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THE COLOR LINE: INTERVIEW WITH RANE SOUZA/A LINHA DA COR ENTREVISTA COM A INTERPRETE RANE SOUZA.

Introducao

"Aqui, uma mulher negra nao vale nada". A frase ficou ecoando na cabeca da premiada escritora ruandesa Scholastique Mukasonga apos recente visita ao Brasil. Mukasonga ressalta o numero de vezes em que fora alertada sobre a falta de seguranca no Brasil e como ser mulher negra implica ser alvo de racismos e racistas em todo lugar (Mukasonga, 2019).

No pais com indice de representatividade de mulheres (todas) no parlamento comparavel ao do Oriente Medio--9,5% contra 22,5% da media mundial (Chade, 2015) e onde a igualdade de genero no executivo so deve ser atingida no ano de 2038 para o cargo de prefeita e so em 2068 para o cargo de governadora (Ranking de presenca feminina no poder executivo--PMI 2018, 2018: 3), em termos de representatividade, as mulheres negras sao a minoria da minoria. O racismo estrutural faz com que mulheres pretas e pardas sejam mantidas na base da piramide politica, social e economica brasileira.

Politicamente, apenas 0,18% dos prefeitos eleitos sao mulheres negras, apesar de as mulheres negras representarem 21% dos votos validos na ultima eleicao presidencial (idem 3).

Socialmente, em relacao a taxa de homicidio, enquanto a de mulheres brancas recuou 10% entre 2003 e 2013, a de mulheres nao-brancas aumentou mais de 50% (Silveira & Sito, 2018). As mulheres pretas e pardas sao tambem as que mais sao vitimas de violencia e morte no parto: 60% das vitimas de mortalidade materna sao pretas e pardas (Laura, 2018).

No ambito economico, as mulheres nao-brancas, apesar de serem as primeiras a ingressar no mercado de trabalho--na condicao de empregadas domesticas--, sao as ultimas a se aposentar e as que recebem o menor salario. Com um bolo tributario composto por impostos sobre o consumo (ao contrario do dos paises com menores inidices de desigualdade social, onde se tributa a renda em oposicao ao consumo), a mulher negra e a que proporcionalmente mais paga imposto no Brasil, ja que e obrigada dispor de praticamente toda sua renda para sobreviver--comprar alimentos e generos de subsistencia.

Rane Paula Morais Souza, conhece muito bem a realidade brasileira: "Sou perseguida por agentes de seguranca--policiais e segurancas particulares--todos os di-as em lojas e estabelecimentos comerciais.", disse durante o IX Congresso Internacional da Associacao Brasileira de Tradutores (Abrates) realizado em junho de 2018 no Rio de Janeiro. Unica interprete mulher negra associada a Abrates (Dorali, 2018), Rane Souza foi convidada a falar sobre representatividade. Para ela, falar na Abrates representou uma oportunidade de "propor uma reflexao coletiva sobre o impacto do racismo institucional na nossa profissao" (Rissatti & Souza, 2018: 20).

Rane compartilhou o palco com outro tradutor negro, Pete Rissatti. Cientes da dimensao de sua missao, no seio de um grupo de profissionais major itariamente brancos no contexto de um pais com mais de 500 anos de historia racista. Diante dos dados apresentados sobre a populacao negra no Brasil, na plateia, "o silencio se instalou" (Rissatti & Souza, 2018: 20). O perfil "tradicional" dos interpretes de conferencia no Brasil e o de pessoas que nao so frequentaram os melhores cursos particulares de linguas estrangeiras, mas tambem tiveram oportunidades de realizar intercambio e/ou morar no exterior com a familia por periodos significativos.

Quantos interpretes de conferencias ha cujas familias nao tiveram condicoes de arcar com um curso de ingles? Ate conhecer Rane, nao tinha conhecido nenhum.

Rane Paula Morais Souza, nascida em abril de 1983, teve que estudar ingles por conta propria valendo-se de sua criatividade durante o ensino fundamental. Mais tarde, formou-se em Letras pela PUC Minas em 2006. O primeiro curso de traducao que fez foi o Daniel Brilhante de Brito no Rio de Janeiro (20082009). A formacao em interpretacao veio um pouco depois, em 2011, no Brasilis. Desde a graduacao, e professora de ingles e de portugues para estrangeiros e continua investindo na carreira de interprete para "fazer a transicao definitiva para traducao e interpretacao".

Esta entrevista ocorreu no inicio de julho de 2016 na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, na Av. Paulista, em Sao Paulo, no intervalo do EPIC English, curso de pratica de cabine e lingua para interpretes oferecido por David Coles e Ulisses Carvalho, com organizacao da Lingua Franca, comandada por Marilia Aranha e Renato Geraldes.

