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Significado del trabajo y de la busqueda de empleo para jouenes ninis.

Significado do trabalho e busca de emprego para jovens nem-nem

Meaning of Work and Job Searching for Young NEETS

A juventude foi considerada durante muito tempo uma fase de transicao psicossocial para a idade adulta, representada pela preparacao escolar e a consequente insercao no mercado de trabalho. Essa forma de conceber esse momento do ciclo vital era correlata de uma realidade socioeconomica e cultural marcada pela estabilidade--uma das caracteristicas do mercado de trabalho ate meados da decada de 1970. No entanto, a crise do capitalismo que se sucedeu por volta desse periodo, assentada em larga reestruturacao produtiva (Harvey, 2009), provocou, pouco a pouco, uma serie de transformacoes no contexto laboral, as quais acabaram repercutindo sobre os jovens (Blanch, 2014). Nesse novo contexto, caracterizado pela flexibilidade, terceirizacao, precariedade e desemprego, a relacao do jovem com o trabalho se tornou multipla e complexa, marcada pela heterogeneidade das trajetorias laborais, devido a dificuldade de acesso ao emprego (Pochmann, 2007).

Nas ultimas decadas, a insercao do jovem no mundo do trabalho transformou-se em um percurso arduo, marcado pela alternancia de periodos de desemprego, inatividade e reinsercoes, geralmente em trabalhos precarios e desprotegidos (Pais, 2016). Paralelamente, o investimento nas qualificacoes profissionais e o aumento do nivel de escolaridade parecem nao mais garantir a insercao e a estabilidade ocupacional. Nesse contexto, o primeiro contato do jovem com o trabalho passou a ser marcado de um lado por oportunidades temporarias e informais, e de outro, pelo desemprego e pela realidade da nao insercao profissional (Coelho, Estramiana & Luque, 2014). Com relacao a essa ultima, um fenomeno tem ganhado cada vez mais repercussao midiatica: o do jovem que, por diversas razoes, abandona o desejo de trabalhar e tambem o de estudar. Na literatura, tal fenomeno e denominado de "nem-nem" e agrega sob a mesma terminologia uma variedade de situacoes, desde o desemprego temporario e a espera por melhores oportunidades profissionais, ate o desemprego por longo prazo, e a decisao de nao trabalhar (Blanch, 2014; Escobedo, 2013; Serracant, 2014).

Diante do exposto, quais poderiam ser os motivos ou as explicacoes para essa decisao de nao trabalhar nem estudar, observada em contingente crescente de jovens? Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica, em 2015, estimou-se que no Brasil, 23,6% dos jovens com idade entre 18 e 24 anos nao estudava e nem trabalhava. No estado atual da literatura sobre o tema, em que pese sua incipiencia, nao ha consenso sobre os determinantes do jovem nem-nem. Por exemplo, ha autores que atribuem ao jovem a responsabilidade por sua condicao, seja por desengajamento com as principais instituicoes sociais, por problemas emocionais e comportamentais ou devido ao envolvimento em atividades criminosas (e.g., Benjet et al., 2012; Seddon, Hazenberg & Simon, 2013). De acordo com essa abordagem, faltaria ao jovem a motivacao e a autoestima necessarias para procurar um emprego e oportunidades educacionais (Simmons & Thompson, 2014).

Em contrapartida, autores como Cardoso (2013) e Vargas-Valle e Cruz-Pineiro (2012), defendem uma perspectiva que compreende o fenomeno nem-nem a partir da interacao entre fatores pessoais e contextuais. Assim, embora os fatores subjetivos sejam importantes para a compreensao na determinacao do fenomeno em questao, eles devem ser interpretados com a ajuda dos contextos sociais em que estao inseridos os jovens. Essa dimensao contextual inclui aspectos como o acesso a oportunidades profissionais e de educacao, e as caracteristicas do contexto macroeconomico, os quais sao marcados por diversos tipos de desigualdade.

Neste artigo, gostariamos de destacar um fator em especifico, relacionado ao significado do trabalho. Nessa direcao, Blanch (2014) questiona sobre se tal significado nao poderia ser um fator psicossocial capaz de contribuir na explicacao da emergencia do jovem nem-nem. O autor supracitado considera que os valores e representacoes sobre o trabalho estejam em mutacao. De categoria central nos processos de socializacao dos jovens e, principalmente, elemento decisivo capaz de marcar o ritual de passagem para a vida adulta, o trabalho tem, a despeito de sua centralidade economica, disputado espaco com outras fontes de sentido na contemporaneidade, especialmente no universo juvenil. De acordo com Blanch (2014), a existencia de jovens nem-nem poderia estar evidenciando uma transformacao silenciosa nos significados atribuidos ao trabalho, principalmente na concepcao do trabalho enquanto atividade central na vida das pessoas. Nesse ponto, e considerando a importancia desse tema neste artigo, nos dedicamos a explorar brevemente a literatura sobre significado do trabalho.

Enquanto campo de investigacao, as primeiras pesquisas sobre os significados do trabalho foram realizadas ainda na decada de 1970. Impulsionadas pelas mudancas que estavam acontecendo no mundo do trabalho--marcadamente, a expansao do desemprego, da informalidade e dos contratos atipicos de trabalho, cada vez mais flexiveis e precarios--essas investigacoes buscavam captar as repercussoes desses processos sobre os significados atribuidos ao trabalho, partindo da premissa de que tais significados estao umbilicalmente ligados ao contexto e as formas de institucionalizacao do trabalho. Desde entao, diversas areas do conhecimento, e entre elas a psicologia, tem desenvolvido aproximacoes teorico-conceituais sobre a dimensao do significado (Schweitzer, Goncalves, Tolfo & Silva, 2016).

