Printer Friendly

The emotional bond of the reader to journalism: study of magazine Veja on Facebook/ O vinculo emocional do leitor ao jornalismo: estudo da revista Veja no Facebook.

Leitor e redes sociais

O jornalismo e um genero discursivo particular, cujas caracteristicas precisam ser reconhecidas, validadas e partilhadas pelos sujeitos que nele estao envolvidos. Isso significa que o funcionamento do discurso jornalistico depende fortemente da inscricao dos sujeitos (veiculos, anunciantes, jornalistas, colaboradores, fontes e leitores) em um contrato de comunicacao (Charaudeau, 2006). Quando os sujeitos nao reconhecem os elementos do contrato proposto pelo veiculo jornalistico, o discurso fica comprometido em sua inteligibilidade, eficacia e legitimacao. A proposta deste artigo (1) e problematizar o papel da emocao na adesao do leitor ao contrato de comunicacao proposto pelo jornalismo.

Sabe-se que, discursivamente, o sujeito leitor se desdobra em dois tipos: o leitor real, que efetivamente interpreta o texto, e o leitor imaginado, que existe apenas virtualmente e guia a producao do discurso (Orlandi, 2008; Storch, 2012). Quando o jornalismo enuncia, o faz para o leitor que imagina--o leitor que supoe ser o final ou real. Neste processo, acaba indicando o lugar em que o leitor real deve (ou deveria) se posicionar para interpretar.

O discurso e sempre o resultado das posicoes de sujeito, ocupadas por quem enuncia e por quem interpreta. Quem enuncia geralmente busca indicar ao interlocutor a posicao que deve ser ocupada. Mas isso nao significa, evidentemente, que o interlocutor aceite a sugestao do enunciador e se conforme aquela posicao. Por isso, o leitor imaginado e uma figura essencial a problematizacao do jornalismo. Ele traz implicitamente a indicacao de um lugar discursivo a ser ocupado, e o leitor real nao pode desconsidera-lo: "[...] quando o leitor real, aquele que le o texto, se apropria do mesmo, ja encontra um leitor ai constituido com o qual ele tem de se relacionar necessariamente" (Orlandi, 2008, p. 9). O que ocorre na pratica do discurso nao esta sob controle de quem enuncia, pois o leitor real pode se identificar ou nao com o leitor imaginado. Ele pode dizer "sim, este texto foi feito para mim" ou "nao me reconheco neste texto, nao sou o leitor desta publicacao". O grau de adesao ao contrato depende deste reconhecimento: quanto mais o leitor se reconhece naquele leitor imaginado pelo veiculo, mais aderido esta ao contrato.

Um dos modos de compreender o processo de vinculacao do leitor ao jornalismo e analisar o discurso desse leitor. O contexto midiatico contemporaneo permite visualizar o que pensa e o que sente o leitor real: seu discurso esta disperso nos blogs pessoais, nos perfis em sites de redes sociais, nos espacos destinados pelos veiculos as cartas dos leitores, nos espacos dos comentarios junto as noticias, nos foruns de discussao e nas paginas mantidas pelos veiculos em sites de redes sociais.

As redes sociais criam, assim, um ambiente rico para investigar o funcionamento do jornalismo, em razao das conexoes entre os atores sociais e dos lacos permitidos por essas conexoes (Garton e outros, 1997; Recuero, 2010; Zago, 2011). Recuero (2010) lembra que o laco e constituido no tempo e atraves da interacao social repetida. Essa conexao pode se estabelecer pelo contato reciproco ou pelo reconhecimento mutuo de um interesse compartilhado.

Ao conectar pessoas, os lacos sociais podem ser "forjados" com a utilizacao dos sites de redes sociais (2), que funcionam por meio da interacao. Segundo Boyd e Ellison (2008, p. 210, traducao nossa (3)), "a maioria dos sites apoiam a manutencao de redes sociais preexistentes, mas outros ajudam estranhos a se conectarem com base em interesses comuns, opinioes politicas ou atividades".

Para objetivar nossa problematica, analisamos as falas de leitores encontradas na pagina (4) da revista Veja (5) no Facebook. Essa pagina existe desde junho de 2009 e tem mais de 4 milhoes de seguidores (6), usuarios que a "curtem" e recebem o conteudo postado pela revista. O fato de alguem "curtir" a pagina nao significa que concorde com a linha editorial, mas significa que concede a revista importancia suficiente para querer receber seu conteudo. Em graus variados, quem curte a pagina da revista no Facebook adere ao contrato proposto pelo veiculo.

Considerando que uma rede social e um conjunto de atores sociais e conexoes (Recuero, 2010), entendemos que a pagina da Veja e uma rede social dentro do site de redes sociais Facebook. A revista exerce seu papel de ator social, publicando conteudos e provocando interacao, e cada um que curte a pagina e um ator social que tambem apresenta suas conexoes. Porem, na constituicao dos lacos entre o leitor e o veiculo jornalistico, e fundamental compreender que a Veja nao e um ator como outro qualquer: e um ator institucional. As pessoas se relacionam com esse ator de forma mais proxima ou mais distante, mais agressiva ou mais tolerante, sabendo que ali nao esta "um igual", pois existe uma relacao assimetrica no poder de enunciar.

