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Territorial dynamics of the main southern nodal road freight/Dinamicas territoriais dos principais nodais sulistas do transporte rodoviario de carga.

1. INTRODUCAO

Em analise estruturada a partir da teoria do espaco geografico, o uso do territorio brasileiro pela otica do transporte rodoviario de carga (TRC)--que movimenta cerca de 60% de toda a carga do pais, segundo a Agencia Nacional de Transporte Terrestre (ANTT)--pode ser evidenciado por um processo de seletividade espacial que privilegiou certos pontos e areas em detrimento de outros. Como o transporte tambem pode ser considerado um dos fatores locacionais por conta das possibilidades que oferece para a reducao de custos (THOMSON, 1976), os agentes dos circuitos espaciais de producao (SANTOS, 1988) buscam atuar em sintonia com os agentes do TRC--empresas transportadoras de carga (ETC) e transportadores autonomos de carga (TAC), segundo a lei 11.442/07, que enquadrou o TRC como aquele "realizado em vias publicas, no territorio nacional, por conta de terceiros e mediante remuneracao", cuja atividade economica "e de natureza comercial, exercida por pessoa fisica ou juridica em regime de livre concorrencia".

As solidariedades organizacionais geradas estimulam e facilitam a localizacao dos agentes em pontos privilegiados do territorio, geralmente nodais situados em tramos estrategicos da rede rodoviaria e da rede urbana. Afinal, como ja nos disse Milton Santos (2004) em sua analise do imperativo da fluidez, nao basta produzir; e indispensavel por a producao em movimento.

Levando-se em consideracao que o TRC cria uma topologia propria, cuja configuracao territorial e composta por linhas e nodais que em seu conjunto modelam uma rede geografica capaz de expressar a sua organizacao e estruturacao na formacao socioespacial brasileira (HUERTAS, 2013), este artigo tem como objetivo demonstrar as peculiaridades e dinamicas territoriais que corroboram a insercao do poligono gaucho (Porto Alegre-Caxias do SulLajeado-Santa Cruz do Sul) e dos eixos paranaense (Ponta Grossa-CuritibaParanagua) e catarinense (Joinville-Itajai-Florianopolis-Criciuma) como centralidades da rede em questao.

Trata-se de um conjunto nodal enlacado pelas BRs 376 (CuritibaGaruva/SC), 101 (Garuva-Osorio/RS) e 290 (Osorio-Porto Alegre), ao longo da costa, e pela BR-116 (Curitiba-Lages/SC-Caxias do Sul/RS-Porto Alegre), pelo interior, com predominancia de nodais secundarios polifuncionais, diretamente atrelados a logistica de atividades industriais. Este conjunto registra 155 matrizes de empresas transportadoras e 1.005 filiais espalhadas por 97 cidades, segundo a pesquisa realizada.

2. MATERIAIS E METODO

O ponto analitico central proposto, em termos de circulacao, e a configuracao de uma rede geografica do transporte rodoviario de carga reveladora do uso do territorio. Roberto Lobato Correa (1997, p.306) demonstra como as redes geograficas sao construcoes sociais "historicamente contextualizadas, constituindo-se em parte integrante do longo e cada vez mais complexo processo de organizacao espacial", e locus da efetivacao das interacoes espacias "a partir dos atributos das localizacoes e das possibilidades reais de se articularem entre si".

Organizamos o estudo da rede geografica em questao para o territorio brasileiro levando em consideracao funcionalidades, hierarquias e polarizacoes, atributos que em seu conjunto mais amplo denotam tanto a dissociacao quanto a conectividade geografica dos lugares e a seletividade espacial. Acreditamos, assim, que este caminho metodologico proporcione uma leitura bastante interessante no que diz respeito ao uso do territorio, evidenciando com mais forca a hierarquia dos lugares gerada pela circulacao diferenciada do excedente (ARROYO, 2005).

3. RESULTADOS E DISCUSSAO

Os nodais ajudam a explicar a rede geografica e sao tidos, portanto, como a expressao maxima da seletividade espacial do transporte rodoviario de carga pela densidade de fixos e pela frequencia, qualidade e intensidade dos fluxos. Do ponto de vista operacional, apenas nos nodais registra-se a possibilidade de implementar uma distribuicao territorial completa das mercadorias em fluxos T1 (escala nacional-T1/A, macrorregional-T1/B e mesorregional-T1/C) e T2 (escala microrregional-T2/D, intraurbana metropolitana-T2/E e intraurbana intermediaria-T2/F), cujos movimentos demarcam a escala de atuacao de empresas transportadoras e motoristas autonomos (HUERTAS, 2013).

Alem disso, sao os principais pontos de origem e destino de todo o movimento de carga lotacao (ou carga fechada, com carregamento num unico ponto e entrega num unico ponto) empreendido no pais, embora nao haja estatisticas que possam comprovar este fenomeno. Os nodais reunem uma serie de atributos geograficos--revendas de caminhoes, concentracao de agentes e suas respectivas representacoes sindicais e de fixos logisticos--que lhes conferem uma centralidade, comprovando territorialmente a densidade e escala de objetos ligados direta ou indiretamente ao TRC, o que de certa forma ajuda a corroborar a hierarquia dos lugares no que diz respeito a circulacao.

Logo de imediato e importante salientar algumas consideracoes gerais a respeito dos nodais. Em todos os casos ocorre uma especie de "nexo territorial", consubstanciado pela conjugacao entre a capacidade dos agentes instalados em condicionar arranjos territoriais em todas as escalas (fluxos T1 e T2), a formacao do valor do frete e as amplas condicoes de fluidez territorial, o que significa situacao locacional em trechos privilegiados da rede rodoviaria nacional e acesso facilitado a portos, ferrovias, hidrovias e aeroportos.

Corresponde, portanto, as interacoes espaciais que reforcam a interconectividade entre os agentes do transporte rodoviario de carga e destes com os agentes dos circuitos espaciais de producao.

Esta condicao unica no territorio nacional, portadora de verticalidades que criam e recriam solidariedades organizacionais, revela a estrutura e organizacao socioeconomica e politica superior dos nodais em relacao ao TRC. "... as metropoles economicas nacionais usufruem de posicao estrategica na moderna rede de transporte. Isso lhes assegura relacoes mais faceis com o resto do territorio, aumentando assim sua capacidade de competicao" (SANTOS, 2008, p.309).

