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Tecendo as teias do abandono: alem das percepcoes das maes de bebes prematuros.

Weaving the Web of Abandonment: Beyond the Perceptions of Mothers of Preterm Infants

Introducao

O abandono de bebes por suas maes e um fenomeno social mundial, que tem maior ou menor repercussao, dependendo da cultura onde ocorra (1). A pratica de abandonar o filho se inscreve ao longo da historia da humanidade. Encontra-se em relatos biblicos, na mitologia grega e em outras citacoes antigas. No periodo do dominio romano, o abandono de criancas era aceito socialmente; era tao presente tal fenomeno em Roma, que um vasto e variado conjunto de leis sobre essa pratica foi formando-se, assim como as primeiras leis que regularizavam a adocao (2). Lembrando que toda adocao reflete um abandono.

Estudos atuais tem demonstrado que e mais frequente entre maes adolescentes, primiparas, de baixo nivel socioeconomico, baixa escolaridade, mulheres sem companheiros e que nao tenham suporte familiar. Recem-nascidos malformados e prematuros com internacoes prolongadas tambem estao mais suscetiveis ao fenomeno (3-5).

Apesar de ser pratica milenar, ainda hoje ha poucos estudos sobre quem e a mulher que abandona e o motivo que a levou a tal comportamento, sua historia, e se esse fato pode trazer repercussoes sobre sua vida (6). Estamos sempre voltados para o mito da boa mae, essa mulher que garante os bons costumes familiares e que cuida do seu filho sem restricoes. Quando a mulher sai desse padrao idealizado, passa a ser rejeitada e culpabilizada (7). Buscamos compreender esse fenomeno a partir das representacoes sociais das maes, definidas como a sua interpretacao da realidade, seus pensamentos, acoes e sentimentos (8).

Dessa forma, o objetivo do estudo foi avaliar a intencao de abandono de bebes prematuros por suas maes durante a internacao neonatal e apos a alta.

Metodologia

Estudo descritivo com abordagem qualitativa realizado no Hospital Universitario Unidade Materno Infantil (HUUMI) da Universidade Federal do Maranhao, no setor de neonatologia, no periodo de setembro de 2007 a marco 2008.

Os criterios de inclusao foram: ser mae de recem-nascido prematuro e acompanhar o filho na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN). Os criterios de nao inclusao foram maes cujos bebes fossem portadores de malformacoes e de asfixia. A amostra foi definida pelo criterio de saturacao do campo a partir das repeticoes das informacoes (9). Cada mae incluida no estudo foi entrevistada em tres diferentes momentos: nos tres primeiros dias de internacao do bebe na UTIN, durante a internacao na Unidade Mae-Bebe (UMB) e no ambulatorio de seguimento. As duas primeiras foram entrevistas individuais e a terceira em grupo.

Foram utilizados questionarios estruturados para os dados de identificacao, entrevistas semiestruturadas no primeiro e no segundo momento, e grupo focal no terceiro. Cada grupo foi composto com seis participantes. As maes foram entrevistadas apos a assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido. As entrevistas tiveram duracao media de uma hora, foram gravadas e posteriormente transcritas.

Foi realizada analise de conteudo na modalidade de analise tematica. As falas foram classificadas buscando a apreensao dos nucleos de sentido e dai extraidas as categorias empiricas: Eu nao queria ser mae assim, Abandonar? Deus me livre, Mae que nao cuida e ma.

Foram utilizados, para identificacao das falas das maes, nomes de flores em substituicao aos nomes originais, mantendo-se assim a etica do anonimato.

Resultados e discussao

Buscamos compreender, nesta pesquisa, nao so a ocorrencia do abandono de bebe em si pelas maes, mas a intencao para tal ato, o que possa ter feito parte de suas fantasias ou dos seus pensamentos. Por intencao, de acordo com Houaiss (10), entende-se como tudo aquilo que se pretende fazer ou alcancar, passando pela vontade e desejo podendo realizar-se ou nao.

Participaram da pesquisa 12 maes totalizando 24 entrevistas individuais e dois grupos focais.

O perfil das maes entrevistadas e apresentado no Quadro 1 com destaque para os fatores apontados na literatura mundial como risco de abandono (11-14).

As entrevistadas eram mulheres em sua maioria jovens, com idade entre 16 e 31anos, com companheiro, com escolaridade entre cinco e onze anos e sem ocupacao formal. A maioria era primipara e nao fez pre natal. Das 11 entrevistadas, sete referem situacoes de abandono em suas historias de vida, sendo que quatro foram criadas por parentes, longe de suas maes biologicas e quatro relatam tentativa de abortamento.

