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The Use of Free Time Among Working-Class Youth/Os Usos do Tempo Livre entre Jovens de Classes Populares.

O interesse cientifico pela tematica do tempo livre e lazer e relativamente recente. Como apontam Bonato, Sarriera e Wagner (2012), ha um crescimento significativo das publicacoes que abordam o assunto nas ultimas decadas e proliferam-se, no Brasil e no mundo, grupos de pesquisadores que tem se debrucado sobre questoes que envolvem o tempo livre, a partir de diversas orientacoes e vertentes, interessados, principalmente, na forma como esse tempo se insere nas relacoes entre os individuos e grupos.

No Brasil, duas correntes teoricas principais tem exercido notavel influencia nos estudos a respeito da tematica. A primeira delas e representada pelo frances Joffre Dumazedier (1973), considerado o criador da sociologia do lazer e com uma producao vastissima a respeito do tema. O teorico define o lazer a partir da nao-obrigatoriedade das acoes nele realizadas e considera tres funcoes basicas que caracterizam esse tempo: o descanso, a diversao e o desenvolvimento. Em seus estudos, recebe destaque uma visao do lazer essencialmente como elemento compensatorio das tensoes geradas no mundo do trabalho, o que acabou lhe rendendo criticas (Bonato et al., 2012; Franch, 2000; Padilha, 2006).

Sob outra perspectiva, Norbert Elias e Eric Dunning (1996) apontam o lazer como fenomeno fundamental para o viver social e ressaltam a busca pela excitacao e o relativo descontrole das emocoes como caracteristicas principais que estao no cerne dessas atividades. Os autores definem com maior clareza as relacoes existentes entre os conceitos de lazer e tempo livre, sendo o tempo livre definido como o tempo liberado do trabalho ocupacional e o lazer, por sua vez, compreendendo as atividades de carater recreativo que podem ser realizadas nesse periodo. Nesse sentido, o tempo livre e, entao, por eles compreendido a partir de tres categorias: (a) rotinas do tempo livre (beber, comer, limpar a casa, etc.); (b) atividades intermediarias de tempo livre (trabalhos comunitarios, cursos, atividades religiosas, etc.); e, por fim, as (c) atividades recreativas (jogos de futebol, festas, reunioes de carater formal e informal, viagens, etc.).

Na literatura, sao encontradas diversas formas de classificar as atividades realizadas no tempo livre. Brenner, Dayrell e Carrano (2005) sugerem que elas sejam divididas em: atividades de lazer e entretenimento; atividades dentro de casa; atividades esportivas e atividades culturais. Franch (2000), por sua vez, apresenta diferentes classificacoes para apreender as diversas facetas que permeiam esse tempo: atividades individuais ou sociais; atividades realizadas dentro de casa e atividades de rua; e, ainda, atividades para matar, ocupar ou aproveitar o tempo. Outra classificacao bastante corrente e a de Formiga, Ayrosa e Dias (2005) que dividem as atividades em: hedonistas, ludicas e instrutivas.

No ambito do tempo livre/lazer juvenil, os pesquisadores que se dedicam a tematica (Abramo, 2005; Bonato et al., 2012; Brenner et al., 2005; Carrano, 2003; Franch, 2000; Marques, Dell'Aglio, & Sarriera, 2009; Martins, Trindade, Menandro, & Nascimento, 2014; Miranda, Filho, & Santiago, 2014; Prates, 2012; Sarriera, Tatim, Coelho, & Bucker, 2007; Sebenello, Keitel, & Kleba, 2016) tem destacado essa dimensao como uma das vias mais frutiferas para se compreender as diversas vivencias juvenis na contemporaneidade. Sao momentos fundamentais para o exercicio de suas sociabilidades, para a elaboracao de suas multiplas identidades e, ainda, por propiciar o desenvolvimento de praticas proprias, ritos, simbologias e modos de ser que os diferenciem (Brenner et al., 2005).

Os usos que os jovens fazem de seu tempo livre tem muito a nos revelar: sobre sua relacao com os contextos em que estao inseridos, sobre suas escolhas (ou falta delas), seus desejos, sonhos e projetos de vida. Contudo, quando falamos no tempo livre de jovens de baixa renda, duas linhas de pensamento principais vem sendo usualmente exploradas nos estudos: (a) a ideia de um tempo ocioso, caracterizado pela falta de opcoes de escolha e, logo, em que nao ha muito que fazer; e tambem como (b) tempo propicio ao risco, afinal, ja que nao ha muitas perspectivas para o seu uso, torna-se mais "facil" envolver-se em situacoes "erradas" e "perigosas". Como percebeu Franch (2010), em pesquisa com jovens da periferia de Recife, a expressao jovem de risco faz parte ate mesmo do vocabulario dos proprios jovens, que dizem ja estar acostumados com essa denominacao, comumente utilizada nos programas que atuam em suas comunidades, nos grupos que participam ou nas reportagens apresentadas pela midia. De modo geral, ha uma tendencia em se enxergar o tempo livre de jovens de classes populares sob uma otica pessimista, ressaltando as carencias que permeiam seu cotidiano, tais como, a falta de equipamentos de lazer adequados, a precariedade de seus espacos de convivio, a falta de lacos afetivos com suas familias, as baixas expectativas de futuro, etc. (Sebenello et al., 2016).

