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Seedling growth of Campomanesia adamantium (Cambess.) O. Berg (guavira), under three levels of shade and substrates/Crescimento de mudas de Campomanesia adamantium (Cambess.) O. Berg (guavira), submetidas a tres niveis de sombreamento e substratos.

INTRODUCAO

As especies de Campomanesia (Myrtaceae) tem nome popular guavira ou gabiroba e sao originarias do Brasil, com grande abundancia na regiao do Cerrado. Sao encontradas como subarbustos a arbustos deciduos, apresentando altura de 0,5 a 1,5 m; o florescimento geralmente e de agosto a outubro, e a frutificacao, de novembro a dezembro (LORENZI et al., 2006).

Seus frutos sao consumidos "in natura" ou processados para a fabricacao de sorvete, licor, suco e geleia (PAVAN et al., 2009). As folhas e frutos de Campomanesia possuem algumas propriedades medicinais como: anti-inflamatoria, antidiarreica e antisseptica das vias urinarias e contra casos de reumatismo (LORENZI et al., 2006), alem de apresentarem um efeito inibitorio contra Mycobacterium tuberculosis (PAVAN et al., 2009) e atividade antimicrobiana (CARDOSO et al., 2010).

Apesar da popularidade do consumo da guavira em sua regiao de ocorrencia, dados sobre o cultivo ainda sao escassos, havendo necessidade de estudos agronomicos da especie. A propagacao da guavira pode ser feita por sementes com indice de germinacao de ate 80%, devendo ser semeadas logo apos a colheita, pois sao sensiveis a secagem e ao armazenamento, sendo consideradas recalcitrantes (MELCHIOR et al., 2006; DRESCH et al., 2012).

A producao de mudas e um estudo importante para o cultivo de especies nativas, sendo o tipo de substrato um dos fatores a serem pesquisados para seu desenvolvimento. Em relacao a Campomanesia adamantium, as informacoes sobre a producao de mudas ainda sao incipientes. Costa et al.(2012) avaliaram o desenvolvimento de mudas de guavira por 150 dias a partir da semeadura, em quatro substratos e dois tipos de ambiente protegidos, observaram melhor desempenho nas mudas produzidas sob tela preta e com 80% de composto organico, considerando os resultados do Indice de Qualidade de Dickson (IQD), massa seca da parte aerea e massa seca de raizes.

O nivel de luminosidade e fator importante ao desenvolvimento de mudas. A luz e essencial e limitante ao desenvolvimento vegetativo, e as especies vegetais possuem exigencias especificas para seu crescimento. A literatura e escassa em relacao a luminosidade no desenvolvimento de mudas de C. adamantium. Costa et al. (2012), avaliando o desenvolvimento de mudas de guavira, somente em ambientes protegidos, observaram maior massa seca e altura de plantas naquelas desenvolvidas sob tela preta em comparacao com tela termorrefletora, com 50% de sombreamento. Por outro lado, Santos et al. (2010), em estudo da influencia dos niveis de sombreamento (0%, 18%, 30% e 70%) na producao e no desenvolvimento de mudas de eucalipto (Eucalyptus grandis Hill ex Maiden), observaram maior altura da parte aerea sob sombreamento de 30% e 50% e maior diametro de coleto e numero de folhas sob pleno sol. Podese observar nesses trabalhos o comportamento diferenciado das especies em relacao a sua adaptacao a intensidade luminosa.

Para a muda ser considerada de boa qualidade, alguns fatores do desenvolvimento vegetal devem ser considerados, tais como: altura, diametro do coleto, formacao de raizes, massa seca, area foliar,bem como a relacao destes fatores. Por isso existem alguns indices de qualidade de mudas que relacionam estas caracteristicas, como o IQD. Este indice pode ser considerado um bom indicador (COSTA et al., 2011), por relacionar a robustez e o equilibrio da distribuicao da biomassa (FONSECA et al., 2002), sendo adotado em varios estudos relativos ao desenvolvimento de mudas (BINOTTO et al., 2010; GODOY; ROSADO, 2011; COSTA et al., 2012). Outro indicativo de qualidade sao os indices de crescimento, como a razao de area foliar (RAF), area foliar especifica (AFE) e razao de peso (massa) da folha (RPF) (BENINCASA, 2003).

A escassez de estudos agronomicos com as especies de Campomanesia indica a necessidade de pesquisas com os substratos e nivel de luminosidade para producao de mudas.

