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Sanidade e qualidade fisiologica de sementes de Chorisia Glaziovii O. Kuntze tratadas com extratos vegetais/Sanitary and physiological quality of Chorisia Glaziovii O. Kuntze seeds treated with plant extracts.

Introducao

A especie Chorisia glaziovii O. Kuntze (Malvaceae) ocorrente no Nordeste brasileiro nas caatingas hipoxerofilas (agreste) em areas de terreno acidentado e na caatinga arborea do Medio Vale do Sao Francisco, conhecida como barriguda, paineira-branca, entre outros, e recomendada para recomposicao de areas degradadas devido as suas caracteristicas ornamentais, a exemplo do tronco bojudo e floracao branca muito vistosa, conferindo a arvore beleza impar. As sementes sao revestidas por la ou paina, a qual e utilizada em industrias de estofados, para enchimento de travesseiros e colchoes, bem como revestimentos em geral (LORENZI, 2002). Na medicina popular e utilizada no tratamento preventivo de doencas, como por exemplo do coracao e pressao alta (LUCENA et al., 2008).

A associacao de sementes com microrganismos tem se constituido em uma preocupacao cada vez maior, principalmente nos paises tropicais, cujas condicoes climaticas diversificadas tem favorecido um numero maior de problemas sanitarios (MACHADO, 2000). Os fitopatogenos podem estar associados as sementes na sua superficie, no seu interior ou misturados as mesmas, apresentando-se nas mais variadas formas de propagacao, estruturas de resistencia ou outras estruturas especificas dos diversos grupos de fungos, bacterias, nematoides e virus (SANTOS; PARISI; MENTAM, 2011).

O conhecimento dos organismos patogenicos encontrados nas sementes e apenas o principio para o controle de sua livre disseminacao, porem, e necessario identificar os possiveis organismos capazes de causar doencas em plantulas ou mudas florestais (LAZAROTTO et al., 2012). A associacao de patogenos as sementes indica um meio potencial de transmissao e possivel estabelecimento da doenca sob condicoes de campo, podendo tornarem-se ativos, assim que encontrarem condicoes favoraveis para o seu desenvolvimento (MARINO et al., 2008).

A atividade de compostos secundarios de plantas tem se tornado uma alternativa no controle de patogenos, com potencial ecologico para substituir o emprego de produtos sinteticos, por meio da utilizacao de subprodutos de plantas medicinais que apresentam em sua composicao substancias com propriedades fungitoxica (VENTUROSO; BACCHI; GAVASSONI, 2011).

Para Zacaroni (2008) e Medeiros et al. (2009), produtos naturais tais como oleos essenciais e formulacoes de extratos vegetais tem se mostrado promissores no controle de doencas, atuando como indutores de resistencia. Com isso, o objetivo desta pesquisa foi determinar a eficiencia dos extratos aquosos de Allium sativum e Lippia alba no controle de patogenos e seu efeito na qualidade fisiologica das sementes de Chorisia glaziovii.

Material e metodos

O experimento foi conduzido no Laboratorio de Fitopatologia, pertencente a Universidade Federal da Paraiba, Campus II, Areia, com sementes de Chorisia glaziovii, obtidas de frutos coletados sobre da copa de arvores-matrizes localizadas no referido municipio (06[degrees]57'46" S e 35[degrees]41'31" W) e transportados para o laboratorio no qual se realizou a extracao manual das sementes.

Para determinar o teor de agua das sementes foram utilizadas quatro repeticoes de 25 sementes, colocadas em estufa sob temperatura de 105 [+ or -]3[degrees]C, durante 24 h, sendo os resultados expressos em porcentagem com base no peso umido das sementes, conforme Brasil (2009).

O delineamento experimental foi inteiramente casualizado em esquema fatorial (2 x 5) + 1 (extratos x concentracoes + fungicida), com quatro repeticoes, sendo cada repeticao composta por 25 sementes.