Tudo isso contribui para que se perpetuem visoes reducionistas desses jovens, que os colocam a priori em uma condicao de "problema" e quase sempre abordam o seu tempo livre sob um ponto de vista dicotomico: ora como oportunidade (quando ocupado de forma planejada e estruturada) ora como risco (quando distante de uma nocao de controle), desconsiderando, assim, a diversidade de experiencias que podem ser vivenciadas por esses jovens. Como explicam Bonato et al. (2012), estamos diante de um campo muito complexo para que possamos reduzi-lo a riscos ou oportunidades. Os autores apontam, entao, para a necessidade de se investir em pesquisas que considerem as multiplas variaveis que envolvem o tempo livre juvenil, buscando compreender nao so os diversos sentidos que lhes sao atribuidos como tambem o contexto sociocultural em que tais praticas se inserem.

Diante desse panorama, o presente estudo, de carater quantitativo, buscou conhecer os usos do tempo livre entre jovens de classes populares e, para tal, realizou um levantamento das atividades de tempo livre que fazem parte do cotidiano desses jovens, seu acesso a meios digitais e a sua participacao em grupos. Nao e intencao desta pesquisa perpetuar paradigmas preestabelecidos a respeito dos jovens de camadas populares, mas permitir que se ampliem as possibilidades de se enxergar esses jovens. Nesse sentido, pretende-se discutir os resultados encontrados a partir dos diversos significados que lhes podem ser atribuidos, distanciando-se, assim, de uma visao pessimista que tem se naturalizado nas representacoes a respeito da tematica.

Metodo

Participantes

A amostra foi composta por 291 jovens, sendo 155 do sexo feminino e 136 do sexo masculino, residentes, em sua maioria, em bairros de baixo nivel socioeconomico, estudantes da 1a a 3a serie do ensino medio em escolas publicas da Regiao Metropolitana da Grande Vitoria, ES. Optou-se por investigar jovens frequentadores do ensino medio por entendermos que a permanencia na escola traz reflexos importantes para seu desenvolvimento e acaba sendo percebida como uma caracteristica protetiva em suas vidas.

Em relacao a faixa etaria, foram investigados jovens de 15 a 19 anos (M = 16,3; DP = 1,09), sendo 24,4% com 15 anos; 34,7% com 16 anos; 24,4% com 17 anos; 13,1% com 18 anos; e 3,1% com 19 anos. Do total de participantes, 49,8% (n= 145) se declararam como pardos, 24,4% (n= 71) se declararam brancos, 21% (n= 61) se declararam negros e 4,5% (n = 13) com outra identidade racial (amarelos, indigenas).

Instrumento

Foi adotado como instrumento para a coleta de dados a 2a versao do Questionario da Juventude Brasileira (Dell'Aglio, Koller, Cerqueira-Santos & Colaco, 2011), elaborado para a segunda etapa do Estudo Nacional sobre Fatores de Risco e Protecao na Juventude Brasileira, vinculado a Associacao Nacional de Pesquisa e Pos-Graduacao em Psicologia (ANPEPP). O questionario e constituido por 77 questoes de multipla escolha em diferentes modelos (dicotomicas, multiplas alternativas, formato Likert de cinco pontos, etc.) e aborda aspectos relacionados as tematicas de familia, saude, sexualidade, violencia, preconceito, educacao, lazer, acesso digital, autoestima, autoeficacia e perspectivas para o futuro (Dell'Aglio et al., 2011). No presente estudo, foram utilizados os dados referentes a caracterizacao dos jovens participantes, suas vivencias de lazer e tempo livre, bem como seu acesso a meios digitais e participacao em grupos.

Procedimentos de Coleta de Dados

Para a coleta de dados, foram sorteadas aleatoriamente escolas da rede publica da Regiao Metropolitana da Grande Vitoria, ES. Inicialmente, a partir de calculo amostral, estimou-se a participacao de 350 jovens e um total de oito escolas investigadas. Contudo, apos contato previo com a coordenacao das instituicoes sorteadas e apresentacao dos objetivos do estudo, alcancou-se o numero de seis escolas participantes e um total de 291 jovens.

Apos aprovacao da coordenacao, os alunos foram contatados em sala de aula e convidados a participar da pesquisa, sendo garantida a voluntariedade da participacao, o sigilo das informacoes pessoais e a possibilidade de desistencia a qualquer momento. Os pais dos alunos que concordaram com a participacao de seus filhos assinaram um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e os jovens assinaram um Termo de Assentimento.

Os questionarios foram aplicados em sala de aula, de forma coletiva, por duas pesquisadoras acompanhadas por auxiliares treinados para aplicacao do instrumento. As coletas tiveram duracao media de 60 minutos. O projeto foi aprovado pelo Comite de Etica da universidade sob o n. 281/10.

Procedimentos de Analise de Dados

Foram realizadas analises estatisticas dos dados coletados com o auxilio do software SPSS. Primeiramente, fez-se uma analise descritiva a fim de mapear as atividades de tempo livre dos jovens investigados, seu acesso a meios digitais e participacao em grupos (medias, desvio-padrao, frequencias e percentuais). Posteriormente, utilizou-se o teste do qui-quadrado com a finalidade de verificar as possiveis diferencas no uso do tempo livre considerando as variaveis: sexo, renda e trabalho. O nivel de significancia adotado foi de p <0,05.

