Printer Friendly

The pain of daughters, sisters, mothers and wives: bereaved women on the social network Orkut in Brazil (2004-2011)/Dor de filhas, irmas, maes e esposas: as mulheres enlutadas na rede social do Orkut no Brasil (2004-2011).

Realizar um cortejo funebre, vestir o morto com sua mortalha, participar do velorio, tocar os sinos de morte e visitar o cemiterio no dia 2 de novembro (1) sao alguns dos rituais de morte presentes em muitos paises ocidentais, no decorrer dos seculos. Entre esses ritos funebres podemos destacar as praticas do luto, que foram transformadas com o passar dos seculos, tal como durante o medievo, em que o luto era um dos rituais funebres, mais dramaticos. As praticas do luto eram manifestacoes bastante violentas, pois os enlutados, logo apos a morte do ente querido, "rasgavam suas roupas, arrancavam a barba e os cabelos, esfolavam as faces, beijavam apaixonadamente o cadaver, caiam desmaiados e, no intervalo de seus transes, teciam elogios ao defunto, o que e uma das origens da oracao funebre", conforme apresenta Aries (2003: 107-108).

Ja durante o final da Idade Media ate o seculo XVIII, o enlutado, em especial dos paises ocidentais, tinha que expressar sua dor da perda por determinado periodo, mesmo que esta nao estivesse mais presente, de modo que o tempo de luto poderia "ser reduzido ao minimo por um novo casamento precipitado, mas nunca era abolido" (Aries, 2003: 71). Outra caracteristica e a visitacao constante dos familiares e amigos a casa da familia enlutada, sendo que nesse periodo, teve inicio o ritual de reclusao e resguardo dos enlutados, afastando-os inclusive de algumas exequias.

No seculo XIX, em alguns paises ocidentais, modificam-se essas formas de praticar o luto. Os enlutados passam a demonstrar o sofrimento espontaneamente ou de modo histerico para os psicologos de hoje: chora-se, desmaia-se, desfalecese e jejua-se, como ressalta Philippe Aries (2003: 72). Tal excesso do luto, durante o seculo XIX, tem para

Aries um significado: "os sobreviventes aceitam com mais dificuldade a morte do outro do que o faziam anteriormente. A morte temida nao e mais a propria morte, mas a do outro" (2003: 72).

Ja no decorrer do seculo XX, alteram-se novamente as expressoes de luto. Em muitos paises ocidentais, e principalmente nas zonas urbanas, nota-se geralmente o luto isolado, individual, silenciado e sem o negro na vestimenta, presente desde a Idade Moderna, no seculo XVI. Chorar na presenca de familiares, amigos e vizinhos pode parecer vergonhoso e deprimente para muitos, de forma que se chora comumente em casa, porem nao junto aos demais, e sim em um comodo escondido, longe do circulo familiar. Essa individualizacao da dor da perda acaba fazendo com que a morte diga respeito apenas ao enlutado, que a vivencia desamparado. E a sociedade, que nos seculos passados fazia-se presente apos a morte, visitando e apoiando o enlutado, agora esta em muitos casos distante, talvez pelo medo de nao saber expressar as condolencias adequadas ou vergonha de mostrar a dor e as lagrimas.

E, contemporaneamente, como bem destaca Aries, expressar a dor da perda nao causa muitas vezes pena nos individuos, mas sim
   [...] repugnancia; e um sinal de perturbacao mental
   ou de ma-educacao, e morbido. Dentro do circulo
   familiar ainda se hesita em desabafar, com medo de
   impressionar as criancas. So se tem o direito de chorar
   quando ninguem ve nem escuta: o luto solitario e
   envergonhado e o unico recurso, como uma especie de
   masturbacao--a comparacao e de Gorer (2003: 87).


Em algumas cidades brasileiras, sobretudo do interior, percebe-se que durante a primeira metade do seculo XX, o luto ainda era representado pela vestimenta preta (2), pelas visitas e mensagens de condolencias de parentes e amigos e pelas intervencoes na vida social, como o resguardo dentro de casa. Entretanto, em grande parte das cidades brasileiras, as transformacoes das praticas do luto foram se intensificando no decorrer do seculo passado. Entre as decadas de 1960 e 1970, o luto gradualmente foi deixando de lado seu carater publico e interativo, e a vestimenta preta "como sinonimo de dor cai em desuso", conforme destaca a sociologa Marisete Horochovski (2009: 12). E no seculo XXI, a individualizacao da dor da perda pela morte faz parte da vivencia de muitas pessoas e o luto tornou-se para muitos individuos um problema, quando nao uma doenca.

Alem disso, durante o seculo XX e a primeira decada do XXI, o tempo de duracao do luto diminuiu, de forma que as marcas publicas anteriormente tao comuns como as faixas pretas colocadas em frente as casas e comercios, que indicavam que se estava de luto, apagaram-se. A ausencia de alguns rituais de morte, como a nao realizacao de um velorio ou sepultamento, acabam deixando muitos familiares e amigos do falecido "sem meios de expressar o luto e o pesar, tao necessario nessas circunstancias" (Oliveira, 2001: 25). Assim, o sofrimento e a dor da perda podem estar presentes na vida do enlutado durante meses, anos e decadas, mas isso nao deve ser demonstrado fora do ambito individual. Alguns enlutados acabam inclusive preservando a memoria da pessoa morta por meio de seus objetos pessoais, como as roupas, sendo, as vezes, mantido intacto o quarto do falecido, como se este fosse retornar algum dia. E para tais individuos, o processo do luto pode ocasionar tambem os bloqueios de memoria, como esquecimentos de experiencias vivenciadas junto ao ente, antes deste falecer, em especial os fatos que ocorreram proximos a data da morte, alem dos casos de enlutados que nao recordam do velorio ou enterro, mesmo tendo comparecido e participado destes rituais.

