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The influence of "business world" in global environmental governance /A influencia do "mundo dos negocios" na governanca ambiental global.

1 INTRODUCAO

Desde a realizacao da Conferencia das Nacoes Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, em 1972, ficou claro que o problema ambiental do mundo girava em torno de duas tematicas centrais: o crescimento economico ininterrupto e a exaustao dos recursos naturais. Alem disso, o preservacionismo radical defendido por muitos ambientalistas nao era a solucao, porque impunha restricoes ao bem estar humano. O que estava em jogo era a inexistencia de uma abordagem que pudesse conciliar tanto a garantia de bem-estar aos individuos quanto a conservacao e a utilizacao racional dos recursos naturais. (BARROS-PLATIAU; VARELLA; SCHLEICHER, 2004)

Dessa epoca para ca, muita discussao ja se realizou sob a tematica do meio ambiente. O que se nota e que, embora de forma timida (ou ate inexistente, no inicio), vem aumentando a participacao das organizacoes nao ambientais e do setor privado (1) nessas discussoes. Com o fortalecimento da ideia de que os problemas ambientais do mundo contemporaneo nao podem ser tratados localmente e nem por poucas instituicoes, organizacoes privadas passam a ter voz e, muitas vezes, influenciam na governanca ambiental global por meio do lobby ou do poder estrutural dessas organizacoes. (IVANOVA; GORDON; ROY, 2007)

Se para alguns isso pode ser visto como um avanco, pois essas organizacoes sao as unicas que podem por em acao os planos para o desenvolvimento sustentavel, outros alertam para o perigo dessa relacao, pois os interesses que motivam as diferentes organizacoes participantes da governanca ambiental global nao sao os mesmos (ou nao deveriam ser). Enquanto uns estao ali por uma consciencia da crise ambiental, outros o fazem por uma racionalidade economica. As organizacoes nao ambientais e do setor privado, por exemplo, devido as suas proprias caracteristicas, estao mais interessadas na manutencao dos seus negocios do que na conservacao ambiental, fazendo somente uma "cortina de fumaca", conforme defende Layrargues (1998). No entanto, devido ao seu poder, acabam por definir a agenda das discussoes e a implementacao das normas ambientais em todo o mundo conforme seus interesses.

Dessa forma, o objetivo deste estudo e discorrer sobre a insercao das organizacoes nao ambientais e do setor privado na governanca ambiental global nos ultimos anos. Este estudo foi desenvolvido com base em materiais bibliograficos publicados em periodicos nacionais e internacionais, livros e artigos de revistas e jornais, alem de documentos de natureza publica emitidos por diferentes organizacoes. Apesar dos diferentes atores envolvidos com a Governanca Ambiental Global (LORENZETTI; CARRION, 2012), neste estudo dar-se-a enfase ao papel das organizacoes empresariais (setor privado, associacoes empresariais e instituicoes economicas internacionais).

Apos a coleta dos dados, foram interpretados os textos, buscando compreender melhor o fenomeno. Dessa forma, esta e uma pesquisa qualitativa, pois, segundo Godoi e Balsini (2006, p. 91), neste tipo de investigacao "[...] nao se buscam regularidades, mas a compreensao dos agentes, daquilo que os levou singularmente a agir como agiram". A interpretacao em uma pesquisa qualitativa possibilita a compreensao dos significados nao explicitos de um texto, de uma fotografia, de um audio, etc. Para isso, segundo Gadamer (2006, p. 19), torna-se "[...] necessaria uma reflexao explicita sobre as condicoes que levam o texto a ter esse ou aquele significado [...]", visto que em todos os materiais existe um significado escondido que nao permite sua compreensao imediata. Trivinos (1987, p. 128) ainda reforca que "[...] a interpretacao dos resultados surge como a totalidade de uma especulacao que tem como base a percepcao de um fenomeno num contexto. Por isso, nao e vazia, mas coerente, logica e consistente".

Para que esse objetivo fosse alcancado, o artigo e dividido em quatro secoes, fora esta introducao. Na primeira, se discute a ordem ambiental internacional, mostrando o movimento ocorrido pelos organismos multilaterais para promover o debate ambiental no mundo. Em seguida, e apresentada uma discussao teorica sobre governanca ambiental global. Apos, e realizada a descricao de como as organizacoes nao ambientais e privadas foram se inserindo na governanca ambiental global, para entao serem apresentadas as consideracoes finais do trabalho.

2 A ORDEM AMBIENTAL INTERNACIONAL

Ribeiro (2003, p. 601) afirma que "[...] a ordem ambiental internacional e um conjunto de convencoes internacionais que busca regular as acoes humanas sobre o ambiente em escala internacional". Dessas convencoes, promovidas pelas Organizacoes das Nacoes Unidas (ONU), nos quais hoje participam "[...] as unidades politicas, as organizacoes nao-governamentais [e] grupos de pressao que representam os setores da economia [...]" (RIBEIRO, 2003, p. 601), muitas vezes, resultam na assinatura de tratados internacionais que visam regular a acao humana sobre o meio ambiente.

Foram nessas convencoes que foram assinados tratados internacionais sobre o controle de emissao de gases que afetam a camada de ozonio e de gases de efeito estufa (Protocolo de Montreal de 1987 e Convencao sobre a Mudanca do Clima de 1992), sobre o uso do mar (Convencao de Londres de 1972, Convencao Internacional para Prevencao da Poluicao por Navios de 1973 e Convencao das Nacoes Unidas sobre o Direito do Mar de 1982), sobre o movimento transfronteirico de residuos perigosos (Convencao da Basileia de 1989) e sobre o uso e distribuicao equitativa da biodiversidade e dos recursos geneticos (Convencao da Diversidade Biologica de 1992). Assinados a partir da decada de 1970, esses tratados vieram na esteira da Declaracao sobre o Meio Ambiente Humano, resultado da Convencao de Estocolmo de 1972.

Desde sua criacao, em 1945, logo apos o final da II Guerra Mundial, a ONU se preocupa com a questao ambiental, principalmente por ela estar relacionada ao surgimento de conflitos (RIBEIRO, 2001; 2003). Historicamente, os recursos naturais tem papel central nas guerras, pois o acesso, a distribuicao e os direitos de posse sobre esses recursos podem desencadear grandes conflitos. (LE BILLON, 2001)

A Food and Agriculture Organization (FAO) foi, entao, o primeiro programa da ONU onde surgiram as discussoes ambientais, principalmente relacionadas a conservacao dos recursos naturais, como o solo. Segundo Ribeiro (2001, p. 61), "[...] o ponto de maior destaque de atuacao ambiental da FAO foi a elaboracao, em 1981, da Carta Mundial do Solo, que preconiza a conservacao dos solos por meio do uso de tecnicas inovadoras de cultivo."

