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TEACHING AND LEARNING WITH MEMES: WHEN SUBVERSION AND RESISTANCE STRATEGIES VIRALIZE ON THE INTERNET ENSINAR-APRENDER COM OS MEMES: QUANDO AS ESTRATEGIAS DE SUBVERSAO E RESISTENCIA VIRALIZAM NA INTERNET/ENSENAR-APRENDER CON MEMES: CUANDO LAS ESTRATEGIAS DE SUBVERSION Y RESISTENCIA VIRALIZAN EN INTERNET.

1. Viralizando imagens/ideias atraves das redes sociais da internet: iniciando o debate

Produzir informacao e conhecimento passa a ser, portanto, a condicao para transformar a atual ordem social. Produzir de forma descentralizada e de maneira nao-formatada ou preconcebida. Produzir e ocupar os espacos, todos os espacos, atraves das redes. Nesse contexto, a apropriacao da cultura digital passa a ser fundamental, uma vez que ela ja indica intrinsecamente um processo crescente de reorganizacao das relacoes sociais mediadas pelas tecnologias digitais, afetando em maior ou menor escala todos os aspectos da acao humana (4).

Nelson Pretto e Alessandra Assis

A emergencia dos dispositivos moveis com acesso a internet (aparelhos telefonicos do tipo smartphone, tablets etc) vem permitindo as/aos usuarias/os usufruir de uma gigantesca rede de dados a qualquer hora e em praticamente qualquer lugar, favorecendo o intercambio de experiencias sociais mediadas pelas tecnologias digitais em rede (SANTAELLA, 2013). Nao mais permanecemos somente na posicao de meras/os receptoras/es de informacoes, pois com as possibilidades socio-tecnicas da internet hoje temos a chance de produzir e compartilhar variados tipos de arquivos (imagens, videos, sons etc) com outras pessoas geograficamente dispersas (LEMOS; LEVY, 2010). O consumo cultural das midias de massa nao permite aos sujeitos interferir/modificar o conteudo da mensagem, no entanto, a popularizacao do digital em rede vem abrindo amplas possibilidades para que possamos experimentar uma dinamicidade comunicacional que preve a interacao com outras/os internautas para alem da palavra escrita. Em uma perspectiva cotidianista, os praticantes culturais apropriam-se dessas producoes digitais ativamente, com a cibercultura oportunizando a (co)criacao colaborativa entre sujeitos, fazendo com que as ideias sejam "debatidas, confrontadas, tecidas e aprimoradas, com vistas a ir alem da condicao de consumidor de conteudos, passando tambem a criar, disponibilizar, discutir e compartilhar suas autorias em rede" (SANTOS; CARVALHO, 2018, p. 34).

As experiencias sociais contemporaneas, principalmente daquelas pessoas que se movimentam pelos grandes centros urbanos, sao constituidas da presenca abundante de imagens. Diariamente interagimos "com grandes outdoors, pinturas, desenhos, imagens capturadas pelas lentes das cameras fotograficas digitais e dos smartphones, imagens em movimento produzidas pela industria cinematografica, alem de inumeras outras" (COUTO JUNIOR, 2015, p. 40, grifos do autor). O acesso a internet somado ao custo cada vez mais baixo dos equipamentos digitais permitem que a producao e o compartilhamento de imagens deixassem de ser restritos as grandes empresas e passassem a ser mais popularizados (PRETTO, 2013). Com a emergencia das redes sociais online como Facebook e Instagram, a proliferacao de imagens digitais constitui hoje parte do cenario das praticas sociais mediadas pelo digital. As imagens produzidas e compartilhadas revelam "expressoes particulares, comunicam intencionalidade, sao testemunhas de mudancas ocorridas, indicam compreensao e visoes de mundo, registram momentos que ficam na memoria como os antigos albuns de familia. Elas circulam contando e recontando historias" (SANTOS; COLACIQUE; CARVALHO, 2016, p. 136). Afinal, por que(m) as historias sao (re)contadas e compartilhadas na rede?

