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Soil-vegetation relationship in forest islands and adjacent savanna at the Northeast Roraima, Amazonia/Relacoes solo-vegetacao em "Ilhas" florestais e Savanas adjacentes, no Nordeste de Roraima.

INTRODUCAO

As manchas ou encraves de cerrado estao dispersas pelo Bioma Amazonia e encontram-se inseridas, principalmente, nos estados do Amapa, Amazonas, Para e Roraima, sendo conhecidas regionalmente como savanas amazonicas (MIRANDA et al., 2003). As Savanas de Roraima ocupam 17% do Estado e representam a maior area continua de savanas no bioma Amazonia, ocupando quase todo o setor centro-leste e nordeste do estado em uma area aproximada de 43.000 [km.sup.2] (BARBOSA e CAMPOS, 2011).

As areas de savanas roraimenses se apresentam em forma de mosaico, formado por extensa superficie aplainada revestida por vegetacao graminosa/arbustiva, interrompido abruptamente por ilhas florestais. "Distribuidas pelas savanas encontram-se outras formacoes vegetais distintas como pequenas ilhas de florestas, que sao fragmentos florestais naturais, isolados, encontrados em areas abertas das zonas de contato savana-floresta dos Neotropicos (HUBER et al., 2006), geralmente estacionais, muito comuns principalmente na regiao da Formacao Boa Vista/' (BARBOSA e CAMPOS, 2011).

A causa da coexistencia de Savanas e Florestas Estacionais Semideciduais em uma dada regiao, sob um mesmo clima, tem sido investigada e alguns estudos tem buscado explicacoes para sua ocorrencia. Para Mayle e Power (2008), estas formacoes naturais foram originadas pelo mecanismo de expansao e retracao de grandes dominios de vegetacao ocorridos por ocasiao da atuacao de climas alternantes ao longo do Quaternario. Portanto, sao considerados reliquias paleoclimaticas, de epocas em que um macico florestal preterito, mais amplo, se estendia alem de seus limites atuais.

Embora climas mais umidos possam, em tese, favorecer a expansao florestal, outros fatores abioticos, como a recorrencia do fogo em relevo extensamente plano e aberto, combinado a solos extremamente distroficos e coesos, sao condicoes favoraveis a permanencia de savana em Roraima (SCHAEFER, 1997; SCHAEFER & DALRYMPLE, 1995). Como consequencia, as savanas de Roraima floristicamente pobres com especies adaptadas ao fogo e ao hidromorfismo (SCHAEFER et al., 1994) e fraco desenvolvimento do estrato arbustivo e arboreo. Alem disso, o nordeste de Roraima representa uma zona de tensao ecologica, onde variacoes climaticas sazonais determinam grandes transformacoes ecologicas, no tempo e no espaco (SCHAEFER, 1997; BENEDETTI et al., 2011).

Diferente da Floresta Estacionai existente no planalto central do Brasil, reconhecidas por abrigarem uma diversidade de plantas muito especifica (FELFILI et al., 2007; OLIVEIRAFILHO et al., 2006), os remanescentes florestais da Amazonia tem sido negligenciados. Na grande area de savana do nordeste de Roraima (regionalmente chamada de "lavrado"'), tais fragmentos estao estabelecidos ao longo do limite com a floresta continua (BARBOSA e CAMPOS, 2011).

Entretanto, os fragmentos florestais em Roraima sao perturbados por acao antropica, do mesmo modo que as bordas da floresta continua com a savana. Os fragmentos de maior area fisica (>10 ha) sao mais utilizados para agricultura de subsistencia (desmatamento), mas extracao seletiva de madeira (exploracao economica), conforto termico do gado (pisoteio do sub-bosque) e acao do fogo (susceptibilidade) sao perturbacoes comuns. Desta forma, disturbios antropogenicos e dimensao dos fragmentos tambem sao variaveis que podem influenciar na riqueza e diversidade de especies, pois tendem a acarretar alteracao no microclima e permitir maior vulnerabilidade a secas e fogos (LAURANCE et al., 2000; ROSS et al., 2002; FERREIRA et al., 2002).

Segundo alguns autores, o fator ecologico preponderante na distribuicao dos tipos de savana, dentro de seu proprio limite fitogeografico e o solo (TOPPA, 2004; NERI et al., 2012) que verificaram um gradiente de fertilidade acompanhando o gradiente fisionomico da vegetacao de savana, exercendo influencia na composicao floristica e estrutura da vegetacao.

Moreno e Schiavini (2001) estudaram um gradiente florestal em Minas Gerais, revelando influencia positiva da concentracao de calcio, potassio, fosforo, aluminio, saturacao por aluminio, saturacao por bases e materia organica na diferenciacao entre as fitofisionomias estudadas. Rossi et al. (2005) verificaram que Latossolos de textura media e com alta saturacao por aluminio estao associados a vegetacao de cerrado, enquanto solos com maiores teores de materia organica e nutrientes em superficie ocorrem associados a floresta.

