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The deutschtum and the vocation for labor: reproduction of the "german-peasant" way of life among Espirito Santo's pomeranians/O deutschtum e a vocacao para o trabalho: recriacao do modo de vida "alemao-campones" entre pomeranos no Espirito Santo.

Descendentes de imigrantes pomeranos pioneiros chegaram ao estado do Espirito Santo no ano de 1856 e se instalaram em tres colonias: Santa Izabel, Santa Leopoldina e Rio Novo. Do nucleo de Santa Leopoldina irradiaram-se para as regioes montanhosas e fundaram outras localidades ao longo do ciclo de colonizacao do estado (Fouquet, 1974; Roche, 1968; Pacheco, 1964; Wagemann, 1949). Na atualidade, os descendentes desses pioneiros constituem maioria populacional no municipio de Santa Maria de Jetiba. Parte deles vive em relativo isolamento social em suas propriedades rurais, muitos trabalhando em sistema de agricultura familiar, e parte vive na sede do municipio, predominando o trabalho em atividades de comercio e outros servicos. Em seu cotidiano, diversos aspectos da cultura de origem foram preservados, inclusive a lingua pomerana, apos transcorrido quase um seculo e meio desde a chegada dos primeiros imigrantes. O trabalho arduo, dedicado e continuo e marca importante da identidade social do grupo, pois e fator indispensavel para a constituicao dos valores e das caracteristicas de sua pertenca a tal grupo (Pacheco, 1994; Schwarz, 1993; Wagemann, 1949).

Existem inumeros registros historicos que atestam ter sido a Igreja de Confissao Luterana a religiao dominante nas colonias de origem germanica no Brasil, pois quando da partida para o novo mundo, essa era a religiao professada em alguns dos estados germanicos (Fouquet, 1974; Roche, 1968; Roche, 1969; Wagemann, 1949; Willems, 1980). Ainda que as congregacoes nao tivessem enviado pastores nos primeiros anos da imigracao (4), a religiosidade foi direcionada por pseudo-pastores que faziam as vezes de representantes religiosos, mesmo sem formacao para tanto (Dreher, 1984; Hees, 1986). Principalmente no Sul do pais essa pratica foi difundida devido ao grande numero de comunidades e a distancia entre elas, mas isso nao ocorreu da mesma forma em todos os estados brasileiros (Dreher, 1984; Hees, 1986; Hennig, 1986). O Espirito Santo destoou nesse aspecto, pois, a partir de "1857, o Conselho Superior Eclesiastico da Igreja Territorial da Prussia comecou a enviar pastores a Provincia do Espirito Santo. (...) Essa atividade do Conselho Superior eclesiastico manteve-se inicialmente restrita ao Espirito Santo" (Dreher, 1984, p. 54), tendo sido ampliada para outros estados somente decadas mais tarde.

O pronto estabelecimento da assistencia de pastores protestantes ao grupo estudado parece ter cooperado para a coesao dos nucleos formados a partir do assentamento dos colonos teutos, pois pode-se afirmar que a presenca de uma pessoa investida de poder reconhecido como superior pelo grupo e fator agregador, contribuindo para a definicao, a organizacao e a coesao grupal (Pereira, 2001).

Trata-se de fato importante na caracterizacao do grupo estudado e que parece apontar um caminho com vistas a identificacao do fator trabalho como um dos componentes da identidade social do grupo de descendentes que ainda residem na regiao pioneira. A unanimidade de pratica religiosa, assim como a predominancia da lingua pomerana podem ser citadas como caracteristicas diferenciadoras do grupo.

Por conseguinte, aponta-se a presenca de um dirigente religioso ativo e relevante na comunidade como um dos fatores que auxiliaram nas restricoes de transito entre os limites grupais, caracterizando, entao, "lingua e religiao como dois fatores inseparaveis" (Koch, 2003, p. 201). De acordo com Droogers (2008) a igreja luterana, em certo sentido, contribuiu para o isolamento do referido grupo, pois promoveu a reproducao da lingua alema em seus rituais, mantendo um contexto de seguranca para o fiel, no sentido de recriar um Heimat (5) no contexto religioso (Seyferth, 1981).

O quadro apresentado acerca do isolamento geografico, religioso e cultural reforca a perspectiva etnocentrica de valorizacao de caracteristicas proprias do grupo, com o que, portanto, sao mantidas pelo grupo em detrimento de outras caracteristicas que lhe sao estranhas (Tajfel, 1982, 1983). O privilegio de aspectos ligados a nacao alema, de forma efetiva, foi acentuado pela reproducao do Deutschtum, mormente atraves da influencia dos pastores alemaes enviados ao Brasil apos 1900 (Seyferth, 2000). Esse conceito implica uma pressuposicao de superioridade da raca alema sobre as demais, pois compos uma identidade grupal de "colono alemao" como mais trabalhador, mais organizado e mais determinado, em comparacao ao grupo dos "nao alemaes" (Wagemann, 1949; Roque, 1968; Fouquet, 1974; Pacheco, 1994).

A ideologia alema difundida nas igrejas e nas escolas influenciou os modos de viver as relacoes cotidianas e o trabalho. Esta em jogo, como destacou Weber (1905/2007) em seu estudo classico, a admissao de que o fruto do trabalho na forma de acumulo de bens e dinheiro e uma bonificacao legitima e fonte de prazer em si mesmo, o que difere da perspectiva catolica que prega o ascetismo monastico.

De fato o summum bonum dessa etica, o ganhar mais e mais dinheiro, combinado com o afastamento estrito de todo prazer espontaneo de viver (...); e pensado tao puramente como um fim em si mesmo, que do ponto de vista da felicidade ou da utilidade para o individuo parece algo transcendental e completamente irracional. O homem e dominado pela geracao de dinheiro, pela aquisicao como proposito final da vida. A aquisicao economica nao mais esta subordinada ao homem como um meio para a satisfacao de suas necessidades materiais (Weber, 1905/2007, p. 51).

