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The insertion of town small of Ampere--PR in urban network from industrial dynamics/A insercao da cidade pequena de Ampere--PR na rede urbana a partir da dinamica industrial.

1. INTRODUCAO

O objetivo deste trabalho e analisar a insercao de Ampere--Parana na rede urbana a partir da dinamica de seu setor produtivo. Conforme o ultimo estudo denominado de Regiao de Influencia das Cidades (REGIC) (IBGE, 2008), Ampere e um centro local inserido na rede urbana de Francisco Beltrao --PR, localizada na mesorregiao Sudoeste Paranaense. A cidade conta com 13.257 habitantes, valendo destacar que a populacao total e de 17.308 habitantes, portanto, 76,59% de populacao urbana (IBGE, 2010).

Este trabalho se justifica, sobretudo, devido a relativa ausencia de pesquisas enfocando as "pequenas cidades e centros locais". Segundo Monbeig (1957, p.36) as cidades pequenas merecem ser estudadas, pois, sao tao interessantes "[...] quanto as colmeias urbanas modernas e e quase sempre mais dificil precisar seu mecanismo e o ritmo calmo de sua vida do que analisar as engrenagens bem lubrificadas, correndo a toda velocidade, das metropoles imponentes. [...]".

A genese dos nucleos urbanos da Rede de Francisco Beltrao pode ser caracterizada, basicamente, pela coleta e expedicao dos produtos agricolas e pela distribuicao de bens e servicos. Dessa maneira, a rede de cidades originou-se relacionada as necessidades de venda e compra de produtos pelos colonos (CORREA, 1970a; 1970b). Vale destacar que, Ampere se tornou municipio em 28 de novembro de 1961 e suas terras foram desmembradas de Capanema e de Santo Antonio do Sudoeste, tendo como foco da vida urbana a "bodega", nome dado pela populacao local aos pequenos comercios de "secos e molhados" (CASARIL, 2014).

Ampere (como sua rede urbana) desenvolveu uma formacao social calcada na presenca de pequenos proprietarios rurais, vinculada a pequenos comercios e artesanato local. O complexo de atividades artesanais foi se desintegrando do campo "pari passu" e a medida que se avancava essa desintegracao, prenunciavam novas atividades industriais, sobretudo, a partir dos anos 1970. Ampere despontou nesse periodo pela forca do empresariado local que, a partir de emprestimos, poupanca familiar, entre outros, investiu no setor produtivo, com destaque para o segmento moveleiro e de confeccoes (CASARIL, 2014).

Ao analisar a dinamica atual do setor produtivo e suas contemporaneas interacoes, verifica-se que a rede urbana de Francisco Beltrao, na qual Ampere esta inserida, torna-se cada vez mais complexa. E, essa complexidade aumenta a medida que se amplia a divisao territorial do trabalho (FRESCA, 2010).

O artigo foi dividido em quatro partes, sendo a introducao; os materiais e metodos; os resultados e discussoes que se subdividiu em duas etapas, na primeira apresenta-se uma discussao sobre o conceito de rede urbana, a fim de permitir um entendimento da fundamentacao teorica utilizada no trabalho e na segunda desenvolve-se a analise sobre a insercao de Ampere na rede urbana, apresentando a discussao sobre a genese e a evolucao das industrias instaladas, com analises comparativas, possibilitando um entendimento de como a dinamica do setor industrial contribuiu para a complexidade da rede urbana de Francisco Beltrao e possibilitou a Ampere, uma cidade local, inserirse em mais de uma rede urbana; finalizando com as consideracoes e referencias.

2. MATERIAIS E METODOS

Para a realizacao da pesquisa, alguns procedimentos metodologicos e operacionais foram utilizados, estes tanto de carater quantitativos como qualitativos.

Os procedimentos operacionalizados dizem respeito a trabalhos de campo, uma das principais ferramentas utilizadas nas pesquisas pelos geografos, realizados, sobretudo, nos estabelecimentos industriais citados no artigo, e, trabalhos considerados de gabinete, como revisao bibliografica, coleta de dados secundarios em diversas instituicoes, como Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE), Ministerio do Trabalho e Emprego (MTE), por meio da Relacao Anual de Informacoes Sociais (RAIS), sem esquecer-se de pesquisa documental em jornais regionais, sempre procurando informacoes importantes para o desenvolvimento da pesquisa.

A fim de analisar esta determinada rede urbana, utilizou-se como perspectiva teorica a categoria de Formacao Socio-Espacial (FES) (SANTOS, 1977). A analise busca a apreensao da realidade, que apresenta multiplas determinacoes, caracteristicas proprias de formacoes sociais antigas e novas (continuidades e descontinuidades).

[...] A combinacao de sucessivas justaposicoes produzira, nas formacoes socio-espaciais, efeitos especificos, que variam no espaco e contribuem para promover e ampliar as diversidades geograficas, pois tais processos materializam-se de maneira distinta e seletiva, assim como sofrem ajustes, em maior ou menor grau, no contato com a propria formacao socioespacial, resultando, portanto, numa organizacao diferenciada do espaco [...] (BESSA, 2007, p.61-62, grifo nosso).

A essas combinacoes supracitadas, pode-se ainda somar um entendimento com base nas ideias de Andre Cholley (1964a; 1964b), que fala nas "combinacoes geograficas", ou seja, que o entendimento de toda realidade e formada por combinacoes de elementos de origens fisicas, biologicas e humanas, o que na verdade se soma a proposta das multiplas determinacoes de Karl Marx, e que, todavia, vem a se somar junto a nossa perspectiva teorica para o estudo de uma dada rede urbana.

E, a respeito da categoria de FSE, Espindola e Silva (1997), expoem que,

[...] no campo das pesquisas em geografia que se apoiam nessa categoria, e lamentavel constatar que boa parte de trabalhos fomenta uma espaciologia esteril, pois se ocupa dos processos historicos, sociais e geograficos, sem partir da esfera da producao--pratica absolutamente crucial na analise das sociedades onde o capitalismo e dominante (ESPINDOLA; SILVA, 1997, p. 62).

Deste modo, concorda-se com os autores supracitados, pois os estudos sobre redes urbanas nao devem e nao podem partir de outra esfera que nao seja a da producao e, isso contempla os alicerces de nossa proposta, fundamentada na FSE. Assim, credita-se ao setor produtivo a peca fundamental para se iniciar a analise de qualquer rede urbana, pois vivemos numa sociedade capitalista, onde os centros urbanos e por consequencia as redes urbanas sao estruturadas pela acumulacao de capital, atraves de seus complexos de producao, distribuicao, circulacao e consumo. Valendo enfatizar que, "[...] nao apenas a relacao de uma nacao com outras, porem ate mesmo toda a estrutura interna dessa nacao, depende do nivel de desenvolvimento de sua producao e de seu intercambio interno e externo" (MARX; ENGELS, 2007, p. 43). Assim, a partir da analise da producao, edificada no metodo materialista pode-se explicar teoricamente as relacoes tanto interurbanas, como intraurbanas entre os lugares.

