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Saturation of the exchange complex of oxidic soils with sodium/ Saturacao do complexo de troca de solos oxidicos com sodio.

INTRODUCAO

A dispersao de agentes cimentantes dos agregados do solo e um fenomeno que pode ocorrer naturalmente ou por acao antropica estando, em geral, associada a desequilibrios quimicos no solo. A resistencia do solo a acao dos agentes desagregantes depende de suas caracteristicas quimicas, fisicas e mineralogicas. Como consequencia de sua dispersao a argila se torna passivel de transporte sob condicoes de chuva, irrigacao e fertirrigacao para horizontes subsuperficiais do solo, proporcionando diminuicao da macroporosidade do meio e com isto, sua permeabilidade (Matos, 2010). Com a perda na permeabilidade ocorre diminuicao na capacidade de drenagem e no aumento na deficiencia de aeracao, no encrostamento superficial e dos processos de contracao e expansao em ciclos de umedecimento e secagem do solo. Assis Junior & Silva (2012) verificaram que agua de poco contendo alta concentracao de sais alterou os atributos fisicos densidade do solo, argila dispersa em agua e grau de floculacao de um Neossolo Fluvico Ta eutrofico.

Rengasamy (1983) verificou menor dispersao da argila em solos contendo maiores teores de calcio e magnesio enfatizando que cations polivalentes formam pontes de cations com particulas carregadas negativamente aumentando sua agregacao. Paliwal & Gandhi (1976) observaram maior potencial de sodificacao em solos mais arenosos que argilosos ao que atribuiram ao maior poder-tampao desses ultimos. Solos altamente intemperizados, como Latossolos e Argissolos, embora apresentem mineralogia semelhante ja que ha dominancia de caulinita, goethita, hematita e gibbsita na fracao argila, podem apresentar reacoes e comportamentos bem diferenciados, o que se atribui principalmente aos diferentes ambientes de sua formacao (Schaefer et al., 2008).

Alem de caracteristicas mineralogicas, fisicas e quimicas do solo, a qualidade da agua em equilibrio com a fase solida do solo tambem esta diretamente associada a dispersao da argila do solo sendo as principais a relacao de adsorcao de sodio (RAS) e a condutividade eletrica (CE) (Matos, 2010).

A RAS expressa o equilibrio de cations monovalentes (Na) com divalentes (Ca e Mg) obtida com base na equacao de Gapon (Dikinya et al., 2007). Outras variaveis que tem sido utilizadas na estimativa da tendencia a dispersao e instabilidade dos agregados sao a porcentagem de sodio trocavel (PST) e a relacao de sodio trocavel (RST) (Paliwal & Gandhi, 1976).

Solos com dominancia de argilas do grupo das esmectitas dispersam espontaneamente, quando ha reducao na CE ou aumento na RAS da solucao do solo, condicoes que proporcionam mudancas na distribuicao de poros por tamanho e decrescimo na condutividade hidraulica do solo, em meio saturado (Dikinya et al., 2006). Arienzo et al. (2012) afirmaram que RAS menor que 5 [(mmol [L.sup.-1]).sup.0,5] causou pequenos efeitos adversos em solo esmectitico e que apenas altos valores de RAS, quando ha reducao na concentracao de eletrolitos na agua do solo, podem ocasionar decrescimo na sua condutividade hidraulica. Dikinya et al. (2007) observaram efeitos evidentes da mineralogia do solo tendo havido tambem maior reducao na condutividade hidraulica de material esmectitico-caulinitico que em caulinitico com aumento da RAS.

A fertirrigacao com aguas residuarias urbanas, agroindustriais e do criatorio de animais, pode resultar na adicao de grandes quantidades de sais proporcionando alteracao nas proporcoes dos diversos cations no solo, incluindo sodio e potassio e com isso comprometer suas propriedades fisico-hidricas, alem do crescimento das plantas (Matos, 2010). Estudos a respeito das relacoes de sodio e potassio com o complexo de troca do solo de diferentes mineralogias sao importantes para o gerenciamento adequado de areas nas quais sejam aplicadas aguas residuarias (Arienzo et al., 2012).

