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THE RELIGIOUS FEAST OF THE CIRIO DE NAZARE: DEVOTIONAL PRACTICES AND SPACE LIVING IN THE CITY OF SAO LUIS/ LA FIESTA RELIGIOSA DEL CIRIO DE NAZARE: PRACTICAS DEVOCIONALES Y VIVENCIAS ESPACIALES EN LA CIUDAD DE SAN LUIS/ A FESTA RELIGIOSA DO CIRIO DE NAZARE: PRATICAS DEVOCIONAIS E VIVENCIAS ESPACIAIS NA CIDADE DE SAO LUIS.

Introducao

Na busca por compreender melhor como se dao as diferentes formas de uso, a apropriacao e significacao do "homem" com relacao ao espaco, assim como os possiveis problemas que se inserem nessa relacao, se faz necessario uma analise da percepcao socioespacial da populacao do Bairro do Cohatrac na Cidade de Sao Luis, localizada no Estado do Maranhao, area de estudo dessa pesquisa, a fim de compreender como a tematica se insere no cotidiano.

No seio desse espaco socializado, cada individuo desenvolve estrategias para efetivar as suas atividades produtivas ou de lazer, na qual a Geografia tem forte capacidade de analise. Segundo Claval (1999, p. 250) "[...] o individuo e uma construcao realizada pela sociedade gracas a cultura, mas simetricamente a sociedade se constroi tambem gracas a cultura". Sobre cultura, Correa (2011, p.28) afirma que:
   [...] em outras palavras, o conceito de cultura oferece um meio
   para classificar os seres humanos em grupos definidos, de acordo
   com caracteristicas comuns verificaveis, e tambem para classificar
   areas de acordo com as caracteristicas dos grupos humanos que as
   ocupam.


Para Correa (2002, p.137) o espaco no qual se revela as manifestacoes de cultura religiosa esta envolto em um simbolismo no qual ha uma separacao entre o profano e o sagrado. O mesmo refere-se as crencas em algo divino e puro acima de qualquer questionamento, representando uma forma de cultura. Ainda segundo o autor "[...] espaco, cultura e religiao estao reunidas em novos planos de percepcao teorica que introduzem uma possibilidade de pensar o sagrado e o profano na ciencia".

Para Souza (2009) a religiao faz parte das discussoes geograficas como expressao institucional do ponto de vista espiritual, reflexo das escolhas culturais de vida dos seres humanos e, principalmente, pela tentativa dos geografos de entender e explicar as razoes que levam o individuo a perceber e significar certas porcoes do espaco como sagradas. O espaco geografico e dinamico, complexo e plural, e ao mesmo tempo e tambem, em sua essencia, o espaco de vivencia humana, ou seja, o espaco social tal como propoem alguns autores nessa perspectiva, tais como: Correa (1989), Eliade (2008) e Tuan (1983).

Os fenomenos religiosos se manifestam num momento historico e nao ha fato religioso fora do tempo. Em diferentes contextos socioespaciais o fato religioso imprime marcas no espaco sagrado. Sao formas simbolicas, como por exemplo, as imagens, portadoras de significados religiosos. O sagrado e perceptivel na organizacao do espaco, nao somente pelos simbolismos, desencadeados pelos devotos no lugar, mas, tambem, pela forma essencialmente integrada entre religiao e tempo (ROSENDAHL, 2009).

Nessa perspectiva, as festas religiosas sao compreendidas e investigadas na dimensao de sua (re)organizacao espacial e cultural. Alem disso, considerou-se ainda o significado identitario criado com a festa, pelas pessoas que participam e vivenciam esse momento, dai a selecao dos elementos culturais idealizados na vida cotidiana.

Objetivamente, levando em consideracao esse aporte teorico, a pesquisa que se segue, esta intencionada no ensejo de trabalhar com abordagens que subsidiem a analise das ocorrencias espaciais de duas praticas sociais: Cultura e Religiao. Em virtude disso, pretende-se contribuir para uma maior compreensao do objeto, Cirio em Sao Luis do Maranhao.

Pantoja (2006) ao realizar um estudo geografico minucioso referente ao Cirio de Nazare, embasado sobre categorias como, fe, espaco e economia, constituiu um importante avanco para os estudos da Geografia da religiao, bem como para Geografia Cultural, servindo como precursora para o desenvolvimento desse trabalho. Na intencao de que os estudos nessa area prosperem cada vez mais no campo da geografia, conduziu-se a investigacao para efervescencia da devocao e os simbolismos, tomando como estudo o Bairro do Cohatrac, localizado na Cidade de Sao Luis, no Estado do Maranhao, abordando-a a partir do vies culturalreligioso, levando em consideracao a organizacao a partir de irradiacao de festejo homonimo na Cidade de Belem, no Estado do Para.

