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The isomorphism in environmental education as a cross-cutting theme in undergraduate management programs/O isomorfismo na educacao ambiental como tema transversal empProgramas de graduacao em administracao.

1 INTRODUCAO

Primeiramente, ressalta-se que este trabalho recebeu apoio financeiro do Programa Pro-Administracao da CAPES.

No Brasil, em 1999, foi criada a Politica Nacional de Educacao Ambiental, sancionada pela Lei n. 9.795 e regulamentada pelo Decreto n. 4.281/02 (BRASIL, 1999; 2002), determinando a obrigatoriedade da Educacao Ambiental (EA) como tema transversal em todos os niveis educacionais. A Politica Nacional de Educacao Ambiental (PNEA) estabelece para as Instituicoes de Ensino, publicas e privadas, a responsabilidade de integrar a dimensao ambiental em seus cursos e de capacitar os docentes para abordar a Educacao Ambiental como tema transversal. Dessa forma, ha a necessidade de alteracoes nas estruturas curriculares de todos os cursos de graduacao, incluindo Administracao. Nesses cursos, as IES devem fazer uma adequacao que integre a EA nas disciplinas convencionais de modo transversal, continuo e permanente (BRASIL, 2002). Kluglianskas (1993) defende o fator "meio ambiente" como quesito importante para a eficacia das organizacoes e propoe sua inclusao nos cursos de graduacao. Para esse autor, a interdisciplinaridade que caracteriza essa tematica ambiental implica no abandono das abordagens tradicionais. Para Goncalves et al. (2009), os desafios para a integracao da tematica ambiental nos cursos de graduacao serao superados na medida em que for tratada com consistencia pelos projetos pedagogicos dos cursos.

Barbieri (2004), ao propor a gestao ambiental no curso de graduacao, percebe a relacao meio-ambiente-desenvolvimento como o ponto central de Educaco Ambiental (EA) e aponta como problematico o lento desenvolvimento das abordagens multidisciplinar e interdisciplinar no ambito das disciplinas de Administracao. Barbieri e Silva (2010) propoem a disciplina de gestao ambiental como forma de colocar as questoes ambientais em pauta no curso de Administracao e pontuam a falta de conhecimento dos professores para tratar da EA transversalmente como uma das dificuldades para implantacao da PNEA. Esses autores passam a ver a gestao ambiental como um conjunto de temas que podem ser desenvolvidos transversalmente no curso de graduacao, dentro de uma perspectiva em que a EA e a gestao ambiental compartilhem pontos comuns. (BARBIERI; SILVA, 2011)

A EA e pouco abordada pela area da Administracao. Isso pode ser verificado em dois estudos realizados por Souza et al. (2011a; 2011b). Foi feito, inicialmente, um mapeamento da producao cientifica sobre sustentabilidade ambiental dos cursos de senso estrito entre 1987 e 2009 e foram encontradas 13.656 teses e dissertacoes. Dentre elas, 536 estao trabalhos relacionados a sustentabilidade ambiental. Foi possivel mapear nove trabalhos sobre EA, verificando-se que nenhum deles utiliza essa tematica como topico transversal em cursos de administracao. Em outro estudo, realizado em periodicos A1, A2 e B1 nacionais na area de Administracao, Souza et al. (2011b) verificaram que houve um aumento substancial de artigos sobre sustentabilidade ambiental. Foram encontrados 212 artigos sobre a tematica investigada. Entre eles, apenas dois artigos contextualizando a EA no curso de graduacao em Administracao (BARBIERI, 2004; GONCALVES-DIAS et al., 2009). Nesse contexto, o objetivo geral desta pesquisa consiste em responder as seguintes questoes: Quais sao as pressoes que contribuem para a institucionalizacao da Educacao Ambiental em cursos de graduacao em Administracao como tema transversal, conforme determina a PNEA? Existem pressoes isomorficas que poderiam facilitar a convergencia e a articulacao do ensino ambiental como tema transversal? Ao buscar responder as questoes de pesquisa por meio de metodo de pesquisa quantitativo-qualitativa a ser aplicado em instituicoes de ensino, este estudo busca atingir seis objetivos especificos: a) analisar como o Ministerio da Educacao supervisiona a implantacao da PNEA no curso de graduacao em Administracao; b) avaliar como as IES incorporam conteudos relacionados as tematicas sobre sustentabilidade nestes cursos; c) identificar quais pressoes isomorficas motivaram a insercao da tematica sobre sustentabilidade; d) verificar se a formacao inicial do docente e geradora de pressao normativa ao contemplar temas relacionados a sustentabilidade, EA ou tema transversal; e) examinar se os docentes foram capacitados para realizar a insercao das tematicas sobre sustentabilidade ao ministrarem a disciplina e identificar os responsaveis por essa formacao; e f) observar quais metodologias e quais temas os professores utilizam para a insercao das tematicas sobre sustentabilidade como tema transversal ao ministrarem a disciplina. Este trabalho divide-se em cinco partes: introducao, fundamentacao teorica, metodo de pesquisa, analise e discussao dos resultados e consideracoes finais.

2 REFERENCIAL TEORICO E TEMATICO

Este referencial busca analisar quatro grandes vertentes que direcionam a pesquisa: o isomorfismo institucional como teoria que auxilia entender as mudancas organizacionais, a Politica Nacional de Ensino Ambiental e como tematica central no sistema educacional brasileiro, as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Administracao que buscam aperfeicoar a formacao do profissional e a tematica da transversalidade como opcao didatica. Esse conjunto de referencias forma o que se designa como Modelo Conceitual de Analise, parte derradeira deste referencial.

2.1 Isomorfismo Institucional

Os mecanismos que impulsionam as organizacoes para a mudanca sao nomeados de pressoes isomor ficas (DIMAGGIO; POWELL, 2005). O isomorfismo e um processo de restricao que obriga uma unidade da populacao a assemelhar-se a outras unidades que enfrentam o mesmo conjunto de condicoes ambientais. Os fatores isomorficos pressionam a organizacao a se parecer a outras no mesmo conjunto de condicoes ambientais (ROSSETO; ROSSETO, 2005). Existem dois tipos de isomorfismo: o competitivo e o institucional. O competitivo enfatiza apenas competicao no mercado. O institucional induz as organizacoes ao poder politico, a adequacao social e economica e legitimacao institucional. Os processos isomorficos provocam as mudancas nas organizacoes para o alcance da legitimidade e estabilidade. (FREITAS; GUIMARAES, 2007; GINN; SHEN; MOSELEY, 2008)

Dimaggio e Powell (2005) propoem tres mecanismos de mudancas isomorficas institucionais: isomorfismo coercitivo, resultante de influencias politicas e de demandas ligadas a legitimidade; isomorfismo mimetico, que deriva de respostas padronizadas a incerteza; isomorfismo normativo, associado a profissionalizacao. O isomorfismo coercitivo pode resultar de pressoes formais e informais que sao exercidas por outras organizacoes, podendo ser sentidas como coercao, persuasao, ou conluio (DIMAGGIO; POWELL, 2005 p. 77). Segundo Venard e Hanafi (2008), as pressoes coercitivas podem ser um fator-chave para explicar a adocao, por exemplo, da corrupcao por uma instituicao, ou o seu oposto, condutas eticas. A mudanca organizacional provocada pelo isomorfismo coercitivo pode ser uma resposta a leis governamentais ou exigencias contratuais (DIMAGGIO; POWELL, 2005; LACOMBE; CHU, 2008). Ha peculiaridades do isomorfismo quando os ambientes sao politicamente construidos. Tomadores de decisao nao experimentam as consequencias de suas acoes politicas, tornando as organizacoes cada vez mais homogeneas dentro de determinados dominios. (DIMAGGIO; POWELL, 2005, p. 78)