Enquanto educadoras/es, cabe colocarmos em debate os efeitos discursivos de imagens digitais que vem se proliferando atraves das redes online e que sao responsaveis pela desqualificacao de corpos, generos e sexualidades comumente designados de anormais e estranhos. Cabe desconstruirmos esses enunciados discursivos veiculados pelas imagens-memes na tentativa de produzir pedagogias que sejam capazes de colocar em pratica o argumento central de que todos os corpos importam--e isso significa tornar visivel as experiencias sociais daquelas pessoas colocadas na condicao de seres abjetos com o objetivo de nos posicionarmos "politico e eticamente na celebracao dos modos perifericos de ser e viver" (COUTO JUNIOR; SILVA, 2018, p. 33). O sujeito abjeto tambem e designado como sendo aquela pessoa cujo corpo "'improdutivo', 'precario', 'bizarro', 'monstruoso' e 'desqualificado'" (POCAHY, 2012a, p. 370) apresenta inumeros desafios em todas as esferas da sociedade para ocupar um lugar social digno de ser-viver. Nao somos ingenuas/os ao acreditar que a "culpa" do aumento de toda violencia de genero ou de qualquer forma de preconceito e discriminacao seja das redes sociais da internet. As redes sao constituidas por pessoas de carne e osso que pensam, escrevem, opinam e participam ativamente de discussoes envolvendo inumeras questoes sociais. Por detras de cada comentario "raivoso" envolvendo questoes racistas, misoginas, gordofobicas e LGBTfobicas existe uma pessoa que esta produzindo e compartilhando ideias por meio do uso de algum artefato cultural com acesso a internet. Dito isso, se por um lado as redes sociais da internet podem ser consideradas enquanto um terreno fertil para a viralizacao de discursos preconceituosos/discriminatorios (RECUERO, 2013), por outro lado e atraves dessas mesmas redes que muitos usuarios vem encontrando brechas e formulando caminhos no combate as mais perversas formas de desqualificacao de determinados grupos de sujeitos que integram as chamadas "minorias" sexuais, de genero e etnico-raciais (COUTO JUNIOR; OSWALD, 2017).

Dentro do contexto acima mencionado, o presente texto busca lancar um olhar atento e critico para os arquivos imageticos produzidos e compartilhados pelas/os usuarias/os na Web, buscando refletir sobre a forma como os memes podem constituir-se enquanto potentes estrategias contemporaneas de subversao e resistencia as normas regulatorias de genero. Com esse texto assumimos o compromisso etico de nos engajarmos "no enfrentamento ao heterossexismo, ao racismo e outras formas arbitrarias e hierarquias sociais" (POCAHY, 2016, p. 292). Reconhecemos a forca politica das redes sociais online na criacao de estrategias de subversao e resistencia direcionadas no combate ao regime (cis)heterocentrado (5), com muitos memes auxiliando na promocao de praticas desconstrucionistas intermediadas pelo humor.

No contexto politico contemporaneo, precisamos reconhecer "a forca dos movimentos espontaneos em rede, cujos efeitos antes nao eram possiveis em uma sociedade caracterizada pela midia de massa. As proprias praticas de ciberativismo comprovam a forca dos meios digitais para a articulacao, mobilizacao e acoes politicas" (PRIMO, 2013, p. 17). Acreditamos que essas praticas sociais mediadas pelas redes online potencializam a construcao de novas perspectivas de vida que sejam promotoras de profundos questionamentos em torno das formas com as quais corpos, generos e sexualidades vem sendo governados pelo regime (cis)heterocentrado. Esse regime busca manter intacta a supremacia das (cishetero)normas ao operar incessantemente com a tentativa de "inscrever corpos, generos e sexualidades dentro de modelos binarios, restritos e universalizantes" (COUTO JUNIOR; OSWALD; POCAHY, 2018, p. 134). Na tentativa de apontar as fragilidades e contingencias das (cis)heteronormas, colocando em xeque o pensamento hegemonico que opera atraves da desqualificacao de todos os corpos que se distanciam das convencoes culturais hegemonicas, as/os internautas da era digital, ao engajarem-se em mobilizacoes politicas mediadas pelas redes sociais online, tem o potencial de se tornarem "capazes de inventar novos programas para suas vidas com as materias-primas de seu sofrimento, suas lagrimas, seus sonhos e esperancas" (CASTELLS, 2013, p. 14).