Faz cinco anos que Rane comecou a trabalhar de forma mais consistente com traducao e interpretacao, em ingles e portugues. Para todos os interpretes iniciantes, a progressao pela demanda de servicos de interpretacao nao costuma ocorrer da noite para o dia. Rane ja passou pelo crivo dos primeiros cinco anos e agora esta trilhando o caminho do proximo quinquenio para se tornar uma interprete experiente.

Alem dos dois cursos de interpretacao mencionados, Rane tambem fez o HIIT em Curitiba, ministrado por Raquel Schaitza e pretende fazer o 12b de Marcelle Castro no Rio. Segundo Rane, a formacao continuada e necessaria pois representa profissionalizacao: "Negro precisa ser mais qualificado para 'evitar' questionamentos. E uma estrategia de sobrevivencia".

Outra estrategia de sobrevivencia e o Programa Abrates Afro, idealizado e coordenado por Rane Souza, com o objetivo criar possibilidades para que outros interpretes atravessem a "linha da cor'" (Du Bois, 1903; Franklin, 1993) ao menos profissionalmente, promovendo maior presenca negra na profissao de interprete, pois "se nao se nomeia uma realidade, sequer serao pensadas melhorias para uma realidade que segue invisivel" (Ribeiro, 2017)

Este impulso de Rane ecoa a celebre frase de Angela Davis: "Eu nao estou mais aceitando aquilo que eu nao posso mudar. Estou mudando aquilo que nao posso aceitar".

Nesta entrevista, a terceira de uma serie com interpretes negros (Carvalho Fonseca, 2017, 2018), Rane nos conduz pelo racismo estrutural compartilhando e elaborando as complexidades de sua existencia e resistencia e ativismo.

LCF: Como voce aprendeu ingles?

RS: Quando eu era crianca, eu tinha muita curiosidade em aprender ingles. Eu falava com a minha mae que queria aprender e ela respondia: "Filha, nao tem como pagar o curso de ingles". Entao, respondi: "Ah, mae, vou dar um jeito e vou aprender". Como eu estudava em uma escola onde meus amigos frequentavam cursos de ingles mas nao gostavam muito, eu pegava os livros deles, com as fitas cassettes e fazia o dever de casa. Uma amiga fazia aulas as tercas e quintas, me entregava o livro dela na segunda, eu estudava, fazia o dever e devolvia. Ela levava pra aula na terca, na quarta me entregava de novo. Foi assim ate a oitava serie.

LCF: E durante o ensino medio?

RS: No ensino medio, continuei a estudar por conta propria, mas eu ja estava em uma escola que tinha uma biblioteca fantastica: o Centro Federal de Educacao Tecnologica (CEFET). Hoje o CEFET e um Instituto Federal. Fiz o ensino medio e o curso tecnico de edificacoes. Gostei muito do tecnico, mas acabei nao me firmando na area. Como eu tinha demanda por trabalho dando aulas de ingles, acabei fazendo Letras um ano depois de concluido o ensino medio, porque fui fazer o estagio tecnico. Gostava muito da area, mas o estagio foi em 2001, um ano muito dificil na economia brasileira. Nao tinha demanda de trabalho para tecnico de edificacoes, na area da construcao civil. Em 2003, eu ja estava fazendo Letras e feliz com a escolha. A construcao civil voltou a se movimentar em 2008, foi o auge. Eu me senti tentada a talvez voltar, mas acabou que eu foquei mesmo em continuar trabalhando com idiomas.

LCF: Qual foi a sua primeira experiencia como interprete simultanea? Como foi?

RS: Foi na Rio +20 e eu estava comecando. Minha companheira de cabine e eu fomos contratadas por uma empresa que venceu a concorrencia por menor preco. Eu tinha acabado de me formar no curso de interpretacao da Brasilis e ela estava no inicio da formacao. Eramos duas interpretes inexperientes.

LCF: Esta entrevista faz parte de uma serie com interpretes negros e parte da metodologia empregada e pedir indicacoes de outros interpretes para as proximas. Voce conhece outros interpretes que se identificam como negros?

RS: Sim. Henrique Cotrim, daqui de Sao Paulo, Pete Rissati tambem. Gabriela Nunes de Brasilia. No caso do Pete Rissati, ele e tradutor e trabalha com ingles, portugues, espanhol e alemao. Ele foi adotado por uma familia branca e comecou a se reconhecer como negro por volta dos 20 anos. Diferentemente de mim, ele e um negro de pele clara e isso pode fazer com que a pessoa nao se identifique como negra.

LCF: Como e ser mulher negra no Brasil?

