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Tecnologia Social: a doacao na perspectiva do aplicativo Solidarius.

Social Technology: the donation from the perspective of application Solidarius

1. Introducao

A relacao do homem com a tecnologia e fundamentalmente baseada em trocas onde o individuo busca a tecnologia, em ultima instancia, como um instrumento que agrega conforto e felicidade. Este conceito geral da funcao da tecnologia na sociedade e explicado por Dickson (1980), entre diversos outros autores, quando expoe que existe na tecnologia a promessa de um caminho ao futuro que e prospero e brilhante, e que se tende, inclusive, a julgar as sociedades como atrasadas ou avancadas pelos graus de sofisticacao que esta apresenta.

Entretanto, ha sinais evidentes de que as tecnologias dominantes estao integradas a um contexto de desenvolvimento economico que promove abismos sociais, esgotamento dos recursos do meio-ambiente e alienacao do individuo (Santos, 2000) que e por um lado, alvo constante das exigencias de consumo dos meios de comunicacao, e por outro, alvo de uma ideologia gerencial que apregoa a entrega sem limites do individuo a empresa (seu tempo, seus valores, seu lazer), resultando em jornadas de trabalho interminaveis na corrida para a produtividade e um pretenso sucesso (Gaulejac, 2007).

A tecnologia dos dispositivos moveis e seus indissociaveis aplicativos vem provocando desde a sua popularizacao mundial, ha pouco menos de dez anos, mudancas significativas nas sociedades em geral. Estudos despontam em diversas areas do conhecimento sobre os reflexos destas mudancas de comportamento em funcao do uso de determinados aplicativos (Manyika et. al, 2013; Vazquez et al., 2016). Ja e seguro afirmar, que esta tecnologia modificou nao apenas as formas de comunicacao e de relacionamento entre as pessoas, mas tambem as relacoes do mercado e varios ramos da economia, as formas e relacoes de consumo, de trabalho, de entretenimento, de educacao e aprendizagem e etc. Assim que se criam novos aplicativos em uma area ainda nao explorada, esta sofre profundas modificacoes, instigando o senso comum a chamar tal impacto de o fenomeno dos aplicativos (apps).

Os aplicativos sociais (social apps), tambem chamados de aplicativos solidarios, sao categorizados como ferramentas da tecnologia social e surgem, neste contexto, com uma finalidade alternativa ao desenvolvimento tecnologico focado na producao, no consumo, na vigilancia e na gestao do individuo. Para Baumgarten (2011), a tecnologia social e responsavel por envolver diversos atores sociais, onde a tecnica passa a ser instrumento de emancipacao social e nao de dominacao e alargamento das desigualdades sociais, bem como a producao de conhecimentos tecnocientificos e voltada para a sustentabilidade socioeconomica.

A relevancia do trabalho esta nas reflexoes sobre o encontro aplicativo social e dadiva. Na reuniao de informacoes sobre estes dois aspectos da realidade moderna que, apesar de aparentemente opostos em seus contextos de origem, se unem por meio da ponte da tecnologia revelando que existem indicios de que o homem moderno deseja usar a tecnologia para acoes mais nobres.

Portanto, este artigo apresenta a conceituacao de tecnologia social e empoderamento do cidadao e o aplicativo Solidarius, que foi desenvolvido para viabilizar a doacao para familias carentes por meio de uma mediacao entre doador, instituicao e pessoas carentes. O objetivo e o de contribuir para analise das motivacoes das trocas solidarias, mediadas por aplicativos.

2. Revisao de Literatura

A pesquisa bibliografica realizada na base Scopus, utilizando a expressao "social technolog*" OR "social applic*" recuperou 2.154 referencias, cuja visualizacao da densidade de coocorrencia de termos e apresentada na Figura 1. Os termos que deram origem a pesquisa (social innovation e innovation) foram retirados da visualizacao. Notase que os seguintes termos se destacam: social networking, social aspects, social media, mobile devices, ubiquitous computing, knowledge management, information systems, entre outros. Contudo, ha alguns termos que tem baixa frequencia, mas devem ser considerados: mobile social networks, social wev, risk assessment, social engineering, social innovation, health promotion, environmental technology, entre outros.

A Figura 2 apresenta uma evolucao dos documentos publicados na base Scopus no periodo de 1973 a 2017. Observa-se que os termos da pesquisa atingiram um patamar de estabilidade.

A seguir serao analisadas publicacoes mais relevantes a abordagem tematica deste trabalho. Kraut et al. (1998) examinaram o impacto social e psicologico da Internet em 169 pessoas em 73 domicilios durante os primeiros 1 a 2 anos on-line. Eles utilizaram dados longitudinais para examinar os efeitos da Internet no envolvimento social e no bem-estar das pessoas.

