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Self-awareness, mental imagery and cognitive mediation/Autoconsciencia, imagens mentais e mediacao cognitiva.

E unanimidade entre os teoricos do Self e da Autoconsciencia delimitar o inicio do estudo moderno desses topicos aos primeiros anos da decada de 70 do seculo XX com a publicacao das pesquisas de Duval e Wicklund (1972) que suportaram a formulacao da Teoria da Autoconsciencia Objetiva (OSA Theory, ver Buss, 2001; Fenigstein, Scheier, & Buss, 1975; Morin, 1992, 1995, 1998, 2004; Morin, Everett, Turcotte, & Tardif, 1993).

Durante quase todo o seculo XX nao houve consideravel exame desta questao, devendo a psicologia aos seus sub-campos clinico-psicoterapico e aplicados, o pouco que se sabia sobre este sistema cognitivo, conforme historia Buss (2001). Deve-se aos trabalhos experimentais de Duval e Wicklund (1972) o lancamento da pedra fundamental do campo de investigacao cientifica da autoconsciencia em tempos modernos, recuperando a pergunta pela qualidade autoreflexiva da consciencia de seu ostracismo pela leva behaviorista e de seu carater nao tematizado sistematicamente oriundo das correntes psicodinamicas e humanistas da psicoterapia psicologica (ver Silvia & Duval, 2001).

Ao conceituarem autoconsciencia como processo auto-avaliativo, Duval e Wicklund (1972) descrevem sua dinamica organizativa quando o self de forma automatica compara autoconteudos atuais no fluxo da consciencia com padroes internalizados de correcao (o que e certo/ errado, etico/anti-etico, belo/feio, valoroso/sem valor, etc.), devendo-se a extensao do intervalo entre as duas instancias (o self real e o self ideal) determinar o tipo de experiencia emocional resultante, se afeto prazeroso ou ansiedade, cujo conteudo e intensidade determinarao a direcionalidade futura dos focos atencionais--se o individuo se mantera em estados autoconscientes ou se tentara tenazmente desviar o foco do self para objetos nao-self (Duval &Wicklund, 1972). Em continuidade a este programa de pesquisa, logo em seguida Fenigstein et al. (1975) com base em estudo de corte fatorial tracaram a distincao ainda em voga e com importantes consequencias na pesquisa empirica entre autoconsciencia em sua dimensao estado (self-awareness) e em sua dimensao traco (self-consciouness), onde a primeira refere-se aos estados transitorios de atencao autofocalizada sob controle de estimulacao ambiental, de que resulta a experiencia pontual de se estar consciente de si, e na ultima um traco estavel da personalidade, relativamente independente de estimulos autofocalizadores, embora resultante da historia individual de operacionalizacao do autofoco, seu sedimento desenvolvimental. Ao primeiro caso da-se o nome de autoconsciencia situacional--foco deste estudo, e ao segundo autoconsciencia disposicional (Govern & Marsch, 2001).

As formulacoes iniciais da teoria OSA tem se mantido ainda em validade e com robusto corpo de confirmacao experimental (ver Duval, Silvia, & Lalwani, 2001; Govern & Marsch, 2001; Morin, 1995; Silvia & Duval, 2001; Silvia & O'Brien, 2004), embora permanecam certos pontos de desconhecimento no paradigma em foco, como a questao da natureza da autoconsciencia e sua estrutura (se uni ou multidimensional), a da mediacao cognitiva desse processo, e as suas relacoes com os demais sistemas cognitivos (Nascimento, 2008), principalmente em relacao a consciencia, uma vez que se considere a autoconsciencia como sendo uma "consciencia de alta ordem" (ver Morin, 2002). O enlacamento organico deste sistema cognitivo com os demais sistemas da cognicao levanta a questao ainda atual formulada por Gibbons (1990) sobre o que acontece cognitivamente quando alguem esta autoconsciente, pergunta reformulada em Morin (1998, 2004) como sendo da ordem da mediacao cognitiva, ou de quais processos cognitivos suportam estados autoconscientes, pergunta a qual tem levado o referido autor a sucessivos exames meta-teoricos desde a formulacao inicial a partir de sua tese de doutorado (ver Morin, 1992), ate os trabalhos mais recentes (ver Morin, 1995, 1998, 2002) e a aparicao publica de seu modelo teorico de autoconsciencia que tem na mediacao cognitiva, e na mediacao cognitiva por autofala em especial, seu eixo central de construcao (Morin, 2004).

Para o referido autor, autoconsciencia e instanciada a partir de processos cognitivos autorepresentacionais, os quais se utilizam de distintos sistemas de representacoes para gerar pensamentos de alta ordem, gerando uma redundancia de informacao dentro do self e re-apresentacao (traducao) de auto-aspectos especificos, os quais podem assim ser observados, avaliados comparativamente com padroes internalizados, gerando respostas especificas que aumentarao ou nao a probabilidade de manutencao do autofoco levando-se em conta a distancia percebida entre estados atuais do sistema do self e suas representacoes ideais, permitindo a expansao de mecanismos de disparo da autoconsciencia oriundos do processo social. Assim, autofala reproduz mecanismos sociais geradores de autoconsciencia replicando internamente ao self a tomada de perspectiva e avaliacoes refletidas, os quais ao possibilitarem a re-apresentacao continuada de experiencias self-relacionadas propiciam autoconsciencia fora de interacao social na ausencia distendida temporal e espacial de outros selves, funcionando como um mecanismo basico de construcao do autoconceito (Morin, 1995).

A hipotese da mediacao cognitiva por autofala de Morin descrita suscintamente acima tem estado na base de varios testes empiricos da teoria desde suas formulacoes iniciais, como no estudo experimental com base no paradigma metodologico da fala privada onde 32 criancas com idade media de 6,6 anos foram submetidas a condicao com espelho (experimental) e sem espelho (controle) a fim de se atestar a relacao entre estados autoconscientes e a fala privada como indice externo da fala interna (Morin & Everett, 1991); tambem no estudo com 85 estudantes universitarios canadenses para verificacao da relacao entre quantidade de autofala e niveis de complexidade do autoconceito (Morin, 1995), e no estudo com uma amostra canadense de 438 individuos onde se investigou a relacao entre quantidade de exposicao previa a estimulos autofocalizadores e os niveis de autoconsciencia privada e publica (Morin, 1997), entre outros que tem alicercado a hipotese da mediacao cognitiva de autoconsciencia por autofala.

Em Morin (1998) a hipotese da mediacao cognitiva e alargada e formalizada de modo a contemplar outro processo autorepresentacional com base nas imagens mentais, onde a analise de suas propriedades codificadoras as revela enquanto tendo um poder efetivo de instanciar estados autoconscientes, tanto quanto a autofala o faz. Imagens mentais reproduzem mecanismos sociais geradores de autoconsciencia, como a tomada de perspectiva onde o individuo se ve como provavelmente e visto pelos outros, as audiencias onde inferencias sobre o sefpodem ser extraidas pela visualizacao no plano mental das respostas dos outros ao funcionamento geral do individuo, alem do que as mesmas permitem ao self de visualizacao de aspectos da corporeidade fora dos processos perceptivos imediatos. Apesar do trabalho de burilamento teorico-conceitual posterior que culminou na formalizacao de seu modelo de autoconsciencia, Morin (2004) assegura nao ter havido ainda o teste empirico desta parte do modelo consoante as mediacoes iconicas, mesmo havendo robusta evidencia indireta de sua efetividade, como nas experiencias autoscopicas as quais, conforme pontua Kitamura (1985), em distinguindo radicalmente experiencias visuais de tipo perceptivo e as geradas por imagens mentais, descreve estados autoconscientes pela experienciacao do selffisico em modo puramente cognitivo, em meio espacial interno.

