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Solid waste management of the Lages-SC city landfill/Gestao de residuos solidos do aterro sanitario no municipio de Lages-SC.

1. INTRODUCAO

A gestao ambiental tem como objetivo estabelecer, recuperar e/ou manter o equilibrio entre a natureza e sociedade, por meio da administracao dos ecossistemas naturais e sociais com vistas ao desenvolvimento das atividades humanas e a protecao dos recursos naturais, dentro de parametros pre-definidos (Fernandes et al., 2004).

Caracteriza-se, portanto, nas afirmacoes de Souza (2000) como um conjunto de procedimentos que visam a harmonizacao entre as atividades antropicas e o meio ambiente; entre o desenvolvimento das sociedades humanas e qualidade ambiental. As acoes em gestao ambiental, por conseguinte, devem embasarse em processos efetivos de formulacao e implementacao de uma politica capaz de garantir diretrizes e normas para acoes eficazes.

Deste modo, percebe-se a importancia de se estabelecer ferramentas para o aperfeicoamento da gestao dos residuos solidos urbanos, levando em consideracao a coleta, o tratamento e a disposicao final dos residuos.

Em funcao da sua natureza heterogenea, os residuos solidos podem causar impactos sanitario, ambiental, economico e estetico durante todo seu ciclo de vida e principalmente, em sua etapa de destinacao final agredindo a atmosfera, o solo, o lencol freatico e os ecossistemas (Oliveira, et al., 2012).

Os Aterros Sanitarios sao uma obra de engenharia que tem objetiva acomodar os residuos no solo utilizando o menor espaco pratico possivel, causando o minimo de dano ao meio ambiente ou a saude publica. Essa tecnica consiste basicamente na compactacao dos residuos no solo, na forma de camadas que sao periodicamente cobertas com terra ou outro material inerte (CETESB, 2013).

No ano 2000, somente 16,5% dos residuos solidos gerados pela populacao urbana no estado de Santa Catarina recebia disposicao final adequada. Os 83,5% dos residuos restantes eram dispostos em depositos a ceu aberto. Em relacao ao numero de municipios no Estado verificou-se na epoca que, dos 293 municipios, apenas 22 (8%) do total, dispunham seus residuos solidos domiciliares em sistemas adequados. Aqueles municipios cujos residuos solidos domiciliares eram depositados atraves de sistemas inadequados representavam a maioria, correspondendo a 92% (271 municipios) (ABES/SC, 2012).

A problematica dos residuos solidos sempre esteve presente e gradativamente vem adquirindo uma grande importancia na instancia legislativa, que produz movimentos ambientalistas pertinentes a politica publica de residuos, definindo os principios e hierarquia da sua gestao (Nunesmaia, 1997).

Um importante instrumento criado que trata dos residuos solidos no Brasil, foi a Lei no 12.305 de 2010, que estabelece as diretrizes relativas a gestao integrada e ao gerenciamento de residuos solidos.

Diante de tal contexto, percebe-se a importancia de se procurar atraves da educacao ambiental, com o foco na coleta seletiva, motivar as pessoas a serem as responsaveis pela primeira triagem dos residuos. Isto, desenvolvendo, simultaneamente, uma consciencia coletiva e ecologica e tambem, orientando as pessoas para contribuirem com a preservacao do meio ambiente. (Abdala, et al., 2007). Desta forma, este trabalho objetivou avaliar o atual sistema de gerenciamento de residuos solidos do municipio de Lages-SC, observando a qualidade do servico prestado pela empresa contemplada com a concessao do aterro sanitario do municipio, por meio de visitas periodicas, avaliar e propor melhorias para o sistema de coleta seletiva de residuos solidos, e realizar atividades educacionais nas escolas municipais tendo em vista a sensibilizacao ambiental em relacao a gestao dos residuos solidos urbanos.