Dentre essas aproximacoes, a perspectiva cognitivista desenvolvida a partir da pesquisa realizada pelo Meaning of Work International Research Team ou mow, em 1987, reconhece o significado do trabalho como um constructo multifacetado, dinamico e multidimensional. Dessa forma, o significado atribuido ao trabalho se da a partir da confluencia de aspectos historicos, dinamicos e subjetivos. Logo, a percepcao individual sobre essa esfera de vida tambem e fruto dos significados compartilhados em determinado contexto social e historico, sendo, portanto, interpretacoes em constante construcao (MOW, 1987).

Na composicao do modelo do mow (1987), uma dimensao tem recebido, ao longo dos anos, maior destaque investigativo: a dimensao da centralidade do trabalho, a qual consiste de uma classificacao sobre a importancia, afetiva e cognitiva, atribuida ao trabalho--seja em termos absolutos ou relativos, comparando--se o trabalho com outras atividades da vida (Harpaz, Honig & Coetzier, 2002). Para Kanungo (1982), cujo instrumento foi utilizado nesta pesquisa, a centralidade do trabalho e uma crenca normativa sobre a importancia dessa esfera para uma pessoa, construida a partir de elementos culturais e de experiencias previas.

Em uma perspectiva semelhante, Goncalves (2006) considera que os significados atribuidos ao trabalho se desenvolvem gracas ao aparato psicossocial de cada pessoa, constituido por elementos historicos e culturais compartilhados no contexto social de pertenca. Como resultado, as interpretacoes individuais acerca do trabalho sao fruto tanto das experiencias pessoais do sujeito com essa esfera de vida, quanto da relacao que estabelece com diferentes atores sociais, por meio dos quais ela tem acesso a informacoes, opinioes, crencas e valores sobre o trabalho. Nessa perspectiva, o ser humano nao e um mero reagente aos estimulos do meio, mas um construtor ativo de significados (Fernandes, Goncalves & Oliveira, 2012).

Pesquisas sobre significado do trabalho para jovens revelam que o trabalho tende a ser uma atividade valorizada, na medida em que e uma fonte de interacao social, autoestima e prestigio, alem de ser um canal de expressao de habilidades e competencias, pelos quais os jovens se sentem reconhecidos e valorizados (Fernandes et al., 2012). No entanto, tal como elucidado por Mota e Tonelli (2013) em uma pesquisa com jovens de diferentes segmentos juvenis, um significado em particular parece se destacar: o de ser o trabalho uma atividade meramente instrumental. Para os jovens pesquisados, essa atividade e compreendida como um meio de se ganhar dinheiro e adquirir bens, tanto para atender suas necessidades de consumo, quanto para ajudar a familia.

Essa relacao instrumental com o trabalho tambem e citada entre as justificativas que os jovens utilizam para classificar o trabalho, enquanto uma dimensao de importancia em suas vidas. Nessa perspectiva, Mota e Tonelli (2013) destacam que jovens de baixa condicao socioeconomica avaliam o trabalho como central pelo fato de este lhes proporcionar renda e lhes dar acesso ao consumo. Assim, para esses jovens o trabalho e associado a possibilidade de mudar sua realidade social e financeira (Dutra-Thome & Koller, 2014). Devido a necessidade familiar, muitos deles se veem impelidos a abandonar os estudos precocemente para se inserirem em atividades de trabalho precarias, informais e mal remuneradas. Mesmo assim, veem no emprego a oportunidade de se sentirem mais produtivos, e de terem acesso a bens que seus pais muitas vezes nao podem lhes proporcionar (Otero, 2011).

Embora com menor frequencia, a percepcao negativa sobre o trabalho tambem e citada por jovens em algumas pesquisas. Por exemplo, o trabalho e associado a exploracao, sacrificio, dificuldades e a condutas abusivas (Dutra-Thome & Koller, 2014). Essa percepcao negativa tambem e construida a partir das experiencias de trabalho anteriores vivenciadas por esses jovens, nas quais eles sao submetidos a situacoes de exploracao e pouco reconhecimento profissional (Rocha-de-Oliveira, Piccinini & Silveira, 2010).

Para alem desses fatores psicossociais, como e o caso do significado do trabalho e seu papel na explicacao do fenomeno, outras pesquisas tem buscado desenvolver estrategias pragmaticas para o enfrentamento da situacao, com particular intersecao com as politicas publicas e as acoes do Estado (Costa & Ulyssea, 2014). Vamos destacar na sequencia, pesquisas voltadas a investigacao das estrategias de insercao utilizadas pelos jovens, em uma tentativa de acercar o fenomeno a partir de algumas possiveis formas de enfrentamento dessa situacao. Considera-se nessa tentativa, a superacao das potenciais barreiras psicossociais que levam ao abandono do desejo de trabalhar ou de estudar.

Como campo de estudo, as pesquisas sobre busca de emprego tem se concentrado em investigar elementos preditores e os resultados dessas estrategias, alem de propor intervencoes que auxiliem as pessoas no comportamento de busca e na consecucao de uma atividade de trabalho. Os comportamentos de busca de emprego podem se diferenciar a partir da utilizacao de determinados recursos. Em um primeiro eixo, eles se realizam a partir da propria iniciativa da pessoa em procurar oportunidades de trabalho, seja por meio da entrega de curriculos, leitura de classificados, entre outros (Magalhaes & Teixeira, 2013). Por outro lado, a busca de emprego pode sofrer a interferencia da rede de contatos das pessoas. Por meio dessa rede, as pessoas conseguem informacoes, dicas e conselhos sobre as oportunidades de trabalho existentes, e sobre como conseguir um emprego (Wanberg, Kanfer & Banas, 2000).