A dinamica de muitos fenomenos sociais, tecnologicos e economicos e impulsionada por acoes humanas individuais, transformando a compreensao quantitativa do comportamento humano em uma questao central da ciencia moderna. Barabasi (2005) mostra que a natureza explosiva do comportamento humano e uma consequencia de um processo de fila baseado em decisao: quando os individuos executam tarefas com base em alguma prioridade percebida, com a maioria das tarefas sendo executadas rapidamente, enquanto algumas acabam levando mais tempo. Essas descobertas tem implicacoes importantes, que vao desde a gestao de recursos ate a alocacao de servicos, tanto nas comunicacoes quanto no varejo.

Considerando as potencialidades dos jogos para o aprendizado e o interesse crescente dos estudantes por jogar, Carvalho, Araujo e Fonseca (2015) desenvolveram um jogo para dispositivos moveis para estudantes de licenciatura, comecando por conhecer as suas preferencias de jogo. Eles apresentaram as etapas que conduziram a criacao do jogo: os jogos que os estudantes universitarios mais gostam de jogar e a analise do potencial desses jogos para o aprendizado.

Carlos et al (2016) abordam a concepcao, o desenvolvimento e a avaliacao de um aplicativo para dispositivos moveis para auxiliar no cuidado e no gerenciamento da saude vocal. Para a concepcao e o desenvolvimento do aplicativo, eles utilizaram recursos multimidia, visando a apresentacao clara dos conteudos educativos, alem de funcionalidades personalizadas que apoiassem na identificacao de situacoes de risco vocal. Os resultados mostraram que a ferramenta pode auxiliar os profissionais a cuidarem da sua voz e dar suporte aos fonoaudiologos no acompanhamento dessa populacao, evidenciando que, na saude coletiva, a tecnologia e capaz fortalecer as estrategias de educacao e promocao da saude.

Martynova et al (2017) estudaram o emprego de tecnologias sociais para a avaliacao de servicos publicos municipais. Uma vez que esta interacao implica a comunicacao entre o orgao da administracao municipal e os usuarios do servico, e necessario se concentrar em tecnologias de comunicacoes que sejam capazes de proporcionar um ciclo completo de desenvolvimento e melhoria de servicos. As comunicacoes devem ajudar a determinar as expectativas associadas a um servico, aumentar a conscientizacao e envolver a populacao nas decisoes relacionadas a prestacao de servicos.

Existe uma relacao complicada entre a inercia social e politica--o fracasso das instituicoes em responder adequadamente as mudancas sociais, tecnologicas e ambientais--e a aceleracao social--a tendencia das mudancas sociais de ocorrerem cada vez mais rapidamente. A estase social e a aceleracao nao sao simplesmente opostas, mas tambem causalmente relacionadas. Zantvoort (2017) argumenta que uma abordagem ampla que combine perspectivas historicas, institucionais e normativas e necessaria para explicar a inercia politica.

Brownell e Basham (2017) investigaram os papeis das organizacoes nao governamentais internacionais e locais (ONGs) que atuaram na Liberia, 10 anos apos a guerra civil de 14 anos terminada em 2003. Foi realizada uma pesquisa para gerar informacoes empiricas descritivas sobre os papeis desempenhados pelas ONGs na reintegracao dos ex-combatentes e sobre o conhecimento, habilidades e treinamento necessarios para ajuda-los. As tecnologias sociais apareceram, de acordo com os resultados da pesquisa, como essencial para a prestacao de servicos das ONGs.

A educacao e o uso da tecnologia sofreram um desenvolvimento turbulento nas ultimas duas decadas na Republica Tcheca. Os alunos utilizam amplamente as tecnologias avancadas mais recentes na base diaria para seus propositos privados, bem como para fins de estudo na maioria das universidades onde eles tem acesso a materiais de estudo on-line em plataformas virtuais. Cerna e Svobodova (2018) exploram a utilizacao do fenomeno Web 2.0 em uma universidade tcheca com alunos de gestao financeira e de informacao. O objetivo foi o mapeamento da situacao real relacionada a utilizacao de aplicacoes sociais com foco na expectativa dos estudantes.

Tommasel e Godoy (2018) analisaram as postagens textuais em redes sociais. Eles apresentaram uma tecnica de selecao de recursos on-line para as postagens com base na integracao de duas fontes de informacao para a classificacao em tempo real de fluxos de textos curtos provenientes das midias sociais. Eles se concentraram na descoberta de relacoes implicitas entre novos posts e seus autores para identificar grupos de postagens socialmente relacionadas.

Portanto, nao foram identificadas publicacoes que tratassem de aplicativos para dispositivos moveis visando acoes filantropicas de solidariedade.

3. Tecnologia social, empoderamento e dispositivos moveis

O termo empowerment do ingles significa dar poder (Valoura, 2005). Mas na realidade brasileira, o educador Paulo Freire deu-lhe outro significado, onde o sujeito nao e passivo e sim ativo, ninguem lhe da o poder ou a condicao de fazer, e ele que por si, busca e consegue: "Empoderamento, pode ser visto como a nocao da conquista da liberdade pelas pessoas que tem estado subordinadas a uma posicao de dependencia economica ou fisica de qualquer natureza" (Leite, Cunha & Tavares, 2011). Assim, a pessoa ou grupo empoderado, e aquele que por si mesmo, realiza as acoes que a levam a evoluir e se fortalecer.

