Printer Friendly

Sistemas forrageiros no semiarido do Estado do Ceara: tipologia estrutural.

Forage systems in the semiarid of Ceara State: structural typology.

Introducao

Ha decadas que o conhecimento da sociedade sobre os efeitos negativos dos sistemas de producao intensivos mudou os metodos e objetivos dos cientistas e de institutos de pesquisa, procurando enfocar o melhoramento da sustentabilidade dos sistemas tradicionais, em detrimento do aumento da produtividade (KIRCHMANN; THORVALDSSON, 2000). Assim, a continuidade dos sistemas tradicionais sem a perda de suas caracteristicas endogenas, como a reavaliacao da baixa produtividade da terra e a conservacao do meio ambiente, requer bom conhecimento de suas caracteristicas e de seu valor, bem como de seus pontos criticos ao nivel de unidade produtiva (HADJIGEORGIOU et al., 2002). A producao animal na regiao semiarida do Nordeste do Brasil inclui esses sistemas tradicionais e seu forrageamento se baseia quase exclusivamente em pastagens de plantas nativas da vegetacao da Caatinga, floresta espinhosa de altura baixa e que sustenta mais de 90 e 35% da producao de cabras e ovelhas, respectivamente (GUIMARAES-DUQUE, 2001).

Os sistemas forrageiros de regioes semiaridas foram descritos parcialmente e algumas caracteristicas ligadas as suas condicoes e recursos fisicos foram evidenciados e discutidos no Nordeste da Espanha por Vidal et al. (2003); na Sardenha por Usai et al. (2006); na regiao Oeste do Mediterraneo (RUIZ et al., 2008) e na Venezuela por Garcia et al. (2009). No entanto, ate o momento nenhuma iniciativa foi tomada para explicar as estruturas dos sistemas forrageiros em regioes semiaridas brasileiras. O conhecimento sobre a disponibilidade e diversidade de fatores produtivos estruturais e um pre-requisito para compreender os sistemas forrageiros, pelo que sua estrutura faz referencia a organizacao espacial dos componentes do sistema (THENAIL; BAUDRY, 2004). Ademais, o manejo da terra e a tomada de decisoes importantes, como sua manutencao, melhoramento e criacao de condicoes equitativas para diferentes tipos de agricultura e pecuarias, sao tambem determinadas pela disponibilidade de fatores estruturais. Em estudos de sistemas forrageiros, e necessario considerar simultaneamente varios aspectos estruturais relacionados, pelo que a funcao desses sistemas e o equilibrio entre os recursos forrageiros e a nutricao das necessidades dos rebanhos (CHATELLIER et al., 2008). O objetivo desse estudo e elaborar uma tipologia de sistema forrageiro sob o aspecto estrutural para ser utilizada como ferramenta de decisao por agentes rurais produtivos visando melhorar o manejo desses sistemas. Para tal, o estudo define os fatores estruturais forrageiros de Unidades de Producao semiaridas utilizando tecnicas estatisticas multivariadas. Os tipos obtidos deverao ser entendidos como um metodo de aproximacao ao estudo dos sistemas forrageiros, etapa de sua analise que permite simplificar a diversidade de situacoes identificando grupos de individuos (WEIGEL; REKAYA, 2000).

Material e metodos

Utilizou-se informacao sobre caracteristicas estruturais de 57 Unidades de Producao Agraria Familiar (UPAF) obtidas mediante aplicacao direta de questionario. As UPAFs se incluiam no Projeto de Pesquisa denominado "Autossustentacao economico-social de comunidades rurais atraves de cabras leiteiras naturalizadas em regiao semiarida dos Inhamuns, CE", financiado pelo CNPq (Edital n[degrees]19/05). As UPAFs analisadas estao situadas no semiarido da regiao Nordeste, especificamente no Distrito do Baixo Trici, municipio de Taua (Estado do Ceara) e se distribuem em tres comunidades rurais, a saber: Junco (n = 22), Lustal (n = 26) e Queimadas (n = 9). O numero de UPAFs por comunidade e diferente porque obedeceu ao criterio de adesao voluntaria da familia responsavel ao projeto de pesquisa. Genericamente, nas UPAFs, o regime de exploracao do tipo semiestabulado e o de maior incidencia nas tres comunidades: 50,00; 92,31 e 66,67%, respectivamente, para Junco, Lustal e Queimadas. A Superficie Agraria Util media total e de 21,26 ha (CV = 0,96) e as medias para as comunidades sao de 16,22 ha (CV = 0,63) no Junco; 17,36 ha (CV = 1,03) em Lustal e 44,86 ha (CV = 0,68) em Queimadas, caracterizando-se assim todas as UPAFs na faixa de minifundios (BRASIL, 1993). Os questionarios se referiam a um ano agricola (agosto de 2006 a agosto 2007) e recolheram informacao geral e especifica sobre estrutura forrageira das UPAFs. No total, foram elaborados 18 indicadores de estrutura relacionados a disponibilidade de superficies para cultivo e para forragem (Tabela 1) e relacionados a efetivos de pequenos ruminantes, instalacoes, fator trabalho e cargas animais (Tabela 2).

Os Cultivos Forrageiros hidricos (Tabela 1) estao formados por dois tipos: (i) os forrageiros irrigados, a saber: o capim elefante (Pennisetum purpureum), o cereal sorgo (Sorghum bicolor) e a leguminosa leucena (Leucaena spp.); e (ii) o cultivo forrageiro de periodo de chuva, a saber: milho forrageiro (Zea mays). Os Cultivos Forrageiros de sequeiro sao: a palma forrageira (Opuntia ficus-indica), algaroba (Prosopis

juliflora), capim buffel (Cenchrus ciliaris), capim Tanzania (Panicum maximum cv. Tanzania) e feijaobravo (Canavalia brasiliensis). Mediante a Analise de Componentes Principais (ACP) com Rotacao Varimax (HAIR et al., 2006) foram obtidos os fatores explicativos da heterogeneidade estrutural dos sistemas forrageiros para o conjunto de UPAFs analisadas. A seguir, uma Analise Cluster, baseada nas coordenadas das observacoes dos principais fatores da ACP, foi realizada para classificar as UPAFs em grupos de sistemas forrageiros de acordo com suas caracteristicas estruturais.