2. MATERIAIS E METODOS

2.1. Aterro Sanitario Municipal

O aterro esta situado na localidade de Indios, na margem esquerda da BR-282 sentido Lages/Florianopolis-SC, distante aproximadamente 20 km do Centro de Lages (Figura 1), sob as coordenadas geograficas 27[degrees]44'45"S e 50[degrees]10'0"O. O mesmo recebe diariamente cerca de 120 toneladas de lixo proveniente de dez cidades da regiao, alem de Lages. Deste total, 80 toneladas sao geradas diariamente pelos moradores de Lages.

[FIGURE 1 OMITTED]

Foram realizadas visitas ao aterro sanitario municipal com a finalidade de avaliar e monitorar o servico prestado pela empresa contemplada com concessao no processo de licitacao.

O aterro sanitario desde o inicio da pesquisa, ja demonstrava conter irregularidades, pois observou-se residuos dispostos sem recobrimento, erosao dos taludes, vazamento de chorume, presenca de animais vetores e dificuldade de acesso dos caminhoes coletores para a disposicao dos residuos. O monitoramento e avaliacao do funcionamento do aterro foram realizados com base nos dados apresentados no projeto executivo realizado pela empresa vencedora da licitacao.

Segundo projeto executivo elaborado pela empresa, o aterro sanitario ocupara uma area de 75.012 [m.sup.2], sendo que mais da metade desta area ja esta ocupada ou terraplanada. Observando que o excedente de solo no processo de terraplanagem devera ser estocado para ser utilizado na execucao dos acessos e na cobertura dos residuos.

A impermeabilizacao do aterro sera realizada atraves da construcao de uma dupla camada impermeabilizada, constituida por uma camada de manta sintetica de PEAD de 1,5 mm e uma camada de 0,5 m de argila compactada. Sobre a camada de argila, sera assentada a manta sintetica em toda a area do aterro. O assentamento da manta deve ser feito cuidadosamente, observando-se o seguinte: que estejam asseguradas condicoes de compactacao e resistencia homogeneas no fundo das celulas e em seus taludes; a manta fique totalmente apoiada sobre o fundo e as laterais (taludes) da celula; nao se formem depressoes ou declividades contrarias ao sentido indicado para o escoamento do chorume; nao haja qualquer especie de perfuracao; nao haja a formacao de tensoes na manta que possam gerar ou facilitar seu rompimento; as emendas entre "panos" da manta deverao ser sobrepostas no minimo 10 cm, e executadas segundo as tecnicas, materiais e normas do fabricante do material.

Foram construidos canais de drenagem provisorios no entorno das frentes de servico, com o objetivo de evitar o escoamento das aguas superficiais e facilitar a realizacao das atividades.

Durante a operacao normal do aterro, a medida que se formarem as camadas de residuos, serao implementadas as canaletas no pe das bermas, evitando assim a erosao dos taludes. Essas canaletas serao construidas junto a borda externa da camada se lixo e a crista do talude. Na medida em que se alterarem as camadas do aterro, ocorrera um aumento da vazao das aguas superficiais, coletadas pelas canaletas de bermas, devendo-se assim, executar as estruturas que permitam a conducao destas aguas ate a porcao inferior do aterro sanitario.

Serao utilizadas tambem caixas de passagem sempre que ocorrer mudanca na direcao dos escoamentos ou entao em confluencia de canaletas de drenagem. Para a drenagem dos liquidos percolados sera utilizado um sistema que deve coletar e conduzir os liquidos percolados, reduzindo as pressoes destes sobre a massa de residuos solidos e, tambem, minimizar o potencial de migracao para o subsolo. Os diferentes niveis de drenagem de chorume deverao ser interligados atraves do sistema de drenagem de gases e conectados ao sistema de tratamento atraves de tubulacoes.

Para proporcionar a correta captacao e queima dos gases serao construidos drenos verticais, conectados ao sistema de drenagem de percolados, facilitando a captacao de gases e de chorume.

