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Temperamento e comportamento materno-filial de ovinos das racas Corriedale e Ideal e sua relacao com a sobrevivencia dos cordeiros.

INTRODUCAO

Nas ultimas decadas, a observacao do comportamento animal vem permitindo aprimorar o manejo dos mesmos, podendo contribuir para reduzir o seu estresse frente as praticas rotineiras de manejo nas fazendas (GRANDIN, 1997). O temperamento pode ser definido como a reatividade do animal frente a situacoes novas ou desafiadoras que existem no ambiente (WILSON et al., 1994) e e uma caracteristica intrinseca dos animais que, no entanto, pode ser modulada pela experiencia previa. GELEZ et al. (2003) observaram que o temperamento nervoso e a falta de experiencia sexual e/ou idade podem diminuir o comportamento sexual das ovelhas. Em adicao ao comportamento maternal, isto poderia explicar o baixo desempenho de ovelhas jovens. Portanto, experiencia e temperamento devem ser levados em consideracao no manejo do rebanho ovino.

A elevada reatividade das femeas pode causar o abandono de cordeiros pelas ovelhas e aumentar a mortalidade das crias no periparto (GRANDIN, 2000). Segundo OSORIO et al. (1998), no Estado do Rio Grande do Sul, esta mortalidade e em torno de 40% ate o desmame. Parte dessas perdas ocorre logo apos o parto, devido ao consumo insuficiente de colostro, a hipotermia ou a predacao. Todavia faltam estudos que relacionem a elevada mortalidade dos cordeiros com os aspectos comportamentais das ovelhas. REALE et al. (2000) afirmaram que essas perdas poderiam ser reduzidas, uma vez que, com a identificacao das principais causas da mortalidade, as ovelhas poderiam ser selecionadas para habilidade materna, pois o temperamento apresenta valores medios a altos para repetibilidade e herdabilidade.

A desnutricao durante a prenhez nao afeta somente o bem estar da mae, mas tambem a personalidade da prole, levando a um aumento da reacao emocional e prejudicando a flexibilidade cognitiva nas crias. Alem disso, ocorre decrescimo de peso ao nascimento, afetando o progresso comportamental neonatal do cordeiro e aumentando a mortalidade (DWYER et al., 2003). Segundo CLARKE et al. (1997), cordeiros mais leves tem maiores riscos de hipotermia do que os mais pesados.

GRANDINSON (2005), ao relatar o comportamento materno, afirmou a sua vital importancia para muitas especies. Varios estudos foram realizados para rever algumas caracteristicas de selecao potencial no comportamento maternal, que podem ser melhoradas ou nao, obviamente garantindo uma maior oportunidade de sobrevivencia da progenie. As caracteristicas de producao, como crescimento e aumento de peso, e reprodutivas, como o tamanho da prole, exigirao um maior comprometimento da mae durante o periodo de aleitamento. Com a inclusao destes fatores, o sucesso maternal nos programas de selecao e de suma importancia, pois os conhecimentos dos geneticistas e etologos, em relacao a habilidade materna, permitirao definir testes padronizados que possam ser utilizados em grande escala. A habilidade materna pode ser avaliada tradicionalmente pelo peso dos cordeiros desmamados por ovelha, mas pode ser avaliada complementarmente pelo comportamento materno-filial. O comportamento da mae proximo do cordeiro tem um grande efeito na sobrevivencia do mesmo, particularmente em situacoes extensivas (NOWAK, 1996) e pode tambem afetar o peso do cordeiro ao desmame e, assim, a produtividade da ovelha (O'CONNOR et al., 1992).

Um metodo de medida do comportamento maternal dos ovinos e o uso de um sistema de escore de comportamento materno (ECM), desenvolvido por O'CONNOR et al. (1985), baseado na proximidade da ovelha ao seu cordeiro a medida que esse e manejado, dentro das 24h de seu nascimento. Os autores constataram que o numero de cordeiros amamentados e a porcentagem de cordeiros nascidos cresceram a cada unidade de aumento no ECM (valor atribuido de 1 a 5). Houve um crescimento proporcional de 0,05kg no peso ao desmame dos cordeiros amamentados nas ovelhas com maior ECM.