Para conhecer os recem-nascidos, construiuse um quadro (Quadro 2) com os fatores relacionados a prematuridade citados na literatura cientifica (15-18) como favoraveis a disturbios neurologicos e de comportamento, e como tais, facilitadores da negligencia como: tempo de internacao, peso de nascimento, idade gestacional, intercorrencias clinicas, alteracoes de ultrassonografia transfontanela. Identificou-se bebes com tempo de internacao prolongado entre 22 dias a 56 dias, peso de nascimento entre 850g e 1760g, com idade gestacional de 26 a 36 semanas e 3 dias, e com tres ou mais intercorrencias clinicas durante o periodo de internacao. Os trabalhos pesquisados relacionam prematuridade com disturbios de aprendizado, atraso de linguagem e alteracoes cerebrais, enfocando a necessidade de uma equipe de profissionais para o atendimento dessas criancas para que possam ter uma melhor qualidade de vida.

Eu nao queria ser mae assim: Ser mae de prematuro e prematuridade.

Na fala das maes, a condicao de ser mae de prematuro se impoe, fica bem evidente o espaco da UTIN como lugar de dor, choro, sofrimento, culpa e do medo desse nascimento. Como podemos observar: Foi muito triste e dificil aceitar tirar o bebe. Nao era assim que eu queria ne? Prematuro. Eu tenho medo. Ta sendo muito, muito dificil aceitar todo o sofrimento que ela ta passando. Tenho medo que nao sobreviva. Eu nao queria que fosse mae assim. Mas Deus quis [...] [Jasmim].

Quando eu fui olhar [...] Nao imaginava que era tao pequeno, magrinho ... Eu chorei mesmo, como ate hoje eu choro quando eu vou la [Rosa].

Druon diz que a mae do bebe prematuro vivencia o fracasso na sua funcao materna (19). O corpo do bebe, com sua fragilidade, expressa a incompetencia da mae que se manifesta pela culpa, sentimentos de tristeza e medo. Para a grande maioria dessas mulheres, este espaco, a UTIN, e demarcado pela iminencia da ameaca de morte e perda.

Esse corpo de aspecto fragilizado, de acordo com as falas, favorece o distanciamento, o medo e a inseguranca, corroborando com a ideia de afastamento, e nao de uma ligacao (19).

O bebe prematuro que se destina a UTIN vivencia uma separacao precoce da mae, o que, de acordo com Klaus et al., pode trazer consequencia psiquica na construcao do apego mae-filho. Essa construcao pode ser quebrada ou se fazer de forma fragilizada, favorecendo os maus tratos e talvez o abandono das criancas (20).

O ser mae para algumas delas tem haver com cuidados, o contato a alimentacao.

So serei mae de verdade quando estiver com ela nos meus bracos, olhando, dando o peito, cuidando ... [Orquidea].

O vinculo mae e filho esta sendo referido no que e ser mae para ela: o tocar, o olhar e o cuidar, o que leva a ser pensado na dificuldade inicial entre o bebe prematuro e sua mae. Nesse inicio de vida, o prematuro tem todos esses cuidados realizados pela equipe hospitalar.

Abandonar? Deus me livre ... O que e abandono para as maes?

Ao se falar de abandono com as maes, o assunto era tocado como tabu e pecado, muitas vezes era respondido de forma subliminar, principalmente nas entrevistas individuais. No decorrer das conversas, no grupo focal, as historias pessoais foram aparecendo.

O conceito de abandono, para as maes entrevistadas, foi compreendido a partir da contextualizacao das falas e das historias de vida.

A historia da vida de Erica evidencia situacoes que podem estar vinculadas com o descuido, com a falta de amor e de carinho, de um holding materno e ambiental mal desenvolvido. Ao falar de abandono disse:

Enao dar amor, carinho, cuidados, isso e abandono para mim. [Erica].

Talvez ela esteja falando de fatos conhecidos da sua vida: do ambiente onde foi criada, da ausencia do pai que nao conheceu, de sua mae envolver-se com outros companheiros para poder prover o sustento da casa. Aqui se pode pensar, a partir do que e falado por Winnicott (21) sobre holding, que representa os primeiros cuidados maternos e o ambiente facilitador para que se desenvolvam. Para ele, uma falha muito precoce no ambiente pode trazer prejuizos no desenvolvimento psiquico e tambem na capacidade de vinculacao. Fala de uma dependencia absoluta que ocorre nesse inicio e nesse ambiente facilitador e acolhedor, onde a mae, tendo as necessidades basicas satisfeitas pelo pai, pode se ocupar integralmente do bebe. Possibilitando uma juncao entre o corpo e a psique do bebe, levando ao que o autor chama de integracao. Essa juncao, a integracao das experiencias (motoras e sensoriais), e que vai favorecer a construcao dos conteudos psiquicos da crianca, a construcao do Eu Sou.