As caracteristicas acima denotam a localizacao dos fixos mais estrategicos em termos de expedicao, transferencia e consolidacao de carga e capacidade de armazenagem, alem da presenca de pessoal mais qualificado para o desenvolvimento das tarefas administrativas e operacionais que envolvem o TRC. Segundo estudo do Geipot citado por Silva Junior (2004), % do total da frota de caminhoes do pais opera em percursos rodoviarios (fluxos T1 e T2/D), viagens de media e longa distancia com custos de transferencia representativos por causa dos fixos. Soma-se a isso o fato de que nas operacoes de coleta e entrega (fluxos T2/E e T2/F), cujo volume tambem esta bastante concentrado nos nodais, os custos fixos dos veiculos pefazem mais de 60% do total dos custos operacionais.

Entende-se assim que os nodais concentram boa parte dos custos totais do TRC, elemento fundamental para o planejamento estrategico do circuito superior. No plano politico, concentram grande parte das instituicoes responsaveis pela representacao de suas categorias, com capacidade de debater e direcionar os assuntos normativos correlatos a atividade, com forte influencia na regulamentacao do setor. "Em regra geral, os atores que possuem os nos detem o controle dos dispositivos: e nos polos que se efetua o tratamento estatistico dos objetos, garantia da qualidade da prestacao global, que se organiza a cadeia de entrega com suas subcontratacoes hierarquicas" (SAVY, 1993, p.216; traducao livre).

De modo geral, observa-se que todas as caracteristicas supracitadas sao tipicas de cidades com maiores niveis de especializacao e diversificacao economica, em hierarquias superiores na rede urbana brasileira, cuja concentracao de variaveis diretamente relacionadas ao TRC proporciona uma sinergia territorial entre os agentes e acaba reforcando o poder de polarizacao e centralidade das aglomeracoes urbanas onde se localizam--geralmente no entorno de grandes cidades, nos de circulacao e pontos de convergencia das vias de comunicacao com interpentracao de circulacao geral e local (CLOZIER, 1963).

No processo de urbanizacao, ha [...] uma tendencia crescente a diferenciacao e a especializacao, acompanhada de uma maior divisao interurbana do trabalho, e atrelada diretamente as possibilidades de articulacao que a dinamica da circulacao promove (ARROYO, 2006, p.76).

De certa forma o nodal esta vinculado a uma economia complexa, "caracterizada, e viabilizada, por uma complexa divisao territorial do trabalho", e associado a rede urbana, "cujos centros estao fortemente integrados entre si" (CORREA, 2006, p.306). Mas os nodais tambem revelam situacoes intermediarias, que ajudam a compreender com mais profundidade a correlacao de forcas entre os agentes do transporte rodoviario de carga e os niveis inferiores da rede urbana brasileira.

Esses sistemas de tessituras, de nos e de redes organizadas hierarquicamente permitem assegurar o controle sobre aquilo que ser distribuido, alocado e/ou possuido. Permitem ainda impor e manter uma ou varias ordens. Enfim, permitem realizar a integracao e a coesao dos territorios. Esses sistemas constituem o involucro no qual se originam as relacoes de poder (RAFFESTIN, 1993, p.151).

Alem disso, se a circulacao diferenciada do excedente cria uma hierarquia entre os lugares (ARROYO, 2005), os nodais podem ser analisados, tambem, pelas grandes possibilidades que oferecem para reter boa parte deste excedente, porque "sem a circulacao de bens nao ha circulacao do excedente" (SANTOS, 2003, p.144).

Sao nos nodais que se materializam no territorio as maiores possibilidades daquelas metamorfoses M-D e D-M explicadas por Marx, fenomeno que intensifica o que ele chamou de "processo adicional da producao da industria de transportes", visivel na densidade do trinomio proposto. Alem disso, sao nos nodais que a aplicacao da lei geral da producao de mercadorias, que tambem "se aplica a industria de transportes como a qualquer outra" (MARX, 2011, p.167), adquire a sua condicao plena, pois a concentracao de agentes da circulacao nesses nexos territoriais favorece a diminuicao dos custos de transporte.

Ademais, valendo-se ainda da teoria marxista, sao nos nodais que residem as maiores possibilidades de balanceamento entre o tempo de compra e de venda--cuja soma define o tempo de circulacao do capital, uma das fracoes do ciclo de circulacao do capital como um todo -, pois "o afastamento do mercado prolonga o tempo em que o capital fica prisioneiro da forma de capital-mercadoria, retarda diretamente o retorno do dinheiro, por conseguinte a transformacao do capital-dinheiro em capital-produtivo" (MARX, 2011, p.290).

O autor explica que a reparticao do retorno do dinheiro "por maior numero de periodos sucessivos encurta o tempo global de circulacao e, por conseguinte, a rotacao" (MARX, 2011, p.287), condicao possivel, para o caso especifico da formacao socioespacial brasileira, pelo entrelacamento territorial proporcionado pelos nodais, que amarram os principais mercados produtores e consumidores de um pais com dimensoes continentais e desequilibrios regionais.

Nos nodais observa-se um melhor desenvolvimento dos meios de transporte, fato que "aumenta a velocidade do movimento no espaco e assim reduz-se no tempo a distancia geografica" (MARX, 2011, p.286). Esta reducao absoluta do tempo de viagem das mercadorias, embora permaneca a diferenca relativa, so e possivel pela maior frequencia com que funcionam os agentes da circulacao nos nodais, alem da amplitude de suas escalas de atuacao no territorio nacional.

Na divisao territorial do trabalho do periodo atual, os nodais do transporte rodoviario de carga, locus de alta produtividade espacial ou subsistemas logisticos que facilitam a fluidez e hierarquizam o territorio pelos seus requisitos tecnico-organizacionais (SANTOS, 2004), proporcionam um movimento convergente de articulacao do todo nacional, embora o espaco se torne "mais articulado as relacoes funcionais, e mais desarticulado quanto ao comando local das acoes que nele se exercem" (SANTOS, 2005, p.49). A analise geografica, portanto, parte do principio de que o espaco tambem se impoe por meio das condicoes que oferece para a circulacao.

