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Sexual practices of nursing undergraduates and prevention of sexually transmitted diseases/As praticas sexuais dos graduandos de enfermagem e a prevencao das doencas sexualmente transmissiveis/Las practicas sexuales de los estudiantes de enfermeria y la prevencion de enfermedades de transmision sexual.

Introducao

O objeto deste estudo sao as praticas sexuais de jovens e a prevencao das doencas sexualmente transmissiveis (VII). A descoberta e iniciacao sexual dos jovens, associada a pratica do sexo de forma insegura, contribuem para que este grupo se torne a parcela da populacao mais vulneravel em contrair doencas, especialmente aquelas transmitidas pelo contato sexual. O esconhecimento dos meios de prevencao, as formas de contagio ou simplesmente adocao de comportamento de risco sao situacoes a serem investigadas, uma vez que refletem na incidencia das doencas sexualmente transmissiveis (DST) na populacao jovem. Entre as doencas que estao associadas a pratica do sexo desprotegido, insere-se a Sindrome da Imunodeficiencia Adquirida (AIDS), considerada um marco na epidemiologia mundial e responsavel por mudancas significativas no ambito da saude, trazendo discussoes acerca dos comportamentos sexuais, crencas, valores e mitos associados com a sexualidade (1,2).

A sexualidade de um grupo social e determinada segundo valores, concepcoes e normas da sociedade a qual pertence, conforme o momento historico que ira determinar o certo ou errado, apropriado ou inapropriado, de acordo com os padroes vigentes. Alem das praticas sexuais, o desejo, o afeto, o prazer e as fantasias compoem a sexualidade (3).

Dados do Ministerio da Saude indicam que, no periodo de 2000 a 2006, foram registrados 19.793 casos de aids em jovens com idades entre 13 e 24 anos no Brasil, representando 80% dos casos notificados. De acordo com o Boletim Epidemiologico DST/aids, existem, aproximadamente, 709.477 casos de aids identificados no Brasil desde 1980 ate junho de 2013. No Rio de Janeiro, nos ultimos cinco anos, houve um aumento no numero de casos notificados de aids na populacao jovem, de 15 a 24 anos de idade, passando de 16,7% em 2008 para 19,3% em 2013 (4,5).

Alguns fatores podem ser apontados como responsaveis pelos indices de contaminacao, entre eles a desinformacao sobre o assunto e a falta de dialogo familiar para orientar seus jovens sobre sexualidade. Os pais tem dificuldade de dialogar sobre questoes de sexualidade com os filhos, nao so por constrangimento, mas tambem por medo que o dialogo franco e aberto possa indicar aos adolescentes que ja estao prontos para iniciar a vida sexual. Autores (6,7) afirmam que as jovens assumem comportamento de risco e tornam-se vulneraveis ao praticarem sexo sem a adocao do preservativo por receio de perder o parceiro.

O aumento de casos de aids entre os jovens tem sido expressivo nos ultimos anos. Este fato pode ser associado ao inicio da vida sexual ativa, em torno de 15-16 anos (detectado pela Pesquisa Nacional de Demografia e Saude--PNDS 2006), e, tambem, por ter ocorrido, a partir de 1998, uma inversao na razao de sexo em que incide a aids neste grupo etario. No periodo de 2000 a 2005, ocorreu uma inversao da razao de sexos do numero de casos de aids na faixa etaria de 15 a 24 anos (0,9 casos em homens para cada caso em mulheres). Em 2012, a taxa de deteccao de casos de aids no sexo masculino foi de 15,1/100.000 habitantes e de 8,6 em mulheres. Neste contexto, torna-se preponderante que profissionais e servicos de saude atentem para as necessidades especificas de saude e demandas dessa populacao (4,5).

O estudo e relevante, considerando a vulnerabilidade da populacao jovem as doencas sexualmente transmissiveis, segundo dados do boletim epidemiologico do Ministerio da Saude, devendo ser observadas questoes economicas e sociais que irao determinar a necessidade de atencao mais especifica e abrangente a este grupo.

A pesquisa tem o objetivo de identificar as praticas sexuais dos estudantes da graduacao em enfermagem, a vulnerabilidade e as praticas adotadas pelos jovens para a prevencao de doencas sexualmente transmissiveis.