A metrica utilizada no Cluster foi a Distancia Euclidiana e o metodo de agregacao foi o de variancia minima (Ward Minimum Variance). Finalmente, por meio da Distribuicao de Frequencias foi realizada a descricao geral dos indicadores para cada um dos grupos de sistemas forrageiros obtidos.

Dois tipos de cargas animais foram calculados separadamente para tres diferentes superficies forrageiras (SF): a superficie em restolho (SR), a superficie de cultivos forrageiros especificos (SFC) e a superficie forrageira em Caatinga (SFCA). A carga animal potencial foi calculada considerando-se a possibilidade de utilizacao total das respectivas superficies forrageiras de acordo com as seguintes formulas:

Carga animal potencial em superficie em restolho: UACO [haSR.sup.-1].

Carga animal potencial em superficie de cultivos forrageiros especificos: (UACO ha [SFC.sup.-1])*(haSF).

Carga animal potencial em superficie forrageira de Caatinga: (UACO ha [SFCA.sub.-1])*(haSF).

A carga animal praticada foi calculada considerando-se a porcentagem de utilizacao atual das respectivas superficies segundo informacao de campo disponivel para 83% das UPAFs em estudo, assumindo-se as mesmas proporcoes a seguir apresentadas para as restantes UPAFs em que essa informacao especifica nao estava disponivel. Assim, para todas as UPAFs, o calculo da porcentagem de utilizacao atual das superficies forrageiras, a saber, a de restolho (SR), a de cultivos forrageiros especificos (SFC) e a de Caatinga (SFCA), baseou-se em que: (i) nas UPAFs onde ha os tres tipos de superficies, a utilizacao das mesmas seria de 33,33% para cada uma delas diariamente e para as UPAFs onde ha dois tipos de superficie forrageira, seja na combinacao de SR com SFC, SR com SFCA ou SFC com SFCA, a utilizacao seria de 50% para cada superficie diariamente e,

(ii) que a porcentagem de utilizacao da superficie forrageira (total) equivale a:

%utilizacao da SF=100 - (% estabulacao diaria).

A porcentagem de estabulacao diaria foi calculada considerando-se tres periodos de 8h: manha (33,33%), tarde (33,33%) e noite (33,33%). Assim:

Carga animal praticada em superficie de restolho:

[(UACO [haSR.sup.-1] potencial)*(% de utilizacao da superficie forrageira)]/100.

Carga animal praticada em superficie de cultivos forrageiros especificos:

[(UACO [haSFC.sup.-1] potencial*haSF)*(% de utilizacao da superficie forrageira)]/100.

Carga animal praticada em superficie forrageira de Caatinga:

[(UACO ha [SFCA.sup.-1] potencial*haSF)*(% de utilizacao da superficie forrageira)]/100.

Tabelas de Contingencia e Analise de Variancia (teste F associado ao teste Bonferroni para homogeneizacao de variancias com a = 0,001) (HAIR et al., 2006) foram utilizadas nas variaveis para determinar as diferencas estruturais entre os sistemas forrageiros organizados em grupos.

Resultados e discussao

Fatores explicativos da heterogeneidade de estrutura do sistema forrageiro

Uma Analise de Componentes Principais foi executada sobre as variaveis focais estruturais das UPAFs componentes dos sistemas forrageiros (Tabela 3). Esse procedimento reduziu o numero de variaveis originais por meio da identificacao daquelas que se encontravam correlacionadas. Os tres primeiros fatores da ACP explicam 65,56% da variancia, valor considerado satisfatorio (MALHOTRA, 2004) e seus eigenvalues sao >1. O Fator 1 identifica sistemas com rebanho caprino e ovino expressivo utilizadores de SF de Caatinga. Esse fator expressa, assim, a relacao entre as cargas animais praticadas e em potencial sobre a SF em Caatinga. O Fator 2 identifica os sistemas forrageiros em que os CF especificos de periodo de chuva e irrigados adquirem relevancia na ausencia de SF de Caatinga. O Fator 3 indica a relacao entre a incidencia do regadio e da SF na SAU e a disponibilidade de instalacoes para caprinos e ovinos, identificando assim, os sistemas cujas SF estao vinculadas a presenca de regadio e que dispoem de instalacoes para caprinos e ovinos.

Grupos de Sistemas Forrageiros

Um Cluster foi realizado por meio das coordenadas fatoriais das observacoes para os fatores da ACP, e dez grupos de sistemas forrageiros foram obtidos. As caracteristicas estruturais que explicam as diferencas mais relevantes entre os grupos sao apresentadas nas Tabelas 4, 5, 6, e 7 e os mesmos se aglutinam em torno da relevancia da Caatinga.

Sistemas com alta presenca de caatinga na formacao da superficie forrageira

O maior deles (G10) (Tabela 5) se caracteriza por baixa SAU, elevada disponibilidade de SF e o maior rebanho caprino e ovino. A SAU desse grupo apresenta diferenca significativa apenas com outro grupo com alta presenca de caatinga na SF, o G1. No G10, observa-se a existencia de elevada e significativa carga animal potencial na SF de Caatinga. Na composicao da SF foram observadas presenca conjunta e significativa de caatinga e CF hidricos na SF. Os CF hidricos presentes sao dos dois tipos: os irrigados (capim elefante, sorgo e leucena), e o de chuva (milho forrageiro). Ainda nesse grupo (G10), apesar de nao ser significativa a diferenca, foi observada incidencia dos CF especificos de sequeiro (palma forrageira, algaroba, feijao-bravo e capins buffel e Tanzania) que em sistemas agrarios semiaridos ja tiveram sua alta importancia economica demonstrada (MONJARDINO et al., 2010). Na vegetacao natural semiarida da Dehesa espanhola, Gaspar et al. (2007) caracterizaram grupos de 47 unidades produtivas pecuarias situadas na regiao semiarida, e o maior grupo tipificado (30,5% da amostra) tambem reune fazendas de ovelhas utilizadoras de pastagens naturais tal como se configurou no presente trabalho. Os Grupos 1 e 6 reunem um pequeno numero de UPAFs: duas para cada um deles (Tabela 4). No G1 se observa a menor incidencia dos CF Hidricos sem diferenca significativa com outros sistemas de alta presenca de caatinga. Assim, mesmo nesse grupo estao as mais elevadas SAU e porcentagens de SF. Os grupos 5, 6, 7 e 8 se caracterizam por SAU de tamanho pequeno sem diferenca significativa entre elas. Ademais da caatinga na composicao de suas SFs, encontram-se os CF que incluem alem dos hidricos acima citados, os de sequeiro (Tabelas 4 e 5). Os CF Hidricos na composicao da SF alcancam a sua maior porcentagem no G7, que e tambem o que possui a maior superficie em regadio de todos os sistemas. O G9 se caracteriza por SAU muito reduzida e SF de significativa dimensao intermedia. Nesse grupo, a incidencia da SF em Caatinga na SAU e significativamente diferente dos outros grupos e de carater intermediario. A porcentagem de utilizacao das SFs em seu conjunto, apesar de nao significativamente diferente, varia entre esses sistemas de 13,34 no G2 a 66,67% no G5 (Tabela 3).