Obtencao dos extratos

Para a obtencao dos extratos aquosos foram utilizados 100 g de bulbilhos de alho (Allium sativum L.), adquiridos no comercio local, que foram macerados em 100 mL de agua destilada e esterilizada (ADE), e 100 g de folhas de erva-cidreira (Lippia alba Mill. N. E. Brown--Verbenaceae) tendo uma exsicata depositada no Herbario Jaime Coelho de Moraes (EAN) CCA/UFPB, com Voucher JMP Cordeiro 1374, coletada no Horto Medicinal do Campus II, da UFPB. Em seguida, as folhas foram trituradas em liquidificador, acrescido de 100 mL de ADE, sob condicoes de temperatura a 25[+ or -]2[degrees]C. Apos a filtracao dos extratos aquosos em dupla camada de gaze esteril, foram obtidas as concentracoes de 25, 50, 75 e 100% dos extratos de alho e erva-cidreira, com metodologia adaptada de Silva (2009). Para avaliar o efeito dos tratamentos sobre a qualidade sanitaria e fisiologica das sementes de Chorisia glaziovii, foram realizados os seguintes testes:

Teste de sanidade

As sementes foram previamente desinfestadas com hipoclorito de sodio a 1% por 2 min, em seguida imersas em extratos aquosos de alho e erva-cidreira nas concentracoes de 0, 25, 50, 75 e 100%, alem do fungicida captana (240 g 100 [kg.sup.-1] de sementes), como controle positivo. As sementes foram distribuidas em placas de Petri contendo dupla camada de papel-filtro umedecidas e mantidas sob condicoes de incubacao em temperatura de 25 [+ or -]2[degrees]C, sob fotoperiodo de 12 h, durante sete dias. A identificacao dos fungos presentes nas sementes foi realizada com auxilio de microscopio optico, comparando as descricoes constantes na literatura (SEIFERT et al., 2011).

Teste de germinacao

Conduzido em germinadores do tipo Bilogical Oxygen Demand (B.O.D.) regulado a temperatura constante de 25 [degrees]C, sob fotoperiodo de 8 h usando lampadas fluorescentes tipo luz do dia (4 x 20 W). As sementes, em quatro repeticoes de 25, foram distribuidas sobre duas folhas de papel-toalha, cobertas com uma terceira e organizadas em forma de rolos, previamente umedecidos com os volumes de agua equivalente a 2,5 vezes o seu peso seco. As avaliacoes foram realizadas no quinto e decimo segundo dia apos a instalacao do teste (GUEDES et al., 2011) adotando-se como criterio sementes com emissao de raiz em torno de 0,5 cm, considerando-se como sementes germinadas aquelas que originaram plantulas normais (raiz primaria e parte aerea presentes) conforme as Regras para Analise de Sementes (BRASIL, 2009).

Primeira contagem de germinacao

Determinada juntamente com o teste de germinacao, mediante contagem do numero de plantulas normais (raiz e parte aerea, presentes) no quinto dia apos a instalacao do teste, sendo os resultados expressos em porcentagem.

Indice de velocidade de germinacao (IVG)

A velocidade de emergencia foi determinada atraves de contagens diarias (realizadas no mesmo horario) das sementes germinadas durante 12 dias, sendo o indice de velocidade de germinacao calculado conforme a formula proposta por Maguire (1962):

IVG = [[G.sub.1] + [G.sub.2] +... [G.sub.3] + [G.sub.n]/[N.sub.1] + [N.sub.2] +... [N.sub.n]]

Em que: G1, G2 e Gn = numero de plantulas normais germinadas a cada dia; N1, N2 e Nn = numero de dias decorridos da primeira a ultima contagem.