A tecnologia social e um meio de empoderamento e e definida como produtos, tecnicas ou metodologias reaplicaveis, desenvolvidas na interacao com a comunidade e que representam efetivas solucoes de transformacao social (Brasil, 2015). Com a tecnologia social, os grupos e comunidades se empoderam. Mas se a tecnologia social, via de regra, depende da adocao de toda uma comunidade para surtir os efeitos de empoderamento e transformacao, com os aplicativos sociais estes efeitos sao individualizaveis. Os individuos se unem por uma causa que pode ser para a resolucao de um problema social em sua vizinhanca, como pode ser em outra cidade ou mesmo em outro pais. Alem da quebra de barreiras geograficas, entram em cena a velocidade e a capacidade de disseminacao (Santos, 2000) e exposicao em larga escala (chamada de viralizacao de informacoes) caracteristica das redes sociais. Cabe situar a tecnologia social (TS) como aquelas que buscam a inclusao social e que sao uma opcao as tecnologias convencionais (Dagnino, Fraga & Novaes, 2010).

Grande parte do sucesso dos telefones inteligentes, os chamados smartphones, esta na sua aderencia ao ritmo e a velocidade da vida moderna. Estes objetos que abrigam o que ha de mais inovador na tecnologia para dispositivos moveis estao imersos no contexto da realidade social capitalista, globalizada e com a dependencia do uso da tecnologia em todas as dimensoes da vida moderna: nas operacoes do trabalho, nas dimensoes do lazer e nas relacoes pessoais. Para Moura Fe (2008) o cenario atual e o de uma revolucao digital, onde o telefone celular (smartphones), por meio da tecnologia movel que as redes sem fio proporcionam tornou-se um instrumento convergente para solucoes com todas as necessidades do homem.

Novas tecnologias criam novas formas de agir e se relacionar, e os celulares criaram uma serie de novos fenomenos ainda em analise pela academia. Apenas para citar temos o trabalhador onipresente, que por estar sempre conectado altera a relacao tempo/espaco podendo estar presente em locais a quilometros de distancia, a qualquer tempo (Gaulejac, 2007). Tem-se tambem a comunicacao paralela e simultanea, onde o usuario pode estar em contato com diversas pessoas diferentes por meio das diferentes ferramentas, gerando espacos alternativos e, segundo Nicolaci-da-Costa (2005) possibilitando o contato perpetuo, entre outros fenomenos. Compartilha-se um momento a partir de multiplos lugares, e todos os lugares, a partir de um so deles: e o tempo real. Mas a percepcao de que se vivencia em coletividade um tempo de evolucao e beneficio generalizado da tecnica e do progresso, se esvai com a realidade das desigualdades.

Os aplicativos sociais englobam uma categoria de Apps que tem o proposito de alertar para uma causa social e apelar para um esforco ativista ou de voluntariado (Jensen, 2011). Alguns aplicativos da administracao publica podem ser classificados tambem como civico-sociais em funcao da prestacao de servicos ou da melhoria de uma situacao social delicada em parceria com a comunidade, seja pela contribuicao do trabalho voluntario da populacao, seja com o fornecimento e a verificacao de dados e informacoes.

E importante frisar que aplicativos sociais sao entendidos nesta pesquisa como aqueles que estao vinculados a um proposito social, e nao devem ser confundidos com os de relacionamento social, tais como Facebook, Linkedin e Twitter. E forcoso reconhecer, entretanto, que muitos destes aplicativos de relacionamento pessoal, embora nao tenham sido desenvolvidos para propositos de causas sociais podem por meio da viralizacao de mensagens, contribuir para informar a populacao sobre determinadas situacoes pontuais de vulnerabilidade e podem ainda, ser importantes ferramentas para mobilizacao popular em beneficio de uma instituicao caritativa ou de alguma mazela social. Sao ainda responsaveis pela disseminacao de movimentos do tipo crowdfunding, que sao formas de financiamento coletivo e podem estar vinculados a problemas sociais.

Segundo Jensen (2011), o primeiro aplicativo social foi lancado em 2009, na Apple Store, por uma instituicao de caridade vinculada a empresa de desenvolvimento de apps e solucoes para dispositivos moveis de Mike Kuhlmann. A empresa aproveitou uma visita do Dalai Lama a Alemanha e lancou o "Dalai Lama Gebetsmuhle", um app pago, com o custo de 79 centavos de dolar, que exibia mensagens do Lama de forma randomica. Apos quatro dias do seu lancamento, o app se tornou o terceiro mais baixado em sua categoria e seus criadores atribuiram o sucesso ao aproveitamento do momento em que foi lancado, visto que a visita do Dalai Lama foi considerada nos meios religiosos e politicos do pais um acontecimento de grande honra e importancia. A receita gerada pelo aplicativo foi doada para orfanatos em Uganda e no Tibet.

