacao esqueletica externa circular pode ser eficaz e permitir apoio precoce e consolidacao da fratura de tibia decorrente de complicacao da tecnica de sutura fabelo-tibial.

REFERENCIAS

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Jaqueline Franca dos Santos (I) Cassio Ricardo Auada Ferrigno (II) Marcio Poletto Ferreira (I) Olicies da Cunha (I) Kelly Cristiane Ito (I) Vanessa Couto de Magalhaes Ferraz (I) Daniela Fabiana Izquierdo Caquias (I) Marcos Ishimoto Della Nina (I) Adriana Valente Figueiredo (I) Alexandre Navarro Alves de Souza (I)

(I) Programa de Pos-graduacao em Clinica Cirurgica Veterinaria, Universidade de Sao Paulo (USP), Sao Paulo, SP, Brasil.

(II) Departamento de Cirurgia, Faculdade de Medicina Veterinaria e Zootecnia (FMVZ), USP, Rua Orlando de Marques Paiva, 87, 05508-270, Cidade Universitaria, Sao Paulo, SP, Brasil. E-mail: cassioaf@usp.br. Autor para correspondencia.

Recebido para publicacao 02.10.11

Aprovado em 07.10.12

Devolvido pelo autor 13.11.12

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Author:dos Santos, Jaqueline Franca; Ferrigno, Cassio Ricardo Auada; Ferreira, Marcio Poletto; da Cunha, Ol
Publication:Ciencia Rural
Date:Mar 1, 2013
Words:2011
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