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The gastronomy utilization to propose dietetics improvements in the hospital pasty meals: analysis, intervention and evaluation/A gastronomia como proposta de qualificacao dietetica das refeicoes hospitaleres pastosas: analise, intervencao e avaliacao.

INTRODUCAO

A dieta hospitalar e de extrema importancia para a recuperacao do paciente (BRASIL, 2009; CARO et al., 2007; JOHNS et al., 2010; SAHIN, et al., 2007; STANGA et al., 2003) e, por isso, em seu planejamento, devem ser consideradas tres dimensoes: 1) os aspectos nutricionais, com especial atencao as necessidades individuais; 2) os atributos psicosensoriais que envolvem as sensacoes que o alimento provoca; e 3) as simbolicas, considerando que as pessoas estao inseridas em uma cultura, juntamente com sua historia e costumes (COLOCO et al., 2009; GODOY et al., 2007; GRECHINSK; CARDOSO, 2008; SOUSA, 2002).

Nesse sentido, de acordo com o conceito de Quality of Life (QoL), a vontade de se alimentar e a mudanca da percepcao de bem-estar do paciente podem ser considerados como marcadores de beneficios. A QoL e subjetiva, multidimensional e representa um estado funcional e de conforto psicosocial, e inclui a compreensao sobre saUde, doenca e sintomas desenvolvidos (CAPRA et al., 2001; RAVASCO et al., 2003).

Sao muitos os fatores capazes de influenciar a ingestao alimentar e, consequentemente, a QoL do paciente, como o ambiente hospitalar (quando considerado hostil e impessoal), a gravidade da doenca, o diagnostico clinico e a consistencia da alimentacao oferecida (CARO et al., 2007; STANGA et al., 2003).

Em pacientes oncologicos, a ingestao alimentar pode ficar ainda mais prejudicada, o que aumenta o risco para a desnutricao (WAITZBERG et al., 2001). Isso ocorre porque sintomas como hiporexia, mal-estar, disfagia, mucosites, xerostomia, nauseas, vomitos, disosmia e mudancas no paladar estao muito presentes devido aos tratamentos da doenca, como a quimioterapia e a radioterapia, bem como a propria doenca (CAPRA et al., 2001; RAVASCO et al., 2005). Dessa forma, a terapia dietetica para esses pacientes deve contar com todos os fatores capazes de incentivar o aumento da ingestao de alimentos.

Nesse contexto, a gastronomia hospitalar desenvolve importante papel para a recuperacao do doente oncologico. O desenvolvimento de tecnicas de decoracao e preparo das refeicoes pode contribuir para o aumento da aceitacao e da ingestao alimentar, alem de ser determinante na qualidade sensorial das refeicoes. Ressalta-se que a literatura cientifica demonstra que a aparencia das refeicoes influencia diretamente no "querer e prazer em se alimentaf de cada individuo (GODOY et al., 2007; SAHIN, et al., 2007; SOUSA et al., 2011; STANGA et al., 2003).

Em face desse panorama, este estudo teve por objetivo utilizar tecnicas gastronomicas para propor medidas de intervencao e avaliar a eficacia dessas mudancas para aumentar a satisfacao dos pacientes hospitalizados com cancer com prescricao de dieta pastosa.

MATERIAL E METODOS

O estudo foi desenvolvido entre os meses de maio a julho de 2011 em um hospital filantropico localizado na regiao Centro-Sul de Belo Horizonte, MG. O hospital era composto de 231 leitos, sendo que 60% eram para o atendimento do Sistema Unico de SaUde e 40% para convenios particulares. Mensalmente, em media, eram internados 800 pacientes com cancer para tratamento e controle.

O Servico de Nutricao foi estruturado para atender pacientes e funcionarios do proprio hospital, bem como de outro hospital da mesma fundacao mantenedora, alem de uma casa de apoio, por meio do sistema de refeicoes transportadas. A cada mes, eram servidas 34.100 refeicoes, aproximadamente, para todas essas pessoas, incluindo desjejum, colacao, almoco, lanche, jantar e ceia para pacientes, acompanhantes e funcionarios dos tres locais.

