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THE SECTOR PLAYERS' PERCEPTION ON THE INFLUENCE OF SUGARCANE ENVIRONMENTAL PROTOCOL IN CORPORATE ENVIRONMENTAL MANAGEMENT PROCESS: A STUDY OF INDUSTRY MANAGERS IN THE MIDDLE REGION OF ASSIS-SP/PERCEPCAO DOS PLAYERS DO SETOR SUCROENERGETICO SOBRE A INFLUENCIA DO PROTOCOLO AGROAMBIENTAL NO PROCESSO DE GESTAO AMBIENTAL EMPRESARIAL: UM ESTUDO COM GESTORES DO SETOR NA MESORREGIAO DE ASSIS-SP/PERCEPCION DE LOS PLAYERS ...

INTRODUCAO

Vive-se atualmente uma crise ambiental sem precedentes na historia da humanidade, caracterizada, sobretudo, por mudancas climaticas, aumento da poluicao e escassez de recursos naturais. De acordo com Leff (2006), a degradacao do meio ambiente e a crise energetica, entre outras, foram evidenciadas nas ultimas decadas do seculo XX como uma crise de civilizacao, questionando a racionalidade economica e tecnologica dominante.

A problematica ambiental gerou mudancas globais em sistemas socioambientais de alta complexidade, afetando as condicoes de sustentabilidade do planeta como um todo, implicando diretamente a necessidade de internalizar as bases ecologicas, bem como os principios juridicos e sociais, no intuito de salvaguardar a gestao democratica dos recursos naturais.

O crescente interesse pelas questoes ambientais no ambito da sociedade contemporanea e reflexo direto da degradacao ambiental provocada pelo sistema produtivo como resultado das cobrancas e articulacoes das mais diversas esferas sociais com o fito de propor uma mudanca paradigmatica no binomio homem-natureza.

No cerne dessa questao tem-se o polemico debate entre desenvolvimento e meio ambiente, que, de certo modo, ja encontrou refugio na proposta do desenvolvimento sustentavel, "aquele que atende as necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as geracoes futuras atenderem a suas proprias necessidades" (Comissao Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento [CMMAD], 1988, p. 46).

Importa frisar que a questao sobre meio ambiente e desenvolvimento e transdisciplinar, envolvendo aspectos tecnologicos, ecologicos, sociais, politicos e eticos, devendo os decisores publicos desenvolver politicas que provejam orientacao e regulamentacao as partes interessadas (Bootsma, Vermeulen, Dijk & Schot, 2014; Zhen, Fu, Lu & Wang, 2014).

A transdisciplinaridade utiliza os desafios da vida real como genese. Assim, lidar com a complexidade do desenvolvimento sustentavel requer colaboracao de varios atores (academia, organizacoes empresariais, governo e sociedade civil). Parte-se do pressuposto de que nao existe uma unica disciplina, perspectiva ou abordagem que ofereca respostas completas e satisfatorias aos desafios da sustentabilidade. Portanto, faz-se necessaria uma busca interativa para solucoes colaborativas (Shrivastava, Ivanaj & Persson, 2013; Schaltegger, Beckmann & Hansen, 2013).

A sustentabilidade desafia os tomadores de decisao nao apenas a gerir os recursos em um dado momento, mas gerencia-los ao longo do tempo, considerando as incertezas, uma vez que o futuro nem sempre e conhecivel (Bansal & Desjardine, 2014).

Em conformidade com suas caracteristicas e as especificidades do meio no qual estao diretamente inseridas, as organizacoes estao submetidas a diferentes tipos e intensidades de pressao. Assim, a empresa pode corresponder de varias formas a esse ambiente de pressao, variando de uma postura de indiferenca ate um posicionamento estrategico (Abreu, Castro & Lazaro, 2013). Alem disso, considerando que a reputacao da empresa constitui-se numa vantagem competitiva, uma das fontes de reputacao refere-se a maneira como a organizacao incorpora as questoes ambientais (Miles & Covin, 2000).

Assim, as empresas passaram a incorporar a dimensao ambiental na gestao dos seus negocios. A solucao dos problemas ambientais, ou sua minimizacao, exige das empresas uma postura diferenciada que, impreterivelmente, deve considera-los em suas decisoes estrategicas (Barbieri, 2007). De acordo com Backer (2002), da integracao entre negocios e meio ambiente surge a gestao ambiental empresarial como possibilidade de a organizacao abrigar processos que reduzam os impactos ambientais causados por suas atividades.

Gestao ambiental diz respeito a incorporacao de objetivos e estrategias ambientais aos objetivos e estrategias mais amplos existentes na organizacao (Haden, Oyler & Humphreys, 2009), afinal, os conceitos de preservacao ambiental e gestao estao intrinsecamente conectados, sendo, ambos, parte do mundo dos negocios (Psomas, Fotopoulos & Kafetzopoulos, 2011).

Gonzalez-Benito e Gonzalez-Benito (2006) substanciam que o principal fator que leva as organizacoes a adotarem a gestao ambiental referese as exigencias dos stakeholders. De fato, a pressao das partes interessadas tem sido significativamente apontada como um importante fator para elevar o nivel de transparencia das empresas a partir da divulgacao de seus relatorios socioambientais (Fernandez-Feijoo, Romero & Ruiz, 2014; Tatoglu, Bayraktar & Arda, 2015).

E sabido que a melhoria do desempenho ambiental representa uma fonte potencial de vantagem competitiva, aumentando a eficiencia dos processos, melhoria da produtividade, alem da reducao de custos e novas oportunidades de mercado (Alexopoulos, Kounetas & Tzelepis, 2012).

Os resultados do trabalho de Gotschol, De Giovanni e Vinzi (2014) proporcionam sustentacao a opiniao predominante entre os pesquisadores quanto ao impacto positivo da performance ambiental da empresa sobre seu desempenho economico.

Nao obstante a isso, as empresas desempenham um papel crucial no processo de desenvolvimento economico, sendo tambem responsaveis pela acentuada exploracao de recursos naturais (Kudlak, 2014). Por outro lado, constituemse em importantes players que precisam redesenhar suas estrategias, operacoes e atitudes com relacao ao ambiente natural para contribuir com o equilibrio e o equilibrio do ecossistema global.

A gestao ambiental tem se tornado uma area de importancia fundamental para o estabelecimento de novos paradigmas da concorrencia empresarial e, portanto, tem surgido como um espaco de investigacao e pratica de negocios na ultima decada (Dao, Langella & Carbo, 2011; Albino, Balice, Dangelico & Iacobone, 2012), em especial para o setor sucroenergetico, considerando a forte intensidade do impacto ambiental de suas operacoes a montante e a jusante.