3. RESULTADOS E DISCUSSOES

3.1. Algumas discussoes sobre o conceito de rede urbana

A insercao dos estudos sobre rede urbana no Brasil tem sua genese a partir da publicacao do artigo de Deffontaines (1944 e 1945) (2) "Como se constituiu no Brasil a rede das cidades", no Boletim de Geografia. Neste artigo, Deffontaines (1944; 1945) assinala o estado da arte do sistema urbano brasileiro das decadas de 1930-1940, assegurando que a rede urbana brasileira se encontrava em sua "infancia", marcada pela expectativa de crescimento e instabilidade das cidades.

Em 1956, durante o Congresso da Uniao Geografica Internacional (UGI), realizado no Rio de Janeiro, a tematica da rede urbana aparece novamente e, a partir de entao, varios pesquisadores realizaram analises sobre o tema.

As pesquisas desenvolvidas sobre a tematica da rede urbana voltaram a receber maior dedicacao, a partir da decada de 1990. Podemos dizer que, ate mesmo, durante toda a primeira decada do seculo XXI, foram levados adiante estudos sobre a tematica que ainda proclamam da "teoria das localidades centrais" proposta pelo Geografo Alemao Walter Christaller, como a mais adequada teoria para problematizar uma dada rede urbana, ganham destaque, por exemplo, o estudo do IBGE (2008), entre outros.

A rede urbana e estruturada a partir da uniao de centros urbanos articulados entre si, o que por sua vez, demonstra e condiciona as transformacoes economico-sociais (CORREA, 1988). O importante e compreender que para desvendar uma dada rede urbana, a analise de sua genese e dinamica se torna imprescindivel e, deve ser buscada em seu processo historico, atribuindo a rede uma natureza social, tornando-a uma dimensao socio-espacial, que reflete e condiciona a sociedade que a produziu. Deste modo, a rede urbana seria "[...] um produto social, historicamente contextualizado, cujo papel crucial e o de, atraves de interacoes sociais espacializadas, articular toda a sociedade numa dada porcao do espaco, garantindo a sua existencia e reproducao" (CORREA, 1997, p.93).

Sendo a rede urbana uma dimensao socio-espacial da sociedade, constatamos que os processos de concepcao, apropriacao e circulacao do valor excedente, frequentemente modificado, ja que e integrado a divisao territorial do trabalho, estao igualmente em constante alteracao. O que, todavia nos faz entender que a rede urbana e um reflexo "[...] dos efeitos acumulados da pratica de diferentes agentes sociais, sobretudo as grandes corporacoes multifuncionais e multilocalizadas que, efetivamente, introduzem, tanto na cidade como no campo, atividades que geram diferenciacoes entre os centros urbanos [...]". Tais, diferenciacoes socio-espaciais, provocam alteracoes dialeticas, atraves de continuidades e descontinuidades. "[...] Neste sentido, e necessario que se compreenda a logica da implantacao das atividades no mais ou menos complexo mosaico de centros e hinterlandias [...]". Isso recomenda ponderarmos as "[...] motivacoes dos diversos agentes sociais, bem como o entendimento dos conflitos de interesses entre eles [...]. Implica, ainda, colocar em evidencia as praticas que viabilizaram a articulacao entre os distintos centros urbanos e suas hinterlandias [...]" (CORREA, 2006, p. 27).

A rede urbana e ainda condicao para a divisao territorial do trabalho, pois define os pontos de relacoes e as vias de trafego por onde os fluxos sao postos e permitem a concepcao e transformacao constante e desigual de atividades e cidades (FRESCA, 2004). Assim, a rede urbana, atraves dos papeis de seus centros urbanos, articula: setor primario, setor secundario, setor financeiro, comercio atacadista e varejista, servicos de armazenagem, transporte, administrativo, contabil, educacao, saude dentre outros. Portanto, sao nos centros inseridos em uma determinada rede urbana, que se produzem as condicoes imperativas para a producao, distribuicao, circulacao e consumo.

A rede urbana brasileira era ate o inicio dos anos 1950 assinalada por um grau limitado de diversificacao funcional de suas cidades, como Deffontaines (1945) mencionou, a rede urbana brasileira se encontrava em sua "infancia", ou seja, seu processo de formacao havia tao somente iniciado. Sua importancia relacionava-se a posicao que ocupava na hierarquia urbana, vinculada a divisao territorial do trabalho revelada, segundo suas funcoes centrais distribuidas conforme o modelo hierarquico christalleriano.

Este modelo hierarquico supracitado foi estruturado pelo geografo alemao Walter Christaller, nomeando-se "teoria das localidades centrais" (3). Nele, Christaller (1966) demonstrou a presenca de uma hierarquia entre cidades determinadas pela logica da extracao tributaria e pelas necessidades da circulacao mercantil estabelecidas permanentemente no territorio. Nesta teoria, qualquer estabelecimento comercial, industrial ou prestador de servicos, fornece bens e servicos a uma regiao proxima do centro fornecedor, representando, assim, uma polarizacao espacial da aglomeracao urbana. Proporcionando, a constituicao de uma hierarquia de cidades, em que, no nivel mais elementar, estariam as cidades produtoras basicamente de bens e servicos, aqueles mais procurados pela populacao para sua reproducao social cotidiana, e, do outro lado, estariam os centros maiores, geradores de produtos e servicos mais especializados para uma area territorial mais extensa.

A caracteristica basica da teoria das localidades centrais, nao e mais valida (4) para Santos (1993, p.53), pois a rede urbana torna-se "Cada vez mais diferenciada, cada vez mais complexificada, cada cidade e seu campo respondem por relacoes especificas, proprias as condicoes novas da realizacao da vida economica e social [...] Hoje, cada cidade e diferente da outra, nao importa seu tamanho [...]". Essa nova caracteristica da rede urbana, a de ser complexa e diferenciada se expressa, principalmente pelas diversas maneiras como ocorrem suas insercoes na divisao territorial do trabalho, que podem ser por uma, ou varias producoes propriamente ditas. Pois, cada rede e centro urbano se inserem distintamente nos processos de producao, distribuicao, circulacao e consumo, mesmo porque, no sistema capitalista de producao os centros melhores situados tendem a se sobressair, visto que, o que interessa e a reducao de custos e sobrevalorizacao de lucros, onde a cada nova atividade surge modelos de localizacao particulares que buscam atender a logica do capital.