Ja Martins et al. (2006) e Campos et al. (2012), estudando os atributos dos solos sob vegetacao campestre e floresta em Humaita, no Estado do Amazonas, constataram que os solos sob vegetacao campestre e floresta possuem atributos quimicos e mineralogicos semelhantes e que o aparecimento da vegetacao de florestal e favorecido por solo com maior profundidade e melhor drenagem.

Com base nas referencias acima citadas, constata-se que varios estudos tem buscado compreender os fatores que determinam a existencia de mosaicos formados por savana e florestas sob um mesmo clima. Em Roraima, esse ecossistema tem despertado o interesse de varios pesquisadores. No entanto, apesar de ja haver alguns estudos enfocando a savana e solos associados (e.g. SCHAEFER et al., 1993; 1994; MIRANDA et al., 2003; BARROS et al., 2009; BENEDETTI et al., 2011), sao necessarios trabalhos que enfoquem a correlacao entre os atributos dos solos e a ocorrencia de ilhas florestais no ambiente de savana.

Considerando o limitado conhecimento sobre as interacoes entre as comunidades vegetais e os fatores abioticos que sustentam os fragmentos florestais do Nordeste de Roraima e sua importancia como refugio para especies da fauna e da flora, o objetivo deste estudo foi caracterizar e classificar os solos sob ilhas florestais e as savanas nos quais estao inclusas, enfatizando as relacoes solo-vegetacao, ao longo de gradientes.

MATERIAL E METODOS

O estudo foi conduzido em quatro ilhas florestais (IF) e em savana (SV) adjacente, no municipio de Boa Vista, nordeste do estado de Roraima. Estao localizadas a margem esquerda da BR 174 no sentido Boa Vista - Pacaraima, a 35 km da sede do municipio, na area do Projeto de Assentamento Nova Amazonia 1 (PANA 1).

A ilha florestal 1 (IF1) abrange uma area com cerca de 46,41 ha e esta situada sob as coordenadas em projecao UTM 20 0741641 norte e 0342673 leste. A ilha florestal 2 (IF2) tem uma area total de 13,30 ha, sob as coordenadas UTM 20 0737873 norte e 0340295 leste. A Ilha florestal 3 (IF3) tem uma area total de 7,57 ha, localiza-se a margem esquerda da BR 342, sob as coordenadas UTM 20 741371 norte e 0344137 leste. A ilha florestal 4 (IF4) tem uma area total de 7,45 ha, sob as coordenadas UTM 20 741371 norte e 0344137 leste.

De acordo com a classificacao de Koppen, o clima da regiao e Awi. A cobertura vegetal das ilhas e de floresta estacionai semidecidual, circundada por savana parque e savana gramineo-lenhosa (BARBOSA, 1997). Para cada ilha florestal foi estabelecido um transecto de 100 m de comprimento, partindo do centro no sentido norte--sul e leste oeste. Ao longo do transecto foram abertas cinco trincheiras equidistantes. Para cada classe de solo identificada, foi aberta uma trincheira de 200 cm de profundidade, representando o solo tipico (modal). Nos pontos de amostragem nos quais ja havia um perfil modal, as trincheiras foram ate 40 cm de profundidade. A descricao morfologica foi realizada segundo o manual de descricao e coleta de solos no campo (SANTOS et al., 2005). A cor do solo foi determinada em amostras de solo umido, em campo, utilizando-se a caderneta de Munsell (2009) e a classificacao foi conforme o Sistema Brasileiro de Classificacao de Solos (EMBRAPA, 2013).

Nas trincheiras foram coletadas amostras indeformadas e deformadas de solo nas profundidades de 0-10 cm, 10-20 cm e de 20-40 cm. As amostras deformadas foram destinadas para analises fisicas e quimicas e as indeformadas, foram acondicionadas em latas de aluminios para estudo de densidade do solo, pelo metodo do anel volumetrico (EMBRAPA, 1997), utilizando aneis com volume de 50 [cm.sup.3], com cinco repeticoes nas profundidades de 0-10 cm, 10-20 cm e de 20-40 cm e determinacao do teor de umidade gravimetrica das amostras. Para avaliacao fisica e quimica comparativa dos solos sob savana e floresta foi estabelecido transectos contornando as formacoes vegetais, a uma distancia de 100 m de sua borda, para minimizar os efeitos da transicao.

O material coletado no campo foi devidamente acondicionado em sacos plasticos e em latas de aluminio. Posteriormente foram conduzidos ao Laboratorio do Nucleo de Recursos Naturais NUREN, da Universidade Federal de Roraima no Campus Cauame e para o Laboratorio de solos da EMBRAPA-RR, para a realizacao das analises.

A resistencia mecanica do solo a penetracao a campo, foi medida com penetrometro de pressao, nas profundidades de 0-10, de 10-20 e de 20 a 40 cm, com cinco repeticoes em cada tipo de solo.

A composicao granulometrica foi determinada apos dispersao da TFSA com NaOH 1 [mol.sup.-1] e agitacao; a fracao areia foi obtida por peneiramento umido, a argila pelo metodo de Bouyocus e o silte por diferenca (EMBRAPA, 1997).

