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The ontological priority of the unmoved substances according to Aristotle's Metaphysics Lambda/A prioridade ontologica das substancias imoveis segundo o livro Lambda da Metafisica de Aristoteles.

Lambda (3) e a filosofia primeira

Do ponto de vista terminologico, Aristoteles refere-se, ao longo dos livros da Metaph. (4), a filosofia primeira (protes philosofias) (5) como sabedoria (sophia), ciencia/conhecimento (episteme) e teoria (theoria) (6). Contudo, como reconhecem alguns estudiosos (7), o texto nao e claro quanto a natureza desta filosofia primeira. A defesa da necessidade deste tipo de sabedoria pauta-se na apresentacao da especificidade do seu objeto de investigacao e dos fins que a conduzem (8).

Ao longo das primeiras linhas de Gamma 1 1003a20-25, encontra-se a indicacao de haver uma ciencia (9) que teoriza sobre o ente enquanto ente (to on hei on) e suas propriedades. O criterio para distinguir esta sabedoria das demais se baseia no fato de as outras ciencias teorizarem apenas sobre um aspecto do ente e sobre as caracteristicas decorrentes deste aspect (10). Por exemplo, cabe ao filosofo da natureza investigar as substancias naturais, levando em consideracao seus principios imanentes de movimento e repouso (forma e materia). Deste modo, "a fisica compete o estudo dos entes, nao enquanto entes, mas enquanto dotados de movimento" (Kappa 3 1061b6-7). Ja o matematico estuda os objetos matematicos (linha, superficie, numero, reta, etc.), os quais existem nas substancias naturais, abstraindo-os do substrato ao qual estao vinculados (por exemplo, a curvatura do nariz). Diferentemente tanto da fisica quanto da matematica, a filosofia primeira teoriza acerca dos entes, nao enquanto sao entes naturais ou matematicos, mas em vista daquilo que lhes e mais universal (Epsilon 1 1026a23-32), o fato de serem entes (11).

Em Gamma 2 1003a33, encontra-se a famosa afirmacao "o ente se diz de muitos modos" (to de on legetai men pollachos). Como sugere Owen (1986, p.180-9), todos estes sentidos do termo to on, expressos atraves das categorias, sao modos de dizer o ente que pressupoem um sentido primeiro, a dizer, a substancia (12). Esta se refere, de modo mais geral, a cada ente tomado na sua "unidade fundamental" (Schaffer, 2009, p.348) (13). Portanto, de acordo com Schaffer (ibidem, p.351), "a nocao central de substancia e a de uma unidade basica, ultima e fundamental do ente" que nao se aplica apenas as substancias sensiveis (14), mas tambem as substancias imoveis.

Deste modo, como a filosofia primeira investiga o ente, e o seu sentido mais fundamental e substancia (15), a filosofia primeira devera investigar a substancia (suas causas e principios). A autonomia e independencia das substancias sao importantes, pois, caso elas dependessem de outros entes e nao fossem primeiras, a existencia das substancias estaria condicionada a existencia desses outros entes, os quais seriam o que e primeiro e mais fundamental (16).

Dizer que a filosofia primeira estuda o "ente universalmente e enquanto ente" (Bell, 1998, p.66) significa que ela trata das propriedades essenciais e acidentais de todas as "instancias de entes" (idem), as quais pertencem a eles justamente pelo fato de serem entes (17). Quando investigamos o ente enquanto tal, temos em vista os predicados pertencentes a diferentes individuos (homem, cachorro, triangulo isosceles) (18) nao enquanto eles sao parte de um genero (animal, triangulo), mas enquanto substancias ontologicamente autonomas; cada uma a seu modo. O termo to on nao pode ser pensado em sentido univoco, tal como animal e dito, no mesmo sentido, de homem e de cachorro, mas em sentido equivoco (19).

Assim, a sabedoria e descrita (Alpha 1 982a1; 3 983a25) como ciencia (20) de certos principios e causas (tinas archas kai aitias) mais especificamente, das causas primeiras (proten aitian) dos entes. Deste modo, seguindo Schaffer (2009, p.347-8), ela investiga o que e fundamental ou, em outros termos, primeiro. Nao se trata, portanto, de investigar se causas primeiras existem ou nao, mas de identificar quais sao elas.

A primazia da filosofia primeira, frente as outras ciencias, e apresentada (Alfa 2 982a4-b10) em analogia com o sabio (21): sabio e aquele que busca o conhecimento sem ter em vista outro fim que o proprio conhecimento; este que deseja o conhecimento sem ter em vista outro fim deseja o conhecimento ultimo, daquilo que e mais cognoscivel em si; maximamente cognoscivel sao os primeiros principios e causas, a partir dos quais se conhece todas as coisas; logo, o sabio busca o conhecimento dos primeiros principios e causas (22). Por fim, conclui-se que "esta [ciencia] investiga os primeiros principios e causas (23), pois o bem e o fim das coisas e uma causa" (Alpha 2 982b9-10).

Sobre a relacao entre Lambda e os outros livros (24) da Metaph., Burnyeat (2001, p.130 apud Menn, 2011, p.196) apresenta a ligacao entre a investigacao do ambito das substancias sensiveis com o ambito das substancias nao sensiveis (25) a partir da nocao de ato. A transicao das substancias sensiveis, compostas de materia e forma, cuja substancia e identificada com a forma (Zeta), para as substancias nao sensiveis e imoveis passaria pela discussao sobre a potencia e o ato em Eta-Theta.

Como sera explicitado adiante, o discurso acerca daquilo que e ato puro, as substancias imoveis ou "ousiai divinas" (idem), e precedido pela investigacao das substancias detentoras de potencialidade (26) e, consequentemente, pela dependencia entre potencia e ato. Como acrescenta Menn (2011, p.197), a discussao sobre ato-potencia em Theta contribui para a discussao presente em Lambda: 1) ao fornecer os conceitos de ato e potencia (Theta 6) e, mais que isso, 2) ao estabelecer a primazia do ato frente a potencia (Theta 8). Portanto, o argumento presente em Theta 8, segundo o qual "toda potencia pressupoe um ato a ela anterior, permite ao 'filosofo primeiro' argumentar, tal como feito em Lambda 6, em favor de uma causa primeira para o movimento, a qual e ato puro" (idem).