A dieta pastosa destinada aos pacientes oncologicos era composta por quatro tipos de pures. Um tipo era a base de feijao batido com carne, outro era feito com uma mistura industrializada de creme de arroz, e os demais eram produzidos a base de hortalicas.

O hospital contava com a utilizacao de pratos termicos, com divisorias descartaveis (refil), como sistema de manutencao de temperatura das refeicoes produzidas, as quais eram encaminhadas do servico de alimentacao ate os leitos por meio de carrinhos nao termicos.

Dieta Pastosa e a Satisfacao dos Pacientes

Inicialmente, foi realizada uma pesquisa de satisfacao, durante 10 dias consecutivos, com todos os pacientes do hospital que tinham a prescricao para receber dieta pastosa. No periodo do estudo, juntamente com a dieta, cada paciente recebia um formulario para avaliacao global da refeicao, classificando-a como excelente, bom, regular, ruim ou pessimo. O formulario era recolhido, de leito em leito, por uma das pesquisadoras. Caso algum paciente classificasse a dieta como regular, ruim ou pessimo era perguntado o motivo para que fosse justificada sua baixa aceitacao.

Determinacao do Tamanho da Porcao

Foi realizada a mensuracao do peso de cada pure que compunha a refeicao dos pacientes. Inicialmente tarou-se a balanca com o refil utilizado, o mesmo onde eram servidas as refeicoes. Os pures foram porcionados com uma concha plastica, utilizada no Servico de Nutricao como referencia de porcao, e foram pesados separadamente. O procedimento foi repetido para a mensuracao da refeicao completa. Utilizou-se uma balanca eletronica da marca C&F[R] com sensibilidade de 5g, capacidade maxima de 15 kg e minima de 0,125 kg, e foi calculada a media dos valores obtidos dos quatros pures da refeicao. Fez-se uma Unica medicao dos pures, pois todos eram porcionados com um utensilio padrao nivelado. Esse procedimento foi realizado antes da intervencao, visto que pretendia-se conhecer a quantidade de pures ofertada aos pacientes para posteriores inferencias sobre essa questao.

Desenvolvimento de Decoracoes para Dieta Pastosa e Teste de Aceitacao

As tecnicas gastronomicas foram usadas como uma maneira de intervir na cozinha dietetica do hospital e de melhorar o aspecto sensorial das dietas pastosas ofertadas. Nesse sentido, foram criadas receitas de decoracoes comestiveis e suas respectivas fichas tecnicas foram estabelecidas. Buscou-se desenvolver as receitas com base nos proprios pures que poderiam contribuir para a melhora do aspecto visual das refeicoes. Nessa etapa, as funcionarias da cozinha dietetica, local onde os pures eram produzidos, foram orientadas no preparo e na decoracao das refeicoes.

Para avaliar o impacto que as decoracoes dos pures possivelmente causariam no aspecto global das refeicoes, com destaque para aparencia e sabor, foi realizado o teste de aceitacao com pessoas saudaveis. Esse procedimento foi usado para efetivar uma analise dos pures usados na pesquisa de satisfacao com os pacientes, depois da intervencao. Seu objetivo principal foi suprir, em parte, a impossibilidade de uma analise mais apurada por parte dos pacientes, que nao tinham condicoes de preencher formularios mais elaborados.

O teste de aceitacao segue a metodologia sugerida por Meilgaard et al. (2007) e funcionarios do proprio hospital (n=30) foram convidados a degustar as amostras. O teste foi composto por quatro amostras codificadas com nUmeros de tres digitos e servidas em recipientes plasticos, a saber: pure de abobrinha sem decoracao; pure de abobrinha com decoracao de beterraba; pure de inhame sem decoracao; e pure de inhame com decoracao de abobora moranga (Figura 1). Inicialmente o provador recebia explicacoes sobre o procedimento do teste e um copo com agua foi fornecido para o enxague bucal entre as amostras, as quais foram servidas aleatoriamente, uma de cada vez e com temperatura entre 40[degrees]C e 50[degrees]C.