Para pensar a adesao do leitor ao contrato de comunicacao e as emocoes envolvidas nesse processo, escolhemos o tema dos protestos ocorridos no pais em junho de 2013, que descrevemos brevemente a seguir.

Os protestos, segundo Veja

"Nao e so por 20 centavos". Esse slogan circulou em varios cartazes nos protestos que ocorreram no Brasil em junho de 2013. Por um lado, ele representa a luta pela reducao na tarifa de onibus e por melhores condicoes no transporte urbano, que foi liderada pelo Movimento Passe Livre (MPL) em Sao Paulo e se desdobrou por outras cidades do pais. Por outro lado, o slogan e uma metafora que abriga diversas causas. O MPL foi criado em 2005, em Porto Alegre, no 5[degrees] Forum Social Mundial, representando uma reivindicacao historica do movimento estudantil desde a decada de 1980 (7).

Um dos marcos dos protestos de 2013 ocorreu em marco, em Porto Alegre, quando manifestantes foram as ruas contra o aumento da passagem de onibus. Apos varios dias de manifestacoes, o aumento foi suspenso. Depois disso, ocorreram atos em outras cidades e, em junho, os protestos ganharam forca nacional. Em Sao Paulo, a primeira manifestacao contra o aumento da tarifa do transporte publico aconteceu no dia 6 de junho. A partir de entao, varios desdobramentos geraram repercussao nacional e internacional, com destaque para os confrontos entre Policia Militar (PM) e manifestantes (8).

E nesse contexto que apresentamos a cobertura que Veja realizou em duas edicoes impressas, que circularam nas bancas e nas postagens no Facebook durante o periodo de coleta do corpus deste artigo. A Veja de 19 de junho de 2013 (n[degrees] 2.326) estampa esta manchete: "A REVOLTA DOS JOVENS: Depois do preco das passagens, a vez da corrupcao e da criminalidade?". A carta ao leitor abre dizendo que uma reportagem especial "se dispoe a explicar o que querem os jovens brasileiros que estao vandalizando as ruas a pretexto de lutar contra o aumento de 20 centavos nas passagens urbanas" (Veja, 2013a, p. 12, grifo nosso). O lugar de fala ocupado por Veja e claramente critico aos protestos e aos "surtos de indignacao" dos jovens, como a revista classifica.

Ja a capa de 26 de junho (n[degrees] 2.327) e apresentada como uma "edicao historica", estampando a foto de uma jovem envolta na bandeira nacional, com a chamada "OS SETE DIAS QUE MUDARAM O BRASIL". Nessa edicao, Veja diz que "o imperativo e ouvir as ruas e esperar que essa energia pura seja canalizada para a construcao de instituicoes mais representativas dos anseios populares legitimos. O erro fatal agora e fechar os ouvidos. E temer o novo" (Veja, 2013b, p. 13, grifos nossos).

Uma semana apos restringir as manifestacoes ao vandalismo, a revista recua e passa, cinicamente, a enaltece-las: "Quando se espalhou por Sao Paulo um protesto contra o aumento de 20 centavos na passagem de onibus, todo mundo sentiu que a coisa era bem maior. Tao maior, mais inebriante, mais mobilizadora, mais assustadora e mais apaixonante que, em uma semana, multidoes jorraram Brasil afora na historica noite de quinta-feira" (Veja, 2013b, p. 61, grifo nosso). A revista, sempre critica aos governos do Partido dos Trabalhadores, aproveita o contexto para afirmar que o alvo dos manifestantes e o PT. A mudanca editorial e clara--e, como veremos, foi percebida e comentada pelos leitores.

Metodo

Tomamos a pagina da Veja no Facebook para debater a adesao do leitor ao contrato porque permite a coleta de falas espontaneas, nao induzidas pelo pesquisador e apenas levemente moderadas pela revista. Veja explicita assim as regras de moderacao de sua pagina: "Aprovamos comentarios em que o leitor expressa suas opinioes. Comentarios que contenham termos vulgares e palavroes, ofensas, dados pessoais (e-mail, telefone, RG etc.) e links externos, ou que sejam ininteligiveis, serao excluidos. Erros de portugues nao impedirao a publicacao de um comentario". Percebe-se, porem, que a revista nao exclui todos os comentarios com palavroes e ofensas.

Sabemos que esta analise nao permite conclusoes generalizadas sobre o pensamento de todos os leitores, mas permite conclusoes sobre "o que diz o leitor que diz", que sentidos sao produzidos pelo leitor que decide se expressar. E assim que inscrevemos nossa questao de pesquisa: como os leitores expressam seus vinculos emocionais com a revista ou com o jornalismo, permitindo ver o movimento entre a maior e a menor adesao ao contrato de comunicacao?