A diluicao e a retirada de sais soluveis do solo podem ser efetuadas mediante a aplicacao de laminas de lixiviacao as quais podem, muitas vezes, diluir, juntamente com sais dispersantes, sais agregantes, comprometendo a estrutura do solo com efeitos notorios na estabilidade de agregados, porosidade e densidade, entre outros atributos fisicos do solo (Miranda et al., 2011). Assim, o fornecimento de ions com forca de agregacao no solo assume papel relevante e, na recuperacao de solos sodificados, recomenda-se que a definicao da dose de gesso a ser aplicada seja baseada no PST considerado aceitavel para o solo (Harron et al., 1983).

Os valores de PST e RST na camada superficial do solo podem ser estimados com razoavel acuracidade, a partir do valor da RAS na agua aplicada de vez que ocorre relativamente rapido equilibrio quimico entre eles sendo, por isso, bons indicadores do acumulo potencial de sodio trocavel (Bresler, 1982).

Freire et al. (2003) observaram forte influencia da mineralogia da argila do solo na saturacao do complexo de troca com sodio sendo que solos contendo esmectita apresentaram maior saturacao por sodio que os predominantemente cauliniticos. Por outro lado e no que se refere a solucao do solo, Paliwal & Gandhi (1976) observaram que RST e PST aumentaram com o decrescimo na razao Ca:Mg, o que atribuem a maior dificuldade para o sodio deslocar o calcio que o magnesio do complexo de troca do solo.

Muitas equacoes, baseadas na equacao de Gapon, tem sido apresentadas na literatura para relacionar RST com a RAS. Em razao de diversos fatores interferirem na relacao de RST e PST com a RAS, e inadequada a utilizacao de equacoes desenvolvidas para solos de outras partes do mundo e por isso foram sugeridos estudos de equilibrio entre o sodio em solucao e o sodio trocavel, em solos brasileiros (Freire, 2001).

Considerando-se a real possibilidade de sodificacao de solos mais intemperizados, decorrente da aplicacao de aguas residuarias ricas em sodio, estudos e a obtencao de equacoes para estimativa de PST e RST, como funcao da RAS se tornam importantes razao por que se objetivou, no presente trabalho, avaliar a influencia de caracteristicas fisicas, quimicas e mineralogicas de tres solos oxidicos no potencial de sua sodificacao, alem de se obter equacoes que relacionem as concentracoes de sodio trocavel com as da solucao.

MATERIAL E METODOS

Para avaliacao da influencia de algumas caracteristicas fisicas, quimicas e mineralogicas na magnitude dos efeitos de solucoes com diferentes valores de RAS sobre o solo, foram utilizadas amostras de solos coletadas no horizonte B de um Latossolo Vermelho-Amarelo (LVA) do municipio de Vicosa; Latossolo Vermelho (LV), do municipio de Belo Horizonte e um Argissolo Vermelho (PV), do municipio de Barroso, todos do estado de Minas Gerais, Brasil, sendo essas classes de solo escolhidas por apresentarem, respectivamente, presenca marcante dos minerais caulinita, hematita e gibbsita.

Depois de efetuada a coleta as amostras de solos foram secadas ao ar, destorroadas e passadas em peneira de 2 mm, para sua caracterizacao fisica, quimica e mineralogica. As analises fisicas compreenderam a determinacao da textura, conforme EMBRAPA (1997) cujos resultados estao apresentados na Tabela 1.