Com o surgimento da United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization (UNESCO) em 1946, as discussoes ambientais, ate a decada de 1970, passaram a ser discutidas principalmente nesse organismo da ONU. Ribeiro (2001, p. 61), afirma que
   [...] A UNESCO passou a encaminhar as demandas de organismos
   mistos--compostos por estados, grupos privados e ONGs--apoiados
   financeiramente as iniciativas da IUPN (International Union for the
   Protection of Nature)--Uniao Internacional para Protecao da
   Natureza--umas das mais antigas organizacoes conservacionistas do
   mundo, criada em 1948 em Fontainebleau, Franca.


Assim, se contrapondo a ideia dos preservacionistas (2) e fortalecendo a dos conservacionistas (3), ocorreu a United Nations Scientific Conference on the Conservation and Utilization of Resources (UNSCCUR), promovido pela UNESCO, em 1949, em Salt Lake City, Estados Unidos. Essa Conferencia, "[...] teve um papel inovador quanto ao encaminhamento das discussoes ambientais em escala internacional", lembra McCormick (1992 apud RIBEIRO, 2001, p. 63). No entanto, nao foram feitas "[...] recomendacoes e exigencias aos paises membros da ONU", afirma Ribeiro (2001, p. 62).

Em 1968, quase 20 apos a UNSCCUR, a UNESCO realizou a Conferencia da Biosfera, em Paris, Franca. As discussoes, orientadas pelo cientificismo, focaram na acao humana sobre a biosfera. O resultado mais importante da conferencia foi a criacao do programa interdisciplinar "O Homem e a Biosfera" para o estudo dos impactos ambientais nos paises membros da ONU.

Assim, "[...] acreditando que o conhecimento cientifico poderia resolver os problemas da especie humana, os cientistas envolveram-se na investigacao da natureza, buscando criar uma nova medida para a acao antropica na Terra [...]", assinala Ribeiro (2001, p. 64). A solucao para os problemas ambientais da Terra passa a ser questao cientifica. Esta aberta a porta para o capitalismo verde, onde novos produtos e servicos sao lancados para mitigar a acao do homem sobre o ambiente, como filtros de ar e equipamentos para tratamento de residuos.

O debate entre preservacionistas e conservacionistas se acirra na decada de 1970. No entanto, os preservacionistas ja tinham notado que o modo de vida proposto por eles, com o abandono das areas urbanas, nao os livrariam dos impactos ambientais. A poluicao atmosferica, grande preocupacao naquela decada, ja nao respeitava as fronteiras urbanas e rurais.

Isso ficou bastante claro na Conferencia de Estocolmo, em 1972, na Suecia, quando ideias preservacionistas e conservacionistas orientavam as discussoes. De um lado, os preservacionistas propondo o crescimento zero; e de outro, os conservacionistas se alinhando aos desenvolvimentistas. Uns reivindicando "[...] barrar o crescimento economico de base industrial [...], poluidor e consumidor de recursos nao-renovaveis", enquanto outros incentivavam "[...] o 'desenvolvimento' trazido pela industria". (RIBEIRO, 2001, p. 79)

As economias perifericas, como o Brasil, se colocaram contrarias as ideias preservacionistas de crescimento zero. Afinal, na avaliacao desses paises, essas ideias iriam impactar negativamente nas suas economias internas. Segundo Ribeiro (2001, p. 80), "[...] os paises da periferia insurgiram-se contra esse argumento, pedindo o desenvolvimento, ainda que com ele viesse a poluicao". No final da conferencia, a ideia desenvolvimentista saiu vitoriosa. Uma das consequencias dessa vitoria na Conferencia de Estocolmo foi a transferencia de muitas empresas poluidoras, que se sentiam pressionadas nos paises desenvolvidos, para as economias perifericas onde poderiam obter lucros sem se preocupar com os impactos que estavam gerando.

A Conferencia de Estocolmo representou uma inovacao quando comparada as outras convencoes da ONU: a presenca das Organizacoes nao Governamentais (ONGs). "[...] Ainda que de maneira timida, assistimos a participacao das ONGs, que indicava a presenca de novos atores no sistema internacional [...]", aponta Ribeiro (2001, p. 81). Tratava-se de ONGs ambientalistas que, mesmo nao sendo autorizadas a participar da reuniao oficial, organizaram o Miljoforum (Forum do Meio). Na visao de alguns, as ONGs influenciaram as decisoes tomadas na reuniao oficial. (RIBEIRO, 2001)

Ribeiro (2001, p. 81) afirma que "[...] a mais relevante deliberacao em Estocolmo foi a indicacao, para a Assembleia Geral da ONU, da necessidade de se criar o PNUMA". O Programa das Nacoes Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), em ingles United Nations Environment Programme (UNEP), passou, entao, a ser o coordenador mundial nas questoes ambientais entre os orgaos da ONU. "Com a criacao do Pnuma, a tematica ambiental foi cada vez mais abordada em escala internacional, com a realizacao [...]" de diversas reunioes (4) que envolviam cada vez mais os paises (RIBEIRO, 2003, p. 608). Em Estocolmo participaram 113 paises, dois representados por seus chefes de Estado. Ja na Rio 92, participaram 178 paises e estiveram presentes 114 chefes de Estado. (RIBEIRO, 2001, p. 203)

A Conferencia das Nacoes Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento (CNUMAD), tambem conhecida como Rio 92, ocorreu no Rio de Janeiro, Brasil, em 1992. "Foi a segunda grande reuniao das Nacoes Unidas sobre o meio ambiente [...]", lembra Ribeiro (2001, p. 107). Com a Rio 92, inaugurou-se o que Ribeiro (2003) chama de "[...] binomio conservacao-desenvolvimento". As discussoes, entao, passaram a ser orientadas majoritariamente pela ideia de desenvolvimento sustentavel.