Juntamente com a amostra codificada, o provador recebia uma ficha de avaliacao. Essa ficha foi preenchida pontuando o grau de aceitacao nos quesitos aparencia e sabor de acordo com a classificacao estabelecida. Foi utilizada escala hedonica de 9 pontos tanto para sabor quanto para aparencia. A escala consistia em: 9 = gostei muitissimo; 8 = gostei muito; 7 = gostei moderadamente; 6 = gostei pouco; 5 = nem gostei, nem desgostei; 4 = desgostei pouco; 3 = desgostei moderadamente; 2 = desgostei muito; 1 = desgostei muitissimo. Foi solicitado que cada voluntario indicasse o quanto gostou ou desgostou em cada uma das amostras.

Avaliacao do Impacto das Decoracoes pelos Pacientes

Para todos os pacientes com prescricao para dieta pastosa foi realizada uma nova pesquisa de satisfacao, agora com as decoracoes comestiveis, durante 10 dias consecutivos. Em cada refeicao, juntamente com o prato termico, o paciente recebia um formulario sobre a avaliacao global da refeicao servida. Os pures, acomodados nos pratos termicos, foram decorados com os mesmos desenhos utilizados durante a analise sensorial, como apresentado na Figura 2.

O formulario aplicado, a metodologia utilizada e os pures oferecidos foram os mesmos da primeira pesquisa de satisfacao com os pacientes, descrita no item "Dieta pastosa e a satisfacao dos pacientes". Frisa-se, ainda, que as refeicoes foram acompanhadas ate a chegada nos andares para constatar se a decoracao realizada foi mantida no trajeto entre o Servico de Nutricao e o leito dos pacientes. Tambem, nesse momento, alem da verificacao dos motivos que justificassem a baixa aceitacao (regular, ruim ou pessimo), foram anotados comentarios positivos em relacao a nova apresentacao da dieta.

Analise Estatistica

Foi efetuada analise de frequencia da classificacao das refeicoes servidas aos pacientes (excelente, bom, regular, ruim e pessimo) antes e apos a intervencao dietetica. Para avaliacao da satisfacao antes e depois da oferta de pures decorados, utilizou-se o teste Qui-Quadrado (EpiInfo 6.04) para realizar a comparacao dos percentuais obtidos, do total das respostas, na avaliacao global das refeicoes. Considerou-se como diferenca significativa o valor de p<0,05.

Paralelamente, realizou-se analise qualitativa dos motivos que levaram os pacientes a classificarem as dietas como pessimo, ruim ou regular. Os motivos foram agrupados em categorias de modo a facilitar a analise das respostas.

No teste de aceitacao dos pures com e sem decoracao, realizado com os funcionarios, os resultados foram transformados em escores (1 a 9) e submetidos a analise de variancia para verificar a existencia de diferenca significativa entre as medias obtidas na avaliacao (p<0,05). Os pures foram avaliados em pares para sabor e aparencia, sendo um par os pures de abobrinha com e sem decoracao e o outro par os pures de inhame com e sem decoracao.

Aspectos Eticos

Este trabalho foi aprovado por Comite de Etica credenciado junto ao Conselho Nacional de SaUde (Processo no. ETIC 0151.0.203.000-11).

RESULTADOS

Participaram da primeira pesquisa de satisfacao 59 pacientes, e 35 na segunda. Ressalta-se que todos os pacientes com prescricao de dieta pastosa, durante 10 dias consecutivos antes e depois da intervencao, foram abordados. Ao realizar a comparacao dos percentuais (Tabela 1) notou-se que houve aumento da satisfacao global da refeicao oferecida, porem nao significativo. Nesse sentido, destaca-se uma tendencia (p=0,06 para a classificacao "bom") no aumento da satisfacao, o que indica que as caracteristicas sensoriais podem influenciar na aceitacao da dieta oferecida.

Uma das pesquisadoras observou, no decorrer da pesquisa, que pode existir uma relacao entre a insatisfacao dos pacientes e uma previa situacao de baixa ingestao dos pures, ou seja, pacientes que comiam menos antes da intervencao aparentemente avaliavam pior as refeicoes. Essa situacao pode ser objeto de estudo em uma nova pesquisa.