As analises quimicas incluiram a quantificacao das concentracoes de cations trocaveis ([Ca.sup.2+], [Mg.sup.2+], [K.sup.+] e [Na.sup.+]), acidez trocavel ([Al.sup.3+]), acidez total (H + Al), materia organica e fosforo disponivel (EMBRAPA, 1997). Os teores de potassio e sodio trocaveis foram obtidos por fotometria de chama, os de calcio e magnesio por absorcao atomica, os de fosforo e ferro por colorimetria e a acidez trocavel e acidez potencial por titulometria (EMBRAPA, 1997). Os valores da soma de bases (S), capacidade de troca cationica efetiva (t) e potencial (T), indice de saturacao por sodio (ISNa) e porcentagem de sodio trocavel (PST) foram obtidos por meio de calculos que envolveram os cations trocaveis determinados. Na Tabela 2 se apresenta a caracterizacao quimica dos solos estudados.

Para a analise mineralogica da fracao argila do solo, amostras de terra fina secada ao ar (TFSA), de aproximadamente 10 g, foram dispersas pela adicao de 100 mL de NaOH 0,1 mol [L.sup.-1], seguindo a agitacao em coqueteleira, durante 15 min. A suspensao obtida foi passada em peneira com malha de 0,053 mm separando-se a fracao areia (EMBRAPA, 1997). As fracoes remanescentes (silte e argila) foram suspensas em solucao aquosa, de pH 10 (pH elevado pela adicao de [Na.sub.2]C[O.sub.3]) e, posteriormente, separadas por sifonamento. O material argiloso recebeu tratamento com [H.sub.2][O.sub.2], a quente, para eliminacao da materia organica sendo posteriormente secado ao ar e moido em almofariz.

A argila foi analisada em difratometro com radiacao de cobalto (comprimento de onda de 1,5418 A) e filtro de niquel, com velocidade de exposicao de 1[degrees] [min.sup.-1]; na Figura 1 se apresentam os espectros da fracao argila dos solos estudados.

Os tratamentos corresponderam a aplicacao nos tres solos de cada uma das solucoes de percolacao preparadas com CE de 8,0 dS [m.sup.-1] e RAS de 0, 10, 20, 30, 40 e 50 [([mmol.sub.c] [L.sup.- 1]).sup.05] , em tres repeticoes, totalizando 54 unidades experimentais; para obtencao dos valores especificados para CE e RAS foram utilizados os sais NaCl e Ca[Cl.sub.2] no preparo dessas solucoes.

As concentracoes molares de sodio e calcio nas solucoes foram calculadas a partir dos valores de RAS e da CE definidas (8 dS [m.sup.-1] ), segundo o desenvolvimento a seguir:

RAS = [[Na.sup.+]]/[square root of [[Ca.sup.2+]] + [[Mg.sup.2+]]/2 (1)

Utilizando a aproximacao a seguir, valida para o experimento em questao, no qual nao foram utilizados sais de magnesio: [[Ca.sup.2+]] + [[Mg.sup.2+]] [approximately equal to] [[Ca.sup.2+]], a expressao para a RAS se resume a:

RAS = [[Na.sup.+]]/[square root of [[Ca.sup.2+]]/2] [right arrow] [[Na.sup.+]] = RAS x [square root of [[Ca.sup.2+]]/2] (2)

Assumindo que [[Na.sup.+]] + [[Ca.sup.2+]] = 10 x CE (Bresler, 1982), [[Ca.sup.2+]] = 10 x CE - [[Na.sup.+]] e substituindo na Eq. 2, pode-se obter:

[[Na.sup.+]] = RAS x[square root of 10 x CE2-[[Na.sup.+]]/2] (3)

Desenvolvendo a Eq. 3 e elevando ao quadrado os dois lados e os rearranjando, obtem-se uma equacao de 2[degrees] grau em que a [[Na.sup.+]] e a incognita em questao; calculando as raizes de forma que a [[Na.sup.+]] na solucao a ser preparada seja funcao da RAS e da CE desejadas em dado tratamento, obtem-se:

[[Na.sup.+]] = - [RAS.sup.2] + [square root of [RAS.sup.4] + 80 x CE x [RAS.sup.2]]/4 (4)

As massas de NaCl e Ca[Cl.sub.2] utilizadas no preparo das solucoes salinas estao apresentadas na Tabela 3.

