Printer Friendly

Sport and war in democratic Athens/Esporte e guerra na Atenas democratica.

As paixoes esportivas dos atenienses

O demos ("povo") ateniense despendia grande quantidade de tempo e dinheiro em competicoes esportivas. Eles tinham motivo para acreditar que organizavam mais festivais do que qualquer outra cidade-estado grega (Isocrates 4.45; [Xenofonte] Ath. Pol. 3.2; Aristofanes Nub. 307-310). A maioria de seus festivais competitivos foi estabelecida nos primeiros 50 anos da democracia (Osborne 1993: 2728). Competicoes atleticas eram destaques em 2/3 destes festivais (Osborne 1993: 38; Nielsen 2018: 46-51, 132-136). Eram muito mais frequentes do que os outros tipos de agones ("competicoes"). A popularidade do atletismo, portanto, claramente acompanhou o florescimento da democracia ateniense (Miller 2004: 233).

O programa mais extenso de competicoes era executado como parte das Grandes Panateneias (Kyle 2014: 160-165). Na decada de 380, esse festival quadrienal dedicado a Atena teve competicoes (agones) para individuos em 27 eventos esportivos, equestres e musicais (Shear 2003). Alem disso, as competicoes em grupos eram organizadas para coros pirricos e ditirambicos e para equipes tribais de corredores com tochas, marinheiros e jovens viris. Esses eventos eram mais numerosos que os das antigas Olimpiadas (Miller 2004: 113-129; Shear 2001: 382-384). Outros oito festivais atenienses tambem incluiam competicoes esportivas (Pritchard 2013: 93-96).

O demos ateniense forcava seus cidadaos da elite a pagar por uma grande parte dos custos operacionais fixos desses festivais esportivos (Xenofonte Oec. 2.6). Os competidores da corrida com tocha das Grandes Panateneias, das Hefesteias e das Prometeias competiam e treinavam como parte de equipes que haviam sido formadas a partir das dez tribos de Clistenes. O custo de treinar cada uma dessas dez equipes recaia sobre um cidadao de elite que servia como gumnasiarkhos ("patrocinador de treinamento esportivo") (Xenofonte Vect. 4.51-2). Um khoregos ou patrocinador do coro fazia o mesmo para cada um dos coros que competiam nos concursos dramaticos e ditirambicos da cidade-estado (Aristoteles Ath. Pol. 56.2-3; Pritchard 2004). Durante os anos 350 tais liturgias festivais chegaram a um total de 97 por ano, aumentando para 118 nos anos das Grandes Panateneias (Davies 1967: 40).

Na antiguidade, uma queixa ocasionalmente feita era de que os atenienses gastavam mais em festivais do que em guerras (Demostenes 4.35-7; Plutarco Mor. 349a). Desde August Bockh, alguns historiadores da Antiguidade viram essa queixa antiga como plenamente justificada (Bockh 1828: v. 1: 280, 360-361; Csapo & Slater 1995: 141; Kallet 1998: 47; Wilson 2008: 119). E inegavel que a democracia ateniense gastava uma grande quantia de dinheiro em festivais da polis. Mas a comparacao cuidadosa de seus gastos reais com eles e o que se gastava com as forcas armadas mostra que essa queixa esta totalmente errada. De fato, e evidente que a soma que os atenienses gastavam em guerras fez diminuir todas as outras despesas publicas combinadas (Pritchard 2015: 114-115, 2019: 152-157). Por exemplo, os gastos publicos dos anos 420 somente com a guerra foram de 1500 talentos, ou seja, 39 toneladas de prata, em media, por ano (Pritchard 2015: 92-98, 2019: 158-167). Durante a decada de 370, a media total de todos os gastos com as forcas armadas era de mais de 500 talentos ou 13 toneladas de prata por ano (Pritchard 2015: 99-111).

Apesar disso, o demos ateniense ainda dava alta prioridade ao financiamento generoso de seus festivais. Eles gastavam 25 talentos ou 650 quilos de prata em cada celebracao das Grandes Panateneias (Pritchard 2015: 28-40). Todo o programa de festivais administrados pela polis provavelmente consumia nada menos que 100 talentos, ou seja, 2,6 toneladas de prata a cada ano (Pritchard 2015: 40-51). Isso era muito dinheiro: comparavel ao custo operacional fixo da propria democracia ateniense e do orcamento anual total de um estado grego de tamanho medio (Pritchard 2015: 49, 51-90). O demos pode ter tratado a guerra como sua principal prioridade publica. Mesmo assim, eles gastavam claramente uma grande quantia em seus festivais esportivos.

A democracia ateniense tambem atribuiu grande importancia a infraestrutura publica para o atletismo (Kyle 2014: 170171). Assim, lideres politicos claramente obtinham vantagem nos agones ("debates") por preeminencia por cuidar dos campos esportivos publicos do Estado (Kyle 1987: 5692). Por exemplo, no seculo quinto, Cimon gastou seu proprio dinheiro na construcao de pistas de corrida apropriadas e de paisagismo para a Academia (Plutarco Vit. Cim. 13.7). Pericles usou fundos publicos para renovar o Liceu (Harp. s.v. 'Lyceum'). Alcibiades propos uma lei sobre o Cinosargo (Ath. 234e; IG [i.sup.3] 134).