3.1 Recortes espaciais e topologia dos nodais

O recorte espacial dos nodais, como proposta metodologica, considera a relacao entre quantidade e contiguidade de matrizes e seus fixos correlatos (filiais, centros de operacao, pontos de apoio, centros de distribuicao, agencias, centros de envio e franquias) de uma relacao de 800 empresas transportadoras levantadas em pesquisa de elaboracao propria como o indicador que esclarece os arranjos territoriais do TRC ao longo da formacao socioespacial brasileira, relacionando-o com a rede rodoviaria nacional e a rede urbana (HUERTAS, 2013). A pesquisa apontou 7.401 fixos em 1.087 cidades de todas as Unidades da Federacao, sendo que, respectivamente, 6.936 (93,71%) e 695 (63,93%) estao situados nos nodais, classificados em quatro niveis:

(i) Primario: "poligono paulista", forca polarizadora unica no territorio nacional que acolhe 304 matrizes (38% do total), com 1.618 fixos (21,8%) alocados em 144 cidades (13,2%), e responsavel pela determinacao das rotas, prazos de tempo de transito de carga e valor do frete de boa parte do pais;

(ii) Secundarios polifuncionais: aqueles em que os circuitos espaciais de producao industrial sao o suporte das atividades geradoras de carga, tornando o seu tecido economico mais diversificado e complexo;

(iii) Secundarios monofuncionais: aqueles cuja tipologia pode estar relacionada a especializacao produtiva (circuitos espaciais de producao petrolifera e agropecuaria), a situacao geografica (acesso fronteirico ao Mercosul) ou a logistica do comercio atacadista e distribuidor e da producao salineira;

(iv) Terciarios (reles regionais): centros responsaveis por fluxos T2/D (rotas microrregionais) e T2/F (cidades intermediarias).

A configuracao de um nodal em cidades que dispoem de pelo menos tres fixos e/ou de uma matriz e uma condicao restrita ao nodal terciario, o mais baixo da classificacao proposta. Os dois niveis superiores, ou nodais primarios e secundarios, somente ocorrem em cidades com seis ou mais fixos e pelo menos uma matriz, sendo que a sua composicao completa, no caso de eixos e poligonos, deve incluir tambem todas as cidades adjacentes aos seus eixos rodoviarios estruturantes que contam com pelo menos um fixo.

De certa forma, esta proposta metodologica constroi-se a partir do circuito superior do transporte rodoviario de carga (grandes e medias transportadoras), embora os circuitos superior marginal e inferior (pequenas transportadoras e motoristas autonomos) estejam diretamente atrelados e subordinados, espacialmente falando, aos designios tecnico-operacionais e informacionais dos agentes hegemonicos.

A pesquisa desenvolvida ainda indica que as empresas de transporte rodoviario de carga pensam o Brasil no sentido longitudinal (norte-sul), ate uma faixa de cerca de 200 km do litoral no Nordeste e de 600 km na Regiao Concentrada--obviamente onde se concentram os seus principais centros produtores e consumidores. Fora dessa zona, apenas alguns nodais e reles aparecem como centralidades associadas ao TRC no Brasil contemporaneo, fato que de certa forma demonstra a leitura territorial de "estilo christaNiana" exercida pelo mercado.

Isso tambem significa que, de forma geral, o atendimento ao extenso interior do pais e feito de modo mais otimizado e lento, pois o crescimento das distancias e proporcional a diminuicao dos mercados (ou seja, menos carga para transportar), situacao que requer do transportador ajustes, adaptacoes e parcerias. A pesquisa tambem demonstra que a distribuicao espacial de nodais ao longo do territorio nacional pode ser um dos indicadores das cronicas e historicas desigualdades regionais, principal caracteristica da formacao socioespacial brasileira.

3.2 O enlace rodoviario Parana-Santa Catarina-Rio Grande do Sul

O eixo paranaense (DIAGRAMA 1) justifica-se por uma serie de motivos, incluindo o elevado numero de empresas transportadoras locais e de outros Estados, a forca do motorista carreteiro em Ponta Grossa, a importancia do porto de Paranagua e a proximidade com Sao Paulo como grande vantagem comparativa, tornando-se um no redistribuidor da Regiao Sul e tambem dos fluxos para o Mercosul e do agronegocio do Centro-Oeste. A propria configuracao territorial da rede rodoviaria do Estado colabora na definicao do eixo nodal em questao, pois o chamado "anel de integracao" enlaca as porcoes norte (Londrina) e oeste (Cascavel) do Parana entre elas e com a Regiao Metropolitana de Curitiba (RMC) e litoral.

A principal concentracao de ETCs locais esta na RMC, na qual se entrelaca um rosario de caminhos para todas as direcoes acessiveis pelo anel de contorno da capital. Curitiba e sede de uma unidade Sest/Senat, um Clia, um porto seco e das duas recem-empresas criadas com foco na intermodalidade rodoferroviaria: a Ritmo Logistica e resultado da fusao das unidades de transporte rodoviario da America Latina Logistica (ALL) e Ouro Verde, com foco no agronegocio; e a Brado Logistica, controlada pela ALL (80%) e pela estadunidense Standard (20%), e a divisao de operacao de conteiner da ALL.

Estrela do Oriente e IBL operam fluxos T1/B de insumos e carga geral com Sao Paulo, e a Sulista e especializada no transporte de insumos para a industria automobilistica, com filiais em Sao Paulo e Rio Grande do Sul. A Cargolift, de transporte de conteiner (cerca de 2 mil por mes), e uma das maiores do Estado, com 14 filiais (SP/6, RS/3, PR/3, SC/1 e MG/1). A Rodolatina e especializada no segmento de cimento e calcario, com filiais em todas as regioes do pais (tres em Minas, polo siderurgico); e a Transemba opera apenas no segmento de papel e celulose, com filiais no Sul, Sao Paulo e Minas.

Ainda na capital, a Trans-iguacu, de 1967, e uma das mais antigas, operando insumos e carga geral em fluxos T1 para o Sul e Sudeste, mesma situacao de Transgires, com filiais em Santa Catarina, Sao Paulo, Minas Gerais, Brasilia, Goias e Pernambuco, e Santa Felicidade, com filiais no Sudeste e Goias. A Rodofacil trabalha com carga geral e encomendas; Kasul com carga especial e TIC com combustivel e graneis liquidos quimicos. Transvalter, Campos Dourados e Rodobras transportam carga geral (a segunda mantem 33 filiais entre os Estados do Sul e Sao Paulo), e a Budel trabalha com carga quimica e maquinas do Rio Grande do Sul a Bahia.

Sao Jose dos Pinhais, maior cidade metropolitana depois de Curitiba e berco da industria automobilistica paranaense (Volvo, Renault/Nissan e VW/Audi), e um polo diversificado de ETCs. A BBM opera insumo, carga geral e carga florestal em fluxos T1 nas regioes Sul e Sudeste; mesma situacao da Sibra (a excecao da carga florestal). A Malta roda entre Sao Paulo e Minas com carga geral e insumos, e a Diamente entre Sao Paulo e Espirito Santo, inclusive conteiner.

