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The use of clove oil as an anesthetic for advanced juvenile tilapia (Oreochromis niloticus)/O uso do oleo de cravo como anestesico em juvenis avancados de tilapia do Nilo (Oreochromis niloticus).

Introducao

Procedimentos em estacoes de piscicultura, normalmente, tem forte impacto sobre a fisiologia e o comportamento dos peixes, e a anestesia pode ser utilizada para facilitar o manejo e reduzir os danos fisicos, tanto aos peixes como ao operador (ROSS;

ROSS, 2008). De forma geral, os anestesicos atuam nos peixes deprimindo as funcoes neurossensoriais.

A maior parte dos anestesicos afeta o sistema nervoso central e atua primeiro sobre o cortex cerebral (SUMMERFELT; SMITH, 1990). O aumento da concentracao ou do tempo de exposicao difunde os seus efeitos por meio do tronco cerebral para o centro respiratorio medular e da medula espinhal (SUMMERFELT; SMITH, 1990), podendo ocorrer deficiencias respiratorias e colapsos medulares, o que pode ocasionar mortalidade. Desta forma, para que um anestesico seja utilizado com eficiencia e importante estabelecer a sua concentracao e o tempo ideal de exposicao (INOUE et al., 2003).

De acordo com Ross e Ross (2008), e essencial o conhecimento da concentracao ideal do anestesico que e necessaria para a inducao ao estagio desejado de anestesia, uma vez que estas concentracoes variam conforme a especie e o tamanho do peixe. Durante a engorda, os juvenis avancados sao, na maioria das vezes, anestesiados por dois principais motivos: 1) realizacao de biometria e 2) procedimento cirurgico e inspecao visual. O estagio de inducao necessario para uma biometria e a parada total dos movimentos (leve sedacao), enquanto que para uma cirurgia ou inspecao visual e necessario que o peixe atinja o estagio de minimo movimento opercular (anestesia profunda).

Normalmente, os anestesicos causam a supressao de diversas respostas de estresse, o que facilita ao animal (peixe) a manutencao de sua homeostase mesmo quando e intensamente manejado (MARTINEZ-PORCHAS et al., 2009). Entretanto, alguns anestesicos, dependendo da concentracao ou do tempo de exposicao, podem ser causadores de estresse em peixes (BARBOSA et al., 2007; KIESSLING et al., 2009).

O oleo de cravo (cravo, planta do genero Eugenia) e seus derivados tem sido intensivamente estudados como anestesicos para varias especies de peixes e os resultados obtidos demonstram ser uma alternativa aos produtos sinteticos, normalmente utilizados (INOUE et al., 2011; OLIVEIRA et al., 2009; PEREIRA-DA-SILVA et al., 2009; VIDAL et al., 2008). Este anestesico tem sido eficiente em suprimir respostas de estresse em algumas especies de peixes como o fathead minnows (Pimephales prometas) (PALIC et al., 2006) e o jundia (Rhamdia quelen) (CUNHA et al., 2010).

A tilapia do Nilo (Oreochromis niloticus) e o peixe mais criado no Brasil e e o terceiro mais criado no mundo (FAO, 2007). Quando criada em sistema de tanque rede ou viveiro alcanca ate 800 g em seis meses de engorda (CAMPOS et al., 2007). Alguns trabalhos demonstraram a eficacia do uso de eugenol (oleo de cravo) para juvenis desta especie (dERIGGI et al., 2006; VIDAL et al., 2008), mas nenhum deles avaliou a concentracao ideal deste anestesico para juvenis avancados e nem a que concentracao e estressante. Desta forma, idealizou-se este trabalho com o objetivo de determinar a concentracao e o tempo ideal de exposicao ao oleo de cravo como anestesico para juvenis avancados (50 -90 g; 10-20 cm) de tilapia do Nilo durante o manejo, alem de verificar as respostas de estresse dos peixes expostos a concentracao ideal deste anestesico.

Material e metodos

Experimento 1

Sessenta juvenis de tilapia (55,35 [+ or -] 15,68 g e 13,87 [+ or -] 1,23 cm) foram colocados para aclimatacao em tres tanques de 150 L, com sistema de aeracao constante, por dez dias. Durante este periodo, a cada tres dias, 30% da agua foram trocadas e sua qualidade monitorada. Neste periodo, os peixes foram alimentados a vontade, tres vezes por dia (8, 12 e 17h) como geralmente e realizado em pisciculturas, com racao comercial contendo 28% de proteina bruta (Propeixe 28%, Nutriave Alimentos Ltda., Viana, Estado do Espirito Santo).