RS: Em uma conversa com um colega sobre racismo nos varios estados, falamos das nossas impressoes no meio. O Rio sendo pior que Sao Paulo, no sentido de acharem que voce necessariamente esta fazendo um trabalho que sempre foi negado aos negros, um trabalho que demanda menos formacao. Eu nao conheco tao bem Sao Paulo, mas comparado a Minas Gerais, Belo Horizonte, onde fiz ensino medio e faculdade o Rio e muito mais tranquilo. Eu passei por situacoes de cuspirem em mim na rua, em Minas. No Rio nao, ali o racismo aparece de outras formas. Principalmente em estabelecimentos comerciais. Sempre que vou a uma loja, ao supermercado, ha um seguranca te observando. Isso e diario.

Quando preciso ler um rotulo na farmacia, por exemplo, as vezes vem um fiscal me observar. Atualmente, eu vou e entrego o produto pra ele e peco pra ele ler pra mim os ingredientes. Eu ate falo, "Entao, vamos aproveitar que o senhor esta me seguindo pra fazer alguma coisa para ajudar, ne? O senhor poderia ler o rotulo pra mim?". E muito cansativo mas, faz parte. Em Minas, como eu ja disse, acontecem coisas piores como em alguns supermercados, onde voce precisa deixar suas coisas num guarda volumes se for entrar.

Eu tenho ainda outro problema: me encaixo no estereotipo de 'mulata tipo exportacao'. Em Copacabana, ja aconteceu de eu estar pagando uma conta nas lojas Americanas e um gringo atras de mim me oferecer um programa. Ir a praia sozinha no Rio e um problema tambem. O racismo se manifesta de muitas formas. Outra vez em Copacabana, eu estava dando uma entrevista pra um jornalista dinamarques sobre racismo e alguns funcionarios do restaurante acharam que eu tava usando o restaurante como ponto de programa. Quando o entrevistador foi ao banheiro, um garcom veio me chamar atencao, falou: "Olha, isso aqui nao e pra isso nao." Respondi, "Moco do que voce esta falando?" e ele "O, vai rodar a bolsinha em outro canto". Em seguida eu falei, "Eu estou dando uma entrevista".

LCF: Ninguem mais fez nada?

RS: Metade dos funcionarios do restaurante eram negros. Alem disso, todo mundo em volta ja estava olhando a interacao na minha mesa. Contei ao jornalista que me entrevistava e ele disse "E dificil de acreditar". Na mesa ao lado, havia outro rapaz dinamarques que tava com a esposa brasileira, e a familia da esposa. Este dinarmaques puxou assunto com o jornalista porque o viu falando ao telefone em dinamarques.

O jornalista entao perguntou ao dinamarques na outra mesa: "Eu percebi que voces todos estavam olhando muito pra ca. Por que?". A resposta foi: "Minha esposa e a mae dela estavam achando que voce tinha contratado uma prostituta". Portanto, a cena foi percebida da mesma forma nao so pelos funcionarios negros mas pelos proprios clientes.

LCF: Voce mencionou Minas Gerais algumas vezes. Quanto tempo voce morou la?

RS: Eu cresci em Coronel Feliciano, Vale do Aco, em Minas Gerais, onde morei ate os 15 anos. Dos 15 aos 25, morei em Belo Horizonte para onde me mudei com meu irmao para estudar no CEFET. Depois que me formei pela PUC-MG, fiquei ainda mais dois anos na cidade. Eu ja tinha vontade de trabalhar como tradutora so que me faltavam as ferramentas e eu trabalhava em uma escola de ingles la, onde so me deixavam dar aula para alunos de nivel basico. Nunca me ofereciam as aulas de nivel intermediario. Quando me formei, ja estava trabalhando com professora de ingles ha dois anos e meio e percebi que enquanto eu estivesse naquela escola e em Belo Horizonte eu ia ser a eterna professora de criancinha. Pensei, ja que eu quero ver coisas diferentes, fazer coisas diferentes, eu preciso sair de Belo Horizonte. La eu ainda fiz o processo seletivo da Cultura Inglesa varias vezes. Eu passava na prova, passava na entrevista, mas na hora de conseguir turma, nao me davam retorno.

LCF: Voce foi aprovada em mais de um processo seletivo?

RS: Sim. Passava todo o processo, todas as vezes: foram tres vezes.

LCF: Voce atribui isso ao racismo?