Esse apoio publico ao atletismo foi tambem retratado de forma evidente na comedia antiga (Pritchard 2013: 113-120). As comedias que perduraram podem dar a impressao de que simplesmente todas as figuras publicas eram vitimas de abuso comico. Mas um estudo importante dos alvos dos antigos comediantes por Alan Sommerstein mostra que um grupo de atenienses notaveis escapou de tais ataques pessoais: os atletas atenienses (Sommerstein 1996: 331). Alem disso, em contraste com o tratamento dado para as outras atividades da elite, os poetas comicos nao submetiam o atletismo a uma parodia bem desenvolvida ou acritica direta. Eles assumiam de forma explicita que o atletismo era algo inequivocamente bom. Por exemplo, na obra As Nuvens, Aristofanes associou a "velha educacao"--da qual o atletismo era o componente principal--a normas de cidadania e virilidade (Aristofanes Nub. 961, 972-84, 1002-32; cf. Ran. 727-33). O Discurso Justo sugere que a educacao tradicional floresceu ao mesmo tempo que duas das virtudes fundamentais do Estado grego, isto e, a justica e a moderacao (Aristofanes Nub. 960-2). Ele tambem alimentou "os homens que lutaram em Maratona" (Aristofanes Nub. 985-6).

Na democracia ateniense, dramaturgos e oradores publicos geralmente retratavam atletas e atletismo nos mesmos termos positivos (Pritchard 2013: 103-113, 120-130, 138-156). Dramaturgos, evidentemente, eram membros da classe alta (Pritchard 2019: 112113). Porem, suas pecas eram executadas como parte das competicoes (agones) dramaticas de dois festivais patrocinados pela polis dedicados a Dioniso. O julgamento desses concursos estava oficialmente concentrado nas maos de juizes selecionados de forma aleatoria (Csapo & Slater 1995: 301-305). Mas a vitoria dependia, em ultima instancia, das respostas vocais dos espectadores que eram predominantemente de classe baixa (Demostenes 18.265; 19.33; 21.226; Platao Resp. 492a; Leg. 659a; Pritchard 2012: 16-17). Disso resultou que os poetas comicos e tragicos tiveram que adaptar suas pecas as perspectivas dos cidadaos de classe baixa Aristoteles Poet. 1453a; Pol. 1341b10-20; Platao Leg. 659a-c, 700a-1b). Sob a democracia ateniense, os litigantes e os politicos enfrentavam uma dinamica de desempenho comparavel: seus debates (agones) eram decididas pelos votos dos jurados e dos membros da Assembleia e do Conselho provenientes da classe baixa (Pritchard 2019: 114-115). Consequentemente, eles tambem tiveram que lidar com as percepcoes dos atenienses pobres (Aristoteles Rh. 1.9.30-1; 2.21.15-16; 2.22.3; Platao Resp. 493d).

Portanto, o tratamento extremamente positivo de atletas e do atletismo na literatura popular ateniense e uma evidencia clara da alta estima que a classe baixa ateniense tinha do esporte. A preferencia que os cidadaos que nao pertenciam a elite demonstravam pelas competicoes (agones) atleticas em seu programa de festivais patrocinado pelo Estado e o cuidadoso gerenciamento da infraestrutura publica dedicada ao atletismo podem ser atribuidos a sua avaliacao fortemente positiva dos atletas e do atletismo.

O paradoxo da elite esportiva sob a democracia

Para os rapazes e jovens atenienses, os treinos em atletismo ocorriam nas aulas regulares da escola do paidotribes ("professor de atletismo") (Pritchard 2013: 46-53). Isocrates explica como os professores de atletismo instruiam seus alunos nos "movimentos elaborados para a competicao" (Isocrates 15.183). Eles os treinavam no atletismo, acostumavam-nos a trabalhar e os compeliam a combinar cada uma das licoes que aprendiam (Isocrates 15.184-5). Para Isocrates, esse treinamento transformava os alunos em competidores atleticos competentes, desde que tivessem talento natural suficiente.

Professores de atletismo eram frequentemente representados em textos classicos ou em ceramica de figuras vermelhas dando aulas de luta livre ou em outras "modalidades pesadas", boxe e pankration (Aristofanes Eq. 490-2, 1238-9; Platao Alc. I 107e-8e; Grg. 456d-e; Pritchard 2019: 195). Isso nao e inesperado, pois muitos desses professores eram donos de uma palaistra ("escola de luta livre") (Esquines 1.10; Platao Lysis 204a, 207d; Grg. 456c-e). O inesperado e que tambem os encontramos treinando seus alunos em modalidades de esportismo padrao de "pista e campo" do atletismo grego (Fig. 1) (Pritchard 2013: 50). Por exemplo, no Politico, Platao descreve como ha em Atenas, da mesma maneira que em outras cidades, "muitas sessoes de treinamento" supervisionadas "para grupos", onde sao dadas instrucoes e ponoi ("esforcos") sao despendidos nao apenas em luta livre, mas tambem "por causa da competicao na corrida livre ou em alguma outra modalidade" (Platao Plt. 294d-e; cf. Grg. 520c-d).

E importante observar que a democracia ateniense nao financiava nem administrava a educacao (Pritchard 2013: 53-58). Consequentemente, cada familia tomava suas proprias decisoes sobre quanto tempo seus filhos estariam na escola e se eles seguiriam cada uma das tres disciplinas tradicionais de educacao: atletismo, musica e letras (Platao Alc. I 118d; Cleitophon 407b-c; Prt. 312b, 325e, 326c). Os atenienses entendiam muito bem que o numero de disciplinas que um garoto poderia seguir e a duracao de sua educacao dependiam dos recursos financeiros de sua familia (Aristoteles Pol. 1291b28-30, 1317b38-41; Platao Ap. 23c; Prt. 326c; Xenofonte Cyn. 2.1; [Xenofonte] Ath. Pol. 1.5; Jouanna 2017: 147-159). O dinheiro determinava nao apenas se uma familia poderia pagar as taxas escolares, mas tambem se eles poderiam dar aos seus filhos o "skhole" ("lazer") que eles precisavam para seguir disciplinas que eram ministradas ao mesmo tempo (Aristofanes Nub. 963-4). Os escritores coevos deixam claro que a maioria dos cidadaos pobres nao tinha condicoes de sustentar escravos domesticos suficientes (Aristoteles Pol. 1323a5-7; Herodoto 6.137; Pritchard 2019: 39). Consequentemente, eles confiavam em seus filhos para ajudalos a administrar fazendas ou os negocios (Golden 1990: 34-36). Esses escritores tambem estavam cientes de como esse trabalho infantil restringia as oportunidades educacionais dos meninos (Isocrates 7.43-5; 14.48; Xenofonte Cyn. 8.3.37-9).