Foram avaliadas seis diferentes concentracoes de oleo de cravo (80; 100; 150; 200; 250 e 300 mg [L.sup.-1]), a fim de determinar o tempo de inducao a anestesia. Os ensaios foram realizados em aquarios de 6 L, contendo 3 L de agua e a recuperacao sempre realizada em aquarios plasticos (45 L) contendo 20 L de agua, com aeracao constante (oxigenio dissolvido: 7,04 [+ or -] 1,3 mg [L.sup.-1]; temperatura: 25,37 [+ or -] 1,34[degrees]C; condutividade: 59,68 [+ or -] 2,83 [micro]S [cm.sup.-1]; dureza: 18,01 [+ or -] 4,32 mg CaC[O.sub.3] [L.sup.-1]; e pH: 6,95 [+ or -] 0,26), o oxigenio dissolvido, a temperatura e a condutividade foram medidas com um multiparametro YSI 85. O pH foi monitorado com potenciometro digital Quimis Q-400. A dureza da agua foi medida por titulacao conforme APHA (1998). Antes de ser utilizado, o oleo de cravo (Petite Marie; Estado de Sao Paulo, Brasil; 90% de eugenol) foi diluido em uma concentracao de 1 10-1 mL em etanol a 95% para o preparo da solucao-mae. Considerando que a densidade do oleo de cravo e aproximadamente 1 g cm-3, existe 100 mg de oleo de cravo em cada mL da solucao. A agua do aquario foi trocada ao termino de cada ensaio.

Dez peixes foram individualmente expostos, a cada concentracao para se observar o tempo de inducao a cada estagio, cada peixe foi exposto uma unica vez durante todo o trabalho. Apos 10 min., de exposicao ao oleo de cravo o peixe era removido para o aquario de recuperacao. Os diferentes estagios de inducao a anestesia seguiram criterios propostos por Stoskopf (1993). Foi considerado recuperado o peixe que retomava totalmente os movimentos e nadava ativamente no aquario.

Experimento 2

Foi realizado um segundo ensaio com o objetivo de se verificar a margem de seguranca do anestesico. Para isso, tendo por base o resultado do primeiro experimento, a concentracao de 250 mg [L.sup.-1] foi selecionada como a mais adequada para atingir a parada total dos movimentos operculares. Analisouse o tempo de recuperacao apos anestesia a concentracao de 250 mg [L.sup.-1] de oleo de cravo por diferentes tempos. Os peixes (n = 10 para cada tempo) foram previamente aclimatados e dispostos de maneira individual ao anestesico por 10, 20 e 30 min. Apos a exposicao, o peixe era removido para o aquario de recuperacao (45 L) contendo 20 L de agua, com aeracao constante. Foram avaliadas a recuperacao e a mortalidade.

Experimento 3

Para realizar o ensaio de estresse, no terceiro experimento, noventa peixes (47,94 [+ or -] 10,42 g e 13,87 [+ or -] 0,82 cm) foram aclimatados em um tanque de 500 L com sistema de aeracao constante, por dez dias. Durante a aclimatacao, a cada tres dias, 30% da agua foram trocadas. Neste periodo, os peixes foram alimentados a vontade, tres vezes por dia, com racao comercial para peixes contendo 28% de proteina bruta.

Os peixes foram dispostos de maneira individual em 90 aquarios de 30 L contendo 25 L de agua, com aeracao constante por 72h para aclimatacao. Tambem neste periodo, os peixes foram alimentados a vontade, tres vezes por dia, com racao comercial com 28% de proteina bruta e a metade da agua dos aquarios foi cuidadosamente trocada uma vez, apos 48h de aclimatacao. Apos esse periodo a alimentacao foi suspensa por 24h ate o inicio do experimento.

O experimento foi montado em esquema fatorial com tres diferentes tratamentos: controle (peixes mantidos no aquario sem manuseio e exposicao ao anestesico); anestesia simulada (peixes submetidos a uma simulacao do banho anestesico, somente com agua sem adicao do anestesico); e anestesiado (peixes expostos a 250 mg [L.sup.-1] de oleo de cravo) e seis tempos de amostragem: 0, 6, 12, 24, 48 e 96h apos a anestesia.