RS: E uma possibilidade, mas eu nao tenho provas materiais para apontar que foi racismo. Uma vez chegaram a me convidar para o treinamento, o qual eu fiz, mas depois nunca entraram em contato. Por outro lado, quando cheguei ao Rio, fui aprovada no primeiro processo seletivo da Cultura Inglesa e comecei a trabalhar na sequencia. Depois de um tempo, acabei saindo para trabalhar em uma escola de Business English que pagava um pouquinho melhor e eu conseguia conciliar com o curso de traducao. Depois, passei a dar aula particular e a investir na area da traducao mesmo.

LCF: Em uma conversa previa, voce mencionou um colega de profissao que passou a se identificar como negro apos os vinte anos de idade. E voce? Quando voce se descobriu negra?

RS: Houve um breve momento que eu tentei negar a minha identidade. Foi aos seis anos. Viajamos a praia. Foi a primeira vez que fui a praia e la ficava sentada na areia, tomando sol o dia inteiro. Sem sol, meu tom de pele e amarelado assim. Mas depois que eu voltei do Espirito Santo, eu estava naturalmente muito mais escura. Estava uns cinco tons mais escura que esse tom agora. Ao me ver, uma amiguinha me disse: "Nossa, voce esta tao preta!". Eu respondi: "Nao sou preta, estou queimadinha de sol". Cheguei em casa e comentei com a minha mae. Na hora, ela me disse: "Filha, voce e preta, sim". Como minha mae e uma mulher de pele muito escura e por mais que eu tenha a pele um pouco mais clara, tenho todas as caracteristicas de negro muito marcadas: o cabelo, o nariz, os labios, portanto, eu nunca, mesmo quando eu queria fugir dessa identidade nao me foi possivel.

LCF: E como era na escola?

RS: Minha mae fazia questao de pagar uma escola particular para a gente. A escola que eu e meu irmao estudamos era particular e de 300 criancas, 4 eram negras. No CEFET havia cerca de 10 alunos negros na turma de 40. La era um pouco melhor, mas mesmo quando eu queria fugir dessa identidade, na escola, havia todo tipo de apelido: "macaca", na adolescencia por causa da acne, os apelidos eram "anticristo", "choquito". Havia tambem as musicas. Todo dia alguem cantava para mim uma musica do Chiclete com Banana que fala em "meu cabelo duro".

LCF: Como voce lidava com a situacao?

RS: Eu era muito brava quando pequena, entao eu batia em todo mundo. Minha mae falava, "E, fez muito bem.". Por conta disso, quando pequena, nao desenvolvi estrategia inteligente para lidar com o racismo. Foi na adolescencia e na juventude que passei a desenvolver estrategias melhores. O que eu fazia principalmente na adolescencia e no inicio da faculdade era ler muito a respeito do racismo. Percebia que alguns dos colegas negros com quem eu convivia em sala tinham consciencia racial zero. Eu sempre corri atras de leituras e atraves delas me firmei.

LCF: Essas leituras tiveram a participacao de sua mae tambem?

RS: Nem tanto. Apesar de minha mae sempre ter tido uma postura muito forte de combate ao racismo, foi mesmo na faculdade que desenvolvi pesquisa sobre literatura afro-brasileira e literatura africana. Durante a pesquisa, lidamos com varios textos dissecando o racismo, as peles negras, as mascaras brancas. Em 2003, comecei a fazer essas leituras. Uma marcante foi O Atlantico Negro de Paul Gilroy (2001) que analisa o mundo pos-colonial. Essas leituras estavam vinculadas a meu projeto de pesquisa de Iniciacao Cientifica em literatura afro-brasileira e literatura africana.

LCF: O que voce pesquisou na Iniciacao Cientifica?

RS: Minha pesquisa foi sobre a representacao no negro na literatura do seculo 19. Verifiquei que a representacao da epoca era completamente estereotipada e que pouco difere da representacao que hoje assistimos na tv. Ou seja, mudou a midia que naquela epoca eram os jornais, folhetins e romances, mas nao mudou a representacao da pessoa negra.

LCF: Quais livros voce indicaria a um(a) jovem interprete negro(a)?

RS: "Um defeito de cor" (2006), da Ana Maria Goncalves, um romance de mais de 900 paginas. E um livro muito bom principalmente para aqueles que se consideram mesticos, pardos, e para aquela pessoa que pensa "E, eu nao sou tao negro assim" ou ainda "Eu nao preciso lidar com essa questao." No Brasil, a gente tem a tendencia de achar que o racismo e uma questao com a qual apenas os negros tem que lidar, mas se trata de uma questao com a qual todos nos, como sociedade, temos que lidar. A situacao do racismo e tao grave, e eu digo que e grave porque ja se passaram 130 anos do fim da escravidao e, em termos de estrutura social, a mudanca foi muito pequena. Ha uma pesquisa da Oxfam que preve que negros e brancos vao ter equiparacao de renda em 2089 se nada mudar. Ou seja, diante da gravidade todos nos precisamos de iniciativas, politicas publicas e iniciativas institucionais tambem, da sociedade civil, das associacoes ...