Nos Grupos 1 e 2 de menor incidencia da utilizacao das SFs, os pequenos rebanhos de caprinos e ovinos se encontram na maior parte do dia em estabulacao e dependem em grande medida de alimentos volumosos e concentrados fornecidos no aprisco.

O G2 apresenta significativa porcentagem de SF em Caatinga incidindo em pequena SAU. Nos Grupos 6, 8 e 9 (Tabelas 6 e 7), as respectivas utilizacoes de superficies forrageiras aumentam atingindo niveis intermediarios para esse grupo de sistemas (Tabelas 4 e 5). No entanto, o tamanho do rebanho caprino e ovino mostra variacao nesses grupos, evidenciando um descompasso entre porcentagem de utilizacao de SF e tamanho de rebanhos. Esse fenomeno de descompasso se faz mais evidente no G9, em que a maior parte da utilizacao da SF desses grupos e realizada pelo menor rebanho existente em todos os dez sistemas tipificados. Assim, no G9 (Tabelas 5 e 7), os caprinos e ovinos tem acesso as superficies durante um unico periodo do dia e recebem complementacao alimentar no aprisco durante o outro periodo e a noite. A mesma problematica referente ao ajuste entre disponibilidade de rebanho e superficies foi observada para a regiao semiarida pampiana (Argentina) por Bedotti et al. (2007) para a maior parte das 120 fazendas de caprinos estudadas. Em ambas as regioes, esse descompasso pode ser entendido como o reflexo da conjuncao de fatores desfavoraveis. Primeiramente, o relacionado aos tamanhos criticos da terra disponivel pela ausencia do processo de reforma agraria na America Latina (LEITE; AVILA, 2007). No caso do Brasil, especificamente no Estado do Ceara, o resultado da estrutura fundiaria concentradora foi a ultrafragmentacao da terra nos ultimos 100 anos, pelo aumento da populacao rural (JACKET, 2000), elevando o numero de minifundios associado a diminuicao da area total por unidade produtiva familiar e consequentemente a menor disponibilidade de superficies agrarias uteis para as unidades classificadas como mini ou microfundio (BRASIL, 1993) como e caso das UPAFs formadoras do G9: 8,00 ha de SAU (Tabela 5). No caso da Argentina, o resultado da ausencia da reforma agraria foi a perpetuacao dos latifundios (MORRIS; UBICI, 2008), propriedades rurais de 5.700 ha em media (BEDOTTI et al., 2007) classicamente conhecidas como pouco produtivas e embrioes da desertificacao (PARASKEVOPOULOS, 2009; ROWNTREE, 2008). Em segundo lugar e para ambas as regioes, acrescente-se que, por serem semiaridas, se caracterizam inerentemente por quantidades limitadas de pasto (UNCCD, 2003). Assim, o estabelecimento de equilibrio entre os fatores de producao para conseguir, entre outras, uma relacao ajustada entre disponibilidade de rebanho e de superficies forrageiras dependera da capacidade e possibilidade de planejamento. Em unidades de producao pequenas como no caso do semiarido nordestino, os responsaveis pela tomada de decisoes possuem estreita flexibilidade em termos de alteracao significativa das cargas animais sem o beneficio da suplementacao de concentrados, considerando que eles procuram nao degradar severamente suas superficies forrageiras. Em unidades de producao enormes, como no caso do semiarido argentino, os responsaveis tambem nao conseguem alcancar o ajuste acima colocado por previos e serios problemas de degradacao ambiental que envolvem a qualidade das pradarias e do solo, bem como a avancada idade dos titulares (MORRIS; UBICI, 2008).

O G7 se caracteriza por ser o grupo que alia presenca de Caatinga com superficies em regadio (Tabela 4). Nele, apesar da alta incidencia dos CF hidricos na formacao da SF, o tambem reduzido rebanho tem pouco acesso a esse tipo de superficie forrageira, ja que a porcentagem de utilizacao dessas superficies e baixa. As cargas animais do G7 (Tabela 6) praticadas em restolhos e em CF tambem sao baixas, indicativo da alta disponibilidade daqueles animais aliada ao reduzido numero de animais. Assim, somente a carga animal potencial sobre restolho poderia ser realizada por nao ultrapassar o maximo recomendado que e de 0,56 UACO ha-1 (GOOSEY et al., 2005).

No G5, a porcentagem de utilizacao de SF (Tabela 4) alcanca sua maxima expressao dentro desse sistema, evidenciando que na maioria das UPAFs o nivel de estabulacao de um reduzido rebanho se limita a manha ou a tarde, ficando, portanto, a alimentacao desses animais vinculada predominantemente ao pastoreio em superficies de CF hidricos. Em relacao as cargas animais (Tabelas 6 e 7), observa-se que, de todas as estudadas, apenas as relativas a superficie forrageira em Caatinga potencial alcancaram resultados estatisticamente significativos em alguns grupos. Observa-se que as cargas em caatinga potencial, ou seja, considerando a porcentagem total de utilizacao da area disponivel de Caatinga, emergem diferencas significativas entre os Grupos 2, 8 e 10. A carga animal potencial em Caatinga do G9 tambem e significativamente diferente das cargas do G8 e G10, porem nao difere estatisticamente da carga do G2 (Tabelas 6 e 7). No G8, encontra-se a maior carga animal potencial em Caatinga. Isso significa que se as UPAFs desse sistema aumentarem sua atual porcentagem de utilizacao de SF de Caatinga a carga animal sera aproximadamente 90 vezes acima do cociente recomendado: 0,083 UA [ha.sup.-1] ou 1,4 UACO [ha.sup.-1] para Caatinga nativa nao-manejada e com pastoreio continuo (ARAUJO FILHO, 2002). Contudo, essa hipotese e improvavel, considerando que a porcentagem de utilizacao das respectivas SF na maioria dos grupos e baixa, com excecao do G5.

