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TOO FAR OF CAPITAL: THE EXECUTIVE SECRETARY OF THE PERIPHERY PERIPHERY OF CAPITAL/LONGE DEMAIS DAS CAPITAIS: O SECRETARIO EXECUTIVO NA PERIFERIA DA PERIFERIA DO CAPITAL.

1 INTRODUCAO

A profissao de Secretariado Executivo (SE) passou por inumeras transformacoes ao longo do tempo (Natalense, 1998). Recentemente, o SE deixou de ter uma configuracao mecanica e tecnica para auxiliar na tomada de decisao das organizacoes, assumiu novas responsabilidades e funcoes (Durante & Santos, 2010). O SE se tornou multifuncional, polivalente e pro-ativo, um profissional que nao se limita a assessorar a execucao de atividades (Chierecci & Gomes, 2002), mas que participa efetivamente da gestao da empresa, manuseando com precisao as informacoes da organizacao e agregando o valor necessario durante o desempenho das atividades profissionais (Saldanha, 2005).

Buscar compreender as multiplas conformacoes apresentadas pela profissao ao longo de um continuo de tempo e espaco significa, em essencia, questionar: O que e o Secretario Executivo? A pergunta, cuja resposta nao e obvia, remete obrigatoriamente a buscar entender a identidade da profissao. A identidade, entretanto, nao ocorre no vazio, mas nos diferentes contextos historicosociais que a determinam (Ciampa, 2001), de modo que as mudancas na atuacao profissional estao relacionadas as transformacoes sociais (Ramos & Baptista, 2004) e interferencias culturais (Albuquerque & Escrivao Filho, 2003).

No Brasil, a profissao de secretariado foi regulamentada em 1985 pela Lei n. 7.377 e a caracterizacao do Secretario Executivo, diferenciada do Tecnico em Secretariado, ocorreu em 1996 pela Lei n. 9.261 (Alvaraes & Rocha, 2012). Entretanto, apesar de a legislacao regulamentar a profissao, as diferencas regionais e as transformacoes recentes do mundo do trabalho vem instigando questionamentos e estudos sobre a identidade, bem como sobre a formacao e atuacao do Secretario Executivo (Fenassec, 2001; Galindo, & Wedna, 2004; Carvalho, & Souza, 2012; Portela, Mesquita, & Rodrigues, 2013; Souza, 2010). A atuacao profissional do SE, embora relativamente consolidada nos grandes centros, e uma verdadeira incognita nas localidades situadas na periferia da periferia do capital. O termo periferia da periferia remete as localidades que estao distantes do centro do sistema economico mundial, caso do Brasil, e, simultaneamente, do centro do capitalismo local, como e o caso do Amapa (Cavlak, 2012). Neste sentido, o objetivo deste trabalho e compreender as representacoes de identidade do Secretario Executivo na periferia da periferia do capital neste inicio de seculo XXI e, para tal, usa como referencia o estado do Amapa que apresenta esse duplo distanciamento.

As regioes fronteiricas da Amazonia com baixa densidade demografica, isolamento geografico, dinamica economica incipiente e infraestrutura precaria foram transformadas em Territorio Federal durante a primeira metade do seculo XX (Santos, 2010). Nesses territorios o Estado desenvolveu politicas publicas de ocupacao, defesa e integracao por meio do desenvolvimento de grandes projetos. No Amapa destacam-se como grandes projetos a Empresa Industria e Comercio de Minerios S. A. (Icomi) e o Complexo Industrial do Jari (Porto, 2003). Ambos interferiram positivamente na infraestrutura e nos setores de transporte urbano, embora encravados distantes da capital politica do ente federado. Apesar das transformacoes ocorridas e da chegada de novos agentes do capital, o Estado permaneceu como o principal ator das politicas de desenvolvimento. O Amapa deixou de ser territorio e tornou-se estado em 1988, mas ainda hoje possui expressiva presenca do ente estatal, em detrimento da iniciativa privada, na socioeconomia local (Chelala, 2008). A visao do estado como uma fronteira economica ou como uma promessa de prosperidade socioeconomica se mostrou uma ilusao (Santos, 2010).

Na periferia da periferia do capital (Cavlak, 2012), o Amapa continua dependente do poder publico e carente de grandes empresas privadas (Chelala, 2008), nas quais, normalmente, atuam os profissionais de Secretariado Executivo. Ha muito se relatam as dificuldades de insercao dos bachareis formados para atuar no exercicio da profissao em Macapa, capital do estado, e a alegacao recorrente e a de que os orgaos estatais e as empresas de pequeno e medio porte, comuns no estado, desconhecem o papel do SE e, por isso, praticamente nao contratam este profissional. Apesar disso, a Universidade Federal do Amapa, desde 1991, e o Centro de Ensino Superior do Amapa, a partir de 2003, formam bachareis em SE (Galindo et ai., 2012) que buscam insercao no mercado laboral local. Embora cada realidade seja unica, compreender a identidade do profissional de SE no Amapa pode lancar luz sobre a realidade dos SEs que atuam em outras localidades que se configuram como periferia da periferia do capital. Compreender a identidade profissional, mais que narrar a atuacao profissional, implica entender o mercado de trabalho, o reconhecimento profissional, as estruturas sociais vigentes que auxiliam ou limitam o crescimento profissional (Castelo Branco & Tavares, 2005; Souza & Figueiredo, 2004) e os aspectos identitarios que persistem e se transformam com o decorrer do tempo (Ciampa, 2004). A compreensao deste conjunto de elementos e importante para a transformacao da realidade vivida na direcao do que Ciampa (2001) denomina vida que merece ser vivida e mesmo no entendimento dos fatores que limitam a atuacao dos profissionais de SE na periferia da periferia do capital, como e o caso do Amapa.

2 REFERENCIAL TEORICO

O homem e um ser social e, ao longo de suas interacoes, esta sempre se construindo e desconstruindo para se reconstruir. Este processo continuo de construcao, desconstrucao, construcao e um movimento dinamico que ocorre por meio da comunicacao, "cujo veiculo, a linguagem, portadora de representacoes, incide sobre aspectos estruturais e formais do pensamento social, possibilitando processos de interacao, influencia, consenso e polemica" (Alexandre, 2000, p. 167). Permeia esse processo o senso comum que, sem se configurar como oposicao ao conhecimento cientifico, e uma forma de conhecimento da realidade com suas proprias caracteristicas de elaboracao e funcao (Almeida, Santos & Trindade, 2000).