No isomorfismo mimetico a incerteza e uma forca poderosa que encoraja a imitacao. As organizacoes tomam outras como modelo quando, por exemplo, as tecnologias organizacionais sao insuficientemente compreendidas, as metas sao ambiguas e o ambiente cria uma incerteza simbolica. O mimetismo pode provocar uma consideravel economia em acoes humanas, quando uma organizacao tem a sua frente um problema com causas ambiguas e solucoes pouco nitidas (DIMAGGIO; POWELL, 2005; TOLBERT; ZUCKER, 1999). Ao imitar, a organizacao pode criar uma base que lhe permita atingir novos campos de atuacao, ja alcancados por suas concorrentes com maior potencial economico. (BROUTHERS; O'DONNELL; HADJIMARCOU, 2005). A organizacao que sofre a imitacao pode nao ter consciencia que esta sendo (e nem desejar ser) imitada.

A profissionalizacao e a principal fonte geradora do isomorfismo normativo. Dimaggio e Powell (2005) interpretam a profissionalizacao como a luta coletiva dos membros de uma profissao para definir os metodos e as condicoes do seu trabalho, para controlar a producao e estabelecer uma base cognitiva de legitimacao para a autonomia da sua profissao. As categorias profissionais estao sujeitas as mesmas forcas coercitivas e mimeticas que pressionam as organizacoes. As universidades, as instituicoes de treinamento profissional e as associacoes profissionais constituem importantes centros de desenvolvimento de normas para o comportamento organizacional entre os gerentes profissionais e seus funcionarios. (MACHADO-DA-SILVA; COSER, 2006; LACOMBE; CHU, 2008; CORAIOLA; MACHADO-DA-SILVA, 2008)

2.2 Politica Nacional de Educacao Ambiental (PNEA)

A Lei n. 9.795/99 cria a PNEA, tracando objetivos para EA. A sua regulamentacao e formalizada dois anos depois pelo Decreto n. 4.281/02, que define seu Orgao Gestor, dirigido pelos Ministros do Meio Ambiente e da Educacao (BRASIL, 1999, 2002). No emaranhado normativo sobre o tema, destaca-se a Lei n. 9.795/99, formada por quatro capitulos (BRASIL, 1999). No capitulo I, encontra-se a definicao de EA: "[...] processos por meio dos quais o individuo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competencias voltadas para a conservacao do meio ambiente" (BRASIL, 1999, art. 10). A Lei determina que a EA e um componente essencial e permanente da educacao nacional, sendo sua presenca obrigatoria em todos o niveis e modalidades do processo educativo (BRASIL, 1999, art. 20). Essa Lei define a EA como um direito de todo cidadao e distribui responsabilidades: o Poder Publico deve promover a dimensao ambiental em todos os niveis do ensino e as instituicoes educacionais publicas e privadas sao responsaveis por promover o EA.

O artigo 50 da Lei estabelece os objetivos para a EA. Segundo Winther (2010, p. 40), o artigo mostra "[...] o carater transversal da EA com relacao as disciplinas tradicionais do curriculo escolar [...]", afirmando-a como uma politica voltada para a construcao de uma sociedade ambientalmente sustentavel. O artigo 80 relaciona as linhas de atuacao pelas quais devem seguir as atividades vinculadas ao PNEA: capacitacao de recursos humanos; desenvolvimento de estudos, pesquisas e experimentacoes; producao e divulgacao de material educativo; e acompanhamento e avaliacao. Dentre as linhas de atuacao citadas no artigo 80 destaca-se, no Paragrafo 20, a incorporacao da dimensao ambiental na formacao, especializacao e atualizacao dos educadores de todos os niveis e modalidades de ensino. Entende-se por EA como aquela presente no ambito dos curriculos das instituicoes, publicas e privadas, englobando: educacao basica; educacao infantil; ensino fundamental e ensino medio; educacao superior; educacao especial; educacao profissional; e educacao de jovens e adultos (BRASIL, 1999, art. 90). O artigo 10 esclarece que a EA deve ser desenvolvida como uma pratica educativa integrada, continua e permanente em todos os niveis e modalidades do ensino formal e que nao deve ser implantada como disciplina especifica no curriculo de ensino, facultando essa liberdade apenas para os cursos de pos-graduacao, extensao e nas areas voltadas para os aspectos metodologicos de EA (BRASIL, 1999). O artigo 11 determina que a dimensao ambiental deve constar do curriculo de formacao de professores de todos os niveis e em todas as disciplinas e que os professores em exercicio devem receber formacao complementar em suas areas de atuacao (CARVALHO, 2003). Coloca-se o desafio de propor sequencias didaticas e questoes conceituais e metodologicas de ensino que utiliza (TRIVELATO, 2003). Segundo o artigo 12, a autorizacao e supervisao do funcionamento de instituicoes de ensino e de seus cursos, nas redes publica e privada, devem observar o disposto na Lei n. 9.795/99 (BRASIL, 1999), podendo-se concluir que as autorizacoes para o funcionamento dos cursos oferecidos pelas Instituicoes de Ensino de todos os niveis ficam vinculadas ao uso da EA como uma pratica educativa, portanto, nao devendo ser implantada como disciplina especifica. A regulamentacao da PNEA entrou em vigor em 25 de junho de 2002, por meio do Decreto n. 4.281 (BRASIL, 2002). O artigo 3 enumera as competencias do Orgao Gestor, com destaque para: "[...] apoiar o processo de implementacao e avaliacao da Politica Nacional de Educacao Ambiental em todos os niveis, delegando competencias quando necessario" (art. 30, incisos III). Fica sob o Ministerio da Educacao a responsabilidade de apoiar a inclusao da EA em todos os niveis educacionais, por intermedio de seus orgaos competentes. O artigo 5 estabelece que a integracao da EA as disciplinas deve ocorrer de modo transversal, continuo e permanente, e a adequacao dos programas ja vigentes de formacao continuada de educadores (art. 5, incisos I-II).

O Decreto n. 4.281/02 deixa claro que a integracao da EA deve acontecer de um modo transversal, confirmando que as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) e os Parametros Curriculares Nacionais (PCN) devem ser usados para a inclusao continua e permanente da EA, solicitando a adequacao dos programas de formacao continuada ministrada aos docentes. A formacao continuada e concomitante ao exercicio profissional e proporciona a aquisicao de novos conhecimentos, atitudes e competencias ligadas as necessidades da docencia. (GARCIA, 1992)

2.3 Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Administracao

As atuais regras da DCN foram retificadas pela Resolucao n. 4, de 13 julho de 2005. Segundo a Resolucao n. 4/05, toda IES que oferece cursos de Graduacao em Administracao e bacharelado deve utilizar a DCN para organizacao curricular do curso (BRASIL, 2005, art. 1). Essa organizacao fica expressa por intermedio do projeto pedagogico que abrange: o perfil do formando; as competencias e habilidades; os componentes curriculares (disciplinas); o estagio curricular supervisionado; as atividades complementares; o sistema de avaliacao; o projeto de iniciacao cientifica ou o projeto de atividade, como Trabalho de Curso; e do regime de academico de oferta e outros aspectos que tornem consistente o projeto pedagogico (art. 2). As competencias e habilidades que devem ser proporcionadas pelo curso de graduacao, ao administrador, sao descritas no artigo 4 e no artigo 5, com os conteudos desejados nos projetos pedagogicos, que devem revelar inter-relacoes com a realidade nacional e internacional, segundo uma perspectiva historica e contextualizada de sua aplicabilidade no ambito das organizacoes. Destaca-se tambem a presenca dos Conteudos de Formacao Complementar: estudos opcionais de carater transversal e interdisciplinar para o enriquecimento do perfil do formando. (BRASIL, 2005, art. 5, inciso IV, grifo nosso)