Alem das indicadas por Morin, na pesquisa sobre Fenomenos Autoscopicos mais evidencias podem ser encontradas. Mohr e Blanke (2005) sistematizam as evidencias empiricas para fenomenos autoscopicos em tres tipos principais de ocorrencias, (a) as chamadas Experiencias-Fora-do-Corpo quando pessoas experienciam seu sefou centro de consciencia fora do corpo fisico e situado num plano elevado, podendo haver em alguns casos visualizacao do corpo fisico num plano mais abaixo, (b) alucinacoes autoscopicas quando individuos visualizam um segundo corpo proprio num plano extra-corporal, porem, com o centro da consciencia permanecendo no corpo original, e (c) heautoscopy, uma forma hibrida em que o individuo visualiza seu duplo num plano extra-corporal, mas sem poder decidir se seu self esta no corpo fisico ou no corpo do duplo, ou ainda quando tem experiencias alternadas das perspectivas visuais, ora no corpo original ora no corpo do duplo. Nas tres situacoes, o individuo visualiza um segundo corpo proprio com variados graus de separacao self-corpo, numa dinamica psicologica totalmente construida na intersecao de estados autoconscientes e imageria cognitiva (imagens mentais).

Se os recortes teoricos apresentados oferecem uma perspectiva local para a mediacao cognitiva por imagens mentais (estudos de autoconsciencia e de fenomenos autoscopicos), levar a questao a uma teoria de cognicao geral fornece bases bastante solidas para fundamentacao da hipotese. A Teoria do Codigo Dual de Allan Paivio (1986, 2006, 2007) fornece um instrumental conceitual que suporta a hipotese da mediacao cognitiva de autoconsciencia por imagens mentais, ao propor para todo e qualquer possivel objeto de captura cognitiva uma inscricao nos dois sub-sistemas de base da cognicao, o verbal e o imagetico, com conexoes fechadas ligando a dupla inscricao. Sendo o sefum objeto para si tanto quanto para os outros (Blumer, 1969/1998; Mead, 1934/1972), sua construcao necessariamente e de tipo trans-modal, onde concorrem abundantes materiais nao-verbais dos primordios do desenvolvimento cognitivo anteriores a aquisicao da linguagem, ao lado de material semiotico de tipo verbal disponibilizado no fluxo da interacao social; o autoconceito resultante sera conformado numa rede de self-schemata visuais e verbais, em niveis de crescente complexidade cognitiva ao longo do desenvolvimento ontogenetico (ver Paivio, 2006).

Aqui cabem hipoteses especificas sobre um possivel papel mediador das imagens mentais na instanciacao de autoconsciencia, a qual devera ter uma historia de desenvolvimento cheia de vicissitudes, a depender dos tipos de contexto em que a mesma gradualmente emerge, se ambientes ricos ou pobres de estimulos autofocalizadores (Morin, 1995, 1998), com consequencias drasticas em contextos ambientais onde imagens do self nao estao disponiveis em fartura como desertos, por exemplo, ou prescricoes culturais que vetam a contemplacao do self fisico em superficies espelhadas (Morin, 1998), hipoteses consoantes com a expectativa teorica de Paivio (2006, 2007) para uma historia contextualmente situada de desenvolvimento do duplo sistema de codificacao a partir da percepcao visual inicial de objetos, pessoas, eventos e relacoes. Seguindo-se de perto os insights deste autor, o desenvolvimento das inumeras operacoes de visualizacao descritas na literatura experimental de imagens mentais deve ter uma conexao fechada com os ambientes fisicos em especial, mas tambem os de toda a visualidade social na historia desenvolvimental dos individuos, onde sua emergencia e fortalecimento ao longo da ontogenia revelara linhas desenvolvimentais graficamente singulares, com marcantes diferencas individuais na operacionalizacao de tais habilidades de visualizacao, hipotese que ja possui marcantes evidencias comprobatorias recentes (ver Prieto, 2008; para apoio na literatura menos recente ver Shepard & Cooper, 1986).

A pesquisa das operacoes de processamento e manipulacao de imagens mentais visuais revelou a existencia de varias rotinas cognitivas especializadas como Gerar, Inspecionar, Encontrar, Zoom, Rotar, Transformar, Controle Cinetico, Panoramizar e Vivacidade/Vividez, sendo a nomeacao destas de carater auto-explicativo, onde "gerar"" implica em criar voluntariamente imagens e cenas fixas ou cineticas (com movimento), "inspecionar" ou esquadrinhar indica a capacidade cognitiva de observar as relacoes espaciais internas a uma imagem ou cena, "encontrar" o poder de localizar um aspecto especifico de uma imagem ou cena ou localizar um objeto especifico em meio a um conjunto de imagens mentais no meio espacial interno, "zoom" a capacidade de aproximacao com fins de visualizacao da imagem ou cena, "rotaf a capacidade de girar mentalmente objetos no meio espacial interno, "transformar" o modificar voluntariamente imagens e cenas, alterando-as e combinando-as de formas diversas e "panoramizar" a operacao de manipulacao que permite tracar um panorama de uma imagem mental, afastando a mesma para visualiza-la de forma ampla, sendo a "vividez" referente a qualidade da visualizacao dessa visualidade cognitiva no plano espacial interno (ver Eysenck & Keane, 1994; Finke, 1989; Paivio, 1986, 2007; Prieto, 2008; Pylyshyn, 2002; Shepard & Cooper, 1986).

A possibilidade de se ter acesso eficiente a estas operacoes de visualizacao deve ter consequencias no desenvolvimento da autoconsciencia situacional e disposicional, pois ter habilidades robustas de visualizacao cognitiva coloca-se como uma possibilidade a mais alem da autofala para se instanciar reflexividade dentro do self e assim se permitir a analise de auto-aspectos em todos os dominios da estrutura do self e do autoconceito (Morin, 2004). Da mesma maneira, individuos com precarias habilidades de visualizacao de imagens mentais devem ter niveis menos pronunciados de autoconsciencia situacional e autoconceitos menos elaborados (Morin, 1995, 1998, 2004).

A partir da base teorica descrita o estudo investigou a hipotese de mediacao cognitiva de autoconsciencia atraves das imagens mentais e as relacoes da mediacao iconica com as habilidades de visualizacao dos individuos investigados bem como a estrutura relacional dos fatores de autoconsciencia situacional, com a expectativa teoricamente baseada de ser tal mediacao possivel, de ela ter uma relacao com o nivel de desenvolvimento das habilidades imaginativas e de haver um elo funcional e desenvolvimental entre a interface de valencias positiva e negativa (reflexao-ruminacao) do autofoco com as imagens mentais. Tambem consistiu de um exame das qualidades psicometricas dos instrumentos construidos para teste das hipoteses da pesquisa, a saber, o Teste de Habilidades de Visualizacao de Imagens Mentais (THV), com suas duas series independents--a Serie Self (THV-S) e a Serie Nao-Self (THV-NS), visando seu uso em pesquisas futuras.