Na obra Sport, democracy and war in Classical Athens (Esporte, democracia e guerra na Atenas Classica), eu reuno as evidencias que demostram como--enquanto resultado de tais barreiras socioculturais--as familias atenienses pobres deixavam de lado a musica e o atletismo (Pritchard 2013: 58-83). Eles enviavam seus filhos apenas para as licoes do professor de letras, pois acreditavam que elas eram as mais uteis para a instrucao moral e pratica. Dessa forma, eram apenas meninos ricos que recebiam treinamento em cada uma das tres disciplinas da educacao. Como o povo ateniense acreditava veementemente que o treinamento no atletismo era indispensavel para um desempenho digno de credito (Esquines 3.179-80; Esquines fr. 78a.34-5 Snell, Kannicht & Radt; Isocrates 16.32-3; Platao Leg. 807c), meninos e jovens de classe baixa nao eram nem incentivados a entrar em competicoes esportivas. Portanto, na democracia mais desenvolvida dos tempos pre-modernos, os atletas continuavam a ser predominantemente formados--e e possivel que ate exclusivamente--pela classe alta do Estado (Pritchard 2010: 3-4).

Havia, e claro, outras atividades na Atenas Classica, como o "simposio", uma festa onde se ia beber, a homossexualidade pederastica, a lideranca politica e a equitacao, que tambem eram de dominio exclusivo dos ricos (Pritchard 2013: 130-131, 2019: 62-63). No entanto, essas atividades da classe alta eram diferentes do atletismo em um aspecto critico: elas eram regularmente criticadas na comedia antiga e nos outros generos da literatura popular ateniense. Os atenienses pobres esperavam, um dia, desfrutar do estilo de vida dos ricos (Aristofanes Av. 592-600, 1105-8; Plut. 1334; Thesm. 289-90; Vesp. 708-11). Porem, eles ainda tinham problemas com as atividades exclusivas dessa classe social. Cidadaos ricos, por exemplo, eram criticados por seu prazer excessivo em relacao a dois elementos do symposion ("banquete"): alcool e prostitutas (Esquines 1.42; Aristofanes Eccl. 242-4; Eq. 92-4; Vesp. 79-80; Av. 285-6; Ran. 715, 739-40). O demos ateniense acreditava que os gastos com tal festa eram bancados as custas da capacidade de um cidadao rico de pagar pelas liturgias dos festivais e seus outros impostos (Aristofanes Ran. 431-3, 1065-8; Demostenes 36.39; Lisias 14.23-5; 19.9-11; Roisman 2005: 89-92).

O demos da Atenas Classica aparentemente nunca chegou a condenar completamente a pederastia (Pritchard 2013: 131-133). Caso contrario, e dificil explicar por que os politicos ocasionalmente utilizavam tal atividade como metafora para descrever comportamentos politicos que eles consideravam positivos (Aristofanes Eq. 730-40; Tucidides 2.43.1). No entanto, o julgamento que os atenienses de classe baixa faziam dessa homossexualidade pederastica era amplamente negativo, pois os oradores publicos--juntamente com os poetas comicos e tragicos--usualmente retratavam o amor pederastico como fonte de ansiedade, associando-o a vicios estereotipados da classe alta, deturpavam a relacao entre erastes ("amante") e eromenos ("amado"), representando-a como uma relacao entre cliente e prostituto (Aristofanes Plut. 127-42; Hubbard 1998). Assim, parece que o atletismo nao era apenas altamente valorizado, mas tambem apoiado pela democracia ateniense. Alem disso, ele escapou da critica

persistente das atividades da classe alta na cultura popular ateniense (Pritchard 2013: 136-138). Por que isto aconteceu, tem sido uma questao sem resposta.

Ideias populares e teorias modernas

Obviamente que tem havido ideias populares divergentes sobre o impacto do esporte na guerra (Pritchard 2013: 20-30). Essas ideias levaram a uma ampla gama de teorias modernas sobre essa relacao. O Duque de Wellington pode nunca ter ditto--apesar da fama que lhe e atribuida por ele ter dito --que a Batalha de Waterloo foi vencida nos campos de jogos de Eton. Porem, e verdade que, a partir do seculo XIX, os meninos das escolas particulares da elite inglesa foram obrigados a praticar esportes organizados em razao de sua moralidade (Guttmann 2001: 9). Esportes, como rugbi, criquete e atletismo, eram geralmente vistos como capazes de ensinarlhes os valores pessoais que eles precisavam para gerir os negocios, administrar o Imperio Britanico e lutar pelo rei e pelo pais. As elites contemporaneas na Europa e na America do Norte de fato viram esses esportes escolares como uma razao secreta para o sucesso economico e o imperio mundial da GraBretanha. Consequentemente, eles procuraram estabelecer clubes amadores para pratica-los, na esperanca de aumentar a fortuna de seus proprios paises. Esses clubes rapidamente formaram organizacoes nacionais. A partir deles, foram formados corpos esportivos internacionais. Um bom exemplo e o Comite Olimpico Internacional (International Olympic Committee). O COI estabeleceu-se em Paris em 1894 (Guttmann 2001: 12-20). Como principal proponente de seu estabelecimento, Pierre de Coubertin acreditava que reviver os Jogos Olimpicos uniria os paises hostis e estimularia a paz mundial (Guttmann 2001: 8-9).

