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Surgical treatment of a case of cortical frontal meningioma in dog-case report/Tratamento cirurgico de um caso de meningioma cortical frontal em cao-relato de caso/Tratamiento quirurgico de un caso de meningioma cortical frontal en perro-relato de caso.

INTRODUCAO

O meningioma e a neoplasia intracraniana mais comum em animais de companhia, com sua incidencia em caes variando entre 33 e 49% de todas as neoplasias primarias e secundarias (1,2). Nessa especie, ao contrario do homem e dos gatos, o meningioma intracraniano frequentemente invade os tecidos adjacentes, o que torna dificil sua resseccao completa (1-3). A localizacao anatomica e o tamanho do tumor determinam a estrategia terapeutica (2,4,5).

A combinacao de exerese cirurgica e radioterapia e relatada como o tratamento mais efetivo, porem nem sempre e possivel porque sao poucos os centros veterinarios que dispoem de radioterapia. Por sua vez, a necessidade de submeter o animal a muitos procedimentos anestesicos durante todo o tratamento tambem pode inviabilizar a realizacao de radioterapia em medicina veterinaria (4,5).

A quimioterapia, de modo geral, nao e eficaz para o tratamento das neoplasias intracranianas devido a limitada penetracao pela barreira hematoencefalica e baixa sensibilidade das neoplasias intracranianas aos agentes quimioterapicos (1). Desta forma, a intervencao cirurgica e preconizada como opcao de tratamento de caes e gatos com meningioma. A difusao do uso da tomografia computadorizada, ressonancia magnetica e novas tecnicas em neurocirugia e anestesiologia tem contribuido, substancialmente, para que isso ocorra (2). O objetivo do presente trabalho e relatar o tratamento cirurgico de meningioma cortical frontal em um cao.

RELATO DE CASO

Foi atendido no Hospital Veterinario da Faculdade de Medicina Veterinaria e Zootecnia da Universidade Estadual Paulista "Julio de mesquita Filho", UNESP, campus de Botucatu, um cao macho, da raca Schnauzer, com 11 anos de idade e historico de convulsao desde um ano de idade. O animal havia sido tratado com fenobarbital por dois anos. Depois de oito anos, o mesmo voltou a apresentar crises convulsivas, agressividade e desorientacao. O animal estava sendo tratado novamente com fenobarbital na dose de 5mg/Kg, a cada 24 horas, ha quatro meses por um veterinario autonomo, porem sem melhora clinica.

Ao exame neurologico, o animal apresentava diminuicao da propriocepcao no membro pelvico esquerdo e deficit no posicionamento visual do membro toracico ipsilateral e de ambos os membros pelvicos. O hemograma e perfil bioquimico estavam dentro dos padroes de normalidade, com excecao da proteina plasmatica serica que estava discretamente aumentada.

Foi realizada tomografia computadorizada que evidenciou a presenca de massa extraaxial em cortex frontal direito de aproximadamente dois centimetros de diametro, com areas de calcificacao, efeito de massa, desvio da fissura longitudinal a direita, com realce apos aplicacao do meio de contraste (Figura 1).

O uso do fenobarbital foi mantido na dose de 2 mg/Kg, a cada 12 horas, associado a prednisona (0,5 mg/Kg, a cada 24 horas) e omega-3 (1 g/animal, a cada 24 horas). Foram realizadas tres sessoes de quimioterapia com lomustina na dose de 90 mg/[m.sup.2], com intervalos de 21 dias e o animal se manteve estavel durante esse periodo.

Realizou-se uma tomografia controle e foi observado aumento na dimensao da lesao em 0,7 centimetros em comparacao com o exame anterior (Figura 2), e optou-se pela realizacao do tratamento cirurgico. Realizou-se craniotomia rostrotentorial lateral direita para exposicao dos cortex frontal e parietal. Para isso, o animal foi posicionado em decubito esternal e a cabeca firmemente sustentada de modo a nao comprimir as veias jugulares. Foi realizada ampla depilacao e antisepsia com clorexidine degermante a 2% e clorexidine alcoolico. A incisao cutanea foi realizada sobre a linha media dorsal estendendo-se 5 centimetros caudal aos olhos e a protuberancia occipital externa. Em seguida, realizou-se a disseccao dos tecidos subcutaneo e adiposo para permitir a exposicao da fascia fibrosa do musculo temporal que foi incisada com um bisturi eletrocauterio bipolar. Posteriormente, o musculo temporal foi rebatido nos sentidos lateral e ventral para exposicao dos ossos frontal, parietal e temporal. Foram realizados quatro orificios com o auxilio de uma broca de alta rotacao, dispostos em formato de retangulo sobre os ossos frontal e parietal (Figura 3). Os orificios foram unidos e o retalho osseo foi removido com auxilio de um osteotomo. O segmento osseo foi mantido em solucao salina a 0,9%.