A Jrotaner transporta carga especial entre Santa Catarina e Sao Paulo; Axon e Master trabalham com insumo e a Rodoac carrega granel solido pelo Sudeste. Carga frigorificada e a especialidade da Transfrios, com filial em Sao Paulo, e a Kraft opera conteiner, carga especial e geral entre Paranagua e Navegantes (SC). A Cooperlog roda com conteiner e carga geral ate Paranagua.

Em Araucaria, sede de um terminal de carregamento de combustivel, estao a BBC, que opera carga geral, conteiner e insumo entre o Rio Grande do Sul e Sao Paulo; e a Transdiario, de carga geral e insumo. Carga geral e insumo sao o foco da Transdotti, de Colombo, com tres filiais em Sao Paulo e uma em Santa Catarina; da Rodomodal, de Quatro Barras, que roda para Sao Paulo e Bahia; da Carrasco, de Colombo; e da Transmaroni, de Pinhais. Nesta ultima cidade esta a Cargosoft, uma das maiores do Estado, que opera apenas insumo industrial do Rio Grande do Sul a Goias, alem da Tespal, de encomendas.

Em Campo Largo, a Quinta carrega insumo e combustivel; a Gobor opera carga geral, frigorificada e granel solido para Sao Paulo, Mato Grosso, Rondonia e Acre; e a Transpiso trabalha com material de construcao. Em Fazenda Rio Grande, a Transberdusco opera carga quimica. Colombo tambem e sede da Maestrelli, de 1967, que roda com carga geral e conteiner entre Guarulhos e o interior do Parana; e da Translog, que opera apenas carga farmaco-hospitalar entre as suas 28 filiais de Mato Grosso do Sul e Santa Catarina.

O historico papel de entroncamento viario exercido por Ponta Grossa remonta a epoca do tropeirismo do seculo XVIII, como o principal pouso das tropas nos campos gerais do Parana antes da chegada a feira de Sorocaba. A cidade fica 113 km a noroeste de Curitiba pelas duplicadas BRs 277 e 376, um importante entroncamento viario e especie de retroarea da RMC, com uma unidade do Sest/Senat e grande concentracao de agentes dos circuitos inferior e superior.

Transportadora Primo, de 1969, que opera granel solido e insumo para Sao Paulo e Minas; e Buturi, de 1966, que transporta insumo e carga geral para todo o Sul, Sao Paulo, Minas, Goias e Bahia, estao entre as mais tradicionais do Estado. A Costa Texeira carrega insumo industrial e agricola para 11 filiais, sendo seis em Sao Paulo e o restante em Santa Catarina, Parana, Minas, Goias e Pernambuco. A Del Pozo trabalha com combustivel e granel solido entre as regioes Sul, Sudeste e Centro-Oeste; mesmo tipo de carga da Vantroba, com filiais de Santa Catarina ao Rio de Janeiro e Pernambuco.

A Grycamp transporta granel solido e quimicos entre Sao Paulo, Minas e Goias e a Novamel carrega estruturas metalicas. A Log-Sul movimenta granel agricola solido e liquido de Sao Paulo, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina para Paranagua e a Gamper, de 1978, opera carga geral e insumos em fluxos T1/B para Sao Paulo. Em Palmeira, no entroncamento da BR-277 com a PR-151, fica a Mastercargo, que transporta veiculos, conteiner e carga geral para Sao Paulo.

A cidade tambem se destaca no transporte dos circuitos produtivos do agronegocio, pois sedia unidades de beneficiamento de soja (Cargill, Bunge e Louis Dreyfus), unidades misturadoras de adubo (Bunge e Louis Dreyfus) e um frigorifico da BRF (a vizinha Carambei possui outros dois). Tres empresas operam granel solido agricola (graos e insumos): Rodoprince, para CentroOeste, Sao Paulo, Minas, Bahia, Sergipe e Alagoas; Larafran, de Paranagua ao Centro-Oeste; e Boa Viagem, entre Santa Catarina, Sudeste e Goias.

Na direcao norte da PR-151, toda duplicada ate Pirai do Sul, e saida para o sudoeste paulista (Itarare, Itapeva e Capao Bonito) e BR-153 (eixo viario de acesso ao Triangulo Mineiro, Goias, Tocantins e Para pelo interior paulista, a partir de Ourinhos), esta o polo de papel e celulose do Estado, com producao de papel de impressao, imprensa, cartao, para fins sanitarios e embalagens (cerca de 21% da capacidade produtiva nacional), e de produtos agroindustriais lacteos (Castrolanda e Batavo), com grande fluxo de carretas.

A Transardo, de Carambei, opera fluxos T1 de carga geral e refrigerada para Sao Paulo, Minas, Bahia e Pernambuco, e em Castro fica a Log Brasil. Os postos Menegatti e Contorno, na PR-151, em Carambei, sao os principais pontos de agenciamento de carga.

Seguindo pela BR-376 no rumo norte a partir de Ponta Grossa, alcancase o eixo nodal Maringa-Londrina, cuja elevada geracao de carga referente ao agronegocio e a forca industrial do eixo garantem o nexo territorial com Cascavel, Ponta Grossa, Curitiba, Paranagua, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Sao Paulo, suficiente para justifica-lo.

O caminho para Paranagua e pelos 98 km duplicados da BR-277, na descida da Serra do Mar. Tido com um dos maiores gargalos infraestruturais do pais, o acesso ao porto tem enfrentado situacoes complicadas principalmente no verao, epoca do pico da safra de graos do Centro-Oeste e das viagens a turismo pelas praias paranaenses. As filas de carretas carregadas de soja aguardando autorizacao para entrada no porto, no acostamento da BR-277, ja chegou ate Curitiba. A lei 11.442/07 preve espera para carga e descarga de ate cinco horas, e apos esse periodo ha uma taxa de R$ 1 por tonelada a cada hora de atraso, paga pelo embarcador a ETC ou TAC que efetuou o servico.

Ocorre que a demora e atribuida ao caminhoneiro e o pagamento da taxa nao e cumprido. E a pratica do caminhao-silo, como explicou Claudinei Pelegrini, da Abcam. "Os grandes despachantes, que mandam mercadoria para fora do pais e utilizam os caminhoes para chegar ate os portos, usam as carretas para ser um deposito e nao querem pagar a estadia do caminhao." (1) O problema nao e portuario, mas de silagem e regularizacao do fluxo a partir das areas produtoras (HUERTAS, 2013).

Da capital partem eixos viarios de grande importancia para ligacoes interregionais e internacionais. A BR-116 (FOTOS 1-2) e a unica ligacao direta de toda a Regiao Sul com a RMSP e Estados do Rio de Janeiro, Espirito Santo e Nordeste. Chamada de Regis Bittencourt no trecho de 408 km entre as capitais paranaense e paulista, e uma estrada que atravessa topografia bastante irregular com uma engenharia antiga, o que significa ausencia de tuneis nas serras e curvas fechadas.