Partindo de sua propria experiencia negativa em uma escola privada da elite inglesa, George Orwell chegou a conclusoes diferentes sobre o impacto do esporte na guerra, em uma coluna de jornal publicada em dezembro de 1945. A Uniao Sovietica havia enviado pouco tempo antes para a Inglaterra um dos seus principais times de futebol para jogar contra clubes locais ostensivamente, de modo a manter relacoes pacificas entre os dois aliados do periodo da guerra. Mas as coisas--segundo dizem--nao correram de acordo com o planejado: apos controversias sobre selecao de equipes e de arbitragem, confrontos violentos no campo de futebol e comportamento antidesportivo da parte dos torcedores ingleses, a equipe sovietica deixou a Inglaterra prematuramente depois de apenas dois jogos. Para Orwell, esse desastre do Dinamo de Moscou confirmou o ceticismo sobre o potencial do esporte internacional na promocao da coexistencia pacifica (Orwell 1973: 41-42). "Mesmo se", Orwell escreveu, "nao se soubesse por meio de exemplos concretos (os Jogos Olimpicos de 1936, por exemplo), que competicoes esportivas internacionais levam a orgias de odio, pode-se deduzi-lo dos principios gerais".

Orwell sugere que a ligacao de uma equipe esportiva a "alguma unidade maior" inevitavelmente desperta "os instintos mais combativos". No nivel internacional, isso encoraja os espectadores--juntamente com nacoes inteiras--a acreditar que "correr, pular e chutar uma bola sao testes de virtude nacional" e permite o "vencer a qualquer custo". Como resultado, Orwell conclui: "O esporte serio nao tem nada a ver com fair play. Esta ligado ao odio, a inveja, a arrogancia, ao desrespeito a todas as regras e ao prazer sadico em testemunhar violencia: em outras palavras, e a guerra sem o tiroteio" (Orwell 1973: 42).

Desnecessario dizer que o Comite Olimpico Internacional nunca aceitou qualquer critica a sua crenca na promocao da paz pelo esporte. Os sucessores de De Coubertin continuaram a acreditar que a promocao da paz mundial e a reconciliacao das nacoes em guerra eram os principais propositos das Olimpiadas modernas (Guttmann 2001: 1-2, 99, 181). Ao faze-lo, no entanto, eles nunca explicaram exatamente como a participacao esportiva alcanca tal resultado de "trazer a paz". Felizmente, ideias coerentes sobre o impacto do esporte no comportamento agressivo ha muito tempo tem sido usadas nas culturas populares do mundo ocidental. Por exemplo, treinadores de futebol americano acreditam que a pratica de esportes e uma maneira segura de reduzir a agressao, que reforca valores socialmente construtivos, tal como trabalho em equipe, e que, portanto, reduz a probabilidade de guerra (Sipes 1973: 66-67). Jornalistas esportivos ate acreditam que simplesmente assistir a esportes pode reduzir a agressao (Guttmann 1998: 18).

Dentro das ciencias sociais, essa visao popular do esporte como uma valvula de seguranca para a agressividade foi integrada em diferentes teorias da catarse. Essas teorias remontam a Freud e, em ultima analise, a Aristoteles. Possivelmente, a mais influente delas e o chamado "modelo catartico de descarga pulsional". Este modelo foi inventado por Konrad Lorenz nos anos 1960 (Lorenz 1966). Como pioneiro da Etologia, Lorenz defendeu que a agressao e um impulso inato. Ele vai se acumulando constantemente em animais ou seres humanos como tensao agressiva. Para Lorenz, esse acumulo e semelhante ao funcionamento de uma caldeira a vapor. A tensao agressiva aumenta ate o ponto em que deve ser liberada como uma explosao descontrolada ou em uma serie de descargas controladas. Consequentemente, a agressividade pode ser liberada com seguranca por meio de atividades socialmente aceitaveis, como o esporte (Lorenz 1966: 231-233, 242-243).

Esse modelo "catartico de descarga pulsional" ainda e usado, as vezes, pelos historiadores do esporte. Contudo, ele esta atualmente totalmente desacreditado nas ciencias sociais. Por sua vez, os psicologos sociais demostraram que o que o modelo de Lorenz prediz sobre o esporte competitivo e a agressao sao totalmente infundados: longe de haver uma relacao inversa, o esporte claramente aumenta a agressividade. Por exemplo, um estudo de psicologia social de estudantes da Universidade da Indiana descobriu que o nivel de agressao nao provocada entre os jogadores do futebol americano era muito maior do que daqueles que nao praticavam esporte algum (Zillmann, Johnson & Day 1974: 146-147, 150).

O esporte parece ter um impacto semelhante nos espectadores. Entrevistas em um jogo de futebol americano ArmyNavy realizado na Filadelfia mostraram que os espectadores do sexo masculino estavam muito mais agressivos depois do evento, independentemente de seu time ter ganhado ou perdido (Goldstein & Arms 1971: 88-89). Um estudo similar obteve os mesmos resultados com espectadores canadenses de hoquei no gelo: assistir ao jogo aumentou significativamente a agressividade geral nao somente nos homens, mas tambem nas mulheres (Arms, Russell & Sandilands 1979: 278-279). Alem disso, suas capacidades de interagir cooperativamente com os outros diminuiram durante o ato de assistir ao jogo. Esses resultados, conclui o estudo, "colocam em questao a suposicao de que os eventos esportivos sao necessariamente ocasioes sociais ricas, em que a boa vontade e as relacoes interpessoais calorosas sao estimuladas".