A relacao entre Lambda e o projeto de uma filosofia primeira (27) pode ser tracada a partir da nocao de substancia. Portanto, se a substancia e tema central ao longo dos livros da Metaph., percebe-se, tambem em Lambda, a sua centralidade ("esta teoria (28) e sobre a substancia. Os principios e causas buscados sao referentes a ela") e o cuidado aristotelico com a totalidade dos entes atraves da tentativa de estabelecer os principios e causas dos diferentes tipos de substancias.

O objeto de investigacao de Lambda e a prioridade ontologica dos moventes imoveis

Na tentativa de justificar a importancia do objeto de investigacao de Lambda, Aristoteles apresenta alguns argumentos (29), dentre eles, a explicitacao da primazia da substancia. Esta e afirmada tanto se o universo constitui-se como um todo continuo, "a totalidade de tudo que existe" (Berti, 2016, p.69), ou seja, uma unidade cujas partes mantem-se relacionadas (30), quanto como uma serie hierarquica e nao continua de entes (discreto) (31); pelos exemplos dados em 1069a21 (qualidade, quantidade), os elementos que compoem esta hierarquia parecem referir-se as categorias (32), sendo, a substancia o que e primeiro na medida em que todas as outras categorias sao atributos da substancia (33).

A distincao entre os tipos de substancia (Lambda 1 1069a30-b3) e crucial para compreender, em detalhes, o que investiga este livro. Sao eles a substancia sensivel (aisthete), englobando as substancias corruptiveis e as que realizam um movimento circular eterno, e a substancia imovel (achinetos).

Alguns estudiosos consideram que a substancia imovel denota o primeiro movente imovel. Contudo, a ocorrencia dos termos no singular em referencia ao terceiro tipo de substancia, a substancia imovel, nao indica a existencia de uma unica substancia (34). O singular tambem e utilizado na expressao "substancia sensivel", a qual se subdivide em entes corruptiveis, as plantas e os animais, e entes eternos, os corpos celestes. Alem disso, em Lambda 8, Aristoteles menciona a existencia de 55 ou 47 moventes imoveis (35).

Deste modo, esta primeira classificacao das substancias, ainda que nao forneca muitos detalhes acerca da natureza de cada uma delas, indica os dois grandes objetos de investigacao de Lambda (36): a substancia sensivel (37) e a substancia nao sensivel ou imovel (38). Portanto, se o objeto de investigacao sao as substancias, e as substancias sao sensiveis ou imoveis, o objeto de investigacao de Lambda sao as substancias sensiveis e imoveis. Subjaz a esta primeira exposicao do objeto de investigacao de Lambda (a substancia) e da referencia ao fato de se tratar dos principios e causas da substancia (39), o cuidado aristotelico em demarcar a cientificidade da sua empresa. Como todo conhecimento e conhecimento das causas, se o objeto de investigacao de Lambda sao as substancias, o conhecimento produzido e o conhecimento das causas e principios da substancia. Contudo, poder-se-ia questionar, esta afirmacao e igualmente valida para a substancia sensivel e para a substancia imovel (40)? Ja que nao ha uma causa para acao do movente imovel, nao haveria conhecimento dele?

Os principios e causas sao os mesmos para todas as substancias sensiveis se tomamos principios e causas em sentido analogico (41): podem ser considerados os mesmos porque materia, forma, privacao e as causas do movimento sao comuns a todas as coisas (42). Em outras palavras, todas as substancias sensiveis possuem forma, materia, privacao e causas eficientes para o seu movimento ou mudanca. Contudo, estes principios sao numericamente distintos na medida em que as substancias nao compartilham dos mesmos principios; a forma do pai e numericamente diferente da forma do filho, pois os dois sao "particulares numericamente distintos" (Code, 2000, p.161).

As dificuldades surgem quando nos voltamos para a substancia imovel. Os principios e causas relativos as substancias sensiveis (forma, materia, privacao) nao se aplicam a este tipo de substancia. Assim, como pensar as causas e principios das substancias imoveis? (43) Ou elas devem ser entendidas como principios absolutos?

Aristoteles, em Theta 8, apresenta uma sequencia de raciocinios para demonstrar a primazia do principio ativo e a necessidade de que ele nao seja corruptivel. Dentre eles (Theta 8 1049b10-3), encontra-se a primazia substancial (tei ousiai protera) do ato frente as substancias corruptiveis e as substancias eternas (44). Os exemplos de primazia substancial aplicada ao primeiro tipo de substancia sao: o adulto e anterior a crianca e o homem e anterior ao esperma (45).

No caso das substancias eternas, a primazia substancial esta relacionada a ausencia de corruptibilidade que lhes e propria, a qual e associada a ausencia de potencialidade. Segundo a argumentacao proposta em Theta 8 1050b6-34, entes corruptiveis sao entes que se encontram em potencia, podendo, assim, existir ou nao existir (ja que potencia e potencia de contrarios). Assim, se os entes eternos nao sao corruptiveis, eles nao se encontram em potencia; decorrendo disso o fato de sempre existirem. Logo, eles sao entes eternos e em ato.

A primazia das substancias eternas e em ato e apresentada em Lambda 646 ao serem associadas aos principios: se todos os principios sao corruptiveis, todos os entes tambem sao corruptiveis; as substancias sao principios; logo, se todos os principios sao corruptiveis, todos os entes tambem sao corruptiveis. No entanto, e sabido que existem dois tipos de substancias que nao sao corruptiveis, a eterna e a imovel (47). Logo, nem toda substancia e corruptivel.

Valendo-se da conclusao exposta no raciocinio anterior, ou seja, as substancias eternas e imoveis nao sao corruptiveis, Aristoteles chega a necessidade da substancia imovel a partir do movimento (48). Como ha um movimento circular continuo (Ph. VIII.8) das substancias eternas (49), cada uma delas depende de um principio para o seu movimento que esteja sempre em ato (50). Se nao fosse assim, ou seja, se o principio que e causa do movimento de cada uma das esferas celestes nao estivesse em ato, mas em potencia para mover e "visto que aquilo que esta em potencia para agir pode nao agir" (Lambda 1071b134), nao poderia haver movimento.