Para Guimaraes, Andrada, Picanco e Vieira (2012), o tamanho da rede social e a qualidade das informacoes por ela disponibilizadas se diferenciam com base na classe social. Em seu estudo, jovens egressos do ensino superior provenientes de familias com rendimentos de ate 3 salarios minimos, tinham seus familiares como principal canal de acesso ao emprego. Nesse contexto, as oportunidades de emprego sao caracterizadas pela precariedade e baixos rendimentos. Por outro lado, jovens de classes socioeconomicas mais altas possuiam redes de contato mais amplas, formadas por sua familia e pelo circulo de amigos. Nesse estudo, a renda relacionou-se a possibilidade de se conseguir uma ocupacao de melhor qualidade.

Associada a renda, o nivel de escolaridade tambem influencia os comportamentos de busca de emprego. Kanfer, Kantrowitz e Wanberg (2001) identificaram que jovens com menor nivel de escolaridade tenderam a relatar pouco envolvimento com os comportamentos de busca de emprego. Para Sverko, Galic, Sersic e Galesic (2008), tal fator, associado aos poucos recursos financeiros e a percepcao do sujeito de que sua escolaridade nao e suficiente para atender as exigencias demandadas pelo mercado de trabalho, ajudam a explicar essa menor procura por emprego. Ademais, Dorsett e Lucchino (2012) salientam que o tempo na condicao nem-nem e um fator de risco, uma vez que longos periodos estao associados a menor intensidade de procura por emprego, o que dificulta a saida do jovem da mesma, caracterizando, dessa forma, um ciclo de dificil superacao.

Diante do exposto, o presente artigo tem como objetivo contribuir para a compreensao dos fatores relacionados a juventude nem-nem. Para analisar esse fenomeno, e alcancar esse objetivo, o artigo, derivado de pesquisa empirica, elege duas grandes frentes teoricas e operacionais: a relacao entre o significado e a centralidade do trabalho para jovens classificados como nem-nem, e a mobilizacao, tambem por estes jovens, de estrategias objetivas de busca de emprego. Tambem se verificou se esse fenomeno ocorre na vida desses jovens e quando ele ocorre. Desse modo, sao caracterizados a seguir, os aspectos metodologicos dessa investigacao.

Metodo

Participantes

Participaram da pesquisa pessoas com idade entre 18 e 24 anos, que nao estavam desenvolvendo atividades registradas em carteira de trabalho e/ou informais, nem associadas a iniciativas educacionais ou de qualificacao. Seguindo esses criterios, participaram do estudo 224 jovens. Do numero total de respondentes, 75,9% eram mulheres. A media de idade dos participantes foi de 21,24 anos (DP = 2,09). Quanto aos rendimentos, eles se concentraram em 1 salario (28,6%), seguido por 2 a 3 salarios minimos (17%). O nivel de escolaridade mais relatado foi o ensino medio completo (27,7%), seguido do ensino superior completo (23,7%). Sobre os aspectos relacionados a experiencia profissional dos jovens, 60,3% ja trabalharam em algum momento de suas vidas, embora sem registro em carteira de trabalho (47,8%). Em media, o tempo que passaram nas ocupacoes foi de 11,23 meses (DP = 3,53). Por ultimo, quanto ao tempo na condicao nem-nem, 45,5% relataram estar nela entre 10 e 24 meses, enquanto que 31,7% afirmaram estar nessa condicao entre 34 e 72 meses.

Instrumentos

A coleta de dados foi realizada a partir de um conjunto de questionarios. O primeiro deles contemplou aspectos de caraterizacao pessoal e sociodemografica. Os itens propostos foram elaborados a partir do levantamento bibliografico sobre a juventude nem-nem, fazendo referencia a aspectos como renda, escolaridade, experiencia de trabalho, tempo na condicao e contexto familiar.

As questoes sobre o significado do trabalho foram investigadas a partir da Escala de Significados Atribuidos ao Trabalho (Abreviada), versao brasileira (ESAT-BR) (Fernandes et al., 2012), coerente com o referencial teorico apresentado na introducao, inscrito na tradicao da equipe mow (1987). O instrumento, originalmente desenvolvido em Portugal por Goncalves (2006), foi adaptado e validado entre estudantes do ensino medio brasileiro por Fernandes et al. (2012). Durante o processo de adaptacao, a escala passou a contar com 25 itens distribuidos entre quatro fatores: (a) Dimensao da Realizacao Pessoal do Trabalho, com 9 itens ([alfa] = 0,81); (b) Dimensao Positiva do Trabalho, com 7 itens ([alfa] = 0,77); (c) Dimensao Economica do Trabalho ([alfa] = 0,64), com 3 itens; e (d) Dimensao Negativa do Trabalho, com 6 itens ([alfa] = 0,77). As respostas aos itens sao dadas em uma escala Likert de 6 pontos (Discordo totalmente a Concordo totalmente).