A maior concentracao de oleo de cravo testada continha em sua solucao cerca de 3 mL de alcool (solvente) por litro de agua, correspondendo a 0,3% do volume total. De acordo com Billiard et al. (1999), solventes como o alcool e a acetona nesta concentracao nao causam efeito adverso na fisiologia de peixes. Para cada combinacao de tratamento com tempo foram amostrados cinco peixes. Nos tratamentos "anestesia simulada" e "anestesiado", os peixes foram expostos individualmente em aquarios de ensaio de 6 L, contendo 3 L de agua (oxigenio dissolvido: 7,04 [+ or -] 1,3 mg [L.sup.-1]; temperatura: 25,37 [+ or -] 1,34[degrees]C; condutividade: 59,68 [+ or -] 2,83 [micro]S [cm.sup.-1]; dureza: 18,01 [+ or -] 4,32 mg CaC[O.sub.3].[L.sup.-1]; e pH: 6,95 [+ or -] 0,26) por 10 min., - tempo que foi determinado, entre os demais testados no segundo experimento, o mais adequado para exposicao a anestesia.

Apos o periodo de anestesia, foi coletado sangue da veia caudal nos diferentes tempos de amostragem para realizar as analises de cortisol, glicose, hematocrito, hemoglobina e ions plasmaticos.

A glicose sanguinea foi medida com aparelho digital Accu-Chek Active (Roche[TM]). Para analise de hematocrito, o sangue foi colocado em capilares e centrifugado a 3.000 rpm (935 g) por 10 min. sendo a leitura realizada em escala padronizada para hematocrito. A concentracao de hemoglobina foi determinada por meio do teste colorimetrico Bioclin K023 com leitura em espectrofotometro. O restante do sangue foi centrifugado a 3.000 rpm (1.026 g) por 10 min., sendo o plasma congelado para medida de cortisol e ions. A analise do cortisol foi realizada pela tecnica de imunoensaio enzimatico por competicao (EIA, Kit 55050, Human[R]) com leitura realizada em leitor de placa Biotrack. As concentracoes plasmaticas de [Na.sup.+] e [K.sup.+] foram determinadas diretamente em um fotometro de chama Analyser 910 (Analyser, Estado de Sao Paulo, Brasil).

Durante todo o experimento, cada peixe foi utilizado (anestesiado) uma unica vez, para nao alterar os resultados.

Analise estatistica

Os tempos para atingir os diferentes estagios de anestesia e recuperacao, assim como o tempo de recuperacao apos diferentes tempos de exposicao a anestesia, foram avaliados para as diferentes concentracoes de oleo de cravo por analise de variancia, seguida do teste de Tukey (p < 0,05). Os parametros de estresse foram analisados por analise de variancia de dois fatores e teste de Tukey (p < 0,05), tendo o tratamento e o tempo como fatores. As analises estatisticas foram realizadas valendo-se do programa Sigma Stat (Versao 3.5 - 2006, Systat Software, Inc.). Para cada estagio de anestesia foi realizada uma regressiva potencial e para a recuperacao foi realizada uma regressiva exponencial.

Resultados e discussao

Experimento 1

Com base nos resultados, observou-se que somente a concentracao de 80 mg [L.sup.-1] de oleo de cravo nao induziu os peixes a todos os estagios de anestesia. Os peixes anestesiados com 250 e 300 mg [L.sup.-1] alcancaram os estagios de perda total de equilibrio e parada dos batimentos operculares em tempos significativamente menores que os demais. Os peixes anestesiados em ambas as concentracoes nao apresentaram diferenca significativa na recuperacao. Desta forma, esta faixa de concentracao (250-300 mg [L.sup.-1]) pode ser considerada a ideal para anestesia cirurgica. Do ponto de vista economico, a concentracao de 250 mg [L.sup.-1] foi a mais adequada pois com uma menor concentracao atingiu-se o efeito desejado (Tabela 1). Simoes et al. (2010), testando o mesmo anestesico em adultos de tilapia do Nilo, tambem estabeleceram a concentracao de 250 mg [L.sup.-1] como adequada para anestesia cirurgica.

Em que: y = tempo para atingir aos estagios e x= concentracao de eugenol (mg [L.sup.-1]).

Estudos realizados por Vidal et al. (2008), com tilapias (peso medio de 5,34 g) e Cunha et al. (2010), com jundias (peso medio de 2,14 g), obtiveram concentracoes adequadas mais baixas que a do presente trabalho (75 e 50 mg [L.sup.-1], respectivamente). Esta diferenca no resultado deve estar relacionada com a especie e, principalmente, com o tamanho do peixe (ROSS; ROSS, 2008). Peixes menores tem uma superficie branquial comparativamente maior do que peixes grandes, desta forma sao induzidos a anestesia com uma concentracao menor (ROUBACH et al., 2005).