Representacoes sociais dizem respeito a construcao de conhecimentos do senso comum e constituem "um processo gerador de acoes sociais a partir de visoes de mundo, concepcoes ideologicas e culturais que estao presentes nas relacoes sociais da vida cotidiana" (Alexandre, 2000, p. 166). As praticas sociais se referem ao processo interativo que envolve sujeito, objeto e grupo social e que, durante as interacoes, se consolidam, adquirem significados e sao ressignificadas, impregnadas por valores e afetos (Almeida et ai, 2000), de modo a construir o imaginario social. Essas representacoes sao importantes para a vida humana, pois "nos guiam na maneira de nomear e definir em conjunto os diferentes aspectos de nossa realidade cotidiana, na maneira de interpretalos, estatui-los e, se for o caso, de tomar uma posicao a respeito e defende-la" (Jodelet, 1993, p.1).

Representacoes sociais sao formas de conhecimento socialmente elaboradas e compartilhadas que concorrem para a construcao de uma realidade comum a um grupo social e se relacionam com a linguagem, ideologia e imaginario social, construindo definicoes e significacoes partilhadas pelos membros de um grupo, fazendo com que os mesmos construam uma visao consensual da realidade (Mazzotti, 2008). A representacao social envolve tanto a representacao simbolica desses grupos, com intuito de compreender os fatos desconhecidos, como elementos cognitivos, ideologicos, normativos, valores, atitudes e opinioes, quanto a construcao de objetos sociais atraves da interacao social (Franco, 2004, Nascimento-Schulze & Camargo, 2000).

Por serem sistemas de interpretacao que regem, orientando e organizando, a relacao do individuo com o mundo e os outros, as representacoes sociais intervem em processos como a "difusao e a assimilacao dos conhecimentos, no desenvolvimento individual e coletivo, na definicao das identidades pessoais e sociais, na expressao dos grupos e nas transformacoes sociais" (Jodelet, 1993, p. 5).

A representacao e uma construcao do sujeito social que e tanto produto quanto produtor da realidade social (Moscovici, 2009). Desse modo, as representacoes sao sempre interpretacoes contextualizadas da realidade e, neste sentido, sao fenomenos sociais, que devem ser entendidos a partir do seu contexto de producao (Spink, 1993). Embora assumidas como um conhecimento natural, um saber ingenuo ou do senso comum, as representacoes sociais, sao objetos de estudo cientifico legitimos por sua importancia na vida social e pelos esclarecimentos que podem trazer a compreensao dos processos cognitivos e interacoes sociais. Isso nos permite compreender como o funcionamento do sistema cognitivo interfere no social e como o social interfere na elaboracao cognitiva (Moscovici, 1978). A interacao homem-sociedade ocorre a partir das expressoes dos sujeitos sobre um dado objeto, possibilitando ao "pesquisador captar a interpretacao dos proprios participantes da realidade que se almeja pesquisar, possibilitando a compreensao das atitudes e comportamentos de um determinado grupo social" (Silva, Camargo & Padilha, 2011, p. 948).

Compreendidas, as representacoes sociais, simultaneamente como produto e processo de uma atividade de apropriacao da realidade exterior ao pensamento e da elaboracao psicologica e social da realidade, e possivel empregar o estudo das mesmas com o intuito de integrar na analise desses processos o pertencimento e a participacao social e cultural do sujeito (Jodelet, 1993). O uso das representacoes sociais como forma de compreender o processo de interacao do homem com o meio laboral tem sido empregado para analisar o universo de secretarios executivos (Reis & Lopes, 2011), professores (Mazzotti, 2007), psicologos (Praca & Novaes, 2004) e enfermeiros (Gomes & Oliveira, 2005), alem de muitos outros profissionais.

O conceito de representacao social e, portanto, central neste estudo porque reconhece uma forma especifica de saber que permite acesso a uma faceta psicossocial dos sujeitos estudados. O espaco fisico e um objeto de representacao com uma dimensao simbolica capaz de interferir em condutas, praticas e construcao de identidades (Alves & Andrade, 2009). Nesse sentido, o estudo das representacoes sociais, incorporando a localidade em sua dimensao simbolica, permitira buscar as significacoes e simbolizacoes presentes no ser Secretario Executivo na periferia da periferia do capital, como e o caso do Amapa.

3 METODOLOGIA

A pesquisa buscou descrever o conteudo e analisar a estrutura das representacoes sociais de profissionais de Secretariado Executivo em atuacao na periferia da periferia do capitalismo e, para tal, tomou como referencia os Secretarios Executivos em atuacao no estado do Amapa. A pesquisa sobre o profissional de Secretariado Executivo (SE) foi abordada com enfoque do campo da pesquisa qualitativa das representacoes sociais "[...] entendidas como aquelas capazes de incorporar a questao do significado e da intencionalidade como inerentes aos atos, as relacoes, e as estruturas sociais" (Minayo, 2000, p. 10).

Os participantes foram cinco bachareis em SE que atuavam na profissao ou em areas correlatas ha pelo menos um ano. A selecao dos sujeitos ocorreu por amostra intencional, de acordo com a facilidade de acesso aos individuos, seguida do metodo "snowbaiF (bola de neve), no qual o participante do estudo indica outros profissionais que preencham os requisitos exigidos para participacao como sujeito da pesquisa.

O levantamento das informacoes empiricas ocorreu por meio de entrevista semiestruturada realizada pessoal e individualmente no local de trabalho dos participantes a partir de um roteiro com eixos tematicos. As entrevistas usavam os eixos como referencia, mas as perguntas eram construidas em razao do processo interativo. As entrevistas foram gravadas com conhecimento dos participantes que assinaram um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Os discursos foram transcritos e depositados no Nucleo de Estudos Cientificos e Tecnologicos sobre Abelhas Regionais da Universidade Federal do Amapa. As transcricoes foram organizadas de modo que um codigo permite identificar o trecho de fala na tabela e relaciona-la ao entrevistado. O codigo apresenta duas sequencias de letras e numeros. A primeira parte indica o trecho; a segunda, o entrevistado. Como exemplo, o codigo (11A--E4) significa que a fala corresponde ao trecho 11A da transcricao e foi expressa pelo Entrevistado 4. O estudo foi conduzido a partir da analise das transcricoes buscando identificar as representacoes sociais presentes no discurso dos entrevistados sobre o SE no Amapa.