Comprimento e massa seca de raiz e parte aerea

Ao final do teste de germinacao, todas as plantulas normais de cada tratamento e repeticao foram medidas (raiz e parte aerea) com auxilio de regua graduada em centimetros, com os resultados expressos em cm.plantula-1 Apos as medicoes, as raizes e partes aereas das plantulas sem as folhas cotiledonares foram colocadas em sacos de papel tipo Kraft e postas em estufa de secagem a 65[degrees]C ate peso constante (48 horas). Decorrido esse periodo, as amostras foram pesadas em balanca analitica com precisao de 0,001g e os resultados expressos em g.plantulas-1.

Analise estatistica

O delineamento experimental utilizado foi o inteiramente casualizados, com os tratamentos distribuidos esquema fatorial 2 x 5 +1 (extratos vegetais x concentracoes + fungicida), com quatro repeticoes; realizando-se analise de variancia e regressao polinomial testando os modelos linear e quadratico, sendo selecionado o significativo de maior [R.sup.2] [.sup.A]s medias foram comparadas pelo teste de Scott-Knott a 5% de probabilidade, utilizando-se o programa estatistico ASSISTAT[R] versao 7.7 beta (SILVA, 2012).

Resultados e discussao

Qualidade sanitaria

De acordo com os resultados obtidos para qualidade sanitaria e fisiologica das sementes, nao ocorreu interacao significativa entre extratos aquosos e concentracoes para a maioria das variaveis analisadas, ocorrendo efeito significativo (p>0,01) entre as concentracoes.

Quanto a analise de sanidade, foi verificada a ocorrencia dos fungos: Aspergillus flavus, Aspergillus sp., Botrytis sp., Cladosporium sp., Curvularia lunata, Fusarium sp., Nigrospora sp., Periconia sp., Pestalotia sp. e Rhizopus stolonifer, associados as sementes de Chorisia glaziovii. No entanto, foi observada diferenca estatistica entre as concentracoes dos extratos aquosos de alho e o tratamento com fungicida (Figura 1), quando avaliada a porcentagem de ocorrencia dos fungos Aspergillus flavus, Aspergillus niger, Aspergillus sp., e Rhizopus stolonifer, presentes nas sementes, verificando reducao na ocorrencia dos fungos associados as sementes tratadas com extrato de alho. Para Curvularia luneta e Fusarium sp. os tratamentos nao diferiram entre si (Figura 1. D e E).

Para Aspergillus sp. Aspergillus flavus, Aspergillus niger e Rhizopus stolonifer o controle se deu a partir de 75% do extrato aquosos de alho, nao diferindo do fungicida Captana (Figura 1. A, B, C e F). Nos casos de Curvularia lunata e Fusarium sp., o controle se deu a partir da concentracao de 25%, diferindo da testemunha (0%) (Figura 1 D e E). Resultados observados por Barros, Oliveira e Maia (1995) e Morais (2004), tambem mostraram efeito inibitorio dos fungos Alternaria sp., Curvularia sp., Fusarium oxysporum, Fusarium subglutinans, submetidos aos tratamentos a base de extratos aquosos de alho e com fungicida, conforme constatado nesse trabalho.

Brand et al. (2009) concluiram que o extrato de alho na concentracao de 20% foi responsavel pela inibicao total dos fungos Aspergillus spp., Trichoderma spp. e Rhizopus spp., presentes nas sementes de cebola (Allium cepa L.), alem de reduzir a incidencia do Penicillium spp. Extratos aquosos e hidroalcoolicos de Allium sativum, bem como discos de alho fresco, possuem efeito inibitorio sobre o crescimento de bacterias e fungos (OTA et al., 2010; VENTUROSO; BACCHI; GAVASSONI, 2011; FONSECA et al., 2014).

O extrato de erva-cidreira na concentracao de 100% foi eficiente na inibicao de todos os fungos e nas concentracoes de 25, 50 e 75% mostraram-se eficientes na reducao de Aspergillus flavus, Fusarium sp. e Rhizopus stolonifer (Figura 2 A, C e D). A obtencao de extratos a partir da utilizacao de erva-cidreira (Lippia alba Mill.), tem sido indicada para industrias agroquimicas, apresentam propriedades fungitoxicas e inseticidas comprovadas (YAMAMOTO et al., 2008).