Os peixes anestesiados com 80, 100, 150 e 200 mg [L.sup.-1] de oleo de cravo apresentaram rapida recuperacao. Entretanto, apenas os peixes expostos a 150 e 200 mg [L.sup.-1] apresentaram um tempo significativamente menor de inducao ao estagio de perda total de equilibrio. Sendo assim, 150 mg [L.sup.-1] foi considerada a concentracao ideal para uma anestesia voltada para o breve manejo (Tabela 1). Esta concentracao representa apenas 60% da concentracao determinada para anestesia cirurgica. Proximo ao resultado encontrado em adultos de tilapia (SIMOES et al., 2010), em que a concentracao de anestesia voltada para o breve manejo (100 mg [L.sup.-1]) representa 40% da concentracao determinada para anestesia cirurgica (250 mg [L.sup.-1]).

Simoes e Gomes (2009) avaliaram o mentol como anestesico em juvenis de tilapias e obtiveram resultados semelhantes em que a concentracao para breve manejo (150-200 mg [L.sup.-1]) foi de 60-80% da concentracao selecionada para anestesia cirurgica (250 mg [L.sup.-1]).

Alem da concentracao, a determinacao do tempo adequado de exposicao e essencial para a eficacia do anestesico, uma vez que exposicoes prolongadas podem eventualmente causar mortalidade dos peixes (PARK et al., 2008).

Experimento 2

No experimento 2, observou-se diferenca significativa no tempo de recuperacao dos peixes apos a exposicao a 250 mg [L.sup.-1] de oleo de cravo por diferentes periodos de tempo (Figura 1). O oleo de cravo demonstrou boa margem de seguranca para juvenis avancados de tilapia, pois nao foi observada mortalidade dos peixes expostos ao anestesico em nenhum dos tempos avaliados. Estudo de Roubach et al. (2005) tambem demonstrou que a concentracao ideal (65 mg [L.sup.-1]) nao provocou mortalidade em juvenis avancados de tambaqui (Colossoma macropomum) em ate 30 min., de exposicao ao eugenol. Essa amplitude do intervalo de concentracoes ideais e resultado das diferentes velocidades de acao do eugenol para cada especie de peixe (HOSKONEN; PIRHONEN, 2004).

[FIGURE 1 OMITTED]

Resultado diferente foi encontrado em tilapia de 5 g em que a concentracao de 286,55 mg [L.sup.-1] de eugenol provoca aproximadamente 100% de mortalidade em 10 min., de anestesia (VIDAL et al., 2008). Ha duas principais explicacoes para esta diferenca: 1) tamanho do peixe, sendo os menores mais sensiveis ao efeito toxico de solucoes anestesicas do que peixes maiores; 2) produto utilizado. Vidal et al. (2008) realizaram os experimentos com eugenol purificado, enquanto no presente trabalho foi utilizado oleo de cravo que contem outros compostos alem do eugenol, necessitando, portanto, de maior concentracao para atingir o mesmo efeito.

Experimento 3

As concentracoes de cortisol encontradas nos peixes do tratamento-controle ao longo deste experimento (entre 1,1 [+ or -] 0,1 e 3,83 [+ or -] 2,44 ng m[L.sup.-1]) estao dentro da faixa basal para peixes de acordo com Barton et al. (2002). Apenas os peixes do tratamento com anestesia simulada apresentaram elevacao significativa na concentracao deste hormonio no tempo 0h. De toda forma, o estresse do manejo necessario para anestesia (tratamento com anestesia simulada) e de baixa intensidade, uma vez que 6h apos a anestesia, os peixes deste tratamento ja apresentavam a concentracao de cortisol inicial, equivalente a do controle (p > 0.05) (Tabela 2).

O oleo de cravo foi eficiente em suprimir as respostas de cortisol durante o manejo da anestesia, uma vez que nao houve alteracao deste hormonio nos peixes anestesiados em nenhum tempo de amostragem. Este resultado e similar ao obtido por Cunha et al. (2010) em que jundias anestesiados com eugenol apresentaram os niveis plasmaticos de cortisol significativamente mais baixos do que os peixes-controle, reforcando a hipotese de que este anestesico previne o aumento do cortisol no momento da manipulacao e exposicao ao ar. Nao se sabe como este anestesico interfere com a dinamica do cortisol em peixes (KING et al., 2005; PALIC et al., 2006). Entretanto, e relatado que o oleo de cravo deprime as funcoes neurossensoriais, causando bloqueio a estimulacao nervosa das celulas interrenais, suprimindo assim, a liberacao de cortisol na corrente sanguinea (SUMMERFELT; SMITH, 1990). Por analogia, esse seria o mecanismo de acao na tilapia.