4 RESULTADOS

A analise das informacoes empiricas obtidas revela uma preocupacao relacionada ao processo de empregabilidade do Secretario Executivo (SE) no Amapa. Segundo os entrevistados "a grande maioria que se forma em Secretariado Executivo nao atua na area" (11A-E4) porque "nao ha no mercado vaga para secretario executivo" (7B-E1). A nao incorporacao de parcela consideravel dos profissionais graduados em Secretariado Executivo para o exercicio da atividade pelo mercado amapaense e leitura comum entre o corpo docente e discente, bem como entre egressos do curso de Bacharelado em Secretariado Executivo da Universidade Federal do Amapa (Unifap). Assim como a preocupacao com a realidade do curso no Brasil, esse assunto, nao raras vezes, se configura como tema de reuniao do colegiado de curso (Universidade Federal do Amapa, 2011). E provavel que a reduzida empregabilidade, alem da falta de valorizacao do curso por sucessivas gestoes da universidade, seja uma das razoes pelas quais a administracao da Unifap tenha reiteradas vezes discutido o encerramento da oferta e, inclusive, suspendido o vestibular para o curso no inicio da decada de 1990. A suspensao, por recomendacao de uma comissao consultora do MEC, ocorreu entre os anos de 1993 e 1997 e so foi encerrada quando um grupo de egressos, servidores tecnico-administrativos e docentes da Unifap reivindicou a reabertura do curso junto ao Conselho Universitario da instituicao (Universidade Federal do Amapa, 2008).

A dificuldade de insercao de um profissional no mercado de trabalho tem relacao com a imagem desse profissional perante a sociedade e os empregadores, nesse contexto, cabe entender qual e a visao que ha sobre o SE na regiao. A compreensao dessa visao e dos determinantes sociais que a conformam permitira estabelecer mecanismos de transformacao para outra condicao em que o SE seja acatado e valorizado profissional e remuneratoriamente.

Apesar da dificuldade de insercao no mercado, ha SEs contratados para o exercicio da profissao ou para desenvolver atividades equivalentes. Todos os entrevistados se encaixam nesta situacao, pois esse era o criterio de participacao na pesquisa. Os discursos apresentam uma realidade em que o profissional de SE nao executa as funcoes para as quais foi formado. Segundo uma das pessoas entrevistadas "ainda nao atuo realmente como Secretaria Executiva, ate porque esse cargo de secretaria e da minha chefia, ela que secretaria nosso presidente, eu sou secretaria da secretaria." (1B-E5). Ou seja, o SE, nao desempenha as atribuicoes para a qual foi formado e ainda reconhece em seu superior imediato aquele que, por suas atribuicoes, atua como SE embora nao possua graduacao na area.

Dentre as razoes para esse deslocamento funcional, aponta-se o fato de que "em Macapa a profissao de Secretariado Executivo nao e uma profissao reconhecida" (5B-E1). As pessoas, de uma forma geral, e mesmo aquelas que atuam no mercado de trabalho nao conhecem a profissao, nao sabem exatamente o que faz, ou o que e ser um SE. Quando estao contratando, as "empresas nao querem o Secretario Executivo, enquanto Secretario Executivo, enquanto gestor, enquanto criador, enquanto profissional para mudar, eles querem alguem para executar atividades rotineiras, entao aqui (Macapa) ninguem quer Secretaria Executiva" (21A-E2). Ou seja, "ha vagas para Secretario Executivo", mas "e o atendente que eles estao querendo e nao um Secretario Executivo" (21B-E2). Se os possiveis empregadores nao reconhecem o profissional e suas atribuicoes, este nao sera requisitado e muito menos contratado.

Outra explicacao possivel, alem do desconhecimento, seria a ausencia de clareza sobre as atribuicoes e funcoes do SE, o que levaria este profissional a ser confundido com outros. De fato, "alem de haver um desconhecimento do que seria um profissional de Secretariado Executivo, existe ainda aquela ideia que o profissional de Secretariado Executivo [...] nada mais e do que um secretario, aquele secretario puro e simples que o chefe dita cartas e ele vai estar fazendo apontamentos" (Fala 13A-E1). Outro entrevistado e mais direto e afirma que, muitas vezes, os SEs atuam como secretarios de nivel medio, pois ha "instituicoes que te fecham, te colocam so naquela posicao da cadeirinha, do computador e nada mais" (Fala 11C-E5).

As falas revelam que os SEs sao direcionados para atividades rotineiras e mecanicas, como atendimento telefonico, ao publico e anotacoes em agendas, as quais seriam atribuicoes do secretario de nivel medio (Brasil, 1985, 1996). Portanto, a discriminacao entre o Secretario Executivo e o Tecnico em Secretariado conforme previsto pela Lei n. 9.261/96 parece nao se efetivar no exercicio laboral. E possivel supor que a confusao entre os profissionais de nivel medio e superior seja funcao do tempo desde a promulgacao da lei; entretanto, e necessario reconhecer que ja decorrem mais de 25 anos, tempo suficiente para que a distincao se estabeleca. E mais provavel que a situacao reflita a condicao da realidade local como periferia da periferia do capital, onde ha um total desconhecimento das atribuicoes do SE que e visto como um trabalhador de nivel medio ou, por outro lado, como um profissional que possui atribuicoes demais para ser contratado por empresas de micro, pequeno e medio porte que sao, em sua maioria, familiares, como e o caso no Amapa.

O nao reconhecimento da profissao, por sua vez, pode ser causa para o desvio de funcao, tanto que alguns entrevistados indicam que mesmo sendo bachareis em Secretariado Executivo nao desempenham a funcao efetivamente, pois sao contratados como "assistentes, gerentes, como alguma coisa na area administrativa, mas nao como secretario executivo" (Fala 5G-E1). Embora essa visao seja relativamente melhor, pois o SE e visto como um profissional de nivel superior com habilidades gerenciais, ainda assim ha um desvio das funcoes e atribuicoes e, portanto, as atividades executadas nao seriam aquelas inerentes a profissao.

