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Serum and peritoneal protein profile of horses subjected to orchiectomy/ Proteinograma serico e do liquido peritoneal de equinos submetidos a orquiectomia.

INTRODUCAO

A orquiectomia, frequentemente realizada em equinos, visa a eliminar o comportamento de garanhao dos animais nao destinadosa reproducao, facilitando o manejo. Possui ainda indicacao em neoplasias e traumas testiculares, orquites, torcao do cordao espermatico, hidrocele, varicocele e hernias inguinais (MOLL et al., 1995).

Complicacoes advindas da orquiectomia podem ocorrer imediatamente, dias ou meses apos cirurgia e, apesar de existirem poucos estudos sobre a incidencia de complicacoes associadas a tecnica, sabe-se que o potencial existe, principalmente ao considerar as condicoes em que o procedimento e realizado e os componentes anatomicos e individuais envolvidos. Cavalos de racas excitaveis e que apresentem doencas concomitantes, cordao espermatico mais espesso, anel inguinal grande, historico de hernia escrotal, dermatites e/ou feridas na pele escrotal sao mais susceptiveis a desenvolverem complicacoes. Procedimento cirurgico realizado a campo, antissepsia duvidosa, falha no uso do emasculador ou na ligadura do cordao vascular espermatico, material de sutura e/ou de cirurgia improprios, uso da tecnica aberta, cicatrizacao por segunda intencao, inabilidade cirurgica, trauma tecidual excessivo e pos-operatorio inadequado, com presenca de moscas ou uso de duchas tambem sao fatores desencadeantes de complicacoes (MOLL et al., 1995; MAY & MOLL, 2002).

Hemorragia (DI FILIPPO et al., 2012), edema excessivo, peritonite, eventracao, hidrocele, hipertermia, claudicacao (MOLL et al., 1995), comportamento de garanhao persistente, trauma peniano iatrogenico, hematoma (MAY & MOLL, 2002), tetano, diarreia e morte ja foram descritas em equinos submetidos a orquiectomia. Porem as complicacoes mais frequentes consistem na inflamacao excessiva e na infeccao (JACOBSEN et al., 2005).

O monitoramento da resposta inflamatoria em equinos pode ser um desafio clinico, pois os sinais classicos da inflamacao nem sempre se manifestam clinicamente. Dessa forma, a busca porparametros indicativos da presenca deinflamacao nestes animais tem sido constante e intensa. Nas duas ultimas decadas, o interesse centrou-se sobre o potencial das proteinas de fase aguda (PFAs), como indicadores da presenca, grau e, naturalmente, do tempo de inflamacao, uma vez que estas proteinas sao liberadas em grandes quantidades para a corrente sanguinea em resposta a infeccao e lesao de tecidos. Componentes nao especificos do sistema imune, as PFAs estao envolvidas na restauracao da homeostase e no combate ao crescimento microbiano, antecedendo o desenvolvimento da imunidade adquiridafrente a um desafio (MURATA, 2004; JACOBSEN & ANDERSEN, 2007).

Nesse sentido, objetivou-se avaliar a resposta inflamatoria, atraves da determinacao dos valores de PFAs, no sangue e no liquido peritoneal de equinos submetidos a orquiectomia, a fim de diagnosticar e monitorar complicacoes posoperatorias.

MATERIAL E METODOS

Utilizaram-se 10 equinos higidos nao castrados, de diferentes racas, com media de idade de 4,2 [+ or -] 1,2 anos, escore corporal de tres a quatro e peso corporal medio de 298,7 [+ or -] 31,7kg. Para o procedimento cirurgico de orquiectomia, apos jejum hidrico e alimentar de seis e 12 horas, respectivamente, os animais receberam cloridrato de xilazina (a) a 10% na dose de 0,5mg [kg.sup.-1], pela via intravenosa (IV). Cinco minutos depois, procedeu-se a infusao IV rapida da solucao a 10% de eter gliceril [guaicol (b) e, apos decubito, administrou-se 2mg [kg.sup.-1], IV, de cetamina (c).

Para a anestesia local (intratesticular e subcutaneo), utilizou-se cloridrato de lidocaina (d) sem vasoconstritor (15-20ml em cada testiculo).