Deste modo, e necessario haver um principio (51) cuja essencia e puro ato e que seja principio para o movimento (Lambda 1071b20-23). Segundo Berti (2000, p.182), em Lambda 6, Aristoteles menciona a necessidade de provar a existencia (52) do terceiro tipo de substancia, a substancia imovel: "mais precisamente, o que requer prova nao e apenas a existencia da substancia eterna (o que talvez poderia ser admitido apenas com a observacao dos ceus), mas tambem a existencia de uma substancia imovel" (Berti, 2000, p.182). Neste primeiro momento, e a imobilidade desta substancia que esta em jogo.

Contudo, para defende-la em Lambda 6, Aristoteles se vale das concepcoes de ato e potencia tanto com respeito ao tipo de movimento realizado pelas substancias eternas, o movimento circular eterno (53), quanto com respeito a natureza da substancia imovel (54). A primazia ou prioridade (55) dos moventes imoveis e estabelecida em vista do reconhecimento (Lambda 6) de um grupo de substancias que sao principio para o movimento de outras substancias. Em um primeiro momento do texto (Lambda 6), a prioridade se da em vista da categoria da relacao (causa-causado/ato-potencia (56).

Por um lado, essa prioridade refere-se a to proton panton kinoun panta (57) e, por outro, a cada um dos moventes imoveis na medida em que sao ato puro e principio para o movimento das esferas celestes. Assim, a anterioridade pode ser pensada a partir da relacao entre aquilo que esta em potencia para se mover (58) e o principio em ato que atualiza esta potencia (59).

No entanto, dados os sentidos de prioridade ontological (60) (pelo ser (61); pela substancia (62); pela natureza (63)) apresentados na Metaph., como pensar a prioridade do primeiro movente imovel frente a todos os outros moventes imoveis e a ordenacao deles?

Dentre os tipos de prioridade ontologica mencionados anteriormente, encontram-se duas formulacoes em termos de condicoes de existencia (64). No primeiro caso, o criterio para se dizer que A e anterior a B e: "A pode existir independentemente de B, ou seja, pode existir sem que B exista ao mesmo tempo; B nao pode existir independentemente de A, ao contrario, se B existe, A necessariamente existe ao mesmo tempo" (Witt, 1994, p.216; Angioni, 2010, p.84-5). No segundo caso (Fine, 1984 apud Corkum, 2013, p.12-3), a prioridade ontologica pode ser formulada em termos de uma independencia existencial na medida em que A nao depende de B para existir (65) e, por isto, pode ser tomado como estando separado de B.

Assim, da associacao entre prioridade ontologica e "condicoes de existencia" (Corkum, 2013, p.12) decorrem duas possibilidades. Tal como formulado por Angioni (2010, p.99) (66), A e independente de B se A existe sem que B exista ao mesmo tempo. Assim, a independencia decorre de uma anterioridade no tempo na medida em que podemos imaginar um tempo t1 no qual A exista e B nao, e t2 no qual A e B existam. Chamarei, assim, esta possibilidade de existencia cronologicamente independente. Segundo a formulacao de Fine (1984 apud Corkum, 2013, p.12-3), a enfase encontra-se no fato de A existir separado de B. A nocao de separado nao envolve necessariamente a nocao de tempo ja que podemos imaginar um tempo t1 no qual A e B existam concomitantemente e um tempo t2 no qual ambos continuam existindo (como no caso da relacao entre as substancias eternas).

Aplicando essas duas formulacoes de prioridade ontologica a relacao entre os moventes imoveis e os corpos celestes,

Possibilidade 1--Os moventes imoveis podem existir sem que as substancias eternas (corpos celestes) existam ao mesmo tempo, mas se as substancias eternas (corpos celestes) existem, os moventes imoveis existem ao mesmo tempo.

Possibilidade 2--Os moventes imoveis sao separados das substancias eternas (corpos celestes) se eles podem existir sem que as substancias eternas (corpos celestes) existam.

Se a prioridade quanto a existencia implica na prioridade quanto ao tempo (67) (possibilidade 1), teriamos que os moventes imoveis podem ser temporalmente anteriores aos corpos celestes (68). Contudo, dado que tanto os moventes imoveis quanto as substancias que se movem circularmente sao eternos, ou seja, nao ha um comeco nem um fim para sua existencia, a prioridade temporal nao se aplica (69).

Se a prioridade quanto a existencia implica em existir separadamente (possibilidade 2), pode-se assumir que os moventes imoveis existem separadamente das substancias sensiveis terrestres, das quais eles sao causa remota do movimento (Ph. II.2). Poderiamos dizer o mesmo em vista das substancias sensiveis celestes, das quais eles sao causa proxima do movimento circular eterno?

O problema envolvido, aqui, deve-se ao fato de, em nenhum momento de Lambda, Aristoteles afirmar que os moventes imoveis ou o primeiro movente imovel existem separadamente das esferas celestes por eles movidas (70).

Angioni (2010, p.90-1) sugere outro sentido para o termo separado (71), cujo sinonimo e "acabado", "perfeito" e que nao denota uma "independencia existencial", ou seja, uma condicao de existencia, mas um "todo autonomo, ao qual nada falta para que ele seja o que ele e" (ibidem, p.90); o exemplo dado pelo estudioso consiste na relacao entre as substancias e as categorias (72).

Aplicando esta outra compreensao de prioridade ontologica aos moventes imoveis, estes seriam mais perfeitos na medida em que o ato e mais perfeito que a potencia (73). Neste caso, o criterio nao se poe em termos de independencia ou dependencia quanto a existencia. A forma nao e primeira que a materia por existir sem esta (o que Aristoteles nega), nem o todo e primeiro por existir independentemente das partes (74). Portanto, aqui, a primazia deve ser pensada em termos de perfeicao (ou graus de perfeicao) da substancia.