Este trabalho esta organizado em cinco secoes, alem desta introducao. A secao seguinte apresenta o problema de pesquisa, o objetivo geral do estudo e uma breve caracterizacao do recorte geografico. Na segunda secao e apresentado um breve aporte teorico sobre o Desenvolvimento Sustentavel, Gestao Ambiental Empresarial, Gestao Ambiental no Setor Sucroenergetico, finalizando com o esboco da estrutura geral do Protocolo Agroambiental.

A terceira secao reservou-se a explanacao dos procedimentos metodologicos, incluindo caracterizacao da area de estudo, alem de uma sintese historica das organizacoes estudadas. A quarta secao apresenta a analise e discussao dos resultados. Por fim, a quinta secao apresenta as consideracoes finais do estudo, as limitacoes da pesquisa e uma proposta de agenda para futuras pesquisas.

Problema de pesquisa e objetivo

No contexto acima esbocado, sobressai o papel da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SMA) e da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA), ao estabelecerem parceria com o setor sucroenergetico paulista, por meio da Uniao da Industria de Cana-de-Acucar (Unica) e da Organizacao de Plantadores de Cana da Regiao Centro-Sul do Brasil (Orplana), cuja finalidade e desenvolver tratativas que resultem em acoes a serem executadas pelas agroindustrias e fornecedores do setor.

A referida parceria resultou na elaboracao de um Acordo de Cooperacao, o Protocolo Agroambiental, programa integrante do Projeto Etanol Verde, considerado um projeto estrategico da SMA, cujo objetivo precipuo consiste em estabelecer diretivas que promovam acoes que, por sua vez, estimulem a sustentabilidade da cadeia produtiva do acucar, etanol e bioenergia.

Em face do exposto, a questao de pesquisa que impulsiona a realizacao deste estudo pode ser definida da seguinte maneira: Qual e a influencia do Protocolo Agroambiental do ponto de vista dos gestores das agroindustrias, fornecedores e associacao do setor sucroenergetico da mesorregiao de Assis-SP no processo de gestao ambiental de suas respectivas empresas? O objetivo desta pesquisa consiste em analisar a influencia do Protocolo Agroambiental no processo de gestao ambiental empresarial, a partir das percepcoes dos gestores das agroindustrias, fornecedores e associacao localizados na mesorregiao de Assis-SP. Para atender a questao proposta, foram estudadas quatro agroindustrias produtoras de acucar, etanol e/ou bioenergia, dois fornecedores de cana-de-acucar, alem da associacao que representa os produtores, todos localizados na mesorregiao geografica de Assis-SP, distribuidos em sete municipios.

REFERENCIAL TEORICO

Desenvolvimento Sustentavel

Pode-se afirmar que as ameacas ao meio ambiente tiveram seu inicio fortemente marcado com a Revolucao Industrial, agravando-se posteriormente as duas grandes guerras mundiais. Portanto, a preocupacao do homem com os problemas ambientais e relativamente recente.

A publicacao do relatorio The limits to growth (1972) contribuiu para a repercussao internacional da questao ambiental, pois introduziu a ideia de finitude na discussao economica sob uma nova perspectiva: nao apenas apresentou a problematica da poluicao e da utilizacao de recursos naturais finitos como variaveis fundamentais do processo economico e social, mas, tambem, popularizou fortemente a questao ambiental (Nobre & Amazonas, 2002).

Na sua essencia, o desenvolvimento sustentavel e um processo de transformacao no qual a exploracao dos recursos naturais, a coordenacao dos investimentos, a proposicao do investimento tecnologico e a mudanca institucional se conciliam e reforcam o potencial presente e futuro de atender as necessidades e aspiracoes humanas (CMMAD, 1988).

De forma geral, a relacao entre o desenvolvimento economico e degradacao ambiental nao pode ser vista sob o prisma da dicotomia. Trata-se de uma questao medial, ponto de partida para a analise e compreensao dos problemas ecologicos.

Verdade seja dita, o compromisso com as questoes de sustentabilidade tornou-se uma questao de importancia estrategica no cenario competitivo atual (Goyal, Rahman & Kazmi, 2013).

Deve-se ressaltar que o desenvolvimento sustentavel e seus modelos de internalizacao constituem-se em algo relativamente recente para a maioria das organizacoes empresariais (Vilha & Quadros, 2012). A assertiva desses autores dialoga com a afirmacao de Porter e Van der Linde (1999, p. 383) ao afirmarem que "estamos [...] numa fase de transicao da historia industrial, em que as empresas ainda sao inexperientes no gerenciamento criativo das questoes ambientais".

Gestao ambiental empresarial

Haden et al. (2009) advogam que a gestao ambiental diz respeito a incorporacao de objetivos e estrategias ambientais aos objetivos e estrategias mais amplos existentes na organizacao, afinal, os conceitos de preservacao ambiental e gestao estao interligados, fazendo, ambos, parte do mundo dos negocios, atraves da gestao ambiental como componente da gestao empresarial (Psomas et al., 2011).

Gonzalez-Benito e Gonzalez-Benito (2006) reforcam que o principal fator que leva as organizacoes a adotarem uma gestao ambiental refere-se as exigencias dos stakeholders. No ambito desse grupo, destacam-se as exigencias regulamentadoras impostas por forca de lei. Contudo, para Paulraj (2009), alem dos requisitos legais, as empresas tem adotado praticas ambientais por varios outros motivos, como o aumento da competitividade, alem de preocupacoes de ordem etica.

Nesse campo, o treinamento ambiental tem se mostrado de grande relevancia para a consolidacao da organizacao no trabalho efetivo na tematica, sobretudo ao incorpora-la na comunicacao organizacional (Jabbour, 2013).

A rigor, os gestores ambientais devem ser capazes de avaliar a forma como as mudancas na economia e nos mercados afetam a qualidade ambiental da empresa, positiva ou negativamente. As realidades macroeconomicas e de mercado sempre serao drivers importantes para as estrategias ambientais de uma organizacao. Cabe ao gestor, portanto, desenvolver a sensibilidade para articular e compreender de que forma essas forcas (mudancas na economia global, financiamentos para infraestrutura, impactos economicos das mudancas regulatorias, novas tecnologias etc.) afetarao o desempenho e a qualidade ambiental da corporacao (Oliveira, 2015).

Gestao ambiental no setor sucroenergetico

O setor sucroenergetico apresenta grande potencial economico, decorrente da comercializacao de produtos e subprodutos do processamento da cana-de-acucar, como o acucar, o etanol e a bioenergia.

A producao total de cana-de-acucar moida na safra 2014/2015 e estimada em 642,1 milhoes de toneladas, queda de 2,5% em relacao ao volume colhido na safra 2013/2014, que foi de 658,8 milhoes de toneladas. Na Regiao Centro-Sul a producao esta estimada em 602,1 milhoes de toneladas, o que representa 3,2% a menos se comparado a safra anterior (Companhia Nacional de Abastecimento [Conab], 2014). O Estado de Sao Paulo e o maior produtor de cana-de-acucar do pais (Wells & Faro, 2011).