Tipos de abandono

Foram encontradas varias formas de abandono presentes nas historias das maes entrevistadas: o abandono protegido, quando a crianca e entregue para ser cuidada por outros; negligencia e abandono selvagem.

O abandono protegido foi a forma mais encontrada, principalmente a entrega para adocao intrafamiliar (22). Esta e uma questao fundamental na busca da compreensao da intencao de abandono, considerando que uma mae abandonada pode incorrer na mesma acao de abandonar outrem, caracterizando o que a literatura chama de ciclo recursivo do abandono (23).

Orquidea e clara ao se referir a doacao como saida para o abandono: Amar e cuidar, se nao pode cuidar e melhor dar para outra. [Orquidea].

Existem poucos trabalhos que tentam averiguar porque algumas maes nao conseguem cuidar de seu filho, enquanto que outras em condicoes similares o fazem. Os trabalhos existentes (13,5,6) sugerem que a causa pode ser multifatorial, que a maioria dos abandonos e ocasionada pela conjugacao de fatores economicos e familiares, como o abandono paterno e materno. Quando so existe um dos fatores, a doacao nao acontece. Cyrulnik (24) considera que por mais terrivel que tenha sido o trauma vivido pela crianca, ela pode se recuperar dependendo do apoio recebido apos a experiencia traumatica. A adocao, quando bem conduzida, constitui-se num fator de protecao a essas criancas.

Outra forma encontrada de abandono foi a negligencia. Para Petunia Pior abandono, para mim, e estar dentro de casa e nao cuidar. Para Minayo (25), negligencia e a omissao a protecao integral necessaria ao desenvolvimento e crescimento da crianca, sendo categorizada como maus tratos. Este, e uma das expressoes de atos violentos, em que a falta de carinho e de amor, citados por estas maes, estaria categorizada como maus tratos psicologicos.

De acordo com a autora citada acima, abandono e uma negligencia extrema, e a falta ou a recusa de cuidados por parte da pessoa a quem cabe esta responsabilidade. Esse tipo de violencia tem um carater de perenidade e se apresenta de forma sutil, natural e muitas vezes nao e reconhecido como abandono. O que e socialmente aceitavel. Porem, o extremo de uma negligencia, que e o abandono, e rejeitado.

Abandono selvagem

E melhor dar para outro cuidar que jogar no lixo, esgoto [...] [Petunia].

Na fala acima, pode-se identificar outra forma de abandono descrito por Bradley (3). Quando a crianca e deixada completamente sem protecao, podendo ser jogada no lixo, nos jardins e esgotos, tal forma de abandonar e chamada de abandono selvagem.

Petunia, ao falar do abandono selvagem, mais uma vez sugeriu a adocao como uma possibilidade de protecao.

Durante as entrevistas realizadas com as maes, uma importante categoria que emergiu das falas foi o abandono que algumas dessas maes vivenciaram ao longo de sua trajetoria, e o significado disso nas suas vidas. Trazem uma pluralidade de fatores, alguns semelhantes ao publicado na literatura mundial (26-29), tais como adocao intrafamiliar, familias matriarcais, pais abandonantes, mulheres que assumem sozinhas os cuidados e a manutencao economica dos filhos. Isto permitiu inferir que a mae que abandona o seu bebe, possa ter vivenciado situacoes de abandono. Nesta pesquisa, apareceram o abandono familiar, o social e o pelo companheiro, que descreveremos a seguir.

Abandono Familiar e social

O abandono familiar foi identificado nas falas das maes entrevistadas quando se referiam a sua infancia e adolescencia, como nos fragmentos citados abaixo. Observou-se, durante as entrevistas, que esta situacao de fragilidade de vinculos familiares estava muito interligada com questoes economicas e sociais. Autores como Freston e Freston (12) enfocaram essas questoes, quando realizaram trabalhos em maternidades com maes que doaram seus bebes.

Meu pai nos abandonou quando nos eramos criancas. Minha mae cuidou da gente sozinha, tinha que trabalhar na roca e cuidar dos sete filhos. A gente era muito pobre, a sorte foi o pai e a mae dela que ajudou [...] [Orquidea].

Minha mae foi embora com outro homem, eu e minha irma ficamos com meu pai. A outra irma e o menino foram morar com minha avo, a mae dela. Fiquei triste, nao sinto falta nao, tenho meu pai [...] [Violeta].

O abandono colocado por essas duas maes retrata o de varias outras. Nos seus relatos, identifica-se, bem evidente, a fragilidade familiar em decorrencia da quebra de vinculos. Observa-se uma conexao estreita da pobreza em que estas familias estao inseridas e o abandono. Estudos realizados por Lemos (30), no Brasil, constataram que a acao das Politicas Publicas voltada para as questoes sociais e familiares se faz de forma fragmentada, o que permite que grande parte das familias, embora tenham a seguranca prevista em lei (que as protege), nao consegue estabelecer-se enquanto lugar de protecao e desenvolvimento para seus membros.