A frente de trabalho sera construida de forma que os caminhoes cheguem o mais proximo possivel da massa de residuos. As areas de descarga e de acesso nao deverao ficar salientes, deverao ser regularizadas com uma camada de terra e em seguida devera ser colocada uma camada de 20 cm de cascalho.

Na area de descarga devera permanecer o minimo possivel de residuos solidos sem cobertura. Antes da etapa de cobertura os residuos deverao ser devidamente compactados com a utilizacao de maquinarios.

Ao fim do dia, quando a celula atinge uma altura de 5 m, devera ser coberta com uma camada de terra de 20 cm de espessura. A terra deve ser depositada na base da celula e em seguida, espalhada e compactada com o auxilio do trator de esteira.

O solo para cobertura diaria sera obtido durante a etapa inicial de terraplanagem do aterro, sendo entao estocado em local apropriado para ser utilizado na operacao de cobertura. Apos a cobertura, os taludes devem ser protegidos com grama, para evitar a perda de material com as chuvas e eventual exposicao dos residuos ja aterrados.

Quanto ao sistema de tratamento de liquidos percolados, sera composto por: lagoa anaerobia, lagoa facultativa, de aeracao, de decantacao, tratamento fisico-quimico e posteriormente lancamento no corpo receptor.

A empresa tambem projetou e dimensionou o sistema de tratamento de efluentes do aterro sanitario atraves de dados obtidos pelo balanco hidrico, levando em conta os fatores precipitacao, evaporacao, escoamento superficial, infiltracao, perda potencial de agua no solo, armazenamento de agua no solo e percolacao.

Em relacao ao tratamento biologico, a lagoa anaerobia (Figura 2) e uma das unidades de tratamento, onde a existencia de condicoes estritamente anaerobias e essencial. Isso e alcancando atraves do lancamento de uma grande carga de DBO (Demanda Bioquimica de Oxigenio) por unidade de volume da lagoa, fazendo com que a taxa de consumo de oxigenio seja varias vezes a taxa de producao; cujo valor balizador e de 3 mg/L O2 para aguas doces da classe I, conforme Resolucao CONAMA no 357 de 2005.

[FIGURE 2 OMITTED]

Dados de Entrada: Taxa de aplicacao volumetrica (L): 0,2 kg DBO5/m3d; Vazao (Q) = 95 m3/d; Concentracao inicial (SO) = 4 kg DB05/[m.sup.3]; Volume da Lagoa Anaerobia:

V = Q x S0/L = 95 x 4/0,2

V = 1,9 [m.sup.3]

Tempo de Detencao Hidraulico:

TDH = V/Q = 1, 9/95

TDH = 20 dias;

Dimensoes: Profundidade util: 4 m; Borda Livre: 0,5 m; Superficie: 729 [m.sup.2] Espelho d'agua: 676 [m.sup.2]; Fundo: 324 [m.sup.2]; Volume Util Total: 1957,33 [m.sup.3]; Eficiencia Estimada: 40%;

Concentracao Afluente:

S = (l - E) x [S.sub.0] = (l - 0,4) x 4

S = 2,4 kg DB05/[m.sup.3];

Ja as lagoas facultativas (Figura 3) sao a variante mais simples dos sistemas de lagoas de estabilizacao. Basicamente, o processo consiste na retencao de efluentes liquidos por um periodo de tempo longo o suficiente para que os processos naturais de estabilizacao da materia organica se desenvolvam (Von Sperling, 2005).

[FIGURE 3 OMITTED]

Sao dispositivos de tratamento para os quais sao encaminhados efluentes brutos ou pre-tratados, visando a estabilizacao bioquimica da materia organica afluente por meio do metabolismo de organismos aerobios e de organismos anaerobios que proliferam na camada de lodo que se depositam no fundo. Seu tratamento e feito por processos naturais: fisicos, biologicos e bioquimicos (Uehara, 1989).