Apos higienizacao do escroto e regiao inguinal com agua e detergente neutro, seguiu-se a antissepsia com solucao de polivinilpirrolidona-iodo topica a 1% (PVPI 1%) e alcool iodado. Duas incisoes de aproximadamente 8-10cm de comprimento foram realizadas na pele escrotal, paralelas a rafe mediana e a aproximadamente 2cm desta, atingindo a fascia escrotal e as tunicas dartos e parietal para exposicao do testiculo. Apos exposicao, realizou-se a penetracao do mesorquio e, na sequencia, seccionou-se o ligamento da cauda do epididimo. Isso foi feito para liberar a tunica parietal e musculo cremaster e expor o cordao vascular espermatico e ducto deferente, que posteriormente foram ligados utilizando-se fio poligalactina 910 (e) com tranfixacao, ligadura e sobreligadura das estruturas deste.

No pos-operatorio, foi instituida terapia antimicrobiana com penicilina benzatina (f), na dose de 30.000UI [kg.sup.-1], via intramuscular (IM), a cada 48h, perfazendo tres aplicacoes. Como analgesico e anti-inflamatorio, administrou-se flunixin meglumine (g), na dose de 1,1mg [kg.sup.-1], IV, a cada 24h, durante tres dias. Foi realizado curativo da ferida cirurgica com PVPI a 1%, duas vezes ao dia e spray de sulfadiazina prata (h) ate a cicatrizacao da ferida.

Para colheita das amostras de sangue, mediante puncao da jugular, utilizaram-se agulhas 25x8, seringas plasticas descartaveis e frascos estereis sem anticoagulante (EDTA). O liquido peritoneal foi obtido atraves da paracentese abdominal com o auxilio de uma canula mamaria de 60mm de comprimento. Apos a colheita, as amostras de liquido peritoneal e as de sangue, foram centrifugadas a 2000rpm por cinco minutos e, apos sinerese e dosagem das proteinas totais, as aliquotas remanescentes foram acondicionadas em tubos do tipo eppendorf, identificadas e armazenadas a -20[degrees]C ate o momento da analise eletroforetica. As concentracoes de proteinas totais sericas e peritoneais foram obtidas pelo metodo do Biureto, com o auxilio de um conjunto de reagentes (i) e leituras espectrofotometricas (j)

Para o fracionamento eletroforetico das fracoes proteicas do soro e do liquido peritoneal, procedeu-se a eletroforese em gel de poliacrilamida, contendo dodecil sulfato de sodio (SDS-PAGE). Os pesos moleculares e as concentracoes das fracoes proteicas foram determinados por densitometria computadorizada (k). Para o calculo do peso molecular, foram utilizados marcadores (l) de pesos moleculares de 200, 116, 97, 66, 55, 45, 36, 29, 24 e 20kDa, alem das proteinas purificadas albumina, [alpha] 1-antitripsina, haptoglobina, ceruloplasmina, transferrina e imunoglobulina G (IgG). Para cada equino, as amostras de sangue e de liquido peritoneal foram colhidas antes do procedimento cirurgico (T0), 24, 48, 72, 96, 120 e 144 horas apos orquiectomia (T1-T6).

A analise estatistica dos dados foi estabelecida por meio do teste de Tukey, fixando-se a variancia em P<0,05 para comparacao das medias, atraves do programa estatistico SAS.

RESULTADOS E DISCUSSAO

Os resultados obtidos para os constituintes do proteinograma serico e peritoneal, com as respectivas medias, desvios-padrao e significancia estatistica estao expressos nas tabelas 1 e 2.