A centralidade do trabalho foi investigada por meio da Escala de Centralidade do Trabalho de Kanungo (1982), adaptada para o contexto brasileiro no estudo de Bendassolli, Alves e Torres (2014). Essa medida possui 6 itens e avalia a crenca geral sobre o valor do trabalho na vida de uma pessoa e seu envolvimento com ele, por meio de uma escala Likert de 5 pontos, que varia de Discordo totalmente a Concordo totalmente ([alfa] = 0,80). A esse instrumento, foram acrescentadas 2 questoes propostas pelo mow (1987): uma correspondente a centralidade absoluta do trabalho, na qual e solicitado que o respondente assinale, em uma escala de 1 a 5 (Sem importancia a Extremamente importante), o grau de importancia do trabalho em sua vida; e outra referente a centralidade relativa, que solicita que o participante distribua 100 pontos (cumulativos) entre as seguintes esferas de vida: ocio, comunidade, trabalho, religiao e familia. O acrescimo dessas duas questoes permitiu que fosse identificado o lugar que o trabalho ocupa na vida dos jovens, quando considerados outros dominios existenciais.

Por fim, os comportamentos de busca de emprego foram mensurados por meio da Escala de Intensidade de Contatos de Rede Social e da Escala de Intensidade Geral de Busca de Emprego. Ambas foram desenvolvidas por Wanberg et al. (2000) e adaptadas ao contexto brasileiro por Magalhaes e Teixeira (2013) em uma pesquisa com estudantes universitarios. A primeira e composta por 6 itens que descrevem o comportamento de busca de emprego com o uso de redes de apoio social, cuja funcao e fornecer informacoes, indicacoes, dicas, entre outros ([alfa] = 0,86). Por sua vez, a segunda e formada por 7 frases que descrevem a busca por postos de trabalho, sem o uso dessas redes (e.g., entrega de curriculo, busca na internet, contato com orgaos de intermediacao de mao-de-obra) ([alfa] = 0,88). Em ambas, os respondentes assinalam em uma escala Likert de 5 pontos, a frequencia da realizacao dessas atividades nos ultimos 30 dias (Nunca/nenhuma vez a Muito/Mais de 10 vezes).

Procedimentos de coleta de dados e cuidados eticos

Foram utilizadas duas estrategias de coleta, uma presencial e outra on-line. A primeira foi conduzida em diferentes bairros de duas cidades do Estado do Rio Grande do Norte, Brasil. A escolha por esses bairros se deu a partir de um criterio de conveniencia, especificamente o de acessibilidade as unidades basicas de saude (UBSS). A opcao por acessar os jovens por meio dessas unidades de saude foi fundamentada na clara insercao que seus profissionais possuem nas respectivas comunidades, especificamente o agente comunitario de saude. Dentre as atividades desenvolvidas por esse profissional, figuram as visitas domiciliares diarias e o acompanhamento das necessidades de saude das pessoas de cada casa. Diante da natureza desse trabalho, o agente foi pensado como um parceiro que viabilizaria o acesso a respondentes em potencial para a pesquisa.

Na primeira etapa do processo, apos ciencia dos criterios de inclusao dos participantes, os agentes realizaram um breve levantamento dos prontuarios das familias residentes em suas areas de atuacao. Ao identificar as casas com jovens na situacao nem-nem, eles guiaram a pesquisadora ate as mesmas. O primeiro contato com o jovem era realizado pelo proprio agente de saude, que apresentava a pesquisadora. Em seguida, esse profissional seguia para as suas atividades especificas com os outros membros da familia, enquanto que a aplicadora do questionario explicava ao jovem os objetivos da pesquisa. Ao decidir participar, os aspectos do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) foram explicitados e o jovem convidado a assinar o TCLE em duas vias. A aplicacao do questionario foi realizada pela propria pesquisadora, que lia as afirmativas para o jovem e assinalava suas respostas. Isso ocorreu devido ao tempo limitado de cada visita realizada pelo agente, que durava em media 20 minutos. Com o intuito de minimizar a influencia do pesquisador nas respostas as questoes, buscou-se padronizar a explicacao das orientacoes de cada questionario e a leitura dos seus itens.

A estrategia on-line transcorreu de forma paralela a anterior, tendo em vista a necessidade de se obter uma maior quantidade de questionarios. Nesse caso, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) emitiu um e-mail para alunos egressos dos ultimos 5 anos, com o convite para que aqueles que atendessem aos criterios pudessem participar. A escolha por essa universidade se deu a partir de um criterio de conveniencia (facilidade de acesso da pesquisadora). O questionario estava hospedado no Google Forms e o link foi encaminhado junto ao e-mail convite. Na pagina inicial, o respondente teve acesso a um TCLE, que explicou os objetivos da pesquisa e garantiu o anonimato e o direito a retirar a participacao a qualquer momento.

A coleta de dados foi iniciada, em ambos os casos, apos a anuencia das Secretarias de Saude dos municipios e dos diretores das UBSS, no primeiro caso; e da UFRN no segundo, como tambem da aprovacao do Comite de Etica em Pesquisa, por meio do protocolo de numero 47387515.8.0000.5537.

Procedimentos de analise de dados

Os dados provenientes das duas estrategias de coleta foram organizados em uma planilha Excel, o que permitiu a identificacao de respostas ausentes e a verificacao do atendimento aos criterios de participacao na pesquisa, em particular no caso das respostas on-line. Apos esse procedimento, foram identificados 224 questionarios validos para a analise. Em seguida, os dados foram exportados para o software IBM Statistical Package for the Social Sciences 20 (spss), e submetidos a analises de frequencia, analises bivariadas com o intuito de atestar correlacoes entre os fatores de significado do trabalho, e deles com algumas variaveis sociodemograficas de interesse do estudo ([r.sub.s] de Spearman). Tambem utilizamos os testes U, de Mann-Whitney, e o de Kruskal-Wallis, para verificar diferencas entre grupos de respondentes.