Nas DCN da Administracao, os conteudos com carater transversal e interdisciplinar, onde deve estar contida a EA, sao reconhecidos como itens para o enriquecimento do perfil do formando. Nota-se uma falta de definicao especifica desses conteudos e de uma ligacao com as determinacoes da Lei n. 9.794/99 (BRASIL, 1999). Situacao diversa e precebida nos Parametros Curriculares Nacionais (PCN), onde se encontra uma clara definicao de quais sao temas transversais que devem ser desenvolvidos pelas Instituicoes de Ensino Medio e Fundamental--"Etica, Saude, Meio Ambiente, Pluralidade Cultural e Orientacao Sexual", com seu objetivo pedagogico e sua concepcao de aplicacao pelas areas ou disciplinas. (MEC, 1997, p. 44-45, 71)

As atividades complementares sao abordadas, no artigo 8, como "[...] componentes curriculares que possibilitam o reconhecimento, por avaliacao, de habilidades, conhecimentos e competencias do aluno [...]", que podem ser adquiridas fora do ambiente escolar, incluindo-se a "[...] pratica de estudos e atividades independentes, transversais, opcionais, de interdisciplinaridade [...]", que sejam relacionadas com o ambiente do trabalho e com acoes de extensao realizada junto a comunidade (BRASIL, 2005, art. 8). Na observacao atenta desse artigo, onde se cita a pratica de estudos e atividades transversais, onde estaria inserida a EA, a categorizacao como atividade opcional vai de encontro as orientacoes da PNEA, que determina a EA como uma pratica que deve ser integrada a disciplina.

2.4 Tema Transversal e as Metodologias para sua Aplicacao

A transversalidade e a interdisciplinaridade fundamentam-se contra uma concepcao de conhecimento que analisa a realidade como um conjunto de dados estanques e observados a partir da isencao do distanciamento. As duas consideram a importancia da complexidade do mundo real e sua teia de relacoes com seus aspectos diferentes e contraditorios. Ao mesmo tempo, as duas diferem: "[...] a interdisciplinaridade refere-se a uma abordagem epistemologica dos objetos de conhecimento e a transversalidade diz respeito principalmente a dimensao da didatica". (MEC, 1997 p. 31)

Para Nicolescu (1999), a transversalidade relaciona-se com tudo aquilo que esta ao mesmo tempo entre, atraves e alem das diferentes disciplinas, tendo como objetivo a compreensao do mundo presente. Segundo Araujo (2003b), seus principios nascem do questionamento sobre a falta de contextualizacao da ciencia e da cultura ao nao tratarem de temas que digam respeito aos interesses da maioria das pessoas. Os temas transversais envolvem temas que tratam de processos vividos pela sociedade em seu cotidiano. Interdisciplinaridade e transversalidade alimentam-se mutuamente, pois para trabalhar os temas transversais adequadamente nao se pode ter uma perspectiva disciplinar rigida (ZABALLA; FAZENDA, 2002 apud AMBONI et al., 2010, p. 6). De fato, o conceito de transversalidade "[...] refere-se a um tipo de ensino que deve estar presente na educacao obrigatoria, nao como unidade didatica isolada, mas como eixos fundamentais dos objetivos, conteudos e principios [...]" que protejam as conexoes de materias classicas, acrescentando contextos sociais dinamicos. (BARBIERI; SILVA, 2011 p. 150)

Moreno (2003), em sua proposta radical de reforma do ensino espanhol, defende que os temas transversais sejam o eixo longitudinal. Em volta deles devem girar a tematicas curriculares. Outra forma de conceber a transversalidade e entender que os conteudos tradicionais formam o eixo longitudinal do sistema educacional. Em volta dessas areas do conhecimento devem circular ou perpassar os temas transversais. As disciplinas sao o eixo condutor do curriculo longitudinal e os temas formam o eixo transversal, ligados ao cotidiano da sociedade (ARAUJO, 2003a, 2003b). A Figura 1 demonstra uma imagem grafica que representa a concepcao apresentada e a aplicacao da transversalidade conforme entendida no PCN.

[FIGURE 1 OMITTED]

Na comparacao da concepcao apresentada por Araujo (2003b) com aquele proposto pelo PCN para a aplicacao da transversalidade no ensino fundamental (MEC, 1997), percebe-se uma similaridade entre as concepcoes. Araujo (2003b) representa cada tema por linhas independentes. Os PCNs (MEC, 1997) as integram em uma unica linha, que corta transversalmente as disciplinas do curso. Nessa visao oficial do MEC, os temas transversais tem o objetivo de envolver as disciplinas, trazendo para o curso assuntos relacionados a realidade social. Segundo Araujo (2003b), os temas transversais podem ser aplicados com cinco formas metodologicas: Atividades Pontuais; Disciplinas, Palestras e Assessoria; Projetos Interdisciplinares; Transversalidade Incorporada na Disciplina; e Transversalidade como Curriculo Oculto. No Quadro 1 a definicao de cada forma metodologica.

Todas as formas citadas nao sao excludentes entre si, podendo ser usadas de forma complementar e acontecerem simultaneamente durante a disciplina e no curso.

2.5 Desenvolvimento do Modelo Conceitual de Analise

Nesse item serao desenvolvidos os modelos que norteiam as atividades de analise utilizadas nesse trabalho. A integracao do tema transversal do PCN (MEC, 1997) com as formas metodologicas apresentadas por Araujo (2003b) e os conteudos de formacao profissional das Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Administracao (BRASIL, 2005) formam a base para a construcao de um modelo conceitual de um tema transversal na Graduacao em Administracao, conforme ilustrado na Figura 2.

Na Figura 2, a linha da transversalidade, que corta os conteudos de formacao profissional do curso de Graduacao em Administracao, e preenchida pelas formas metodologicas de aplicacao do tema transversal. Elas se repetem ao perpassarem cada conteudo de formacao. Integrar a Educacao Ambiental no curso de graduacao em Administracao como um tema transversal como determina a PNEA (BRASIL, 1999; 2002)

significa: dar relevancia ao tema para as organizacoes, conforme indica as DCN (BRASIL, 2004); impregnar metodologicamente os conteudos tradicionais ministrados nas disciplinas (ARAUJO, 2003b); e tornar o tema uma experiencia educativa que contribua para o alcance de uma sociedade sustentavel. A EA adaptada a realidade e as necessidades do curso de Graduacao em Administracao seria abordar como tema transversal a producao cientifica sobre sustentabilidade em seus aspectos multiplos produzida pela Administracao como area do conhecimento, que comporia a linha da transversalidade que corta os conteudos de formacao profissional.

[FIGURE 2 OMITTED]

A producao cientifica comporia a linha da transversalidade que corta os conteudos de formacao profissional, com destaque para as suas formas metodologicas de aplicacao de um tema transversal. O Quadro 2 apresenta a uniao da relacao de aderencia feita por Barbieri e Silva (2010; 2011) e algumas das tematicas ambientais levantadas por Souza et al. (2011a; 2011b).