A maior parte dos aplicativos sociais e desenvolvida e mantida por instituicoes filantropicas, ou seja, organizacoes que nao visam lucro, tais como cooperativas, casas de caridade, grupos comunitarios, empresas sociais, grupos religiosos, igrejas e organizacoes que fazem campanhas para arrecadar fundos para um dos grupos citados anteriormente. Entretanto, qualquer instituicao, com ou sem fins lucrativos, pode desenvolver um app social, o mais comum e que as filantropicas os desenvolvam, mas nao ha impeditivos que alguma empresa privada se solidarize com alguma causa social e impulsione (desenvolvendo, patrocinando ou promovendo) algum app social, tendo com isso, ganhos de associacao de imagem.

Independentemente da variedade de aplicativos sociais que possam ser desenvolvidos algumas sub-categorias valem ser ressaltadas. Segundo Jensen (2011), ha apps que contribuem com o objetivo de mudar uma determinada situacao social, promovidos por instituicoes como o Greenpeace, UNESCO e a Anistia Internacional. Ha aqueles que levantam recursos para pessoas necessitadas, geralmente vinculados a alguma religiao, como os promovidos pela Caritas e pela Cruz Vermelha e ha um subgrupo que e promovido por empresas medicas, que nao buscam nenhum tipo de lucro direto, mas sao usados como auxiliares no tratamento de doencas mentais cronicas, como o autismo.

Um dos fatores criticos e a definicao de objetivos claros para o app pelas instituicoes promotoras. O app pode ter como intuito arrecadar doacoes, conseguir voluntarios para tarefas especificas, alertar sobre uma questao ambiental, informar ou educar o usuario sobre algum procedimento entre outros. O tipo de objetivo desejado ira interferir no tipo de aplicativo a ser desenvolvido. O Greenpeace por exemplo, atua, de acordo com a autora, com objetivos de grande espectro, ou seja, nao aponta para acoes e objetivos especificos, mas sao parte de estrategias com propositos maiores. Cada app tem um alvo e aborda uma estrategia diferente.

4. Metodologia

Para a analise e a interpretacao de dados, utilizou-se o meio tecnico do estudo de caso do aplicativo Solidarius, que teve como proposito explorar uma situacao da vida real, cujos limites nao sao claramente definidos e contou com duas fontes de evidencias (entrevista e grupo focal) para a observacao e as analises dos aspectos de interesse. Cabe ressaltar que este estudo de caso nao verificou as rotinas laboratoriais de desenvolvimento do aplicativo nem a descricao dos elementos que o compoe, como linguagens de programacao e aspectos de design, mas se ateve a analisar as motivacoes das trocas solidarias mediadas por aplicativos, baseando-se nas opinioes dos atores sociais envolvidos.

Para a coleta de dados foi utilizada a tecnica da entrevista individual semiestruturada no intuito de captar o que dois dos grupos de atores sociais envolvidos com o Solidarius (desenvolvedores do laboratorio BEPiD--Brazilian Education Program for iOs development da Universidade Catolica de Brasilia e membros Vicentinos) creem, esperam e desejam quanto ao aplicativo. Com carater qualitativo, as entrevistas procuraram obter dados mais profundos do que se fossem aplicados questionarios e tiveram a vantagem de oferecer uma maior flexibilidade nas perguntas, possibilitando os pesquisadores adaptar os conteudos de acordo com o perfil dos entrevistados.

Foram realizadas dez entrevistas (cinco com cada grupo), com duracao media de 70 minutos, entre os meses de abril e maio de 2016. As perguntas tiveram pequenas variacoes para cada grupo de entrevistados. As diferencas entre as perguntas das entrevistas foram referentes a aspectos tecnicos do aplicativo, questionada a membros do BEPiD, e referentes ao impacto do aplicativo na rotina dos voluntarios, direcionada aos membros Vicentinos.

A segunda tecnica utilizada para a coleta de dados foi a do grupo focal (Caplan, 1990), que foi escolhida para apresentar o aplicativo a um grupo diferenciado de pessoas que representam o publico alvo de usuarios e deles auferir sentimentos e percepcoes sobre a sua viabilidade (tendencia de uso) e sobre as questoes que circundam a problematica da tecnologia mediando a solidariedade.

O grupo focal foi realizado com sete participantes, entre 28 e 62 anos, sendo tres mulheres e quatro homens. A diversidade do grupo adveio dos papeis que representam na sociedade, a saber, um dirigente de ONG, um servidor publico, um bancario, um aposentado, um especialista em politicas publicas, um estudante, um professor da rede publica e privada de ensino do Distrito Federal e um artista plastico.

