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Sustainable supply chain practices/Practicas de sustentabilidad en cadenas de suministros/Praticas de sustentabilidade em cadeias de suprimentos.

Introducao

O desenvolvimento do conceito do green supply chain management (GSCM) ainda nao esta consolidado na literatura, havendo deste modo, uma oportunidade de aprofundamento de pesquisa, no que diz respeito ao emprego do GSCM na area de cadeias de suprimento. Da mesma maneira, as praticas para suportar a GSCM precisam ser tratadas e investigadas. Nesse sentido, a escassez dos recursos naturais e o aumento dos indices de poluicao tem levado o debate da sustentabilidade ambiental para diversos segmentos da sociedade como: empresas, governos, ONGs e a populacao em geral.

Mesmo que a motivacao principal das empresas ao avancar em sustentabilidade seja o atendimento a tais regulamentacoes, tem sido obser vado que praticas ambientalmente amigaveis tambem tem gerado aumentos de competitividade de longo prazo (Paulraj, 2009). Mais recentemente, empresas fabricantes de equipamentos baseados em tecnologia tem aumentado sua competitividade incorporando caracteristicas ambientalmente amigaveis em seus projetos de produto (Borchardt et al., 2010) e em servicos associados ao produto (Borchardt et al., 2008).

Srivastava (2007) definiu GSCM como a integracao do pensamento ambiental em supply chain management, que inclui os seguintes elementos: design de produto, selecao e fornecimento de material, processos de manufatura, entrega do produto final ao cliente e o gerenciamento do fim da vida do produto apos seu descarte. Essa definicao de GSCM e a adotada nesse trabalho.

Em busca de compreender e evidenciar as melhoras praticas de GSCM apresentadas na literatura a realidade brasileira, esse trabalho, de carater exploratorio, esta assim organizado: descreve-se objetivamente a SCM e a GSCM; pois apresenta-se a metodologia de pesquisa adotada e a discussao das melhores praticas; por fim, incluem-se as conclusoes e se sugere trabalhos futuros.

Supply Chain Management (SCM)

Na visao de Lambert et al. (2008) a SCM compreende o alinhamento das empresas que trazem produtos ou servicos ao mercado. Ja Cristopher (1997) propoe a definicao de SCM como uma rede de organizacoes, conectadas tanto a montante quanto a jusante, em diferentes processos que geram valor sob a forma de produtos ou servicos finais ao consumidor. Para Cristopher (2007) a SCM constroi e gerencia uma rede de organizacoes, conectadas tanto a montante quanto a jusante, em processos que geram valor sob a forma de produtos ou servicos finais ao consumidor. A SCM requer que empresas parceiras de negocios compartilhem informacoes, riscos e beneficios e construam uma visao sistemica e colaborativa, pois suas etapas podem ser mutuamente dependentes (Lambert e Cooper, 2000; Mentzer et al., 2001).

O escopo da SCM e amplo, abrangendo atividades como design, compras, manufatura, distribuicao e logistica reversa e, portanto, a maioria das organizacoes possui uma SCM. E apesar da posicao da empresa dentro da SCM, as empresas adotam varias praticas para executar seus processos da SCM (Sodano e Grandzol, 2011). Pode-se dizer que a visao atual sobre SCM compreende todas as etapas da cadeia produtiva ou de servicos. E devido aos diversos processos que ocorrem, como por exemplo, transporte, manufatura de materiais e compra de produtos, o impacto no meio ambiente e no consumo de recursos naturais, e realizado de diversas maneiras. Assim, nao ha duvidas de que as apli cacoes de praticas sustentaveis na SCM podem contribuir com o meio ambiente refletindo na sociedade.

Malcon (2010) defende que SCM sustentaveis necessitam de novas praticas onde o impacto sobre o ar, agua, terra e vida sejam conhecidos, gerenciados e reduzidos. Para Srivastava (2007) a SCM e foco central para os esforcos green porque o escopo das suas atividades encontra maior viabilidade pelo uso dos conceitos sustentaveis. Assim, realizar acoes na melhoria dos processos de producao em colaboracao com parceiros, projetar produtos ambientalmente corretos, redesenhar redes logisticas e usar fornecimento sustentaveis de materiais, sao algumas estrategias essenciais para os gestores de SCM (Malcon, 2010).