Nesse sentido, a valorizacao do trabalho nao se da apenas pela condicao de sustentabilidade do grupo e do individuo, mas como formula para alcancar virtudes proporcionadas pelo acumulo de capital. Entretanto, no caso especifico do grupo investigado no presente trabalho, esse acumulo de capital e pouco perceptivel como tal, uma vez que e aplicado em bens relacionados ao aperfeicoamento do proprio trabalho, como veiculos de carga e tratores, entre outros bens. A forma como os integrantes do grupo estudado se relacionam aos valores associados a religiao e ao trabalho evidencia que a dedicacao ao trabalho e um valor maior para o grupo. Ha valorizacao do trabalho quase como um fim em si mesmo. E possivel notar que isso se da em detrimento de outras possibilidades muito valorizadas em outros grupos, como, por exemplo, formas de lazer atualmente muito difundidas, mesmo entre os jovens. Wagemann (1949) menciona como outro exemplo significativo a despreocupacao quanto a vaidade e em termos de cuidados com o proprio corpo e com a saude.

Uma das teses de Lutero foi a de que a divindade (Deus) atribuiria a cada individuo uma vocacao--Beruf--que significa a responsabilidade de desenvolver seu oficio da melhor maneira possivel. Essa vocacao consistia "em um chamado de Deus para a realizacao de um trabalho secular ou missao. Valorizava assim o cumprimento do dever" (Borges & Yamamoto, 2004, p. 31). Lutero criticava o acumulo de riquezas da Igreja Catolica bem como o acumulo de dinheiro pela burguesia industrial nascente, apontando o que considerava erros na religiao catolica dominante na Europa da epoca.

Quando Lutero traduziu a Biblia para o alemao introduziu responsabilidades do individuo pela sua religiosidade, destacando que cada individuo poderia administrar sua relacao com a divindade e com a vocacao que lhe caberia exercer. Em seus escritos, Lutero destaca a importancia da conquista diaria da salvacao, pois para ele a fe e expressa nos atos humanos diarios, cotidianos, e nao somente em alguns momentos na Igreja e por intermedio de um representante (Bornkamm & Ebeling, 1995).

Nessa linha de pensamento, a salvacao da alma apenas por meio do melhor cumprimento da vocacao remete tambem a ideia de que quanto mais arduo, mais valorizado e esse destino. Logo, nao restam muitas opcoes para os individuos que querem ser salvos, a nao ser cumprir cada vez com mais afinco suas obrigacoes. O campones que se dispoe a trabalhar na terra precisa, entao, cada vez mais trabalhar e produzir para investir na producao, para que esta fique cada vez maior e sua vocacao seja cada vez mais bem cumprida. Pode-se perceber o impacto desses principios na rotina dos trabalhadores rurais da regiao que, em geral, tem "pouco tempo para lazer ou descanso, quase nao usufruindo os recursos de conforto disponiveis", sendo constatavel entre descendentes a "enfase na rotina diaria voltada quase exclusivamente ao trabalho, com raros momentos de descanso ou lazer grupal e individual" (Fehlberg & Menandro, 2011, p. 85). Mais adiante serao apresentados resultados nos quais se evidencia que a rotina laboral ocupa todos os dias da semana, com reserva de algum tempo de lazer relacionado a igreja, principalmente.

Paiva (2003) registrou que o advento do protestantismo de Lutero alterou a weltanschauung (6) ocidental, redefinindo a nocao de cidadania ao facultar ao individuo tanto a liberdade de expressao como a interpretacao de sua fe, propondo que o individuo atue diretamente na busca de seus direitos de expressao e de vida.

E importante destacar que em meio aos valores germanicos transmitidos e reinventados (Dreher, 1984), foram transmitidos valores fundamentais para a ideologia capitalista (composicao basica da concepcao luterana), destacados como valores positivos para a pertenca ao grupo de fieis. Com isso, e possivel dizer que a igreja teve papel preponderante na constituicao do conceito de trabalho para o grupo em questao, que se tornou parte do auto-conceito consolidado do grupo.

O conceito de vocacao foi, pois, introduzido no dogma central de todas as denominacoes protestantes e descartado pela divisao catolica de preceitos eticos em praecepta e consilia. O unico modo de vida aceitavel por Deus nao estava na superacao da moralidade mundana pelo ascetismo monastico, mas unicamente no cumprimento das obrigacoes impostas ao individuo pela sua posicao no mundo. Essa era sua vocacao (Weber, 1905/2007, p. 70).

No estudo desenvolvido percebeu-se a manutencao de valores e referenciais que levam os integrantes do grupo a se identificarem como "alemaes" ou "pomeranos", mesmo que nascidos e residentes no Brasil. E notorio que ha manutencao da lingua e de costumes no grupo estudado, pois a grande maioria dos entrevistados falam a lingua pomerana (Pacheco, 1964, 1994; Roche, 1969; Seyferth, 2005). E fato que esse grupo manteve valores germanicos que sao ainda reproduzidos e estao vivamente presentes em varias manifestacoes culturais, como no uso corriqueiro da lingua, desfiles de roupas tipicas em festa regionais, entre outros.

Para Gertz (1987) os elementos identitarios dos grupos de descendentes germanicos que se radicaram no campo mantiveram-se pelas proprias caracteristicas que definem a vida do campones. Segundo esse autor, o modo de vida e o cotidiano da lida diaria com a terra, que pode ser descrito como um tipo de trabalho repetitivo, promovem a manutencao de valores que sao reproduzidos. Nesse sentido, a rotina laboral favorece interpretacao e elaboracao sobre o contexto pouco expressivas, porque as caracteristicas de repeticao ardua e do uso da forca fisica nela predominam, em geral.

Nas zonas de colonizacao germanicas no Brasil nao houve apenas mera reproducao dos costumes em vigor nos paises de origem (Langin, 1995; Roche, 1969; Willems, 1980; Vogt, 2009). Houve, isso sim, adaptacoes ao modo de vida rural nas novas condicoes em que se apresentava, uma vez que os imigrantes pioneiros foram assentados em pequenas glebas, quase sempre com 25 a 30 hectares, destinadas a agricultura familiar de pequena extensao (Seyferth, 2009a, 2009b; Roche, 1969; Rolke, 1996; Wagemann, 1949 ).