O paragrafo anterior explica que a posicao de um centro na hierarquia urbana nao e mais suficiente para entender sua importancia. Recentemente, necessita-se considerar "[...] suas especializacoes funcionais, sejam industriais ou vinculadas aos servicos [...]" porque a "[...] divisao territorial do trabalho entre os centros urbanos amplia-se". A complexidade funcional oriunda desta nova fase do desenvolvimento economico-social se traduz no fato de um centro situar-se em pelo menos duas redes. A primeira constituida por localidades centrais, na qual, cada centro tem na rede urbana uma posicao vinculada a distribuicao de bens e servicos "[...] (metropole, capital regional, centro sub regional, centro de zona, centro local) [...]"; a segunda, menos desenvolvida e mais irregular, em que cada centro "[...] desempenha um papel singular e/ou complementar a outros centros" (CORREA, 1997, p.100).

Assim, cada centro pode ter relacoes com centros de niveis hierarquicos mais elevados, nao necessariamente sendo um centro do proximo nivel hierarquico, as relacoes podem ser realizadas de um centro local diretamente com a metropole nacional. Destacando que, o modelo teorico basico nao se alterou, o que se alterou foram as multiplas determinacoes de suas relacoes. Diante disso, para nos a rede urbana brasileira pode ser analisada atraves da teoria Christalleriana, basta fazermos os complementos necessarios para acompanhar a complexificacao atual da sociedade e rede urbana, visto que a complexidade da divisao territorial do trabalho leva a numerosas especializacoes funcionais/produtivas, que definem diversos centros urbanos.

3.2. A insercao de Ampere--Parana na rede urbana de Francisco Beltrao --Parana

Conforme o estudo, denominado de Regioes de Influencia das Cidades (REGIC) publicado em 2008 pelo IBGE e, no que diz respeito aos seus resultados obtidos, verificou-se que, o mesmo subdivide as sedes municipais brasileiras em sete niveis hierarquicos: Grande Metropole Nacional, representado por Sao Paulo; Metropole Nacional (Rio de Janeiro); Metropole (Brasilia). As Capitais Regionais integram 70 cidades, "[...] Com capacidade de gestao no nivel imediatamente inferior ao das metropoles, tem area de influencia de ambito regional, sendo referidas como destino, para um conjunto de atividades, por grande numero de municipios. [...]" (IBGE, 2008, p. 11), estas Capitais Regionais se dividem em tres categorias: a) 11 centros urbanos, b) 20 cidades e, c) 39 cidades. Na sequencia aparecem os Centros Sub-Regionais que agregam 169 cidades, subdivididas em duas categorias: a) 85 cidades e b) 79 cidades; Os Centros de Zona, sao formados por 556 cidades e, tambem se dividem em duas categorias a) 192 cidades e b) 364 cidades, estes possuem atuacao restrita a sua area imediata, alem de exercerem funcoes de gestao incipientes. E, por fim, aparecem os Centros Locais constituidos por 4.473 cidades formados por, predominantemente, menos de 10 mil habitantes que servem apenas as necessidades basicas de sua populacao (IBGE, 2008).

Vale destacar que, o IBGE pesquisou 4.625 cidades de um universo de 5.564 sedes municipais vigentes em 2007, das quais aproximadamente 85% possuiam menos de 20.000 habitantes.

A seguir, apresenta-se o quadro 1, onde sintetiza-se a atual rede de cidades, com seus niveis hierarquicos e destaca-se os centros paranaenses.

Esta breve apresentacao dos resultados do REGIC (IBGE, 2008) em relacao a rede urbana nacional e paranaense, vem ao encontro de possibilitar ao leitor um melhor entendimento e nos permite situar este trabalho sobre a insercao da cidade de Ampere na rede urbana.

A atual rede urbana de Francisco Beltrao (IBGE, 2008), e formada pela cidade de Francisco Beltrao mais 24 centros e, e polarizada por Cascavel (o mapa 1, apresenta a rede de Francisco Beltrao e a rede de Pato Branco). Francisco Beltrao e Dois Vizinhos possuem o maior percentual de populacao urbana, 85,43% e 77,67%, respectivamente (IBGE, 2010), o maior numero de atividades e os maiores niveis hierarquicos (Francisco Beltrao, "Centro Subregional A" e Dois Vizinhos, "Centro de Zona A"). Ampere aparece na rede como "Centro Local" (IBGE, 2008).

O mapa 1, apresenta duas redes urbanas. A fim de um melhor entendimento, apresenta-se a figura 1, que destaca a estrutura da rede urbana de Francisco Beltrao, formada a partir do REGIC (IBGE, 2008). Ressaltando que, uma figura neste mesmo estilo e formada para apresentar a rede de Pato Branco, porem como este trabalho discute a insercao da cidade pequena de Ampere (PR) na rede urbana e, como esta cidade faz parte da regiao de influencia de Francisco Beltrao, apresenta-se apenas uma figura. Todavia, no mapa 1, deixa-se claro que na mesorregiao Sudoeste Paranaense existem duas redes urbanas (IBGE, 2008).

Os centros urbanos da rede desenvolveram uma urbanizacao reduzida, pois seu patamar era de apenas 16%, em 1970 e evoluiu para 67,42% em 2010. Uma taxa de urbanizacao menor que a nacional (84,4%), menor que a do Estado (85%), menor que a do Sudoeste Paranaense (70,23%) e menor que a da rede de Pato Branco (76,78%). Um fato que corrobora para que a rede possua um baixo indice de urbanizacao e que, dos 25 centros da rede, nove possuem maior porcentagem de populacao rural e seis possuem populacao rural na faixa dos 40% (IBGE, 2010). A tabela 1 abaixo apresenta os dados demograficos da Rede Urbana de Francisco Beltrao.

Nenhum centro da rede possuia populacao urbana superior a 50% em 1970 e, em 1980, apenas Francisco Beltrao alcancara este indice (58,43%). Ja em 2010, 16 centros ultrapassaram os 50% de urbanizacao (Ampere 76,59%), ou seja, somente 64% dos centros da rede eram urbanos.

Pode-se considerar a maioria dos centros da rede de Francisco Beltrao como cidades locais, aqueles que estao na confluencia do rural com o urbano (CORREA, 1999), sendo uma tarefa ardua diferencia-los. Mas pode-se dizer que, os dois principais centros da rede, Francisco Beltrao e Dois Vizinhos, sao cidades pequenas, o mesmo valendo para Ampere. Francisco Beltrao apresenta-se em nivel superior, devido a sua dinamica, podemos ate considera-la como estando no limiar entre a cidade pequena, propriamente dita e a cidade de porte medio, mas que, sobretudo, trata-se de uma cidade regional, pois possui uma capacidade de organizacao e direcao da vida regional. Vale relativizar que, Francisco Beltrao se enquadra na rede urbana nacional como um "Centro Sub-Regional A", porem seu enquadramento alterase quando se analisa este centro urbano e sua rede no Estado do Parana, pois se apresenta com uma dinamica muito mais ampla, sobretudo, quando se analisa seu papel no Sudoeste Paranaense, neste ultimo o papel/funcao de Francisco Beltrao pode ser considerado como uma cidade media, mas, sobretudo, uma cidade que possui caracteristicas de comandar e gerir a regiao. Por isso, alguns chegam a relativizar e denominar Francisco Beltrao e Pato Branco como duas capitais de uma unica regiao (o que seria uma anomalia urbana).

