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The relationship between the implementation of lean manufacturing in the industrial SMEs and their financial performance: multiple case studies/A relacao entre a implantacao da manufatura enxuta nas PMEs industriais e o seu desempenho economico-financeiro: estudo de multiplos casos.

1 Introducao

O setor de manufatura tem enfrentado nas ultimas decadas profundas mudancas estruturais. Com efeito, ate meados dos anos 80 a producao em massa era o padrao genericamente utilizado pelas industrias no Ocidente (Hayes, 1981; Krafcik, 1988). Porem, com a divulgacao por Womack, Jones e Roos (1992) dos principios da Manufatura Enxuta entao utilizados no Japao, as empresas manufatureiras deste lado do mundo comecaram a gradualmente mudar seus sistemas de producao para o novo paradigma obtendo como resultado ganhos significativos em qualidade, produtividade, flexibilidade, produzindo com menores custos e prazos de entrega (Anand & Kodali, 2009; Lee-Mortimer, 2006; Worley & Doolen, 2006).

Desde entao, esse processo progressivo de mudanca de paradigma produtivo tem se disseminado para diferentes setores. A sua implementacao iniciou-se nas grandes companhias industriais, sendo gradualmente expandida tambem para as Pequenas e Medias Empresas (PMEs) (Lucato, Calarge, Loureiro, & Calado, 2014).

Scherrer-Rathje, Boyle e Deflorin (2009) indicaram que a Manufatura Enxuta se efetiva por meio da adocao de um conjunto de tecnicas e ferramentas que objetivam a reducao dos desperdicios ao longo do processo produtivo. Contudo, observa-se que muitas empresas implementam as tecnicas e ferramentas, porem, mesmo assim, nao se tornam "enxutas". Isso demonstra que no processo de adocao dos conceitos Lean algumas empresas tem sucesso na sua implantacao e outras nao, havendo, portanto, graus diferentes de implementacao (Balle & Balle, 2005; Worley & Doolen, 2006).

Por outro lado, ha varios fatores que podem afetar o sucesso da implantacao da Manufatura Enxuta, desde a ausencia de conhecimento dos conceitos basicos necessarios ate a falta da identificacao dos fatores criticos de sucessos para uma adequada implantacao (Hines, Holwe, & Rich, 2004; Stone, 2012; Wong, Wong, & Ali, 2009). Para as PMEs nao tem sido diferente uma vez que devem operar em uma forma de reacao rapida as constante mudancas o que nem sempre e possivel em funcao de suas caracteristicas peculiares (Achanga, Shehab, Roy, & Nelder, 2006). Devido a essas particularidades associadas a adocao das praticas enxutas nas PMES industriais e a um interesse particular dos pesquisadores, decidiu-se selecionar esse tipo de empresa para o desenvolvimento deste trabalho.

Por outro lado, a revisao da literatura realizada como parte deste trabalho mostrou que, dentre os varios aspectos discutidos na literatura em relacao a adocao das praticas Lean, destaca-se uma controversia entre os autores sobre o efetivo ganho economico-financeiro associado a elas.

Com efeito, enquanto ha a autores cujas pesquisas indicaram uma inequivoca relacao positiva entre a implementacao da Manufatura Enxuta e uma melhora no desempenho economico-financeiro das empresas industriais (Callen, Fader, & Krinsky, 2000; Chenhall, 1997; Easton & Jarrell, 1998; Eriksson & Hansson, 2003; Fullerton, McWatters, & Fawson, 2003; Kaynak, 2003; Kinney & Wempe, 2002; Kumar & Kumar, 2016; Nahm, Vonderembse & Koufteros, 2003), outros autores afirmam o oposto, ou seja, nao haveria uma relacao entre a adocao das praticas Lean e o desempenho economico-financeiro das firmas industriais (Ahmadsatish, Mehra, & Pletcher, 2004; Balakrishnan, Linsmeier, & Venkatachalam, 1996; Huson & Nanda, 1995; Ittner &; Larcker, 1995; Lau, 2002; Losonci &; Demeter, 2013; Mohrman, Tenkasi, & Lawler, 1995).

Ainda, como se observou na revisao da literatura, essa discussao no ambito das PMEs e muito reduzida ou quase inexistente. Por isso, visando lancar luz sobre essa controversia, este estudo se propoe a investigar, no ambito das PMEs industriais brasileiras, como se comporta o seu desempenho economico-financeiro a medida que o grau de implementacao das praticas enxutas e maior ou menor. Assim, como ponto central de seu desenvolvimento, este trabalho buscou responder a seguinte questao nao resolvida: Existe uma relacao entre o grau de implementacao das praticas da Manufatura Enxuta nas PMEs industriais e o seu desempenho economico financeiro?

2 Revisao da Literatura e Formulacao de Hipoteses

Para investigar como a literatura aborda a relacao entre a implantacao da Manufatura Enxuta e o desempenho economico-financeiro das PMEs industriais brasileiras, fez-se uma revisao bibliografica de artigos cientificos recentes que foram obtidos considerando-se as seguintes palavras chave nas suas diversas combinacoes: small, medium, SMEs, economic, financial, performance e lean. Foram consultadas as seguintes bases de artigos academicos: Science Direrct, Emerald, ProQuest, Scopus, EBSCO, Compendex, Scielo (com os termos acima traduzidos para o Portugues) e Google Scholar. Como resultado dessa busca foram identificados 263 artigos, dos quais 228 nao tratavam do relacionamento entre a Manufatura Enxuta e o desempenho economico-financeiro.

Dos 35 artigos que eram do interesse deste trabalho, 22 apareceram repetidos nas diversas bases consultadas. Restaram, assim, 13 artigos que vao a seguir comentados em relacao ao seu conteudo. Destaque-se que desse 13 papers selecionados, apenas 3 tratam do relacionamento pesquisado no ambito das PMEs. Os demais, que focam grandes organizacoes, foram tambem aqui incluidos para se obter uma visao mais ampla de como o problema de pesquisa deste trabalho esta sendo considerado pela literatura que trata do tema.

A analise da literatura mostra que, desde o inicio da implantacao da Manufatura Enxuta nos paises Ocidentais, as pesquisas sobre o relacionamento entre a adocao das praticas Lean e o desempenho economico-financeiro das empresas em geral tem mostrado resultados conflitantes. Varios estudos mais antigos ja mostravam que a adocao da Manufatura Enxuta e suas ferramentas nao melhora o nivel de lucratividade das empresas (Balakrishnan, et al., 1996; Huson & Nanda, 1995; Ittner & Larcker, 1995; Lau, 2002; Mohrman, Tenkasi, & Lawler, 1995). Porem, na mesma epoca, outros autores identificaram a existencia de uma relacao positiva entre aqueles construtos (Callen et al., 2000; Chenhall, 1997; Easton & Jarrell, 1998; Eriksson & Hansson, 2003; Kaynak, 2003; Kinney & Wempe, 2002; Nahm et al., 2003).

Mais recentemente, Fullerton, McWatters e Fawson (2004) investigaram 253 empresas industriais de grande porte. As evidencias obtidas nesse estudo forneceram suporte empirico para a premissa de que empresas que implementam e mantem sistema de Manufatura Enxuta obterao recompensas sustentaveis, medidas por meio de um desempenho financeiro melhor.