Observou-se que o abandono das familias, por um dos genitores, e frequente nas falas, assim como doar os filhos para familiares, denominada por adocao intrafamiliar. Aqueles casos em que ha uma doacao sem passar pelos processos legais, a literatura nomeia de adocao a brasileira, sendo ainda muito frequente essa forma (26).

Weber e Kossobudzki (27), ao estudarem sobre o assunto, fazem uma reflexao da gravidade social da questao do abandono, pois esses sofrimentos psiquicos emocionais podem ser ampliados, passando a ter uma dimensao politica. Uma crianca, ao nascer numa sociedade bastante desigual, vai necessitar de protecao do Estado para que esses lacos se fortalecam e a protejam. Essas autoras questionam se a organizacao psiquica de uma mae e abalada quando nao ve perspectivas em melhorar de vida, quando a todo o momento recebe mensagens sociais de que nao tem como sair do estado de miseria em que esta inserida. Resta-lhe, portanto, somente a perpetuacao de um ciclo cruel: o abandonado x abandona.

Abandono pelo companheiro

Durante a analise das falas, ficou muito evidente a importancia do suporte do companheiro para que ocorra o enlace das mulheres com seu bebe. As entrevistadas ressaltaram a figura paterna e sua implicacao no processo do abandono do bebe. Como podemos observar:

E dificil cuidar sem o pai do bebe do lado, fica muito dificil [...] [Petunia].

Embora a funcao paterna possa ser desenvolvida por outra pessoa, as mulheres entrevistadas fazem referencia a figura masculina do companheiro, pai biologico do seu filho.

Provavelmente, para alguns homens, por tras do comportamento negligente diante da mae e do bebe, existem marcas psiquicas que vao dificultar exercer a funcao paterna e estabelecer lacos afetivos, como se interpreta na fala de Lirio.

Quando eu disse que tava gravida ele queria que eu tirasse, e sempre assim, ne? Disse que nao tava pronto para ser pai. Ai me abandonou, ja namoravamos um ano e sete meses [Lirio].

De acordo com Gauthier (28), os lacos afetivos sao transmitidos de uma geracao para outra e a capacidade de ocupar-se e cuidar dos filhos esta relacionada ao modo como os pais foram cuidados e ao meio social e a epoca em que estao inseridos, existindo uma transgeracionalidade de comportamento. Para o autor, a parentalidade e construida. Para isto, e necessaria a adocao do filho, mesmo o biologico para que esta se estabeleca. Ser pai nao e apenas doacao de espermatozoides, significa fazer uma escolha; a crianca precisa fazer parte do seu desejo. A construcao da parentalidade vai favorecer o exercicio da funcao paterna, que e um fato cultural e nao um fato biologico.

Ele sempre disse que quer criar a filha dele. Fica a tarde todinha, so vai porque eu mando ir embora, porque senao [...] [Margarida].

Para Thurler (29), as questoes culturais tais como o patriarcalismo, contribuem para justificar o abandono afetivo das criancas pelo pai nos primeiros anos de vida, ficando este so com a funcao de prover economicamente a familia. Os cuidados afetivos ficam exclusivamente com as maes. Tambem e frequente que fique com essas mulheres, alem dos cuidados afetivos, a funcao do prover, o que gera o abandono afetivo e economico por parte dos pais.

Os homens que negam as participacoes biologica, afetiva e economica, assim como o reconhecimento juridico, sao chamados pais desertores, segundo a mesma autora. Esse comportamento vai gerar uma legiao de filhos sem pais, so com o nome materno, criando o que ela chama legiao da sociedade sem pais, endossando o fim da autoridade paterna, o guardiao da lei, o representante simbolico. Sugere que essa forma de uma sociedade se organizar so reforca a era patriarcal, gerando uma sociedade mais fragilizada.

Esse pensamento e compartilhado por Pereira (31), profissional da area juridica, que afirma que toda a estrutura do Direito para averiguacao da paternidade esta assentada pelos lacos biologicos da paternidade, o que ficou facilitado pelo exame do DNA. Porem, cre como sendo mais grave o abandono psiquico e afetivo. Neste, o Direito nao tem como intervir, e afirma que a ausencia do pai e desestruturante, tornando-se hoje um fenomeno social alarmante, o que, talvez, esteja colaborando para o aumento da delinquencia juvenil.

O abandono material deixado pela ausencia do pai e perfeitamente coberto pelo Direito que impoe sancoes e punicoes para tal falta. Esta contido como crime no codigo Penal, nos art. 244/246, e nas leis civis, que estabelecem penas de penhora e prisao quando nao e paga a pensao alimenticia (32).

