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Teoria e praxis revolucionaria dos trotskistas brasileiros (Sao Paulo, 1930-1945)/Teoria y praxis revolucionaria de los trotskistas brasilenos (Sao Paulo, 1930-1945)/Brazilian Trotskyists Revolutionary Theory and Praxis (Sao Paulo, 1930-1945).

Introducao

Um dos pontos cruciais do estudo da formacao da esquerda no Brasil refere-se as fontes teoricas produzidas ou retransmitidas pelo Partido Comunista do Brasil (PCB), na situacao e na oposicao. Em especial, no que concerne aos documentos produzidos pela oposicao, deliberadamente negligenciados pela historiografia dominante, presa a compromissos partidarios (1) mais do que ao seu oficio. A respeito, a observacao de Robert Alexander sobre ter descoberto nao existir nenhum estudo sobre o trotskismo internacional (2), quando se lancou a tarefa de escrever sua analise enciclopedica sobre o tema, continua, em grande parte atual para o caso brasileiro. Esse silencio vem sendo quebrado em trabalhos especificos sobre o trotskismo, surgidos nos finais do seculo XX e neste seculo, mas que ainda sao insuficientes em numero e natureza para dar uma resposta plausivel a problemas relacionados aos primeiros anos do trotskismo, quando uma parcela de camaradas aderiu ao internacionalismo marxista-leninista, denunciando desvios e erros da Terceira Internacional. A fim de responder a questao que se coloca a respeito do significado das dissidencias e dos dissidentes na organizacao da massa trabalhadora e no estabelecimento do comunismo no Brasil este artigo apoia-se em testemunhos dos proprios revolucionarios, cujas experiencias sao consideradas como mediadoras necessarias entre os conceitos de consciencia e acao coletiva de classe nas relacoes de producao (3) vigentes na primeira metade do seculo XX.

A fim de contribuir para o esclarecimento dessa questao, enfocam-se aqui os debates teoricos entre as militancias stalinista e trotskista, a partir dos pontos de vista da ultima. Trata-se de tarefa complexa, pois nao basta identificar obras e ideias: e preciso ter em conta os meios de producao e difusao dos textos literarios utilizados pelos revolucionarios brasileiros. Os arquivos documentais vem em nosso auxilio. A acao das Delegacias de Ordem Politica e Social de Sao Paulo, sob o regime getulista (4), realizou uma coleta de livros, jornais, revistas, opusculos, boletos, entre outros, que auxilia a resolucao desse problema, mas que diz pouco sobre as circunstancias em que esse material foi produzido. Circunstancias essas melhor especificadas nos documentos lavrados pelos proprios militantes, em suas cartas e atas de reunioes. Nelas, encontram-se registrados os aspectos mais inesperados de um cotidiano, passado no gueto fisico e moral da dupla clandestinidade que enfrentavam, como perseguidos pela policia politica e como renegados pelo PCB: nexos que mantinham com editoras, estrategias por eles operadas para a difusao da teoria revolucionaria, problemas financeiros, gostos e estilos do grupo a que pertenciam. Enfim, um conjunto de assuntos esclarecedor do decantado estereotipo da tibieza teorica das primeiras liderancas de esquerda no Brasil, que, estranhamente, caminha ao lado da posicao consensual assumida pela historiografia de que a revolucao no Brasil resultou das nupcias entre o movimento operario e a teoria revolucionaria, fortalecida, apos 1917, pelo exemplo historico da "patria proletaria". Ao abrir mao de procurar na historiografia tradicional interpretacoes sobre a producao, circulacao e consumo da teoria marxista, assumimos uma abordagem metodologica, que incorpora a narrativa historiografica a voz dos trotskistas e permite que, na condicao de atores sociais, apresentem a sua versao dos acontecimentos, efetuada no calor de sua praxis revolucionaria. Documentos de primeira mao produzidos pela policia ou pelos trotskistas ajudam a compor um quadro que incorpora os debates dos dissidentes comunistas a historia do Partido Comunista do Brasil, apresentando a teoria e a pratica revolucionarias no vies da Oposicao de Esquerda. Com tais procedimentos, busca-se contribuir para o conhecimento sobre os dissidentes, em seu cotidiano de lutas contra a Comissao Central do Partido e a policia politica de Vargas.

1. O estado atual do conhecimento: a bibliografia especializada

Quanto a bibliografia especializada, International Trotskyism. 1929-1985. A Documented Analysis of the Movement, de Robert J. Alexander, com suas mais de mil paginas, constitui a unica historia geral sobre os numerosos movimentos, com seus figurantes respectivos, que compuseram a Oposicao de Esquerda Internacional. Com perfil enciclopedico, essa obra e definitivamente referencia obrigatoria para os interessados em compreender um movimento que, por mais de meio seculo, teve impactos significativos na cultura politica de paises situados nas mais diversas partes do mundo. Por meio de uma massa expressiva de material, reunido a partir de multiplas fontes, da qual sobressaem entrevistas realizadas com algumas das mais expressivas liderancas trotskistas, Alexander apresenta uma historia documentada sobre as origens, desenvolvimento e natureza dos movimentos trotskistas em todo o mundo, incluindo, necessariamente, o nosso pais. As explicacoes por ele fornecidas a respeito do primeiro trotskismo no Brasil encontram-se, neste artigo, amplificadas (e emendadas, em alguns pontos), como consequencia do carater exaustivo que esta pesquisa assumiu. A critica apresentada a obra de Alexander, de que se trataria de um trabalho altamente descritivo e sem elaboracao historica, nao parece se sustentar, quando confrontada com a vasta bibliografia que apoia os fatos apurados, com rigor e tenacidade (5).

Dainis Karepovs e o historiador nacional que mais se tem dedicado a estudar os trotskistas. Em sua dissertacao sobre o cisma de 1937-1938, declara que a historiografia das cisoes no PCB ocupa poucos paragrafos das obras que tratam daquele periodo e, em geral, mantem a interpretacao oficial dos stalinistas. Essa visao estilizada, pouco sistematizada, pouco lastreada por fontes de primeira mao, acaba por desclassificar a visao dos dissidentes, encerrando os saberes no aspecto institucional e burocratico da direcao partidaria e da Internacional Comunista. Karepovs observa que os partidos comunistas sempre tiveram o habito de reescrever suas proprias historias de acordo com a orientacao politica por eles praticada no momento historico em que tais textos foram produzidos--a cada mudanca de linha politica, muitos episodios tiveram sua interpretacao completamente alterada. Nos anos de 1970, as dissidencias voltaram a ser abordadas e subsidiadas por documentos, como faz Edgard Carone. No entanto, ao assumir a explicacao oficial que responsabiliza personalidades--que teriam errado na avaliacao do momento historico e na conducao do partido--pelas cisoes ocorridas, Carone tende a impedir o aprofundamento do exame e discussao da politica comunista nos anos de 1930 (6). E preciso arrolar, ainda, Ricardo Figueiredo de Castro, que trata da oposicao de esquerda brasileira (1928-1934), dos pontos de vista da teoria e da praxis brevolucionaria, nos anos cruciais da formacao e desenvolvimento dos primeiros trotskistas (1928-1924) (7).

Alzira Lobo de Arruda Campos elaborou ampla pesquisa sobre o trotskismo em Sao Paulo, a qual exauriu fontes produzidas pelos revolucionarios e pela repressao, procurando entender, na vida particular dos Opositores de Esquerda, o papel que as dissidencias operaram na organizacao do Partido Comunista do Brasil (8). No ambito do materialismo historico, a autora realiza uma historia da classe trabalhadora encarando os destinos pessoais dos militantes a luz da luta dialetica do trabalho contra o capital (9).

Murilo Leal Pereira Neto contribui para esclarecer determinadas posicoes e trajetorias dos aderentes da Liga Comunista em Sao Paulo. Ao mostrar o que foi o trotskismo no Brasil no periodo de 1952-1966, sua analise acaba por incorporar circunstancias de vidas dos trotskistas na epoca de Vargas. No campo teorico-metodologico, Pereira Neto desenvolve criticas a historiografia nacional, que se tornam quase inevitaveis para os estudiosos das dissidencias do PCB. Pereira Neto denuncia as obras que pretendem reduzir a historia do proletariado brasileiro a historia do partido e a tendencia academica que reproduz acriticamente essa visao, "reduzindo a importancia de outras correntes e praticas politicas e empobrecendo a compreensao da pluralidade real de influencias, praticas, tentativas e projetos que constituem a historia da esquerda brasileira" (10). Como exemplo, sao citadas as numerosas obras de Carone dedicadas ao estudo do movimento operario no Brasil e a historia do PCB, que esquecem ou desqualificam a acao dos trotskistas, sumaria e erroneamente. Daniel Aarao Reis--continua a critica--exclui os trotskistas das organizacoes comunistas no Brasil "pela sua pequena expressao politica e social", restringindo-se a estudar os grupos que "assumiram o 'legado' marxista-leninista e a contribuicao da III Internacional" (11).

Entre as obras coletivas relativas ao tema, vale destacar Trotsky hoje, livro comemorativo do 50[grados] aniversario do assassinato de Trotsky, que apresenta, a partir "do balanco das ideias e da trajetoria desse lider, os problemas do socialismo ao longo de nosso seculo, em especial no presente" (12). Esse livro reune reflexoes sobre pontos importantes do revisionismo que se seguiu a morte de Stalin, como no caso de Wladimir Billik, historiador sovietico, que escreveu ao comite central do Partido Comunista da Uniao Sovietica e apontou a necessidade de se reexaminar a historiografia sobre o tema, uma vez que:
"no imenso legado ideologico de Trotsky ha muitas indicacoes
extremamente uteis que dizem respeito as nossas tarefas mesmo atuais,
tanto nos dominios politico e economico quanto nos campos nacional
social e de ideias. [...] nos anos 20, a formula "Lenin e Trotsky"--
demonstrando que, entre os colaboradores de Lenin, Trotsky era o mais
importante, o de maior autoridade e popularidade--era bastante
conhecida tanto pelos amigos quanto pelos inimigos da revolucao. Mas
esse verdadeiro lado de Trotsky foi, ate hoje, dissimulado as geracoes
posteriores. Durante decadas, seu nome esteve ligado a tantas acusacoes
sem fundamento que ele se tornou, para muitos, um termo negativo (13)".


