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Speech fluency profile: comparative analysis between the sporadic and familial persistent developmental stuttering/Perfil da fluencia: analise comparativa entre gagueira desenvolvimental persistente familial e isolada.

* INTRODUCAO

Gagueira desenvolvimental e um disturbio da comunicacao tipicamente caracterizado pelas rupturas excessivas e/ou longas na fluencia durante a formulacao linguistica da fala [1].

A principal manifestacao da gagueira e a falha intermitente do sistema nervoso em gerar sinais de comando apropriado para os musculos dos quais a atividade deve ser controlada dinamicamente para a fala fluente ser produzida [2].

A etiologia da gagueira ainda e desconhecida, porem ha um consenso de que fatores geneticos atuam em aproximadamente metade dos casos de gagueira desenvolvimental persistente [3]. Este subgrupo de gagueira foi denominado Gagueira Desenvolvimental Persistente Familial [3,4]. O outro subgrupo de gagueira com origem na infancia e sem predisposicao genetica e descrito como Gagueira Desenvolvimental Persistente Isolada.

Entre os principais argumentos que fundamentam os fatores geneticos na gagueira, sao citados: 1) maior concordancia entre gemeos monozigoticos (62,5% a 90%) que em gemeos dizigoticos (6,6% a 9%) [5]; 2) gagueira e mais propensa a se desenvolver em individuos consanguineos do que nos casos em que os individuos afetados nao tenham essa relacao [5]; 3) a similaridade da caracteristica fenotipica desenvolvida entre gagos, como repeticoes, prolongamentos de sons e silabas de palavras sem estarem ligadas a diferencas de lingua e cultura [4].

Porem, as teorias contemporaneas da gagueira revelam que o disturbio e multifatorial, portanto nao existe um unico fator constitucional ou ambiental suficiente para justificar o quadro clinico [6]. Sabe-se tambem que o espectro dos fatores de risco na gagueira e amplo e heterogeneo [7]. Portanto, esse disturbio resulta de uma influencia complexa de multiplos fatores que incluem a predisposicao genetica, habilidades motoras da fala, fatores linguisticos, cognitivos, emocionais e ambientais [8]. Para os estudiosos [8], o peso de cada fator e como eles interagem com outros fatores no tempo, provavelmente resultam em diferencas consideraveis entre individuos com gagueira. Como fator ambiental, a literatura destaca o emocional que pode afetar o desenvolvimento da afeccao ou sua gravidade por meio de fatores pessoais e conflitos familiares [9].

Dentre os fatores biologicos, sao ressaltados os que apresentam maior significancia quanto ao desenvolvimento do disturbio: historico pre-natal, medico, de desenvolvimento, linguagem e genetico [5,10].

Os fatores de risco para a gagueira foram estudados nos dois subgrupos, familial e isolado, e os resultados mostraram que os mesmos foram similares, independentes do historico familial [11]. Os fatores que mais se destacaram nos dois grupos foram: o genero masculino; a persistencia do disturbio, a duracao de mais de 12 meses das disfluencias; a presenca da tipologia gaga e de fatores qualitativos associados as disfluencias, e a atitude familiar e reacao pessoal negativa [11].

Quando os dois subgrupos foram comparados quanto aos fatores de risco, apenas os fatores estressantes proximos ao surgimento das disfluencias apresentaram diferenca estatisticamente significante. Portanto, as autoras acreditam que nos casos em que nao ocorre historico familial positivo para gagueira, sao necessarios mais fatores de risco, por isso o grupo de gagueira desenvolvimental isolada pode ter apresentado significantemente mais fatores estressantes, em relacao ao grupo de gagueira familial [11].

Um estudo recente sobre a analise dos fatores de risco nos casos de gagueira isolada permitiu conhecer que o risco do disturbio aumenta quando as disfluencias duram mais de 12 meses e quando ocorre a presenca de fatores qualitativos e comunicativos associados [12].