O pH em agua foi determinado na relacao solo: agua de 1:2,5; Al, Ca e Mg trocaveis foram extraidos com KCl IN, K e P por Mehlich-1 e H+Al com solucao de acetato de calcio IN a pH 7,0 (EMBRAPA, 1997). O carbono organico foi determinado por colorimetria e transformado em teor de materia organica pela constante 1,724.

Os dados obtidos foram submetidos a Analise de Variancia (ANOVA), com tratamentos inteiramente casualizados, com dois tratamentos e cinco repeticoes. Quando constatada a significancia pelo teste F, as medias foram comparadas pelo teste de Tukey a 5%.

RESULTADOS E DISCUSSAO

Caracterizacao dos solos sob Savana e as Formacoes Florestais

Os resultados obtidos indicam a clara influencia dos solos na ocorrencia dos fragmentos florestais em area de savana, na mesma linha de outros estudos com abordagens semelhantes, em outras regioes (TOPPA; MORENO et al. 2001; NERI et al., 2012). Estes observaram a existencia de um gradiente de fertilidade controlando o gradiente fisionomico da vegetacao.

Comparando-se os fragmentos florestais entre si, os solos com coloracao avermelhada a amarelo-avermelhadas prevaleceram nas IF 1 e IF2, enquanto nas IF3 e IF4 sobressairam os solos com cores brunadas e amareladas. Enquanto nas Savanas, somente ocorrem solos com coloracao brunada. Tal fato parece indicar um efeito do hidromorfismo, ou, pelo menos, da permanencia de agua mais prolongada sob savana e uma drenagem melhor sob floresta.

Quanto a granulometria, verificaram-se solos argilosos sob savana, com aumento de argila em profundidade, tanto nas ilhas florestais como nas savanas. Em geral sao solos de textura media. Houve maior incremento de argila em profundidade nas florestas, ou seja, maior gradiente textural, o suficiente para classificar alguns perfis como Argissolos (com horizonte B textural) (Tabela 1).

Verificou-se uma tendencia de solos com maiores teores de argila em superficie nas savanas e maior percentual de areia nos horizontes superficiais nas ilhas florestais, ao contrario do que observaram Martins et al. (2006) no estudo de gradiente de vegetacao campestre a mata, na regiao de Humaita (AM), com concentracao de argila mais elevada em area de mata nativa, na camada de 0-20 cm.

Os baixos valores de silte nos dois ambientes estudados e, consequentemente, a baixa relacao silte/argila indica o avancado estagio de intemperismo dos solos sob savana em Roraima, corroborando com estudos de Melo et al. (2006) e Benedetti et al. (2011).

Quanto a densidade do solo, os resultados mostram uma tendencia de aumento com a profundidade o que se deve, segundo Costa et al. (2003), a fatores como: teor reduzido de materia organica, menor penetracao de raizes, maior compactacao ocasionada pelo peso dos horizontes sobrejacentes e diminuicao da porosidade total devido a eluviacao de argila. Os maiores valores foram obtidos nos solos sob savana, na profundidade em torno de 40 cm. Nessa profundidade, em especial para classes dos Latossolos Amarelos Distroficos, coincide com carater coeso, descrito por Benedetti et al. (2011), sendo estes solos classificados como Distrocoesos, conforme Embrapa (2013). A coesao nao foi observada sob floresta.

Caracteristicas morfologicas e fisicas dos solos nos dois ambientes estudados indicam melhores condicoes de drenagem nos solos Florestais, podendo influenciar positivamente a ocorrencia desta fitofisionomia, semelhante a estudos desenvolvidos por Martins et al. (2006) e Ferreira et al. (2002).

Foram verificados maiores valores de umidade nos solos sob as ilhas florestais, podendo estar associados ao microclima nestes ambientes florestais, resultados que tenderam a influenciar nos menores valores para a resistencia a penetracao. Porem, os maiores valores da RP nos solos sob savana indicam o carater coeso para as classes dos Latossolos e Argissolos Amarelos, ja descrito por Benedetti et al. (2011), nas savanas de Roraima.

Analisando-se os dois ambientes (Tabela 2), quanto as caracteristicas quimicas, verifica-se que, em ambos os ecossistemas, os maiores teores de calcio (Ca), soma de bases (SB), capacidade de troca de cations total (CTCt), capacidade de troca de cations efetiva (CTCe), saturacao por bases (V) e materia organica do solo (MOS) concentram-se nos primeiros 10 cm, resultado tambem encontrado por Rossi et al. (2005) e Campos et al. (2012). Valores mais elevados foram observados para os solos sob floresta, influenciando positivamente na diferenciacao entre as fitofisionomias estudadas, resultado semelhante ao observado por Moreno e Schiavini (2001). Nas florestas, o horizonte superficial possui menor concentracao de Al trocavel e maiores teores de P disponivel, Ca trocavel e MOS, sendo possivel que esses atributos tenham grande influencia no estabelecimento das plantulas, favorecendo a sucessao florestal e manutencao das florestas em solos quimica e fisicamente um pouco melhores. Resultado similar foi reportado por Ruggiero et al. (2006).

