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The pedagogical eros and the education in the visual arts: notes in the philosophy of education/ O eros pedagogico e a educacao em artes visuais: apontamentos em filosofia da educacao.

Introducao

Os jovens brasileiros quando querem dizer que uma pessoa e muito inteligente dizem que a pessoa e "cabecao" ou "cranio", o que mostra eles tem a percepcao de que compreendemos inteligencia como algo ligado apenas a nossas cabecas e a nossas mentes. Historicamente o conhecimento da sociedade ocidental moderno/colonial foi pensado e construido como algo separado do corpo, em oposicao a ele. A escola como instituicao voltada para a producao e divulgacao de conhecimento foi, portanto, construida com base nessa separacao, sempre privilegiado a mente em detrimento do corpo. Nesta perspectiva, nao apenas o corpo foi deixado de lado, como, seguindo a mesma logica dualista hierarquizada ocidental que separa homem e natureza, sagrado e profano, masculino e feminino, civilizacao e barbarie, o corpo e visto como menor, menos importante, como tendo menor valor (Quijano, 1992). Por que outra razao pensar em um modelo de sala de aula em que os/as estudantes precisam ficar sentados, se movimentando minimamente durante cinco a seis horas por dia, com um breve momento de descanso para esticar as pernas?

Considerando que a estetica tem em sua origem aisthesis--a percepcao pelos sentidos--o ensino da arte, que contempla estetica e poetica, passa necessariamente por uma percepcao do corpo. Mesmo que em condicoes pouco favoraveis e necessario, no minimo, que se tenha presente a questao do olhar, da percepcao visual das obras. E nao seria mais rico para a percepcao do olhar algumas mudancas de ambiente que possam, por exemplo, contemplar em um momento obras vistas ao vivo, em galerias ou na rua, e em outros por meio de reproducoes, sejam projetadas, impressas ou em video? Isto e dizer que a separacao entre mente e corpo que e reforcada pelo espaco da escola torna esse espaco pouco propicio para a educacao em arte.

Partindo deste lugar, como podemos pensar uma educacao que seja prazerosa e que faca sentido para as pessoas nela envolvidas? E, mais especificamente, que espaco existe na escola atualmente para que professores e professoras sintam prazer em sua pratica docente? Com o intuito de contribuir com essas discussoes trarei a contribuicao de Platao sobre eros para, entao, abordar o conceito de Eros Pedagogico trabalhado por Jim Garrison a partir da obra de John Dewey, e o olhar de bell hooks sobre o Eros na pratica pedagogica para, entao, articular esses pensamentos com a educacao em artes visuais e suas especificidades.

1. Eros Pedagogico

O termo Eros pedagogico nao e muito utilizado na literatura corrente sobre educacao, mas aparece de forma subentendida nos textos de diversos pensadores da area tais como Paulo Freire, Rubem Alves e John Dewey, para citar alguns. Sua origem, contudo, e mais antiga: embora o termo eros pedagogico nao esteja la, ja vemos a questao presente no dialogo "O banquete" de Platao em que se discutiu sobre a natureza do Amor.

Antes de falar do aspecto pedagogico de Eros e importante saber quem ele vem a ser. Eros e a entidade da Grecia Antiga que personifica o Amor e o desejo. Para os poetas melicos ele tinha um carater divino, ligado a criacao do universo e a toda a forma de criacao. Por isso ele possuia uma forte relacao com a primavera e com as musas. Em sua expressao cosmica, alem da criacao do universo, ele tambem seria a forca que une os elementos primordiais, em oposicao a Neicos (a desordem). De forma semelhante, em sua expressao como entidade que possui ligacao com os humanos, e tambem ele quem une pessoas, seres, coisas, e que promove a criacao de coisas novas a partir da juncao de diferentes. Contudo, ao mesmo tempo em que ele se relaciona ao amor correspondido, tambem esta ligado ao sofrimento da rejeicao amorosa e do coracao partido. Eros e, assim, descrito como sendo agridoce, ligado ao mesmo tempo ao prazer e ao sofrimento (Calame, 2013).

Na obra "O Banquete" de Platao (2012) esse aspecto e explicado a partir do mito de criacao de Eros, que, por ser filho da escassez (Penia) e da abundancia (Poros), possui esse carater dual. Afinal, sendo desejo, ele precisa carecer do que deseja e buscar saciar essa falta, tendo presentes, ao mesmo tempo, as naturezas de sua mae e seu pai. Eros, portanto, nao e completo, como um deus, mas atua como um Daimon, um ser intermediario entre o Olimpo e a Terra. Embora o Amor possa aparecer nas relacoes afetivo-sexuais, sua expressao mais verdadeira e mais profunda e aquela que se estabelece com o conhecimento e a sabedoria, ou ainda, com a sabedoria atrelada a contemplacao do inteligivel. Nao a toa se ve no discurso de Alcibiades uma ode a Socrates, que e quem representa ali a figura do professor, daquele que busca o conhecimento e que leva os outros a se aproximarem dele. Porem Socrates e tido como um satiro, um daimon, um mediador, alguem que esta entre um lugar e outro, afinal ele nao se coloca como sabio, mas como aquele que ama o conhecimento--o filosofo--e que procura se lancar em direcao a ele (Platao, 2012).