O estudo construiu-se a partir de um delineamento de tipo ex-post-facto, sem manipulacao direta das variaveis, tendo como objetivo a descricao das intercorrelacoes entre as mesmas, sua forca associativa e direcionalidade (Kerlinger, 1979/2003). De forma geral, procurou verificar as seguintes hipoteses (H) principais (1 e 2) e secundarias (3, 4 e 5): H1. Autoconsciencia Situacional em seus modos Reflexao e Ruminacao correlaciona-se positivamente com Mediacao Iconica (teste da hipotese de mediacao); H2. O Teste de Habilidades de Visualizacao de Imagens Mentais (THV) possui boas qualidades psicometricas em ambas as series de que e constituido (Self e Nao-Self); H3. Os processos de visualizacao/manipulacao de Imagens Mentais sao positiva e fortemente correlacionados entre si; H4. Autoconsciencia Situacional correlaciona-se positivamente com Habilidades de Visualizacao de Imagens Mentais, em especial, seu fator de Mediacao Iconica (teste da hipotese de desenvolvimento conjunto da autoconsciencia e das imagens mentais); e, H5. Autoconsciencia Situacional correlaciona-se positivamente e mais fortemente com a Serie Sefque com a Serie Nao-Sefdo Teste de Habilidades de Visualizacao de Imagens Mentais.

Metodo

Participantes

Participaram deste estudo 958 estudantes universitarios oriundos de instituicoes de ensino superior publicas e privadas, os quais responderam a ambas as formas do protocolo de pesquisa (Resumida e Completa) para o teste de hipoteses consoante as relacoes entre a Autoconsciencia Situacional e Mediacao Iconica. Para o tratamento das hipoteses relacionadas as habilidades de visualizacao de imagens mentais, participaram 258 estudantes extraidos da amostra completa supracitada, os quais responderam a Forma Completa do protocolo de pesquisa que continha o Teste de Habilidades de Visualizacao (THV), sendo destes 132 de sexo masculino (51,16%) e 126 de sexo feminino (48,84%).

Instrumentos

Os participantes responderam a um questionario auto-administrado distribuido pelo pesquisador na forma de uma apostila em duas formas (Resumida e Completa) contendo as medidas usadas neste estudo--a Escala de Autoconsciencia Situacional e o Teste de Habilidades de Visualizacao de Imagens Mentais (THV), as quais serao descritas brevemente a seguir.

Teste de Habilidades de Visualizacao de Imagens Mentais--THV. Bateria composta por duas series separadas (Self e Nao-Self) e passiveis de utilizacao individualizada e criada com o objetivo de medir as habilidades de visualizacao de imagens mentais dos individuos a partir de 9 medidas parciais ou tarefas duplicadas nas duas series referentes a diversas operacoes de geracao, manipulacao e processamento de imagens mentais de tipo visual relatadas na literatura especializada como Gerar, Inspecionar, Encontrar, Zoom, Rotar, Transformar, Controle Cinetico, Panoramizar e Vivacidade/Vividez (ver Eysenck & Keane, 1994; Paivio, 1986, 2007; Shepard & Cooper, 1986), sendo as mesmas operacoes propostas aos respondentes com manipulacao de imagens do self e de um objeto nao-self que neste caso escolhido foi a imagem de um automovel (ver Escala Completa em Anexos). Os itens receberam respostas numa escala Likert de 05 pontos variando de '0' a '4', indicando o primeiro valor ausencia de experiencia visual e o ultimo visualizacao com absoluta clareza do que foi solicitado nas instrucoes dos itens individuais. Os testes de visualizacao foram divididos em duas baterias (A e B), sendo a ultima composta dos dois itens de vividez (self e nao-self) que continham instrucoes especificas, o que levou a quando das analises e consequente apresentacao dos resultados a reconfiguracao da numeracao dos itens visando-se apresentar as series (self e nao-self) completas, com o ultimo de seus itens sempre enfocando a vividez (1).

Escala de Autoconsciencia Situacional--EAS. Escala de tipo Likert composta por 13 itens e construida para mensuracao de diferencas individuais na capacidade cognitiva de autofoco enquanto estado (situacional), com enfase nas modalidades nao-ansiosas da autoconsciencia (reflexao) e ansiosas (ruminacao) e na mediacao cognitiva de autoconsciencia por imagens mentais (mediacao iconica). Itens tipicos da escala sao "Neste instante, eu avalio algum aspecto que me diz respeito" (Item 01, Reflexao), e "Neste instante, eu estou me vendo em minha mente" (Item 10, Mediacao Iconica), os quais receberam respostas numa escala Likert de 05 pontos variando de '1' (discordo totalmente) a '5' (concordo totalmente), no tocante ao julgamento de adequacao do conteudo de cada auto-afirmacao do instrumento a como o participante esteve se percebendo no exato instante em que respondeu ao mesmo. A analise da consistencia interna pelo Alfa de Cronbach revelou adequados niveis de fidedignidade com alfas de 0,74, 0,74 e 0,69 para os fatores de autofoco--reflexao, ruminacao e mediacao iconica respectivamente.

Procedimentos

A coleta teve seu inicio apos a aprovacao do projeto pelo Comite de Etica da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Apos detalhamento dos objetivos da pesquisa e dos requerimentos eticos a ela vinculados, o pesquisador distribuiu os Termos de Consentimento Livre e Esclarecido, os quais foram recolhidos apos suas assinaturas pelos respondentes, quando os protocolos de pesquisa nas duas formas (Resumida e Completa) foram entregues aos mesmos, tendo sido necessario para a resposta aos protocolos o tempo medio de 1 hora para a forma completa e de 30 minutos para a forma reduzida.

Resultados

Como primeiro momento de analise da estrutura da autoconsciencia situacional humana verificou-se atraves do coeficiente de correlacao de Pearson as interrelacoes entre os fatores da escala EAS (ver Tabela 1).

O exame dos r de Pearson das interrelacoes das variaveis citadas indicou correlacoes significantes entre todos os fatores da escala EAS, o que corrobora a Hipotese 1 do estudo, com o mais alto escore de correlacao acontecendo entre os fatores Mediacao Iconica e Reflexao (r = 0,39, p < 0,001), e o menor escore relacionando os fatores Mediacao Iconica e Ruminacao (r = 0,28, p < 0,001). Segundo a grade de Dancey e Reidy (2006) para as magnitudes do r de Pearson, a analise correlacional efetuada com os itens da matriz de correlacoes evidenciou serem todas as correlacoes significantes e de fraca intensidade (r < 0,40), havendo apenas uma dessas relacoes cuja intensidade coloca-se no limiar de entrada para o espectro das correlacoes de intensidade moderada--a ja referida anteriormente entre as variaveis (fatores) Mediacao Iconica e Reflexao (r = 0,39).

Nota-se a consistencia consideravel das medidas intra-escala, quando os escores r indicaram correlacoes de intensidade ligeiramente mais acentuada (nao tendentes a zero) entre seus itens--todos acima de 0,20 (0,28; 0,33; e 0,39, respectivamente), com uma discreta acentuacao da intensidade da associacao entre as variaveis (fatores) Mediacao Iconica e Reflexao. A correlacao significante positiva, mas fraca (abaixo dos escores de correlacao considerados de intensidade moderada) encontrada entre Reflexao e Ruminacao (r = 0,33, p<0,001) replicam no ambito da autoconsciencia situacional achados internacionais de Trapnell e Campbell (1999), e nacionais na pesquisa de Zanon e Teixeira (2006) com a autoconsciencia disposicional, achado este que da forca a hipotese de as duas operacoes de autofoco (reflexao e ruminacao) serem dois modos qualitativamente distintos de autoconsciencia mas de alguma maneira relacionados. O nivel de associacao entre as duas variaveis encontrado no presente estudo (r = 0,33)--mais forte que a encontrada no estudo com universitarios brasileiros de Zanon e Teixeira (2006) de 0,24, indicia a presenca de uma organizacao mais imbricada entre os dois modos de autofocalizacao, que a pesquisa atual ainda nao tem mapeado e explicado suficientemente, dado o r encontrado estar se aproximando do limiar dos escores de Pearson 'moderados' (acima de 0,40), vistos como de intensidade mais consideravel na literatura (ver Dancey & Reidy, 2006).