O cenario, lamentavelmente, e de desprestigio da profissao, pois os SEs sao designados para atividades que nao condizem com o que e preconizado na legislacao que regulamenta a profissao (Lei n. 7.377/85 e Lei n. 9.261/96). Essa divergencia entre o preconizado e o efetivamente realizado gera a negacao do imaginario construido sobre a atuacao profissional ao longo do curso de graduacao. Essa divergencia chega a tal ponto que um dos entrevistados diz: "eu nao consigo ser Secretario Executivo, eu sou assistente administrativo, nao ha no mercado vaga para Secretario Executivo" (Fala 7B-E1).

A imagem do SE na periferia da periferia do capital envolve caracteristicas e atribuicoes que nao sao inerentes a profissao, o que certamente reforca a situacao de desvalorizacao dos bachareis em SE. Profissionais que nao possuem qualificacao sao contratados para o cargo de secretarios executivos, uma vez que "o mercado [...] nao tem essa exigencia de que, por exemplo, pra contratar um secretario, ele tem de ser de secretariado executivo, na verdade eies contratam qualquer profissional pra que eles possam ser secretarios" (Fala 11B-E3, grifos nossos), ou dito de uma forma mais direta, se contrata "qualquer pessoa para exercer a profissao de Secretaria Executiva" (18A-E5). Nesse contexto e construida uma imagem da profissao que se constitui em aspectos prejudiciais ao SE, pois propaga, no imaginario da sociedade, uma desconstrucao da verdadeira atuacao do profissional de nivel superior. Esta conformacao que deturpa a compreensao defendida na legislacao que rege a profissao e duplamente prejudicial. Primeiro, nao distingue entre o SE e o profissional de nivel medio, sendo que esses possuem atribuicoes evidentemente diferentes e ligadas aos seus processos de formacao. Segundo, legitima uma pratica em que qualquer pessoa, independente da formacao, pode atuar como profissional de SE, desvalorizando o curso de graduacao e os bachareis em Secretariado Executivo.

Uma explicacao recorrente para o nao reconhecimento do SE e a ausencia de empresas de grande porte, justamente aquelas que se localizam no centro do capitalismo e que, portanto, se encontram ausentes na periferia da periferia. Assim, o "olhar de pouco valor que e dado pro curso (de SE) tem relacao com "nossa realidade, [...] o nosso contexto [...] nao termos grandes empresas aqui" (9E-E2). Outros entrevistados afirmam, por exemplo, que o "Amapa ainda tem poucas empresas, tem poucas multinacionais" (13A-E4) e que apenas "as grandes empresas [...] reconhecem o que e um profissional de Secretariado Executivo" (5C-E1). Esta configuracao e um problema porque "a grande maioria das empresas (e) de pequeno e medio porte, entao elas tem um certo receio de contratar um profissional desta area" (6E-E1). Nao bastasse o fato do diminuto porte das empresas, a maioria das organizacoes ainda possui estrutura de empresa familiar e esta nao absorve o profissional de SE porque "o dono e o dono, e o chefe, e o administrador, o contador, ele nao quer outra pessoa. Entao nos nao temos espaco no mercado ainda" (30B-E2). A organizacao familiar das empresas locais faz com que as funcoes que poderiam ser desempenhadas pelo SE sejam assumidas pelo dono ou seus parentes, o que limita ainda mais a possibilidade de insercao do profissional de SE no mercado laboral local.

Outro elemento que aparece no discurso dos profissionais e o de que o mercado nao absorve o SE porque "ainda nao viu o potencial do Secretario Executivo" nem sua "capacidade para gerir, para ser o executivo" (17B-E4). A compreensao existente e a de que dentre as empresas que atuam na regiao, aquelas que reconhecem o profissional de SE sao as que tem vinculo com estados do nucleo do capitalismo brasileiro. Ha varios discursos que reforcam essa ideia como "o meu coordenador e do Rio de Janeiro, entao ele sabe o que e um profissional de Secretariado" (20C-E1) e "eu fui participar de um seminario fora, em Salvador, e a gente percebeu que [...] de Belem pra la [...] sao vistos de outra forma" (12B-E2).

Entretanto, o fato de algumas empresas instaladas em Macapa terem vinculos nacionais e um reconhecimento da importancia do SE aparentemente nao auxilia o profissional que se encontra no Amapa. A questao e que estas grandes "empresas [...] trazem profissionais de fora", pois "nao acreditam que [...] tenhamos esse profissional aqui" (9C-E2), por sua vez, as empresas locais, de medio e pequeno porte, tambem nao os contratam e os profissionais de "Secretariado Executivo acabam trabalhando em outras areas" (13B-E4). Assim, na medida em que nao consegue espaco para atuar no ambiente laboral exercendo sua profissao, o SE nao consegue mostrar sua relevancia para as empresas e, de forma reiterada, fortalece a dificuldade de sua insercao no mercado de trabalho para desempenhar as funcoes para as quais esta habilitado.

Na medida em que o profissional nao e reconhecido como determina a legislacao e se submete a condicao de trabalhar em atividades que nao lhe sao inerentes, isso acaba por gerar reflexos em outros campos como a satisfacao profissional, a autoimagem e a remuneracao. Um dos entrevistados deixa claro que "o Estado ainda nao valoriza o profissional [...] inclusive com relacao a questao de remuneracao" (Fala 11A-E3). O profissional de SE que atua no mercado de trabalho amapaense "nao recebe o minimo na [...] profissao, porque [...] nao e caracterizado como Secretario Executivo" (6D-E1). Importante lembrar que a desvalorizacao do exercicio laboral acaba por se traduzir na reducao da remuneracao do profissional e reforca a espiral de desvalorizacao do SE. O pagamento de valores reduzidos ao SE e atribuido as causas de ordem cultural e, portanto, de dificil modificacao, conforme visto na fala do Entrevistado 5 que afirma "Isso ai e cultural, nao tem jeito, isso e cultural" (16A-E5).

A remuneracao nao condiz com a qualificacao do profissional de SE, mas e importante frisar que o descompasso remuneratorio parece acompanhar os movimentos referentes ao reconhecimento da profissao e das atribuicoes de funcoes. Na medida em que o profissional e visto como um trabalhador de nivel medio, recebe uma remuneracao equivalente. Apenas em empresas que conseguem reconhecer o SE por sua formacao em nivel superior, o profissional e remunerado adequadamente. O Entrevistado 1, por exemplo, afirma "eu trabalho numa empresa [...] de certo porte [...] que representa aqui em Macapa um cliente grande, isso proporciona um certo diferencial de salario, um diferencial na profissao" (6F-E1), mas "no geral, a empresa privada nao te coloca como Secretario Executivo [...] por isso que voce ganha abaixo do piso (piso da carreira de SE)" (7D-E1) e, de fato, e necessario reconhecer que "a grande maioria dos profissionais de Secretariado Executivo que se formaram comigo, eles, infelizmente, estao recebendo um pouco mais de um salario minimo" (6G-E1).

