Printer Friendly

Territory and territoriality: a study about the gang youths in Boa Vista. Roraima State, Brazil/Territorio e territorialidade: um estudo sobre as gangues de jovens em Boa Vista. Estado de Roraima, Brasil.

1. Introducao

Em Dantas e Morais (2008), a discussao sobre territorio esta presente em diferentes areas do conhecimento cientifico, desde a Etologia, da qual surgiram as formulacoes iniciais sobre territorialidade, passando pela Historia, Ciencia Politica, Antropologia e Sociologia, ate aportar na Geografia, na qual se constitui um dos conceitos basicos. Ao perpassar esses diferentes campos, o conceito assume uma enorme polissemia, posto que cada area sintetiza um enfoque a partir de uma determinada perspectiva.

Para as autoras, no ambito da propria Geografia, as diferentes definicoes de territorio atestam essa condicao, cujos sentidos variam de uma abordagem juridica, social e cultural, e mesmo afetiva, na qual a problematizacao se ancora em aspectos vinculados a relacoes que a sociedade estabelece com a natureza, mediadas por mecanismos de apropriacao, dominacao, ocupacao ou posse de uma fracao do espaco. Dessa relacao emerge a fragmentacao do espaco com distintas funcoes, cuja organizacao, gestao, manutencao ou, mesmo, reorganizacao conjugarao interesses dos atores envolvidos.

Segundo Hasbaert (2004), o vinculo mais tradicional na definicao de territorio e aquele que faz a associacao entre territorio e os fundamentos materiais do Estado. Dentre os geografos que se destacam nessa perspectiva, encontra-se Ratzel (1897; apud Moraes, 2000), que assinala que o territorio pode ser entendido como um espaco qualificado pelo dominio de um grupo humano, sendo definido pelo controle politico de um ambito espacial. Para este autor, no mundo moderno ha areas de dominacao estatal e, mais recentemente, estatal nacional, sendo impossivel compreender o incremento da potencia e da solidez do Estado sem considerar o territorio. Na obra de Santos (1996), o espaco geografico, sinonimo de territorio usado, e definido como um conjunto indissociavel de sistemas de objetos e sistemas de acoes, e a analise do territorio enfatiza a sua funcionalizacao e o seu conteudo tecnico. Tais aspectos explicitam a base materialista de fundamentacao economica presente em sua concepcao de territorio.

Os conceitos de territorio e territorialidade, no sentido de espaco ou area definida e caracterizada por relacoes de poder, estao interligados. A nocao de poder, dominio ou influencia de varios agentes (politicos, economicos e sociais) no espaco geografico expressa a territorialidade, dai a afirmacao <entrar em territorio alheio poder ser considerada uma afronta>. O territorio e o espaco que sofre o dominio desses agentes e a forma como eles moldaram a organizacao desse territorio chamamos territorialidade (Ratzel, 1897; apud Moraes, 2000).

De acordo com Ferreira e Penna (2005), tradicionalmente a violencia abrange as acoes de natureza criminal como roubos, furtos, latrocinios, homicidios etc. Atualmente aquelas, vem-se somar os atos que ferem os direitos humanos, como os de natureza sexual, maus-tratos, discriminacao de genero e de raca, englobando nao apenas a agressao fisica, mas tambem situacoes de humilhacao, exclusao, ameacas, desrespeito.

As autoras afirmam ainda que a problematica da violencia em nossas cidades nao se resume a uma questao quantitativa pelo numero de pessoas atingidas; e a abrangencia e a complexidade do fenomeno, na atualidade, o que mais preocupa. E a nova faceta da criminalidade ligada ao crime organizado que gera inseguranca nos cidadaos, interfere no territorio e se torna um poder paralelo ao do Estado.

Para Ferreira e Penna (2005), a busca de solucoes para um dos problemas que mais aflige aos citadinos e absorve as atencoes dos politicos e administradores das cidades demandam um esforco de entendimento, que aponte rumos para uma pratica eficiente de combate e/ou de prevencao. Faz-se necessario atentar para os diferentes aspectos da complexidade da violencia de nossos dias, confrontando as diversas abordagens e assimilando novos olhares que complementem os ja existentes. E nesse sentido que se coloca a presente contribuicao a discussao da problematica, mostrando como a violencia, tratada sob diferentes enfoques, se territorializa no processo de producao e reproducao desse espaco urbano.

Assim como na investigacao de Ferreira e Penna (2005), esta pesquisa tambem enfoca a violencia de um ponto de vista geografico, isto e: a territorialidade; a formacao do territorio da violencia, reduto de poder do crime organizado que dai comanda sua atuacao na cidade, seu exercito formado pela populacao excluida que se liga a rede da droga e da contravencao. Considera-se, tambem aqui, a violencia em todas as suas manifestacoes e tomam-se como dado os crimes contra a pessoa, <homicidio, lesao corporal>, crimes contra o patrimonio, <furto, roubo> etc., embora o tipo de violencia mais relevante seja sempre aquela que cotidianamente termine em morte, por que, a morte revela a violencia levada ao extremo.