Ainda em relacao ao exame dessa matriz de correlacoes, faz-se mister a pontuacao da discreta preferencia associativa da Mediacao Iconica pelo fator Reflexao (r=0,39), embora escore nao-desprezivel tenha sido achado para associacao entre o mesmo fator e Ruminacao (r=0,28), indicando que o uso das imagens mentais para fins de auto-inspecao pode ser cooptado por ambas as orientacoes autoconscientes, tanto positivas (reflexao) quanto negativas (ruminacao).

O momento seguinte das analises enfocou o exame das qualidades psicometricas do THV em suas duas series (Self e Nao-Self). O exame em separado das duas matrizes de correlacoes pelo indice Kaiser-Meyer-Olkin revelou KMOs bem acima de 0,70 (0,89, Self 0,92, Nao-Self), valor que garante segundo Reis (2001) a fatorabilidade da matriz e a existencia de componentes latentes a serem extraidos. O uso do KMO triangulado ao Teste de Esfericidade de Bartlett com as duas matrizes permitiu encaminhar a Analise dos Componentes Principais para extracao dos possiveis fatores destas medidas, tendo-se previamente prospectado o numero de componentes a serem retidos pelos criterios da Raiz Latente (Criterio de Kaiser) e do Grafico de Declive (Criterio de Cattell), os quais conjuntamente salientaram a unidimensionalidade (1 unico fator) de ambas as medidas, ratificando adequadamente as Hipoteses 2 e 3 do estudo. Ve-se abaixo o resultado do Teste Scree para a Serie Self do THV, no qual constata-se um decaimento acentuado dos angulos de inclinacao do segundo autovalor em diante, o que sugere a retencao de apenas um componente na analise fatorial. O mesmo se encontrara no exame da matriz da Serie Nao-Self pelo Teste Scree. Um sumario da avaliacao das qualidades psicometricas das duas series do Teste de Habilidades de Visualizacao, incluindo-se a Analise dos Componentes Principais e do Alfa de Cronbach pode ser examinado de forma comparativa na Tabela 2.

A estrutura encontrada pela Analise dos Componentes Principais confirmou a unifatoriabilidade de ambas as medidas, e com niveis excelentes de consistencia (fidedignidade), com discreta otimizacao para a segunda serie (Nao-Self), com alfas recaindo dentro de margens extremamente rigorosas de 0,87 (Serie Self) e 0,91 (Serie Nao-Self) segundo a psicometria (ver Dancey & Reidy, 2006; Hair, Anderson, Tatham, & Black, 2005; Reis, 2001). Ressalta-se ainda as altas cargas fatoriais saturando os itens de ambas as medidas.

Tendo-se verificado a adequacao psicometrica do instrumento de mensuracao das habilidades cognitivas de manipulacao de imagens mentais, encaminhou-se o teste da hipotese das relacoes entre autoconsciencia e tais habilidades imageticas atraves do coeficiente de correlacao de Pearson sobre as intercorrelacoes entre as medidas de visualizacao e os fatores da Escala de Autoconsciencia Situacional, cujos resultados estao relatados na Tabela 3.

O exame dos r de Pearson pos em evidencia 13 correlacoes estatisticamente significantes (em negrito na Tabela 3) na interface das medidas de visualizacao e dos escores dos fatores de Autoconsciencia Situacional, sendo 04 delas significantes a p< 0,05 e 09 das mesmas significantes a p< 0,01, o que da indicacao da forca da relacao entre as variaveis consideradas. Os escores de Pearson variaram de r = 0,201, p< 0,01 no item 16 (Controle Cinetico Nao-Self, Mediacao Iconica) a r = 0,123, p< 0,05 no item 04 (Zoom Self, Ruminacao).

Nota-se de inicio a ausencia de correlacoes significantes entre as operacoes de visualizacao de ambas as series (Self e Nao-Self) e o fator Reflexao da Escala EAS, o que deve ser compreendido teoricamente pela enfase do conteudo deste fator na valencia do autoconteudo trazido a consciencia e no modo de agenciamento dos sistemas atencionais sobre o referido conteudo (flexivel ou estereotipado), e nao sobre o caminho cognitivo que suporta as citadas operacoes de instanciacao do autofoco (mediacao cognitiva por imagens mentais ou autofala), lembrando-se que autoconsciencia tem multiplas fontes, inclusive nao-cognitivas (externas ao self) e ambientais (ver Morin, 2004).

Um achado digno de nota no que tange ao fator Ruminacao foi encontrado no exame dos escores de Pearson, a saber, as correlacoes estatisticamente significantes de r = 0,123, p< 0,05 no item 04 (Zoom Self, Ruminacao) e r = 0,170, p< 0,01 no item 13 (Zoom Nao-Self, Ruminacao), correlacoes moderadas que analisadas em contraste com um corpo crescente de literatura que interfacia autoconsciencia e psicopatologia, nos alerta para a existencia de formas de autoconsciencia negativamente motivadas, estereotipicas, com parco controle voluntario do sujeito e de natureza imagetica, ligadas a acontecimentos, conflitos e experiencias traumaticas (ver Morin, 2002; Trapnell & Campbell, 1999; Zanon & Teixeira, 2006).

A analise da matriz de correlacoes referente ao fator Mediacao Iconica oferece um dos resultados mais expressivos em apoio a hipotese da mediacao cognitiva de autoconsciencia atraves das imagens mentais. Dos coeficientes de correlacao encontrados, 11 de 18 sao estatisticamente significantes, evidenciando que as mesmas nao podem acontecer devido a erro amostral, sendo 03 delas significantes a p< 0,05 e 08 das mesmas significantes a p< 0,01. Os escores de Pearson variaram de r = 0,201, p< 0,01 no item 16 (Controle Cinetico Nao-Self, Mediacao Iconica) a r = 0,144, p< 0,05 no item 14 (Rotar Nao-Self; Mediacao Iconica), o que satisfaz a Hipotese 4 do estudo.

Nota-se a maior incidencia de correlacoes estatisticamente significantes na Serie Self do THV, estando a serie quase integralmente relacionada com o fator Mediacao Iconica da escala EAS, conforme previsto na quinta Hipotese (H5). Intra-escala os coeficientes de mais forca apresentados foram os de r = 0,196, p< 0,01 no item 05 (Rotar Self, Mediacao Iconica), imediatamente seguido pelo r = 0,191, p< 0,01 no item 08 (Panoramizar Self, Mediacao Iconica). Se de modo global os achados suportam a inferencia de que altos niveis de habilidade em operar sobre imagens mentais e material iconico relacionado ao self se correlacionam de modo positivo e forte com escores de mediacao de autoconsciencia por imagens mentais (mediacao iconica), de modo mais particularizado, essa visualizacao do self por si mesmo se da preferentemente usando-se as operacoes 'rotar', a qual propicia escrutinio do objeto-self a partir de multiplos angulos e coordenadas espaciais, gerando uma rica expressao de modos de autovisualizacao do self; por outro lado, a operacao 'panoramizar' permite uma percepcao de modo globalizante e que contempla as formas complexas de engate e relacionamento self-ambiente que poderao a partir desse caminho cognitivo ser apreciadas com mais requinte descritivo e de modo mais ajuizado aquilatadas em sua significacao, suportadas nessa dinamica de mediacao pelas demais operacoes de visualizacao tambem achadas estatisticamente significantes pelo coeficiente de correlacao de Pearson.