LAMBE et al. (2001) verificaram que o escore de comportamento materno das ovelhas Blackface foi significativamente maior para as multiparas e para ovelhas com gemeos, quando comparadas com as ovelhas com um unico cordeiro. O ECM nao teve efeito significativo no ganho de peso dos cordeiros. Ovelhas com ECM igual a 1 (ovelhas que fogem e nao retornam aos seus cordeiros, apos o manejo de identificacao e pesagem dos mesmos) obtiveram uma porcentagem de morte dos seus cordeiros significativamente maior, antes do manejo de identificacao e ao desmame, do que as que tiveram ECM maior. A selecao para reduzir as ovelhas dessa categoria pode, portanto, ser benefica. A variacao genetica estimada para o ECM foi pequena, mas significativa (0,15), sugerindo que as maiores fontes de variacao nesta caracteristica sejam ambientais. As estimativas de herdabilidade (0,13) e repetibilidade (0,32) podem ser altas o suficiente para considerar a inclusao do escore de comportamento materno nas metas da raca para melhoramento genetico.

Na presente pesquisa, objetivou-se avaliar o temperamento e o comportamento materno-filial de ovelhas das racas Corriedale e Ideal e relacionar esses aspectos comportamentais com a sobrevivencia dos cordeiros.

MATERIAL E METODOS

O experimento foi conduzido na Estacao Experimental da Embrapa, Bage, Rio Grande do Sul, entre marco de 2005 e fevereiro de 2006. Foram utilizadas 47 ovelhas da raca Corriedale, com peso medio de 52,1+/ -0,66kg, e 45 ovelhas da raca Ideal, com peso medio de 49,5+/-0,71kg. As ovelhas foram mantidas em pastagem natural melhorada com a introducao de azevem (Lolium multiflorum) e trevo branco (Trifolium repens).

O temperamento foi avaliado antes do inicio do encarneiramento, no final de marco de 2005. Foram utilizados quatro testes para medir o temperamento das ovelhas a saber:

1- O teste do tempo de fuga adaptado de BURROW et al. (1998), quando se mediu o tempo gasto por cada animal para percorrer uma distancia de dois metros, na saida do brete.

2- O teste tipo de marcha adaptado do teste desenvolvido por SILVEIRA (2005), no qual se atribuiu um escore de acordo a velocidade da marcha dos animais, na saida do brete. Escores para os tipos de marcha: 1- caminhando devagar; 2- caminhando rapido; 3- troteando; 4- correndo.

3- O teste de distancia de aproximacao ou teste com presenca humana, originalmente chamado de teste de distancia de fuga (adaptado de BOIVIN et al.,1992). Foi realizado no curral de observacao, com as paredes laterais cobertas com lona de polietileno, para isolar visualmente o animal colocado no seu interior dos seus companheiros de rebanho. O piso do curral foi demarcado com barbante, em espacamentos de 1 [m.sup.2]. Cada animal foi colocado no interior do curral e permaneceu sozinho por 30 segundos. Posteriormente, o observador entrou no curral, permanecendo imovel junto a porteira por mais 30 segundos. A seguir, o observador se aproximou vagarosamente do animal, ate ocorrer o primeiro deslocamento do mesmo. Registrou-se a distancia (numero de quadrados = metros) entre o observador e o animal.

4- O escore comportamento materno (ECM), que consiste em atribuir escores, os quais obedecem a uma escala de cinco pontos, para avaliar a distancia de fuga das ovelhas, adaptado de LAMBE et al. (2001). Ele foi realizado durante o manejo de identificacao dos cordeiros e pesagem. Os cordeiros que nasceram pela manha foram identificados e pesados a tarde e aqueles nascidos a tarde foram identificados e pesados na manha seguinte. Os observadores se aproximavam e um deles segurava o(s) cordeiro(s) para realizar a pratica de manejo de controle de paricao e anotava os dados, enquanto o outro estimava a distancia de fuga, obedecendo aos seguintes escores:

1- Observador se aproxima segura o(s) cordeiro(s) para pesar e identifica-los com brinco, a ovelha se afasta e nao retorna, nao mostrando interesse pela sua prole; 2- A ovelha recua mais de 10m do observador e retorna, assim que ele se afasta; 3- A ovelha recua entre 5 e 10m do observador, quando ele se aproxima do(s) cordeiro(s) para pesar e identifica-lo(s), mas retorna assim que o mesmo se afasta; 4- A ovelha recua do observador, mas permanece num raio inferior ou igual a 5m do(s) cordeiro(s), parada ou circulando em sua volta, quando do manejo de controle de paricao; 5 - A ovelha permanece ao lado do observador, cheirando a(s) cria(s) ou nao, durante o manejo de controle de paricao.