Este artigo tem por objetivo analisar as condicoes em que ocorre a transmissao da violencia urbana pelas gangues <galeras> em Boa Vista, capital do estado de Roraima, Brasil. Busca-se, tambem, avaliar de que forma ela interfere na construcao e reconstrucao do territorio e na origem e formacao desses grupos. Nesse sentido, temos o seguinte questionamento: Qual e a relacao entre o jovem e o espaco, vivenciado por ele? As gangues <galeras> estudadas foram: Top Love, umas das mais violentas gangues da cidade, os Galinhas, arque rivais dos Top Love, os DDR (Donos Da Rua), galera essa que fornece drogas na zona oeste, os Atritos, a menor gangue, porem muito respeitada pelos outros grupos, e os Cruviana, uma gangue formada por pequenos grupos de jovens do bairro Cruviana.

Este estudo proporcionou uma reflexao quanto a territorialidade e a violencia de grupos de jovens, as praticas dessas violencias e o surgimento delas, com o qual se espera contribuir para uma melhoria na qualidade de vida desses jovens, com vistas a formacao de futuros cidadaos mais criticos e reflexivos sobre suas acoes.

Compreender as identidades territoriais e as territorialidades presentes na producao do espaco urbano por grupos de gangues <galeras> na cidade de Boa Vista (RR), Brasil, acrescentado a perspectiva da violencia entre essas gangues tambem foram focos de nosso estudo.

2. Materiais e metodo

Os procedimentos metodologicos consistiram em quatro etapas basicas:

a) levantamento bibliografico da literatura disponivel (Abranches et al., 1989; Carlos, 1994; Diogenes 1998; Haesbaert, 2004; Hall, 1966; Le Berre, 1995; Lefebvre, 1978; Raffestin, 1993; Soja, 1971; Santos, 1996; Saquet, 2010; Wacquant, 2003, entre outros), para ordenacao e conhecimento da area de estudo;

b) elaborou-se e aplicou-se ainda, seis (6) questoes com perguntas fechadas para identificar a percepcao sobre o territorio e da territorialidade junto a 100 jovens envolvidos em gangues, da zona oeste de Boa Vista-Roraima. Esta etapa de coleta de informacoes em campo foi realizada no mes de abril de 2014. Os questionarios foram entregues aos lideres ou indicados por membros das faccoes, que responderam as questoes propostas e devolvidas ao pesquisador;

c) etapa de campo na qual foram coletadas ainda, informacoes atraves de imagens e fotografias do local estudado;

d) fase laboratorial na qual foi realizada a analise dos dados e a sua interpretacao. A coleta de informacoes de ambito socioeconomico foi obtida junto aos orgaos oficiais de controle e gestao tanto a nivel municipal, quanto estadual e federal, como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE), a Secretaria Municipal de Planejamento (SEPLAN).

Apos a aplicacao dos questionarios, esses foram armazenados em um banco de dados criado especificamente para atender a pesquisa, utilizando-se o aplicativo Microsoft Excel 2010, para o tratamento das informacoes coletadas, bem como a producao de material bibliografico, utilizou-se da infraestrutura e tecnicas de geoprocessamento da Universidade Federal de Roraima (UFRR).

2.1. Fundamentacao teorica

De acordo com Raffestin (1993), o territorio e uma construcao conceitual a partir da nocao de espaco. Com isso pretende fazer uma distincao entre algo ja <dado>, o espaco (na condicao de materia prima natural e um produto resultante da moldagem pela acao social dessa base) e o territorio (um construto, passivel de uma formalizacao e/ou quantificacao).

O territorio e, assim, a base fisica de sustentacao locacional e ecologica, juridicamente institucionalizado do Estado Nacional. Contem os objetos espaciais, naturais e/ou construidos, na condicao de instrumentos exossomaticos, para reproducao de uma identidade etnico-socio-cultural.

O conceito de territorialidade foi definido em 1920 por um ornitologo ingles, Howard, como sendo <a conduta caracteristica adotada por um organismo para tomar posse de um territorio e defende-lo contra os membros de sua propria especie>. Raffestin (1993) e Le Berre (1995) atestam essa origem no campo das ciencias naturais, na area da etologia. Soja (1971) faz uma discussao critica das tentativas de se traduzir para o ambito humano comportamentos espaciais proprios dos animais.

Ressalte-se, no entanto, nessa linha, o esforco de Hall (1966), atraves do conceito de <proxemics> ou proxemia, um refinamento da territorialidade animal, que define uma especie de envoltorio ou bolha invisivel que delimita espacos individuais, atuando como uma linguagem silenciosa, acompanhando os individuos como <territorios> portateis pessoais e cujo limite varia segundo a percepcao e uso do espaco enquanto um componente cultural especializado.

Para Soja (1971: 19), no ambito da conotacao politica da organizacao do espaco pelo homem, a territorialidade pode ser vista como <<um fenomeno comportamental associado com a organizacao do espaco em esferas de influencia ou de territorios claramente demarcados, considerados distintos e exclusivos, ao menos parcialmente, por seus ocupantes ou por agentes outros que assim os definam>>. Ainda Soja (1971: 19), argumenta que <<ao nivel individual, por exemplo, uma das mais claras ilustracoes da territorialidade humana pode ser encontrada na forma como no Ocidente se estabeleceu a propriedade privada da terra>>.