Outra disciplina das ciencias sociais que desafiou a teoria da "modelo catartico de descarga pulsional" e a antropologia. Os antropologos assumem que a agressao humana nao e uma qualidade inata. Pelo contrario, e algo que e aprendido ou, pelo menos, inteiramente moldado por fatores socioculturais (Sipes 1973: 66-67). Alguns antropologos tambem assumem que valores comuns caracterizam atividades sociais dispares e que padroes gerais de uma cultura tendem a se apoiar mutuamente. Claude Levi-Strauss, por exemplo, presumiu que diferentes estruturas de significado em uma cultura tendem a "se sobrepor, cruzar e reforcar uma a outra" (Morley 2004: 123). Finalmente, Gunther Luschen a partir de estudos de caso antropologicos afirma que "o esporte e de fato uma expressao do sistema sociocultural em que ele ocorre" (Luschen 1970: 87). Para Luschen, o esporte nao apenas evoca as normas e valores de uma sociedade, mas tambem "socializa" em sua direcao. O esporte ajuda, portanto, a articular e legitimar as estruturas sociais (Luschen 1970: 93-94).

Em um aclamado estudo, Richard Sipes reune tais suposicoes em uma nova teoria sobre o impacto do esporte na guerra. Ele denomina sua teoria de modelo de padrao cultural (Sipes 1973: 64-65). Este modelo considera a "intensidade e configuracao" da agressao como "caracteristicas predominantemente culturais". Ele pressupoe "uma tensao direcionada a consistencia em cada cultura, com valores e padroes de comportamento semelhantes, como a agressividade, tendendo a se manifestar em mais de uma area de cultura" (Sipes 1973: 65). Consequentemente, comportamentos e padroes culturais "relativos a guerras e esportes belicos tendem a se sobrepor e reforcar a presenca um do outro" (Sipes 1973: 65, grifo do autor). O modelo de Sipes preve uma relacao direta entre esportes belicos e guerra: esportes belicos sao mais provaveis de ocorrer em sociedades guerreiras do que em sociedades pacificas.

A sobreposicao cultural entre esporte e guerra

Os atenienses do periodo classico pensavam no atletismo e na batalha a partir de um conjunto comum de conceitos. Nenhum escritor antigo comentou a respeito dessa sobreposicao cultural. Porem, o modelo de padrao cultural de Sipes sugere que essa sobreposicao pode explicar o paradoxo do esporte de elite na democracia ateniense. A superposicao cultural mais importante era de que a batalha e uma competicao atletica qualquer eram ambas consideradas um agon--isto e--uma disputa decidida por regras mutuamente acordadas (Pritchard 2013: 165-176). Nos ultimos 20 anos, as democracias ocidentais--incluindo a minha--por vezes travaram guerras contrariando a lei internacional. Portanto, pode ser facil esquecer que a guerra no mundo ocidental ja foi regulada por convencoes amplamente discutidas e vista como uma maneira legitima de resolver disputas entre estados-nacao. A batalha hoplitica usual da Grecia Classica nao constituiu uma excecao, sendo como era--para citar Jean-Pierre Vernant--"um teste tao limitado por regras quanto um torneio" (Vernant 1988: 38).

Consequentemente, um estado grego informava outro sobre a sua intencao de atacalo enviando um arauto (Tucidides 1.29.1). De comum acordo, seus exercitos se reuniam na topografia que melhor se adequava a guerra terrestre para os gregos: uma planicie agricola (Herodoto 7.9; Plutarco Mor. 193e). Depois de horas de luta corpo-a-corpo, o momento decisivo era a trope ("virada"), quando os hoplitas de um lado se separavam e corriam para se salvar (Euripedes Heracl. 841-2). Os vencedores os perseguiam apenas por uma curta distancia antes de se voltarem para o que tinham que fazer no campo de batalha. La, eles coletavam os corpos de seus companheiros mortos, despojavam os corpos do inimigo e usavam algumas das armas e armaduras que haviam capturado para montar um tropaion ("trofeu") no local exato em que o trope havia ocorrido (Esquines Sept. 277, 954). Quando os derrotados tinham tempo de se reagrupar, eles enviavam um arauto aos que controlavam o campo de batalha para pedir uma tregua a fim de recuperar seus mortos (Plutarco Vit. Nic. 6.5-6; Tucidides 4.44, 97). O costume ditava que os vencedores, de maneira honrosa, nao poderiam recusar esse pedido. Contudo, se reconhecia no pedido de tregua uma admissao decisiva de derrota (Herodoto 1.82; Tucidides 4.44.5-6; Xenofonte Hell. 3.5.22-5; 7.5.26).

Para os atenienses do periodo classico, os agones ("disputas") do atletismo e da guerra tambem testavam a fibra moral e as capacidades fisicas individuais dos esportistas e soldados (Pritchard 2013: 176-188). Ambos eram considerados como atividades que envolviam ponoi ("esforco fisico") e kindunoi ("perigos") (Ponoi em esportes: Euripedes Alc. 1025-6; Pindaro Isthm. 4.47; 5.22-5; Ol. 6.9-11; 10.22-3; Nem. 6.23-4. Ponoi em batalhas: Aristofanes Ach. 695-7; Eq. 579; Euripides Supp. 373; Tucidides 2.38.1. Kindunoi: Demostenes 60.3-5; Lisias 2.20, 43, 50-1; Platao Menex. 239a-b). Essa visao popular do atletismo como perigoso era bem justificada. Por exemplo, as amarras das maos e dos bracos de um boxeador grego foram projetadas--como as soqueiras--para proteger suas maos e ferir seu oponente, enquanto o vencedor de uma luta de boxe surgia apenas quando um boxeador desistia ou era derrubado inconsciente. Os boxeadores eram, de fato, ocasionalmente mortos (Pausanias 6.4.2; 8.40.3-5). As representacoes frequentes deles em vasos de figuras negras e vermelhas mostram o sangue escorrendo de seus rostos (Fig. 2).