Houve aumento (P<0,05) na concentracao serica de haptoglobina e de [alpha]1- glicoproteina acida nos T4 e T5 (Tabela 1), que correspondem ao quarto e quinto dia pos-operatorio, respectivamente. No liquido peritoneal, verificou-se aumento nos valores de haptoglobina nos momentos T1 a T6 e de [alpha]1-glicoproteina acida nos T5 e T6. Acrescido a estes resultados, observou-se diminuicao (P<0,05) nos valores de transferrina (T1 a T6) e de albumina (T3 a T6) no liquido peritoneal dos animais ensaiados (Tabela 2). As alteracoes deveram-se ao trauma cirurgico, inerente ao procedimento de orquiectomia, visto que o pos-operatorio transcorreu sem complicacoes. Resultados semelhantes foram observados por POLLOCK et al. (2005), JACOBSEN et al. (2005) e por BUSK et al. (2010), no posoperatorio de equinos submetidos a orquiectomia. De acordo com BUSK et al. (2010), alteracoes nas concentracoes de proteinas de fase aguda apos procedimentos de orquiectomia sao esperadas, sao esperadas, visto que a tecnica acarreta, aos tecidos envolvidos, um trauma cirurgico muito severo. O conhecimento da resposta de fase aguda, frente a um pos-operatorio sem intercorrencias pode permitir o uso destes e de outros marcadores inflamatorios no diagnostico precoce de complicacoes. Ou seja, um desvio no padrao de normalidade pode indicar que complicacoes, tais como inflamacao excessiva e/ou infeccao, possam ter ocorrido. Frente a este contexto, ensaio realizado por JACOBSEN et al. (2005) revelou que somente os animais que desenvolveram processo inflamatorio exacerbado e/ou infeccao apos orquiectomia apresentaram niveis permanentemente elevados de amiloide A, principal marcador inflamatorio em equinos. Nos animais que nao apresentaram complicacoes posoperatorias, os valores retornaram a normalidade no oitavo dia apos orquiectomia. No ensaio em tela, as alteracoes sericas retornaram aos valores basais no decorrer dos seis dias de observacao. Entretanto, no liquido peritoneal, os momentos abrangidos foram insuficientes para a avaliacao da cinetica das PFAs mensuradas.

A resposta fisiologica ao trauma cirurgico e um evento complexo, envolvendo e promovendo a interacao entre numerosos mediadores inflamatorios, hormonais, metabolicos e imunologicos, cujo objetivo final e adaptar o organismo aos tecidos traumatizados e auxilia-lo no processo de cura (GIANNOUDIS, 2003). Alteracoes nas concentracoes de fibrinogenio, ferro e de amiloide A foram observados por JACOBSEN et al. (2009) no pos-operatorio de equinos submetidos a artroscopia, laringoplastia e ovariectomia. Equinos submetidos a laparotomia exploratoria tambem apresentaram resposta inflamatoria associada ao trauma cirurgico (SAQUETTI et al., 2008).

Marcadores inflamatorios, como as PFAs, refletem a intensidade do trauma cirurgico e podem ser utilizados na avaliacao de diferentes tipos de traumas e de tecnicas cirurgicas. Tecnicas cirurgicas menos invasivas, desencadeiam processo inflamatorio posoperatorio de menor intensidade quando comparada a tecnicas cirurgicas abertas, como a orquiectomia. Corroborando tal assertiva, 341mg [L.sup.-1] foi o valor maximo de amiloide A observado por JACOBSEN et al. (2009), no pos-operatorio de cindo equinos submetidos a laparotomia e ovariectomia. Neste mesmo estudo, animais submetidos a laringoplastia e ventriculectomia apresentaram valores maximos de 180mg [L.sup.-1]. Com relacao a orquiectomia, BUSK et al. (2010) demonstraram que esta tecnica acarreta um trauma cirurgico e, consequentemente, processo inflamatorio ainda mais intenso. Valores de amiloide A iguais a 625mg [dL.sup.-1] foram observados no 30 dia apos orquiectomia. Explicando, em parte, o fato de complicacoes serem tao frequentes apos orquiectomia. Entretanto, segundo JACOBSEN et al. (2009) alguns fatores devem ser avaliados, pois podem influenciar os valores de PFAs obtidos. O ferro, o fibrinogenio e a haptoglobina podem sofrer variacoes, de acordo com a idade do animal. Neste ensaio, os animais apresentavam idades similares (3-5 anos). Ou seja, extremos de idade nao foram incluidos.

O fator racial e o ritmo circadiano tambem poderiam interferir nos resultados. Entretanto, sabese que frente a um evento estressor, estes fatores nao alteram a concentracao de PFAs de maneira significativa. A acao antimicrobiana das penicilinas, o efeito anti-inflamatorio dos anestesicos locais acrescidos, das acoes do flunixin meglumine pode influenciar na intensidade da resposta inflamatoria (BUSK et al., 2010). No ensaio em tela, todos os animais foram submetidos ao mesmo protocolo farmacologico. Estudos que nao contemplem o uso de anti-inflamatorios e antibioticos no pos-operatorio de equinos submetidos a orquiectomia sao inexistentes, mesmo porque nao refletiriam a realidade e iriam contra os principios de etica e bem estar animal.