Apresentacao dos Resultados

A tabela 1 apresenta dados relativos a caracterizacao dos participantes, com as porcentagens de repostas encontradas em relacao as variaveis renda, itens que tem em casa, composicao familiar e religiao.

Observa-se que a maior parte da amostra possui renda mensal de, aproximadamente, um a tres salarios minimos (49,6%) e vive com os dois progenitores (48,6%), em um arranjo classico.

Em relacao ao grau de escolaridade dos pais, a maioria possui ensino medio completo, sendo que os pais (30,7%) apresentam uma leve vantagem em relacao as maes (29,2%). No que diz respeito ao trabalho, 34,7% dos jovens investigados disseram estar trabalhando, atuando, principalmente, como office-boys, secretarias e profissionais de informatica, etc. (13,2%) ou ainda em comercio, lojas, mercados (5,9%), sendo que somente 16,3% alegaram trabalhar com carteira assinada.

De modo a conhecer os usos do tempo livre entre os jovens investigados, perguntamos o que eles costumam fazer quando nao estao estudando ou trabalhando--questao com multiplas alternativas e que permitia mais de uma resposta. A opcao Navegar na internet apareceu como uma de suas maiores preferencias, seguida pelas opcoes Assistir TV e Ouvir ou tocar musica como a segunda e terceira atividades mais realizadas, respectivamente. Entre os interesses de lazer menos frequentes aparecem Jogar/brincar e tambem Desenhar/pintar/artesanato (Tabela 2).

Em relacao ao uso da internet (atividade mais realizada entre os participantes), 92,8% da amostra alegou ter acesso a rede, sendo que esse acesso se da principalmente na propria casa (81,4%), seguido de lan houses (18,2%), escola (13,5%), trabalho (12%) e, com menor porcentagem, em outros locais (6,9%), tais como, casa de amigos e/ou parentes ou ate mesmo atraves do celular--que parece estar de fato inserido no cotidiano desses jovens, ja que uma parcela expressiva da amostra (82,3%) alegou possuir o aparelho, especialmente, no modelo pre-pago. Questionados sobre os motivos que os levam a utilizar a internet--questao de multipla escolha, sendo possivel assinalar mais de uma resposta--93,5% dos participantes alegaram que utilizam a rede para fazer trabalhos escolares, 91% para se comunicar com amigos (atraves de facebook, msn, orkut, e-mail, etc.), tambem com frequencia significativa aparecem as opcoes baixar musicas, jogos ou filmes (79,8%), navegar em sites de seu interesse (68%), jogar (53,6%) e, em menor proporcao, comprar coisas (20,6%) e a producao de conteudo, atraves da criacao de blogs (15,2%).

Foram realizadas, ainda, analises com a finalidade de verificar as possiveis diferencas no uso do tempo livre considerando as variaveis: sexo, renda e trabalho. No que diz respeito ao genero, de um modo geral, os meninos e meninas participantes da pesquisa apresentaram preferencias bastante similares. As diferencas significativas foram encontradas nas atividades Passear e Ler livros, revistas, quadrinhos com porcentagens mais altas para as meninas e Praticar esportes e Jogar/brincar com porcentagens mais altas para os meninos (Tabela 3).

Em um comparativo entre as atividades de lazer de jovens que trabalham e nao trabalham, observaram-se porcentagens significativamente mais altas nas atividades Namorar, Ir a festas, Ler livros, revistas, quadrinhos e Desenhar/pintar/ artesanato entre os jovens que nao trabalham (Tabela 4).

Em relacao a renda, as diferencas significativas aparecem nas opcoes Navegar na internet, Cinema ou teatro e Ir a festas, sendo que, quanto maior a renda familiar em salarios minimos, maior a frequencia dessas atividades (Tabela 5).

Quanto a participacao em grupos de lazer, uma parcela significativa da amostra (49,1%; n= 143) alegou participar ativamente em algum tipo de grupo, sendo, em sua maioria, integrantes de grupos religiosos (18,9%), seguidos pela participacao em equipes esportivas (18,2%), grupos musicais (12,7%), danca e teatro (8,9%) e, em menor grau, grupos de trabalho voluntario (3,4%), grupos politicos (2,4%), gremios estudantis (2,1%) e grupos de escoteiros (0,7%).

Discussao

Os jovens investigados apresentaram participacao significativa na maior parte das atividades que lhes foram apresentadas (Tabela 2), sendo que mais da metade da amostra alegou realizar pelo menos sete das 12 atividades propostas. Ao nos voltarmos para o perfil dessas atividades, observamos que elas se encaixam em diferentes classificacoes e, ate mesmo, em mais de uma delas simultaneamente. A opcao assistir TV, por exemplo, pode tanto ser uma atividade individual (quando se esta assistindo sozinho) como social (quando todos da familia se reunem para assistir uma determinada programacao); namorar pode ser uma atividade realizada tanto em casa como na rua, praticar esportes pode ser ao mesmo tempo algo ludico e instrutivo e ha, ainda, a atividade navegar na internet que possibilita a interacao com diversos amigos atraves da rede. Assim, mais do que tentar enquadrar os usos do tempo livre em classificacoes, e importante perceber que as formas de apropriacao desse tempo nao sao estaticas, lineares e nem sempre podem ser divididas em intervalos regulares. Elas podem sim, e muitas vezes acontecem, quase que de maneira simultanea, formando uma verdadeira "teia", em que uma interage com a outra. Basta olharmos para as diversas atividades que podem ser realizadas atraves de um aparelho celular, por exemplo: ao mesmo tempo em que se esta escutando uma musica, e possivel enviar uma imagem para o(a) namorado(a) e interagir com os amigos nas redes sociais.