Fullerton e Wempe (2009) ouviram 121 executivos de grandes empresas procurando identificar o relacionamento entre diversas praticas da manufatura enxuta e varios indicadores financeiros e nao financeiros. De especial interesse para este trabalho sao as hipoteses nas quais os autores procuram relacionar diversas praticas Lean com a lucratividade das empresas estudadas. Confirmando a ambiguidade de resultados obtidos, esta pesquisa identificou que o relacionamento entre producao enxuta e lucratividade e pequeno, se e que existiria essa relacao.

A mesma autora Fullerton, agora desenvolvendo nova pesquisa com Fullerton, Kennedy e Widener (2014), voltou a mudar de posicao. Um novo estudo feito com 244 executivos de grandes empresas pode estabelecer a validacao de uma das hipoteses da pesquisa que afirmava haver uma associacao positiva relevante entre a adocao da Manufatura Enxuta e o desempenho financeiro das empresas.

Nota-se, portanto, que mesmo pesquisadores experientes nao possuem uma conviccao definitiva sobre esse relacionamento, pois, dependendo do contexto, do segmento ou da amostra estudada os resultados poder ser dispares.

Ahmad, Mehra e Pletcher (2004) realizaram um estudo consultando 500 executivos aleatoriamente selecionados e associados ao American Production and Inventory Control Society (APICS)--Sociedade Americana de Controle de Producao e Estoques. Analisando as respostas obtidas em 86 questionarios validos recebidos, os autores puderam concluir que os efeitos, diretos ou indiretos, obtidos como resultado da utilizacao das praticas Lean, sobre o desempenho financeiro das empresas consultadas sao praticamente inexistentes.

Koumanakos (2008) desenvolveu uma pesquisa que procurou confirmar a hipotese que um gerenciamento de estoques feito segundo os preceitos das praticas enxutas induz uma melhora no desempenho financeiro de uma empresa. Para isso, o autor utilizou um banco de dados composto por informacoes financeiras de 1.358 empresas de grande porte em operacao na Grecia nos anos de 2000 a 2002. Restabelecendo a controversia sobre o relacionamento Lean / performance economico-financeira, os resultados mostraram que somente foi possivel encontrar um relacionamento linear direto e relevante para as empresas do setor quimico. Para todos os demais setores avaliados nao se observou relacao semelhante.

Yang, Hong e Modi (2011), procuraram identificar a relacao entre as praticas da Manufatura Enxuta, o gerenciamento ambiental e o desempenho de um negocio. Para isso coletaram dados de 309 empresas industriais internacionais pertencentes ao International Manufacturing Strategy Survey (IMSS-IV)--Pesquisa Internacional sobre Estrategias de Manufatura--amostra essa composta exclusivamente por grandes empresas. Dentre as diversas hipotese feitas nessa pesquisa, uma especificamente propoe: que a Manufatura Enxuta e positivamente associada ao desempenho financeiro. No tratamento estatistico realizado sobre os dados coletados, foi possivel aceitar essa hipotese, concluindo os autores que o impacto global da Manufatura Enxuta obre o desempenho financeiro e positivo.

Hofer, Eroglu e Hofer (2012) empiricamente investigaram a relacao entre a implementacao da Manufatura Enxuta com o desempenho financeiro das empresas utilizando o grau de enxugamento (leanness) dos estoques como variavel moderadora para o atingimento de ganhos no desempenho economico associados a producao enxuta. Para essa verificacao foi desenvolvida uma survey com 229 executivos da APICS pertencentes a empresas que adotavam bom nivel de praticas da Manufatura Enxuta. Os resultados obtidos permitiram identificar que as praticas Lean tem um efeito positivo sobre o desempenho financeiro das empresas.

Losonci e Demeter (2013) utilizaram parte dos dados do International Manufacturing Strategy Survey--Pesquisa Internacional sobre Estrategias de Producao--para verificar em 453 grandes empresas diversos aspectos da relacao entre producao enxuta e o desempenho das empresas. Para este trabalho torna-se relevante a hipoteses proposta pelos autores segundo a qual as empresas enxutas tem um melhor desempenho financeiro que as outras firmas. Apos o tratamento dos dados obtidos em campo e a sua consequente analise, os autores concluiram que os beneficios financeiros da Manufatura Enxuta nao sao obvios, ou seja, a excelencia das operacoes internas nao e uma garantia do sucesso financeiro do negocio.

Harris e Cassidy (2013) realizaram uma analise sobre os demonstrativos financeiros das empresas listadas na Bolsa de Valores de Nova York (New York Stock Exchange) que notadamente adotavam praticas Lean. Como resultado puderam constatar que as empresas com operacoes enxutas e com Contabilidade Enxuta alcancaram maior lucratividade e melhor fluxo de caixa do que aquelas que nao adotavam aquelas praticas.

Na mesma linha de argumentacao, Kumar e Kumar (2016) desenvolveram um estudo em larga escala na India e puderam concluir que a adocao das praticas enxutas foi identificada como impactando positivamente o desempenho operacional das empresas em relacao a produtividade, qualidade, prazo de entrega, seguranca, moral do grupo e performance financeira.

Como se observa, os estudos realizados em grandes empresas tentando estabelecer uma relacao entre Manufatura Enxuta e desempenho economico-financeiro nao chegam a resultados conclusivos. Ao contrario, os resultados sao conflitantes, mesmo para os mesmos autores, dependendo da conjuntura pesquisada, dos metodos de pesquisa e de analise ou da amostra selecionada.

Ja no universo das pequenas e medias empresas, os resultados dos artigos selecionados sao mais uniformes. De fato, Greinachera, Mosera, Hermanna e Lanzaa (2015) desenvolveram uma simulacao baseada em eventos discretos como uma nova abordagem que integrava os aspectos Lean e Green dos sistemas de producao. Essa proposta foi testada em uma empresa de medio porte que permitiu concluir que tanto a adocao de praticas Lean como Green contribuem de maneira positiva com a performance economica da empresa.

Afonso e Cabrita (2015) propuseram um framework para gerenciar as Cadeias de Suprimento Enxutas por meio da integracao de dimensoes de desempenho financeiras e nao financeiras. Essa proposta foi validada por meio da sua aplicacao em uma pequena empresa Portuguesa que operava no setor de manufatura de alimentos. Nos resultados da utilizacao do framework sugerido pode-se verificar que o grau de adocao das praticas Lean na empresa selecionada era bastante baixo. Tambem foi possivel notar que o desempenho economico-financeiro dessa empresa deixava bastante a desejar, uma vez que ela apresentava prejuizo no momento em que o estudo de caso foi feito. Embora nao se possa estabelecer uma relacao de causalidade, pode-se, no entanto, afirmar que nesse caso existia uma relacao direta entre a baixa utilizacao das praticas enxutas e o desempenho economico-financeiro adverso da empresa estudada.

Finalmente, Lande, Shrivastava e Seth (2016) desenvolveram uma pesquisa bibliografica procurando identificar os fatores criticos de sucesso para a implementacao do Lean Six Sigma (Sies Sigma Enxuto) que afetavam e influenciavam, dentre outros aspectos, o desempenho financeiro de pequenas e medias empresas. Como parte da analise desenvolvida os autores sugerem uma relacao positiva entre a adocao de praticas Lean (como parte do Lean Six Sigma) e a performance financeira das PMEs.