O uso da tecnica aberta e posterior cicatrizacao por segunda intencao, como a realizada neste ensaio, tambem pode ter contribuido para os achados, ja que o fechamento priomario apresenta, segundo MAY & MOLL (2002), resolucao mais rapida, menor chance de infeccao e edema reduzido. Frente a estas consideracoes, BUSK et al. (2010) afirmaram que o uso do emasculador deflagra uma reacao de fase aguda ainda mais intensa do que a tecnica cirurgica convencional (aberta e/ou fechada), sem o uso deste instrumental. Isso porque, com o emasculador, o cordao espermatico e esmagado e nao apenas incidido. Entretanto, ensaios que avaliem e/ou comparem a resposta de fase aguda frente a diferentes tecnicas de orquiectomia sao inexistentes. De acordo com JACOBSEN et al. (2009), a habilidade do cirurgiao, assim como sua experiencia profissional, poderia interferir nos resultados. Neste ensaio, todos os procedimentos de orquiectomia foram realizados pelo mesmo profissional experiente e os animais que, por diferentes motivos, necessitaram de maior manipulacao do campo operatorio e/ou apresentaram complicacoes transoperatorias e/ou pre-operatorias imediatas, foram excluido das analises.

Nao foram observadas alteracoes nas concentracoes sericas e peritoneais de ceruloplasmina (Cp), nos animais e tempos avaliados (Tabelas 1 e 2). Os resultados diferem dos obtidos por SAQUETTI et al. (2008) em equinos submetidos a obstrucao experimental do colon menor, para os quais os valores aumentados deveram-se ao reflexo da resposta inflamatoria decorrente dos procedimentos cirurgicos obstrutivos e da manipulacao visceral, instituidos na consecucao do modelo experimental. Acredita-se que tais diferencas residam no fato de que a concentracao das PFAs e diretamente proporcional ao grau de lesao tecidual. Assim, espera-se que animais submetidos a traumas cirurgicos mais invasivos, como o realizado por SAQUETTI et al. (2008), apresentem maior nivel proteico. O uso da Cp para o diagnostico de processos inflamatorios e infecciosos e menos comum do que outras PFAs. Entretanto, estudos demonstram que esta ferroxidase e eficaz para tal proposito em bovinos, aves e tambem equinos (MURATA et al., 2004). Por ser considerada uma PFA de fase intermediaria ou tardia, acredita-seque a ausencia de alteracoes verificadas neste ensaio deveu-se ao curto periodo de tempo avaliado. Corroborando tal assertiva, OKUMURA et al. (1991) observaram aumento nas concentracoes de Cp a partir do sexto dia apos orquiectomia. Valores maximos foram observados do setimo ao decimo quarto dia pos-operatorio e o retorno destes aos valores pre-operatorios, 28 dias apos os procedimentos.

Observou-se, de forma geral, diminuicao nos valores das PFAs negativas, albumina e transferrina, unicamente no liquido peritoneal dos animais ensaiados (Tabela 2). A reducao da transferrina frente a processos inflamatorios representa um mecanismo de defesa do organismo, considerando que essa proteina sequestra ions ferricos que podem servir como substrato para diversos microrganismos (MURATA et al., 2004). Resultados semelhantes foram observados por DI FILIPPO et al. (2011) em equinos com colica de ocorrencia natural e submetidos a laparotomia exploratoria. Entretanto, NOGUEIRA et al. (2013) observaram aumento nos teores de transferrina e de albumina no liquido peritoneal de equinos submetidos a obstrucao intestinal experimental. Tais achados residem no fato de que o comportamento de uma mesma PFA e variavel, frente a diferentes estimulos e que nem todas as PFAs sao igualmente sensiveis e rapidas quanto a sua resposta a um "fator desencadeante".

A ausencia de alteracoes nos niveis sericos de transferrina e a deteccao precoce desta e de outras variaveis no liquido peritoneal pode ter ocorrido devido a sintese extra-hepatica das proteinas de fase aguda e ao desenvolvimento de uma possivel peritonite subclinica (MOLL et al., 1995). Orgaos que se comunicam com o meio externo, tais como a glandula mamaria, o sistema respiratorio e o trato gastrintestinal sao reconhecidamente produtores de PFAs (JACOBSEN et al., 2009). Para NOGUEIRA et al. (2013), o fracionamento eletroforetico das proteinas contidas no liquido peritoneal foi mais sensivel no diagnostico de processos inflamatorios abdominais, quando comparado ao serico. As celulas peritoneais produzem diversos tipos de citocinas, incluindo as IL-6, e procedimentos cirurgicos, inflamatorios e/ ou infecciosos abdominais desencadeiam aumento substancial na concentracao destas citocinas no liquido peritoneal, o que, possivelmente, afeta a magnitude da resposta de fase aguda pos-operatoria (JACOBSEN et al., 2009).