Tanto a figura de Socrates como Daimon, ou mediador, quanto a fala de Diotima, que traca um percurso para o alcance da contemplacao do inteligivel descrita ou guiada por quem ja trilhou aquele caminho, acaba falando de um processo pedagogico. Ou seja, ao se tratar de eros o aspecto pedagogico aparece. E quanto ao aspecto de eros ao se tratar da educacao?

John Dewey (1976) e uma das pessoas que deixa essa relacao aparente ao deixar claro a necessidade do desejo no processo de aprendizagem, uma vez que a partir do desejo e possivel desenvolver um proposito, o que levara a um percurso, uma experiencia que possui um objetivo. Com esses elementos e levando-se em conta os aspectos e motivacoes intrinsecos dos/as estudantes e que estes poderao se apropriar dos conhecimentos desejados. Ao se abracar a subjetividade como fator importante do processo de ensino/aprendizagem, os/as professores/as precisam sair do espaco seguro da racionalidade e suposta neutralidade para admitir tambem sua subjetividade e seus aspectos internos.

A partir do pensamento de Dewey, Jim Garrison (2010) vai trabalhar em torno do que de ficou denominado eros pedagogico. Embora Dewey nao tenha chegado a este termo, sua teoria e o que vai embasa-lo. Por isso aqui nao esta sendo abordado o conceito psicanalitico de eros e sim o conceito filosofico. Trata-se, portanto, de um termo que abrange o amor, o desejo, o afeto, a curiosidade, a capacidade de criar coisas novas e a relacao de sentido que se estabelece com a pratica pedagogica, tudo isso com base no desejo de promover o desenvolvimento do outro.

Para a filosofa e educadora estadunidense bell hooks (1994), a divisao corpo e mente presente nos espacos institucionais de ensino faz com que professores/ as tentem frequentemente suprimir as emocoes, sob o risco de perder a seriedade. Ao mesmo tempo ela nos mostra que o eros nao e uma fragilidade, mas uma forca, que traz potencia e desejo de excelencia para sua pratica pedagogica. Seus relatos demonstram o quanto a nocao de comunidade criada dentro de sala, em que todos possuem espaco para se expressar e onde as emocoes e aspectos internos sao levados em conta torna tanto os/as estudantes mais envolvidos com as aulas e seus processos de aprendizado como ela mesma, enquanto professora se sente realizada ao perceber o crescimento de seus/suas alunos/as (hooks, 1994).

2. Experiencia e eros pedagogico

Dewey (1976) aposta na experiencia como fator chave do processo de educacao. Para ele, ao se propor uma educacao baseada na experiencia mais que em conteudos tem-se a possibilidade de um envolvimento maior dos/as estudantes com o processo de aprendizado e maior efetividade nesse processo. Mas nao e qualquer experiencia que conta como educacionalmente significativa e sim aquelas que levam a uma possibilidade crescimento com reverberacoes futuras positivas.

Para Dewey (1976) a educacao tambem tinha como objetivo maior o desenvolvimento humano dos/as estudantes, para que cada um/a destes/as buscasse se conhecer mais profundamente e, assim, pudesse se tornar a melhor versao possivel de si.

Dessa forma e possivel que a educacao seja tambem o espaco de promocao de uma comunidade equilibrada ou que, ao menos, busca o equilibrio, uma vez que o melhor que uma pessoa pode ser e, tambem, o melhor que ela pode ser em relacao aos outros e ao ambiente.

A respeito da interacao com os outros, Jim Garrison (2010) aponta a extrema importancia das relacoes entre pessoas que possuem vivencias distintas para a construcao do conhecimento na perspectiva de Dewey. Ele afirma que o conhecimento e formado a partir da experiencia, portanto experiencias diferentes geram conhecimentos diferentes, logo a interacao entre pessoas que partem de experiencias distintas pode gerar crescimento e ampliar as perspectivas de todos envolvidos. Ademais, ao se pensar no contexto de sala de aula, precisamos ter em conta que se trata de um grupo mais ou menos heterogeneo de pessoas interagindo e criando um ambiente. Bell hooks (1994) nos lembra que nenhum/a professor/a consegue isoladamente instaurar o eros na pratica pedagogica, pois todos precisam estar envolvidos. Inclusive, um dos fatores essenciais para promover experiencias significativas e ter em conta os estimulos e motivacoes internas dos/as estudantes alem das externas. Sem isso a educacao se torna uma imposicao de algo que nem se sabe se sera relevante para aquela geracao (Dewey, 1976).