Os centros urbanos de Realeza, Santo Antonio do Sudoeste, Ampere e Sao Joao, por possuirem uma dinamica demografica e de atividades urbanas em expansao, podem ser considerados tambem, como cidades pequenas, sobretudo, os tres ultimos centros, que possuem dinamicas industriais consideradas e e atraves destas producoes que se inserem na rede (FRESCA, 2001).

Ja os centros urbanos de menores niveis hierarquicos da rede, ou seja, as cidades locais podem ser sintetizadas pelas palavras de Jose Sidnei Goncalves (2001) "o comercio local e toda estrutura de servicos urbanos [...], giram em torno do movimento das suas lavouras e criacoes, sendo que, em anos de safra boa, ha um nitido animo da vida local, caso contrario, cria-se um clima de dificuldades" (GONCALVES, 2001, p.55). Aqui, nao se pode esquecerse de mencionar que, algumas cidades locais da rede vem apresentando um importante processo de industrializacao, o que por sua vez, contribui para ampliar a dinamica urbana e, em alguns casos alterar qualitativamente a analise realizada pelo autor supracitado.

Como este trabalho analisa determinadas industrias instaladas em Ampere, neste momento se faz necessario apresentar o quadro 2, que nomeia as industrias analisadas e seus respectivos anos de fundacao. Em sequencia procede a apresentacao de informacoes de cada empresa industrial e realiza se analise comparativa, possibilitando um entendimento de como a dinamica do setor industrial contribuiu para a complexidade da rede urbana de Francisco Beltrao e possibilitou a Ampere, uma cidade local, inserir-se em mais de uma rede urbana.

Dando destaque a Ampere, em relacao ao setor de confeccoes, verificase que o mesmo comecou a sair do complexo rural, no decorrer da decada de 1970 (5). Conforme informacoes obtidas em trabalho de campo (entrevista aberta), realizada com o Sr. Luiz Krindges (diretor da industria), a industria Krindges de Ampere teve sua genese em 1977, quando Dona Ilaria, que costurava roupas masculinas sob medida percebeu um potencial para industrializar a producao, pois ja recebia ajuda do marido e de seus filhos. A partir disso, e com um capital acumulado do proprio trabalho, dona Ilaria funda em novembro de 1977 a "Krindges e Filhos Ltda.", inicialmente a producao de calcas sociais era toda comercializada em seu proprio comercio, a "Loja Leoni". Em 1982, os irmaos estimulados por aumentar a producao familiar, contratam 20 funcionarios e passaram a produzir produtos em serie (3.500 pecas/mes) entre calcas e bermudas, destinadas a loja da familia e as lojas e atacados da regiao. Pelas informacoes concedidas, a producao na decada de 1980, ficou restrita "comercialmente" a regiao e a algumas cidades do Oeste de SC. Foi somente no decorrer dos anos 1990 (6) que os produtos passaram a serem distribuidos para outras regioes, principalmente para cidades da regiao Sul e Sao Paulo.

Para se ter nocao do desempenho industrial na rede durante os anos 1980, podemos destacar que nos dois primeiros quarteis desta decada, somente tres centros aumentaram o numero de pessoas ocupadas. Centros estes que correspondem ate hoje aos mais dinamicos da rede, sendo eles, Francisco Beltrao, Dois Vizinhos e Ampere, onde o primeiro centro somou 460 novos postos de trabalho, o segundo gerou 586 novos empregos e Ampere apresentou um saldo positivo de 50 novas vagas. E, em relacao aos estabelecimentos, ocorreu diminuicao em todos os 14 centros da rede (BRASIL, 1985).

Ampere ampliou seu numero de vagas de empregos industriais, entre os anos 1990 e 2000, passando de 22 estabelecimentos e 400 empregos em 1990, para 36 estabelecimentos e 1041 postos de trabalho em 1995 e a expansao continuou, ate atingir a cifra de 50 unidades fabris e 1974 empregos no ano 2000 (BRASIL, 1990, 1995, 2000).

Ampere (7) despontou nesse periodo, pela forca do empresariado local, que a partir de emprestimos, poupanca familiar, entre outros, investiu no setor produtivo, com destaque para o segmento moveleiro e de confeccoes. Entre outras empresas, nascidas na decada de 1990, nesse centro urbano, destacam-se a GhelPlus Inox, fundada em 15 de julho de 1990, produzindo inicialmente pias de aco de inox e aluminio. Atualmente, a empresa possui maquinas com tecnologia de ponta.

A empresa GhelPlus montou no final dos anos 1990, uma frota propria de caminhoes, para realizar suas entregas. Nesse periodo, a empresa comercializava seus produtos para centros urbanos da regiao Sul e do Estado de Sao Paulo.

Outra industria instalada em Ampere nos anos 1990 foi a GAAM Industria e Comercio de Moveis Ltda. e, a partir de informacoes obtidas em trabalho de campo, verificou-se que a mesma foi fundada em 1995. A empresa produz gabinetes, pias, cubas e balcoes para cozinhas. Ja, no final dos anos 1990, a empresa adquiriu sua frota de caminhoes para realizar entregas proprias e para manter um cuidado maior com os produtos em seus deslocamentos, que empresas terceirizadas, nao realizavam. Durante esta decada, a empresa comercializava seus produtos, principalmente para as regioes Sul, Sudeste e Centro-Oeste, sempre atraves de representantes comerciais.

Outra empresa do setor moveleiro instalada em Ampere em 1990, e que contribuiu para que este centro ampliasse seus empregos produtivos, foi a Industria de Moveis Simosul Ltda., que segundo o diretor-geral e proprietario Ivan Simonetto, iniciou produzindo moveis populares e comercializando com centros da regiao Sul e Sao Paulo. E, a partir do ano 2000, passou a produzir moveis planejados, criando assim, a marca Simonetto Design, ampliando sua area de comercializacao em lojas multimarcas e, em 2010 inaugurou sua primeira loja exclusiva em Francisco Beltrao.

Outra industria de grande dinamismo atualmente, e que nao podemos nos esquecer de mencionar e a Industria de Moveis Notavel Ltda., que iniciou suas atividades, em 1996. Esta, entre outras, foram responsaveis por fazer, com que, este centro urbano tenha ampliado o numero de seus estabelecimentos e empregos produtivos, sempre a partir de capital local, o que demonstra a forca desses empreendedores.