Para obtencao da condicao de equilibrio ionico entre as diferentes solucoes salinas e os materiais dos tres solos, foram conduzidos ensaios dinamicos nos quais essas solucoes foram aplicadas e percoladas em colunas de solo acondicionadas em tubos de PVC de 5 cm de diametro e 20 cm de comprimento. Para minimizar a ocorrencia de escoamento preferencial junto as paredes internas dos tubos suas superficies internas foram impregnadas com areia lavada fixada por cola. A parte inferior dessas colunas foi fechada com tela forrada com um disco de la de vidro, sendo o solo acondicionado, tomando-se o cuidado de homogeneizar a distribuicao das particulas para evitar a formacao de camadas de compactacao diferenciada, ate uma altura de 10 cm, de acordo com a massa especifica do solo. Na parte superior da coluna foi colocado outro disco de la de vidro para evitar disturbios na superficie quando da passagem das solucoes salinas.

Primeiro, as colunas foram colocadas para saturar dentro de bandejas plasticas, contendo a solucao de percolacao, conforme o tratamento ate uma altura correspondente a aproximadamente dois tercos da altura da amostra de solo (7 cm) e assim permaneceram por, no minimo, 48 h, conforme adaptado de Freire (2001), quando foram montados os permeametros de coluna vertical e carga constante. A seguir realizou-se, em regime permanente e em meio saturado, a aplicacao das solucoes salinas de percolacao utilizando-se, para tal, frascos "Mariotte" como sistema de alimentacao. A solucao de percolacao (Tabela 3) foi aplicada ate o momento em que a CE do efluente se aproximou da afluente. Posteriormente, as colunas de solo foram mantidas nos recipientes com as solucoes de percolacao por no minimo mais 24 h, conforme adaptado de Freire (2001). Findo este periodo, amostras de material de solo das colunas foram retiradas para analise da concentracao de sodio trocavel, conforme metodologia ja descrita.

A porcentagem de sodio trocavel (PST) e a relacao de sodio trocavel (RST) foram calculadas utilizando-se, respectivamente, as Eqs. 5 e 6.

PST 100 x [[Na.sup.+]]/T (5)

RST = [[Na.sup.+]]/T[[[Na.sup.+]] (6)

em que:

[[Na.sup.+]] - concentracao de sodio trocavel no solo, [mmol.sup.c] [dm.sup.-3]

T - CTC potencial do solo, [mmol.sup.c] [dm.sup.-3]

Equacoes matematicas foram ajustadas por regressao aos dados de PST e RST em funcao da RAS, utilizando-se o modelo linear para a equacao RST x RAS e para a equacao PST x RAS avaliaram-se diversos modelos matematicos optando-se por aquele que apresentasse maior significancia dos coeficientes e do valor do coeficiente de determinacao.

RESULTADOS E DISCUSSAO

Na Figura 2 estao apresentadas as curvas e as equacoes lineares ajustadas aos dados de RST em funcao dos valores de RAS na solucao de percolacao.

Conforme se verifica, o uso de solucoes de diferentes valores de RAS proporcionou aumento da RST, nos tres solos estudados. Verifica-se, no entanto, tendencia de estabilizacao na quantidade de sodio adsorvido aos sitios de troca cationicos com o aumento da RAS. Este comportamento proporcionaria melhor ajuste de modelos quadraticos; entretanto, como na literatura as equacoes ajustadas para RST em funcao da RAS sao sempre lineares, optou-se por apresentar as equacoes lineares ajustadas. A razao pela preferencia dos pesquisadores pelo ajuste de modelos lineares decorre, segundo Dikinya et al. (2007), do fato de haver a relacao teorica RST = [K.sub.G] x RAS, em que [K.sub.G] e a constante de Gapon.