Os atenienses do periodo classico acreditavam que a vitoria tambem se devia a arete ("bravura") dos atletas (Bowra 1964: 171-172) e soldados (Demostenes 60.21; Lisias. 2.4-6, 20, 64-5; Platao Menex. 240d) e a kudos ("ajuda divina") dos deuses e semideuses protetores da polis (Sofocles El. 697-9; Bowra 1964: 173-174; Pritchard 2019: 209-211. Kudos para os soldados: Esquilo Sept. 271-80; Aristofanes Vesp. 1085; Lisias 2.39; Tucidides 6.32.1). Em contraposicao, a derrota de um esportista (Xenofonte Mem. 3.7.1; Bowra 1964: 182-183) e de um soldado (Demostenes 60.21; Euripedes Or. 1475-88; Lisias 2.64-5) era atribuida a sua covardia e considerada uma fonte de intensa vergonha pessoal.

Essa sobreposicao cultural entre as agones (competicoes/disputas) do esporte e da guerra resultou em duas formas distintas de avaliacao que os atenienses de classe baixa tinham do atletismo. A primeira dessas formas estava intimamente ligada a posicao do polemos ("guerra") na Atenas democratica (Pritchard 2019: 153-157). Os atenienses do periodo classico intensificaram e transformaram a conducao da guerra (Pritchard 2010: 5-7, 15-27, 2019: 4-9). Frequentemente atacavam outras democracias e matavam dezenas de milhares de companheiros gregos. No momento em que a democracia ateniense consolidou-se plenamente, a guerra havia dominado suas politicas e suas vidas pessoais. A guerra consumia mais dinheiro do que todas as outras atividades publicas combinadas, era travada com mais frequencia do que nunca e constituia o principal tema do debate politico (Pritchard 2010: 6). Os cidadaos da classe baixa valorizavam mais a guerra do que qualquer outra atividade secular. Eles viam a si proprios como mais corajosos no campo de batalha do que o resto dos gregos, seus motivos para travar guerras como sempre justos, e a historia de seu Estado--desde a era dos herois--como uma serie de vitorias militares quase ininterruptas (Demostenes 60.11; Lisias 2.55; Euripedes Supp. 306-42, 378-80; Crowley 2012: 88-92) (1).

Na Atenas democratica, a guerra era mais proeminente como atividade publica do que o atletismo. Os atenienses do periodo classico--e verdade--devotavam muito tempo e dinheiro a agones atleticos. Mas eles se dedicavam consideravelmente mais a suas forcas armadas e campanhas militares verdadeiras. Tais campanhas normalmente envolviam milhares de hoplitas e marinheiros nao pertencentes a elite. No entanto, a concepcao dessas duas atividades como comparaveis significava que o atletismo estava intimamente associado a uma parte dos negocios vitais da democracia ateniense, que era mantida na mais alta estima possivel. As outras atividades conspicuas dos ricos careciam de uma conexao tao proxima com o polemos. Isso significou que a sobreposicao cultural entre esporte e guerra deu ao atletismo uma vantagem real sobre elas nas avaliacoes que o demos ("o povo") fazia regularmente sobre o estilo de vida da elite.

Conclusoes: a democratizacao da guerra

A Atenas do seculo V estendeu o servico militar e suas representacoes tradicionais a todos os estratos da classe mais baixa. Antes da democracia ateniense, a guerra era, em grande parte, uma atividade de elite. As guerras eram travadas com pouca frequencia. Elas eram iniciadas de forma privada por lideres de faccoes da classe alta (Plutarco Vit. Sol. 9.2-3; Pritchard 2019: 5-6). Os hoplitas de cada campanha eram numerados as centenas e nao aos milhares. Eles vinham predominantemente da classe alta de Atenas (Singor 2009). Como eles representavam a sua infantaria pode ser visto na ceramica arcaica de figuras negras e vermelhas. As cenas militares nesses objetos foram analisadas de forma excelente por Francois Lissarrague. Essas cenas mostram como os atenienses de classe alta se basearam nos valores e nos conceitos da poesia epica para glorificar sua propria vida militar (Lissarrague 1990: 233-240). Isso pode ser visto claramente nas cenas de um hoplita morto em acao ou de seu cadaver sendo levado de volta para Atenas. Os herois de Homero discutem como eles vao obter o renome imperecivel e a memoria imperecivel de sua juventude morrendo bravamente em batalha (Homero Il. 12.318-28; 22.71-3, 304-5; cf. 22.362-4; Loraux 2018). Com sua "bela morte", um heroi obtem uma confirmacao eterna de sua arete, que se reflete na beleza de seu cadaver. Os pintores as vezes representam essa arete do hoplita abatido pintando um leao (Lissarrague 1990: 71-96). O leao era um dos animais usados por Homero para representar a excelencia marcial de um heroi (Homero Il. 5.782; Od. 8.161; 11.611). Os pintores aticos evocavam a conquista da bela morte dos herois dando apenas ao hoplita cabelos longos, o que e, novamente, uma caracteristica dos herois na poesia epica (Homero Il. 3.43; 2.443, 472; 18.359).

A criacao de um exercito publicamente controlado de hoplitas como parte das reformas que Clistenes introduziu no final do seculo VI a.C., a expansao massiva da marinha publica e a introducao do pagamento pelo servico militar abriram a guerra, assim como a politica, para grandes numeros de cidadaos que nao eram da elite (Pritchard 2013: 200-203). Devido ao poder real que essa classe social exercia nos foruns politicos e legais da democracia ateniense e tambem em seus concursos dramaticos, oradores publicos e dramaturgos acharam necessario representar as experiencias desses novos hoplitas e marinheiros com a explicacao moral tradicional da vitoria no campo esportivo ou de batalha (Esquilo Pers. 357-60, 386-401; Aristofanes Vesp. 684-5; Tucidides 2.86; Pritchard 2018, 2019: 109-137).