O objetivo deste trabalho foi avaliar o crescimento de mudas de Campomanesia adamantium (Cambess.) O. Berg (guavira), submetidas a tres niveis de sombreamento e diferentes substratos.

MATERIAL E METODOS

O Experimento foi desenvolvido no Centro de Pesquisa e Capacitacao da AGRAER (537 m de altitude; 20[degrees]25'2"S; 54[degrees]40'4"W), em Campo Grande-MS, de marco de 2008 a janeiro de 2009.

Para a obtencao das mudas, sementes da guavira foram obtidas de frutos colhidos em dezembro de 2007, de plantas nativas da aldeia indigena Lagoinha (Aquidauana--MS). As sementes foram lavadas em agua corrente para a eliminacao da mucilagem e semeadas logo em seguida, em bandejas de poliestireno expandido, de 128 celulas, preenchidas com substrato comercial composto com casca de pinus, fibra de coco e vermiculita, e colocadas sob telado com 50% de sombreamento.

Em 14 de abril de 2008, quando as plantulas de guavira tinham cerca de 3 cm de altura, foram transplantadas para os vasos. Foram irrigadas de forma a manter a umidade proxima a capacidade de campo.

Os tratamentos consistiram em tres niveis de sombreamento (0%, 30% e 50% de sombra) e seis diferentes substratos, sendo eles: 1 - 100% de solo Latossolo Vermelho distrofico textura argilosa - LVd (ta); 2 - 100% de solo de Latossolo Vermelho distrofico textura media LVd (tm); 3 - 75% de LVd (ta) + 15% de areia + 10% de cama de frango semidecomposta - LVd (ta) + CF; 4 - 75% de LVd(tm) + 15% de areia + 10 % de cama de frango semidecomposta - LVd (tm) + CF; 5 - 75% de LVd(ta) + 15% de areia + 10 % Organosuper[R] LVd (ta) + OR; 6 - 75% de LVd (tm) + 15% de areia + 10% de Organosuper[R] - LVd (tm) + OR. O delineamento experimental foi em blocos ao acaso, arranjado em parcelas subdivididas com medidas repetidas no tempo. Foram utilizadas tres repeticoes e dez plantas por subparcela, totalizando 540 plantas. As plantas foram cultivadas em vasos com capacidade para oito litros.

O solo para a composicao dos substratos foi coletado em Campo Grande--MS, em dois locais, em profundidade abaixo de 20 cm da superficie, sendo o LVd (ta) sob pastagem e o LVd (tm) sob vegetacao natural. Em seguida, foi peneirado, separadamente, e misturado aos outros componentes para compor os demais substratos e feitas amostragens para a analise quimica (Tabela 1).

Os vasos foram colocados sob os telados com 30% e 50% de sombreamento e sob sol. Cada telado tinha dimensoes de 2,2 m de altura, 2,0 m de largura e 3,0 m de comprimento, sendo dispostos a distancia de 6,0 m entre si. Para os tratamentos sob sol, foram adotados retangulos com as mesmas dimensoes dos telados

A partir de 30 dias apos o transplante (DAT) ate 275 DAT, foram feitas avaliacoes de altura de plantas, a cada 30 DAT, e numero de folhas e diametro do coleto a cada 60 DAT, sendo que, no mes de dezembro, foram avaliadas mais uma vez, tendo em vista o crescimento rapido das plantas nesse periodo. Aos 275 dias apos o transplante (DAT), foi avaliada a percentagem de sobrevivencia e a altura final das plantas, e foram colhidas cinco plantas de cada subparcela, cortando-as rente ao substrato dos vasos. Foram separados as folhas e os caules, sendo avaliadas: area foliar em integrador tipo LICOR 3.000 e as massas secas das folhas e dos caules, apos secagem em estufa de circulacao forcada de ar a 65 [+ or -] 2[degrees]C ate massa constante. Os vasos foram pesados e colhidas amostras para a determinacao do teor de umidade; em seguida, as raizes das plantas colhidas foram lavadas em agua corrente sobre peneira de 1,58 mm de espessura de malha. As raizes foram secas em estufa de circulacao forcada de ar a 65 [+ or -] 2[degrees]C ate massa constante para a avaliacao da massa seca de cada vaso. Para a analise de crescimento das plantas, tambem foram calculadas as componentes razao de area foliar (RAF), area foliar especifica (AFE) e razao de peso de folha (RPF) (BENINCASA, 2003):

AFE/MSFA+M5R; AFE = AF/MSF; RPF = MSF/NSPA+MSR;

Como parametro de qualidade das mudas, foi calculado o Indice de Qualidade de Dickson (IQD), conforme Costa et al.(2011):

AFE IQD = MST (g)/ALT (cm), MSPA (g)/DC (mm), MSR (g) - AF/MSF

Os dados foram submetidos a analise de variancia e regressao. As medias de altura de plantas, numero de folhas e diametro do coleto foram ajustadas a equacoes de regressao em funcao dos dias apos transplante. Foi realizada analise de variancia com os dados coletados aos 275 DAT (final), sendo as medias comparadas pelo teste de Scott-Knott, a 5% de probabilidade.