Na Rio 92, a presenca das ONGs que, neste momento, puderam participar da reuniao oficial, se ampliou na quantidade e diversidade. Ribeiro (2003, p. 609) lembra que se reviram no Rio de Janeiro durante a conferencia:
   [...] mais de 3 mil entidades de todo o mundo, alem de jovens,
   trabalhadores, estudantes, representantes do movimento feminista,
   do movimento negro, do movimento pela moradia, pacifistas,
   religiosos de diversas crencas, sindicalistas, enfim, varios atores
   organizados que se somaram aos ambientalistas.


A participacao desses atores nao estatais acabou por mobilizar a opiniao publica para a questao ambiental, disseminando o tema e forcando os agentes politicos a tomarem decisoes que, se nao iriam resolver os problemas ambientais, pelo menos servissem para mitiga-los para que se assegurasse a manutencao da vida na Terra. Assim, foram assinados na Rio 92 a Convencao de Mudancas Climaticas, a Convencao sobre a Diversidade Biologica, a Declaracao do Rio, a Declaracao sobre Florestas e a Agenda 21.

Apos a Rio 92, aconteceram diversas reunioes internacionais capitaneadas pela ONU, como em Kyoto, Japao, em 1997, em Cartagena, Colombia, em 1999 e em Joanesburgo, Africa do Sul, em 2002. Em todas foram feitas avaliacoes sobre as condicoes do ambiente apos a Rio 92. E em todas se verificou que as medidas tomadas nao foram suficientes para barrar a acao humana que deteriora o ambiente em todo o mundo. A Agenda 21, assinada na Rio 92, por exemplo, nao foi implementada em escala mundial pois os recursos para isso nao foram disponibilizados. (RIBEIRO, 2003)

Vinte anos apos a Rio 92, ficou claro que essa conferencia, apesar de seus avancos, nao foi suficiente para barrar as acoes humanas que degradam o ambiente, pois muito do que foi acordado nao foi implementado de uma forma integrada (HAINES et al., 2012). E com essa constatacao que a Rio+20 comecou em junho de 2012 no Rio de Janeiro, conforme pode ser verificado no esboco zero da conferencia. (ONU, 2012, p. 4)
   Nos reconhecemos que os vinte anos desde a Rio 92 testemunharam
   progressos e mudancas. [...] Nos reconhecemos, entretanto, que
   tambem houveram retrocessos devido a multiplas crises
   inter-relacionadas--financeiras, economicas e precos volateis de
   energia e alimentos. [...] Observamos que, apesar dos esforcos por
   Governos e agentes nao estatais em todos os paises, o
   desenvolvimento sustentavel continua sendo uma meta distante e
   ainda restam grandes barreiras e lacunas sistemicas na
   implementacao de compromissos aceitos internacionalmente.


Nota-se que o teor predominante das discussoes na Rio+20 ainda sao os mesmos citados por Ribeiro (2003): politica e os interesses nacionais e dos mercados. O documento final da conferencia, assinado por 193 paises, mantem a enfase no desenvolvimento sustentavel, mas nao conseguiu um compromisso unanime. Bolivia e Equador, por exemplo, nao concordaram com a reducao dos subsidios aos combustiveis fosseis em seus territorios. Segundo reportagem publicada no Jornal Zero Hora (DOCUMENTO..., 2012), "[...] ambos disseram que nao vao aceitar qualquer monitoramento externo a suas politicas energeticas internas". Alem da Bolivia e do Equador, a representante da Igreja Catolica e do Vaticano, a Santa Se, afirmou nao concordar com qualquer metodo de planejamento familiar. Alguns, como a Uniao Europeia, determinadas ONGs e movimentos sociais, acusam o documento de ser muito timido e nao propor metas claras de acao pelos estados membros.

Apesar de pouco a pouco ter incluido diferentes atores nas discussoes internacionais sobre o meio ambiente, nao ha uma agenda politica comum entre eles. Isso, na visao de Jacobi (IHU, 2012), barra qualquer estrategia planetaria de conservacao do meio ambiente. O desafio, entao, e criar uma Governanca Ambiental Global com uma agenda comum a partir da articulacao desses atores em epicentros decisorios que deverao assumir pactos em nivel local, nacional e global.

3 A GOVERNANCA AMBIENTAL GLOBAL

Muito embora a literatura das ciencias da administracao traga discussoes sobre governanca advindas da economia ou da sociologia, neste artigo, a discussao estara mais proxima a do direito. Na economia, tem-se Williamson (1996) com o debate sobre maneiras de organizar e gerir atividades economicas, sempre com as preocupacoes voltadas as corporacoes, cujos agentes visam coordenar um emaranhado de contratos, objetivando a reducao dos custos de transacao.

A concepcao do neoinstitucionalismo sociologico e um pouco diferente da economica para explicar a pratica da governanca. Rossoni e Machado da Silva (2010) defendem que os fatores institucionais e sociais mais amplos e que condicionam sistemas e praticas de governanca. Portanto, para esses autores, as praticas de governanca nao tem papel apenas de garantir a eficiencia dos mercados, mas devem ser tidas como legitimas na sociedade. O que se pode perceber e que a perspectiva do neoinstitucionalismo sociologico nao nega a visao economica, mas a complementa, ao ressaltar os aspectos sociais, simbolicos e institucionais que envolvem a adocao das praticas de governanca, alem das justificativas economicas que ja ha muito tempo embasam os escritos de Williamson (1996) e outros autores da vertente economica.

Neste artigo, no entanto, o assunto sera discutido com outra visao de governanca. Ela nao e apenas corporativa, mas vai alem disso. Para iniciar esta secao, e importante, portanto, definir o que vem a ser, para nos, governanca. Segundo Goncalves (2006), citando Diniz, a expressao governance surgiu a partir de reflexoes conduzidas pelo Banco Mundial, que deslocaram o foco da atencao das implicacoes eminentemente economicas da acao estatal para uma visao mais social e politica da gestao publica. Goncalves (2006) destaca que a governanca se refere a articulacao entre atores politicos e sociais, e nesse ponto essa articulacao se refere nao apenas aos mecanismos tradicionais de agregacao, tais como partidos politicos e grupos de pressao, mas tambem redes sociais informais e associacoes diversas. A governanca, enfim, engloba a sociedade.

O fenomeno da globalizacao, de certa forma, ampliou o conceito de governanca. Esse, nao e um fenomeno apenas economico, mas tambem social, politico e cultural, e acabou mudando as relacoes entre sociedade e Estado. Teve o poder de reconfigurar o papel do Estado nacional, impulsionando a discussao sobre novos padroes de articulacao entre individuos, organizacoes, empresas e o proprio Estado, uma vez que deslocou o poder de uma orientacao local e nacional no sentido de uma crescente interconexao na esfera global. Dessa forma, com a diminuicao dos poderes soberanos nacionais, a partir da emergencia de Organizacoes nao Governamentais Internacionais (ONGIs), organizacoes supranacionais e empresas multinacionais, o balanco do poder alterou-se bastante.