Essa abordagem apresenta uma das multiplas possibilidades de tematicas que poderiam preencher a linha de transversalidade de um curso de graduacao em Administracao, utilizando as metodologias para aplicacao do tema transversal (ARAUJO, 2003b). A integracao da dimensao ambiental no curriculo de formacao do professor, conforme determina a PNEA (BRASIL, 1999; 2002), vai auxiliar o docente que atua na Administracao a adquirir conhecimentos para que possa abordar essa tematica de forma transdisciplinar e a integra-la com os distintos campos das disciplinas do curso de Administracao (CARVALHO, 2003). O curso de formacao continuada ou complementar deve ser concomitante com o exercicio profissional, propiciando, a esse docente, novos conhecimentos, atitudes e competencias. (GARCIA, 1992)

3 METODO DE PESQUISA

Para atender aos objetivos propostos, realizou-se uma pesquisa com enquadramentos quantitativos e qualitativos. A analise qualitativa e util para compreensao da logica das informacoes, sugerindo, de maneira direta, como podem ser fortalecidas pelo levantamento quantitativo (EISENHARDT, 1989). Para coleta de dados se utilizou: analise documental nos Instrumentos de Avaliacao para Renovacao de Reconhecimento de Cursos de Graduacao do Ministerio da Educacao; entrevista semiestruturada com os coordenadores; e a aplicacao de um questionario junto aos professores.

Em relacao aos procedimentos, a presente pesquisa e um estudo multicaso, realizado em quatro IES que oferecem cursos de graduacao em Administracao no Estado de Sao Paulo. O estudo de caso e uma estrategia que pode ser usada para explorar as situacoes em que nao haja um unico conjunto de resultados para o exame de eventos que apresentem comportamentos relevantes, que nao podem ser manipulados (YIN, 2010). O estudo multicaso foi realizado em duas IES privadas e duas IES publicas. A escolha das IES pesquisadas ocorreu apos o aceite de quatro instituicoes entre as dez IES consultadas, sendo que duas so aceitaram apos a garantia de anonimato. Para manter o sigilo definido para essa pesquisa, essas instituicoes serao identificadas da seguinte forma: as de categoria privada serao nominadas como PR1 e PR2 e as de categoria publica, como PU1 e PU2. Na realizacao da entrevista, o coordenador da PR1 respondeu as perguntas da entrevista por escrito. Na coleta de dados com o questionario na PU2 e na PR1, houve um importante envolvimento dos coordenadores. O detalhamento da metodologia e apresentado na analise de resultados, apresentados a seguir.

4 APRESENTACAO E ANALISE DOS RESULTADOS

A seguir, sao apresentados e discutidos os resultados obtidos com os instrumentos de coleta de dados: analise documental dos instrumentos de avaliacao de cursos utilizados pelo MEC; entrevistas realizadas com coordenadores dos cursos; e questionario aplicados aos docentes.

4.1 Objetivo Especifico 1: analisar como o Ministerio da Educacao supervisiona a implantacao da PNEA no curso de graduacao em Administracao

Na analise do Instrumento de Avaliacao de Cursos de Graduacao (IACG) e do Instrumento de Avaliacao para Renovacao de Reconhecimento de Cursos de Graduacao (IARC), procurou-se identificar na Categoria de Avaliacao Requisitos Legais e Normativos se a PNEA faz parte dos itens regulatorios. Como o MEC supervisiona a utilizacao das tematicas sobre sustentabilidade como tema transversal no curso foi feito por meio da analise da dimensao organizacao didatico-pedagogica.

Na verificacao dos itens que compoem os Requisitos Legais e Normativos, foram encontrados itens das Diretrizes Curriculares Nacionais (BRASIL, 2005). Os itens que compoem essa categoria sao interpretados, nos dois instrumentos, como itens de atendimento obrigatorio pela IES. Mas a PNEA (BRASIL, 1999; 2002) nao e mencionada nessa categoria em nenhum dos instrumentos analisados. O desenvolvimento do tema sustentabilidade como um tema transversal e cobrado da IES, apesar de esse tema nao estar expresso nas DCN do curso de Administracao. Os temas transversais sao categorizados como opcionais (BRASIL, 2005, art. 5). Percebe-se que a exigencia da sustentabilidade como tema transversal, expressa nesse indicador, nao tem relacao com a PNEA (BRASIL, 1999; 2002). A PNEA nao esta contextualizada nos instrumentos, verificando-se que o MEC nao leva em conta a existencia dessa politica ao autorizar/fiscalizar o funcionamento do curso na IES. Percebe-se a ausencia de um ambiente legalmente estruturado, que se relacione com a PNEA, caracteristica do isomorfismo coercitivo. (DIMAGGIO; POWELL, 2005; AGUIAR, 2007)

4.2 Objetivo Especifico 2: analisar como a IES incorpora conteudos relacionados as tematicas sobre sustentabilidade no curso de graduacao em Administracao

O alcance do objetivo especifico foi possivel com a analise dos Projetos Pedagogicos dos Cursos (PPC), com a entrevista realizada com os coordenadores e algumas questoes do questionario aplicado aos docentes. A PR1 e a PU2 negaram o acesso ao PPC, as PU1 e PR2 deram acesso parcial. A analise dos PPCs das PR2 e PU1 permitiu a identificacao da utilizacao de trabalhos interdisciplinares. No caso da PU2, esse trabalho tem estreita ligacao com tres disciplinas que desenvolvem tematicas sobre sustentabilidade no curso. O documento da PR2 menciona um seminario no segundo semestre do curso, que apresenta casos pesquisados pelos alunos com foco em sustentabilidade, palestras sobre tematicas relacionadas e duas disciplinas sobre sustentabilidade. Por meio da analise dos documentos disponibilizados, foram identificadas duas metodologias para aplicacao de um tema transversal: Projeto Interdisciplinar (PI), trabalho que pode ser desenvolvido no curso utilizando a contribuicao de diversas disciplinas; e as Disciplinas, as Palestras e as Assessorias (DPA) por meio da utilizacao de disciplina que desenvolve tematicas sobre sustentabilidade no curso e/ou um evento realizado com foco em casos sobre sustentabilidade e apresentacao de palestras. (ARAUJO, 2003b)

Na entrevista com os coordenadores, ao serem questionados sobre como as tematicas sobre sustentabilidade sao ministradas no curso e nas disciplinas, foram obtidas as seguintes informacoes: o coordenador da PR1(IES que nao permitiu acesso ao PPC) informou que as ementas das disciplinas sao planejadas de forma que os conteudos ministrados sejam associados transversalmente com a tematica sobre sustentabilidade, sem destacar a metodologia. Tomou-se a iniciativa de pesquisar no site da IES a grade curricular oferecida no curso e verifica-se que e oferecida uma disciplina no curso.