Sendo assim, uma educacao que faca sentido para as pessoas nela envolvidas e para a sociedade como um todo seria aquela que leva em conta a mudanca e a construcao de conhecimento a partir das experiencias variadas dos individuos que a compoe. Seria ainda uma forma de educacao que traz a existencia novos conhecimentos, pensamentos, solucoes e producoes. Por isso, alem do aspecto etico bastante explorado por Dewey, os aspectos estetico e poetico sao de extrema importancia. O estetico seria pensado aqui como aquilo que atraves dos sentidos nos leva a uma experiencia significativa, e poetico aquilo que, como diz Diotima em seu discurso, "(...) passa do nao-ser para o ser" (Platao, 2012:65), isto e, esta em processo do devir.

A nocao do conhecimento que parte da experiencia esta ligada ao conceito dos gregos antigos dephronesis, que seria uma forma de conhecimento que guia o comportamento. Esse tipo de conhecimento que nao e estritamente teorico e o que aparece no pensamento de Dewey, que relaciona teoria e pratica e os colocando em continuidade, nao em oposicao. (Garisson, 2010). Por isso sera frequente no pensamento deweyano os termos "conhecimento pratico", "raciocinio pratico" e algumas outras variacoes que demonstram o aspecto pratico de processos mentais.

Outro fator importante para que a escola possa proporcionar experiencias educativas e necessaria liberdade tanto de pensamento quanto liberdade fisica (Dewey, 1976), afinal se o foco e a experiencia e uma diversidade delas e um fator positivo, qual e o sentido em ficar sempre na mesma posicao e mesmo espaco fisico? De forma semelhante, qual e o sentido em nao abrir espaco para desejos, pensamentos e criticas diversas? Em espacos de liberdade de pensamento, de critica e de movimento e possivel que esse tipo de educacao floresca em todo seu potencial.

Uma pedagogia pautada pelo eros seria aquela que alimenta espacos esteticos onde os desejos, os pensamentos, as posicoes em que se situam os participantes do evento pedagogico geram os processos de aprendizagem, afinal como acessar o desejo pelo conhecimento sem a presenca da motivacao intrinseca e dos aspectos subjetivos dos/as estudantes? Como estar integralmente implicado no processo de ensino/aprendizagem sem levar em conta a percepcao pelos sentidos, as emocoes e a experiencia significativa como um todo? Como encontrar sentido no processo de aprendizagem sem que haja uma troca de experiencia entre diferentes que permita compreender melhor a propria experiencia e organizar o conhecimento alcancado ou as questoes surgidas, alem que conhecer novas perspectivas? Como ter verdadeiros dialogos e espacos de criacao sem liberdade? E podemos ainda levar essas perguntas um passo adiante: nao seriam todas essas exigencias para uma pedagogia do eros aspectos inerentes a educacao em artes?

3. A educacao em artes e o eros pedagogico

Embora Dewey tenha escrito entre o final do seculo XIX e inicio do seculo XX, sua contribuicao ainda e extremamente atual, afinal, como afirma o arte-educador Elliot Eisner (2008), a educacao tecnicista "ganhou", e o que temos hoje e, em sua maioria, uma educacao derivada desse pensamento ligado ao modelo fabril. Segundo ele, essa educacao que Dewey chama de tradicional e que segue existindo nos dias de hoje tem muito a aprender com as artes, inclusive a respeito dos aspectos tratados por Dewey ja mencionados.

A educacao formal que temos hoje, seguindo os moldes da perspectiva moderno/colonial que sobrepoe razao a emocao e mente ao corpo, tem sido um espaco pouco compativel com o ensino das artes. Tanto a estrutura fisica quanto a organizacional pensadas no modelo fabril de que fala Eisner (2008) deixam pouco espaco para o desenvolvimento de propostas que abarquem a percepcao pelos sentidos, a criacao poetica, variadas experiencias esteticas e que acolha os desejos de estudantes e professores/as.

Atualmente as condicoes de trabalho de professores/as de artes no Brasil contam com excesso de turmas, pouco tempo com cada turma por semana, estruturas fisicas pouco versateis, pouco ou nenhum material para as praticas, curriculo pre-estabelecido e excesso de estudantes por sala, o que dificulta muito, senao impossibilita, um processo de ensino/aprendizagem pautado pelo eros. Alem do mais o espaco nas escolas tradicionais esta desenhado para atividades que envolvem a mente e nao o corpo. Esse contexto e inadequado para atividades esteticas, muito menos para o prazer de aprender. Muitos/as professores/as, quando podem, se adaptam, criam alternativas, fazem o possivel no contexto em que estao inseridos/as para conseguir desenvolver trabalhos significativos com seus/suas estudantes.