Dados de entrada: Taxa de aplicacao superficial: 380 kg / ha.d; Vazao (2 lagoas): 47,5 [m.sup.3] cada; Concentracao Inicial: 2,4 kg DBO5/[m.sup.3];

Dimensoes: Profundidade util adotada: 1,5 m; Borda Livre: 0,5 m; Superficie: 3200[m.sup.2]; Espelho d'agua: 3081[m.sup.2]; Fundo: 2736 [m.sup.2];

Tempo de Detencao Hidraulico:

TDH = V/Q = 4360/47,5

TDH = 92 dias;

Os tempos de detencao elevados nas lagoas devem-se a grande concentracao do efluente e pequena vazao de entrada.

Foram implantadas duas lagoas com as dimensoes acima, uma para o horizonte de projeto de 10 anos e a segunda para atender a vazao de projeto de 1,1 L/s.

Concentracao Afluente:

Adotando modelo de mistura completa, com coeficiente de remocao de DBO5 de 0,15 d-1 (K).

S = [S.sub.0]/1 + K x TDH = 2400/1 + 0,15 x 92

S = 162 mg DBO5/L;

Eficiencia:

E = [S.sub.0] - S/[S.sub.0] x 100 = 2400 - 162/2400

E = 93,25 %;

Mesmo com uma eficiencia alta, a concentracao de afluente ainda e grande. Assim serao projetadas duas lagoas aeradas de mistura completa em serie, uma para cada lagoa facultativa.

As lagoas aeradas (Figura 4), por sua vez, dependem da introducao artificial do oxigenio requerido pelos organismos decompositores da materia organica soluvel e finamente particulada. O oxigenio e fornecido por aeradores mecanicos os quais se constituem de equipamentos providos de turbinas rotativas de eixo vertical que causam um grande turbilhonamento na agua atraves de rotacao em grande velocidade facilitando a penetracao e dissolucao do oxigenio.

[FIGURE 4 OMITTED]

As lagoas foram projetadas para um tempo de detencao hidraulico de quatro dias.

Precipitacao:

V = TDH x Q = 4 x 47,5

V=190 m3;

Dimensoes: Profundidade Util: 2,5 m; Borda Livre: 0,5 m; Superficie: 156,25 [m.sup.2]; Espelho d'agua: 132,25 [m.sup.2]; Fundo: 42,25 [m.sup.2]; Volume util total = 207,71 [m.sup.3] Concentracao Afluente:

Foi adotado um modelo de mistura completa com coeficiente de remocao k = 1 d-1, e Sistema de

Aeracao com aerador de 3 CV em cada lagoa.

S = [S.sub.0] 1 + K x TDH = 162/1 + 1 x 4

S = 32,4 mg DBO5/L;

Eficiencia:

E = [S.sub.0] - S/[S.sub.0] x 100 = 162 - 32,4/162

E = 80%;

O grau de energia introduzido nas lagoas aeradas e suficiente para garantir a oxigenacao e manter os solidos em suspensao e a biomassa dispersos na massa liquida. Devido a isto, o efluente que sai de uma lagoa aerada, possui uma grande quantidade de solidos suspensos e nao e adequado para ser lancado diretamente no corpo receptor. Para que ocorra a sedimentacao e estabilizacao destes solidos e necessaria a inclusao de unidade de tratamento complementar, que neste caso, sao as lagoas de decantacao (Bernardes, 2004).

Dados de entrada: Tempo de Detencao Hidraulico: 2 dias; Altura da zona de clarificacao: 1 m; Altura da zona de acumulo de lodo: 1,5 m; Vazao: 95 [m.sup.3]/d;

Volume:

V = TDH x Q = 2 x 95

V = 190 [m.sup.3]/d;

Dimensoes: Profundidade util: 2,5 m; Borda Livre: 0,5 m; Superficie: 196 [m.sup.2]; Espelho d'agua: 167,32 [m.sup.2]; Fundo: 53,82 [m.sup.2];

A funcao da lagoa de decantacao nao e a remocao e sim a retencao dos solidos em suspensao oriundos das lagoas de mistura completa, assim a concentracao de saida do efluente sera a mesma das lagoas aeradas.