RESULTADOS E DISCUSSAO

A analise de variancia indicou efeito significativo (P<0,05) dos sombreamentos, substratos e DAT. Houve interacao entre os niveis de sombreamento e dias apos transplante (DAT) sobre o diametro do coleto, largura e comprimento de folhas; interacao entre substrato e DAT sobre a altura de plantas, diametro do coleto, numero de folhas, largura e comprimento de folhas.

O maior diametro do coleto das mudas cultivadas a pleno sol (Figura 1), provavelmente, deve-se a maior atividade fotossintetica (REGO; PASSAMAR, 2006). Santos et al. (2010) observaram resultados semelhantes no crescimento de mudas de eucalipto que apresentaram maior diametro de coleto sob sol quando comparado com niveis de sombreamento de 18%, 30%, 50% e 70%.

A largura e o comprimento das folhas (Figura 2) foram maiores sob sombra (30% e 50%), o que reflete a adaptabilidade das plantas a esses niveis de luminosidade. As plantas em geral apresentam capacidade de adaptacoes durante seu desenvolvimento em funcao da quantidade e da qualidade de radiacao local dominante, e entre essas alteracoes, estao mudancas na anatomia foliar. A ampliacao da superficie fotossintetica em condicoes de sombreamento e a diminuicao sob maior incidencia de luz demonstram que a especie possui estrategia de alocacao de fotoassimilados para a parte aerea quando sombreada, expondo de maneira mais favoravel sua superficie fotossintetizante a luz (ENGEL; POGGIANI, 1990).

As plantas desenvolvidas no substrato LVd (ta) foram mais altas (Figura 3a) e com maior diametro do coleto (Figura 3b) em comparacao aos demais substratos.

Ate aproximadamente os 150 DAT, as alturas das plantas e os diametros dos coletos mantinhamse semelhantes nos diferentes substratos (Figuras 3a e 3b). A partir dessa data, que coincidiu com o aumento da temperatura e da precipitacao, observase ampliacao nessas diferencas e incrementos no crescimento de altura e de diametro do coleto, sendo as maiores no LVd (ta). Essas duas caracteristicas, associadas ao comprimento e a massa da raiz, sao importantes para a definicao da qualidade de mudas (BINOTTO, 2007). O numero de folhas das plantas de guavira foi maior no substrato LVd (ta) + CF (Figura 3c), sendo o maior numero (45,8 folhas/ planta) observado aos 275 DAT.

Considerando-se as curvas de crescimento da altura de plantas e o diametro do coleto, o desenvolvimento das mudas foi superior no substrato LVd (ta) em relacao aos demais, indicando que esse tipo de substrato e favoravel ao desenvolvimento de mudas de guavira. Alem disso, a especie aparentemente tolera os niveis de sombreamento avaliados, pois nao houve diferencas significativas de altura das plantas entre os niveis de sombreamento. Plantas adaptadas ao ambiente de sol, ao serem submetidas ao sombreamento, direcionam a alocacao de fotoassimilados para o crescimento em altura, havendo alongamento dos entrenos e producao de folhas delgadas e maiores (LARCHER, 2006).

Na analise de variancia realizada especificamente aos 275 DAT, ocorreram diferencas significativas (P< 0,05) para os niveis de sombreamento na massa seca de raizes, na area foliar, na razao de area foliar (RAF), area foliar especifica (AFE) e razao de peso de folha (RPF), efeito dos substratos na altura de plantas, na massa seca de folha, caule e raiz, e no Indice de qualidade de Dickson (IQD).