Enfim, as praticas de luto, tao presentes no decorrer da historia, como os choros constantes, o resguardo dentro de casa e a vestimenta preta, transformaramse, no decorrer do seculo passado em um tabu, quando nao em uma indiferenca. Como bem resume Aries: "Hoje, a necessidade milenar do luto, mais ou menos espontaneo ou imposto segundo as epocas, sucedeu, em meados do seculo XX, na sua interdicao" (2003: 250).

"Enxugando Lagrimas": o papel das mulheres nos rituais funebres

No decorrer da historia, as mulheres tiveram variados papeis nos rituais de morte. Durante o medievo, ja era encontrado, por exemplo, o trabalho feito pelas carpideiras, as mulheres que eram pagas para chorar e demonstrar a dor da perda durante o funeral, atraves de choros, gritos e lamentacoes (Aries, 2003: 128). Em muitos paises, as carpideiras tomaram inclusive o espaco anteriormente ocupado pela familia e amigos do morto durante os rituais de morte, como nos momentos do velorio e enterro, perdendo-se com isso a autenticidade e espontaneidade. E nos dias de hoje, as carpideiras ainda sao bastante encontradas no Oriente Medio, ja que, atraves delas, aumenta-se "a intensidade dos lamentos e as dimensoes da tristeza socialmente obrigatoria: elas se arrancam os cabelos, espalham cinzas, rasgam suas roupas, laceram a si mesmas com as unhas, num ritual que talvez provoque mais emocao do que exprima", como ressalta Jose Rodrigues (2006: 41).

Em diversos rituais funebres as mulheres se tornaram fundamentais, como durante os seculos XIX e XX, nos velorios realizados nas cidades brasileiras do interior. No decorrer do seculo XX, na cidade de Urussanga, localizada no interior do estado de Santa Catarina, as mulheres tinham diversas funcoes pre-determinadas durante o velorio. Tal ritual, que costumava ocorrer no interior da casa do falecido durante 24 horas, era um momento de oracoes, alimentacao e encontro dos parentes e amigos distantes. As mulheres, como filhas, irmas, esposa ou mae do falecido, e tambem as amigas e vizinhas, alem de ajudarem nas oracoes, como no terco, preparavam a alimentacao, visto que, durante o velorio, costumava-se servir cafes, almoco e jantar. Assim, circulavam entre a cozinha e o comodo da casa onde acontecia o velorio (Tomasi, 2010: 63-64).

Na cidade de Urussanga, alem de auxiliarem nas oracoes do terco e na cozinha, preparando as refeicoes, as mulheres ficavam no comodo onde ocorria o velorio, produzindo coroa de flores artificiais, feitas de papel crepon, muitas delas coloridas e com coracoes junto da coroa. Essas coroas de flores artificiais, tambem conhecidas como guirlandas, eram levadas no caixao durante o cortejo e posteriormente colocadas na sepultura do falecido.

Outra particularidade presente na contemporaneidade e que as praticas do luto sao atualmente mais expressadas entre as mulheres do que entre os homens, conforme assinalado pelo psiquiatra ingles Colin Parkes (1998). Entre as mulheres que passam pela morte de um parente, as esposas que perdem seus maridos e as maes que passam pela morte de um filho sao as mais propicias ao luto individualizado e traumatico. Essas permanecem mais tempo para esquecer o trauma da morte, em especial quando o falecimento acontece repentinamente, sem os "avisos" habituais, como uma doenca grave ou a idade avancada.

Um indicativo desse luto traumatico entre as maes que passam pela morte de seus filhos e o grupo de Florianopolis "Enxugando Lagrimas", que e formado por 10 maes que se encontram uma vez por semana, desde o ano de 2009. No grupo estao presentes mulheres que buscam encontrar apoio para diminuir o sofrimento causado pela morte de seus filhos, em especial jovens que morreram tragicamente, como em acidentes de carro e moto.

Conforme reportagem do jornal Diario Catarinense, "O Maes Enxugando Lagrimas existe ha mais de dois anos, em Florianopolis, e hoje tem a participacao de 10 maes. Elas se encontram pelo menos uma vez por semana. E um grupo que busca ajudar, dar apoio e confortar maes que perderam os filhos." (Lourenco, 2012). Segundo a mesma reportagem do jornal, entre as maes enlutadas que fazem parte do grupo esta Arlete Sparano, que perdeu o filho em um acidente de moto. Ela descreve a dificuldade em lidar com a morte do filho, relatando que os encontros do grupo sao bastante importantes, ja que, as vezes nem mesmo a familia quer ouvir falar sobre a perda do filho. Assim, os encontros caracterizam-se como um espaco de trocas de experiencia e ajuda entre as maes enlutadas.

Nos cemiterios brasileiros, em especial no dia de finados, observa-se um numero bastante grande de mulheres que visitam a sepultura dos entes falecidos, muitas delas levando os ritos, como as flores artificiais e naturais. Em outros espacos, como nos ambientes virtuais, em especial na rede social do Orkut, tambem sao encontrados casos de mulheres, como maes, irmas, esposas e filhas enlutadas que expressam o pesar pela morte dos entes atraves das mensagens, como sera exposto a seguir.