Uma vez que desde James (1890/1968) pelo menos se tem investigado a estrutura de organizacao do self do animal humano em suas dimensoes concretas, nao so da base fisica--o corpo proprio--mas tambem das coisas, objetos inanimados com os quais o agente humano se vincula afetivamente e o entorno (Surroundings) imediato a fronteira representada pela pele--o ambiente fisico a extensao de atuacao do self (ver Morin, 1998, 2004; Wiley, 1996), faz sentido a presenca de achados estatisticamente significantes com a mediacao cognitiva de autoconsciencia representadas pelas correlacoes r = 0,201, p< 0,01 no item 16 (Controle Cinetico Nao-Self, Mediacao Iconica)--mais alta correlacao individual encontrada neste exame; r = 0,176, p< 0,01 no item 10 (Gerar Nao-Self); e r = 0,144, p< 0,05 no item 14 (Rotar Nao-Self, Mediacao Iconica). Esse resultado ultimo indicia a importancia dos elementos perifericos (mais concretos) na composicao da estrutura do self humano, estando a correlacao mais alta das series em analise indicando a importancia da criacao e operacao sobre a dinamica de movimento (cinetica) dos objetos nao-self, sendo esta correlata a tambem estatisticamente significante relacao encontrada entre mediacao iconica e a operacao 'controle cinetico self', sendo uma operacao complementar e necessaria uma a outra--replicar e construir quadros ricos e cheios de movimento em que objetos self e nao-self se articulam de modos complexos e transformativos na ambiencia imaginativa (registro cognitivo).

Observando-se as relacoes dos mesmos fatores de autofoco com as operacoes visualizadoras tomadas em bloco pelas series individuais do THV, a estatistica r de Pearson encontrou correlacoes significantes envolvendo a Serie Self e Nao-Sefapenas com o fator Mediacao Iconica (r = 0,237 e r = 0,142, respectivamente), a primeira das intercorrelacoes com um escore mais alto que os demais, quando observados pelos itens isoladamente.

Em consideracao a importancia de analises de regressao para teste de hipoteses de mediacao em psicologia (ver Kenny, 2011; MacKinnon, Fairchild, & Fritz, 2007), no exame da validade de construto do THV e da funcao de mediacao que as habilidades de visualizacao exercem na instanciacao de autofoco, verificou-se o valor preditor das duas dimensoes do THV na EAS atraves da computacao de uma serie de regressoes passo-a-passo considerando como variaveis dependentes cada uma das dimensoes de autoconsciencia da escala EAS e como variaveis independentes as duas dimensoes do THV.

Os resultados apresentados na Tabela 4 apontam que somente o THV-Self desempenhou um papel preditor, mas apenas no fator Mediacao Iconica, explicando 5,7% da variancia. Os outros dois fatores nao apresentaram valores preditivos.

Consubstanciando o exame da mediacao atraves das regressoes supracitadas, efetuou-se uma Analise da Estrutura de Similaridade (SSA; Guttman, 1968; Young, 1987) com os fatores das escalas EAS e THV (Self e Nao Self). O SSA e um tipo de escalonamento multidimensional nao metrico onde as observacoes sao representadas em um espaco de tipo euclidiano, organizado segundo o principio da contiguidade, no qual a forca das interrelacoes entre os itens e representada pelo inverso da distancia entre os pontos, isto e, quao mais associadas duas variaveis estejam empiricamente, mais contiguas e proximas estarao na projecao multidimensional resultante. As hipoteses da pesquisa sao perspectivadas em termos de regioes ou facetas, que a Teoria das Facetas prescreve serem justificadas logicamente em termos de apreciacao sobre ordem (ou nao ordem) dos elementos dessas estruturas espacializadas em subregioes do plano multidimensional (Guttman, 1968; ver Nascimento & Roazzi, 2008; Roazzi, & Dias, 2001).

Conforme verifica-se na estrutura da projecao SSA encontrada (ver Figura 1), o fator Ruminacao encontra-se isolado no quadrante superior direito da projecao e distanciado dos demais fatores de autoconsciencia, bem como dos de habilidades de visualizacao. No quadrante inferior direito e mais aproximados encontram-se Reflexao e Mediacao Iconica, estando esta ultima, na interface com o quadrante inferior esquerdo, onde encontram-se aproximados conformando uma faceta coesa os dois fatores do THV (Self e Nao Self). Ha que se considerar a maior proximidade entre o fator THV-Sefe o fator de Mediacao Iconica da EAS, o que reforca a tese da mediacao cognitiva de autoconsciencia por imagens mentais, bem como a da validade de construto do instrumento que as mensura neste estudo--o THV, em especial, sua Serie Self.

Estes achados corroboram a hipotese de estar a autoconsciencia suportada nao so por dinamicas cognitivas discursivas (autofala) mas tambem associada a uma discursividade de tipo nao-verbal, com uma fenomenologia construida em torno de visualizacoes do self, especialmente as relacionadas ao corpo e rosto proprios (imageria autoscopica), o que e esperado por teorias da cognicao geral como a de Paivio (2007). Assim, autoconsciencia situacional esta relacionada a imagens mentais do selfe de objetos self-relacionados, contudo, mais fortemente associada a visualizacoes focadas no self como as da Serie Self.

Discussao

Apesar do robusto avanco da pesquisa sobre os processos autofocalizadores humanos nos ultimos anos (ver Duval et al., 2001; Ferrari & Sternberg, 1998; Govern & Marsch, 2001; Morin, 1997, 2002, 2004; Nascimento, 2008; Silvia & Duval, 2001; Silvia, Eichstaedt, & Phillips, 2005; Silvia & O'Brien, 2004), por motivos ainda a ser oportunamente esclarecidos por uma psicologia social do campo de estudos da autoconsciencia no Brasil, em nosso pais ha uma notavel assistematicidade no tratamento cientifico desse objeto, e os estudos publicados sao raros e sem continuidade programatica, sendo os trabalhos de autores como Gomes e Teixeira (1996), Nascimento (2008), Roazzi e Nascimento (2009), Silva e Nascimento (2007), Zanon e Teixeira (2006) excecoes bem-vindas ao que parece ser um desinteresse a tematica prevalecente. Nesse contexto de quase silencio cientifico o presente trabalho visou inserir-se no debate internacional contemporaneo enfocando uma das mais urgentes questoes sobre os processos de auto-inspecao humanos, a saber, a de por quais caminhos cognitivos os seres humanos prestam atencao a si mesmos, e se o uso de imagens mentais e instrumental nessa mediacao.