Esses testes estatisticos foram utilizados devido a constatacao de violacao aos criterios de normalidade na amostra. A curtose e a assimetria oscilaram de [valor absoluto de 22,19] e [valor absoluto de 2,02] e de [valor absoluto de -4,58] a [valor absoluto de 0,83], respectivamente, para a ESAT-BR; de [valor absoluto de -1,61] a [valor absoluto de -1,25] e de [valor absoluto de -0,59] a [valor absoluto de 0,35], respectivamente, para a Escala de Centralidade do Trabalho; e de [valor absoluto de -1,42] a [valor absoluto de 2,29] e de [valor absoluto de 1,88] a [valor absoluto de 0,42], respectivamente, para a Escala de Intensidade de Busca de Emprego. Esse desvio da normalidade ainda foi confirmado por meio da analise dos histogramas.

No entanto, antes da realizacao das analises supracitadas, a versao original da ESAT-BR e da Escala de Intensidade de Busca de Emprego foram submetidas a analise fatorial confirmatoria--AFC--com o auxilio do software AMOS[R] 21.0, e utilizacao do metodo Maximum Likelihood. Essa decisao se fundamenta no fato de que ambas ja foram validadas em estudos anteriores para publicos jovens semelhantes ao desta pesquisa (Fernandes et al., 2012; Magalhaes & Teixeira, 2013)--portanto, o objetivo da AFC foi confirmar os modelos originalmente propostos nessas investigacoes, antes de utiliza-los em analises subsequentes. Como se estipula na literatura, tais analises sao robustas ao ponto de nao serem severamente afetadas por problemas de normalidade amostral (e.g., Kline, 2016).

Com o intuito de aferir a qualidade de ajuste geral dos modelos, foram utilizados alguns indices e valores propostos por Balbinotti, Balbinotti, Marques e Gaya (2009) e Hair, Anderson, Tatham e Black (2009). Entre eles, destacam-se as medidas de ajuste parcimonioso ([ji al cuadrado]/gl < 3, GFI [mayor que o igual a] 0,85, AGFI [mayor que o igual a] 0,80, AIC e CAIC: valores menores sao preferiveis), medidas de ajuste incremental (TLI [mayor que o igual a] 0,90 e CFI [mayor que o igual a] 0,90) e medidas de ajuste absoluto (RMSEA < 0,05 e SRMR < 0,008).

Alem desses, com o intuito de verificar o ajuste dos modelos, no que se refere a mensuracao dos constructos, foram observadas: a validade convergente, por meio da variancia media extraida (VME [mayor que o igual a] 0,50) e da confiabilidade composta (CC [mayor que o igual a] 0,70); a validade discriminante, aferida por meio do valor da correlacao entre as dimensoes (r [menor que o igual a] 0,80) e da raiz quadrada da variancia extraida (raiz quadrada da VME [mayor que o igual a] r) (Brown, 2014; Hair et al., 2009; Kline, 2016). Tambem foram consideradas a validade fatorial dos modelos (cargas padronizadas > 0,40) e o Alfa de Cronbach ([alfa] [mayor que o igual a] 0,70) para as escalas e seus fatores, de modo a constatar sua consistencia interna--fidedignidade (Field, 2009).

Resultados

A tabela 1 apresenta os indices dos criterios de qualidade de ajuste dos dois modelos da ESAT-BR. Apos a submissao do modelo original dessa escala a AFC, foi possivel verificar que dois itens apresentaram cargas fatoriais inferiores a 0,40 (Q7: "A possibilidade de realizar atividades de lazer como: esporte, convivio com os amigos, participacao em clubes"; e Q13: "Cada vez maior exigencia, dedicacao e empenho"). Com relacao aos criterios de validade discriminante, foi identificada a existencia de uma correlacao fatorial importante, superior a 0,80, entre a Dimensao Positiva do Trabalho e a Dimensao Economica do Trabalho (r = 0,86), evidenciando uma possivel baixa capacidade discriminativa dos mesmos e a sobreposicao entre esses fatores. Por ultimo, a analise de confiabilidade dos fatores da escala atestou que essa ultima dimensao apresentou valor de alfa de 0,69, inferior ao tradicionalmente aceito como minimo.

A partir dessas constatacoes, foram realizadas modificacoes no modelo. Especificamente, os dois itens que apresentaram carga fatorial inferior a 0,4 foram excluidos, e os itens da Dimensao Economica do Trabalho foram incorporados a Dimensao Positiva, modificacao essa que possibilitou a reducao da quantidade de fatores de 4 para 3. Na etapa que se seguiu, os 23 itens foram mantidos, pois todos apresentaram cargas fatoriais superiores ao valor estipulado.

Em seguida, verificamos os indices dos criterios de qualidade de ajuste. De forma geral, em um primeiro momento, esses ficaram abaixo dos valores aceitaveis e foram inferiores aos encontrados no modelo original (M1): [ji al cuadrado]/gl = 2,163, p < 0,001; RMSEA = 0,072; SRMR = 0,065; TLI = 0,853; CFI = 0,868; GFI = 0,841; e AGFI = 0,807. Diante disso, foram realizadas as alteracoes sugeridas pelos indices de ajustamento do software, com o objetivo de aperfeicoar o modelo. Especificamente, foram ligadas 5 duplas de erros. Essa decisao foi fundamentada em justificativas teoricas e na proximidade semantica entre os itens.

