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Sextus Empiricus and the Differences between Pyrrhonism and the Philosophy of the Academics: A Translation of Outlines of Pyrrhonism 1.220-235/Sexto Empirico e as diferencas entre o Pirronismo e a filosofia dos Academicos: Traducao de Esbocos Pirronicos 1.220-235.

I. Introducao

O texto que se segue e a traducao de parte dos ultimos passos do livro I de Esbocos Pirronicos, do filosofo e medico Sexto Empirico. Mais especificamente, aqui apresentamos a secao PH 1.220-235, em que o autor pretende elencar semelhancas e diferencas entre a abordagem filosofica da escola Pirronica, da qual ele proprio faz parte, para com a da Academia. Assim, Sexto nos narra uma breve historia das ideias da Academia, desde Platao, ate a chamada "quinta Academia", mas tendo por eixo argumentativo a delineacao de uma distincao mais precisa entre as duas abordagens.

Por conta disso, trata-se nao so de um trecho imprescindivel para compreensao tanto do Pirronismo quanto da Academia, mas tambem da agenda sextiana de reivindicar consistencia para sua concepcao de Pirronismo.

Achamos por bem nao anotar o texto, nao avancando nossas interpretacoes, mas oferecer uma versao bilingue para que xs leitorxs possam fazer suas proprias comparacoes. Vale ressaltar que esta e uma traducao preliminar que ainda ganhara mais outras revisoes, seguindo a mesma metodologia de trabalho que empregamos na traducao das obras de Sexto Empirico que publicamos anteriormente pela mesma editora que provavelmente publicara nossa traducao completa de Esbocos Pirronicos, a EdUNESP (Contra os retoricos: Huguenin & Brito, 2013; Contra os gramaticos: Huguenin & Brito, 2015; Contra os astrologos: Huguenin & Brito, 2019).

Caso haja duvidas, criticas ou sugestoes, por favor, contatem nos.

Desejamos a todxs uma boa leitura.

II. Traducao

Em que o ceticismo difere da filosofia da Academia

[phrase omitted]

(220) Contudo, alguns dizem que a filosofia Academica e a mesma que o ceticismo; eis porque discutiremos isso detalhadamente a seguir. As Academias, como muitos dizem, foram tres: a primeira e a mais antiga, a do circulo de Platao; a segunda e media, a do circulo de Arcesilao, ouvinte de Polemon; a terceira e nova, a do circulo de Carneades e Clitomaco. Mas alguns adicionam uma quarta, a do circulo de Filon e Carmidas, outros contam uma quinta, a do circulo de Antioco.

(220) [phrase omitted].

(221) Assim, comecemos pela primeira e vejamos a diferenca das filosofias mencionadas <para com a nossa>. Entao, uns disseram que Platao e dogmatico, outros [que e] aporetico, outros [que e] aporetico por um lado e dogmatico por outro lado; pois em seus discursos ginasticos--onde Socrates e apresentado ou brincando com uns ou debatendo com os sofistas--dizem que ele tem um carater ginastico e tambem aporetico; mas [dizem que e] dogmatico onde se ocupa de demonstrar [algo], ou atraves de Socrates ou de Timeu ou de alguns outros.

(221) [phrase omitted].

(222) Entao, sobre os que disseram que ele e dogmatico, ou como dogmatico por um lado e aporetico por outro lado, seria superfluo falar agora; pois eles proprios concordam com a diferenca [dos Academicos] para conosco. Mas sobre se e absolutamente cetico, tratamos amplamente nos nossos "Comentarios"; mas agora, como em um esboco, dizemos ao circulo de Menodoto e de Enesidemo (pois eles sao os principais defensores dessa posicao), que quando Platao faz declaracoes sobre as ideias, ou sobre a providencia ser, ou sobre a vida com excelencia ser preferivel a viciosa, se ele assente a isso como subjacente, dogmatiza; se ele acata essas coisas como mais provaveis, uma vez que julga algo quanto a plausibilidade ou implausibilidade, afasta-se do carater cetico; pois que isso nos e alheio e evidente pelo que foi dito anteriormente.

(222) [phrase omitted].

(223) Mas se profere algo ceticamente, com dizem, quando [expressa seu carater] ginastico, nao por isso sera cetico. Pois quem dogmatiza sobre uma coisa, ou julga uma impressao a todas as outras impressoes de acordo com a plausibilidade ou implausibilidade, <ou faz declaracoes> sobre coisas naoevidentes, vem a ter o carater do dogmatico, como Timao deixa claro por seus ditos sobre Xenofanes.

(223) [phrase omitted].