Jose Castilho Marques Neto, por sua vez, estuda as origens do trotskismo no Brasil, buscando ensinamentos na dimensao social das vidas de militantes do "contrafluxo", especialmente em Mario Pedrosa. Com esse procedimento, Castilho traz relevantes aportes a visoes que se tem preocupado, talvez em demasia, com o significado puramente politico do assunto ou com personalidades ja consagradas pela historiografia sobre o PCB.

Um pouco no prisma de Castilho, esta analise procura verificar o papel desempenhado pelos primeiros ativistas dissidentes do stalinismo, auferindo o impacto que a teoria marxista-leninista e a Revolucao Russa (em seus triunfos e vicissitudes) tiveram na organizacao do pensamento e da militancia de esquerda, na capital paulista. Fundamentalmente, preocupa-se com os trotskistas--reunidos efemeramente na Liga Comunista Internacionalista--, atendendo a necessidade de reavaliacao do que significaram as presencas de Mario Pedrosa, Livio Barreto Xavier, Aristides da Silveira Lobo, Joao da Costa Pimenta, Joao Matheus, Victor de Azevedo Pinheiro, Plinio Gomes de Mello--do grupo a que Fulvio Abramo denominou de "primeiro trotskismo"--no processo subsequente do movimento revolucionario: da semente entao plantada e cujos resultados sao muito mais significativos e promissores do que geralmente se considera (14).

Alem dessas obras mais diretamente conectadas aos proto-trotskistas, sao imprescindiveis para o estudo de questoes que levaram parte dos camaradas a oposicao determinados autores que cuidaram da formacao do Partido Comunista, de seus conflitos e integracao nos primeiros anos da sua historia. Estao nessa linha, entre outros: Ronald H. Chilcote (15), John W. F. Dulles (16), Eliana Regina de Freitas Dutra e Yonne de Souza Grossi (17), Paulo Sergio Pinheiro (18), E. P. Thompson (19) e Moises Vinhas (20).

E preciso lembrar que os revolucionarios das decadas de 1920 e 1930 consideravam que o perfeito conhecimento da teoria marxista, expressa pelo bolchevismo-leninismo, implicava a vitoria da revolucao. A teoria cientifica e a pratica revolucionaria caminhariam juntas, rumo a sociedade sem classes. Motivo, pois, suficiente para explicar o empenho com que as liderancas paulistas traduziam obras, organizavam seminarios e cursos, promoviam debates, editavam livros e jornais, veiculando reflexoes teoricas internacionais e locais basicas as "estrategias da ilusao" desse momento historico. Essas atividades, que podem ser acompanhadas nos registros da revolucao/repressao, espantam pelo volume e resultados alcancados, quando analisados no quadro das possibilidades de leitura que teriam os militantes nesse momento historico. Os intelectuais constituiam figuras-chave e obvias dessa esfera, mas nao a esgotavam, pois os conceitos apreendidos por eles eram rapidamente transmitidos ao operariado, o verdadeiro dono da revolucao. Os operarios, por sua vez, "intelectualizavam-se" ao absorverem a fundamentacao doutrinaria que lhes era transmitida por meio de jornais, livros, cursos, conferencias.

2. Raizes bolcheviques

O desenvolvimento internacional da Oposicao de Esquerda deita raizes na Revolucao Russa de 1917, nos seus 12 primeiros anos e, principalmente, na Internacional Comunista. Robert J. Alexander nota que, 55 anos depois de Karl Marx estabelecer a Primeira Internacional em Londres, em 1864, e 30 anos depois de os discipulos de Marx organizarem a Segunda Internacional (Socialista) em Paris em 1889, Vladimir Ilyitch Lenin e Leon Trotsky fundaram a Terceira Internacional. Esta organizacao, formalmente conhecida como Internacional Comunista, foi o primeiro grupo que teve a ambicao objetiva de criar o partido da revolucao mundial, um partido internacional com secoes nacionais. Nos primeiros tempos de sua existencia, o comunismo internacional atraiu um grupo heterogeneo de entusiastas, como os socialistas, que se sentiram identificados com os ataques do Comintern ao sistema capitalista; os pacifistas, que se juntavam a oposicao do Comintern a guerra; e os anarquistas, que confundiram inteiramente a natureza da Revolucao de 1917 com as suas proprias ideias a respeito do comunismo internacional. Por sua vez, os lideres bolchevistas pretendiam criar um partido internacional governado pelos mesmos principios de "centralismo democratico"--o Partido Comunista da Uniao Sovietica--e o estabelecimento de uma "ditadura do proletariado", como etapa necessaria para a construcao da sociedade socialista (21).

O ano de 1923 foi, na Europa, um ano de refluxo da revolucao, que apresentou uma curva ascendente de 1917-1919 e descendente em 1920 e 1921. Em setembro de 1923, explodiram greves em diversas fabricas da Russia. Ao mesmo tempo, no partido, surgiram agrupamentos ilegais hostis ao comunismo, como uma oposicao anarco-sindicalista e uma oposicao menchevique, que foram dissolvidas. Em outubro, Trotsky dirigiu ao Comite Central uma carta que insistia na aplicacao da democracia interna do partido e na aplicacao estrita e imediata das teses sobre o plano economico. O Partido Comunista era dirigido pela chamada "troika" (constituida por Kamenev, Stalin e Zinoviev), que combatia Trotsky. Assim nasceu a Oposicao de Esquerda Internacional contra Stalin e liderada por Trotsky. Este e um grupo de velhos bolcheviques acusaram o partido bolchevique de degenerescencia, da extincao de sua democracia interna e do nascimento de uma burocracia privilegiada, que monopolizava os poderes do Estado e do partido (22).

A morte de Vladimir Ilyitch Lenin, ocorrida em 1924, seguiu-se uma luta sangrenta pela sucessao ao poder, entre Leon Trotsky, o sucessor obvio de Lenin, visto internacionalmente como a segunda figura da revolucao, e Stalin, o poderoso secretario-geral do partido. Trotsky, alem de haver organizado e liderado o exercito vermelho (com o qual pos fim a guerra civil de 1918-1921), era um teorico genial e um grande orador. Entretanto, deparou-se com a capacidade de conspiracao e de manobras politicas de Josip Djugashvili (nome de partido, Joseph Stalin), um dos mais importantes lideres da revolucao em 1922. Note-se, ademais, que Trotsky tinha uma fragilidade fatal: ele fora um dos ultimos a se aliar aos bolcheviques, alguns meses apenas antes da queda do governo de Aleksandr Kerensky, em 7 de novembro de 1917, e, nos anos anteriores a Primeira Guerra Mundial, ele fora um critico de Lenin e dos bolcheviques. Consequentemente, foi sempre compelido a demonstrar que era melhor bolchevique do que outros que se aliaram precocemente a Lenin. Na verdade, Trotsky elaborou uma das mais brilhantes analises sobre a natureza e os provaveis resultados da teoria de Lenin sobre o "centralismo democratico" e a "ditadura do proletariado". Ele previu a vitoria da ditadura do partido sobre a ditadura do proletariado, do Comite Central do partido sobre o proprio partido, e de um homem sobre o Comite Central.

Na ultima fase da doenca de Lenin, Stalin manobrou para ser o secretario-geral do partido, virtualmente o "guardiao de Lenin". Trotsky, afastado da organizacao, deu inicio a Oposicao de Esquerda em 30 de janeiro de 1924, alguns meses antes da morte de Lenin. Nesse momento, nasceu uma alianca destinada a afastar Trotsky do poder e formada pela "Primeira Troika": Stalin, o secretario-geral do Partido Comunista da Uniao Sovietica; Grigori Zinoviev, chefe do partido na regiao de Petrogrado e do setor internacional do partido; e Lev Kamenev, lider do partido na regiao de Moscou. Essa troika afastou Trotsky do poderoso posto de Comissario da Guerra. No entanto, Zinoviev e Kamenev comecaram a se incomodar com o crescente poder de Stalin, e, na primavera de 1926, uniram-se com Trotsky--a Oposicao de Leningrado--para formar uma Segunda Troika, a chamada Oposicao Unificada, acusada de fracionismo e vitima de boicotes nos debates partidarios. Afastados facilmente de seus postos de lideranca, Trotsky e Zinoviev foram expulsos do Partido Comunista no Congresso de novembro de 1927. Nos meses seguintes, o mesmo aconteceu a Kamenev. Posteriormente, Trotsky sofreu um exilio interno, proximo a fronteira chinesa, e finalmente em janeiro de 1929 foi expulso da Uniao Sovietica. Zinoviev e Kamenev capitularam diante de Stalin (23).

A fase final da luta interna teve lugar em 1928-1929, quando Stalin transformou Nikolai Bukharin, o lider da Direita do partido, em seu principal aliado na luta contra a Oposicao Unificada. Bukharin sucedeu a Zinoviev como chefe do Comintern e presidiu o seu Sexto Congresso em agosto de 1928. Entretanto, ele se opos as abruptas mudancas na politica agraria e industrial forcadas por Stalin e ao exilio de Trotsky. Em fins de 1929, Bukharin estava totalmente derrotado e controlado por Stalin. Muitas personalidades se envolveram na luta travada pelo poder, nesses cinco anos, particularmente na controversia entre Stalin e Trotsky. As discussoes provenientes dessa luta centraram-se nas politicas internas da Uniao Sovietica e em questoes que envolviam o Comunismo Internacional. Trotsky, por exemplo, era contrario a Nova Economia Politica (NEP), pregava a coletivizacao da agricultura e enfatizava os perigos para o regime que representaria a existencia prolongada de pequenos proprietarios de terra. A posicao de Stalin sobre o "socialismo num unico pais" era veementemente combatida por Trotsky, que propunha, em substituicao, a teoria da Revolucao Permanente.