Atraves do canal vaginal, a cavidade escrotal comunica-se diretamente com a cavidade abdominal e, por assim ser, uma peritonite secundaria a orquiectomia pode se desenvolver (MOLL et al., 1995) e contribuir para os valores de PAFs mensurados no pos-operatorio (BUSK et al., 2010). O desenvolvimento de um processo inflamatorio abdominal acrescido da producao local de PFA explicariam as diferencas observadas com relacao a intensidade e a precocidade das alteracoes verificadas neste ensaio, entre o proteinograma serico e o peritoneal. Uma vez produzidas na cavidade abdominal, proximas aos tecidos traumatizados, as PAFs seriam secundariamente direcionadas para a corrente sanguinea e so entao contribuiriam para a resposta de fase aguda serica (BUSK et al., 2010). Creditando tais afirmacoes, valores medios maximos de leucocitos iguais a 15.558 [micro]L foram obtidos no liquido peritoneal dos animais no pos-operatorio. A determinacao dos niveis locais das proteinas de fase aguda, por fornecer informacoes sobre o status inflamatorio/infeccioso de um orgao de particular interesse, aumenta a precisao na elaboracao do diagnostico. Ademais e a semelhanca do mencionado anteriormente para a Cp, a tranferrina e considerada uma proteina de fase aguda tardia. Valores sericos maximos sao verificados cerca de 10 dias apos estimulo, periodo este nao abrangido no estudo.

Houve aumento na concentracao de [alpha] 1-glicoproteina acida (AGP) no sangue (T4 e T5) e no liquido peritoneal (T5 e T6) dos animais avaliados. A AGP contribui para a manutencao da homeostase e e considerada um agente anti-inflamatorio natural, inibindo a ativacao de neutrofilos e estimulando a secrecao de antagonistas do receptor IL-1 pelos macrofagos (MURATA et al., 2004). Assim sendo, diante de um trauma cirurgico e o posterior desencadeamento de um processo inflamatorio, era de se esperar aumento nos valores de AGP. Resultados semelhantes foram verificados por DI FILIPPO et al. (2011) em equinos com colica. Entretanto, valores permanentemente aumentados foram observados unicamente nos animais que nao sobreviveram a doenca, permitindo a conclusao de que a AGP fornece informacoes sobre a gravidade do processo inflamatorio/infeccioso.

Verificou-se aumento na concentracao serica (T4 e T5) e peritoneal (T1 a T6) de haptoglobina (Hp). Resultados semelhantes foram obtidos por KENT & GOODALL (1991), os quais relataram a ocorrencia de dois picos de elevacao nos niveis s!ricos de Hp em equinos apos orquiectomia, no terceiro e quinto dia pos-operatorio. Avaliando-se os efeitos de diferentes procedimentos cirurgicos, inclusive orquiectomia, na resposta de fase aguda em equinos, POLLOCK et al. (2005) observaram que os niveis sericos de Hp aumentaram lentamente apos as cirurgias e assim permaneceram por ate 72 horas. A Hp tem sido utilizada no diagnostico e monitoramento de processos inflamatorios em equinos, no entanto, e segundo POLLOCK et al. (2005), suas concentracoes respondem de forma relativamente lenta a inflamacao e variam muito em animais higidos.

CONCLUSAO

A orquiectomia desencadeia reacao inflamatoria intensa, caracterizada por alteracoes nas concentracoes sericas e peritoneais das proteinas de fase aguda. As alteracoes nao se relacionam a ocorrencia de complicacoes pos-operatorias e devem-se ao trauma cirurgico.

O proteinograma do liquido peritoneal mostrou-se mais sensivel que o serico no diagnostico e monitoramento de processos inflamatorios em equinos apos orquiectomia. Amostras sequenciais permitem avaliar adequadamente aumentos e diminuicoes na atividade inflamatoria.

http://dx.doi.org/10.1590/0103-8478cr20131584

FONTES DE AQUISICAO

(a)--Sedomin[R] 10%, Laboratorios Konig do Brasil Ltda, Sao Paulo, SP, Brasil.