A analise da literatura permitiu assim verificar que enquanto no campo das grandes empresas nao se pode estabelecer conclusoes definitivas sobre como se desenvolve o relacionamento entre a adocao da producao enxuta e os resultados economico-financeiros daquelas empresas, na esfera das PMEs a literatura mostra um resultado dessemelhante (embora suportado por tres artigos apenas). Essa aparente diferenca sugere assim uma verificacao para confirmar ou rejeitar essa aparente uniformidade nas PMEs, como apontada na literatura, por meio da seguinte hipotese:

Hipotese 1--Quanto maior for a adocao das praticas da Manufatura Enxuta de uma PME, melhor sera o seu desempenho economico financeiro.

No entanto, para a validacao dessa hipotese sera necessario definir como mensurar o desempenho economico-financeiro de uma PME. O estudo da literatura que trata desse tema mostrou que os indicadores de desempenho economico-financeiros mais frequentemente empregados pelas empresas e que foram adotados neste trabalho sao, conforme Assaf Neto (2012), Berliner e Brimson (1992), Capar e Kotabe (2003), Ferreira Neto (2002), Gitman (2010), Lucato (2013), Oliveira (2001), Robinson e McDougall (2001): a) margem de contribuicao; b) ROS (Return on Sales--Retorno Sobre Vendas) e c) lucro liquido.

Note-se, ainda, que embora recomendado pela literatura, neste estudo nao foi considerado o Retorno Sobre o Investimento (ROI--return on investment). Isto decorre da constatacao que, ainda na fase do pre-teste do instrumento de coleta de dados, nas empresas pesquisadas, sendo elas micro, pequenas e medias empresas, poucas possuiam registros do valor total investido, impossibilitando uma adequada medicao do ROI. Assim, em funcao dos indicadores de desempenho economico-financeiro selecionados, a hipotese H1 pode ser desdobrada em tres sub-hipoteses como segue:

Hipotese 1a--Quanto maior for a adocao das praticas da Manufatura Enxuta de uma PME, maior sera a sua margem de contribuicao)

Hipotese 1b--Quanto maior for a adocao das praticas da Manufatura Enxuta de uma PME, maior sera a sua lucratividade (ROS).

Hipotese 1c--Quanto maior for a adocao das praticas da Manufatura Enxuta de uma PME, maior sera o seu lucro liquido.

3 Metodologia de Pesquisa

Apos a revisao bibliografica para se estabelecer os construtos, as lacunas de pesquisa e os fundamentos teoricos utilizados no presente trabalho, procedeu-se a escolha do metodo de pesquisa a ser utilizado, que, segundo Yin (2009), esta relacionado ao tipo de questao que se procura responder. Para as questoes que tratam da ocorrencia de certos fenomenos e envolvem a questoes do tipo "como" e "porque", o estudo de caso e o metodo de pesquisa mais adotado, segundo o autor. Ainda, Yin (2009) refere-se ao estudo de caso como um estudo de carater empirico, onde se investiga um fenomeno atual e inserido no contexto da vida real, cujos limites entre o fenomeno e o contexto em que estao inseridos, nao estao claramente definidos, o que e exatamente a situacao aqui estudada.

Para a definicao da quantidade de casos a serem analisados, Yin (2009) propoe duas estrategias: a) Para os casos estudados que assumam resultados semelhantes e recomendada a replicacao literal. Desta maneira seria suficiente o estudo de dois ou tres casos, e b) Se os casos estudados assumirem resultados contrarios, mesmo antes da realizacao do estudo, e recomendada a replicacao teorica. Neste cenario mais de quatro casos deverao ser considerados. No presente estudo, como nao foi possivel se prever, a priori, se os resultados que se pretendia avaliar seriam semelhantes ou contrarios, a estrategia mais adequada, por conservadorismo, foi a da replicacao teorica. Desta maneira, determinou-se o estudo de seis casos (mais de quatro casos).

De acordo com as consideracoes apresentadas, ha dois construtos a serem considerados: a) o conceito de classificacao das empresas: micro, pequeno e media, e b) o grau de adocao das praticas da manufatura enxuta, tambem chamado de grau de enxugamento de uma empresa. Esses construtos serao definidos a seguir.

A analise da literatura revelou que ainda nao existe conceito unico sobre a maneira de delimitar o segmento das micro e pequenas empresas conforme Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica [IBGE] (2003). Tambem se pode observar que os organismos, instituicoes oficiais e financeiras do setor, adotam ora o numero de funcionarios, ora o valor de faturamento, ora ambos em seus trabalhos. Desta maneira para efeito deste trabalho, propos-se adotar para a medida do porte das empresas pesquisadas a receita liquida media mensal de acordo com os valores mostrados na Tabela 1.

Para avaliar o grau de adocao das praticas da manufatura enxuta pelas empresas industriais, um dos construtos a ser medido, utilizaram-se as normas Society of Automotive Engineers--SAE J4000 e J4001 como framework. Para avaliar o grau de implementacao de uma operacao enxuta (Society of Automotive Engineers [SAE], 1999a) foi utilizado o questionario proposto por essas normas, aplicando-se como forma de medicao do grau de implementacao das praticas enxutas, tambem chamado de grau de enxugamento da empresa considerada, o procedimento metodologico proposto por Lucato et al. (2014).

Nessa proposta, Lucato et al. (2014) propuseram para cada nivel de implementacao de um componente um certo numero de pontos: L0--0 ponto; L1--1 ponto; L2--2 pontos; L3--3 pontos. Com base nessas pontuacoes do grau de enxugamento (gj de um elemento foi definido como (Lucato et al., 2014):

ge = Numero total de pontos obtidos na avaliacao do Elemento

"e" Maximo numero de pontos possives para o Elemento "e" (1)

Complementando esse conceito, Lucato et al. (2014) calcularam o grau de enxugamento de uma empresa ([GE.sub.E]) por meio da relacao:

GEE = e = Ipgep (2)

onde:

[GE.sub.E]--grau de enxugamento da empresa

[g.sub.e]--grau de enxugamento de cada um dos "p" elementos

p--numero de elementos considerados

Uma demonstracao pratica da aplicacao das normas SAE J4000 / J4001 para a determinacao do grau de enxugamento dos elementos e da empresa e mostrado por meio de um exemplo ilustrativo sumarizado na Tabela 2. Aqui sao apresentados os niveis de adocao de cada componente, visando mostrar com maior clareza os procedimentos de calculo resultantes desta aplicacao. Neste exemplo as 52 afirmacoes (componentes) constantes dos seis elementos da norma SAE J4001 sao avaliadas por meio de entrevista e levantamento de informacoes junto a empresa pesquisada.

A apuracao do grau de enxugamento de cada elemento obtido pela aplicacao da relacao (1) com os valores obtidos na avaliacao dos respectivos componentes esta demonstrada na Tabela 2. Para obtencao do grau de enxugamento da empresa pode ser usado para o calculo a relacao (2), assumindo os resultados obtidos para os elementos 4 a 9.