Revisao de Literatura

No processo de amadurecimento do ser humano, os individuos vivenciam as diferentes etapas da vida e suas caracteristicas peculiares. A adolescencia e uma fase de modificacao gradativa da infancia para a idade adulta e vem sendo estudada por profissionais que se dedicam ao atendimento de jovens. Considerando que essa fase apresenta limites cronologicos distintos, de acordo com a interpretacao dos diversos orgaos oficiais, adotou-se, nesta investigacao, a definicao do Estatuto da Juventude, instituido pela presidencia da republica em 2013, que considera jovens as pessoas com idade entre 15 e 29 anos de idade. No referido, documento ficou estabelecido que, para evitar situacoes de conflito para os jovens na faixa etaria de 15 a 18 anos, prevalecera a a lei no 8.069, de 13 de julho de 1990--Estatuto da Crianca e do Adolescente (4,8).

Entende-se por vulnerabilidade a chance de exposicao das pessoas ao adoecimento, sendo amplamente utilizado este conceito no planejamento e elaboracao de estrategias de controle das DST e aids. A vulnerabilidade dos diferentes grupos populacionais so pode ser entendida quando se tem a clareza da relevancia de um amplo conjunto de aspectos que podem ser agrupados em tres esferas, sendo estas: individual, institucional e social (9). A vulnerabilidade e entendida, portanto, como um estado dinamico de fragilidades e suscetibilidades em diferentes dimensoes, decorrente da interferencia de diversos fatores e de construcoes simbolicas e representacionais (10).

Neste contexto, sabe-se que a descoberta e a iniciacao sexual ocorrem, em geral, na adolescencia e que, nesta etapa da vida, a vulnerabilidade esta relacionada as caracteristicas emocionais e psiquicas, pelo desejo de vivenciar coisas novas. Tal fato, associado ao sentimento de imunidade percebido por muitos jovens, os tornam mais suscetiveis em contrair doencas pela pratica do sexo inseguro (7,11).

O meio socioambiental no qual o adolescente esta inserido e outro fator que exerce influencia em suas atitudes. Por vezes, assumem comportamento de risco envolvendo, principalmente, o uso de drogas, tabaco, alcool e atividades sexuais. Ao analisar a vulnerabilidade dos jovens as DST, deve-se valorizar a associacao entre alcool/drogas e atividade sexual, considerando que, por menor que seja a quantidade de droga utilizada, pode ocasionar alteracoes na percepcao e levar os jovens a tomar decisoes erroneas ou realizar praticas sexuais de risco, ficando vulneraveis a gravidez nao planejada e as doencas sexualmente transmissiveis (12).

Pesquisa sobre os conhecimentos, atitudes e praticas na populacao brasileira (PCAP), divulgada pelo Ministerio da Saude em 2011, revela que 77,6% dos jovens de 15 a 24 anos tem atividade sexual ativa. Somente 35% dos jovens investigados, nesta faixa etaria, declararam uso regular de preservativo independente da parceria, evidenciando que a Educacao em saude para a prevencao de DST deve ser continua e abrangente (13).

Ao mesmo tempo em que as praticas educativas sao pouco abordadas, a liberacao de costumes e a erotizacao da midia vem estimulando uma iniciacao sexual cada vez mais precoce, o que tambem pode aumentar as chances do jovem contrair DST. Nota-se que, quanto mais jovem e o individuo, menor e o nivel de informacao, tornando-o vulneravel para contrair doencas transmitidas pelo sexo. De acordo com dados do Boletim epidemiologico no periodo de 1980-2012, ha registro da ocorrencia de aids em jovens de ambos os sexos nos grupos etarios de 15-19 anos e de 20-24 anos, totalizando 12.246 casos e 57.429 respectivamente. As tendencias apresentadas, atualmente, pela epidemia evidenciam a heterossexualizacao, feminizacao, interiorizacao e pauperizacao (4,5).

A educacao em saude tem, portanto, um papel importante neste cenario, considerando a promocao da saude para o desenvolvimento da autonomia e a responsabilidade das pessoas e comunidades com a sua saude. E uma pratica social critica e transformadora, utilizada de forma ampla para a prevencao das DST/ aids. Ainda nos dias de hoje, existe tabu no dialogo entre pais e filhos sobre sexo e sexualidade. Alguns profissionais de saude, tambem, demonstram despreparo ao dialogar o tema com adolescentes (7,9,14).