As festas podem ser estudadas pela Geografia buscando revelar as diferentes escalas espaciais com as quais se relacionam, geralmente compreendidas a partir de sua territorializacao. Pode-se estuda-las, tambem, como um fenomeno universal ou local, como expressao de uma dada sociedade, levando-se em consideracao as particularidades. Estas sao, entretanto, apenas algumas perspectivas de estudos, ja que ha uma multiplicidade de sentidos em cada evento, podendo ser estudadas pela Sociologia, Antropologia, Historia, dentre tantas outras ciencias, cada qual com suas diferentes contribuicoes (FERREIRA, 2003).

A historia da devocao a Virgem Maria e bastante antiga, ela se encontra manifesta no tempo e no espaco, mesmo nao tendo documentos legais de como se originou. Acredita-se que "Senhora de Nazare" pode ser a primeira denominacao dada a virgem e atraves dos seculos, multiplicaram-se as pinturas, esculturas, imagens e manuscritos exaltando a mae de Jesus Cristo. O culto a Virgem de Nazare em terras portuguesas teve inicio no ano de 1179, quando chegou a Portugal a primeira imagem da Virgem, creditada sua escultura a Sao Jose, na Palestina, no inicio do primeiro seculo, que, em virtude das perseguicoes muculmanas em terras espanholas, Dom Rodrigo propoe ao monge Ciriaco fugir para Portugal, o qual sendo um cristao fervoroso, decide levar com ele a imagem da Virgem de Nazare (FONSECA, 2013).

A promocao dessa manifestacao e agenciada a partir de bases identitarias diversificadas, gerando circuitos e fluxos que convergem para um ritual complexo e difuso, tencionando o papel dos atores sociais e religiosos locais, que buscam se apropriar desse bem religioso e devocional, promovendo eventos que complementam a dinamica da festa. Tais apropriacoes evidenciam agenciamentos e conflitos que extrapolam a esfera religiosa propriamente dita, mas gravitam em torno da centralidade ritual da Festa do Cirio de Nazare, formando assim, um campo multifacetado em torno desses eventos, firmando um imperativo social de desempenho que orienta os projetos dos atores, e esses agenciamentos da religiosidade (LOPES, 2011).

Como essas manifestacoes populares se referem em geral a historia e aos mitos (celebracoes e datas civicas, colonizacao, ou ainda fenomenos religiosos, como aparecimento de santos, milagres, etc.), e praticamente impossivel falar nelas sem recorrer a estes temas. Especialmente no Brasil, formado por uma riquissima diversidade cultural, o tema festa inevitavelmente nos remete a sua genese no periodo colonial, como festa de carater singular a exemplo das Festas de Nossa Senhora da Achiropita em Sao Paulo, do Senhor do Bonfim na Bahia, do Divino Espirito Santo no Maranhao, do Cirio de Nazare em Belem, e muitas outras, compostas por contribuicoes negras, indigenas e europeias que somaram ao modelo de festa (religiosa) que colonizadores portugueses aqui implantaram. (AMARAL, 1998)

Considerando as nuances do espaco social, e da base religiosa fortemente catolica no estado do Maranhao, observamos que com o passar dos anos, houve um exponencial crescimento da Festa do Cirio de Nazare no Bairro do Cohatrac. Surgiram entao, inquietudes quanto as transformacoes decorrentes desse crescimento e seus desdobramentos no bairro. Alem disso, a investigacao, dentro do vies geografico atrelado a vertente cultural, considerando os motivos que impulsionaram o festejo a se espacializar dentro deste bairro, norteiam esse trabalho.

Neste sentido, o Cirio tem sido historicamente objeto de estudos em diferentes enfoques, no contexto de compreensao desse evento como devocao de religiosidade e de identidade local e regional (ALVES, 1980; MAUES, 1995). Autores como Amaral (1998), Pantoja (2006), e Lopes (2011), se dedicaram ao estudo do Cirio de Nazare em suas teses de doutoramento, alem de Matos (2010), Silva (2011), Conceicao (2012), Passos (2013), e Frugoli e Bueno (2014) que tambem se debrucaram sob o fenomeno.