Tomando-se de forma integrativa os achados relatados, indicios consistentes foram levantados para uma resposta favoravel a hipotese de mediacao cognitiva da autoconsciencia situacional por imagens mentais conforme postulada no modelo de autoconsciencia de Morin (2004). As correlacoes encontradas pelo coeficiente de correlacao de Pearson evidenciam que os fatores reflexivo e ruminativo de autoconsciencia encontram-se correlacionados de modo estatisticamente significante com o fator de mediacao iconica de autoconsciencia, isto e, quao mais autoconscientes, os individuos relatam usar imagens mentais para prestarem atencao a si mesmos e examinarem seus auto-aspectos codificados visualmente no autoconceito (ver Morin, 1998) usando as imagos do codigo dual da base cognitiva (Paivio, 2007) inscritos nas redes de self-schemata na memoria.

Essa organizacao sistemica da cognicao em que autoconsciencia, imagens mentais e o codigo dual da base do processamento cognitivo mediam intersistemicamente as dinamicas estruturais e funcionais dos subsistemas cognitivos sao bem evidenciados pelas correlacoes de Pearson encontradas no exame das intercorrelacoes entre fatores de autoconsciencia e as habilidades de visualizacao, onde individuos mais autoconscientes tem escores mais altos nas ditas habilidades, evidencia plausivel para um desenvolvimento co-agenciado dos dois sistemas em foco. Assim, individuos mais habeis em geracao e processamento interno de imagens mentais, tem essa ferramenta mental mais a mao para fins introspectivos e auto-atentivos, sendo provavelmente o contrario tambem verdadeiro, em que os menos capazes na operacionalizacao do sub-sistema imagetico devam exibir deficits especificos de autoconsciencia, auto-experienciacao e consequentemente, autoconceitos menos complexos e estruturados, e sub-desenvolvidos (ver Morin, 1995, 1998).

O fato de ambas as series do THV (Self e Nao-Self) estarem correlacionadas de modo positivo e estatisticamente significante com o fator de Mediacao Iconica, reforca a tese do uso mediativo das imagens mentais na autoconsciencia, posto que mais otimizados escores nas series de visualizacao, e em especial na Serie Self, estao relacionados sistematicamente a mais acentuados usos deimagens mentais para autofocalizacao. Reforcos a hipotese advem do exame de correlacoes de itens individuais de ambos os sistemas onde rotinas computacionais do processamento imagetico Zoom Self e Zoom Nao-Self encontram-se sistematicamente relacionados positivamente com o fator Ruminacao de autoconsciencia. E licito inferir que a prevalencia das correlacoes Zoom (Self e Nao-Self) com Ruminacao tem a ver com o carater siderante de imagens mentais ocorrentes em quadros depressivos, ideacao suicida e outras psicopatologias importantes (ver Botega, Barros, Oliveira, Dalgalarrondo, & Marin-Leon, 2005; Chellappa & Araujo, 2006; Freitas & Botega, 2002) que retratam e rememoram ad infinitum possiveis experiencias de desesperanca, acontecimentos traumaticos e eventos/ situacoes de conflito ao self, as quais sao aproximadas (zoom)--incluindo ai objetos nao-self pertencentes ao contexto imediato dessas cenas reais ou fantasiadas, e visualizadas com requintes patologicos de detalhes, aumentando o sofrimento psiquico e a sobrecarga cognitiva associadas aos pensamentos ruminativos.

Outro achado dessas analises acrescenta elementos na defesa das imagens mentais na mediacao de autoconsciencia, especialmente as relacionadas a objetos nao-self. Como encontrado, toda a Serie Nao-Self do THV esta correlacionada de modo positivo e estatisticamente significante com o fator de Mediacao Iconica de autoconsciencia, o que se coloca como um indice empirico de proposicoes teoricas de autores como James (1890/1968), Morin (1998, 2004) e Neisser (1997) que sustentam a importancia do significado da possibilidade de experienciacao variegada e multidimensional (multi-angular) do ambiente fisico com seus objetos para a propria emergencia das nocoes de objeto e de interno-externo, essenciais a um self reflexivo e a autoconsciencia. Assim, ontogeneticamente tendo se constituido uma consciencia reflexiva na pluralidade e multiforme expressoes do self-ambiente garantida pela locomocao, o sistema cognitivo pode replicar internamente mecanismos geradores e mantenedores de autoconsciencia explorando de maneiras criativas a tridimensionalidade do self e de sua ambiencia imediata recriando a cinetica e a multi-angulacao caracteristica desses sistemas complexos, de que nos dao testemunho os escores de Pearson estatisticamente significantes que enlacam consistentemente Mediacao Iconica e Controle Cinetico Nao-Self e Rotar Nao-Self, respectivamente (ver Tabela 3).

Como corolario do teste empirico da mediacao cognitiva de autoconsciencia por imagens mentais, os achados da analise de regressao consubstanciam os do exame das correlacoes, onde o THV-Self desempenhou um papel preditor sobre o fator mediativo da autoconsciencia (mediacao iconica), como tambem as duas series do THV--e em especial o THV-Self, encontram-se posicionadas em grande proximidade a Mediacao Iconica no quadrante inferior da projecao espacial construida pela analise SSA. O conjunto dos achados das analises de regressao e multidimensionais levanta indicios consistentes para uma mediacao de autoconsciencia por imagens mentais, alem de sinalizarem evidencias de validade de construto dos instrumentos em foco, a ser mais cuidadosamente investigada por via experimental posteriormente.

No presente, com base nos achados das analises realizadas, e mister uma maior cautela ao se emitir assertivas sobre os sistemas autofocalizadores humanos e seus mecanismos de mediacao, levando-se em consideracao a alta complexidade e intermitencia de variaveis deste sistema, alem do fato de as correlacoes encontradas no estudo serem em grande parte de fraca magnitude. Contudo, uma vez tais correlacoes terem sido geradas do exame de uma matriz de correlacoes dos dados de 258 participantes apenas (ver Metodo), e licita a esperanca de observar-se magnitudes mais expressivas dos escores do coeficiente de Pearson em amostra mais robusta. Lembramos adicionalmente que correlacoes fracas nao sao incomuns em fenomenos psicologicos multivariados, e que magnitudes de tal ordem sao tambem encontradas em estudos internacionais de autoconsciencia como o estudo classico de validacao da Self-Consciousness Scale de Fenigstein et al. (1975), onde a mais alta correlacao encontrada e de 0,26 entre os fatores de autoconsciencia privada e publica da Amostra 2. Situacao similar foi encontrada no estudo de validacao da versao desta escala em lingua portuguesa do Brasil por Gomes e Teixeira (1996), onde os fatores de Autoconsciencia Publica e Ansiedade Social apresentaram fraca correlacao de 0,17 para a amostra feminina do estudo.

Um exame final das evidencias levantadas no presente estudo convida-nos a considerar com seriedade a hipotese de que imagens mentais mediam autoconsciencia situacional em humanos conforme postulado por Morin (2004), em suas formas reflexivas e ruminativas (Morin, 2002), devendo seus arranjos estruturais e funcionais a uma complexa historia desenvolvimental em ambientes especificos (Paivio, 2007). Indicios emergentes nesta presente investigacao que corroboram proposicoes recentes de multidimensionalidade da autoconsciencia (Morin, 2002; Nascimento, 2008; Trapnell & Campbell, 1999) colocam em imediato a necessidade de pesquisas adicionais cuidadosamente desenhadas, em especial os delineamentos experimentais e com uso de instrumentos de uso corrente que se coloquem como padrao aureo para analise da validade de construto das escalas em tela nesta investigacao, e que esclarecam as relacoes entre esses dois subsistemas do autofoco humano, e de que modos imagens tanto externas quanto internas contribuem para suas mediacoes.