Sujeitos colocados constantemente na mira dos olhares (cishetero)normativos organizam-se em comunidades online dedicadas ao fortalecimento de suas/seus integrantes, buscando implicarem-se em questoes sociais voltadas para a luta contra o preconceito e a discriminacao (COUTO JUNIOR; OSWALD, 2017). Os memes apresentados e discutidos neste texto evidenciam "imageticamente aspectos da realidade, trazem em seu vies comico elementos para que a imaginacao recrie/reinterprete a realidade por ele representada" (SANTOS; COLACIQUE; CARVALHO, 2016, p. 138). Diante do exposto, como os memes da internet auxiliam na construcao de estrategias de subversao e resistencia as (cishetero)normas que regulam/governam corpos, generos e sexualidades? Como os memes nos convidam a pensar sob novos pontos de vista os acontecimentos sociais, virando de ponta a cabeca a ordem vigente que desqualifica determinados grupos de sujeitos? Nossa intencao com esse texto e fomentar reflexoes que sejam convidativas no questionamento as diferentes "formas de dominacao e hierarquizacao social, acionando argumentos politicos, sociais e culturais que se articulam na definicao da episteme do mundo--na definicao complexa das relacoes saber-poder" (POCAHY, 2011, p. 20, grifo do autor).

2. Memes: definicao e breve panorama historico

Passei por uns meninos que jogavam bola, e eles: "Olha la aquela mulher dos memes". To com 50 anos de carreira, trabalhei a vida toda para virar a "mulher dos memes" (6).

Renata Sorrah

O termo meme foi cunhado pelo zoologo Richard Dawkins ao fazer uma comparacao entre meme e gene na obra de sua autoria O Gene Egoista (1976). Torres (2016, p. 60) mostra que, na visao de Dawkins, meme seria a repeticao de habitos e costumes no contexto de "uma determinada cultura. Adaptado para a internet, especialmente para as redes sociais, o conceito de meme passa a ser uma 'unidade' propagada ou transmitida atraves da repeticao e imitacao, de usuario para usuario ou de grupo para grupo". Os termos viralizacao/viral, emprestados do campo biologico, tambem foram res-significados no contexto da cibercultura, remetendo tudo aquilo que se espalha rapidamente atraves da internet (TORRES, 2016). A infraestrutura tecnica da rede e bastante promissora para que os memes sejam compartilhados rapidamente pelas/os internautas atraves das redes sociais online.

Nossa intencao aqui nao e discutir o valor sociocultural dos memes no contexto brasileiro. Nos interessa perceber o fato de que mesmo a atriz Renata Sorrah tendo investido 50 anos em sua carreira, ser reconhecida na rua como a "mulher dos memes" indica o quanto as praticas sociais mediadas pelo digital em rede vem reconfigurando os processos de interacao com o outro na vida cotidiana. Interagir com as informacoes que circulam nas redes online e um verdadeiro convite para o que outras/os usuarios/as tem a (re)contar, com os memes apresentando "muitas formas de intertextos, dialogando permanentemente com a realidade tanto 'dentro' da internet, quanto 'fora' dela" (7) (SANTOS; COLACIQUE; CARVALHO, 2016, p. 154).