Com mensagens de saudade e despedida: as mulheres enlutadas nas paginas da rede social do Orkut

A rede de sociabilidade do Orkut foi criado em 24 de janeiro de 2004 por um ex-aluno da Universidade de Stanford, o engenheiro turco Orkut Buyukokkten, e posteriormente lancado pelo Google (Barbosa, 2009b: 1). A rede social abrange perfis pessoais e comunidades. No primeiro, acessado atraves de email e senha, e possivel criar perfil com dados pessoais, preferencias do usuario, adicionar fotos e videos, procurar e selecionar amigos, visualizar perfis de outros usuarios, enviar recados, entre outras opcoes. As comunidades tem a finalidade de discutir sobre determinados temas afins, podendo ser abertas ao publico ou acessadas apenas pelos participantes. Nelas sao encontradas informacoes gerais sobre a comunidade, como apresentacao, data de criacao, quantidade de membros, alem de possuir foruns de discussoes.

No Brasil, o acesso dos usuarios a rede social do Orkut foi intenso nos ultimos anos. Uma pesquisa realizada no ano de 2009, sobre o uso das tecnologias da informacao e da comunicacao no territorio nacional, assinalou que o pais liderava o numero de internautas utilizando sites de relacionamento no mundo, sendo o Orkut, o mais utilizado (Barbosa, 2009a: 249). A pesquisa, que teve como base 9.747 entrevistados brasileiros que utilizaram a Internet em tres meses do ano de 2009, apontou que a maior porcentagem dos usuarios desses sites encontravase na area rural, na regiao nordeste do Brasil, e possuia o nivel fundamental de instrucao. Quanto ao sexo e a faixa etaria, os dados informaram que as mulheres eram as que mais utilizavam os sites de relacionamento, sendo as idades de 16 aos 24 anos as mais encontradas. As maiores porcentagens de internautas eram de brasileiros desempregados, que pertenciam as classes sociais D e E.

Percebe-se, atraves dos dados, que a internet, na figura da rede social do Orkut, faz parte do cotidiano de muitos brasileiros, possibilitando novas relacoes sociais e assumindo "papeis diversificados, conforme o contexto de seus usuarios" (Peruzzo et al., 2007: 456). Nessa rede social sao vivenciadas variadas experiencias, como reencontros com amigos e parentes distantes ha anos, namoros virtuais (3) ou novas amizades. Alem da vida, a morte tambem esta presente no Orkut: perfis pessoais de falecidos que permanecem on-line na rede ou comunidades criadas para homenagear um morto, sao experiencias encontradas.

Usuarios falecidos continuam "vivos" em seus perfis pessoais e sao cada vez mais numerosos, somando, no ano de 2008, perto de um milhao (4), conforme contabiliza a jornalista Talita Sales (2008). Apos a morte, muitos familiares e amigos do falecido decidem pela exclusao do seu perfil (5), mas outros permanecem on-line. Muitas destas paginas pessoais continuam intactas durante anos, sem alteracoes nos perfis, com fotos do falecido, lembrete de aniversario de nascimento e os recados deixados antes e apos a morte, como se o falecido ainda sobrevivesse (6). No entanto, como bem sintetiza Albuquerque (2007: 7), aquela pessoa "nao existe mais, seus amigos nao podem mais contar com ela; seus planos perderam, de subito, todo o sentido. Os mortos orkutianos permanecem congelados em um eterno presente desprovidos de futuro".

Porem, muitas pessoas que possuem acesso a senha do falecido, principalmente parentes do morto, atualizam o perfil, comunicando o falecimento, como uma filha, que informa sobre a morte do seu pai: "Desculpem sou a filha do [...] (7), e venho dar uma ma noticia ... como todos sabem meu pai estava muito doente mas infelizmente ele veio a falecer no domingo com parada respiratoria e infarto. venhos a vcs com muita tristeza dar essa noticia. ..." (8) (Sic). A data e o horario do sepultamento tambem sao comunicados aos visitantes do perfil na pagina pessoal do morto: "Sou o Tio da [...].. comunico que ela encontra-se na morada do ceu, nesse dia 23/08 ela partiu desse mundo. Enterro sera amanha 24/08-9h" (9) (Sic). Alem dos casos expostos acima, parte dos perfis com informativos da morte referem-se apenas ao motivo e/ou data do falecimento: "Nascido em 03/10/1964. Falecido em 10/08/2007. [...] Eternamente off-line (10)" (Sic). Nessas atualizacoes do perfil do morto, com informes sobre o falecimento, as praticas do luto, como palavras que expressam tristeza sao pouco encontradas.

Em outros espacos nos perfis pessoais do morto as expressoes de luto entre as mulheres sao bastante presente, como se percebe atraves das paginas de recados. Muitos mortos continuam recebendo mensagens de amigos, familiares e ate de desconhecidos durante algum tempo apos o falecimento (11). Nos primeiros meses apos a morte, os recados sao assiduos e expressam sentimentos de dor. Em alguns perfis, os recados informam o dia, horario e local das missas em intencao ao morto, como de setimo dia ou meses e anos da data de morte. Em outros casos, os visitantes, em especial as maes e esposas enlutadas, comunicam quase que mensalmente sobre as novidades ocorridas em sua vida, como oportunidades de emprego, sucesso profissional, vitoria do time que o falecido torcia, e especialmente, a dor causada pela morte, que as acompanha no dia a dia.