No que diz respeito as principais atividades de lazer realizadas pelos participantes (navegar na internet, assistir TV e ouvir ou tocar musica), estas tambem tem aparecido de maneira significativa em outros estudos relacionados a tematica, sendo as opcoes assistir TVe ouvir ou tocar musica bastante correntes (Barros, Coscarelli, Coutinho & Fonseca, 2002; Brenner et al., 2005; Esculcas & Mota, 2005; Franch, 2000; Marques et al., 2009; Sarriera et al., 2007), enquanto o uso da internet aparece com maior frequencia em estudos mais recentes (Martins et al., 2014; Miranda et al., 2014; Passarelli, Junqueira, & Angeluci, 2014; Pfeifer, Martins, & Santos, 2010; Spizzirri, Wagner, Mosmann, & Armani, 2012; Viana et al., 2011).

Ressalta-se que as tres atividades se desenvolvem prioritariamente no espaco domestico. Para Castro e Abramovay (2002), o fato da maioria das praticas de lazer de jovens de baixa renda estarem circunscritas ao espaco da casa indica a falta de espacos de lazer e cultura em suas comunidades. Essa ideia e tambem defendida pelos autores Dimenstein et al. (2005) e Miranda et al. (2014), que destacam a necessidade de se ampliar as iniciativas publicas voltadas para essas comunidades, visando, principalmente, a construcao de espacos recreativos em seus ambientes de convivio. Mesmo reconhecendo que os jovens de periferia contam com poucos espacos para sua recreacao, Franch (2000) segue outra direcao e aponta as casas como elementos importantes no ambito do tempo livre juvenil, abrigando muitas atividades, que nao necessariamente precisam ser solitarias ou carentes de interesse para os jovens. Segundo a autora, a logica consumista que impera em nossa sociedade nos faz acreditar que ficar em casa e sinonimo de tedio e aborrecimento, o que nao deve ser tomado como verdade. As casas podem se transformar, muitas vezes, em lugar de encontro social, seja para reunir os amigos, receber o(a) namorado(a), assistir um filme na TV, tocar algum instrumento musical, compartilhar o computador, etc. objetos que aparecem integrados ao contexto domestico, servindo como suportes as praticas de sociabilidade e tambem como alternativas para o tempo livre.

Outro ponto importante esta relacionado a caracteristica de simultaneidade que permeia a pratica dessas atividades. Em pesquisa americana realizada pela Forbes em 2012, constatou-se que 45% das pessoas que assistem TV estao manuseando alguma outra tela em paralelo, seja o computador ou o celular. No Brasil, pesquisa similar, realizada pela Interactive Advertising Bureau, apontou que 61% das pessoas fazem o mesmo (Araujo, 2012). Passarelli et al. (2014) chamam atencao para a multiconectividade dos jovens, que estao em constante interacao com diversos meios e plataformas de comunicacao de forma simultanea.

A reducao progressiva de um tempo verdadeiramente livre de obrigacoes nos induz a acreditar que e preciso viver o maximo de experiencias possiveis em um curto espaco de tempo. Alem disso, estar sempre conectado a algum tipo de midia significa estar integrado a uma dinamica propria do mundo contemporaneo e a populacao jovem, em especial, quer fazer parte dessa dinamica. A impressao e de que esta sempre acontecendo alguma coisa, em algum lugar, que e preciso saber o que e.

Presenca quase obrigatoria nos lares, a televisao aparece em grande parte das pesquisas como uma das principais formas de apropriacao do tempo livre entre os jovens (Barros et al., 2002; Bonato et al., 2012a; Franch, 2000; Marques et al., 2009; McHale, Updegraff, Kim, & Cansler, 2009; Miranda et al, 2014; Oliveira, 2015; Sarriera et al., 2007). Em relacao aos aspectos positivos e negativos proporcionados pela atividade, os estudos apresentam posicoes divergentes, com maior enfase para a segunda opcao. Para Franch (2000), o foco principal dessa atividade esta na sua capacidade de promover reunioes familiares e encontros de amigos, seja para assistir uma novela, filme, jornal ou mesmo um jogo de futebol. Contudo, nem sempre a televisao e abordada como atividade com engajamento positivo. Em seu estudo, Vandewater, Bicham e Lee (2006) lamentam que grande parte dos jovens americanos percam tanto tempo com a televisao. Para os autores, o tempo gasto com a TV ocorre em detrimento de outras atividades, como, por exemplo, o contato com pais e parentes, a leitura e o engajamento em atividades criativas. Oliveira (2015), em pesquisa com jovens de classe media, encontrou correlacao negativa entre a atividade assistir TVe as perspectivas de futuro dos jovens, demonstrando ser uma atividade muito realizada por aqueles que apresentam menores perspectivas. Estudos apontam tambem o fato de essa atividade ocorrer com frequencia de forma isolada e muitas vezes sem a supervisao dos pais, o que nao favorece o desenvolvimento social dos jovens e pode gerar comportamentos antissociais (Mahoney & Stattin, 2000; Sinha, Cnaan, & Gelles, 2007).