Ser visto como um profissional de nivel medio e receber como tal, enquanto possuidor de conhecimentos e titulos que lhe configuram como profissional de nivel superior acaba por afetar tambem os aspectos motivacionais. Nesse sentido, a sensacao do profissional e a de que toda a qualificacao e todo o esforco resultou em uma realidade limitante, uma vez que nao ha o reconhecimento. Esta sensacao e mais importante, muitas vezes que a propria questao da remuneracao porque

o que desmotiva nesse caso nao e nem o salario ser pequeno, e voce nao conseguir, apos quatro anos de graduacao, apos voce ter passado todo o processo de aprendizagem, apos voce ter batido cabeca fazendo TCC (Trabalho de Conclusao de Curso), voce nao conseguir no mercado de trabalho um emprego que te coloque na tua profissao (7A-E1).

Outro aspecto abordado pelos profissionais que tem vinculo com a motivacao e o fato de perderem autonomia, desempenharem atribuicoes de nivel medio e serem subordinados aos tomadores de decisao. Entre os entrevistados ha afirmacoes como "Eu pretendo [...] que de certa forma eu possa ser gestora do que eu faco" (27A-E5), isso porque no quadro vigente "eu tenho alguem que esta acima de mim, que e quem decide o que vai ser feito e o que nao vai ser feito, como Secretaria Executiva eu teria mais liberdade, mais autonomia" (8E-E1). Sendo um profissional de nivel superior, o SE quer desempenhar suas funcoes autonomamente, ser capaz de tomar decisoes e contribuir para o desenvolvimento da empresa. Entretanto, essas possibilidades estao sendo suprimidas quando o profissional fica restrito as atividades tecnicas e rotineiras.

Apesar dos problemas encontrados, os profissionais de SE valorizam a profissao e deixam claro que "o mercado ainda nao viu o potencial do Secretario Executivo" (17B-E4) e que as empresas "geralmente [...] pedem auxiliar administrativo, assistente administrativo, enfim, mal sabem [...] o profissional que estao perdendo" (12C-E4). Exatamente por isso, os SE pretendem continuar na profissao, de modo que o Entrevistado 1 afirma "eu nunca pensei em atuar em outra area, eu penso em me especializar, conhecer mais sobre uma determinada area de Secretariado Executivo" (11D-E1), "buscar uma pos [...] pra no futuro, quem sabe, conseguir uma vaga na area de Secretariado Executivo, ate porque e minha area de formacao" (8A-E1).

Ao definirem sua profissao, os entrevistados evidenciam sua compreensao sobre o SE. Inicialmente, ate pelo fato da ausencia de reconhecimento do que e a profissao e da frequente confusao ocorrida com o Tecnico em Secretariado, a maior parte das falas busca mostrar as atividades que nao compoe a funcao do SE. Deixam claro que "voce nao e contratado como Secretario Executivo, apesar de voce ter funcoes de secretariar, voce e contratado como assistente administrativo, um gerente, alguma coisa nessa area" (6A-E1), como "auxiliar administrativo, auxiliar de escritorio" (7D-E1). Mas o SE "nao esta la pra atender telefone" (14C-E1), "executar documentos, [...] cuidar de arquivo" (19B-E5), nem ser "mera executora [...] de encaminhamento (e) muito alem disso" (14A-E5).

Junto com a apresentacao das negativas, com o intuito de diferenciar o profissional de SE de outros profissionais, os entrevistados passam a especificar as atribuicoes inerentes a funcao. Assim, afirmam que o SE "serve pra dinamizar as tarefas, [...] auxiliar [...] diretoria, facilitar a tomada de decisoes" (14A-E1) e, nesse sentido, deve estar "buscando as informacoes a ele (o gestor), ta (sic) mostrando como as coisas acontecem" (15B-E1). Assim, quando se busca caracterizar o SE, se pensa "no cerebro de alguem numa organizacao, alguem [...] para assessorar, planejar, coordenar as acoes numa organizacao" (17B-E2), pois o SE e "proativo" (17E-E1), "dinamico, [...] criativo" (9A-E3), coordenador de tecnicas secretariais (12G-E4), elaborador de "atas [...], correspondencias" (1B-E4), facilitador da "comunicacao" (5C-E4), realizador de "cerimonial" (1E-E4), "assessor" (10B-E3), "gestor" (4B-E2). E importante perceber que assessoria (14C-E1, 17B-E2, 10B-E3, 1B-E4, 2B-E5) e gestao (3A-E1, 21A-E2, 17B-E4, 14A-E5) sao definicoes recorrentes entre os entrevistados. De modo geral, as atribuicoes apontadas pelos entrevistados remontam as atividades constantes na Lei 7.377/85 e atualizada pela 9.261/96 e na Classificacao Brasileira de Ocupacoes (2013) com atribuicoes de assessoria, planejamento, organizacao e gestao da equipe de trabalho vinculada a area secretarial. Dentre as atividades atribuidas pelos entrevistados ao SE deve ser feita excecao apenas a gestao que nao se encontra na referida legislacao. Mas e importante lembrar que, com frequencia cada vez maior, o SE e visto como participe da gestao e peca fundamental nos processos decisorios. Outro aspecto e a discussao da delimitacao da gestao secretarial que configura um novo espaco de atuacao para o SE no ambiente organizacional.