O enfermeiro tem um papel importante como educador em saude e realiza uma pratica que converge para o contexto sociocultural dos adolescentes. Nas atividades educativas realizadas em um ambiente acolhedor com jovens, sao verbalizadas duvidas, havendo envolvimento, trocas de informacoes e vivencias, resultando na construcao do conhecimento coletivo. Essa pratica mostra-se eficaz para a aprendizagem de assuntos relacionados a sexualidade e prevencao de DST (11,15).

Metodologia

Estudo descritivo, quantitativo realizado com material armazenado no banco de dados da pesquisa Avaliando o conhecimento, as praticas e crencas dos estudantes universitarios em relacao as doencas sexualmente transmissiveis, coordenado pela Professora Dra. Thelma Spindola. O estudo foi realizado em 2013/2014, em uma universidade publica situada no municipio do Rio de Janeiro, junto aos estudantes da graduacao em enfermagem, maiores de 18 anos, regularmente matriculados na Faculdade de Enfermagem.

Foi aplicado um questionario estruturado, com 50 questoes (47 fechadas e tres abertas), aos estudantes que cursavam do 1[degrees] ao 9[degrees] periodo academico. Para compor o estudo, utilizou-se amostra do tipo intencional e estratificada, tendo-se selecionado 40% dos estudantes de cada turma regularmente matriculados na instituicao. Inicialmente, foram aplicados 17 instrumentos em cada turma, totalizando 153 questionarios. Apos a perda de 10 questionarios (nao devolucao)--e com a aplicacao dos criterios de exclusao: menores de 18 anos e questionarios preenchidos de forma incongruente--, foram excluidos oito instrumentos. Ao final, obteve-se 135 questionarios validos, cujos dados foram armazenados no software Microsoft Excel 2010, e analisados com auxilio da estatistica descritiva. Para atender aos objetivos deste estudo, foram utilizados somente questionarios de participantes com vida sexual ativa, num total de 89 instrumentos. Do instrumento de coleta de dados aplicado, foram analisadas 16 variaveis relacionadas as caracteristicas sociodemograficas e ao comportamento sexual dos participantes.

A pesquisa maior foi aprovada pela Comissao de Etica e Pesquisa (COEP) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, com o parecer no. 063/2012.

Resultados e Discussao

Caracteristicas sociodemograficas

Os estudantes investigados tem suas caracteristicas sociodemograficas evidenciadas na Tabela 1.

Os resultados evidenciam que a maioria dos universitarios --76(85,4%)--era do sexo feminino. Dados do Censo da Educacao Superior de 2012, coletados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anisio Teixeira (INEP), evidenciam que as maiores taxas de escolarizacao na educacao superior sao registradas no publico feminino (16). O aumento da insercao da mulher no ensino superior pode ser relacionado ao crescimento da participacao feminina no mercado de trabalho. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE), a distribuicao da populacao ocupada no pais e representada por 63,9% de mulheres e 61% de homens na faixa etaria de 25 a 49 anos (17). Nota-se, entao, que o quadro da sociedade economica ativa no pais tem se modificado gradualmente, com a participacao cada vez mais presente de mulheres no mercado de trabalho, ocupando espacos onde antes havia predominio do grupo masculino.

Considerando que o grupo investigado era constituido por estudantes de enfermagem, observa-se que este perfil esta associado a profissao do enfermeiro, area predominantemente feminina, em funcao do envolvimento das mulheres com o ato de cuidar e reproduzido ate hoje na enfermagem (18). Quanto a faixa etaria, 54(60,7%) tem idades entre 18 e 21 anos. Estes achados estao em consonancia com o ultimo Censo de Educacao Superior (2011), sendo evidenciado que a proporcao dos jovens de 18 a 24 anos passou de 22,9% para 47,1% do final do seculo passado a 2011, constatando o aumento da frequencia de jovens no ensino superior em todas as regioes do pais (19). Nesse periodo da juventude, sabe-se que os jovens estao no auge da sua vida sexual ativa, visto que a idade media da iniciacao sexual dos brasileiros esta em torno dos 15 anos de idade (20).

O ingresso na universidade e, portanto, um momento de celebracao e divertimento com os amigos e, muitas vezes, existe uma maior exposicao ao alcool e drogas que, associados as praticas sexuais, podem resultar em uma diminuicao do uso da camisinha, considerando que essas substancias alteram a sensopercepcao do individuo (21).