(224) Pois em muitas [ocasioes] ele aplaude [Xenofanes], como ao dedicar seus "Poemas satiricos" a ele, fazendo-o dizer este lamento:

como tambem eu tive, por uma mente sabia, que suplicar, olhando os dois lados; mas o caminho traicoeiro enganoume,

ja velho era e nao de todo atento ao ceticismo. Pois para onde quer que eu minha mente direcionasse,

para o uno e o mesmo tudo vagava; tudo sempre sendo ao todo levado, em uma mesma e unica natureza, para manter-se o mesmo.

Por isso entao que [Timao] o chama de quase despretensioso, e nao de totalmente despretensioso, pois dele diz:

Xenofanes, quase despretensioso, da farsa de Homero debochador,

moldou, apartado dos homens, um deus, totalmente igual [a si mesmo],

<imovel>, incolume, e alem do pensamento no pensar.

Pois e quase despretensioso, uma vez que era despretensioso de algum modo, e debochador da farsa de Homero, uma vez que ridicularizou a farsa [contada] por Homero.

(224) [phrase omitted].

[phrase omitted].

[phrase omitted].

[phrase omitted].

(225) Mas Xenofanes, afastando-se das preconcepcoes dos outros homens, dogmatizou que o um e tudo, e que deus e consubstancial a tudo, e que e esferico, sem afetacoes, imutavel e racional; donde ser facil mostrar a diferenca de Xenofanes para conosco. Porem, e evidente, a partir do que dissemos, que tambem Platao, embora lance aporias sobre algumas coisas, uma vez que as vezes aparece ou fazendo declaracoes sobre a existencia de coisas nao-evidentes, ou julgando os naoevidentes de acordo com a plausibilidade, nao seria um cetico.

(225) [phrase omitted].

(226) Mas os da Nova Academia, se tambem dizem que tudo e inapreensivel, diferem dos ceticos quanto ao proprio dito de que tudo e inapreensivel (pois eles asserem sobre isso, mas o cetico admite a suposicao de que algumas coisas sejam apreensiveis), e evidentemente diferem de nos ao separarem as coisas boas e as mas. Pois os Academicos, nao como nos, dizem que algo e bom ou mau, porem convencidos de que o que dizem ser bom e mais provavel do que o contrario, e o mesmo quando ao mau; nos dizemos que algo e bom ou mau sem considerarmos o que dizemos como provavel, porem nao dogmaticamente seguimos a vida, para nao ficarmos inativos.

(226) [phrase omitted].

(227) As impressoes, nos dizemos, sao iguais quanto a plausibilidade ou implausibilidade, no que diz respeito a argumentacao, mas eles dizem que algumas sao provaveis e outras improvaveis. E dizem haver diferencas entra as provaveis; pois umas sao consideradas como somente provaveis, outras como provaveis e testadas, outras como provaveis, testadas e garantidas. Por exemplo, quando uma corda jaz enrolada em um quarto escuro, simplesmente a impressao provavel advinda a quem de repente entra e a de que e uma cobra;

(227) [phrase omitted].

(228) contudo, para quem examinar mais precisamente e atentar as circunstancias--por exemplo: que nao se move, que e de tal cor, e cada uma das outras [caracteristicas]--parece uma corda, de acordo com uma impressao provavel e testada. E a impressao garantida e do seguinte modo. Dizem que Heracles, tendo morrido Alceste, trouxe-a do Hades e a mostrou para Admeto, que apreendeu uma impressao provavel e testada de Alceste; contudo, uma vez que sabia que ela havia morrido, seu pensamento desviou-se do assentimento e inclinou-se a implausibilidade.

(228) [phrase omitted].

(229) <...> Entao os da Nova Academia preferem a impressao provavel e testada de que a simplesmente provavel, e [preferem] a provavel, testada e garantida de que essas duas. Mas se os da Academia e tambem os ceticos dizem que sao persuadidos por algumas coisas, e evidente a diferenca entre estas filosofias.

(229) [phrase omitted].

(230) Pois "persuadir" pode ser dito de diferentes modos: como nao resistir, mas simplesmente seguir, sem inclinar-se ou afetar-se excessivamente, como dizem que a crianca e persuadida pelo tutor; mas as vezes e assentir a algo, atraves de escolha e por simpatia, devido a um querer excessivo, como o devasso e persuadido por quem valoriza a vida extravagante. Por isso, uma vez que os do circulo de Carneades e de Clitomaco dizem que estao excessivamente inclinados [a algo] por estarem persuadidos, e tambem que as coisas sao persuasivas, mas [dizemos] que [as coisas] simplesmente parecem-nos, sem muitas afetacoes, [nos] assim difeririamos deles.

(230) [phrase omitted].

