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Sentidos insignificantes.

Insignificant meanings

1. DA DESREALIZACAO DO MUNDO

A etica, o direito, a historia sao coordenadores e depositarios de sentido que sustentam modelos de representacao do mundo e de interpretacao dos acontecimentos. Todavia, as relacoes com o mundo, com os outros, os modos de apreensao do espaco e dos objectos nao parecem concordar com tal enquadramento simbolico. O desvio entre os discursos que dao sentido ao mundo ou a existencia e a materialidade das coisas nao cessa de crescer.

Henri- Pierre Jeudy

Na perspectiva contemporanea, considerada por Jean-Francois Lyotard de pos-moderna, a subjectividade e vista como fragmentada, descentrada, contraditoria, como resultado de multiplas determinacoes. <<O si e pouco, mas ele nao esta isolado, ele esta inserido numa textura de relacoes mais complexa e mais movel que nunca. Ele esta sempre (...) situado em "nos" de circuitos de comunicacao, nem que sejam infimos. E preferivel dizer: situado em lugares pelos quais passam mensagens de natureza diversa>>. (1) Colocando-nos nesta perspectiva, nao existe a possibilidade de pressupor a existencia de um estado preconsciente, alienado, de um lado, e a existencia de um outro estado, consciente, lucido, com capacidade de penetracao unitaria e total de todos os aspectos do mundo e da vida social. A consciencia e sempre parcial, fragmentada e incompleta. Existe apenas um estado, se assim se pode dizer, permanentemente descentrado e contraditorio. Ou seja, sendo a subjectividade vista como o resultado de multiplas determinacoes, em geral contraditorias entre si e em permanente tensao mutua, nao existe o estado privilegiado de uma consciencia totalmente lucida ou se se quiser nao existe uma posicao de sujeito privilegiada. Se somos constituidos na nossa subjectividade pelas nossas diferentes posicoes de sujeito, nao existe nenhum ponto privilegiado, externo a essas posicoes de sujeito e totalmente imune as suas determinacoes. Como afirma Gilles Lipovetsky, <<Narciso ja nao esta imobilizado diante da sua imagem fixa, ja nem sequer ha imagem, nada para alem de uma busca interminavel de Si, um processo de destabilizacao ou flutuacao psi na esteira da flutuacao monetaria ou da opiniao publica: Narciso entrou em orbita>> (2). O nosso interesse neste ponto de vista reside no facto de que a causa desta desconstrucao nao e aqui perspectivada como resultado de um desequilibrio objectivo, nem tampouco como consequencia da accao de um sujeito que utilizaria em beneficio proprio as contradicoes existentes. O que gera esta equivocidade e antes um processo de subjectivacao, uma subjectividade multipla enquanto saber social e colectivo. Pela mesma ordem de razoes cre-se que realidade nao e univoca, a homonimia do real significa, precisamente, que a realidade se diz de muitas maneiras: ocultando-se, desvelando-se, abstraindo-se ... Ja nao e mais a realidade que funda o credivel. E o contrario. O credivel e o que engendra o real>> (3). O sentido da realidade nao se encontra nela propria. Constroi-se na argumentacao dialogica que a comunicacao intersubjectiva supoe atraves, precisamente, de uma linguagem historicamente situada e contextualizada. Consequentemente, a comunicacao e aqui entendida como a partilha dos sentidos na polissemia dos mundos que os sujeitos interlocutores, historica e socialmente situados, criam na sua relacao dialogica.

E e aqui que a expressao desrealizacao do mundo (4) se inscreve. E nao estamos a falar apenas da alienacao da realidade provocada pela sociedade do espectaculo, pela encenacao mediatica numa sociedade de consumo, como tao bem elucidou Jean Baudrillard. Para este autor, a interrogacao sobre o real, o simulacro, a copia, destaca o desaparecimento dos modos de percepcao de um real transformado em puro signo, flutuante, neutralizado, imagetico. "No processo generalizado de consumo, deixa de haver alma, sombra, duplo e imagem, no sentido especular. Ja nao existe contradicao do ser, nem problematica do ser e da aparencia. Da-se apenas a emissao e a recepcao de signos, abolindo-se o ser individual no interior desta combinatoria e deste calculo de signos (...)" (5). Multiplas inteligibilidades, consoante os modos de ser e de saber e uma pragmatica que, ocupando-se da relacao dos signos com os seus utilizadores, faz do contexto o campo onde se enraizam as condicoes de sentido.