Mas, as mensagens mais comumente encontradas nas paginas de recados dos perfis pessoais dos mortos sao as enviadas em datas especiais, como aniversario de nascimento, meses e anos do dia de falecimento, dia de finados, alem das datas comemorativas, como natal, dia das criancas e das maes. Nesses recados aos mortos, as palavras dos enlutados costumam ser comoventes e emocionadas, como nos exemplos a seguir:

So para te contar ... ontem, fiz um bolo pra vc e cantei parabens la na casa de santa cruz com as criancas da casa, foi muito bom, contei de vc pra elas ... Afinal de contas o ceu esta em festa ne?? sei q vc vive m outro lugar!!! te amo muitas saudades (20 de setembro de 2006) (12).

Infelizmente mais um natal sem voce, mas o que me conforta e saber que estais ao lado de Deus e que estais bem. S A U D A D E S ... (23 de dezembro de 2008) (13). Meu Anjo ... dois meses sem te ver sem te ouvir sem essa sua alegria como vc faz falta aki q saudade de vc ... (14 de maio de 2010) (14).

Hoje o ceu esta em festa, e seu aniversario!Hoje foi um dia duro, todos lembraram de voce e tristemente nao cantamos o "parabens pra voce" Mas sei que onde voce esteja, esta melhor porque esta proxima a Deus!!!Restaram saudades e lembracas!!!!Bjs ... (17 de agosto de 2010) (15) (Sic).

Encontram-se tambem na rede social do Orkut, diversos perfis pessoais de falecidos que sao atualizados mensalmente por meio de recados deixados por esposas enlutadas, como observado na mensagem a seguir, de uma mulher que compartilha o seu pesar pela morte do marido:

Ele se foi pra junto de DEUS, e do nosso mestre JESUS ... AMOR TE AMO PRA SEMPRE ... QUE SAUDADESSSSSS. ... Fiquei 23 anos da minha vida com vc, hj nao sem mais viver sinto sua falta em tudo que faco pois sempre estavamos juntosss, me de forcas pra viver sem vc ... eu sempre vou te amar em cada despedida EU VOU TE AMAR. ... Falecido em 12 de Setembro de 2009, no dia que fariamos 23 anos de casado ... (16) (Sic).

Em alguns casos, as esposas enlutadas descrevem tambem em seus proprios perfis pessoais a saudade do marido falecido, como o perfil exposto abaixo, de uma mulher que apresenta em algumas frases a saudade e dificuldade em lidar com a perda do seu marido, que faleceu ha um mes. Descreve que esta mensagem deixada no perfil e um meio de desabafar e uma forma de poder compartilhar a aflicao e o sofrimento com seus novos amigos:

EU SOU UMA PESSOA MUITO TRISTE PORQUE TINHA UM GRANDE AMOR DA MINHA VIDA QUE DEUS LEVOU QUE ERA MEU ESPOSO SO FAZ UM MES COMO DOI .DIGO A DEUS QUE DOR E ESSA .MAIS SO DEUS SABE. ... COMO ESTOU VIVENDO SEM ELE. DIGO DEUS ME MANDA O CONSOLADOR PARA EU CONTINUAR A VIVER DESCULPE MAIS ISSO E DESABAFO PARA MEUS NOVOS AMIGOS E IRMAO EM CRISTO AMIGOS VERDADEIROS NAO TEM PRECO SO QUEM PASSOU PELO QUE ESTOU PASSANDO SABE DOQUE ESTOU FALANDO E PODE ME RESPEITAR POIS DIGO ASSIM QUE DOR E ESSA DEUS MEU SO DEUS PARA CONSOLAR SEI QUE ELE FOI PARA GLORIA MAIS SUA FALT E MUITO GRANDE E SO QUEM PASSOU PODE RESPEITAR (17) (Sic).

Mensagens deixadas pelas maes nas paginas dos perfis pessoais dos(as) filhos(as) falecidos(as) tambem sao encontradas, de modo que costumam destacar a dificuldade em lidar com a distancia e a perda, mesmo apos alguns anos ou decadas da morte, conforme a mensagem de uma mae apresentada a seguir, que enfatiza a dor diaria causada pelo falecimento de sua filha: "Minha princesa, os anos passam e a saudade de vc so aumenta. Vc esta presente em todos os meus dias. [...] sentimos mto sua falta, te amarelos eternamente ..." (18) (Sic).

Algumas maes enlutadas pela morte de um(a) filho(a) tambem demonstram nas atualizacoes de seus proprios perfis pessoais a saudade do distanciamento, como no exemplo abaixo, de uma mulher enlutada pela morte de sua filha e que envia um feliz dia das maes: "desejo a todas as maes ... parabens pelo seu dia. Ate mesmos para as maes que assim como eu ja perderam um filho(a)amado(a) ... hj Sao anjos ..." (19) (Sic).

Em alguns perfis de criancas e adolescentes falecidos, pais e maes descrevem a comocao e as dificuldades vivenciadas apos a morte, alem de outros que agradecem o apoio e as mensagens de pesames deixadas por parentes e amigos nas paginas de recados, como no perfil abaixo, de dois irmaos que falecerem, uma menina de 12 anos e um menino de 8 anos. Nesse perfil pessoal, os pais enviam mensagens aos filhos falecidos, alem de descreveram a dor da perda:

Alem das paginas de perfis pessoais dos falecidos e enlutados, comunidades relacionadas aos mortos tambem sao encontradas na rede social do Orkut. Criadas para homenagear mortos, protestar contra mortes tragicas, divulgar perfis de falecidos ou simplesmente debater a tematica da morte atraves de foruns de discussoes. Essas comunidades englobam desde enlutados pela perda de um ente ate "cacadores" de perfis de pessoas mortas.