A preferencia pela atividade ouvir ou tocar musica aparece com frequencia nos estudos brasileiros (Barros et al., 2002; Brenner et al., 2005; Marques et al., 2009; Martins, 2014; Miranda et al, 2014; Oliveira, 2015; Pfeifer et al., 2010; Sebenello et al., 2016) e foi tambem encontrada em estudos europeus (Cloes, Ledent, Didier, Diniz, & Pieron,1997; Santos, Gomes, Ribeiro, & Mota, 2005; Telama, Naul, Nupponem, Richtecky, & Vuolle, 2002). De modo geral, os estudos destacam o importante papel exercido pela musica na construcao das identidades juvenis e como forma de pertencimento a um grupo. Trata-se de uma das principais prioridades de consumo dos jovens, que muito mais do que apenas ouvir musicas, cultivam idolos, adquirem posteres e revistas musicais, assistem programas, consomem camisetas, bolsas, etc. Nesse sentido, perpetua-se, no cenario musical contemporaneo, uma infinidade de bandas destinadas aos jovens e tambem produzidas por eles, reforcando ainda mais o papel da musica como meio de autodefinicao e como um dos componentes principais das culturas juvenis (Franch, 2000; Martins et al., 2014).

A utilizacao da internet, assim como a TV e a musica, ja figura como uma atividade cotidiana entre os jovens de classes populares (Miranda et al., 2014; Pfeifer et al., 2010; Spizzirri et al., 2012; Viana et al., 2011). Em pesquisa do instituto Data Popular, realizada em 2006, 56% dos domicilios de bairros populares possuiam acesso a internet, hoje esse numero tende a ser ainda mais expressivo. Estamos lidando com uma geracao de jovens que cresce em um mundo marcado por um significativo desenvolvimento tecnologico. Sao jovens nativos da linguagem digital dos computadores, dos celulares e da internet, que longe de verem esses elementos como uma ameaca, consideram-nos como ambientes naturais em suas experiencias cotidianas. Por esse motivo, sao muitas vezes os proprios jovens que introduzem os aparatos digitais em suas casas e tendem a ter um desempenho superior que o dos adultos nesses aparelhos (Cabra-torres & Marciales-vivas, 2009; Prensky, 2001; Spizzirri et al., 2012).

Estudos recentes apontam, ainda, que o maior acesso a rede entre jovens de baixa renda se deve, principalmente, a um processo de inclusao digital que vem ocorrendo em varias cidades, a partir, sobretudo, de subsidios governamentais que tem contribuido para baratear essa tecnologia e ampliar o acesso das classes menos favorecidas (Miranda et al., 2014; Pfeifer et al., 2010; Silveira, 2005; Spizzirri et al., 2012). Alem disso, a progressiva reducao nos precos dos computadores e celulares nos ultimos anos gera nao so uma rapida descartabilidade desses produtos, como tambem contribui para elevar as possibilidades de sua aquisicao (Spizzirri et al., 2012). Vale ressaltar que, em pesquisa com jovens de classes populares, realizada por Marques et al. em 2009, a opcao navegar na internet aparecia somente em nono lugar, como uma atividade realizada por 27,8% dos jovens investigados.

Ainda que se perceba uma ampliacao do acesso entre as classes populares, como indicam os proprios resultados da presente pesquisa, ha certas particularidades quanto as formas de consumo dessas midias que precisam ser consideradas (Barros, 2009; Dutra-Thome & Koller, 2014; Yaccoub, 2011). Em estudo realizado com jovens de classe alta e classe popular no Rio Grande do Sul, Dutra-Thome e Koller (2014) constataram que os jovens de classe alta apresentaram porcentagens significativamente maiores de acesso a bens como celulares de conta, TV a cabo e internet em casa e na escola se comparados aos de classes mais baixas. Entre os jovens aqui investigados, observa-se que o consumo de celulares e muito mais significativo nos modelos pre-pagos e que o acesso a internet ocorre, principalmente, em casa e em lan houses.

Como explica Barros (2009), muito mais do que simples artefatos tecnologicos, objetos como o computador e o celular possibilitam ao individuo de baixa renda inserir-se na sociedade, o que a autora denomina como consumo de pertencimento. Dai o grande interesse desses individuos em adquirir produtos eletronicos, que os conferem uma sensacao de inclusao e os fazem sair de uma situacao de invisibilidade. Sarti (2003) destaca que os discursos da carencia e da falta, tao comuns em relacao as camadas populares, tendem a considera-las automaticamente como classes nao consumidoras, no entanto, elas sao sim consumidoras, mas participam de outras formas dos circuitos de consumo. Desenvolvem-se, nesses grupos, mecanismos adaptados como tentativa de integrar-se a sociedade de consumo, assim, por exemplo, divide-se um ponto da internet entre varias casas de modo a baratea-la, adquirem-se celulares de uma mesma operadora ou com mais de um chip em busca de menores tarifas nas ligacoes, frequenta-se lan houses para acessar a internet, entre outros.