Outros estudos evidenciam a acao antifungica em funcao dos extratos aquosos de erva-cidreira, Tagami et al. (2009) observaram a inibicao total do crescimento micelial de Colletotrichum graminicola. Tambem foi verificado por Rozwalka (2008) que extratos aquosos de erva-cidreira na concentracao de 10% foram responsaveis pelo controle do crescimento micelial de Colletotrichum gloeosporioides.

A avaliacao da qualidade sanitaria das sementes com o emprego de extratos vegetais tem sido analisada por diversos pesquisadores que, alem de proporcionar uma reducao na micoflora, pode promover aumento do poder germinativo das sementes (MEDEIROS et al., 2013).

As concentracoes do extrato de erva-cidreira apresentaram diferencas significativas, promovendo a reducao na incidencia de Aspergillus flavus, Aspergillus sp., Fusarium sp. e Rhizopus stolonifer de acordo com a Figura 2.

Face ao exposto, o tratamento alternativo e uma pratica que pode ser utilizada para eliminacao de fitopatogenos associados a sementes florestais (SANTOS; PARISI; MENTAM, 2011). Para Silva, Gomes e Santos (2011), o uso de extratos vegetais e um importante aliado no tratamento de sementes quando se objetiva a reducao de problemas fitossanitarios, alem de contribuir com a manutencao do meio ambiente.

Qualidade fisiologica

Foi verificado teor de agua de 12% para as sementes contidas no lote utilizado no presente trabalho, permitindo a sua degradacao devido a contaminacao por patogenos, cujo desenvolvimento e favorecido pela umidade. Este alto teor de agua nas sementes florestais, e elevado por ocasiao do ponto de maturacao fisiologica, em que ocorre a coleta (MEDEIROS; EIRA, 2006). Em estudo conduzido por Guedes, Alves e Oliveira (2013), a fim de avaliar o envelhecimento acelerado de sementes de barriguda, foi verificado valor de 11% de teor de agua nas sementes.

Os tratamentos com 25, 50, 75 e 100% do extrato de alho inibiram o desenvolvimento do sistema radicular das plantulas (Figura 3A), logo e verificado os valores inferiores em comparacao ao tratamento com fungicida e testemunha (0%). Moura et al. (2013) avaliando o tratamento de sementes de picao-preto (Bidens pilosa L.) e pimentao (Capsicum annuum L.) com oleo essencial de alho a 1%, verificaram que houve alteracao significativa quanto ao comprimento da radicula frente a testemunha, chegando a atingir 1,67 e 3,4 cm de comprimento da radicula, respectivamente, com diferenca significativa, nao sendo prejudicadas pelo tratamento a base de alho.

Para os valores de comprimento total de plantula (Figura 3B), as concentracoes de 25 e 50% do extrato de alho, mantiveram o desenvolvimento normal das plantulas, nao diferindo estatisticamente (p<0,01) do tratamento com fungicida e testemunha (0%) (Figura 3B). Para Lazarotto et al. (2013) tambem nao foram observadas diferencas significativas para os tratamentos com extrato aquoso de alho e fungicida (captana), bem como a testemunha para os valores de comprimento total de plantulas de cedro (Cedrela fissilis Vell.).

O comprimento de parte aerea (Figura 3B) na presenca dos extratos aquosos de alho obteve menor efeito deleterio em comparacao ao desenvolvimento do sistema radicular (Figura 3A). Esses resultados concordam com Barbosa, Pivello e Meirelles (2008) e Sartor et al. (2009), em que varios estudos de alelopatia revelam efeitos inibitorios de extratos aquosos de Brachiaria decumbens (Stapf.) e Pinus taeda (L.), principalmente sobre a raiz primaria. Chung, Ahn e Yun (2001) relataram que o efeito mais acentuado sobre o sistema radicular e consequencia do contato mais intimo desta estrutura com a solucao de aleloquimicos e, que nesse estadio de desenvolvimento, os efeitos deleterios sobre o metabolismo sao mais drasticos, uma vez que ele e o alvo primario dos metabolitos secundarios, aliado ao alto metabolismo radicular e sensibilidade ao estresse ambiental.