Raffestin (1993) considera que a territorialidade e mais do que uma simples relacao homem-territorio, argumentando que para alem da demarcacao de parcelas individuais existe a relacao social entre os homens. Dessa forma, a territorialidade seria um conjunto de relacoes que se originam num sistema tridimensional sociedade-espaco-tempo em vias de atingir a maior autonomia possivel, compativel com os recursos do sistema. Considerando-se a dinamica dos fatores envolvidos na relacao, seria possivel a classificacao de varios tipos de territorialidade, desde as mais estaveis as mais instaveis.

As concepcoes naturalistas de territorio reduzem a territorialidade ao seu carater biologico; consideram a propria territorialidade humana como moldada por um comportamento instintivo ou geneticamente determinado. Nesse sentido, e importante refletir ate que ponto e possivel conceber uma definicao naturalista de territorio (Saquet, 2010).

O espaco e perene e o territorio e intermitente. Territorio e territorialidade tem essas definicoes para a compreensao destes conceitos da ciencia geografica, pois sofreu a influencia da filosofica contemporanea aplicando ao territorio como forma de re-territorializacao, povoamento e a desterritorializacao, trabalhando a ideia de territorio como uma relacao entre fluidez e rigidez (Fernandes, 2005).

2.2. Gangues <<galeras>> de jovens: a violencia nossa de cada dia

A expressao <galera> tem sido cada vez mais popularizada em Boa Vista (RR) para qualificar turmas de jovens. De modo geral, os meios de comunicacao local, a policia e o imaginario social tomam gangue <galera> e turma de jovens envolvidas em acoes delituosas como termos correlatos, nao fazendo distincao entre: as consideradas formas legitimas> de agregacao juvenil, que levam os jovens a estarem juntos por interesses bem alheios a violencia, mas que nao os impedem de cometer transgressoes e delitos; e as <formas delinquentes> de agregacao, nas quais a transgressao e violencia sao norma.

A observacao de turmas de jovens na periferia de Boa Vista colocou-se diante de uma realidade que revela tenues diferencas que marcam experiencias da constituicao e vivencia desses grupos. Ainda que os jovens compreendessem exatamente a que tipo de grupo se referia quando lhes perguntava sobre a existencia de gangues <galeras> em Boa Vista (RR), ou sobre a sua participacao em alguma delas, o efeito produzido na expressao era tal que, em muitos casos, jovens que diziam, num primeiro momento, fazer parte de uma gangue a recusavam, pela impregnacao do aspecto pejorativo do conceito.

Os meios de comunicacao desempenham um papel de extrema importancia em Boa Vista na vulgarizacao do termo galera, dando enfase continua a agressividade e a violencia dos seus integrantes. Alem disso, na difusao das percepcoes a elas relacionadas, e cada vez mais comum que crimes, assaltos, roubos, brigas, enfim, delitos e agressoes envolvendo jovens sejam atribuidos as acoes de galeras, pouco importando se o delito tenha sido ou nao cometido a titulo individual.

Uma turma de jovens reunida se transforma numa galera, o jovem de bone e bermudas largas passa a ser membro de uma galera, a troca de insultos entre adolescentes na porta da escola se transmuta em desafio entre galeras rivais. A violencia das gangues e sempre apresentada com relatos exagerados, apimentados, tingidos de bastante sangue.

Segundo os entrevistados, ha um sutil limite que poderia significar pertencer a uma gangue ou a uma galera: uma galera e uma turma unida de amigos que costumam sair juntos para se divertir, para <curtir>, ir a festas <piseiro>, shows, que se reunem para ouvir musica, conversar, consumir drogas, estando sempre prontos para defender e proteger uns aos outros: <<O que rola para um, rola para todos>> afirma um adolescente entrevistado.

As galeras, descritas desse modo, possuem elementos que sao caracteristicos das gangues, que tambem sao formadas por grupos de amigos que se unem com esses mesmos propositos, que se auto protegerem, mas que acrescentam a razao de estarem juntos: as brigas e rivalidades com outros grupos, a defesa de um territorio, o objetivo explicito de roubar, assaltar ou cometer algum delito. A violencia e a transgressao sao apontadas pelos jovens como elementos diferenciadores entre gangue e galera, mas o que chama a atencao e um fato, ja assinalado por Diogenes (1998) em sua pesquisa sobre gangues e galeras na cidade de Fortaleza: <toda gangue e uma galera, mas nem toda galera e gangue>.

2.3. Caracterizacao da area de estudo: historico e localizacao dos bairros e das gangues de jovens

A pesquisa foi realizada com os jovens de gangues <galeras> nos bairros Pintolandia, Santa Luzia, Equatorial, Senador Helio Campos, Cruviana e Silvio Botelho, todos localizados na zona oeste da cidade de Boa Vista, estado de Roraima, Brasil (Figura 1).

Esses bairros foram escolhidos porque se localizam na zona oeste de Boa Vista que concentra a maioria da populacao de baixa renda da cidade. Ha muitos jovens desempregados e sem estudar, por isso, ficam ociosos durante muito tempo, formando, assim, os grupos de galeras ou <galerosos> como sao conhecidos na cidade.

Os bairros Pintolandia, Dr. Silvio Botelho, Santa Luzia e Senador Helio Campos fazem parte de um dos maiores loteamentos destinados a populacao de baixa renda em Roraima. Desenvolvido pelo entao governador Ottomar de Sousa Pinto, o projeto, que visava doar terrenos, materiais de construcao e ate mesmo casas para migrantes, ficou conhecido como Pintolandia.