Duas diretrizes dos assuntos estrangeiros constituiam tambem materia de discussao na luta pelo poder na Uniao Sovietica, nos anos 1920. Uma era a "alianca" que os sindicatos sovieticos formaram com o Congresso Sindical Britanico em meados de 1920, e que recebia oposicao de Stalin. Outra era a continuacao da alianca do Comintern e do Partido Comunista Chines com o Partido Nacionalista Chines (Kuomintang), a qual se opunha Trotsky. Em maio de 1927, Chiang Kai-shek, o principal lider do Kuomintang e fortemente anticomunista, exterminou o Partido Comunista Chines.

Ora, esses conflitos afetavam inevitavelmente o Comintern e os partidos comunistas, membros dessa organizacao. Trotsky foi um dos principais fundadores do Comunismo Internacional. Nos primeiros anos da decada de 1920, ele estava encarregado das relacoes sovieticas com os paises latinos: Franca, Espanha, Portugal, Italia e, tangencialmente, America Latina. Nessa funcao, envolveu-se pessoalmente em muitas das numerosas controversias internas que surgiram nas secoes nacionais do Partido Comunista, muitas das quais ainda nao sabiam o que estava acontecendo na Uniao Sovietica. Ademais, embora muitos lideres comunistas estrangeiros fossem mal informados e, na realidade, pouco interessados na briga interna do Partido Comunista da Uniao Sovietica, havia um grande numero de lideres comunistas estrangeiros que mantinha relacoes com um ou outro dos lideres de faccoes daquele partido. Esses lideres, com a intensificacao da luta, trataram de obter apoio nos partidos estrangeiros. Com esse objetivo, Trotsky deu a conhecer uma copia do chamado "Testamento Politico de Lenin", escrito na fase final de sua doenca, no qual, entre outras coisas, ele diz ser urgente a remocao de Stalin do cargo de secretario do Partido Comunista da Uniao das Republicas Socialistas Sovieticas.

Por outro lado, Zinoviev, na direcao do Comintern Internacional (CI), inaugurou um processo do bolchevizacao desse orgao, enquanto figurava como membro da Primeira Troika, antitrotskista. O controle de Moscou sobre os partidos nacionais resultou na expulsao de muitos camaradas em diversos paises. Entretanto, com a formacao da Oposicao Unificada na Uniao Sovietica, e a consequente substituicao de Zinoviev como presidente do Comintern, muitos zinovievistas tornaram-se aliados naturais dos trotskistas, embora estes estivessem bastante ressentidos com o papel que Zinoviev e seus amigos estrangeiros tiveram na expulsao de Trotsky do movimento comunista (24).

Em 1928, Trotsky e outros membros do partido deportados para a Siberia e para a Asia Central organizaram-se fracionalmente, mantendo por carta uma discussao sobre os principios e as perspectivas da Revolucao. Para por cobro a essa atividade, Stalin expulsou Trotsky da Uniao Sovietica e interrompeu a correspondencia entre os deportados. Trotsky fora ate entao o teorico e o chefe de uma fracao do partido, que se considerava como membro legitimo dele e que lutava para nele ser reintegrado. Em razao da brutal repressao aos fracionistas sovieticos, ele considerou que o impulso para a regeneracao da Internacional Comunista e do partido teria que vir do exterior--impulso esse considerado como capaz de retomar o movimento revolucionario, traido por Stalin e seus epigonos. Em seu exilio, Trotsky dedicou-se a reconstrucao da fracao internacional da Oposicao de Esquerda, atraindo comunistas e ex-comunistas oponentes ao regime stalinista. Para tanto, uma de suas maiores tarefas foi tentar definir com exatidao o corpo de ideias em torno do qual ele organizava o movimento internacional.

A ideologia trotskista mudou de maneira consideravel no pouco mais de uma decada em que Trotsky a expos, e muitos de seus seguidores a mudaram parcialmente nas cinco decadas que se seguiram a sua morte. Trotsky havia definido o trotskismo entre 1929-1932, baseado particularmente em tres oposicoes: ao socialismo num unico pais; a politica anglo-russa do Comite de Unidade Sindical, e a politica de Stalin-Bukharin na Revolucao Chinesa. A proposta fundamental dessa teoria refere-se a teoria e pratica da Revolucao Permanente: so o proletariado (apoiado pelo campesinato) poderia resolver todos os problemas da revolucao democratica no curso do estabelecimento da ditadura socialista do proletariado. A teoria do "desenvolvimento desigual e combinado", como uma extensao do conceito de revolucao permanente, e tambem um conceito basico do trotskismo, assim como a nocao das "demandas transitorias" e a tatica da frente unica. Mais problematica era a insistencia de Trotsky de que a Uniao Sovietica continuava a ser um Estado operario. Ele analisou extensamente o que chamava de "degenerescencia" da Uniao Sovietica, mas continuou a defender o que Robert Alexander chama de sua "bona fides", mesmo quando um grupo importante de seus seguidores mudou de posicao. Apos a sua morte, essa ideia foi a base de muitas controversias entre trotskistas.

Outro elemento basico do trotskismo, depois de 1929, foi a aceitacao do leninismo. Isso envolveu os conceitos de partido de vanguarda, centralismo democratico e a ditadura do proletariado. Relacionada a aceitacao do leninismo, Trotsky e seus seguidores fizeram uma leitura da democracia politica, o que ocasionou conflitos evidentes em relacao a esse assunto (25). Em resumo, Trotsky propos aos excluidos do Partido Comunista que assumissem posicao a respeito das tres questoes capazes de definir uma verdadeira oposicao de esquerda na Internacional Comunista, claramente distinta da direita blanderiana e do centro stalinista: o comite sindical anglo-russo, a Revolucao Chinesa--destruida pela submissao do Partido Comunista ao Kuomintang--e a politica da Uniao Sovietica ligada a teoria da construcao do socialismo num so pais.

O problema crucial, entretanto, da Oposicao de Esquerda prendia-se a natureza do Estado sovietico, visto como nao mais um Estado operario ou socialista, mas como uma nova forma social de exploracao. Muitos oposicionistas consideravam que a revolucao so seria salva por um novo partido, distinto e concorrente do Partido Comunista, e, com o tempo, uma nova Internacional, que poderia ser a IV. Estavam nessa posicao Maurice Paz, na Franca, Hugo Urbahns, na Alemanha, e Henk Snnevliet, na Holanda, motivo pelo qual Trotsky com eles rompeu. No entanto, conseguiu obter sucesso na Franca, onde reuniu em torno do semanario La Verite membros de oposicao de origem diversa. Tambem na Alemanha, na Belgica, na Espanha, na Italia, nos Estados Unidos, na Tchecoslovaquia e na China, Trotsky conseguiu adeptos de suas teses, que organizaram, em seus paises, fracoes da Oposicao de Esquerda Internacional, constituidas por centenas dos melhores quadros dos partidos comunistas. O Brasil era o principal polo de influencia da Oposicao de Esquerda na America Latina, seguido pelo Mexico. No Brasil, o Estado de Sao Paulo--o mais desenvolvido industrialmente--constituiu o foco da Oposicao de Esquerda, abrigando as maiores liderancas dissidentes do Partido (26).

3. O socialismo cientifico na praxis revolucionaria da Oposicao de Esquerda
"[...] cada homem de partido tem o direito e o dever de exigir dos
chefes explicacoes claras, definicoes completas e analises teoricas
acabadas. Os operarios devem ser tratados como seres pensantes e nao
como gado. [...] Nao basta enunciar os problemas: e preciso dar-lhes
reformulacao teorica, desenvolve-los, esclarece-los e indicar-lhes
solucoes adequadas. O radio nao e o melhor veiculo para um trabalho
dessa natureza. O livro continua sendo o grande instrumento de cultura.
Os lideres partidarios devem demonstrar que leram alguma coisa e que
sao capazes de transmitir aos seus adeptos aquilo que aprenderam" (27).


O pensamento acima expressa a importancia que os militantes davam ao discurso politico e ao livro, como ferramentas necessarias a difusao da teoria marxista entre os operarios, o que nos ajuda a compreender as estrategias que desenvolveram nos embates que travaram contra os stalinistas. Os dirigentes do partido deveriam adquirir, para a sua formacao ideologica, os livros seguintes: Historia do Partido Bolchevique da URSS e Duas taticas, de Lenin, Os fundamentos do leninismo, de Stalin, e o Manifesto comunista, de Engels e Marx (28). Proibia-se a leitura de autores comprometidos direta ou indiretamente com a Oposicao de Esquerda ou com o anarquismo, o que, de alguma forma, ajuda a conferir a identidade politica aos donos de bibliotecas confiscadas pela policia. Mesmo jornais nao comunistas figuravam no index stalinista.

Menos dogmaticos nas leituras, os oposicionistas realizaram esforcos ingentes para se inteirarem de uma teoria complexa e de dificil aplicacao ao "carater da revolucao brasileira". Para eles, os oito grandes classicos do socialismo cientifico eram Marx, Engels, Lenin, Rosa Luxemburgo, Trotsky, Plekhanov, Kautsky e Bukharin (29). Porem, como a identidade da oposicao se afirmava no combate a "desvios stalinistas", as obras da "situacao" integravam o rol das leituras dos membros da liga. A preocupacao pelos estudos teoricos baseava boa parte da correspondencia dos opositores de esquerda. Assim, Edmundo Moniz escreve a Livio Barreto Xavier, de Ribeirao Preto, informando que desenvolvia uma ativa propaganda literaria, procurando fazer os operarios lerem o mais possivel Principios, Dez dias, Socialismo Utopico etc., e que, na vizinha cidade de Altinopolis, ja existia um pequeno numero de individuos interessados em ler livros basicos sobre a dialetica marxista, "pois tudo que tinham lido era desordenadamente" (30). Em nova missiva, manifesta o desejo de renovar as assinaturas de La Verite e de La Lutte de Classe, ao mesmo tempo que critica as traducoes do Pintaude, necessitadas de revisoes, pois era impossivel ler livros como Socialismo Utopico e Socialismo Cientifico em razao "dos muitos erros e linhas puladas". Por fim, intima Livio a lhe escrever sobre "as unicas cousas que me poem ao par do movimento em hora tao safada, como a que corremos por culpa da burocracia" (31).