LCF: Voce foi recentemente convidada pela direcao da Associacao Brasileira de Tradutores (Abrates) para falar do racismo no Brasil no XI Congresso Internacional, ocorrido no Rio em 2018. Como foi a experiencia? O que voce considerou importante destacar?

RS: O convite partiu do Ricardo Sousa, atual presidente da Abrates, e do Willian Casemiro, presidente anterior.

Ricardo Sousa em uma ocasiao se aproximou de mim e disse: "Eu reparo que nas redes sociais voce tem uma postura muito militante com relacao ao combate ao racismo. Voce nao gostaria de falar sobre o assunto no proximo congresso da Abrates?". Respondi que adoraria. O convite oficial foi feito juntamente com o Willian e fui convidada para falar sobre a interface do racismo com o nosso mercado e sobre a situacao em que o interprete--ou tradutor--e contratado por ser negro ou porque vai trabalhar com um publico negro. Fiquei sabendo que eu falaria juntamente com outro tradutor negro, Pete Rissati, com o qual me reuni para alinharmos nossos recortes. Pete estruturou sua fala em tres pilares basicos: intolerancia religiosa, discriminacao a LGBTs e racismo institucional. Ele falou muito de empatia e que para sermos capazes de superar o racismo a empatia e chave, empatia na profissao como um todo, empatia com os novatos.

Na minha fala optei por abordar o racismo institucional, porque eu teria a possibilidade de usar dados de varias instituicoes pra dar suporte ao meu argumento. Comecei falando que o racismo estrutural esta em todos os cantos, na padaria a que voce vai todo dia, nas aulas de capoeira que voce faz, na sua familia. Procurei demonstrar que precisamos combater o racismo que esta nas estruturas do governo, operando para que o negro nao atinja uma insercao saudavel na sociedade. Me vali de minha experiencia pessoal e relatei que quando eu era pequena sempre pensava, por que o problema continua se a escravidao "acabou". Quanto mais fui estudando sobre a persistencia do racismo tanto estrutural quanto institucional, passei a perceber que o Estado e a sociedade como um todo trabalham para que as estruturas nao mudem. Na sequencia, mencionei que a abolicao foi feita em 13 de maio de 1888, mas em 1890 quando foi lancado o codigo civil, a pratica da capoeira era crime, assim como a pratica das religioes afro-brasileiras. A capoeira foi criminalizada ate 1937, ou seja, expressoes da cultura afro-brasileira eram utilizadas como estrategia para prender e criminalizar negros apos o "fim" da escravidao.

Abordei tambem a eugenia como politica de estado usando um trecho de uma das constituicoes brasileiras. Citei o caso dos meus pais, pois sou filha de pessoas que, na escola, por serem criancas negras, tinham que sentar atras das criancas brancas. Minha mae frequentou escola publica no interior de Minas, em Mesquita. Ja o meu pai morava muito longe da escola e ia a pe para a escola. Meu pai tem 68 anos e e analfabeto funcional. Ele assina o nome dele mas le com muita dificuldade. Recentemente, visitei meus pais em maio e fiz uma lista de compras para o meu pai. Com a letra cursiva, escrevi alho e ele trouxe milho. Quando ele era mais novo, tenho a impressao de que ele memorizava, nem lia a lista, trazia tudo certinho.

LCF: Quais as outras historias seus pais relatam da escola que frequentaram?

RS: Meu pai conta que as professoras davam as respostas paras criancas brancas e nao davam para as criancas negras. O mais grave aconteceu com a minha mae que quando ela chegou ao final da quarta serie, ela queria continuar estudando, mas a diretora da escola falou que so podia matricular no quinto ano filho de fazendeiro. Ela parou de estudar e so voltou a estudar aos 24 anos. Minha mae teve filhos mais tarde, porque se ela tivesse tido filhos mais cedo ela nao teria voltado a estudar, nao teria mesmo.

LCF: Que outros dados que voce considera importantes em relacao ao racismo estrutural no Brasil?