Se tomarmos separado como perfeito/acabado, a prioridade ontologica dos moventes imoveis nao estaria vinculada a existencia (75), mas a essencia. Peramatzis (2013, p.16) formula a nocao de prioridade nos seguintes termos: A e ontologicamente anterior a B se e somente se A pode ser o que ele e independentemente de B ser o que ele e, enquanto o contrario nao e valido.

Assim, os moventes imoveis sao o que eles sao independentemente de as substancias eternas serem o que elas sao, enquanto as substancias eternas nao podem ser o que elas sao sem que os moventes imoveis sejam o que eles sao. Como faz parte da natureza das substancias eternas se moverem circularmente, elas dependem dos moventes imoveis para que este movimento aconteca.

Conclui-se, portanto, dados os sentidos de prioridade ontologica discutidos: 1) os moventes imoveis sao numericamente distintos dos outros tipos de substancia e 2) sao essencialmente distintos, porque sao mais perfeitos ou acabados. Este segundo sentido nos ajuda a compreender a distincao entre o primeiro movente imovel e os outros moventes imoveis. O criterio de ordenacao proposto por Aristoteles em Lambda 8 pauta-se no grau de perfeicao proprio a cada um deles.

Sobre eles existirem de modo independente, tal condicao pode ser entendida como uma existencia anterior no tempo ou como uma separacao. Nenhum dos dois casos parece se aplicar aos moventes imoveis ja que os moventes imoveis e os corpos celestes sao concomitantes e nao ha nenhuma indicacao textual de que eles existam separados.

DOI: https://doi.org/10.14195/1984 -249X_22_3

NOTAS

(1) Este texto e continuacao de outro artigo, no qual discuti a natureza dos moventes imoveis, tentando explicitar as dificuldades em torno de classifica-los. Cf. Sousa, 2016.

(2) Foi utilizada, aqui, a edicao do livro Lambda realizada por Fazzo (2012).

(3) Tal como mostra Owens (1951, p.94-104) os estudiosos (Jaeger, Von Arnim, Nuyen, Oggioni) divergem consideravelmente acerca do periodo de elaboracao dos livros da Metaph., dentre eles, de Lambda. Segundo Angioni (2005, p.172), algumas caracteristicas de Lambda ("o carater alusivo dos argumentos", "certas imprecisoes conceituais", "certas dificuldades envolvidas nos exemplos") apontam para o "estado incipiente e embrionario das teses de Aristoteles [...] Nessa perspectiva, podemos imaginar que o livro XII da Metaph., em suas passagens mais dificeis e alusivas, teria sido concebido por Aristoteles como uma lista programatica de teses e argumentos que ele ainda teria de desenvolver ou aprimorar, para alcancar sua maturidade filosofica".

(4) Alguns estudiosos (Jaeger (1923), Barnes (1985), Frede (1987)) entendem haver, na Metaph., dois projetos distintos, um chamado de ontologia que investiga o ente em geral e outro chamado de teologia que trata apenas da substancia divina. Cf. Bell, 1998, p.1-2. Baseando-se em algumas passagens da Metaph. (Gamma 1-2 e Epsilon 1), Frede (1987, p.82-5) descreve haver dois projetos diferentes ao longo da obra: uma metafisica geral e uma metafisica especifica. Em Gamma (1-2), Aristoteles apresenta a filosofia primeira como a ciencia do ente enquanto tal, distinguindo-a das outras ciencias que tratam apenas de um aspecto particular do ente, tal como a matematica e a fisica. Em Epsilon 1, a filosofia primeira e relacionada a investigacao de um tipo especifico de ente, o qual e primeiro na ordem dos entes, chamando-a de teologia. Frede (1987, p.84) reconhece que Aristoteles nao ve uma incompatibilidade entre estas duas nocoes de filosofia primeira, discordando da afirmacao de Jaeger de que se trataria de diferentes estagios do pensamento aristotelico. No entanto, Frede (1987, p.84-5) mantem a distincao entre elas na medida em que considera que a metafisica geral envolve uma ontologia mais ampla do que aquela realiza pela teologia ao abarcar certos principios universais como, por exemplo, o principio da nao contradicao. A tendencia contemporanea, como afirma Menn (2011, p.188), e nao assumir tal distincao. Nao assumo, neste artigo, que haja uma distincao entre as abordagens ontologica e teologica da Metaph.

(5) Uso a expressao filosofia primeira e nao o titulo Metaph. em vista dos inumeros problemas em tentar compatibilizar em um unico projeto todos os seus livros. Assim, ao dizer filosofia primeira, tenho em vista que todos os livros fazem parte de uma mesma disciplina, a filosofia primeira. Nao entrarei no debate sobre as inconsistencias encontradas ao longo dos livros da Metaph.

(6) Alpha 2 982a5; Alpha 2 982a4-5; Kappa 3 1061b15; Alpha 1 993a30; Beta 1 995b19; Beta 2 997a26; Gamma 3 1005a29; Lambda 1 1069a18-9, etc. Cf. Berti, 2016, p.67-8.

(7) Cf. Tahko, 2013, p.50.

(8) Johson (2015, p.163) utiliza estes dois criterios para discutir a subordinacao entre as ciencias.