Em relacao a religiao, 35(39,3%) participantes declararam ser catolicos e 19(21,3%), evangelicos. A religiao assume um papel muito importante para as pessoas porque pode influenciar o modo como os jovens se relacionam no ambito socioafetivo. O protestantismo e o catolicismo sao religioes cristas e desde os primordios costumam tratar sexo e sexualidade de forma repressiva, o que pode ocasionar dificuldade para abordar esses assuntos e influenciar a pratica sexual dos jovens (22). Em funcao das mudancas sociais da atualidade, todavia, acredita-se que mesmo nesses espacos podem estar ocorrendo modificacoes que favorecam o dialogo e a reflexao.

Quanto ao estado conjugal dos participantes, 45(50,6%) declararam que so namoram e 30(33,7%), que nao tem namorado. O namoro e um relacionamento social e afetivo importante para o desenvolvimento do ser humano. Esse momento, muitas vezes, e associado ao inicio da vida sexual que, em geral, ocorre na adolescencia (23). E na adolescencia que muitos jovens vivenciam o inicio das atividades sexuais e, nessa ocasiao, nem sempre adotam a pratica do sexo seguro ficando vulneraveis para contrair uma DST22. O estado conjugal declarado e coerente com a faixa etaria dos participantes do estudo, considerando que os jovens tendem a buscar relacionamentos mais serios com idades mais avancadas.

Praticas sexuais

Os resultados sobre o uso do preservativo segundo o tipo de relacionamento afetivo dos estudantes de enfermagem podem ser visualizados na Tabela 2.

Do total de participantes do estudo, 19(21,36%) tiveram relacao com parceiros casuais, fazendo uso de preservativo, considerando-se os ultimos 12 meses. Sabe-se que, nos dias de hoje, a vida amorosa dos jovens vem sofrendo mudancas nos padroes de comportamento. Antes de se estabelecer um namoro, existe um relacionamento previo com parceiros casuais, o que pode contribuir para o aumento do numero de pessoas com quem o jovem se relaciona sexualmente. Nesses relacionamentos, se a pratica do uso do preservativo nao ocorrer de maneira continua, podera acarretar danos para a saude desse grupo e se tornar um problema de saude publica (24).

Do total de estudantes que tinham vida sexual ativa (89), 46(51,7%) tiveram relacoes sexuais com parceiros fixos nos ultimos 12 meses e utilizaram preservativos nessas relacoes; 34(38,2%) nao fizeram uso e 9(10,1%) nao informaram. Embora 46(51,7%) dos participantes tenham informado a adocao do preservativo, nota-se que os demais jovens--43(48,3%) --se mostram resistentes para incorporar essa pratica em suas atividades sexuais. Estudo constatou que os jovens fazem uso do preservativo conforme o tipo de relacionamento (parceiro fixo ou casual) e aparencia do parceiro, sendo associada ou nao a promiscuidade, e empregam o condon como metodo de contracepcao e nao para a prevencao de DST (25).

Embora os participantes da pesquisa utilizem o preservativo com parceiros fixos, ainda e significativo o numero de jovens 34(38,2%) que nao o adotam. A nao adocao da camisinha nos contatos sexuais pode estar relacionada ao fato de a relacao estavel envolver confianca no parceiro e esse sentimento ser usado como forma de prevencao. Alem disso, nesses relacionamentos, ha uma maior utilizacao da pilula anticoncepcional, demonstrando uma maior preocupacao dos jovens em evitar uma gravidez indesejada do que em utilizar preservativos para prevenir doencas sexualmente transmissiveis (26).

Por se tratar de uma pesquisa cuja maioria dos participantes e do sexo feminino, a nao utilizacao do preservativo pode estar relacionada a dificuldade das mulheres em negociar o uso do preservativo, sob a alegacao do medo de perder ou desagradar o parceiro ou passar uma visao de serem experientes (27). Estudo desenvolvido com mulheres maiores de 18 anos em uma universidade na cidade do Rio de Janeiro identificou que algumas nao tem coragem de propor o uso da camisinha, temendo a reacao do companheiro, ja que o pedido para a utilizacao do preservativo pode gerar desconfianca em seu parceiro (28).

A pratica do sexo seguro entre os universitarios e expressa pelos resultados da Tabela 3.

