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Sustainable territorial development: a new experience in the Atlantic Rain Forest/ Desenvolvimento territorial sustentavel: uma nova experiencia na Mata Atlantica/ Desarrollo sostenible del territorio: una nueva experiencia en el Bosque Atlantico.

1 INTRODUCAO

Diante dos desafios de conciliar desenvolvimento e conservacao da natureza, o litoral paranaense apresenta uma diversidade de experiencias que nos permite refletir sobre varias teorias, abordagens, realidades e interacoes entre sistemas sociais e ecologicos--em que a populacao interage com a natureza--e na propria relacao entre os seres humanos (SAMPAIO, 2011).

A regiao costeira do Parana ocupa uma area de 6.058 [km.sup.2] da Mata Atlantica. Esta e representada por diversas fisionomias vegetais em grande parte florestais e caracterizada pelas formas de relevo da Serra do Mar e da Planicie Litoranea. Entre ambientes naturais biodiversos de extremo valor ecologico e paisagens modificadas historicamente vivem cerca de 265.362 habitantes em sete municipios. Nestes que apresentam populacoes entre 7.871 habitantes em Guaraquecaba, e 140.469 em Paranagua, segundo o censo do IBGE de 2010 (TIEPOLO, 2015).

Estas paisagens representam os u Itimos remanescentes continuos de floresta atlantica costeira do Brasil e ainda se encontram relativamente bem conservados gracas as caracteristicas geomorfologicas regionais, aos processos historicos de ocupacao do litoral e a presenca de unidades de conservacao. A regiao figura tambem entre os principais hotspots de biodiversidade do planeta e abrange o Mosaico de Areas Protegidas do Lagamar, um sistema continuo de manguezais com elevado valor social, cultural, economico e ecologico. Devido a estas particularidades, diversas iniciativas de conservacao comecaram a ter efeito a partir da decada de 1980, quando se iniciou o processo de criacao de unidades de conservacao no litoral paranaense, embora com baixo nivel de consolidacao devido a equivocos conceituais, problemas fundiarios, erros na demarcacao dos limites, falta de reconhecimento das diversas territorialidades e ausencia de politicas publicas voltadas a conservacao da natureza e participacao social. O nao reconhecimento dos territorios de povos tradicionais amplifica a imbricada rede de conflitos ambientais que permeiam todo o litoral do Parana, trazendo a tona elementos de uma politica de abandono propositadamente instalada na regiao (TIEPOLO, 2015).

A economia local e diferenciada em cada municipio, mas pode ser simplificada pelas principais formas atuais de uso do solo costeiro: portuario, agricola, pesqueiro, turistico e o uso destinado a conservacao dos ecossistemas e sua biodiversidade (PIERRI et al., 2006). Para Sampaio, o territorio possui vulnerabilidade socioeconomica devido as ausencias historicas de politicas publicas, o que, evidentemente, nao contribuiu para o fortalecimento da cidadania e do tecido social caracteristicamente marcado pela identidade territorial. Tal panorama compromete a perspectiva de futuro quanto ao desenvolvimento territorial sustentavel construido por e para quem vive e, ainda, vivera no local, comprometendo tambem a manutencao das dinamicas ecologicas e a prestacao de servicos ecossistemicos essenciais, como o provimento de agua e a seguranca territorial para a populacao (SAMPAIO, 2011).

Nesse cenario, as dinamicas de desenvolvimento surgem em tempo e espaco diferenciados com estrategias criadas e recriadas pelos atores sociais com diferentes perspectivas de futuro e interacoes entre si. Os territorios interagem entre si e os atores estabelecem diferentes niveis de relacoes com o ambiente e com seus modos de vida. Diversas interacoes expressas em multiplos fatores explicitam o comportamento ecologico particular de cada segmento social nessa fracao da Mata Atlantica, sejam eles povos indigenas, quilombolas, pequenos agricultores, pescadores artesanais, empresarios da pesca, veranistas ou migrantes interagindo em seus espacos rurais, urbanos, industriais ou em latifundios antigos e recentes.

Nesse panorama complexo temos a conviccao de que nao e possivel compreender as dinamicas dos sistemas ecologicos e sociais apenas se baseando em relacoes binarias. Alias, o reducionismo e a fragmentacao do conhecimento que permeiam determinados fenomenos vem provocando crescentes disfuncoes e distorcoes nas inter-relacoes dos sistemas ecologicos e sociais. Portanto, ha o reconhecimento de que os problemas contemporaneos nao podem ser tratados, entendidos e resolvidos de maneira unidisciplinar. No entanto, e reconhecida a importancia da especializacao quando esta revela a complexidade da dinamica socioambiental. Estes aspectos sao especialmente exigidos quando se tratam questoes ligadas ao desenvolvimento e meio ambiente, como bem traduzem Zanoni et al., para os quais, alem de ser uma abordagem paradigmatica, a necessaria e indispensavel interdisciplinaridade se constitui em um desafio metodologico (ZANONI et al., 2002).