Contudo, o ensino da arte na escola, ainda nas situacoes mais precarias, tem a possibilidade de propiciar uma pedagogia do eros em que tanto estudantes como professores/as encontrem o prazer de aprender e construir o mundo pela experiencia estetica.

Conclusao

Encontrar um eros na pratica artistica nao e dificil, mesmo porque o proprio ato de trazer coisas a existencia esta intimamente ligado a nocao de eros. Quem cria artisticamente tambem o faz por desejo, por uma pulsao interna, que nao necessariamente habita o territorio do agradavel, mas que faz sentido internamente, no ambito do sensivel, para quem o faz. Assim, uma educacao pela experiencia, que se propoe a ser ao mesmo tempo etica, estetica e poetica, feita com liberdade de acao e pensamento, levando em conta os aspectos internos das pessoas nela envolvidas, e uma pedagogia pautada pelo eros e e um lugar onde a educacao em artes visuais--falo das visuais por ser de onde parto, mas todas caberiam aqui em realidade--encontraria terreno fertil para se desenvolver de forma plena. Ao mesmo tempo, por ter a educacao em artes uma relacao proxima ao corpo, a percepcao pelos sentidos e a sensibilidade, ela tambem e o espaco ideal para o desenvolvimento de uma pedagogia do eros.

A educacao em artes ocupa uma posicao privilegiada nesse aspecto, uma vez que o territorio da arte ja traz em si os principios propostos na educacao pela experiencia. Por outro lado, a manutencao da estrutura tradicional das escolas dificulta esse processo, afinal ainda prevalece um modelo de estrutura fisica e organizacional que deriva da tradicao moderno/colonial em que o corpo e relegado a segundo plano e, com ele, a experiencia. Para que possamos ter uma pedagogia do eros no ensino de artes precisamos de condicoes mais propicias, ou seja, precisamos trazer a existencia um sistema educacional que seja pensado para a experiencia, para uma interacao entre mente e corpo onde um nao se sobreponha ao outro e onde todos envolvidos com a educacao possam ter prazer com sua pratica e sentir que sua presenca ali faz sentido.

Referencias

Caiame, C. (2013) O Eros dos poetas melicos. In C. Caiame. Eros na Grecia antiga. (1aEd. pp. 4-31). Sao Paulo: Perspectiva.

Dewey, J. (1976). Experiencia e educacao. Sao Paulo, SP: Companhia Editora Nacional.

Eisner, E. (2008, Jul/dez). O que pode a educacao aprender das artes sobre a pratica da educacao? In Curriculo sem fronteiras. 8(12), 5-17.

Garrison, J. (2010). Dewey and Eros: wisdom and desire in the art of teaching. Charlote, NC: Information Age Publishing.

Hooks, b. (1994). Teaching to transgress: Education as the practice of freedom. Nova Iorque: Routledge.

Quijano, A. (1992) Colonialidad y modernidad/racionalidad. Peru Indigena. (13) 29, 11-20.

Platao (2012). O Banquete. Sao Paulo: EDIPRO.

TAUANA MACEDO DE BRITTO PEREIRA E PARREIRAS * & MARIA DEL ROSARIO TATIANA FERNANDEZ MENDEZ **

Artigo completo submetido a 03 de maio de 2019 e aprovado a 15 de maio de 2019

* Brasil, professora.

AFILIACAO: Universidade de Brasilia, Instituto de Artes, Programa de Pos-Graduacao em Artes Visuais. Campus universitario Darcy Ribeiro, predio SG 1. CEP: 70.910-900 Asa Norte, Brasilia/DF Brasil. E-mail: tauana.parreiras@gmail.com

** Bolivia, professora.

AFILIACAO: Universidade de Brasilia, Instituto de Artes, Programa de Pos-Graduacao em Artes Visuais. Campus Universitario Darcy Ribeiro, predio SG 1. cep: 70.910-900--Asa Norte--Brasilia, DF. Campus Universitario Darcy Ribeiro Predio Sg 1 Cep: 70.910-900 Asa Norte, Brasilia, DF Brasil. E-mail: tfernandezster@gmail.com
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Title Annotation:Original articles/Artigos originais
Author:De Britto Pereira e Parreiras, Tauana Macedo; del Rosario Tatiana Fernandez Mendez, Maria
Publication:Materia-Prima
Date:May 1, 2019
Words:2869
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