(9) Como sugere Bell (1998, p.25; 27), frente as consideracoes dos APo. 1.9, esta universalidade da sabedoria mostra-se, de certo modo, problematica. Se toda ciencia e universal e necessaria, cuja universalidade e expressa atraves do genero e da especie, como poderia haver uma ciencia do ente se ele nao e um genero? Se a filosofia primeira fosse ciencia, ela deveria seguir os criterios apontados nos APo. Contudo, como reconhece o proprio Aristoteles na Metaph. Beta 2 997a25-32, se a filosofia primeira e ciencia da substancia, ela deveria demonstrar a substancia e seus atributos: contudo, nao ha demonstracao da substancia na medida em que nao se demonstra o que e, a definicao. Como entender, assim, que a filosofia primeira e uma ciencia ou conhecimento sem ser demonstrativo? A alternativa proposta por Bell e pensar "como a metafisica pode ser universal sem ser uma ciencia universal do tipo que e criticado em APo 1.9 e, implicitamente, em Metaph. 1.9" (ibidem, p.27). Assim, segundo Bell, Aristoteles e contra uma ciencia universal entendida como uma ciencia que de conta de todas as causas ou principios: "ele parece deixar aberta a possibilidade de uma ciencia ser universal nao porque os principios que ela investiga sao suficientes para explicar todas as coisas, mas porque ela investiga principios de um fenomeno compartilhado por todas as coisas e, por isto, principios que sao uma parte necessaria da abordagem completa de qualquer coisa" (1998, p.40). O ponto, aqui, e entender que os principios da filosofia primeira nao sao universais do mesmo modo que os generos. Em outras palavras, os principios nao sao universais porque todos os entes caem sob ele, tal como o genero animal que abarca todos os animais. O ente ou a substancia sao universais na medida em que tudo que existe e um ente ou uma substancia, mas cada um ao seu modo. Como aponta Bell (idem), se a filosofia primeira fosse uma ciencia universal de todos os principios, ela seria capaz de demonstrar, a partir de seus principios, as conclusoes de todas as outras ciencias particulares. Contudo, o problema maior diz respeito a cada ciencia demonstrar os atributos per se de um dado sujeito. Assim, ou os atributos demonstrados pelas outras ciencias a partir dos principios universais da filosofia primeira seriam atributos acidentais e nao essenciais, dos quais nao ha conhecimento, ou os principios universais seriam comuns a filosofia primeira e a outras ciencias, o que aniquilaria a divisao aristotelica das ciencias conforme os principios proprios de cada ciencia. Disto segue que Aristoteles nao tem em vista que os principios da filosofia primeira sao universais neste sentido, ou seja, logicamente universais (em referencia ao vocabulario logico genero-especie). Tambem nao resolve o problema dizer que a substancia seria o principio desta ciencia, a filosofia primeira, a qual nao seria demonstrada, mas intuida. Isto, pois a substancia nao e tratada apenas como um principio, mas tambem como algo que possui principios e causas: "a ciencia do ente enquanto ente e, em grande medida, uma investigacao acerca das causas da substancialidade em uma substancia" (ibidem, p.64).

(10) Sobre o modo pelo qual Aristoteles distingue a filosofia primeira das outras ciencias cf. Bell, 1998, p.50-61; Irwin, 1988; Leszl, 1975.

(11) Cf. Kappa 4 1061b27ss. No De anima I.1 403b16, Aristoteles diz que cabe ao filosofo primeiro investigar aquilo que existe separado.

(12) Segundo a Metaph. Gamma 2 1003b5-10: 1) algumas coisas sao entes enquanto substancias; 2) outras enquanto afeccoes da substancia; 3) outras enquanto conduzem a substancia; 4) outras enquanto corrupcoes, privacoes, qualidades ou causas da geracao e corrupcao da substancia; 5) outras enquanto negacoes de algumas das suas propriedades ou da propria substancia. Frede (1987, p.87) afirma que o "focal meaning of being" da substancia sensivel identifica-se com a forma substancial. Pelo fato de o modo de ser dos outros entes depender do modo de ser das substancias sensiveis, todos os modos de ser "dependem do modo de ser das formas substanciais".

(13) Como aponta Cohen (2009, p.202), ao excluir a possibilidade de que a materia seja a substancia em Zeta 3, Aristoteles parece sugerir que sao dois criterios que estao em jogo para determina o que e substancia e o que nao e; o primeiro e a individualidade e o segundo a determinacao. Apos excluir que materia e composto sao substancias, o texto parece sugerir que forma e substancia. Segundo Cohen (2009, p.203): "se a substancia de x e sua essencia (to ti en einai), e a essencia de um composto hilemorfico e a forma, entao, decorre que a substancia do composto hilemorfico seja sua forma". Contudo, Cohen (2009, p.204), baseando-se em Zeta, assume ser substancia distinta da substancia individual: "suponha que x seja uma substancia individual e y seja a substancia de x. Assim, de acordo com a tese de Zeta 6, y (e nao x) identifica-se com a sua essencia." A ideia que subjaz a formulacao de Cohen, na sua leitura pautada na ontologia das substancias sensiveis, e a identificacao assumida pelo estudioso entre substancia e forma e que forma e universal; (sobre alguns dos estudiosos que tomam forma como particular, cf. Gill, 2005, p.231). Como ja apontaram outros estudiosos e o proprio autor reconhece em seu artigo, estas duas afirmacoes envolvem alguns problemas, dentre eles o fato de Aristoteles negar em Zeta 13 que substancias sao universais. Segundo Irwin (1988, p.82.), se universais requerem a existencia de individuos, os universais sao dependentes destes e nao o contrario. O universal homem depende da existencia de individuos tais como Socrates, Calias, etc. Assim, Socrates e "independente dos universais" (idem) e, sendo os individuos as substancias primeiras, pode-se concluir acerca da independencia destas substancias. Segundo Angioni (2003, p.245-7), considerou-se haver, em Zeta 3, a apresentacao de dois criterios incompativeis para definir ousia, o criterio da subjacencia e o criterio da essencia ou forma. O primeiro estaria em harmonia com o "realismo juvenil das Cat." e o segundo criterio seria uma reformulacao aristotelica da sua concepcao de substancia. No entanto, Angioni (ibidem, p.246) afirma nao haver incompatibilidade entre eles ja que tal "nocao de subjacente nao envolve nenhum contraste relevante entre individuos e formas universais que deles se predicam" (idem). Assim, Angioni assume dois sentidos para o termo ousia: 1) um que designa as entidades ontologicamente independentes como, por exemplo, Socrates e uma planta; 2) outro que designa a "natureza essencial pela qual algo e precisamente o que e" (ibidem, p.247), ou seja, a essencia.

(14) As substancias sensiveis sao uma instancia dos entes que podem ser estudadas enquanto entes pela metafisica ou do ponto de vista do movimento pela fisica. Cf. Bell, 1998, p.76.

(15) Sobre a primazia das substancias segundo as Cat., cf. Frede, 1987, p.73-80; Zingano, 2016, p.139-42.

(16) Cf. Irwin, 1988, p.82.