Apresentamos, com base na paisagem litoranea da Mata Atlantica paranaense, a experiencia de uma nova iniciativa de pesquisa e formacao de pesquisadores interdisciplinares na area de Ciencias Ambientais, particularmente interessados e comprometidos com alternativas para o desenvolvimento no litoral do Parana. Situados em uma expansao universitaria do ensino superior e proximos de finalizar o primeiro ciclo com a formacao dos novos mestres, podemos tracar os contextos, as perspectivas e os processos que tem definido e delineado o curso de Mestrado em Desenvolvimento Territorial Sustentavel nessa trajetoria inicial e compartilhar a experiencia amplamente. Dividimos essa experiencia em quatro partes. A primeira situa o curso em uma matriz de grandes tensoes e transformacoes territoriais em uma das areas mais bem conservadas do "megadiverso" bioma Mata Atlantica. A segunda apresenta o historico de insercao do curso a partir do modelo de expansao e interiorizacao do ensino superior no Brasil e a dinamica interdisciplinar e multidisciplinar que congrega os docentes nos primeiros anos de criacao do novo campus da Universidade Federal do Parana, em Matinhos, litoral do estado. A terceira parte destaca os objetivos do curso e seu compromisso com o desenvolvimento regional. Caminhando para o fim, sinalizamos como uma desejavel alternativa o ecodesenvolvimento com vistas a atingir as vocacoes socionaturais da regiao e apresentamos alguns resultados ja obtidos com essa primeira turma de novos mestres e jovens pesquisadores a partir dos principios da pesquisa interdisciplinar e do respeito a sociodiversidade.

2 ANALISES

2.1 Entre a conservacao e a degradacao da Mata Atlantica: tensoes e intencoes

Como atestam Brandon et al., com cinco importantes biomas e o maior sistema fluvial do mundo, o Brasil, indiscutivelmente, tem a mais vasta biota continental do planeta (BRANDON et al., 2005). Algumas estimativas, consideradas conservadoras, apontam que 13% da biota mundial estao contidas no Brasil (LEWINSOHN; PRADO, 2005), inspirando a divulgacao do conceito de um pais "megadiverso" (MITTERMEIER et al., 2005). Entre estes biomas, destacamos a Mata Atlantica, com mais de oito mil especies endemicas, considerada ameacada e, portanto, um dos 25 hotspots mundiais de biodiversidade. No entanto, menos de 100.000 [km.sup.2] (cerca de 7%) restam de suas florestas (TABARELLI et al., 2005). Em 2003, Hirota apresentava indicativos de que a devastacao havia sido especialmente severa nas ultimas decadas, com cerca de 11.650 [km.sup.2] de florestas perdidas em um periodo recente. Tais fatos desafiam qualquer sistema legal de protecao, haja vista que a Mata Atlantica e protegida por legislacao propria (Lei da Mata Atlantica no 11.428/2006) e por outras legislacoes, como o Codigo Florestal.

E a partir desse cenario devastado, que iniciativas de conservacao tem sido focadas na Mata Atlantica desde 1937, quando a primeira unidade de conservacao, o Parque Nacional do Itatiaia, localizado na Serra da Mantiqueira, nos estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais, foi criada tardiamente no Brasil. Desde entao, essa alternativa de conservacao tem se ampliado. No ano 2000, foi estabelecido legalmente um sistema formal e unificado para integrar as unidades de conservacao federais, estaduais e municipais reconhecido como Sistema Nacional de Unidades de Conservacao (SNUC--Lei no 9.985/2000). Um levantamento, realizado por Rylands e Brandon, apontava que ate o ano de 2005 haviam sido criadas 253 unidades de conservacao federais protegendo 58.440.704 hectares, e 662 unidades de conservacao estaduais, protegendo 53.171.684 hectares (RYLANDS; BRANDON, 2005).