Outra carta de Edmundo Moniz informa que, no interior paulista, a situacao piorara muito, porque a grande maioria do operariado, que estava mais inclinada a ler e a refletir sobre os assuntos da classe, aderira ao Partido Socialista, fundado pelo "fascista" Juarez Tavora. Para os trabalhadores, o Partido Comunista era "uma especie de misterio, de mito, pois por aqui so vagamente se falava nele" (32).

4. Proselitismo politico no cotidiano dos trotskistas: o papel dos livros e dos jornais

Na producao teorica dos oposicionistas, e preciso incluir as numerosas pesquisas que eles realizavam sobre a realidade social brasileira. Victor de Azevedo Pinheiro, por exemplo, no periodo em que permaneceu em Bariri (Sao Paulo), elaborou dois trabalhos que serviram para caracterizar a situacao brasileira no complexo problema da revolucao mundial. Essas pesquisas denotam atividades de campo, a revelar um trabalho anterior de entrevistas junto aos trabalhadores. O texto de Pinheiro levanta um quadro minucioso e sombrio das condicoes de vida do campesinato, corrigindo a ideia de que as liderancas revolucionarias nao se preocupavam em analisar as condicoes objetivas para a revolucao nacional (33).

As voltas com dificuldades financeiras constantes, os opositores de esquerda eram assiduos frequentadores da Biblioteca Municipal de Sao Paulo. Nessa qualidade, Victor Pinheiro, em 1930, dirige uma carta a Eurico de Goes, diretor daquela biblioteca, dizendo que, desde 1928, quando a Biblioteca fora franqueada ao publico, acostumara-se a consultar nela diversas obras que foram, posteriormente, subtraidas da consulta do publico, por ordem de Anhaia Mello. Assim, ao fazer o pedido de duas obras de Karl Kautsky La Revolution Socialiste e Socialismo e Malthusianismo, teve a primeira cedida, mas a segunda tinha sido retirada da biblioteca por ordem do prefeito municipal. Na mesma ocasiao, Pinheiro pedira O Estado e a Revolucao, de Lenin, e diversas obras de Trotsky, "de excelente traducao espanhola", que ele costumava consultar "nos terriveis tempos do PRP [Partido Republicano Paulista] e da reacao policial do delegado Laudelino de Abreu", mas todas elas tinham tambem sido retiradas de circulacao, salvando-se apenas as edicoes em idioma frances. Nessa manobra, Pinheiro identificava acao repressiva, destinada a afastar os operarios da teoria revolucionaria (34).

Desde os primeiros momentos de sua existencia, a Oposicao de Esquerda cuidou de publicar o jornal A Luta de Classe e o Boletim da Oposicao. Uma nota fiscal, emitida em 21 de marco de 1931, registra que Aristides Lobo havia pago a vista 225$000 por 1.000 exemplares de A Luta de Classe, cada um deles com seis paginas (35). Da sua fundacao a morte de Trotsky, A Luta de Classe foi o porta-voz das diversas organizacoes dissidentes nacionais. O seu nome era um homonimo do jornal frances La Lutte de Classe, dirigido por Pierre Naville, que exerceu grande influencia sobre a Oposicao de Esquerda brasileira, a comecar pela cooptacao de Pedrosa as ideias trotskistas.

A edicao de A Luta de Classe era tarefa prioritaria dos trotskistas. Apesar das grandes dificuldades financeiras que enfrentavam e da situacao de clandestinidade permanente em que se viam, os opositores sempre imprimiram o seu jornal, uma vez que muitos deles eram graficos que se utilizavam dos horarios mortos de seus locais de trabalho para edita-lo. Em 1934, o grupo Fernando-Alves, liderado por Aristides Lobo, Victor de Azevedo Pinheiro e Joao Matheus, passou a publicar o jornal A Luta de Classes, do qual, por referencias internas da liga, sabemos que foram publicados pelo menos dois numeros (36). A Luta de Classes deveria ser mensal, mas, sujeito as agruras de seus editores, possuia periodicidade muito irregular. Tem-se noticia de 45 numeros desse jornal (37).

Os dissidentes tambem publicaram O Proletario e O Homem Livre. O ultimo destinava-se a servir a linha politica das frentes unicas--em especial, a Antifascista--, assumida pela Liga, em 1933. Todos os elementos da Liga obrigavam-se, na medida do possivel, a colaborar no jornal O Homem Livre, especialmente Aristides Lobo e um camarada designado por "italiano" (provavelmente Gofredo Rosini) (38). Os opositores de esquerda, ao assumirem posicoes contrarias a direcao nacional do PCB, esmeraram-se no estudo e veiculacao da teoria marxista, uma vez que entendiam que os fracassos da esquerda revolucionaria decorriam do falso entendimento daquela teoria. Dessa forma, confirmavam a sua qualidade de intelectuais e apontavam para a necessidade de definicao teorica e pratica da situacao brasileira e da sul-americana. Eles "nao queriam ser apenas literatos, pois o tempo do romantismo ja passara" (39).

Imbuidos do pragmatismo intelectual acima mencionado, os opositores liam, produziam e discutiam obras revolucionarias, denunciando os erros que viam na direcao nacional, na Internacional Comunista e no stalinismo. A celebre obra Agrarismo e Industrialismo, de Octavio Brandao, desde 1928, recebia duras criticas dos oposicionistas, como produto de "puro idealismo progressista" e nao de "marxismo realista" (40). Agrarismo e Industrialismo teria reeditado velhos erros oportunistas e surgido para tornar a situacao mais confusa, aumentando ainda a obscuridade da massa, do partido e da classe operaria. O Partido Comunista sofria as consequencias de sua "doenca de nascimento". Fundado pelo meio de 1922, ele vivera, na realidade, ate o fim de 1923, como um inofensivo "grupo de oprimidos, assembleia heterogenea de anarquistas". Em consequencia da "extrema indigencia teorica" do pequeno numero de seus fundadores e da reacao policial que o acompanhou desde o berco, o Partido Comunista so se formou verdadeiramente em 1924, apos a morte de Lenin. O longo periodo de reacao contra o pensamento e a obra de Lenin, que se seguiu apos a sua morte, so chegou ao conhecimento dos camaradas brasileiros no inicio de 1928.

As informacoes que se podiam obter sobre a luta da oposicao russa eram confusas e unilaterais, uma vez que a burocracia que controlava o partido agia livremente, escudada pela ausencia quase completa de literatura revolucionaria. Fora precisamente em 1928 que um grupo de camaradas mais esclarecidos tentara opor uma barreira aos atentados que se cometiam contra os principios marxistas, mas fracassaram por nao terem elaborado uma plataforma que definisse seu ponto de vista. Foi apenas pela metade de 1930, com a fundacao do Grupo Comunista Lenine, que se criaram as premissas de uma analise critica da situacao. Com base nessas premissas, Livio Xavier e Mario Pedrosa, em outubro daquele ano, redigiram um esboco sobre a situacao nacional, a luz da teoria marxista e da experiencia nacional da luta de classes (41).

5. Debates teoricos entre trotskistas e stalinistas

O ano de 1931 foi marcado por embates teoricos que criticavam a falta de entendimento do partido e de seus representantes junto a Internacional Comunista sobre a situacao nacional. De acordo com os opositores, a propaganda de conscientizacao da massa implicava o uso de conceitos simples, expressos com didatismo. Um longo manuscrito a lapis, preparado para publicacao (com linhas e paginas contadas), existente no prontuario de Mario Pedrosa, condena pesadamente a religiao e revela influencias do anarquismo e do positivismo na optica dos dissidentes. Como os trotskistas tentavam aumentar sua influencia na Federacao Operaria, manobrada pelos anarquistas, e possivel que esse documento tenha adotado conscientemente uma linguagem que pudesse encontrar audiencia entre libertarios (42).

As posicoes assumidas pelas correntes comunistas produziram analises teoricas discrepantes, nao raro antagonicas, saidas das penas de trotskistas e stalinistas. Assim, em 3 de fevereiro de 1930, Pedrosa critica o famoso manifesto dos intelectuais--Pela revolucao agraria e pela revolucao anti-imperialista--, saido em A Classe Operaria, como um caso tipico de miseria ideologica, que nao era nem menchevismo, muito menos comunismo ou marxismo. Os opositores de esquerda recusaram-se a assinar, mas intelectuais revolucionarios subscreveram o tal manifesto, desde Di Cavalcanti e Jose Neves, ate Plinio Mello, Everardo Dias e Antonio Mendes de Almeida, entre outros (43). O jornal Auto-Critica era lido por todos os comunistas, pois trazia as teses do partido sobre a situacao, com as perspectivas e palavras de ordem, que serviam muitas vezes de base para as criticas dos opositores. Pedrosa recomenda a leitura de dois livros "excelentes" do Istrati: Soviets, 1929 e La Russie Nue. Pedrosa achava que os literatos iam de mal a pior. Conhecera a Tarsila, que considerou muitissimo mais interessante que "sua pintura sem importancia", e o Oswald de Andrade, "sujeito simpatico e engracado", que o procurava para conversar e afirmar os pontos de contato da antropofagia com o comunismo (44).