Em relacao aos efeitos positivos proporcionados pela internet, os estudos apontam, principalmente, a ampliacao das formas de interacao dos pares e destacam que, cada vez mais, os jovens tem utilizado a rede para realizar diversas atividades de seu cotidiano: estudar, namorar, conhecer pessoas, ter acesso a informacao e conhecimento, desenvolver habilidades e talentos, etc. (Marques et al., 2009; Passarelli et al., 2014; Spizzirri et al., 2012). Contudo, os autores apontam tambem que o facil acesso a uma infinidade de conteudos na rede pode trazer riscos e alertam para a necessidade de se regular e orientar a sua utilizacao e, ainda, incentivar o desenvolvimento de modos criativos de relacionamento com essa tecnologia (Downs, 2011; Marques et al., 2009).

Voltando-se para as diferencas de genero nos usos do tempo livre entre os jovens investigados, observa-se uma predominancia significativamente maior dos meninos em atividades desenvolvidas prioritariamente no ambiente da rua (praticar esportes e jogar/brincar), o que tambem aparece nos estudos de Franch (2000), Sarriera et al. (2007), Bonato et al. (2012) e Miranda et al. (2014). Franch explica que, principalmente para os meninos, que possuem maior liberdade para circular pelo espaco publico, as ruas se constituem como espacos polivalentes, onde inumeras atividades se desenvolvem. E o local para o encontro de amigos, paqueras, jogos de bola, etc., um espaco privilegiado para o lazer cotidiano. Cabe salientar, porem, que o avanco constante da violencia tem restringido consideravelmente o uso desses espacos, impedindo que essas atividades se desenvolvam com maior frequencia e por um numero mais expressivo de jovens (Sebenello et al, 2016).

Em relacao a preferencia masculina pela pratica esportiva, Gaspari e Schwartz (2001) argumentam que, em nossa sociedade, o esporte e culturalmente associado a determinadas caracteristicas que se identificam com a masculinidade--competitividade, agressividade e prestigio pessoal. Complementando essa ideia, Melo, Giavoni e Troccoli (2004) apontam que essa preferencia pode ser entendida como um padrao socialmente esperado, ja que os estereotipos sexuais de genero, de certa forma, influenciam os comportamentos masculinos e femininos. Nesse sentido, ainda que se note uma maior participacao feminina nesse universo nos ultimos anos, a imagem do esporte vinculada ao comportamento masculino acaba afastando muitas mulheres de sua pratica. Como exemplificam Souza e Altmann (1999), basta observarmos as quadras esportivas das escolas, que durante o periodo de recreio e horarios livres sao quase exclusivamente ocupadas pelos meninos. Outro ponto importante a ser considerado e o fato de o esporte ser utilizado nas politicas publicas como "principal arma" para tirar o jovem do risco, o que faz com que a pratica esteja muito presente nos programas desenvolvidos em bairros populares, onde atraem, especialmente, os meninos dessas comunidades (Rodrigues & Scarparo, 2012).

Passear e ler livros, revistas e quadrinhos foram as atividades que apresentaram porcentagens significativamente mais altas entre as meninas da amostra. Ler livros tambem aparece em outros estudos, tanto nacionais (Barros et al., 2002; Bonato et al., 2012; Carvalho & Machado, 2006; Oliveira, 2015; Sarriera et al., 2007) como internacionais (Athenstaedt, Mikula, & Bredt, 2009; McHale et al., 2009), como uma preferencia feminina. Marques et al. (2009) ressaltam a importancia dos momentos de leitura por neles estarem implicitos reflexao, conhecimento de si e desenvolvimento de habilidades intelectuais, sociais e afetivas. A opcao passear, por sua vez, nao e comumente encontrada em pesquisas com meninas de classe popular, que acabam, em sua maioria, desenvolvendo atividades circunscritas ao espaco domestico, onde e possivel exercer maior vigilancia (Franch, 2000) e tambem pelo fato de ser uma atividade que quase sempre exige um maior investimento financeiro. Contudo, em pesquisa recente de Miranda et al. (2014), a atividade tambem apareceu como sendo mais significativa para meninas. Como explicam Sarriera et al. (2007), esses passeios, geralmente, ocorrem na propria comunidade, no bairro ou em pracas e parques publicos. Autores como Franch (2000), Martins et al. (2014) e Sebenello et al. (2016) destacam, ainda, que um passeio muito comum entre os jovens e a visita a casa de amigos, uma importante forma de sociabilidade e de fortalecimento das relacoes de amizade, principalmente entre as meninas, ainda sob a forte tutela dos pais.

Diferencas significativas no uso do tempo livre tambem foram encontradas entre jovens que trabalham e nao trabalham. De modo geral, os jovens que nao trabalham possuem mais tempo para usufruir de momentos de lazer e acabam tendo participacao significativamente maior em algumas atividades, tais como namorar (o que exige certa dedicacao de tempo ao namorado/a) e ir a festas (ja que nao ha preocupacao com jornadas de trabalho e/ou compromissos profissionais). Por outro lado, o fato de disporem de maior tempo livre parece tambem estar sendo utilizado como forma de aperfeicoamento pessoal e desenvolvimento de habilidades para esses participantes, dai se dedicarem mais as atividades ler livros, revistas e quadrinhos e desenhar/ pintar/artesanato.