Muitas polemicas, tensoes e conflitos tem marcado esse modelo de conservacao da natureza no Brasil, pois trata diretamente de questoes fundiarias (limitacoes e restricoes sobre o uso do solo e dos recursos naturais) e de territorialidades (ancestrais e historicas) (ver ARRUDA, 2000; DIEGUES; NOGARA, 1999; CUNHA, 2000; FERREIRA et al., 2011; SOARES; IRVING, 2006). Por concentrar grande parte da populacao e das cidades brasileiras, a Mata Atlantica e tambem o principal palco destas disputas, porem os conflitos distributivos, espaciais e territoriais se encontram assimetricamente relacionados aos diferentes atores que interagem nos territorios. Se por um lado a acao fiscalizadora da aplicacao das leis se mostra mais severa contra individuos e pequenos coletivos, por exemplo, moradores do entorno de uma unidade de conservacao, comunidades tradicionais e pequenos agricultores, a mesma fiscalizacao se torna branda quando se trata de empreendimentos governamentais e privados, com tendencias a flexibilizacao de normas e legislacoes nas mais diversas instancias para atender aos interesses do mercado. No litoral do Parana, estas duas faces da mesma moeda tem sido atentamente observadas e analisadas, e revelam uma colecao de elementos que auxiliam a olhar, perceber, sentir, compreender e intervir no territorio.

A analise de Tiepolo aponta que 947.664,82 hectares do litoral paranaense sao protegidos pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservacao, que em nivel local e composto por 14 unidades estaduais, oito federais e 11 privadas, totalizando 33 areas naturais protegidas. Para a autora, uma analise menos atenta tende a considerar que todo o litoral e protegido, mas a luz das diferentes categorias de Unidades de Conservacao, que impoem diferentes modos de uso e de restricoes, observa-se que apenas 24,48% (185.010,32 hectares) de area e destinada a protecao integral, ao passo que 75,52% (571.059 hectares) sao destinadas ao uso sustentavel dos recursos, especialmente as Areas de Protecao Ambiental (APAs). Envolto por uma aparente protecao ambiental, o litoral do estado do Parana se revela como area de elevada tensao ecossistemica e social, percebidas, sobretudo, pelas suas caracteristicas naturais, mas tambem pelo seu crescimento populacional, pelas desigualdades sociais e pelas rapidas transformacoes nas dinamicas de uso e ocupacao do solo. Configurando assim uma regiao de grande vulnerabilidade socioambiental (especialmente no que diz respeito as consequencias severas de eventos climaticos como: tempestades, vendavais, inundacoes e alagamentos) sobre as populacoes humanas e suas atividades produtivas nas zonas urbanas e rurais (TIEPOLO, 2015).

2.2 Um programa de pos-graduacao em desenvolvimento territorial sustentavel na Mata Atlantica

Entre os mares de morros florestados dessa paisagem atlantica, umida e sempre verde, o Campus Litoral surge em 2005 como expansao da Universidade Federal do Parana (UFPR), anterior ao Programa de Apoio aos Planos de Reestruturacao e Expansao das Universidades Federais (REUNI). A nova expansao se apresenta com um Projeto Politico Pedagogico (PPP) que sugere um educando como sujeito da construcao de seu conhecimento, utilizando metodologias pedagogicas de aprendizagem, ensino por projetos e um forte compromisso com a cidadania no contexto do desenvolvimento regional.

A partir de um projeto pedagogico diferenciado, que possui caracteristicas proprias dentro da UFPR e entre instituicoes de ensino publico superior no Brasil, ha espacos curriculares para o desenvolvimento de atividades de interacao cultural e humanistica e de desenvolvimento de projetos de aprendizagem a partir da autonomia de escolha de temas de interesse do estudante. Estes espacos contribuem para articular diversos saberes e aprofundar olhares sobre o mundo contemporaneo. A estrutura organizacional distinta substitui os departamentos por camaras tecnicas para a gestao dos cursos de graduacao. Eles, por sua vez, sao formados por docentes com formacao especifica em suas areas de conhecimento e por docentes transversais, o que possibilita dialogos e acoes interdisciplinares dos docentes entre si e deles com os estudantes. A colaboracao e a reciprocidade entre camaras tecnicas favorecem ainda mais esse intercambio de conhecimentos e saberes, uma vez que os docentes podem colaborar em outros cursos, de acordo com seus conhecimentos e area de formacao.

Situado nesse cenario, um grupo de docentes se engaja na concepcao de uma proposta de pos-graduacao stricto sensu, a primeira do Setor Litoral, considerando os desafios e as oportunidades que o PPP proporciona no mundo contemporaneo brasileiro. Concomitantemente a esse movimento, a atencao e redobrada para a regiao, que tem sido alvo de grandes investimentos publicos e privados, ligados especialmente ao comercio de commodities (graos, como soja e milho) e a prestacao de servicos para a exploracao do petroleo do pre-sal.