A regiao cresceu tanto que foi dividida em Pintolandia I, II, III e IV. No final da decada passada, a nomenclatura destes bairros mudou. O primeiro permanece como Pintolandia, o segundo passou a se chamar Dr. Silvio Botelho, o terceiro e Santa Luzia e o quarto recebeu o nome de Senador Helio Campos.

As diferencas no historico do bairro Santa Luzia e que, ao contrario do que ocorreu no Pintolandia e Dr. Silvio Botelho, onde casas de alvenaria e madeira foram doadas, os inscritos recebiam de acordo com a pesquisa qualitativa da Secretaria Municipal de Gestao Social (SEMGE), um lote de terra e um 'kit construcao', que continha quatro duzias de tabuas, uma duzia de pernas-mancas (caibro que sustenta as telhas), cinco sacos de cimento e 40 telhas. Tais materiais eram suficientes para construir uma moradia de 3m x 3m.

Este material foi recebido por Maria das Neves de Jesus (52) costureira. Depois de oito meses morando de aluguel em uma estancia no bairro Sao Vicente, Maria das Neves, que havia chegado de Santarem, no Para, se inscreveu na Secretaria de Estado do Trabalho e Bem-Estar Social (SETRABES) e foi sorteada. <<Em dois dias eu e o meu marido fizemos o barraco e viemos com os nossos filhos morar aqui>>, ela relembra, acrescentando que, apesar da fama, nao considera a regiao violenta e se habituou ao local onde reside.

A energia eletrica, na epoca, era proveniente de <gato> e a agua era adquirida com moradores dos bairros vizinhos. Segundo a costureira, que mora na rua S 17, as ligacoes eletricas foram feitas com arame farpado. Porem, por volta de 1994, a agua foi canalizada com ajuda dos proprios moradores, que cavaram as valas para por os canos, e a eletricidade foi regularizada.

E relevante destacar que, esses bairros tambem foram focos de invasoes e a pressao policial para impedir as ocupacoes ilegais foi grande. Em uma destas acoes, em 1994, barracos foram destruidos, contudo, apesar disso, muitas familias permaneceram morando na regiao. Hoje, estes bairros contam com 36.965 pessoas, o que faz dele a regiao mais populosa de Boa Vista.

Ja os bairros Equatorial e Cruviana tem suas origens peculiares. As terras onde hoje se localiza o bairro Equatorial pertenciam a proprietario particular e em meados da decada de 80 foram adquiridas pelo governo do ex-territorio. A ocupacao da extensa area foi rapida e logo houve a divisao dos aglomerados em Equatorial I (atual Dr. Silvio Botelho), II (hoje e o Alvorada) e III (permaneceu com a denominacao inicial).

O bairro Cruviana surge atraves de um programa social em que faz parte os tres entes federativos, intitulado <Minha casa Minha vida>. Aproximadamente cinco mil familias se inscreveram no periodo de maio a dezembro de 2010, depois foram pre-selecionadas e mil tiveram o cadastro aprovado pela Caixa Economica Federal.

Em Boa Vista sempre houve grupos de gangues, mas no decorrer da historia da capital, muitos grupos foram desaparecendo e outros surgindo. Na zona oeste, area mais nova, este processo se repetiu. Atualmente temos cinco gangues ou <galeras>: Top Love, Galinhas, DDR (Donos Da Rua), Atritos e Cruviana.

A gangue Top Love surgiu aproximadamente em fevereiro de 2010; sua formacao inicial era apenas garotas que se organizavam para falar de seus relacionamentos amorosos, fazer brincadeiras em redes sociais. So que aos poucos foi entrando jovens do sexo masculino, o grupo passou a se reunir nas esquinas da Avenida N-11 e bares da regiao. Comecaram a usar drogas, fazer pequenos furtos, roubos (assaltos) e a entrar em confronto com outros grupos. Hoje, os Top Love contam com aproximadamente 120 (cento e vinte) galerosos. O grupo conta com uma extensa ficha criminal, inclusive com homicidios. Sua area de atuacao comeca na S-24 ate S-37 (Sul/norte) e da Avenida Ataide Teive ate a Isidio Galdino de Freitas, antiga N-21 (leste/oeste), bairros Silvio Botelho e Santa Luzia. A faixa etaria e de 10 (dez) a 19 (dezenove) anos.

A gangue dos Galinhas surgiu aproximadamente em abril de 2009; os precursores desta galera foram garotas que moravam na antiga S-12, Pintolandia. Elas eram conhecidas como <galinhas>, que significava meninas faceis, meninas que ficam com qualquer pessoa. O grupo tinha por objetivo se relacionar com o maximo de garotos possiveis.

Com o passar do tempo foi incorporando jovens do sexo masculino, passaram a usar drogas, a se encontrarem no Bar do Quebra Molas, na Av. Lauro Pinheiro Maia, antiga N-11, bairro Pintolandia, diga-se de passagem, ate hoje, esse bar e ponto de encontro desses jovens. Atualmente praticam crimes de furtos, roubos, homicidios, agressoes e confrontos com seus principais rivais, os Top Love. A idade desse grupo varia de 10 (dez) a 21 (vinte e um) anos e tem em torno de 130 (cento e trinta) membros.