Para Barros-Platiau (2003), na verdade, os atores nao estatais nao sao "novos", mas possuem um carater inovador, na medida em que influenciam de maneira crescente tanto a elaboracao como a aplicacao de normas internacionais. E segundo a autora, o conceito de governanca global tem sido analisado com o objetivo de trazer respostas sobre a influencia de atores nao estatais, tanto na politica como no direito internacional. Segundo Goncalves (2006), se estaria assistindo a uma mudanca do governo para a governanca global, uma vez que o balanco do poder alterou-se de forma significativa. Outras instituicoes e organizacoes preencheram o vacuo do poder em razao das limitacoes existentes da autoridade e das competencias dos Estados nacionais.

Dessa forma, para Barros-Platiau et al. (2004), falar sobre governanca global pressupoe saber, de fato, o que seja globalizacao e nao confundi-la com globalismo. A ideia de governanca global pressupoe um alto grau de capacitacao dos individuos que estao sendo governados. Ou seja, qualquer definicao de governanca passara pela nocao de democratizacao e legitimidade ou de comunicacao aberta e reflexividade coletiva. Mesmo que nao haja uma definicao ideal para governanca, os autores citam Keohane para afirmar que sua definicao e um otimo ponto de partida para uma definicao:

[...] analisar o papel do processo de institucionalizacao na expansao dos ideais democraticos e no fortalecimento das capacidades dos individuos em nivel global. (BARROS-PLATIAU; VARELLA; SCHLEICHER, 2004, p. 114)

Quanto a governanca ambiental global, Barros-Platiau (2003) afirma que duas abordagens coexistem. A primeira e mais institucional e fundamenta-se no principio de que o meio ambiente pertence a humanidade, que deve

zelar pela equidade intergeracional. Segundo Colby (1991), essa abordagem, tambem chamada de Administracao de Recursos, e o paradigma predominante nos paises centrais e e o principio que guia as agencias de financiamento internacionais, como o Banco Mundial. Por essa abordagem sao criadas leis que protegem os recursos considerados comuns (oceanos, atmosfera, biodiversidade), mas que permitem a sua exploracao pelos paises centrais.

A segunda abordagem funda-se na incapacidade institucional para exigir que os Estados tomem medidas mais serias para o desenvolvimento do direito internacional. Assim, para que a governanca ambiental global exista, e necessario considerar a crise do multilateralismo juridico, politico e economico, que e efeito da fragmentacao do poder e das fontes reguladoras globais.

Aqui, e possivel definir a Governanca Ambiental Global (GAG) como "[...] a soma das organizacoes, instrumentos, mecanismos de financiamento, regras, procedimentos e normas que regulam a protecao ambiental global" (NAJAM; PAPA; TAYAB, 2006, p. 9). O foco esta em dotar as diversas economias mundiais com instrumentos e legislacao que as permita se desenvolver de forma sustentavel.

Analisando as diversas iniciativas existentes em torno da crise ambiental pelos organismos multilaterais (Programa das Nacoes Unidas para o Meio Ambiente --PNUMA); a Comissao de Desenvolvimento Sustentavel (CDS) e a Organizacao das Nacoes Unidas para o Meio Ambiente (Onuma); as respostas regionais e as iniciativas das Organizacoes da Sociedade Civil (OCS), Barros-Platiau et al. (2004) afirmam que todas elas foram criadas para trazer respostas as crises ambientais passadas ou anunciadas, com vistas ao estabelecimento de mecanismos de governanca global ambiental. Apos a analise dessas e outras iniciativas, os autores chegaram a conclusao de que a governanca ambiental ainda nao e global. Ela transita entre o global e o local em um sistema internacional decadente, uma vez que os problemas que se originam sao de natureza interconexa do ecossistema global, mas as solucoes ainda sao buscadas dentro do quadro de um sistema geopolitico, muito baseado num Estado hoje enfraquecido.

Para os autores, a governanca global ainda revela alto grau de normatividade e baixo grau em termos de operacionalidade, engendrando uma forte decepcao por parte da sociedade civil organizada. A partir deste contexto, e da evolucao do cenario internacional, que permitiu uma maior participacao de atores nao estatais, como ONGs, empresas privadas e comunidades cientificas nos processos decisorios, nota-se o reconhecimento institucional de "forcas emergentes" capazes de trazer impulso a governanca ambiental, do nivel global ao local. No entanto, o que nao se pode deixar de observar e que a emergencia de atores, tao assimetricos e diversos, tambem traz novos desafios no estabelecimento das regras do jogo internacional, que sempre foram pouco claras para as questoes ambientais. (BARROS-PLATIAU; VARELLA; SCHLEICHER, 2004)

4 PARTICIPACAO DE ORGANIZACOES NAO AMBIENTAIS E SETOR PRIVADO NA GOVERNANCA AMBIENTAL GLOBAL

A Declaracao da Amigos da Terra Internacional, uma federacao internacional composta por organizacoes ambientais de todo o mundo, lancada em maio de 2012, acusa a ONU de dar muito espaco as corporacoes privadas nas negociacoes internacionais sobre o meio ambiente. Pode-se ler na declaracao que apesar da ONU ser o melhor local para discussoes sobre a crise ambiental por congregar 192 paises, essas organizacoes ambientais estao preocupadas com a "[...] crescente influencia de grandes corporacoes e grupos de lobby de negocios dentro da ONU" (AMIGOS DA TERRA INTERNACIONAL, 2012, p. 4). Estao apontados, entao, a influencia diretamente exercida pelo setor privado na posicao adotada por alguns governantes, o grande espaco dado a elas em algumas discussoes, o papel consultivo privilegiado dado aos grupos empresariais, a troca constante de funcionarios entre a ONU e o setor privado e, por fim, a dependencia financeira da ONU das organizacoes privadas em seus principais eventos e como parceiros nos seus projetos.