Com a intencao de avancar no entendimento dessas problematicas, o Mestrado em Desenvolvimento Territorial Sustentavel foi aprovado pelo Comite da Area de Ciencias Ambientais da Capes em 9 de setembro de 2013, surgindo como apoio a proposta institucional da UFPR--Setor Litoral, que, expresso em seu PPP, instalou um projeto inovador, em uma regiao geografica desacreditada historicamente e com debilidades socioeconomicas:

"[...] baseado no comprometimento da Universidade com os interesses coletivos; a educacao como totalidade; e a formacao discente pautada na critica, na investigacao, na pro-atividade e na etica, capaz de transformar a realidade" (UFPR, 2008, p. 9).

O PPP da UFPR--Setor Litoral, consubstanciado na proposta do mestrado, faz-nos refletir sobre que tipo de ser humano e de sociedade se quer construir, ou seja, um desenvolvimento humano, no qual o conhecimento passe a ser compreendido nao mais por sua exatidao, mas por sua complexidade (UFPR, 2008). Assim, as dinamicas sociais sao compreendidas como imbricadas aos sistemas ecologicos, o que remete a necessidade de um conhecimento construido a partir de uma metodologia interdisciplinar.

Os oito cursos de graduacao do Setor Litoral direta e fortemente vinculados na proposta aprovada pela Capes sao: Gestao Ambiental, Gestao e Empreendedorismo, Gestao Publica, Saude Coletiva, Servico Social, Licenciatura em Ciencias, Agroecologia e Gestao do Turismo. O Programa de Pos-graduacao em Desenvolvimento Territorial Sustentavel e respaldado por um conjunto de projetos de pesquisa e extensao desenvolvidos pelos docentes, que demonstram forte insercao social e cultural no territorio, possibilitando e potencializando exercicios multi e interdisciplinares entre professores, estudantes e comunidades, a partir da insercao de tres linhas de pesquisa, a seguir:

* Socioeconomia e Saberes Locais--A linha de pesquisa das correntes teoricas destaca os saberes locais como alternativas de desenvolvimento, ou ainda, as correntes teoricas, que reconhecem que os saberes locais promovem formas alternativas de desenvolvimento territorial sustentavel. Considera-se que o modelo de desenvolvimento no mundo contemporaneo se apresenta atendendo apenas aos interesses do mercado e do Estado. A singularidade da organizacao das populacoes locais, urbanas e rurais e colocada em xeque quando diversas alternativas de desenvolvimento conflitantes apontam para resultados excludentes. O reconhecimento da sobrevivencia das populacoes locais, ou seja, do seu proprio desenvolvimento, nao esta no receituario do modelo de desenvolvimento do mercado ou do Estado. A linha e formada por pesquisadores da area de Economia, Turismo, Administracao e Agronomia.

* Redes Sociais e Politicas Publicas--Essa linha de pesquisa tem como objetivos principais identificar e analisar as redes de atores sociais no ambito publico e privado, especialmente aquelas voltadas ao desenvolvimento territorial; analisar, critica e propositivamente, a formulacao e a governanca das politicas publicas cujo impacto seja relevante para o desenvolvimento territorial sustentavel. Da mesma forma, propoe ferramentas e acompanha intervencoes para a gestao dos desafios identificados nos estudos realizados no programa. A linha tem como campo de atuacao processos que se desenvolvem nos entes federativos e na sociedade civil. E composta por pesquisadores da area de Ciencias Sociais, do Direito e da Saude.

* Ecologia e Biodiversidade--Ja essa linha de pesquisa se propoe a produzir conhecimentos acerca de processos ecologicos e dinamicas ecossistemicas que fluem no territorio, sejam eles antropogenicos ou naturais. Considera a historia da ocupacao humana, as relacoes socioeconomicas e o etnoconhecimento como elementos indissociaveis ao uso que se faz da biodiversidade no territorio. A analise da paisagem, a bioprospeccao, os conflitos socioambientais, os servicos ecossistemicos, as politicas de protecao ambiental e os componentes intangiveis da biodiversidade estao contemplados como objetos de pesquisa. A linha e composta por pesquisadores da area de Ciencias Biologicas e Agrarias.

As linhas de pesquisa apresentadas sao compostas por docentes com saberes especificos que, no entanto, nao sao estanques, fechados ou isolados. Elas possibilitam um efetivo dialogo entre ciencias sociais e naturais (ser humano e natureza), indispensavel a compreensao da crise socioambiental contemporanea e a reflexao sobre possiveis alternativas.