Esses dados corroboram, de alguma forma, o que foi encontrado em estudo que comparou a relacao entre o trabalho e a vida escolar de jovens trabalhadores e naotrabalhadores de varias cidades do pais (Dutra-Thome, Pereira, & Koller, 2016). Os autores verificaram, em uma amostra de 7425 jovens, que aqueles que trabalhavam tiveram um engajamento escolar inferior aos jovens que nao trabalhavam. Alem disso, a partir dos resultados encontrados, pode-se inferir que os jovens trabalhadores possuiam menos horas de sono e tambem menos tempo disponivel para recreacao e lazer, considerada uma importante dimensao para o seu desenvolvimento.

As diferencas encontradas em relacao a variavel renda indicam uma maior participacao dos jovens com melhor poder aquisitivo em atividades culturais e recreativas e tambem no acesso a tecnologia. Yaccoub (2011), em pesquisa em um bairro popular do municipio de Sao Goncalo-RJ, deixa claro que, mesmo se tratando de um local considerado de classe popular, e possivel observar uma hierarquia interna no bairro, sendo alguns lugares e pessoas mais prestigiosos que outros. A autora pode perceber formas de distincao e de legitimidade sendo construidas dentro do proprio grupo, pautadas, principalmente, nas diferencas entre os que podiam e nao podiam comprar determinado objeto, ou ainda, entre aqueles que moravam no "pedaco bom" e os que moravam no "morro". Entre os jovens de nossa pesquisa, observamos que o poder aquisitivo um pouco melhor acaba sendo significativo para sua participacao em determinadas experiencias de lazer que estao imersas na logica da sociedade de consumo: ir a festas, ao cinema, teatro, navegar na internet, dados similares aos encontrados por Dutra-Thome e Koller (2014) em sua pesquisa com jovens de classe alta e classe popular. Tratase de atividades que, na maioria das vezes, demandam um maior investimento financeiro e acabam se tornando eventos raros no cotidiano de jovens com renda mais baixa. De forma geral, ha nas cidades poucos espacos publicos para o lazer e os eventos culturais nem sempre contam com a abrangencia adequada e acabam ficando ainda muito restritos aos grupos mais privilegiados, o que indica a necessidade de se investir na criacao de politicas que ampliem as esferas publicas democraticas de cultura e lazer (Brenner et al., 2005; Miranda et al., 2014).

Outro dado importante diz respeito a participacao expressiva dos jovens investigados em grupos. E no grupo que os jovens trocam ideias, constroem amizades, compartilham gostos, visoes e estilos de vida. De acordo com Marques et al. (2009), o engajamento em atividades desenvolvidas em associacoes religiosas, projetos sociais ou mesmo na propria comunidade tem sido compreendido como favorecedor de um desenvolvimento positivo.

Franch (2000), por sua vez, alerta que e preciso ter cautela quando falamos nos grupos organizados por projetos sociais em comunidades de baixa renda, pois, para a autora, estes ainda se encontram muito atrelados a ideia de livrar os jovens do mundo do crime e acabam, muitas vezes, reduzindo-se a uma perspectiva de controle e ocupacao do tempo. Contudo, ainda que apresentem problemas, Franch enfatiza que o papel desses projetos nao pode ser completamente desprezado, afinal sao eles, muitas vezes, que dao sentido a vida dos jovens e abrem-lhes um novo campo de possibilidades. Entre os jovens da amostra, destaca-se a participacao em grupos religiosos (18,9%) que vem sendo apontada na literatura como efetiva protecao (Amparo et al., 2008; Koenig, McCullough, & Larson, 2001; Whitehead, Wilcox, & Rostosky, 2001). Ao estudar aspectos relacionados a religiosidade e identidade positiva na adolescencia, Marques, Cerqueira-Santos e Dell'Aglio (2011) concluiram que a participacao dos jovens em comunidades religiosas parece prover fortes redes de apoio social e influenciar positivamente o seu desenvolvimento.

Consideracoes Finais

O presente estudo investiu em uma analise de diferentes fatores que influenciam as formas de apropriacao do tempo livre entre jovens de baixa renda. Nesse sentido, buscou-se reconhecer as diversas caracteristicas que permeiam suas atividades, entendendo que nao so a condicao economica deve ser considerada como definidora das praticas no ambito do tempo livre, mas tambem, que ha outros aspectos envolvidos nesse processo, tais como genero, meio em que vivem, gostos, estilos de vida, grupos de que participam, entre outros.

Dessa maneira, os resultados apontam algumas questoes importantes que devem ser destacadas: primeiramente, a significativa participacao da internet como uma importante forma de sociabilidade e interacao dos grupos, inclusive na classe popular, como ja aparece em outras pesquisas mais recentes, e tambem, o fato de que as atividades de tempo livre desses jovens nao devem ser compreendidas de forma estatica e linear, mas a partir dos diversos sentidos que lhes podem ser atribuidos.