A maior massa seca de raizes das mudas cultivadas a pleno sol (Tabela 2) pode ter sido em funcao do menor teor de umidade do solo, combinado com altas temperaturas. As perdas de umidade do solo e da planta provavelmente foram altas, pelo efeito da evapotranspiracao. Desta forma, houve a necessidade de maior desenvolvimento radicular para a absorcao do menor teor de agua disponivel. Segundo Larcher (2006), as raizes, em situacao de deficit hidrico, crescem permanentemente a procura de agua. Resultado semelhante tambem foi verificado por Ajalla et al. (2012), avaliando o producao de mudas de Baru (Dipteryx alata Vog.) sob diferentes classes texturais de solo (arenosa; media; argilosa; muito argilosa) e niveis de sombreamento (0%; 30% e 50%); onde, com o aumento do sombreamento, houve diminuicao da massa seca de raizes nas mudas sob solo de texturas medias e argilosas. E importante observar que a sobrevivencia das mudas em sol pleno foi menor que sob sombra, apesar da nao diferenca estatistica (Tabela 2).

As maiores razoes de area foliar (RAF) e area foliar especifica (AFE) sob 50% de sombra (Tabela 2) indicam que, sob sombreamento, houve maior expansao das folhas como adaptacao a menor disponibilidade luminosa. Isso porque, a medida que se aumenta o indice de radiacao solar, a RAF e AFE diminuem (BENINCASA, 2003), pois a area foliar necessaria para a producao de massa seca e menor na maior intensidade luminosa, pela maior producao de fotoassimilados. Resultado semelhante foi verificado por Silva et al. (2006). Os autores, ao avaliarem o desenvolvimento de mudas de maracujazeiro, observaram que, com o aumento do nivel de sombreamento (30%; 50% e 70%), tambem houve aumento da RAF e AFE em comparacao a pleno sol. A razao de peso da folha (RPF) foi menor sob sol em funcao da maior massa seca de raizes (Tabela 2).

Os dados de desenvolvimento da parte aerea das mudas e a observacao da maior sobrevivencia sob sombreamento indicam ser este metodo mais adequado e seguro para a producao de mudas de guavira. Destaca-se que, sob sol pleno, ha necessidade de maior volume de irrigacao, devido a perda de agua pelo processo de evapotranspiracao.

A altura no final do periodo de avaliacao foi maior no substrato LVd (ta), porem sem diferir de LVd (tm) e LVd (ta)+CF (Tabela 3). Observa-se, nessa caracteristica, efeito negativo da adicao da adubacao organica na composicao dos substratos, apesar do aumento dos niveis de nutrientes e da elevacao da saturacao por bases (Tabela 1). Esse aumento da disponibilidade de nutrientes e mais marcante no LVd (tm), provavelmente devido ao seu menor poder tampao por ser um solo de textura mais arenosa que o LVd (ta).

As massas secas de caule e de folhas foram maiores nos substratos LVd (ta), LVd (ta) + CF e LVd (tm) + CF (Tabela 3), cuja diferenca para a menor media [LVd (tm) + OR] foi de 66% e 68% para massa seca de caule e de folha, respectivamente. Possivelmente, a associacao de Organosuper[R] ao solo mais arenoso seja menos viavel do que com o mais argiloso, tendo em vista que, no substrato LVd (ta) + OR, as massas secas de caules e folhas foram maiores. Tal efeito esta aparentemente relacionado com as caracteristicas fisicas e quimicas diferenciadas desses solos, especialmente pela textura argilosa do solo de Cerrado sob pastagem cultivada, havendo maior capacidade tampao e, provavelmente, pela maior complexacao/oclusao da materia organica (SILVA; MENDONCA, 2007).

A area foliar e numero de folhas foram maiores (Tabela 3) no substrato LVd (ta) + CF sem diferir do LVd (tm) + OR para o numero de folhas. Tendo em vista a altura, massa seca de caule e folha, pode-se considerar que as mudas tiveram bom desenvolvimento aereo no LVd (ta) e LVd (ta) + CF. A maior massa seca de raizes foi no substrato LVd (ta) (Tabela 3). Provavelmente, a ocorrencia de maior quantidade de microporos nos solos com textura mais argilosa aumente a necessidade de a muda emitir mais raizes para melhor aproveitamento de agua e nutrientes, induzindo a maior massa de raizes no LVd (ta).). Resultado semelhante foi verificado por Ajalla et al. (2012), que obtiveram maior massa seca de raizes em mudas de baru desenvolvidas em solos de textura argilosa, em comparacao aos solos de textura arenosa. Em pastagens cultivadas, tem sido verificado tambem menor producao de raizes em solos de textura arenosa em relacao a solos de classes mais argilosas (VOLPE et al., 2008). Considerando a importancia de raizes bem desenvolvidas para a implantacao das mudas em campo, aliado com o desenvolvimento aereo, o LVd (ta) e o substrato mais indicado para a especie em questao.