RS: Como a imigracao europeia foi estimulado em detrimento da presenca dos africanos que ja estavam no Brasil. As politicas de branqueamento durante a ditadura militar. As politicas de assimilacao refletidas em, por exemplo, uma musica do Martinho da Vila que diz "Ah, se voce e preto casa com uma branca, se voce e branca casa com um negro'. Os dados sobre a disparidade de renda: a renda dos negros e 57% da renda dos brancos, que 63,7% das pessoas desempregadas sao negras, pretas ou pardas e dentro desse universo a grande maioria sao mulheres negras. E sao essas mulheres que muitas vezes sao responsaveis pelo sustento da familia. Tudo isso e resultado das questoes estruturais. Ha reflexos do racismo ate nos indices de transplante de pancreas: 93% das pessoas que recebem transplante de pancreas no Brasil sao brancas e se voce considera que a populacao brasileira e composta por 54% de pretos e pardos, percebe-se que ha algo de muito errado. Na saude, as consultas de mulheres negras no pre-natal sao mais curtas que a de mulheres brancas, as mulheres negras recebem menos anestesia, a violencia obstetrica e maior, a mortalidade materna e maior. No quesito violencia: 77% das pessoas assassinadas sao homens negros entre 15 e 24 anos, a chance de uma pessoa negra ter uma morte violenta e 158% maior que de uma pessoa branca. Ha dados mais positivos. Hoje, 34% das pessoas ingressando em uma faculdade, esse numero e de 2016, se consideram negras. Nos ultimos anos, o governo do Partido dos Trabalhadores tem tomado iniciativas para tentar possibilitar acesso da populacao negra a educacao superior. A lei das cotas e um exemplo exitoso. O estatuto da equidade racial, aprovado em 2010, tambem e exemplo. A lei da obrigatoriedade do ensino da historia afro, africana e afro-brasileira e outro. Ha varias iniciativas positivas tambem, mas e necessario adesao da sociedade e das instituicoes como um todo (1).

LCF: E o que uma instituicao como a Abrates poderia fazer?

RS: Tenho um projeto que ainda esta em estagio embrionario. Abrates Afro e uma iniciativa que contribuira para divulgar a profissao de interprete que ainda e muito desconhecida do grande publico. A ideia seria divulgar a profissao para estudantes de ensino medio e estudantes de graduacao em Letras. E muito comum as pessoas associarem a faculdade de Letras exclusivamente a formacao de professores. Assim, divulgar a profissao por meio de palestras, oficinas, workshops para o publico negro que tenha interesse em se tornar tradutor ou interprete, de modo a fomentar que esses profissionais possam no futuro ser os tradutores dos conteudos que lhes interessa. Por exemplo, a Netflix tem algumas series que trabalham muito a questao negra. Nao conheco a equipe de legendadores envolvida, mas sera que ha legendadores negros envolvidos? E os demais autores negros que chegam ao Brasil? Quem traduz? Por exemplo, a Chimamanda Ngozi Adichie e traduzida por uma tradutora do Rio, eu nao a conheco pessoalmente mas ela e uma tradutora branca. Nao estou julgando a qualidade da traducao dela, mas apenas questionando a falta de representatividade de tradutores negros em trabalhos de autores negros, decorrente do racismo estrutural que nao permite--ou dificulta ao extremo--que negros se formem tradutores ou interpretes.

LCF: Essas acoes que voce menciona sao todas voltadas para fora da Abrates, como se a associacao ja tivesse uma consciencia de que ha racismo, ha preconceito. Voce acha que essa consciencia ja existe por partes dos colegas?

RS: Acho que os membros da diretoria com quem eu conversei possuem a abertura necessaria para pautar a inclusao racial, mas nao podemos ser ingenuos a ponto de considerar que todos os associados vao aplaudir a iniciativa. Por outro lado, ha colegas fora da associacao que podem ser parceiros em potencial e podem contribuir para a formacao de interpretes negros. A iniciativa ira precisar de recursos. Este curso que estou fazendo hoje, EPIC da Lingua Franca, sou mais uma vez a unica interprete negra de cerca de 15 inscritos. Seria interessante se no futuro proximo a Abrates Afro pudesse oferecer uma bolsa de 50% pra que um interprete negro pudesse fazer o curso.

LCF: Talvez seja interessante entrar em contato com aqueles que oferecem o curso para ver se ha a possibilidade de doar ou disponibilizar uma gratuidade (2) para um interprete negro indicado pela Abrates Afro, por exemplo.

RS: Sim, isso seria tambem uma possibilidade, mas considerando que haja resistencia, que a iniciativa tambem possa arcar.

LCF: Voce espera resistencia?