Quando se discute a utilizacao constante do preservativo, pensa-se na subjetividade implicada nesta pratica. Os resultados da pesquisa evidenciam que 25(28%) estudantes nao praticam sexo de forma sempre segura e ja tiveram mais de um parceiro sexual na vida. Varios fatores podem estar associados a este comportamento e contribuem para que esse grupo seja mais vulneravel as DST e aids. Diversos fatores que levam um individuo a nao utilizar a camisinha podem ser elencados como: as atitudes negativas relacionadas ao uso do preservativo, alegacao da diminuicao de sensibilidade e interferencia na naturalidade e espontaneidade do ato sexual, o uso de alcool e drogas, o esquecimento de usar e a dificuldade para a negociacao de seu uso (18,29,30). Ao se discutir o emprego do preservativo feminino, sua nao utilizacao tem se apresentado de maneira expressiva. Estudo revelou que as jovens tem dificuldades no uso e manuseio do preservativo feminino, alem de seu custo ser elevado quando comparado ao preservativo masculino (31). Salienta-se, todavia, que os preservativos (masculino e feminino) sao distribuidos gratuitamente nas unidades basicas de saude do municipio do Rio de Janeiro.

Investigacao realizada em Fortaleza, numa instituicao publica de ensino superior, em 2010, sinaliza que os jovens sao mais vulneraveis as epidemias. Quando se trata de jovens universitarios, pode-se associar a vulnerabilidade ao fato de terem ingressado no ensino superior. Por esse motivo, acreditam possuir conhecimento suficiente e nao percebem sua exposicao as DST Quando ha a associacao entre as praticas sexuais e a prevencao de doencas e agravos, essa populacao mostra-se mais interessada na prevencao de uma gravidez indesejada que evitar uma DST (32).

Acrescenta-se, tambem, que existem aspectos subjetivos envolvidos nas praticas sexuais dos individuos, assim como a propria sexualidade. A sexualidade esta associada a valores e normas sociais que estao atrelados as emocoes e instintos. Estes aspectos devem ser valorizados, mas, com frequencia, nao sao controlados/racionalizados no momento do intercurso sexual. O uso continuo do preservativo, entretanto, e uma pratica que necessita de estimulo para se tornar natural (31).

No que tange a saude sexual e reprodutiva dos jovens, o enfermeiro tem um papel importante nas atividades de educacao em saude dos adolescentes, porque estimula o autocuidado, esclarece duvidas e favorece a integralidade entre os setores da educacao e saude, contribuindo para a reducao da vulnerabilidade desse grupo as DST/A'DS (33). Assim, e importante que o enfermeiro perceba o enfoque da educacao em saude para atuar sob o aspecto de uma educacao critica e transformadora, que contemple as necessidades biopsicossociais em acoes individuais e coletivas (34).

E oportuno salientar que, no exercicio de suas funcoes, o enfermeiro desempenha o papel de educador e continuamente necessita atualizar seus conhecimentos, transformar e/ou ampliar sua pratica profissional por meio da educacao permanente (35). Nesse contexto, pode atuar em projetos junto as escolas, participando da educacao em saude de jovens, como o Programa de Saude nas Escolas (PSE), que auxilia na orientacao sexual, prevencao de DST e gravidez de adolescentes da rede publica (11).

Conclusao

Os achados do estudo demonstram que os graduandos de enfermagem, semelhante a outros jovens, tem relacao com parceiros fixos e casuais. Adotam o preservativo masculino na maioria dos intercursos sexuais. Contudo, existe parte expressiva (mais de um terco) que nao pratica sexo de forma sempre segura, ficando vulneravel as DST.

Considerando que o estudo foi realizado com graduandos de enfermagem, com predominio majoritario de mulheres, fica evidente a relacao de genero na negociacao do uso de preservativo com o parceiro e que as mulheres, em geral, sentem dificuldade para negociar esta pratica por receio de perder o parceiro. Entre os jovens que tiveram relacionamentos com parceiros casuais, a quinta parte informou ter utilizado o preservativo; entretanto, se considerar que cerca da metade da amostra nao pratica sexo de forma sempre segura, este panorama se torna preocupante, especialmente se houver associacao de alcool e drogas com a atividade sexual.

A pesquisa atingiu os objetivos a medida que identificou as praticas sexuais de graduandos de enfermagem e a vulnerabilidade desses jovens as doencas sexualmente transmissiveis.

O numero de participantes pode ser considerado uma limitacao da investigacao, todavia os resultados evidenciam a importancia de a pesquisa ser replicada em outros espacos, inclusive com estudantes de outras areas de conhecimento para uma melhor avaliacao da tematica.