Uma vez que imagens mentais mediam autofoco de formas complexas nas interrelacoes com outros sistemas cognitivos, consideram-se primaciais no fomento do campo de estudos da autoconsciencia em solo nacional, bem como mundial, um exame acurado do desenvolvimento desses sistemas de autofocalizacao no tempo desenvolvimental, e de como afetam e sao afetados, pela historia de constituicao tanto da cognicao em sentido geral em seu Sistema Dual Verbal-Imagetico (Paivio, 2007) quanto na de sistemas cognitivos especificos como o autoconceito, raciocinio, formacao de conceitos, linguagem e pensamento, na esteira das hipoteses de mediacao sustentadas no presente trabalho.

Recebido: 16/05/2011

1a revisao: 23/04/2012

Aceite final: 06/06/2012

Anexo

Teste de Habilidades de Visualizacao de Imagens Mentais--THV (Series Self e Nao-Self)

Bateria de Avaliacao das Habilidades de Visualizacao

Instrucao: Os seres humanos em geral tem a capacidade de pensar usando imagens e criando cenas na mente, embora essa capacidade varie de pessoa a pessoa, havendo alguns que tem uma imaginacao bem vivida e outros que afirmam que nao conseguem ver com clareza imagens em seus pensamentos. As tarefas que seguem procuram avaliar a sua capacidade de lidar com imagens da imaginacao. Leia cada uma das instrucoes a seguir com calma e procure executar em sua mente o que e pedido, uma tarefa por vez e sem pular a sequencia em que as tarefas sao apresentadas, alem de marcar com um X apos a leitura de cada instrucao a afirmacao que mais se aproxima da maneira como voce vivenciou a tarefa, segundo a escala seguinte:

0   Nao visualizei imagens, apenas pensei no que me foi solicitado.

1   Visualizei de forma muito vaga o que me foi solicitado.

2   Visualizei de maneira pouco clara o que me foi solicitado.

3   Visualizei com alguma clareza o que me foi solicitado.

4   Visualizei claramente o que me foi solicitado.


Tarefas de Imaginacao

1. Imagine um grande circulo pintado num terreno plano e pavimentado, com quatro placas de mesma altura que a sua, em que se observam escritas em grandes letras vermelhas as palavras 'Norte', 'Leste', 'Sul' e 'Oeste', dispostas segundo as marcacoes tipicas de um relogio, ou seja, a placa Norte no ponto zero do relogio, a placa Leste no ponto equivalente a 3 horas, a placa Sul no ponto equivalente a 6 horas e a placa Oeste no ponto equivalente a 9 horas, todas elas dispostas de frente para o centro do circulo, no qual voce se encontra de pe, com o rosto voltado para a placa Sul, de maneira que voce visualize claramente a sua face na figura imaginada.

2. Visualizando voce na mesma posicao da tarefa anterior, com a face voltada para a placa Sul, encontre e leia o conteudo da placa que devera estar a esquerda do braco direito de sua imagem.

3. Visualizando voce ainda com a face voltada para a placa Sul, localize em que parte provavel de suas roupas esta sua carteira de cedulas com seus documentos pessoais.

4. Visualizando voce ainda com a face voltada para a placa Sul, aproxime a imagem cada vez mais perto de voce ate que voce observe com o maximo de detalhes o ponto de seu rosto acima do nariz e entre as duas sobrancelhas.

5. Afaste a imagem de modo que voce possa visualizar-se de corpo inteiro como na posicao inicial e ainda com a face voltada para a placa Sul. Agora, gire a sua imagem para deixa-la de cabeca para baixo e com a face voltada para a placa Norte, de modo que voce possa observar-se de costas e de ponta-cabeca.

6. Gire sua imagem de modo que ela retorne a posicao inicial, de pe e com a face voltada para a placa Sul, de modo que voce possa observar-se de frente e na posicao face-a-face. Imagine-se com o dobro de sua altura real e com seus cabelos embranquecidos e pele enrugada como voce se imagina ficar quando envelhecer, e olhando para placa Sul que devera estar situada abaixo do nivel da cabeca de sua imagem.

7. Imagine-se na situacao inicial, com sua altura e cor de cabelos e textura da pele reais, de pe, na mesma altura das placas e com a face voltada para a placa Sul, de modo que voce possa observar-se de frente e na posicao face-a-face. Visualize sua imagem em posicao de bracos cruzados e parada neste ponto central, sem movimento, como numa fotografia. Apos visualizar-se de forma fixa, imagine que sua imagem comeca a movimentar-se caminhando ao redor de todo o circulo e tocando com a ponta dos dedos na primeira letra dos nomes inscritos em cada uma das placas, a comecar pela placa Sul, e seguindo pelas placas Oeste, Norte, Leste, Sul novamente e retornando a sua posicao inicial no centro do circulo e com a face voltada para a placa Sul.

8. Partindo da visualizacao de sua imagem na situacao inicial, de pe e com a face voltada para a placa Sul, observe a cena inteira com sua imagem, as quatro placas e o circulo do alto, de maneira que voce ao olhar deste ponto com uma visao panoramica da cena, visualize a parte de cima da cabeca de sua imagem.

9. Imagine agora o circulo com as quatro placas como na imagem inicial, mas desta vez sem a sua imagem e com a presenca no centro do circulo de um automovel de quatro portas e de cor preta posicionado no ponto central do circulo, com a parte da frente que inclui farois dianteiros e para-brisa voltada para a placa Sul.

10. Visualizando o carro na mesma posicao da tarefa anterior, com a parte da frente que inclui farois dianteiros e para-brisa voltada para a placa Sul, encontre e leia o conteudo da placa que devera estar na mesma direcao do vidro e dos farois traseiros do veiculo de sua imagem.

11. Imaginando ter esquecido as chaves principais de sua casa ou apartamento dentro do carro, localize e visualize as chaves na parte provavel em que elas devam estar no interior do automovel.

12. Aproxime a imagem do automovel cada vez mais perto de voce ate que voce observe com o maximo de detalhes o pneu dianteiro direito.

13. Afaste a imagem ate a posicao inicial, com o automovel posicionado no ponto central do circulo, com a parte da frente que inclui farois dianteiros e para-brisa voltada para a placa Sul. Gire o automovel de modo que ele fique com os pneus para cima e com sua parte da frente voltada na direcao da placa Leste.

14. Gire sua imagem de modo que ela retorne a posicao inicial, com o automovel posicionado no ponto central do circulo, com a parte da frente que inclui farois dianteiros e para-brisa voltada para a placa Sul. Imagine que o automovel tem a metade do tamanho, possuindo agora apenas duas portas e sendo da cor vermelha.

15. Imagine a situacao inicial, em que um automovel de quatro portas e de cor preta esta posicionado no ponto central do circulo, com a parte da frente que inclui farois dianteiros e para-brisa voltada para a placa Sul. Visualize o automovel parado, numa posicao fixa, como numa fotografia. Apos visualiza-lo de forma fixa, imagine que o automovel acende os farois dianteiros e comeca a se movimentar com os farois piscando, saindo da posicao inicial e contornando cada placa ao longo do circulo, a comecar pela placa Sul, seguindo depois pelas placas Leste, Norte, Oeste, Sul novamente e por fim, parando no centro do circulo e desligando os farois dianteiros, com os mesmos posicionados na direcao da placa Norte.