Constatou-se, portanto, que o medo expresso, a ansiedade vivenciada pelas mulheres entrevistadas, ao se depararem com uma gravidez nao compartilhada pelo parceiro, leva ao desespero e a comportamentos negligentes, o que, como e dito por elas, pode levar ao extremo desse ato, que e o abandono. Resta, a essas mulheres, responder juridica e socialmente pelo comportamento adotado, arcando com a exposicao na midia que lhes impoe severos julgamentos. Ao parceiro da criacao, fica o anonimato, a condescendencia.

Mae que nao cuida e ma: O cuidado como obrigacao materna:

As mulheres entrevistadas trouxeram a ideia de que os cuidados com os bebes sao exclusividades maternas, mostrando o arraigamento do pensamento de uma cultura machista, ainda bastante presente em pleno seculo XXI. A tarefa de cuidar e tida como especificidade da mulher, e de acordo com Mota, aquelas que nao aderem a estas atividades sao consideradas anormais (6). A autora diz ainda que a construcao dos papeis de pai, mae e filho relacionam-se com as necessidades e os valores dominantes de uma sociedade, nao estando ligada, necessariamente, as questoes de genero.

Quem tem que cuidar ea mae ... [Petunia].

Abandonar, Deus me livre! Eu que sou a mae e que tenho que cuidar [Orquidea].

Embora as falas tragam aquilo que e esperado pela sociedade vigente, as atitudes durante a internacao, observadas e relatadas no diario de campo, sao ambivalentes. Aquelas, que expressavam que o cuidado do filho e obrigacao exclusiva da mae, tiveram um comportamento ausente, com dificuldade de executar as tarefas basicas relativas aos cuidados do seu bebe, deixando-o para equipe de profissionais. Pode-se atribuir a essas falas uma culpa, ja que o grupo social no qual estao inseridas cobra das maes o cuidar como atributo feminino. Dessa forma, reforcam o mito da boa mae, que e o esperado enquanto papel da mulher, e aquelas que se negam a corresponder ao estabelecido sao jogadas na categoria de ma, ruim, sem que se faca uma contextualizacao do ato.

Diante desse papel da mulher de cuidadora, os cuidados com o prematuro exigem uma apropriacao por parte da mae em aptidoes que as permitam, com seguranca, cuidar dessas criancas. Esta apropriacao, de acordo com as falas das mulheres entrevistadas, se da pela necessidade premente que a gestacao e o puerperio desencadeiam, de serem cuidadas para que possam cuidar do bebe, e o apoio que recebem, que chamamos de rede suporte.

A protecao e o apoio sao solicitados ao pai do bebe, a familia e estendido para o espiritual como vemos nas falas:

Se esta sozinha, e melhor pedir ajuda para Deus, se nao faz besteira ... [Rosa].

Se nao tem como cuidar, no meu ponto vista, deve pedir ajuda para pais, avo, amigo, familia, alguem [...] [Orquidea].

De acordo com estudos realizados por Szejer e Stewart (33) sobre a gravidez, o parto e o puerperio, estes momentos vivenciados pela mulher sao primordiais na vida do bebe. Nesse periodo, para que a mae possa estar exclusivamente voltada para o filho e necessario que alguem esteja assumindo o papel de facilitador, ajudando nas tarefas de suporte as suas necessidades basicas. Tal comportamento de exclusividade ao recem-nascido, hoje em dia, fica sem ressonancia, quando o sistema economico de producao, ao qual a mulher esta inserida como participante ativa, estimula a competitividade e o poder economico como determinantes de um lugar social (34).

Ao falar da mulher no contexto atual de mercado produtivo (35), pesquisadores expressam que, apesar da competitividade estimulada pela sociedade, a educacao milenarmente cultivada do altruismo e do cuidar tem sido favorecedora e vital para o bebe humano, pois sem essas caracteristicas do feminino o mesmo nao sobreviveria.

A analise demonstrou que o exercicio do poder materno dessas maes de prematuros foi facilitado pela rede de apoio que elas tiveram disponivel no periodo puerperal. Observa-se que a mae do recem-nascido prematuro tem uma fragilidade psiquica maior em decorrencia de ela tambem estar sendo mae antes da hora, nao vivenciou portanto, todas as etapas do periodo gestacional (36). Ha tambem a fragilidade emocional devido a iminencia de perda do seu bebe durante o periodo na UTIN, sendo necessaria uma rede de suporte para que venha desempenhar esse papel. Isso e bem colocado por Orquidea, quando afirma que essa rede de apoio deve ser estendida, nao so na familia nuclear, mas, tambem, na familia ampliada, incluindo-se os amigos. Essa necessidade de ajuda tambem e compartilhada por Hortencia que, para poder cuidar, ou melhor, se empoderar, refere ao apoio da sua mae e da sua avo.