Observou-se diferenca significativa (p < 0,01) para o uso do extrato de alho no comprimento de raiz e parte aerea de plantula, massa seca de raiz e massa seca total de plantula (Figura 3) e para o extrato de erva-cidreira houve diferenca significativa quanto a porcentagem de sementes germinadas na primeira contagem, comprimentos de raiz e comprimento de parte aerea e comprimento total de plantula (Figura 4).

Mesmo com a reducao do volume da massa seca de raiz e massa seca total (Figura 3 C e D) provocados pela acao dos tratamentos a base de extrato de alho, tambem foi observado efeito negativo em funcao da aplicacao do fungicida para mesmas variaveis, diferindo-os da testemunha (0%) (Figura 3 C e D). De acordo com Lazarotto et al. (2013), o extrato aquoso de alho nao provocou alteracoes significativas para as variaveis de massa seca de plantulas de cedro.

Para os parametros de primeira contagem, geminacao, indice de velocidade da geminacao e comprimento de parte aerea, nao foram verificadas diferencas estatisticas (p<0,05) entre os tratamentos. Observaram-se os valores medios de 14% de sementes geminadas na primeira contagem e 43% de sementes geminadas no total; 3,8 para o indice de velocidade da geminacao e 3,3 cm para o comprimento de parte aerea, para as sementes tratadas com extrato aquoso de alho. Girandi et al. (2009) tambem verificaram que o extrato aquoso de alho foi responsavel por 84% da geminacao em sementes de zinia e a testemunha ficou em 80% da geminacao, nao diferindo estatisticamente.

Para os resultados da Figura 4A, foram observados valores superiores ao percentual de sementes germinadas na primeira contagem em funcao dos tratamentos a 75 e 100% do extrato aquoso de erva-cidreira, diferindo-se (p<0,05) estatisticamente do tratamento com fungicida e a testemunha (0%). Para Ferreira e Aquila (2000), a germinacao e considerada menos sensivel aos metabolitos secundarios, pois essas substancias geralmente influenciam no crescimento de plantulas, podendo provocar o aparecimento de plantulas anormais, tendo a necrose como um sintoma comum.

Bonfim et al. (2011) estudando o potencial alelopatico de extratos aquosos de erva-cidreira (Lippia alba Mill.) na germinacao e vigor de sementes de tanchagem (Plantago major L.), nao observaram diferencas significativas entre as concentracoes dos extratos, quanto a porcentagem de germinacao das sementes de tanchagem.

Os tratamentos com extrato de erva-cidreira a 50 e 75% proporcionaram os maiores valores de comprimento de parte aerea, comprimento de raiz e comprimento total de plantula, exceto a concentracao de 75% para esta ultima variavel (Figura 4 B, C e D), superando os valores encontrados no tratamento com fungicida e pela testemunha (0%). Os resultados da Figura 4 (C e D) sugerem efeito hormesse abaixo de 75% do extrato, logo alguns compostos vegetais, quando utilizados em concentracoes extremamente reduzidas, apresentam efeito hormesse, que se caracteriza pela inducao de determinadas caracteristicas provocada pela utilizacao de baixas concentracoes de compostos (MAIRESSE, 2005).