Green Supply Chain Management (GSCM)

Conforme Lu et al. (2007) GSCM se refere a melhorar o desempenho ambiental de companhias, dos seus fornecedores, clientes e das relacoes entres eles. A GSCM tem na sua origem ao mesmo tempo, o conceito de gerenciamento ambiental e o gerenciamento da cadeia de suprimentos. De forma similar ao conceito de SCM, a fronteira da GSCM e dependente da meta do investigador (Srivastava, 2007). Como propoe Zhu e Sarkis (2004), a definicao do escopo da abrangencia da GSCM presente na literature, abarca desde o processo de compras green de materiais para integrar a green supply chain, fluindo do fornecedor para o produtor e para o cliente, e a logistica reversa. Nesse sentido, Qingua et al. (2008) afirmam que a GSCM pode ser entendida a partir das seguintes cinco dimensoes: gerenciamento ambiental interno, compra verde, cooperacao com os clientes incluindo questoes ambientais, eco-design e investimento na recuperacao de materiais.

Quanto as estrategias de GSCM, Wisner et al. (2005) afirmam que deve-se contemplar simultaneamente varios aspectos: normas ambientais, requisitos de clientes, envolvimento das diversas areas da empresa, desenvolvimento de politicas ambientais especificas, comunicacao com clientes e fornecedores, gestao da complexidade e controle de desempenho. Dias (2006) sugere, por exemplo, que na fase de definicao dos materiais comprados e no desenvolvimento do produto, devem ser contemplados os aspectos de reciclagem e reuso de materiais. Junto com o conceito de logistica reversa, o conceito de ciclo de vida do produto deve ser enderecado, e assim as organizacoes precisam entender a gestao logistica em conjunto com o clico de vida do produto, um circuito fechado, e nao como uma forma de disposicao organizada do produto.

Apesar do uso de algumas praticas como design de produtos sustentaveis, logistica reversa e compras green, parece ser dificil implementar a GSCM (Sodano e Grandzol, 2011). Bangalore (2009) reportou que muitas companhias conduziam projetos green sem definicao clara de indicadores de retorno e objetivos a serem atingidos. A revisao realizada por Sodano e Grandzol (2011) evidenciou que apesar de existir na literatura algumas praticas e modelos para implementar a GSCM, ha uma disparidade entre o que estes guias orientam para as organizacoes agirem e o que as organizacoes realmente fazem. A literatura tras um numero relativamente baixo de investigacoes sobre os fatores de sucesso e insucessos em projetos de GSCM e desde ja, essa questao e enderecada como uma oportunidade de pesquisas futuras. Por outro lado, Routroy (2009) identifica como estimuladores da GSCM o comprometimento da alta direcao, as pressoes de clientes, e a acao reguladora e fiscalizadora de orgaos publicos. Kleindorfer et al. (2005) afirmam que empresas tendem a melhorar seu desempenho ambiental quando a pressao publica resulta em regulamentacao. Questoes especificas relacionadas ao mercado de creditos de carbono e as insituicoes privadas e publicas foram analisadas na pesquisa de Silva et al. (2012), que apresentaram sugestoes para a construcao de um novo modelo de desenvolvimento.

Metodo

O metodo de elaboracao dessa pesquisa se divide em duas estrategias principais. A primeira envolve propor um debate explorando o tema da GSCM e suas praticas, foco de discussao ainda incipiente na literatura. A segunda estrategia, a partir da revisao da literatura, visou apresentar evidencias das melhores praticas. O criterio de selecao dos trabalhos usados resultou da combinacao entre a data de publicacao recente e aderencia ao objetivo da pesquisa.