Uma questao que pode ser levantada e: o que os numeros obtidos significam? Como exemplo, para a empresa pesquisada o grau de enxugamento do elemento 5--Pessoas--foi de 0,444 comparado com um maximo de 1,000 sendo que isso significa que a empresa pesquisada implementou cerca de 44,4% de todas as praticas enxutas nesse quesito. Ja considerada a empresa como um todo, pode-se afirmar que devido ao seu grau de enxugamento calculado ter sido de 0,326, possui cerca de 32,6% de todas as praticas enxutas implementadas, representando assim este ultimo numero o grau de implementacao das praticas enxutas ou grau de enxugamento (Lucato et al., 2014) dessa empresa no momento em que a avaliacao foi feita.

Por falta de referencia na literatura, este trabalho adotou os criterios para determinar o nivel de adocao das praticas da manufatura enxuta conforme mostra a Tabela 3.

Para a coleta das informacoes economico-financeiras das empresas pesquisadas, decidiu-se utilizar um formulario estruturado em conformidade com as recomendacoes de Forza (2002). A escolha dos tipos de questoes utilizadas foi adotada uma combinacao de questoes fechadas e de multipla escolha. Para a determinacao do grau de enxugamento das empresas pesquisadas, utilizou-se o formulario constante nas normas SAE J 4000 / 4001.

A elaboracao dos formularios utilizados para a coleta de dados da presente pesquisa contou com a definicao de quatro blocos de questoes estruturados da seguinte maneira: a) O primeiro bloco estabeleceu seis questoes para a caracterizacao e identificacao da empresa; b) No segundo bloco foram elaboradas questoes com o objetivo de definir o volume de producao, bem como, os processos de fabricacao internos e externos que a empresa adota; c) No terceiro bloco as questoes abordadas tinham como foco o levantamento dos dados financeiros e d) Finalmente, no ultimo bloco, para a determinacao do grau de adocao das praticas da manufatura enxuta, utilizou-se o formulario com 52 afirmacoes proposto pela norma SAE J4001 que trata dos seis elementos basicos.

Para a realizacao do pre-teste do formulario empregado para levantamento das informacoes economico-financeiras, foi selecionada, de forma aleatoria, uma empresa pertencente ao escopo definido para esta pesquisa. Definida empresa e de posse do respectivo contato, foi agendado um horario para a realizacao da entrevista na qual o formulario foi preenchido. Posteriormente realizouse a analise e interpretacao dos dados coletados.

Uma dificuldade encontrada nesse processo foi a impossibilidade de se obter o valor do investimento total realizado visando o calculo do retorno sobre o investimento (ROI). Pelo fato da maioria das empresas estarem enquadradas no SIMPLES--Sistema Simplificado de Arrecadacao de Tributos e Contribuicoes Federais--e, portanto, dispensadas da manutencao de uma contabilidade formal, nao permitia aos entrevistados avaliar de maneira objetiva o montante investido nas suas respectivas empresas. Devido as informacoes obtidas no pre-teste para o valor do investimento total obtida no pre-teste foram desencontradas e pouco confiaveis, decidiu-se nao utilizar o ROI como indicador do desempenho economico-financeiro para esta pesquisa.

No entanto, como ja mencionado, essa consideracao nao traz qualquer nao conformidade aos achados e conclusoes veiculadas neste estudo ja que que o lucro (variavel utilizada no calculo do ROI) esta sendo considerado em duas das variaveis testadas (lucro propriamente dito e ROS). Como nao houve nenhuma evidencia de outra irregularidade ou dificuldade e todos os calculos puderam ser realizados sem apresentar problemas, o formulario foi revisado e liberado para a aplicacao na pesquisa final.

Com relacao ao formulario utilizado para a medida do grau de enxugamento das empresas pesquisadas, nao houve a necessidade de se realizar um pre-teste, pois ele corresponde a uma copia traduzida da norma internacional SAE J4001. Por se tratar de uma norma, nao permite alteracoes. Assim, ele foi aplicado em sua essencia, sem nenhuma modificacao.

Para selecionar as empresas a serem consideradas nos estudos de caso recorreu-se a recomendacao feita por Patton (1990), que sugere, para os estudos de caso, a utilizacao da amostragem intencional (purposeful sampling), ou seja, casos a partir dos quais o pesquisador possa extrair uma quantidade significativa de informacoes relevantes sobre as questoes centrais objeto do estudo. A estrategia adotada neste trabalho dentre as sugeridas por Patton (1990) para a selecao de amostras intencionais, e a de considerar uma amostragem de casos tipicos para as empresas a serem selecionadas para analise.

Por isso, decidiu-se estabelecer como criterios de selecao dos casos os seguintes quesitos: a) as empresas a serem selecionadas deveriam ser do segmento industrial; b) serem micro, pequenas ou medias empresas em seu porte; c) deveriam apresentar diferentes graus na implementacao das praticas da manufatura enxuta e d) permitissem aos pesquisadores amplo acesso as informacoes necessarias, bem como concordassem com uma visita ao chao de fabrica (necessaria para confirmar as afirmacoes obtidas durante a entrevista).

Como foi adotada a replicacao teorica (Yin, 2009) na qual mais de quatro casos deveriam ser estudados, optou-se pela selecao de seis PMEs industriais com diferentes graus de adocao das praticas da manufatura enxuta: duas nas quais tais praticas encontram-se bastante bem implementadas, duas nas quais a implementacao, a par das diversas tentativas, nao tenha obtido resultados significativos e por fim, mais duas que estejam entre esses dois extremos.

Atendendo aos criterios estabelecidos no item anterior, foram selecionadas seis empresas de pequeno porte sendo 5 pertencentes ao segmento de sonorizacao e uma na area de petroleo e gas. Dentre elas, duas possuem pouca ou nenhuma implantacao da manufatura enxuta, duas tem implantacao mediana e finalmente duas com a manufatura enxuta razoavelmente implantada. As principais caracteristicas de cada uma dessas empresas acham-se sumarizadas na Tabla 4.

Para a aplicacao dos formularios mencionados no item anterior as seis empresas pesquisadas, decidiu-se por utilizar a entrevista estruturada pela razao de nao permitir que o entrevistador mude o foco da entrevista. Apos a definicao do tipo de formulario a ser utilizado, bem como a forma de entrevista, nos meses de julho e agosto de 2016, os contatos com as empresas foram agendados via telefone e por e-mail. Para as entrevistas do presente trabalho foram considerados, os gestores que trabalham diretamente tanto manufatura, quanto com a gestao de equipes de manufatura (vide detalhes na Tabela 4).

Em seguida ao contato inicial foram agendados os dias e horarios para cada entrevista; bem como as respectivas visitas a fabrica, as quais tiveram duracao minima de 2 e maxima de 4 horas. Apos as formalidades iniciais, o pesquisador foi conduzido para a sala de reunioes para a realizacao da entrevista, na qual o entrevistado respondeu as questoes de ambos os formularios. Para complementar e validar as informacoes fornecidas pelos entrevistados durante o preenchimento dos formularios, o pesquisador realizou visitas as areas de producao de todas as empresas selecionadas. Nessa oportunidade, por meio de uma conversa nao-estruturada com os entrevistados, foi possivel obter muitos detalhes complementares sobre a utilizacao das praticas Lean nas empresas visitadas. Em especial, foi por meio dessa visita e desse contato que foi possivel identificar as praticas da Manufatura Enxuta efetivamente utilizadas por cada uma das empresas.