Mas Henry Pierre-Judy vai ainda mais longe na sua reflexao:
   (...) a actual sociedade nao e, por conseguinte, transbordante de
   sentido porque da em espectaculo a realidade, mas porque se situa
   alem da espectacularizacao, porque neutraliza a oposicao entre a
   realidade e os seus simulacros mediaticos. E por isso que a critica
   da sociedade do espectaculo, a partir do desfasamento em relacao a
   uma suposta realidade exterior que lhe servisse de referente, se
   tornou obsoleta e ingenua, visto ter passado a estar integrada no
   proprio sistema mediatico e a servir de alimento ao proprio
   funcionamento das redes da informacao (6).


O processo de desrealizacao do mundo encerra uma outra dinamica: os discursos e as imagens, sobretudo mediaticos, perderam qualquer ancoragem numa realidade pre-existente. Os acontecimentos ja nao tem necessariamente que preceder a informacao mas converteram-se em pretextos para as mais diversas performances mediaticas. Como afirma Adriano Tavares Rodrigues, estes sao ja meta-acontecimentos e nao somente pseudo-acontecimentos pois eles possuem uma forca constitutiva da realidade que encerram. <<E a informacao que constitui agora o referente dos efeitos de sentido que os media produzem e fazem circular, incessantemente e em todos os sentidos, ao longo das redes telematicas>> (7).

O sentido nao se confunde, portanto, nem com a significacao daquilo que dizemos ou mostramos nem com a realidade a que nos referimos quando falamos. Encontra-se, simultaneamente, dentro e fora dos enunciados. Esta, ao mesmo tempo, todo em cada uma das formas expressivas e todo na totalidade do discurso. Desapareceram, assim, a mensagem, o sujeito emissor, o sujeito receptor. E suprimida a realidade do sujeito, a realidade do mundo, e fraccionada a realidade interactiva dos individuos. Para Lucien Sfez estamos em pleno no ambito do tautismo:
   A comunicacao nao e mais do que a repeticao imperturbavel da mesma
   (tautologia) no silencio de um sujeito morto, ou surdo-mudo,
   fechado na sua fortaleza interior (autismo), captado por um grande
   Todo que engloba e se dissolve ate ao menor desses atomos
   paradoxais. Essa totalidade sem hierarquia, esse autismo
   tautologico, designo-os eu por tautismo, neologismo que condensa
   totalidade, autismo e tautologia. A comunicacao faz-se assim de si
   para si mesma, mas de um "si" diluido num todo. Essa comunicacao e,
   pois, a de um nao-em-si para um nao-em-si mesmo (8).


No tautismo encara-se a realidade representada por uma realidade expressa (9). Toma-se o representado pelo representante. Esta confusao generalizada, segundo o mesmo autor, devemo-la a um nonsense inicial que se manifesta quando se procura representar o real para o exprimir ou exprimi-lo para o representar. Quando se julga que o que nos e dado ver pela representacao e a expressao da realidade do mundo sensivel, ou ainda quando se interpreta a realidade sensivel e imediata como uma encenacao, uma realizacao. O real nao e ja senao aquilo que se inventou sob esse nome e assim se exprime. No universo descrito por este autor nao existe verdadeiro nem falso. O proprio social e um gigantesco paradoxo. Com efeito, quando tudo e socializado, o social desagrega-se, desaparece. Um imenso todo que nos engloba e em que somos diluidos.
   Aplicado a comunicacao, esse sistema conduz a confusao total do
   emissor e do receptor. Num universo em que tudo comunica, sem que
   se saiba a origem da emissao, sem que se possa determinar quem
   fala, o mundo tecnico ou nos mesmo nesse universo sem hierarquias,
   senao mesmo confundidas, em que a base e o cume, a comunicacao
   morre por excesso de comunicacao e mergulha numa interminavel
   agonia em espirais (10).


Retomando a interpretacao de Adriano Tavares Rodrigues, afirmamos a necessidade de distincao entre o sentido tanto da significacao dos discursos e das imagens como da realidade a que se referem.
   A significacao estabelece a relacao semantica entre, por um lado,
   as materialidades expressivas que integram os discursos e, por
   outro lado, as ideias ou conceitos a que estao associados, ao passo
   que o sentido e de natureza pragmatica; tem a ver com as razoes que
   levam os interlocutores a inserir os seus discursos num determinado
   processo enunciativo e a encadear os enunciados uns nuns outros. Um
   enunciado pode ter uma significacao perfeitamente clara e, no
   entanto, a sua enunciacao nao ter qualquer sentido (11).