O modo de organizacao da vida camponesa enfatiza a producao de alimentos para a propria subsistencia, com comercializacao apenas dos excedentes da producao (Marques, 2008; Seyferth, 2009b). Entretanto, em relacao ao trabalho entre os camponeses de imigracao germanica "desde o inicio da colonizacao houve a producao de itens especificamente voltados ao mercado" (Seyferth, 2009b, p. 284), apesar de contar, exclusivamente, com a mao de obra familiar. Trata-se de um modo de organizacao que nao corresponde, de forma exata, ao conceito de agricultura familiar propriamente dita.

Ao longo do tempo, o modo de organizacao das propriedades dos colonos sofreu algumas mudancas, pelo menos no que diz respeito as propriedades capixabas (Fehlberg & Menandro, 2011). Os agricultores intensificaram a producao e a comercializacao de excedentes, principalmente porque o tamanho das propriedades, em geral, diminuiu no transcorrer das geracoes.

Na verdade, o movimento de intensificacao da producao voltada ao mercado interno e mesmo a exportacao, em alguns casos, acompanha a tendencia nacional de intensificacao da producao para atender as demandas de mercado (Albuquerque, 2002). A concentracao de grandes propriedades produzindo culturas unicas e de tecnologias avancadas e apontada como tendencia nacional a partir da decada de 1970, principalmente em areas de fronteira agricola como as regioes Centro-Oeste e Norte do pais (Gasques & Conceicao, 2001). Entretanto, no grupo estudado, por questoes ligadas a partilha da terra e a descendencia consanguinea, as propriedades se tornam cada vez menores (Bahia, 2000).

A partir da decada de 80, a agricultura familiar passou a assumir a condicao de configuracao em declinio em termos de modelos de agricultura preponderantes no pais, mas ao mesmo tempo comecou a ser tema de interesse para estudos. Principalmente a partir de 1990, com a Conferencia das Nacoes Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CNUCED), tambem conhecida como Rio-92 (Assis, 2008), na qual foram privilegiadas discussoes sobre desenvolvimento sustentavel, geracao de emprego e renda, e preservacao do meio ambiente--todos eles conceitos que atingiam diretamente o ambiente rural (Fialho, 2005). Conterato, Gazolla e Schneider (2007) ressaltam a importancia desses temas quanto as possibilidades que implicam no sentido de "tornar o meio rural dinamico e capaz de manter e atrair a populacao. Isso resultaria num aumento do nivel do bem-estar tanto da populacao rural como urbana" (p. 109). Com isso, o meio rural passou a ser alvo de valorizacao, nao apenas em seu sentido proprio--como modo de organizacao socioeconomica--mas tambem no sentido de uma oportunidade diferencial para reconstrucao de valores. A revalorizacao do rural como alternativa sustentavel e positiva, assim como investimento para um futuro menos catastrofico tanto para o ambiente quanto para as relacoes humanas, de fato alterou a imagem desse contexto e influenciou investimentos publicos. O poder publico, acompanhando essa ideia, investe e incentiva manifestacoes culturais locais (artesanato, turismo ecologico), atraindo a populacao para participar dos eventos incrementando a economia da regiao (Fialho, 2005).

Gertz (1987) propoe que a sociedade campesina de descendencia germanica, com sua caracteristica de agricultura familiar e modo de vida campesino, favoreceu a manutencao dos aspectos ligados ao Deutschtum. O peso da tradicao e da rigidez na transmissao de valores sao aspectos importantes para entender a manutencao do uso da lingua de uma geracao para outra, assim como da conservacao de concepcoes e praticas relativas ao trabalho, as relacoes de parentesco, aos matrimonios, entre outros elementos culturais. Percebe-se que a moderna tendencia de revalorizacao da agricultura familiar e do modo de vida campesino contribui de forma positiva para alteracoes da identidade social camponesa, decorrente da valorizacao da pertenca ao grupo (Tajfel, 1983).

Essa positividade parece possuir relacao com a construcao historico-cultural que vem acontecendo em relacao ao conceito trabalho como um valor agregador ao grupo. O trabalho, como veremos mais adiante nos resultados da pesquisa, parece ser fator central em muitas das formas de identificacao interna aos membros do grupo.

Metodologia

Foram entrevistados trinta e seis homens e mulheres que descendem de imigrantes pomeranos, residentes em um municipio de Regiao Serrana do Espirito Santo. Dezessete deles estao radicados na regiao rural do municipio (dez mulheres e sete homens), e os demais dezenove entrevistados vivem na sede do municipio (dez mulheres e nove homens). Os entrevistados residentes no campo possuem pequenas propriedades rurais onde trabalham em sistema de agricultura familiar, sendo esse trabalho, em alguns casos, conjugado com outras atividades viaveis na mesma propriedade, como avicultura e manufatura de produtos artesanais do genero alimenticio destinados a comercializacao em feiras livres. Os entrevistados residentes na regiao urbana, em sua grande maioria, trabalham em atividades ligadas ao comercio e a prestacao de servicos.

Os dados foram coletados utilizando-se a entrevista narrativa semiestruturada conduzida a partir de roteiro pre-estipulado que foi submetido a teste (Flick, 2004). O roteiro foi utilizado em tres pre-testes com a finalidade de verificar a adequada compreensao das questoes pelos participantes e para aferir sua capacidade de gerar respostas compativeis com os objetivos da investigacao (Rosa, 2006). As perguntas foram direcionadas especificamente para o cotidiano dos individuos residentes no campo. Considerando que a grande maioria dos entrevistados residentes na sede do municipio ja viveram no campo, ou tem contato frequente com parentes que residem no campo, o roteiro de entrevista utilizado com eles conjugava questoes relativas ao seu cotidiano com outras referentes a populacao rural e ao ambiente do campo (Biasoli-Alves & Dias da Silva, 1992; Weber & Dessen, 2009). Todas as entrevistas foram realizadas pela pesquisadora responsavel pela coleta de dados ou em sua presenca, nos casos em que houve participacao de tradutor. Foram utilizados dois roteiros de entrevistas. O primeiro deles, direcionado aos participantes que ainda residem na regiao rural do municipio em "colonias" (Seyferth, 2004), designado como grupo CAMPO. O segundo roteiro, diferente em diversos pontos, tinha como foco os participantes residentes fora do campo, identificado como grupo SEDE, e incluiu questoes relativas aos seus conhecimentos sobre o grupo CAMPO.