Machado e Cirani (2013) apontam que o Brasil acumulou lideranca tecnologica do etanol como biocombustivel a partir de uma trajetoria lenta, cumulativa e gradual, com ganhos na produtividade, alem dos ganhos logisticos das usinas, bem como do reaproveitamento dos subprodutos industriais.

Nos idos de 1970, a industria sucroalcooleira apresentava elevado potencial poluidor (Rossetto, 2010), agravado pela escassa regulamentacao e fiscalizacao do setor. Nas decadas seguintes, esse cenario comeca a tomar uma nova configuracao. Impulsionadas por pressoes de partes interessadas, as industrias passaram a se posicionar de maneira diferenciada com relacao aos seus impactos ambientais, sobretudo ao incorporarem novas tecnologias que permitiram maior eficiencia no seu desempenho ambiental (Jabbour, Jugend, Jabbour, Gunasekaran & Latan, 2015).

E sabido que cada setor possui suas proprias exigencias a respeito dos impactos ambientais que devem ser constantemente monitorados, bem como a frequencia e os limites permitidos, enquanto as exigencias de modelagem e os interesses politicos sao frequentemente gerais para todos os setores (Goldstein, Hilliard & Parker, 2011).

Apesar da tradicao e importancia na economia nacional, o setor canavieiro tem sido alvo de julgamentos criticos, mormente por ser considerado de elevado potencial poluidor. Rodrigues (2013) entende que, se, de fato, a expansao da cana afeta, direta ou indiretamente, outros setores, torna-se necessaria uma analise mais acurada, no intuito de investigar os impactos, seja na esfera ambiental, social, economica ou institucional.

O setor sucroenergetico brasileiro apresenta uma crescente tendencia no uso mais eficiente dos recursos, bem como a promocao de boas praticas de manejo que contribuem na reducao dos impactos ambientais (Galdos, Cavalett, Seabra, Nogueira & Bonomi, 2013).

De maneira geral, o setor vem apresentando mudancas substanciais na gestao de suas atividades (agricolas e industriais), adotando medidas com o fito de atenuar os efeitos deleterios ao meio ambiente (Rossetto, 2010). Esse e o pressuposto que se investigou neste estudo, sob a otica da percepcao dos gestores diretamente envolvidos com as acoes empreendidas pelas organizacoes signatarias, no cumprimento das diretivas tecnicas do Protocolo Agroambiental.

O Protocolo Agroambiental

A demanda social por um ambiente mais limpo, aliada ao aumento da regulacao ambiental, tem forcado as empresas a promoverem efetivamente programas de reducao de seus impactos ambientais, prevenindo a poluicao, alem de envidarem esforcos para se anteciparem as novas demandas (acao proativa).

A proposta do Protocolo Agroambiental consistiu numa alternativa para reduzir os prazos determinados pela Lei Estadual 11.241/2002, que trata do fim da colheita da cana com o uso do fogo. Tal propositura caracterizou uma mudanca na postura do setor publico, que, ao inves de trabalhar com o principio de comando-e-controle, passa a adotar o sistema de parceria com o setor canavieiro, possibilitando seu engajamento na tematica ambiental (SMA, 2008).

Na perspectiva de Herrera (2014), o Protocolo Agroambiental vai alem da reducao e supressao das queimadas, dispondo sobre outros temas de extrema relevancia, como a protecao dos remanescentes florestais de nascentes e matas ciliares, o controle das erosoes e melhores praticas de manejo do solo, o adequado gerenciamento das embalagens dos produtos fitossanitarios, alem da reducao do consumo de agua no processo industrial. Estudos desenvolvidos nessa mesma regiao demonstraram aumento de areas verdes, reducao significativa da queima da cana-de-acucar e reducao do consumo de agua ([m.sup.3]/ton. de cana processada), inferior a media do Estado (Oliveira & Pereira, 2013).

O Protocolo Agroambiental define diretivas tecnicas ambientais a serem implementadas e executadas pelas agroindustrias signatarias. O Quadro 1 descreve as diretivas tecnicas do Protocolo Agroambiental para as unidades agroindustriais.

Ressalta-se que muitas das diretivas sao mais restritivas que a propria legislacao ambiental aplicada no Estado de Sao Paulo, com destaque para os prazos para reducao e total supressao do uso do fogo para colheita.

Ha pequenas diferencas nas diretivas tecnicas estabelecidas para os fornecedores. O Quadro 2 apresenta as quatro primeiras diretivas especificas para fornecedores.

Alem das diferencas verificadas nas diretivas "a", "b" e "c", ha o acrescimo da diretiva "d", exclusiva para os fornecedores. As demais diretivas sao exatamente iguais as das agroindustrias. Assim, o regulamento que estabelece as diretivas tecnicas para os fornecedores possui 11 diretivas.

PROCEDIMENTOS METODOLOGICOS

Esta e uma pesquisa descritiva e exploratoria considerando-se que, conforme aponta Gil (2010), elaborada com a finalidade de identificar possiveis relacoes entre variaveis. Em relacao a sua natureza, esta pesquisa pode ser caracterizada como qualitativa (Myers, 2009). Esse tipo de pesquisa e adequado para a obtencao de uma visao critica e reflexiva sobre o mundo das organizacoes e seus processos (Eriksson & Kovalainen, 2008). Quanto a sua finalidade, trata-se de uma pesquisa aplicada, uma vez que esta voltada "a aquisicao de conhecimentos com vistas a aplicacao numa situacao especifica" (Gil, 2010, p. 27).

De acordo com os procedimentos tecnicos, a pesquisa encaixa-se na categoria de estudos de casos multiplos (Gil, 1994; Swanborn, 2010; Yin, 2010).

Na visao de Cunningham (1997), a estrategia de estudo de caso pode se desdobrar em dois tipos:

* Estudo de caso unico, o qual somente se justifica quando o fenomeno que esta sendo analisado sera investigado em uma organizacao com a melhor representatividade possivel;

* Estudo de casos multiplos, quando o objetivo e comparar varios casos, em que ocorre o mesmo fenomeno, explicando as similaridades e diferencas, desafios e oportunidades, alem de aprendizados comuns.

Sob essa perspectiva, a presente pesquisa caracteriza-se por empregar o estudo de casos multiplos (Stake, 2005).