A glicose sanguinea foi significativamente maior logo apos a anestesia (tempo 0h) no tratamento anestesiado (85,2 mg d[L.sup.-1]) e controle (46,0 mg d[L.sup.-1]) quando comparada aos outros tempos de amostragem. Nao foi observada diferenca significativa no tratamento anestesia simulada, nos diferentes tempos amostrados. As concentracoes de glicose voltaram para os valores basais 6h apos anestesia em todos os tratamentos (Tabela 2), apresentando apenas pequena diminuicao nos peixes-controle, no tempo 48h. Deriggi et al. (2006), anestesiando juvenis avancados de tilapia do Nilo com concentracoes de eugenol abaixo (20 e 80 mg [L.sup.-1]) das avaliadas neste estudo (250 mg [L.sup.-1]), tambem observaram aumento da glicose logo apos a anestesia e um retorno a valores basais 6h apos a anestesia.

Esta rapida elevacao na glicose de juvenis avancados de tilapia anestesiados com eugenol (DERIGGI et al., 2006) e com oleo de cravo (presente trabalho) parece ser um padrao independente da concentracao do anestesico. Outras especies como a carpa comum (Cyprinus carpio) (VESISEK et al., 2005b), a truta arco-iris (Oncorhynchus mykiss) (VESISEK et al., 2005a) e o mero (Epinephelus bruneus) (PARK et al., 2008) tambem apresentaram elevacao na concentracao de glicose apos exposicao ao oleo de cravo. A mobilizacao de glicose, a partir do glicogenio estocado no figado dos animais, ocorre sempre que ha sinal externo de estresse. Diferente de outros metabolitos, a glicose pode tanto ser utilizada anaerobicamente para geracao de energia, em situacoes onde falta o oxigenio, como em situacoes onde o exercicio muscular e necessario por meio do metabolismo anaerobico. O manuseio para aplicar o anestesico exige do animal uma reacao muscular (comum em peixes) para a natacao de arranque na tentativa de fuga, o que desencadeia a glicolise anaerobica, requerendo maiores concentracoes de glicose plasmatica sem que haja, no entanto, alteracoes nos niveis de cortisol.

Os valores de hematocrito foram significativamente maiores logo apos a anestesia (0h) em todos os tratamentos avaliados (controle -27,2%; anestesia simulada -30,7%; e anestesiado -33,4%). O hematocrito dos peixes do tratamento-controle foi menor (p < 0,05), enquanto o hematocrito dos peixes do tratamento anestesiado foi maior (p < 0,05) logo apos a anestesia (tempo 0h). O tratamento de anestesia simulada apresentou valores menores de hematocrito nos tempos 12, 48 e 96h apos a anestesia simulada (Tabela 2). O aumento do hematocrito, como observado, indica hemoconcentracao ocasionada pelo aumento da demanda de oxigenio, e tem a finalidade de auxiliar o peixe a retornar da situacao de estresse (MORALES et al., 2005). A hemoconcentracao pode ser causada pelo aumento de celulas circulantes por conta de uma contracao esplenica ou em decorrencia de uma saida de agua do sistema, aumentando o numero de eritrocitos circulantes por unidade de volume. Este estudo corrobora aquele realizado por Tort et al. (2002), no qual a truta arco-iris (Oncorhyncus mykiss) apresenta aumento nos valores de hematocrito quando exposta ao oleo de cravo e seus derivados.

Os valores de concentracao de hemoglobina ([Hb]) dos peixes do tratamento-controle (3,15 g d[L.sup.-1]) e anestesia simulada (3,89 g d[L.sup.-1]) apresentaram valores significativamente menores no tempo 48h apos a anestesia. No entanto, os valores de [Hb] dos peixes do tratamento anestesiado foram maiores (10,35 g d[L.sup.-1]) no tempo 6h apos a anestesia bem como nos peixes do tratamento-controle (7,79 g d[L.sup.-1]). Nos peixes do tratamento anestesiado a [Hb] foi significativamente menor (4,27 g d[L.sup.-1]) no tempo 24h apos a anestesia (Tabela 2).