A hemorragia oriunda dos vasos da dura-mater foi controlada com o uso de eletrocauterio bipolar associado a irrigacao e succao continua da solucao salina a 0,9%o. A massa localizada no cortex frontal foi evidenciada e dissecada com tesoura delicada e bisturi bipolar. Nao foi possivel estabelecer um plano exato de dissecacao, e o tecido alterado foi removido parcialmente (Figura 4). Devido a lesao da duramater, e com o intuito de evitar extravazamento de liquor, a mesma foi substituida pela fascia muscular, incisada em forma retangular e suturada com a face lisa em contato com o cerebro. Posteriormente, o segmento osseo foi reajustado sobre seu eixo e suturado com fio de nylon 2-0. As suturas da fascia muscular, tecido subcutaneo e pele foram realizadas de forma rotineira.

Foi realizado estudo histopatologico da massa retirada, cujo resultado foi compativel com meningioma. Durante o periodo pos operatorio, foram realizadas as seguintes medicacoes: dexametasona (0,5 mg/Kg, a cada 24 horas), sulfametoxazol (15 mg/kg, a cada 12 horas), cloridrato de tramadol (2 mg/Kg, a cada 8 horas) e fenobarbital (5 mg/Kg, a cada 24 horas). O animal foi mantido em monitoracao intensiva, porem apresentou crises convulsivas e perda da consciencia dois dias apos a intervencao cirurgica. Devido a piora significativa do animal, o proprietario optou pela realizacao da eutanasia.

DISCUSSAO E CONCLUSAO

As caracteristicas tomograficas podem levar a um diagnostico mais provavel do tipo de tumor encefalico, porem o diagnostico definitivo e com exame histopatologico (6). As caracteristicas tomograficas eram compativeis com meningiomas, que geralmente apresentam limites bem definidos, tendem a se deslocar e promover compressao, nao invadindo o tecido encefalico, podendo mostrar nas imagens tomograficas um efeito massa com desvio da foice cerebral e ser associado a areas cisticas ou de calcificacao (7). O diagnostico provavel de meningioma sugerido pela tomografia foi confirmado posteriormente com a histopatologia.

[FIGURE 1 OMITTED]

[FIGURE 2 OMITTED]

[FIGURE 3 OMITTED]

[FIGURE 4 OMITTED]

O tratamento sintomatico com anticonvulsivantes e anti-inflamatorios esteroidais associado a quimioterapia com lomustina nao apresentou resultados favoraveis. Nos casos cuja neoplasia esteja localizada em uma area acessivel do encefalo e refratarios a quimioterapia, a craniotomia pode ser indicada como opcao para a remocao do tumor e melhora dos sinais clinicos apresentados pelo animal (8).

Os acidos graxos das series omega-3 (acido eicosapentanoico e acido docosahexaenoico) sao os principais nutraceuticos a serem considerados para animais com neoplasia. A suplementacao com esses agentes inibe a lipolise e a degradacao de proteinas musculares associadas com a caquexia em muitos modelos animais (9). Um estudo demonstrou que os acidos graxos omega-3 inibem a tumorigenese e a disseminacao da neoplasia em modelos animais (10). Foi prescrito o uso de omega-3 para o animal deste relato, porem, nao houve resposta ao tratamento.

Em uma revisao dos resultados dos tratamentos de meningioma intracraniano em caes, verificou-se que a sobrevida media foi de aproximadamente 3,9 meses com o tratamento sintomatico utilizando esteroides; 7 meses somente com a cirurgia; e 16,5 meses com cirurgia e radioterapia associadas (4). Em outro estudo, o tempo de sobrevida foi de 59 a 81 dias utilizando apenas o tratamento sintomatico com anti-inflamatorios csteroidais c/ou anticonvulsivantes (11).