Para Cunha e Coelho (2012), o setor ambiental e bastante influenciado pelas as organizacoes nao governamentais na medida em que elas fazem pressao sobre o Estado para a aprovacao de normas de seus interesses, financiam seus projetos e realizam pesquisas que norteiam a criacao posterior de politicas publicas. Accioly e Sanchez (2012), ao levantar os dados de financiamento de campanha dos parlamentares ligados a Comissoes de Meio Ambiente no Brasil em 2010 e 2011, encontraram uma forte presenca das empresas de agronegocios e do ramo da construcao civil. Esses grupos, ainda segundo esses autores, acabam por exercer grande influencia politica, impedindo, por conta de seus interesses privados, o avanco da regulacao ambiental.

Essas estrategias, conhecidas como lobby, sao consideradas ilegais em diversos paises, inclusive no Brasil. No entanto, elas demonstram o quao perto estao a acao politica e o setor empresarial. Outros interessados, como ONGs e a sociedade civil, nao possuem o mesmo poder de barganha dos empresarios e, portanto, nao concorrem em pe de igualdade quando buscam defender seus interesses. Dessa forma, o Estado se viu compelido a integrar esses novos atores, como ONGs e representantes da iniciativa privada por meio da governanca, a fim de aumentar a diversidade de interessados.

A insercao de novos atores nas discussoes ambientais nao e exclusiva das politicas nacionais. Nos ultimos anos a ONU vem integrando novos atores na criacao de uma governanca ambiental global. Segundo Najam et al. (2006, p. 12), desde 1972, com a criacao da United Nations Environment Programme (UNEP), "[...] o negocio da governanca ambiental global tem crescido em muitas novas direcoes". Assim, mais regras e normas ambientais foram criadas em todo o mundo, nao so a partir da acao de atores estatais e organizacoes internacionais ambientais, mas tambem provenientes de organizacoes nao ambientais, como o Banco Mundial, bancos privados e organizacoes nacionais e internacionais do setor privado.

Dessa forma, criando normas e politicas ambientais e se articulando com os governos e com as organizacoes internacionais ambientais, que as organizacoes nao ambientais e as do setor privado estao aumentando sua influencia na governanca ambiental global. No entanto, a ineficacia do sistema GAG tem dificultado a participacao dessas organizacoes. Ivanova et al., (2007) chamam a atencao para o fato de que "[...] fragmentacao institucional e duplicacao de atos sao obstaculos no esforco de envolver efetivamente a comunidade empresarial na governanca ambiental".

Assim, apesar do crescimento da participacao de diversos atores na governanca ambiental global --unidades politicas, ONGs, movimentos sociais e representantes de setores da economia--, os problemas ambientais mundiais ainda nao foram sanados (NAJAM; PAPA; TAIYAB, 2006; IVANOVA, 2012). O que, na opiniao de Najam et al. (2006), significa uma total ineficacia do sistema.

Esta claro que enquanto o sistema do governanca ambiental global vem crescendo em tamanho e escopo, ele nao foi totalmente eficaz na consecucao dos seus objetivos maiores de realmente melhorar o ambiente global, de alcancar o desenvolvimento sustentavel ou mesmo de inverter as principais tendencias de degradacao. (NAJAM; PAPA; TAIYAB, 2006, p. 14)

Ao sistema de governanca ambiental global falta coordenacao, implementacao das decisoes, enforcement e eficacia, segundo Najam, Papa e Taiyab (2006). A coordenacao, pelo menos teoricamente, e do PNUMA. No entanto, a ele faltam recursos financeiros e de pessoal para exercer este mandato. Ao mesmo tempo, "[...] o sistema GAG se transformou em um 'sistema de negociacao [...]" (NAJAM; PAPA; TAIYAB, 2006, p. 15), onde nao se pensa na implementacao das decisoes ali tomadas. A dificuldade de implantacao decorre da nao obrigatoriedade das nacoes de seguirem as determinacoes do GAG, ou seja, a falta de enforcement. Todos esses problemas--a falta de coordenacao, implementacao e enforcement--levam a ineficacia de todo o sistema.

Ivanova (2012, p. 565) concorda com os problemas citados por Najam, Papa e Taiyab (2006), e complementa que o sistema GAG e ineficaz tambem por conta da falta "[...] de objetivos claros [e] uma visao compartilhada [...]". As funcoes e responsabilidades das outras instituicoes das Organizacoes das Nacoes Unidas (ONU) que participam do GAG ainda nao foram bem definidas. E comum, entao, sobreposicao de funcoes e responsabilidades, como no caso da Food and Agriculture Organization (FAO) e do proprio PNUMA, como pode ser visto no Quadro 1. Isso causa competicao entre as agencias e programas da ONU, resultando em orientacoes diferentes e o nao compartilhamento das visoes.

Viola e Franchini (2012a; 2012b) afirmam que as forcas conservadoras e soberanistas, que constituem hegemonicamente a governanca ambiental global, nao permitem que o sistema funcione. Nesse modelo tradicional, os atores sao majoritariamente estatais e, na sua maioria, defendem a nao cessao de poderes nacionais em nome de instituicoes supranacionais. Assim, "[...] o problema central da governanca global atual e que as instituicoes--internacionais e domesticas--criadas ao longo das ultimas decadas nao refletem o profundo nivel de interdependencia entre as sociedades". (VIOLA; FRANCHINI, 2012a, p. 475)

Para O'Brien et al. (2000), propostas para a reforma institucional tambem devem levar em consideracao a participacao dos novos atores nao estatais que tem alterado a governanca global. No "novo" multilateralismo, diferentemente do "velho" em que as decisoes sao feitas por atores estatais, as decisoes sao tomadas a partir da interacao dos diferentes grupos sociais existentes no mundo. Nesse caso, as propostas e decisoes devem ser feitas dentro de um modelo bottom up, construido de baixo para cima.

Nos ultimos anos, se fortaleceu a ideia de que os problemas ambientais do mundo contemporaneo nao podem ser tratados localmente e nem por poucas instituicoes. Os governos sozinhos nao tem autoridade nem os instrumentos para lidar com tais preocupacoes, apesar dos graves impactos sobre seus cidadaos, economias e recursos naturais. Nesse contexto, diferentes organizacoes passam a ser atores importantes da governanca ambiental global, em especial as organizacoes nao ambientais e o setor privado da economia por "[...] influenciarem na formacao, manutencao e desintegracao dos regimes ambientais" (IVANOVA; GORDON; ROY, 2007, p. 125). Essa influencia pode ocorrer, segundo Ivanova, et al. (2007, p. 125) de duas maneiras: a) de forma direta, "atraves de lobby empresarial sobre os principais acordos internacionais ou envolvimento na busca de solucoes para problemas ambientais especificos"; ou b) de forma indireta, "por meio do 'poder estrutural' das grandes corporacoes na economia ou a ameaca implicita de deslocalizacao".