Segundo Stravos e Westberg (2009), o uso de multiplos casos acrescenta confianca aos resultados, alem de ajudar na protecao de ocorrencia de vieses por parte do pesquisador (Voss et al., 2002), permitindo-lhe estabelecer comparacoes entre os casos estudados, descobrindo possiveis particularidades ou a existencia de um padrao comum de ocorrencias, o que sugere a existencia de uma regularidade empirica (Tsang, 2013), alem de possibilitar a criacao de uma teoria mais robusta, uma vez que as proposicoes estao mais profundamente fundamentadas na evidencia empirica variada (Eisenhardt & Graebner, 2007). Optou-se por escolher o estudo de multiplos casos, em vez de um unico, em funcao da oportunidade de analise entre os casos.

Quanto aos metodos empregados para coleta de dados, utilizou-se inicialmente como delineamento a pesquisa bibliografica e em dados disponiveis no site oficial da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SMA/Projeto Etanol Verde). Posteriormente, procedeu-se a elaboracao de um roteiro semiestruturado contendo vinte questoes, que foi submetido a apreciacao de quatro especialistas docentes de universidades publicas na area de gestao ambiental empresarial, os quais verificaram a pertinencia da relacao das questoes com o arcabouco teorico do trabalho.

O roteiro serviu como eixo norteador para as entrevistas, cujo conteudo foi digitalmente gravado e devidamente transcrito na integra, retornando, via e-mail, ao entrevistado para que desse endosso final ao conteudo.

A tecnica de analise de dados adotada neste estudo foi a Analise de Conteudo, que consiste em um conjunto de instrumentos metodologicos em constante aperfeicoamento, que se aplicam a discursos, falas, depoimentos, extremamente diversificados (Bardin, 2011).

As agroindustrias e fornecedores foram codificados a fim de manter o sigilo e privacidade dos depoentes; a pesquisa interessa o conjunto total das unidades que compoem exclusivamente a regiao de interesse para o trabalho.

Breve caracterizacao da area de estudo

Para fins deste estudo foi considerada a concepcao classica de mesorregiao, entendida como um agrupamento de municipios limitrofes que exigem planejamento integrado para o seu desenvolvimento e integracao regional, que apresente, cumulativamente, caracteristicas de integracao funcional de natureza fisico-territorial, economico-social e administrativa (Sao Paulo, 1994).

De acordo com Graymore, Sipe e Rickson (2008), a regiao tem emergido como um foco substancial para pesquisadores, gestores de sustentabilidade dos recursos naturais, alem dos tecnicos envolvidos com o planejamento estrategico que visa desenvolver e implementar metas monitoraveis.

A mesorregiao de Assis e uma das mesorregioes do Estado de Sao Paulo pertencente a regiao de Assis, cuja populacao, em 2014, foi estimada em 278.220 habitantes, dividida em 17 municipios (IBGE, 2014). A Figura 1 situa a mesorregiao de Assis no mapa do Estado de Sao Paulo, com destaque para os municipios onde se localizam as unidades estudadas.

A regiao assume caracteristicas de uma mesorregiao com polo na cidade de Assis. A regiao estende-se pelo Vale do Paranapanema, de leste para oeste, ao longo da antiga estrada de ferro Sorocabana e da rodovia Raposo Tavares, limitando-se ao norte com o Estado do Parana, a sudoeste com o Estado de Sao Paulo. Espaco geografico que se qualifica por uma forte integracao comercial entre os municipios que compoem o territorio em questao, a mesorregiao possui a potencialidade de um polo modal de transportes, que sobressai com a expansao das atividades economicas no interior do Estado de Sao Paulo (Oliveira, Gaspar, Fernandes & Silva Filho, 2014).

A Tabela 1 apresenta os dezessete municipios que formam a mesorregiao de Assis-SP, seus respectivos numeros de habitantes, com destaque para os municipios onde estao localizados as agroindustrias e fornecedores pesquisados.

Observa-se o predominio de municipios com populacao pequena, caracteristica tipica da maioria das cidades do interior do Estado. Entretanto, sao municipios que possuem grande area territorial, o que favorece a producao agropecuaria e, especialmente, a producao canavieira.

As agroindustrias e os fornecedores previamente selecionados para esta pesquisa estao localizados nos municipios de Paraguacu Paulista, Maracai, Taruma, Quata e Bora.

Caracterizacao dos casos estudados: uma sintese

O Quadro 3 apresenta, resumidamente, a caracterizacao historica de cada um dos casos em que atuam os gestores que participaram da pesquisa, composto por 4 produtores, 2 fornecedores e uma associacao.

Observa-se pelo resumo historico que todas as empresas/instituicao pesquisadas possuem entre 50 e 60 anos no mercado, o que, de certa forma, contribui para uma maior consolidacao e menor suscetibilidade as mudancas e crises do mercado.

Em todas as organizacoes, com excecao da AGR4, foi possivel entrevistar mais de uma pessoa que estava ligada diretamente as questoes ambientais da empresa. A maioria dos gestores entrevistados confirmou ter dado mais enfase as questoes ambientais a partir da adesao ao Protocolo Agroambiental, o que pode ser constatado nos excertos transcritos das entrevistas realizadas com os tecnicos. O Quadro 4 apresenta os entrevistados e seus respectivos cargos nas organizacoes.

Concluida esta exposicao, na proxima secao serao apresentadas a analise e discussao dos principais resultados obtidos.

ANALISE E DISCUSSAO DOS RESULTADOS

Nesta secao serao apresentados os principais resultados aferidos com a realizacao das entrevistas apoiadas no roteiro semiestruturado.

Percebeu-se que, de modo geral, o Protocolo Agroambiental contribuiu sobremodo com a questao ambiental, inserindo-a na agenda dos atores envolvidos. Alem disso, temas como Desenvolvimento Sustentavel, Sustentabilidade, Impactos Ambientais, Gestao Ambiental Empresarial, Certificacao, entre outros, passaram a incorporar oficialmente a comunicacao corporativa, o que pode ser corroborado pelos estudos de Jabbour (2013).

Ao todo, foram ouvidos dezenove profissionais relacionados diretamente a area ambiental das empresas. Todavia, serao considerados nesta pesquisa somente os depoimentos mais relevantes e contundentes para o alcance do objetivo proposto.

O Quadro 5 apresenta os excertos dessas entrevistas

Nos depoimentos supratranscritos ha evidencias claras de que a adesao ao Protocolo bem como o esforco de adaptacao para atender as suas diretivas tecnicas provocaram mudancas estrategicas no setor e, consequentemente, mudanca no cenario ambiental, incluindo a flora e a fauna do cerrado interiorano do Estado.

No depoimento de um dos entrevistados da ASS1, "Ele (o fornecedor) ate pode optar por nao aderir ao Protocolo, mas a gente mostra pra ele a viabilidade, especialmente quando ele precisar de algo junto a Cetesb, porque, como eu falei pra voce, quem ta no Protocolo tem certo privilegio ...". Nesse sentido, e notorio o trabalho de conscientizacao por parte da Associacao junto a seus associados. Sabe-se que, para esta, nao ha vantagem economico-financeira direta sobre o fato de o associado aderir ao Protocolo. Pelo contrario, ha, de imediato, um aumento no volume de trabalho, uma vez que fica sob responsabilidade da Associacao a efetivacao da adesao do associado, bem como o informe anual mediante planilhas especificas do sistema do Projeto Etanol Verde/SMA, de todos os dados da propriedade.