As comunidades com o proposito de homenagear podem ser criadas em intencao de diversos falecidos, como as mortes tragicas, exemplificada pela comunidade "Voo AF 447--Luto" (20), em intencao as 228 vitimas do desastre aereo do dia 01 de junho de 2009-voo Rio de Janeiro--Paris. Mas parte expressiva dessas "comunidades homenagens" e criada para uma determinada pessoa, seja idolo, familiar ou amigo, possuindo, quase sempre, informacoes sobre a vida do falecido, alem das mensagens de dor e saudade nos foruns de discussoes.

Nessas comunidades em homenagem ao falecido, tambem sao encontrados topicos com mensagens deixadas pelas mulheres, como irmas, filhas, maes e esposas enlutadas. Estas demonstram sua dor intensa e continua, conforme exposto no exemplo a seguir, na do filho, descreve em algumas frases seu sofrimento, dando a sua dor diversos adjetivos como infinita, interminavel, dolorida, insuportavel e eterna:

[FIGURE 1 OMITTED]

Meu filho, meu amor, uma das minhas vidas...Meu filho, sao nove anos sem a sua presenca fisica nas nossas vidas...como queria que estivesse aqui vivenciando tudo, a programacao do casamento dos seus irmaos, [...] toda a familia com as suas mudancas, os nascimentos acontecendo. [...] Mas filho, sinto muito a sua falta, a vontade de te abracar, de sentir o aperto do teu abraco ... e uma dor infinita, interminavel, constante ... sei que muitas vezes preocupo as pessoas que estao a minha volta, mas sei que elas tentam entender a minha dor ... que e dolorida, insuportavel, eterna, pra sempre...amo vc com todo o meu ser ... receba o meu carinho, o meu beijo de coracao, o meu abraco apertado, e saiba que um dia estaremos todos juntos num so lugar, fechando o nosso ciclo de amor, de familia, de uniao, de paz, de luz ... te amo eternamente...receba o meu colo, o meu amor ... beijos da mae da Terra que muito te ama ... [...]" (08/08/09) (21) (Sic).

Outro caso de mae enlutada e encontrado na comunidade "Saudades do [...]", criada no ano de 2005, em homenagem a um homem que faleceu ainda jovem. Com uma mensagem bastante comovente, com o titulo "Te amo filhao--sempre e muito eternamente", a mae relata que mesmo depois de quatro anos e dez meses da morte do filho, a dor ainda e cotidiana e bastante intensa:

Ele veio porque tinha uma missao, a missao de amar e ensinar a amar. Foi um raio de luz, uma mensagem de Deus. Veio e foi ...

Mas sua passagem tao breve deixou tanto BEM, tanto AMOR que hoje so podemos agradecer a Deus por nos ter dado este presente ... a vida dele vivida conosco, tao intensamente vivida.

[...] 4 anos e 10 meses sem a sua alegria, saudades de sua mamae. (03/07/2010) (22) (Sic).

Nessa mesma comunidade, no ano de 2006, a irma do falecido evidencia atraves de algumas postagens no forum de discussao a saudade do irmao. Tambem agradece o apoio dos amigos e familiares nesse momento dificil, alem de divulgar a data e horario da missa em intencao ao ente morto: "Um ano ... Faz um ano que o nosso irmao foi embora ... Quantas saudades ... A missa em sua intencao sera realizada no dia 03/09/2006, as 19 horas na Igreja Sao Jose, na [...] (23)" (Sic) e "Ele sempre estara vivo em nossos coracoes e em nossas lembrancaslE muito bom ver o quanto ele e querido. Muito obrigada a todos os amigos que estiveram presente hoje na missa. Voces sao pessoas maravilhosas. Ajudam a suportar a dor de nao te-lo aqui fisicamente" (Sic).

Algumas comunidades tambem sao criadas por pais e maes enlutados, como na comunidade a seguir, feita em homenagem a um homem que morreu no ano de 2004 em um acidente de moto. Na mensagem deixada no ano de 2007, os pais mencionam a dor causada pela morte, alem de descreverem seu filho como carinhoso e inteligente, conforme exposto abaixo:

Esta comunidade e para homenagiar o meu filho [...] que partiu no dia 05/05/04 em um acidente de moto na AV.Brasil indo para o trabalho. Ele era um rapaz alegre, inteligente, um filho muito carinhoso, e que gostava muito de curti a vida, mais foi chamado cedo para o andar de cima, e eu tenho certeza que ele esta junto de Deus. Mae te ama muito. sinto sua falta. filho, eu tenho tanto pra lhe falar, mas com palavras nao sei dizer, Como e grande o meu amor por voce E nao ha nada pra comparar, para poder te explicar, Como e grande o meu amor por voce Nem mesmo o ceu, nem as estrelas, nem mesmo o mar, e o infinito, Nao e maior que o meu amor nem mais bonito Me desespero a procurar, alguma forma de lhe falar, Como e grande o meu amor por voce Nunca se esqueca, nem um segundo, que eu tenho o amor maior do mundo Como e grande o meu amor por voce Ah, como e grande o meu amor por voce filho querido (24) (Sic).