Os valores para SB sao significativamente superiores nos solos florestais, em todas as profundidades estudadas, em relacao as savanas adjacentes, resultados corroborados por Martins et al. (2006), que obtiveram a mesma tendencia em estudo de vegetacao campestre e florestas adjacentes em Humaita, no Estado do Amazonas.

Os solos sao acidos, com valores de pH (H20) na profundidade 0-10 cm sem diferenca estatistica, mas, na profundidade de 10-20 cm, os valores se mostraram significativamente diferentes. Nos horizontes diagnosticos, os valores se aproximam dos encontrados por Melo et al. (2006) na regiao do Apiau - RR. Nas areas de savana, resultados semelhantes foram verificados por Benedetti et al. (2011), no campus do Cauame --UFRR.

Analisando-se os teores de K, verifica-se que os valores diferiram significativamente entre os dois ambientes em todas as profundidades estudadas, com os maiores valores sob floresta, devido tanto a ciclagem quanto a menores perdas por erosao.

Nos primeiros 10 cm, os teores de P foram baixos, mas com tendencia de melhores condicoes quimicas sob floresta, sendo um dos fatores mais limitantes ao desenvolvimento da vegetacao na regiao amazonica. Os valores sao um pouco acima dos observados na regiao por Martins et al. (2006), em especial nas areas sob floresta. Nestes ambientes da Amazonia, de uma forma geral, a dinamica do fosforo e dependente da ciclagem da materia organica, consistente com a ligeira relacao entre os teores de P e os teores de MOS. A ciclagem eficiente e a habilidade da comunidade vegetal em conviver com baixas concentracoes de P revelam o trade-off que garante a estabilidade das florestas nestes solos pobres.

O teor de MOS foi maior nos solos florestas, concentrando-se no horizonte superficial, resultado semelhante aos verificados por Moreno e Schiavini (2001) Araujo et al. (2004), Barbosa e Ferreira (2004) e Ruivo et al. (2002). Com maiores valores de MOS, verificaram-se niveis mais elevados de nutrientes em superficie, evidenciando a dependencia da CTC em relacao a materia organica, o que se coaduna com resultados encontrados por Rossi et al. (2005), em estudo de Floresta Estacionai Semidecidual no Estado de Sao Paulo.

Na floresta, o acumulo de MOS e maior que nos solos sob savana, provavelmente, em funcao da maior biomassa vegetal e de raizes, considerando as condicoes de clima regional. Este processo e retroalimentado, ou seja, pode-se argumentar que as caracteristicas desse ambiente sao favorecidas pela ciclagem.

Em geral, os valores obtidos para [Al.sup.3+] e saturacao por aluminio (m) estao bem inferiores aos normalmente encontrados na regiao por diversos autores (MELO et al., 2006; BENEDETTI et al., 2011), mesmo em areas de florestas, sendo significativamente superiores na savana, nas profundidades de 0-10 cm e de 10-20 cm. Tais resultados convergem aos encontrados nos estudos de Moreno e Schiavini (2001), confirmando neste caso, a teoria do oligotrofismo relatada por Alvin (1954), que considera a presenca do aluminio toxico como fator ecologico de grande efeito sobre a ocorrencia da vegetacao de cerrados (no caso, das savanas de Roraima).

A condicao de baixa fertilidade natural na area e resultante da influencia do material de origem pre-intemperizado da Formacao Boa Vista (Pliopleistoceno) e, tambem, em funcao das condicoes climaticas da regiao, de acentuado intemperismo atual. Os baixos niveis de fertilidade dos solos sob savana foram registrados em varios estudos na regiao (SCHAEFER et al., 1993; SCHAEFER, 1997; ROSSI et al., 2005; BARROS et al., 2009; BENEDETTI et al., 2011). Segundo Schaefer (1997), contudo, boa parte das ilhas florestais em Roraima se assenta sobre solos mais vermelhos, derivados de rochas graniticognaissicas ou maficas, resultando em solos fisica e quimicamente melhores que aqueles formados dos sedimentos Boa Vista. No presente estudo, entretanto, solos semelhantes ocorrem tanto sob savana quanto floresta, embora com sutis diferencas morfologicas, fisicas e quimicas entre os dois ambientes.

Relacoes Solos e Ambientes de Savana e Formacoes Florestais

A area estudada e de dominio das Savanas associadas a solos originados a partir de sedimentos pre-intemperizados argiloarenosos da Formacao Boa Vista, datados do Pliopleistoceno (BARROS et al., 2009; BENEDETTI et al., 2011), dominada por solos com horizontes Bw, Bt e com menor area ocupada Bf e Btf, representados pelo Latossolo Amarelo Distrocoeso (LAdx), Argissolo Amarelo Distrocoeso (PAdx), Latossolo VermelhoAmarelo Distrofico (LVAd), Plintossolo Petrico Concrecionario (FFc), Argissolo Acinzentado Distrofico (PACdx) e Gleissolo Haplico Tb Distrofico (GXbd). Em contraste abrupto com essa fitofisionomia savanica, nas ilhas de Floresta Estacionai Semidecidual ocorrem as mesmas classes de solo, diferindo apenas na presenca de solos mais vermelhos (Latossolo Vermelho Distrofico, LVd), conforme Embrapa (2013) (Tabela 3).