Historia do Cirio de Nazare na cidade de Sao Luis--MA

No inicio da decada de 1990, Dom Paulo Ponte, arcebispo de Sao Luis, enviou para o bairro Cohatrac o Padre Jose Braulio Sousa Ayres com finalidade de organizar os trabalhos para elevar a comunidade catolica do Cohatrac a Paroquia. Vieram acompanhando os seminaristas Josimar Pinheiro e Benedito Araujo. Coordenava o Conselho Pastoral Comunitario o Senhor Ivaldino Fonseca Esposito1 a quem coube tambem a missao de auxiliar o padre nessa tarefa, tornandose o primeiro Coordenador do Conselho Paroquial depois de haver-se criada a Paroquia (SEMEADOR, 2017).

No ano de 1992, o Cirio de Nazare de Belem do Para estava completando 200 anos de historia tendo entao se promovido uma peregrinacao com a imagem de Nossa Senhora de Nazare pelas capitais brasileiras. Ao receber o convite para acolher o evento, o entao arcebispo metropolitano de Sao Luis, Dom Paulo Eduardo de Andrade Ponte, consultou o vigario-geral da arquidiocese, na epoca o Padre Jose Braulio Ayres, sobre o local onde pudesse acontecer a visita, e o mesmo, que ja estava responsavel pela criacao da Paroquia, reclamou para si o evento por ser esta comunidade tambem dedicada a Senhora de Nazare.

Confirmada a visita, toda a arquidiocese se mobilizou na preparacao para a visitada imagem, divulgando e solicitando ajuda, pois ainda com suas poucas liderancas, nao podia preparar sozinha a recepcao. Segundo relatos, os casais paraenses que faziam a peregrinacao ficaram impressionados com a recepcao feita a imagem e declararam ter sido um momento unico de efervescencia da fe, e prometeram assim, enviar de presente a nova paroquia uma replica da imagem da Virgem de Nazare que esta em Belem, e propuseram a comunidade que se realizasse na cidade de Sao Luis tambem o Cirio de Nazare, proposta logo aceita pelo paroco e por todos da comunidade (PNSN, 2017).

Acompanhada por uma multidao de fieis, calculada em cerca de 30 mil pessoas segundo a Policia Militar, o Cirio comecou as 07:30 da manha, saindo da Igreja de Nossa Senhora do Perpetuo Socorro no Bairro da Cohab2, percorrendo a Avenida Jeronimo de Albuquerque em direcao a Igreja Nossa Senhora de Nazare no bairro Cohatrac. Segundo o Sr. Esposito, o clima foi de tranquilidade. Acompanharam os festejos tres carros de som, que ajudaram a animar com canticos e oracoes, e um carro do corpo de bombeiros, que transportou a imagem, tendo a frente Dom Paulo Ponte e mais vinte representantes do clero maranhense.

Segundo reportagem do Jornal "O Imparcial" publicada em 29 de junho de 1992 (Ano LXVI. N[degrees]20.489. Cidade, p. 07), os devotos de Nossa Senhora de Nazare em Sao Luis realizaram o mesmo ritual do Cirio de Belem, e alguns deles descalcos, pagaram suas promessas atraves da penitencia de acompanhar todo o percurso da procissao, segurando tambem a corda que protegia a imagem. A maioria dessas pessoas mesmo aos empurroes, calor e cansaco, nao soltaram da corda, pois muitos deles estavam agradecendo a Nossa Senhora de Nazare as gracas alcancadas, consideradas por eles verdadeiros milagres.

Antes da missa de encerramento foram realizadas tres paradas, uma em frente a maternidade Marly Sarney3, no Bairro da Cohab, onde Dom Paulo Ponte segurando a imagem realizou a cerimonia da bencao da saude; a segunda em frente ao supermercado da extinta rede Lusitana, no Bairro do Cohatrac (atualmente uma unidade de rede de farmacias), com a bencao dos alimentos; e a terceira na porta de uma escola publica, localizada ao lado da igreja Matriz, tambem no Bairro do Cohatrac, com a bencao da educacao.

A caminhada durou cerca de duas horas (o percurso da visita da Imagem esta na figura 1), ao termino foi celebrada missa na rotatoria do cruzamento das avenidas Leste-Oeste com Norte-Sul, presidida por Dom Paulo Ponte, e concelebrada por varios padres da arquidiocese, finalizando a celebracao, com a bencao do arcebispo a multidao, com a imagem de Nossa Senhora de Nazare.

Atraves do relato descrito, podemos entender uma das maneiras de constituicao desse espaco sagrado que agrega valor sagrado, pois e nele e por ele que os fieis Nazarenos assumem uma relacao simbolica. A partir do momento em que a festa se inicia, as praticas devocionais assumem maior destaque dentro desses espacos, uma vez que alem da igreja, se faz necessario dar uma atencao especial tambem aos itinerarios realizados pela imagem desde sua chegada a cidade de Sao Luis (romaria e procissoes), alem do local onde e realizada a celebracao de encerramento do festejo.