No entanto, as medidas mais conhecidas da funcao comunicativa para a populacao de pessoas que gaguejam sao as quantitativas (como a frequencia de disfluencias gagas) e as qualitativas (como por exemplo, os tipos de disfluencias) 13. Alem disso, outra medida utilizada e recomendada pela literatura e a taxa de elocucao, que indica a produtividade comunicativa [13].

Portanto, o objetivo do estudo foi avaliar e comparar a fluencia de individuos com Gagueira Desenvolvimental Persistente Familial nao relacionados e de individuos com Gagueira Desenvolvimental Persistente Isolada caracterizando a tipologia e a porcentagem de disfluencias, a taxa de elocucao e a gravidade da gagueira.

* METODO

Esta pesquisa se configura como um estudo de experimental e transversal com comparacao entre grupos, realizado com individuos com gagueira do Laboratorio de Estudos da Fluencia--LAEF do Centro de Estudos da Educacao e da Saude (CEES) da Universidade Estadual Paulista--FFC--Marilia.

Participaram deste estudo 40 individuos, na faixa etaria entre 6 e 42 anos de idade (media de idade de 14,7 anos, DP=9,69), sendo 33 do genero masculino, e 7 do genero feminino. Os participantes foram divididos em dois grupos: grupo com Gagueira Desenvolvimental Persistente Familial, intitulado como PCGF (Pessoas Com Gagueira Familial) composto por 20 individuos nao relacionados (pertencentes as familias distintas) na faixa etaria de 8 a 42 anos de idade (media 18,75 anos e DP=10,42) de ambos os generos (17 genero masculino e 3 genero feminino), e grupo com Gagueira Desenvolvimental Persistente Isolada intitulado como PCGI (Pessoas Com Gagueira Isolada) composto por 20 individuos na faixa etaria de 6 a 28 anos de idade de ambos os generos (16 genero masculino e 4 genero feminino).

Os criterios de inclusao dos participantes foram ser falante nativo do portugues brasileiro; ter idade acima de seis anos; ter iniciado a gagueira durante a infancia (desenvolvimental); o quadro de gagueira ter persistido por mais de um ano, sem remissao (persistente); apresentar minimo de 3% de disfluencias gagas, e; apresentar no minimo gagueira leve de acordo com o Instrumento de Gravidade da Gagueira--SSI [14].

Para o grupo de Gagueira Desenvolvimental Persistente Familial (PCGF) os individuos apresentaram historico familial positivo para a gagueira (familial), ou seja, apresentaram no minimo outro parente gago. Os individuos do grupo de Gagueira Desenvolvimental Persistente Isolada (PCGI) nao apresentaram historico familial positivo para gagueira.

Os criterios de exclusao dos participantes foram: apresentar qualquer disturbio neurologico genetico ou nao, nos familiares, tais como distonia, doencas extras piramidais, deficiencia mental, epilepsia, transtorno do deficit de atencao e hiperatividade (TDAH); sintomas ou condicoes psiquiatricas; apresentar alteracoes de comunicacao oral nao compativeis com a idade; apresentar perda auditiva condutiva ou neurossensorial; e outras condicoes pertinentes que poderiam gerar erros no diagnostico.

Os responsaveis por todas as criancas participantes da pesquisa, ou os proprios participantes (quando maiores de 18 anos) permitiram, por escrito, sua participacao a partir dos esclarecimentos contidos em Termo de Consentimento Livre e Esclarecido que lhes foi apresentado.

Todos os participantes deste estudo foram submetidos aos seguintes procedimentos:

--historia clinica: realizada com os pais ou os proprios individuos (adultos), com objetivo de obter dados quanto a idade do inicio da gagueira (para verificar se era desenvolvimental), entre outros.

--historia familial: o heredograma foi construido a partir de informacao dos participantes e/ou dos seus pais, visando separar os participantes no grupo familial ou isolado.