Comparando os coeficientes angulares das equacoes ajustadas aos solos estudados, verificam-se menores valores na equacao do LVA e LV que na do PV. Embora a gibbsita seja a argila dominante, o PV e um solo mais jovem, o que pode ser comprovado pelo relativamente alto teor de silte que possui (Tabela 1) e pela presenca de clorita na fracao argila (Figura 1); por isso se apresentou menos resistente a adsorcao do sodio. Freire et al. (2003) verificaram que solos mais jovens, que apresentavam esmectita na fracao argila, demonstraram maior afinidade no processo de saturacao por sodio com pouca interferencia da CE da agua utilizada, que aqueles que apresentavam maior presenca de caulinita. Harron et al. (1983) atribuiram ao maior teor de materia organica no horizonte A, em relacao ao B, o menor coeficiente angular obtido na equacao ajustada para RST em funcao da RAS, em um solo solonetzico. Esses autores justificaram que ha preferencial adsorcao de cations divalentes que sodio no material organico. Avaliando, porem, os conteudos de materia organica apresentados na Tabela 2, verifica-se que isto nao foi fator de influencia na adsorcao de sodio. Paliwal et al. (1971) observaram tendencia do coeficiente angular da regressao aumentar com a diminuicao no teor de argila do solo. Nos solos oxidicos estudados essa associacao ficou comprovada ja que, conforme consta na Tabela 1, o solo com menor teor de argila (PV) foi o que apresentou o maior coeficiente angular.

Diversos autores estudaram a relacao entre RST e RAS estando as equacoes apresentadas na Tabela 4. A diferenca entre as equacoes e atribuida a composicao mineralogica, aos tipos de sais soluveis de sodio, ao teor de materia organica, ao pH e a presenca de carbonato de calcio.

A equacao classica de Richards (RST = - 0,0126 + 0,0147RAS) tomada por muitos como passivel de uso generalizado, diferiu bastante da obtida para solos mais intemperizados, tal como os solos estudados. Comparando o coeficiente angular das equacoes apresentados na Tabela 4, verifica-se que as equacoes obtidas neste trabalho para o LVA e LV se assemelharam muito as obtidas por Paliwal et al. (1971) para solos de textura francoarenosa e arenosa, alem da referente a equacao geral por eles proposta. A equacao ajustada para o PV, por sua vez, aproximouse da obtida por Harron et al. (1983) para o horizonte A de um solo solonetzico do Canada.

Na Figura 3 se encontram as curvas e as equacoes quadraticas utilizadas para relacionar PST com a RAS. Diferentemente das curvas RST x RAS tem sido apresentados, na literatura, ajustes de equacoes diferentes das de primeiro grau para as curvas de PST x RAS, tal como apresentado por Paliwal & Gandhi (1976) e por esta razao se optou por apresentar equacoes de melhor ajuste, que foram as de modelo quadratico.

Corroborando com o que foi obtido por outros autores (Dikinya et al., 2007; Freire et al. 2003, Paliwal & Gandhi, 1976), o aumento na RAS proporciona aumento na PST, tal como ja tinha sido verificado em relacao a RST devido as trocas ionicas que ocorrem no meio. Verifica-se tambem que, como nao poderia deixar de ser, as curvas PST x RAS apresentam mesmo comportamento das RST x RAS, com igual tendencia de haver um limite na substituicao de sodio por outros cations no complexo de troca dos solos. Utilizando as equacoes ajustadas para estimativa dos valores de PST maximos, obtem-se 16, 16,6 e 22,5%, respectivamente, para o LVA, LV e PV. Com isto se verifica que a maxima saturacao do complexo de troca com Na e semelhante no LVA e LV sendo, no entanto, maior no PV. Credita-se grande parte desses resultados a sua mineralogia, tipica de solo mais jovem, e ao relativamente baixo percentual de argila presente no PV. Freire et al. (2003) apresentaram curvas indicativas de que a PST maxima no grupo de solos considerados mais intemperizados (Argissolo Vermelho Amarelo, Planossolo Haplico e Argissolo Amarelo) estaria entre 11 e 15% (valores estimados), com a aplicacao de solucoes de percolacao de CE de 1,5 dS [m.sup.-1]. Os valores obtidos por esses autores podem ser considerados proximos aos obtidos neste trabalho para o LVA e LV, mesmo tendo sido utilizadas solucoes de percolacao de maior CE (8,0 dS [m.sup.-1]), indicando que o nivel de saturacao do complexo de troca desses solos independe da concentracao ionica da solucao percolante.