Foi elaborado um etograma para a identificacao das ovelhas e foram registrados: peso vivo, condicao corporal, temperamento, integridade do ubere e tetos, idade ao parto, atitude da ovelha em facilitar a mamada (ficar em pe e permitir a aproximacao do cordeiro ao ubere) e permanecer junto a cria, latencia do cordeiro para ficar de pe e mamar, escore de comportamento materno, sexo das crias, taxa de sobrevivencia dos cordeiros e, peso ao nascimento e ao desmame. As observacoes do comportamento das ovelhas e dos cordeiros foram realizadas durante o periodo diurno, pela manha, das 7h 30min as 12h e, a tarde, das 14h as 18h. Os comportamentos foram registrados de forma direta e focal por meio de observacoes nas primeiras horas apos o parto. Os recursos utilizados para coleta de dados foram: binoculo, gravador, filmadora e etogramas. Apos o desmame, os cordeiros foram pesados e submetidos aos testes de velocidade de fuga e o tipo de marcha.

As mesmas pessoas responsaveis pelo controle de paricao e pelo ECM permaneceram em suas funcoes ate a ultima paricao. Ovelhas que receberam ECM=1 (se afasta e nao retorna), tiveram seu comportamento observado, para verificar se nao iriam rejeitar a cria, quando do reencontro com o seu cordeiro, apos o manejo de identificacao.

Foi adotado o delineamento inteiramente casualizado, onde os animais se constituiram as unidades experimentais. Diferencas raciais e de classes de temperamento foram avaliadas pelo metodo dos quadrados minimos, atraves do procedimento GLM (SAS, 1989, versao 6.12), usando o tipo de parto (simples ou gemelar) e a idade ao parto como covariaveis. Ja para a caracteristica sobrevivencia ate a desmama, de carater binario, foi avaliada quanto a diferencas raciais por meio do procedimento GENMOD com ligacao PROBIT (SAS, 1989).

RESULTADOS E DISCUSSAO

Foi constatado um efeito significativo de raca para o tipo de marcha. As ovelhas da raca Corriedale apresentaram maior escore para o tipo de marcha quando comparadas com as ovelhas da raca Ideal (1,87 x 1,19). No entanto, a raca nao afetou o escore de comportamento materno (4,06 x 3,83), o tempo de fuga das ovelhas (7,27 x 4,64 segundos) e o dos cordeiros (12,66 x 8,50 segundos) nem o tipo de marcha dos mesmos (2,79 x 2,84). A raca afetou o peso ao nascimento e o indice de sobrevivencia (Tabela 1), sendo que os cordeiros da raca Corriedale eram mais pesados, (3,54 x 3,12kg) e com maior indice de sobrevivencia (97,5 x 93,3%) que os da raca Ideal.

Foram verificadas diferencas individuais entre ovelhas quanto ao escore materno e a diferencas raciais e individuais relativas a agitacao das ovelhas medidas no teste de arena. Quanto aos cordeiros foram detectadas diferencas individuais e raciais quanto ao tempo de latencia para ficarem de pe e mamar e numero de cordeiros que mamaram sem ajuda. Todas as caracteristicas citadas estao diretamente relacionadas as taxas de sobrevivencia e ao peso a desmama (O'CONNOR et al., 1985; SIMM et al., 1996; DWYER & LAWRENCE, 1998; LAMBE et al., 2001; DWYER et al., 2003; CLOETE et al., 2005).