Por muitos anos, o setor privado se opos as politicas ambientais regulatorias. Com isso, viu sua imagem se desgastar perante a opiniao publica ate ser considerado como o grande vilao dos problemas ambientais globais. Se ate a Conferencia de Estocolmo, em 1972, seu papel era como mero opositor das politicas ambientais, "[...] a partir da Rio 92, verifica-se uma participacao mais direta e crescente do setor privado nas conferencias globais visando defender seus interesses diretamente nas arenas internacionais". (ANDRADE, 2009, p. 219)

Na Rio 92, duas organizacoes empresariais participaram como observadoras e puderam contribuir com as discussoes, segundo Andrade (2009, p. 220), incentivadas por Maurice Strong, secretario geral da ONU e organizador da conferencia: "o Business Council for Sustainable Development (BSCD), criado em 1990, e a Camara de Comercio Internacional (5) (CCI)". Ambas criam, durante a Rio 92, o World Business Council for Sustainable Development (WBCSD) "[...] para assegurar que a voz dos negocios fosse ouvida durante o forum", segundo informacoes no site da organizacao. (WBCSD, [20?]a)

A WBCSD e uma organizacao internacional que reune duzentas empresas associadas de todo o mundo de diferentes setores da economia e cerca de sessenta conselhos empresariais nacionais. E dirigida por membros da alta cupula das empresas associadas (6). Um dos beneficios oferecidos pela WBCSD aos seus associados e a defesa e representacao dos seus interesses em foruns politicos internacionais. (WBCSD, [20?]b)

"As associacoes empresariais, tais como WBCSD e a CCI, contribuiram bastante, a partir da decada de 1990, para aumentar a visibilidade e a influencia do mundo dos negocios nos foruns ambientais internacionais" (ANDRADE, 2009, p. 222). Desde entao, numerosas organizacoes nao ambientais e do setor privado tem se debrucado sobre as questoes ambientais e impondo suas agendas na governanca ambiental global.

Uma dessas organizacoes e a World Trade Organization (WTO), criada em 1994, que segundo Weinstein e Charnovitz (2001, p.147), "[...] comecou a desenvolver uma consciencia ambiental". A mudanca gradual da WTO e resultado do fortalecimento do paradigma da sustentabilidade em todo o mundo. Atualmente a WTO mantem contato constante com os outros orgaos da ONU e com os Estados a fim de "[...] criar sinergia positiva entre o comercio e a agenda ambiental de nivel internacional". (WTO, 2012).

O setor empresarial, segundo Layrargues (1998, p. 56), se apropriou da ideologia ecologica, uma vez que percebeu as possibilidades de um novo mercado. Nao se trata, portanto, de uma conscientizacao da crise ambiental, mas somente uma racionalidade economica, "[...] possibilitada pela potencialidade da manutencao e fortalecimento das forcas de mercado". O ideario ecologico se disseminou por quase todo o mundo nos ultimos anos, promovido pelos paises desenvolvidos, suas instituicoes e organizacoes. O Brasil, por estar inserido na dinamica dos negocios internacionais, nao pode se manter alheio. Sendo assim, deve promover a conversao da populacao a ideologia da sustentabilidade, ao mesmo tempo em que necessita do ideario antiecologico para manter um suposto "desenvolvimento" que se sustenta sobre as bases do crescimento economico (ACCIOLY; SANCHEZ; LAYRARGUES, 2012). Devido a essa contradicao, "[...] proposicoes que almejam a preservacao ambiental sofrem serias limitacoes quando empreendidas no contexto [brasileiro], devido a sua propria condicao de fornecedor de materias-primas e forca de trabalho barata [...]", defendem Accioly, Sanchez e Layrargues (2012)

Ivanova et al. (2007) afirmam que as empresas ja descobriram que a ONU pode ser um parceiro indispensavel para seus negocios. Kofi Annan, secretario-geral da ONU (7), afirmou em 2005 que "[...] as acoes da ONU fornecem um 'quadro estavel e favoravel aos negocios e ao desenvolvimento'" (IVANOVA; GORDON; ROY, 2007, p. 129). Sendo assim, foi criado em 2000 o UN Global Compact, uma parceria entre a ONU e o setor privado. Trata-se de uma modalidade de governanca multicentrica, em rede, onde cada um dos participantes e co-responsavel pelo seu funcionamento e, portanto, contrasta com a governanca hierarquizada e centralizada (UN GLOBAL COMPACT, 2011a). Em julho de 2011, o UN Global Compact conta com mais de oito mil membros, sendo mais de seis mil empresas de 135 paises. (UN GLOBAL COMPACT, 2011b)

Durante a Conferencia de Joanesburgo, em 2002, a parceria entre a ONU e as empresas e organizacoes setoriais ja estava bem estabelecida, lembram Ivanova et al. (2007). Kofi Annan foi o maior incentivador dessa cooperacao, principalmente em um momento em que os Estados Unidos deixaram de repassar a organizacao parte dos valores que a financiava.

Como as empresas nao sao autorizadas a participar diretamente das negociacoes multilaterais da ONU, foram criadas as Business or Industry NGO (BINGOs). Andrade (2007, p. 222) afirma que:
   [...] essas associacoes exercem um papel importante nas negociacoes
   multilaterais ambientais por uma serie de razoes. A primeira esta
   relacionada com o acesso das empresas a arena internacional. As
   BINGOs funcionam como o canal oficial de acesso das corporacoes as
   negociacoes multilaterais, ja que o sistema de governanca da ONU
   permite somente a presenca de quatro categorias: delegacoes
   nacionais, imprensa, OIGs e observadores filiados a ONGs.


Alem disso, as BINGOs permitem as suas associadas durante as conferencias da ONU espaco para divulgacao das marcas e suas atividades e realizacao de eventos paralelos e, principalmente, uma voz que carrega suas demandas na influencia a ecopolitica mundial. (ANDRADE, 2007)

O setor privado tambem participou da Conferencia de Joanesburgo por meio das Business Action for Sustainable Development (BASD), criada pelo CCI e o WBCSD. O BASD, segundo informacoes no site da organizacao, e "uma rede global de organizacoes empresariais" (BASD, 2002). O objetivo era, alem de participar ativamente das reunioes, mostrar as acoes empresariais para o desenvolvimento sustentavel. Em 2012, durante a Rio+20, o BASD voltou a atuar. Nesse evento aconteceu a Rio+20 Business Day na qual, em areas dos mais diversos setores da industria, como cimento, agricultura, oleo e gas, foram apresentados os programas de sustentabilidade das empresas associadas ao CCI, ao WBCSD e ao Global Compact.