O que conhecemos como meme da internet hoje surgiu no final da decada de 1990 (TORRES, 2016). Ainda que seja bastante recente a emergencia dos memes no contexto das redes sociais online, trabalhos de diversas areas do conhecimento vem centralizando seus esforcos investigativos em torno da analise dos memes nas experiencias comunicacionais das/os internautas. Neste contexto, vale destacar estudos que ja se dedicaram a: a) investigar os usos dos memes na criacao publicitaria (SILVA; TOME; SILVA, 2013); b) discutir a criacao de uma tipologia inicial dos generos mais recorrentes na memesfera brasileira (OLIVEIRA NETA, 2017); c) pesquisar os usos dos memes na comunicacao mediada por computadores nas redes sociais online (SANTOS; COLACIQUE; CARVALHO, 2016; VOLCAN, 2014), incluindo esses usos em praticas sociais online contra questoes relacionadas a desigualdade de genero (PINEIRO-OTERO; MARTINEZ-ROLAN, 2016) e; d) fornecer um panorama da producao academica brasileira que focalizou a analise dos memes na comunicacao online (DIAS et alii, 2015).

Os memes geralmente sao constituidos com base em uma linguagem informal e humoristica, comumente viralizando informacoes produzidas por suas/seus autoras/es (VOLCAN, 2014). Promovendo o fortalecimento dos vinculos sociais e afetivos, os "memes funcionam como modos de sentir coletivos que geram, principalmente, humores e afetividades" (OLIVEIRA NETA, 2017, s/p, grifos da autora). Investigar os usos dos memes nas dinamicas comunicacionais na/da internet e um convite para que possamos colocar em pratica "processos de leitura dessas imagens envolvem concepcoes esteticas, ideologicas, culturais, nossos conhecimentos, modos de ver e compreender o mundo" (SANTOS; COLACIQUE; CARVALHO, 2016, p. 142-143). Frente a isso, cabe refletirmos sobre as possibilidades comunicacionais que emergem com o uso dos memes nas dinamicas interativos entre usuarias/os geograficamente dispersas/os.

Um dos casos mais notorios de viralizacao de memes no Brasil e o da personagem Nazare Tedesco na novela Senhora do Destino (2004-2005). Interpretada pela atriz Renata Sorrah, imagens de Nazare foram e vem sendo ainda muito utilizadas para a confeccao de memes, revelando o potencial criativo e humoristico das/os usuarias/os brasileiras/os (figura 1). Tamanha popularidade da personagem fez com que as/os usuarias/os criassem diversas paginas em redes sociais como o Facebook dedicadas a elaboracao e ao compartilhamento de memes de Nazare. Uma dessas paginas e a "Nazareth--a orientadora", com mais de 100 mil seguidoras/es, e que apresenta "Uma dose de humor para aqueles que fazem pesquisa! Sou Professora, Doutora, Pos Doutora, Pos-Pos Doutora e tenho vagas abertas para orientar TCC, M.A e Ph.D" (8). A pagina revela a (re)apropriacao da vila da telenovela no campo academico, evidenciando o quanto os memes produzidos e compartilhados na comunidade produz uma forma de pedagogia que coloca em pratica um certo modo de conduzir o trabalho das/os estudantes.

O aspecto viral dos memes evidencia o processo colaborativo das/os usuarias/os na (re)criacao de legendas e (re)edicao de imagens (figura 2). Caminhando com esse pensamento, nao ha como negar que devido ao "carater 'amador' em termos de recursos tecnologicos envolvidos em sua producao, os memes viabilizam a autoria dos/as usuarios/as da internet, que podem, eles proprios, criar e compartilhar sua versao do meme" (SANTOS; COLACIQUE; CARVALHO, 2016, p. 154).

A Universidade Federal Fluminense (UFF), instituicao localizada no Estado do Rio de Janeiro, vem desenvolvendo o projeto #MUSEUdeMEMES no curso de Estudos de Midia. O museu de memes (figura 3), fruto deste projeto, foi criado em 2015 com a intencao de preservar a memesfera brasileira. O webmuseu, o primeiro deste tipo no pais focalizado no acervo imagetico de memes, e constituido de uma ampla e rica producao cultural visual, de referencias bibliograficas (livros, artigos etc) importantes para uma melhor compreensao/leitura de mundo do fenomeno dos memes, alem de ofertar propostas educativas que incentivam as atividades de pesquisa e extensao ligadas a universidade fluminense (9).