A analise revela que a estrutura do ambiente laboral no Amapa nao absorve os profissionais de SE e, quando o faz, limita suas acoes. Deste modo, aqueles que tem acesso ao mercado de trabalho, reproduzem os padroes comportamentais instituidos pelo ambiente em que trabalham. Apesar dessa reproducao, os SEs em exericio na periferia da periferia almejam atuar conforme a regulamentacao da profissao e buscam satisfacao no desempenho laboral, assim os relatos referentes ao futuro envolvem expectativas e esperancas. "Eu espero que o profissional de Secretariado Executivo, nao so eu, mas [...] meus colegas [...] consigam no mercado o reconhecimento da profissao de Secretariado Executivo" (12C-E1, grifos nossos), "que a gente possa ta (sic) tendo a oportunidade de mostrar o nosso trabalho, de mostrar o que nos aprendemos e de crescer enquanto profissionais, e com certeza contribuir para que as empresas crescam atraves de nosso crescimento" (12D-E1). "Espero que o mercado amapaense evolua a ponto de precisar de profissionais qualificados. Eu espero que os orgaos publicos entendam o profissional de secretariado executivo como um profissional necessario. E abram concursos publicos especificos para o profissional" (27A-E4, grifos nossos). "Eu pretendo (que) chegue numa fase em que eu consiga exercer Secretariado Executivo, mas que de certa forma eu possa ser gestora do que eu faco" (27A-E5, grifos nossos). E provavel que a modificacao que vem ocorrendo na pratica do SE em nivel mundial, seja responsavel por este anseio recorrente de atuar como gestor.

As expectativas e esperancas apresentadas pelos SE que trabalham na periferia da periferia do capital quanto ao reconhecimento e valorizacao profissionais parecem plenamente factiveis, embora seja necessaria uma mudanca de atitude. A mudanca e necessaria, pois os profissionais de SE do Amapa "nao estamos nos mostrando, nos estamos so aceitando que nao ha esse espaco (para o SE)" (30C-E2). Os SE compreendem a importancia de que as modificacoes ocorram, bem como do combate as dificuldades inerentes a realidade laboral. O Entrevistado 5, por exemplo, afirma que modificar uma situacao desfavoravel depende "de cooperacao das pessoas que trabalham [... ] e muita persistencia para mudar o cenario que tu desenvolve (sic), o cenario que tu convives" (36A-E5). Relevante neste contexto e o fato de reconhecerem que a acao do SE pode superar os obstaculos e transformar a realidade, pois nos espacos que o SE tem ocupado, o trabalho dos bons profissionais tem aberto o mercado e iniciado um processo de mudanca do reconhecimento e da insercao do SE no Amapa. Segundo uma das entrevistadas, "mudou [...] quando eu entrei na (empresa) [...] a gente fez um bom trabalho [...] Ai vieram entrando outros Secretarios Executivos" (13A-E2).

A realidade da insercao no mercado laboral, entretanto, vem se modificando nos ultimos anos, visto que alguns concursos foram realizados para a profissao de SE na esfera publica. As prefeituras municipais de Macapa e Santana e a Universidade Federal do Amapa abriram concurso para Secretarios Executivos e efetivaram estes profissionais. A abertura destes concursos instaurou um elemento novo, pois anteriormente em "todos os editais que sairam pra concurso publico, tem (vaga) para o administrador, tem ate para o gari, mas tu nao ve (sic) para o Secretario Executivo" (16C-E2). Assim, a ocorrencia dos concursos gerou nos profissionais de SE a expectativa de que as organizacoes amapaenses passem a admitir em seus quadros o SE.

No que tange a iniciativa privada, tambem ha avancos, pois as empresas amapaenses "estao se solidificando, deixando aquela parte mais de casa, [...] antes as empresas eram muito familiares, eram empresas de fundo de quintal", agora sao "regulamentadas [...] sao todas regularizadas, todas tem CNPJ" (12B-E1). Essa mudanca da configuracao das empresas amapaenses, mesmo estando na periferia da periferia do capital, e parte importante na reestruturacao da atuacao do SE no Amapa. Empresas mais fortes e nao familiares geram expectativas de profissionalizacao da organizacao, de incorporacao de profissionais com o perfil do SE e de valorizacao dos profissionais.

A nova configuracao abre a possibilidade do SE ser contratado com vistas ao desempenho da funcao para a qual foi formado e mostrar suas competencias. Estar no efetivo exercicio da funcao e importante, pois segundo uma das entrevistadas que efetivamente ocupa um cargo de SE, "eu vejo que eu fui reconhecida como profissional mesmo, a partir do momento que eu vim para um cargo de Secretaria Executiva de um Gabinete [...], ha outros colegas que trabalham aqui como secretarios que estao em outras funcoes totalmente diferentes. Eu acho que fui reconhecida dessa forma, vindo para um local que eu vou poder fazer as coisas que aprendi durante o tempo do meu curso" (15A-E3). Em razao dessas modificacoes que gradualmente vem ocorrendo na configuracao das empresas publicas e privadas do Amapa, o Entrevistado 1 afirma esperar que nao apenas ele, mas tambem os "colegas que estao se formando, que ja se formaram, que eles consigam no mercado o reconhecimento da profissao de Secretariado Executivo" (12C-E1).

Alternativas individuais sao apontadas como caminhos para a mudanca da condicao do SE no Amapa e, por isso, surgem afirmacoes como "o profissional tem que mostrar no seu trabalho que ele realmente e necessario, que [...] e fundamental nessa instituicao [...]. Parte muito do profissional [...] procurar o melhor. O mercado vai ter que absorver se tu te mostrares um bom profissional" (14C-E4). Ou ainda que falta aos SEs alardear sua competencia, nao podem ficar "acomodados [...], tem que [...] colocar o ovo da galinha, fazer barulho [...] Entao faz barulho, mostra quem tu es, postura, e a gente nao tem" (13C-E2). A atuacao individual e, de fato um elemento importante para a insercao do profissional do mercado, mas em geral destaca o individuo, nao sua formacao.

Considerando que solucoes particularizadas sao pouco eficazes em gerar transformacoes reais e duradoras para o conjunto da profissao, devem ser buscadas alternativas de luta coletiva que sejam capazes de gerar consciencia e transformacao social. De fato, estruturas organizativas como associacoes, sindicatos e conselho sao apontadas como elementos centrais ao reconhecimento da profissao. Ao falar das perspectivas futuras do SE, o Entrevistado 3 lembra que nacionalmente ha "uma luta pra que a profissao seja regulamentada, que haja sindicato da categoria, que o profissional possa ter o seu registro, que possa ter um Conselho [...] pra que sejam reivindicados os direitos" (20A-E3). Por conta dessa relevancia das estruturas organizativas dos trabalhadores, alguns entrevistados lamentam a ausencia dessas estruturas ao lembrar que em Macapa, "infelizmente nos nao temos sindicatos, nos nao temos federacao" (15C-E1) e apontam a necessidade da luta coletiva, ao afirmar que "falta [...] uniao de classe, falta nos termos um sindicato" (10C-E1). O sindicato dos SEs ja existe no Amapa, mas sua criacao ocorreu apos a realizacao das entrevistas. A criacao dessas organizacoes de luta coletiva sao consideradas importantes porque, segundo os entrevistados, em outras localidades, onde o SE esta melhor situado no mercado de trabalho, "ha [...] associacoes, [...] grupos organizados de profissionais [...] que [...] tao (sic) lutando pra que a profissao seja regulamentada" (14A-E3).