Outras comunidades como "meu filho morreu, saudades", "Quero meu filho que morreu", "Meu filho faleceu de cancer", "MEU FILHO MORREU BEBEZINHO" e "Meu filho morreujovem" tambem sao criadas para homenagear as filhas e os filhos falecidos. Entre essas comunidades esta a "meu filho faleceu", criada no dia 25 de agosto de 2008, e que e apresentada como sendo "feita para quem ja perdeu alguem muito especiaL.seu filhc.uma dor inesplicavel ... e vc tbm ja perdeu um filho entre nessa comunidade." (25) (Sic). Nessa comunidade, uma das maes participantes utiliza o forum de discussao para narrar sua dor pela morte do filho primogenito. Atraves de um uma postagem bastante comovente, a mae descreve como foi a morte do seu filho, ainda bebe, e as dificuldades em lidar com seu funeral, sepultamento, exumacao, visitas ao cemiterio e com as praticas de luto nos anos posteriores a sua morte, conforme apresentado na mensagem a seguir:

Ja faz 3 anos e 7 meses que perdi meu filho mas e como se fosse hoje. Era meu primeiro filho, nasceu prematuro mais ainda tinhamos esperanca na sua recuperacao, passei por 7 dias de agonia, vendo o seu sofrimento sem poder fazer nada alem de rezar e pedir a Deus que o salvasse, dentro de uma UTI NEO NATAL vendo outras criancas se recuperando enquanto meu amado filho estava me deixando. Ele passou por uma cirurgia com 2 dias de vida e no 6 dia quando parecia esta se recuperando ele na verdade estava se despedindo de mim, nao tive a chance e pegar meu filho com vida nos bracos, infelizmente so pude telo em meus bracos ja falecido, eu o vesti, levei seu caixao em meus bracos ate o cemiterio e so sai de seu lado depois de sepultado e por muito tempo fiquei a ir visita-lo neste triste local, como se isso o trouxesse de volta pra mim. Nao existe dor maior no mundo que a dor de perder um filho, principalmente quando este filho foi planejado e desejado por todos como foi o meu amado filho. Apos completar um ano e um dia do seu falecimento nascia meu segundo filho e com ele nasci de novo pois parte de mim estava morta junto ao meu primogenito, aos poucos fui parando de visitar seu tumulo e ao completar exatos 3 anos tive a dificil tarefa de exuma-lo, mais o fiz como se fosse meu ultimo dever a cumprir com meu filho, foi tao triste quanto enterralo. Sou espirita e tenho muita fe em Deus e hoje alem de ter meu segundo filho que me trouxe a vida de novo, sei que onde estiver meu amado [...] esta bem, ele esta em paz e isso me conforta, apesar de desejar que tudo fosse diferente, que eu estivesse com meus dois filhos, sei que ele esta bem. Devemos sempre ter forcas, acreditar em Deus e nunca, jamais perder a esperanca de realizar um sonho, eu acreditei no meu e Deus me deu dois quando eu so pedia um, eu fui presenteada duas vezes e hoje sei que ele vai me dar mais um, eu acredito, tenho fe e vou completar minha familia e ser muito feliz ao lado deles, pois aonde estiver meu guerreiro sei que ele esta feliz por nos. (26/01/2011) (26) (Sic).

[FIGURE 2 OMITTED]

Algumas dessas comunidades em homenagens a um falecido tambem apresentam carater de protesto, como de uma mulher de 19 anos que foi assassinada no ano de 2002, colocada dentro de um saco de lixo e jogada em um mangue. A comunidade informa o local, a data e o horario do julgamento do unico suspeito de te-la matado (27). Alguns crimes que tiveram repercussao nacional, como o caso da menina Isabella Oliveira Nardoni, morta no ano de 2008, acabam promovendo a criacao de mais de duzentas comunidades protestando e homenageando como "Justica Para Isabella Nardoni" (28) ou "LUTO Isabella Oliveira Nardoni" (29).

Consideracoes finais

Em sintese, observou-se com esta breve exposicao das praticas do luto na rede social do Orkut, que muitas mulheres enlutadas veem o perfil pessoal do falecido e as comunidades como espacos para demonstrar a dor causada pela perda. No entanto, como explicar que em tempos de morte silenciada e interdita, em que as praticas do luto sao bastante introspectivas e individualizadas, o Orkut, uma rede social de comunicacao e relacionamento, tornou-se um ambiente para expressar o pesar, as angustias e o sofrimento de mulheres enlutadas? Sera que fatores como a falta de tempo e o intenso ritmo de vida da sociedade no seculo XXI e que impedem um enlutado de ir ao velorio ou cemiterio? Ou falar da morte com familiares e amigos virtualmente e menos doloroso, visto que nao se tem um contato direto, "no qual sentimentos podem emergir sem controle e nao se saber como lidar" (Peruzzo et al., 2007: 454), sao estimuladores para demonstrar a dor da perda em ambientes virtuais?

No momento, uma das unicas constatacoes que ficam evidentes e que o Orkut tornou-se um meio das mulheres enlutadas, como maes, filhas, e esposas, compartilharem e expressarem sua perda, sendo que para muitas, as fotografias ou mensagens deixadas pelo morto, ainda em vida, podem ajuda-las a enfrentar o sofrimento, mas para outras enlutadas, podem ocasionar uma tristeza ainda maior. Como esclarece Regina Szylit Bousso,

lider do Nucleo Interdisciplinar de Pesquisa em Perdas e Luto da USP, "Alguns de nos irao guardar fotos na carteira para lembrar da pessoa que se foi. Outros preferem se desfazer dos pertences e ir uma vez por ano no cemiterio. O importante e achar um lugar nas nossas vidas para aquela pessoa que se foi" (Ikeda, 2010).

Enfim, pode-se notar que muitas mulheres enlutadas veem no Orkut, um espaco para praticar os rituais post-mortem, como o luto nos recados de pesar, podendo com isso, recordar e preservar a memoria do falecido. Assim, as mensagens virtuais deixadas por maes, esposas, filhas ou irmas nas paginas da rede social do Orkut, acabam em muitos casos, sintetizando a constante dor da perda em apenas algumas palavras ao ente querido.