Desse modo, a romaria do Cirio de Nazare refaz o percurso realizado pela Imagem no ano de 1992 e a grande procissao, que marca o dia do encerramento do festejo, e realizada no mesmo dia da procissao na cidade de Belem --PA, que ocorre no segundo domingo de outubro.

Organizacao espacial da festa do Cirio

Muitas cidades e povoados no Brasil surgiram e se formaram a partir de uma capela que de alguma maneira contribuiu para o povoamento e organizacao espacial, influenciando diretamente na localizacao da sede de muitos municipios, nas atividades economicas e na formacao social. Assim, muitas dessas cidades brasileiras tem em sua genese a igreja como protagonista, e em algumas cidades a funcao religiosa permanece ainda impregnada no espaco urbano, continuando a influenciar decisivamente na configuracao espacial, na economia local e no comportamento de individuos ou grupos de pessoas (ROSA, 2007).

Baseado nos estudos de Rosendahl (2008), o espaco sagrado apresenta tres naturezas, podendo ser fixo, movel, ou imaginalis, nos limites do espaco sagrado e que se localiza o espaco profano, no qual nao existe interdito do sagrado, pois a relacao entre esses e subjetiva e a passagem de uma area profana a um lugar sagrado em alguns casos se constitui pela pratica do "sacre facere", ou seja, fazer o sagrado, atraves dos ritos devocionais de sacrificio. As procissoes, os simbolos, os mitos e as falas sagradas sao criacoes do grupo religioso no lugar, e o tempo da realizacao de seus cultos religiosos sao organizados com liberdade ilimitada de tempo-espaco.

O espaco sagrado do Cirio de Nazare no Bairro do Cohatrac pode ser definido como nao fixo, conforme denominado por Nora (1989), uma vez que esses espacos moveis se referem aos itinerarios simbolicos e procissoes realizadas em locais da cidade. A extensao territorial do Cohatrac e os mais de 100.000 habitantes existentes nele fizeram do Bairro um dos principais da capital Sao Luis (FREIRE; DINIZ, 2006).

No periodo da festa e das procissoes, o cotidiano se (re)organiza ao redor da igreja, montando-se uma estrutura para atender as necessidades dos visitantes e fieis, uma vez que o Cirio e marcado por um grande movimento de pessoas, principalmente aos finais de semana e quando ocorrem as principais procissoes (Grande Procissao e a Romaria). Assim, o Bairro pode ser dividido em dois periodos distintos: o periodo do Cirio (Tempo da Festa) e o periodo sem Cirio (Tempo comum).

O espaco do Cirio, por sua vez, pode ser identificado tambem dois espacos distintos: a igreja, no qual encontram-se os principais espacos sagrados, e o outro, o da praca Nossa senhora de Nazare, a frente da igreja, que concentra as principais atividades comerciais da festa onde se observam as principais mudancas no espaco urbano e no cotidiano local.

Em virtude disso, e possivel afirmar que a grande procissao e o apice do Cirio, pois esta etapa marca o encerramento do festejo e reune o maior numero de pessoas, na qual o primeiro espaco sagrado a ser visitado pelos devotos, visitantes e curiosos e a Igreja de Nossa Senhora do Perpetuo Socorro, local de partida da Imagem. E comum ver as pessoas assistirem a celebracao de joelhos, rezando, chorando, cantando e louvando, sem se importarem com a presenca de estranhos e de outras pessoas, caracterizando um momento de contato inicial com a santa, de oracoes, pedidos e agradecimentos.

As primeiras demonstracoes de fe comecam assim, dentro da igreja, que recebe muitos devotos fazem desde muito cedo para assistirem o comeco da celebracao liturgica. Do lado de fora os que nao conseguiram chegar para a celebracao se concentram ao redor da igreja e pela avenida que comeca a ser interditada as 15 horas. A saida da Imagem de dentro da igreja e sempre muito aplaudida e muito tumultuosa tambem, devido a grande quantidade de pessoas que se aglomerou para arriscar uma maior proximidade com a imagem.

Durante o trajeto e possivel observar uma multidao que se desloca de suas casas para as vias, para contemplar a passagem da santa, aplaudindo e cumprimentando aqueles que optaram por acompanhar o trajeto. Enquanto isso na avenida Nossa Senhora de Nazare, no Cohatrac, os moradores e os que nao foram acompanhar a procissao desde sua saida, se preparam e enfeitam a cabeceira das ruas, com teloes, replicas da imagem, baloes, modelos vivos, a espera da Imagem.