Todos os dados apresentados pela empresa serviram de base para o monitoramento do Aterro Sanitario Municipal e serviram de auxilio para as tomadas de decisao.

2.2. Sistema de coleta seletiva de residuos solidos

Foi analisado o sistema de coleta seletiva dos residuos solidos urbanos do municipio de Lages-SC. A analise teve como finalidade apontar as principais deficiencias no sistema, assim como indicar quais fatores poderiam ser melhorados em todo o processo. Para isso, levou-se em conta os seguintes fatores: abrangencia, frota e Ponto de Entrega Voluntaria (PEV).

Quanto a abrangencia, foram verificados quantos bairros estavam sendo contemplados com a coleta seletiva de residuos solidos no municipio. Para a frota, foi realizada a contagem do numero de caminhoes que realizam a coleta seletiva, e para os PEV's, verificou-se a necessidade e a viabilidade da implantacao dos mesmos no municipio. Os PEV's sao containers fechados instalados em locais com grande fluxo e de facil acesso ao publico, permitindo tambem manobras de caminhoes que fazem o seu deslocamento.

2.3. Educacao Ambiental

Segundo Ashley (2006), o caminho para uma sociedade sustentavel requer uma nova perspectiva sobre os impactos das decisoes e acoes de todos os agentes sociais. E necessario buscar a responsabilidade social de todos os individuos, das organizacoes, instituicoes, dos nucleos familiares e da comunidade local, a fim de promover a educacao ambiental e, assim, garantir a sobrevivencia do planeta.

Para que a educacao ambiental colabore com a construcao de uma nova concepcao de ambiente e de um novo cidadao, seus principios devem ser sempre a base para qualquer acao ambiental educativa. Tendo isto em mente, percebe-se seu cunho politico, fazendo-se necessario que o educador tenha consciencia de seu papel e da complexidade de seu trabalho (Gonzales et al., 2013).

Foram realizadas palestras para o publico infantil, jovem e adulto em escolas publicas municipais, com a finalidade de promover a educacao ambiental na populacao desta faixa etaria, tornando a separacao dos residuos solidos um habito na sociedade e nao uma obrigacao. Nas palestras deu-se enfase aos problemas advindos da ma disposicao dos residuos solidos e ao incentivo a separacao adequada dos residuos solidos, explicando os beneficios da coleta seletiva e da reciclagem.

3. RESULTADOS E DISCUSSAO

3.1. Aterro Sanitario Municipal

Atraves das pesagens realizadas pela empresa, observou-se que o volume mensal de residuos solidos nos anos de 2010, 2011 e 2012 que chegaram ao aterro foi de aproximadamente 2.000 toneladas (Tabelas 1, 2 e 3).

Observando-se as Tabelas 1 e 3 relativas aos anos de 2010 e 2012 respectivamente, houve um aumento de 9,59% na geracao de residuos dispostos no aterro sanitario. O grafico (Figura 5) mostra o acumulo anual de residuos solidos entre os anos de 2010 e 2012.

[FIGURE 5 OMITTED]

Com esse acrescimo fica evidente a necessidade de alternativas que solucionem o problema da disposicao final dos residuos solidos, pois o mesmo ocasiona a diminuicao da vida util do aterro sanitario. Os resultados necessarios poderao ser obtidos atraves da coleta seletiva e da reciclagem, paralelamente a educacao ambiental aplicada na sociedade.

Durante a avaliacao dos servicos prestados pela empresa foram constatadas as seguintes irregularidades: dificuldade no acesso a frente de trabalho, ausencia de drenos de gas, uso de material inadequado para a impermeabilizacao, drenagem pluvial ausente ou obstruida, ausencia do processo de compactacao dos residuos solidos, ausencia de revegetacao dos taludes definitivos, residuos solidos expostos no aterro, ausencia de responsavel tecnico, e disposicao do chorume em local inadequado.