A sobrevivencia das mudas foi influenciada pelos substratos, sendo a maior percentagem de plantas vivas observada nos substratos LVd (tm) e LVd (ta) e a menor no LVd (tm) + OR (Tabela 3). Para essa caracteristica, o efeito menos favoravel do substrato LVd (tm) + OR e marcante, havendo diminuicao de 45% de sobrevivencia entre LVd (tm) e LVd (tm) + OR. A adicao de Organosuper[R] ao substrato LVd (tm) aumentou consideravelmente os niveis de pH e fosforo, e elevou a saturacao de bases de 14% para 83% (Tabela 1). O pH do solo tem grande influencia na disponibilidade dos micronutrientes, havendo a diminuicao da solubilizacao e a absorcao de Cu, Zn, Fe e Mn, a medida que se eleva o pH do solo (DECHEN; NATCHTIGAL, 2006). Pode-se considerar que as provaveis alteracoes das caracteristicas quimicas, fisicas e biologicas no substrato, promovidas pela adicao de Organosuper[R], nao foram adequadas para a fase de producao de mudas, provavelmente em funcao do desequilibrio nutricional face a provavel diminuicao de disponibilidade de micronutrientes pelo aumento do pH.

O IQD (Tabela 4) foi maior nos substratos LVd (ta) e LVd (tm). Como este indice relaciona as caracteristicas das mudas da parte aerea e das raizes, o mesmo indica que, nesses substratos, as mudas estavam mais vigorosas. E provavel que as mudas de guavira se desenvolvam melhor em solos mais acidos, especialmente de textura argilosa. Costa et al. (2010), ao avaliarem o crescimento de mudas de guavira, em Jatai (GO), em solo natural sem calagem, solo natural com calagem para atingir V=40% e solo natural com calagem para V = 70%, observaram que, com calagem para V=70%, as alturas de plantas, diametro do coleto e numero de folhas foram menores. Os autores consideraram o resultado esperado, por considerarem a guavira uma especie que se desenvolve melhor em solos mais acidos; no entanto, nao forneceram os dados das analises quimicas e fisicas referentes aos solos, mas supoe-se tratar-se de solo acido de Cerrado.

[FIGURE 1 OMITTED]

[FIGURE 2 OMITTED]

[FIGURE 3 OMITTED]

CONCLUSOES

1-As mudas de Campomanesia adamantium podem ser cultivadas sob sombreamento de 50%.

2-A utilizacao do substrato com 100% de solo Latossolo Vermelho distrofico, textura argilosa, e o mais indicado para a producao de mudas de C. adamantium.

http://dx.doi.org/10.1590/0100-2945-196/13

AGRADECIMENTOS

Ao CNPq, pelo auxilio financeiro, a Fundect, pela bolsa de doutorado, e a Organoeste, pela doacao do composto organico Organosuper[R].

REFERENCIAS

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ANA CRISTINA ARAUJO AJALLA (2), MARIA DO CARMO VIEIRA (3), EDIMILSON VOLPE (4), NESTOR ANTONIO HEREDIA ZARATE (3)

(1) (Trabalho 196-13). Recebido em: 17-01-2014. Aceito para publicacao em: 15-05-2013.

(2) Doutoranda em Agronomia--UFGD/ AGRAER; bolsista FUNDECT. Rodovia MS 080 Km 10, CEP 79.114-000-Campo Grande--MS. E-mail: anajallaagraer@gmail.com; acaa337@hotmail.com

(3) Professor UGFGD, Bolsista e Produtividade em Pesquisa (CNPq)Rodov. Dourados Itahum Km 12, CEP 79804-970, Dourados--MS. E-mails: mariavieira@terra.com.br; NestorZarate@ufgd.edu.br;

(4) Dr. Pesquisador AGRAER. Rodv. MS 080 Km 10, CEP 79114-000--Campo Grande--MS. E-mail: edvolpeagraer@gmail.com
TABELA 1--Analise quimica -1 dos diferentes substratos, Campo
Grande-MS.