A Industria de Moveis Notavel iniciou suas atividades com a producao de racks e estantes em laminado de madeira, contando com apenas cinco funcionarios e com capacidade para produzir 150 pecas por mes. E, ate 2003, a empresa atuava somente no mercado nacional, sobretudo nos centros urbanos da regiao Sul e dos Estados de Sao Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, onde sua comercializacao se dava a partir de representantes comerciais.

Os centros da rede urbana de Francisco Beltrao contabilizavam em 1990, um total de 417 estabelecimentos industriais (com destaque para o segmento da Madeira e mobiliario com 28,78%; Textil com 15,35% e Construcao civil 15,11%) e, em 2000, o numero desses estabelecimentos saltaram, para 860 unidades industriais (com enfase para os segmentos da Construcao civil, 23,72%; Madeira e mobiliario, 20,81%; Textil, 14,07% e Alimentos e bebidas, 13,14%). Em 2010, os estabelecimentos totalizavam 1.562 unidades industriais (Construcao civil, 32,97%; Textil, 15,30%; Metalurgica-aluminios, 11,40%; Madeira e mobiliario, 11,01% e Alimentos e bebidas 10,88%) (BRASIL, 1990, 2000, 2010).

Em 1990, o setor industrial gerou 7.456 empregos na rede (destacandose os segmentos, Alimentos e bebidas, com 48,94%; Madeira e mobiliario, 27,28% e Textil, 9,54%) e, em 2000, esse setor gerou 11.783 empregos produtivos na rede (sobretudo, para os setores de Alimentos e bebidas, com 34,73%; Textil, com 26,19% e Madeira e mobiliario, 16,19%). Ja, em 2010 os empregos industriais na rede saltaram para 25.862 (Alimentos e bebidas, 32,27%; Textil, 29,79% e Madeira e mobiliario, 10,44%) (BRASIL, 1990, 2000, 2010).

A maior concentracao de empregos industriais na rede estava nos centros de Francisco Beltrao, Dois Vizinhos e Ampere, sobretudo, por possuirem empresas de maior porte, como por exemplo, no primeiro centro, Sadia, Camilotti Camidoor, Raffer, Marel, Flessak, Gralha Azul entre outras, no segundo centro, encontrava-se em especial a Sadia, Latreille Jeans e a Pluma Agro Avicola e, em Ampere, achava-se a Krindges, Notavel, Gaam e a GhelPlus.

Ampere, no ano de 1990, possuia 400 empregos industriais (sobretudo, no segmento Textil, com 87,50%; Madeira e mobiliario, 10,50%) e, em 2000, os empregos aumentaram para 1974 ocupacoes industriais (Textil, 67,93% e Madeira e mobiliario, 19,81%, assim, podemos verificar que este ultimo setor ampliou a geracao de empregos em relacao ao setor de confeccoes, ou seja, as industrias moveleiras comecam a ganhar destaque nessa decada em Ampere). Ja, em 2010, as ocupacoes do setor industrial saltaram para 2.860 empregos (Textil, 53,00% e Madeira e mobiliario, 27,13%, ou seja, o setor moveleiro continuou ampliando a geracao de empregos) (BRASIL, 1990, 2000, 2010).

Francisco Beltrao, Dois Vizinhos e Ampere, sao responsaveis por gerarem 6252, ou 83,85% dos empregos industriais em 1990 e, 8234, ou 69,88% dos empregos na industria em 2000. Em 2010, geraram 16.344, ou 63,19% dos empregos. Assim, estes sao os tres principais centros industriais da rede. Destacando que, se incluissemos Realeza e Santo Antonio do Sudoeste, teriamos, em 1990, 6.838, ou 91,71% dos empregos industriais da rede, em 2000, 9.037, ou 76,70% dos empregos e, em 2010, 18.519, ou 71,60% dos empregos da industria da rede, o que representa uma grande concentracao (BRASIL, 1990, 2000, 2010).

Ao se verificar o numero de estabelecimentos e de empregos gerados por cada setor (secundario e terciario), somados aos seus respectivos PIBs, pode-se falar claramente que os centros da rede, concentram seus maiores numeros de empregos no setor terciario e possuem seus maiores PIBs, igualmente no setor terciario, onde somente quatro centros da rede apresentaram em 2010 seus maiores PIBs no setor agropecuario (Bom Jesus do Sul; Eneas Marques; Manfrinopolis e Nova Esperanca do Sudoeste), estes apresentam funcoes urbanas reduzidas, capazes de satisfazer somente suas necessidades minimas. A partir das informacoes, ja incluidas no trabalho, verifica-se que, Francisco Beltrao, Dois Vizinhos e Ampere, possuiam fortes dinamicas no setor industrial, onde seus PIBs e empregos industriais somavam, em Ampere, 27,09% do PIB e 2.860, ou 65,55% dos empregos; em Dois Vizinhos, 31,85% do PIB e 4.767, ou 47,85% das ocupacoes e em Francisco Beltrao, 25,85% do PIB e 8.717, ou 40,12% dos empregos no setor industrial. Assim, pode-se dizer que, estes tres centros possuiam fortes dinamicas no setor produtivo e, sobretudo, Ampere tinha seu principal papel, representado pela funcao industrial (http://www.ipeadata.gov.br/).

Portanto, Ampere e um dos exemplos de desenvolvimento regional via industrializacao, realizado apos os anos 1980. Esse municipio que antes era dependente basicamente do setor rural, passou por uma mudanca em sua dinamica, onde os industriais do setor moveleiro e do vestuario passaram a instalar suas empresas e a moderniza-las, passando a produzir para atender a demanda nacional e nao apenas regional, desse modo, o setor industrial gerou em 2010, 2.860 empregos (65,55% do total de empregos). Considerando que a populacao total de Ampere soma 17.308 habitantes e, destes 13.257 sao habitantes urbanos, pode-se verificar que 21,57% da populacao urbana estao ocupados no setor industrial (BRASIL, 2010; IBGE, 2010).

O setor produtivo dos centros da rede sao os principais fomentadores do que Alexander (1968) denomina de renda basica, aquelas que ampliam as interacoes interurbanas, pois a partir destas, a rede amplia seus alcances para centros de todas as regioes brasileiras, nao nos esquecendo da dinamica proporcionada via exportacoes e importacoes de e para outros paises.

Em Ampere, verificou-se que entre as empresas mais dinamicas do setor industrial e que realizaram exportacoes estao a Notavel, a Ghelplus, a Gaam e a Industria de Moveis Simosul Ltda. (Nome Fantasia: Simonetto Design). Estas nasceram no decorrer dos anos 1990 e, atualmente estao entre as mais dinamicas da rede urbana. Todas as industrias que realizaram exportacoes, tambem concretizaram importacoes, onde se somam a estas, a Movelmar e a Krindges.