A literatura revolucionaria abrangia romances e poemas, comuns nas referencias policiais. O bom crioulo, de Adolpho Caminha, e citado numerosas vezes, especialmente no caso de militantes negros. Judeu sem dinheiro, de Michael Gold, cumpre funcoes semelhantes para os judeus revolucionarios. Poemas proletarios, do trotskista Paulo Torres, e provavelmente a obra do genero mais encontrada nas bibliotecas dos subversivos. Jorge Amado recebeu duras criticas, estendidas a literatura modernista: "Segundo os pseudos escritores 'proletarios' do Brasil, fazer literatura e escrever errado, empregar mal todas as palavras e ter uma profunda ingenuidade pelas coisas da vida. E assim o Cacau. [...] Jorge Amado pensa que a revolucao proletaria sera feita com as prostitutas [...]" (45).

6. Teoria, Agitacao e Propaganda

Das leituras aconselhadas para os militantes da Liga, Dez dias que abalaram o mundo era essencial. Tratava-se de entender a primeira experiencia vitoriosa dos proletarios, numa epoca em que as esperancas e os temores dos comunistas eram inseparaveis da Revolucao Russa, pois, "todo partido comunista foi filho do casamento--realizado tanto por amor quanto por conveniencia--de dois parceiros mal-ajustados: uma esquerda nacional e a Revolucao de Outubro" (46). Aristides Lobo, tradutor e prefaciador de Dez dias que abalaram o mundo observa que qualquer que fosse o desenlace do drama historico comecado a 7 de novembro, a Revolucao Russa era definitivamente um fato de grande importancia incorporado a historia do mundo, independentemente do combate de ideias e de interesses em torno (47). Um recibo datado de 4 de junho de 1931 e assinado por Aristides Lobo refere-se ao livro No caminho da insurreicao, de Lenin, por ele traduzido, e que estava sendo editado sob a sua responsabilidade (48). Na mesma ocasiao, Victor Pinheiro traduzia A Revolucao Desfigurada, um artigo do "Ogum" (Trotsky) e pensava dar inicio a traducao dos trechos mais oportunos do 1905 (49).

Em julho de 1931, publicou-se um folheto de 21 paginas, de autoria de Lenin: Os objetivos do proletariado na Revolucao. Aristides Lobo assina a traducao, feita da edicao francesa de Victor Serge, de conformidade com a 2. (a) edicao russa das Obras Completas de Lenin. Em epigrafe, a frase: "As 'legioes revolucionarias', com a sua mentalidade pequeno-burguesa e a sua demagogia, foram organizadas para a corrupcao e a mistificacao do proletariado" (50). Permanentemente perseguidos pela policia, nos varios esconderijos em que se abrigavam, os intelectuais da Liga Comunista desdobravam seus esforcos teoricos. Fora do campo das traducoes, Lobo escreveu uma resposta ao "cavaleiro" (51) (palavra sempre grafada com "c" minusculo), encomendada por Xavier, enquanto este produzia um folheto sobre o carater da revolucao na Espanha. Lobo ainda elaborou um folheto sobre a Constituinte, "destinado a massa e servindo tambem para alguns dos nossos camaradas" (52).

Lobo e Pinheiro, compartilhando o mesmo esconderijo e iguaispreocupacoes, associavam-senas traducoes. A de Feurbach, iniciada por Lobo, foi concluida por Pinheiro, enquanto o primeiro terminava a de Cafiero. O que Salvador Pintaude pagasse seria dividido entre ambos. O Cafiero estava "por linhas", mas era preciso mais papel, que ele pede a Xavier (53). Dias depois, Lobo agradece o envio da encomenda, com texto jocoso:
"Bravos! Ja agora temos papel,
ao menos para escrever aos
mais proximos do nosso coracao...
'Quando eu, rua, por vos vou,
Todolos traques que dou
Sao suspiros de saudade!'" (54).


Informa, ademais, que lera o artigo do Bronstein, que Pedrosa enviara, e escreveria ao ultimo para "conversar sobre coisas de interesse". Para Livio, na carta que escrevia, nao queria dizer nada, "pois quero que seja toda amor e em amor termine" (55). Em 6 de janeiro de 1932, Lobo comunica a Livio ter enviado a traducao do Cafiero, insistindo para que Xavier "cavasse" com "Sergio" (Pintaude) o pagamento urgente (56). Com o pedido atendido, ele e Pinheiro passariam a traduzir o discurso de Stalin, a resposta de Trotsky e o projeto de plataforma para a Uniao Sovietica. Dariam o titulo aos tres de A URSS em 1931. Isso serviria para a Liga Comunista, e a Unitas poderia editar (57). Vez ou outra, as publicacoes causavam mal-estar entre os oposicionistas. Os meios eram poucos e as obras muitas. A decisao sobre o que publicar agravava-se com o "como" e o "quando" das edicoes. Sobre o projeto "L.D.T." (a publicacao das obras completas de Trotsky), ha uma carta de Lobo a Xavier, extremamente elucidativa dessas questoes:
"Pelos motivos constantes de minha carta anterior, eu pretendia nao
voltar ao assunto. [...] O argumento de disciplina a que voce recorre e
um disparate nesta questao. Mesmo antes da discussao interna, o
'projeto' de L.D.T. pode e deve, como projeto, tornar-se conhecido da
massa, e aqui no Brasil o unico meio e entrega-lo a um editor" (58).


As respostas aos stalinistas ocupavam necessariamente as preocupacoes editoriais dos oposicionistas, que resolveram, em janeiro de 1932, publicar um contramanifesto a Prestes (59). Quanto a publicacao de folhetos e manifestos da liga, vigorava o centralismo democratico, isto e, os camaradas deveriam obter a permissao do grupo para edita-los. Lobo, ao publicar por sua conta e responsabilidade, o folheto "Em socorro de Trotsky e em Socorro de Rakowsky" causou um mal-estar entre os companheiros da CE, mas o problema se resolveu, pois havia apresentado o projeto ao grupo a que pertencia--o "G.B.2" (60).

Para o endereco do Macedo, Lobo enviou a Plataforma, em espanhol, que ele lera quando ainda se encontrava em Botucatu, so tendo deixado de encaminha-la antes "por falta de cobre". Pede a Xavier que lhe mandasse, como prometera, o Maladie, pois precisava dele para fazer umas citacoes. Ele e Pinheiro remetiam, para o endereco da Unitas, um calhamaco a que deram o titulo de A URSS em 1931 (61). Para a Conferencia Nacional, iria escrever alguma coisa subordinada ao tema: Nossas tarefas para com o Partido (62). Lobo e Pinheiro tambem se declararam dispostos a traduzir o Maladie, mas, antes de comecar, queriam saber se haveria possibilidade de edita-lo e se nao eram reservados os direitos de reproducao (63).

Em 1931, Aristides Lobo traduziu e Peret prefaciou O Encouracado Potemkin, de Fritz Slang, editado pela Lux. Quando faltava o apoio de editoras como a Lux e a Unitas, a edicao de livros, folhetos, jornais e boletins valia-se de fundos arrecadados entre aderentes e simpatizantes da Liga Comunista. No mesmo ano, surgiram as editoras Pax (64) e Unitas destinadas a impressao e divulgacao de livros comunistas. A Grafico-Editora UNITAS Limitada (65), pertencente a Pasquale Petraccone--membro da LC--publicou quase todos os textos de Trotsky no Brasil durante os anos 1930. Com o aparecimento de No caminho da insurreicao, a Unitas e a Liga Comunista firmaram um acordo para a publicacao de obras marxistas revolucionarias, segundo um plano elaborado por Aristides Lobo, Livio Xavier, Mario Pedrosa e Victor de Azevedo Pinheiro (66). A analise documental atesta que os opositores controlavam a Unitas. Uma nota dessa editora, no valor de 239$300, arrola livros que custavam de 4$000 a 7$000, comprados por aderentes e simpatizantes da liga. O conjunto dessas obras inclui alguns dos principais autores de esquerda, lidos nas decadas de 1920 e 1930, o que atesta as preocupacoes teoricas dos trotskistas (67).

Embora destinada a publicacao de livros comunistas, em geral, a Grafico-Editora UNITAS Limitada, de Pasquale Petraccone, e a Pax, de Salvador Pintaude, eram controladas pelos trotskistas, ja que os seus donos pertenciam a Liga Comunista. Assim, Plinio Mello, em 5 de novembro de 1932, pede a Livio Xavier que propusesse a Pintaude a distribuicao de edicoes da liga com 50% de abatimento. Estava pronto para sair do prelo um folheto de 80 paginas--O que e o Trotskismo?--, e ja na tipografia estava Comunismo e Casamento. Mello aproveitou para pedir a Pintaude o original de Revolucao desfigurada (68). Em 10 de agosto de 1938, Pasquale Petraccone informa a Livio Xavier ter vendido o estoque da Casa Editora Unitas para a Companhia Editora Nacional e ter cedido as traducoes a Brasil Editora, pois nada de certo sabia relativamente ao seu destino (69). A Livraria Jose Olympio acabou por ocupar a vaga da Unitas, comprando "o Trotsky" em 28 de marco de 1941, quando ofereceu a Livio Xavier "tres contos" [de reis] pela traducao (70).

7. Politica editorial e educacao teorica dos camaradas

Existe no Fundo Livio Barreto Xavier uma lista de livros, talvez relativa a "Biblioteca Circulante Aurora", que fornece indicacoes sobre os objetivos da educacao teorica idealizada pela oposicao. As obras de Trotsky continuam a ser predominantes, seguidas por outras classicas do marxismo-leninismo. Leitura essencial, o Manifesto Comunista mereceu da Unitas uma edicao de 2.000 exemplares, entregues em consignacao as livrarias Garraux (100), Universal (70), Loja de Cultura (30), Teixeira (40), Globo (30) e Zenith (10), todas pontos de venda de livros subversivos, depois "estourados" pela policia (71). Antes de sua adesao ao PCB, Luis Carlos Prestes financiou uma edicao de O Manifesto Comunista e de mais sete obras, que sairam em nome de A Luta de Classe (72).