A dinamica do grupo focal foi a de experimentacao livre do aplicativo Solidarius, simulando varios tipos de doacoes, concomitantemente com a discussao de topicos sobre os beneficios e desafios de unir a tecnologia com doacoes, dificuldades de uso do aplicativo, desafios tecnologicos para instituicoes caritativas que adotarem aplicativos sociais como o Solidarius e trocas simbolicas que ocorrem entre usuarios do aplicativo e a instituicao beneficiada.

5. O aplicativo Solidarius

O aplicativo Solidarius foi desenvolvido no Projeto BEPiD da Universidade Catolica de Brasilia, que visa a capacitacao de estudantes no desenvolvimento de aplicativos para a plataforma iOS. O desenvolvimento utilizou duas metodologias: a aprendizagem baseada em desafios (Challenge Based Learning--CBL), que e colaborativa e orienta os desenvolvedores a trabalhar com especialistas para o aprofundamento do conhecimento sobre os temas dos aplicativos (Nichols, Cator & Torres, 2016); e Scrum, que e uma metodologia agil para a gestao e planejamento de projetos de software (Priklandnicki, Willi & Milani, 2014).

O objetivo do projeto foi o de formular um triangulo de comunicacao, entre usuarios que tem condicoes de ajudar com produtos a uma instituicao de caridade, por segundo as proprias instituicoes de caridade, e como terceiro uma instituicao sendo o intermediador que transporta os produtos para as familias necessitadas, assim como instituicoes de caridade referidas.

Entre as diretrizes que o grupo decidiu que fariam parte do escopo do projeto se destacam as seguintes: o usuario podera doar atraves de uma interface intuitiva, onde podera escolher itens e quantidades que deseja doar; o usuario escolhera dias e horarios, bem como o local, que lhe sao mais comodos para que a instituicao recebedora recolha as doacoes; ao finalizar a doacao, o usuario podera acompanhar o processo em que se encontra a mesma, armazenando o historico de doacoes no seu perfil; a edicao de dados cadastrais (nome, email, endereco) podera ser realizada a qualquer tempo pelo usuario; as campanhas serao apresentadas na pagina inicial do aplicativo, permitindo integracao imediata do usuario que simpatizar com a causa da campanha.

O projeto foi desenvolvido de acordo com as demandas, estruturas e necessidades da instituicao caritativa Sociedade Sao Vicente de Paulo-SSVP, vinculada a Igreja Catolica e mais conhecida como Vicentinos. Ela e composta de 33 Conselhos metropolitanos em todo o Brasil e tem 170 anos. O Conselho Metropolitano de Brasilia auxilia hoje aproximadamente 60 mil pessoas em vulnerabilidades sociais e conta com 6 mil voluntarios.

O Solidarius possui uma parte externa, que e a visualizada pelos usuarios para realizar as doacoes, e uma parte de administracao web para gerenciamento das doacoes, controle dos dados e elaboracao de relatorios que sera administrada pela instituicao, no caso os Vicentinos.

A Figura 3 apresenta as telas: inicial, de cadastro, tipo de doacao e itens cadastrados. Para fazer a doacao, o interessado devera preencher um cadastro com dados pessoais, endereco e telefone, necessario para que o processo de doacao possa ser efetuado. O doador pode escolher itens dos seguintes tipos: alimentacao, brinquedos, domestico, educacao, eletronicos, higienico e vestuario. O aplicativo possibilita ainda ao doador o acesso ao seu historico de doacoes.

Em abril de 2016 a equipe de desenvolvedores deu por finalizada a elaboracao do aplicativo e o publicou, para download gratuito, no iTunes e na App Store para que os Vicentinos iniciassem a fase de testes. A equipe da SSVP atualmente organiza esforcos de treinamento e logistica interna para poder receber as doacoes via aplicativo. O aplicativo foi preparado para permitir que tambem outras instituicoes com atividade social semelhante a SSVP possam utiliza-lo, caso tenham interesse. O controle de doacoes e visualizado e controlado separadamente para cada instituicao.

6. Resultados das entrevistas

As entrevistas foram realizadas com os atores envolvidos no aplicativo Solidarius, que se consolidou como o objeto do estudo de campo desta pesquisa. Foram entrevistadas 10 pessoas, sendo 05 membros dos Vicentinos, entre voluntarios e membros da diretoria do Conselho Metropolitano de Brasilia, e 05 integrantes do laboratorio BEPiD, entre professores, desenvolvedores e designers.

As entrevistas, de foco aberto e qualitativo, tiveram o objetivo identificar a relacao dos participantes com o aplicativo, expectativas de desenvolvimento do software e visoes pessoais sobre a relacao entre solidariedade e tecnologia. A analise das entrevistas, foi subdividida em 4 categorias, que sao aspectos que envolvem toda a problematica da uniao entre doacao e apps sociais, que despontaram das falas dos entrevistados, com pontuacoes dos autores estudados sobre o assunto.