O espaco que a procissao ocupa e cercado por uma corda segurada pela equipe de apoio e dentro desta area seguem em caminhada os sacerdotes, diaconos e integrantes da comissao organizadora, alem de cadeirantes, idosos com dificuldades de locomocao e criancas especiais. Nos moldes de Belem, foi tambem introduzido na grande procissao a corda (mais grossa que a que circunda a berlinda), com dezenas de metros. Na cidade de Sao Luis assim como em Belem, ela tambem e disputada para ser tocada e carregada, pois sao inumeros os devotos que veem neste gesto uma forma de pagar por gracas alcancadas, ou simplesmente um ato de devocao.

O arranjo espacial do sagrado no Bairro do Cohatrac (Figura 2) e definido tambem por dois elementos fundamentais: o ponto fixo e a area circundante. O ponto fixo se constitui da igreja de Nossa Senhora de Nazare, na qual ocorre a hierofania, ou seja, o espaco sagrado propriamente dito (manifestacao do sagrado), pois por ali passam centenas de devotos todos os dias, agregando significados especiais e valores qualitativos para o evento. A area circundante, ao entorno, definida pela praca em frente a igreja (atualmente sob os cuidados da Paroquia) e destinada as celebracoes liturgicas no periodo da festa, se constitui como elementos espaciais secundarios, com funcao religiosa, pois ali sao realizadas praticas religiosas especificas integradas ao roteiro devocional dos fieis como assistir a missa.

Esse espaco Sagrado Secundario e um espaco nao definido como de segunda categoria ou de poder inferior, contudo, o termo secundario se aplica aos fixos que apresentam momentos nao permanentes de sacralidades, e sim a partir de tempos estabelecidos pelo evento religioso do Cirio. A figura 2 foi elaborada com o intuito de melhorar a compreensao dos lugares e sua qualificacao no Bairro do Cohatrac.

Em relacao a configuracao do espaco profano diretamente vinculado ao espaco sagrado, pode-se identificar tambem parte da mesma praca, pois alem de celebracoes especiais que acontecem, nela tambem localiza-se a parte festiva do Cirio, com as barracas de lanches, artigos religiosos, variedades como bibelos, bijuterias, brinquedos, e tambem e onde se monta uma enorme quantidade de barracas ambulantes que vendem produtos de artesanato, santos, bebidas diversas, alem de brinquedos inflaveis, pula-pula, cama elastica, e barracas de tiro.

No espaco profano indiretamente vinculado ao espaco sagrado, aparecem as funcoes direcionadas aos moradores com pouca relacao com o espaco sagrado, constituido das areas residenciais, comerciais e de lazer, dos servicos de saude, educacao e financeiro, sendo que suas formas espaciais expressam o perfil da comunidade local. O comercio permanente localiza-se ao longo da Avenida Nossa Senhora de Nazare que em sua maioria fecha as portas, excecao aos bares e restaurantes localizados mais proximos a igreja.

Existe tambem uma escola publica denominada Padre Newton Pereira ao lado da Igreja, separada pela rua, cujo muro lateral e cedido para vendedores ambulantes montarem barracas. Encontrase tambem um posto de saude, Salomao Fiquene, ao lado da praca, algumas agencias bancarias situadas na Avenida Nossa Senhora de Nazare e mesmo nao possuindo hoteis por perto e bem grande o numero de pessoas que se hospedam em casas de amigos e parentes no proprio bairro. Desse modo uma grande area esta diretamente vinculada aos espacos sagrados, area essa que se transforma e se (re)organiza em funcao do Cirio, no tempo sagrado, tornando o devoto o principal agente dessa mudanca.

Ainda no espaco indiretamente vinculado, as ruas localizadas na parte de tras da praca, a exemplo das ruas 1, 2, 3, 4, e a Travessa Central do Cohatrac I, sao destinadas para estacionamento de veiculos, na ocasiao do Cirio Cultural, e o 13[degrees] Distrito de Policia, localizado a poucos metros da igreja.

Ja no espaco remotamente vinculado muitas residencias ganham uma nova funcao e viram apoios para organizacao da festa, a exemplo do enfeite nas cabeceiras das ruas, que e realizado todos os anos para a passagem da imagem no dia da Grande Procissao, alem de hospedarem pessoas e promoverem um encontro festivo entre amigos e conhecidos que comem, bebem e louvam ao som dos hinos.