Por fim, gostariamos de ressaltar que estamos lidando com dados quantitativos, o que exige cautela em nossas interpretacoes, sendo, entao, recomendavel o emprego de outras tecnicas metodologicas para maximizar a validade dos resultados. Contudo, ainda que existam limitacoes, este estudo contribui para literatura ao trazer elementos importantes presentes no tempo livre de jovens de classes populares e demonstra a importancia da continuidade dessas pesquisas para que se ampliem diferentes perspectivas a respeito dessa categoria.

Os dados contribuem, ainda, para a criacao e implantacao de politicas publicas que de fato estejam integradas com as reais necessidades desses jovens. Mais do que ocupar um tempo considerado potencialmente perigoso, e preciso atuar nas potencialidades de cada realidade. E necessario distanciar-se de uma perspectiva de resolucao de problemas e oferecer programas e acoes que partam das demandas dos proprios jovens, que promovam a integracao e fortalecimento dos grupos em que estao inseridos e, finalmente, que visem incentivar sua autonomia, protagonismo e criatividade.

doi: http://dx.doi.org/10.1590/0102.3772e324215

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Recebido em 24.06.2014

Primeira decisao editorial em 12.08.2016

Aceito em 12.08.2016

Manoela Pagotto Martins Nodari (1)

Edinete Maria Rosa

Celia Regina Rangel Nascimento

Valeschka Martins Guerra

Universidade Federal do Espirito Santo

(1) Endereco para correspondencia: Predio Professor Lidio de Souza, Centro de Ciencias Humanas e Naturais, Universidade Federal do Espirito Santo, Av. Fernando Ferrari, 514, Goiabeiras, Vitoria, ES, Brasil. CEP. 29.075-910. E-mail: manu_pagotto@yahoo.com.br
Tabela 1. Caracterizacao dos participantes

Porcentagem entre as respostas validas (%)

Renda         Ate 1 SM*    De 1 a 3 SM     De 3 a 5 SM    Mais de 5 SM
familiar         6,8           49,6           29,1            14,5

Itens que         TV        Geladeira       Radio/som      Computador
tem em casa      99,3          98,9           87,9            84,1

Composicao     Nuclear     Monoparental   Reconstituida      Outros
familiar         48,6          29,3           13,8            8,3

Religiao      Evangelica     Catolica     Sem religiao       Outras
                 43,4          32,4       (cre em Deus)    religioes
                                              18,3            12,0

Nota. *S.M. = Salario Minimo

Tabela 2. Frequencias e percentuais gerais de respostas por atividades
de tempo livre

Atividades                   Frequencia (N)   Porcentagem (%)

Navegar na internet               239              84,5
Assistir TV                       238              84,1
Ouvir ou tocar musica             223              78,8
Descansar                         174              78,8
Cinema ou teatro                  151              61,5
Passear                           150              53,4
Namorar                           142              53,0
Ir a festas                       135              50,2
Ler livros, revistas ...          134              47,7
Praticar esportes                 121              42,8
Jogar/brincar                     107              37,8
Desenhar/pintar/artesanato         49              17,3

Tabela 3. Frequencias e percentuais das atividades de tempo livre por
sexo

Atividade (N=283*)       N (%)      N (%)        [chi square]
                        Meninos     Meninas         (gl), p

Passear                60 (21,2)   90 (31,8)   04,01 (1), p<0,05
Ler livros, revistas   43 (15,2)   91 (32,2)   18,68 (1), p<0,05
Praticar esportes      83 (29,3)   38 (13,4)   45,12 (1), p<0,05
Jogar/brincar          65 (23,0)   65 (23,0)   15,95 (1), p<0,05

Nota. *Numero total de respostas na questao

Tabela 4. Frequencias e percentuais das atividades de tempo livre
entre jovens que trabalham e nao trabalham

Atividade (N=280*)       N(%)       N(%)Nao      [chi square]
                       Trabalham   trabalham       (gl), p

Namorar                58 (20,7)   81 (28,9)   6,11 (1), p<0,05
Ir a festas            56 (20,0)   78 (27,9)   5,80 (1), p<0,05
Ler livros, revistas   38 (13,6)   94 (33,6)   3,78 (1), p<0,05
Desenhar/pintar ...    10 (3,6)    38 (13,6)   4,87 (1), p<0,05

Nota. *Numero total de respostas na questao

Tabela 5. Frequencias e percentuais das atividades de tempo livre por
renda

Atividade (N=114*)      N(%)      N(%)         N(%)
                      Ate 1 SM   1 a 3 SM   Mais de 3 SM

Navegar na internet   1 (0,9)    45 (39,5)   47 (40,3)
Cinema ou teatro      3 (2,6)    25 (21,9)   36 (31,6)
Ir a festas           2 (1,8)    21 (18,4)   33 (28,9)

Atividade (N=114*)      [chi square]
                           (gl), p

Navegar na internet   31,20 (3), p<0,05
Cinema ou teatro      09,45 (3), p<0,05
Ir a festas           11,71 (3), p<0,05

Nota. *Numero total de respostas na questao
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Title Annotation:ARTIGO ORIGINAL
Author:Nodari, Manoela Pagotto Martins; Rosa, Edinete Maria; Nascimento, Celia Regina Rangel; Guerra, Vales
Publication:Psicologia: Teoria e Pesquisa
Date:Oct 1, 2016
Words:7949
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