Para realizar a investigacao, coletamos 4.045 comentarios deixados pelos leitores em 11 posts (textos), publicados pela Veja no Facebook. O periodo de coleta foi de uma semana, entre 17 e 23 de junho de 2013, e os posts foram escolhidos pelo conteudo diretamente relacionado aos protestos. Os textos selecionados foram: "AVISO: Perfis de Veja no Twitter sao invadidos" (17 de junho, 1.398 comentarios); "Protestos comecam a ganhar corpo em diversas cidades do Brasil" (17 de junho, 218 comentarios); "VEJA quer saber: qual a sua opiniao sobre os protestos pelo Brasil?" (18 de junho, 448 comentarios); "Globo troca novelas por manifestacoes em todo o Brasil" (20 de junho, 283 comentarios); "O video a seguir apresenta ao mundo algumas razoes da revolta de rua no Pais que, alias, ja foi do Carnaval" (21 de junho, 62 comentarios); "Ministro escolhe um culpado pelos protestos no pais: a imprensa" (21 de junho, 705 comentarios); "Opiniao de Ricardo Setti: Hoje, os protestos nao tem um foco definido e podem ter o mesmo fim dos 'indignados' na Europa" (21 de junho, 314 comentarios); "Opiniao de Augusto Nunes: O fiasco na Paulista confirmou que a tropa comandada pelo general Falcao e tao apavorante quanto bandido de chanchada" (21 de junho, 88 comentarios); "Em VEJA desta semana: o dia em que os manifestantes acuaram o governo e bateram na porta do Planalto" (22 de junho, 71 comentarios); "Manifestacoes por uma so bandeira: a do Brasil" (capa da revista da semana, com a chamada "Edicao historica", 23 de junho, 365 comentarios) e "Manifestantes vao as ruas em Fortaleza, Porto Alegre e Rio de Janeiro contra PEC 37" (23 de junho, 93 comentarios).

Apos a coleta, foram excluidos todos os comentarios cujo conteudo nao se relacionava a nossa pergunta de pesquisa: por exemplo, propagandas de produtos e de outros sites, simples insercao do perfil de outro sujeito para que ele seja notificado da existencia daquele post, simples insercao de link remetendo a outro texto, comentarios sem relacao com o post e comentarios ininteligiveis. Restou, finalmente, um corpus consolidado de 698 comentarios, correspondentes a 17,2% do corpus inicial, e cada comentario passou a ser considerado como um texto de analise. Desses, 617 (88,4%) sao claramente criticos a revista ou ao jornalismo e expressam baixa adesao ao contrato; 78 (11,2%) sao claramente favoraveis e expressam forte adesao; e apenas 3 (0,4%) sao ambivalentes, contendo elogios e criticas e indicando uma visao ponderada ou indefinida sobre sua posicao no contrato.

O metodo utilizado para examinar estes 698 textos foi a Analise do Discurso, apropriado para o investigador que pretende buscar os sentidos hegemonicos--sempre dispersos--em um numero razoavelmente grande de textos (Orlandi, 1996, 2001; Benetti, 2007). Para isso, o conceito de parafrase (retorno ao mesmo sentido) e operacional: e por meio da visualizacao das repeticoes que conseguimos reunir nucleos de sentidos, os quais permitem, entao, responder a questao de pesquisa.

Apos as etapas de leitura, de identificacao e aproximacao de sentidos e de organizacao e sistematizacao desses sentidos, concluimos que a adesao do leitor ao contrato de comunicacao proposto pela revista se move em dois eixos: um e marcado pelos valores que o leitor e capaz de reconhecer como indicadores de uma deontologia "do bom jornalismo", o outro e marcado pelos sentimentos que enlacam o leitor ao veiculo ou ao jornalismo. Esses eixos podem ser separados pelo analista de discurso, mas discursivamente aparecem, muitas vezes, misturados. Neste artigo, privilegiamos a problematizacao do vinculo emocional, e e o resultado sintetico e ja sistematizado dessa analise que trazemos a seguir. Os comentarios que seguem sao ilustrativos e sao literais, ou seja, os eventuais erros de digitacao ou gramatica foram mantidos.

Os vinculos emocionais

A analise dos componentes emocionais que constituem o discurso e complexa, especialmente por causa da dificuldade de mapear as emocoes e distingui-las. Alem disso, muitas vezes esses componentes estao associados a racionalizacao, ficando ofuscados pela presenca de argumentos e ponderacoes que parecem nao ter qualquer origem emotiva. Ainda que seja um desafio, esta analise deve ser feita se queremos compreender em que aspectos estao ancorados os vinculos do leitor com o jornalismo, ou como o leitor percebe e expressa esses aspectos de ancoragem.

E claro que, como lembra Charaudeau (2010), "o objeto de estudo da analise do discurso nao pode ser aquilo que os sujeitos efetivamente sentem". A analise do discurso nao permite compreender como uma emocao se manifesta fisiologicamente em um individuo, ou como funcionam os mecanismos cerebrais da emocao, ou como se constituem os sentimentos que acompanham as emocoes. O que fazemos, no trabalho de analise discursiva, e mapear as emocoes que provocam a construcao de certos sentidos e que estao materialmente inscritas no discurso. Perseguimos a compreensao das emocoes que motivam o sujeito a dizer, e a dizer daquela maneira, com aquela intensidade e com aquela enfase.