Os resultados da carga animal praticada em caatinga nao foram significativamente diferentes entre os grupos, porem nos G8 e G10 (Tabela 7), as mesmas ultrapassaram o recomendado por Araujo Filho et al. (2002). Esse fenomeno de cargas elevadas em superficies de florestas naturais de semiarido tambem tem sido observado no Noroeste da Mongolia, em pastizais esteparios aridos (sward vegetation), onde Liang et al. (2009) relataram a carga de 0,914 UACO [ha.sup.-1], considerada alta. As cargas animal potenciais e praticadas para a superficie em restolho, como foi comentado acima, nao apresentam diferencas significativas entre os grupos desse sistema (Tabelas 6 e 7). No entanto, foi observado que a maioria dos coeficientes dos grupos se encontra abaixo ou proximos a carga recomendada para pastoreio em restolhos em regioes semiaridas: 0,56 UACO [ha.sup.-1] (GOOSEY et al., 2005). Somente o pastoreio praticado e o potencial sobre as areas de restolho do G10 (Tabela 7) atingiram niveis acima da recomendacao. Nos outros grupos (Tabelas 6 e 7), com excecao do G8, as cargas animais atualmente praticadas sobre restolhos, poderiam aumentar alcancando seus niveis potenciais. Em todos os grupos do sistema foi observado que as superficies de pastoreio em restolho sao praticadas sobre pos-colheita de milho, feijao, hortalicas e macaxeira. Nesse sistema, apesar de diferencas expressivas encontradas nas cargas animais potencial e praticada em superficies de CF especificos, as mesmas nao sao significativas. No entanto, em relacao as praticadas foi observado que a maioria ja se encontra bem acima do recomendado para essas superficies: 2,1 UACO [ha.sup.-1]. Portanto, todas as cargas potenciais, com excecao do G9, estao tambem alem do recomendado. O numero de apriscos varia de 1 a 4 (Tabelas 6 e 7), porem essa quantidade de instalacoes nao supos diferenca significativa em nenhum grupo e coincidem com o relatado por Bedotti et al. (2007) na Argentina para fazendas caprinas. Em relacao a disponibilidade do fator trabalho (Tabelas 6 e 7), observa-se que o mesmo e significativo apenas nos G7, G8, G9 e G10, e a menor porcentagem da incidencia do trabalho familiar em relacao ao trabalho total ocorre no G7 (50,37%).

Sistema com baixa presenca de caatinga na formacao da superficie forrageira

O Grupo 4 se caracteriza por dois indicadores significativamente diferentes: a menor incidencia da caatinga e a maior de cultivos forrageiros hidricos em sua superficie forrageira (Tabela 5). Grande parte de sua SF esta composta por cultivos forrageiros especificos hidricos e o restante por Caatinga. Diaz-Solis et al. (2003) ressaltam que a identificacao das cargas animais pode se constituir em um dos fatores mais importantes na determinacao do desempenho dos sistemas de pastoreio, incidindo em sua composicao botanica e produtividade e ainda, segundo Hickman et al. (2004) na sustentabilidade. No presente estudo, as cargas animais praticadas sobre as SF de cultivos especificos e em restolho estao abaixo do recomendado, portanto, seria possivel nesse grupo de sistemas com baixa incidencia de caatinga, a pratica de pastoreio durante todos os periodos do dia nessas superficies, reduzindo a porcentagem de estabulacao e dependencia de fornecimento de alimentos no aprisco. Apesar do reduzido tamanho do rebanho foi observado que ambas as cargas em Caatinga, a saber, a potencial e a praticada estao acima do recomendado por Araujo Filho (2002). Nesse sistema forrageiro, a mao-de-obra disponivel e exclusivamente familiar e a disponibilidade de apriscos baixa (Tabela 7).

Sistema com ausencia de caatinga na formacao da superficie forrageira

Esse sistema, formado pelo Grupo 3 por nao possuir Caatinga, baseia sua ampla SF exclusivamente em CF hidricos, sendo especificamente os dependentes de chuva, ja que nao possui irrigacao. E o que apresenta a menor SAU de todos os sistemas (Tabela 5). Observa-se, ainda, que o tamanho do rebanho caprino e ovino e um dos menores de todos os grupos estudados e incide, portanto, com baixas cargas animais potencial e praticada tanto nas superficies em restolho como nas de CF especificos. Considerando-se que a porcentagem de utilizacao das SF e de 50,01 foi observado que as cargas referidas poderiam ser incrementadas, pois nao superam o recomendado tanto em restolho como em CF especificos. O trabalho familiar e o unico do qual esse grupo de UPAFs dispoe, e o numero de apriscos e superior, porem naosignificativo em relacao ao grupo com baixa porcentagem de Caatinga (Tabela 7). Esses resultados convergem com os de Palomino et al. (2008), ja que meio ambientes aridos possuidores de estrutura relativamente simples de vegetacao - caracterizada pela cobertura esparsa de arbustos xerofilos e/ou herbaceas perenes - e aqui, pela ausencia de Caatinga, permitirao que outros fatores influenciem em maior grau sua organizacao estrutural.