Morsch e Braga (36) ao estudarem sobre o tema, chamam de maternagem ampliada todos os cuidados desenvolvidos pela mae da mae a seus filhos e netos nesse periodo puerperal, envolvendo duas geracoes. Reforcando que a experiencia de ambas e favoravel para o reconhecimento de gestos e de expressoes do recem-nascido, que irao facilitar este periodo adaptativo do bebe e de sua mae.

Elas argumentam ainda que as avos, nesse momento, nao passaram pelas modificacoes corporais e psiquicas das maes, nao compartilham, portanto, com estas, os mesmos sentimentos; pois sao eles de naturezas diferentes, e e, gracas a essa diferenca, que podem dar todo apoio, resgatando a familiaridade.

Vou cuidar dele do jeito que eu aprendi aqui, vou ensinar pro meu marido, minha mae vai me ajudar. Ela mora perto de mim, ela e minha avo, ai elas me ajudam [Hortencia].

Ve-se que Hortencia coloca em primeiro lugar o apoio do companheiro, para em seguida ampliar para a mae e a avo. O apoio do companheiro e significativo para as maes, ao ponto de, na falta deste, o risco para abandonar o bebe ser maior.

Esse apoio ampliado, que as maes vao expressando, pode categorizar o que Sluski (37) chama de rede social de apoio. E definido como um conjunto de relacoes interpessoais conectadas, que vinculam os individuos uns aos outros, e que sao tecidos por escolhas pessoais sem estruturas hierarquicas. Ela e uma matriz de identidade. Constatou-se que uma mae, quando se depara com um bebe que nasce prematuro e nao dispoe de uma rede de suporte, torna-se fragilizada e pode recorrer a atos nao aceitaveis socialmente. O exposto vai ao encontro do que Barnes (38) fala sobre os tecidos da rede; quando fragilizada, vai ocasionar uma sensacao de vulnerabilidade e desprotecao.

Ai eu fico com medo de descuidar, de nao saber quando e choro de dor de barriga. Vou trazer alguem da minha familia para me ajudar a cuidar dela, acho que minha irma ou minha mae. Sabe, elas moram no interior, nao e aqui nao. Aqui eu morava com minha ex patroa mas pra la eu nao volto nao, eles nem ligaram mais pra saber de mim todo esse tempo, so no inicio [Margarida].

Braga (39) aponta para essa vulnerabilidade vivenciada pelos pais quando estes se encontram nesse espaco e estao exaustos pelas internacoes prolongadas. Em decorrencia, ha uma tendencia de os membros dessa rede estarem cada vez mais ausentes, por conta das dificuldades impostas por seus trabalhos, ocasionando na sua fragilidade.

Ainda dentro desse pensamento, trazido pelas maes, em relacao a necessidade de serem cuidadas para poder cuidar, elas falam da UMB como lugar de cuidados ao prematuro e a suas maes. Um local de protecao, onde toda a equipe de profissionais e colocada a disposicao, construindo-se, dessa maneira, uma rede de protecao de profissionais. Como ja foi referido, a rede proporciona a elas a possibilidade de cuidar de seus filhos e, assim, de exercerem as funcoes maternas e de facilitar os lacos afetivos (40).

Passar pela UMB e muito importante para aprender cuidar, senao; fica com medo. Ai, vai cuidando, vai cuidando, se apega e e mais dificil dar o bebe [ Petunia].

Deste modo, a representacao do lugar de sofrimento e medo, que era a UTIN, vai se resignificar na UMB como lugar de apoio, ajuda, e de aprendizado dos cuidados, em que as maes vao se empoderando dessa funcao materna numa inter-relacao com a equipe e as outras maes.

Conclusao

Chegar a conclusao desse trabalho de pesquisa nao implica ter obtido resposta para todas as interrogacoes iniciais. O tema e amplo, de dificil abordagem, e aponta para varias e complexas questoes a serem exploradas. Foi possivel observar, nas falas, vivencias de abandono familiar, tanto na infancia e na adolescencia, quanto na gravidez e no periodo de internacao do bebe. Levando-nos a concluir que uma mulher, que vivencia situacoes de abandono de varias ordens, seja social, familiar ou psiquica, esteja mais suscetivel a abandonar ou negligenciar seu filho.

As maes, ao falarem sobre abandono, o fazem a partir de suas historias e expressam valores da cultura na qual estao inseridas, o que induz juizo de valores e julgamentos para tal comportamento, concluindo que a mae que abandona um filho e ma. No entanto, destacam alguns fatores que podem colaborar para tal acao, tais como a falta do apoio familiar e a do pai do bebe. Tambem foram identificadas praticas ligadas ao ato ou a intencao de abandono com certa frequencia, tais como nao realizar pre-natal, tentativas de abortamento, principalmente entre aquelas maes que vivenciaram, em suas historias de vida, o abandono. A ausencia do proprio pai e a do pai do bebe foram situacoes frequentes, identificadas em suas historias, reproduzindo um modelo de familia monoparental, predominantemente matriarcal, que vem ganhando espaco na sociedade atual. Ser abandonada pelo companheiro e muito representativo para as maes como coadjuvantes no abandono do filho, que tambem esta ligado a questoes economicas, desenvolvendo, portanto, a angustia de sozinhas sustentarem e apoiarem um filho.