Os estudos sobre emocoes sao desenvolvidos em diversas areas: neurologia, fisiologia, biologia, psicologia, psiquiatria, etologia, antropologia, filosofia e sociologia. Envolvem preocupacoes de toda ordem, desde a descricao da reacao emocional mais elementar ate a compreensao dos comportamentos sociais e da sofisticacao dos codigos de etica. Os consensos, neste imenso campo de problematizacoes, sao pontuais. Mesmo quem sistematiza estes estudos tem dificuldade para lhes conferir certo ordenamento. Basicamente, e de modo que consideramos precario, pode-se pensar em duas grandes linhas: a "universalista" e a "socioconstrucionista". As diferencas entre elas sao tratadas, entre outros, por Rosenwein (2011), Rezende e Coelho (2010) e Oatley e Jenkins (2002). Grosso modo, os construcionistas entendem que as emocoes sao social e culturalmente construidas. Os universalistas defendem que existem certas emocoes universais, encontradas em todos os seres humanos mentalmente saudaveis, e vao alem, afirmando que algumas destas emocoes sao encontradas em outros animais.

O neurologista Antonio Damasio (1996, 2012), que denomina seus proprios estudos de "neurologia do sentimento", afirma que as emocoes precedem os sentimentos. A emocao e a "parte publica", expressa e manifesta pelo corpo, pelos gestos, pelas expressoes faciais e pela fala, enquanto o sentimento e a "parte privada", acessivel apenas ao individuo, restrita a sua mente e nem sempre muito clara ao proprio individuo. Damasio (2012, p. 49) lembra que, em um nivel mais basico, de regulacao homeostatica, as reacoes emocionais existem para "produzir um estado de vida melhor do que neutro, produzir aquilo que nos, seres pensantes, identificamos com o bem-estar". Os comportamentos de prazer e dor, as pulsoes e as motivacoes estao neste leque. E, um pouco acima na linha da complexidade, estao o que ele chama de "emocoes-propriamente-ditas"--classificadas em emocoes de fundo, emocoes primarias e emocoes sociais. Como diz o proprio Damasio (2012, p. 57), "embora os rotulos de que dispomos para classificar as emocoes sejam manifestamente inadequados, classificar e um mal necessario".

As emocoes de fundo nao sao salientes e seu diagnostico depende da percepcao de elementos sutis: o movimento do corpo, as expressoes faciais, o tom de voz, a cadencia do discurso. As emocoes primarias--como o medo, a raiva e o nojo--sao identificadas nas mais variadas culturas e em seres nao-humanos. "As circunstancias que causam as emocoes primarias e os comportamentos que as definem sao igualmente consistentes em diversas culturas e especies" (Damasio, 2012, p. 59). As emocoes sociais, por fim, estao em um patamar ja articulado com a cultura, o contexto e as regras sociais embora tambem essas emocoes nao sejam exclusividade dos humanos.

O que nos interessa, neste trabalho, sao as emocoes primarias. Adotamos esta perspectiva, embora saibamos que nao ha consenso sobre a existencia de tais emocoes, em funcao das pesquisas da neurociencia que vem demonstrando as conexoes que acabam por constituir o comportamento emocional (Damasio, 2012; Denton, 2011; Pinker, 1998). Entre os pesquisadores que trabalham nesta perspectiva, nao ha consenso sobre quais seriam as emocoes primarias ou universais do homem. Apos mapear 20 listas de emocoes primarias, elaboradas por investigadores de areas distintas, Turner (2003, p. 108) concluiu que "a felicidade, o medo, a colera e a tristeza sao encaradas pela maior parte dos investigadores e estudiosos como sendo emocoes primarias".

Ja Ekman (2011), psicologo que estuda o comportamento emocional, depois de sucessivos estudos sobre expressoes faciais, elencou sete emocoes como universais: medo, raiva, aversao, tristeza, surpresa, desprezo e satisfacao. Ele comprovou que as expressoes faciais dessas emocoes sao reconhecidas por homens e mulheres de culturas diversas, incluindo comunidades isoladas, nao letradas e sem acesso a linguagem e aos icones da cultura de consumo. Tais pesquisas sustentam que as emocoes primarias existem e independem da cultura--mas o controle sobre as emocoes e sobre suas expressoes e cultural e socialmente aprendido. Para Ekman (2011, p. 22), as regras de exibicao das emocoes "sao socialmente aprendidas, muitas vezes culturalmente diferentes, a respeito do controle da expressao, de quem pode demonstrar que emocao para quem e de quando pode fazer isso". Na analise a seguir, utilizamos as sete emocoes basicas de Ekman.