Para conduzir essa estrategia usou-se a abordagem da pesquisa bibliografica. Segundo Gil (2010) a pesquisa bibliografica e elaborada com base em material ja publicado, seja impresso ou digital como: artigos, teses, revistas, dissertacoes etc. Quanto a abordagem essa pesquisa e qualitativa conforme Yin (2004), visto que as relacoes de analise e a interpretacao das evidencias da literatura sao feitas de maneira indutiva. Quanto aos objetivos, esse trabalho tem caracteristicas de exploratorio e descritivo conforme Marconi e Lakatos (2008). Exploratorio porque o proposito dessa pesquisa e gerar proximidade com o tema, visando melhor compreender e gerar possiveis hipoteses, e descritivo porque a presente discussao descreve caracteristicas da GSCM e tenta estabelecer relacoes entre os elementos que a compoe.

Praticas de Sustentabilidade em Cadeias de Suprimentos

Jabbour et al. (2013) analisaram aspectos da gestao ambiental nas cadeias de suprimentos apontando perspectivas atuais e futuras. Dentre as quais se destacam a necessidade de solucoes integradas e o uso de indicadores claros. Na visao de Qingua et al. (2008) a pratica da GSCM deve contemplar desde os processos de compras verdes, passando pelos fornecedores, fabricantes, consumidores e fechando a cadeia com a logistica reversa. Walker et al. (2008) apontou algumas praticas: reuso de embalagens e materiais, reciclagem de produtos e uso de embalagens reciclaveis, coleta de dados ambientais dos vendedores da cadeia, reducao da emissao de poluentes gerados no transporte.

Na visao de Zhu et al. (2004) sao cinco as principais praticas: gerenciamento do ambiente interno, compras verdes, eco-design, cooperacao com o cliente e investimento em recuperacao. Praticas de green design foram apresentadas em Zhang et al. (1997), planejamento e controle de producao para re-manufatura fora sugeridas em Guide (2000) e o projeto da cadeia em Fleischmann et al. (2001).

Seuring e Muller (2008), apos uma pesquisa de revisao da literatura de 191 artigos sobre supply chain e sustentabilidade, identificaram lacunas e apontaram os principais direcionamentos que devem ser considerados no desenvolvimento das melhores praticas em GSCM. A primeira lacuna evidenciada e que o desenvolvimento sustentavel e frequentemente reduzido a melhorias ambientais, quando na verdade se faz necessario incluir aspectos tecnicos, uma compreensao positiva e uma abordagem de ciencia social. Logo, uma perspectiva integrada e necessaria onde a visao de ciencia social tenha destaque, assim como a integracao das tres dimensoes supracitadas. Outra lacuna evidenciada que deve direcionar o desenvolvimento das melhores praticas e o uso de um consistente embasamento teorico. A pesquisa evidenciou que os estudos de caso e surveys dos artigos analisados, necessitavam de uma melhor base teorica para que os desdobramentos possam chegar ate a pratica em uma SCM.

Sodano e Grandzol (2011), a partir de um survey, agruparam e identificaram o uso das melhores praticas em GSCM em classes: i) enfase estrategica: focar a sustentabilidade como direcionador da agenda da SCM, adotar a logistica reversa, direcionar recursos no budget para a GSCM; ii) recursos organizacionais: criar padroes para GSCM, articular GSCM com a missao da empresa, ter um lider executivo responsavel pelas iniciativas de GSCM, desenvolver times multifuncionais para GSCM; iii) praticas habilitadoras da GSCM: quantificar custos e beneficios da GSCM, usar claros padrao de performance para a GSCM, usar ferramentas de analise do ciclo de vida para investigar total impacto na supply chain, inserir GSCM nas metricas gerenciais e integra-lo nas praticas de melhorias existentes; iv) praticas de green manufacturing: plano de acao para reduzir uso de agua, energia, emissoes e materiais, usar metodos de producao puxada, adotar programa de reciclagem; v) GCSM: colaborar com os parceiros para melhorar o desempenho green, incluir a visao green no procurement, adotar criterios green de avaliacao dos fornecedores; e vi) logistica e transportes green e embalagens: ter acoes para minimizar rotas, entregas e emissoes, redesenhar embalagens para minimizar uso de materiais, usar embalagens reusaveis ou reciclaveis.