O abandono dessas mulheres pelo companheiro tem uma dimensao social e afetiva alem de uma dimensao juridica, tornando-se, portanto, uma questao sociopolitica. Quando se vai transitando numa legiao de familias sem pais, fragilizadas pela ausencia da autoridade paterna, compromete-se a cidadania da crianca e da mae.

Quando as maes estao com o seu bebe na UTIN, vivenciam sentimentos ambivalentes, gerando medo, angustia e inseguranca diante da incerteza da vida do filho. Durante a internacao na UMB, quando recebem apoio e suporte, as maes resignificam seus medos, culpa e inseguranca, cuidando do bebe e gradativamente aprendendo e aceitando ser mae de um prematuro.

Percebem o abandono como sendo o nao cuidar. Desta forma, dar para outro nao e, necessariamente, considerado abandono, especialmente quando a mae acha que nao tem condicoes economicas de o cuidar, e que seu filho poderia ter uma vida melhor em outra familia.

Conclui-se, portanto, que existe uma rede de eventos e fenomenos sociais, familiares e politicos que determinam situacoes vivenciadas na gravidez, no parto e no periodo pos-natal que contribuem para a intencao, ou para a efetiva realizacao, de varios tipos de abandono dos prematuros. Esses fenomenos se concretizam nas relacoes do Estado com o trabalhador e suas familias, da mae com seu companheiro e com as redes sociais e familiares de apoio, e, finalmente, com o bebe que acaba de nascer.

Colaboradores

RT Fernandes, ZC Lamy, D Morsch, FL Filho e LF Coelho participaram igualmente de todas as etapas da elaboracao do artigo.

Artigo apresentado em 30/05/2010

Aprovado em 17/08/2010

Versao final apresentada em 09/09/2010

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Rosangela Torquato Fernandes [1]

Zeni Carvalho Lamy [2]

Denise Morsch [3]

Fernando Lamy Filho [4]

Laura Fernandes Coelho [5]

[1] Setor de Neonatologia do HUMI, Hospital Universitario Materno Infantil, Universidade Federal do Maranhao UFMA. Rua Professora Laura Rosa Quadra 24, Lote 2. 65075-047 Sao Luis Maranhao.

rosangelatfc@hotmail.com

[2] Departamento de saude publica, Universidade Federal do Maranhao

[3] Setor de Neonatologia do IFF, Fundacao Oswaldo Cruz - Fiocruz

[4] Departamento de medicina III, Universidade Federal do Maranhao

[5] Curso de medicina, Universidade Federal do Maranhao
Quadro 1. Caracteristicas dos doze recem nascidos
analisados no servico de neonatologia do Hospital
Materno/Infantil (HU//UFMA) durante o periodo de
outubro/2007 a marco/2008.

Variaveis               RN1          RN2          RN3          RN4

DN                    06/10/07     05/11/07     12/11/07     16/11/07
DA                    22/01/08     08/12/07     17/12/07     27/12/07
DI Total                 46           33           36           40
Dias UI                  23           -            10           -
Dias UMB                 -            20           5            18
IG--NBc                 36,3         35,1         26,6          29
Apgar 1[degre] e        6/8          9/10          6/9         4/8
  5[degre] min
Peso (g)                1250         1115         1234         850
Alimentacao            Mista          SM           SM           SM
Intercorrencia        Infecao      Infecao         MH           MH
Clinica              Ictericia       RGE        Infecao       Sepse
                                  Ictericia    Ictericia       RGE
                                                               ROP
USTF                   Normal       Normal     HIC grau I   HIC-grau I

Variaveis               RN5          RN6           RN7

DN                    13/10/07     28/11/07      27/10/07
DA                    13/12/07     20/12/07      28/11/07
DI Total                 50           22            31
Dias UI                  3            -             22
Dias UMB                 23           14            3
IG--NBc                 30,3         30,6           34
Apgar 1[degre] e        7/9          9/9           7/9
  5[degre] min
Peso (g)                1650         1760          1460
Alimentacao              SM           SM          Mista
Intercorrencia           MH           MH       Policitemia
Clinica                 PCA          RGE       Hipoglicemia
                                                Ictericia