No primeiro momento da pesquisa foi feito o trabalho de identificacao das residencias de familias de descendentes do grupo CAMPO, com a colaboracao de lideres comunitarios das regioes visitadas no municipio de Santa Maria de Jetiba, e a seguir foram agendados encontros para solicitar participacao e realizar as entrevistas. Participantes residentes na sede de Santa Maria de Jetiba, que compoem o grupo SEDE, foram contatados em suas residencias a partir de indicacoes iniciais de funcionarios da Prefeitura Municipal, exceto nos casos em que ja eram conhecidos dos responsaveis pela pesquisa. A cada entrevistado foi solicitada a indicacao de outros possiveis participantes, utilizando "amostra de conveniencia" (procedimento de constituicao do conjunto de participantes por bola-deneve, Turato, 2003). Todo o processo foi gravado, mediante autorizacao do entrevistado, e as transcricoes foram providenciadas nos dias seguintes.

Os dados foram organizados de modo a permitirem analise inicial das caracteristicas gerais dos dois grupos, ao que se seguiu uma comparacao entre esses grupos. O tema trabalho foi abordado em tres aspectos: rotina de trabalho, modo de organizacao do trabalho e momentos de ausencia de trabalho. Os dados obtidos foram analisados abordando-se as respostas dos participantes residentes no campo sobre si mesmos, e comparando-as com as respostas dos participantes que vivem na sede referentes a populacao de descendentes que permanece no campo. Para o trabalho com o material textual resultante das entrevistas optou-se pela utilizacao do metodo de Analise de Conteudo (Bardin, 1979; Bauer, 2002).

Resultados

Fica evidente nos extratos de relatos dos entrevistados do Grupo CAMPO (7) que o trabalho na lavoura domina a rotina diaria de tal forma que as demais atividades parecem ocorrer apenas para viabilizar a continuidade das atividades laborais no dia seguinte, ai incluidas outras formas de trabalho, tanto dos homens (por exemplo: comercializar a producao) como das mulheres (por exemplo: cuidar da casa). Mesmo em familias nas quais um dos membros tenha trabalho fora do contexto rural, a rotina laboral permanece similar para os demais que permanecem na propriedade.

E interessante notar que a indagacao sobre a rotina diaria foi uma das perguntas que foi respondida com maior facilidade e desenvoltura pelos entrevistados. A existencia de uma rotina que se repete a cada novo dia esta presente nas respostas, nao sendo incomuns expressoes como "meu dia-a-dia praticamente so se repete" ou "e sempre a mesma rotina".

Nos relatos colhidos foi encontrado um esquema bastante rigido de trabalho que compreende a rotina semanal dos residentes do campo, assim como o relatado por Fehlberg e Menandro (2011). Entretanto, no caso dos produtores de "tempero" (8) a rotina semanal inclui tambem os sabados, domingos e feriados. Isso acontece porque sao produtos pereciveis em curto prazo de tempo, e que devido a sua fragilidade tem pequena vida util entre a colheita e o consumo.

O esquema de trabalho acompanha a dinamica rigida de acordar entre cinco e seis horas da manha, horario no qual todos possuem seus afazeres: as mulheres cabe fazer o cafe da manha e colocar a mesa; ao homem cabe tratar dos animais domesticos e arrumar os utensilios para o trabalho na lavoura. Na maioria dos relatos as seis horas todos os integrantes da familia que trabalham na lavoura ja estao realizando suas atividades (9). Por volta das dez horas a mulher retorna a casa para fazer o almoco. Em seguida, entre dez e meia e onze horas o restante dos membros retornam a casa para se alimentar. Permanecem na casa ate por volta das treze horas, retornando novamente para a lavoura entre doze e treze horas, onde permanecem ate por volta das quinze horas, quando retornam para o "cafe" da tarde. Apos a alimentacao encaminham-se novamente para a lavoura onde permanecem ate "o escuro", trabalhando ate dezoito ou dezenove horas (10).

Nao ha consenso sobre horarios precisos, mas registra-se que a rotina se repete com poucas alteracoes nos habitos laborais entre as estacoes do ano. O grupo de agricultores que trabalham com "tempero", precisam repetir a rotina no fim de semana, alem de acrescentar ainda o trabalho noturno do dia anterior a venda dos produtos, ate a finalizacao das amarracoes dos feixes de vegetais.

Muitos dos relatos colhidos sao similares, evidenciando que as rotinas sao quase as mesmas, variando quanto ao fato do casal trabalhar apenas na lavoura, dividir o tempo entre lavoura e outro negocio, ou aqueles casos em que apenas um dos membros do casal trabalha na lavoura enquanto seu conjuge trabalha em outra atividade. E interessante ressaltar que a mencao a dureza do trabalho e a rotina pesada fornece indicios de nao se apresentar em tom de inconformismo, como a indicar que a pessoa gostaria de alterar sua forma de vida. Aparentemente, os relatos sobre rotina de trabalho sao pouco marcados por expressoes emocionais. Eles sao descritivos, essencialmente, e e como se referissem a algo que nao poderia ser diferente, de forma que nao foram encontradas consideracoes de natureza afetiva, sejam positivas ou negativas. A compreensao de tais relatos aponta para a significacao do trabalho como parte essencial da identidade do grupo, como valor importante para a constituicao do nucleo que identifica o "ser pomerano", compondo quase a totalidade da rotina familiar. Segue-se um exemplo desse tipo de relato:

Todo dia e roca, e um dia na semana eu vou para a CEASA vender as coisas. [Geralmente e em que dia?] Quinta-feira, ai eu vou na quarta a noite para vender na quinta. Diariamente e 5 horas da manha, toma cafe e comecamos a trabalhar. [E o senhor volta que horas?] As 10:30, 11 horas. [E o senhor retorna que horas?] Depende porque a roca a gente nao tem muito como ficar parado, tem que tirar leite, olhar as vacas, essas coisas. E la pelas 12 horas a gente volta. [O sol nao esta muito quente?] E dificil, mas tem que trabalhar. A gente trabalha mais na roca, mexe com tempero, folhagem. De manha um vai para la e ja vai arrancando e outro vem trazendo e amarrando. [E a noite?] Vem descansar, mas igual quarta, a gente trabalha ate 7 horas da noite para levar tudo embalado (CM13, 50 anos).

Tambem apareceram alguns poucos relatos que fogem do modelo de pouca expressao emocional, como aqueles em que podem ser constatadas mencoes diretas ao fato de que, apesar de todo o esforco, a pessoa cumpre suas tarefas com satisfacao--tal como explicitado no exemplo reproduzido abaixo:

Eu acordo as 5 horas e eu gosto muito de trabalhar na roca. Ai eu faco uma coisinha ali na cozinha, faco o cafe e vou pra roca. Ai ali pra 10:00 horas eu volto para casa e faco almoco para nos, e ali para 11 e 30 h eu vou para a roca de novo. As duas horas eu volto para tomar cafe, ai eu chego em casa, ai la pelas 5 horas eu volto pra roca (CF14, 62 anos).

Ao falarem sobre trabalho os integrantes do grupo estudado mencionam as atividades na lavoura com maior enfase, aparecendo a manutencao da casa apenas como necessidade resultante da sobrevivencia diaria e como suporte para atividades na lavoura, que seria a verdadeira vocacao do grupo, podendo ser lembrada aqui o vinculo do trabalho com a perspectiva religiosa do grupo (Weber, 1905/2007). O trabalho integra, como elemento central, a identidade social desse grupo, e e parte essencial do estereotipo com o qual e identificado pelos componentes de outros grupos (Tajfel, 1982, 1983). Historicamente, os valores sociais e as categorias com os quais os imigrantes pomeranos pioneiros e seus descendentes foram identificados, confluiram para relaciona-los ao trabalho arduo e continuo, nao obstante tambem terem proporcionado que outras caracteristicas, como pouco instruido e ingenuo, surgissem (Aranha, 2002; Pacheco, 1994; Roche, 1968; Saleto, 1996; Wagemann, 1949). O trecho abaixo e ilustrativo:

A experiencia desse povo no trabalho junto a terra e milenar. Para comprovar isso, basta visitalos no Espirito Santo, entre montanhas e vales. Com todos os percalcos durante o ano (seca, chuvas fortes, frio, sol escaldante), eles abastecem grandemente outras regioes vizinhas e a capital Vitoria (Heinemann, 2008, p. 07).

Ao descreverem as atividades do seu dia-a-dia os entrevistados do Grupo CAMPO quase nao mencionaram atividades de lazer. Em outro momento da entrevista foram apresentadas questoes diretas sobre lazer, que resultaram, como sera visto em secao posterior do texto, na descricao de um conjunto de atividades que ocorrem, com maior frequencia em um dos dias do fim de semana. Apenas duas entrevistadas mencionaram atividades que nao caracterizam trabalho na lavoura ou trabalho domestico quando falaram de sua rotina diaria, sendo que um dos casos refere-se a uma rapida olhada na televisao antes de dormir.

As respostas dos entrevistados do Grupo SEDE, que tambem foram convidados a falar sobre a rotina diaria dos descendentes que vivem na regiao rural, corroboram os relatos que os participantes do Grupo CAMPO fizeram sobre suas rotinas diarias, reconhecendo de forma explicita o fato de que se trabalha muito. Algumas respostas acrescentam certa enfase no fato das mulheres trabalharem excessivamente. Como exemplo destaca-se a fala de uma descendente que vive na sede do municipio:

Eles comecam bem cedo, 5 horas ja levantam, principalmente as mulheres. [Para mulheres e diferente?] E sim porque ela levanta, tem que fazer o cafe, tratar da criacao, ja e bem diferente. O homem levanta depois, toma o cafe depois vai pra roca. A mulher volta na frente, ou ela faz a comida de manha bem cedinho e vai uma meia hora depois para casa pra fazer o almoco ou depois ela arruma a cozinha ou muitas vezes nem arruma deixa pra noite mesmo, igual minha mae ai nos almocava e dependendo do que estao fazendo nao pode perder tempo muito em casa, agora estao mexendo com folhagem, e voce tem que comer rapidinho e voltar de novo pra roca, para cuidar da verdura. E a noite eles ficam ate 12 horas amarrando as verdura e de la ja lota o caminhao e ja sai pra vender na CEASA (SF3, 28 anos).

Dez entre os dezessete entrevistados do campo afirmam nao terem tempo de ausencia de trabalho. Pelo contrario, afirmam que trabalham o tempo todo. Essa informacao coincide com os produtores de "temperos" e "verduras" e produtores de morango, pela necessidade de cuidados extremos com a cultura com a qual trabalham.

Considerou-se que informacoes sobre a natureza das atividades de lazer dos participantes do Grupo CAMPO, cuja atividade principal envolve trabalho continuo na lavoura, podem ser importantes para melhor compreensao da realidade vivida por eles.

Os dados obtidos com os participantes do Grupo CAMPO referem-se as suas proprias atividades de lazer, enquanto os participantes do Grupo SEDE responderam sobre o que conhecem das atividades de lazer dos moradores do campo.