(17) Ente nao e um genero e, neste sentido, nao e universal. Na Metaph. Zeta 13, Aristoteles nega que ente seja um universal. Cf. Bell, 1998, p.66.

(18) Segundo o Int. 17a39-b1: "eu entendo por universal o que e naturalmente predicado de muitos e por particular o que nao e como, por exemplo, homem e Calias". Os autores que defendem que substancias sao universais interpretam Metaph. Zeta 13, no qual Aristoteles nega que substancias sao universais, como se referindo a apenas alguns universais, o que nao envolveria as formas.

(19) Esta polissemia do termo to de on, como aponta Cohen (2009, p.200), nao pode ser entendida como um tipo de homonimia de modo que o termo apresentasse sentidos completamente diferentes referindo-se a mesma palavra como, por exemplo, o termo manga, o qual significa tanto a fruta, quanto uma extremidade da camisa. Tratar-se-ia de um caso de equivocidade de modo que subjaz os diferentes usos do termo um unico sentido. Segundo Tomas de Aquino (Sent. Metaphysicae lib. 4 I. 1n. 7 [82100]; trad. J. P. Rowan, 1961), "um termo e predicado de coisas diferentes em muitos modos. As vezes, ele e predicado deles em vista de um sentido que e o mesmo; entao, e dito ser predicado deles univocamente como, por exemplo, animal e predicado de um cavalo e de um boi. As vezes, o termo e predicado delas em vista de sentidos completamente diferentes; entao, e dito ser predicado delas equivocamente como, por exemplo, cachorro e predicado de uma estrela e de um animal".

(20) Poder-se-ia perguntar: qual a relacao entre o objeto de investigacao da filosofia primeira e o conhecimento? Esta relacao e estabelecida no primeiro livro da Metaph. Como e proprio do homem conhecer, dada a diferenca especifica compartilhada por todos os individuos da especie humana, a dizer, a racionalidade, e o conhecimento e conhecimento das causas, o conhecimento das causas primeiras tambem e objeto do desejo humano. Nos APo. I.2 71b9-12, Aristoteles estabelece a relacao entre conhecimento e causa. Segundo Angioni (2007, p.2), sao tres caracteristicas atribuidas ao conhecimento: 1) envolve conhecimento da causa; 2) envolve o conhecimento de alguma relacao necessaria; 3) opoe-se ao modo sofistico de conhecer.

(21) Segundo Bell (1998, p.23), o homem sabio a) conhece todas as coisas para as quais esta apto a conhecer; b) possui conhecimento de dificil aquisicao; c) tem um conhecimento mais acurado das causas e e mais capaz de ensinar.

(22) Sabio nao e aquele que conhece todas as coisas, o que e impossivel, mas o individuo que conhece os principios de todas as coisas, a partir dos quais ele pode derivar outros conhecimentos. Trata-se de uma distincao qualitativa e nao quantitativa.

(23) Os principios sao divididos em dois grandes grupos (Delta 1 1013a19-20), os principios imanentes (enyparchousai), os quais sao intrinsecos a um dado ente e responsaveis por seu movimento como, por exemplo, a natureza (forma e materia), os elementos e o pensamento; e os principios transcendentes (echtos), os quais sao causa do movimento de outro ente como substancia, fim, bem e belo.

(24) Refiro-me aos livros nos quais se considera haver uma investigacao ontologica.

(25) Embora nao se referindo a relacao entre Lambda e os outros livros da Metaph., Frede (1987, p.87-90) estabelece a relacao entre os dois projetos metafisicos (geral e especifico) a partir da nocao de que o sentido principal de ente e a forma substancial. Devido ao fato de as substancias nao sensiveis tal como o movente imovel, privadas de materia, serem, formas separadas, a nocao de forma substancial e central no projeto metafisico aristotelico. Contudo, como coloca Menn (2011, p.197), as substancias imoveis nao sao formas separadas. Outra leitura compatibilista (Burnyeat, 2001) tenta reconhecer Lambda como um resumo de Zeta 7-9. Para uma analise dessa leitura, cf. Crubellier, 2016, p.119-21.

(26) Para Frede (1987, p.88) a precedencia do estudo da substancia sensivel em Zeta deve-se ao fato de a substancialidade das substancias sensiveis ser um primeiro passo na investigacao da substancia ja que "nos apenas alcancamos um entendimento completo da substancialidade da substancia sensivel quando nos ja tivermos entendido a substancialidade das substancias nao sensiveis". Frede (idem) associa a decisao aristotelica de discutir primeiro a substancia sensivel e nao a substancia nao sensivel ao principio metodologico segundo o qual o conhecimento se inicia com aquilo que nos e mais familiar em vista do que esta mais distante da nossa experiencia.

(27) Segundo Frede (2000, p.53), Lambda e um tratado independente. Um dos argumentos para defender sua independencia pauta-se na repeticao de conteudos que ja haviam sido discutidos em outros livros da Metaph. Uma das razoes de Lambda ter sido integrado aos livros da Metaph. dever-se-ia ao fato de ser o unico livro no qual Aristoteles leva a cabo as promessas explicitadas nos outros livros, tal como Zeta, de discutir as substancias separadas. Portanto, distingo, aqui, a investigacao da relacao entre Lambda e a Metaph. e a investigacao da relacao entre Lambda e a filosofia primeira. Isto se deve a duas possibilidades: 1) Lambda e um texto que nao faz parte do tratado Metaph., mas e um texto de filosofia primeira; 2) Lambda e um texto que faz parte da Metaph. e e um texto de filosofia primeira. Esta analise que proponho, na parte inicial do artigo, parece corroborar a segunda possibilidade. Na medida em que Lambda discute os principios e causas das substancias, ele pode ser considerado um texto de filosofia primeira. Na medida em que, como mostra Burnyeat (2001) e Menn (2011), ha uma continuidade entre a investigacao de outros livros da Metaph. e Lambda, o qual parece nao ser um livro completamente desconectado com os livros da Metaph.

(28) Embora o pronome demonstrativo seja utilizado nesta construcao, no grego, encontramos o artigo definido. Segundo a sugestao de Frede (ibidem, p.54-5), tratar-se-ia da continuacao de um "empreendimento" ja iniciado por Aristoteles e nao, como sugerem outros estudiosos, do inicio de uma nova investigacao. Para outras possibilidades de leitura dessa primeira linha do livro Lambda, cf. Berti, 2016, p.67-9.