Essa democratizacao ideologica da guerra pode ser claramente observada no funeral publico dos atenienses mortos em guerras (Arrington 2015). As cinzas desses combatentes mortos eram colocadas em 10 urnas de cipreste (um para cada tribo) e exibidos no centro civico de Atenas (Tucidides 2.34). No dia do funeral, eles eram levados para o cemiterio publico, onde eram colocados em uma "bela e grandiosa tumba" (Platao Menex. 234c). Essas tumbas eram as vezes adornadas com estatuas de leoes e imagens de soldados matando inimigos que evocavam a arete daqueles que foram enterrados (Low 2010: 342-350). Elas tambem tinham epigramas, explicando que os mortos haviam colocado sua arete alem da duvida, deixando para tras uma memoria eterna de coragem (IG [i.sup.3] 1179.3, 8-9; 1162.48). Por fim, cada tumulo mostra uma lista completa das vitimas do ano--incluindo marinheiros atenienses--organizada por tribos (IG [i.sup.3] 1142-93; Pritchard 1999: 234-240). A oracao funebre tradicionalmente realizada depois do enterro sempre mostrava como os mortos de guerra haviam garantido "a morte mais bela": ao cairem em batalha pelo estado, obtinham um renome imperecivel e uma lembranca imperecivel nao apenas pela sua arete, mas tambem pela sua juventude (Demostenes 60.32-3; Hiperides 6.27-30; Lisias 2.78-81; Platao Menex. 247c, 248c; Tucidides 2.43-4).

Essa democratizacao pratica e ideologica da guerra criou uma segunda forma da sobreposicao cultural entre esporte e guerra impactar positivamente no esporte. O demos ateniense nao apenas associava o atletismo com a altamente valorizada e proeminente atividade publica da guerra, mas tambem tinha uma forte ligacao pessoal com as atividades que os atletas de fato praticavam.

Eles podiam ver como os esportistas exibiam sua arete e suportavam kindunoi e ponoi da mesma forma como eles mesmos faziam quando lutavam por Atenas. Juntas, essas duas maneiras explicam por que os atenienses que nao pertenciam a elite valorizavam tanto o atletismo e os atletas, protegendo-os ambos das criticas publicas e mostrando uma forte preferencia por competicoes (agones) atleticas em relacao aos outros tipos de competicoes em seu programa de festivais. Em conclusao, as mudancas que os atenienses que nao pertenciam a elite realizaram na conducao da guerra legitimaram e sustentaram o esporte de elite.

Agradecimentos

Este artigo e resultado de uma conferencia proferida no Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de Sao Paulo (MAE/USP) e na Universidade Federal de Sao Paulo (UNIFESP) em 2018. Agradeco sinceramente a Camila Diogo de Souza e Lucia Sano por me convidarem para palestrar em suas respectivas universidades. Sou imensamente grato a Camila pela excelente traducao do artigo para o portugues.

Referencias bibliograficas

Arms, R.L.; Russell, G.W.; Sandilands, M.L. 1979. Effects on hostility of spectators of viewing aggressive sports. Social Psychology Quarterly 42: 275-279.

Arrington, N. 2015. Ashes, images and memories: the presence of the war dead in fifth-century Athens. Oxford University Press, Oxford.

Balot, R.K. 2014. Courage in the democratic polis: ideology and critique in Classical Athens. Oxford University Press, Oxford.

Bockh, A. 1828. The public economy of Athens. Traducao: George Cornewall Lewis. J. W. Parker, London, 2 volumes.

Bowra, C.M. 1964. Pindar. Oxford University Press, Oxford.

Crowley, J. 2012. The psychology of the Athenian hoplite: the culture of combat in Classical Athens. Cambridge University Press, Cambridge.

Csapo, E.; Slater, W.J. 1995. The context of ancient drama. University of Michigan Press, Ann Arbor.

Davies, J.K. 1967. Demosthenes on liturgies: a note. JHS 87: 33-40.

Golden, M. 1990. Children and childhood in Classical Athens. JHU Press, Baltimore.

Goldstein, J.H.; Arms, R.L. 1971. Effects of observing athletic contests on hostility. Sociometry 34: 83-90.

Guttmann, A. 1998. The appeal of violent sports. In: Goldstein, J. (Ed.). Why we watch: the attractions of violent entertainment. Oxford University Press, Oxford, 7-26.

Guttmann, A. 2001. The Olympics: a history of the modern games. 2. ed. University of Illinois Press, Urbana.

Hubbard, T.K. 1998. Popular perceptions of elite homosexuality in Classical Athens. Arion 6: 48-78.

Jameson, M. 1980. Apollo Lykeios in Athens. Archaiolognosia 1: 213-236.

Jouanna, D. 2017. Lenfant grec au temps de Pericles. Realia; Les Belles Lettres, Paris.

Kallet, L. 1998. Accounting for culture in fifth-century Athens. In: Boedeker, D.; Raaflaub, K.A. (Eds.). Democracy, empire, and the arts in fifth-century Athens. Havard University Press, Cambridge, 43-58.

Kyle, D.G. 1987. Athletics in Ancient Athens. E. J. Brill, Leiden.

Kyle, D.G. 2014. Sport, society and politics in Athens. In: Kyle, D.G.; Christesen, P. (Eds.). Sport and spectacle in the Greek and Roman world. WileyBlackwell, Chichester, 159-175.

Lissarrague, F. 1990. Lautre guerrier: archers, peltastes, cavaliers dans l'imagerie attique. La Decouverte Ecole Francaise de Rome, Paris; Rome.

Loraux, N. 2018. The "beautiful death" from Homer to democratic Athens. Traducao: David M. Pritchard. Arethusa 51: 73-89.

Lorenz, K. 1966. On aggression. Traducao: Marjorie K. Wilson. Routledge, New York.