Almeida Neto et al. (2009) concluiram, estudando o comportamento dos mesmos solos utilizados neste experimento (LVA, LV e PV), sob condicoes de percolacao de solucoes de RAS e CE crescentes, que todas as solucoes de percolacao, notadamente as de maiores CE, independente do valor da RAS, proporcionaram, ao inves de dispersao, a manutencao ou diminuicao na argila dispersa nos solos.

Corroborando com Freire et al. (2003) e com base nos resultados obtidos, pode-se afirmar que solos mais intemperizados suportariam aguas de RAS mais elevada, desde que a CE nao seja baixa, sem apresentar indicativos de sodificacao e dispersao de argila.

CONCLUSOES

1. A mineralogia, o grau de intemperismo e o conteudo de argila do solo, influenciam a relacao de sodio trocavel e a porcentagem de sodio trocavel;

2. O aumento na relacao de adsorcao de sodio nas solucoes de percolacao eleva a relacao de sodio trocavel e a porcentagem de sodio trocavel nos solos estudados;

3. As equacoes de estimativa da razao de adsorcao de sodio obtidas para o Latossolo Vermelho-Amarelo, Latossolo Vermelho e Argissolo Vermelho, diferiram acentuadamente da equacao classica de Richards, que tem sido utilizada indistintamente para qualquer tipo de solo;

4. Os solos estudados podem receber aguas de relacao de adsorcao de sodio e alta condutividade eletrica, sem sofrer sodificacao expressiva.

LITERATURA CITADA

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Antonio T. de Matos (1), Onofre B. Almeida Neto (2) & Mateus P. de Matos (3)

(1) UFV. Vicosa, MG. E-mail: atmatos@ufv.br (Autor correspondente)

(2) Instituto Federal de Educacao, Ciencia e Tecnologia do Sudeste de Minas Gerais. Rio Pomba, MG. E-mail: onofre.neto@ifsudestemg.edu.br

(3) UFMG. Belo Horizonte, MG. E-mail: matmatos_eaa@yahoo.com.br

Tabela 1. Analise granulometrica obtida em amostra
de um Latossolo Vermelho-Amarelo (LVA), Latossolo
Vermelho (LV) e Argissolo Vermelho (PV)

                  Fracao

Solo    Areia     Areia fina     Silte    Argila
        grossa    d ag
                  [kg.sup.-1]

LVA       12           8           |5       75
LV        32           5           17       46
PV        19           8           29       44

Tabela 2. Caracterizacao quimica obtida em amostra
de um Latossolo Vermelho-Amarelo (LVA), Latossolo Vermelho
(LV) e Argissolo Vermelho (PV)

        P      K mg          Na      [Ca.sup.2+]    [Mg.sup.2+]
Solo           [dm.sup.-3]

LVA     2,0        50        12,4        0,16           0,16
LV      2,3        58        13,4        0,25           0,17
PV      1,3        34         1,4        3,71           0,56

        [Al.sup.3+]    H + Al         SB      (t)     (T)      ISNa
Solo                   [cmol.sub.c]                            %
                       [dm.sup.-3]

LVA         0,65           12,6       0,50    1,15    13,10    4,69
LV          0,55           12,0       0,63    1,18    12,63    4,94
PV          0,25           12,9       4,37    4,62    17,27    0,13

        PST     MO dag
Solo            [kg.sup.-1]