Referencias

ALBUQUERQUE, Afonso de. (2007). "Viver e morrer no Orkut: os paradoxos da rematerializacao do ciberespaco". Intexto, 2, 17: 1-17, jul-dez. Disponivel em: <http://seer.ufrgs.br/index.php/intexto/article/ viewFile/4229/4136>. Acesso em: 30 mar. 2012.

ARIES, Philippe. (2003). Historia da morte no Ocidente. Rio de Janeiro: Ediouro.

BARBOSA, Alexandre (2009a). Pesquisa sobre o Uso das Tecnologias da Informacao e da Comunicacao no Brasil: TIC Domicilios e TIC Empresas 2009. Sao Paulo: Comite Gestor da Internet no Brasil, Disponivel em: <http://op.ceptro.br/cgi-bin/indicadores-cgibr2009?pais=brasil&estado=sc&academia=academia& age=de-16-a-24-anos&education=superior&purpose =pesquisa-academica>. Acesso em: 29 mar. 2012.

BARBOSA, Aline da Silva Neto. (2009b). "Orkut: o espaco que possibilita a Visibilidade e a Imortalidade". In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIENCIAS DA COMUNICACAO, 32, Curitiba. Anais eletronicos ... Curitiba. Disponivel em: <http://www.intercom.org. br/premios/2009/AlineBarbosa.pdf>. Acesso em: 29 mar. 2012.

HOROCHOVSKI, Marisete Teresinha Hoffmann. (2009). "No tempo do "Guardamento": Rituais de morte narrados por velhos". In: SBS--CONGRESSO

BRASILEIRO DE SOCIOLOGIA, 14, Rio de Janeiro. Anais Eletronicos ... Rio de Janeiro: UFRJ. Disponivel em: <http://starline.dnsalias.com:8080/sbs/ arquivos/15_6_2009_11_51_3.%20Hoffmann%20 Horochovski.pdf>. Acesso em: 19 mar. 2012.

IKEDA, Ana. (2010). "Internet pode ajudar no processo de luto, diz especialista". UOL Tecnologia, 26 mar. Disponivel em: <http://tecnologia.uol.com.br/ultimas-noticias/redacao/2010/03/26/ internet-pode-ajudar-no--processo-de-luto-diz-especialista.jhtm>. Acesso em: 10 mar. 2012.

LORENCO, Julia Antunes. (2012). "Maes que perderam filhos organizam a vindade tres mediuns a Florianopolis". Diario Catarinense, 01 maio. 2012. Disponivel em: <http://diariocatarinense.clicrbs.com.br/sc/geral/ noticia/2012/05/maes-que-perderam-filhos-organizama-vinda-de-tres-mediuns-a-florianopolis-3744796. html>. Acesso em 02 maio. 2012.

Luto na internet: web tornou-se ambiente para discutir a morte. Diario Catarinense, Santa Catarina, 22 ago. 2010. Disponivel em: <http://diariocatarinense.clicrbs.com. br/sc/noticia/2010/08/luto-na-internet-web-tornou-se-ambiente-para-discutir-a-morte-3012503.html>. Acesso em: 10 dez. 2011.

OLIVEIRA, Tereza Marques de. (2001). O psicanalista diante da morte: intervencao psicoterapeutica na preparacao para a morte e elaboracao do luto. Sao Paulo: Editora Mackenzie.

PARKES, Colin Murray. (1998). Luto: estudos sobre a perda na vida adulta. Sao Paulo: Summus.

PERUZZO, Alice Schwanke et al. (2007), "A expressao e a elaboracao do luto por adolescentes e adultos jovens atraves da internet". Estudos e Pesquisas em Psicologia, 7, 3: p. 449-461, dez. Disponivel em: <www.revispsi.uerj.br/v7n3/artigos/ pdf/v7n3a08.pdf>. Acesso em: 29 abr. 2012

REZENDE, Eduardo Coelho Morgado. (2007). Cemiterios. Sao Paulo: Editora Necropolis.

RODRIGUES, Jose Carlos. (2006). Tabu da Morte. 2 edicao. Rio de Janeiro: FIOCRUZ.

SALES, Talita. (2008). "ORKUT: Ha Vida apos a morte". Matina, 1 dez. Disponivel em: <http:// matinauniao.blogspot.com/2008/12/orkut-h-vidaaps-morte.html>. Acesso em: 15 mar. 2012.

SILVA, Vergas Vitoria Andrade da & TAKEUTI, Norma Missae. (2010). "Formas de experimentar o amor romantico num namoro virtual". RBSE Revista Brasileira de Sociologia da Emocao, 9, 26: 398-455, Agosto.

TOMASI, Julia Massucheti. (2010). Morte a italiana: os ritos funerarios no municipio de Urussanga (SC) no decorrer do seculo XX. 120 p. Monografia (Graduacao em Historia)--Universidade do Estado de Santa Catarina, Florianopolis.

Julia M. Tomasi

Mestranda no Programa de Pos-Graduacao em Historia da Universidade do Estado de Santa Catarina (PPG-HUDESC)

(2011). email: juliamtomasi@hotmail.com

(1) O dia de finados (02 de novembro), que caracteriza-se pela visitacao aos cemiterios, e um rito funebre que teve inicio apenas no seculo XIX, sendo bastante comemorado no Ocidente Catolico. Essa data, no entanto, foi derivada de um evento que ja acontecia no seculo XV, conhecido como dia de todos os mortos, que eram oracoes realizadas para as almas do purgatorio (Rezende, 2007: 16).