Implicacoes para os sistemas forrageiros autoctones

A importancia da SF de Caatinga se expressa de diferentes maneiras nos resultados obtidos. As variaveis que se correlacionaram significativamente com o primeiro componente (Tabela 3) sao as variaveis que determinam o processo de pastoreio dos rebanhos caprinos e ovinos: a carga animal aplicada e a carga potencial. Efetivamente, valores altos desse componente (carga animal) associam-se a uma possivel superexploracao da Caatinga, e em consequencia a uma diminuicao da condicao e biodiversidade desse bioma (LEAL et al., 2005). Nesse caso, sugere-se mitigar o problema mediante tecnicas de melhoramento da caatinga para producao de forragem (ARAUJO FILHO et al., 2002), incorporacao de superficies de cultivos forrageiros (VIDAL et al., 2003), ou ainda, por meio de estrategias de diminuicao do tamanho dos rebanhos (VAVRA et al., 2000). Na pratica, as opcoes para o manejo desses sistemas forrageiros, tal como o de excluir animais em pastoreio e utilizar o sistema de pastoreio rotacional, pelos custos financeiros provavelmente serao menos viaveis para restaurar vegetacao impactada pelo pastoreio continuo que o melhoramento da caatinga. As questoes discutidas nesse estudo sao pertinentes as unidades produtivas analisadas e refletem as condicoes de vegetacao sob uso de pastoreio nao-intensivo. Assim mesmo, elas poderiam ser consideradas como referencias basicas para o melhoramento das condicoes locais das pastagens autoctones, da producao de pequenos ruminantes e da seguranca ecologica (STERN et al., 2002). Essas evidencias enfatizam a necessidade de refinarem-se e expandirem-se os conhecimentos sobre os sistemas forrageiros tradicionais no semiarido cearense, tal como evidenciam Sullivan e Rohde (2002) para outras areas semiaridas.

Conclusao

Os dez tipos de sistemas forrageiros obtidos no semiarido do Distrito do Baixo Trici evidenciaram um gradiente forrageiro de alta diversificacao e se diferenciaram principalmente por sua base em recursos forrageiros autoctones de Caatinga, cultivos forrageiros hidricos e pela carga animal. Em sua organizacao estrutural, a presenca conjunta da caatinga e de cultivos forrageiros hidricos tendeu a ser complementar. Apenas 52,30% das UPAFs (G2, G5 e G10) poderiam estabilizar menor intensidade de pastoreio de suas areas e os G4 e G3 devem basear-se no melhor aproveitamento de suas superficies em restolhos de cultivos e em cultivos forrageiros especificos hidricos.

DOI: 10.4025/actascianimsci.v32i4.9549

Received on March 5, 2010.

Accepted on September 8, 2010.

Referencias

ARAUJO FILHO, J. A. Caatinga: agroecologia versus desertificacao. Ciencia Hoje, v. 30, n. 180, p. 44-45, 2002.

ARAUJO FILHO, J. A.; GADELHA, J. A.; CRISPIM, S. M. A.; SILVA, N. L. Pastoreio misto em Caatinga manipulada no Sertao Cearesense. Revista Cientifica de Producao Animal, v. 4, n. 1-2, p. 9-21, 2002.

BEDOTTI, D.; GOMEZ-CASTRO, A. G.; GARCIAMARTINEZ, A.; SANCHEZ-RODRIGUEZ, M.; PEREA-MUNOZ, J.; RODRIGUEZ-ESTEVEZ, V. Estructura productiva de las explotaciones caprinas del Oeste Pampeano (Argentina). Archivos de Zootecnia, v. 56, n. 213, p. 91-97, 2007.

BRASIL. Lei 8.629. Estabelece a regulamentacao dos dispositivos constitucionais relativos a Reforma Agraria, previstos no Capitulo III, Titulo VII da Constituicao Federal. Diario Oficial [da] Republica Federativa do Brasil. Brasilia, DF, 25 fev. 1993.

CHATELLIER, V.; PFLIMLIN, A.; PERROT, C. La production laitiere dans les regions de l'arc Atlantique europeen. INRA Production Animale, v. 21, n. 5, p. 427-440, 2008.

DIAZ-SOLIS, H.; KOTHMANN, M. M.; HAMILTON, W. T.; GRANT, W. E. A simple Ecological Sustainability Simulator (SESS) for stocking rate management on semi-arid grazinglands. Agriculture Systems, v. 76, n. 2, p. 655-680, 2003.

GARCIA, D. E.; MEDINA, M. G.; MORATINOS, P.; TORRES, A.; COVA, L. J.; PERDOMO, D.; SANTOS, O. Potencial forrajero para cabras de veinte especies lenosas en el Estado de Trujillo, Venezuela. Zootecnia Tropical, v. 27, n. 3, p. 221-232, 2009.

GASPAR, P.; ESCRIBANO, M.; MESIAS, F. J.; RODRIGUEZ-DE-LEDESMA, A.; PULIDO, F. Sheep farms in the Spanish rangelands(dehesas): Typologies according to livestock management and economic indicators. Small Ruminant Reserch, v. 74, n. 1-3, p. 52-63, 2007.

GOOSEY, H. B.; HATFIELD, P. G.; LENSSEN, A. W.; BLODGETT, S. L.; KOOT, R. W. The potential role of sheep in dryland grain production systems. Agriculture, Ecosystems and Environment, v. 111, n. 1-4 , p. 349-353, 2005.

GUIMARAES-DUQUE, J. Solo e agua no Poligono das Secas. 6. ed. Natal: Fundacao Jose Augusto Trindade, 2001. (Colecao Mossoroense).

HADJIGEORGIOU, I.; VALLERAND, F.; TSIMPOUKAS, K.; ZERVAS, G. The socio economics of sheep and goat farming in Greece and the implications for future rural development. Options Mediterrannes, v. 39, p. 83-93, 2002. (Serie B, Etudes et Recherche).

HAIR, J. F. J.; BLACK, W. C.; BABIN, B. J.; ANDERSON, R. E.; TATHAM, R. L. Multivariate data analysis. 6th ed. New Jersey: Prentice Hall International, 2006.

HICKMAN, K. R.; HARTNETT, D. C.; COCHRAN, R. C.; OWENSBY, C. E. Grazing management effects on plant species diversity in tallgrass prairie. Journal of Range Management, v. 57, n. 1, p. 58-65, 2004.

JACKET, C. A reestruturacao da agricultura cearense: notas sobre a alteracao das condicoes de reproducao do pequeno campesinato. Dados, v. 43, n. 4, p. 25-32, 2000.