A Liga Comunista gastou com a edicao do Manifesto 2:800$000 (dois contos e oitocentos mil reis), enquanto No caminho da insurreicao, tambem editado, custou 5:600$000 (73) (cinco contos e seiscentos mil reis). Esforco notavel, se considerarmos as dificuldades de caixa da liga e de seus aderentes, expressas em farta documentacao, como nas anotacoes de "caixa", "saidas" e "despesas" registradas por Aristides Lobo em caderneta pessoal. Esses dados informam que os esforcos dos Opositores de Esquerda concentravam-se em publicacoes sobre o marxismo revolucionario e as posicoes que defendiam, diante do Partido Comunista e de acontecimentos nacionais e internacionais. Os camaradas de Sao Paulo e do Rio organizavam-se para o aumento de suas bibliotecas. Com esse objetivo, a LC realizou um acordo com a Regiao do Rio comprando a edicao do grupo "A Verdade" por 300$000 (trezentos mil reis), que seriam pagos em obras editadas pela Grafico-Editora UNITAS, pelo preco de custo (74).

Editoras menores cooperavam na obra de divulgacao ideologica, como a Editorial Udar, de propriedade de Osorio Cesar, companheiro de Tarsila do Amaral, e que tambem atuava como cobrador da clandestina Biblioteca Ruy Barbosa. A trajetoria politica de Osorio Cesar, teorico do PCB e o fundador, em 1925, do seu orgao A Classe Operaria (75), relata as tarefas dificeis dos intelectuais comunistas para se inteirarem da doutrina revolucionaria e veicula-la junto aos camaradas e a sociedade. Em seu circulo de relacoes, figurava Nize da Silveira, sua amiga de muitos anos, e o alemao Ernesto Joske, que o pos em contato com o Socorro Vermelho Internacional. Osorio Cesar escreveu o livro Onde o proletariado dirige, ilustrado por fotos e desenhos de Tarsila do Amaral e prefaciado por Barbusse. Nesse momento, tornou-se vitima do secreto "Guarany", responsavel principal pela "deduragem" dos intelectuais de Sao Paulo e testemunha involuntaria do efervescente ambiente intelectual das esquerdas da epoca. Osorio Cesar acabou por cair na rede de "Guarany", convidando-o para uma "assembleia de Esperantismo", que pretendia realizar no Salao dos Artistas, e para ir a sua residencia (76). As atividades de Osorio Cesar, como intelectual do Partido, produziram obras diversas de defesa apaixonada do modelo sovietico. O volume 2 de seu prontuario e ocupado exclusivamente por originais dessas obras, confiscados pela policia. O volume 3 coleciona copias de documentos e mais originais de livros (77).

O prontuario do jornalista Pedro Motta Lima, diretor de O Internacional, "Orgao dos Empregados em Hoteis, Restaurantes, Cafes, Bares e Similares", reune informacoes importantes sobre a industria cultural dos comunistas--da situacao ou da oposicao. Dele consta que em reuniao do Centro de Cultura Proletaria, na sede da Uniao dos Trabalhadores Graficos (UTG), Motta Lima verberou a atitude das autoridades apreendendo edicoes de livros de cultura sociologica e prendendo os seus editores. Falaram, a seguir, Oswald de Andrade, Di Cavalcanti, Plinio Mello, Antonio Mendes de Almeida, Joao Bueno e outros, alem de Pagu (78). Existe, ainda, uma carta de Francisco Mangabeira a Motta, em que menciona o envio de exemplares de A concepcao materialista da Historia, de Plekanov, traduzido por Octaviano Galvao--um folheto de 40 paginas, que deveria ser vendido a 2$ (dois reis) e 1$ (um real) para operarios. Mangabeira ainda informa haver traduzido de Beer Karl Marx, sua vida sua obra, mas nao havia dinheiro para publica-lo (79).

Livros apreendidos pela policia politica e social abundam no Arquivo do Departamento de Ordem Politica e Social (DEOPS). Muitos foram desviados, pois ha alusoes a obras que nao se encontram nos processos. Nao obstante, os numerosos exemplos de bibliotecas ou livros esparsos citados nos autos de busca e apreensao nas livrarias, bancas de jornais ou residencias de "agitadores" fornecem o perfil intelectual da Revolucao. A literatura "subversiva" compunha-se de obras marxistas, socialistas e libertarias. A Lei 38, de 4 de abril de 1935, no paragrafo unico do artigo 26, combinado com o artigo 25 e seus paragrafos, determinou a apreensao de livros de ideologia comunista ou subversiva. Em obediencia a essa lei, Venancio Ayres, delegado da Ordem Social, enviou ao superintendente da Ordem Politica e Social o resultado das diligencias que realizou, do ano de 1935 ao de 1937. Da massa falida da Graphica Editora Unitas Ltda., foram apreendidos 25.696 livros, o que constituiu terrivel golpe para os trotskistas paulistanos. (80)

Residencias particulares alojavam bibliotecas que circulavam entre intelectuais e operarios da esquerda. Mario Pedrosa possuia uma das maiores bibliotecas confiscadas em Sao Paulo. Uma lista manuscrita, existente em seu prontuario, arrola 112 livros, classificados por temas e provavelmente destinados a consulta publica. Entre eles encontramos obras que dizem respeito a formacao politica do militante ou simpatizante da causa proletaria, livros infantis e didaticos, romances, ciencias fisicas e naturais, educacao fisica etc., o que revela o ecletismo de uma biblioteca destinada a educacao revolucionaria das massas (81).

E relevante notar que as colecoes de livros apreendidos possuem poucos titulos comuns. A precarissima situacao financeira da quase totalidade dos comunistas da oposicao e o habito de trocar livros entre si explicariam esse fato, pois, por principio revolucionario, esperava-se que a teoria marxista, com seus desdobramentos, fosse de absoluto dominio dos camaradas. Os esforcos para a edicao de obras teoricas que servissem a revolucao podem ser avaliados pela correspondencia trocada entre os oposicionistas, exame que ajuda a elucidar a crucial questao sobre as condicoes e os limites da producao da literatura marxista, no Brasil. Victor Pinheiro, acoitado em Bariri, revia as provas de Os objetivos do proletariado na revolucao, trabalho que daria uma "brochura barata, em papel de jornal", para distribuicao entre os camaradas operarios. Pretendia, tambem, deixar revista a brochura do "Ogum-Guassu" (Trotsky) (82). Ele e Aristides enviavam, para o endereco da Unitas, a traducao do Feuerbach. A do Cafiero seria a proxima. Lobo e Pinheiro esperavam receber dois volumes de Lenin e as citacoes pedidas por "Leonidas" (um dos cognomes usados por Aristides Lobo) (83).

De Bariri, Aristides Lobo envia, para apreciacao da liga, as oito primeiras paginas impressas do folheto "Revolucao Espanhola", alem da segunda via do conhecimento para a retirada do Cafiero. Com o "cobre" do Cafiero, Lobo solicita que Xavier lhe compre um exemplar do Anti-Stalin, informando que havia despachado para o endereco de Plinio Mello o folheto sobre a Constituinte (84). Para reprimir a propaganda ideologica "subversiva", a policia desenvolveu um contradiscurso baseado em informacoes retiradas dos proprios prisioneiros e de seus livros, digeridos em mistura com textos fascistas ou para-fascistas, nos quais o proprio Goebels aparece como teorico de base (85).

Conclusao

O movimento operario apareceu e se solidificou nas primeiras decadas do seculo passado, assistindo a criacao de clubes e partidos integrados na visao revolucionaria de uma sociedade sem classes. Fortemente influenciado pelos imigrantes e pelo anarquismo, os trabalhadores politizados na teoria e pratica revolucionaria do marxismo-leninismo estruturaram-se em sindicatos e partidos proprios, do qual o mais importante foi o Partido Comunista do Brasil, fundado em 1922. Em pouco tempo, como consequencia da luta mortal travada entre Stalin e Trotsky, os camaradas brasileiros divergiram fortemente sobre os rumos da revolucao, dando origem a uma disputa ardua para o dominio da direcao partidaria, considerando que ela se afastava do materialismo historico e condenava, por esse procedimento, a marcha do proletariado a desvios e a derrota.

A Oposicao de Esquerda nacional acompanhava os passos de sua matriz internacional, liderada por Trotsky, apos o seu primeiro exilio, em 1928, ate a sua morte, em 1940, no Mexico. Nesse trajeto, os primeiros trotskistas brasileiros denunciaram a ditadura da Comissao Executiva do Partido, que teria substituido a ditadura do proletariado, e que seguia subserviente as ordens de Stalin, veiculadas pela Terceira Internacional Comunista. O grupo mais operante dos opositores organizou-se na Liga Comunista Internacionalista, cujo primeiro secretario-geral foi o jornalista Aristides da Silveira Lobo. Em luta constante contra os dirigentes do partido, os oposicionistas de esquerda foram vitimas preferenciais da repressao policial, nos tempos dificeis da ditadura varguista.

Nos primordios da organizacao dos trabalhadores em partidos que passaram a reivindicar os direitos do trabalho sobre o capital, comunistas ortodoxos e heterodoxos participavam da crenca de que o conhecimento da teoria era necessario para apressar a revolucao proletaria, vista como inevitavel, mas sujeita a desvios que poderiam ser evitados pelo entendimento profundo do marxismo-leninista. Em suas biografias pessoais, como teoricos e militantes, os dissidentes comunistas denunciaram fortemente os erros de Stalin, considerados por eles como fatais para os destinos da massa trabalhadora. Com sede principal em Sao Paulo, eles realizaram um esforco tenaz para compreender e disseminar o marxismo dialetico, na versao trotskista. Para tanto, editaram as principais obras dessa teoria, realizaram traducoes e produziram textos de enorme importancia para que se entenda essa epoca a partir da optica dos seguidores de Trotsky. O copioso material existente sobre o assunto pode trazer novas luzes sobre a questao crucial da importancia de homens e de ideias que nao seguiram as diretrizes da Terceira Internacional, em seu cotidiano e nas relacoes que estabeleciam com outros camaradas e com a sociedade global.