Duplicada do Parana ate Miracatu (SP), foi concedida em 2008 a empresa espanhola OHL, que venceu a licitacao com desagio de 49,2% no valor da tarifa basica de pedagio (R$ 2,685) (2). A duplicacao da Serra do Cafezal, entre Miracatu e Juquitiba (19 km), tem esbarrado em questoes ambientais e atrasos por parte da concessionaria, trecho que talvez seja um dos maiores gargalos rodoviarios de todo o pais por conta do trafego pesado em pista de tracado geometrico antigo e inadequado. "Na Regis Bittencourt nao da para cumprir prazos", confirmou Antonio Valdivia Neto, assessor tecnico da Associacao Nacional do Transporte de Cargas e Logistica (NTC&Logistica) (3). No final de 2012 foi liberada a licenca ambiental para a realizacao da obra, que se encontra em andamento.

A BR-476 parte na direcao sudoeste como um dos principais eixos para Sao Borja e Uruguaiana, na fronteira gaucha com a Argentina. A estrada acaba na BR-153 e segue cruzando Santa Catarina (FOTO 3) e o interior gaucho ate Passo Fundo, onde se encontra com a BR-285. Dai pega o rumo oeste ate Sao Borja, no entroncamento com a BR-472. Por esta rota, muito utilizada pelos fluxos com destino aos paises vizinhos pelas ETCs do Sudeste e do Parana, sao 1.118 km de Curitiba a Uruguaiana.

De Curitiba, descendo a serra, sao 92 km duplicados pela BR-376 ate Garuva, onde comeca o eixo catarinense (DIAGRAMAS 2-3). Este ponto marca o reinicio da BR-101--a principal via longitudinal que acompanha o litoral brasileiro de Sao Jose do Norte (RS) a Touros (RN) nao foi construida no Parana e no litoral sul de Sao Paulo -, totalmente duplicada ate Osorio (RS).

O eixo estende-se ao longo da BR-101 de Garuva a Ararangua (FOTOS 4-5), com pequenos prolongamentos no sentido oeste para alcancar importantes centros industriais do Estado, como Criciuma, Orleans e Icara (embalagens plasticas, implementos rodoviarios e revestimentos ceramicos), Sao Joao Batista (polo calcadista), Brusque e Blumenau (complexo textil) e Jaragua do Sul (polo eletro-metalmecanico e fabril). Os terminais de carregamento de combustivel estao em Guaramirim, Itajai e Biguacu e os portos secos localizam-se em Sao Francisco do Sul e Itajai--esta cidade ainda sedia um Clia. As unidades do Sest/Senat ficam em Blumenau, Itajai, Joinville, Florianopolis e Criciuma.

Uma particularidade da divisao territorial do trabalho em Santa Catarina e a forte sinergia intermodal com um conjunto portuario que tem recebido constantes investimentos em ampliacao e melhorias no acesso rodoviario. Outro ponto a ser levantado e o fato de que a setorizacao produtiva regional de certa forma condicionou o transportador, que acabou se especializando em nichos especificos de carga. Essa questao, entretanto, favoreceu um historico de briga com o embarcador que acabou fortalecendo o TRC no modelo cooperativado, caso unico no pais.

"Aqui realmente e uma federacao pelo sincronismo com os sindicatos, existe uma unica voz no Estado", comentou Leonardo de Carvalho, diretor executivo da Federacao das Empresas de Transporte de Carga e Logistica no Estado de Santa Catarina (Fetrancesc) (4), que implantou um sistema eletronico para que todos os CT-es das ETCs associadas sejam emitidos nos sindicatos, reduzindo o custo operacional na emissao de documentos fiscais. Em 2008 o orgao tambem montou uma empresa para estudar a fundo o custo/beneficio do pedagio e disputar o leilao da BR-101 norte, com proposta de R$ 1,65, vencido pela espanhola OHL.

A nova investida da federacao catarinense e implantar o primeiro centro de apoio de cargas perigosas do Brasil. A Dalcoquio, umas das transportadoras mais tradicionais (1968) e relevantes do TRC catarinense, cederia em comodato para a Fetrancesc, por 23 anos, uma area de 20 mil [m.sup.2] anexa ao Posto Santa Rosa (BR-101), em Itajai, onde tambem funciona um dos principais pontos de agenciamento de carga de todo o eixo.

A responsabilidade sobre a construcao do centro ficaria a cargo da OHL, que como contrapartida poderia receber a prorrogacao da concessao de exploracao da BR-101. A ideia e que o centro seja um modelo a ser implantado a cada 300 km nas futuras concessoes, sobretudo apos a aprovacao da lei 12.619/13, que exige paradas em tempos determinados. Uma parte do centro ficaria reservada como area de servicos, administrada pela Fetrancesc.

Na porcao norte do eixo catarinense ha um conjunto expressivo de ETCs locais. Em Joinville, estao Coopercargo, Boa Vista e Mann, que operam carga geral e insumo industrial em fluxos T1 respectivamente para Sao Paulo e Nordeste; Sao Paulo e de Santa Catarina ao Maranha e Para. Apenas carga geral fica a cargo da Transville, para Parana e Sao Paulo; Transoliveira, com 21 filiais do Parana ao Tocantins; e Gelsleither. Rodocargas, de carga alimenticia, e Manchester (1972), de insumo industrial, completam o quadro.

Itajai esta se tornando um dos maiores centros logisticos do pais, com investimentos constantes em fixos operacionais de transportadores e embarcadores. Cabe ressaltar que o porto da cidade tambem se beneficiou em larga escala da chamada "guerra dos portos"--as importacoes no Estado cresceram de US$ 5,75 bi em 2009 para US$ 12,38 bi em 2011 (5) -, explicada no eixo capixaba. Desta porcao do litoral catarinense e originada boa parte da carga estadual de pescados (a primeira colocada na producao nacional de pesca industrial, com cerca de 150 mil t), que segue para toda a Regiao Sul, Sao Paulo e Minas Gerais por via rodoviaria, em carretas frigorificadas.

Alem de Itajai, que em 2011 movimentou cerca de 438 mil teus, outros tres portos se destacam na porcao norte do Estado, originando carga para o TRC: Navegantes (na margem oposta do Rio Itajai-Acu), Sao Francisco do Sul e o recem-inaugurado terminal de uso privativo em Itapoa, especializado em conteiner refrigerado (refeer), que ampliara a sua capacidade de movimentacao de 500 mil teus por ano para 2 milhoes. A montadora alema BMW implantou uma fabrica em Araquari, e em Sao Francisco do Sul e Penha ficam a sede da Zport e Bendini, que movimentam respectivamente conteiner e granel solido e carga geral e insumo.