Categoria 1--Carater voluntario e gratuito, mas obrigatorio e interessado

Um dos primeiros pontos levantados por Mauss (2013) sobre a dadiva, e "o carater voluntario, aparentemente livre e gratuito, e no entanto obrigatorio e interessado, dessas prestacoes. Entre os entrevistados as recompensas imateriais transparecem num ou noutro depoimento, nos dois grupos de participantes. E importante ressaltar que no grupo dos Vicentinos, alem das citadas gratificacoes imateriais existe ainda o elemento "obrigatorio" da acao voluntaria em funcao da cultura religiosa. Atuar na caridade seria uma postura natural e intrinseca a pratica da fe que professam, como se ser catolico e fazer caridade fossem sentidos praticamente sinonimos. A obrigacao viria de uma imposicao filosofica inerente aos preceitos da religiao que, apesar de soar como obrigacao, e vista como pratica natural do grupo religioso ao qual participam.

Categoria 2- Doacao intermediada por aplicativo

O voluntariado, o altruismo e as doacoes podem ser vistos como fenomenos com multiplas variaveis sobre suas reais causas, motivacoes e resultados. Como o foco deste trabalho nao se atem as razoes do voluntariado, mas sim sobre as motivacoes e consequencias da realizacao de doacoes intermediadas por aplicativos em dispositivos moveis, as entrevistas apontam possiveis respostas para a questao do porque usar um app para doar, remetendo em grande parte aos beneficios tecnicos do uso da tecnologia.

Para os membros do BEPiD desponta a questao da organizacao e da praticidade, ja para os membros Vicentinos, alem da praticidade e potencial rapidez e eficiencia que o aplicativo pode trazer para a organizacao interna das atividades, revela que o uso da tecnologia para fins sociais pode ser uma nova forma de alcancar publicos inalcancaveis para fins de evangelizacao, alem de ser uma possibilidade de angariar doadores e voluntarios para o trabalho vicentino.

Os apontamentos que vinculam o aplicativo Solidarius a resultados para a pratica social, seja organizando o trabalho dos Vicentinos pela administracao da parte web do app, seja na rapidez em conseguir doacoes que ele pode proporcionar, remetem ao sentido mais essencial de tecnologia, que e o uso de um conjunto de conhecimentos sistematicos aplicados a um proposito implicando em facilidades para o homem.

Categoria 3--Solidariedade e Tecnologia

Belens e Porto (2009) consideram que os objetos, e a tecnologia que eles abrigam, podem ser fontes historicas, revelando aspectos economicos, sociais e culturais das sociedades em que estao inseridos. Ao se analisar a questao do por que doar pelo celular, um objeto da nossa modernidade, tem-se como resposta os aspectos explorados na categoria 2, quais sejam a permanencia inegavel dos smartphones e de seus aplicativos na vida cotidiana, a praticidade, facilidade e agilidade que o doar pelo celular trazem ao usuario e a eficiencia nas atividades internas que o uso do aplicativo pode gerar para o grupo caritativo que o utilizar.

Em um segundo nivel de analise, emerge as observacoes das falas dos entrevistados: o empoderamento que os apps proporcionam para a populacao

e a possibilidade de parceria cidada com o governo; as caracteristicas que a acao solidaria mediada por aplicativo traz e a previsao de impacto da inclusao de app social no trabalho voluntario; e o terceiro, como a tecnologia dos aplicativos sociais pode trazer o sentimento de pertenca, a individuos isolados por essa mesma tecnologia.

E natural que cada nova tecnologia traga novas formas de se fazer algo, com caracteristicas diferenciadas do modo de fazer anterior. Um aplicativo social que proponha a realizacao de doacoes pelo celular nao e diferente. Durante os depoimentos dos entrevistados, bem como na atividade do grupo focal foram percebidas algumas das caracteristicas deste novo modo de doar, sintetizadas na Tabela 1.

Para o grupo dos Vicentinos, o uso do aplicativo Solidarius ira trazer beneficios e desafios. Entre os desafios que eles ja percebem, encontram-se a necessidade de capacitacao dos voluntarios para atuar com o sistema de administracao web do aplicativo, especialmente para colaboradores pertencentes a terceira idade, estudo sobre as capacidades logisticas internas, treinamento para atender prontamente as doacoes nos locais indicados pelos doadores, cuidados com a exposicao dos vulneraveis atendidos, e, ainda, meios de dar aos doadores virtuais tanto um retorno da destinacao das doacoes quanto elaborar formas de convida-los a manter a participacao com as doacoes e com um trabalho voluntario, esporadico ou permanente.