As vias de acesso a frente de trabalho (Figura 6) se encontravam em uma inclinacao acima do desejado, fazendo com que, principalmente em dias chuvosos, os caminhoes de coleta dos residuos nao conseguissem chegar ao local adequado para a disposicao dos residuos, acarretando na disposicao em lugares inadequados.

[FIGURE 6 OMITTED]

Foi observada durante as visitas ao aterro, a falta dos drenos dos gases provenientes dos residuos solidos. Por erros operacionais esses drenos acabaram sendo soterrados a medida com em que se iam sendo construidas novas camadas de celulas. A obstrucao dos drenos resulta no acumulo de gases dentro da celula formando bolsoes, aumentando a pressao dentro da celula e fazendo com que a mesma se rompa.

A impermeabilizacao das celulas estava sendo feita somente com a manta de PEAD, nao sendo aplicada a camada de argila necessaria para assegurar que nao haja infiltracao de chorume.

A ausencia do sistema de drenagem pluvial (Figura 7) acarreta em problemas como a erosao dos taludes e aumento na vazao dos sistemas de tratamento. Os sedimentos erodidos pela acao das precipitacoes acabavam obstruindo os sistemas de drenagem ja existentes (Figura 8), o que agravava ainda mais o problema. Como a vazao do sistema aumentava o mesmo ficava sobrecarregado em periodos de precipitacao demasiada, havendo situacoes de transbordo nas lagoas.

[FIGURE 7 OMITTED]

[FIGURE 8 OMITTED]

A compactacao dos residuos solidos com o maquinario necessario nao estava sendo realizada o que poderia ocasionar desmoronamentos por falta de estabilidade das celulas construidas.

Na face oeste do aterro foram construidas as primeiras celulas de residuos solidos e os taludes formados por estas serao definitivos, pois se encontram na periferia dos residuos, estes taludes por serem definitivos ja deveriam estar sendo revegetados para se evitar o processo de erosao, o que nao estava ocorrendo (Figura 9).

[FIGURE 9 OMITTED]

Durante todo o periodo de visitas feitas ao aterro sanitario observou-se residuos solidos sem cobertura (Figura 10), o que resultava na emissao de gases poluentes e na presenca de animais vetores de doencas.

[FIGURE 10 OMITTED]

3.2. Sistema de coleta seletiva de residuos solidos

O municipio de Lages conta com 69 bairros; destes, somente 43 estao sendo contemplados com a coleta seletiva municipal, ou seja, 37,68% do municipio ainda nao estao recebendo o servico de coleta seletiva.

Atualmente a frota do municipio dispoe de apenas 2 caminhoes para a coleta seletiva, o que explica o fato de a coleta nao conseguir abranger todo o municipio.

Quanto ao sistema de PEV's, o mesmo se mostra muito eficiente em algumas cidades brasileiras, porem e um sistema muito oneroso e assim, inviavel para o municipio.

3.3. Educacao Ambiental

Foram ministradas palestras para pais e alunos do 6 ao 9 ano, cujo objetivo foi sensibilizar o publico para realizar a separacao adequada dos residuos solidos, separando os residuos inorganicos (lixo seco) dos organicos (lixo umido).

Para o publico infantil a abordagem consistiu em usar imagens e informacoes impactantes visando justamente a sensibilizacao ambiental.

Para o publico adulto a abordagem foi focada no uso de bens publicos para custear os servicos tanto de coleta como de disposicao final dos residuos solidos.

A educacao ambiental e um processo no qual os resultados sao obtidos em longo prazo, porem foi percebida, principalmente no publico infantil, uma sensibilizacao ja formada na questao ambiental.