No topo da adesao ao contrato, indicando um laco forte do leitor com o veiculo, encontra-se a emocao positiva da satisfacao, expressa pelo compromisso explicito de manter o contrato, como nestes exemplos: "Boa, Veja!! Amei a Capa ... Sou sua assinante!", "Essa [edicao] vou comprar e guardar pra sempre". O leitor tambem expressa os sentimentos de adoracao, admiracao e confianca: "Adoro a Veja e tenho certeza que esta ao nosso lado!!!", "Muito bom! Parabens Veja. Melhor revista do Brasil!".

Outro modo de o leitor afirmar seu vinculo emocional com a revista e atacar quem a critica. E assim que leitores agridem outros leitores, acionando as emocoes da raiva e do desprezo: "Como vc e burro hein?", "E voce le o que? Carta Capital? Deveria se chamar Carta Comunal", "vc e um verdadeiro chupao, porque curti a pagina se nao ler a revista, mas e mane mesmo", "pra que voce curtiu a pagina dela entao? hipocrisia a gente ver por aqui", "Voce, provavelmente simpatizante do PT, nao deve gostar disso e nao tem capacidade mental para absorver tanta informacao". Ao desqualificar o outro (chamando-o de burro, ignorante, hipocrita, infantil, comunista), o leitor constroi uma imagem de si como alguem comprometido com o contrato e moralmente superior.

E na critica ao jornalismo praticado pela revista, porem, que temos material mais farto para compreender as emocoes. Como ja dissemos, 88,4% dos comentarios expressam tensao nos vinculos, chegando a explicitacao de uma possivel ruptura. As emocoes associadas a essa tensao sao a tristeza, o desprezo, a aversao e a raiva.

Um sentimento, provocado pelo nao cumprimento das expectativas depositadas na revista, e a decepcao--que pertence ao espectro mais amplo da tristeza. O leitor demonstra que seus lacos com a revista entraram em tensao. De certa forma, sentese traido ou ressentido. A decepcao pode estar sustentada pela analise de que outros veiculos estao cumprindo as expectativas do leitor, mas a revista nao: "Sabe a midia internacional esta fazendo um trabalho muito melhor ... Veja eu realmente esperava muito mais de vc!". Tambem pode estar relacionada a percepcao de queda da qualidade da revista: "eu seguia esse Ricardo Setti [colunista] ha um tempao ele falava muita coisa boa.. mas desde o inicio dos protestos so fala bosta", "a veja ja foi uma revista boa ... hj em dia ta que nem a globo, fede mais que bosta e ainda mais e manipuladora", "Ate a VEJA manipulando ... ts, ts, ts". De modo bastante forte, a decepcao e expressa quando o leitor se refere explicitamente ao contrato e se mostra entristecido: "Achei deprimente a cobertura de voces. Pagar horrores por uma assinatura, e ver so um lado da historia (a dos ricos) 'e triste". Aqui, o leitor diz claramente que esta fazendo sua parte no contrato (pagando a assinatura), mas a revista nao esta fazendo a parte dela.

O desprezo e uma emocao que igualmente revela tensao no vinculo com a revista. O leitor demonstra seu desprezo pela mudanca no enfoque da cobertura depois que os protestos ganharam amplo apoio da sociedade: "Essa Veja vira casaca muito rapido, kkkk", "Patetico", "Agora vcs sao a favor [dos protestos] ne VEJA?", "Sao a favor da manifestacao agora, equipe Veja?", "Deploravel manchete esta que nos chama de burros", "Veja [nesta edicao] o que nao e mostrado na Veja. KKKKK". A atitude, que o leitor percebe como cinica e dissimulada, inclui o chamado da revista pela opiniao dos leitores e provoca desprezo: "Desde quando a VEsgA quer saber a opiniao de alguem????". O leitor revela seu desprezo tambem pela baixa qualidade do jornalismo praticado pela revista: "Que porcaria de revista", "revistinha ignorante", "revista sem carater", "Revista escrota".

A ironia, que e uma estrategia largamente utilizada pela propria Veja, esta presente no discurso dos leitores. A ironia permite ao leitor dizer com humor, as vezes refinado, que possui pensamento critico e despreza o fato de ser subestimado pela revista: "[Dou minha opiniao] Se vcs nao escreverem que somos rebeldes sem causa", "mas vcs. ja descobriram que nao e por causa dos R$0,20 ou terao que ler nos jornais internacionais do que se trata?", "A VEJA CALADA E UMA POETIza", "so esta Oia mesmo, oops Veja".

A raiva e a emocao mais presente no discurso do leitor. Na escala de gradacao do vinculo ao contrato, este sentimento insere o leitor nos niveis mais baixos da adesao. Percebe-se que a raiva e acionada quando o leitor nao se reconhece no leitor imaginado pela revista: "Aqui nao tem ignorantes obrigados a ler uma materia feita com tanta ma vontade!"; "Idiotas, acham que o povo e besta"; "Vai tentar manipular a mente da mae de vcs, seus desgracados"; "Nossa opiniao nao te interessa, VEJA!"; "Voce quer enganar a quem VEJA?". Tambem e acionada no ataque direto a revista: "Editora Abril, feche a VEJA tambem!!!!"; "Voces sao os sanguessugas do Brasil"; "Cambada de vendido!"; "Direitistas reacionarios!!!"; "Quando e que os porcos da Veja deixarao de se vender?"; "Burguesia safada"; "NAO ACREDITEM NO QUE A VEJA FALA, DETESTO COM TODO O MEU CORACAO".