Com a ligacao entre os erros, houve um aperfeicoamento geral do modelo (figura 1). Alem dos indices dos criterios de qualidade de ajuste, a correlacao entre os fatores nao excedeu o valor de 0,80 e os indicadores de confiabilidade e validade se mantiveram dentro do esperado (tabela 2). O Alfa de Cronbach medio da escala foi de 0,83.

Com relacao a Escala de Intensidade de Busca de Emprego, foi considerada a estrutura bifatorial apontada por Wanberg et al. (2000), na qual a Escala de Intensidade de Contatos de Rede Social e a

Escala de Intensidade Geral de Busca de Emprego, sao consideradas dimensoes de um unico modelo. Na primeira solucao encontrada, apenas o [ji al cuadrado]/gl = 3,564,p < 0,001, o SRMR = 0,053, o CFI = 0,912 e o GFI = 0,850 se mantiveram dentro dos valores aceitaveis. O RMSEA = 0,107 se manteve acima do valor esperado, enquanto que o TLI = 0,893 e o AGFI = 0,787, abaixo.

A partir desses resultados, com o intuito de aperfeicoar o modelo, foram ligadas 5 duplas de erros, que tambem apresentaram alguma proximidade teorica e semantica. Apos essas modificacoes, os indices passaram a apresentar os seguintes valores, sinalizando para a adequacao do modelo: [ji al cuadrado]/gl = 1,980, p < 0,001; RMSEA = 0,066; SRMR = 0,043; TLI = 0,959; CFI = 0,969; GFI = 0,923; e AGFI = 0,882 (figura 2). Nenhum item foi excluido, pois todos apresentaram valores de carga padronizada superiores a 0,40. A correlacao entre os fatores foi de 0,77 indicando para a capacidade discriminativa dos fatores. Quanto a confiabilidade e a validade, os valores estiveram dentro dos parametros estimados (tabela 2). O valor de Alfa de Cronbach medio da escala foi de 0,93.

Em seguida, foram realizadas analises descritivas com essas escalas. Os resultados evidenciaram que, quanto ao significado do trabalho, os escores tenderam a serem maiores na Dimensao da Realizacao Pessoal (M = 5,66, DP = 0,63), e menores na Dimensao Negativa (M = 3,15, DP = 1,22). Quanto a centralidade relativa, o trabalho apresentou importancia moderada, e figurou em segundo lugar (M = 19,97, DP = 12,12), atras da familia (M = 39,80, DP = 17,96), como segunda esfera de maior relevancia. Ja com relacao a Escala de Intensidade de Busca de Emprego, os jovens relataram utilizar com maior frequencia o uso de contatos de redes social em sua busca por uma ocupacao (M = 2,30, DP = 1,09).

No que diz respeito a associacao entre os fatores das duas escalas, um dos principais objetivos deste estudo, constatamos que a Dimensao Negativa do Trabalho esteve negativamente associada a busca de emprego com uso de redes sociais (RS = -0,21, p < 0,01), e sem o uso delas (RS = -0,28, p < 0,001). O relacionamento entre as escalas e as variaveis sociodemograficas, por sua vez, permitiu uma melhor compreensao sobre o fenomeno nem-nem, tal como estipulado nos objetivos do artigo. O tempo na condicao, a renda e a escolaridade, estiveram relacionados com as dimensoes do significado do trabalho e da busca de emprego (tabela 3).

Com relacao ao significado do trabalho, jovens que estavam na condicao entre 34 e 72 meses (Mdn = 3,50), atribuiram uma maior conotacao negativa ao trabalho, comparativamente aqueles que estavam nela entre 15 dias e 9 meses (Mdn = 2,83). O grupo de respondentes que estava na condicao ha mais tempo tambem fez menos referencia a utilizacao de estrategias de busca de emprego. Jovens que estavam na condicao entre 15 dias e 9 meses (Mdn = 3,00), por exemplo, relataram utilizar com mais frequencia a rede social como estrategia de busca, comparativamente aos respondentes que estavam nela entre 84 e 144 meses (Mdn = 1,00). De forma semelhante, eles tambem se envolveram mais com outras estrategias de busca (15 a 9 meses, Mdn = 2,28; 84 a 144 meses, Mdn = 1,00).

Quanto a renda familiar, respondentes com rendimentos equivalentes a um salario minimo e meio (Mdn = 5,55) se diferenciaram dos que tinham renda de 20 a 30 salarios (Mdn = 4,55) na resposta a Dimensao Positiva do Trabalho. Similarmente, jovens com ensino fundamental incompleto (Mdn = 5,77) se diferenciaram daqueles com pos-graduacao (Mdn = 5,00) na pontuacao nesse fator.

Por fim, no que diz respeito as estrategias de busca de emprego, jovens cujas familias concentravam os maiores rendimentos (8 e 12 salarios, Mdn = 4,00) se diferenciaram daqueles cuja renda era menos da metade de 1 salario (Mdn = 1,58), quanto ao uso de redes sociais na busca de emprego, e sem o uso delas (Rendimentos de 8 a 12 salarios, Mdn = 3; Menos da metade de um salario, Mdn = 1,00). Ja com relacao ao nivel de escolaridade, respondentes com ensino superior completo (Mdn = 3,33) relataram utilizar com mais frequencia a rede social de contatos na procura por uma ocupacao, do que jovens com ensino fundamental incompleto (Mdn = 1,33). Da mesma forma, os respondentes com maior nivel de escolaridade tambem se envolveram mais na busca de emprego por meio da utilizacao de outras estrategias (jovens com ensino superior, Mdn = 3,28; jovens com ensino fundamental incompleto, Mdn = 1,00).