A gangue DDR (Donos Da Rua) e a gangue mais antiga da zona oeste; surgiu em meados do ano de 2004. E um grupo muito violento; pratica homicidios e nao ha relatos de outros crimes; e tambem fornecedor de drogas para as gangues da zona oeste. Seus membros sao muito discretos e nao tao jovens como as outras gangues <galeras>. Seu territorio se mistura com os Galinhas e Top Love.

A gangue Atritos e a menor gangue da zona oeste da capital e tem um pequeno territorio que fica inserido dentro da area da gangue dos Galinhas. A rua de atuacao dos Atritos e a N-15, N16, S-14 e S-15, bairros Senador Helio Campos e Pintolandia. Sobre a origem desta Gangue nao ha relatos, mais segundo os membros tem aproximadamente 3 (tres) anos. Nao existe presenca feminina entre os seus membros e a faixa etaria e entre 12 (doze) e 17 (dezessete) anos. O grupo conta com 24 membros.

A gangue Cruviana e a mais nova de todas. Sua area de atuacao e o proprio bairro e tem aproximadamente 60 (sessenta) membros. A faixa etaria e de 11 (onze) a 19 (dezenove) anos. Tem varias garotas como membros. Cometem furtos, roubos e dano ao patrimonio. Ha registros de varios combates envolvendo a gangue Cruviana com grupos do bairro Equatorial e Conjunto Cidadao.

3. Resultados e discussoes

Os dados coletados foram tabulados e convertidos em graficos no intuito de ilustrar os resultados da pesquisa. Foram entrevistados 100 (cem) jovens, escolhidos aleatoriamente entre as gangues, sendo trinta (30) da gangue dos Galinhas, trinta (30) dos Top Love, vinte (20) dos Cruvianas, dez (10) dos Donos Da Rua (DDR) e dez (10) dos Atritos. A tematica das perguntas foi direcionada para questoes simples, fechadas, num total de 6 (seis) questoes objetivas.

A entrevista foi realizada entre os dias quatro (4) e dezoito (18) de abril de 2014 com os jovens membros das gangues <galeras> conhecidos como Top Love, Galinhas, DDR (Donos da Rua), Atritos e Cruviana, situados nos bairros Pintolandia, Santa Luzia, Equatorial, Senador Helio Campos, Cruviana e Silvio Botelho, todos da zona oeste de Boa Vista (RR). Com isso buscou-se mostrar, de forma objetiva, uma caracterizacao geral do envolvimento destes jovens em violencia e suas relacoes sociais, tambem no que se refere ao entendimento e percepcao desses entrevistados sobre em qual territorio que estao inseridos. Alem disso, o questionario destacou aspectos e perfis destas gangues <galeras> e seus territorios, transcrevendo em dados para melhor discussao sobre a violencia e territorio dessas gangues 'galeras'.

Assim, quando perguntado sobre <o que levou voce a ser membro de gangue (galera)> constatou-se que 60 % (sessenta per cento) disseram que sofre influencia de amigos, 14 % (quatorze per cento) para cometer crimes, 12 % (doze per cento) para se sentir importante no bairro, 8 % (oito per cento) para se sentir protegido, enquanto que 6 % (seis per cento) responderam <outros> (Figura 2).

A maioria dos jovens entrevistados assume que sao influenciados por amigos. Assim como o espaco urbano e produzido pelos agentes sociais, sao produto, meio e condicao (Carlos, 1994), de forma excludente, desigual e injusta, mais, por outro lado, coerente com a logica dominante. As pessoas se deixam influenciar por grupos sociais daquele territorio, ainda mais os jovens, que para serem inseridos no meio de outros jovens, devem compartilhar de ideias do momento. A partir dai teremos a genese das gangues <galeras>.

As alternativas <para se sentir protegido, para se sentir importante no bairro, para cometer crimes e outros> somaram juntas 40 % (quarenta per cento), significando que fatores alem da amizade torna-se motivo para se reunir em grupo. Mais dentre tais respostas, a que mais preocupa e a <para cometer crimes>, somando 14 % (quatorze per cento). Sao elementos que veem o crime como diversao, algo prazeroso.

O Estado tem que agir de forma eficaz relacionado a esses jovens, dando opcoes e oportunidade a essas pessoas. Porque se a autoridade publica, ao se omitir das obrigacoes elementares em decorrencia do colapso do Estado no contexto social, <entrega as ruas e as favelas ao imperio da violencia e da lei do mais forte> (Abranches et al., 1989). Complementando o questionamento da figura anterior, foi perguntado <voce tem medo de morrer em combate com gangues rivais (galeras)?> as respostas foram que 70 % (setenta per cento) disseram que sim, em contra ponto, 30 % (trinta per cento) disseram que nao (Figura 3).

Observamos que a grande maioria tem medo de morrer em combate com gangues rivais. Ai fica a pergunta, se a maioria tem medo da morte em confrontos com o inimigo, por que entram e fazem parte das gangues? As respostas podem ser as mais variadas possiveis. Mais uma e certa, a influencia de amigos e papel preponderante na hora de participar de gangues <galeras>. Segundo Abranches et al. (1989), as raizes da violencia urbana possuem uma matriz multifatorial que abrange duas dimensoes diferentes: a social e a moral. Essas dimensoes se manifestam no macro e no microambiente social e espacial. O plano macro e caracterizado pela institucionalidade vigente, pela ordem publica constituida, onde se realiza os processos gerais da urbanizacao brasileira.