Em Itajai esta a sede da Dalcoquio, de 1968, uma das transportadoras mais tradicionais e respeitadas do Estado, operando combustivel, insumo, carga geral e quimicos entre 28 filiais que englobam as regioes Sul, Sudeste e CentoOeste e a Bahia. A Cootravale transporta conteiner, carga frigorificada e granel solido e atende 27 filiais no Sul e Sudeste, Goias, Mato Grosso, Bahia, Pernambuco e Ceara. A Vatlog trabalha com carga geral em fluxos T1 para Sao Paulo e Espirito Santo. Insumo industrial e a especialidade de SAG LOG, San Martino e Transpezzini, e a DC opera carga de transito aduaneiro, graneis liquidos e gases industriais do Rio Grande do Sul ao Espirito Santo e a Manaus.

Em Blumenau, a 45 km pela movimentada BR-470 ou pela paralela SC470, via Ilhota, Ociani e MTR operam carga geral respectivamente para Sao Paulo, Rio, Goias e Distrito Federal e Regiao Sul, Sao Paulo e Minas. A Nasul Cargo, de 1973, atende apenas o polo local de confeccoes, e a Cajumar transporta carga geral e quimica em fluxos T1/B para Sao Paulo, Parana e Espirito Santo e T1/C para o resto do Estado. Seguindo pela BR-470 ficam a Transportes Apiuna, da cidade homonima, e Mirin do Sul, de Rio do Sul.

Na vizinha Pomerode esta a Ramthun, de 1958, uma das ETCs catarinenses mais antigas de carga geral. Apesar de atender toda a Regiao Sul, Sao Paulo e Minas, o seu foco esta no Nordeste, com 17 de suas 28 filiais (PE/4, MA/3, BA/2, PB/2, CE/2, SE/1, AL/1, RN/1 e PI/1). A Transmagna, de Guaramirim, transporta conteiner e carga geral do Parana ao Rio de Janeiro, alem de intensos fluxos T2 em Santa Catarina, onde estao 14 de suas 26 filiais. Em Jaragua do Sul esta sediada a Transligue, de carga geral e transito aduaneiro na rota Joinville-Sao Paulo.

Na porcao central do eixo catarinense esta a Regiao Metropolitana de Florianopolis (RMF), com concentracao de 65 fixos de ETCs locais e de outros Estados (SP/19, SC/16, RS/12, PR/7, MG/3, PE/3, ES/2, TO/1, GO/1, MT/1 e CE/1). Interessante notar que a maioria dos fixos situam-se em Biguacu, Sao Jose e Palhoca, na area continental da RMF. Os fluxos Florianopolis [left right arrow] Sao Paulo e Florianopolis [left right arrow] Rio de Janeiro, segundo a Fetrancesc, sao os principais interestaduais. Em Palhoca estao Transacacio, especializada no transporte nautico (embarcacoes de medio e pequeno porte), e Connect, de equipamentos de telecomunicacao e filial em Sao Paulo. Em Sao Jose fica a Albertoni, de carga geral e confeccoes (cabideiro).

Descendo a BR-101 sentido Porto Alegre, alcancamos o nucleo sul do eixo. Em Tubarao, cidade a 138 km da capital e proxima ao Porto de Imbituba, estao Transzape, de carga geral, que atende Sao Paulo, Minas, Bahia e Pernambuco; e Lima, de 1972, que transporta granel solido para cimenteiras. Em Criciuma, Transportes Natal, Fluorita, Destak e Ouro Negro operam carga geral (a penultima em fluxos T1 ate o Rio de Janeiro e a ultima, com 14 filiais no Estado, em fluxos T1 no Sul, Sao Paulo e Rio Grande do Sul), e a Francisconi transporta insumos e carga geral para Sao Paulo e Espirito Santo. Manosso e Translara carregam carga geral e conteiner (a ultima tambem transporta insumos para a industria local de ceramica).

A T-Dago, da vizinha Icara, opera carga geral, insumo, conteiner e carga siderurgica para Sao Paulo, Espirito Santo, Goias, Bahia e Pernambuco. Em Morro da Fumaca a Salvan trabalha em toda a Regiao Sul e Sao Paulo com insumo e carga quimica; a Fontanella, de Lauro Muller, transporta insumo e produto acabado das industrias de revestimento ceramico (Eliane, Pierini e Portinari) para Sao Paulo, Goias, Bahia, Pernambuco, Paraiba e Ceara. Em Ararangua, a 55 km da divisa com o Rio Grande do Sul, ficam a Irmaos Darolt, de granel solido agricola, e a TKE, que opera carga siderurgica e granel solido para Rio Grande do Sul, Minas e Espirito Santo.

No Rio Grande do Sul a BR-101 encontra-se duplicada ate Osorio, no entroncamento com a BR-290 (conhecida como Freeway), inicio do poligono gaucho, composto pela Regiao Metropolitana de Porto Alegre (RMPA) e prolongamentos a Caxias do Sul (norte), Serafina Correa (noroeste), Lajeado-Santa Cruz do Sul (oeste) e Osorio (leste) (DIAGRAMA 4). A RMPA e o epicentro do nodal, com terminal de carregamento de combustivel em Canoas, portos secos em Novo Hamburgo, Canoas e Caxias do Sul e unidades do Sest/Senat em Bento Goncalves, Caxias do Sul, Lajeado e Porto Alegre.

Outro destaque do nodal e a forte ocorrencia da intermodalidade. A Brado possui terminais rodoferroviarios em Esteio, Triunfo e Porto Alegre, com clientes de peso como Trasmontina, Dambroz e Mercur. O complexo portuario fluviomaritimo e encabecado pelo porto da capital e engloba os portos de Estrela, Charqueadas e Pelotas, que se conectam ao Porto de Rio Grande, no sul do Estado, pelas hidrovias lacustres (Guaiba e dos Patos), rios Jacui, Taquari, Cai, Sinos, Gravatai e canal de Sao Goncalo. Carvao mineral, produtos siderurgicos, graos, carnes, bobinas de papel, insumos agricolas, sal, celulose e transformadores eletricos estao entre os produtos mais movimentados neste sistema, que depende do caminhao nos fluxos T2.