Nunes e Bennett (2010) investigaram as praticas sustentaveis na industria automotiva se concentrando em estudos de caso na Toyota, General Motors e Volkswagen. Nos achados referentes a GSCM, melhores praticas foram percebidas e podem servir de base para outros segmentos e industrias. De forma geral, o estudo evidenciou uma tentativa de mudanca de uma postura reativa para proativa, estendendo o controle sobre outras atividades da SCM e assim tomando acoes dentro de um contexto de maior incerteza dos seus negocios. As melhores praticas em GSCM envolvem fornecedores e a logistica de in-bound e out-bound. Dentre essas acoes se destacam incorporar criterios ambientais nas decisoes de compra e nas relacoes com fornecedores. Tais praticas tambem envolvem compartilhar riscos ao longo da SCM, transferir tecnologia e a reducao de perdas e custos em fornedores. Essas achados tambem estao presentes em Sarkis (1998), Kleindorfer et al. (2005) e Zhu et al. (2007).

Nunes e Bennett (2010) atribuiram a logistica reversa um escopo mais amplo de atuacao, a partir das praticas de GSCM na industria automotiva. A Toyota se destaca por: adotar praticas de analise do ciclo de vida final dos veiculos desde o projeto do produto; usar sistemas para garantir a correta selecao, reciclagem e tratamento de airbags e gases causadores do efeito estufa; praticas para coletar e reciclar pecas em final de vida util a partir de parcerias como revendedores e distribuidores dos componentes. A General Motors alem de possuir na Europa um grupo dedicado a coordenar as acoes de final de ciclo de vida de veiculos, tambem contempla no projeto dos produtos essa visao; a meta da empresa e ter em 2015 a proporcao de materiais em final ciclo de vida (FCV) que devem ser reusados ou recuperados, na faixa de 95% do peso do veiculo, liderando as melhores praticas do segmento quanto a FCV. A Volkswagen alem de possuir sistemas avancados de reciclagem na SCM tambem adota tais praticas na manufatura; a empresa e coordenando um novo processo para aumentar a taxa de reciclagem dos materiais em FCV para 95%. As tres companhias vem adotando energias verdes, como os carros flex, para reducao da dependencia do petroleo, e de forma geral as acoes de GSCM estao focadas na selecao de fornecedores, na transferencia de tecnologia e em sistemas logisticos mais eficientes (embalagens, rotas, otimizacao de cargas, etc).

O estudo de Hsu e Hu (2008), realizado na manufatura de eletronicos, evidenciou diversas praticas para sustentar a GSCM. Entre elas se destacam: compras verdes, auditorias ambientais para fornecedores, desenvolvimento de produtos colaborativo com fornecedores, parcerias com organizacoes locais de reciclagem e colaboracao com industrias do mesmo setor sobre produtos reciclaveis, e manuais de desmontagem de produtos. Dentre as praticas relacionadas aos fatores humanos se destacam: educacao e treinamento ambiental, suporte da alta gerencia, integracao entre setores e envolvimento da forca de trabalho. Dentre as praticas na SCM evidenciou-se: comunicacao efetiva dentro da companhia e com fornecedores, estabelecimento de sistema de gerenciamento de riscos ambientais, e selecao e avaliacao de fornecedores e portfolio de produtos sustentaveis.

Em busca do estado da arte em GSCM, Srivastava (2007) pesquisou 227 artigos datados de 1990 a 2005. Os principais achados do autor referente ao tema das melhores praticas foram no sentido de apresentar as praticas mais frequentes e as oportunidades de melhorias na GSCM. Dentre as melhores praticas evidenciaram-se os seguintes grupos: i) relacionadas a projetos green: o projeto de material e a recuperacao de produtos manufaturados, projeto orientado para a desmontagem do produto, projeto visando a minimizacao de perdas, analise do ciclo de vida do produto, projeto voltados a legislacoes, projeto voltado a re-manufatura, projeto voltado a reciclagem e o projeto ambientalmente consciente; ii) operacoes verdes: manufatura verde e re-manufatura de produtos (minimizam o uso de energias e materias virgens), reciclagem e recuperacao e reuso de materiais e produtos, re-uso de produtos, logistica reversa e projeto da SCM, gerenciamento de perdas, reducao de inventario, planejamento e controle da producao. O autor distribuiu a abrangencia da GSCM em tres categorias: importancia ambiental, ecodesign e operacoes verdes. Os desdobramentos das categorias estao representados na Figura 1.