Henri-Pierre Jeudy tem pois razao em insistir varias vezes na natureza ambigua do sentido, uma vez que a sua presenca e sempre, ao mesmo tempo, excessiva e insuficiente.

2. SUJEITO E COMUNICACAO

Gostariamos ainda de apresentar, ainda que sinteticamente, a reflexao que L. Sfez faz na sua obra Critica da Comunicacao a proposito dos diferentes modos de perspectivar os processos de comunicacao, uma vez que ai se encontram conjugados, de forma diferenciada, sujeito e realidade, aduzindo a desrealizacao do mundo. Este autor fala-nos de tres atitudes que, simultaneamente, representam (e expressam) tres momentos diferentes, a partir da emergencia da Modernidade, da cultura ocidental.

A primeira atitude, a mais classica, e designada por Sfez como Representar ou a Maquina. Nesta atitude pressupoe-se a existencia do sujeito e apela-se para o discurso da razao. O homem continua a ser fundamentalmente livre perante a tecnica: Sabe usa-la e nao se subordina a ela. A proposicao com domina-o. E "com" a tecnica que o homem cumpre as tarefas que ele determina Trata-se da metafora da "maquina de comunicar" com o mundo: a maquina e exterior ao homem e ele usa-a para dominar as forcas da Natureza. A maquina e, pois, um simples utensilio para que o homem cumpra a sua accao mais facilmente. Existiria aqui uma coincidencia total das teorias classicas da representacao e da comunicacao. Ambas repousam sobre uma triparticao. A comunicacao, com efeito, faz a distincao entre emissor-receptor e introduz entre eles um canal. A representacao apela a um mundo objectivo e a um representado, ligados por um mediador, voltado de um lado para o mundo objectivo e do outro para o signo que garante. Entende-se aqui a realidade como objectiva e universal, exterior ao sujeito que a representa.

Na segunda atitude--Exprimir, ou o organismo - os objectos tecnicos sao o nosso meio "natural" porque estamos subordinados a visao do mundo que eles induzem. Nesta organizacao em que somos parte de um todo, o que conta e determinar as mudancas possiveis e analisar o papel dos elementos que formam esse todo que se chama Universo. Acaso e necessidade: as regras nao sao estabelecidas uma vez por todas, subsistem bolsas aleatorias e a identidade de um sujeito esta pontualmente por definir. A preposicao em domina-o. A ideia de dominio apaga-se para dar lugar a de adaptacao.

Aqui o homem insere-se num outro modelo, o do organismo, que faz parte de uma relacao interna das partes e do todo. A metafora do organismo comanda os desenvolvimentos de uma ecologia universalizante e encontraremos o traco disso nas muitas teorias da comunicacao. O artefacto nao e, pois, o utensilio, mas o proprio meio, ao mesmo tempo politico, social, e economico, biologico, tal como o ideologico, no seio do qual o homem se completa a si mesmo, sem poder ultrapassar os limites nem recusar a presenca. O com nao foi exactamente expulso, porque nos vivemos com e num mundo pleno de maquinas e isso e para nos uma especie de natureza.

Aqui a comunicacao e vista como a insercao de um sujeito complexo num envolvimento em si mesmo complexo. O sujeito faz parte do meio e o meio faz parte do sujeito. Causalidade circular. Ideia paradoxal de que a parte esta no todo que e parte da parte. O sujeito permanece, mas integrou-se no mundo e a sua realidade ja nao e objectiva. Ela existe ... em mim. Eu existo ... nela. Nao ha, pois, necessidade da representacao e dos seus limites.

Estas duas posicoes parecem-se opor-se, mas para este autor a sua oposicao e apenas conceptual, porque, na ciencia e na politica tradicionais da comunicacao, elas completam-se, corrigem-se, harmonizamse. De um lado, uma representacao que multiplica os signos e os signos de signos para tentar abranger o real concreto dos individuos e dos grupos; uma representacao que rege os sujeitos representados, com as suas divisoes territoriais e sociais, mas apodera-se ela mesma, entretanto, de uma mecanica de separacao, de uma desrealizacao total. Os signos tendem a substituir-se as coisas que representam e formam assim uma entidade abstracta que vale por si propria. E isso em cada nivel de representacao.