A Notavel contava em dezembro de 2013, com 402 funcionarios e produzia 85 mil pecas por mes, entre racks, estantes, escrivaninhas, tabuas de passar, fruteiras e armarios multiusos. Possuindo ainda, uma frota de 40 caminhoes, para operacao logistica propria. Do total da producao, 85% sao destinadas ao mercado interno, sobretudo, para 15 Estados (Alagoas, Bahia, Goias, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Para, Paraiba, Pernambuco, Piaui, Parana, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Sergipe, Sao Paulo, Tocantins) e, desde 2004, a empresa passou a atuar no mercado externo, especialmente, nos paises da America do Sul, America Central e para Angola. Em relacao as importacoes, a China e o seu principal fornecedor, sobretudo, em relacao aos derivados de aco e metal, como as corredicas, dobradicas e outros produtos derivados desta materiaprima, que permitem baratear os moveis e conquistar maior competitividade.

A industria de moveis Simosul Ltda. (Simonetto Design), conforme o Sr. Ivan Simonetto (diretor-geral), conta com uma unidade industrial com area construida de 14 mil [m.sup.2], com maquinarios de tecnologia avancada, com capacidade de produzir 40 mil unidades por mes de moveis fabricados com material MDP e MDF. A Simonetto produz moveis planejados, para cozinha, dormitorios, banheiros, area de servico, closet e Home Office.

A Simonetto Design comercializa seus produtos em algumas lojas multimarcas e em lojas exclusivas (as vendas e escolhas dessas lojas multimarcas se realizam por representantes comerciais), atendendo atualmente os estados do Acre, Bahia, Espirito Santo, Mato Grosso, Parana, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Sao Paulo e Sergipe. Conta tambem com uma loja exclusiva em Santa Rita no Paraguai.

A Simonetto realiza exportacoes para o Paraguai, onde possui uma loja exclusiva, mas, as maiores interacoes realizadas no mercado externo por esta empresa, diz respeito a importacoes de materias-primas, sobretudo, da China.

Importante destacar que, o Sr. Pedro Rodrigues da Silva em sociedade com o Sr. Dair Sabedot sao proprietarios da empresa Ghelplus Inox (fundada em 1990) e o Sr. Pedro Rodrigues da Silva e tambem socio proprietario da GAAM (instalada em 1995) e da Grilazer (fundada em 1999, uma empresa especializada na producao de espetos e grelhas para churrascos, que distribui seus produtos em todos dos Estados brasileiros).

Assim, pode-se verificar que primeiro veio a Ghelplus, produzindo pias e cubas em aluminio e inox, o que por sua vez, suscitou a instalacao da GAAM, produzindo gabinetes para banheiro e balcoes para cozinhas (8) (industria acessoria), para complementar a producao da Ghelplus, e logo apos instalam a Grilazer, pois ja trabalhavam com aluminio e inox e devido a colonizacao gaucha (acostumados a fazer churrascos), formavam uma grande demanda para esse produto, servindo assim, como estimulo a instalacao dessa empresa.

A Ghelplus pesquisa e desenvolve seus produtos na unidade matriz, a empresa exporta para America Central, Europa e Africa. A filial em Escada PE, fabrica diversas linhas de produtos para atender as regioes Norte e Nordeste do Brasil. A empresa possui tambem, um Centro de Distribuicao localizado na cidade de Atibaia--SP, a uma distancia de 60 km da capital do Estado.

Outro destaque em relacao a Ghelplus e que, em 2006 a empresa adquiriu a marca chamada De Bacco (moveis planejados), uma industria com atuacao apenas no sul do Brasil e, para tanto, a empresa mantem em Bento Goncalves--RS, uma central para atender o mercado consumidor dos produtos De Bacco.

Os produtos da Ghelplus sao comercializados por meio de representantes comerciais e vendidos em 145 lojas de moveis e materiais de construcao distribuidos em todos os Estados, como por exemplo, as lojas Koerich, Balaroti, Telhanorte etc.

Tanto a Ghelplus como a GAAM vem realizando muitos investimentos em tecnologia, por exemplo, a GAAM adquiriu dois robos (ABB Robotics) para realizar pinturas de pias, cubas e tampos, tecnologia essa, importada da Suecia, contando ainda, com maquinas importadas da Italia e da Alemanha operadas por Controle Numerico Computadorizado (CNC), com centros para furacao, frisagem e corte, alem de pintura UV. Vale ressaltar que, esta empresa importa esporadicamente pias e cubas da China, como estrategia para baratear os produtos e competir no mercado.

Destacando ainda que, a GAAM, possui uma area construida de 10.000 [m.sup.2], conta com 174 operarios e produz cerca de 30 mil pecas por mes.

Outra empresa de grande destaque em Ampere do setor moveleiro e a Movelmar (esta realizou somente importacoes no periodo entre 2007 e 2011 maquina circular da Alemanha), que iniciou suas atividades em 2001 e fabrica moveis planejados. Conforme o Sr. Leocir Marafon, diretor da empresa, a Movelmar comercializa seus produtos atraves de representantes comerciais e as vendas sao realizadas para o mercado consumidor por meio de lojas de moveis multimarcas. A empresa conta com frota propria para fazer a distribuicao dos produtos e, atualmente possui 80 funcionarios. Os produtos sao comercializados na regiao Sul e em Sao Paulo. A comercializacao, no Rio Grande do Sul, se da nas cidades de Bento Goncalves, Erechim, Passo Fundo, Pelotas, Porto Alegre, Santa Maria e Torres; em Santa Catarina nos municipios de Chapeco, Criciuma, Florianopolis, Joinville, Lages, Lajeado e Tubarao; no Parana, em Ampere, Cascavel, Curitiba, Foz do Iguacu, Francisco Beltrao, Londrina e Maringa, alem de serem comercializados na cidade de Sao Paulo.

Ja a Krindges Industrial Ltda., figura entre as tres maiores industrias do setor de confeccoes instaladas na rede de Francisco Beltrao, que como vimos no capitulo anterior iniciou suas atividades em 1977, industrializando-se em 1982 com somente 20 operarios, mas que atualmente emprega um total de 1.650 funcionarios, com uma producao de 330 mil pecas/mes, em sua matriz em Ampere, unidade industrial esta que possui uma area construida de 36 mil [m.sup.2] e modernos equipamentos, como maquina de corte, enfesto, costura, tinturaria automatizada, entre outras tecnologias.

Conforme o Sr. Luiz Krindges (diretor da industria), em 2003, a empresa instalou uma filial (unidade industrial) na cidade de Sao Miguel do Iguacu--PR (9), que conta com 200 funcionarios, ampliando sua producao e area de atuacao. Atualmente, a empresa conta com as marcas registradas: Aicone, Docthos, Guilherme Ludwer e K&F. Estes produtos sao comercializados por representantes comerciais que realizam vendas para lojistas de praticamente todos os Estados (exceto os Estados do Acre, Amazonas, Roraima e Tocantins) e Distrito Federal e ja chegou ate a exportar seus produtos para paises do Mercosul (destacando que, entre os anos analisados 2007, 2009 e 2011, a empresa nao realizou exportacoes, somente realizou importacoes). Ja a aquisicao das materias-primas se realiza a partir das empresas do Estado de Sao Paulo: Santista Textil da cidade de Tatui; Textil Carvalho e Textil Favero de Americana; alem das empresas Horizonte Textil de Belo Horizonte--MG e da Textil Renault de Brusque--SC. Sem esquecer ainda, que as importacoes realizadas, desde pelo menos 2007, foram de tecidos e de artigos acabados da China.