Nos fragmentos florestais IF2 e IF3 foram caracterizados Plintossolos Petricos Concrecionarios e, em especial, em IF2, de maior diversidade pedologica, com Plintossolos Petricos Concrecionarios dominantes, seguidos dos Latossolos Vermelho-Amarelos Distroficos e Latossolo Vermelho Distrofico. As duas ultimas classes de solos estao associadas a influencia de rocha Basaltica da Formacao Apoteri ou a rochas cristalinas que afloram nas proximidades.

Quanto ao relevo, observa-se que todos os ambientes estao posicionados em relevo plano, com declividade entre 0 a 3%, porem, a IF2 esta inserida em area de relevo suave ondulado, destacando-se o fragmento em cota mais elevada. O relevo exerce forte controle na dinamica da agua na regiao, observando-se que os solos bem drenados estao posicionados em relevo plano a suave ondulado com altitude em torno de 80 m, cuja coloracao dominante varia de amarelada a avermelhada, enquanto solos com drenagem pior, e mesmo caracteristicas Hidromorficas, ocupam as areas baixas ou abaciadas da paisagem, com cores que indicam algum grau de reducao temporaria (Tabela 4).

Na comparacao de ambientes, podese verificar que a classe de solo nao e um fator determinante na ocorrencia de florestas na regiao de savana de Roraima, pois em um mesmo fragmento foram identificados tanto solos bem diferentes da savana do entorno, quanto em outros fragmentos, as classes nao diferiram. Esse resultado concorda com o estudo de Ruggiero et al. (2006), em fragmentos nas Savanas do Brasil central.

Nos fragmentos florestais, foi possivel verificar a presenca marcante de carater petroplintico, em profundidade variavel, satisfazendo em alguns casos a posicao diagnostica para Plintossolo. Na maioria dos Latossolos descritos, contudo, esse carater posicionava-se alem dos 150 cm de profundidade e ate mesmo fora da secao de controle para essa classe, conforme Embrapa (2013).

Em geral, os FFc estao posicionados em relevos ondulado e suave ondulado, com abundantes concrecoes ferruginosas (petroplintitas e litoplintitas), conhecidas pelas etnias indigenas da regiao como Cabeca de Jacare, Canga Lateritica, Pedra Marara, conforme descritos por diversos autores em trabalhos realizados na regiao (MELO et al., 2006; VALE JUNIOR et al., 2007; BENEDETTI et al., 2011). Esse processo de plintizacao pode ter ocorrido em funcao de oscilacoes climaticas ocorridas na regiao (condicoes paleoclimaticas), conforme modelo de evolucao da paisagem (RANZI, 1993). Dentro de uma mesma regiao climatica, o pedoclima (clima do solo) pode variar em funcao de caracteristicas fisicas dos solos, como estrutura, textura, porosidade, capacidade de retencao hidrica, entre outras (RESENDE et al., 1992). No presente estudo, observaram-se diferencas pedologicas entre solos sob floresta e savana, com tendencia a solos mais vermelhos nos fragmentos florestais, o que revela uma possivel influencia do material de origem. Tal e o caso de IF2, nas proximidades do afloramento de basalto da Serra de Nova Olinda, ou de IF3, no qual os solos sao provenientes de decomposicao da canga, sempre com cores mais vermelhas.

[FIGURE 1 OMITTED]

.Analisando-se isoladamente os Latossolos descritos no fragmento florestal IF2, com enfase na presenca e profundidade do carater petroplintico, e possivel perceber que os Plintossolo Petricos concrecionarios estao sofrendo processo de Latolizacao. Postula-se que em climatica mais seca no Quaternario houve intenso processo de couracamento e formacao de petroplintita, seguida da instalacao de um clima mais umido, quando este processo foi substituido por intenso intemperismo e degradacao da canga previamente formada.

Baseando-se na caracterizacao climatica da regiao (BARBOSA et al., 1997), todos os ambientes estudados se encontram sob um mesmo clima atual (Aw de Koppen), com precipitacoes pluviometricas em torno de 1.500 mm/ano e temperatura media anual em torno de 25[degrees]C.

Verifica-se que tanto os fragmentos florestais como as savanas estao sob as mesmas condicoes geomorfologicas (Pediplano Rio Branco), mas possuem diferencas pedologicas e de material de origem que exercem notavel efeito na cobertura vegetal. Nao se pode deixar, contudo, de aventar possiveis mudancas climaticas que explicam os avancos e retracoes dos espacoes florestais da Amazonia.