As negociacoes para a Rio+20 tem inicio antes dessa conferencia. Em abril de 2012, os membros da BASD se prepararam em Haia, na Holanda, se reunindo com representantes dos Estados, em um dos maiores eventos preparatorios para a conferencia da ONU.

Na preparacao para a Conferencia das Nacoes Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentavel (Rio+20), representantes de empresas, funcionarios do governo e outras partes interessadas envolvidas em uma consulta de dois dias em Haia, na Holanda. Mais de 300 participantes discutiram o tema "Compreendendo o Crescimento Inclusivo e Verde" e como pontos fortes dos negocios "em materia de inovacao, adaptacao e implementacao pode ser melhor aproveitado para facilitar a transicao para uma economia verde. Os resultados das discussoes foram capturados e serao levadas em conta no processo de negociacao para a Rio+20. (BASD, 2012)

A referencia a "economia verde" nao e gratuita, pois nela nao se discute o modelo economico atual e, portanto, esta adequada a logica da sociedade capitalista, financeira, industrial e globalizada. No conceito de economia verde, amplamente divulgado pelo PNUMA, a conservacao ambiental se dara pelo "[...] crescimento economico, tecnologia e abordagens mercadologicas" (AMIGOS DA TERRA INTERNACIONAL, 2012). Dessa forma, o crescimento economico e os investimentos em tecnologias e produtos "verdes", concomitantemente, trariam como resultado a melhoria do meio ambiente e a inclusao social, advoga o PNUMA. (UNEP, 2011)

Alem do mais, na economia verde, o Estado e o indutor e financiador das praticas de inovacao, conforme o relatorio da UNEP (2011). Assim, o conceito de economia verde esta ancorado na ideia de financiamento publico as inovacoes ambientais. Sobre isso, Almeida (2012, p. 95) escreve que:
   Trata-se de um processo induzido por politicas, sobretudo as de
   incentivo a inovacoes. Isso representa uma ruptura com a visao
   neoclassica liberal, segundo a qual o impulso as inovacoes viria
   das proprias forcas do mercado, em especial das pressoes
   competitivas pela via do livre comercio e do investimento externo
   direto.


Nao ha como nao notar os interesses comerciais que estao por tras. Alem de propiciar a abertura de novas areas de atuacao com seus produtos e servicos "verdes", as organizacoes podem se valer do financiamento publico. As organizacoes nao ambientais e setores privados ja fazem pressao para que os governos criem politicas compensatorias para a implementacao de praticas sustentaveis. Durante a Rio+20, a Confederacao Nacional da Industria (CNI) defendeu a implantacao de politicas compensatorias para as empresas que invistam em politicas ambientais. (HESSEL, 2012)

Para Sousa Santos (HARARI, 2012), em debate na Cupula dos Povos (8) durante a Rio+20, "[...] e uma perversao total transformar a natureza em mercado. Economia verde e suprir o capitalismo com mais capitalismo". Ou seja, a ideia subjacente a economia verde e a competicao com rotulo verde para a reproducao do sistema. Para se manter ou aumentar sua atuacao no mercado, e preciso possuir produtos ou servicos "verdes" devidamente certificados por organizacoes criadas por grandes empresas. Pombo e Magrini (2008), em um estudo sobre a aplicacao das normas ISO 140019 no Brasil, afirmam seu carater excludente ao verificar que as regras impostas para a certificacao sao dificeis de serem implementadas pelas pequenas empresas devido ao seu alto custo.

Dessa forma, a influencia das empresas nas rodadas internacionais ambientais e hoje bastante grande. Para alguns:

[...] isso pode ser a chave para a resolucao dos urgentes desafios ambientais de hoje. Como afirma Ray Anderson, fundador e presidente da Interface Corporation: ha apenas uma instituicao na Terra que e grande o suficiente, potente o suficiente, penetrante o suficiente, rica o suficiente e influente o suficiente para realmente levar a humanidade em uma nova direcao para sair da bagunca que criamos para nos mesmos. E essa e a instituicao dos negocios e industria. (IVANOVA; GORDON; ROY, 2007, p. 124)

No entanto, outros afirmam que a grande influencia das empresas na ONU significa a privatizacao do sistema. Conforme cresce a participacao das organizacoes nao ambientais e setoriais nas discussoes na ONU, mais elas conseguem orientar as decisoes para que as beneficie. O pensamento, assim, seria: ja que nao da mais para contrariar as politicas ambientais, que pelo menos se ganhe com elas.

5 CONSIDERACOES FINAIS

O objetivo deste estudo foi discorrer sobre a insercao das organizacoes nao ambientais e do setor privado na governanca ambiental global nos ultimos anos. Assim, a partir de uma investigacao bibliografica e documental foi possivel observar que nos ultimos quarenta anos, as organizacoes nao ambientais e o setor privado vem se inserindo pouco a pouco na governanca ambiental global a partir do momento em que se conscientizaram de que nao poderiam mais se contrapor as politicas ambientais e resolveram se inteirar dos processos politicos da regulacao ambiental e influenciar na sua formacao.

Isso pode ter acontecido por razoes que se interconectam: o enfraquecimento dos Estados nacionais, a perda de poder dos proprios organismos multilaterais, como a propria ONU e a "ma fama" de empresas privadas como vilas dos problemas ambientais mundiais. Movida por interesses diversos, de certa forma a propria ONU foi atraindo a participacao de muitas organizacoes privadas e nao ambientais nas discussoes dos problemas dos ecossistemas. A partir da ideia disseminada de que os problemas ambientais do mundo contemporaneo nao poderiam mais ser tratados localmente e nem por poucas instituicoes, as organizacoes privadas tornaram, para muitos, a unica forma de se ter um mundo sustentavel.