Discussao

O primeiro objetivo desta pesquisa foi investigar a relacao entre o significado do trabalho e os comportamentos de busca de emprego para jovens nem-nem. A partir das analises de correlacao realizadas, foi possivel identificar que jovens que atribuiram ao trabalho uma conotacao negativa, se envolveram menos em comportamentos de busca de emprego. Especificamente, o tempo na condicao auxilia a interpretar esse resultado, uma vez que longos periodos nela tambem estiveram associados a uma maior atribuicao negativa ao trabalho e a um menor envolvimento nessa busca (Dorsett & Lucchino, 2012).

No universo investigado, as experiencias profissionais dos jovens podem influenciar a percepcao negativa que eles tem sobre o trabalho. Em sua grande maioria, elas nao foram registradas em carteira, tendo durado, em media, menos de um ano. Esses fatores, associados a exploracao e pouco reconhecimento dos empregadores, poderiam explicar, ao menos em parte, tal percepcao (Rocha-de-Oliveira et al., 2010).

O segundo objetivo da pesquisa foi o de identificar a centralidade do trabalho para o jovem na condicao nem-nem. Sobre este objetivo, observou-se que o lugar atribuido ao trabalho possui um destaque moderado na vida dos jovens, corroborando o referencial teorico abordado, referente as mutacoes na importancia atribuida ao trabalho na atualidade (Blanch, 2014; Harpaz et al., 2002). Na questao sobre a centralidade relativa, a familia se destacou como a dimensao mais importante. No presente estudo, o fato de uma parcela consideravel de jovens ja possuirem filhos ou terem familia propria, tambem explica essa valorizacao. Para eles, o trabalho e compreendido como meio de garantir os recursos financeiros que viabilizam, entre outras coisas, a vida familiar (Macedo, Alberto & Araujo, 2012).

A relacao entre as caracteristicas sociodemograficas com as dimensoes do significado do trabalho e com os comportamentos de busca de emprego evidenciou que algumas variaveis pessoais e contextuais estao relacionadas a esses construtos. Em primeiro lugar, jovens de familias que concentravam os menores rendimentos e aqueles com menor nivel de escolaridade atribuiram uma conotacao mais positiva ao trabalho. A interpretacao para isto foi ja antecipada na introducao: o trabalho se destaca como atividade importante para jovens de baixa condicao socioeconomica pelo fato de proporcionar os meios de vida, de consumo e de esperanca de transformacao da sua realidade social e financeira (Dutra-Thome & Koller, 2014; Mota & Tonelli, 2013). Muitos desses jovens abandonaram a escola precocemente para poder ajudar nas despesas domesticas, e tendem a se sentir mais produtivos no trabalho do que no contexto escolar. No entanto, questiona-se a qualidade das ocupacoes para as quais esses jovens sao destinados--pois muitas delas sao marcadas pela informalidade e precarizacao (Otero, 2011).

A renda e a escolaridade tambem estiveram associadas aos comportamentos de busca de emprego. Nesse caso, jovens que concentraram os melhores rendimentos e possuiam os maiores niveis de escolaridade relataram maior utilizacao de estrategias de busca. Esses resultados corroboram com os achados de Guimaraes et al. (2012), de que a classe social possui relacao com o tamanho da rede de contatos. Jovens de alto nivel socioeconomico mantem as maiores redes e tem acesso a informacoes sobre oportunidades de emprego de melhor qualidade. Por outro lado, assim como defendido por Kanfer et al. (2001) e Sverko et al. (2008), o menor nivel de escolaridade esta relacionado com o menor envolvimento com os comportamentos de busca, e uma das razoes disso e a percepcao da pessoa de que sua escolaridade nao e suficiente para atender as exigencias do mercado. No entanto, podemos destacar outros fatores de influencia sobre esse pouco envolvimento com as estrategias de busca--entre eles, o acesso a informacoes e ao conhecimento sobre iniciativas governamentais de intermediacao de mao-de-obra, que, em si mesmos, sao uma das estrategias de busca de emprego possiveis.

Assim sendo, os resultados apresentados ate aqui reforcam a importancia de se compreender o fenomeno nem-nem a partir da juncao de caracteristicas individuais com o contexto de pertenca desses jovens (Cardoso, 2013). Esta pesquisa possibilitou algumas aproximacoes nesse sentido. No entanto, seu carater exploratorio e transversal, baseado em entrevista estruturada (aplicacao de questionario padronizado), nao permitiu um aprofundamento nos aspectos psicossociais, e, sobretudo, biograficos, associados a condicao nem-nem. Tais elementos poderiam ser mais bem investigados por meio da analise das trajetorias de vida desses jovens, contemplando as duas esferas que compoem esse fenomeno: trabalho e educacao.

Embora os resultados tenham explicitado que variaveis como tempo na condicao, renda e escolaridade estao relacionadas com os motivos dos jovens estarem sem trabalhar, e preciso que outras investigacoes sejam conduzidas no intuito de compreender como se da a relacao entre essas variaveis e o fenomeno. Nesse sentido, as razoes pelas quais os jovens de baixa condicao socioeconomica se envolvem menos com comportamentos de busca de emprego, ou os motivos pelos quais jovens ha mais tempo na condicao atribuem uma maior conotacao negativa ao trabalho, seriam mais bem explicitados. Com isso, haveria condicoes de se estabelecer vias cientificas consistentes para compreender o fenomeno, que se apresentassem como alternativas ao discurso do senso comum, que recorre a uma pretensa falta de iniciativa dos jovens como motivo exclusivo deles estarem sem trabalhar e estudar.