Antes da intervencao, ressalta-se que os pacientes apresentaram justificativas para sua insatisfacao, tanto relacionadas a refeicao em si, como associadas aos sintomas do tratamento medicamentoso do cancer: "nao gosto da consistencia", "o pure estava sem gosto" "nao gosto do tempero", "meu paladar esta ruim", "estou sentindo muita dor".

No hospital em estudo, a dieta pastosa era composta por quatro variedades de pures, com porcoes individuais de, aproximadamente, 0,110 kg, totalizando quase meio quilo de refeicao para o paciente.

Como resultado do teste de aceitacao realizado com funcionarios do hospital, comparando-se o mesmo pure com e sem decoracao, houve maior aceitacao, com diferenca significativa, dos pures com decoracao quando se tratava da aparencia (Tabela 2).

DISCUSSAO

A satisfacao pela dieta hospitalar, por parte dos pacientes, esta associada em grande parte, a qualidade sensorial das refeicoes oferecidas. No entanto, essa percepcao de qualidade pode ser consideravelmente alterada pela doenca (GODOY et al., 2007; SAHIN et al., 2007).

No cancer ha muitas alteracoes fisiologicas que influenciam a ingestao alimentar, principalmente causadas pelo tratamento (CAPRA et al., 2001; RAVASCO et al., 2005). Contudo, alguns destes sintomas podem ser agravados quando condicoes restritivas da dieta sao impostas devido a patologia (CARO et al., 2007; STANGA et al., 2003). Cancer do trato gastrointestinal, de cabeca e pescoco sao os mais frequentes em prescricoes para dietas pastosas e, quando a consistencia da dieta e alterada, a aceitacao tende a diminuir (STANGA et al., 2003).

Os pacientes que classificaram negativamente a dieta pastosa oferecida, antes da intervencao apresentaram justificativas que se relacionavam com as alteracoes no paladar causadas pelo tratamento medicamentoso. As dietas hospitalares devem considerar estas alteracoes e desenvolver uma relacao mais estreita com o paciente, priorizando suas caracteristicas individuais.

O aumento de respostas positivas na avaliacao da satisfacao, como verificado na pesquisa com os pacientes, indica, provavelmente, que a aparencia das refeicoes pode influenciar o desejo do individuo em querer se alimentar e contribuir para a diminuicao da incidencia da desnutricao hospitalar (GODOY et al., 2007; SAHIN et al., 2007).

Esse fato pode ser reforcado pelo resultado do teste de aceitacao realizado com funcionarios do hospital. O fato de adicionar decoracao comestivel em um mesmo tipo de pure elevou, significativamente, o valor medio da nota atribuida a aparencia.

O tamanho da porcao de cada pure ofertado pode ser determinante e influenciar negativamente a vontade do individuo de se alimentar. Nesse estudo, observou-se que a porcao previamente estabelecida (0,110 kg de cada pure) nao estava em conformidade com a terapia nutricional mais apropriada (GODOY et al., 2007; STANGA et al., 2003). O Consenso Nacional de Nutricao Oncologica (BRASIL, 2009) indica o aumento do fracionamento da dieta com reducao dos volumes por refeicao para atenuar ou melhorar alguns dos sintomas causados pelo tratamento.

Sugeriu-se ao Servico de Nutricao revisao das quantidades de pures ofertadas em uma mesma refeicao e, apos esse estudo, outras intervencoes foram realizadas a partir de outras tecnicas gastronomicas. Esse fato aponta para um Servico em transformacao, que pretende encontrar, na aplicacao de novas tecnicas de preparo, a excelencia dos resultados em prol dos pacientes.

Outra questao interessante e que a qualidade da dieta tambem pode ser influenciada pelos procedimentos da propria producao, o que em muitos casos modifica suas caracteristicas sensoriais. Antes que a producao se inicie, deve existir planejamento e controle das etapas a serem executadas, alem da padronizacao das dietas (AKUTSU et al., 2005).