Outro fato importante a se destacar e que a Krindges (10), atualmente, divide em sua capacidade instalada, aproximadamente 70% para a producao dos artigos proprios e 30% para terceiros (faccao), sobretudo, para artigos destinados as grandes redes varejistas Renner e C&A. Para esse fato (faccao), Rangel (1980) diz que a expansao de uma industria favorece a instalacao de uma secao auxiliar em outra que se liga diretamente a outra industria. Ou seja, as grandes e pequenas empresas confeccionistas presentes nos centros da rede de Francisco Beltrao, sao procuradas por outras empresas, presentes na rede ou em qualquer regiao do Brasil e solicitam sua prestacao de servicos (faccao--terceirizacao) para a realizacao de partes do processo, como costura, acabamento, producao total, entre outros.

4. CONSIDERACOES FINAIS

Ao analisar a dinamica atual do setor produtivo e suas contemporaneas interacoes verificou-se que a rede urbana de Francisco Beltrao, na qual se insere Ampere, se torna cada vez mais complexa. E, essa complexidade se amplia a medida que se amplia a divisao territorial do trabalho e, com isso, notamos que mesmo cidades locais a exemplo de Ampere, entre outras, realizam interacoes diretamente com outros paises, da America Latina, Europa, Africa, Asia etc., ou seja, mantem relacoes nao apenas com a rede urbana estruturada pela teoria das localidades centrais, mas se estruturam, ao mesmo tempo, em outra rede urbana, deste modo, um dos aspectos desta complexidade diz respeito ao fato de cada cidade situar-se em pelo menos duas redes.

Por exemplo, Ampere mesmo sendo um centro local na area de influencia de Francisco Beltrao nos anos 1960 e 1970, cuja dinamica era dada, sobretudo, pela distribuicao da producao rural de bens e servicos, foi nos anos 1990 e 2000 se transformando em um centro especializado na producao industrial moveleira e confeccionista. Deste modo, a cidade se inseriu em diversas relacoes que dao conta da aquisicao de materias-primas, fluxos de mao de obra, producao, distribuicao da producao que alcancam todos os Estados brasileiros (concentrando-se no Sul e Sudeste do pais) e uma pequena parte da producao e encaminhada para o mercado externo, nao nos esquecendo, ainda que, tais relacoes produzem fluxos de todas as ordens, sobretudo financeiros, responsaveis, principalmente, por manter a dinamica economica do centro urbano.

5. REFERENCIAS

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Carlos Cassemiro Casaril

Universidade Estadual do Oeste do Parana--UNIOESTE

Francisco Beltrao, PR, Brasil

e-mail: carloscasaril@yahoo.com.br

Fernando dos Santos Sampaio

Universidade Estadual do Oeste do Parana--UNIOESTE

Francisco Beltrao, PR, Brasil

e-mail: fernandosampaio cch@yahoo.com.br

Recebido em: 08/06/2015

Aceito em: 02/08/2016

(1) Agradecemos o apoio financeiro da Coordenacao de Aperfeicoamento de Pessoal de Nivel Superior (CAPES), pela Bolsa do Programa Nacional de Pos-Doutorado/PNPD.

(2) A primeira versao deste artigo foi publicado no Bulletin de la Societe de Geographie de Lille (France), a. 59, tomo 82, n. 9, 1938. No Brasil foi publicado no Boletim Geografico, em duas partes, a primeira em 1944 e a segunda em 1945:

(3) Sobre lugar central, Christaller (1966) menciona que a principal funcao ou caracteristica de uma cidade, e a de ser o centro de uma regiao. Os locais que sao centros de regioes o autor denominou de lugares centrais.

(4) Para nos a teoria ainda e valida, pois como o proprio Christaller (1966) mencionou o esquema matematico rigido pode e deve ser modificado sempre que se considerar necessario, sobretudo, para buscar aproximar o esquema de uma determinada realidade. Assim, o que devemos fazer e aprofundar a teoria acompanhando o desenvolvimento da sociedade que e mutavel.

(5) Aqui vale destacar que, todas as informacoes referentes as industrias que seguem foram obtidas a partir de trabalhos de campos, onde foram realizadas entrevistas semiestruturadas com diretores das industrias e/ou responsaveis pelo setor administrativo. Para maiores detalhes sobre o processo de industrializacao do Sudoeste Paranaense e da rede urbana de Francisco Beltrao, consultar Flores (2009) e Casaril (2014).

(6) Em 1998 a empresa ja mantinha mais de 700 funcionarios e por estrategias de comerciais modificaram sua razao social para Krindges Industrial Ltda., mantendo "Krindges" como nome fantasia.

(7) Segundo informacoes obtidas em trabalho de campo, verificou-se que, nos anos 1990, a Krindges era outra empresa de Ampere que possuia forte dinamica, ate porque, foi a partir dessa decada que a empresa iniciou o processo de exportacoes de seus produtos, sobretudo para paises da America do Sul. Destacando que, em 1989, o Sr. Jorge Krindges e seu sogro Alci Honorio Fistarol, fundaram a industria "Aicone" que, iniciou com 15 operarios e com uma producao de roupas masculinas de 3.000 pecas por mes. Em 1998, estas duas empresas a Aicone (455 funcionarios) e a Krindges (645 funcionarios) realizaram a fusao das mesmas, visando aumentar a competitividade, modificando assim, sua razao social para Krindges Industrial Ltda.

(8) Como estrategia para sair da crise durante a decada de 1990, a GAAM se especializou na producao gabinetes para banheiro, retirou alguns produtos da linha de producao e diminuiu a producao dos outros produtos. Ou seja, a GAAM, apostou no crescimento da construcao civil, para aumentar a demanda de seus gabinetes modernos para banheiro.

(9) A Krindges possui tambem uma filial (escritorio e centro de distribuicao) em Sao Paulo.

(10) A empresa atua com estoque minimo. E, realiza a reinsercao de aproximadamente 70% (lucro) na empresa.

Caption: MAPA 1 -REDE URBANA DO SUDOESTE PARANAENSE

Caption: Figura 1. Rede Urbana de Francisco Beltrao--PR.
Quadro 1. Sintese do REGC, com Niveis Hierarquicos dos centros
urbanos do PR.