Do outro lado, uma visao expressiva da comunicacao que preenche essas divisoes, apresentando uma ligacao de outro tipo: uma ligacao simbolica. Convocando cultura, tradicoes, memorias do passado sob a forma de imagens "significativas", e para a interpretacao que ela se inclina. Estas imagens, com efeito, sao ambiguas, polissemicas e, quanto mais o sao, mais a identificacao dos individuos e dos grupos com elas sera possivel.

Por fim, L. Sfez fala de uma terceira atitude que, segundo este autor, seria a mais actual e marcante na sociedade ocidental contemporanea - Confundir, ou Frankenstein: o tautismo

Frankenstein seria a metafora mais justa e o "tautismo" o seu conceito. Metafora e conceito que, conjuntamente, tecem esta terceira atitude: a verificacao tecnologica domina o homem, rege a sua visao do mundo. O sujeito nao existe senao para o objecto tecnico que lhe aponta os seus limites e determina as suas qualidades. E aqui e a preposicao por que o domina. Pela tecnica, o homem pode existir, mas nao para la do espelho que ela lhe mostra. O artefacto aqui ja nao e o utensilio ou o meio, mas um efeito, um efeito que se aceita como causa. A maquina criada pelo homem torna-se no seu proprio criador. Uma especie de adequacao entre o sujeito humano e o objecto tecnico que faz do primeiro um desdobramento do segundo. Assim, sujeito e objecto, produtor e produto, aparecem confundidos. Esta ultima figura, cujo esboco tem ainda, como o proprio autor admite, qualquer coisa de ficcao cientifica, desenvolve-se gradualmente com uma grande carga simbolica.
   Aplicado a comunicacao, esse sistema conduz a confusao total do
   emissor e do receptor. Num universo em que tudo comunica, sem que
   se saiba a origem da emissao, sem que se possa determinar quem
   fala, o mundo tecnico ou nos mesmos nesse universo sem hierarquias,
   senao mesmo confundidas, em que a base e o cume, a comunicacao
   morre por excesso de comunicacao e mergulha numa interminavel
   agonia em espirais. E a isso que eu chamo de "tautismo", neologismo
   contraido de autismo e tautologia, evocando sempre a totalidade e o
   totalitarismo (12).


Notavel diferenca de ponto de vista. Formulacao nova da nossa relacao com o mundo. Se a "comunicacao" e o termo que designa essa relacao, e bem verdade que devemos entao mudar os termos, as definicoes, os conceitos que a todo o momento apoiavam a analise.

Estariamos, pois, na sociedade Frankenstein, essencialmente caracterizada por uma infinita circularidade. Julga-se estar na expressao imediata, espontanea onde reina e domina a representacao. O produtor e produto e produtor ao mesmo tempo, nao existe comeco nem fim. Quando se julga que o que nos e dado ver pela representacao e a expressao propria da realidade do mundo sensivel, ou ainda quando se interpreta a realidade sensivel e imediata, como uma encenacao, uma realizacao. Suprimidas a realidade do sujeito, a realidade do mundo, estilhacando a realidade interactiva dos individuos.

No tautismo encara-se a realidade representada por uma realidade expressa. O real nao e ja senao aquilo que se inventou sob esse nome e assim o exprime. Toma-se o representado pelo representante. Tomam-se as realidades de segundo grau formadas pelos emissores ou as realidades de terceiro grau formadas pelos receptores por uma unica e mesma realidade, de primeiro grau, que se confunde com os dados em bruto. Como se houvesse dados em bruto, como se a cadeia de intermediarios, que dai extrairam a informacao, produto do seu quadro, a sua encenacao ate ao receptor, fosse bruscamente suprimida.

As praticas "mediaticas", pelas quais, tal como somos, nos informamos dos acontecimentos do mundo em que estamos mergulhados, nao escapam a esse modelo de representar e do exprimir que, sobrepondo-se, confia a confusao do emissor e do receptor sem que possamos encontrar ja qualquer fonte no real, fora do circuito fechado das mensagens que se relacionam umas com as outras em espirais discursivas. As estruturas nao estao nos sujeitos nem na sociedade, mas resultam dos contextos particulares em que se desenvolvem as interaccoes tomadas num "fluxo comunicacional".