A colera surge no discurso com intensa agressividade, dirigida diretamente a revista: "Vcs sao cegos porra????"; "Cale a boca, VEJA!"; "Chupa revistinha mentirosa"; "Imprensa golpista de m*rda!"; "A minha [opiniao] e VEJA DE BOSTA"; "Vai tomar no cu VEJA!"; "Foda-se VEJA voces nao nos representam!!!"; "Se fode Ricardo Setti [colunista], toma no seu cu otario"; "Espero que voce [Setti] assim como o Civita morra tambem".

E importante observar que a raiva, as vezes, esta associada ao rancor e ao ressentimento. "Considerei denominar o ressentimento uma atitude emocional, e o rancor, como uma ligacao emocional, junto com o amor romantico e o parental. O ponto e reconhecer que esses sentimentos estao expressivamente investidos de raiva, mas nao equivalem a raiva" (Ekman, 2011, p. 128, grifos do autor). O rancor e uma ligacao emocional que mantem conectados os haters, sujeitos que expressam repetidamente seu odio por algo ou alguem. Segundo Amaral (2012), as apropriacoes e os usos de redes como o Twitter e o Facebook amplificam o engajamento tanto de fas quanto de haters para expressar suas emocoes.

O vinculo tambem se mostra tensionado quando o leitor sente prazer ou satisfacao com os revezes sofridos pela revista. A invasao do perfil da Veja no Twitter, por hackers do grupo Anonymous (9), tem gosto de vinganca para diversos leitores: "eu adoroooo, eu me amarrooo! Bem feito jornalismo fascista"; "Voces merecem, seus mentirosos"; "Bem feito, midia vendida!"; "Kkkk a veja se ferrou"; "Hahaha toma, Veja corrupta!"; "Toma essa, midia podre"; "Adoramos a invasao. Assim alguma verdade sera finalmente escrita no Twitter da revista"; "V de vinganca".

Outra reacao emocional do leitor, e que demonstra o enfraquecimento do vinculo com a revista, e a aversao ou repulsa. Essa emocao surge quando a revista lhe parece repugnante: "Veja voce fede esgoto!"; "Vomitei na minha Veja, nem deu pra ler"; "A veja e mais suja do que pau de tarado"; "Veja imundaaa!"; "Sr. Augusto Nunes [colunista], voce e mais um lixo"; "Seus nanipuladores nojentos"; "ASCO"; "Revistinha reacionaria, elitista e asquerosa"; "Fascistas racistas nojentos!". De modo menos intenso, mas ainda sob o manto do desprezo, o leitor recusa a revista: "Nao gosto de revistas sensacionalistas"; "Inacreditavel, ate parece que quem escreve as reportagens nao vive nessa porcaria de Pais!".

Por fim, a explicitacao da ruptura com o contrato de comunicacao esta associada a aversao, pois o leitor se recusa a se identificar com o leitor imaginado proposto pela revista: "E so besta mesmo pra pagar assinatura de mentiras!"; "NAO COMPRO E NUNCA VOU COMPRAR ESSA PORCARIA!". E relevante observar que a aversao e a emocao mais desagradavel--para quem a sente--e francamente relacionada a recusa do que e repugnante. "Outra funcao muito importante da aversao e nos remover do que e repulsivo" (Ekman, 2011, p. 189). Isso significa que, ao ser tomado pela aversao, o leitor esta no ponto mais proximo da ruptura do contrato com o veiculo, os jornalistas ou o jornalismo.

Consideracoes finais

O leitor que se manifesta em sites de redes sociais e um sujeito que se desloca da posicao que tradicionalmente lhe foi reservada ("leitor e quem le") para ocupar outro lugar discursivo. Sabe-se que quem comenta nas paginas mantidas por veiculos jornalisticos no Facebook nao necessariamente e o leitor efetivo "que le"--entendendo-se aqui tambem o telespectador como um sujeito leitor de discursos. A importancia de estuda-lo reside no fato de que, sendo ou nao um leitor real, este e um sujeito que se inscreveu em um contrato de comunicacao com o jornalismo. Concedeu ao veiculo um lugar de fala institucional e legitimo, ancorado em valores deontologicos. Embora nao desconheca que o veiculo tem interesses comerciais e economicos, o leitor tem expectativas em relacao ao jornalismo que transcendem tais interesses.