Essa estreita relacao do museu com ativ'dades de pesquisa e extensao revelam o quao fecundas sao as possibilidades de ensinar-aprender que emergem dos usos dos memes nos processos interativos/afetivos/comunicacionais das/os usuarias/os. Os memes vem modificando nossa relacao com o mundo, afetando significativamente a constituicao dos processos de subjetivacao das/os usuarios de redes sociais. A forma como vimos utilizando as tecnologias digitais estao favorecendo a construcao de novas estrategias de interacao com outras pessoas e, com isso, promovendo "um certo modo de ver as coisas, interpretando e recriando o mundo de muitas e diferentes maneiras" (JOBIM E SOUZA, 2002, p. 77). Conforme analisamos a seguir, muitos memes podem se constituir enquanto estrategias subversivas de normas regulatorias responsaveis pela desqualificacao de corpos, generos e sexualidades, evidenciando a criatividade e o humor enquanto aspectos que favorecem a contestacao das normas e convencoes culturais.

3. Praticas de resistencia e subversao mediadas por memes: corpo, genero e sexualidade em debate

Partimos das contribuicoes foucaultianas e reconhecemos que a liberdade existe onde existe poder (FOUCAULT, 2004). As (cishetero)normas que regulam/governam corpos, generos e sexualidades necessitam de constante repeticao para se atualizarem, uma vez que "a (hetero)sexualidade, longe de surgir espontaneamente de cada corpo recem-nascido, deve se reinscrever ou se reinstruir atraves de operacoes constantes de repeticao e de recitacao dos codigos (masculino e feminino) socialmente investidos como naturais" (PRECIADO, 2014, p. 26, grifo nosso). Dessa forma, a partir das diversas brechas que se abrem cotidianamente temos a oportunidade criar estrategias de resistencia com o objetivo de colocar em suspensao as normas vigentes, desnaturalizando praticas historicamente tidas como "naturais". Algumas dessas estrategias incluem a confeccao de memes por internautas de todos os cantos do globo, cuja criatividade e anseio politico por mudancas atraves do questionamento do tempo presente sao motivadores para que essas informacoes digitais sejam produzidas e compartilhadas atraves de paginas do Facebook e de outras redes sociais.

O memes discutidos nesta secao do texto colocam em debate "o individuo/corpo 'planejado', desenhado, calculado, medido, sujeito a prescricao, tutela, correcoes, adaptacoes" (POCAHY, 2011). A analise interpretativa realizada sobre esses memes nao se esgota aqui, ate porque acreditamos no quanto as imagens sao capazes de "falar por si" e o quanto elas sao potentes na producao de sentidos de quem as le. A seguir discutimos alguns memes retirados das paginas "Cartazes & Tirinhas LGBT" (aproximadamente 700 mil seguidoras/es), "Cartazes & Tirinhas LGBT --Reserva" (aproximadamente 20 mil seguidoras/es), "Desanimado" (aproximadamente 75 mil seguidoras/es) e "que me transborde" (mais de 3 milhoes de seguidoras/es). A escolha desses memes ocorreu devido a popularizacao das comunidades no Facebook nas quais essas imagens foram compartilhadas, alem do fato de que tais imagens promovem reflexoes sociais ligadas aos corpos, generos e sexualidades, com enfase na critica a normatizacao da vida atraves do questionamento ao patriarcado, machismo, sexismo, misoginia.