Esta perspectiva, pela sua radicalidade, e, no nosso entender, de dificil aceitacao. Reconhecemos pertinencia na sua analise, a qual nos estimula conceptualmente, mas temos dificuldade em nos identificarmos com a mesma. Claro que para o autor a nossa dificuldade em aceitar que nao existe nenhuma ruptura entre individuo e sociedade, dado que o individuo e um sistema de relacoes, deriva directamente da matriz filosofica moderna que limita a nossa compreensao e restringe a nossa expressao.

Aceitamos nao so que toda a descricao da realidade e selectiva, mas tambem que toda a descricao da realidade e construcao, contrastada, comparada, descritiva e, em ultima analise, fundamentada intersubjectivamente. Mas esta perspectiva continuara a desafiar-nos na procura humana de dotar de sentido(s) multiplos e plurais a sua existencia. Certo, o objecto desmaterializa-se, perde a sua potencia simbolica e a imagem acaba frequentemente por substitui-lo. Vimos como as tecnologias da informacao dispensam ate o simbolismo do objecto, sobrepondo a imagem ao objecto. Certo, o real nao tem o seu duplo na imagem, ele e a propria imagem, e a pressao entre imagem e acontecimento alimenta o ritmo de uma desrealizacao constante mas se o principio do sentido e a indefinicao e reside nessa vaga de desconhecimento como garante de uma abertura indefinida de sentido, entao nao se exige menos do individuo que faca um esforco pela ciencia, num desdobramento de sentidos, construindo o real como forma de evitar a indiferenca ou o niilismo cinico.
   Os discursos sobre o "vazio", sobre o "efemero", sobre a
   "desrealizacao do mundo", acabam por produzir uma negacao
   estereotipada das angustias, das coleras, das emocoes, das
   tentativas de violencia critica ...- como se o individuo nao tivesse
   senao que assistir a sua propria desrealizacao. Pouco importa se e
   mera ilusao ou ficcao. Cada um sabe que a ilusao permanece
   fundamental, existencial e que, neste sentido, perde praticamente o
   seu estatuto de ilusao tornando a emocao sempre possivel (13).


Maria JOAO COUTO

Universidade do Porto, Portugal

Recibido: 25-05-2015 * Aceptado: 27-07-2015

(1) LYOTARD. JF (1989). A Condicao Pos-Moderna, Trad., Gradiva, Lisboa, p. 41.

(2) LIPOVETSKY, G 1989). A Era do Vazio, Trad., Relogio D'Agua, Lisboa, p. 53.

(3) PETIT, SL (2015). Critica de las subjetividades latentes. Obtido a 27.01.2015 de http://sindominio.net/ofic2004/historias/autonomia/latentes. html p. 23.

(4) Expressao de Henry-Pierre Jeudy que serve de titulo ao terceiro capitulo da obra. Cfr JEUDY H-P (1995). A Sociedade Transbordante. Trad., Edicoes Seculo XXI, Lisboa.

(5) BAUDRILLARD, J (1981). A Sociedade de Consumo, Trad., Edicoes 70, Lisboa, p. 239.

(6) TAVARES RODRIGUEZ, A (1981). "Prefacio", in: JEUDY, H-P (1995). Op. cit., p.11.

(7) Ibid., p. 9

(8) SFEZ, L (1994). Critica da Comunicacao. Trad., Publicacoes Instituto Piaget, Lisboa, p. 76.

(9) SFEZ define assim esta nocao: <<Tautismo: neologismo formado por contraccao de "tautologia" (o "eu repito, portanto provo" tao proclamado nos "media") e "autismo" (o sistema de comunicacao torna-se surdo-mudo, isolado dos outros, quase autista), neologismo que evoca uma visao totalizante, quase totalitaria>>, ibid., p. 76.

(10) Ibidem.

(11) TAVARES RODRIGUEZ, A (1981). Op. cit., p.13.

(12) SFEZ, L (1994). Op. cit., p. 76.

(13) JEUDY H-P (1995). Op. cit, p, 100.
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Title Annotation:texto en portugues
Author:Joao Couto, Maria
Publication:Utopia y Praxis Latinoamericana
Article Type:Ensayo
Date:Jul 1, 2015
Words:3608
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