A adesao a este contrato, porem, nao e estavel: ela varia em graus e precisa ser constantemente reafirmada. Alem disso, o vinculo nao e apenas racional. Ha componentes emocionais que indicam a maior ou menor adesao do leitor. A analise mostra que a conexao do leitor com o jornalismo depende do nivel de satisfacao que o veiculo e capaz de provocar. E preciso que o leitor se sinta recompensado pela confianca que deposita no veiculo. Quando o leitor se sente triste, decepcionado, traido ou ressentido, tende a afastar-se do contrato. Nos niveis mais baixos de adesao, percebemos a forte presenca dos sentimentos de desprezo, raiva e aversao.

A condicao de identidade do contrato de comunicacao (quem diz e para quem) e fundamental neste processo. A relacao, aqui, e entre sujeitos e suas imagens: constituise em funcao do que os sujeitos sabem e imaginam sobre si e sobre o outro. O "para quem" e decisivo. A adesao ao contrato depende do nivel de reconhecimento que o leitor tem, de si mesmo, ao identificar o leitor que foi imaginado pelo veiculo. Se estas duas figuras combinam--a imagem que o leitor tem de si e a percepcao que ele tem do leitor imaginado--, o caminho para a adesao esta sedimentado. Se o leitor nao se reconhece no leitor imaginado, entao ele se reposiciona, muitas vezes com agressividade, em relacao ao veiculo, aos jornalistas e a outros leitores. E um jogo de imagens que depende de como as pessoas veem a si mesmas e como percebem que os outros as veem. Essas imagens sao organizadas tambem em funcao das emocoes experimentadas pelos sujeitos e, de modo mais duradouro e consistente, em funcao dos sentimentos que acompanham estas emocoes.

Conceitualmente, percebemos tambem uma aproximacao entre o que Maingueneau (1997) chama de comunidades discursivas e o que Rosenwein (2011) chama de comunidades emocionais. O rol de sujeitos em interacao nas redes sociais, especialmente daqueles que se mobilizam a partir de um texto enunciado pelo veiculo, forma uma comunidade discursiva. Em seu interior, existem relacoes assimetricas de poder, trocas mais ou menos vigorosas e tensoes provocadas pelos papeis assumidos pelos sujeitos. Tambem ha compartilhamento de sentidos, um nucleo minimo de valores que parecem inegociaveis e regras de uso da palavra e de constituicao do discurso. Essas comunidades tambem sao emocionais, no sentido de que e possivel ao pesquisador problematizar, em seu interior, sistemas de sentimentos e compreender emocoes mais ou menos valorizadas, toleradas e recusadas pelos sujeitos. A emocao e constitutiva do discurso, considerando que o sujeito que interage esta motivado e impulsionado por estados de animo, percepcoes e sensacoes provocadas por estimulos emocionais. Os sentidos produzidos por essas emocoes estao dispersos ao longo de muitos textos, elaborados por muitos sujeitos, engendrados em muitos cenarios. E fundamental, a pesquisa, aprofundar o olhar sobre os vinculos emocionais que ligam os sujeitos nesta complexa dinamica que e o jornalismo.

REFERENCIAS

AMARAL, Adriana. Dialogando sobre mobilizacao de fas e antifas. Blog adriamaral.com. Disponivel em: <http://palavrasecoisas.wordpress.com/2012/01/21/%20faseantifa/>. Acesso em: 15 abr. 2014.

BENETTI, Marcia. Analise do Discurso em jornalismo: estudo de vozes e sentidos. In: LAGO, Claudia;

BENETTI, Marcia (Org.). Metodologia de pesquisa em jornalismo. Petropolis: Vozes, 2007.

--. O jornalismo como genero discursivo. Revista Galaxia, Sao Paulo, n. 15, p. 13-28, jun. 2008.

BOYD, Danah; ELLISON, Nicole. Social Networks Sites: Definition, History and Scolarship. Journal of Computer-Mediated Communication. v. 13, n. 1, 2008.

CHARAUDEAU, Patrick. Discurso das midias. Sao Paulo: Contexto, 2006.

--. A patemizacao na televisao como estrategia de autenticidade. In: MENDES, Emilia; MACHADO, Ida

Lucia (Org.). As emocoes no discurso--volume II. Campinas: Mercado das Letras, 2010.

DAMASIO, Antonio. O erro de Descartes. Sao Paulo: Companhia das Letras, 1996.

--. Ao encontro de Espinosa: as emocoes sociais e a neurologia do sentir. Lisboa: Temas e Debates, 2012.

DENTON, Derek. As emocoes primordiais: a emergencia da consciencia. Lisboa: Instituto Piaget, 2011. EKMAN, Paul. A linguagem das emocoes. Sao Paulo: Lua de Papel, 2011.

GARTON, Laura et al. Studying Online Social Networks. Journal of Computer-Mediated Communication, v. 1, n. 3, 1997.

MAINGUENEAU, Dominique. Novas tendencias em analise do discurso. 3. ed. Campinas: Pontes, 1997. OATLEY, Keith; JENKINS, Jenniffer. Compreender as emocoes. Lisboa: Instituto Piaget, 2002.

ORLANDI, Eni. Interpretacao: autoria, leitura e efeitos do trabalho simbolico. 2. ed. Petropolis: Vozes, 1996.