Assim, permanece uma hipotese plausivel a ser testada, que tais fragmentos isolados representem um paleoespaco outrora mais amplo, florestado e que os remanescentes atuais que ocorrem em mosaico dentro da savana, sejam nucleos nos quais os solos, sutilmente diferenciados em relacao a savana circundante, permitiram a sucessao florestal e estabilidade ecologica, em um novo quadro climatico. Ressalta-se que a tendencia ecologica atual em Roraima, ja intensamente descrita em alguns estudos (e.g. SCHAEFER, 1997), e de invasao florestal em areas de savana, atraves da dissecacao fluvial e captura de veredas de buritis.

Nas transicoes climaticas seco-umidas, ou vice-versa, os solos devem ter desempenhado um papel tamponante (buffering) e relevante na distribuicao das savanas e florestas em Roraima, ora selecionando especies mais tolerantes a seca e ao fogo, ora exercendo uma pressao seletiva favorecendo a invasao de especies florestais, nas quais fatores fisico-quimicos combinam, contribuiram para o estabelecimento e adaptacao de ecossistemas florestais. Dentro de um espaco ecotonal, como no Nordeste de Roraima, e esperado um mosaico de fragmentos florestais, em que o quadro dinamico segue indefinido e sujeito a perturbacoes, inclusive antropicas.

CONCLUSOES

Atributos dos solos, mas nao a classe taxonomica, sao fatores que explicam o equilibrio dinamico entre a Floresta e a Savana no Nordeste de Roraima.

Nos gradientes de floresta-savana estudados, a classe dos Latossolos foi predominante em area ocupada, seguido de Argissolos e Plintossolos;

Nos fragmentos florestais prevaleceram os solos com coloracoes avermelhadas e amareloavermelhadas, com pouca expressao de cores amarelas. Ja nos solos sob Savanas, os solos com coloracao amarelo-brunada foram predominantes;

A ocorrencia dos fragmentos florestais nas areas de savana nao e explicada pela classe de solo. Embora os solos sejam todos distroficos, ha melhores condicoes fisico-quimicas, com maiores teores de fosforo disponivel e materia organica, menores valores de pH e aluminio trocavel, nos solos sob floresta; alem disso, estes solos possuem menor densidade do solo, menor resistencia a penetracao e maiores percentuais de umidade;

Oscilacoes paleoclimaticas podem auxiliar na compreensao da expansao e retracao dos espacos florestados em Roraima, mas nao e necessario invocar qualquer condicao paleoclimatica para explicar a ocorrencia atual de fragmentos de floresta isolados na savana, pois ha um conjunto robusto de caracteristicas diferenciadas de solos entre os dois extremos de vegetacao, representando um equilibrio dinamico em um classico espaco ecotonal.

AGRADECIMENTOS

A Pro-Reitoria de Pesquisa e PosGraduacao, responsavel pelo Programa de PosGraduacao em Recursos Naturais da Universidade Federal de Roraima e a Embrapa Roraima.

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Keily Katiany Almeida Feitosa (1) Jose Frutuoso do Vale Junior (2) Carlos Ernesto Goncalves Reynaud Schaefer (3) Maria Ivonilde Leitao de Sousa (4) Pedro Paulo Ramos Ribeiro Nascimento (5)

(1) Engenheira Agronoma, MSc., Engenheira Agronoma da Secretaria de Agricultura, Pecuaria e Abastecimento de Estado de Roraima, Rua Ademario Santos, 762, Qd. 38, Caimbe II, CEP 69312-168, Boa Vista (RR), Brasil. keilyk@uol.com.br

(2) Engenheiro Agronomo, Dr., Professor Associado do Departamento de Solos e Engenharia Agricola, Universidade Federal de Roraima, Campus Cauame, BR 174, Km 12, Bairro Monte Cristo, CEP 69300-000, Boa Vista (RR), Brasil, valejr51@gmail.com.br

(3) Engenheiro Agronomo, PhD., Professor Associado do Departamento de Solos, Universidade Federal de Vicosa, Av. pH Rolfs, s/n, CEP 36571-000, Vicosa (MG), Brasil. carlos.schaefer@ufV.br

(4) Engenheira Agronoma, MSc., Agronoma da Secretaria Municipal de Gestao Ambiental e Assuntos Indigenas (SMGA), Rua Desembargador Francisco Murilo Pinto, 94, Bairro Cacari, CEP 69312-168, Boa Vista (RR), Brasil. ivonildeufrr@gmail.com.br

(5) Graduando em Agronomia, Universidade Federal de Roraima, Rua das Palmeiras 86, Pricuma, CEP 69309-600, Boa Vista (RR), Brasil. Bolsista de iniciacao cientifica, pedonpaulo@hotmail.com

Recebido para publicacao em 29/04/2013 e aceito em 30/01/2014
TABLE 1: Mean values of soil physical parameters in different
environments.

TABELA 1: Valores medios dos parametros fisicos dos solos sob os
diferentes ambientes estudados.