Segundo Zucatto et al. (2008), implementar a GSCM significa operar considerando aspectos ambientais, de lucratividade e de qualidade. As abordagens para implantar a GSCM sugeridas pelos autores sao as propostas originalmente por Nunes et al. (2004): ambiental, estrategia e logistica. A logistica se da pelas acoes de compra, transformacao, processos internos, distribuicao, estocagem, disposicao final de produtos e retorno apos o fim da vida util destes. Ja a abordagem estrategica se relaciona as decisoes de longo prazo, formacao de parcerias duradouras, escolha de fornecedores, processos, produtos e mercados.

[FIGURE 1 OMITTED]

Os autores Minatti et al. (2011) revisaram extensa bibliografia e separaram os metodos e tecnicas encontradas em dez categorias: i) compras verdes, ii) fornecimentos verdes, iii) manufatura verde, iv) operacao verde, v) projeto verde, vi) embalagem verde, vii) logistica reversa, viii) sistemas de gestao ambiental (SGA), ix) inovacao verde, e (x) reconhecimento do cliente. As categorias nao sao mutuamente excludentes. Algumas categorias apresentam sombreamentos. Compras verdes tratam da imposicao de exigencias ambientais por parte de empresas focais e metodos de colaboracao com fornecedores. Fornecimentos verdes tratam de iniciativas ambientais dos membros da cadeia. Manufatura verde trata de procedimentos de fabricacao que minimizem o impacto ambiental. Operacoes verdes incluem atividades nao de fabricacao, tais como transporte, armazenagem, inspecao, manutencao e assistencia tecnica. Projeto verde inclui as tecnicas de ecodesign. Embalagem verde inclui reprojeto, reutilizacao, reaproveitamento e minimizacao da quantidade e material das embalagens. SGA enfocam o uso de certificacoes correspondentes, tais como normas das familias ISO-14000 e OSHAS-18000 e outras. Inovacao verde inclui o uso de tecnicas de estimulo a criatividade e uso de novas tecnologias para reducao do impacto ambiental. Reconhecimento do cliente inclui procedimentos que explicitam as expectativas do cliente em relacao aos produtos, tais como rotulagens ambientais e acoes de divulgacao de produtos ambientalmente amigaveis.

Holt e Ghobadian (2009) pesquisaram uma amostra de 149 industrias do Reino Unido e concluiram que a maioria das praticas de GSCM foca reducao de custos das atividades internas a organizacao, havendo menos esforcos nos processos de in-bound e out-bound. Como forma de ampliar o uso da GSCM os autores sugerem aumentar a comunicacao e disseminar as melhores praticas que quantificam custos e beneficios. Alem do apoio gerencial, a construcao da comunicacao, as melhores praticas e a criacao de grupos de compras de materiais green, podem ampliar a cultura green interna e externa a organizacao. Holt e Ghobadian (2009) tambem evidenciaram que o foco de melhoria nas operacoes internas, a partir das eficiencias operacionais em detrimento a uma relacao proativa com a SCM, leva as empresas a adotar auditorias nos fornecedores ao inves de estabelecer uma relacao ganha-ganha.

O estudo de Moore e Manring (2009), diferentemente da maioria dos trabalhos em GSCM, pesquisou as praticas de sustentabilidade no ambiente das pequenas e medias empresas (PMEs). Os autores evidenciaram algumas praticas para otimizar a GSCM. A primeira delas e o desenvolvimento de redes de cooperacao entre as PMEs em mercados onde grandes empresas possuem menos atuacao, para direcionar os problemas sistematicos que surgem na GSCM e na ecologia industrial. Na visao dos autores, a construcao de redes de cooperacao e importante, nao so porque as PMES representam a maioria do numero de empresas, como tambem rapidamente envolvem tecnologias de comunicacao que seguem por varias rotas. Alem disso, atraves do sucesso das redes onde estao inseridas, as PMEs podem se beneficiar individualmente do desempenho global.