No corredor RMPA-Serra Gaucha esta o principal centro industrial do Estado (FOTOS 6-7), com destaque para a producao calcadista (Novo Hamburgo, Sao Leopoldo e Parobe), petroquimica (Triunfo e Canoas), automobilistica (fabrica da GM em Gravatai; de caminhoes e tratores Agrale e caminhoes International em Caxias do Sul; e de tratores Massey Fergusson em Canoas), siderurgica (Sapucaia do Sul), moveleira (Bento Goncalves, com 340 fabricas), metalmecanica e implementos rodoviarios (Caxias do Sul), entre outras.

O fluxo entre a capital e Caxias do Sul esta entre os mais densos do Estado, e existem duas rotas: pela BR-116 (137 km), mais antiga, com curvas fechadas e duplicada apenas ate Novo Hamburgo; e pelas RSs 122 e 452 (129 km), duplicada ate Bom Principio, na subida da serra. O trecho duplicado de 18 km entre Caxias do Sul e Farroupilha, pela RS-122, tambem e bastante intenso.

Para Curitiba e Sao Paulo, principais fluxos interregionais, as transportadoras preferem o caminho pelo litoral, acessado da RMPA pela BR290 ou de Caxias do Sul pela RS-453, a "Rota do Sol". Direto pela BR-116, via Vacaria (RS) e Lages (SC), com alternativa pela RS-122 por Antonio Prado, e a rota preferencial dos carreteiros. A pequena cidade de Sao Marcos, de pouco mais de 19 mil habitantes e a 39 km ao norte de Caxias do Sul pela BR-116, e considerada a cidade-simbolo do caminhoneiro no Brasil.

E consideravel a concentracao de ETCs do circuito superior nas cidades da Serra Gaucha, polarizada por Caxias do Sul, berco de dois gigantes do circuito industrial de implementos rodoviarios: Randon e Guerra. A Transcaxias trabalha com autopecas, quimicos e insumo industrial em todo o Sul e Sao Paulo. A Servicarga, com filiais em Duque de Caxias, Curitiba e Sao Bernardo, transporta autopecas e chassis de onibus da Marcopolo.

A cidade ainda e sede da Translovato, que com 90 filiais atende carga geral para toda a Regiao Sul (RS/29, SC/14 e PR/16), Sao Paulo (19) e Minas Gerais (12) em fluxos T1 e T2. A Irapuru, tambem de carga geral, opera nas regioes Sul e Sudeste, Goias e Distrito Federal; e a Bedin (Transpanex), de 1953, trabalha com insumo e carga geral nos Estados do sul, Sao Paulo, Rio e Minas. Kalinca, de carga geral, completa o quadro.

Farroupilha abriga a Plimor, uma das maiores do Estado, com 70 filiais em fluxos T1 e T2 ate Sao Paulo. Em Bento Goncalves estao TBB, que transporta carga geral para Santa Catarina, eixo da Belem-Brasilia e Piaui; Ravanello, que opera carga geral de Santa Catarina a Rondonia, via Centro Oeste; e Rasador, de moveis, carga geral e insumo industrial entre Porto Alegre, Curitiba e Barueri.

Na vizinha Garibaldi estao Biano, de carga geral e foco em fluxos T1 para Alagoas, Pernambuco e Paraiba; Sul Nativa, de carga geral; e Rodoseni, de granel agricola. Em Flores da Cunha, na RS-122, esta sediada a Rodomio, especializada no carregamento de insumo para a industria de bebidas. No rumo de Passo Fundo pela RS-470, em Nova Prata, fica a Unius. Na mesma direcao, mas pela RS-129, a Cadore, de 1964, tem sede em Serafina Correa e opera fluxos T1 e T2 de carga geral com Parana e Sao Paulo. Na mesma cidade esta a Serrafrio, de 1972, especializada no transporte de carga refrigerada com filial em Taboao da Serra (SP).

Fora do nodal, seguindo pela BR-116, ficam em Vacaria a Cavalinho, de carga petroquimica, granel liquido quimico e bebidas para Sao Paulo, Rio e Bahia; a Schio, comprada pela paulista Julio Simoes, que opera carga geral, refrigerada, insumo e quimicos para as regioes Sul e Sudeste, Goias, Bahia, Alagoas, Pernambuco, Para e Amazonas; e a Transportadora Rocha, que movimenta carga geral, quimica e especial para o interior do Estado, Santa Catarina, Parana, Minas Gerais e Ceara.

Em Porto Alegre ha uma concentracao de empresas dos circuitos inferior e superior no bairro Porto Seco, proximo da saida para a BR-116. A Minuano opera carga geral na Regiao Sul, Sao Paulo e Rio; e a Vitoria para os Estados sulistas, Sao Paulo, Minas, Goias, Bahia, Ceara, Rondonia, Para e Amazonas, trabalhando com fluxos T2 em alguns deles. A Raupp, com filiais de Santa Catarina ao Rio, e especializada no transporte de carga textil, e a Gabardo carrega veiculos para todo o Sul e Sudeste, Goias, Bahia e Ceara.

A Einchenberg opera transito aduaneiro e insumo em toda a regiao Sul, Sao Paulo, Bahia e Amazonas. A Mercurio, uma das ETCs mais tradicionais da capital, foi comprada pela TNT. A empresa conta com 73 filiais nas regioes Sul, Sudeste e Nordeste (RS/13, SP/12, SC/9, PR/8, MG/8, RJ/4, BA/4, ES/3, CE/3, PE/2, SE/1, AL/1, PB/1, RN/1, PI/1 e MA/1) para atendimento de fluxos T1 e T2. A Troca movimenta carga geral e insumo industrial para Sao Paulo e a Transadubo carrega graneis solidos agricolas em fluxos T1 para Parana, Sao Paulo, Minas Gerais, Espirito Santo e Goias.

Em Canoas estao tres das mais tradicionais empresas do Estado: Henrique Stefani, de 1954, que transporta combustivel e carga quimica entre Parana, Sao Paulo, Rio, Espirito Santo e Bahia; Panazzolo, de 1963, que opera carga geral e insumo em fluxos T2 para as oito filiais no Estado e fluxos T1 para Santa Catarina, Parana e Regiao Sudeste; e Transliquidos, de 1966, que movimenta combustivel e petroquimicos.

A Transpaulo, de carga geral e insumo, conta com 64 filiais pelo pais (RS/14, SC/15, PR/7, SP/7, MG/5, MS/4, MT/3, RO/3, RJ/1, ES/1, GO/1, DF/1, TO/1 e AC/1). A Modular, de carga geral, trabalha com fluxos T1 para Sao Paulo, Rio, Espirito Santo, Bahia e Pernambuco, e fluxos T1 e T2 em toda a Regiao Sul. A Dalacorte, de 1980, opera insumo para construcao civil, e a Silveira Gomes trabalha com carga geral, refrigerada e insumo industrial em fluxos T1 para todo o Sul, Sao Paulo, Minas Gerais e Goias. A Maua, com filial em Sao Jose (SC), e especializada em cargas sensiveis (medico-hospitalares, caixas eletronicos, automocao industrial, robotica, perifericos, computadores e equipamentos de telecomunicacoes e telefonia celular).