O microambiente e dado pela estrutura da convivencia nas comunidades locais, e se realiza produzindo e consumindo um determinado espaco. No microambiente socioespacial se articulam as condicoes locais favoraveis a apropriacao desses espacos pelas ideias criminosas. Tem-se entao a formacao do territorio da violencia, onde ter medo ou nao da morte vira rotina. Outra questao trabalhada foi <voce usa drogas?> As respostas foram nesta sequencia: Crack com 45 % (quarenta e cinco per cento), em seguida maconha com 33 % (trinta e tres per cento), cola de sapateiro ou similares, somente alcool e outros, todos ficaram com 7 % (sete per cento). Com 1 % (um per cento), a cocaina, (Figura 4).

O resultado demonstra claramente o nivel social desses jovens, visto que 78 % (setenta e oito per cento) usam maconha e crack. Sao drogas mais acessiveis, tanto pelo baixo custo na sua producao como pelo poder de dependencia quimica causada ao usuario. Em contra ponto temos a cocaina, droga com custo muito elevado para os padroes desses jovens. A farinha <cocaina> que eles chamam, custa em torno de R$ 50 (cinquenta reais), ja a maconha custa apenas R$ 3 (tres reais), que eles chamam de <um dolar>. E a pedra <crack>, assim e conhecida, custa entre R$ 5 (cinco reais) a R$ 10 (dez reais).

A maconha causa ao usuario euforia, sonolencia, sentimento de felicidade, risos espontaneos, sem motivo algum, perda de nocao do tempo, espaco, de coordenacao motora, equilibrio, fala, aceleramento do coracao, podendo levar ao ataque cardiaco, momento temporario de inteligencia, fome, olhos vermelhos e outras caracteristicas.

Ja o crack e bem pior; sua dependencia e mais rapida que da maconha e seus efeitos no organismo humano e mais intenso, atingindo principalmente o sistema nervoso central. O crack e o resto, a borra, sobra da producao da cocaina. Cinco a sete vezes mais potente do que a cocaina, o crack e tambem mais cruel e mortifero do que ela. Possui um poder avassalador para desestruturar a personalidade, agindo em prazo muito curto e criando enorme dependencia psicologica. Assim como a cocaina, nao causa dependencia fisica, o corpo nao sinaliza a carencia da droga e leva a obito o usuario em menos de um ano.

O que se observa tambem no resultado e que o consumo de cola de sapateiro e similares, ainda e utilizado pelos jovens. Outro dado interessante e que tem jovens galerosos que somente usa alcool, droga essa aceita socialmente. Na resposta <outros> subentendem que tambem tem jovens que nao usa nenhum tipo de droga, fato esse descritos por alguns jovens ouvidos. Outra questao, bem mais sensivel e complexa, perguntou <Ja matou alguem em confronto de gangues (galera)?>, e a resposta foi que 83 % (oitenta e tres per cento) disseram que nao, em quanto 17 % (dezessete per cento) disseram que sim (Figura 5).

A questao traz um dado interessante, onde 17 % (dezessete per cento) sao reus confessos, ou seja, aproximadamente 60 membros de galeras ja cometeram homicidio, um crime de natureza grave, demonstrando assim, o grau de violencia desses grupos.

A questao seguinte <Quais sao os crimes que voces mais cometem?>, temos a seguinte sequencia: furtos e roubos 41 % (quarenta e um per cento), ou seja, a grande maioria disse que cometeram estes crimes, lesao corporal com 23 % (vinte e tres per cento), venda de drogas 14 (quatorze per cento), homicidio 12 % (doze per cento), arrombamentos e outros com 4 % (quatro per cento), dano ao patrimonio publico com apenas 2 % (dois per cento), (Figura 6).

Sobre os crimes perguntados, temos quatro modalidades de infracoes: crimes contra o patrimonio, a saber, furtos e roubos e arrombamentos, crimes contra a vida, homicidio e lesao corporal, crime contra a saude publica, <venda de drogas> e crimes contra o patrimonio publico.

A lesao corporal e resultado dos combates envolvendo as gangues, que quando se intensificam chagam a causar mortes, no caso os homicidios. Esses dois delitos contra a vida correspondem a 35 % (trinta e cinco per cento), significa algo preocupante para as autoridades de seguranca publica, tem buscar alternativas para evitar esses confrontos reduzindo combates e consequentemente a reducao desses crimes.

O crime de dano ao patrimonio publico e o que ocorre com menos frequencia; a explicacao pode se dar pela ausencia de bens publicos nessas areas, tambem pela falta de estrutura e obras publicas nesses bairros. A ultima questao trabalhada foi <Como e feita a demarcacao do territorio da sua gangue (galera)?>. As respostas foram que <Pichacao com nome da gangue> teve 60 % (sessenta per cento), grande maioria. Em seguida foi <Pichacao com a sigla da gangue> com 22 % (vinte e dois per cento) e <Outros meios> com 18% (dezoito per cento), (Figura 7).