Os coordenadores da PR2 e da PU1 declaram que alem do trabalho interdisciplinar os professores tem a liberdade de utilizar outras formas metodologicas. O coordenador da PU1 declarou que o curso se apoia fortemente na formacao profissional dos professores. O coordenador da PR2 informou que o curso e composto de duas disciplinas que desenvolvem tematicas sobre sustentabilidade. O coordenador da PU2 informou que o curso se utiliza de uma disciplina anual. Essas iniciativas estao em discordancia com a PNEA, que impede que o curso utilize uma disciplina para aplicar esse tema transversal (BRASIL, 1999, art. 10). O coordenador da PU2 mencionou trabalhos solicitados por algumas disciplinas, que utilizam a contribuicao do conteudo ministrado nas disciplinas anuais sobre sustentabilidade. Confirmam-se nas entrevistas as metodologias PI e DPA, a resposta do coordenador da PR1 acrescenta a metodologia TID o Tema Transversal Incorporado na Disciplina (ARAUJO, 2003b). A integracao de tematicas sobre sustentabilidade nas disciplinas descritas pelo coordenador da PR1 e as respostas dos coordenadores das PR2 e PU1, indicam a importancia da atuacao dos docentes e apontam para a possibilidade de identificacao de outras metodologias no questionario dos professores.

Responderam o questionario 114 docentes, sendo que, nove docentes da PR1, 31 da PR2, 34 da PU1 e 40 da PU2. Ao serem questionados se a IES inseriu tematicas sobre sustentabilidade como tema transversal na disciplina: 62 (54.4%) dos docentes responderam que a IES nao inseriu as tematicas nas disciplinas que ministra; 18 (15.8%) responderam que a IES inseriu as tematicas em todas as disciplinas; e 34 (29.8%) em uma ou duas das disciplinas que ministra.

O alto percentual de docentes que responderam que a IES nao inseriu as tematicas nas suas disciplinas esta em concordancia com as respostas dos coordenadores. Apenas o coordenador da PR1 afirmou que as tematicas estao inseridas nas disciplinas do curso. Ao assinalarem as metodologias utilizadas para abordar a(s) tematica(s), os docentes indicaram uma, duas ou tres metodologias: 27 indicam a metodologia TID--tematica esta integrada intrinsecamente ao conteudo da disciplina; 34 Atividades Pontuais (AP)--trabalhos, modulos, aulas e/ou atividades especificas na disciplina; dos 29 que indicaram a DPA--como uma disciplina especifica, 21 apontaram um evento (palestra ou seminario); e 25 indicaram a PI--Atividade que envolve um trabalho coordenado entre as disciplinas. O Projeto Interdisciplinar (PI) e a Disciplina foram mencionados pelos coordenadores (PU1 e PR2).

Verificou-se que as IES pesquisadas incorporam conteudos relacionados as tematicas sobre sustentabilidade como tema transversal no curso utilizando as seguintes metodologias levantadas por Araujo (2003b): PI--Projeto Interdisciplinar; DPA--Disciplina, Palestra e Assessoria--na forma de uma disciplina e de um evento; AP--Atividades Pontuais; e TID--Tema Transversal Incorporado na Disciplina.

4.3 Objetivo Especifico 3: identificar quais pressoes isomorficas motivaram a insercao da tematica sobre sustentabilidade no curso

Algumas perguntas da entrevista com os coordenadores e do questionario aplicado aos docentes, foram importantes para o alcance deste objetivo. Para a questao "Como a IES se motivou a inserir as tematicas sobre sustentabilidade no curso?" os coordenadores das IES privadas informaram que a demanda do MEC deu o primeiro impulso para essa iniciativa, mas houve uma continuidade da discussao e a acao foi ampliada para alem das exigencias. O coordenador da PU1 informou que a motivacao para a inclusao das tematicas veio das exigencias sociais, que impunham uma formacao mais ampla para o administrador. As expectativas sociais podem exercer pressoes formais e informais, que levam a organizacao a uma conformidade (DIMAGGIO; POWELL, 2005), gerando um isomorfismo coercitivo, sem ligacao a uma exigencia legal. O coordenador da PU2 informou que a reformulacao do PPC, em 2009, guando ja era coordenador, foram decisivas. Percebe-se que a experiencia profissional desse coordenador, como docente e pesquisador, foi um forte motivador para o uso das tematicas sobre sustentabilidade no curso.

Na questao "Como a acao do MEC foi importante para o uso das tematicas sobre sustentabilidades no curso?" o coordenador da PR1 respondeu que o MEC foi importante por ter dado o impulso inicial. O coordenador da PR2 respondeu que esta acao motivou a IES a pesquisar sobre o tema.

Para a questao "Como a acao do MEC foi importante para a escolha da forma de transversalidade utilizada para desenvolver a tematica no curso?" Os coordenadores da PR1 e da PU1 responderam que a acao do MEC teve uma baixa importancia e que o envolvimento dos professores de diferentes areas/cursos foi preponderante. Os modos de interpretar a realidade aliada a experiencia profissional tem forte influencia nas decisoes tomadas dentro da organizacao (DIMAGGIO; POWELL, 2005). Finalmente, o coordenador da PU2 aponta a combinacao das disciplinas sobre sustentabilidade e os trabalhos interdisciplinares como preponderantes.

Ao serem perguntados se os professores ja haviam proposto o uso de tematicas sobre sustentabilidade na disciplina, os coordenadores da PRI e PR2 responderam que sim e os coordenadores das PU1 e PU2 responderam que nao. Nas entrevistas foi possivel identificar a presenca do isomorfismo normativo atuando para a insercao da tematica sobre sustentabilidade no curso. Isso se da pela experiencia profissional do coordenador da PU2 que atuou fortemente na reformulacao do PPC, no envolvimento dos professores na escolha da metodologia para insercao da tematica sobre sustentabilidade nas duas IES privadas e a forma com a PU1 se apoia na formacao inicial dos seus docentes.

O isomorfismo coercitivo se destacou pela pressao social para a formacao do administrador. A pressao provocada pelo MEC teve menos impacto. A exigencia legal do MEC e o conhecimento sobre a PNEA, que deveriam criar um ambiente legal que obrigasse as organizacoes a se moldarem (DIMAGGIO; POWELL, 2005; VENARD; HANAFI, 2008), nao se destacou como uma pressao isomorfica coercitiva. Nao foi percebida a atuacao do isomorfismo mimetico.

4.4 Objetivo Especifico 4: verificar se a formacao inicial do docente e geradora de pressao normativa ao contemplar temas relacionados a sustentabilidade, EA ou tema transversal

O aleanos desse objetivo utilizou as perguntas entrevista e do questionario. Somando um total de 118 pesquisados--114 docentes e quatro coordenadores. Quanto a titulacao, dos 118 pesquisados, 51,7% (61) deles sao doutores; 39 (33%) mestres e sao especialistas 18(15%). A PNEA determina que a dimensao ambiental deve constar do curriculo de formacao de professores de todos os niveis e em todas as disciplinas (BRASIL, 1999), sendo permitida aos cursos de Pos-Graduacao a possibilidade de se utilizar de disciplina especifica. Foi perguntado aos docentes e aos coordenadores se no curso de titulacao havia disciplina que abordava tematicas sobre sustentabilidade, incluindo EA, metodologias e sustentabilidade com tema transversal. Nessas questoes, a maior parte dos profissionais respondeu que no curso de titulacao nao havia disciplinas que abordavam: as tematicas sobre sustentabilidade (83); sobre EA (95); metodologias para aplicacao de um tema transversal (78); e para aplicar a sustentabilidade como tema transversal (98).