Nao houve diferenca significativa para as variaveis analisadas de germinacao, indice de velocidade da germinacao, massa seca parte aerea, raiz e total, sendo verificados valores medios de 47% de sementes germinadas, 4,1 para o indice de velocidade da germinacao, 0,05 g para a massa seca de raiz, 0,08 g de massa seca da parte aerea e 0,13 g de massa seca total, para as sementes que receberam os tratamentos a base de extrato de erva-cidreira. Os resultados obtidos sao semelhantes aos encontrados, Mieth et al. (2007) que tambem verificaram que diferentes concentracoes e formulacoes do extrato aquoso de hortela (Mentha piperita L.) aplicados sobre sementes de cedro (Cedrela odorata L.) nao influenciaram na germinacao das mesmas. Em estudos realizados por Bonfim et al. (2011) os extratos aquosos de erva-cidreira foram responsaveis pela inibicao do indice de velocidade da geminacao das sementes de tanchagem (Plantago major L.), diferindo estatisticamente da testemunha (agua).

Observa-se que os tratamentos a base de extrato aquoso de erva-cidreira promoveram efeitos pronunciados sobre a qualidade fisiologica das sementes de barriguda. Para Carvalho et al. (1999), sementes predispostas a acao de fitopatogenos, quando tratadas, reduzem a capacidade de sobrevivencia destes e potencializam a longevidade das sementes e, seu poder germinativo e o vigor das futuras plantas.

Conclusao

Os extratos aquosos de Allium sativum e Lippia alba apresentam atividade antifungica sobre Aspergillus flavus, Aspergillus niger, Aspergillus sp., Curvularia lunata, Fusarium sp. e Rhizopus stolonifer associados as sementes de Chorisia glaziovii inibindo por completo seu desenvolvimento.

O extrato de Allium sativum inibe o crescimento da raiz e parte aerea de plantulas de Charisia glaziovii.

A qualidade fisiologica das sementes de Charisia glaziovii tiveram efeitos pronunciados pela aplicacao do extrato aquoso de Lippia alba.

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Andrezza Klyvia Oliveira de Araujo (I), Rommel dos Santos Siqueira Gomes (II), Maria Lucia Mauricio da Silva (II), Angeline Maria da Silva Santos (III), Luciana Cordeiro do Nascimento (IV)

(I) Engenheira Agronoma, MSc., Doutoranda no Programa de Pos-graduacao em Fitotecnia, Universidade Federal Rural do Semiarido, Campus Central, Av. Francisco Mota, 572, Costa e Silva, CEP 59625-900, Mossoro (RN), Brasil. andrezza_klyvia@hotmail.com (ORCID: 0000-0001-71100066)

(II) Engenheiro(a) Agronomo(a), MSc., Doutorandos no Programa de Pos-graduacao em Agronomia, Campus II, Rod. PB 079 - Km 12, Caixa Postal 66, CEP 58397-000, Areia (PB), Brasil. pratacca@gmail.com (ORCID: 0000-0001-7596-3221) luciaagronomia@hotmail.com (ORCID: 0000-0003-46424979)

(III) Engenheira Florestal, Dra., Pos-doutoranda (PNPD/CAPES), Universidade Federal da Paraiba, Campus II, Rod. PB 079 - Km 12, Caixa Postal 66, CEP 58397-000, Areia (PB), Brasil. angeline_angell@yahoo.com.br (ORCID:0000-0001-7774-6837)

(IV) Engenheira Agronoma, Dra., Professora do Departamento de Fitotecnia e Ciencias Ambientais, da Universidade Federal da Paraiba, Campus II, Rod. PB 079 - Km 12, Caixa Postal 66, CEP 58397-000, Areia (PB), Brasil. luciana.fitopatologia@gmail.com (ORCID: 0000-0001-7774-6837)

Submissao: 13/03/2017 Aprovacao: 25/10/2018 Publicacao: 30/06/2019

DOI: https://doi.org/10.5902/1980509826140
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Title Annotation:Artigos
Author:de Araujo, Andrezza Klyvia Oliveira; Gomes, Rommel dos Santos Siqueira; da Silva, Maria Lucia Mauric
Publication:Ciencia Florestal
Date:Apr 1, 2019
Words:4786
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