Ha uma compreensao de que para haver mudancas e preciso "uniao, ter uma classe representativa, fazer cobrancas" (25A-E2) como ocorre em outros estados. Lamentam nao haver um Conselho de Secretariado Executivo no Amapa, de modo que para questoes legais e necessario ao profissional de SE se "registrar na Delegacia Regional do Trabalho" (21C-E4). Esta solucao fragiliza a organizacao dos SEs bem como a luta pelos direitos, entretanto, e importante ressaltar que mesmo com todo o quadro desfavoravel criado para o SE na periferia da periferia do capital, o profissional de secretariado acredita na importancia de sua profissao. Ao afirmar que "no momento que nos conseguimos conscientizar, criar politicas pra que voce crie um concurso pra esse profissional, eles nao vao se arrepender" (16B-E2), os entrevistados defendem que quando ao SE for permitido exercer sua funcao na plenitude das atribuicoes, ele conquistara seu espaco.

Portanto, embora os SEs pensem "na profissao de Secretariado de uma forma muito positiva" (27A-E4), eles precisam enfrentar problemas como a dificuldade de insercao no mercado de trabalho, os desvios de funcao, as atribuicoes do SE sendo exercidas por outros profissionais e, simultaneamente, o deslocamento para executar funcoes que se confundem com o secretario de nivel medio. Tais problemas evidenciam que a profissao de SE, conforme prevista em lei (Brasil, 1985, 1996) e, consequentemente, segundo o imaginario do individuo recem-formado, esta sendo negada aos bachareis da area em atividade em Macapa. Nesse sentido, ao assumir os papeis definidos pela organizacao, o projeto de vida dos SEs no meio laboral fica comprometido. Assim, mesmo que tenham consciencia do contexto social limitador, nao ha atividade transformadora, uma vez que a atuacao dos SEs no mercado reforca a identidade que os proprios profissionais desejam superar.

A luta inicial do SE na periferia da periferia do capital e atuar como prescreve a regulamentacao da profissao, pois mesmo isto, em razao do contexto presente, esta sendo negado. Contudo, mesmo neste ambiente insatisfatorio ao profissional de SE, ha perspectivas que vao alem de simplesmente se limitar a atuar conforme os cargos e funcoes definidos em lei. O SE esta imaginando novas perspectivas que se relacionam com a reconfiguracao da profissao e, defende como "muito negativo, o profissional de Secretariado [...] visto como 'o sombra' do gestor" (20A-E4) "nunca [...] a pessoa do momento, [...] sempre pelas cortinas" (25B-E4), e, assim, o "executivo, na maioria das vezes ve o Secretario como capacho" (21A-E4). Nesse sentido, ha argumentos de que enquanto SE "a gente pode ir muito mais alem, a gente pode buscar mais, muito mais alem do que a gente pensa pra nossa profissao" (19C-E5), ate porque "eu gostaria que fossemos vistos como o executivo, nao como o Secretario Executivo" (21B-E4), ou seja "passar a uma funcao gerencial" (23B-E4) e "ter um poder mais decisorio" (15C-E5). Nas palavras do Entrevistado 2, o SE deve "ousar, criar, pensar, ser gestor, cogestor das atividades, tomar para si as responsabilidades." (19A-E2). Essa compreensao remete a uma defesa de que o SE "e um profissional que pode trabalhar com grande competencia pra ser gestor em qualquer lugar, seja gestor de documentos, seja gestor de pessoas" (Fala 4B-E2) e "[...] que tem capacidade para gerir, para ser o executivo e nao apenas secretariar o executivo [...]" (Fala 17B-E4).

5 CONSIDERACOES FINAIS

A condicao de periferia da periferia do capital e apresentada pelos profissionais como importante na determinacao das condicoes laborais dos SEs em Macapa, desde sua empregabilidade as condicoes de expressao da identidade profissional. O espaco fisico se apresenta como uma representacao simbolica que interfere na conduta e na construcao de identidades dos profissionais de SE. Em sua materialidade, o espaco e uma representacao que se relaciona com outras representacoes, de modo a propiciar producao e circulacao de redes de significados que delineiam a identidade do lugar e das pessoas (Alves & Andrade, 2009).

Sob esta logica, que relaciona a identidade as condicoes contextuais do espaco, os SEs de Macapa, apontam as caracteristicas do municipio vinculadas ao duplo distanciamento do centro do capitalismo e ao isolamento geografico como elementos responsaveis por sua condicao profissional. Em suma, o fato de estar afastada dos grandes centros faz com que a cidade apresente uma economia local centrada no poder publico e com reduzido numero de empresas locais ou nacionais de grande porte. As empresas existentes, de pequeno e medio porte, tem caracteristicas de organizacoes familiares, de modo que as atribuicoes de gestao ficam centralizadas na figura do dono e de seus parentes. Este modelo de funcionamento das empresas locais acaba por prescindir da existencia de um profissional qualificado como o SE e e apontado como o elemento gerador de reduzida empregabilidade ou distorcoes funcionais.

Os desvios de funcao caracterizam-se por pessoas nao habilitadas desempenhando as atribuicoes dos SEs, enquanto estes exercem funcoes pertinentes aos Tecnicos em Secretariado. Em um ambiente que se conforma em uma absoluta desobediencia a legislacao quanto ao exercicio da funcao, e comum que nao haja clareza sobre as atribuicoes e que o profissional nao seja reconhecido em decorrencia de suas habilidades. Este nao reconhecimento e um complicador para a insercao do SE no mercado de trabalho, pois gera efeitos perniciosos sobre a motivacao, a autonomia e a remuneracao, fazendo com que os profissionais recebam valores inferiores ao do piso da categoria. A logica de ser uma localidade na periferia da periferia se faz sentir novamente quando os entrevistados afirmam que o reconhecimento negado no Amapa e alcancado por profissionais que atuam em empresas de grande porte ou naquelas que possuam vinculos com localidades mais centrais no mundo do capital.