Foi possivel observar que durante o tempo da festa, o espaco do Cohatrac e (re)modelado e o cotidiano ganha novas caracteristicas e significados. As peregrinacoes que recebem grande quantidade de fieis e a visita de curiosos tornaram o local um centro convergente, que demandam servicos de alimentacao, fotografia, e a comercializacao de mercadorias diversas como camisas, CDs, brinquedos, imagens de santos, tercos, fitas de bracos, dentre tantas outras coisas, transformando tambem diferentes areas em locais de encontros, de festa, de descanso, de promessas, ampliando a oportunidade de negocios e garantindo um aumento da renda para diversas pessoas da populacao local, que montam suas barracas e comercializa seus produtos com os devotos de Nossa Senhora de Nazare.

Difusao e abrangencia da festa do Cirio_

A dimensao religiosa no lugar, aparece principalmente nas procissoes e nas celebracoes, momento ritual no qual a devocao e comum ao conjunto de catolicos que acompanham todas as etapas. O interesse religioso apresenta-se diluido em todas as dimensoes da festa, ainda assim, os representantes principais sao os membros da paroquia que, ao experimentarem um contato mais imediato com sua Santa e com os que compartilham da mesma devocao, estabelecem uma relacao caracterizada, em sua maior parte, pela reciprocidade (MAUSS, 2003).

Os espacos sagrados constituidos pelo Cirio, com todos os seus simbolos e significados religiosos induzem o movimento de visitantes de varias partes da cidade, atraindo-os pela sua forca sagrada e simbolica, porque muitos deles veem esses espacos e simbolos como uma referencia importante para demonstrarem toda sua religiosidade e devocao, principalmente aqueles crentes que tem como principal caracteristica religiosa o catolicismo popular.

Com base na concepcao de Maia (1999) as festas do catolicismo popular consistem em manifestacoes culturais que apresentam duracao efemera e transitoria, perdurando por algumas horas, dias ou semanas. Nesse sentido, a realizacao da festa do Cirio de Nazare tem se tornado um evento socio-cultural da grande complexidade quanto a sua organizacao, congregando os mais diferentes segmentos da sociedade e abrangendo varias escalas espaciais.

O fato e que centenas de pessoas, de varias partes da Cidade de Sao Luis, principalmente do entorno do Cohatrac, se deslocam todos os anos para as procissoes e para a romaria, motivados pela fe e pelos significados religiosos dos espacos sagrados existentes na cidade, numa demonstracao de devocao e crenca que chega, as vezes, a ultrapassar os limites territoriais do Estado do Maranhao (a Figura 3 mostra os municipios influenciados que puderam ser identificados), como afirma o padre Flavio Collins:

O Cirio, pra falar de abrangencia, nos implantamos o Cirio de Nazare em Humberto de Campos, em Morro dos Caboclos, em Trizidela do Vale e ai entao quando a gente vai implantar quer dizer que vem um grupo aqui, entao tem essa troca de experiencia, a gente vai la e eles vem aqui. A gente visitou bastante Riachao. Nao implantou o Cirio porque la ja tem um festejo antigo de Nossa Senhora de Nazare, mas entao vai uma comissao pra la e vem um grupo de la pra ca tambem. E alem do mais a gente visita, agora assim, visita muitas paroquias. Ano passado nos visitamos as paroquias que nos chamamos da area rural do Estreito dos Mosquitos, pra la de Santa Rita ate Santo Amaro, entao, com uma visita, deixei a imagem em um final de semana, passa a semana la, no final de semana seguinte eles vao, entao isso depois traz gente pra ca, como devotos, com uma participacao ativa nao, mas como devotos sim. A abrangencia vai muito mais alem do que se pensa: Diocese de Brejo, Sao Benedito do Rio Preto, Tutoia, Caxias (INFORMACAO VERBAL, 2016).

Nessa expansao para o interior do estado, a partir do ano de 2013 a imagem peregrina visitou paroquias de algumas dioceses do interior do Maranhao como, Balsas, Caxias, Coroata e Viana.

Vale lembrar que apesar dos devotos de diferentes regioes, cidades, e bairros se encontrarem no Cirio, esse fato nao lhes atribui um carater essencialmente homogeneo, pois as vivencias e experiencias de cada pessoa sao unicas, particulares ou, no maximo, com uma coletividade restrita a um pequeno grupo. Assim, os significados e valores que cada pessoa atribui aos espacos sagrados e as suas praticas devocionais o tornam diferente, marcando a heterogeneidade do grupo.

Desse modo, a Cidade de Sao Luis assim como a cidade de Belem podem ser consideradas centros de convergencia de crentes e tambem area de difusao ou irradiacao de valores religiosos cristaos. Para Santos (2004, p.410), atracao e difusao "[...] sao forcas que, embora de sentido oposto, nao sao contraditorias, antes se fortalecendo reciprocamente e tornando mais poderoso o nucleo religioso para que convergem ou de que emanam, respectivamente [...]"