2.3 Compromisso com o desenvolvimento regional

O Programa de Pos-Graduacao em Desenvolvimento Territorial Sustentavel (PPGDTS) esta centrado em uma interdisciplinar construcao do conhecimento, com vistas a analise da sustentabilidade nos variados territorios locais diante das emergentes complexidades do mundo contemporaneo. O programa e comprometido com a perspectiva de futuro quanto ao desenvolvimento territorial sustentavel, construido por e para as atuais e futuras geracoes. Nessa perspectiva, temos a intencao de compreender as dinamicas ecossistemicas e as logicas do mercado e das politicas de Estado, e ainda, a interferencia das organizacoes, sejam elas locais ou globais.

De forma especifica, os interesses estao focados na identificacao de alternativas e na producao de conhecimentos que permitam a gestao das problematicas existentes na interface meio ambiente e desenvolvimento, considerando a indissociabilidade entre sistemas sociais e naturais nos processos de desenvolvimento territorial sustentavel. Para tanto se destaca a busca por metodos de abordagem interdisciplinares que integrem profissionais de diversas origens em equipes para a abordagem integradora de problemas socioambientais complexos. Por fim, a intencao e a de preparar professores, pesquisadores e outros agentes da esfera publica e privada para atuar na formulacao e gestao das politicas de desenvolvimento territorial sustentavel, logo, formar profissionais que atuem na promocao do ensino, da pesquisa, da extensao e na proposicao de atividades produtivas alternativas. Estes respeitando principios de sustentabilidade social, ambiental e economica, nas esferas do mercado, do Estado, da sociedade civil organizada e das comunidades locais.

Almeja-se, assim, que o profissional formado pelo PPGDTS seja capaz de compreender as transformacoes sociais e naturais que afetam as distintas dimensoes dos processos ecossocioeconomicos e as dinamicas que fluem no territorio e na organizacao social. O desafio consiste em construir um referencial teorico norteador que permita a analise de problematicas socioambientais complexas e valorize as alternativas do modelo dominante de producao e consumo nesta porcao da Mata Atlantica.

2.4 O ecodesenvolvimento como conciliador das relacoes entre seres humanos e natureza

Como conciliar, por um lado, a protecao ambiental, o respeito pela natureza e a restauracao de ecossistemas e, por outro, a valorizacao da diversidade cultural, a consideracao pelas tradicoes e o desenvolvimento do territorio? Tratamos aqui de nos questionar sobre uma dupla exigencia --estabelecida especialmente pelos foruns internacionais--que e o caso da conservacao da natureza como uma condicao indispensavel a sobrevivencia do planeta e o encorajamento a expressao da diversidade cultural como suporte ao desenvolvimento. Diante do reconhecimento das complexas interacoes existentes entre diversidade cultural e do ambiente e suas dinamicas de desenvolvimento, o litoral paranaense constitui uma promissora paisagem para se pensar o Desenvolvimento Territorial Sustentavel.

Sem a pretensao de entrar no campo conceitual de territorio e desenvolvimento, o qual fundamenta a ideia do curso de pos-graduacao a partir dos escritos de Abramovay (1998); Haesbaert (2007); Pecqueur (2005, 2006); Raffestin (1993); Sack (1986); Santos (1996); Saquet (2003, 2004 e 2009); Souza (1995), Storper (1997), dentre outros, para contextualizar nossos esforcos, nos apropriamos dos postulados de Saquet, para o qual "o territorio e condicao de processos de desenvolvimento" (SAQUET, 2007), e de Cunha que aponta que "[...] reconhecer uma dimensao territorial do desenvolvimento significa, em outros termos, identificar o territorio como sujeito do desenvolvimento" (CUNHA, 2008, p. 56). Em nossa concepcao, percebemos o territorio enquanto uma construcao social de atores (BILLAUD, 2009; GUMUCHIAN; PECQUEUR, 2007; PECQUEUR, 2005) que habitam espacos que, por definicao, sao heterogeneos e apresentam recursos tangiveis e intangiveis. Nessa abordagem territorial, pensar o desenvolvimento deve, necessariamente, levar em consideracao a disponibilidade de recursos, a cultura e o "saber fazer" dos coletivos que, segundo Hubert e Billaud, em seus territorios, imaginam solucoes sustentaveis aos problemas que encontram em relacao ao uso dos recursos (HUBERT; BILLAUD, 2011).