USTF                   Normal     HIC-grau I      Normal

Variaveis                RN8           RN9          RN10

DN                     17/11/07      16/11/07     29/12/07
DA                     18/01/08      24/12/07     21/01/08
DI Total                  30            38           22
Dias UI                   -             -            -
Dias UMB                  20            16           15
IG--NBc                  32,1          33,5         29,4
Apgar 1[degre] e        3 / 6         6 / 8        9 / 10
  5[degre] min
Peso (g)                 1120          1395         1600
Alimentacao               SM            SM           SM
Intercorrencia            MH            MH           MH
Clinica               Ictericia     Ictericia    Ictericia
                       Infecao       Infeccao       RGE
                     Hipoglicemia      RGE
USTF                    Normal        Normal       Normal

Variaveis                RN11         RN12

DN                    1/10/2007     9/09/07
DA                     22/11/07     20/10/07
DI Total                  56           41
Dias UI                   30           -
Dias UMB                  3            22
IG--NBc                   32          30,3
Apgar 1[degre] e        8 / 9        9 / 9
  5[degrees] min
Peso (g)                 1710         1660
Alimentacao             Mista          SM
Intercorrencia          Sepse          MH
Clinica              Enterocolite    Sepse
                         RGE          RGE
                         ROP
USTF                    Normal       Normal

Sendo: RN--recem-nascido; DN--data de nascimento;
DA--data da alta; DI--dias de internacao; UI-
unidade intermediaria; UMB-unidade mae-bebe;IG--
idade gestacional em semanas; g--gramas; SM--seio
materno; NBc. New Ballard; RGE -refluxo gastro-
esofagico; MH--membrana hialina; ROP--retinopatia
da prematuridade; PCA--persistencia de canal
arterial; USTF--ultra-sonografia transfontanela;
HIC--hemorragia intra-craniana.

Quadro 2. Caracteristicas das doze maes
entrevistadas no servico de neonatologia do
Hospital Materno Infantil (HUUFMA) durante o
periodo de outubro/2007 a m

Variaveis               Violeta         Margarida          Erica

Idade (anos)            16 anos          17 anos          16 anos
Ocupacao               estudante         do lar          estudante
Escolaridade             8 anos          9 anos           6 anos
Paridade               Primipara        primipara        primipara
Situacao conjugal       solteira    uniao consensual     solteira
Pre-natal                 Nao              sim              nao
Tentativa de aborto       Sim              nao              nao
Historia de abandono      Sim              nao              sim
Adocao                    Sim              nao              nao
Expectativas para o     ajudar a    crescer com saude   recuperacao
RN                        mae                              total

Variaveis                   Jasmin         Orquidea     Gardenia

Idade (anos)               31 anos         26 anos       27 anos
Ocupacao                    do lar          do lar       do lar
Escolaridade                5 anos         11 anos       8 anos
Paridade                  primipara       primipara     tercipara
Situacao conjugal      uniao consensual     casada       casada
Pre-natal                    nao             Sim           sim
Tentativa de aborto          nao             nao           nao
Historia de abandono         sim             sim           nao
Adocao                       sim             nao           nao
Expectativas para o       ter saude        crescer     recuperacao
RN                                        com saude       total

Variaveis                 Lirio         Rosa        Hortencia

Idade (anos)             31 anos       18 anos       18 anos
Ocupacao               comerciaria   comerciaria   comerciaria
Escolaridade             11 anos       11 anos       11anos
Paridade               secundipara    primipara    secundipara
Situacao conjugal       solteira      solteira       casada
Pre-natal                  nao           sim           nao
Tentativa de aborto        sim           nao           nao
Historia de abandono       sim           nao           nao
Adocao                     sim           nao           nao
Expectativas para o      crescer      ter saude     cuidar do
RN                      com saude                     bebe

Variaveis                  Bromelia           Petunia

Idade (anos)               24 anos            30 anos
Ocupacao                    do lar             do lar
Escolaridade                6anos              5anos
Paridade                 secundipara         multipara
Situacao conjugal      uniao consensual   uniao consensual
Pre-natal                    sim                nao
Tentativa de aborto          nao                sim
Historia de abandono         nao                sim
Adocao                       sim                nao
Expectativas para o      crescer com        crescer com
RN                          saude              saude

Variaveis               Girassol

Idade (anos)             24 anos
Ocupacao                 do lar
Escolaridade             10 anos
Paridade               secundipara
Situacao conjugal       solteira
Pre-natal                  nao
Tentativa de aborto        sim
Historia de abandono       sim
Adocao                     nao
Expectativas para o    desenvolver
RN                         bem
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Title Annotation:texto en portugues
Author:Fernandes, Rosangela Torquato; Lamy, Zeni Carvalho; Morsch, Denise; Filho, Fernando Lamy; Fernandes
Publication:Ciencia & Saude Coletiva
Date:Oct 1, 2011
Words:7333
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