--avaliacao da fluencia: os individuos foram filmados de modo a obter amostras de fala contendo 200 silabas fluentes para analise e comparacao dos achados. Apos a coleta de fala dos participantes, as mesmas foram transcritas na integra, considerando-se as silabas fluentes e nao fluentes. Posteriormente, foi realizada a analise da amostra da fala e caracterizada a tipologia das disfluencias, de acordo com a seguinte descricao: disfluencias comuns: hesitacoes, interjeicoes, revisoes, palavras nao terminadas, repeticoes de palavra nao monossilabica, repeticoes de segmentos e repeticoes de frases; disfluencias gagas: repeticoes de palavras monossilabicas, repeticoes de sons, repeticoes de silabas, prolongamentos, bloqueios, pausas e intrusoes. Para caracterizar a frequencia das rupturas, foram utilizadas as seguintes medidas: porcentagem de descontinuidade de fala ou taxa de rupturas no discurso, e porcentagem de disfluencias gagas ou taxa de rupturas gagas. A taxa de elocucao foi medida segundo o teste utilizado, caracterizando o fluxo de silabas e de palavras por minuto [15].

--Instrumento de Gravidade da Gagueira (SSI-3) [14]: foi utilizado para cada participante classificando a gagueira em leve, moderada, grave ou muito grave. Este teste avaliou a frequencia e duracao das interrupcoes gagas da fala, assim como a presenca de concomitantes fisicos associados as disfluencias, seguindo protocolo proposto por Riley.

Apos a realizacao da avaliacao a familia recebeu a devolutiva dos resultados obtidos. Informacoes sobre gagueira foram oferecidas por meio de orientacoes e instrucoes com o auxilio de um informe e os casos foram encaminhados para a terapia fonoaudiologica no proprio Centro onde foi desenvolvido o projeto.

Este estudo foi aprovado pelo Comite de Etica em Pesquisa da Faculdade de Filosofia e Ciencias da Universidade Estadual Paulista--CEP/FFC/UNESP sob o protocolo de no. 0091/2011.

Para a analise estatistica foi utilizado o Teste de Mann-Whitney com o objetivo de verificar possiveis diferencas entre os grupos considerados. Outro metodo de analise estatistica utilizado foi a aplicacao do Teste da Razao de Verossimilhanca, com o intuito de verificar possiveis diferencas entre os grupos estudados, para a variavel de interesse gravidade da gagueira. O nivel de significancia adotado para a aplicacao dos testes estatisticos foi de 5% (0,050). A analise dos dados foi realizada utilizando o programa SPSS (Statistical Package for Social Sciences), em sua versao 19.0.

* RESULTADOS

De acordo com o objetivo do estudo, os resultados obtidos sao apresentados nas Tabelas seguintes. Comparando os grupos observa-se que PCGF e PCGI nao se diferenciaram estatisticamente em tres das quatro medidas analisadas, a saber, disfluencias gagas, fluxo de silabas por minuto e fluxo de palavras por minuto (Tabela 1).

A ocorrencia das disfluencias comuns dos grupos participantes esta distribuida em suas tipologias na Tabela 2. Para ambos os grupos as tipologias de maior ocorrencia foi a hesitacao, e a de menor ocorrencia foi a repeticao de segmento. A maioria das disfluencias comuns (revisao, palavra nao terminada, repeticao de frase e de segmento) apresentou semelhancas quantitativas entre os grupos participantes. No entanto, o grupo de PCGF apresentou uma maior ocorrencia com diferenca estatisticamente significante em relacao ao grupo de PCGI para as seguintes tipologias comuns: repeticao de palavra (5,14 vezes mais), interjeicao (1,98 vezes mais) e hesitacao (1,87 vezes mais).