Sarkis (2003) divide o cenario da GSCM em quatro grupos de atividades: i) ciclo operacional, composto de fornecimento, producao, distribuicao, logistica reversa, e embalagem; ii) ciclo de vida do produto, composto de introducao, crescimento, maturidade, e declinio; iii) praticas ambientais, formadas por reducao, reciclagem, remanufatura, reuso e disposicao de materiais; e iv) criterios de competicao: tempo, qualidade, custo e flexibilidade. Os tres primeiros sao antecedentes e o quarto inclui medidas de desempenho. O autor reconhece que os elementos organizados sao interdependentes e recomenda o uso de metodos multicriteriais realimentados para avaliacao de alternativas para a estrategia de cadeia sobre escolha dos parceiros, escolha da tecnologia, e escolha do tipo de tipo de colaboracao.

Conclusoes

O desenvolvimento do conceito de green supply chain management (GSCM) esta em desenvolvimento na literatura e seu debate e importante para o contexto da sociedade atual. Primeiramente foram revisados os conceitos de GSCM, conectando-os aos conceitos anteriores de SCM. Posteriormente, foram revisados artigos relevantes cujos objetivos foram propor organizacoes para o tema. Esse trabalho permitiu apresentar um amplo conjunto de melhores praticas adotadas pelos diversos niveis organizacionais para desenvolver e manter o desempenho da GSCM.

Percebeu-se como pratica recorrente a nivel gerencial e estrategico: a necessidade do apoio gerencial conforme visto em Holt e Ghobadian (2009) e Routroy (2009), e a necessidade de focar estrategicamente a implantacao da GSCM (Mentzer et al. 2001; Wisner et al. 2005; Holt e Ghobadian, 2009; Nunes e Bennett, 2010; Sodano e Grandzol, 2011). Ja para as areas de manufatura e demais areas envolvidas com a GSCM, as melhores praticas estao relacionadas ao: i) uso, reuso e reciclagem de materias primas, produtos, embalagens, e recursos como agua, ar e assim por diante; e ii) desenvolvimento de produtos sustentaveis, desenvolvimento de fornecedores parceiros sustentaveis.

As discussoes realizadas estao longe de se esgotar nesse trabalho e, portanto, como encaminhamento de trabalhos futuros sugere-se pesquisas em dois pontos. O primeiro sao estudos que investiguem quais indicadores devem ser adotados para suportar determinado conjunto de melhores praticas GSCM. O segundo foco de pesquisas futuras, que emerge a partir do numero baixo de investigacoes, e a proposicao de fatores criticos de sucesso e insucessos em projetos de implantacao da GSCM.

Recebido: 10/01/2014. Modificado: 06/06/2016. Aceito: 09/06/2016.

Diego Augusto de Jesus Pacheco. Doutorando em Engenharia de Producao, Centro Universitario Ritter dos Reis (UniRitter), Brasil. Professor, UniRitter, Brasil. Endereco: Orfanotofio 555, Porto Alegre, RS, Brasil. e-mail: diego_pacheco@uniritter.edu.br

Elenise Rocha. Doutoranda em Engenharia de Producao, Uni versidade do Rio dos Sinos (UNISINOS), Brasil. Professora, UNISINOS, Brasil. e-mail: eleniser@unisinos.br

Jose Antonio Valle Antunes Junior. Doutor em Administracao, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Brasil. Professor, UNISINOS, Brasil, e-mail: junico@produttare.com.br

Carlos Fernando Jung. Doutor em Engenharia de Producao, UFRGS, Brasil. Professor e Gestor, Polo de Inovacao Tecnologica do Paranhana/Encosta da Serra, Brasil, e-mail: carlosfernandojung@gmail.com

Daniel Fonseca da Luz. Doutorando em Engenharia de Producao, UNISINOS, Brasil. Pro fessor, Universidade Luterana do Brasil. e-mail: danielfonsecaluz@gmail.com

Issac Pergher. Doutorando em Engenharia de Producao, Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Brasil. Professor, UnIVATES, Brasil. e-mail: eng. isaac@hotmail.com

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Title Annotation:texto en portugues
Author:Pacheco, Diego Augusto de Jesus; Rocha, Elenise; Antunes, Jose Antonio Valle, Jr.; Jung, Carlos Fern
Publication:Interciencia
Date:Jul 1, 2016
Words:4158
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