O tempo de sobrevida utilizando quimioterapia, entretanto, pode variar consideravelmente e nao ha estudos suficientes que permitam uma conclusao definitiva a respeito de sua eficacia no tratamento de meningiomas intracranianos (4,12). Jung et al. (13), utilizando um protocolo com lomustina na dose de 60 mg/m2 a cada seis semanas em um cao da raca schnauzer, relataram um periodo de 13 meses sem a recorrencia dos sinais clinicos. Ja Tamura et al. (14), avaliando protocolo quimioterapico com hidroxiureia na dose inicial de 30 mg/kg associada a dexametasona, relataram tempo de sobrevida de 14 meses com citorreducao do tumor. Segundo os autores supracitados, a comparacao da resposta frente a um protocolo de quimioterapia deve ainda levar em consideracao a localizacao e o tamanho do tumor, bem como seu tipo histologico e a idade do paciente.

Neurocirurgias sao cada vez mais frequentes na rotina de hospitais veterinarios (15). Neste relato, a dura-mater foi substituida pela fascia muscular, incisada em forma retangular e suturada com a face lisa em contato com o cerebro, tecnica descrita por outros autores (1618). Nao foi possivel realizar uma analise efetiva da resposta ao tratamento cirurgico, uma vez que ocorreu piora significativa dos sinais clinicos no periodo pos-operatorio e o proprietario optou pela realizacao da eutanasia do animal. Caso nao o tivesse feito, o mesmo poderia ter sobrevivido. Segundo Moger (8), e comum a ocorrencia de convulsoes no periodo posoperatorio imediato devido ao traumatismo do cortex cerebral. Nesse caso, elas ocorrem devido a deposicao de tecido conjuntivo, formando uma cicatriz no tecido nervoso que pode atuar como um foco convulsivo (2,19).

No caso relatado, pretende-se ressaltar a realizacao de tratamento cirurgico para neoplasias cerebrais em caes. A intervencao cirurgica tambem permite a realizacao de biopsia para um diagnostico histologico do tipo de neoplasia. O resultado da tomografia computadorizada nao e conclusivo para neoplasia, porem e fundametal para a localizacao da massa e auxilia no planejamento cirurgico.

Recebido em: 11/05/2010

Aceito em: 17/09/2010

REFERENCIAS

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Jorge Piovesan Conti [1]

Victor Jose Vieira Rossetto [2]

Mariana Isa Poci Palumbo [3]

Marco Antonio Zanini [4]

Sheila Canevese Rahal [5]

Luiz Henrique de Araujo Machado [6]

Luiz Carlos Vulcano [7]

[1]* Medico Veterinario Autonomo. Rua Pedro Angella n[degrees]456 VI. Pinheiro. Botucatu,SP. CEP 18608-690 (11) 9900-0833, jpcontilSamail.com

[2] Pos graduando do Departamento de Cirurgia Veterinaria, FMVZ/UNESP-Botucatu. Distrito de Rubiao Jr. S/N. Botucatu, CEP 18618-000-SP, Brasil. Telefone: (14) 3811-6252, vjvrossetto@hotmail.com

[3] Pos graduanda do Departamento de Clinica Veterinaria, KMVZ/UNESP-Botucatu. Distrito de Rubiao Jr, S/N, Botucatu, CEP 18618-000-SP, Brasil. Telefone: (14) 8170-6918, palumbomall@yahoo.com.br

[4] Prof. Dr. do Departamento de Neurologia, Psicologia e Psiquiatria, Faculdade de Medicina de Botucatu; Distrito de Rubiao Jr. S/N. Botucatu, CEP 18618-000-SP, Brasil. Telefone: (14) 3811-6260, mzanini@fmb.unesp.br

[5] Profa. Dra. do Departamento dc Cirurgia Veterinaria, FMVZ/UNESP-Botucatu, Distrito dc Rubiao Jr. S/N. Botucatu, CEP 18618-000-SP, Brasil. Telefone: (14) 3811-6054, sheilacr@fmvz.unesp.br

[6] Prof. Dr. do Departamento de Clinica Veterinaria, FMVZ/UNESP-Botucatu, Distrito dc Rubiao Jr. S/N. Botucatu, CEP 18618-000-SP, Brasil, Telefone: (14) 3811-6280, henrique@fmvz.unesp.br

[7] Prof. Dr. do Departamento de Reproducao Animal e Radiologia Veterinaria FMVZ/UNESP-Botucatu, Distrito de Rubiao Jr. S/N. Botucatu, CEP 18618-000-SP, Brasil. Telefone: (14) 3811-6045, vulcano@fmvz.unesp.br
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Author:Conti, Jorge Piovesan; Rossetto, Victor Jose Vieira; Palumbo, Mariana Isa Poci; Zanini, Marco Antoni
Publication:Veterinaria e Zootecnia
Date:Dec 1, 2010
Words:2283
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