                               Umidade
Cobertura   Profundidade
vegetal     (cm)           (U1) %   (U2) %

            0-10            4,86     13,68
IF1         10-20           5,39     13,54
            20-40           7,65     13,40
            0-10            1,75     7,11
SV1         10-20           3,67     8,72
            20-40           4,89     10,34
            0-10            7,56     13,78
IF2         10-20           6,89     14,39
            20-40           8,48     15,00
            0-10            4,33     12,12
SV2         10-20           4,83     14,66
            20-40           8,34     17,19
            0-10            5,37     15,67
IF3         10-20           9,21     15,41
            20-40           9,56     15,14
            0-10            1,76     10,71
SV3         10-20           5,80     11,51
            20-40           6,04     13,90
            0-10            8,75     15,60
IF4         10-20           7,90     15,21
            20-40           9,34     14,58
            0-10            6,63     9,75
SV4         10-20           7,68     10,68
            20-40           7,90     12,49

              Granulometria (dag/kg)           Ds
Cobertura                            R. P.   (g/[cm.
vegetal     Argila   Silte   Areia   (MPa)   sup.3])

             18,61    9,54   71,85    1,08     1,24
IF1          25,08    9,88   65,04    1,82     1,28
             30,48    8,38   61,14    2,31     1,33
             16,82   10,89   72,29    2,45     1,37
SV1          22,87   11,53   65,60    4,09     1,38
             26,15    8,32   65,53    4,39     1,41
             19,15    9,77   71,08    1,72     1,42
IF2          28,44    0,84   62,72    2,84     1,44
             38,07   10,95   50,98    3,17     1,47
             25,09   10,43   64,48    2,62     1,34
SV2          31,64   14,63   53,73    3,33     1,35
             42,00    9,11   48,89    4,21     1,37
             19,93   10,85   69,22    0,94     1,28
IF3          32,52   11,62   55,86    1,52     1,32
             35,36   10,66   53,98    2,25     1,38
             23,80   10,10   66,10    2,74     1,35
SV3          34,31    9,23   56,46    3,58     1,39
             39,11   11,69   49,20    4,76     1,42
             16,10   12,36   71,54    0,33     1,39
IF4          18,67   08,94   72,39    1,25     1,45
             25,01   12,29   62,70    1,56     1,51
             19,94   11,34   68,72    1,44     1,43
SV4          26,32    8,92   64,76    2,67     1,52
             29,34    8,49   62,17    3,14     1,63

Em que: U1 = umidade no periodo seco; U2 = umidade no periodo
chuvoso; R.P. = resistencia a penetracao; Ds = Densidade do solo.

TABLE 2: Mean values of chemical atributos in soils under forest and
savanna at three depths.

TABELA 2: Valores medios de atributos quimicos em solos sob
fragmentos florestais (IF) e savana (sv) em tres profundidades.

                                          IF1       SV1       IF2

Atributos quimicos                             Profundidade (cm)

                                          0-10      0-10     10-20

pH ([H.sub.2]O)                          5,71 a    5,48 a    5,53 a
[Ca.sup.2+] ([cmol.sub.c]/[dm.sup.3])    3,29 a    1,13 b    1,56 a
[Mg.sup.2+] ([cmol.sub.c]/[dm.sup.3])    0,88 a    0,43 b    0,56 a
[K.sup.+] ([cmol.sub.c]/[dm.sup.3])      0,13 a    0,05 b    0,06 a
[Al.sup.3+([cmol.sub.c]/[dm.sup.3])]     0,11 b    0,37 a    0,56 b
H+Al ([cmol.sub.c]/[dm.sup.3])           4,02 a    3,82 a    3,32 a
P (mg/[dm.sup.3])                        6,59 a    2,75 b    3,51 a
SB ([cmol.sub.c]/[dm.sup.3])             4,30 a    1,61 b    2,17 a
CTCt ([cmol.sub.c]/[dm.sup.3])           8,36 a    5,43 b    5,45 a
CTCe ([cmol.sub.c]/[dm.sup.3])           4,41 a    1,98 b    2,35 a
V(%)                                    50,29 a   28,17 b   39,78 a
m (%)                                    3,96 b   26,49 a    9,83 b
MOS (g/[kg.sup.-1])                     31,14 a   18,52 b   14,93 a

                                          SV2       IF3       SV3

Atributos quimicos                             Profundidade (cm)