Partimos do principio de que as politicas de gestao da natureza, as politicas culturais e as politicas de desenvolvimento territorial, na maioria das vezes, foram pensadas completamente dissociadas, como se houvesse o ser humano de um lado e a natureza do outro. Alem das diferencas nos diagnosticos, analises e pistas propostas, concernentes ao modelo de desenvolvimento a promover, parece que a atual crise e as muitas questoes que ela suscita fazem emergir um novo desafio, cujas dimensoes eticas e culturais vao muito alem das modalidades tecnicas de reducao de abordagens que nao envolvam perspectivas multi, inter e transdisciplinares.

A complexidade da situacao nos permite, sobremaneira, uma reconciliacao das bases conceituais elaboradas por Ignacy Sachs. O autor propoe, inicialmente, a articulacao de quatro postulados, reunindo ideias essenciais ao enfoque do ecodesenvolvimento. A primeira delas e a prioridade no alcance de finalidades sociais, direcionando o processo de crescimento economico e visando o alcance de objetivos sociais prioritarios, traduzidos pelas suas necessidades materiais e psicossociais, como autodeterminacao, participacao politica e autorrealizacao; a segunda e a valorizacao da autonomia ou self-reliance, buscando um maior grau de controle dos aspectos cruciais no processo de desenvolvimento, mediante a acao da sociedade civil organizada, no ambito local, microrregional ou regional, canalizando e maximizando os seus recursos disponiveis, num horizonte de respeito as suas tradicoes culturais e sem incorrer com isso em autossuficiencia ou isolamento; a terceira e a busca de uma relacao de simbiose com a natureza, abandonando o padrao de relacionamento dominador (colonial) com o meio ambiente biofisico; e a quarta e a eficacia economica, situando-a como uma alternativa a racionalidade microeconomica dominante, no sentido de uma internacionalizacao efetiva da problematica dos custos socioambientais do processo de desenvolvimento (SACHS, 1980, 1986).

Para Sachs, o ecodesenvolvimento e

"[...] um estilo de desenvolvimento que, em cada ecorregiao, insiste nas solucoes especificas de seus problemas particulares, levando em conta os dados ecologicos da mesma forma que os culturais, as necessidades imediatas como tambem aquelas de longo prazo" (SACHS, 1986, p. 18).

Vieira, por sua vez, menciona que o ecodesenvolvimento e um conceito sistemico que se apresenta como "[...] uma critica radical da ideologia economicista subjacente a suposta civilizacao industrial tecnologica" (VIEIRA, 2009, p. 27). Ao se referir ao ecodesenvolvimento, enquanto um verdadeiro progresso, Leis menciona que esse deve levar em consideracao aspectos como: "[...] a satisfacao das necessidades humanas basicas, a solidariedade com as geracoes futuras, a participacao da populacao envolvida e o respeito as culturas nativas" (LEIS, 1999, p. 146).

Intrinseca ao conceito esta a nocao de independencia das comunidades que, coletivamente, devem buscar a solucao de seus problemas, utilizando sustentavelmente os recursos disponiveis no territorio. O ecodesenvolvimento, enquanto proposta, segundo Sachs, deve "[...] reagir a moda predominante das solucoes pretensamente universalistas e das formulas generalizadas" (SACHS, 1986, p. 18). Nessa perspectiva, Vieira menciona que se faz necessario romper com a tendencia de imitacao, pelos paises do Sul, dos modelos dominantes nos paises industrializados do Norte, ou seja, a logica colonial predominante. Menciona, tambem, a necessidade de pensar sistemas alternativos de planejamento e gestao que possibilitem gerar estrategias ou estilos de desenvolvimento mais endogenos, participativos, ecologicamente prudentes e que respeitem as especificidades locais e regionais (VIEIRA, 2009).

Por fim, realcamos um conjunto de caracteristicas inerentes ao ecodesenvolvimento apresentado por Sachs: o esforco de se concentrar na valorizacao de seus recursos especificos; o ecodesenvolvimento como essencial para a realizacao da dimensao humana; o uso e gestao dos recursos naturais em uma perspectiva de solidariedade diacronica com as geracoes futuras; e, a educacao como complemento necessario as estruturas participativas de planejamento e gestao. Alia-se as caracteristicas do ecodesenvolvimento um conjunto de dimensoes, aportando complexidade a operacionalizacao do conceito e nos instigando a pensar o desenvolvimento sob uma perspectiva multidimensional (SACHS, 1986). Sachs menciona tambem que todo o esforco de planejamento do desenvolvimento deve considerar as dimensoes social, economica, ecologica, espacial e cultural (SACHS, 1993, 2007). O conceito, caracteristicas e dimensoes do ecodesenvolvimento, nos possibilitam, portanto, reflexoes e praticas para aprimorar as inter-relacoes entre ser humano e natureza sob uma perspectiva sustentavel.