RS: Vai haver resistencia certamente. Uma pessoa que eu conheco, um tempo apos minha fala da Abrates, me falou por WhatsApp que considerou minha atitude vitimista. Perguntei em que parte. Pensei que tivesse sido quando eu me emocionei ao comentar que nunca tinha feito intercambio. Em uma situacao normal eu jamais teria chorado ao falar sobre isso, mas a oportunidade de falar a meus colegas de profissao mexeu muito comigo. Mas, nao, ela disse eu fui vitimista quando mostrei os dados e a historia. Respondi que os fatos, as estatisticas e a historia sao comprovados e que se ela nao foi capaz de perceber como as pessoas negras sao afetadas por eles ate hoje e melhor nem continuarmos a conversa. Em seguida, ela me acusou de ser oportunista, que eu estava querendo me promover e entrar no mercado por causa da minha fala. Felizmente sei que me estabelecer e uma questao de tempo e que tenho condicoes de continuar a desenvolver minhas habilidades. Agora, para as outras pessoas negras como eu que ainda consideram a traducao e a interpretacao um sonho, sao essas as pessoas que precisam de ajuda. Pessoalmente, estou encaminhada. Em outra situacao, o nome Abrates Afro foi criticado por uma colega negra. Ela mesma relata sofrer preconceito de colegas brancos, afirmando que os colegas a tratam como se fosse "empregada domestica". Na opiniao dela, o nome Afro geraria mais divisao e seria melhor algo como Abrates Diversidade. Infelizmente, penso que um nome desses apenas tapa o sol com a peneira. Pois, o termo afro reconhece a validade historico-social do termo raca--diferentemente de reconhecer a existencia de racas humanas--e valoriza nossa ancestralidade.

LCF: Apesar desse relato de resistencia, soube que sua fala foi muito bem recebida. Quais foram os pontos positivos?

RS: De fato, conversei com outras pessoas que assistiram que me disseram que gostaram muito. Uma colega de BH disse: "Mesmo para uma pessoa branca que se tenta ter uma atitude progressista nao foi facil ouvir aquilo". Para mim, tambem nao foi facil falar.

LCF: Ainda em relacao a Abrates Afro, quando voce fala que nunca fez intercambio eu percebo sua dor, mesmo porque praticamente todos nossos colegas interpretes tiveram alguma experiencia no exterior, em muitos casos quando jovens. Essa oportunidade esta muito distante da populacao negra. Assim, como atrair negros para a profissao se nao tiverem a oportunidade de estudar uma lingua estrangeira?

RS: Uma das barreiras que os negros enfrentam e de fato a falta de acesso. Falta de acesso as coisas basicas em muitos casos. Para evidenciar as barreiras, na minha fala na Abrates fiz o jogo do privilegio antes de apresentar os numeros, pois os numeros sao frios. Como eu sabia que a plateia que ia me ouvir seria 90% branca, adaptei o jogo do privilegio e pedi que dessem um passo a frente ou um passo atras a cada comando. O jogo completo aborda questoes de genero, economicas, raciais e mais. Fiz apenas o recorte racial com dez voluntarios e apenas 20 comandos em vez dos 50 originais. Dos 20 comandos, 10 seriam para dar um passo a frente e 10 um passo atras. Antes de comecar, dentre os voluntarios, pedi que pelo menos dois fossem pessoas negras.

Durante o jogo, uma colega do rio, neta de politico, dos 10 comandos de um passo a frente, deu 10 e dos 10 comandos de um passo atras, nao deu nenhum. Entre os comandos estavam: se voce cresceu numa casa com uma biblioteca com mais de 50 livros, de um passo a frente; se voce cresceu em uma casa de um comodo, de um passo atras; se voce ganhou viagens ou intercambios de presente da sua familia, de um passo a frente. Neste ultimo, todos os voluntarios brancos deram um passo a frente.

LCF: Nenhum dos negros deu passo a frente?

RS: Um deles deu, o outro nao. Outros comandos foram: se voce pode contar com a ajuda da sua familia no caso de dificuldade financeira, de um passo a frente; se voce ja passou por uma situacao de discriminacao no trabalho em que fizeram piada do seu cabelo ou da sua pele, de um passo atras. Neste ultimo comando, so os negros deram um passo atras. No meio do jogo, Maria Paula estava emocionada.

LCF: Havia negros na plateia?

RS: Cheguei a brincar com este assunto. Falei que iriamos fazer o teste do pescoco. Coloquei a foto do congresso da Abrates de 2013 que foi em Belo Horizonte. A unica negra na plateia era eu. Em seguida, convidei todos a olhar para a plateia de 2018 e perguntei quem se considerava negro. Cerca de tres pessoas levantaram a mao. Foram os interpretes de LIBRAS. Entre os interpretes de LIBRAS, os negros sao maioria segundo um pequisador da Universidade Federal de Pelotas.

LCF: Imagino que por se tratar de um congresso de uma associacao profissional nao houvesse tantos academicos na plateia. Havia?