No que diz respeito a textura, observou-se, durante o desenvolvimento da pesquisa, variacoes nas caracteristicas dos pures, principalmente decorrentes da falta de padronizacao das receitas. A utilizacao de quantidades nao padronizadas de alguns ingredientes influenciava na sua consistencia final, o que resultava em separacao de fases, dificultando a manutencao da decoracao sobre os pures prontos.

Quando a tecnica de preparo e os ingredientes utilizados na producao das refeicoes sao bem estabelecidos e padronizados, o produto final apresenta-se mais adequado, o que facilita as condicoes para a aplicacao das mudancas dieteticas necessarias e evita desperdicios (AKUTSU et al., 2005).

Alem da implantacao das fichas tecnicas de preparo, para a obtencao de pures com consistencia adequada para compor dietas pastosas sensorialmente atrativas, e necessario o treinamento da equipe de profissionais envolvidos nessa atividade. Um dos motivos da variacao na consistencia dos pures observada no presente estudo foi a diferenca de praticas de trabalho entre as duas cozinheiras, uma em cada plantao. Foi observado que cada uma utilizava sal, oleo e espessante (flocos de batata) conforme sua experiencia previa e entendimento. Esta diferenciacao entre as producoes em cada turno de trabalho e comum em organizacoes brasileiras e ocasiona em perdas na qualidade geral das refeicoes (AKUTSU et al., 2005).

Nesse sentido, e importante incentivar os funcionarios a aderirem as novas tecnicas de preparo e incorpora-las no cotidiano. A principio, notou-se resistencia dos funcionarios da cozinha dietetica em face da tarefa de elaboracao da decoracao dos pures, mas a motivacao deve ser trabalhada dia a dia, mostrando os beneficios dessa pratica para os pacientes.

Num plano geral, com base na literatura pertinente e na observacao no local de estudo, constatou-se que as refeicoes hospitalares sao sem sabor e sem qualquer atrativo (SOUSA et al., 2011). Nessa situacao fica evidente que a gastronomia hospitalar pode e deve ser mais explorada.

Ao receber a refeicao, uma das primeiras caracteristicas a ser avaliada pelo paciente e a impressao sensorial global, incluindo consideravelmente a aparencia. No caso das dietas pastosas oferecidas no hospital em questao, esse aspecto pode ser um fator negativo no processo de aceitacao pelos pacientes. Sousa et al. (2011) observaram que a baixa ingestao da dieta hospitalar poderia ser atribuida a causas que extrapolam a doenca e seu tratamento, e que as dietas com mudancas na consistencia sao as que possuem maiores indices resto-ingestao.

A gastronomia explora as tecnicas de apresentacao das refeicoes, o uso de diversos temperos e combinacoes de ingredientes para mudancas no sabor, a manutencao da cultura alimentar, o ambiente em que o individuo esta inserido e as pessoas que existem ao seu redor. A refeicao hospitalar deve considerar estes aspectos e ponderar que o paciente esta fora do seu contexto social e costumes, o que pode influenciar em uma menor ingestao alimentar. Sendo assim, a gastronomia pode ser considerada um aspecto que influencia no bem-estar do individuo (GARCIA, 2006), inclusive no caso de doencas graves.

A rotina dos Servicos de Nutricao hospitalares deve ser pautada no desenvolvimento de tecnicas de preparo de refeicoes saborosas, atrativas e nutricionalmente adequadas, de maneira a influenciar o paciente em sua vontade se de alimentar, bem como em sua percepcao de bem estar. Ate porque, a aparencia da refeicao interfere na aceitacao e na vontade do individuo em querer se alimentar (GODOY et al., 2007; SAHIN et al., 2007).

Por fim, e possivel observar o bem que as mudancas no preparo dos alimentos podem fazer no dia-a-dia do paciente, colaborando com a humanizacao do ato de se alimentar no ambiente hospitalar, bem como demonstrando respeito aos pacientes como individuos e melhora na sua qualidade de vida. Nesse estudo, como testemunho da melhora que a gastronomia pode trazer ao bem estar das pessoas, destaca-se a satisfacao de um dos pacientes em sua avaliacao: "Obrigada pelo carinho da comida e dos desenhos. Deus abencoe voces".