KIRCHMANN, H.; THORVALDSSON, G. Challenging targets for future agriculture. European Journal of Agronomy, v. 12, n. 3-4, p. 145-161, 2000.

LEAL, I. R.; SILVA, J. M. C.; TABARELLI, M.; LACHER, T. E. Changing the course of biodiversity conservation in the Caatinga of northeastern Brazil. Conservation Biology, v. 19, n. 3, p. 701-706, 2005.

LEITE, S. P.; AVILA, R. V. Reforma agraria e desenvolvimento na America Latina: rompendo com o reducionismo das abordagens economicistas. RER, v. 45, n. 3, p. 777-805, 2007.

LIANG, Y.; GUODONG, H.; ZHOU, H.; ZHAO, M.; SNYMAN, H. A. S.; SHAN, D.; HAVSTAD, K. M. Grazing intensity on vegetation dynamics of a typical steppe in Northeast Inner Mongolia. Rangeland Ecological Management, v. 62, n. 4, p. 328-336, 2009.

MALHOTRA, N. Investigacion de mercados. Mexico: Pearson Educacion, 2004.

MONJARDINO, M.; REVEL, D.; PANNELL, D. J. The potential contribution of forage shrubs to economic returns and environmental management in Australian dryland agricultural systems. Agricultural Systems, v. 103, n. 4, p. 187-197, 2010.

MORRIS, A.; UBICI, S. Range management and production on the fringe: the Caldenal, Argentina. Journal of Rural Studies, v. 12, n. 4, p. 413-425, 2008.

PALOMINO, D.; SEOANE, J.; CARRASCAL, L. M.; ALONSO, C. L. Competing effects of topographic, lithological, vegetation structure and human impact in the habitat preferences of the Cream-coloured Courser. Journal of Arid Environments, v. 72, n. 4, p. 401-410, 2008.

PARASKEVOPOULOS, S. Historical changes, socioeconomic stresses and environmental impacts: the history of desertification in Greece (the Case of Thessaly). European Journal of Social Sciences, v. 9, n. 3, p. 493-503, 2009.

ROWNTREE, L. Diversity amid globalization: world regions, environment, development. Pearson Publications, 2008.

RUIZ, F. A.; CASTEL, J. M.; MENA, Y.; CAMUNEZ, J.; GONZALEZ, P. Application of the technico-economic analysis for characterizing, making diagnoses and improving pastoral dairy goat systems in Andalusia (Spain). Small Ruminant Research, v. 77, n. 2-3, p. 208-220, 2008.

STERN, M.; QUESADA, M.; STONER, K. Changes in composition and structure of a tropoical dry forest following intermittent cattle grazing. Revista de Biologia Tropical, v. 50, n. 3-4, p. 1021-1034, 2002.

SULLIVAN, S.; ROHDE, R. On non-equilibrium in arid and semiarid grazing systems. Journal of Biogeography, v. 29, n. 12, p. 1595-1618, 2002.

THENAIL, C.; BAUDRY, J. Variation of farm spatial land use pattern according to the structure of the hedgerow network (bocage) landscape: a case study in northeast Brittany. Agriculture, Ecosystems and Environment, v. 101, n. 1, p. 53-72, 2004.

UNCCD-United Nations Convention to Combat Desertification. Combating land degradation and poverty in the new millennium. Roma: G.H. Mattravers Messana Press, 2003.

USAI, M. G.; CASU, S.; MOLLE, G.; DECANDIA, S.; LIGIOS, S.; CARTA, A. Using cluster analysis to characterize the goat farming system in Sardinia. Livestock Science, v. 104, n. 1-2, p. 63-76, 2006.

VAVRA, M. W.; LAYCOCK, A.; PIEPER, R. D. Ecological implicationsd of livestock herbivory in the West. Denver: Society for Range Management, 2000.

VIDAL, D. L.; SAEZ-OLIVITO, E.; NAGAMINE, Y. Structural strategies of forage systems in an European disadvantaged area. Acta Agriculturae Scandinavica, v. 53, n. 2, p. 77-86, 2003. (Section B). WEIGEL, K. A.; REKAYA, R. A multiple-trai hent cluster model for international dairy seire evaluation. Journal of Dairy Science, v. 83, n. 4, p. 815-821, 2000.

Dea de Lima Vidal

Laboratorio de Estudos em Sistemas Agrarios Semiaridos, Faculdade de Veterinaria, Universidade Estadual do Ceara, Av. Dede Brasil, 1700, 60740-903, Fortaleza, Ceara, Brasil. E-mail: lesisa2008@gmail.com
Tabela 1. Indicadores estruturais relativos a disponibilidade e
utilizacao de superficies para cultivo e para forragem nos
Sistemas Forrageiros.

Sigla ou       Definicao
Denominacao

SAU (ha)       Superficie Agraria Util = Superficie
               Forrageira Total + Superficie em
               Restolho + Superficie Total de Cultivos

SR (ha)        Superficie em Restolho = superficie de
               cultivos comerciais

SRSAU(ha)      Superficie em Restolho em relacao a SAL

SF/SAU (%)     Superficie Forrageira Total em relacao a
               SAU

SFC (ha)       Superficie de Cultivos Forrageiros
               Especificos = cultivos forrageiros hidro
               + cultivos forrageiros de sequeiro

SFC/SAU (%)    Superficie de Cultivos Forrageiros
SFCA/SAU (%)   Especificos em relacao a SAU Superficie
               Forrageira de Caatinga em relacao a SAL

Irrigacao/     Superficie de Regadio em relacao a SAL
SAU (%)

CFH/SF (%)     Superficie de Cultivos Forrageiros
               Especificos Hidricos em relacao a SF

CFS/SF (%)     Superficie de Cultivos Forrageiros
               Especificos de Sequeiro em relacao a SF

CA/SF (%)      Superficie Forrageira em Caatinga em
               relacao a SF

Tabela 2. Indicadores estruturais relativos a efetivos de pequenos
ruminantes,  carga  animal,  instalacoes  e  fator  trabalho nos
Sistemas Forrageiros.