Os resultados respondem por que a maioria das gangues da zona oeste de Boa Vista (RR) utiliza o nome da galera, pois as duas maiores gangues sao os Galinhas e os Top Love. Gangues 'galeras' essas tem nomes curtos. Temos gangues que utiliza siglas, por exemplo, os DDR (Donos Da Rua). Gangue que conta com poucos integrantes e que tem um territorio pequeno.

As gangues que aterrorizam esses bairros estao utilizando na maioria das vezes as escolas para marcar territorio. Em varias escolas publicas podem ser vistas, nas paredes, os nomes, siglas das gangues <galeras>. Segundo o comandante do 2. batalhao da Policia Militar, Tenente Coronel Maia, a policia iniciou um trabalho de repressao a atuacao dessas gangues, no entanto elas continuam agindo, provocando, assim, terror e medo a populacao desses bairros.

4. Consideracoes finais

Compreender as identidades territoriais e as territorialidades presentes na producao do espaco urbano por grupos de gangues <galeras> na cidade de Boa Vista estado de Roraima, Brasil, acrescentado a perspectiva da violencia entre essas gangues, mapear as gangues <galeras> presentes na zona oeste desta cidade e identificar as relacoes conflituosas e conflitantes das gangues nas suas diversas areas de atuacao, foram os objetivos desta investigacao.

A investigacao foi interessante e importante porque pode perceber quem sao e como agem os grupos de gangues e galeras de Boa Vista. Na pesquisa de campo, o contato com essas gangues <galeras> foi essencial para estabelecer uma relacao de confiabilidade no processo de discussao das respostas, mesmo as questoes sendo com opcoes, o examinado teve liberdade para dar resposta de suas vidas e convivios As referencias bibliograficas foram importantes para enriquecer e dar cientificidade do proposito da pesquisa. Trazendo respostas e implicacoes epistemologicas para quem tenha vontade de buscar retornos para esta problematica hoje enfrentada pela sociedade roraimense, mais precisamente na sua capital Boa Vista.

E preciso que a violencia urbana, como fenomeno biopsicossocial, nao seja vista como algo que acomete unicamente alguns territorios em funcao de determinadas peculiaridades que se fazem presentes, em especial nos locais de maiores carencias sociais. Ela e um fenomeno que faz parte da humanidade integrando a consciencia historica pessoal dos individuos. Esta presente em todo e qualquer setor da vida humana e nao pode ser combatida a partir de conceitos ideologicos, mas de acoes que contemplem todos os estudos necessarios ao seu conhecimento e origens, quer no campo conceitual geral, quer na particularizacao de determinados fenomenos que se acentuam em algumas sociedades.

Os jovens infratores membros das gangues <galeras> nao devem ser vistos simplesmente como inimigos da sociedade boa vistense, conforme muitas vezes sao postas publicamente em jornais locais. Eles nao sao somente causa da violencia, mas consequencia dela e, por isto, precisam ser conhecidos quanto as suas condicoes e necessidades.

Quando nos deparamos diante das situacoes de enfrentamento e combate a violencia e que precisam ser resolvidas por imposicao da lei e do interesse individual ou coletivo. A violencia das gangues deve ser encarada como algo que esta sempre presente na vida desses meliantes que atuam na area oeste da capital e que ela e, na maioria dos casos, tal como se apresenta, em outros locais sociais. O que e necessario para a solucao da violencia nesses territorios, e a efetiva presenca da policia, pela sua legalidade que impoe a defesa da sociedade e dos proprios jovens infratores. Nao deve ser confundida e nem generalizada como o unico ato ou meio de resolucao dos conflitos envolvendo os membros de galeras. Por fim, a solucao de problemas de seguranca publica nao afeta unicamente as gangues ou as <galeras>, mas todos os segmentos da sociedade que precisam envolver-se nas questoes da violencia, pois fazemos parte dela. Isto e, todos nos temos que ter a consciencia da importancia que cada um representa socialmente, uma responsabilidade na solucao dos conflitos e a conducao do melhor convivio em seu territorio.

5. Referencias citadas

ABRANCHES, S. H.; SANTOS, W. G. e M. A. COIMBRA. 1989. Politica Social de combate a pobreza. Jorge Zahar. Rio de Janeiro, Brasil.

CARLOS, A. F. 1994. A (Re) producao do espaco urbano. Editora da Universidade de Sao Paulo (Edusp). Sao Paulo, Brasil.

DANTAS, E. M. e I. R. D. MORAIS. 2008. Territotio e territorialidade: abordagens conceituais. Disciplina: Organizacao do Espaco: Versao do Professor. Programa Universidade a Distancia-UNIDS. Aula 7. Universidade Federal do Rio Grande do Norte e Universidade Estadual da Paraiba, Brasil.

DIOGENES, G. 1998. Cartografias da cultura e da violencia: gangues, galeras e movimento hip hop. Annablume, Fortaleza. Secretaria da Cultura e Desporto, Fortaleza (CE). Sao Paulo, Brasil.

FERNANDES, B. M. 2005. <<Movimentos socioterritoriais e movimentos socioespaciais>>. Observatorio Social de America Latina, 16: 273-284.

FERREIRA, I. C. B. e N. A. PENNA. 2005. <<Territorio da violencia: um olhar geografico sobre a violencia urbana>>. Espaco e Tempo. Geousp, 18: 155-168.