(29) Cf. Frede, 2000, p.57-8.

(30) Haveria entre todas as substancias um certo tipo de unidade, a qual nao pode ser entendida materialmente, na medida em que nao ha uma uniao material entre elas, mas talvez uma uniao causal.

(31) Entes nao causalmente relacionados. A comparacao estabelece a oposicao entre um conjunto de entes conectados por relacoes causais e um conjunto desconexo de entes ordenados em determinado modo. Temistio (1999, p.47) ve, aqui, tres possibilidades, sendo duas delas compreensoes do todo: 1) o todo pode ser entendido como, por exemplo, a unidade dos orgaos do corpo humano ou vegetal; 2) como um composto de partes que se tocam como, por exemplo, uma casa ou um barco; 3) como um agregado de coisas separadas como, por exemplo, uma cidade ou um exercito. De acordo com Crubellier (2000, p.140), o universo para Espeusipo seria formado a partir de "diferentes estratos de substancias" hierarquicamente organizadas, embora nao haja, entre elas, nenhuma relacao causal. Como aponta Berti (2016, p.70), Ross e Frede compartilhariam dessa interpretacao. Berti (ibidem, p.71) se posiciona afirmando que "a primazia da substancia esta justificada, aos olhos de Aristoteles, nao apenas pela sua propria filosofia, i.e., pela doutrina das categorias, a qual esta, certamente, presente no livro Lambda, mas tambem pelas filosofias dos seus predecessores [seja Espeusipo, seja Platao]".

(32) Embora em algumas traducoes destes passos (ex. Reale, 2005, p.543), encontra-se o termo categoria, no texto grego, este termo nao aparece. Contudo, os exemplos dados por Aristoteles sugerem que se trate das categorias.

(33) Segundo Zingano (2016, p.142), trata-se da prioridade natural da substancia frente as outras categorias: "se ela e destruida, as outras sao destruidas, mas um item das outras categorias pode ser destruido sem que a substancia seja destruida".

(34) Cf. Berti, 2000, p.191.

(35) Para uma justificativa destes numeros, cf. Angioni, 2005, p.192-3.

(36) Os capitulos 1-6 tratam da substancia sensivel e os capitulos 7-10 tratam da substancia imovel. Deste modo, os capitulos de Lambda mostram que a investigacao levada a cabo por Aristoteles, neste livro, nao e apenas uma teologia, mas tambem uma ontologia das substancias sensiveis.

(37) Cf. Rapp, 2016, p.87-117.

(38) Sobre a relacao entre elas, cf. Zingano, 2016, p.145.

(39) Como sugere Frede (2000, p.62), o enfoque parece estar na substancia e nao nos principios e causas: "devemos nos lembrar que nos nao estamos interessados apenas nos principios da substancia, mas tambem nas substancias para as quais eles sao principios".

(40) Nao ha uma causa ou principio para o primeiro movente imovel.

(41) Cf. Zingano, 2016, p.142.

(42) No caso da substancia sensivel, os principios sao divididos em causas internas/imanentes (forma, materia e privacao) e causas externas/transcendentes ou causas relativas do movimento tal como o medico-saude, o carpinteiro-casa e o pai-filho. As causas internas sao principios imanentes as substancias sensiveis enquanto as causas externas sao substancias ontologicamente autonomas que exercem o papel de causa eficiente para outras substancias.

(43) De certo modo, esta questao fica sem resposta, pois as substancias imoveis nao possuem causas ou principios, na medida em que elas sao as causas e principios do movimento das substancias sensiveis eternas.

(44) Aqui, Aristoteles menciona o exemplo dos astros celestes. Nao ha nenhuma referencia, nesse capitulo, as substancias imoveis, as quais tambem sao eternas.

(45) Cf. Theta 8 1050a4-6.

(46) Para uma analise detalhada da estrutura do raciocinio cf. Berti, 2000, p.183-4.

(47) Segundo Berti (ibidem, p.183), esta premissa esta implicita no raciocinio.

(48) Crubellier (2000, p.157-8) toma como enigmatica esta primeira referencia ao movente imovel no livro Lambda. Contudo, se levarmos em consideracao que a mencao ao primeiro movente imovel esta relacionada ao fato de haver, para as substancias sensiveis, um principio que e causa do movimento, havendo, dentre todos os principios de movimento, um primeiro principio absoluto, ou seja, o movente imovel, o texto se mostra mais coerente.

(49) Aristoteles (Lambda 6 1071b9-14) mencione a existencia de um movimento circular eterno/continuo, mas nao atribui, aqui, este movimento a substancia sensivel eterna. Isto sera feito apenas em Lambda 7.

(50) Como os moventes imoveis movem? Que tipo de causa eles sao para os movimentos circulares? Ha grande divergencia entre os estudiosos acerca disto. Alguns afirmam que os moventes imoveis sao causas finais, outras causas eficientes. Cf. Berti, 2000, p.181-206; Miller, 2013, p.277-98; Ross, 2016, p.207-27.

(51) Este raciocinio se aplica tanto ao primeiro movente imovel quanto aos outros moventes na medida em que todos eles sao principio para um movimento eterno.

(52) Provar a existencia nao pode ser entendido no sentido de uma demonstracao cuja conclusao seja 'os moventes imoveis existem', mas uma constatacao da necessidade da existencia desta substancia imovel. Isto pois vai contra os principios estabelecidos nos APo., conforme os quais uma ciencia nao demonstra seu objeto de investigacao.

(53) A nocao de ato-potencia decorre da nocao de continuo. A continuidade do movimento circular, a qual e justificada pela sua eternidade, demanda um movente que seja eterno. Para isto, e necessario que esta substancia nao esteja em potencia, caso contrario, ela poderia nao ser causa do movimento se esta potencia nao se atualizasse. Logo, a natureza desta substancia imovel e ser puro ato. Por nao se mover, o movente imovel nao depende de nada a fim de atualizar a sua potencia. O estabelecimento da substancia primeira cuja atualizacao nao envolve nenhuma potencia, ja que ela e ato puro, pressupoe que o ato seja anterior a potencia.