RS: Havia alguns, mas nao eram maioria. Interessantemente, um pesquisador do Mato Grosso mencionou comigo que sentiu falta de teoria critica na minha fala. Como eu conhecia bem o perfil do publico, respondi que precisava criar uma estrategia pra atingir o pubico que estava la e que nao seria adequado usar termos como feminismo marxista ou feminismo interseccional, por exemplo. Ou ainda falar algo como "a luta contra o racismo e estrategia da luta contra o capitalismo". As pessoas nao iriam me ouvir e iriam desligar na hora. Ja o jogo do privilegio toca todos em sua experiencia e a partir dela cada um consegue perceber a diferenca, ou seja, o racismo que nao sofrem.

LCF: Uma ultima pergunta em relacao a Abrates Afro. Trata-se de uma iniciativa so para interpretes negros ou interpretes brancos que apoiam a causa podem fazer parte?

RS. No momento, a maioria das pessoas que demonstraram interesse em apoiar a iniciativa sao pessoas brancas e agradeco todas. Porem, e importante que o protagonismo seja e permaneca com os negros.

LCF: Fica entao o convite as pessoas que leram esta entrevista e que tenham condicoes de apoiar a iniciativa e/ou se identificam com ela entrarem em contato com voce.

RS: Reitero o convite. E um caminho bom porque, a identificacao identitaria e algo muito pessoal. Nao sao todas as pessoas de pele parda ou preta que se identificam como negros, portanto em relacao aos colegas a Abrates Afro nao ira atras de colegas negros, mas estara de portas abertas a recebe-los.

LCF: Rane, preciso te agradecer pela disponibilidade. Esta entrevista esta acontecendo no intervalo de um curso que voce veio fazer em Sao Paulo. Portanto, para irmos encerrando a entrevista, pergunto com que intuito voce busca fazer cursos na area da interpretacao?

RS: Na area da traducao e da interpretacao ha muitas pessoas que se tornam profissionais por acaso, sem formacao na area e passam a carreira sem ter feito nenhum curso formal. Entretanto, quando voce e negro as pessoas duvidam que voce e capaz de fazer um bom trabalho. Isso vale para qualquer area. E preciso estar muito bem qualificado para fazer aquilo a que voce se propoe. So neste ano de 2018, fiz o HIIT no inicio do ano e o EPIC agora. No ano que vem, pretendo fazer o HIIT novamente e explorar outros cursos tambem.

LCF: A profissionalizacao e a formacao continuada seriam 'estrategias de sobrevivencia'?

RS: Sim. Quer na area academica ou nao. Sao importantissimas porque um profissional negro em qualquer area e mais questionado e precisa demonstrar todos os dias que e competente. A formacao vai alem da questao da insercao no mercado. Trata-se de uma estrategia de sobrevivencia sim, pois todos os dias da sua vida profissional vao duvidar de voce por voce ser negro.

Palavras finais

E preciso trazer a tona algo que a versao escrita desta entrevista nao capta. Nao foram recuperadas as sutilezas racistas do contexto da entrevista, feita no cafe da Livraria Cultura do Conjunto Nacional, Sao Paulo. Os olhares vindos das demais mesas, os olhares das pessoas na fila do cafe e sobretudo os olhares lancinantes projetados sobre Rane pelos transeuntes na Avenida Paulista enquanto andavamos ate a Rua Pamplona. Todos os olhares acusavam que ela nao pertencia aquela geografia. Todos os olhares declaravam o apartheid que existe no Brasil. Se ha limitacoes territoriais, se ha espacos em que determinados grupos nao frequentam ou nao sao bem-vindos,--pouco importa se se trata de uma politica oficial explicita ou implicita--, ha segregacao, ha racismo, ha apartheid. Nao e mais possivel "tapar o sol com a peneira".

Referencias

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(1) Vale ressaltar que esta entrevista ocorreu no inicio de julho de 2018, portanto, antes do impeachment da Presidenta Dilma Rousseff. No contexto atual, o governo federal comandado por Jair Bolsonaro, acaba de assinar decreto liberando a posse de armas para a populacao brasileira. Especialistas apontam para a probabilidade de aumento de mortes violentas no pais que contabiliza 30,3 mortes por 100 mil habitantes, numero trinta vezes mais alto que o europeu (Atlas da Violencia, 2018).

(2) Interessados em apoiar o Programa Abrates Afro, entrar em contato com a entrevistada pelo email ranemoraissouza@hotmail.com

Luciana Carvalho Fonseca

Universidade de Sao Paulo (USP). Professora doutora do Departamento de Letras Modernas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciencias Humanas da Universidade de Sao Paulo. E-mail: lucianacarvalhof@usp.br
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Author:Fonseca, Luciana Carvalho
Publication:Revista Artemis
Date:Jan 1, 2019
Words:6239
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