Sigla ou       Definicao
Denominacao

UACO           Unidade Animal de Caprino e Ovino
               (1 animal adulto = 0,19 UACO)

UACO ha-1 SR   Carga animal em Unidades Animais
               de Caprino e Ovino em relacao a restolhos

UACO ha-1      Carga animal em Unidades Animais de Caprino e
SFC * haSF     Ovino em relacao a Superficie de Cultivos
               Forrageiros Especificos

UACO ha-1      Carga animal em Unidades Animais de Caprino e
SFCA*haSF      Ovino em relacao a Superficie de Catinga

Utilizacao     Variavel que expressa a relacao complementar
e SF (%)       com a utilizacao de estabulacao

Apriscos       Disponibilidade de apriscos para caprinos
(n[degrees])   e ovinos

Trabalho       Disponibilidade de mao-de-obra familiar em
familiar (%)   relacao a mao-de-obra total

Tabela 3. Contribuicao das diferentes variaveis
estrutural-forrageiras aos tres primeiros fatores
da ACP.

          Variancia                  Significado
          esplicada                  atribuido
          (%)                        ao fator

Fator 1   36,39                      Relacao entre a dimensao do
                                     rebanho caprino e ovino e os
                                     pastoreios praticados e em
                                     potencial na Caatinga

Fator 2   19,16                      Relevancia dos cultivos
                                     forrageiros de periodo de chuva e
                                     irrigados quando da ausencia de
                                     Caatinga

Fator 3   10,01                      Relacao entre a incidencia do
                                     regadio e da SF na SAU e
                                     disponibilidade de apriscos

          Variaveis e
          correlacoes com
          os fatores (p < 0,01)

Fator 1   UGCO/SFCA * SF praticada   + 0,3174
          UGCO                       + 0,3146
          UGCO/SFCA * SF potencial   + 0,303

Fator 2   %CFEHIDRO/SF               + 0,3746
          %CA/SF                     - 0,3175
          %SFCA/SAU                  - 0,129

Fator 3   %Reg/SAU                   + 0,5107
          No de apriscos             + 0,486
          %SF/SAU                    + 0,2962

Tabela 4. Caracteristicas estruturais relativas  disponibilidade e
utilizacao de superficies e efetivos de pequenos ruminantes dos
Sistemas Forrageiros dos Grupos G1, G2, G5, G6 e G7.

Sistema (1)      ALTAC           ALTAC           ALTAC

Grupos           G1              G2              G5
UPAFs (%)        3,50            8,77            10,53
SAU (%)          96,50 **(a)     30,09 * (b)     22,73 * (b)
%SF/SAU          93,58 *** (a)   81,29 *** (a)   71,50 ***a
%SR/SAU          1,81 (ns)       8,88 (ns)       13,97 (ns)
%SFCA/SAU        91,77 *** (a)   72,41 * (b)     57,53 *a
%Irrigacao/SAU   0,00 (ns)       2,25 (ns)       3,95 (ns)
%CFH/SF          1,93 *** (a)    10,87 *** (a)   18,34 *** (a)
%CFS/SF          0,00 (ns)       0,25 (ns)       0,95 (ns)
%CA/SF           98,07 *** (a)   88,89 *** (a)   80,71 *** (a)
UACO             1,62 (ns)       0,34 (ns)       2,54 (ns)

Sistema (1)      ALTAC        ALTAC

Grupos           G6           G7
UPAFs (%)        3,50         5,0
SAU (%)          30,75 *b     16,67 * (b)
%SF/SAU          67,30 (ns)   51,06 (ns)
%SR/SAU          14,39 (ns)   23,24 (ns)
%SFCA/SAU        52,91 (ns)   27,82 (ns)
%Irrigacao/SAU   8,49 (ns)    10,89 (ns)
%CFH/SF          21,29 (ns)   45,17 ** (a)
%CFS/SF          0,00 (ns)    0,03 (ns)
%CA/SF           78,71 (ns)   54,80 (ns)
UACO             3,06 (ns)    1,75 (ns)

(1) ALTAC: Sistema Forrageiro com Alta presenca de Caatinga;
Medias na linha seguidas de mesma letra nao diferem entre si
pelo teste de Fisher com Bonferroni (a = 0,001); *** p <
0,001; ** p < 0,025; * p < 0,05; ns: nao significativo.

Tabela 5. Caracteristicas estruturais relativas a disponibilidade e
utilizacao de superficies e efetivos de pequenos ruminantes dos
Sistemas Forrageiros dos Grupos G8, G9, G10, G4 e G3.

Sistema (1)        ALTA (c)        ALTA (c)        ALTA (c)

Grupos                G8              G9             G10

UPAFs (%)            5,0            19,00           33,00

SAU (%)          19,83 * (b)      8,00 * (b)     22,25 * (b)
%SF/SAU           63,08 (ns)    43,86 *** (c)    69,39 ** (a)
%SR/SAU           19,14 (ns)      12,53 (ns)      20,45 (ns)
%SFCA/SAU         43,93 (ns)       31,34 *e      48,94 * (a)
%Irrigacao/SAU    3,17 (ns)       0,76 (ns)       8,68 (ns)
%CFH/SF           30,56 (ns)    31,15 *** (a)    35,41 ** (a)
%CFS/SF           0,00 (ns)       0,00 (ns)       1,79 (ns)
%CA/SF            69,44 (ns)    68,85 *** (a)    62,80 ** (a)
UACO              5,28 (ns)      0,45 ** (a)     4,75 ** (b)

Sistema (1)       BAIXA (c)        AUSA (c)

Grupos                G4              G3

UPAFs (%)            8,00            4,00

SAU (%)          10,00 * (b)      5,00 * (b)
%SF/SAU          32,76 ** (b)   93,58 *** (a)
%SR/SAU           24,93 (ns)      20,83 (ns)
%SFCA/SAU          7,82 **d       0,00 (ns)
%Irrigacao/SAU    5,54 (ns)       0,00 (ns)
%CFH/SF          79,17 ** (c)   100,00 *** (b)
%CFS/SF           0,00 (ns)       0,00 (ns)
%CA/SF           20,83 ** (c)    0,00 *** (b)
UACO              0,76 (ns)       0,79 (ns)

(1) ALTAC: Sistema Forrageiro com Alta presenca de Caatinga;
BAIXAC: Sistema Forrageiro com Baixa presenca de Caatinga;
AUSAC: Sistema Forrageiro com ausencia de Caatinga. Medias
na linha seguidas de mesma letra nao diferem entre si pelo
teste de Fisher com Bonferroni (a = 0,001); *** p < 0,001;
** p < 0,025; * p < 0,05; ns: nao significativo.