HAESBAERT, R. 2004. O mito da desterritorializacao: do fim dos territorios a multiterritorialidade. Bertrand. Rio de Janeiro, Brasil.

HALL, E. T. 1966. A Dimensao Oculta. Livraria Francisco Alves. Rio de Janeiro, Brasil.

LE BERRE, M. 1995. <<Territoires. Encyclopedie de Geographie>>. Em: Economica. pp. 601-622. Paris, France.

LEFEBVRE, H. 1978. The survival of capitalism: reproduction of the relations of production. (2.a ed.). Allison&Busby. London, UK.

MORAES, A. C. 2000. Bases da formacao territorial do Brasil: o territorio colonial brasileiro no longo seculo XVI. Hucitec. Sao Paulo, Brasil.

RAFFESTIN, C. 1993. Por uma Geografia do Poder. Atica. Sao Paulo, Brasil.

SOJA, E. W. 1971. The political Organization of Space. AAG Commission on College Geography. Washington, D.C., USA.

SANTOS, M. 1996. Da Totalidade ao Lugar. Editora da Universidade de Sao Paulo (Edusp). Sao Paulo, Brasil.

SAQUET, M. A. 2010. Abordagens e concepcoes de territorio. (2.a ed.). Expressao Popular. Sao Paulo, Brasil.

WACQUANT, L. 2003. Punir os pobres: a nova gestao da miseria nos Estados Unidos. (2.a ed.). Editora Revan. Rio de Janeiro, Brasil.

Artur Rosa Filho

Rodeval Marques Andrade Sousa

Universidade Federal de Roraima, Departamento de Geografia, Boa Vista (Estado de Roraima), Brasil. artur.filho@ufrr.br

rodevalmarques@hotmail.com

RECIBIDO: junio, 2015 ACEPTADO: diciembre, 2015

Caption: Figura 1: Mapa de localizacao da atuacao das gangues <galeras> presentes na zona oeste de Boa Vista, estado de Roraima (RR), no contexto urbano. (Imagem SIVAM/adaptacoes 2014). Elaboracao: Rodeval Marques com adaptacoes
Figura 2 Caracterizacao geral do envolvimento
dos jovens integrantes das galeras. Elaboracao:
questionario aplicado aos integrantes das <<gangues>> galeras

O que levou voce a ser membro de gangue <galera>?

Influencia de amigos                  60 %
Outros                                6 %
Para cometer crimes                   14 %
Para se sentir importante no bairro   12 %
Para se sentir protegido              8%

Note: Table made from pie chart.

Figura 3 Situacao dos integrantes
das galeras em questao do medo
de morrer, nos confrontos

Voce tem medo de morrer em combate
com gangues rivais <galeras>?

Sim   70 %
Nao   30 %

Note: Table made from pie chart.

Figura 4 Relacao ao consumo de drogas.
Elaboracao: questionario aplicado aos
integrantes das <<gangues>> galeras

Voce usa drogas?

Maconha                          33 %
Cocaina                          1 %
Crack                            45 %
Cola de sapateiro ou similares   7 %
Somente alcool                   7 %
Outros                           7 %

Note: Table made from pie chart.

Figura 5 Envolvimento com assassinatos. Elaboracao: questionario
aplicado aos integrantes das <<gangues>> galeras

Ja matou algem em confronto de gangues <<galera>>?

Sim   17 %
Nao   83 %

Note: Table made from pie chart.

Figura 6 Crimes que as galeras mais cometem.
Elaboracao: questionario aplicado aos integrantes
das <<gangues>> galeras

Quais sao os crimes que voces mais cometem?

Homicidio                    12 %
Lesao corporal               23 %
Outros                       4 %
Furtos e roubos              41 %
Venda de grogas              14 %
Arrombamentos                4 %
Dano ao patrimonio publico   2 %

Note: Table made from pie chart.

Figura 7 Demarcacao dos territorios de cada
galera. Elaboracao: questionario aplicado aos
integrantes das <<gangues>> galeras

Como e feita a demarcacao do territorio da sua gangue
<<galera>>?

Pichacao com a nome da gangue    60 %
Pichacao com a sigla da gangue   22 %
Outros meios                     18 %

Note: Table made from pie chart.
COPYRIGHT 2016 Universidad de Los Andes, Escuela de Ciencias Forestales y Ambientales
No portion of this article can be reproduced without the express written permission from the copyright holder.
Copyright 2016 Gale, Cengage Learning. All rights reserved.

 
Article Details
Printer friendly Cite/link Email Feedback
Title Annotation:articulo en portuguese
Author:Filho, Artur Rosa; Sousa, Rodeval Marques Andrade
Publication:Revista Geografica Venezolana
Article Type:Ensayo
Date:Jul 1, 2016
Words:6103
Previous Article:Miguel Tinker Salas: The Enduring Legacy. Oil, culture and society in Venezuela/Miguel Tinker Salas: Una Herencia que Perdura. Petroleo, Cultura y...
Next Article:Markets of soils and land in Colombia against the programming of infrastructure projects/Mercados de suelos y tierras en Colombia frente a la...
Topics:

Terms of use | Privacy policy | Copyright © 2018 Farlex, Inc. | Feedback | For webmasters