Categoria 4--Gratidao e satisfacao (como causa e consequencia do uso do aplicativo)

A dadiva em Mauss (2013) ocorre em tres momentos ciclicos, quais sejam o dar, o receber e o retribuir. Algo ocorre na experiencia humana que torna esses momentos repetitivos, pois aquele que recebe, de alguma forma retribui a outrem, recomecando todo o processo. A questao da gratidao destacou-se nas falas dos entrevistados pois, parece atuar como o dom em Mauss, uma substancia imaterial, repleta de significados morais, que se manifesta em diferentes momentos dos contextos que envolvem o aplicativo Solidarius:

--ora a gratidao aparece como causa para realizar doacoes pelo celular: pois a praticidade e facilidade das doacoes pelo app apresentam-se como um caminho para o sentir-se bem consigo mesmo no papel de contribuidor com uma causa, e neste sentir-se bem, experimentar satisfacao e gratidao, ou ainda no caso dos Vicentinos gratidao por poder realizar um trabalho caritativo que em suas visoes e uma oportunidade de dar continuidade ao trabalho do Cristo;

--ora a gratidao aparece como consequencia do trabalho realizado, seja pelos desenvolvedores que dedicaram seus esforcos na realizacao do app, seja na percepcao dos Vicentinos ou participantes do grupo focal de que o app acarretara consequencias mais profundas do que o ato de recolher doacoes.

7. Observacoes sobre o grupo focal

Os participantes do grupo focal, que foi realizado como um exercicio de livre opiniao de percepcoes e expectativas quanto ao aplicativo levantaram alguns pontos que merecem citacao:

* credibilidade: 6 em 7 dos participantes afirmaram que usariam o aplicativo se estivesse vinculado a uma instituicao de credibilidade comprovada, mas apenas 3 fariam doacoes em dinheiro;

* feedback: todos os participantes consideraram necessario que o aplicativo apresente algum relatorio das doacoes realizadas, preferencialmente em forma de fotografias, videos ou depoimentos das familias dos beneficiarios;

* anonimato: 6 em 7 dos participantes consideraram o anonimato e a praticidade do aplicativo como um elemento positivo, pois dara a oportunidade das doacoes para quem nao sabe como ou pra quem doar, e para aqueles que preferem nao ter envolvimento com os beneficiados;

* doacoes por app: 5 dos 7 participantes consideraram que o uso do aplicativo nao ira diminuir as doacoes existentes pelos caminhos tradicionais, mas os outros 2 consideraram que o uso do aplicativo pode diminuir as doacoes tradicionais ao longo do tempo;

* doacoes entre jovens: 4 dos 7 participantes consideraram que o aplicativo ira estimular jovens e criancas a doar;

* sustentabilidade: 2 participantes alertaram que a existencia do aplicativo impoe gradativamente novas necessidades (frentes de trabalho) e novas maneiras de pensar. Sem ter sido planejado para reforcar as questoes de sustentabilidade, o aplicativo obriga a comunidade a analisar o seu consumo e a realizar um descarte de moveis, utensilios e eletrodomesticos em bom estado, de forma mais consciente. Os mesmos 2 participantes destacaram que um aplicativo criado para atender uma necessidade especifica dos vicentinos (aumentar doacoes), pode se transformar em um servico de utilidade publica, no momento em que oferece a opcao de um descarte inteligente dos materiais.

Em relacao ao Solidarius, os participantes fizeram as seguintes consideracoes tecnicas:

* trabalho voluntario: sugestao de incluir na lista de opcoes de itens a doar o trabalho voluntario (tempo e dias a disposicao para servir como voluntario em alguma atividade);

* estado de conservacao: sugestao de incluir o estado de conservacao do item a ser doado (novo, usado em bom estado, usado com pequenas avarias), de forma a permitir aos vicentinos a avaliacao se o item e ou nao de interesse;

* pagina quero doar: o aplicativo de forma geral foi considerado intuitivo e facil de navegar com destaque para a pagina "quero doar" que induz a acao do usuario, com um grande botao e um comando claro do que pode ser feito ali. Nas paginas seguintes, no entanto, esse fator positivo se perdeu, a sugestao do grupo foi que toda a tela tivesse um botao grande e amarelo como no "quero doar", com o comando do que se deve fazer neste passo da doacao ("escolha um item para doacao", "realize seu cadastro", "confirme a doacao"...) e um comando para voltar/cancelar;

* tutorial: foi sugerido que a pagina inicial do aplicativo exibisse uma especie de tutorial com os 5 passos para a doacao (1o passo: escolha um item para doar, 2 passo: faca seu cadastro, 3 passo: confirme a doacao...), assim quem nao conhece o aplicativo saberia de imediato como funciona e nao teria receio de navegar;

* pagina quero que busque: os usuarios consideraram que tao logo se confirmem os itens da doacao, ja deveria aparecer os botoes "quero que busquem" ou "quero levar", e se a opcao for "quero levar", a exibicao do local com endereco de onde deixar ja deveria aparecer, pois atualmente o aplicativo induz que se volte aos itens de doacao para depois aparecer o endereco;

* discriminacao do despacho: foi sugerido que, em caso de mais de um item de doacao para um mesmo usuario em um mesmo momento de doacao, fosse dada a opcao de escolher a forma de entrega de cada item, pois pode ser que o usuario queira levar itens como mantimentos, mas precisa que busquem um movel a ser doado, e se fizer o cadastro das doacoes num mesmo instante nao aparece nenhuma opcao para diferenciar a forma de despacho destes itens;

* layout: cores e fontes foram elogiadas.