(231) Porem, tambem diferimos dos da nova Academia quanto a finalidade; pois, por um lado, eles dizem que se ordenam a si mesmos segundo a probabilidade, que usam de acordo com a vida; por outro lado, nos vivemos nao dogmaticamente, seguindo as convencoes e os costumes, e as afeccoes naturais. E diriamos mais ainda com vistas a distincao, se nao objetivassemos concisao.

(231) [phrase omitted].

(232) Contudo, Arcesilao, que dissemos ser o lider e fundador da media Academia, de fato me parece que compartilhou os argumentos Pirronicos, tendo em vista que sua conduta e muito proxima da nossa; pois nem declara ter descoberto algo sobre a existencia ou inexistencia das coisas, nem prefere uma coisa a outra de acordo com a plausibilidade ou implausibilidade, porem, suspende o juizo sobre tudo. E a finalidade e a suspensao de juizo, que e acompanhada pela imperturbabilidade, como nos falamos.

(232) [phrase omitted].

(233) E tambem diz que suspensoes fracionadas de juizo sao boas, e que assentimentos fracionados [sao] maus. Nao obstante, alguem poderia dizer que nos, por um lado, dizemos isso de acordo com o que nos aparece e nao assertoricamente, mas ele, por outro lado, [diz isso] como se fosse de acordo com a natureza, de modo dizer a suspensao de juizo ser boa e o assentimento mau.

(233) [phrase omitted].

(234) Mas, se deve-se crer no que se diz sobre ele, falam que primeiramente parece ser Pirronico, mas na verdade era um dogmatico; e, uma vez que testava seus companheiros atraves do [metodo] aporetico, para saber se naturalmente tinham disposicao para a assimilacao dos dogmas de Platonicos, suas opinioes eram aporeticas, contudo, de fato ele transmitia [os dogmas] de Platao aos companheiros naturalmente dispostos. Dai Ariston dizer sobre ele

Pela frente, Platao; por tras, Pirro; no meio, Diodoro.

Por empregar a dialetica de acordo com Diodoro, mas ser estritamente um Platonico.

(234) [phrase omitted].

[phrase omitted].

[phrase omitted].

(235) Os do circulo de Filon dizem que, quanto ao criterio Estoico, ou seja, a impressao apreensiva, as coisas sao inapreensiveis; mas quanto a natureza das proprias coisas, [sao] apreensiveis. Mas, alem disso, Antioco transferiu a Stoa para a Academia, de modo que se dizia sobre ele que "na Academia filosofa a [maneira] Estoica"; pois demonstrou que os dogmas dos Estoicos subjazem em Platao. Assim, e evidente que a conduta cetica difere tanto da chamada quarta quanto da quinta Academia.

(235) [phrase omitted].

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https://doi.org/10.14195/1984-249X_27_11 Submetido em 14/02/2019 e aprovado para publicacao em 25/05/2019

Bibliografia

ANNAS, J.; BARNES, J. (trans.) (2000). Sextus Empiricus. Outlines of Scepticism. Cambridge, Cambridge University Press.

BURY, R. G. (trans.) (2006) The Complete Works of Sextus Empiricus. 4 vols. Loeb Classical Library. Cambridge, Harvard University Press.

HUGUENIN, R.; BRITO, R. P. (trads.) (2013). Sexto Empirico. Contra os retoricos. Sao Paulo, EdUNESP.

HUGUENIN, R.; BRITO, R. P. (trads.) (2015). Sexto Empirico. Contra os gramaticos. Sao Paulo, EdUNESP.

HUGUENIN, R.; BRITO, R. P. (trads.) (2019). Sexto Empirico. Contra os astrologos. Sao Paulo, EdUNESP.

Rafael Huguenin [i] https://orcid.org/0000-0003-1877-5288 rafahuguenin@gmail.com

Rodrigo Pinto de Brito [ii] https://orcid.org/0000-0002-8898-0669 www.rodrigobrito@gmail.com

[i] Instituto Federal do Rio de Janeiro--Nilopolis--RJ--Brasil

[ii] Universidade Federal Rural do Rio de janeiro--Seropedica--RJ--Brasil

HUGUENIN, R.; BRITO, R. P. (2019). Sexto Empirico e as diferencas entre o Pirronismo e a filosofia dos Academicos: Traducao de Esbocos Pirronicos 1.220-235. Archai 27, e02711.
COPYRIGHT 2019 Universidade de Brasilia. Catedra UNESCO Archai: As Origens do Pensamento Ocidental
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Author:Huguenin, Rafael; de Brito, Rodrigo Pinto
Publication:Revista Archai: Revista de Estudos Sobre as Origens do Pensamento Ocidental
Date:Sep 1, 2019
Words:1906
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