Na analise da ocorrencia de disfluencias gagas dos grupos participantes, nota-se que a quantidade de repeticoes de parte da palavra, de sons, prolongamentos e pausas e semelhante (Tabela 3). Porem, houve diferenca estatisticamente significante quanto a ocorrencia de repeticoes de palavras monossilabicas, bloqueios e intrusoes, sendo que, o grupo de PCGI apresentou 5,35 vezes mais repeticoes de palavras monossilabicas do que o grupo de PCGF. A maior ocorrencia de bloqueios e intrusoes foi apresentada pelo grupo de PCGF (5 vezes mais bloqueios e 6,66 vezes mais intrusoes). Para o grupo de PCGF a tipologia gaga de maior ocorrencia foi o bloqueio, enquanto que para o grupo de PCGI foi a repeticao de palavra monossilabica. Pausa foi a tipologia gaga de menor ocorrencia no grupo de PCGF, enquanto que para o grupo de PCGI foi a intrusao.

(1,86 vezes mais interjeicoes, 4,91 vezes mais revisoes e 12,28 vezes mais palavras nao terminadas). Para o grupo de PCT a tipologia de maior

Quanto a gravidade da gagueira, os grupos nao apresentaram diferencas estatisticamente significantes (p=0,145) (Tabela 4). Nota-se que para ambos os grupos a maior prevalencia foi da gagueira leve.

* DISCUSSAO

Atualmente existe uma tendencia nas pesquisas sobre gagueira em analisar diferentes subgrupos [11,12,16,17] na tentativa de aprimorar o conhecimento a respeito destes, visando melhorar o diagnostico e a intervencao terapeutica do disturbio. O subgrupo de gagueira desenvolvimental familial tem recebido maior atencao por parte dos pesquisadores, tendo em vista que ha um crescente interesse na procura dos genes candidatos a transmissao do disturbio [18-22]. No entanto, poucas investigacoes [12] se dedicaram a analisar o subgrupo de gagueira isolada. Sendo assim, esta pesquisa teve como objetivo avaliar e comparar a fluencia de individuos com Gagueira Desenvolvimental Persistente Familial (PCGF) nao relacionados e de individuos com Gagueira Desenvolvimental Persistente Isolada (PCGI) caracterizando a tipologia das disfluencias, a porcentagem de disfluencias, a taxa de elocucao e a gravidade da gagueira.

Referente a idade dos participantes, houve uma diferenca estatisticamente significante entre os grupos (p<0,001). No entanto, uma investigacao anterior realizada com os mesmos subgrupos de gagueira (familial e isolada) com uma populacao infantil, nao evidenciou diferenca com relacao a idade [11].

As disfluencias fazem parte da producao da linguagem, pois elas ajudam o falante a produzir um discurso mais adequado tanto no conteudo como na forma [23]. Conforme descrito na literatura [24,25] as disfluencias comuns refletem principalmente as incertezas e imprecisoes linguisticas, sendo consideradas comuns a todos os falantes.

Os achados da presente pesquisa mostraram que quantitativamente os grupos de PCGF e PCGI apenas apresentaram diferenca estatisticamente significante quanto ao total de rupturas na fala (comuns e gagas). Uma possivel explicacao para este dado e que talvez pelo fato do grupo de PCGF apresentar maior idade cronologica, seus participantes podem utilizar mais disfluencias comuns na tentativa de adiar ou de evitar as disfluencias gagas. Sabe-se que quanto maior tempo de convivio com a gagueira, maior a possibilidade de usar recursos de adiamentos ou de evitacao.

Quanto a analise qualitativa das disfluencias comuns, os dados obtidos revelaram que para a maioria delas (revisao, palavra nao terminada, repeticao de frase e repeticao de segmento) os grupos foram similares. Desta forma, os achados levam a acreditar que independente do subgrupo de gagueira (familial ou isolada), qualitativamente as pessoas que gaguejam apresentam um perfil semelhante com relacao as disfluencias comuns.