O Protocolo Agroambiental, como certificacao socioambiental, de carater voluntario, pode ser considerado um instrumento de mercado, com o fito precipuo de promover mudancas e melhorias ambientais e sociais em setores produtivos da economia, a exemplo do setor sucroenergetico.

Observa-se que o caso do gestor 1 da AGR2, ao afirmar "O Novo Codigo Florestal reduziu de 50 metros para 15 metros a distancia da mata ciliar, mas nos temos seguido o Protocolo e mantido o distanciamento maior", corrobora a afirmacao de que em varios pontos o Protocolo e mais restritivo que a propria legislacao ambiental. Nessa mesma linha, e o caso do entrevistado 4 da AGR1, quando afirma que "A AGR1 ta mudando bastante, mudando o foco na preservacao ambiental, o que originou mesmo a partir do Protocolo, antes do Protocolo as empresas faziam so o que a Cetesb [Companhia Ambiental do Estado de Sao Paulo] exigia, naquele passo a passo, e ai o Protocolo exigiu prazos mais apertados".

Destaca-se, tambem, a fala do entrevistado 1 do FOR2 ao dizer que "o monitoramento das emissoes atmosfericas foi gracas ao Protocolo Agroambiental [...]; nao era uma pratica que era feita aqui anteriormente ".

O Protocolo Agroambiental tem valido como um atestado de conformidade para certificacoes internacionais do setor, o que pode ser constatado na fala do entrevistado 1 da AGR4 ao afirmar que "[...] o que a gente tem percebido de valor no Protocolo Agroambiental e quando a gente usa ele, por exemplo, no atendimento a clientes, nas auditorias de sustentabilidade. [...] A Coca-Cola e cliente nosso, entao, ela valoriza nossa certificacao pelo Protocolo Agroambiental; a certificacao Bonsucro, o Protocolo Agroambiental e muito util; a primeira certificacao do nosso etanol para venda para os Estados Unidos, para o EPA [United States Environmental Protection Agency] o Protocolo Agroambiental teve um peso importantissimo ".

Dados oficiais do Protocolo Agroambiental mostram que o setor sucroenergetico, nesse caso composto pelos seus signatarios (unidades agroindustriais e fornecedores de cana), agrega, sob responsabilidade de recuperacao e protecao, 299.038 hectares de matas ciliares e mais de 9.300 nascentes.

Os resultados da safra 2013/2014, mostram que, desde a implantacao do Protocolo Agroambiental, 7,17 milhoes de hectares de cana deixaram de ser queimados, podendo-se afirmar que o equivalente a 4,4 milhoes de toneladas de GEE (Gases de Efeito Estufa) deixaram de ser emitidos, alem da nao emissao de 26,7 milhoes de toneladas de outros poluentes como Monoxido de Carbono, Hidrocarbonetos e Material Particulado (SMA/Projeto Etanol Verde, 2014).

No Estado de Sao Paulo, estudos tem mostrado que, em locais em que o uso do solo foi destinado ao plantio da cana-de-acucar, as areas de mata aumentaram (Rudorff, Aguiar, Silva, Sugawara, Adami & Moreira, 2010), o que comprova o fato de que as agroindustrias e fornecedores de cana tem investido no reflorestamento das Areas de Preservacao Permanente.

Tais resultados atestam que o sistema de parceria entre o setor publico e o setor privado com objetivos bem definidos podem trazer resultados positivos a todos, notadamente, aos anseios sociais. Altera-se o paradigma do foco na vantagem competitiva para o foco na vantagem colaborativa (Glavas & Mish, 2015).

Na concepcao da maioria dos entrevistados, o Protocolo Agroambiental e visto de maneira bastante positiva, haja vista os resultados divulgados pela SMA/Etanol Verde, comparados aos dados obtidos em campo. Mais especificamente, para atender as Diretivas Tecnicas do Protocolo Agroambiental, os signatarios promovem acoes majoritariamente de carater preventivo, o que pode ser considerado um passo significativo na mudanca para uma postura proativa das organizacoes do setor sucroenergetico, o que pode ser corroborado nas falas dos entrevistados 2 e 4 da AGR1; 1 da AGR2; 2 da AGR3; 1 da AGR4 e 2 da ASS1, principalmente (Quadro 5).

Por conseguinte, depreende-se que o Protocolo Agroambiental tem sido utilizado pelos players do setor sucroenergetico como uma ferramenta contribuinte da gestao ambiental.

5 CONSIDERACOES FINAIS

Esta pesquisa objetivou apurar a influencia do Protocolo Agroambiental no processo de gestao ambiental empresarial, a partir da percepcao dos gestores das agroindustrias e fornecedores situados na mesorregiao de Assis-SP. Embora tenham sido entrevistados dezenove profissionais de todos os casos estudados (Quadro 4), para o alcance do objetivo proposto para esta pesquisa foi suficiente a analise de excertos de entrevistas de treze gestores ambientais, distribuidos entre todas as unidades pesquisadas (Quadro 5).

Os resultados deste trabalho evidenciam a percepcao de valor por parte dos gestores no que se refere ao Protocolo Agroambiental, que impulsionou mudancas positivas ocorridas em varios setores das empresas a fim de promover adequacoes para atender as diretivas tecnicas do Protocolo.

Todavia, ressalta-se que o Protocolo Agroambiental e fruto de pressao social, que persuadiu o poder publico e a iniciativa privada a darem resposta a essa demanda, o que vai ao encontro da assertiva proposta por varios autores de que o principal fator que leva as organizacoes a adotarem a gestao ambiental diz respeito as exigencias dos seus stakeholders (GonzalezBenito & Gonzalez-Benito, 2006; Fernandez-Feijoo, Romero & Ruiz, 2014; Tatoglu, Bayraktar & Arda, 2015).

Alem disso, o aumento da eficiencia no desempenho ambiental representa uma potencial fonte de vantagem competitiva, com repercussao direta na melhoria dos processos, da produtividade, bem como reducao de custos e geracao de novas oportunidades de mercado (Alexopoulos, Kounetas & Tzelepis, 2012).

Outro ponto relevante diz respeito aos investimentos realizados em novas tecnologias (maquinas, equipamentos, sistemas de gestao, infraestrutura, entre outros) a fim de aumentar a eficiencia dos processos tanto no campo (setor agricola) quanto na industria (producao).