                                         10-20     20-40     20-40

pH ([H.sub.2]O)                          5,15 b    5,65 a    5,30 b
[Ca.sup.2+] ([cmol.sub.c]/[dm.sup.3])    0,61 b    5,65 a    0,46 b
[Mg.sup.2+] ([cmol.sub.c]/[dm.sup.3])    0,19 b    0,56 a    0.18 b
[K.sup.+] ([cmol.sub.c]/[dm.sup.3])      0,02 b    0,04 a    0,02 b
[Al.sup.3+([cmol.sub.c]/[dm.sup.3])]     0,62 a    0,20 a    0,48 a
H+Al ([cmol.sub.c]/[dm.sup.3])           3,94 a    2,26 b    3,10 a
P (mg/[dm.sup.3])                        0,53 b    1,26 a    0,23 b
SB ([cmol.sub.c]/[dm.sup.3])             0,82 b    1,73 a    0,65 b
CTCt ([cmol.sub.c]/[dm.sup.3])           4,53 a    4,12 a    3,76 a
CTCe ([cmol.sub.c]/[dm.sup.3])           1,46 b    1,94 a    1,14 b
V(%)                                    16,11 b   40,98 a   16,80 b
m (%)                                   46,58 a   11,79 b   39,46 a
MOS (g/[kg.sup.-1])                     13,05 a    7,86 a    7,91 a

Em que: P = Fosforo disponivel; SB = Soma de bases; CTCt =
Capacidade de troca cationica total; CTCe = Capacidade de troca
cationica efetiva; V= Saturacao por bases; m = Saturacao por
aluminio; MOS = Materia organica do solo.

TABLE 3: Soils under different environments.

TABELA 3: Classes de solos sob os diferentes ambientes estudados.

                        Floresta Estacional Semidecidual

              1                2                3              4

Solos     ARGISSOLO      PLINTOS SOLO      PLINTOSSOLO     LATOSSOLO
           AMARELO          PETRICO          PETRICO        AMARELO
         Distrocoeso    Concrecionario   Concrecionario   Distrocoeso
            (PAdx)        argissolico     tipico (FFc)       (LAdx)
                            (FFc)

          LATOSSOLO        LATOSSOLO        LATOSSOLO      ARGISSOLO
           AMARELO         VERMELHO/        VERMELHO-       AMARELO
         Distrocoeso        AMARELO          AMARELO      Distrocoeso
            (LAdx)        Distrofico       Distrofico        (PAdx)
                            (LVA) /          (LVAd)
                           LATOSSOLO
                           VERMELHO
                          Distrofico
                             (LVd)

                              Savana Gramineo-Lenhosa

              1                2                3              4

Solos     ARGISSOLO        LATOSSOLO       PLINTOSSOLO     ARGISSOLO
           AMARELO         VERMELHO-         PETRICO        AMARELO
         Distrocoeso        AMARELO      Concrecionario   Distrocoeso
            (PAd)         Distrofico      tipico (FFc)       (PAd)
         associado a        (LVAd)
          ARGISSOLO
         ACINZENTADO
         Distrocoeso
          abruptico
            durico
           (PACdx)

          LATOSSOLO        ARGISSOLO        LATOSSOLO      LATOSSOLO
           AMARELO          AMARELO         VERMELHO-       AMARELO
         Distrocoeso      Distrocoeso        AMARELO      Distrocoeso
            (LAdx)          (PAdx)         Distrofico       (LAdx) /
                                             (LVAd)        GLEISSOLO
                                                           HAPLICO Tb
                                                           Distrofico
                                                            plintico
                                                             (GXb)

TABLE 4: Geoenvironmental units in the studied region.

TABELA 4: Unidades geoambientais na Regiao de estudo.

Cobertura       Geologia      Geomorfologia        Solos
vegetal

IF1           Formacao Boa      Plano, com     PAd associado
                 Vista         declividade         a LAd
                               entre 0 e 3%

              Formacao Boa     Relevo suave    FFc associados
                Vista e       ondulado, com      a LVA e LV
IF2          influencia de     declividade
              produtos do     entre 3 e 8%.
            intemperismo do
               Basalto da
                Fonnacao
                Apoteri.

IF3           Formacao Boa      Plano, com    FFc associado a
                 Vista         declividade       LAd e PAd
                               entre 0 e 3%

IF4           Formacao Boa      Plano, com    LAd associado a
                 Vista         declividade     PAd LAd, PAd,
                               entre 0 e 3%

SV            Formacao Boa      Plano, com         PACdx
                 Vista         declividade      Associados a
                               entre 0 e 3%      FFc e GXb

Cobertura     Vegetacao    Clima (Koppen)        Tempo
vegetal                                        Coluvio do

IF1           Floresta           Aw         Pliopleistoceno
             Estacionai
            Semidecidual

              Floresta           Aw            Jurassico/
             Estacionai                         Cretaceo
IF2         Semidecidual

IF3           Floresta           Aw         Pliopleistoceno
             Estacionai
            Semidecidual

IF4           Floresta           Aw         Pliopleistoceno
             Estacionai
            Semidecidual

SV             Savanas           Aw         Pliopleistoceno
             Gramineo -
               lenhosa

Em que: IF1--Ilha Florestal 1; IF2--Ilha Florestal 2;
IF3--Ilha Florestal 3; IF4--Ilha Florestal IF4; SV--Savana.
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Title Annotation:texto en portugues
Author:Feitosa, Keily Katiany Almeida; do Vale, Jose Frutuoso, Jr.; Schaefer, Carlos Ernesto Goncalves Reyn
Publication:Ciencia Florestal
Date:Jan 1, 2016
Words:6474
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