Niveis hierarquicos            Total de Cidades   Total de Cidades PR

a) Grande Metropole Nacional        01--SP                --
b) Metropole Nacional          02--RJ -Brasilia           --
c) Metropole                          09                  01
Capital Regional 'a'                  11                  --
Capital Regional 'b'                  20                  03
Capital Regional 'c'                  39                  01
Centro Sub-Regional 'a'               85                  10

Centro Sub-Regional 'b'               79                  04

Centro de Zona 'a'                   192                  17

Centro de Zona 'b'                   364                  23

Centro Local                        4.773                 344

Niveis hierarquicos            Cidades Paranaenses

a) Grande Metropole Nacional                     --
b) Metropole Nacional                            --
c) Metropole                   Curitiba
Capital Regional 'a'                             --
Capital Regional 'b'           Cascavel, Londrina e Maringa.
Capital Regional 'c'           Ponta Grossa
Centro Sub-Regional 'a'        Apucarana, Campo Mourao, Foz do Iguacu,
                               Francisco Beltrao, Guarapuava,
                               Paranagua, Paranavai, Pato Branco,
                               Toledo e Umuarama.

Centro Sub-Regional 'b'        Cianorte, Ivaipora, Santo Antonio da
                               Plantina e Uniao da Vitoria.

Centro de Zona 'a'             Arapongas, Assis Chateaubriand,
                               Bandeirantes, Cornelio Procopio, Dois
                               Vizinhos, Ibaiti, Irati, Jacarezinho,
                               Jandaia do Sul, Laranjeiras do sul,
                               Loanda, Marechal Candido Rondon,
                               Medianeira, Palmas, Telemaco Borba.

Centro de Zona 'b'             Andira, Barracao, Campina da Lagoa,
                               Capanema, Chopinzinho, Coronel Vivida,
                               Faxinal, Goioere, Guaira, Jaguariaiva,
                               Matinhos, Nova Londrina, Palmeira,
                               Paranacity, Pitanga, Prudentopolis,
                               Quedas do Iguacu, Rio negro, Roncador,
                               Sao Jose do Ivai, Sao Mateus do Sul,
                               Siqueira Campos, Venceslau Bras.

Centro Local                   Dentre elas destacamos: Ampere,
                               Antonia, Bituruna, Candoi, Capitao
                               Leonidas Marques, Castro, Clevelandia,
                               Corbelia, Itapejara d'Oeste, Ivai,
                               Jaguapita, Jataizinho, Mariopolis,
                               Marmeleiro, Matelandia, Nova Prata do
                               Iguacu, Palotina, Realeza, Renascenca,
                               Santo Antonio do Sudoeste, Sao Joao,
                               Sao Jorge d'Oeste, Vere, Vitorino.

Fonte: IBGE, 2008, p.66-69.

Quadro 2. Lista de industrias analisadas de Ampere e suas geneses

Industria                                    Genese

Krindges e Filhos Ltda.                       1977
Aicone                                        1989
Industria de Pias GhelPlus Ltda.              1990
Industria de Moveis Simosul Ltda.             1990
GAAM Industria e Comercio de Moveis Ltda.     1995
Industria de Moveis Notavel                   1996
Krindges Industrial Ltda. (fusao entre        1998
  Krindges e Filhos Ltda. e Aicone)
Grilazer Espetos e Grelhas                    1999

Fonte: CASARIL, 2014.

Tabela 1--Populacao da Rede Urbana de Francisco Beltrao (IBGE 2010)

MUNICIPIO                                   POPULACAO

                                 TOTAL       URBANA     % URBANA

Francisco Beltrao                78.957      67.456      85,43
Ampere                           17.308      13.257      76,59
Barracao                         9.737        7.015      72,04
Bela Vista da Caroba             3.939        1.038      26,35
Boa Esperanca do Iguacu          2.768         957       34,57
Bom Jesus do Sul                 3.796         933       24,58
Cruzeiro do Iguacu               4.274        2.619      61,28
Dois Vizinhos                    36.198      28.115      77,67
Eneas Marques                    6.101        2.126      34,85
Flor da Serra do Sul             4.725        1.644      34,79
Manfrinopolis                    3.127         652       20,85
Marmeleiro                       13.909       8.835      63,52
Nova Esperanca do Sudoeste       5.110        1.753      34,31
Nova Prata do Iguacu             10.369       6.066      58,50
Pinhal de Sao Bento              2.620        1.162      44,35
Pranchita                        5.632        3.609      64,08
Realeza                          16.348      11.808      72,23
Renascenca                       6.810        3.483      51,15
Salgado Filho                    4.403        2.252      51,15
Salto do Lontra                  13.672       7.429      54,34
Santa Izabel do Oeste            13.134       7.427      56,55
Santo Antonio do Sudoeste        18.905      13.712      72,53
Sao Joao                         10.607       6.746      63,60
Sao Jorge D'Oeste                9.085        5.214      57,39
Vere                             7.879        3.284      41,68
TOTAL REDE Francisco Beltrao    309.413      208.592     67,42
TOTAL REDE Pato Branco          239.148      183.626     76,78
TOTAL SUDOESTE do PR            587.505      412.624     70,23
TOTAL PARANA                   10.444.526   8.912.692    85,33

MUNICIPIO                            POPULACAO

                                 RURAL     % RURAL

Francisco Beltrao               11.501      14,57
Ampere                           4.051      23,41
Barracao                         2.722      27,96
Bela Vista da Caroba             2.901      73,65
Boa Esperanca do Iguacu          1.811      65,43
Bom Jesus do Sul                 2.863      75,42
Cruzeiro do Iguacu               1.655      38,72
Dois Vizinhos                    8.083      22,33
Eneas Marques                    3.975      65,15
Flor da Serra do Sul             3.081      65,21
Manfrinopolis                    2.475      79,15
Marmeleiro                       5.074      36,48
Nova Esperanca do Sudoeste       3.357      65,69
Nova Prata do Iguacu             4.303      41,50
Pinhal de Sao Bento              1.458      55,65
Pranchita                        2.023      35,92
Realeza                          4.540      27,77
Renascenca                       3.327      48,85
Salgado Filho                    2.151      48,85
Salto do Lontra                  6.243      45,66
Santa Izabel do Oeste            5.707      43,45
Santo Antonio do Sudoeste        5.193      27,47
Sao Joao                         3.861      36,40
Sao Jorge D'Oeste                3.871      42,61
Vere                             4.595      58,32
TOTAL REDE Francisco Beltrao    100.821     32,58
TOTAL REDE Pato Branco          55.522      23,22
TOTAL SUDOESTE do PR            174.881     29,77
TOTAL PARANA                   1.531.834    14,67

Fonte: IBGE, 2008; 2010.
Org.: CASARIL, 2014.
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Author:Casaril, Carlos Cassemiro; Sampaio, Fernando dos Santos
Publication:Ra'e Ga
Date:Aug 1, 2016
Words:8458
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