(2) As vezes a cor preta nao estava em toda a vestimenta, mas ao menos em alguma peca ou fita preta presa na roupa ou no chapeu.

(3) Para saber mais sobre os namoros virtuais ver Silva & Takeuti (2010).

(4) Em agosto do mesmo ano os usuarios do Orkut no Brasil chegavam a 40 milhoes.

(5) Para a exclusao de um perfil pessoal de falecido, o Orkut exige "o envio de um formulario online, disponivel na pagina do Orkut, no qual conste o verdadeiro nome do falecido, o link do perfil e o atestado de obito digitalizado. Apos tres dias uteis a empresa entra em contato." (Diario catarinense, 2010: 10).

(6) Muitos familiares e amigos nao possuem acesso a senha do usuario falecido, o que motiva a inalterabilidade dos dados do perfil pessoal.

(7) Os nomes das pessoas foram retirados para preservar a identidade.

(8) Fragmento extraido do perfil pessoal do falecido. Disponivel em <http://www.orkut.com.br/Main#Profile?u id=8150338412269499492>. Acesso em: 22 mar. 2012.

(9) Fragmento extraido do perfil pessoal do falecido. Disponivel em: <http://www.orkut.com.br/ Main#FullProfile?rl=pcb&uid=5818123586053091167>. Acesso em: 04 mar. 2012.

(10) Fragmento extraido do perfil pessoal do falecido. Disponivel em <http://www.orkut.com.br/Main#Profile?u id=16364096603236294228>. Acesso em: 11 mar. 2012.

(11) Percebeu-se que as mensagens de saudades sao enviadas principalmente no primeiro ano de falecimento. Apos esse periodo, apenas familiares e amigos proximos que continuam remetendo esses recados.

(12) Recado disponivel em: <http://www.orkut.com.br/Main#Profi le?uid=1658905819520114036>. Acesso em: 20 mar. 2012.

(13) Recado disponivel em: <http://www.orkut.com.br/Main#Profi le?uid=13626803598938524930>. Acesso em: 20 mar. 2012.

(14) Recado disponivel em: <http://www.orkut.com.br/Main#Profi le?uid=6282299063552209094>. Acesso em: 12 mar. 2012.

(15) Recado disponivel em: <http://www.orkut.com.br/Main#Profi le?uid=4856316073369943664>. Acesso em: 12 mar. 2012.

(16) Recado disponivel em: <http://www.orkut.com.br/Main#Fu HProfile?rl=pcb&uid=322601191288429913>. Acesso em: 14 mar. 2012.

(17) Recado disponivel em: <http://www.orkut.com.br/Main#Profi le?uid=1387447691099671171>. Acesso em: 05 mar. 2012.

(18) Recado disponivel em: <http://www.orkut.com.br/Main#Scra pbook?uid=5792979113758922518>. Acesso em: 12 mar. 2012.

(19) Atualizacao de perfil disponivel em: <http://www.orkut.com. br/Main#Profile?uid=12190957158312574733>. Acesso em: 09 mar. 2012.

(20) Comunidade disponivel em: <http://www.orkut.com.br/ Main#Community?cmm=90566521>. Acesso em: 07 mar. 2012.

(21) Mensagem disponivel em: <http://www.orkut.com.br/ Main#Community?cmm=700286>. Acesso em: 10 mar. 2012.

(22) Mensagem disponivel em: <http://www.orkut.com/Main#Co mmMsgs?cmm=4763958&tid=5489687989813918179>. Acesso em: 13 mar. 2012.

(23) Mensagem disponivel em: <http://www.orkut.com/Main#Co mmMsgs?cmm=4763958&tid=2483995U7326627297>. Acesso em: 13 mar. 2012.

(24) Mensagem disponivel em: <http://www.orkut.com/Main#Mai n$Community?cmm=27144605&hl=pt-BR>. Acesso em: 13 abr. 2012.

(25) Comunidade disponivel em: <http://www.orkut.com.br/ Main#Community?cmm=66835925>. Acesso em: 13 abr. 2012.

(26) Mensagem disponivel em: <http://www.orkut.com.br/Main #CommMsgs?cmm=66835925&tid=5566439068008600050>. Acesso em: 13 abr. 2012.

(27) Comunidade disponivel em: <http://www.orkut.com.br/ Main#Community.aspx?cmm=1469961>. Acesso em: 14 mar. 2012.

(28) Comunidade disponivel em: <http://www.orkut.com.br/ Main#Community?cmm=48631793>. Acesso em: 08 abr. 2012.

(29) Comunidade disponivel em: <http://www.orkut.com.br/ Main#Community?cmm=48380117>. Acesso em: 08 abr. 2012.
COPYRIGHT 2012 Universidade Federal da Paraiba. Facultad de ciencias sociales y humanidades
No portion of this article can be reproduced without the express written permission from the copyright holder.
Copyright 2012 Gale, Cengage Learning. All rights reserved.

Article Details
Printer friendly Cite/link Email Feedback
Author:Tomasi, Julia M.
Publication:Revista Artemis
Date:Jan 1, 2012
Words:6403
Previous Article:Social care practices, and the state's responsibility/Praticas sociais de cuidado e a responsabilidade do estado.
Next Article:Corporeity: a social-space inclusive view of "Vila dos Teimosos (e das Teimosas)" in Campina Grande-PB/Corporeidade: um olhar socioespacial inclusivo...
Topics:

Terms of use | Privacy policy | Copyright © 2019 Farlex, Inc. | Feedback | For webmasters