Consideram-se como limitacoes desta pesquisa o fato de ter sido utilizado somente um instrumento de coleta de dados (entrevista com roteiro semiestruturado), alem do recorte geografico, restrito a mesorregiao de Assis-SP, muito embora seja uma regiao tradicionalmente canavieira.

Sugere-se que, para trabalhos futuros, seja ampliada a area de abrangencia, utilizando de outras ferramentas de coleta de dados, como o survey, por exemplo, para abarcar uma amostra representativa das agroindustrias e fornecedores signatarios em todo o Estado de Sao Paulo.

DOI: 10.5585/geas.v5i1.329

Recebido: 03/11/2015

Aprovado: 07/03/2016

REFERENCIAS

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(1) Edenis Cesar de Oliveira

(1) Doutor em Administracao pelo PPGA-USCS da Universidade Municipal de Sao Caetano do Sul--SP, Brasil Professor Adjunto da Universidade Federal de Sao Carlos--UFSCar--Campus Lagoa do Sino, Brasil E-mail: edeniscesar@ufscar.br

(2) Para maiores informacoes sobre a "certificacao Bonsucro" ver Oliveira, E. C., Pereira, R. S., & Gaspar, M. A. (2013). Implementacao de Certificacao Ambiental Better Sugarcane Initiative-- Bonsucro: Estudo de Caso de Empresa do Setor Sucroenergetico. Revista Ibero-Americana de Ciencias Ambientais, v. 4, n. 2, pp. 24-45. DOI: 10.6008/ESS2179-6858.2013.002.0002.

Caption: Figura 1--Mesorregiao de Assis-SP
Tabela 1--Municipios da mesorregiao de Assis-SP

Municipio                    No. de habitantes

Assis                             100.911
Paraguacu Paulista                 44.555
Candido Mota                       31.063
Palmital                           22.041
Maracai                            13.878
Taruma                             14.027
Quata                              13.603
Iepe                                8.002
Ibirarema                           7.290
Campos Novos Paulista               4.808
Platina                             3.406
Pedrinhas Paulista                  3.062
Florinea                            2.821
Lutecia                             2.741
Nantes                              2.943
Cruzalia                            2.234
Bora                                 835
TOTAL                             278.220

Fonte: Elaborada pelo autor a partir de IBGE (2014)

Quadro 1--Diretivas Tecnicas do Protocolo Agroambiental para as
unidades agroindustriais

Diretivas              Conteudo Descritivo

A            Antecipar, nos terrenos com declividade ate 12%, o prazo
             final para eliminacao da queimada da cana-de-acucar, de
             2021 para 2014, adiantando o percentual de cana nao
             queimada, em 2010, de 10% para 30%.

B            Antecipar, nos terrenos com declividade acima de 12%, o
             prazo final para eliminacao da queimada de cana-de-
             acucar, de 2031 para 2017, adiantando o percentual de
             cana nao queimada, de 10% para 30%.

C            Nao utilizar a pratica da queima da cana-de-acucar para
             fins de colheita nas areas de expansao de canaviais.

D            Adotar acoes para que nao ocorra a queima a ceu aberto,
             do bagaco de cana, ou de qualquer outro subproduto da
             cana-de-acucar.

E            Proteger as areas de mata ciliar das propriedades
             canavieiras, devido a relevancia de sua contribuicao para
             a preservacao ambiental e protecao a biodiversidade.

F            Proteger as nascentes de agua das areas rurais do
             empreendimento canavieiro, recuperando a vegetacao ao seu
             redor.

G            Implementar Plano Tecnico de Conservacao do Solo,
             incluindo o combate a erosao e a contencao de aguas
             pluviais nas estradas internas e carreadores.

H            Implementar Plano Tecnico de Conservacao de Recursos
             Hidricos, favorecendo o adequado do ciclo hidrologico,
             incluindo programa de controle da qualidade da agua e
             reuso da agua utilizada no processo industrial.

I            Adotar boas praticas para descarte de embalagens vazias
             de agrotoxicos, promovendo a triplice lavagem,
             armazenamento correto, treinamento adequado dos
             operadores e uso obrigatorio de equipamentos de protecao
             individual.

J            Adotar boas praticas destinadas a minimizar a poluicao
             atmosferica de processos industriais e otimizar a
             reciclagem e o reuso adequados dos residuos gerados na
             producao de acucar e etanol.

Fonte: SMA/Etanol Verde (2008).

Quadro 2--Diretivas Tecnicas do Protocolo Agroambiental para os
fornecedores de cana-de-acucar.

Diretivas              Conteudo Descritivo

A            Antecipar, nos terrenos com declividade ate 12% e com
             area acima de 150 hectares e em solos com estruturas que
             permitam a adocao de tecnicas usuais de mecanizacao da
             atividade do corte mecanizado de cana, o prazo final para
             eliminacao da queimada da cana-de-acucar, de 2021 para
             2014, adiantando o percentual de cana nao queimada, em
             2010, de 50% para 60%.

B            Antecipar, nos terrenos com declividade acima de 12% e
             com area acima de 150 hectares e demais areas com
             estrutura de solo que inviabilizem a adocao de tecnicas
             usuais de mecanizacao da atividade do corte mecanizado de
             cana, o prazo final para a eliminacao da queimada da
             cana-de-acucar de 2031 para 2017, adiantando o percentual
             de cana queimada, em 2010, de 10% para 20%.

C            Antecipar, nas areas com ate 150 hectares e demais areas
             com estrutura de solo que inviabilizem a adocao de
             tecnicas usuais de mecanizacao da atividade do corte
             mecanizado de cana o prazo final para a eliminacao da
             queimada da cana-de-acucar, de 2031 para 2017, adiantando
             o percentual de cana nao queimada, em 2010, de 10% para
             20%.

D            Em 2014, os prazos estabelecidos nos itens "a", "b" e "c"
             serao avaliados, tomando como referencia os avancos na
             tecnologia da colheita mecanizada de cana crua e a
             disponibilidade de maquinas e equipamentos.

Fonte: SMA/Etanol Verde (2008).

Quadro 3--Sintese historica dos casos em que atuam os gestores
entrevistados.

Casos de             Breve Historico
Estudo

AGR1         De origem familiar, e uma empresa 100% nacional, fundada
             em 1980, com a implantacao do Proalcool. As atividades
             iniciaram com foco na producao de etanol para o
             abastecimento regional, fornecendo, em 1983, mais de 55
             mil [m.sup.3] de etanol/ano. Em 1994 passou tambem a
             fabricar acucar e, em 2002, acrescentou a sua atuacao a
             geracao de energia eletrica, com o inicio da operacao
             de sua Termoeletrica.