4 Resultados

Ao iniciar a analise dos resultados relativos ao desempenho economico-financeiro, primeiramente e relevante verificar as informacoes de entrada obtidas na pesquisa de campo por meio do formulario estruturado. Com base nas informacoes obtidas nas entrevistas, foi possivel calcular os demonstrativos de resultados das empresas pesquisadas, os quais estao sumarizados na Tabela 5. Deve-se ainda mencionar que para o calculo dos valores mostrados nessa Tabela foram usados os valores medios das faixas percentuais obtidas nas pesquisas de campo.

Note-se que ha, em varios casos, uma diferenca significativa entre o ROS calculado como decorrencia da determinacao do lucro liquido em funcao dos demais dados obtidos nas entrevistas e o valor do ROS informado pelos entrevistados. Diante desse fato, decidiu-se pela utilizacao do ROS calculado pois ele e o resultado da montagem do demonstrativo de resultados empregando simultaneamente varios indicadores diferentes ao inves de um unico, o que diminui a probabilidade de se incidir em erro ao faze-lo.

A analise do grau de enxugamento de cada empresa entrevistada foi realizada a partir dos dados do questionario extraido da norma SAE J4001, a qual estabelece seis elementos para avaliar o grau de implementacao de uma operacao enxuta (SAE, 1999a). A Tabela 6 expressas a seguir, apresenta de forma resumida o grau de enxugamento de cada uma das empresas entrevistadas.

Fato relevante a ser destacado e que os resultados dos graus de enxugamento obtidos com a aplicacao do formulario SAE J4001 nas empresas pesquisadas, confirmaram a percepcao previa do autor deste trabalho e do mercado em relacao ao grau de adocao das praticas enxutas.

De fato, como destacado no item Metodos, um dos criterios para na selecao das empresas a serem incluidas nos estudos de caso assumia que elas tivessem diferentes graus de implantacao das praticas da manufatura enxuta. Por essa razao, com base no conhecimento do autor deste estudo e nas opinioes levantadas junto ao mercado, as seis empresas foram selecionadas, pressupondo-se que duas delas tivessem baixo nivel de adocao das praticas lean, duas outras tivessem nivel elevado de utilizacao e, finalmente, outras duas alocadas entre esses dois extremos. Os resultados obtidos pela aplicacao do formulario SAE J4001 confirmaram esses pressupostos, como mostra a Tabela 7.

4.1 Hipotese H1a

A hipotese H1a considerou que quanto maior for adocao das praticas da manufatura enxuta de uma empresa, maior sera a sua margem de contribuicao. Para a verificacao desta hipotese foram considerados os dados referentes a margem de contribuicao e o grau de enxugamento da empresa, sendo os valores obtidos para estes dois itens mostrados na Tabela 8.

Observa-se que os dados referentes a empresa E estao a uma distancia maior da funcao linear em relacao aos demais dados. Porem, de maneira geral pode-se enxergar uma certa relacao linear entre os dados mostrados. Para se confirmar esse entendimento, procedeu-se ao calculo do coeficiente de correlacao entre as duas variaveis. Para isso recorreu-se ao calculo da correlacao de Spearman ([rho]) porque se tem um numero pequeno de participantes e nao ha certeza de que os dados analisados obedecam a uma distribuicao normal (Dancey & Reidy, 2008). Para isso foi utilizado o software SPSS--Package for Social Science for Windows Version 22 (SPSS, SPSS Inc., Chicago, IL, USA), assumindo-se um grau de confianca de 95% (Dancey & Reidy, 2008). O resultado desse calculo esta mostrado na Tabela 9.

Segundo Dancey e Reidy (2008), a intensidade do relacionamento entre duas variaveis utilizando o coeficiente de correlacao de Spearman obedece as classificacoes mostradas na Tabela 10. Recordese que um coeficiente de correlacao positivo indica que as variaveis sao diretamente relacionadas, isto e, a mediada que uma cresce a outra segue na mesma direcao. Ja na correlacao negativa, a relacao e inversa, ou seja, quando uma variavel cresce a outra diminui. Ressalte-se tambem que o coeficiente de correlacao nao indica uma relacao de causalidade, servindo apenas para indicar as mudancas de uma variavel comparada a outra.

Observa-se, assim, que a correlacao entre o grau de adocao das praticas da Manufatura Enxuta e a margem de contribuicao e moderada.

Porem, ha uma probabilidade de 14% ([rho] = 0,1400) de que esse relacionamento tenha ocorrido devido ao acaso. Por essa razao, rejeita-se a hipotese H1a, o que permite afirmar que nem sempre se pode observar que empresas que tenham um maior grau de implementacao da manufatura enxuta apresentem tambem maiores margens de contribuicao.

Esse resultado tambem e alinhado aos principios da Manufatura Enxuta. De fato, a margem de contribuicao se obtem deduzindo da receita liquida os custos variaveis, que no caso deste trabalho se resumiram ao conteudo de material e de mao de obra direta. A margem de contribuicao percentual se obteve dividindo o valor da margem de contribuicao em Reais pela receita liquida (Lucato, 2013).

Por outro lado, a implantacao das praticas Lean, por si so, nao produzem significativos ganhos no conteudo de material e no nivel de mao de obra direta. Os maiores ganhos estao na reducao de desperdicios (espaco, sucata, rejeicoes), no melhor nivel de qualidade e na significativa reducao dos estoques que implicam, no ambienta das PMEs, em relevante reducao dos custos financeiros. Ou seja, as reducoes de gastos sao muito mais sensiveis nas despesas do que nos custos diretos (material e mao de obra) (Lande, Shrivastava & Seth., 2016). Por essa razao a implantacao da manufatura Enxuta nao traz impactos significativos sobre a margem de contribuicao, o que confirma o resultado aqui obtido.

4.2 Hipotese H1b

Na hipotese H1b procurou-se verificar se quanto maior for o grau de adocao das praticas da manufatura enxuta da empresa maior sera a sua lucratividade (ROS). Mantendo os mesmos procedimentos anteriores, para a verificacao desta hipotese foram adotados os dados referente a lucratividade e o grau de enxugamento da empresa como procedimento inicial. Os valores obtidos para estes dois itens acham-se resumidos na Tabela11.

Adotando o mesmo procedimento na analise na hipotese anterior, observa-se que os dados referentes a empresa E estao a uma distancia maior da funcao linear em relacao aos demais dados. Porem, de maneira geral pode-se verificar uma certa linearidade crescente dos dados apresentados. Para se verificar esse fato, realizou-se ao calculo do coeficiente de correlacao de Spearman, que vai mostrado na Tabela 12.

Com base nesse resultado verifica-se que a correlacao entre o ROS e o grau de enxugamento e forte ([rho] = + 0,7945) com grau de significancia de 95% (p= 0,059). Isso permite aceitar a Hipotese H1b, pois, como essa correlacao e positiva, podese afirmar com 95% de certeza que quanto maior for a adocao das praticas da manufatura enxuta, maior sera o retorno sobre vendas (ROS) da empresa considerada. Tal resultado permite verificar que a relacao lucro / receita liquida (ROS) mantem uma alta correlacao com o grau de implementacao da Manufatura Enxuta nas empresas estudadas, o que confirma o efetivo poder dos principios Lean em gerar economias que permitem aumentar os lucros das empresas.