O ECM das ovelhas influenciou o peso medio dos cordeiros ao desmame e o numero de dias de aleitamento (Tabelas 1 e 2). As ovelhas mais reativas protegeram menos (P<0,0001) suas crias durante o periparto, provavelmente abandonaram suas crias mais cedo e tiveram menor sucesso na criacao. Suas crias apresentaram menor peso ao desmame (20,4 x 25,07kg, P=0,0152) e menor numero de dias de amamentacao (83 x 95 dias, P<0,0001) que as crias das ovelhas menos reativas. Entretanto, e importante considerar que todos os animais passaram por condicoes ambientais adversas (periodo de seca muito prolongado), podendo ter levado a um comprometimento da condicao nutricional das maes e seus cordeiros. Estes resultados corroboram com os achados de O'CONNOR et al. (1985), que utilizaram seis grupos geneticos comuns na Nova Zelandia, em que o peso ao desmame dos cordeiros aumentou com o ECM de suas maes.

Nao foram observadas diferencas de ECM entre as racas, mas observou-se maior proporcao de ovelhas nos escores 3, 4 e 5 (Tabela 2). O ECM foi positivamente correlacionado com o numero de dias ate a desmama (r=0,39, P<0,0001, n=121). O tipo de marcha dos cordeiros foi negativamente correlacionado com o peso ao desmame (r=-0,20, P=0,0352, n=107). O tempo de fuga das ovelhas foi positivamente correlacionado com peso ao nascer (r=0,22, P=0,0117, n=130) e com o peso ao desmame (r=0,23, P=0,0172, n=108). A idade ao parto foi negativamente correlacionada com o numero de dias ate a desmama (r=-0,29, P=0,0019, n=113). Nao foi observada nenhuma correlacao linear significativa entre as caracteristicas do temperamento medidas nas ovelhas e, posteriormente, nos cordeiros. Todavia, no presente estudo, o numero relativamente restrito de animais pode ter influenciado, pois as caracteristicas de temperamento sao herdaveis (REALE et al., 2000).

MURPHY et al. (1998) selecionaram ovelhas Merino para temperamento calmo e nervoso. O temperamento foi mensurado pela apreensividade e reatividade das ovelhas em resposta aos humanos e a um ambiente novo. Ovelhas selecionadas para temperamento calmo, geralmente, manifestaram um melhor comportamento materno evidente, pois durante o parto permaneceram proximas ao ser humano, manifestaram menor reatividade e foram mais rapidas para retornarem aos seus cordeiros, comparadas com as ovelhas nervosas.

O comportamento materno se altera com a idade e a experiencia da ovelha. Quanto mais tempo esta permanece com seus cordeiros, maior sera a probabilidade de sobrevivencia da prole. A variavel idade ao parto ajustou as medias para ECM e raca, apresentando efeito significativo para dias de aleitamento e peso ao desmame.

A taxa media de sobrevivencia dos cordeiros foi de 83,9%, corroborando os resultados encontrados por EVERETT-HINCKS et al. (2005), os quais encontraram o valor de 83%. Nao houve efeito significativo (P=0,07) da idade ao parto das ovelhas sobre a sobrevivencia dos cordeiros. Nao houve diferenca na distribuicao das frequencias de ovelhas conforme seu escore materno para idade ao parto e tipo de parto (gemelar ou simples) (Tabela 3). Tambem, nao foram observadas correlacoes lineares significativas entre idade ao parto ou escore materno para as seguintes variaveis: tempo para os cordeiros levantarem, latencia de mamada e peso ao nascimento.

EVERETT-HINCKS et al. (2005) estudaram o efeito do escore de comportamento materno das ovelhas sobre a sobrevivencia dos cordeiros. Esses autores observaram que a sobrevivencia aumentou significativamente com o aumento do ECM, porem nao foi verificado nenhum efeito estatistico da idade da ovelha sobre a sobrevivencia dos cordeiros.

Foram observados os seguintes atributos descritivos: idade ao parto variou entre 2 e 11 anos, com media de 4,85[+ o -]1,74 anos; tempo para levantar de 9 a 62 minutos, com media de 22,62[+ o -]13,16 minutos; e latencia entre levantar e mamar entre 3 a 30 minutos, com valor medio de 10,46[+ o -]7,96 minutos.