3 ALGUNS RESULTADOS

Nesse curto periodo (2014-2016), o PPGDTS recebeu a inscricao de 318 candidatos no seu mestrado academico, indicando forte concorrencia. Essa situacao pode sugerir uma demanda represada de interesse pela area de desenvolvimento territorial sustentavel, no ambito das ciencias ambientais em nivel regional, haja vista que a nova expansao da UFPR levou oito anos para abrir seu primeiro programa de pos-graduacao. Destes candidatos, apenas 45 foram selecionados e ate o primeiro semestre de 2016 ja foram realizadas oito defesas.

Os temas de pesquisa dessas dissertacoes tem demonstrado o forte vies regional, foco do programa: (1) Mulheres profissionais da seguranca publica no litoral do Parana (SCHNEIDER, 2015); (2) Malhas da reciprocidade: a pesca coletiva da tainha na Ilha do Mel (NASCIMENTO, 2015); (3) Pesquisa participante no contexto dos conflitos ambientais na comunidade de pesca de Matinhos, Parana (GIRALDI COSTA, 2016); (4) Entre a floresta e a periferia: vulnerabilizacao humana, politicas publicas e projecao de cenarios para o entorno de Unidades de Conservacao da Mata Atlantica de Paranagua (SEZERINO, 2016); (5) O uso de video de carater regional como instrumento didatico para a educacao ambiental (GUEDES, 2015); (6) A Coroazinha da Ilha do Mel: territorialidade de uma comunidade tradicional de pescadores(as) artesanais na Ponta Oeste, Paranagua, Parana (MOURA, 2016); (7) Redes de parlamentares na Camara dos Deputados: uma metodologia de analise da atuacao politica no Brasil (PAZ, 2016); e (8) Sentidos e percursos da cidadania: estudo das relacoes entre beneficiarios e agentes operadores de politicas sociais em Matinhos, Parana (COSTA, 2016). Vale mencionar que a defesa da dissertacao de Ana Clara Giraldi Costa foi realizada na Colonia de Pescadores de Matinhos, devido ao carater participante da pesquisa, conduzida junto aos pescadores locais. Isso proporcionou um momento de encontro para o dialogo entre ciencia e saberes tradicionais, inclusive com a participacao simbolica do presidente da Colonia como membro da banca de avaliacao do trabalho. O programa de mestrado buscou com isso experienciar uma avaliacao por comunidade ampliada de pares, nos conformes de Funtowicz e Ravetz (1997), alem de tratar com coerencia os principios do ecodesenvolvimento que o norteiam, almejando a sua praxis.

A interdisciplinaridade tambem tem marcado os estudos conduzidos dentro das linhas de pesquisa. Isto se da porque existe uma grande variedade de formacoes dentro do quadro de docentes e discentes do PPGDTS. Um exemplo sao os mestres que ja defenderam suas dissertacoes, nos proporcionando a seguinte configuracao: uma profissional da area de educacao fisica, um geografo, uma agroecologa, uma gestora ambiental, duas pedagogas, um biologo e um historiador. Entre os docentes temos as seguintes formacoes: quatro economistas, quatro biologos, tres cientistas sociais, dois agronomos, dois fisioterapeutas, uma administradora, um turismologo, uma advogada, um naturologo e um quimico. Essa caracteristica e notavel em todo o curso e podera auxiliar as coordenacoes de avaliacao dos programas de pos-graduacao a entender como tem sido as dinamicas internas dos cursos em relacao ao contexto interdisciplinar na area de Ciencias Ambientais.