A Transmiro, sediada em Cachoeirinha e fundada em 1958, opera carga geral, insumo, bebidas e carga siderurgica, com filiais no Estado, Santa Catarina e Sao Paulo. Ainda na mesma cidade, a Hoff trabalha com carga especial. Em Estancia Velha, a Transkinko transporta insumo e carga quimica. Em Nova Santa Rita, a Reiter carrega granel solido agricola e carga refrigerada para Sao Paulo e Goias, e a GM LOG opera carga geral e quimica para Santa Catarina, Sao Paulo e Bahia.

Em Sao Leopoldo, a Spolier, de insumo, conta com 15 filiais em Sao Paulo (seis), Rio Grande do Sul, Parana, Minas, Rio, Bahia e Pernambuco; e a Unidao, de 1969, opera carga geral e quimica para as regioes Sul e Sudeste. Na vizinha Novo Hamburgo, a Sirius atende transito aduaneiro entre as filiais de Rio Grande e Itapecerica da Serra (SP), e a Trasduarte, com 14 filiais em quatro Estados, e especializada no transporte de insumo para a industria calcadista.

No rumo da BR-386 (sentido Passo Fundo), que tem apenas 58 km duplicados ate o entroncamento com a BR-287, ficam a sede da Transpa Giovanella e Tomasi, em Estrela. Na citada BR-287 estao a Transportadora Augusta, em Venancio Aires, que tem filiais no Estado, Santa Catarina e Sao Paulo; e a VBR, em Santa Cruz do Sul, que opera conteiner para Rio de Janeiro e Bahia. Seguindo para o sul do Estado pela BR-116, sao 258 km de intenso movimento ate Pelotas, um dos principais fluxos intraestaduais.

O fato de estar situado em um dos extremos do pais, a grandes distancias do restante do territorio nacional, nao gerou vantagens competitivas para o TRC gaucho, como constatou Paulo Vicente Caleffi, presidente da Federacao das Empresas de Logistica e Transporte de Cargas do Rio Grande do Sul (Fetransul), mas a alianca do espirito familiar e empreendedor com o conhecimento empirico ("conhecimento da boleia") ajudou no desenvolvimento do carreteiro e, posteriormente, de grandes empresas transportadoras. A organizacao do setor tambem pode ser constatada em todo o Estado, com 10 sindicatos que "vivenciam os interesses regionais das Empresas", como diz um calendario promocional da entidade. "Cabe a Fetransul fortalecer os sindicatos porque o empresario precisa se organizar, e devemos levar a informacao para o interior", alegou Caleffi (6).

4. CONSIDERACOES FINAIS

Os tres Estados sulistas formam um denso corredor rodoviario longitudinal de cerca de 700 km entre Curitiba e Porto Alegre, seja pelo litoral (BRs 376, 101 e 290), seja pelo interior (BR-116). A pesquisa apontou que a ligacao entre as capitais do Parana e Rio Grande do Sul esta entre os principais fluxos interestaduais para ambos os Estados, alem da relacao com Sao Paulo. E explicita a densidade de ETCs que operam carga fechada de insumo industrial e carga geral para todas as regioes do Brasil, fato que denota a importancia do setor industrial na economia, embora seja bastante diversificada a composicao empresarial do TRC no Sul do pais.

A grande quantidade de autonomos sulistas que roda o pais e resultado em grande parte da divisao territorial do trabalho. Como afirmou o caminhoneiro autonomo paulista Marcos Aparecido Izelli, que frequenta o Terminal de Cargas Fernao Dias, na capital paulista, "os carreteiros do sul vem vazio e praticamente moram em Sao Paulo, pois chegam a ficar ate um ano sem voltar para casa" (7).

Em termos de frete-retorno tambem ha mais equilibrio nas relacoes interestaduais que envolvem o corredor Curitiba-Porto Alegre, que mantem fluxos densos e constantes com o interior dos tres Estados. Esta, inclusive, talvez seja a particularidade mais marcante do TRC no sul do pais: a forca que adquiriu no interior, tanto em fluxos T1 quanto T2. Os dados coletados nas pesquisas de campo apontam que as federacoes do Parana e Santa Catarina possuem respectivamente 75,4% e 92,1% de seus associados no interior.

5. REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS

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SANTOS, M. (1979). O espaco dividido: os dois circuitos da economia urbana dos paises subdesenvolvidos. 2a ed. 1a reimp. Sao Paulo: Edusp, 2008.

--(1993). A urbanizacao brasileira. 5.ed. Sao Paulo: Edusp, 2005.

--(1996). A natureza do espaco. Tecnica e tempo. Razao e emocao. 4.ed. Sao Paulo: Edusp, 2004.

--(1979). Economia espacial: criticas e alternativas. 2.ed. Sao Paulo: Edusp, 2003.

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Daniel Monteiro Huertas

Universidade Federal de Sao Paulo--UNIFESP

Sao Paulo, SP, Brasil

e-mail: dmhuertas@unifesp.br

Recebido em: 25/05/2015

Aceito em: 20/05/2016

(1) In <www.portalntc.org.br/index.php?option=content&view=ar> Acesso em: 15.out.2012.

(2) Em 2012, a venda da OHL para a espanhola Abertis (51%) e a estadunidense Brookfield Motorways (49%) gerou a Arteris.

(3) Entrevista concedida em Sao Paulo em 31 de marco de 2011.

(4) Entrevista concedida em Florianopolis em 08 de julho de 2011.

(5) In revista Transporte Moderno, ano 49, no. 451, jan-fev.2012, p.72.

(6) Entrevista concedida em Bento Goncalves (RS) em 4 de julho de 2011.

(7) Entrevista concedida em Sao Paulo em 28 de dezembro de 2011.

Caption: DIAGRAMA 1. Configuracao territorial do eixo paranaense

Caption: DIAGRAMA 2. Configuracao territorial do eixo catarinense (Garuva-Tijucas)

Caption: DIAGRAMA 3. Configuracao territorial do eixo catarinense (Tijucas-Ararangua)

Caption: DIAGRAMA 4. Configuracao territorial do poligono gaucho
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Author:Monteiro Huertas, Daniel
Publication:Ra'e Ga
Date:Aug 1, 2016
Words:7931
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