Bibliografia

Fontes primarias:

Arquivos:

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Alzira Lobo de Arruda Campos

Docente do programa de Mestrado em Ciencias Humanas da Universidade de Santo Amaro (Brasil). Mestra e Doutora em Historia Social pela Universidade de Sao Paulo (Brasil). Livre-docente em Metodologia da Historia pela Universidade Estadual Paulista "Julio de Mesquita Neto" (Campus de Franca, Sao Paulo-Brasil). Artigos publicados, em coautoria, "Cotidiano e magiana ordem escravocrata". Portuguese Studies Review 25 (2018): 107-125; "Memoria e Historia da esquerda: a organizacao da massa trabalhadora em Sao Paulo, Brasil". CLIO 35 (2017): 89-113; e "Autocriticas e expurgos nos circulos revolucionarios paulistas (1928-1935)". Antiteses 9 (2016): 115-135. loboarruda@hotmail.com

Marilia Gomes Ghizzi Godoy

Docente do programa de Mestrado em Ciencias Humanas da Universidade de Santo Amaro (Brasil). Mestra em Antropologia da Universidade de Sao Paulo e Doutora em Psicologia Social da Pontificia Universidade Catolica de Sao Paulo (Brasil). Participa dos Grupos de Pesquisa Movimentos Sociais e Imaginacao, Arte e Cultura. Suas ultimas publicacoes sao, em coautoria: "Imaginario e representacoes miticas: as belas palavras (Ayvu Pora) dos cantos divinos (Mborai) Guarani Mbya". Espaco Amerindio 11 (2017): 167-185; "Memoria e Historia da esquerda: a organizacao da massa trabalhadora em Sao Paulo, Brasil". CLIO 35 (2017): 89-113; e "Autocriticas e expurgos nos circulos revolucionarios paulistas (1928-1935)". Antiteses 9 (2016): 115-135. mgggodoy@yahoo.com.br

Rafael Lopes de Souza

Docente do programa de Mestrado em Ciencias Humanas da Universidade de Santo Amaro (Brasil). Mestre em Historia Social da Universidade Estadual Paulista "Julio de Mesquita Filho", Campus de Assis (Brasil) e Doutor em Historia Social da Universidade Estadual de Campinas (Brasil). Participa do Grupo de Pesquisa Movimentos Sociais. Suas ultimas publicacoes sao, em coautoria: "Esquecendo o vivido e lembrando o imaginado: as rememoracoes da folha de S. Paulo e do Estadao sobre o Golpe Militar de 1964", em Esquecendo o vivido e lembrando o imaginado: as rememoracoes da Folha de S. Paulo e do Estadao sobre o Golpe Militar de 1964, organizado por Leandro Pereira Goncalves e Vinicius Liebel, vol. 13 (Porto Alegre: ediPUCRS, 2018): 99-122; "Memoria e Historia da esquerda: a organizacao da massa trabalhadora em Sao Paulo, Brasil". CLIO 35 (2017): 89-113; "Noticias do Outubro Vermelho: a Revolucao Russa nas paginas do jornal O Estado de S. Paulo". Projeto Historia. Revista do Programa de Estudos Pos-graduados de Historia 60 (2017): 44-77. canoeiros2008@gmail.com

Alzira Lobo de Arruda Campos

Universidade de Santo Amaro, Brasil

Marilia Gomes Ghizzi Godoy

Universidade de Santo Amaro, Brasil

Rafael Lopes de Souza

Universidade de Santo Amaro, Brasil

https://doi.org/10.7440/histcrit72.2019.06

Recepcao: 4 de maio de 2018 / Aceitacao: 25 de setembro de 2018 / Modificacao: 25 de outubro de 2018

([??]) O artigo resulta de pesquisas dos autores, professores da Universidade Santo Amaro (Brasil), e nao contou com financiamento.

(1) Eric Hobsbawm, Edgard Carone, Caio Prado Junior, entre outros, nao incluem em seus estudos os trotskistas, por pertencerem, todos os tres, "a velha esquerda" do Partido Comunista, interessando-se, por conseguinte, apenas pelos camaradas que permaneceram presos a disciplina partidaria.

(2) Robert J. Alexander, International Trotskyism. 1929-1985: A Documented Analysis of the Movement (Durham/Londres: Duke University Press, 1991), IX.

(3) Edward Thompson, La formacion historica de la clase obrera. Inglaterra: 1780-1832 (Barcelona: Editorial Laia, 1977).

(4) Termo que remete a Getulio Vargas, presidente do Brasil entre 1930 e 1945, ditador de fato desde a sua tomada do poder, embora so tenha implementado uma ditadura formal em 1937, o chamado "Estado Novo", que desbaratou as fileiras da oposicao ao regime, enviando para prisoes, campos de concentracao, tortura, exilio e morte os partidarios da Esquerda Revolucionaria (alem de anarquistas e integralistas, os comunistas da linha stalinista e os trotskistas da Liga Comunista Internacionalista).

(5) Lisboa e Konrad, por exemplo, destacam o imenso valor documental da obra de Alexander, mas ressaltam o aspecto negativo dessa obra por falta de elaboracao historica, o que teria, como consequencia, acarretado um trabalho altamente descritivo. Em Roberto Borges Lisboa e Glaucia Vieira Ramos Konrad, "O Trotskismo no Brasil da decada de 1930: a historiografia recente e suas fontes" (ponencia presentada em Anais Eletronicos do XI Encontro Estadual de Historia, Porto Alegre, 23 a 27 de julho, 2012), 1251-1261.

(6) Dainis Karepovs, "Nos subterraneos da luta (Um estudo sobre a cisao no PCB em 1937-1938)" (Dissertacao de mestrado, Universidade de Sao Paulo, 1996), 2-14.

(7) Ricardo Figueiredo de Castro, "A oposicao de esquerda brasileira (1928-1934): teoria e praxis" (Dissertacao de mestrado, Universidade Federal Fluminense, 1993).

(8) Quando da fundacao do PCB, em 1922, houve discussoes acaloradas a respeito do nome adotado, por ele poder sugerir que o partido nao passava de uma secao da Terceira Internacional Comunista. Nesse contexto, usou-se a designacao "Partido Comunista Brasileiro", em periodos historicos diversos, ate se tornar definitivo no ano de 1961. Em 1962 foi fundado o Partido Comunista do Brasil.

(9) Alzira Lobo de Arruda Campos. "'Tempos de Viver': Dissidentes Comunistas em Sao Paulo (1931-1936)" (Tese de Livre-docencia, Universidade Estadual Paulista, 1998).

(10) Murilo Leal Pereira Neto, "Outras historias. Contribuicao a historia do trotskismo no Brasil-1952/1966. O CASO DO POR (Partido Operario Revolucionario)", vol. 1 (Dissertacao de mestrado, Universidade de Sao Paulo, 1997), 8-9.

(11) Pereira Neto, Outras historias, 10.

(12) Osvaldo Coggiola, org., Introducao a Trotsky hoje, vol. 6 (Sao Paulo: Ensaio, 1994), 13.

(13) Wladimir I. Billik, "Acordos e divergencias Lenin/Trotsky. Entrevista concedida a Sobesednik, suplemento de Komsomolskaia Pravda, em agosto de 1989", em Trotsky hoje, organizado por Osvaldo Coggiola, vol. 6 (Sao Paulo: Ensaio, 1994), 51-61.

(14) "Depoimento de Fulvio Abramo", O Trabalho, Historia 9, [Ano IV, no. 132], 18-24 de janeiro de 1981.

(15) Ronald H. Chilcote, O Partido Comunista Brasileiro. Conflito e integracao. 1922-1972, traducao de Celso Mauro Paciornik, vol. 22 (Rio de Janeiro: Edicoes Graal, 1982).

(16) John W. F. Dulles, O comunismo no Brasil, 1935-1945, traducao de Raul de Sa Barbosa (Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985).

(17) Eliana Regina de Freitas Dutra e Yonne de Souza Grossi, "Historiografia e movimento operario: o novo em questao". Revista Brasileira de Estudos Politicos no. 65 (1987): 3-25.

(18) Paulo Sergio Pinheiro, Estrategias da ilusao. A Revolucao Mundial e o Brasil. 1922-1935 (Sao Paulo: Companhia das Letras, 1992).

(19) E. P. Thompson, Laformacion historica de la clase obrera. Inglaterra: 1780-1832 (Barcelona: Editorial Laia, 1977).

(20) Moises Vinhas, O Partidao. A luta por um partido de massas. 1922-1974 (Sao Paulo: HUCITEC, 1982).

(21) Alexander, International Trotskyism. 1929-1985, 1.

(22) "As primeiras lutas da Oposicao Russa a partir de 1923", em Centro de Documentacao e Memoria da Universidade Estadual Paulista (CEDEM-UNESP), Sao Paulo-Brasil, Fundo Livio Barreto Xavier (FLBX). Todos os documentos deste fundo sao datilografados y sem numeracao. Nao ha outras referencias arquivisticas sobre os documentos consultados, alem daquelas citadas neste artigo.

(23) Jacob Gorender, "A Revolucao de Outubro: Revolucao ou Golpe de Estado?", em Trotsky hoje, organizado por Osvaldo Coggiola, vol. 6 (Sao Paulo: Ensaio, 1994), 37-47.

(24) Alexander, International Trotskyism. 1929-1985, 4.

(25) Alexander, International Trotskyism. 1929-1985, 1-6.

(26) "As primeiras lutas da Oposicao Russa", em CEDEM-UNESP, FLBX.

(27) Aristides Lobo, "Palavras e conceitos de um discurso", Vanguarda Socialista, 14 de setembro, 1945.