4. CONSIDERACOES FINAIS

Quanto ao aterro sanitario municipal, observou-se que o mesmo estava operando em condicoes irregulares, pois as vias de acesso a frente de trabalho, os drenos de gas e o sistema de drenagem pluvial se encontravam comprometidos. Outros processos como a impermeabilizacao do solo com argila, a compactacao dos residuos solidos, a revegetacao dos taludes definitivos e a cobertura dos residuos solidos eram inexistentes.

Quanto ao sistema de coleta seletiva do municipio, o mesmo abrange somente 62,32% dos bairros, havendo a necessidade da ampliacao da frota da coleta. Como o municipio nao dispoe de recursos atualmente, o sistema de PEV's nao e economicamente viavel.

Para obtencao dos resultados esperados pela coleta seletiva e necessaria a correta separacao dos residuos solidos pela populacao; por isso a educacao ambiental e uma ferramenta essencial para atingir as metas para o sistema de coleta seletiva funcionar adequadamente.

5. REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS

Abdala, W. J; DE Andrade, J. B; Rodrigues F. M. 2007. Educacao Ambiental e Coleta Seletiva: Importancia e Contextualizacao no Mundo Atual. Disponivel em: <erevista.unioeste.br/ index.php/travessias/article/view/2907>. Acesso em: 15 out. 2013.

Abes/Sc: Associacao Brasileira De Engenharia Sanitaria E Ambiental. 2012. Projeto de cooperacao tecnico-cientifico entre o ministerio publico de Santa Catarina e Associacao Brasileira de Engenharia Sanitaria e Ambiental-secao Santa Catarina relatorio final. Relatorio contendo os resultados do plano de pesquisa. p. 138. Disponivel em: <http://www.fatma.sc.gov.br/ckfinder/ userfiles/arquivos/relatrio_abes-mp_verso_final.pdi>. Acesso em: 19 set. 2013.

Ashley, A. P. 2006. Etica e Responsabilidade Social nos Negocios. 2. ed. Sao Paulo: Saraiva. p.340.

Bernardes, R. S.; Soares, S. R. A. 2004. Esgotos Combinados e Controle da Poluicao: Estrategias para Planejamento do Tratamento da Mistura de Esgotos Sanitarios e Aguas Pluviais. Brasilia. Embrapa Amapa. p.160.

Cetesb-Companhia Ambiental Do Estado De Sao Paulo (Sao Paulo). 2013. Aterro Sanitario. Disponivel em: <cetesb.sp.gov.br/mudancasclimaticas/biogas/Aterro%20Sanit%C3%A1rio/21 Aterro%20Sanit%C3%A1rio>. Acesso em: 20 set. 2013.

Fernandes, V.; Nunes, M. R.; Philippi Junior, A. 2012. Gestao Ambiental Municipal: objetivos, instrumentos e agentes. Revista Brasileira de Ciencias Ambientais, numero 23. Disponivel em: <rbciamb.com.br/images/online/Materia_7_artigos309.pdf>. Acesso em: 27 set. 2013.

Gonzalez, L. T. V.; Tozoni-Reis, M. F. de C.; Diniz, R. E. da S. 2007. Educacao ambiental na comunidade: uma proposta de pesquisa-acao. Revista eletronica do Mestrado em Educacao Ambiental. v.18, jan/jun. p.379-398. Disponivel em: < http://www.seer.furg.br/remea/article/view/3386/2032>. Acesso em: 05 out. 2013.

--. Lei no 9.605, de 12 de novembro de 1998. Trata das sancoes penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e da outras providencias. Diario Oficial [da Uniao]. Brasilia, 02 fev. 1998.

--. Lei no 12.305, de 02 de agosto de 2010. Estabelece as diretrizes relativas a gestao integrada e ao gerenciamento de residuos solidos. Diario Oficial [da Republica Federativa do Brasil]; Brasilia, 02 ago. 2010.