Tabela 6. Caracteristicas estruturais relativas as cargas animais
potenciais e praticadas, disponibilidade de trabalho e de apriscos
dos Sistemas Forrageiros dos Grupos G1, G2, G5, G6 e G7.

Sistema1                      ALTAC         ALTAC         ALTAC

Grupos                        G1            G2            G5

UPAFs (%)                     3,50          8,77          10,53

UACO ha-1 SR potencial        0,48ns        0,11ns        0,58ns
UACO ha-1 SR praticada        0,10ns        0,01ns        0,38ns
UACO ha-1 SFC*SFpotencial     86,48ns       3,80ns        16,06ns
UACO ha-1 SFC*SFpraticada     18,10ns       0,90ns        10,71ns
UACO ha-1 SFCA*SFpotencial    1,65ns        0,38 ** (a)   3,10ns
UACO ha-1 SFCA*SFpraticada    0,31ns        0,06ns        2,07ns
% de uso de SF                16,67ns       13,34ns       66,67ns
% trabalho familiar           100 *** (a)   80ns          73,55ns
No de apriscos                2 ns          1ns           2 ns

Sistema1                      ALTAC         ALTAC

Grupos                        G6            G7

UPAFs (%)                     3,50          5,0

UACO ha-1 SR potencial        0,54ns        0,42ns
UACO ha-1 SR praticada        0,15ns        0,14ns
UACO ha-1 SFC*SFpotencial     14,57ns       4,19ns
UACO ha-1 SFC*SFpraticada     6,07ns        1,36ns
UACO ha-1 SFCA*SFpotencial    3,87ns        3,07ns
UACO ha-1 SFCA*SFpraticada    1,52ns        0,99ns
% de uso de SF                33,34ns       22,23ns
% trabalho familiar           100 *** (a)   50,37 *** (b)
No de apriscos                4ns           1ns

(1) ALTAC: Sistema Forrageiro com Alta presenca de Caatinga;
Medias na linha seguidas de mesma letra nao diferem entre si
pelo teste de Fisher com Bonferroni (a = 0,001); *** p <
0,001; ** p < 0,025; ns: nao significativo.

Tabela 7. Caracteristicas estruturais relativas as cargas
animais potenciais e praticadas, disponibilidade de trabalho
e de apriscos dos Sistemas Forrageiros dos Grupos G8, G9,
G10, G4 e G3.

Sistema (1)                              ALTAC         ALTAC

Grupos                                    G8            G9

UPAFs (%)                                 5,0          19,00

UACO [ha.sup.-1] SR potencial           1,07ns        0,19ns
UACO [ha.sup.-1] SR praticada           0,36ns        0,06ns
UACO [ha.sup.-1] SFC*SF potencial       18,37ns       1,94ns
UACO [ha.sup.-1] SFC*SF praticada       6,13ns        0,87ns
UACO [ha.sup.-1] SFCA*SF potencial    7,49 ** (b)   0,73 ** (a)
UACO [ha.sup.-1] SFCA*SF praticada      2,50ns        0,21ns
% de uso de SF                          33,34ns       39,40ns
% trabalho familiar                   100 *** (a)   100 *** (a)
No de apriscos                            1ns           1ns

Sistema (1)                               ALTAC         BAIXAC

Grupos                                     G10            G4

UPAFs (%)                                 33,00          8,00

UACO [ha.sup.-1] SR potencial            3,18ns         0,21ns
UACO [ha.sup.-1] SR praticada            1,05ns         0,13ns
UACO [ha.sup.-1] SFC*SF potencial        96,83ns        1,27ns
UACO [ha.sup.-1] SFC*SF praticada        83,90ns        0,83ns
UACO [ha.sup.-1] SFCA*SF potencial     5,26 ** (a)    1,64 ** (a)
UACO [ha.sup.-1] SFCA*SF praticada       3,15ns         1,09ns
% de uso de SF                           35,09ns        58,34ns
% trabalho familiar                   90,98 *** (a)   100 *** (a)
No de apriscos                             2ns            1ns

Sistema (1)                              AUSAC

Grupos                                    G3

UPAFs (%)                                4,00

UACO [ha.sup.-1] SR potencial           0,30ns
UACO [ha.sup.-1] SR praticada           0,17ns
UACO [ha.sup.-1] SFC*SF potencial       0,79ns
UACO [ha.sup.-1] SFC*SF praticada       0,44ns
UACO [ha.sup.-1] SFCA*SF potencial      0,00ns
UACO [ha.sup.-1] SFCA*SF praticada      0,00ns
% de uso de SF                          50,01ns
% trabalho familiar                   100 *** (a)
No de apriscos                            2ns

(1) ALTAC: Sistema Forrageiro com Alta presenca de Caatinga;
BAIXAC: Sistema Forrageiro com Baixa presenca de Caatinga;
AUSAC: Sistema Forrageiro com ausencia de Caatinga. Medias
na linha seguidas de mesma letra nao diferem entre si pelo
teste de Fisher com Bonferroni ([alpha] = 0,001); *** p < 0,001;
** p < 0,025; ns: nao significativo.
COPYRIGHT 2010 Universidade Estadual de Maringa
No portion of this article can be reproduced without the express written permission from the copyright holder.
Copyright 2010 Gale, Cengage Learning. All rights reserved.

Article Details
Printer friendly Cite/link Email Feedback
Title Annotation:texto en portugues
Author:de Lima Vidal, Dea
Publication:Acta Scientiarum Animal Sciences (UEM)
Date:Oct 1, 2010
Words:7021
Previous Article:Caracteristicas agronomicas de variedades de milho para producao de silagem.
Next Article:Caracteristicas e rendimentos de carcaca e de cortes em ovinos Santa Ines, alimentados com diferentes concentracoes de energia metabolizavel.
Topics:

Terms of use | Privacy policy | Copyright © 2019 Farlex, Inc. | Feedback | For webmasters