16. Partindo da visualizacao do automovel na situacao anterior, posicionado no ponto central do circulo, com a parte da frente que inclui farois dianteiros e para-brisa voltada para a placa Norte, observe a cena inteira com o automovel, as quatro placas e o circulo de um ponto no alto, acima deles, de maneira que voce ao olhar deste ponto com uma visao panoramica da cena, visualize a parte de cima do automovel.

Bateria de Avaliacao da Vividez

Instrucao: Os testes seguintes avaliam a qualidade das imagens que voce vai produzir de acordo com uma instrucao especifica sobre o que imaginar. Ao visualizar cada uma das imagens em seu pensamento, preste atencao aos detalhes delas e se voce as consegue visualizar de maneira vivida e clara, com riqueza de detalhes de formas e cores, ou se elas aparecem em seu pensamento de maneira vaga e pouco elaborada, alem de marcar com um X apos cada visualizacao a afirmacao que mais se aproxima da maneira como voce vivenciou a tarefa, segundo a escala seguinte:

0   Nao visualizei imagens, apenas pensei no que me foi solicitado.

1   Visualizei de forma muito vaga e sem vividez e clareza alguma o
    que me foi solicitado.

2   Visualizei de maneira pouco vivida e clara o que me foi solicitado.

3   Visualizei com alguma vividez e clareza o que me foi solicitado.

4   Visualizei com absolutas vividez e clareza o que me foi solicitado.


1. Imagine-se caminhando a beira-mar, num dia claro de verao, com os pes molhando-se nas ondas que chegam na praia e seus cabelos se movendo ao toque dos ventos e seu rosto expressando um profundo sentimento de bem-estar e alegria pelas sensacoes que estao sendo experimentadas.

2. Visualize em seu pensamento a imagem de um automovel amarelo e com os farois piscando, estacionado em uma rua deserta ao meio-dia de um dia muito claro.

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(1) Seguindo a exata ordem de apresentacao das operacoes de visualizacao contempladas no teste e supracitadas, da operacao 'gerar self' ate 'panoramizar self' a sequencia encontrada no protocolo permanece inalterada (itens 01 a 08); o item seguinte, que na apostila foi o 'gerar nao-self', foi substituido pelo item 'vividez self', a fim de o mesmo fechar a serie self correspondente, ficando com a numeracao de item 09 para as analises e apresentacao dos resultados nas respectivas tabelas, assumindo o item 'gerar nao-self' a posicao decima, seguindo-se na ordem dessa feita ate o final com o item 18 (vividez nao-self).

Alexsandro Medeiros do Nascimento * & Antonio Roazzi

Universidade Federal de Pernambuco, Recife, Pernambuco, Brasil

* Endereco para correspondencia: Universidade Federal de Pernambuco, Centro de Filosofia e Ciencias Humanas, Rua Academico Helio Ramos, s/n, Cidade Universitaria, Recife, PE, Brasil 50670-901. E-mail: alexmeden@hotmail.com

Tabela 1

Correlacao entre os Fatores de Autoconsciencia da Escala EAS

                                               Mediacao
Fatores         Reflexao        Ruminacao      Iconica

            r       p        r       p        r     p

Reflexao    1
Ruminacao   0,33    0,001    1
Mediacao    0,39    0,001    0,28    0,001    1
  Iconica

Tabela 2

Comparativo dos Indices Psicometricos das Series Self e Nao-Self do THV

Indices                Teste de Habilidades de Visualizacao
Psicometricos
                        Serie Self         Serie Nao-Self

KMO                        0,89                 0,92
Bartlett            776,629, p< 0,001    1170,621, p< 0,001
Kaiser                     4,38                 5,31
Cattell                1 componente         1 componente
Cargas Fatoriais       0,82 - 0,49          0,83 - 0,50
Variancia Total           48,67%               58,95%
Alfa de Cronbach           0,87                 0,91

Tabela 3

Intercorrelacoes (r de Pearson) de Valores do THV (S e NS)
e Fatores da EAS

                                 Reflexao           Ruminacao
Tarefas de
Visualizacao                    r        p         r         p

01. Gerar (S ([dagger]))      0,004    0,955     -0,032    0,613
02. Inspecionar (S)           0,039    0,553     -0,092    0,158
03. Encontrar (S)            -0,020    0,748      0,094    0,133
04. Zoom (S)                  0,067    0,282    0,123 *    0,049
05. Rotar (S)                 0,005    0,941      0,028    0,652
06. Transformar (S)          -0,064    0,309     -0,021    0,740
07. Controle Cinetico (S)     0,044    0,479      0,099    0,116
08. Panoramizar (S)           0,059    0,348      0,106    0,092
09. Vividez (S)               0,104    0,096     -0,043    0,493
10. Gerar (NS                -0,021    0,737      0,039    0,533
  ([double dagger]))
11. Inspecionar (NS)         -0,038    0,560     -0,076    0,246
12. Encontrar (NS)           -0,024    0,702      0,121    0,053
13. Zoom (NS)                 0,065    0,297    0,170 **   0,006
14. Rotar (NS)                0,056    0,369      0,078    0,214
15. Transformar (NS)          0,072    0,253     -0,009    0,882
16. Controle Cinetico (NS)    0,037    0,554     -0,046    0,467
17. Panoramizar (NS)          0,041    0,509     -0,024    0,701
18. Vividez (NS)             -0,028    0,656      0,110    0,080
THV Serie Self                0,035    0,577      0,054    0,386
THV Serie Nao-Self            0,025    0,685      0,050    0,424

                             Mediacao Iconica
Tarefas de
Visualizacao                    r         p

01. Gerar (S ([dagger]))     0,177 **   0,004
02. Inspecionar (S)             0,084   0,197
03. Encontrar (S)             0,160 *   0,010
04. Zoom (S)                  0,156 *   0,012
05. Rotar (S)                0,196 **   0,002
06. Transformar (S)          0,181 **   0,004
07. Controle Cinetico (S)    0,170 **   0,006
08. Panoramizar (S)          0,191 **   0,002
09. Vividez (S)              0,171 **   0,006
10. Gerar (NS                0,176 **   0,005
  ([double dagger]))
11. Inspecionar (NS)            0,049   0,458
12. Encontrar (NS)              0,074   0,237
13. Zoom (NS)                   0,090   0,149
14. Rotar (NS)                0,144 *   0,021
15. Transformar (NS)            0,094   0,133
16. Controle Cinetico (NS)   0,201 **   0,001
17. Panoramizar (NS)            0,090   0,151
18. Vividez (NS)                0,030   0,631
THV Serie Self               0,237 **   0,001
THV Serie Nao-Self           0,142 *    0,023

Notas. ([dagger]) S: Self; ([double dagger]) NS: Nao-Self;
* p [less than or equal to] 0,05; ** p [less than or
equal to] 0,01.

Tabela 4

Analises de Regressao Passo-a-passo considerando como Variavel
Dependente a Dimensao Mediacao Iconica da EAS e como Variaveis
Independentes os Dois Fatores Self e Nao Self do THV

                                [R.sup.2]    [R.sup.2]
Modelo       R      [R.sup.2]   Corrigido      Change

THV-Self   0,238      0,057       0,053        0,057

Modelo     F Change    g11    g12      p

THV-Self     15.35      1     255    0,001
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Author:do Nascimento, Alexsandro Medeiros; Roazzi, Antonio
Publication:Psicologia: Reflexao & Critica
Date:Jul 1, 2013
Words:9913
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