Como limitacoes do estudo, citam-se a intermitencia na execucao padronizada das receitas dos pures e das decoracoes por parte das cozinheiras, a nao verificacao do resto ingestao das dietas pastosas e a dificuldade dos pacientes em responderem pesquisas mais detalhadas. A primeira limitacao aponta para a necessidade de incentivar e capacitar os funcionarios do Servico para a adesao de novas tecnicas culinarias no cotidiano, de maneira a melhorar o servico prestado aos pacientes. A segunda esta associada a pratica diaria do Servico de Nutricao, ja que e realizado o acompanhamento dos restos de todas as dietas servidas aos pacientes, o que nao permitiu a analise dos dados propriamente da dieta pastosa. A terceira limitacao foi mitigada com o uso do teste de aceitacao por parte dos funcionarios, que teve natureza complementar, mas de extrema relevancia.

Em virtude dessas limitacoes, futuros estudos sao necessarios para melhorar as tecnicas dieteticas aplicadas; para encontrar mecanismos de motivacao e capacitacao de funcionarios na adocao de novas tecnicas de preparo; para acompanhar o resto ingestao dos pacientes nas diferentes dietas ofertadas; e, ainda, para identificar os fatores nao dieteticos que levam a baixa ingestao de alimentos no ambiente hospitalar.

CONCLUSAO

Conclui-se que houve tendencia para o aumento da satisfacao dos pacientes pelas dietas pastosas oferecidas quando realizada a intervencao dietetica a partir de tecnicas gastronomicas que impactassem na aparencia das refeicoes.

A gastronomia hospitalar ainda e pouco explorada nos estudos cientificos e de certa maneira negligenciada como objeto de pesquisa. Portanto, o presente estudo foi uma provocacao para investigacoes que ampliem essa tematica.

Por fim, cabe destacar que esse estudo teve como proposta primordial a efetivacao de mudancas na aparencia apenas das dietas pastosas, porem abre espaco para que novos estudos avaliem outros aspectos da gastronomia hospitalar e incentivem esta pratica.

Recebido em: 29/05/2012

Aprovado em: 03/03/2013

AGRADECIMENTOS

A academica de gastronomia Janaina Marciano Cortes Amorim por contribuir com o desenvolvimento das decoracoes empregadas no estudo, e a toda equipe de Nutricao do Hospital.

REFERENCIAS

AKUTSU, R.C. et al. A ficha tecnica de preparacao como instrumento de qualidade na producao de refeicoes. Rev. Nutr. PUCCAMP, v. 18, n. 2, p. 277-279, 2005.

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CARO, M. M. M.; LAVIANO, A.; PICHARD, C. Nutritional intervention and quality of life in adult oncology patients. Clin. Nutr., v. 26, n. 3, p. 289-301, 2007.

COLOCO, R. B.; HOLANDA, L. B.; PORTEROMCLELLAN, K. C. Determinantes do grau de satisfacao de pacientes internados referente a refeicoes oferecidas em um hospital universitario. Rev. Cienc. Med., v. 18, n. 3, p. 121-130, 2009.

GARCIA, R. W. D. A dieta hospitalar na perspectiva dos sujeitos envolvidos em sua producao e em seu planejamento. Rev. Nutr. PUCCAMP, v. 19, n. 2, p. 129-144, 2006.

GRECHINSK, P. T.; CARDOZO, P. F. A gastronomia eslava em Irati como possibilidade de atrativo turistico. Rev. Turismo y Patrimonio Cultural, v. 6, p. 361-75, 2008.

GODOY, A. M.; LOPES, D. A.; GARCIA, R. W. D. Transformacoes socioculturais da alimentacao hospitalar. Hist. Cienc. SaUde-Manguinhos, v. 14, n. 4, p. 1197-215, 2007.

JOHNS, N.; HARTWELL, H.; MORGAN, M. Improving the provision of meals in hospital. The patients' viewpoint. Appetite, v. 54, p. 181-185, 2010.