Os movimentos sociais em rede no Brasil situam-se num contexto politico complexo, repleto de retrocessos sociais que vem mobilizando pessoas de diversas localidades do pais a se engajarem na luta contra as injusticas sociais (10). Nao existe uma "causa unica" de luta atraves das redes sociais, no entanto, precisamos concordar com Castells (2013, p. 8), para quem argumenta que os movimentos em rede sao motivados pela "humilhacao provocada pelo cinismo e pela arrogancia das pessoas no poder, seja ele financeiro, politico ou cultural, que uniu aqueles que transformaram medo em indignacao, e indignacao em esperanca de uma humanidade melhor". Inspirando-nos em Foucault, acreditamos que esses movimentos sociais agem diante de uma determinada correlacao de forcas, uma determinada forma de governamentalidade que e, constantemente, colocada em questao e disputa. Parece-nos importante uma reflexao sobre o processo de transformacao/questionamento da atual conjuntura socio-politica atraves de imagens que sao produzidas e colocadas em movimento/circulacao. Essas imagens ideias, ao serem difundidas na internet, convidam usuarias/os a questionar regimes de verdade que, historicamente, vem desqualificando modos de ser/estar no mundo.

A liberacao da palavra, ou seja, a possibilidade tecnica da rede que possibilita a producao e o compartilhamento de informacoes entre usuarias/os (LEMOS, 2010) evidencia o quanto os memes nos fazem (re)lembrar diariamente a potencia das micropoliticas cotidianas mediadas pelo digital em rede. Cabe um olhar sobre a "mobilizacao politica que nos conduz a possibilidade de circulacao das posicoes sobre o discurso das normas de genero e do exercicio da sexualidade, como possibilidades heterogeneas, nao naturais e tampouco culturalmente universais" (POCAHY, 2011, p. 27). Dito isso, que possamos aprender-ensinar com os memes as possibilidades de (re)criacao engendradas pelo digital em rede para desarmar discursos preconceituosos e discriminatorios que desqualificam os grupos de sujeitos que constituem as chamadas "minorias" sexuais, de genero e etnico-raciais.

O enfrentamento as (cishetero)normas regulatorias vem ocorrendo atraves de intensos embates/discussoes que se difundem/viralizam pela internet. Os discursos de odio que se propagam pelo intenso compartilhamento de ideias que defendem o aniquilamento/silenciamento de determinados grupos sociais nao permanecem livres para reinarem supremos, pois se deparam com movimentos de resistencia que lutam a favor de novas esteticas de existencia. Os regimes de verdade colocam em funcionamento discursos normativos "que se organizam atraves da gestao da vida, controle, 'deciframento', incitacao do corpo, organizacao espacial e institucional, toma particularmente a sexualidade como dispositivo eficaz nos jogos de prescricao e de controle" (POCAHY, 2012b, p. 52). Questionar regimes de verdade que regulam/governam corpos, generos e sexualidades vem sendo o papel de muitos memes, elaborados com a intencao de alertar as/os usuarias/os das inumeras situacoes cotidianas que se constituem enquanto graves problemas sociais (homofobia, racismo, misoginia, para citar alguns), nao so no Brasil.

No que se refere a representacao e a forma como ela funciona em relacao a humanizacao e a desumanizacao, Butler (2011, p. 27-28) destaca que "ha imagens triunfalistas que nos dao a ideia do humano com que devemos nos identificar, como por exemplo o heroi patriotico que expande as fronteiras de nosso ego euforicamente ate que se encontre com aquela da propria nacao". Frente aos dizeres de Butler, cabe reiterar no contexto deste trabalho que nem todas as imagens-ideias que circulam amplamente-livremente atraves das redes sociais online vao ao encontro de uma perspectiva "humanizadora", por isso a necessidade encontrada por tantas/os usuarias/os de (re)criar memes capazes de nos inspirar a refletir sobre o tempo presente atraves da criacao de estrategias de subversao e resistencia mais "humanizadoras". Que essas estrategias imageticas possam denunciar os discursos de odio responsaveis pelo esfacelamento e esvaziamento de nossa humanidade ao naturalizar a ideia de que nem todo corpo importa e nem toda "morte [e] passivel de ser lamentada" (BUTLER, 2011, p. 28).