Low, P. 2010. Commemoration of the war dead in Classical Athens: remembering defeat and victory. In: Pritchard, D.M. (Ed.). War, democracy and culture in Classical Athens. Cambridge University Press, Cambridge, 341-358.

Luschen, G. 1970. The interdependence of sport and culture. In: Luschen, G. (Ed.). The cross-cultural analysis of sport and games. Stipes Publishing Co., Champaign, 85-99.

Miller, S.G. 2004. Ancient Greek athletics. Yale University, New Haven.

Morley, N. 2004. Theories, models and concepts in ancient history. Psychology Press, London.

Nielsen, T.H. 2018. Two studies in the history of Ancient Greek athletics. The Royal Danish Academy of Sciences and Letters, Copenhagen.

Osborne, R.G. 1993. Competitive festivals and the polis: a context for the dramatic festivals at Athens. In: Sommerstein, A.H. et al. (Eds.). Tragedy, comedy and the polis: papers from the Greek drama Conference Nottingham 18-20 July 1990. Levante Editori, Bari, 21-38.

Orwell, G. 1973. The sporting spirit. In: eds. Orwell; S.; Angus, I. (Eds.). The collected essays, journalism and letters of George Orwell--volume IV: in front of your nose 1945-50. London: 40-4.

Pritchard, D.M. 1999. The fractured imaginary: popular thinking on citizen soldiers and warfare in fifth-century Athens. Tese de doutorado. Macquarie University, Sydney.

Pritchard, D.M. 2004. Kleisthenes, participation, and the dithyrambic contests of late archaic and Classical Athens. Phoenix 58: 208-228.

Pritchard, D.M. 2010. The symbiosis between democracy and war: the case of Ancient Athens. In: Pritchard. D.M. (Ed.). War, democracy and culture in Classical Athens. Cambridge University Press, Cambridge, 1-62.

Pritchard, D.M. 2012. Aristophanes and de Ste. Croix: the value of old comedy as evidence for Athenian popular culture. Antichthon 46: 14-51.

Pritchard, D.M. 2013. Sport, democracy and war in Classical Athens. Cambridge University Press, Cambridge.

Pritchard, D.M. 2015. Public spending and democracy in Classical Athens. University of Texas Press, Austin.

Pritchard, D.M. 2018. The standing of sailors in democratic Athens. DHA 44: 231-253.

Pritchard, D.M. 2019. Athenian democracy at war. Cambridge University Press, Cambridge.

Roisman, J. 2005. The rhetoric of manhood: masculinity and the attic orators. University of California Press, Berkeley.

Shear, J.L. 2001. Polis and Panathenaia: the history and development of Athena's Festival. Dissertacao de mestrado. University of Pennsylvania, Philadelphia.

Shear, J.L. 2003. Prizes from Athens: the list of Panathenaic prizes and the sacred oil. ZPE 142: 87-105.

Singor, H.W. 2009. War and international relations. In: Raaflaub, K.A.; Wees, H. (Eds.). A companion to Archaic Greece (585-603). John Wiley & Sons, New Jersey.

Sipes, R.G. 1973. War, sport and aggression. American Anthropologist 75: 64-86.

Sommerstein, A.H. 1996. How to avoid being a Komodoumenos. CQ 46: 327-356.

Vernant, J.P. 1988. Myth and society in Ancient Greece. Traducao: Janet Lloyd. Zone Books, New York.

Wilson, P. 2008. Costing the Dionysia. In: Revermann, M.; Wilson, P. (Eds.). Performance, iconography, reception: studies in honour of Oliver Taplin. Oxford University Press, Oxford, 88-127.

Zillmann, D.; Johnson, R.C.; Day, D.K. 1974. Provoked and unprovoked aggressiveness in athletics. Journal of Research in Personality 8: 139-152.

David M. Pritchard, Traducao de Camila Diogo de Souza (Museu de Arqueologia e Etnologia, Universidade de Sao Paulo. <caumilasouza@gmailcom>), Lucia Sano (Escola de Filosofia, Letras e Ciencias Humanas, Universidade Federal de Sao Paulo. <lucia.sano@unifesp.br>).

** Professor Associado da School of Historical and Philosophical Inquiry, Faculty of Humanities and Social Sciences, University of Queensland, Australia. <d.pritchard@uq.edu.au>

(1) Esta e a imagem do ato de guerrear ateniense na oracao funebre e na tragedia.

Caption: Fig. 1. Professor de atletismo supervisiona dois alunos que estao praticando o skhemata, um se movimenta para arremessar o disco e o outro para saltar com pesos de mao. Calice atico de figuras vermelhas, 490-480 a.C., atribuido ao pintor Antiphon. Museum of Applied Arts and Sciences, Sidnei, inv. no. 99/117/1.

Caption: Fig. 2. Dois pugilistas amarram suas maos com himantes ("soqueiras de couro"), enquanto outros dois ferem os rostos um do outro em uma luta de boxe. Calice atico em figuras vermelhas, 490 a.C., atribuido ao pintor Triptolemos. Toledo Museum of Art, Toledo (Ohio), inv. no. 1961.26.
COPYRIGHT 2017 Museu de Arqueologia e Etnologia - Universidade de Sao Paulo
No portion of this article can be reproduced without the express written permission from the copyright holder.
Copyright 2017 Gale, Cengage Learning. All rights reserved.

Article Details
Printer friendly Cite/link Email Feedback
Title Annotation:texto en portugues
Author:Pritchard, David M.
Publication:Revista do Museu de Arqueologia e Etnologia
Date:Jul 1, 2017
Words:6405
Previous Article:The trumpet and the games/A trombeta e os jogos.
Next Article:Laurels to Sparta: between [phrase omitted]/Louros a Esparta: entre [phrase omitted].
Topics:

Terms of use | Privacy policy | Copyright © 2022 Farlex, Inc. | Feedback | For webmasters |