Como os resultados apresentados acima evidenciam, as formas de lazer que foram relacionadas sao bastante coincidentes nos dois grupos. Um exemplo e o da categoria "atividades (laborais) na residencia" que apareceu como uma das mais frequentes em ambos os grupos. Nessa categoria estao englobadas atividades de arrumacao e limpeza da casa, de cuidado com animais domesticos e ou animais para abate, de manutencao do espaco em torno da casa, de feitura de alimentos para abastecer a semana (como pao), de lavagem de roupas, etc. Essas atividades foram relacionadas pelos entrevistados como atividades de lazer, como se fosse lazer apenas por diferir das atividades proprias da lavoura. Por essa razao decidiu-se incluir a palavra "laborais" na denominacao da categoria, ja que as atividades mencionadas constituem afazeres de natureza obrigatoria e indispensavel que poderiam ser melhor classificadas como trabalho, e nao como lazer.

Outras atividades mencionadas com frequencia expressiva foram as de participacao em "Festa de casamento" e a presenca na cerimonia religiosa realizada aos domingos--identificada como "Igreja Dominical", ambas de cunho religioso e festivo. Para o grupo estudado, tanto a Festa de Casamento, que envolve cerimonia na igreja, quanto a "missa" aos domingos, sao eventos sociais nos quais as familias, vizinhos e amigos do entorno se encontram, nao somente pela motivacao da atividade religiosa em si, mas tambem como forma de troca de informacoes e experiencias, de interacao social. Tais atividades tambem expressam diferenciacao entre os sexos. Segundo Droogers (1984), as atividades religiosas estariam mais ligadas as mulheres do que aos homens, pois "mesmo tendo lideres masculinos, a religiao e muito mais campo de atuacao de mulheres do que de homens" (p. 42). De acordo com esse mesmo autor, a educacao religiosa fica a cargo das mulheres que permanecem a maior parte do tempo em casa com os filhos enquanto o homem sai para fazer negocios ou se reunir com outros na venda (bar). Ele tambem descreve a presenca masculina nas atividades religiosas como uma presenca passiva durante a celebracao, porem ativa no encontro social anterior ou posterior a esta, situacoes que lhes permitem realizacao de negocios e atualizacoes sobre a producao e os mercados.

Os resultados encontrados coincidem com a literatura pertinente ao revelar a atividade religiosa como uma das fontes de lazer e como instrumento de socializacao endogrupal. Segundo Willems (1980), havia nas regioes de onde os imigrantes provieram varias atividades recreativas destinadas as populacoes germanicas campesinas, como campos de boliche, cavalgadas e associacoes de tiro, entre outras. O autor registra que tais atividades foram sendo extintas em muitas comunidades, inclusive nas radicadas no Espirito Santo, nas quais "a missa dominical e as festas religiosas representam a unica forma de recreacao" (p. 408). Tal realidade foi documentada ha varias decadas por historiadores como Roche (1968), que verificou ser "normal em familias muito fervorosas o domingo sempre dedicado ao lazer e consagrado, primeiro, ao servico divino, chamado uniformemente de "missa", tanto por protestantes quanto por catolicos" (p. 266). Os dados encontrados no presente estudo confirmam no tempo atual a citada constatacao, que remonta a decada de 1960.

Ainda assim, e importante ressaltar que quatro entrevistados do Grupo CAMPO e cinco do Grupo SEDE mencionaram uma atividade esportiva coletiva que e o futebol, o que mostra adaptacao a uma realidade cultural local, posto ser o futebol uma das grandes paixoes dos brasileiros. Alem disso, tal atividade pode servir a propositos paralelos, como argumenta Droogers (1984): "o futebol e a venda, com o seu bar, seriam muito mais da esfera dos homens, onde podem discutir negocios, trabalho e lavoura" (p. 42). Tambem sao citadas as Festas Urbanas como uma das fontes de lazer, festas essas que muitas vezes tem cunho etnico, e que ganham um atrativo especial diante da importancia do desenvolvimento sustentavel. E notorio que as festas e atividades de cunho religioso possuem importancia crucial na composicao das categorias identitarias de diferenciacao grupal, porem outras atividades tambem se mostraram significativas para o grupo.

A "Festa de Casamento", mencionada por dez participantes constitui momento de socializacao endogrupal de grande relevancia, alem de ter ligacao estreita com a religiosidade. No grupo estudado varios foram os depoimentos que apontaram tal acontecimento como ponto de encontros e de fortalecimento da cultura local, mas tambem como contexto que propicia consumo abusivo de bebida alcoolica e violencia.

As Festas de Casamento duram, em media, tres dias, mas os preparativos iniciam- se pelo menos quinze dias antes da cerimonia, mobilizando um conjunto de vizinhos em mutirao para preparativos como abate de animais, feitura do barracao onde sera realizado o baile, a tipica cerimonia do quebra-loucas protagonizada pelos noivos, entre outros (Foerste & Jacob, 1997; Granzow, 1982; Wachholz, 2008). Tudo isso, de acordo com Granzow (1982), acompanhado de muita alegria expressada atraves de fogos de artificio, ao som da concertina. A natureza agregadora do evento e algo a ser destacado, uma vez que nessa festa as mulheres coordenam os preparativos, principalmente a mae da noiva, reunindo parentes e vizinhos em mutirao para cozinhar, servir e para coordenar o ritual de quebra loucas (Fehlberg & Menandro, 2011).

O casamento e um dos ritos de carater social mais importantes da cultura pomerana. Por isso, a fartura de alimentos e bebida pode ser uma caracteristica. As festas de casamento geralmente duram tres dias. O grande numero de convidados tem como objetivo a reafirmacao dos lacos de parentesco e amizade entre familiares e vizinhos. O convidador, que vai de casa em casa realizar o convite para o casamento cerca de um mes antes, e o irmao solteiro do noivo ou da noiva. Ele provoca alvoroco no caminho por onde passa, de forma que nao passa despercebido. Em lingua pomerana, ele recita o convite na sala da familia a ser convidada. Apos o convite, oferece um gole de cachaca. O aceite da bebida e uma gorjeta e sinonimo de confirmacao da presenca na festa. Em sinal de agradecimento, a dona da casa prega uma fita colorida nas costas da camisa do convidador como forma de agradecimento. Portanto, o papel dele pode ser considerado como aquele que vai iniciar a "costura" dos lacos entre todos que se encontrarao na festa do casamento (Wachholz, 2008, p. 15).