O nucleo central das representacoes sociais presentes nesse estudo evidencia uma visao de que a identidade de SE, conforme as atribuicoes previstas na legislacao, esta sendo negada aos bachareis em SE em atuacao no Amapa. Essa nocao de negacao vem ancorada em varios elementos do que nao e possivel fazer em termos de assuncao dos cargos que lhe sao inerentes, desempenho das funcoes para as quais esta habilitado e, inclusive, restricoes para o ingresso no mercado de trabalho. A representacao cristalizada gera um ambiente insatisfatorio e desmotivador que indica a necessidade de transformacao. O vinculo dos problemas indicados com o duplo distanciamento do nucleo do capital esta algo fora da alcada de acao dos SEs e, portanto, a construcao de um novo conjunto de representacoes e necessaria. Os caminhos de modificacao, embora ainda nao trilhados, sao apontados individual e coletivamente.

Apesar dos problemas encontrados, os SEs valorizam sua profissao e afirmam o interesse de investir em sua qualificacao. As pequenas mudancas quanto a insercao do profissional de SE com a realizacao de concursos por parte da esfera publica, a profissionalizacao das empresas locais e uma maior valorizacao e contratacao pela iniciativa privada acalantam o interesse dos profissionais e lhes permite idealizar um futuro mais propicio ao exercicio da profissao no Amapa. De forma geral, os entrevistados apontam como precipuo que possam exercer as atribuicoes para as quais foram formados e, ao faze-lo, obter reconhecimento, satisfacao, maior empregabilidade e remuneracao digna.

Os SEs, entretanto, nao estao placidamente esperando que as modificacoes ocorram. Alguns acreditam que recorrer a estrategias individuais, como ser persistente e alardear a eficacia e a eficiencia de seu trabalho, sera suficiente para transformar a realidade. Entretanto, o conjunto das falas evidenciou a crenca na luta coletiva como mecanismo de transformacao. Associacoes, sindicatos e conselhos foram apontados como importantes na luta pela profissao. No Amapa ainda nao ha associacoes nem conselhos dos profissionais de SE, entretanto o Sindicato dos Profissionais de Secretariado do Estado do Amapa (Sinproseap) foi criado apos a realizacao das entrevistas e pode se configurar como um parceiro importante na defesa dos direitos dos SEs no Amapa.

Com a forca da luta coletiva, os SEs se permitem vislumbrar uma reconfiguracao de sua profissao. Mesmo na periferia da periferia e com todas as dificuldades inerentes ao posicionamento com relacao ao nucleo do capitalismo, o SE quer deixar de ser o assessor e passar a ter poder de decisao, ser o executivo, o gestor. A novidade, nesse caso de funcao, envolve uma mudanca no universo representacional da profissao. A mudanca, entretanto, nao ocorre no abstrato, mas leva em consideracao o interesse do grupo social, a historia, o contexto presente e as expectativas de futuro (Arruda, 2000). As falas dos profissionais de SE reivindicam a participacao na condicao de gestor das organizacoes em decorrencia das experiencias vividas pelos profissionais nesta condicao e, ao faze-lo, obter sucesso e reconhecimento de suas capacidades gerenciais. Capturada esta configuracao representacional no momento presente, e possivel aventurar-se sobre as direcoes a serem seguidas (Arruda, 2000), mas primeiro e preciso investigar se este anseio e uma especificidade amapaense ou se ocorre em outras localidades.

Aparentemente o interesse pela gestao nao e novo nem restrito ao Amapa, pois segundo Galindo e colaboradores (2012) a analise da legislacao que trata das atribuicoes do SE revelam uma aproximacao deste profissional com as esferas deliberativas da gestao. Alem disso, estudos como os de Biscoli e Cielo (2004), Lasta e Durante (2008), Becker e Ceolin (2010) e Vaz e Durante (2011) tem apontado a relevancia da gestao secretarial. Na medida em que o interesse da gestao seja realmente abrangente, e preciso iniciar a construcao dos espacos que permitam essa ressignificacao da representacao do ser SE. A discussao atual da reconfiguracao da formacao e atuacao dos SEs tanto sob a perspectiva epistemologica quanto a do exercicio profissional (Galindo et al, 2012) e um desses espacos e deve produzir reflexos em curto prazo na organizacao dos cursos de bacharelado em SE e, em prazos mais longos, na profissao.

Os individuos nao sao somente produtos da historia, sao tambem produtores das acoes sociais que a transformam (Ciampa, 2004), portanto e possivel aos SEs, do Amapa e de qualquer outra localidade, romper com os paradigmas atribuidos a profissao e construir uma nova realidade, mesmo que se encontrem na periferia da periferia do capital. As transformacoes sempre ocorreram na profissao de SE (Natalense, 1998), mas para avancar rumo a construcao de um novo projeto de vida satisfatorio e necessario combater as diversas limitacoes que cerceiam a atuacao profissional, tornar-se consciente delas e dos determinantes sociais existentes e buscar a autodeterminacao e a autorreflexao. O processo de conscientizacao de classe, construido na luta coletiva, pode criar modificacoes das identidades atuais e tornar possivel a realizacao de um porvir, da transformacao, da exploracao das multiplas possibilidades de ser da profissao e do sujeito que se expressa pela continua hominizacao do homem (Ciampa, 2004; Lane, 2004).

DOI: 10.7769/gesec.v4i3.240

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Marilia Gabriela Silva Lobato

Mestranda em Desenvolvimento Regional na Universidade Federal do Amapa--UNIFAP

Professora da Universidade Federal do Amapa--UNIFAP

E-mail: mariliaunifap@gmail.com (Brasil)

Maycon da Silva Aleluia

Bacharel em Secretariado Executivo pela Universidade Federal do Amapa--UNIFAP

E-mail: msageografia@hotmail.com (Brasil)

Arley Jose Silveira da Costa

Doutor em Ecologia pela Universidade de Sao Paulo--USP

Professor da Universidade Federal do Amapa--UNIFAP

E-mail: arleyunifap@gmail.com (Brasil)

Data de recebimento do artigo: 15/07/2013

Data de aceite do artigo: 13/09/2013
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Author:Lobato, Marilia Gabriela Silva; Aleluia, Maycon da Silva; da Costa, Arley Jose Silveira
Publication:Revista de Gestao e Secretariado
Date:Dec 1, 2013
Words:8995
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