Os valores plasmaticos de [Na.sup.+] nos peixes em diferentes tratamentos nao apresentaram diferencas significativas, o que indica que os procedimentos experimentais, aparentemente, nao tiveram intensidade nem duracao suficientes para induzir alteracoes no balanco eletrolitico deste ion na tilapia (Tabela 3). Os peixes expostos ao anestesico tambem nao apresentaram nenhuma alteracao no [K.sup.+] plasmatico (Tabela 3). Deriggi et al. (2006) relatam que as concentracoes de ions plasmaticos em tilapia do Nilo nao foi afetada pela exposicao ao eugenol. Isto sugere que o uso de oleo de cravo ou de seus derivados nao ocasiona disturbios osmorregulatorios em juvenis avancados de tilapia.

Conclusao

A concentracao 250 mg [L.sup.-1] de oleo de cravo e a mais adequada para inducao de anestesia cirurgica. Para a anestesia voltada para biometria e breve manejo, a concentracao mais adequada e 150 mg [L.sup.-1]. A exposicao a concentracao ideal de oleo de cravo por 10 min., nao causou estresse severo, ocorrendo alteracoes apos a anestesia somente nos niveis de glicose e hematocrito.

Agradecimentos

Trabalho financiado por projeto interno UVV/Funadesp (9/2009). A. L. Val, V. M. F. Almeida-Val e L. C. Gomes sao bolsistas de produtividade do CNPq.

Doi: 10.4025/actascianimsci.v34i2.13022

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Received on March 30, 2011.

Accepted on June 15, 2011.

Larissa Novaes Simoes (1), Andrea Tassis Mendonca Gomide (1), Vera Maria Fonseca Almeida-Val (2), Adalberto Luis Val (2) e Levy Carvalho Gomes (1) *

(1) Laboratorio de Ecotoxicologia Aquatica, Centro Universitario Vila Velha, Rua Comissario Jose Dantas de Melo, 21, 29102-770, Boa Vista, Vila Velha, Espirito Santo, Brasil. (2) Instituto Nacional de Pesquisa da Amazonia, Laboratorio de Ecofisiologia e Evolucao Molecular, Manaus, Amazonas, Brasil. * Autorpara correspondencia: E-mail: levy.gomes@uvv.br
Tabela 1. Tempo, em segundos, de inducao aos estagios de anestesia
de juvenis avancados de tilapia do Nilo (Oreochromis niloticus)
expostos a diferentes concentracoes de oleo de cravo (mg
[L.sup.-1]). Medias seguidas por letras diferentes na coluna
diferem entre as concentracoes no mesmo estagio (Anova e teste de
Tukey p < 0,05); os resultados estao apresentados como media
[+ or -] erro-padrao da media--indica que a concentracao nao alcancou
ao estagio de anestesia. Estagios de anestesia de acordo com Stoskopf
(1993).

Oleo de                Eventos Comportamentais (segundos)
cravo
(mg
[L.sup.-1])
                      Perda de                    Perda
                     reacao a                   parcial de
                     estimulos                  equilibrio

80             30,2 [+ or -] 1,4 (a)      48,4 [+ or -] 3,4 (a)
100            17,3 [+ or -] 0,7 (b)      30,9 [+ or -] 2,1 (b)
150            13,4 [+ or -] 0,8 (c)      23,8 [+ or -] 1,4 (c)
200            10,7 [+ or -] 0,6 (c)      23,5 [+ or -] 1,4 (c)
250            12,7 [+ or -] 0,7 (c)      22,2 [+ or -] 0,9 (c)
300            12,4 [+ or -] 0,7 (c)      21,1 [+ or -] 0,7 (c)

Equacoes      y = 325,68[x.sup.-0.604]   y = 429,78[x.sup.-0.544]
                  [R.sup.2] = 0,70           [R.sup.2] = 0,81

Oleo de               Eventos Comportamentais (segundos)
cravo
(mg
[L.sup.-1])
                    Perda total               Reducao dos
                   de equilibrio              batimentos
                                              operculares

80            158,9 [+ or -] 7,3 (a)    234,8 [+ or -] 9,9 (a)
100           131,7 [+ or -] 5,7 (b)    223,6 [+ or -] 10,4 (a)
150            67,5 [+ or -] 4,9 (c)     87,9 [+ or -] 5,1 (b)
200            68,6 [+ or -] 2,4 (c)     83,5 [+ or -] 2,6 (b)
250            49,6 [+ or -] 5,3 (d)     63,8 [+ or -] 5,2 (c)
300            38,3 [+ or -] 2,1 (e)     47,7 [+ or -] 2,1 (d)