O processo de formacao inicial auxilia o docente a abordar problemas transdisciplinares e integrar distintos campos, alem de criar processos de unificacao (CARVALHO, 2003). A educacao formal gera a legitimacao a partir de uma base comum nos profissionais. As universidades e as instituicoes de treinamento e formacao profissional constituem importantes centros de desenvolvimento de normas entre os profissionais. (DIMAGGIO; POWELL, 2005)

No questionario dos professores realizou-se o cruzamento entre as questoes--"Vooe aborda tematicas sobre sustentabilidade ao ministrar sua aula?" Nesse cruzamento, e possivel verificar, entre os professores que abordam as tematicas sobre sustentabilidade ao ministrarem sua aula, todos ou a maior parte deles tiveram em sua formacao inicial disciplinas que abordavam sustentabilidade, EA, metodologias para aplicar a um tema transversal ou metodologias para aplicar a sustentabilidade como tema transversal.

Os porcentuais de professores que tiveram durante sua formacao inicial as disciplinas relacionadas com a sustentabilidade, EA e as metodologias para aplicacao de um tema transversal sao parecidos entre os docentes que usam e nao usam tematicas sobre sustentabilidade ao ministrar a sua disciplina.

A presenca do Isomorfismo Normativo gerado pela formacao inicial do docente nao se confirma. Isto decorre da observacao de que nao existe relacao significativa entre os professores que responderam que usam as tematicas sobre sustentabilidade na sua disciplina e sua formacao ter contemplado temas relacionados a sustentabilidade, EA ou tema transversal.

4.5 Objetivo Especifico 5: verificar se os docentes foram capacitados para realizar a insercao das tematicas sobre sustentabilidade ao ministrarem a disciplina e identificar os responsaveis por essa formacao

A capacitacao do profissional e um processo concomitante ao exercicio profissional (GARCIA, 1992), pois desenvolve novas formas didaticas e auxilia o professor a repensar questoes de ensino que utiliza na sala de aula (TRIVELATO, 2003). Na entrevista com os coordenadores, ao serem indagados sobre como os docentes foram capacitados para desenvolverem as tematicas sobre sustentabilidade como tema transversal na disciplina, os coordenadores das PU1 e PU2 e PR2 informaram que a IES nao realiza esse tipo de capacitacao. O coordenador da PU1 acrescentou que a instituicao tem total confianca na formacao inicial dos seus professores e nao ministra cursos de doutrinacao para os docentes utilizarem as metodologias para um tema transversal.

O coordenador da PR1 respondeu que a IES realiza uma formacao interna, por meio de um curso de extensao, para capacitar seus docentes a tratarem as tematicas sobre sustentabilidade como tema transversal. Dos 114 pesquisados, 44,7% (51) recebeu algum tipo de capacitacao/atualizacao profissional na IES que atua ou em outra IES. Ao serem questionados se a IES ministra/oferece cursos de formacao continuada para o docente: 63 (55.3%), docentes responderam que nao. Dos 45 que responderam sim, 24 tiveram tambem uma capacitacao para aplicar um tema transversal.

4.6 Objetivo Especifico 6: analisar quais metodologias e quais temas os professores utilizam para a insercao das tematicas sobre sustentabilidade como tema transversal ao ministrarem a disciplina

O alcance desse objetivo especifico foi possivel por meio das questoes do questionario aplicado aos docentes. Dos 114 professores pesquisados, 44 docentes responderam que nao abordam as tematicas sobre sustentabilidade na disciplina e 70 deles abordam. No Quadro 4 apresentam-se as respostas para a questao "Como aborda a(s) tematica(s) sobre sustentabilidade ao ministrar a disciplina?"

As metodologias TID--Tema Transversal Incorporado na Disciplina e AP--Atividade Pontual ja haviam sido ditadas pelos docentes como metodologias utilizadas para a insercao das tematicas no curso. Foi acrescentada a metodologia TCO--Tema Transversal como Curriculo Oculto. A metodologia TCO tem como caracteristica o fato de nao ter um registro ou monitoramento por parte da instituicao de ensino (ARAUJO, 2003b). E o professor quem decide o momento e o tema que deve ser passado aos alunos. As escolhas podem nao contemplar os objetivos do curso para a formacao do discente.

O cruzamento de todas as respostas sim (70) para "Voce aborda tematicas sobre sustentabilidade ao ministrar sua aula?" com "Quais disciplinas ministra no curso de graduacao em Administracao atualmente?" e "Quais tematicas sobre sustentabilidade sao abordadas em suas aulas?" tornou possivel relacionar as tematicas sobre sustentabilidade, utilizadas pelos professores ao ministrarem as disciplinas (Quadro 5). Para uma uniformizacao das respostas, ja que cada IES nomeia o mesmo conteudo didatico de forma diferente, identifica-se cada disciplina citada conforme o Quadro 2 que apresenta a uma proposta para desenvolver transversalmente tematicas sobre sustentabilidade.

No Quadro 5 percebe-se que muitas das tematicas que compoem a proposta adaptada a partir de Souza et al. (2011a; 2011b) e Barbieri e Silva (2010; 2011) tem reflexo no levantamento realizado a partir da resposta dos professores. Observa-se a necessidade de uma maior diversificacao nas tematicas utilizadas. Verifica-se o uso de termos muito genericos, tais como Sustentabilidade Economica e Social/Desenvolvimento Sustentavel, ou pouco abrangentes, como Reciclagem e Projetos Sociais, Balanco Social e ISE Bovespa, TI Verde e Lixo Eletronico.

No caso das IES--PR2, PU1 e PU2 que disseram nao integrarem tematicas sobre sustentabilidade na disciplina e os docentes tem a liberdade de escolher as tematicas que lhes convem para inserir na disciplina. Araujo (2003b) indica que se evite essa situacao, pois a escolha do docente pode nao contemplar a necessidade do curso/disciplina. Uma capacitacao profissional (GARCIA, 1992; TRIVELATO, 2003) poderia atualizar os docentes quanto as tematicas sobre sustentabilidade aderente as disciplinas que ministram.

4.7 Resposta as Questoes Basicas de Pesquisa

O desenvolvimento desta pesquisa se norteou por responder a duas questoes basicas e envolveu a elaboracao de seis objetivos de especificos. A analise dos resultados alcancados e desdobrada para avaliar as questoes centrais de pesquisa: Quais sao as pressoes que contribuem para a institucionalizacao da Educacao Ambiental em cursos de graduacao em Administracao como tema transversal? E existem pressoes isomorficas que poderiam facilitar a convergencia e a articulacao do ensino ambiental como tema transversal? Pelos resultados pode-se concluir que, nas IES pesquisadas, a pressao isomorfica coercitiva, por parte da sociedade, e normativa, ligada a atuacao profissional, sao as que mais contribuem para a institucionalizacao da Educacao Ambiental em cursos de graduacao em Administracao como tema transversal.

A pressao coercitiva exercida pelo MEC foi identificada como branda, sem sintonia com as determinacoes da PNEA. O que realmente leva a IES a utilizar as tematicas sobre sustentabilidade no curso de Administracao sao as exigencias sociais para formacao do administrador. Verificou-se, tambem, que a PNEA nao permite a realizacao de uma disciplina sobre sustentabilidade no curso, fato observado na maioria das IES pesquisadas. Uma atuacao coercitiva do MEC, sintonizada com as determinacoes da PNEA em instituir a transversalidade na disciplina e, principalmente, uma pressao normativa provocada por uma formacao inicial adequada e por cursos de capacitacao que disseminassem a importancia, a metodologia e as tematicas relacionadas a cada disciplina, facilitariam a convergencia e a articulacao do ensino ambiental como tema transversal no curso de graduacao em Administracao.