8. Conclusoes

Os aplicativos sociais trazem uma nova perspectiva ao propiciar novos relacionamentos, tipos de aproximacoes e encontros. E como se a tecnologia, que num primeiro momento apartou grupos sociais e atomizou individuos nas ultimas decadas, se reconfigurasse nesse tempo recriando teias de conexao que possibilitam o fortalecimento e o empoderamento dos individuos. Tambem cria pontes capazes de conectar pessoas com grupos sociais fora de seus circulos comuns. Os processos que envolvem as trocas mediadas pelos aplicativos sociais estabelece uma nova nuance de conexoes e relacionamentos que merece aprofundamentos.

Em relacao as diferencas entre as doacoes tradicionais e as mediadas pelos dispositivos moveis, infere-se que apesar do anonimato, nao se perde o laco que e criado com a solidariedade, quando alguem compartilha da necessidade do outro e se engaja para auxilia-lo criando uma conexao. Consequencia desta conexao, e paradoxalmente ao que se tem cristalizado sobre os impactos negativos da tecnologia na sociedade, infere-se que a mesma que proporciona um distanciamento nas relacoes e um isolamento do individuo, e aquela que por meio dos aplicativos sociais pode unir pessoas e propiciar relacoes sociais, despretensiosas, mas que apontam profundos impactos na auto-estima e no bem-estar de seus usuarios.

Emerge a constatacao de que o aplicativo Solidarius, que foi desenvolvido com o objetivo de atender a uma necessidade especifica de facilitar e aumentar as doacoes de mantimentos e utensilios para uma instituicao caritativa, podera promover servicos de utilidade publica tais como: o recolhimento e a destinacao de itens como roupas, moveis e eletrodomesticos; e a reflexao sobre o consumo consciente, a reutilizacao produtiva e os mecanismos de sustentabilidade a que todos devemos procurar e responder. Independente do objetivo para o qual tenha sido criado, o aplicativo social assume papeis e provoca reflexos que tendem a somar em diferentes niveis para o bem comum.

Como lacunas desta pesquisa e necessario registrar que o trabalho nao buscou dados sobre empresas privadas que patrocinam acoes sociais e se ha diferenca na postura do usuario ao usar um aplicativo social de uma instituicao filantropica ou um de uma empresa privada. Como temas futuros de pesquisa, sugere-se aprofundar o entendimento do potencial de engajamento para doacao mediada por aplicativos que utilizam do crowdsourcing (financiamento coletivo) ou campanhas em redes sociais como Twitter e Facebook.

DOI: 10.17013/risti.23.1-16

Recebido/Submission: 01/05/2017 Aceitacao/Acceptance: 15/08/2017

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moresi@ucb.br, sibelegodinho@gmail.com, marizricardo@gmail.com, braga@ucb.br, jairab@ yahoo.com.br, mclopes.mail@gmail.com, osmala@icloud.com

(1) Universidade Catolica de Brasilia, QS 07 Lote 01 EPCT Bloco N, 71966-700, Brasilia--DF, Brasil

Leyenda: Figura 1--Visualizacao da densidade de coocorrencia de termos utilizando o Vosviewer.

Leyenda: Figura 2--Evolucao dos documentos publicados na base Scopus no periodo de 1973 a 2017.

Leyenda: Figura 3--Telas do Solidarius: inicial, de cadastro, tipo de doacao e historico do doador (Gpdinho et al, 2017).
Tabela 1--Comparativo doacoes tradicionais e doacoes
por app

Doacao Tradicional          Doacao por App Social
                            --Solidarius

Personalizacao da doacao    Anonimato
Custos logisticos: tempo    Sem custos logisticos
  dedicado a entrega e
  transporte da doacao
O processo de doacao e      O processo de doacao
  lento                       e rapido
O processo de doacao usa    O processo de doacao
  terceiros (paroquias        e direto (de quem
  ou postos de                doa para o voluntario
  recolhimento)               da instituicao)
A doacao exige contato      A doacao nao exige
  fisico entre as partes      necessariamente
                              contato fisico entre
                              as partes
Sensacao de pertencimento   Sensacao de
  continuo a um grupo         pertencimento
  de relevante papel          esporadico a um grupo
  social e gratificacao       de relevante papel
  na realizacao das           social e gratificacao
  doacoes.                    na realizacao das
                              doacoes.
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Author:Amadeu Dutra Moresi, Eduardo; Guedes Godinho, Sibele Grasiela; Spindola Mariz, Ricardo; de Oliveira
Publication:RISTI (Revista Iberica de Sistemas e Tecnologias de Informacao)
Date:Sep 1, 2017
Words:7450
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