(b)--Eter Gliceril Guaiacol--Henrifarma--Sao Paulo, SP, Brasil.

(c)--Cetamin 10%--Syntec do Brasil Ltda.--Sao Paulo, SP, Brasil.

(d)--Lidovet 2%--Bravet Ltda.--Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

(e)--Vicryl no. 1--Johnson & Johnson--Sao Paulo, SP, Brasil.

(f)--Pentabiotico Veterinario Reforcado--Fort Dodge Saude Animal --Sao Paulo, SP, Brasil.

(g)--Niglumine--Hertape Calier S.A.--Minas Gerais, MG, Brasil.

(h)--Bactrovet Prata AM--Laboratorios Konig S.A.--Argentina.

(i)--Labtest (Sistema de Diagnosticos Ltda.--Lagoa Santa, Brasil).

(j)--Labquest (CELM, modelo E-225-D).

(k)--Fotodyne, (Fotodyne Inc, Houston, TX, USA).

(l)--Marcador (Sigma Marker 6.500-200.000).

COMITE DE ETICA E BIOSSEGURANCA

Comissao de Etica no Uso de Animais (CEUA) da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), conforme protocolo no. 137.

REFERENCIAS

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Paula Alessandra Di Filippo (I)* Fernando Ramalho Gomes (I) Laiza da Silva Mascarenhas (I) Adriana Jardim de Almeida (I) Ana Barbara Freitas Rodrigues (I)

(I) Centro de Ciencias e Tecnologias Agropecuarias (CCTA), Universidade Estadual do Norte Fluminense "Darcy Ribeiro" (UENF), Avenida Alberto Lamego, n 2000, 28013-602, Campos dos Goytacazes, RJ, Brasil. E-mail: pdf@uenf.br. * Autor para correspondencia.

Recebido 02.12.13 Aprovado 21.05.14 Devolvido pelo autor 30.08.14 CR-2013-1584.R2
Tabela 1--Medias e desvios-padrao dos teores sericos de proteina
total, transferrina, albumina, ceruloplasmina, haptoglobina e
[alpha] 1-glicoproteina acida de equinos higidos e submetidos a
orquiectomia.

Tempo (dias)

         T0                      T1                      T2

                  Proteinas Totais (g [dL.sup.-1])

 7,80 [+ or -] l,00b    8,30 [+ or -] 1,720a     8,88 [+ or -] 1,45a

                   Transferrina (g [dL.sup.-1])

 0,48 [+ or -] 0,14a     0,48 [+ or -] 0,12a     0,37 [+ or -] 0,09a

                     Albumina (g [dL.sup.-1])

 4,64 [+ or -] 0,88a     4,70 [+ or -] 0,73a     4,24 [+ or -] 0,91a

                 Ceruloplasmina (g [dL.sup.-1])

 0,03 [+ or -] 0,01a     0,03 [+ or -] 0,01a     0,02 [+ or -] 0,01a

                  Haptoglobina (g [dL.sup.-1])

 0,05 [+ or -] 0,05b     0,05 [+ or -] 0,03b     0,04 [+ or -] 0,02b

        [alpha] 1-glicoproteina acida (g [dL.sup.-1])

 0,01 [+ or -] 0,00b     0,01 [+ or -] 0,00b     0,03 [+ or -] 0,00b

         T3                      T4

     Proteinas Totais (g [dL.sup.-1])

 7,20 [+ or -] 1,57b    7,21 [+ or -] 1,77b

       Transferrina (g [dL.sup.-1])

 0,37 [+ or -] 0,13a    0,34 [+ or -] 0,06a

          Albumina (g [dL.sup.-1])

 3,91 [+ or -] 0,99a     3,72 [+ or -] 0,99a

     Ceruloplasmina (g [dL.sup.-1])

 0,03 [+ or -] 0,01a     0,03 [+ or -] 0,01a

      Haptoglobina (g [dL.sup.-1])

 0,05 [+ or -] 0,04b     0,09 [+ or -] 0,04a

      [alpha] 1-glicoproteina acida
            (g [dL.sup.-1])

 0,04 [+ or -] 0,01b     0,07 [+ or -] 0,03a

         T5                      T6

     Proteinas Totais (g [dL.sup.-1])

8,01 [+ or -] 1,82ab    7,85 [+ or -] 1,76ab

       Transferrina (g [dL.sup.-1])