O ECM nao influenciou o tempo gasto pelo cordeiro em se levantar, a latencia para a primeira mamada e a atitude de limpeza do cordeiro pela ovelha (P>0,05). Entretanto, a frequencia relativa das ovelhas que protegeram os cordeiros nas primeiras horas do periparto mudou significativamente (Teste [ji al cuadrado], P< 0,05), mostrando que 92,3% das ovelhas que receberam ECM igual ou superior a 4 permaneceram mais tempo com seus cordeiros nas primeiras horas pos-parto, protegendoos, e apenas 7,7% das ovelhas com esses escores nao protegeram seus cordeiros. Por outro lado, 100% das ovelhas com ECM inferior a quatro nao protegeram seus cordeiros. O ECM influenciou a atitude das ovelhas de se afastarem do rebanho e procurarem um local isolado para parirem. Das ovelhas com ECM=quatro ou cinco, 82,4% e 55,6% se afastaram do rebanho no momento do parto, respectivamente (Teste [ji al cuadrado], P< 0,05). Das ovelhas com ECM=dois e tres, 0 e 40% se afastaram do rebanho, respectivamente. Ovelhas com ECM igual ou superior a quatro, tenderam a desmamar cordeiros, em media, mais pesados (25,75kg), quando comparadas as que receberam ECM inferior a quatro, cujo peso medio foi de 20,34kg (P=0,08).

O tipo de parto (simples ou gemelar) tendeu a influenciar o peso dos cordeiros ao nascer e ao desmame (P<0,10), em funcao do aumento das exigencias nutricionais da ovelha, mas menor oferta de leite por cordeiro. Cordeiros nascidos de partos simples foram mais pesados ao nascer e ao desmame (3,78 e 24,85kg) que aqueles de partos gemelar (3,21 e 21,33kg).

E sabido que o comportamento materno tem grande influencia sobre a sobrevivencia da progenie durante o periodo de aleitamento ou pre-desmame. O conhecimento dos geneticistas e etologos em relacao a habilidade materna permitira definir testes padronizados que possam ser utilizados em varios estudos (GRANDINSON, 2005).

CONCLUSOES

A raca nao afetou pronunciadamente as variaveis descritoras do temperamento no preencarneiramento, mas influenciou o desenvolvimento corporal e a sobrevivencia dos cordeiros.

Ovelhas com pior escore de comportamento materno no periparto demonstraram menor cuidado com os cordeiros no periparto e desmamaram seus cordeiros mais cedo em relacao aquelas que tiveram um melhor escore. Considerando-se a elevada mortalidade dos cordeiros ate o desmame, essa caracteristica deve ser considerada pelos produtores nos programas de melhoramento animal, visando reduzir o numero de femeas extremamente reativas e com tendencia a abandonarem suas crias e/ou produzirem cordeiros mais leves.

AGRADECIMENTOS

Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnologico (CNPq), pela bolsa de produtividade em pesquisa concedida ao segundo autor, a Embrapa-CPPSUL, pela cessao dos animais experimentais, das instalacoes e dos funcionarios e a PPGZ-UFPEL, pelo apoio financeiro no deslocamento da equipe.

Recebido para publicacao 21.06.07 Aprovado em 31.10.07

REFERENCIAS

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SILVEIRA, I.D.B. Influencia da genetica bovina na suscetibilidade ao estresse durante o manejo e seus efeitos na qualidade da carne. 2005. 180f. Tese (Doutorado em Producao Animal) - Faculdade de Agromomia Eliseu Maciel. Universidade Federal de Pelotas, RS.

SIMM, G. et al. Genetic selection for extensive conditions. Applied Animal Behaviour Science, v.49, p.47-59, 1996.

WILSON, D.S. et al. Shyness and boldness in humans and other animals. Trends in Ecology and Evolution, v.9, p.442-446, 1994.

Carmen Lucia de Souza Rech (I) Jose Luiz Rech (I) Vivian Fischer (II)* Maria Teresa Moreira Osorio (I) Nelson Manzoni (III) Heden Luiz Marques Moreira (I) Isabella Dias Barbosa da Silveira (I) Adriana Kroef Tarouco (IV)

(I) Departamento de Zootecnia, Programa de Pos-graduacao em Zootecnia, Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), CP 354, 96010-970, Pelotas, RS, Brasil.