(54) Cf. Ibidem, p.186.

(55) Nas Cat. 2a13-8, Aristoteles afirma que as substancias, primordialmente, nao sao ditas de nenhum sujeito e nao se encontram em nenhum substrato. O discurso aristotelico versa sobre a relacao entre a substancia e as outras categorias, nao sobre a relacao entre substancias. Sendo assim, nao utilizarei as Cat. como fonte para pensar a prioridade dos moventes imoveis.

(56) Embora haja casos nos quais nao exista identidade entre a prioridade ontologica e a prioridade causal como, por exemplo, os "atributos nao podem existir sem a existencia da substancia primeira individual, embora nao haja nenhuma referencia de qualquer tipo a relacao causal entre os dois". Contudo, no caso dos moventes imoveis, esta identidade se aplica ja que eles sao a causa do movimento das substancias eternas. Cf. Witt, 1994, p.217.

(57) Este primeiro movente imovel e caracterizado como "eterno, ato puro, imaterial, metafisicamente simples, movente imovel, inteligivel e desejavel em maximo grau, pura inteleccao e o melhor tipo de vida" (Herzberg, 2016, p.157), cf. Ross, 2016, p.208-9. Fazzo (2016, p.181-205) discute se o primeiro movente imovel e puro ato ou em ato.

(58) Segundo Witt (1994, p.221), ha uma distincao entre a relacao ato-potencia no que diz respeito ao movimento e no que diz respeito a substancia. No caso dos moventes imoveis, as duas coisas parecem se misturar, pois Aristoteles afirma que os moventes imoveis sao primeiros em referencia as outras substancias e estabelece uma hierarquia entre eles. Trata-se, portanto, de uma prioridade enquanto eles sao causa de movimento e outra prioridade enquanto uns sao mais perfeitos que outros.

(59) Ha uma sutil distincao entre os moventes imoveis e o primeiro movente imovel que pode ser inferida de Lambda 8. Aristoteles, nas linhas 24-6, descreve o principio "primeiro entre dos entes" como nao estando sujeito ao movimento nem por si, nem por acidente. Ao descrever os outros moventes imoveis, a partir da linha 31, Aristoteles afirma apenas que ha uma substancia imovel em si para cada movimento eterno. Ao dizer que estas substancias nao se movem em si, Aristoteles deixa a possibilidade aberta para que elas se movam por acidente. Assim, o que distinguiria o primeiro movente imovel dos outros moventes imoveis e o fato de aqueles serem imoveis em si, mas moveis por acidente.

(60) Toma-se a prioridade ontologica como envolvendo a nocao de prioridade pelo ser, pela substancia e pela natureza. Assim, nao discutirei a prioridade dos moventes imoveis quanto a definicao, quanto ao tempo, nem quanto ao conhecimento apresentados em Zeta 1028a32-3 (proton logoi; proton gnosei; proton chronoi). Cf. Peramatzis, 2008, p.187; Angioni, 2010.

(61) Metaph. Mu 2 1077b13. Cf. Angioni, 2010, p.76, n.1.

(62) Metaph. Mu 2 1077b2. Cleary (1988, p.61) reconhece que este sentido de prioridade se aplica as substancias eternas.

(63) Metaph. Delta 11 1019a1-4. Segundo Corkum (2013, p.8), prioridade natural pode ser definida como uma "relacao assimetrica envolvendo nocoes de dependencia e independencia ontologica".

(64) Cf. Fine, 1995, p.271; Peramatzis, 2008, p.187-8; Angioni, 2010, p.75-106.

(65) Spellman (1995, p.84-5) apresenta algumas criticas a consideracao de Fine.

(66) O objeto de investigacao do estudo de Angioni (2010) nao sao as substancias eternas, mas as substancias sensiveis que se geram e se corrompem.

(67) Segundo Barnes (1995, p.103), causas primeiras nao sao consideradas como tal por serem cronologicamente anteriores.

(68) A anterioridade no tempo se aplica a relacao entre os moventes imoveis e as substancias sensiveis corruptiveis.

(69) Witt (1994, p.215-6) reconhece ser um problema identificar a prioridade do ato frente a potencia como uma prioridade em termos de anterioridade no tempo.

(70) Em uma passagem do livro Epsilon 1026a13-16, Aristoteles atribui a Metaph. o dominio das substancias separadas e imoveis (chorista kai akineta). Neste caso, separado parece se referir a uma existencia independente do substrato material.

(71) Para Angioni (2010, p.91): "se A constitui um todo perfeito e acabado, no qual B pode estar, de certo modo, incluido; se B nao constitui um todo acabado, no qual se pudesse dizer que A esta incluido".

(72) "Seja A uma substancia, seja B uma qualidade. Por um lado, nao ha nenhuma qualidade que possa existir sem que exista uma substancia na qual ela esteja inerente. Por outro lado, nao ha nenhuma substancia que possa existir sem que exista uma qualidade que lhe seja atribuida. Nao ha nenhuma assimetria quanto as condicoes de existencia de ambos os itens, pois ambos dependem um do outro para existir". Ibidem, p.90.

(73) Sobre a anterioridade do ato frente a potencia, cf. Metaph. Theta 8 1049b4-1051a3.

(74) Exemplos fornecidos por Cleary (1988, p.61).

(75) Para Angioni (2010, p.99), a prioridade pelo ser do primeiro movente imovel e acompanhada da prioridade quanto a existencia e da prioridade que o autor chama de causal-explanatoria "dado que o Primeiro Motor e, em certo sentido, causa de todas as coisas".

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Submetido em Julho e aprovado para publicacao em Agosto, 2017

Meline Costa Sousa--Universidade Federal de Lavras (Brasil) meline.sousa@dch.ufla.br--ORCID: 0000-0001-9820-4738
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Author:Sousa, M.C.
Publication:Revista Archai: Revista de Estudos Sobre as Origens do Pensamento Ocidental
Article Type:Report
Date:Jan 1, 2018
Words:8688
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