De um modo geral, as pesquisas das dissertacoes concluidas tem apontado, em seus resultados, para a predominancia da vocacao natural na regiao para formas alternativas de desenvolvimento social e economico. Trazem tambem indicativos de que o modelo de desenvolvimento hegemonico atual tem pressionado comunidades, bairros e instituicoes a reorganizarem seus modos de vida, suas configuracoes (sociais e produtivas) e suas estrategias de desenvolvimento para atender as novas demandas e interesses do mercado. Em alguns casos identificados, estas transformacoes tem colocado em risco grandes agrupamentos de pessoas, como e o caso dos pescadores artesanais de Paranagua, Pontal do Parana e Matinhos (GIRALDI COSTA, 2016; MOURA, 2016; NASCIMENTO, 2015;) e dos moradores de bairros populosos de Matinhos e Paranagua (SEZERINO, 2016). Tudo imbricado em uma conjuntura de politicas publicas, a qual precisa ser avaliada quanto a sua efetividade em relacao ao foco principal e a uma acao parlamentar pouco preocupada com questoes relacionadas ao desenvolvimento sustentavel, como indica o estudo de Paz (2016). Essa recente contribuicao ao conhecimento cientifico regional tambem vem demonstrar que a educacao se mantem como o eixo central para se pensar em novas estrategias de desenvolvimento local, especialmente quando esta aborda tematicas regionais e locais de grande relevancia e sentido para os educandos, como comprova a pesquisa conduzida por Guedes (2015) com estudantes da rede publica de ensino regional.

4 CONSIDERACOES FINAIS

Ao iniciar suas atividades de pos-graduacao stricto sensu em 2014, a nova expansao da UFPR, situada no litoral do Parana, ampliou sua contribuicao social em uma regiao paradoxalmente esquecida e cobicada, e notavelmente carente de servicos publicos, ao mesmo tempo em que se mostra um dos remanescentes mais ricos em biodiversidade de toda a costa leste do Brasil, devido ao estado relativamente conservado de suas florestas, sem que isto seja impedimento para o avanco de modelos hegemonicos de desenvolvimento. Para fazer frente as incertezas, se faz necessario pesquisas singulares que evidenciem alternativas ao modelo dominante, ou seja, estilos de desenvolvimento que valorizem o dialogo entre sociedade e natureza.

Diante de cenarios como esse, a Capes criou a area de Ciencias Ambientais em 2011, devido a complexidade dos problemas ambientais, face a indissociabilidade entre sistemas antropicos e naturais que emergem no mundo contemporaneo. Conforme mencionado no documento da area de avaliacao trienal de 2013, o novo contexto da producao cientifica em Ciencias Ambientais tambem reivindica novos dialogos, nao so entre disciplinas proximas, dentro da mesma area do conhecimento, mas entre disciplinas de ciencias diferentes, bem como com outras formas de saberes oriundos de culturas heterogeneas.

O PPGDTS tem se pautado no dialogo interdisciplinar em sua curta trajetoria, tratando com relevancia as novas formas de producao do conhecimento e os novos arranjos alternativos para o desenvolvimento territorial. Como ja abordado por Zanoni et al., essas novas configuracoes de pesquisa sao desafios teoricos e metodologicos necessarios ao entendimento das questoes ambientais. Entre os esforcos empreendidos com esse enfoque, podemos destacar a producao de conhecimento sobre a Mata Atlantica Subtropical e sua gente. Estas paisagens, ocupadas por uma impressionante biodiversidade, por seres humanos ancestrais que as herdaram historicamente e pelas atuais formas de ocupacoes, nos desafiam e nos inspiram a apurar e investigar singularidades regionais para a compreensao de suas complexas dinamicas (ZANONI et al., 2002).

A Mata Atlantica, quando entendida como uma paisagem em evolucao socionatural, estimula a formacao de pesquisadores comprometidos socioambientalmente e que procuram realizar suas investigacoes cientificas sobre o territorio, no territorio e com seus atores. Consideramos estes compromissos como condicoes indispensaveis a busca de modelos alternativos de desenvolvimento territorial. O respeito as diversidades natural e territorial, e as culturas ancestrais, historicas e atuais sao principios eticos para qualquer forma de conciliacao entre as diferentes maneiras de se fazer uso da natureza.

http://dx.doi.org/10.21713/2358-2332.2016.v13.1092

Referencias

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Recebido 26/05/2016

Aprovado em 03/10/2016

Liliani Marilia Tiepolo, doutora em Ciencias Biologicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), professora e coordenadora do Programa de Pos-graduacao em Desenvolvimento Territorial Sustentavel da Universidade Federal do Parana (UFPR), Matinhos, PR, Brasil. E-mail: liliani@ufpr.br.

Valdir Frigo Denardin, doutor em Ciencias Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), professor e vice-coordenador do Programa de Pos-Graduacao em Desenvolvimento Territorial Sustentavel da Universidade Federal do Parana (UFPR), Matinhos. PR, Brasil. E-mail: valdirfd@ufpr.br.
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Title Annotation:Experiencias
Author:Tiepolo, Liliani Marilia; Denardin, Valdir Frigo
Publication:Revista Brasileira de Pos-Graduacao
Date:Sep 1, 2016
Words:6279
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