(28) "Resolucoes do Pleno do Comite Municipal de Sao Paulo do PCB", 16 e 17 de dezembro de 1945, em Arquivo Publico do Estado de Sao Paulo (APESP), Sao Paulo-Brasil, fundo Departamento Estadual de Ordem Politica e Social de Sao Paulo (DEOPS), Dossie 30-C-1. Comunicado do Servico Secreto, f. 963. Todos os documentos deste fundo sao datilografados.

(29) Aristides Lobo, "Definicoes e diretrizes", Sao Paulo, 9 de outubro de 1946, em Vanguarda Socialista, 18 de outubro, 1946,2.

(30) "Carta de Edmundo Moniz a Livio Xavier", em CEDEM-UNESP, FLBX.

(31) "Carta de Edmundo Moniz a Livio Xavier", em CEDEM-UNESP, FLBX.

(32) "Carta de Edmundo Moniz a Livio Xavier", em CEDEM-UNESP, FLBX.

(33) Victor de Azevedo Pinheiro, "A situacao nas lavouras" e "Questao agraria (apontamentos)", em CEDEM-UNESP, FLBX.

(34) "Carta de Victor Pinheiro a Eurico de Goes", em CEDEM-UNESP, FLBX.

(35) "Nota no. 2.892, emitida pela Graphica Paulista Editora, de Joao Bentivegna", 21 de marco de 1931, em CEDEM-UNESP, FLBX.

(36) Dainis Karepovs, "Trotsky n' A Luta de Classe", Boletim Bibliografico [vol. 3], 1985, 1-18.

(37) Campos, "Tempos de Viver", 197.

(38) "Proposta de 'Frederico' (Joao Matheus) para a edicao do jornal O Homem Livre", em CEDEM-UNESP, FLBX

(39) "Carta de Mario Pedrosa a Livio Xavier", 14 de maio de 1928, em CEDEM-UNESP, FLBX.

(40) "Carta de Plinio Mello a Livio Xavier", Sao Paulo, 7 de maio de 1928, em CEDEM-UNESP, FLBX.

(41) "Texto em frances, de autoria de Aristides Lobo, destinado a Organizacao da Esquerda Internacional", Sao Paulo, 18 de abril de 1931, em CEDEM-UNESP, FLBX.

(42) "Manuscrito de Mario Pedrosa falando sobre as relacoes entre politica e religiao. Prontuario de Mario Pedrosa, no. 2.030", em APESP, DEOPS-SP, ff. 5-14.

(43) Critica a artigo de intelectuais publicado pelo jornal A Classe Operaria. Prontuario de Mario Pedrosa, no. 2.030, em APESP, DEOPS-SP.

(44) "Carta de Mario Pedrosa a Livio, aludindo a teoria e a intelectuais", Sao Paulo, 1930, em CEDEM-UNESP, FLBX.

(45) "Ainda sobre 'Cacau' de Jorge Amado", artigo de Eneida Moraes, publicado no jornal O Homem Livre, em 3 de janeiro, 1934, 4.

(46) E. J. Hobsbawm, Revolucionarios (Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1985), 12.

(47) Aristides Lobo, "Palavras explicativas", em Dez dias que abalaram o mundo, editado por John Reed (Sao Paulo: Editora Nacional LUX, 1931), 5-7.

(48) "Recorte do jornal O Homem Livre". Prontuario de Aristides Lobo, no. 37, em APESP, DEOPS-SP.

(49) "Carta de Victor Pinheiro a Livio Xavier", Bariri, 8 de junho de 1931, em CEDEM-UNESP, FLBX.

(50) "Carta de Lobo a Xavier", Botucatu, 12 de dezembro de 1931, em CEDEM-UNESP, FLBX.

(51) Luis Carlos Prestes, que se tornou o principal chefe do PCB, era conhecido como o "cavaleiro da Esperanca" pelo seu papel de lider da Coluna Prestes, formada apos a derrota da revolucao tenentista de 1924. O emprego do "c" minusculo remete ao menosprezo com que os trotskistas viam Prestes, criticado por sua tibieza teorica e pelos erros estrategicos que cometera na conducao da Revolucao Proletaria.

(52) "Carta de Lobo a Xavier", Botucatu, 12 de dezembro de 1931, em CEDEM-UNESP, FLBX.

(53) "Carta de Lobo a Xavier", Bariri, 2 de janeiro de 1932, em CEDEM-UNESP, FLBX.

(54) "Carta de Lobo a Xavier", Bariri, 15 de janeiro de 1932, em CEDEM-UNESP, FLBX.

(55) "Carta de Lobo a Xavier", Bariri, 15 de janeiro de 1932, em CEDEM-UNESP, FLBX.

(56) "Carta de Lobo a Xavier", Bariri, 6 de junho de 1932, em CEDEM-UNESP, FLBX.

(57) "Carta de Lobo a Xavier", Bariri, 9 de janeiro de 1932, em CEDEM-UNESP, FLBX.

(58) "Carta de Lobo a Xavier", Bariri, 26 de janeiro de 1932, em CEDEM-UNESP, FLBX, ff. 1-2.

(59) "Carta de Lobo a Xavier", Bariri, 26 de janeiro de 1932, em CEDEM-UNESP, FLBX.

(60) "Aos camaradas do G.B.2. Circular da CE", Sao Paulo, 11 de junho de 1932, em CEDEM-UNESP, FLBX.

(61) "Carta de Lobo a Xavier", Bariri, 15 de janeiro de 1932, em CEDEM-UNESP, FLBX.

(62) "Carta de Lobo a Xavier", Bariri, 15 de janeiro de 1932, em CEDEM-UNESP, FLBX.

(63) "Carta de Lobo a Xavier", Bariri, 15-17 de janeiro de 1932, em CEDEM-UNESP, FLBX.

(64) Em 1935, no processo de Genny Gleiser, a "Pax" e citada como pertencente a Samuel Wainstein. Em: Maria Luiza Tucci Carneiro, Livros proibidos, ideias malditas. O Deops e as minorias silenciadas (Sao Paulo: Estacao Liberdade/Arquivo do Estado/SEC, 1997), 60. Nos documentos do FLBX, o proprietario citado e Salvador Pintaude.

(65) "A ordem de compra", 29 de junho de 1934, em 15 de janeiro de 1932, CEDEM-UNESP, FLBX. Observe-se que a matriz da editora localizava-se na Rua S. Bento, 11, e o deposito na Alameda Barao de Limeira, 113. Possuia filiais no Rio de Janeiro, Porto Alegre e Salvador.

(66) Dainis Karepovs, "Benjamin Peret: surrealismo e Trotskismo no Brasil", em Trotsky hoje, organizado por Osvaldo Coggiola (Sao Paulo: Ensaio, 1994), 229.

(67) "Nota Fiscal no. 7.353, emitida pela Unitas", 14 de junho de 1933, em CEDEM-UNESP, FLBX.

(68) "Carta de Plinio Mello a Livio Xavier", Sao Paulo, 5 de novembro de 1932, em CEDEM-UNESP, FLBX.

(69) "Carta de Petraccone a Xavier", Rio de Janeiro, 10 de agosto de 1938, em CEDEM-UNESP, FLBX.

(70) "Cartas enviadas do Rio de Janeiro a Livio Xavier", em CEDEM-UNESP, FLBX.

(71) Documentos avulsos existentes no CEDEM-UNESP, FLBX.

(72) Karepovs, "Benjamin Peret", 229.

(73) "Anotacoes de Aristides Lobo em caderneta a ele pertencente", em CEDEM-UNESP, FLBX.

(74) "Documento assinado por Escobar", em CEDEM-UNESP, FLBX.

(75) "Prontuario de Octavio Brandao", falando sobre o intelectual Osorio Cesar, em APESP, DEOPS-SP, no. 358.

(76) A moda do esperantismo parece ter feito sucesso entre os comunistas e anarquistas de Sao Paulo, talvez por acenar com a perspectiva de fornecer uma lingua veicular para a revolucao e seus ideais, facilitando enormemente a acao dos camaradas.

(77) Informe reservado do agente infiltrado entre artistas e intelectuais, "Guarany", em "Prontuario de Osorio Cesar", em APESP, DEOPS-SP, no. 1.936, vol. 1, ff. 28, 29, 57, 68, 85, 119 e 125.

(78) Informe reservado de Antonio Ghioffi a Ignacio da Costa Ferreira, em "Prontuario de Pedro Motta Lima", em APESP, DEOPS-SP. no. 511.

(79) "Carta de Francisco Mangabeira a Motta Lima", Rio de Janeiro, 1 de agosto de 1931, em "Prontuario de Pedro Motta Lima", APESP, DEOPS-SP, no. 511, f. 7.

(80) Informacao sobre diligencias policiais, em "Prontuario da Livraria Odeon", APESP, DEOPS-SP, no. 278.

(81) Inventario da biblioteca de Mario Pedrosa, em "Prontuario de Mario Pedrosa", APESP, DEOPS-SP, no. 2.030.

(82) "Carta de Pinheiro a Xavier", Bariri, 31 de julho de 1931, em CEDEM-UNESP, FLBX.

(83) "Carta de Pinheiro a Xavier", Bariri, 22 de dezembro de 1931, em CEDEM-UNESP, FLBX.

(84) "Carta de Lobo a Xavier", Bariri, 23 de janeiro de 1932, em CEDEM-UNESP, FLBX.

(85) "Relatorio do delegado adjunto de Santos", 12 de fevereiro de 1937", contendo ideias policiais fascistas, prontuario de Jose Stanchim ou Stacchini, em APESP, DEOPS-SP, no. 3.005, ff. 7-1.
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Author:de Arruda Campos, Alzira Lobo; Godoy, Marilia Gomes Ghizzi; de Souza, Rafael Lopes
Publication:Revista Historia Critica
Date:Apr 1, 2019
Words:12900
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