Os achados sinalizam que, embora os participantes sejam estudantes universitarios da area da saude, suas praticas sexuais sao semelhantes as de outros jovens e nao, necessariamente, associadas ao conhecimento acerca da transmissao das DST. Ratifica-se, entao, a realizacao de acoes que estimulem a reflexao dos jovens para uma tomada de decisao consciente em relacao a preservacao de sua saude sexual e reprodutiva, com adocao de medidas que favorecam a prevencao de agravos.

DOI: http://dx.doi.org/10.12957/reuerj.2015.16823

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(35.) Viana MRP Moura MEB, Nunes BMVT Monteiro CFS, Lago EC. Formacao do enfermeiro para prevencao do cancer do colo uterino. Rev enferm UERJ. 2013; 21:624-30.

Haisa Borges d'Amaral (I); Lais de Andrade Rosa (II); Raquel de Oliveira Wilken (III); Thelma Spindola (IV); Maria Regina Richerte Araujo Pimentel (V); Luiz Eduardo da Motta Ferreira (VI)

(I) Enfermeira. Pos-Graduanda na modalidade de Residencia em Enfermagem Obstetrica pela Universidade Federal Fluminense. Graduanda pela Faculdade de Enfermagem da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Brasil. E-mail: haisa.borges@gmail.com

(II) Enfermeira. Pos-Graduanda na modalidade de Residencia em Enfermagem Medico-Cirurgica pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Graduada pela Faculdade de Enfermagem da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Brasil. E-mail: laisandraderosa@gmail.com.

(III) Enfermeira. Graduada pela Faculdade de Enfermagem da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Brasil. E-mail: raqueldeoliveirawilken@hotmail.com.

(IV) Enfermeira. Doutora em Enfermagem. Professora Associada do Departamento de Fundamentos de Enfermagem da Faculdade de Enfermagem da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Brasil. E-mail: tspindola.uerj@gmail.com.

(V) Enfermeira. Doutoranda em Enfermagem. Professora Assistente do Departamento de Fundamentos de Enfermagem da Faculdade de Enfermagem da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Brasil. E-mail: mariaregina.pimentel85@gmail.com.

(VI) Medico. Mestre em Cardiologia. Professor Adjunto da Escola de Medicina e Cirurgia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Brasil. E-mail: luizmotta@predialnet.com.br.

(VII) Parte integrante do relatorio de pesquisa intitulado As praticas sexuais dos graduandos de enfermagem e a prevencao de doencas sexualmente transmissiveis, apresentado como pre-requisito para aprovacao na Graduacao em Enfermagem, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, em 2014.
TABELA 1 : Caracterizacao sociodemografica dos estudantes
universitarios. Rio de Janeiro, 2013. (N=89)

Aspectos sociodemograficos   f     %

Sexo
  Feminino                   76   85,4
  Masculino                  13   14,6
Idade
  18-21                      54   60,7
  22-25                      26   29,2
  26-29                      9    10,1
Religiao
  Catolica                   35   39,3
  Evangelica                 19   21,3
  Espirita                   7    7,9
  Outra religiao             3    3,4
  Nao possui religiao        15   16,9
  Nao informou               10   11,2
Estado conjugal
  So namoro                  45   50,6
  Nao tenho namorado         30   33,7
  Uniao estavel              8     9
  Uniao nao estavel          6    6,7

TABELA 2: Distribuicao dos estudantes segundo o uso de preservativo
nos ultimos 12 meses, e tipo de relacionamento. Rio de Janeiro,
2013.

                                      Uso de preservativo

Tipo de relacionamento         Sim    Nao           Total
                         f      %      f      %       f       %
Parceiros casuais
Sim                      18   20,23    1    1,13     19     21,36
Nao                      46   51,68   24    26,96    70     78,64
Total                    64   71,91   25    28,09    89     100,00

TABELA 3: Praticas sexuais dos jovens universitarios. Rio de
Janeiro, 2013.

                        Ja teve mais de um parceiro sexual na vida

Praticas sexuais           Sim          Nao            Total
                         f     %      f     %       f       %
Pratica sexo de
  forma segura sempre
Sim                     19    21,3   24    27,1    43      48,4
Nao                     25     28    21    23,6    46      51,6
Total                   44    49,3   45    50,7    89     100,00
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Article Details
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Title Annotation:Original Research/Artigo de Pesquisa/Articulo de Investigacion
Author:d'Amaral, Haisa Borges; Rosa, Lais de Andrade; Wilken, Raquel de Oliveira; Spindola, Thelma; Pimente
Publication:Enfermagem Uerj
Date:Jul 1, 2015
Words:5094
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