--. Analise de discurso: principios e fundamentos. 3. ed. Campinas: Pontes, 2001.

--. Discurso e leitura. 8 ed. Sao Paulo: Cortez, 2008.

PINKER, Steven. Como a mente funciona. 2. ed. Sao Paulo: Companhia das Letras, 1998.

RECUERO, Raquel. Redes sociais na internet. Porto Alegre: Sulina, 2010.

REZENDE, Claudia Barcellos; COELHO, Maria Claudia. Antropologia das emocoes. Rio de Janeiro: FGV, 2010. ROSENWEIN, Barbara. Historia das emocoes: problemas e metodos. Sao Paulo: Letra e Voz, 2011. STALLMAN, Richard. Ataque, nao; protesto! Observatorio da Imprensa. Edicao 650, 2011.

STORCH, Laura. O leitor imaginado no jornalismo de revista: uma proposta metodologica. 2012. 174 f. Tese (Doutorado em Comunicacao e Informacao)--Programa de Pos-Graduacao em Comunicacao e Informacao, UFRGS, Porto Alegre, 2012.

TURNER, Jonathan. Origens das emocoes humanas. Lisboa: Instituto Piaget, 2003.

VEJA. Edicao 2.326. Sao Paulo: Abril, 19 de junho de 2013a.

--. Edicao 2.327. Sao Paulo: Abril, 26 de junho de 2013b.

ZAGO, Gabriela. Recirculacao jornalistica no Twitter: filtro e comentario de noticias por interagentes como uma forma de potencializacao da circulacao. 2011. 203 f. Dissertacao (Mestrado em Comunicacao e Informacao) --Programa de Pos-Graduacao em Comunicacao e Informacao, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2011.

NOTAS

(1) Versao preliminar deste artigo foi apresentada no XI Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo.

(2) Sites de redes sociais sao sistemas que dao suporte as interacoes que constituem as redes sociais (RECUERO, 2010).

(3) "Most sites support the maintenance of preexisting social networks, but others help strangers connect based on shared interests, political views, or activities."

(4) <www.facebook.com/Veja>.

(5) Veja e a revista mais vendida no pais, com tiragem semanal de 1.194.661 exemplares <www.publiabril.com. br/marcas/veja/revista/informacoes-gerais>.

(6) 4.682.343 seguidores no Facebook, em 25 de junho de 2014.

(7) Mais informacoes sobre a carta de principios do MPL estao em <http://saopaulo.mpl.org.br/apresentacao/ carta-de-principios/> e sobre a "tarifa zero" estao em <http://tarifazero.org/tarifazero>.

(8) Em funcao do espaco deste artigo, nao ha como tratar da sequencia dos atos. Mais dados podem ser encontrados nestas cronologias: <www.esquerda.net/dossier/cronologia-dos-vinte-dias-que-abalaram-obrasil/28450 e oglobo.globo.com/infograficos/cronologia-protestos-onibus/>.

(9) Anonymous e um coletivo gerado pela acao das redes, que realiza protestos on-line (STALLMAN, 2011). Na invasao do perfil da Veja no Twitter, no dia 17 de junho de 2013, o grupo publicou frases contra o jornalismo praticado pela revista, como "Jornalismo fascista nos nao precisamos de voces".

Recebido em: 15 jun. 2014

Aceito em: 25 jul. 2014

Endereco das autoras:

Marcia Benetti <marcia.benetti@gmail.com>

Gisele Dotto Reginato <giselereginato@gmail.com>

PPGCOM--Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Rua Ramiro Barcelos 2705-20 andar--Santana

90035-007 Porto Alegre, RS, Brasil

Tel.: (51) 3308-5116

MARCIA BENETTI

Doutora em Comunicacao pela PUC-SP, professora do Programa de Pos-Graduacao em Comunicacao e Informacao

da Universidade Federal do Rio Grande do Sul--UFRGS.

<marcia.benetti@gmail.com>

GISELE DOTTO REGINATO

Mestre em Comunicacao pela UFSM, doutoranda do Programa de Pos-Graduacao em Comunicacao e Informacao

da Universidade Federal do Rio Grande do Sul--UFRGS.

<giselereginato@gmail.com>
COPYRIGHT 2014 Editora da PUCRS
No portion of this article can be reproduced without the express written permission from the copyright holder.
Copyright 2014 Gale, Cengage Learning. All rights reserved.

Article Details
Printer friendly Cite/link Email Feedback
Title Annotation:Jornalismo
Author:Benetti, Marcia; Reginato, Gisele Dotto
Publication:Revista Famecos - Midia, Cultura e Tecnologia
Date:Sep 1, 2014
Words:5652
Previous Article:Space and Landscape in Patrick Keiller's films/Espaco e paisagem nos filmes de Patrick Keiller.
Next Article:Internet of things, automatism and photography: an analysis by Actor-Network Theory/ Internet das coisas, automatismo e fotografia: uma analise pela...
Topics:

Terms of use | Privacy policy | Copyright © 2020 Farlex, Inc. | Feedback | For webmasters