Em virtude disso, a difusao espacial da devocao a Nossa Senhora de Nazare no Cohatrac em Sao Luis, leva em consideracao tambem a organizacao institucional do catolicismo em relacao a cidade e outros municipios do Estado do Maranhao, difusao que se pode ver na figura 4.

Nessa figura a area 1, refere-se as comunidades ao entorno, ligadas a paroquias e que possuem grande vinculo e participacao no festejo, alem de casas, escolas e postos de saude do birro. A area 2, refere-se aos demais bairros da cidade que possuem uma participacao menos direta, mas muito importante na etapa da Romaria, uma vez que a imagem e acolhida por algumas dessas comunidades, alem de instituicoes publicas estaduais e municipais. A area 3 refere-se a outros municipios do estado, onde a Paroquia esta trabalhando na implantacao do Cirio, como foi relatado pelo Padre Flavio.

Outra estrategia de difusao adotada pela paroquia e o chamado Pre-Cirio, que se iniciou no ano de 2002 por ocasiao do decimo ano de realizacao do Cirio em Sao Luis, por iniciativa da Pastoral Liturgica. Em seu primeiro ano essa caminhada durou 49 dias, e foram visitadas 26 paroquias, asilos, hospitais, penitenciarias, casas de passagem e orgaos publicos.

Em 2007, pela comemoracao do 15[degrees] aniversario do Cirio, essa peregrinacao voltou a acontecer, incluindo agora a area rural da Arquidiocese atraves de uma caminhada que se iniciou no mes de julho e terminou em setembro. A partir do dai as peregrinacoes passaram a ser realizadas anualmente, cujas visitas da imagem acontecem sempre nos meses de agosto e setembro, periodo que antecede o inicio do novenario.

Para divulgar o Cirio de Nazare no Cohatrac, "Festa da Luz", alem das visitas da imagem da Virgem de Nazare de casa em casa, das missas de ruas, das peregrinacoes na capital e interior do Estado, faz-se tambem as peregrinacoes em oito escolas do Bairro. A proposta e envolver as escolas nas celebracoes e no ambito cultural do festejo, inclusive propondo as escolas participarem das noites culturais.

Desse modo, comungando com as ideias de Rinschede (1985), se reconhece uma organizacao espacial altamente formal no Bairro do Cohatrac, onde os limites da area de abrangencia sao fornecidos alem do comportamento dos peregrinos, pelos lugares sagrados e pela localizacao caracteristica dentro deles, pelas atividades auxiliares associadas aos peregrinos ao redor do local, pelas funcoes, como o comercio ambulante, e venda de artigos religiosos relacionados aos peregrinos, bem como pela acao coordenada da paroquia, de alcance as escolas, instituicoes, outras paroquias e outros municipios.

Consideracoes finais

Apresentar a importancia das vivencias espaciais atraves das praticas religiosas como objeto de estudo, ritualizados e simbolizados nas festividades de Nossa Senhora de Nazare no bairro Cohatrac em Sao Luis do Maranhao, exigiu tambem a analise da interacao das caracteristicas, dos diversos aspectos e dos elementos que compoem esse evento no contexto do sagrado e do profano. A busca pelas origens deste festejo religioso reafirmam a forca simbolica que e a razao profunda da existencia dessas manifestacoes populares de celebracao que a cada ano os fieis procuram renovar.

As pesquisas e analises desenvolvidas nesse trabalho contribuem para compreensao da atuacao da cultura na (re)construcao da identidade social de determinados grupos, e como podem interferir geograficamente nas relacoes socioespaciais, atraves das acoes e comportamento cotidiano. Mediante o contexto apreendido do Festejo de Nossa Senhora de Nazare, associado a evolucao da consolidacao do evento, a abordagem permitiu o entendimento de toda a conjuntura diretamente ligada a realizacao da festa.

Analisar as manifestacoes religiosas do Cirio no espaco urbano do bairro do Cohatrac, juntamente com todo o seu mecanismo de espetacularizacao, as conexoes existentes que corroboram com a producao de bens simbolicos, e o fortalecimento dessas relacoes atraves do sagrado e do profano, permitiu visualizar um rompimento com o cotidiano, sejam eles pequenos, medios, grandes, locais ou nao, alem de um movimento da coletividade impulsionada pelas cerimonias religiosas, onde grupos se reunem para celebrar, se reafirmando periodicamente, atraves da devocao Nazarena, da festa e dos ritos, que possuem a funcao primordial de sempre atualizar o tempo religioso.