5 CONSIDERACOES E PROPOSICOES FINAIS

O trabalho apresentado se contextualiza a partir do cenario tracado pela PNEA que determina a inclusao da EA em todos os niveis do ensino brasileiro, de modo transversal, continuo e permanente, vedando as instituicoes de ensino sua utilizacao como uma disciplina especifica. A falta de sintonia da PNEA com as DCN da Administracao e a conclusao mais geral e importante desta pesquisa, que justifica a abordagem deste tema como objeto de investigacao, o que tem sido ignorado na academia da area de Administracao sobre a EA para a formacao do profissional de graduacao.

De acordo com os resultados obtidos, verifica-se que o Ministerio da Educacao, ao supervisionar as IES, nao considera a existencia da PNEA. Esse e um resultado forte, mas inegavel. Outras pesquisas poderiam identificar se essa postura que leva o MEC a ignorar, em seus documentos, as diretrizes tracadas pela PNEA, se faz presente na formacao/treinamento dos profissionais da educacao que atuam nas equipes fiscalizadoras formadas pelo MEC.

Ainda de acordo com a analise dos resultados, foram formuladas tres proposicoes, que poderiam ser utilizadas em pesquisas futuras, que abrangessem um universo maior de IES que oferecam cursos, presenciais ou a distancia, de graduacao em Administracao.

Na comparacao das tematicas sobre sustentabilidade, utilizadas pelos professores e a proposta de preenchimento da linha de transversalidade (Quadro 2), verifica-se que multiplos aspectos da sustentabilidade sao desenvolvidos na area de Administracao. Verificou-se, em alguns casos, a necessidade de adequacao quanto a tematica utilizada em funcao do conteudo das disciplinas especificas, como financas, marketing, recursos humanos, entre outras. Esses dados permitem elaborar a seguinte proposicao: a EA como tema transversal de graduacao em Administracao segue o enfoque da sustentabilidade em seus multiplos aspectos, de acordo com a dinamica de geracao do conhecimento das pesquisas da area.

O MEC da um impulso inicial ao exigir que as tematicas sobre sustentabilidade sejam tratadas no curso de forma transversal, mas se contenta com uma utilizacao minimalista das tematicas, sem utilizar a PNEA como ferramenta para exigir/guiar uma utilizacao mais profunda e incisiva e sem disseminar o conhecimento sobre a PNEA entre as IES. Com essa conclusao formula-se a segunda proposicao: o MEC e o responsavel pela a insercao do ensino transversal de EA do curso de Administracao, mas por nao exercer uma pressao isomorfica coercitiva (poder de autorizar e fiscalizar o curso) visando fazer cumprir as recomendacoes da PNEA, sendo sua atuacao limitada a verificar se o ensino transversal e realizado ou nao.

Conforme o levantamento realizado, as IES tem disciplinas que nao utilizam as tematicas sobre sustentabilidade transversalmente. Algumas utilizam uma disciplina para ministrar a tematica no curso, recurso vedado pela PNEA. Verificsa-se que as metodologias, para utilizacao de um tema transversal, sao desconhecidas pelos coordenadores e que sua utilizacao depende da formacao anterior dos docentes, em sua grande maioria sem a preparacao adequada.

Diante dessa constatacao a seguinte proposicao e apresentada: as IES inserem no curso de graduacao em Administracao o ensino da sustentabilidade como uma resposta a acao coercitivas do MEC, mas sem integrar a tematica transversalmente na totalidade das disciplinas, sem treinar docentes ou preparar metodologias e acoes pedagogicas que vao ao encontro do exigido na PNEA. Ja que todas as metodologias de aplicacao de um tema transversal podem ser utilizadas concomitantemente, nada impede a existencia de uma disciplina especifica que o discuta mais amplamente em um curso de Graduacao.

DOI: http://dx.doi.org/10.5007/2175-8077.2013v15n37p170

Artigo recebido em: 31/01/2013

Aceito em: 25/07/2013

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Heloisa Helena Marques da Silva

Assistente Academica do PPGA das Faculdades Metropolitanas Unidas--FMU--Sao Paulo--SP--Brasil. E- mail: hheloiza@gmail.com

Milton de Abreu Campanario

Doutorado em Doctor of Philosophy pela Cornell University, EUA. Professor de Economia da Faculdade de Economia, Administracao e Contabilidade--USP--Sao Paulo--SP--Brasil. E-mail: campanario@usp.br

Maria Tereza Saraiva de Souza

Doutorado em Administracao de Empresas pela Escola de Administracao de Empresas de Sao Paulo. Professora de PPGA da FEI Centro Universitario da FEI--Sao Paulo--SP--Brasil. E-mail: mariaterezasaraivas@gmail.com
Quadro 1: Formas para aplicacao de um tema transversal

METODOLOGIA                                DEFINICAO

AP--Atividades Pontuais   A transversalidade ocorre no conteudo da
                          disciplina de forma pontual, por intermedio
                          de trabalhos, modulos de atividades ou
                          aulas especificas.

DPA--Disciplinas,         O professor nao possuiria a formacao
Palestras e Assessorias   adequada para tratar o tema transversal na
                          sala de aula e recorre a profissionais
                          especializados para seu oferecimento por
                          meio de disciplinas extras, palestras e
                          pelo desenvolvimento de projetos que estao
                          desconectados das atividades desenvolvidas
                          pelas disciplinas curriculares.

PI--Projetos              E desenvolvida uma gama de materiais
Interdisciplinares        didaticos que passam a ser usados na
                          escola, no decorrer do ano letivo, pelas
                          disciplinas, que utilizam tais conteudos
                          como tema para desenvolver suas atividades.

TID--Transversalidade     E uma forma de incorporar o tema
Incorporada nas           transversal aos conteudos disciplinares. As
Disciplinas               preocupacoes com o cotidiano e os problemas
                          sociais estao intrinsecamente ligados aos
                          objetivos das disciplinas especificas. O
                          comprometimento do professor com o tema
                          transversal tem influencia direta nessa
                          forma metodologica.

TCO--Transversalidade     A presenca do tema transversal e um
Como Curriculo Oculto     "curriculo oculto" que permeia as acoes e
                          avaliacoes dos docentes. O uso das
                          tematicas que ocorre no surgimento de
                          oportunidades nas salas de aula. Que o
                          professor usa para promover discussoes com
                          os alunos sobre o ocorrido e suas
                          consequencias.

Nota: Definicoes tiradas de Araujo (2003b)

Quadro 2: Tematicas--Linha de Transversalidade

                                      TEMATICAS DA PRODUCAO CIENTIFICA
                                           SOBRE SUSTENTABILIDADE
CONTEUDOS DE FORMACAO
PROFISSIONAL                                TEMATICAS AMBIENTAIS

Administracao Financeira e           Passivo ambiental; Contabilidade
Orcamentaria                         ambiental; Indicadores de
                                     desenvolvimento Sustentavel;
                                     Relatorios de sustentabilidade.

Teorias da Administracao; Teorias    Responsabilidade ambiental;
das Organizacoes; Administracao      Gestao de meio ambiente;
de Servicos; Administracao           Governanca ambiental; indice de
Estrategica; Administracao de        sustentabilidade;
Sistema de Informacao.               Sustentabilidade corporativa;
                                     Norma socioambiental; Gestao
                                     socioambiental; Incorporacao de
                                     questoes ambientais e sociais;
                                     Responsabilidade (social/
                                     ambiental/soeioambiental).

Administracao de Recursos Humanos    Conflito
                                     (ambiental-socioambiental);
                                     Coleta seletiva; Educacao
                                     Ambiental.