Os memes tem nos sugerido que e possivel "abrir brechas para novos planos de experimentacao e producao de subjetividade que tem paixao pelo devir e nao temem o caos e aquilo que e estranho" (COUTO JUNIOR; OSWALD; POCAHY, 2018, p. 136), especialmente quando eles denunciam os discursos de odio e as "personagens" da vida cotidiana que colocam em funcionamento o ato irresponsavel de hierarquizar/desqualificar grupos de sujeitos. Que o regime (cis)heterocentrado possa ser desestabilizado pelas imagens ironicas, sarcasticas e comicas dos memes atraves do questionamento das premissas regulatorias que fundamentam/atualizam o patriarcado, machismo, racismo e a misoginia na cultura nacional. Nesse sentido, acompanhamos com entusiasmo a profusao e potencia dos memes para subverter as dinamicas sociais, fomentando amplas e criativas praticas educativas mediadas pelo digital em rede que formam e fazem circular nocoes mesmas de rede e de autoria (em/na/ com rede).

4. O que podemos aprender-ensinar com os memes? Algumas palavras inconclusivas

Acompanhar a producao e o compartilhamento de memes na internet significa acompanhar alguns fluxos das tramas discursivas da vida online envolvendo topicos variados. Ao retratar momentos cotidianos de vidas/personagens que representam as chamadas "minorias" sexuais, de genero e etnico-raciais, os memes apresentados neste texto possibilitam perceber algumas estrategias de resistencia que denunciam o processo de desumanizacao dos grupos colocados na condicao de precariedade/vulnerabilidade. O pensamento de Butler (2011) nos convida a refletir sobre uma quantidade significativa de vidas cuja humanidade sao constantemente ameacadas. Essas vidas, ao ganharem destaque nos processos comunicacionais em/na rede atraves dos memes, trazem a tona a necessidade de, enquanto educadoras/es, colocarmos em pratica uma reflexao atenta sobre o planejamento de estrategias de resistencia no enfrentamento a onda conservadora crescente no Brasil e no mundo que busca desqualificar/normatizar corpos, generos e sexualidades.

O humor e o carater ironico dos memes so podem ser analisados tendo em vista a necessidade de situar essas imagens-ideias num determinado tempo e espaco. Conforme nos lembra Fischer (2003, p. 373) a partir do pensamento foucaultiano, palavras e coisas "tem uma relacao extremamente complexa, justamente porque sao historicas, sao construcoes, interpretacoes; jamais fogem a relacoes de poder; palavras e coisas produzem sujeitos, subjetividades, modos de subjetivacao". Dessa forma, a recente popularizacao do digital em rede nas interacoes sociais vem apontando para o quanto a historia mediada por imagens/dizeres digitais que vimos construindo necessitam de maiores reflexoes para auxiliar no desafio de (re)pensar a complexa conjuntura sociocultural de um determinado tempo e espaco. Que essa analise do porvir seja capaz de nos fornecer instrumentos analiticos potentes para melhor compreender a proliferacao de discursos sintonizados com o regime (cis)heterocentrado e, ao mesmo tempo, seja capaz de mapear/tracar estrategias de enfrentamento e subversao a esse mesmo regime.

Referencias

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DOI: 10.12957/periferia.2019.36180

Dilton Ribeiro Couto Junior (1)

Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Fernando Pocahy (2)

Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Felipe da Silva Ponte de Carvalho (3)

Universidade do Estado do Rio de Janeiro

(1) Doutor pelo Programa de Pos-Graduacao em Educacao da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (ProPEd/UERJ). Pos-doutorando (bolsista PNPD/CAPES) no Programa de Pos-Graduacao em Educacao, Cultura e Comunicacao em Periferias Urbanas (PPGECC) da UERJ/FEBF. Membro do Grupo de Pesquisa Infancia, Juventude, Educacao e Cultura (IJEC) e do Grupo de Estudos em Genero e Sexualidade e(m) Interseccionalidades (Geni). E-mail:junnior_2003@yahoo.com.br

(2) Professor da Faculdade de Educacao e do Programa de Pos-Graduacao em Educacao da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (ProPEd/UERJ). Lider do Grupo de Estudos em Genero e Sexualidade e(m) Interseccionalidades (Geni).