Equacoes      y = 15122[x.sup.-1,042]   y = 55723[x.sup.-1,238]
                 [R.sup.2] = 0,96          [R.sup.2] = 0,95

Oleo de                Eventos Comportamentais (segundos)
cravo
(mg
[L.sup.-1])
                    Parada dos                Recuperacao
                    batimentos
                   operculares

80                      --              282,8 [+ or -] 15,2 (a)
100           489,1 [+ or -] 23,1 (a)   268,3 [+ or -] 14,5 (a)
150           127,0 [+ or -] 5,7 (b)    245,4 [+ or -] 11,6 (b)
200           117,4 [+ or -] 4,2 (b)    331,1 [+ or -] 17,9 (c)
250           79,5 [+ or -] 4,3 (c)     433,0 [+ or -] 37,0 (d)
300           60,0 [+ or -] 2,9 (d)     477,3 [+ or -] 42,6 (d)

Equacoes      y = 1E+06[x.sup.-1,78]   y = 198,28[e.sup.0,0028x]
                 [R.sup.2] = 0,92          [R.sup.2] = 0,81

Tabela 2. Valores do cortisol, glicose, hematocrito e
hemoglobina de tilapia nilotica, em diferentes tempos amostrais
apos a anestesia, com 250 mg [L.sup.-1] de oleo de cravo. Letras
minusculas indicam diferenca significativa dos tratamentos nos
diferentes tempos de recuperacao (p < 0,05). Letras maiusculas
indicam diferenca significativa entre os tratamentos em cada
tempo de recuperacao (p < 0,05).

Recuperacao                       Tratamento
(horas)
                      Controle              Anestesia Simulada
Cortisol (ng m[L.sup.-1])

0             1,10 [+ or -] 0,10 (aA)     75,0 [+ or -] 6,85 (bB)
6             3,83 [+ or -] 2,44 (aA)     5,25 [+ or -] 2,14 (aA)
12            1,10 [+ or -] 0,10 (aA)     3,66 [+ or -] 2,22 (aA)
24            1,10 [+ or -] 0,10 (aA)     2,66 [+ or -] 1,39 (aA)
48            1,10 [+ or -] 0,10 (aA)     5,69 [+ or -] 2,25 (aA)
96            1,35 [+ or -] 0,22 (aA)     1,12 [+ or -] 0,20 (aA)

Glicose (mg d[L.sup.-1])

0              46,0 [+ or -] 2,3 (aA)     49,2 [+ or -] 1,6 (aA)
6              34,8 [+ or -] 1,2 (bA)     43,0 [+ or -] 4,9 (aA)
12             34,4 [+ or -] 3,5 (bA)     39,6 [+ or -] 3,1 (aA)
24            37,8 [+ or -] 1,8 (abA)     43,2 [+ or -] 2,2 (aA)
48            35,4 [+ or -] 0,6 (abA)     47,0 [+ or -] 2,7 (aB)
96            38,0 [+ or -] 3,7 (abA)     36,8 [+ or -] 2,3 (aA)

Hematocrito (%)

0              27,2 [+ or -] 0,9 (aA)     30,7 [+ or -] 1,2 (aAB)
6             23,0 [+ or -] 1,2 (bcA)     23,5 [+ or -] 1,2 (bcA)
12            21,56 [+ or -] 1,1 (bcA)    21,5 [+ or -] 0,4 (cA)
24             24,9[+ or -] 0,7 (acA)     26,4 [+ or -] 0,6 (bA)
48             20,1 [+ or -] 0,9 (bA)     20,0 [+ or -] 0,7 (cA)
96             20,1 [+ or -] 1,0 (bA)     21,4 [+ or -] 0,9 (cA)

Hemoglobina (g d[L.sup.-1])

0             9,67 [+ or -] 1,93 (aA)     7,47 [+ or -] 1,25 (aA)
6             7,42 [+ or -] 0,78 (aA)     7,89 [+ or -] 0,86 (aA)
12            4,84 [+ or -] 0,48 (aA)    5,47 [+ or -] 0,98 (abA)
24            7,79 [+ or -] 1,35 (aA)    5,41 [+ or -] 0,79 (abAB)
48             3,15 [+ or -] 0,3 (bA)     3,89 [+ or -] 0,62 (bA)
96            4,62 [+ or -] 0,48 (aA)    5,74 [+ or -] 0,71 (abA)

Recuperacao          Tratamento
(horas)
                     Anestesia
Cortisol (ng m[L.sup.-1])