Porem, algumas tipologias (repeticao de palavra, interjeicao e hesitacao) foram mais frequentes no grupo de PCGF. Na analise desse achado, verificou-se que nao apresenta relacao com a gravidade da gagueira, tendo em vista que apesar de nao apresentar diferenca estatisticamente significante entre os grupos quanto a gravidade, houve uma tendencia do grupo de PCGI apresentar mais casos de gagueira grave do que o grupo de PCGF. Outra hipotese que poderia justificar esse achado seria a idade dos participantes, ja que disfluencias comuns sao indicativos que o falante esta procurando a solucao [26], e pausas hesitativas e interjeicoes sao indicativos que os falantes perceberam um problema antes de produzir a fala [27]. Portanto, pode-se pensar que quanto maior a idade cronologica, ou maior tempo de duracao das disfluencias, maior percepcao das disfluencias gagas, e, portanto a pessoa que gagueja poderia usar dessas disfluencias comuns na tentativa de evitar a manifestacao da gagueira. Ressalta-se o fato de que o grupo de PCGF apresentou maior idade cronologica do que o grupo de PCGI.

As disfluencias gagas sao tipicas de pessoas que gaguejam [28,29], no entanto, tambem podem ocorrer na fala de pessoas fluentes em menor quantidade [24,30]. Essas disfluencias parecem evidenciar uma ruptura na fala relacionada a sua execucao motora [31]. Os resultados dessa pesquisa mostraram que quantitativamente os grupos de PCGF e PCGI nao apresentaram diferenca estatisticamente significante. Na literatura compilada nao foram encontrados estudos do perfil da fluencia nesses subgrupos, o que impossibilita a discussao desses achados. Acredita-se que o perfil quantitativo das disfluencias gagas dos subgrupos de PCGF e PCGI sao semelhantes, ou seja, independem de sua natureza etiologica.

Os resultados referentes a analise qualitativa das disfluencias gagas mostraram que em 57,14% das tipologias os grupos foram semelhantes (repeticao de parte da palavra, repeticao de som, prolongamento e pausa). No entanto, os grupos se diferenciaram quanto a repeticao de palavra monossilabica, bloqueio e intrusao, sendo que o grupo de PCGF apresentou maior quantidade para o bloqueio e a intrusao.

Deve-se levar em consideracao que a gagueira e um disturbio que apresenta como caracteristica uma variabilidade muito grande [32]. Neste sentido, os resultados dessa pesquisa corroboram a literatura quanto a variabilidade da gagueira, e levam a acreditar que o perfil tanto quantitativo, quanto qualitativo dos subgrupos de PCGF e PCGI sao similares.

Conforme descrito na literatura [33] os fluxos de silabas e de palavras por minuto nas pessoas que gaguejam se apresentaram reduzidos em relacao as pessoas que nao gaguejam. No entanto, independente do fator etiologico, ou seja, familial ou isolado, os grupos participantes foram semelhantes tanto em relacao ao fluxo de silabas por minuto, ou tambem chamado de velocidade articulatoria, como em relacao ao fluxo de palavras por minuto, ou de producao de informacao.

Esta diminuicao na taxa de elocucao das pessoas com gagueira, possivelmente esta relacionada com o aumento na quantidade de disfluencias no fluxo da fala 33. Observa-se que os valores minimos tanto do fluxo de silabas por minuto (35,71 SPM) como de palavras por minuto (21,25 PPM) no grupo de PCGF foram bem reduzidos em relacao aos valores encontrados no grupo de PCGI (94,50 SPM e 78,46 PPM). Esses achados podem ser justificados pelo fato de que no grupo de PCGF um dos participantes apresentou gagueira muito grave, com uma porcentagem de 45% de disfluencias gagas e de 17,5% de disfluencias comuns, sendo que no grupo de PCGI os valores maximos foram de 11% de disfluencias gagas e 11,5% de disfluencias comuns.

Com base nos dados obtidos da gravidade da gagueira, pode ser observado que quando comparado os grupos deste estudo, nao houve diferenca estatisticamente significante entre os grupos de PCGF e PCGI. Porem, vale ressaltar que houve uma tendencia do grupo de PCGF apresentar uma maior variabilidade da gravidade da gagueira, que foi de leve a muito grave. Enquanto que no grupo de PCGI, a gravidade variou de leve a grave. Outra observacao com relacao a gravidade e a tendencia do grupo de PCGF ter apresentado mais pessoas com gagueira leve (70%) em relacao ao grupo de PCGI (50%). No grupo de PCGI 35% dos participantes manifestaram gagueira grave, enquanto que no grupo de PCGF em 10% dos participantes a gagueira foi classificada como grave, e em 5% como muito grave.