4.3 Hipotese H1c

A hipotese H1c assumiu que quanto maior for adocao das praticas da manufatura enxuta de uma empresa, maior sera o seu lucro liquido. Para a validacao dessa hipotese foram considerados os dados referentes ao lucro liquido e o grau de enxugamento das empresas pesquisadas, sendo os valores obtidos para estes dois itens mostrados na Tabela 13.

Adotando o mesmo procedimento utilizado no estudo das hipoteses anteriores, verifica-se, mais uma vez, que os dados referentes a empresa E estao a uma distancia maior da funcao linear em relacao aos demais. Contudo, de maneira geral pode-se verificar uma certa relacao linear entre os dados mostrados. Para se confirmar esse entendimento, efetivou-se o calculo do coeficiente de correlacao de Spearman, que vai mostrado na Tabela 14.

O resultado obtido para o coeficiente de correlacao de Spearman permite verificar que a intensidade da relacao entre o lucro liquido e o grau de enxugamento e forte ([rho] = + 0,7143), com 90% de significancia ([rho] = 0,1010) o que permite tambem aceitar a Hipotese H1c.

De fato, como essa correlacao e positiva, pode-se afirmar com 90% de certeza que quanto maior for a adocao das praticas da manufatura enxuta, maior sera o lucro liquido da empresa considerada. Essa conclusao confirma o entendimento de que a Manufatura Enxuta gera economias efetivas para as empresas que a implantam. Se tais ganhos nao puderam ser notados no nivel da contribuicao marginal, eles ficam bastante evidentes ao se comparar o lucro liquido com o grau de implementacao das praticas Lean. E de se ressaltar, por outro lado, que as economias geradas estao sendo canalizadas para o aumento dos lucros e nao para tornar os precos mais competitivos. Tal constatacao deveria ser mais profundamente explorada, traduzindo-se, assim, em uma oportunidade para a efetivacao de pesquisas futuras.

4.4 Hipotese H1

A Hipotese H1 afirmava que quanto maior for a adocao das praticas da Manufatura Enxuta de uma PME, melhor sera o seu desempenho economico-financeiro. Para poder testar essa hipotese, ela foi subdividida em tres sub-hipoteses que continham, cada uma, uma variavel de mensuracao do desempenho economico financeiro de uma PME (Hipoteses H1a, H1b e H1c).

Das tres validacoes feitas, duas puderam ser aceitas (H1b--ROS e H1c--Lucro liquido) e uma foi rejeitada (H1a--Margem de contribuicao). Entao, afinal, aprova-se ou rejeita-se a Hipotese 1? Em funcao desses resultados ela pode ser considerada como parcialmente aceita ou, para evitar diferentes interpretacoes que poderiam gerar alguma confusao, ela poderia ser considerada aceita desde que reescrita da seguinte forma:

Hipotese 1--Quanto maior for a adocao das praticas da Manufatura Enxuta de uma PME, melhor sera o seu desempenho economico-financeiro, expresso pelo seu lucro liquido ou seu retorno sobre vendas (ROS).

5 Discussao dos resultados

Os resultados obtidos nas pesquisas de campo permitem comparar tais achados com o que se levantou na revisao bibliografica. Quanto ao relacionamento entre a implementacao da Manufatura Enxuta e o desempenho economicofinanceiro das PMEs, a literatura recente mostrou somente tres indicacoes: a) Greinachera et al., (2015) sugeriu que a adocao de praticas Lean contribuem de maneira positiva com a performance economica das empresas, b) Afonso and Cabrita (2015) identificaram uma relacao direta entre a falta de adocao dos principios enxutos e o desempenho adverso da PME estudada e c) Lande, Shrivastava & Seth (2016) identificaram uma relacao positiva entre a adocao dos principios Lean e o desempenho financeiro das PMEs.

Embora haja uma concordancia entre esses autores sobre a direcao em que o relacionamento Manufatura Enxuta vs desempenho economicofinanceiro caminha, eles somente medem este ultimo pelo montante de lucros, pelo ROS e pelo ROI. Nenhum dos autores faz qualquer mencao a margem de contribuicao como medida de desempenho a ser considerada. Assim, a rejeicao da hipotese H1a nao pode ser relacionada ao que diz a literatura, ja que nao ha referencia o relacionamento entre a margem de contribuicao e a utilizacao das praticas Lean.

Diante dessas constatacoes, este trabalho confirma por meio da pesquisa de campo realizada que quanto maior for a adocao dos principios Lean de uma PME, melhor sera o seu desempenho economico-financeiro, representado pelo seu lucro liquido ou seu retorno sobre vendas (ROS) (Hipotese H1).

Finalmente, adotando uma visao mais ampla e considerando todos os portes de empresas, verifica-se que os resultados obtidos contrariam os achados de Ahmad et al. (2004), Fullerton et al. (2004), Koumanakos (2008) e Losonci e Demeter (2013) que nao identificaram uma relacao positiva entre a Manufatura Enxuta e o desempenho financeiro das empresas por eles pesquisadas. No entanto, os resultados aqui alcancados tambem sao condizentes com as afirmacoes de Harris e Cassidy (2013), Hofer, Eroglu e Hofer (2012), Kumar e Kumar (2016), Yang, Hong e Modi (2011) ja que estes conseguiram identificar uma relacao clara entre a adocao dos principios Lean e a performance financeira das empresas analisadas.

Verifica-se assim, que, se este trabalho nao resolve de vez a controversia que ainda persiste na literatura, pelo menos ele estabelece um posicionamento favoravel a relacao entre as praticas enxutas e o desempenho economico-financeiros das empresas, com destaque para as PMEs. Tal fato indica que estudos envolvendo o tema central aqui tratado deveriam continuar a ser aprofundados ate que conclusoes definitivas ou explicacoes claras das condicoes de contorno que levam a essa controversia sejam obtidas.

Outro aspecto a ser discutido e a concordancia das tres medidas do nivel de adocao das praticas Lean (nivel de enxugamento) utilizadas neste trabalho. Em primeiro lugar, partiu-se da avaliacao do nivel de utilizacao dos principios enxutos por cada uma das empresas pesquisadas com base no conhecimento previo dos pesquisadores, devidamente validado junto aos mercados nos quais aquelas firmas atuavam. Em seguida, por meio da visita as plantas industriais e de informacoes obtidas junto aos entrevistados, podese determinar o numero de praticas efetivamente usadas em cada empresa. Finalmente, a aplicacao do formulario proposto pela norma SAE J4001 pode medir o grau de utilizacao das referidas praticas. Como se demonstrou no decorrer deste trabalho, ha uma coerencia entre os tres valores analisados.

6 Conclusoes

Uma primeira conclusao estabelecida neste estudo foi o fato de que, apesar da falta de alinhamento dos autores consultados sobre a relacao entre a adocao da Manufatura Enxuta e o desempenho economico-financeiro das empresas nas quais ela e adotada, este trabalho pode concluir que, no ambiente das PMEs, ha um relacionamento direto entre a implementacao das praticas Lean com o lucro e a lucratividade (ROS) daquelas empresas. No entanto, a verificacao desse resultado se deu por meio do calculo de correlacoes que, como se sabe, nao estabelece relacao de causalidade. Por isso, embora esse resultado confirme, de certa forma, a logica do pensamento enxuto (a eliminacao dos desperdicios acaba por reduzir os gastos operacionais das empresas gerando uma melhoria nos resultados) essa relacao de causa e efeito nao pode ser definitivamente estabelecida com base dos achados desta pesquisa.