AGR2         O Grupo que congrega a AGR2, como atualmente constituido,
             teve inicio em 1935, com a aquisicao de uma usina no Vale
             do Paraiba, regiao Nordeste, comandado pelo seu
             patriarca. Com o cultivo da cana/de/acucar se
             transferindo para os tabuleiros costeiros de Alagoas, o
             grupo instala sua segunda unidade, em outro municipio da
             mesma regiao, tendo isso ocorrido em 1970. Em 1976, com o
             advento do Proalcool, o grupo instala sua terceira
             unidade, no municipio de Penedo. Em 2002 o grupo adquire,
             no Estado de Sao Paulo, uma antiga usina, rebatizada de
             AGR2. A producao comercial de acucar e alcool foi
             iniciada em 2005. A AGR2 possui capacidade para moer
             7.000 toneladas de cana/dia e produz acucares do tipo VHP
             e Cristal, alem de Alcool anidro e hidratado.

AGR3         A AGR3 se destaca por ser uma empresa que compete em
             nivel global. Possui politica de investimento em
             inovacao, tecnologia e capacitacao de colaboradores no
             intuito de aumentar sua qualificacao. Esta atualmente
             entre as cinco maiores empresas em faturamento e as tres
             maiores distribuidoras de combustiveis do Brasil, sendo a
             principal fabricante de etanol de cana-de-acucar do pais
             e a maior exportadora individual de acucar de cana no
             mercado internacional.

AGR4         A AGR4 e uma multinacional brasileira especializada em
             produzir acucar, etanol, energia eletrica e ingredientes
             para alimentacao humana e nutricao animal, por meio da
             unidade de negocios acoplada a industria. Trata-se uma
             empresa com vocacao industrial, que processa a cana-de-
             acucar e agrega valor aos produtos que dela podem ser
             extraidos com tecnologia voltada para a inovacao. Atua em
             setores importantes para a economia brasileira e
             contribui para o crescimento do pais ao empregar mais de
             3.700 colaboradores, fomentar pesquisas em universidades
             nacionais e internacionais e centros de inovacao,
             comercializar energia eletrica gerada com uma fonte limpa
             e renovavel.

FOR1         A FOR1 atua no setor de producao de cana-de-acucar,
             laranja in natura e suco concentrado de laranja. Nasceu
             da divisao dos ativos de um grupo maior, fundado em 1944
             e pioneiro na producao de cana no Vale do Paranapanema.
             Sao cerca de 4,5 mil empregos diretos nas regioes onde
             atua.

FOR2         Com suas atividades concentradas no segmento agricola de
             producao de cana-de-acucar, uma nova historia comecou a
             ser construida pelo Grupo que inclui a FOR2, gerando
             cerca de 2 mil empregos diretos, com atuacao nos estados
             de Sao Paulo e Mato Grosso do Sul, desde a reformulacao
             de suas estrategias e diretrizes. A FOR2 se tornou
             principal fornecedora de cana-de-acucar para a empresa
             AGR3. A FOR2 expandiu suas atividades agricolas para
             disponibilizar a sua materia-prima e criou um novo
             negocio em 2011 para a prestacao de servicos de corte,
             carregamento e transporte de cana-de-acucar, a FOR2
             Servicos, na busca por novos clientes para a sua expansao
             no setor, aumentando o potencial energetico das empresas
             envolvidas e suprindo a necessidade dos parceiros. A FOR2
             uniu informacao, acao e resultados para que houvesse uma
             evolucao do trabalho no segmento, mantendo sua
             transparencia nas acoes e garantindo sua credibilidade. A
             avaliacao, o aprimoramento, a projecao, a insercao de
             novas tecnologias e a busca de solucoes diarias continuam
             sendo os focos da empresa, envolvendo o colaborador, a
             comunidade e o poder publico.

ASS1         A associacao ASS1 foi fundada em 1977, a fim de organizar
             e representar a classe dos plantadores de cana da regiao
             e prestar assistencia social aos trabalhadores rurais
             canavieiros e seus dependentes. O primeiro atendimento a
             um trabalhador rural ocorreu em 1979. O Departamento
             Agricola da ASS1 iniciou suas atividades em 1983, com o
             advento da implantacao do Sistema de Pagamento de Cana
             pelo Teor de Sacarose, primeiramente voltado ao
             acompanhamento das analises de cana nos laboratorios das
             usinas e destilarias da regiao e posteriormente a
             prestacao de assistencia tecnica integral ao produtor de
             cana-de-acucar. Desde entao vem ampliando os servicos
             prestados aos associados, orientando-os do planejamento
             de plantio ate a colheita da cana.

Fonte: Dados da pesquisa.

Quadro 4--Quantidade de entrevistados por caso e respectivos cargos.

Casos        Numero       No.    Cargos
estudados    de Entre-
             vistados
                          1      Tecnico Ambiental
AGR1         04           2      Supervisor do Setor de Bem-Estar
                          3      Supervisor de Plantio (Setor Agricola)
                          4      Diretor de Pessoas
                          1      Coordenadora Socioambiental
AGR2         03           2      Supervisor Agricola
                          3      Tecnico em Quimica
                          1      Analista de Meio Ambiente
AGR3         03           2      Gerente Corporativo de Meio Ambiente
                          3      Coordenador Administrativo
AGR4         01           1      Analista de Preservacao Ambiental
                          1      Gerente Agricola
FOR1         03           2      Tecnico de Seguranca do Trabalho e
                                    Meio Ambiente
                          3      Analista Ambiental
FOR2         02           1      Supervisor de Planejamento Agronomico
                          2      Supervisor de Controle e Custos
                                    Agricolas
                          1      Presidente da Associacao
ASS1         03           2      Gerente Agricola
                          3      Assistente Administrativo
TOTAL        19

Fonte: Dados da pesquisa.

Quadro 5--Excertos das entrevistas sobre o Protocolo Agroambiental.

Casos   Entrevistado   Conteudo--Fragmentos das Entrevistas

             1         [...] entao desde 2007, quando a gente aderiu ao
                       Protocolo, a gente vem fazendo muita coisa para
                       Mudar ... Tudo isso acho que veio amadurecendo
                       com o Protocolo Agroambiental.

             2         A partir do Protocolo Agroambiental, e isso e
                       fato, as empresas comecaram a respeitar os 30 e
                       50 metros das APPs; antigamente nao, esperavase
                       a notificacao da policia florestal, do MP,
                       hoje e mais proativo.

AGR1         3         O Protocolo da essa visualizacao no mercado;
                       inclusive quando voce vai fazer algum emprestimo
                       em banco, o Protocolo e exigido. Para a gente
                       renovar a licenca do Ibama, ele (certificado)
                       serve para mostrar que a gente e sustentavel. As
                       empresas estao ganhando muito com o Protocolo,
                       alem do ganho ambiental, a questao da
                       confiabilidade perante os orgaos publicos.