* CONCLUSAO

Este estudo representa um primeiro esforco para a caracterizacao do perfil da fluencia de subgrupos de pessoas que gaguejam, a saber, gagueira desenvolvimental persistente familial e gagueira desenvolvimental persistente isolada. A partir da analise dos dados obtidos, pode-se concluir que o perfil da fluencia de pessoas com gagueira, independentes do historico familial, e semelhante quanto a porcentagem de disfluencias gagas, ao fluxo de silabas e palavras por minuto, e a gravidade da gagueira.

Vale ressaltar que a ocorrencia de algumas tipologias gagas, repeticaode palavramonossilabica, bloqueio e intrusao foram distintas entre os grupos. No entanto, devido ao numero da amostra, esses dados nao podem ser generalizados, e acredita-se que eles estejam relacionados com a variabilidade da gagueira.

* AGRADECIMENTOS

Agradecemos a Fundacao de Amparo a Pesquisa do Estado de Sao Paulo (FAPESP), pelo apoio concedido para realizacao dessa pesquisa, sob processo numero 2010/18758-9.

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Recebido em: 02/02/2012

Aceito em: 19/04/2012

Endereco para correspondencia: Cristiane Moco Canhetti de Oliveira

Av. Hygino Muzzi Filho, 737--Vila Universitaria Marilia--SP

CEP: 17525-000

Email: cmcoliveira@marilia.unesp.br

Cristiane Moco Canhetti de Oliveira (1), Michele Fiorin (2), Paula Roberta Nogueira (3), Cecilia Piccin Laroza (4)

(1) Fonoaudiologa; Docente do Departamento de Fonoaudiologia da Faculdade de Filosofia e Ciencias da Universidade Estadual Paulista--UNESP, Marilia, SP, Brasil; Doutora em Ciencias Biologicas na area de Genetica pelo Instituto de Biociencias da Universidade Estadual Paulista--UNESP, Botucatu, SP.

(2) Graduanda do Curso de Fonoaudiologia da Faculdade de Filoso-fia e Ciencias da Universidade Estadual Paulista UNESP, Marilia, SP, Brasil.

(3) Graduanda do Curso de Fonoaudiologia da Faculdade de Filoso-fia e Ciencias da Universidade Estadual Paulista UNESP, Marilia, SP, Brasil.

(4) Fonoaudiologa. Graduada pelo Departamento de Fonoaudiologia da Faculdade de Filoso-fia e Ciencias da Universidade Estadual Paulista--UNESP, Marilia, SP, Brasil.

Fonte de auxilio: FAPESP--Bolsa de Iniciacao Cientifica processo no 2010/18758-9.

Esse trabalho foi apresentado no formato de poster no 19 Congresso Brasileiro e 8 Congresso Internacional de Fonaoudiologia.

Conflito de interesses: inexistente
Tabela 1--Comparacao intergrupos quanto a ocorrencia de
descontinuidade de fala, disfluencias gagas, fluxo de
silabas e de palavras por minuto

          Grupos                          PCGF

                              Media    D.P.   Minimo  Maximo

Descontinuidade de fala       19,10   13,98    9     62,50
  Disfluencias gagas           8,93   10,01   3,00   45,00
Fluxo de silabas por minuto   177,88  68,27  35,71  266,67
Fluxo de palavras por minuto  99,86   38,54  21,25  150,61

          Grupos                          PCGI                Valor de

                              Media   D.P.   Minimo  Maximo      p

Descontinuidade de fala       10,89   3,15    6,9    19,50    0,001 *
  Disfluencias gagas           5,56   2,03    3,00   11,00    0,860
Fluxo de silabas por minuto   168,56  38,86  94,50   238,80   0,292
Fluxo de palavras por minuto  108,19  23,71  78,46   160,00   0,922

Legenda: PCGF= Grupo de Pessoas com Gagueira Familial; PCGI=
Grupo de Pessoas com Gagueira Isolada; D.P.= desvio padrao.
Valor-p referente ao teste de Mann-Whitney--valores
significantes estao em negrito e com asterisco.