Substrato            M.O.             pH              P          K
                g [dm.sup.-3]   Ca [Cl.sup.2]   mg [dm.sup.-3]

LVd (ta)            37,9             4,4              2          0,3
LVd (tm)            24,1             4,5              4          0,1
LVd (ta) + CF       32,5             6,4             319         5,2
LVd (tm) + CF       29,0             6,4             209         2,2
LVd(ta) + OR        33,7             6,4             281         1,1
LVd (tm) + OR       38,5             7,0             505         1,4

Substrato       Al    Ca     Mg   H+Al     S    T      V
                ------ cmol [dm.sup.-3]------

LVd (ta)        0,6   1,5   0,8   8,5     2,6   11,1   23
LVd (tm)        0,9   0,9   0,2   7,2     1,2    8,4   14
LVd (ta) + CF   0,0   2,5   3,5   2,4    11,2   13,6   82
LVd (tm) + CF   0,0   3,0   1,9   2,8     7,1    9,9   71
LVd(ta) + OR    0,0   3,5   3,1   2,4     7,7   10,1   76
LVd (tm) + OR   0,0   3,4   3,5   1,6     8,3    9,9   83

(1) Analise feita no Laboratorio de solos da FCA -UFGD
P Mehlich I

TABELA 2--Massa seca de raizes por kg de solo (MSR), razao de area
foliar (RAF), area foliar especifica (AFE) e razao de peso da folha
(RPF) de mudas de guavira desenvolvidas sob diferentes niveis
de sombreamento, Campo Grande-MS.

Sombreamento (%)        MSR           RAF      AFE     RPF    VIVAS%
                   (g [kg.sup.-1])

0                     0,83a          3,50c    8,03c   0,44b   72,22
30                    0,50b          4,80b    9,90b   0,48a   77,78
50                    0,49b          5,54a   10,86a   0,50a   83,33
Media                 0,60           4,61     9,60    0,48    77,78
CV (%)                43,44          18,46   10,40    12,72   12,78

Medias seguidas pelas mesmas letras, nas colunas, nao diferem, pelo
teste Scott-Knott, a 5% de probabilidade.

TABELA 3--Altura de plantas; massa seca de caule (MSC), folhas
(MSF) e raizes (MSR); numero de folhas (NF), area foliar (AF),
porcentagem de sobrevivencia (vivas) e massa seca de raiz de mudas
de guavira desenvolvidas em seis diferentes substratos, aos 275 DAT,
Campo Grande-MS.

Substrato     Altura   MSC     MSF       MSR
               cm      ---g/planta--   g/kg solo

LVd(ta)       31,71a   1,98a   5,62a    1,41a
LVd(tm)       28,46a   1,42b   3,91b    0,73b
LVd (ta)+CF   27,34a   2,33a   6,74a    0,55b
LVd(tm)+CF    23,85b   1,92a   5,33a    0,35c
LVd(ta)+OR    24,16b   1,67b   4,43b    0,36c
LVd(tm)+OR    18,70c   0,80c   2,16c    0,22c
Media         25,71    1,69    4,70     0,60
CV (%)         18       39      36      43,44

Substrato      NF        AF                Vivas
              unid     [cm.sup.2]/planta    (%)

LVd(ta)       30,00b     481,21b           95,55a
LVd(tm)       28,30b     353,30c           98,88a
LVd (ta)+CF   45,81a     659,61a           82,22b
LVd(tm)+CF    33,89b     470,27b           64,45c
LVd(ta)+OR    36,70a     421,48b           70,00c
LVd(tm)+OR    23,96b     220,55c           54,44d
Media         33,17      434,41            77,76
CV (%)         29         34               14,12

Medias seguidas pelas mesmas letras, nas colunas, nao diferem,
pelo teste Scott-Knott,a 5% de probabilidade.

TABELA 4--Indice de qualidade de Dickson (IQD) em mudas de guavira
desenvolvidas em diferentes substratos, Campo Grande-MS.

[Substrato.sup.5]     IQD

LVd (ta)-           2,62 a
LVd (tm) -          1,50 a
LVd (ta) + CF       1,43 b
LVd(tm) + CF        1,08 c
LVd (ta) + OR       0,94 c
LVd (tm) + OR       0,61 c
Media               1,36
CV (%)              41,93

Medias seguidas pelas mesmas letras, nas colunas, nao diferem,
pelo teste Scott-Knott, a 5% de probabilidade.
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Title Annotation:texto en portugues
Author:Ajalla, Ana Cristina Araujo; Vieira, Maria Do Carmo; Volpe, Edimilson; Zarate, Nestor Antonio Heredi
Publication:Revista Brasileira de Fruticultura
Date:Jun 1, 2014
Words:4539
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