Administracao de Materiais,          Ecoeficiencia; Analise de risco
Producao e Logistica                 ambiental; Dano ambiental;
                                     Acidente ambiental;
                                     Reaproveitamento, reciclagem;
                                     Gestao de perdas; Producao mais
                                     limpa; Cadeia de suprimento
                                     organico e reversa; Compra verde;
                                     Logistica reversa; Avaliacao do
                                     ciclo de vida.

Administracao Mercadologica/         Analise do Ciclo de vida (ACV);
Marketing                            Apelo-Atributo (ecologico);
                                     Comportamento socioambiental;
                                     Consumo (consciente,
                                     sustentavel); Decisao de compra
                                     ecologica; Marketing ambiental-
                                     Propaganda ecologica; Produto
                                     sustentavel.

                                      TEMATICAS DA PRODUCAO CIENTIFICA
                                           SOBRE SUSTENTABILIDADE
CONTEUDOS DE FORMACAO
PROFISSIONAL                                       ENGEMA

Administracao Financeira e           Analise de risco; Contabilidade
Orcamentaria                         ambiental; Fundos eticos;
                                     Indicadores socioambientais;
                                     Investimentos sustentaveis;
                                     Riscos ambientais e valor da
                                     empresa; Tecnica de avaliacao e
                                     valoracao economica.

Teorias da Administracao; Teorias    Ecologia industrial; Gestao
das Organizacoes; Administracao      socioambiental e de desempenho
de Servicos; Administracao           empresarial; Gestao sustentavel
Estrategica; Administracao de        da cadeia de suprimento; Gestao
Sistema de Informacao.               tecnologica, meio ambiente e
                                     responsabilidade social;
                                     Indicadores ambientais; Modelos
                                     de gestao ambiental estrategica;
                                     Parcerias interorganizacionais e
                                     empreendedorismo socioambiental;
                                     Responsabilidade socioambiental
                                     empresarial.

Administracao de Recursos Humanos    Conflitos no ambito
                                     socioambiental empresarial;
                                     Gestao de RH para gestao
                                     ambiental; Sistemas de gestao
                                     ambiental e de responsabilidade
                                     social; Tecnicas de negociacao e
                                     mediacao em questoes
                                     socioambientais.

Administracao de Materiais,          Analise de riscos ambientais;
Producao e Logistica                 Avaliacao de impactos ambientais;
                                     Avaliacao do ciclo de vida;
                                     Compras sustentaveis; Ecologia
                                     industrial; Estrategia
                                     empresarial e meio ambiente;
                                     Gerenciamento integrado de
                                     residuos; Gestao sustentavel de
                                     cadeia de suprimento; Gestao
                                     tecnologica, meio ambiente e
                                     responsabilidade social;
                                     Indicadores socioambientais;
                                     Logistica reversa; Producao mais
                                     limpa; Reducao de pobreza e
                                     projetos socioambientais
                                     empresariais; Rotulagem e
                                     certificacao ambiental; Sistema
                                     de gestao ambiental e
                                     responsabilidade social; Sistemas
                                     de gestao integrados.

Administracao Mercadologica/         Avaliacao do ciclo de vida;
Marketing                            Consumo sustentavel; Estrategia
                                     empresarial e meio ambiente;
                                     Marketing verde e social; Reducao
                                     de pobreza e projetos
                                     socioambientais empresariais;
                                     Rotulagem e certificacao
                                     ambiental.

Fonte: Adaptado de Souza et al. (2010; 2011) e Barbieri e Silva
(2010; 2011)

Quadro 3: Cruzamento de Perguntas

                                      Voce aborda tematicas
                                      sobre sustentabilidade
                                      ao ministrar sua aula?

                                      Sim   %      Nao   %
Tiveram, na formacao inicial,
disciplinas que abordavam:            70    61.4   44    38.6

Tematicas sobre            Sim   31   18    25.7   13    27.3
Sustentabilidade
                           Nao   83   52    74.3   31    72.7

Tematicas sobre EA         Sim   19   9     12.6   10    15,9

                           Nao   95   61    87.4   34    84.1

Metodologia para           Sim   36   28    40.0   8     15,9
aplicar qualquer
tema transversal           Nao   78   42    60.0   36    84.1

Metodologia para aplicar   Sim   16   11    18.6   5     11.4
a sustentabilidade como
tema Transversal           Nao   98   59    81.4   39    88.6

Fonte: Quadro elaborado pelos autores a partir das
respostas colhidas nos questionarios

Quadro 4: Metodologias Utilizadas pelos Docentes

                                                 PR1   PR2   PU1   PU2

Total de Docentes                                 9    31    32    40

Nos momentos em que seja conveniente tocar no     1     5    12    11
assunto e passar sua visao sobre o tema--TCO

A tematica esta integrada intrinsecamente ao     12     8    11    10
conteudo da Disciplina--TID

Utilizando atividades pontuais--trabalhos,        2     5     9     8
modulos, aulas e/ou atividades especificas--AP

Fonte: Quadro elaborado pelos autores a partir das
respostas colhidas nos questionarios

Quadro 5: Tematicas Sobre Sustentabilidade Abordadas
nas Disciplinas

                                           Quais tematicas sobre
QUAIS DISCIPLINAS SAO MINISTRADAS    SUSTENTABILIDADE SAO ABORDADAS EM
NO CURSO ATUALMENTE?                            SUAS AULAS?

Administracao financeira e           ISO 1400; Sustentabilidade
Orcamentaria                         economica e ambiental;
                                     Sustentabilidade dos ecossistemas
                                     e das empresas; Indicadores de
                                     sustentabilidade; Balanco social;
                                     Globalizacao e Meio ambiente.

Teorias da Administracao e das       Questoes climaticas e Mobilidade
organizacoes Administracao           urbana; Responsabilidade social;
estrategica Administracao de         ISE-Bovespa; Etica empresarial;
sistema de informacao                Gestao de Stakeholders; Producao
                                     mais limpa; Desenvolvimento
                                     sustentavel; Sustentabilidade
                                     economica e social; Lixo
                                     tecnologico e TI verde; Analise
                                     do ciclo de vida.

Administracao de Recursos Humanos    Sustentabilidade social e
                                     economica; Desenvolvimento
                                     sustentavel; Eeoefieieneia;
                                     Responsabilidade social;
                                     Reciclagem e Projetos sociais;
                                     Gestao para o desenvolvimento
                                     sustentavel.

Administracao de Materiais, de       Competitividade X
Producao e Logistica                 sustentabilidade; Producao mais
                                     limpa; Localizacao empresarial;
                                     Logistica reversa;
                                     Sustentabilidade da logistica;
                                     Responsabilidade social
                                     ambiental; Projetos de sistemas
                                     de producao; Ecoeficiencia;
                                     Reciclagem; Analise do ciclo de
                                     vida; Ergonomia; Competitividade
                                     x sustentabilidade.

Administracao mercadologica/         Consumo consciente; Obsolencia
marketing                            planejada; Consumo verde e
                                     Marketing social;
                                     Responsabilidade social do
                                     marketing; Consumo sustentavel;
                                     Sustentabilidade como Vantagem
                                     competitiva.

Fonte: Quadro elaborado pelos autores a partir das respostas
colhidas nos questionarios
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Author:da Silva, Heloisa Helena Marques; Campanario, Milton de Abreu; de Souza, Maria Tereza Saraiva
Publication:Revista de Ciencias da Administracao
Date:Dec 1, 2013
Words:9229
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