Tabela 2--Comparacao intergrupos quanto a hesitacao,
interjeicao, revisao, palavra nao terminada, repeticao de
frase, repeticao de segmento e repeticao de palavra

                   H              I             Rv             PNT

               M      DP      M      DP      M      DP       M      DP

PCGF         8,05   6,55   5,85   4,27   0,95   0,76   0,30   0,57
PCGI         4,30   4,85   2,95   3,33   0,80   1,28   0,25   0,55

Valor de p      0,016 *        0,006 *         0,144         0,724

                  RF            Rseg            RP

               M      DP      M      DP      M      DP

PCGF         1,45   1,91   0,15   0,37   3,60   2,37
PCGI         0,80   1,11   0,25   0,72   0,70   0,92

Valor de p      0,192          0,948         <0,001 *

Legenda: PCGF= Grupo de Pessoas com Gagueira Familial; PCGI=
Grupo de Pessoas com Gagueira Isolada; M= media; D.P.=
desvio padrao; H= hesitacao; I= interjeicao; Rv= revisao;
PNT= palavra nao terminada; RF= repeticao de frase; Rseg=
repeticao de segmento; RP= repeticao de palavra.

Valor-p referente ao teste de Mann-Whitney--valores
significantes estao em negrito e com asterisco.

Tabela 3--Comparacao intergrupos quanto a repeticao de
palavras monossilabicas, repeticao de parte da palavra,
repeticao de som, prolongamento, bloqueio, pausa e intrusao

                 RP            RPP            RS             P

              M      DP      M     DP      M     DP      M      DP

PCGF         1,00   1,72   2,20   2,48   1,60   2,72   4,90   8,52
PCGI         5,35   4,23   1,30   1,72   0,60   1,05   2,05   2,42

Valor de p     <0,001 *       0,118         0,101         0,145

                  B            Pa            In

              M     DP      M     DP      M     DP

PCGF        6,25   6,50   0,90   1,68   1,00   1,38
PCGI        1,25   2,12   0,55   0,95   0,15   0,37

Valor de p    <0,001 *         0,638        0,021 *

Lgenda: PCGF= Grupo de Pessoas com Gagueira Familial; PCGI=
Grupo de Pessoas com Gagueira Isolada; M= media; D.P.=
desvio padrao; RPM= repeticao de palavra monossilabica; RPP=
repeticao de parte da palavra; RS= repeticao de som; P=
prolonga- mento; B= bloqueio; Pa= pausa; In= Intrusao.

Valor-p referente ao teste de Mann-Whitney--valores
significantes estao em negrito e com asterisco.

Tabela 4--Comparacao intergrupos quanto a gravidade da gagueira
no instrumento de severidade da gagueira (Riley, 1994)

                       Gravidade da Gagueira         Total

             Leve   Moderada   Grave   Muito grave

PCGF          14       3         2          1          20
              70%      15%       10%        5%        100%

PCGI          10       3         7          0          20
              50%      15%       35%        0%        100%

Total         24       6         9          1          40
              60%      15%     22,5%      2,5%       100%

Valor de p                     0,145

Legenda: PCGF= Grupo de Pessoas com Gagueira Familial; PCGI=
Grupo de Pessoas com Gagueira Isolada. Valor-p referente ao
teste da razao Verossimilhanca.
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Title Annotation:articulo en portugues
Author:de Oliveira, Cristiane Moco Canhetti; Fiorin, Michele; Nogueira, Paula Roberta; Laroza, Cecilia Picc
Publication:Revista CEFAC: Atualizacao Cientifica em Fonoaudiologia e Educacao
Date:May 1, 2013
Words:4645
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