Nunesmaia, M. de F. 2002. A Gestao de Residuos Urbanos e suas limitacoes. Revista Baiana de Tecnologia-SSA, v. 17, no 1, jan/abr. p.120 -129. Disponivel em: <unit.br/mestrado/saudeambiente/ leitura2008/Gestao%20de%20Res%EDduos%20Urbanos%20(Nunesmaia%202002).pdf>. Acesso em: 02 out. 2013.

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--. Resolucao CONAMA no 357, de 17 de marco de 2005. Dispoe sobre a classificacao dos corpos de agua e diretrizes ambientais para o seu enquadramento, bem como estabelece as condicoes e padroes de lancamento de efluentes, e da outras providencias. Diario Oficial [da Uniao], Brasilia, DF, 17 mar. 2005.

SEMMASP. 2013. Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Servicos Publicos. Lages-SC.

Uehara, M. Y.; Vidal, W. L. 1989. Operacao de Lagoas Anaerobias e Facultativas. CETESB: Sao Paulo.

Von Sperling, M. 2005. Introducao a qualidade da agua e ao tratamento de esgotos. v.1, 3a Ed. Belo Horizonte, p. 452.

Vinicius Poli

Universidade do Estado de Santa Catarina-Lages-Santa Catarina-Brasil

alemaumvp@hotmail.com

Josiani Cordova de Oliveira

Universidade do Estado de Santa Catarina-Lages-Santa Catarina-Brasil

josiani.oliv@gmail.com

Valter Antonio Becegato

Universidade do Estado de Santa Catarina-Lages-Santa Catarina-Brasil

becegato@cav.udesc.br

Vitor Rodolfo Becegato

Universidade do Estado de Santa Catarina-Lages-Santa Catarina-Brasil

vitortiburon_92@hotmail.com
Tabela 1--Pesagem de residuos solidos
mensal no ano de 2010.

Ano       Mes      Total (Toneladas)

2010    Janeiro        2.301,60
2010   Fevereiro       2.386,40
2010     Marco         2.021,20
2010     Abril         2.230,10
2010     Maio          2.284,40
2010     Junho         2.321,20

2010     Julho         2.132,60
2010    Agosto         2.287,40
2010   Setembro        2.246,30
2010    Outubro        2.153,20
2010   Novembro        2.335,40
2010   Dezembro        2.409,20
                       27.129,00

Fonte: ESA Construcao, Projetos e
Tecnologia Sanitaria Ltda.

Tabela 2--Pesagem de residuos solidos
mensal no ano de 2011.

Ano       Mes      Total (Toneladas)

2011    Janeiro        2.102,98
2011   Fevereiro       2.450,41
2011     Marco         2.136,97
2011     Abril         2.306,02
2011     Maio          2.342,38
2011     Junho         2.355,74
2011     Julho         2.213,40
2011    Agosto         2.381,23
2011   Setembro        2.338,20
2011    Outubro        2.347,42
2011   Novembro        2.359,35
2011   Dezembro        2.422,44
                       27.756,54

Fonte: ESA Construcao, Projetos e
Tecnologia Sanitaria Ltda.

Tabela 3--Pesagem de residuos solidos
mensal no ano de 2012.

Ano       Mes      Total (Toneladas)

2012    Janeiro        2.551,54
2012   Fevereiro       2.565,52
2012     Marco         2.279,26
2012     Abril         2.450,10
2012     Maio          2.477,50
2012     Junho         2.477,50
2012     Julho         2.404,90
2012    Agosto         2.506,54
2012   Setembro        2.422,12
2012    Outubro        2.473,26
2012   Novembro        2.543,91
2012   Dezembro        2.577,82
                       29.729,97

Fonte: ESA Construcao, Projetos e
Tecnologia Sanitaria Ltda, 2013.
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Title Annotation:texto en portugues
Author:Poli, Vinicius; de Oliveira, Josiani Cordova; Becegato, Valter Antonio; Becegato, Vitor Rodolfo
Publication:Revista Geografica Academica
Date:Jan 1, 2014
Words:4436
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