Apesar dessas limitacoes, esta pesquisa permitiu uma aproximacao teorica sobre um fenomeno investigado ainda de forma incipiente no contexto brasileiro (e mesmo internacional), sobretudo na psicologia do trabalho. Para essa area, que tambem tem se preocupado com as questoes subjacentes a insercao dos jovens naquele mercado, a investigacao do fenomeno pela via do significado e centralidade do trabalho, dos comportamentos de busca de emprego e das variaveis associadas a esses construtos, permitiu uma aproximacao valida nesse sentido.

Espera-se que, a partir do presente estudo, outras questoes sejam consideradas, influenciando a psicologia do trabalho e demais campos do conhecimento empenhados no estudo do tema. Neste sentido, sugere-se a importancia de se analisar (ou de se priorizar como tema da pesquisa) a qualidade dos empregos assumidos, indo alem da analise dos motivos dos jovens estarem sem trabalho. Dessa forma, a psicologia do trabalho podera melhor se apropriar do seu objeto de estudo, estando sensivel as questoes laborais juvenis.

Referencias

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Recebido: agosto 29, 2016

Aprovado: novembro 18, 2017

Daniele de Souza Paulino *

Pedro F. Bendassolli *

* Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, Brasil.

Doi: http://dx.doi.org/10.12804/revistas.urosario.edu.co/apl/a.5112

* Daniele de Souza Paulino, Pedro F. Bendassolli, Departamento de Psicologia, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, Brasil.

Correspondencia a respeito deste artigo deve ser enderecada para Daniele de Souza Paulino, Av. Senador Salgado Filho, s/n, Campus Universitario, CEP 59078-970, Natal, Brasil. Correio eletronico: paulino223@gmail.com
Tabela 1
Criterios de qualidade de ajuste da esat-br

Criterios                  M1          M2

[ji al cuadrado]         540,388     383,609
Gl                           269         222
[ji al cuadrado]/gl         2,00       1,728
GFI                        0,837       0,871
AGFI                       0,837       0,840
AIC                      652,388     491,609
CAIC                     899,440     729,838
TLI                        0,854       0,908
CFI                        0,869       0,919
RMSEA                      0,067       0,057
SRMR                       0,063       0,062

Nota. M1: Modelo original; M2: Modelo final.

Tabela 2
Confiabilidade e indices de validade da versao final das
escalas

         Fatores              [alfa]        CC        VME

ESAT-BR

Dimensao da Realizacao           0,86    0,97 0,90   (0,94)
Pessoal do Trabalho

Dimensao Positiva                0,84    0,93 0,80   (0,89)
do Trabalho

Dimensao Negativa                0,78    0,80 0,64   (0,80)
do Trabalho

Escala de Intensidade de Busca de Emprego

Intensidade de Contatos          0,88    0,97 0,86   (0,92)
de Rede Social

Intensidade Geral de             0,90    0,98 0,87   (0,93)
Busca de Emprego

Nota. [alfa]: Alfa de Cronbach; CC: Confiabilidade composta; VME:
variancia media extraida. Valores entre parenteses correspondem a
raiz quadrada da VME.

Tabela 3
Associacao entre variaveis demograficas e dimensoes das escalas

                      Tempo na                     Renda (1,5
Significado        condicao (34 a                   salario)
do trabalho           72 meses)

                 U         p         r         U         p         r

Dimensao        --        --        --       17,50    0,02    -0,44
Positiva                                     [r.sub.s] = -0,25,
                                              p < 0,001;
           H(9) = 20,35, p < 0,05

Dimensao       1031      0,02      -0,21
negativa       [r.sub.s] =0,19, p< 0,001;
               H(3) = 8,9320,35, p < 0,05

                    Tempo na condicao                  Renda
Busca de           (15 dias a 9 meses)            (8 a 12 salarios)
emprego
                 U         p         r         U         p         r

Com uso         75       0,001     -0,46     23,50     0,01     -0,51
de redes         [r.sub.s] = -0,30,              [r.sub.s] = 0,32,
                  p < 0,001;                        p < 0,001;
       H(3) = 20,52, p < 0,001        H(9) = 29,29, p = 0,001

Busca           67       0,000     -0,49     17,50     0,00     -0,63
gera  l         [r.sub.s] = -0,35,               [r.sub.s] = 0,39,
                     p < 0,001;                       p < 0,001;
   H(3) = 27,70, p < 0,001      H(9) = 43,57, p < 0,001

                     Escolaridade
Significado        (Fund. incompleto)
do trabalho

                 U         p         r

Dimensao       29,5      0,001     -0,52
Positiva      [r.sub.s] = -0,40, p < 0,001;
                 H(6) = 37,13, p < 0,001

Dimensao
negativa

                     Escolaridade
Busca de           (Fund. incompleto)
emprego
                 U         p         r

Com uso         246      0,001     -0,62
de redes      [r.sub.s] = 0,42, p < 0,001;
                 H(6) = 52,37, p < 0,001

Busca          92,50     0,001     -0,76
geral         [r.sub.s] = 0,60, p < 0,001;
                H(6) = 91,42, p < 0,001

Nota. rs: correlacao de Spearman; H: teste de Kruskal-Wallis.
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Author:de Souza Paulino, Daniele; Bendassolli, Pedro F.
Publication:Avances en Psicologia Latinoamericana
Date:Jul 1, 2018
Words:8202
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