(II) Departamento de Zootecnia, Progama de Pos-graduacao em Zootecnia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Av. Bento Goncalves, 7712, 91540-000, Porto Alegre, RS, Brasil. Email: vfried@portoweb.com.br. * Autor para correspondencia.

(III) Embrapa, Bage, RS, Brasil.

(IV) Universidade de Sao Paulo (USP). Duque de Caxias Norte, 225, CP 23, 13635-900, Pirassununga, SP, Brasil.
Tabela 1 - Valores da probabilidade de rejeicao da hipotese de
nulidade do efeito de raca e escore de comportamento materno
(ECM), usando a idade ao parto como co-variavel, alem dos valores
da media geral e do coeficiente de variacao.

                                 Idade      Tipo
Variaveis      Raca      ECM   ao parto    Parto

TMov (1)     0,0078   0,2946    0,9456    0,2337
Tfov (2)     0,1263   0,2673    0,0775    0,3840
TMc (3)      0,8625   0,8402    0,6797    0,6890
TFc (4)      0,1992   0,5195    0,8419    0,5520
Sobrev (5)   0,0201   0,8713    0,071     0,7377
Pnasc (6)    0,0097   0,3595    0,8451    0,0001
Pdesm (7)    0,8037   0,0152    0,0256    0,0001
Daleit (8)   0,3597   0,0001    0,0051    0,4869

                     Desvio
Variaveis    Media   padrao   CV (%)

TMov (1)      1,84     1,32    71,88
Tfov (2)      5,28     8,94   170,07
TMc (3)       2,93     1,17    39,40
TFc (4)       9,57    15,16   157,82
Sobrev (5)   83,89    36,72    43,36
Pnasc (6)     3,61     0,74    20,53
Pdesm (7)    24,84     4,65    18,73
Daleit (8)   94,84     5,97     6,63

(1) TMov - tipo de marcha ovelha.

(2) TFov - tempo de fuga ovelha (segundos).

(3) TMc - tipo de marcha do cordeiro.

(4) TFc - tempo de fuga cordeiro (segundos).

(5) Sobrev - sobrevivencia (%).

(6) Pnasc - peso nascimento (kg).

(7) Pdesm - peso desmame (kg).

(8) DAleit - dias de aleitamento.

Tabela 2 - Porcentagem de ovelhas das racas Corriedale e
Ideal e valores medios de peso ao desmame e numero de
dias de aleitamento conforme a classe do escore de
comportamento materno (ECM).

        % ECM      % ECM    Peso ao       Dias de
ECM   Corriedale   Ideal   desmame *   aleitamento *

1         --         4       20,4b         83,3b
2          2         4       25,7ab        82,3b
3         18        22       23,1ab         94,2 (a)
4         38        48       26,3a          96,1 (a)
5         42        22       24,6ab         96,1 (a)

* Medias seguidas de diferentes letras minusculas dentro da
mesma coluna diferem entre si pelo teste de DMS de Fisher
(P<0,05).

Tabela 3 - Valores da probabilidade de rejeicao da hipotese de nulidade
do efeito de escore de comportamento materno (ECM), utilizando o tipo
de parto e idade ao parto como co-variaveis

                              Tipo
Variaveis             ECM   parto (1)   Idparto (2)   Media   CV (%)

Tempolev (3)       0,1752    0,4141       0,5755      22,62    57,2
Latmamada (4)      0,6174    0,5588       0,4593      10,46    74,4
Pesonasc (5)       0,4997    0,1141       0,2714       3,53    24,3
Peso desmame (6)   0,0775    0,0817       0,3585      24,65    18,7
  desmame (6)

(1) Tipo de parto (gemelar ou simples).

(2) Idparto = idade ao parto.

(3) Templev = tempo para o cordeiro levantar (minutos).

(4) Latmamada = latencia para a primeira mamada (minutos),
a partir de se colocar de pe.

(5) Pesonasc = peso ao nascimento (kg).

(6) Peso desmame (kg).
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Title Annotation:Texto en Portuguese
Author:de Souza Rech, Carmen Lucia; Rech, Jose Luiz; Fischer, Vivian; Moreira Osorio, Maria Teresa; Manzoni
Publication:Ciencia Rural
Date:Aug 1, 2008
Words:4366
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