(3) Doutorando (bolsista FAPERJ) no Programa de Pos-Graduacao em Educacao da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (ProPEd/UERJ). Membro do Grupo de Estudos em Genero e Sexualidade e(m) Interseccionalidades (Geni).

(4) PRETTO; ASSIS, 2008, p. 78.

(5) Regime heterocentrado e expressao cunhada por Preciado (2014) para designar a ordem social vigente, amparada pela supremacia de praticas hegemonicas alinhadas com a naturalizacao e normatizacao da relacao monogamica homem-mulher com fins reprodutivos. Adicionamos o termo "cis" (referente a cisgenero) a expressao "regime heterocentrado" para dar enfase tambem as pessoas que se identificam e aquelas que nao se identificam com os generos que lhes foram atribuidos no nascimento.

(6) Para maiores informacoes sobre o depoimento da atriz, alem de memes que foram elaborados e inspirados na personagem Nazareth Tedesco interpretado por ela, acesse o seguinte link: <https://bit.ly/2ANYlUD>. Acesso em: 13 abr. 2018.

(7) Sobre o "dentro" e "fora" da rede, vivemos em uma epoca em que e cada vez mais dificil separar online e offline porque as praticas sociais mediadas pelas tecnologias digitais em rede--e que sao potencializadas pelos processos comunicacionais moveis--tornam os espacos fisicos e eletronicos indissociaveis (COUTO JUNIOR; OSWALD, 2014).

(8) Informacao disponivel em: <https://bit.lv/2NVm1v1>. Acesso em: 16 jul. 2018.

(9) Para maiores informacoes dessas e outras atividades, acesse o webmuseu, disponivel no seguinte link: <http://www.museudememes.com.br/>. Acesso em: 17 abr. 2018.

(10) Foge da proposta deste texto discutir essa complexa conjuntura politica no contexto brasileiro, principalmente a partir do Golpe de Estado de 2016 que culminou na retirada de Dilma Rousseff da presidencia do pais.

Caption: Imagem 1--Nazare Tedesco, a rainha dos memes Fonte da imagem 1: Estadao / <goo.gl/iXweMZ>

Caption: Imagem 2--Incentivo a criacao de memes Fonte da imagem 2: Facebook / <https: //www.facebook.com/OficialNazareTedesco/>

Caption: Imagem 3--Pagina inicial do #MUSEUdeMEMES Fonte da imagem 3: #MUSEUdeMEMES / <http://www.museudememes.com.br/>

Caption: Imagem 4--Livrando-se da gordura desnecessaria Fonte da imagem 4: pagina do Facebook "que me transborde" / <goo.gl/Sb7YZ4>

Caption: Imagem 5--Gordofobia Fonte da imagem 5: pagina do Facebook "Cartazes & Tirinhas LGBT--Reserva" / <goo.gl/ja82nj>

Caption: Imagem 6--Opinou? E porque pensou ... Fonte da imagem 6: pagina do Facebook "Cartazes & Tirinhas LGBT" / <goo.gl/NSAMjX>

Caption: Imagem 7--Normatizacao dos corpos femininos Fonte da imagem 7: pagina do Facebook "Cartazes & Tirinhas LGBT--Reserva" / <goo.gl/zNATcS>

Caption: Imagem 8--sarcasmo Fonte da imagem 8: pagina do Facebook "Desanimado" / <https://www.facebook.com/des4nimado/>

Caption: Imagem 9--Pabilo Vittar: um corpo que importa Fonte da imagem 9: pagina do Facebook "Cartazes & Tirinhas LGBT" / <goo.gl/YPgKFM>
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Author:Couto, Dilton Ribeiro, Jr.; Pocahy, Fernando; de Carvalho, Felipe da Silva Ponte
Publication:Periferia
Date:May 1, 2019
Words:5560
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