De fato, a literatura que trata da gestao empresarial mostra que o lucro e consequencia de inumeras variaveis que envolvem, alem dos gastos internos da empresa, o preco de vendas praticado, o posicionamento da empresa no mercado, a dinamica concorrencial no segmento onde ela atua, as estrategias adotadas, dentre muitas outras. Assim, um estudo mais aprofundado e envolvendo aspectos mais amplos que os aqui considerados deveria ser desenvolvido para se poder avaliar, de maneira adequada, a exata medida em que a Manufatura Enxuta afeta os resultados, num contexto mais amplo de consideracao das demais variaveis mencionadas.

Da maneira como foi desenvolvido, este trabalho traz contribuicoes tanto a teoria como a pratica da Engenharia de Producao e Gestao de Operacoes. Do ponto de vista da geracao de conhecimento cientifico, os resultados aqui alcancados estreitam a lacuna identificada, na medida em que dao um reforco a discussao sobre o tema central aqui discutido. A falta de unanimidade entre os autores que trataram do tema possui agora uma contribuicao adicional em relacao aqueles que defendem a efetividade da Manufatura Enxuta para a melhoria do desempenho economico-financeiro das empresas.

Do lado pratico, os resultados aqui encontrados poderao fornecer aos gestores das PMEs uma visao pragmatica sobre as vantagens economicas associadas a implantacao das praticas enxutas, incentivando-os a adotar tais principios produtivos em suas respectivas empresas, tornando-as mais competitivas e lucrativas na luta pela sobrevivencia no mercado.

Evidentemente, como toda pesquisa, este trabalho tambem apresenta algumas limitacoes. Primeiramente, as conclusoes aqui obtidas nao podem ser indiscriminadamente generalizadas uma vez que sao o resultado do estudo de apenas seis empresas, pequena e medias, do setor industrial. Ha tambem outras restricoes relacionadas a possiveis outros fatores que podem influenciar a adocao da Manufatura Enxuta como o tipo de producao usada, o tipo de produto manufaturado ou ate mesmo a forma de gestao da organizacao.

Finalmente, cite-se a ampla gama de fatores que afetam desempenho economico-financeiro das empresas alem da implantacao das praticas Lean, como se destacou antes. Para contornar essas dificuldades, recomenda-se a possivel realizacao de uma survey que considere as variaveis adicionais comentadas, a ampliacao da amostra pesquisada, com abrangencia bem mais ampla, utilizando amostragem aleatoria e tratamento estatistico apropriado a essa situacao.

Somente por meio do aprofundamento futuro deste estudo conclusoes mais gerais (embora temporarias) poderao ser obtidas aumentando o poder de contribuicao aqui alcancado.

DOI: 10.5585/ExactaEP.v16n2.7042

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Recebido em 3 jan. 2017 / aprovado em 22 fev. 2017

Joao Honorato Junior (1)

Wagner Cezar Lucato (2)

(1) Mestre em Engenharia de Producao pela Universidade Nove de Julho--UNINOVE Sao Paulo, SP [Brasil] j_honoratojr@hotmail.com

(2) Professor e Pesquisador do Programa de PosGraduacao em Engenharia de Producao da Universidade Nove de Julho--UNINOVE. Sao Paulo, SP [Brasil] wlucato@uni9.pro.br
Tabela 1: A definicao do porte das empresas
pesquisadas

Porte                 Receita Liquida Media Mensal (RLM)

Microempresa       RLM [less than or equal to] R$ 30.000,00
Pequena empresa   R$ 30.000,00 < RLM [less than or equal to]
                                 R$ 300.000,00
Media empresa                 RLM > R$ 300.000,00
Grande empresa                   Nao aplicavel

Tabela 2: Exemplo da determinacao do grau de enxugamento

                                            Componente

                                1     2     3   4   5   6   7   8
Elemento   4   Geren. / Conf.   2     1     1   1   2   1   0   0
           5   Pessoas          1   2 (a)   2   1   0   0   1   1
           6   Informacao       2     0     1   0
           7   Fornecimento     0     1     0   0
           8   Produto          2     0     0   0   2   2
           9   Processo/Fluxo   2     2     2   2   1   1   1   0

                                 Grau de enxugamento da
                                    empresa X ([GE.sub.X])

                                       Componente

                                9   10   11   12   13   [g.sub.e]
Elemento   4   Geren. / Conf.   3   2    0    3    0      0.410
           5   Pessoas          2   3    3    0           0.444
           6   Informacao                                 0.250
           7   Fornecimento                               0.083
           8   Produto                                    0.333
           9   Processo/Fluxo   1   1    1    1    2      0.436

                                Grau de enxugamento da    0.326
                                 empresa X ([GE.sub.X])

Tabela 3: O nivel de adocao das praticas da
manufatura enxuta

Nivel de adocao das            Grau de enxugamento
praticas enxutas               calculado pela norma
                                  SAE J4001 (GEX)

Baixo                               GEX < 0,25
Medio                 0,25 [less than or equal to] GEX < 0,5
Alto                  0,50 [less than or equal to] GEX < 1,0

Tabela 4: Caracteristicas principais das empresas pesquisadas

Empresa   Fundacao   Origem do   No de         Ramo de
                      Capital     Func.       atividade

A           1995     Nacional    11 a 20   Eletroeletronica
B           1994     Nacional    21 a 30     Metalurgica
C           1993     Nacional    21 a 30   Eletroeletronica
D           2012     Nacional    21 a 30     Metalurgica
E           2006     Nacional    0 a 10    Eletroeletronica
F           1994     Nacional    21 a 30   Eletroeletronica

Empresa     Local      Porte     Exito na
                                implantacao
                                   Lean

A         Sao Paulo   Pequeno      Medio
B          Diadema    Pequeno      Baixo
C         Cabreuva    Pequeno      Alto
D         Valinhos     Medio       Alto
E         Sao Paulo    Medio       Baixo
F         Sao Paulo    Medio       Medio

Tabela 5: Demonstrativos de resultados das empresas pesquisadas

Indicadores Levantados na Pesquisa        A           B

Receita Bruta Media Mensal (RS)        360.000     210.000
% Impostos/ Receita Bruta             15,1-18 %   15,1-18 %
Producao Mensal (unidades)              9.000      200.000
% Mat Prima/ Rec Bruta                 31-40%      21-30%
% MOD/Rec Bruta                        21-30%      21-30%
No Funcionarios                         11-20       21-30
% Custo Fixo/ Receita Bruta            11-20%      21-30%
Lucro Liquido Medio Mensal (R$)        28.800       6.300
ROS Informado (%)                      11-20%       3-5%

Indicadores Calculados

Receita Liquida Media Mensal (R$)      298.800     174.300
Porte da Empresa                       Pequeno     Pequeno

Indicadores Levantados na Pesquisa        C            D

Receita Bruta Media Mensal (RS)        300.000      420.000
% Impostos/ Receita Bruta             11,1-13 %    11,1-13 %
Producao Mensal (unidades)             90.000     Prest Serv.
% Mat Prima/ Rec Bruta                 21-30%       21-30%
% MOD/Rec Bruta                        21-30%       21-30%
No Funcionarios                         21-30        21-30
% Custo Fixo/ Receita Bruta            11-20%       11-20%
Lucro Liquido Medio Mensal (R$)        69.000       96.600
ROS Informado (%)                       8-10%       11-15%