0             1,10 [+ or -] 0,10 (aA)
6             1,29 [+ or -] 0,17 (aA)
12            1,10 [+ or -] 0,10 (aA)
24            3,67 [+ or -] 2,29 (aA)
48            2,69 [+ or -] 1,42 (aA)
96            2,01 [+ or -] 0,58 (aA)

Glicose (mg d[L.sup.-1])

0              85,2 [+ or -] 5,9 (aB)
6              43,0 [+ or -] 2,6 (bA)
12             41,8 [+ or -] 3,4 (bA)
24             41,8 [+ or -] 1,3 (bA)
48             44,2 [+ or -] 3,0 (bB)
96             39,2 [+ or -] 1,5 (bA)

Hematocrito (%)

0              33,4 [+ or -] 1,1 (aB)
6              23,9 [+ or -] 0,6 (bA)
12             21,8 [+ or -] 1,2 (bA)
24            26,3 [+ or -] 1,2 (abA)
48             21,8 [+ or -] 0,8 (bA)
96             21,4 [+ or -] 0,4 (bA)

Hemoglobina (g d[L.sup.-1])

0             5,39 [+ or -] 0,71 (aA)
6             10,35 [+ or -] 1,44 (bA)
12            6,01 [+ or -] 0,68 (aA)
24            4,27 [+ or -] 0,49 (aB)
48            3,96 [+ or -] 0,34 (aA)
96            5,05 [+ or -] 0,10 (aA)

Tabela 3. Sodio e potassio plasmaticos de tilapia nilotica, em
diferentes tempos amostrais apos a anestesia, com 250 mg [L.sup.-1] de
oleo de cravo. Letras minusculas indicam diferenca significativa
dos tratamentos nos diferentes tempos de recuperacao por (p <
0,05). Letras maiusculas indicam diferenca significativa entre os
tratamentos em cada tempo de recuperacao (p < 0,05).

Recuperacao                      Tratamentos
(horas)
                    Controle              Anestesia Simulada

Sodio (mEq [L.sup.-1])

0            58,7 [+ or -] 5,72 (aA)   59,8 [+ or -] 4,42 (aA)
6            74,6 [+ or -] 5,49 (aA)   66,4 [+ or -] 5,18 (aA)
12           56,0 [+ or -] 2,12 (aA)   55,5 [+ or -] 2,77 (aA)
24           62,8 [+ or -] 5,11 (aA)   47,8 [+ or -] 5,02 (aA)
48           53,4 [+ or -] 5,56 (aA)   52,2 [+ or -] 3,06 (aA)
96           55,0 [+ or -] 7,09 (aA)   52,2 [+ or -] 4,03 (aA)

Potassio (mEq [L.sup.-1])

0            1,20 [+ or -] 0,11 (aA)   1,08 [+ or -] 0,07 (aA)
6            2,16 [+ or -] 0,19 (aA)   1,56 [+ or -] 0,27 (abA)
12           1,50 [+ or -] 0,13 (aA)   1,20 [+ or -] 0,31 (abA)
24           1,18 [+ or -] 0,39 (aA)   0,88 [+ or -] 0,16 (aA)
48           1,42 [+ or -] 0,17 (aA)   2,08 [+ or -] 0,32 (bA)
96           1,42 [+ or -] 0,24 (aA)   1,22 [+ or -] 0,13 (aA)

Recuperacao        Tratamentos
(horas)
                    Anestesia

Sodio (mEq [L.sup.-1])

0            54,0 [+ or -] 3,19 (aA)
6            69,8 [+ or -] 9,45 (aA)
12           54,2 [+ or -] 7,48 (aA)
24           61,4 [+ or -] 3,41 (aA)
48           50,6 [+ or -] 5,12 (aA)
96           52,2 [+ or -] 6,30 (aA)

Potassio (mEq [L.sup.-1])

0            0,86 [+ or -] 0,07 (aA)
6            1,68 [+ or -] 0,33 (aA)
12           1,34 [+ or -] 0,20 (aA)
24           1,38 [+ or -] 0,17 (aA)
48           1,52 [+ or -] 0,32 (aA)
96           2,04 [+ or -] 0,32 (aA)
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Author:Simoes, Larissa Novaes; Gomide, Andrea Tassis Mendonca; Almeida-Val, Vera Maria Fonseca; Val, Adalbe
Publication:Acta Scientiarum. Animal Sciences (UEM)
Date:Apr 1, 2012
Words:5841
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