De observadoras na Rio 92, as organizacoes nao ambientais e o setor privado, passaram a atuar diretamente nas discussoes na Rio+20. Isso nao sem criticas. Para alguns, as questoes ambientais nao podem ser deixadas nas maos das empresas, pois seus interesses nao sao ambientais e sim comerciais. No entanto, aceitando ou nao a participacao das organizacoes nao ambientais e do setor privado na governanca ambiental global, esse e um fenomeno que parece nao ter volta. Alem de ja contar com seus poderes individuais, essas organizacoes conseguiram se unir e formar uma rede tao eficaz--associacoes empresariais--que em muitos casos possuem mais voz do que muitos paises.

Assim, para entender esse fenomeno, e preciso levar em conta que as estrategias organizacionais mudam porque a compreensao delas sobre o seu papel na sociedade foi alterado. Alterado nao no sentido de admitirem a mea culpa das mazelas ambientais, mas no sentido de saberem que seria importante ter o dominio da governanca ambiental global. Ao funcionalizarem e esverdearem suas praticas, e mais do que isso, ao tentarem obter mais poder para decidir os rumos das politicas ambientais em termos globais, os gestores dessas organizacoes sabem que conseguirao obter maior legitimidade em suas acoes e nao serao tao questionadas em suas praticas diarias.

Desse modo, se por um lado essas "forcas emergentes" podem ser capazes de trazer novo impulso a governanca global ambiental, por outro nao ha como nao observar que atores com graus tao diferenciados de poder trarao muitos desafios as regras do jogo. E neste momento em que se torna imprescindivel que a nocao de governanca ambiental global passe pela democratizacao e pela reflexividade critica, para que os diversos discursos que a compoem sejam ouvidos atentamente pela comunidade interessada na preservacao do planeta, ou seja, todos nos.

DOI: http://dx.doi.org/10.5007/2175-8077.2014v16n40p75

Artigo recebido em: 19/1/2013

Aceito em: 4/6/2013

Adriana Vinholi Rampazo

Professora Assistente da Universidade Estadual do Parana. Londrina, PR. Brasil. E-mail: arampazo@usp.br

Elisa Yoshie Ichikawa

Professora Associada da Universidade Estadual de Maringa. Maringa, PR. Brasil. E-mail: eyichikawa@uem.br

Alexandre de Padua Carrieri

Professor Titular da Universidade Federal de Minas Gerais. Belo Horizonte, MG. Brasil. E-mail: alexandre@face.ufmg.br

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NOTAS

(1) A expressao organizacoes nao ambientais e aqui utilizada para definir as organizacoes nacionais e internacionais que reunem empresas com um fim nao especificamente ligados as questoes ambientais, como a Camara de Comercio Internacional (CCI), World Trade Organization (WTO), Confederacao Nacional da Industria (CNI), entre outras. O setor privado e formado por empresas que nao sao de propriedade do Estado.

(2) Os preservacionistas propoem "[...] a intocabilidade dos sistemas naturais [...]", segundo Ribeiro (2001, p. 62). Para eles, qualquer acao do ser humano sobre o ambiente natural e prejudicial.

(3) Os conservacionistas se opoem a ideia dos preservacionsitas, pois, para os primeiros, e possivel utilizar o conhecimento tecnico e cientifico para se apropriar de forma racional dos recursos naturais (RIBEIRO, 2001). E dos conservacionistas, portanto, a ideia de conservacao do ambiente natural.

(4) Entre a Conferencia de Estocolmo e a Rio 92 aconteceram cinco reunioes internacionais que tinham o ambiente como tema. (RIBEIRO, 2001)

(5) International Chamber of Commerce (ICC).

(6) No momento em que este texto esta sendo escrito, o presidente da WBCSD e Charles O. Holliday Jr. do Bank of America. Os outros membros da diretoria da organizacao vem de grandes empresas transnacionais como Toshiba, Unilever, Duke Energy, Toyota Motor, China Petrochemical e Royal Dutch Shell.

(7) Kofi Annan foi Secretario-Geral da ONU de 1 de janeiro de 1997 a 31 de dezembro de 2006.

(8) A Cupula dos Povos foi um evento paralelo a Rio+20, organizada pela sociedade civil global.

(9) A serie ISO 14000 foram criadas pela International Organization for Standardization (ISO), uma organizacao que desenvolve e publica normas de padronizacao em quase todo o mundo, e estabelece as diretrizes para a implantacao da gestao ambiental nas empresas, conforme informacoes no seu site: <http://www.iso.org/iso/home/ standards/management-standards/iso14000.htm>. Acesso em: 1 jul. 2012.
Quadro 1: Organizacoes Internacionais e secretariados com tratados
em questoes ambientais

AGRICULTURA   POLUICAO DO AR   BIODIVERSIDADE    MUDANCAS    ENERGIA
                                                CLIMATICAS

UNCCD         CSD              Cartagena        CBD          CSD
CSD           ECE              Protocol         CSD          ECLAC
ECA           ECLAC            CBD              ESCAP        GEF
FAO           ESCAP            CITES            ESCWA        IAEA
IFAD          ESCWA            CMS              GEF          IEA
ILO           GEF              Ramsar           ICAO         UNDP
ITC           ICAO             ECA              IEA          UNEP
ITU           ILO              ECLAC            IPCC         UPU
IUCN          OECD             ESCAP            ISDR         World
OCHA          OHCHR            ESCWA            OECD         Bank
OSS           UNEP             FAO              UNCTAD
UNCTAD        UN-HABITAT       GEF              UNDP
UNDP          WHO              IUCN             UNEP
UNEP          World Bank       UNDP             UNESCO
World Bank    WMO              UNEP             UNFCCC
WTO                            UNESCO           UNITAR
                               UNU              WHO
                               WIPO             WMO
                               World Bank       World Bank
                               WTO              WTO

AGRICULTURA   PESCA   FLORESTAS       AGUA

UNCCD         CBD     CBD          CBD
CSD           CITES   CSD          CSD
ECA           CSD     GEF          Ramsar
FAO           FAO     FAO          ECA
IFAD          ILO     IFAD         ECE
ILO           IMO     ITTO         ESCAP
ITC           ITLOS   IUCN         ESCWA
ITU           WTO     UNEP         GEF
IUCN          UNEP    UNFF         IMO
OCHA                  UNHCR        ITU
OSS                   World Bank   UNDP
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                                   World Bank
                                   WWC

Fonte: Adaptado de Ivanova, Gordon e Roy (2007)
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Author:Rampazo, Adriana Vinholi; Ichikawa, Elisa Yoshie; Carrieri, Alexandre de Padua
Publication:Revista de Ciencias da Administracao
Date:Dec 1, 2014
Words:8495
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