Para os envolvidos a festa de casamento e um rito de reafirmacao dos vinculos com o grupo (Droogers, 1984; Thies, 2008), tamanha sua importancia social. Tambem no sul do pais essas festas costumam agregar muitas pessoas em rituais semelhantes aos encontrados no Espirito Santo. Como destacado em outro momento do texto, a mulher cabe, por seu proprio papel no grupo, a responsabilidade em relacao a transmissao de valores ligados ao estereotipo grupal, no sentido da manutencao de momentos sociais nos quais a reproducao cultural acontece. A exemplo das festas religiosas, dos momentos de trabalho em familia ao redor da casa, do cuidado proximo com os filhos, tem-se oportunidades de transmissao da lingua, costumes, rituais sociais e manutencao do status quo grupal. Como constatou Heinemann (2008), a mulher descendente de pomeranos "que reside no campo geralmente e quieta, reservada e aparentemente desconfiada", mas e gracas a participacao feminina na familia que a "lingua pomerana ainda e mantida e falada em todos os nucleos de descendentes, no Brasil. Sem elas, a lingua ja teria sido extinta" (p. 08).

No grupo CAMPO, a vinculacao a igreja proporciona outros momentos de interacao entre os membros, pois ha atividades excedentes nas quais sao estimuladas manifestacoes culturais que reunem os membros do Grupo CAMPO em momentos de sociabilidade, o que, provavelmente, seria dificil levar adiante na ausencia do estimulo religioso, ainda mais considerando a carga laboral exaustiva e a distancia entre as propriedades. Assim, a Igreja funciona como um elo entre os membros da comunidade, principalmente em momentos de lazer (Droogers, 1984, 2008; Wagemann, 1949; Roche, 1969). As mulheres com mais idade (5 participantes), relataram participar nao somente das reunioes e cultos, mas tambem das festas religiosas e dos casamentos, como cozinheiras, tendo sido observado que esta ultima atividade aparece nos relatos associada a grande contentamento dos entrevistados do grupo CAMPO.

Sim, eu gosto de ir no culto. [E a senhora participa das atividades?] Sim, quando e alguma coisa para ajudar pagar dizimo ... quando tem festa eu ajudo e tudo que tem eu ajudo. [Ajuda na cozinha nos casamentos?] [risos] E eu gosto de cozinhar e ajudar na igreja (CF14, 62 anos).

Ela vai na terceira idade quando tem e ela vai a Igreja. Quando tem alguma coisa ela participa de tudo. Ela se acha muito dificil, pois nao tem estudo para participar da diretoria, por exemplo, porque la precisa escrever e anotar e ela nao sabe, mas na reuniao ela vai. Toda festa que tem ela cozinha (CF15, 54 anos).

Alguns individuos relatam, com certo pesar, nao conseguir participar ativamente das atividades da igreja em virtude da carga de trabalho extenuante que cumprem todo dia. Essa queixa de pouco tempo disponivel para dedicacao a igreja (e ate mesmo as atividades de lazer) e encontrada com maior frequencia nas falas masculinas, em ambas as idades "Eu ja participei, ja fui da diretoria. Atualmente nao, mas infelizmente so vou para culto mesmo" CM8 (34 anos). Dados como os apresentados nos relatos acima confirmam os registros bibliograficos sobre o grupo produzidos quatro decadas antes (Droogers, 1984; Foerste & Jacob, 1997; Wagemann, 1949; Roche, 1969).

Como e possivel notar, esse conjunto de informacoes apresentadas formam um quadro no qual se destaca o que pode ser chamado de coletividade dentro do grupo de pertenca--coletividade essa que marca os eventos religiosos e esta representada no habito de visitas aos vizinhos e aos parentes, e que deve ser vista como uma caracteristica identificadora do grupo, do modo de ser e de se relacionar dos seus integrantes. De forma concordante com esse quadro, os momentos de lazer constituem a oportunidade de exercitar essa sociabilidade, considerando que nas situacoes cotidianas habituais essa oportunidades sao escassas. Nao houve mencao a lazer na ausencia de situacao social, pois mesmo quando foi mencionada a atividade de ouvir musica, o respondente especificou uma situacao na qual todos os familiares tomam parte, compartilhando o momento. E possivel perceber, nas informacoes sobre lazer, que a interacao predominante se faz com pessoas que vivem em torno da propriedade, e nao so com familiares, o que sugere predilecao pelo compartilhamento do tempo com o grupo, mesmo em ocasioes de lazer.

Aos participantes do Grupo CAMPO foi perguntado se possuem parentes proximos (irmaos, tios, primos, filhos) que moram na sede de Santa Maria ou na regiao de Vitoria, alem de lhes ter sido solicitado falar sobre como e para eles a experiencia de ir a cidade. As respostas a tais questoes apresentaram diversas informacoes adicionais sobre lazer, o que determinou que elas fossem consideradas na presente secao.

Os resultados encontrados mostram que os participantes do grupo CAMPO possuem maior numero de relativos residentes no proprio contexto rural, porem doze deles referiram possuir parentes na sede do municipio. Desses doze todos disseram encontrar seus parentes com pouca frequencia, mas nem todos afirmaram conhece-los e saber a localizacao de suas residencias. Entre esses mesmos entrevistados, sete disseram possuir membros da familia extensa residindo na capital, embora apenas dois visitem seus parentes e saibam onde moram. Fica claro que contato com membros da familia extensa, na maioria dos casos, e limitado.