LVA     0,41        0,50
LV      0,46        2,38
PV      0,04        1,44

P Na, K--Extrator Mehlich 1; Ca, Mg e Al--Extrator:
KCl 1 mol [L.sup.-1]; H +Al--Extrator acetato de calcio 0,5
mol [L.sup.1] pH 7,0; SB--Soma de bases trocaveis;
t--Capacidade de troca cationica efetiv; a T--Capacidade
de troca cationica; ISNa--Indice de saturacao por sodio =
[[Na.sup.+]]/t; PST--Porcentagem de sodio trocavel =
[[Na.sup.+]]/T; MO--material organica = C.Org. x
1,724--metodo Walkley-Black (Matos, 2012)

Tabela 3. Valores da relacao de adsorcao de sodio
(RAS), concentracoes e massas de cloreto de sodio
e cloreto de calcio, utilizados no preparo de 1 L
das solucoes de percolacao

Solo    Equacao                          [R.sup.2]

LVA     PST = 0,4307 + 0,6509 **           0,987
          x RAS--0,006 8* x RAS (2)
LV      PST = 0,9689 + 0,7208 *            0,946
          x RAS--0,0083 x RAS (2)
PV      PST = 0,4304 + 0,7778 ***          0,997
          x RAS--0,0069 ** x RAS (2)

Tabela 4. Equacoes de regressao determinadas para estimar a
relacao de sodio trocavel (RST) em funcao da relacao de
adsorcao de sodio (RAS) de solos de diferentes caracteristicas
e regioes do mundo

Equacao                                    Pais      Fonte
                                           (Estado)

RST = 0,1381 +                             India     Paliwal &
  0,00899 x RAS                                        Gandhi (1976)
RST = 0,15 + 0,0025   solo argiloso        India     Paliwal et
  x RAS                                                al. (1971)
RST = 0,18 + 0,0029   solo franco          India     Paliwal et
  x RAS                                                al. (1971)
RST = 0,20 + 0,0036   solo franco-arenoso  India     Paliwal et
  x RAS                                                al. (1971)
RST = 0,32 + 0,0036   solo arenoso         India     Paliwal et
  x RAS                                                al. (1971)
RST = 0,23 + 0,0042   eq. Geral            India     Paliwal et
  x RAS                                                al. (1971)
RST = 0,0076 +        horiz A solo         Canada    Harron et
  0,0058 x RAS          solonetzico                   al. (1983)
RST = 0,0180 +        horiz B deum solo    Canada    Harron et
  0,0173 x RAS          solonetzico                    al. (1983)

Figura 2. Relacao de sodio trocavel (RST) em funcao
da relacao de adsorcao de sodio (RAS) e equacoes de
regressao lineares obtidas em amostra de um Latossolo
Vermelho-Amarelo (LVA), Latossolo Vermelho (LV) e

Solo             Equacao                   [R.sup.2]

LVA     RST = 0,0269 + 0,0038 ** x RAS       0,921
LV      RST = 0,0391 + 0,0038 ** x RAS       0,849
PV      RST = 0,0239 + 0,0056 *** x RAS      0,973

** e *** Significancia de 0,01 e 0,001, respectivamente

Figura 3. Porcentagem de adsorcao de sodio (PST)
em funcao da relacao de adsorcao de sodio (RAS) e
equacoes de regressao quadraticas obtidas em amostra
de um Latossolo Vermelho-Amarelo (LVA), Latossolo
Vermelho (LV) e Argissolo Vermelho (PV)

Solo    Equacao                        [R.sup.2]

LVA     PST = 0,4307 + 0,6509 ** x     0,987
          RAS - 0,0068 * x RAS (2)
LV      PST = 0,9689 + 0,7208 * x      0,946
          RAS - 0,0083 x RAS (2)
PV      PST = 0,4304 + 0,7778 *** x    0,997
          RAS - 0,0069 ** x RAS (2)

** e *** Significancia de 0,01 e 0,001, respectivamente
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Author:de Matos, Antonio T.; Neto, Onofre B. Almeida; de Matos, Mateus P.
Publication:Revista Brasileira de Engenharia Agricola e Ambiental
Date:May 1, 2014
Words:4425
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