MEILGAARD, M.; CIVILLE, G. V; CARR, B. T. Sensory evaluation techniques. 4.ed. Boca Raton: CRC, 2007. 448p.

RAVASCO, P.; MONTEIRO-GRILLO, I.; CAMILO, M. E. Does nutrition influence quality of life in cancer patients undergoing radiotherapy? Radiother. Oncol., v. 67, n. 2, p. 213-220, 2003.

RAVASCO, P. et al. Impact of nutrition on outcome: a prospective randomized controlled trial in patients with head and neck cancer undergoing radiotherapy. Head Neck, v. 27, n. 8, p. 659-668, 2005.

SAHIN, B. et al. Evaluation of factors affecting the food consumption levels of inpatients in a turkish armed forces training hospital. Food Qual. Prefer., v. 18, n. 3, p. 555-559, 2007.

SOUSA, A. A. A interacao entre a terapia nutricional e a producao de refeicoes: repensando a funcao da alimentacao hospitalar. Rev. Nutr. Pauta, v. 53, p. 17-21, 2002.

SOUSA, A. A.; GLORIA, M. S.; CARDOSO, T. S. Aceitacao de dietas em ambiente hospitalar. Rev. Nutr. PUCCAMP, v. 24, n. 2, p. 287-294, 2011.

STANGA, Z. et al. Hospital food: a survey of patient's perception. Clin. Nutr., v. 23, n. 3, p. 241-246, 2003.

WAITZBERG, D. L.; CAIAFFA, W. T.; CORREIA, M. I. T. D. Hospital malnutrition: the brazilian national survey (IBRANUTRI): a study of 4000 patients. Nutrition, v. 17, n. 7/8, p. 573-580, 2001.

Priscilla Ceci LAGES *

Rita de Cassia RIBEIRO **

Luciana Santos SOARES ***

* Curso de Graduacao em Nutricao--Universidade Federal de Minas Gerais--UFMG--30130-100--Belo Horizonte--MG--Brasil.

** Departamento de Nutricao--Escola de Enfermagem--UFMG--30130-100--Belo Horizonte--MG--Brasil. E-mail: ritaribeiro@ufmg.br.

*** Hospital Luxemburgo--Instituto Mario Penna--30380-490--Belo Horizonte--MG--Brasil.

Tabela 1--Analise dos valores, em percentual, obtidos nas pesquisas
de satisfacao das dietas pastosas, antes e apos a intervencao,
realizada com pacientes com cancer. Belo Horizonte, MG, 2011.

Classificacao   Pures sem decoracao   Pures com decoracao   Valor p
                    antes da               apos a
                 intervencao (%)      intervencao (%)

Pessimo              2,5 (n=2)            2,9 (n=1)          1,00
Ruim                 7,6 (n=6)            2,9 (n=1)          0,21
Regular              8,9 (n=7)            5,7 (n=2)          0,59
Bom                 43,0 (n=34)          57,1 (n=20)         0,06
Excelente           38,0 (n=10)          31,4 (n=11)         0,37

Tabela 2--Resultados do teste de aceitacao de pures, com e sem
decoracao, realizado com funcionarios do hospital. Belo Horizonte,
MG, 2011.

Atributo      Pure de abobrinha        Pure de inhame
sensorial
avaliado      Com         Sem         Com          Sem
            decoracao   decoracao   decoracao   decoracao

Aparencia   7,7 (a)      6,7 (b)     6,6 (a)     5,2 (b)
Sabor       7,0 (a)      7,3 (a)     6,1 (a)     6,2 (a)

Medias seguidas pela mesma letra, em uma mesma linha e relacionada
ao mesmo tipo de pure analisado, nao diferem
significativamente entre si (p<0,05).
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Title Annotation:articulo en portugues
Author:Lages, Priscilla Ceci; Ribeiro, Rita de Cassia; Soares, Luciana Santos
Publication:Alimentos e Nutricao (Brazilian Journal of Food and Nutrition)
Date:Jan 1, 2013
Words:3957
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