             4         A AGR1 ta mudando bastante, mudando o foco na
                       preservacao ambiental, o que originou mesmo a
                       partir do Protocolo, antes do Protocolo as
                       empresas faziam so o que a Cetesb exigia,
                       naquele passo a passo, e ai o Protocolo exigiu
                       prazos mais apertados.

AGR2         1         O Novo Codigo Florestal reduziu de 50 metros
                       para 15 metros a distancia da mata ciliar, mas
                       nos temos seguido o Protocolo e mantido o
                       distanciamento maior.

AGR3         1         O ganho que a agroindustria tem ao aderir ao
                       Protocolo e essa questao mesmo do ganho
                       ambiental; voce tem um cronograma para voce se
                       adequar para reduzir os seus impactos,
                       especialmente a queima da palha de cana; esse e
                       o ganho direto, ne! Ha tambem o aspecto da
                       imagem da companhia. " "[...] a partir da adesao
                       ao Protocolo, a empresa elaborou um plano de
                       investimentos para cumprir as metas
                       estabelecidas no Protocolo. " "Se voce nao tem o
                       Protocolo e mais complicado voce conseguir o
                       licenciamento; com certeza o Protocolo ajuda
                       muito, facilita, porque muitas coisas o
                       Protocolo ja exige; entao acho que a influencia
                       foi positiva. " "Principalmente nos que vendemos
                       para Brasken, Coca-Cola, Nestle, todas
                       elas pedem o Protocolo. Eles se interessam em
                       olhar o Protocolo. Ate para o Bonsucro (2), eles
                       pedem o Protocolo.

                       [...] foi muito bom essa questao do Protocolo
                       Agroambiental porque trouxe mais proxima uma
                       questao que dava muitos problemas ambientais que
                       e a questao das queimadas, a reducao da agua...

             2         Entao, eu concordo com o Protocolo
                       Agroambiental, ate porque ele trouxe
                       oportunidades para a area de meio ambiente com
                       alguns ganhos, inclusive transformar essa visao
                       que ate tem uma questao sua ai no seu
                       questionario de um custo para um valor. Hoje a
                       area ambiental subiu um degrau; ela tem que
                       subir mais, mas ela ja esta num patamar de
                       valor; entao ele trouxe uma visao para o
                       usineiro de que o meio ambiente e um valor e nao
                       um custo.

             3         [...] o Protocolo Agroambiental pode ser
                       considerado uma ferramenta gestao para auxiliar
                       o modo de gestao da empresa.

                       Desde que lancou o Protocolo Agroambiental, a
                       AGR4 teve um esforco muito grande para eliminar
                       a queima da cana-de-acucar; em 2011 nos
                       conseguimos.

AGR4         1         Entao, o Protocolo Agroambiental, [...] trouxe
                       um certo valor, ele ajudou a valorar essas
                       acoes, as acoes de reducao de consumo de agua,
                       as acoes de consumo energetico, de protecao as
                       nascentes e matas ciliares; o Protocolo
                       Agroambiental trouxe esse ganho. Realmente e o
                       que garante a sustentabilidade do nosso negocio.
                       Nos temos treze (13) pocos de captacao
                       subterranea, todos outorgados e uma captacao de
                       agua superficial. Todos tem hidrometro. [...] o
                       que a gente tem percebido de valor no Protocolo
                       Agroambiental e quando a gen te usa ele, por
                       exemplo, no atendimento a clientes, nas
                       auditorias de sustentabilidade. Entao, por
                       exemplo, a Coca-Cola e cliente nosso, entao ela
                       valoriza mossa certificacao pelo Protocolo
                       Agroambiental; a certificacao Bonsucro, o
                       Protocolo Agroambiental e muito util; a primeira
                       certificacao do nosso etanol para venda para os
                       Estados Unidos, para o EPA o Protocolo
                       Agroambiental teve um peso importantissimo.

                       [...] quando a gente implantou o Protocolo
                       Agroambiental, alem do ganho produtivo, nos
                       tivemos ganho na comunidade tambem; tivemos
                       ganho em todas as etapas do processo inclusive
                       na comunidade. [...] o Protocolo Agroambiental e
                       uma excelente ferramenta...

FORI         1         Quando surgiu o Protocolo, em 2008, 2009 a coisa
                       comecou a apertar, entao comecamos a
                       intensificar essas acoes.

FOR2         1         [...] mas o Protocolo acelerou muita coisa aqui
                       pra nos. A aquisicao de maquinarios, a mudanca
                       da mao de obra; entao acho que desde 2009, por
                       ai, as coisas vem mudando bastante. A gente ja
                       vem diminuindo bastante a colheita manual, as
                       queimadas, em 2011 e 2012 foram somente 3%, 2013
                       e 2014, praticamente 100% da colheita e
                       mecanizada. Antes do Protocolo nao tinha essa
                       preocupacao. Entao essa atitude de somente
                       arrendar area que tenha possibilidade de ser
                       colhida mecanicamente comecou a partir do
                       Protocolo.

                       [...] o Protocolo vem para nos agregar de
                       maneira positiva tanto ambientalmente, como para
                       as proprias politicas da empresa, e para nos e
                       bastante positivo, porque o Protocolo, ele deu
                       um incentivo muito grande a mecanizacao.

                       O monitoramento das emissoes atmosfericas foi
                       gracas ao Protocolo Agroambiental que a gente
                       comecou a fazer o monitoramento nos veiculos
                       automotores; nao era uma pratica que era feita
                       aqui anteriormente.

                       [...]para nos e muito bem-vista essa questao do
                       Protocolo Agroambiental.

                       [...] desde quando o Protocolo Agroambiental foi
                       implantado, nos temos essa atribuicao nesse
                       setor quanto as questoes ambientais.

ASS1         1         Com certeza, depois da adesao ao Protocolo houve
                       uma mudanca de mentalidade dos produtores, uma
                       preocupacao em se adequar as exigencias.

             2         O Protocolo exige que se deixe pelo menos 30
                       metros de espaco a partir do rio, nao exige que
                       faca o reflorestamento, ele pode ocorrer
                       naturalmente. Hoje, quando voce fala em mata
                       ciliar pra eles (produtores), e tranquilo, ja ha
                       essa consciencia, tem mais e que deixar mesmo,
                       isso ja nao os preocupa.

                       Ele (o fornecedor) ate pode optar por nao aderir
                       ao Protocolo, mas a gente mostra pra ele a
                       viabilidade, especialmente quando ele precisar
                       de algo junto a Cetesb, porque, como eu falei
                       pra voce, quem ta no Protocolo tem certo
                       privilegio ...

Fonte: Dados da pesquisa
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Article Details
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Author:de Oliveira, Edenis Cesar
Publication:Revista de Gestao Ambiental e da Sustentabilidade
Date:Jan 1, 2016
Words:9068
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