Indicadores Calculados

Receita Liquida Media Mensal (R$)      264.000      369.600
Porte da Empresa                       Pequeno       Medio

Indicadores Levantados na Pesquisa        E          F

Receita Bruta Media Mensal (RS)        400.000    350.000
% Impostos/ Receita Bruta             15,1-18 %   9,1-11 %
Producao Mensal (unidades)              8.000      20.000
% Mat Prima/ Rec Bruta                 31-40%      31-40%
% MOD/Rec Bruta                        21-30%      21-30%
No Funcionarios                         11-20      21-30
% Custo Fixo/ Receita Bruta            11-20%      11-20%
Lucro Liquido Medio Mensal (R$)        32.000      52.500
ROS Informado (%)                      11-15%      8-10%

Indicadores Calculados

Receita Liquida Media Mensal (R$)      332.000    315.000
Porte da Empresa                        Medio      Medio

Tabela 6: Determinacao do grau de enxugamento das empresas pesquisadas

                                                  Empresas Pesquisadas

                                                     A        B

           4     Gerenciamento / Confiabilidade    0,1143   0,1429
Elemento   5     Pessoas                           0,2500   0,3125
           6     Informacao                        0,6364   0,1818
           7     Fornecimento                      0,5833   0,1667
           8     Produto                           0,4444   0,0000
           9     Processo/Fluxo                    0,3846   0,3590

           Grau de enxugamento da empresa          0,4022   0,1938

                                                  Empresas Pesquisadas

                                                     C        D

           4     Gerenciamento / Confiabilidade    0,6571   0,6286
Elemento   5     Pessoas                           0,7500   0,7813
           6     Informacao                        0,5455   0,7273
           7     Fornecimento                      0,5000   0,6667
           8     Produto                           0,6111   0,6111
           9     Processo/Fluxo                    0,5897   0,5385

           Grau de enxugamento da empresa          0,6089   0,6589

                                                  Empresas Pesquisadas

                                                     E        F

           4     Gerenciamento / Confiabilidade    0,1143   0,2857
Elemento   5     Pessoas                           0,0625   0,5000
           6     Informacao                        0,0000   0,6364
           7     Fornecimento                      0,0833   0,2500
           8     Produto                           0,1667   0,3333
           9     Processo/Fluxo                    0,0769   0,2564

           Grau de enxugamento da empresa          0,0840   0,3770

Tabela 7: Os pressupostos de mercado e a norma SAE J4001

                                                Empresa

                                   A        B        C        D

Grau de adocao das praticas      Medio    Baixo     Alto     Alto
enxutas pressuposto
pelo autor e pelo mercado

Grau de enxugamento calculado    0,4022   0,1938   0,6089   0,6589
segundo SAE J4001

Grau de adocao das praticas      Medio    Baixo     Alto     Alto
enxutas calculado
segundo SAE J4001 (a)

                                    Empresa

                                   E        F

Grau de adocao das praticas      Baixo    Medio
enxutas pressuposto
pelo autor e pelo mercado

Grau de enxugamento calculado    0,0840   0,3770
segundo SAE J4001

Grau de adocao das praticas      Baixo    Medio
enxutas calculado
segundo SAE J4001 (a)

Tabela 8: Resultados obtidos para avaliacao da Hipotese H1a

Hipotese H1a                   A        E        B        F

Margem de Contribuicao (%)   27,71%   27,71%   33,73%   33,33%
Grau de enxugamento da       0,4022   0,0840   0,1938   0,3770
  empresa X (GEX)

Hipotese H1a                   C        D

Margem de Contribuicao (%)   43,18%   43,18%
Grau de enxugamento da       0,6089   0,6589
  empresa X (GEX)

Tabela 9: O [rho] de Spearman para a Hipotese H1a

               Hipotese ia

               [rho] de Spearman       Coeficiente de
Margem de                                Correlacao
Contribuicao
                                   Significancia Bilateral

                                              N

Grau de                                Coeficiente de
Enxugamento    [rho] de Spearman         Correlacao

                                   Significancia Bilateral


                                              N

               Margem de Contribuicao   Grau de Enxugamento

                       1,0000                 0,6768
Margem de
Contribuicao
                         --                   0,1400

                         6                       6

Grau de                0,6768                 1,0000
Enxugamento

                       0,1400                   --

                         6                       6

Tabela 10: A intensidade do relacionamento
entre duas variaveis utilizando o coeficiente de
correlacao de Spearman

                           [rho] de Spearman

Intensidade do        Positivo            Negativo
Relacionamento

Perfeito           [rho] = + 1,00       [rho] = -1,00

Alto             + 0,70 [less than    - 0,70 [less than
                    or equal to]        or equal to]
                   [rho] < + 1,00       [rho] < -1,00

Moderado         + 0,40 [less than    - 0,40 [less than
                    or equal to]        or equal to]
                   [rho] < + 0,70       [rho] < -0,70

Fraco            0 < [rho] < + 0,40   0 < [rho] < -0,40

Inexistente             0,00                0,00

Tabela 11: Resultados obtidos para avaliacao da Hipotese H1b

Hipotese H1b        B        A        E        F        C        D

ROS (%)           3,61%    9,64%    9,64%    16,67%   26,14%   26,14%

Grau de           0,1938   0,4022   0,0840   0,3770   0,6089   0,6589
enxugamento da
empresa X (GEX)

Tabela 12: O [rho] de Spearman para a Hipotese H1b

                                       Hipotese H1b

Receita Liquida       [rho] de Spearman   Coeficiente de Correlacao

                                           Significancia Bilateral

                                                      N

Grau de Enxugamento   [rho] de Spearman   Coeficiente de Correlacao

                                           Significancia Bilateral

                                                      N

                      Receita Liquida   Grau de Enxugamento

Receita Liquida           1,0000              0,7945

                            --                0,0590

                             6                   6

Grau de Enxugamento       0,7945              1,0000

                          0,0590                --

                             6                   6

Tabela 13: Resultados obtidos para avaliacao da Hipotese H1c

Hipotese Hic        B        A        E        F        C        D

Lucro Medio       6.300    28.800   32.000   52.500   69.000   96.600
mensal (R$)

Grau de           0,1938   0,4022   0,0840   0,3770   0,6089   0,6589
enxugamento da
empresa X (GEX)

Tabela 14: O [rho] de Spearman para a Hipotese H1c

                                       Hipotese Hic

Receita Liquida       [rho] de Spearman   Coeficiente de Correlacao

                                           Significancia Bilateral

                                                      N
Grau de Enxugamento   [rho] de Spearman   Coeficiente de Correlacao

                                           Significancia Bilateral

                                                      N

                      Receita Liquida   Grau de Enxugamento

Receita Liquida           1,0000              0,7143

                            --                0,1010

                             6                   6
Grau de Enxugamento       0,7143              1,0000

                          0,1010                --

                             6                   6
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Author:Honorato, Joao Junior; Lucato, Wagner Cezar
Publication:Revista Exacta
Date:Apr 1, 2018
Words:9454
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