Alem das visitas aos parentes e vizinhos, modalidade de lazer das mais expressivas entre os entrevistados, foram relatadas eventuais idas a cidade que se configuram como modalidade de lazer, quando se referem a passeios, festas ou compras. Excetuando essas ocasioes, o contato com a cidade e habitualmente referido como atividade relativa ao trabalho ou a saude. Todos os 17 entrevistados mencionaram pelo menos um contato com a capital, e um deles e taxativo ao dizer que nao mais vai a cidade. Dos que visitam a cidade, todos relatam que o fazem com baixissima frequencia. Os relatos dos entrevistados ilustram essas situacoes, registrando-se que seis deles relataram apenas uma ou duas viagens para lazer em locais como praia, shopping e pontos turisticos. As demais mencoes de deslocamento para a capital sao referentes ao trabalho (escoamento da producao agricola), no caso de seis entrevistados, ou viagens de acompanhamento de parentes enfermos--tres ocorrencias. Deslocamentos desse tipo para a capital sao, portanto, mais frequentes do que os realizadas por lazer.

Um dos aspectos revelados nos dados sobre viagens a capital e a reafirmacao da centralidade do trabalho na vida do grupo. A maior parte das viagens diz respeito ao trabalho e ha pouco deslocamento relacionado ao lazer, mesmo quando se considera visitas aos parentes como lazer. Os dados tambem podem ser vistos como confirmacao indireta do isolamento social dos entrevistados, especialmente das mulheres.

Consideracoes finais

As dimensoes do trabalho dos entrevistados apresentadas ao longo do texto apontam sua importancia como fator que relaciona etica e movimentos identitarios no grupo estudado. Constata-se pela analise da rotina de trabalho, e pelo modo como o trabalho e organizado, que a enfase de dedicacao e investimento no trabalho colocam-no como atividade central para o grupo. Em decorrencia de tal realidade, atividades de lazer sao apontadas como atividades pouco relevantes e escassas, como pode ser notado na Tabela 1, visto serem somente realizadas em um dia da semana, normalmente aos domingos ou quando o trabalho permite, uma vez que alguns entrevistados relatam nao ter momentos de lazer devido a natureza de sua atividade nao permitir qualquer dia de descanso, durante todo o ano.

A forte vinculacao religiosa tambem se mostrou fator determinante para a composicao de valores identitarios no grupo, como pode ser constatado ao longo do texto pela alta frequencia aos cultos dominicais e as atividades religiosas e sociais associadas. A vinculacao religiosa pode ser entendida aqui tambem como vinculacao aos valores protestantes historicos que privilegiam dedicacao extrema ao trabalho e ao acumulo de capital.

Contudo, percebe-se que a pertenca ao grupo, a coletividade, esta articulada com a vinculacao ao trabalho, uma vez que este e colocado como um dos valores mais caros a todos os membros. O trabalho e fator preponderante na identificacao do descendente de pomeranos, principalmente no tocante aos descendentes que continuam no campo. Ao longo do trabalho de coleta de dados contatou-se tambem que os trabalhadores descendentes que residem na sede do municipio, acumulam mais de uma atividade laboral, muitas vezes no comercio, setor em que a carga horaria semanal de atividade ultrapassa as 44 horas oficiais, conforme informacoes colhidas no comercio local. Assim sendo, e possivel dizer que a centralidade do trabalho como valor privilegiado e elemento identitario marcante, perdura no grupo de descendentes, mesmo quando a natureza do trabalho se modifica com a migracao do ambiente rural para o urbano.

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Apresentacao: 02/06/2013

Aprovacao: 15/07/2013

Jamily Fehlberg (2)

Paulo Rogerio Meira Menandro (3)

(1) O presente trabalho recebeu apoio financeiro do CNPq.

(2) Doutora em Psicologia; Professora do curso de Psicologia e Pedagogia da Faculdade Pio X--Sergipe, Brasil. E-mail: jamilyfehlberg@gmail.com.

(3) Doutor em Psicologia; Professor Titular da Universidade Federal do Espirito Santo--Espirito Santo, Brasil.

(4) Salvo para o Espirito Santo e Rio de Janeiro que receberam pastores no ano seguinte a vinda dos pioneiros (Dreher, 1984).

(5) Heimat = das Land, die Gegend, (wie) zu Hause fuhlt (Gotz, Haensch e Wellmann, 2008), que pode ser traduzido como o pais, a regiao, (como) se sentir em casa (Keller, 2002).

(6) weltanschauung = bestimmte Ansicht uber den Sinn des Lebens (Gotz, Haensch e Wellmann, 2008), cuja traducao para o portugues seria: uma visao particular sobre o sentido da vida (Keller, 2002).

(7) Considerou-se que a transcricao de alguns relatos dos entrevistados e importante pelo fato de retratarem com riqueza de detalhes o que caracteriza a rotina diaria nas formas de organizacao do trabalho familiar que foram constatadas.

(8) "Produtores de tempero" e o termo utilizado pelo grupo para designar os produtores de folhagens tanto entre as usadas como condimentos, quanto as que sao servidas em saladas, como: salsinha, coentro, rucula, agriao, brocolis, chicoria, etc.

(9) Em algumas familias esse horario teve variacao de meia hora, iniciando o trabalho por volta das seis e meia da manha.

(10) Geralmente permanecem ate enquanto ainda ha luz solar, o que depende da epoca do ano e do horario de verao.
Tabela 1--Atividades de lazer realizadas pelo Grupo CAMPO,
segundo seus proprios integran

SEDE                    Ocorrencias   CAMPO                Ocorrencias

Igreja Dominical            7         Atividades                9
                                      (laborais) na
                                      residencia

Visitar vizinhos            7         Festa de Casamento        6

Atividades (laborais)       5         Igreja Dominical          5
na reside

Futebol                     5         Visitar parentes e        5
                                      vizinhos

Bar                         5         Passeio de carro          4

Festa de Casamento          4         Futebol                   4

Festas Cidade               4         Ouvir musica              3

Cacar                       1         Somente trabalho          3

Ausencia de Lazer           3         Bar                       1

                                      Programa Terceira         1
                                      Idade
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Author:Fehlberg, Jamily; Menandro, Paulo Rogerio Meira
Publication:Psicologia e Saber Social
Date:Jun 1, 2013
Words:8558
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