A fisionomia que o bairro Cohatrac apresenta no tempo festivo e impressionante, pois a grande massa populacional que circula no espaco do Cirio extrapola exponencialmente o da populacao local habitual. Todavia, e importante ressaltar que o bairro, no periodo nazareno, exerce outra funcao, a religiosa, e apos este periodo volta ao cotidiano em seu tempo e ritmo.

Porem, e durante o Cirio que o espaco sagrado ganha maior significado e se torna mais importante para os devotos, pois nele sao revividos os fatos hierofanicos, reafirmando a existencia e a presenca da fe em um Deus como ser superior e uma figura intercessora como a de Nossa Senhora. O espaco/tempo sagrado tem o poder de aproximar, com maior intensidade, o homem religioso de sua crenca, dessa forma, valorizando suas vivencias e praticas religiosas.

Desse modo, o sagrado, neste caso, recria o espaco, tornando-se um elemento importante de (re)producao do espaco. Os devotos Nazarenos se tornam agentes modeladores e consumidores do espaco sagrado, impondo uma (re)organizacao espacial nos tempos sagrados, ou seja, durante as festas religiosas e nos periodos de procissoes-romaria, (re)organizando os espaco pelos seus simbolos e seus significados, evidenciando o sentido de lugar imanente e fornecendo elementos importantes sobre a dimensao espacial do sagrado.

Em virtude do que se apreendeu nesse estudo, o Cirio de Nazare, enquanto fenomeno social e um evento de natureza religiosa que congrega uma multiplicidade de ritos e representacoes que perpassam diferentes dominios, os quais, por sua vez, nao se limitam ao plano do sagrado. Ele (o Cirio) e festa no sentido mais amplo da palavra e que, contemporaneamente, entrosam religiosidade com aspectos da vida pratica cotidiana, articula diferentes perspectivas culturais e simbolicas e mecanismos de identidades.

A Festa merece ainda novas abordagens, uma vez que ainda existem outras dimensoes envolvidas, alem das que tangemos aqui. A partir das informacoes obtidas, atraves dos atores e da observacao participante na festa, alguns caminhos foram abertos, muitos trilhados outros nao, nao sendo possivel trazer todos nesse trabalho, mas que possibilitam novos olhares, bem como investigacoes de outras realidades geograficas.

Notas

* Claudio Eduardo de Castro e professor adjunto III da Universidade Estadual do Maranhao, coordenador da pos-graduacao em Geografia, Natureza e Dinamica do Espaco, doutor em Geografia pela UNESP-PP.

** Marlon Marcos Pereira de Sousa e mestre em Geografia pela Universidade Estadual do Maranhao, professor de ensino superior na Bahia e pesquisador em Geografia Cultural.

(1) O Sr. Ivaldino Esposito foi o primeiro Coordenador Comunitario e Paroquial da igreja de Nossa Senhora de Nazare no Bairro do Cohatrac, participando efetivamente do processo de constituicao da Paroquia e o principal responsavel pelo recebimento da Imagem na Cidade de Sao Luis.

(2) A cooperativa Habitacional Brasileira--Cohab foi criada a partir dos planos de moradia da decada de 1970, pela Companhia de Habitacao de Habitacao Popular do Maranhao e posteriormente financiado pelo extinto Banco Nacional de Habitacao--BNH. Posteriormente o bairro veio a se transformar em um conglomerado urbano Cohab--Anil, com os conjuntos Cohab Anil I, II, III e IV

(3) O hospital maternidade Marly Sarney pertence a rede estadual de saude do Maranhao, esta localizada em uma das principais Avenidas de Sao Luis, a Jeronimo de Albuquerque, situada no Bairro da Cohab Anil. Com data de fundacao em 1974, esta unidade e considerada uma das mais importantes unidades de alto risco do Estado.

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CLAUDIO EDUARDO DE CASTRO *

MARLON MARCOS PEREIRA DE SOUSA **

Caption: Figura 1: Programa de Visita da Imagem de Nossa Senhora de Nazare em Sao Luis. Fonte: Paroquia Nossa Senhora de Nazare, 1992.

Caption: Figura 2: Arranjo Espacial do Bairro do Cohatrac. Fonte: Confeccionado a partir da base GoogleEarth.

Caption: Figura 3--Abrangencia do Cirio no Maranhao. Fonte: Elaborado pelos autores.

Caption: Figura 4: Difusao Espacial das areas de devocao do Cirio de Nazare a partir do Bairro do Cohatrac em Sao Luis. Fonte: Elaborado pelos autores.
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Author:De Castro, Claudio Eduardo; De Sousa, Marlon Marcos Pereira
Publication:Espaco e Curtura
Date:Jul 1, 2016
Words:5957
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