 0,38 [+ or -] 0,09a    0,31 [+ or -] 0,14a

          Albumina (g [dL.sup.-1])

 3,51 [+ or -] 1,05a     3,46 [+ or -] 1,04a

     Ceruloplasmina (g [dL.sup.-1])

 0,03 [+ or -] 0,01a     0,03 [+ or -] 0,01a

      Haptoglobina (g [dL.sup.-1])

 0,07 [+ or -] 0,03a     0,05 [+ or -] 0,04b

      [alpha] 1-glicoproteina acida
            (g [dL.sup.-1])

 0,07 [+ or -] 0,01a     0,04 [+ or -] 0,02b

T0: pri-operatorio; T1-T6: dias de pos-operatorio.

Letras minusculas distintas indicam diferenca significativa entre
tempos pelo Teste Tukey (P<0,05).

Tabela 2--Medias e desvios-padrao dos teores de proteina total,
transferrina, albumina, ceruloplasmina, haptoglobina e [alpha]
1-glicoproteina acida no liquido peritoneal de equinos higidos e
submetidos a orquiectomia.

Tempo (dias)

         T0                      T1                      T2

                  Proteinas Totais (g [dL.sup.-1])

 1,71 [+ or -] 0,33b     2,68 [+ or -] 0,79a     2,70 [+ or -] 1,63a

                   Transferrina (g [dL.sup.-1])

 1,90 [+ or -] 1,30a     1,40 [+ or -] 1,30b     1,10 [+ or -] 1,00b

                     Albumina (g [dL.sup.-1])

 0,55 [+ or -] 0,33a     0,55 [+ or -] 0,30a     0,39 [+ or -] 0,30a

                 Ceruloplasmina (g [dL.sup.-1])

 0,10 [+ or -] 0,10a     0,20 [+ or -] 0,10a     0,20 [+ or -] 0,20a

                  Haptoglobina (g [dL.sup.-1])

 0,30 [+ or -] 0,30b     0,60 [+ or -] 0,04a     0,90 [+ or -] 0,20a

        [alpha] 1-glicoproteina acida (g [dL.sup.-1])

 0,10 [+ or -] 0,08b     0,20 [+ or -] 0,30b     0,20 [+ or -] 0,10b

         T3                      T4

     Proteinas Totais (g [dL.sup.-1])

 2,83 [+ or -] 0,29a     2,91 [+ or -] 0,27a

       Transferrina (g [dL.sup.-1])

 1,30 [+ or -] 1,10b     0,90 [+ or -] 1,00b

          Albumina (g [dL.sup.-1])

 0,26 [+ or -] 0,12b     0,32 [+ or -] 0,10b

     Ceruloplasmina (g [dL.sup.-1])

 0,30 [+ or -] 0,10a     0,30 [+ or -] 0,20a

      Haptoglobina (g [dL.sup.-1])

 1,30 [+ or -] 0,90a     2,20 [+ or -] 2,10a

      [alpha] 1-glicoproteina acida
            (g [dL.sup.-1])

 0,30 [+ or -] 0,30b     0,30 [+ or -] 0,20b

         T5                      T6

     Proteinas Totais (g [dL.sup.-1])

 2,73 [+ or -] 0,32a    2,43 [+ or -] 0,42ab

       Transferrina (g [dL.sup.-1])

 1,30 [+ or -] 1,20b     1,20 [+ or -] 1,10b

          Albumina (g [dL.sup.-1])

 0,35 [+ or -] 0,20b     0,16 [+ or -] 0,17b

     Ceruloplasmina (g [dL.sup.-1])

 0,20 [+ or -] 0,06a     0,20 [+ or -] 0,05a

      Haptoglobina (g [dL.sup.-1])

2,90 [+ or -] 1,00ba     4,40 [+ or -] 2,50a

      [alpha] 1-glicoproteina acida
            (g [dL.sup.-1])

 0,80 [+ or -] 0,60a     0,50 [+ or -] 0,50a

T0: pre-operatorio; T1-T6: dias de pos-operatorio.

Letras minusculas distintas indicam diferenca significativa entre
tempos pelo Teste Tukey (P<0,05).
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Author:Di Filippo, Paula Alessandra; Gomes, Fernando Ramalho; Mascarenhas, Laiza da Silva; de Almeida, Adri
Publication:Ciencia Rural
Date:Dec 1, 2014
Words:4474
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